Gisele da Luz Freire Silva - TRAMAS DO MATERNAR: OFICINAS POTENCIAIS COMO DISPOSITIVO DE ESCUTA-PREVENÇÃO DAS VIOLÊNCIAS
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tramas do maternar: oficinas
potenciais como dispositivo de
escuta-prevenção das violências
gisele freire
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
GISELE DA LUZ FREIRE SILVA
TRAMAS DO MATERNAR: OFICINAS POTENCIAIS COMO DISPOSITIVO DE
ESCUTA-PREVENÇÃO DAS VIOLÊNCIAS
DEFESA DE MESTRADO
MACEIÓ, ALAGOAS
ABRIL - 2026
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GISELE DA LUZ FREIRE SILVA
TRAMAS DO MATERNAR: OFICINAS POTENCIAIS COMO DISPOSITIVO DE
ESCUTA-PREVENÇÃO DAS VIOLÊNCIAS
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal
de Alagoas (UFAL) como requisito final para obtenção
do título de mestre em Psicologia.
Orientadora: Profa. Dra. Paula Orchiucci Miura
MACEIÓ, ALAGOAS
ABRIL - 2026
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Escrever.
Não posso.
Ninguém pode.
É preciso dizer: não podemos.
E escrevemos.
(Marguerite Duras)
Mother, do you think they'll drop the bomb?
Mother, do you think they'll like this song?
Mother, do you think they'll try to break my balls?
Mother, should I build the wall?
Mother, should I run for president?
Mother, should I trust the government?
Mother, will they put me in the firing line?
Is it just a waste of time?
Hush now, baby, baby, don't you cry
Momma's gonna make all of your nightmares come true
Momma's gonna put all of her fears into you
Momma's gonna keep you right here under her wing
She won't let you fly, but she might let you sing
Momma's gonna keep baby cozy and warm
Oh, baby, oh, baby
Oh, baby, of course momma's gonna help build the wall
Mother, do you think she's good enough for me?
Mother, do you think she's dangerous to me?
Mother, will she tear your little boy apart?
Mother, will she break my heart?
Hush now baby, baby, don't you cry
Momma's gonna check out all your girlfriends for you
Momma won't let anyone dirty get through
Momma's gonna wait up until you get in
Momma will always find out where you've been
Momma's gonna keep baby healthy and clean
Oh, baby, oh, baby
Oh, baby, you'll always be baby to me
Mother, did it need to be so high?
(Mother - Pink Floyd)
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A todas as mães que tornaram possível a realização desta pesquisa.
À mãe da minha mãe, Maria de Fátima.
À minha mãe, Maria José.
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AGRADECIMENTOS
A todas as pessoas que, direta ou indiretamente, cruzaram o meu caminho neste percurso do
mestrado em Psicologia tenha sido antes, durante ou depois.
Às professoras Angelina Vasconcelos, Heliane Leitão e Leila Tardivo pelo aceite em compor a
banca de avaliação, pela leitura atenta e pelas contribuições tão valiosas.
À minha querida orientadora, Paula Miura, por todo acolhimento, parceria, confiança,
dedicação e orientação ao longo destes anos. A ela, mais que suficientemente boa.
A todas as professoras e todos os professores com quem tive a oportunidade de aprender; em
especial, a Fernando Cardoso, quem me apresentou à pesquisa acadêmica em meados de 2016.
Aos meus pais, pela vida, amparo, amor e cuidado, pelo incentivo ao voo e segurança do
retorno; por me apresentarem
desde pequenina
ao mundo mágico dos livros, por sempre
terem proporcionado um teto e um quarto todo meu para que eu pudesse ler, estudar e escrever.
Sem vocês, esta dissertação não teria sido possível.
Aos meus amados avós: Maria de Fátima, Antônia (in memoriam), Tarcísio e Antônio.
À Giulia, Guilherme, Márcia, Mavison, Mirely e Sofia, a quem tanto amo e quero bem.
A Cristian, Eriel e Vinícius, tão importantes e especiais para mim.
Aos advomigos, Cledson e Denilson, pelos domingos ensolarados em Ipioca.
Aos bonitos e bons encontros deste trajeto: a Jhonan, Mylene, Raissa e Samuel, que tornaram
o fazer pesquisa menos solitário e muito mais leve. Ainda bem que nos encontramos.
A David, Jakeline e Maria Rita, por serem amizade-casa e genuinamente vibrarem por minhas
conquistas. Levo vocês sempre comigo, não importa aonde eu vá.
À minha analista, Kamila Cabral, pela escuta cuidadosamente afiada.
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À Flávia, Heloísa e Maria Helena, pelo suporte, apoio e parceria na condução das oficinas.
À ONG, por tão gentilmente abraçar e recepcionar a proposta desta pesquisa.
Às mães por me contarem e confiarem suas histórias. A cada encontro que tivemos, me vi outra.
Ao apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Brasil (CAPES)
Código de Financiamento 001, que tornou este sonho viável.
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RESUMO
A vivência da maternidade, refratária a generalizações universais, revela-se indissociável de
marcadores sociais definidores de variados graus de vulnerabilidade e acesso a direitos. Para a
mulher negra e periférica, o maternar assume contornos de resistência política ante a
invisibilidade e o desamparo estatal - contexto no qual a intervenção psicanalítica junto a
famílias e instituições emerge como recurso potente na compreensão das subjetividades e nas
possibilidades de mudanças. O objetivo geral consistiu em compreender o exercício do
maternar e o enfrentamento das vicissitudes cotidianas por mulheres em contexto de
vulnerabilidade socioeconômica em Maceió (AL), no intuito de fomentar conhecimento
teórico-prático para a prevenção das violências contra crianças e adolescentes. Os objetivos
específicos foram: a) mapear as produções acadêmicas sobre a parentalidade e sua interface
com os maus-tratos infantojuvenis; b) apreender os significados atribuídos à experiência de ser
mãe; c) analisar a prática da maternidade frente às dificuldades diárias; e d) viabilizar um espaço
potencial de reflexão voltado à prevenção das violências intrafamiliares. Trata-se de uma
pesquisa ação-interventiva, de abordagem qualitativa. Para tanto, realizaram-se oficinas
potenciais em uma organização não governamental da região sudoeste de Maceió. Participaram
sete mães, autodeclaradas negras, entre 22 e 43 anos. O percurso metodológico envolveu três
encontros: no primeiro, utilizou-se o Procedimento de Desenho-Estória com Tema (DE-T); no
segundo, empregaram-se Narrativas Interativas (NI), visando averiguar o manejo das
adversidades cotidianas; e, no terceiro, construíram-se coletivamente estratégias voltadas à
interrupção do ciclo geracional de violências. A análise fundamentou-se numa leitura clínicopsicanalítica winnicottiana, compreendendo as oficinas como espaços potenciais. Observou-se
que todas as mães vivenciaram a gravidez na adolescência. Os sentidos atribuídos à experiência
materna oscilaram entre a força para viver e o sofrimento, configurando-se como prática árdua
e de amadurecimento contínuo. A sustentação do cotidiano repousa sobre redes de apoio
femininas, enquanto privações materiais e insegurança alimentar figuram como barreiras à
construção de um ambiente suficientemente bom. O castigo físico emergiu nos desfechos
se que a prevenção das violências intrafamiliares - imperativo ético e político - não se
operacionaliza pela repressão da raiva, mas a partir de espaços de simbolização para que a
agressividade, enquanto impulso vital, possa encontrar destinos criativos e construtivos.
Palavras-chave: Maternidade. Violências. Oficinas-potenciais. Clínica Ampliada. Maceió.
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ABSTRACT
The experience of motherhood, resistant to universal generalizations, proves to be inseparable
from social markers that define varying degrees of vulnerability and access to rights. For the
black women from the periphery, motherhood takes on the contours of political resistance
against invisibility and state neglect from the state - a context in which psychoanalytic
intervention with families and institutions emerges as a powerful resource for understanding
subjectivities and promoting change. The overall objective was to understand the experience
of motherhood and the coping with the daily vicissitudes of women in the context of
socioeconomic vulnerability in Maceió (AL), with the aim of fostering theoretical and practical
knowledge for the prevention of violence against children and adolescents. The specific
objectives were: a) to map academic productions on parenting and its interface with child
maltreatment; b) to understand the meanings attributed to the experience of being a mother; c)
to analyze the practice of motherhood in the face of daily difficulties; and d) to enable a
potential space for reflection focused on the prevention of domestic violence. This is a
qualitative action-research study. To that end, potential offices established in a nongovernmental organization in the southwest region of Maceió. Seven mothers, who selfidentified as black, aged between 22 and 43 participated in the study. The methodological
approach involved three meetings: in the first, the Thematic Drawing-Story Procedure (DE-T)
was used; in the second, Interactive Narratives (IN) were employed to investigate the
management of daily adversities; in the third stage, strategies were collectively developed
aimed at interrupting the generational cycle of violence. The analysis was based on a
winnicottian clinical-psychoanalytic reading, understanding the workshops as potential spaces.
It was observed that all mothers experienced teenage pregnancy. The meanings attributed to
the maternal experience oscillated between the strength to live and suffering, configuring itself
as an arduous practice and one of continuous maturation. The sustenance of daily life rests on
female support networks, while material deprivation and food insecurity act as barriers to
building a sufficiently good environment. Physical punishment emerged outcomes as a
response to the overload and frustration in the face
It is
concluded that the prevention of domestic violence - an ethical and political imperative - is not
achieved through the repression of anger, but through spaces for symbolization, so that
aggression, as a vital impulse, can find creative and constructive destinations.
Keywords: Motherhood. Violence. Potencial-workshops. Expanded clinic. Maceió.
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LISTA DE ILUSTRAÇÕES E TABELAS
Fotografia da capa de abertura: acervo pessoal.
Fotografia da pág. 27: acervo pessoal.
Fotografia da pág. 49: acervo pessoal.
Fotografia da pág. 71: acervo pessoal.
Fotografia da pág. 103: acervo pessoal.
Fotografia da pág. 120: acervo pessoal.
Fotografia da pág. 134: acervo pessoal.
Figura 1: Um sonho.
Figura 2: A história de uma mãe que mesmo tendo marido ela que sustenta a barra só.
Figura 3: Uma mãe dona de casa.
Figura 4: Uma tarde no parquinho.
Figura 5: Guerreira
Figura 6: Tem que ter calma.
Figura 7: Children see, Children do.
Figura 8: Você conhece as formas de violência contra crianças e adolescentes?
Figura 9: Como romper o ciclo de repetição da violência?
Tabela 1: Perfil das participantes da pesquisa
Tabela 2: Panorama do levantamento bibliográfico por base de dados
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LISTA DE SIGLAS
ACT - Adults and Children Together
AMAR - Aliança de Mães e Famílias Raras
APS - Atenção Primária à Saúde
BVS - Biblioteca Virtual de Saúde
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CEASB - Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
CNS - Conselho Nacional de Saúde
CRAS - Centro de Referência de Assistência Social
CREAS - Centro de Referência Especializado em Assistência Social
CREN - Centro de Recuperação e Educação Nutricional
D-E - Desenho-Estória
DE-T - Desenho-Estória com Tema
EBIA - Escala Brasileira de Insegurança Alimentar
ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente
EPI - Equipamento de Proteção Individual
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz
MCMV - Minha Casa, Minha Vida
MMR - Mapa Mínimo de Relações
MPT - Ministério Público do Trabalho
NAPCAN - National Association for Prevention of Child Abuse and Neglect
NI - Narrativa Interativa
ONG - Organização Não Governamental
PBF - Programa Bolsa Família
PePSIC - Periódicos Eletrônicos em Psicologia
PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
RA - Região Administrativa
RAV - Rede de Atenção às Violências
RMR - Região Metropolitana do Recife
SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria
SciELO - The Scientific Electronic Library Online
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SCZV - Síndrome Congênita do Zika Vírus
SEMHAB - Secretaria Municipal de Desenvolvimento Habitacional
SEVISA - Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde
SIPIA - Sistema de Informação para Infância e Adolescência
TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância
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SUMÁRIO
I. INTRODUÇÃO
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II. ENTRELACES DA PARENTALIDADE: REVISANDO OS MODOS DE CUIDADO
E REDES DE APOIO EM CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE SOCIAL
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Exploração
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Refinamento e Cruzamento
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Descrição
31
Análise
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Algumas considerações
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III. PERCURSO METODOLÓGICO
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Aspectos éticos
50
O delineamento: pesquisa-ação e abordagem qualitativa
50
O cenário: território, memória e a instituição
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As protagonistas da pesquisa
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Aproximando-me do campo
60
Dispositivos de escuta e produção
61
Costura analítica: uma leitura winnicottiana
69
IV. TECENDO O HOLDING EM REDE: SIGNIFICADOS DO TORNAR-SE MÃE
72
Mayara: a maternidade como força para viver
73
Larissa e a vivência materna: o desamparo de outrora e a solidão de hoje
78
Dalva: do brincar de boneca à construção do amparo possível
83
88
Joana e o cuidado na escassez: entre a fome e o afeto
92
96
V. AS VICISSITUDES DO CUIDADO: DA AGRESSIVIDADE DESTRUTIVA À
ESPERANÇA DO GESTO CRIATIVO
104
Narrativa interativa 1: Eu sou só uma
105
Narrativa interativa 2: Entre a pia e a rua
110
Do impulso vital à expressão destrutiva: diferenciando agressividade de violência
115
VI. ESPAÇO POTENCIAL COMO DISPOSITIVO DE PREVENÇÃO ÉTICA ÀS
VIOLÊNCIAS CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
121
Prevenção: entre o ideal técnico e a ética do cuidado
131
VII. CONSIDERAÇÕES FINAIS
135
13
REFERÊNCIAS
138
ANEXOS
149
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