Elisabete Martins da Silva - MAS ELE NUNCA ME BATEU: AS CRENÇAS DAS USUÁRIAS DO SUS SOBRE VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA CONTRA A MULHER.

Arquivo
Resumo estendido - Elisabete Martins.pdf
Documento PDF (511.6KB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

ELISABETE MARTINS DA SILVA

Mas ele nunca me bateu: as crenças das usuárias do SUS sobre violência psicológica contra
a mulher

Maceió
2026

ELISABETE MARTINS DA SILVA

Mas ele nunca me bateu: as crenças das usuárias do SUS sobre violência psicológica contra
a mulher

Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
Universidade Federal de Alagoas como
requisito parcial para obtenção do grau de
Mestra em Psicologia.
Área de concentração: Subjetividades,
Políticas e Processos Psicossociais.
Orientadora: Profa. Dra. Sheyla Christine
Santos Fernandes.

Maceió
2026

Dedico este trabalho à minha mãe (in memoriam)
Que me ensinou a ser forte, quando eu a vi ser frágil;
Que me ensinou a falar, quando eu a vi calar;
Que me ensinou morrendo, que não se deve morrer por ninguém.
Não pude salvá-la em vida, hoje honro sua morte.
Dedico também às mulheres que têm marcas difíceis de nomear.

GRATIDÃO
Primeiro à força universal na qual eu me seguro para acreditar que viver vale a pena.
À minha mãe, Elisabete, em memória, por me fazer querer ser mais que esposa e mãe.
À minha tia Fátima, em memória, que sempre me acolheu e me aguentou nos melhores e piores
momentos, e que me ensinou muito sobre o amor.
À minha vó Maria, em memória, meu símbolo de força e coragem, que me ensinou a não aguentar
desaforo de homem.
À minha tia Cristina, que me acolheu na adolescência e na fase adulta, quando eu não tinha para
onde ir, a sua casa foi meu lar, serei eternamente grata.
À minha maior e melhor amiga Paula, que me ensina todos os dias, e que acreditou em mim e na
minha capacidade desde a adolescência, amizade que cultivo e compreendo a importância, de todas
as perdas, sem dúvida, a sua seria a maior.
Ao meu companheiro de jornada Rogério, que é o mais amoroso e parceiro que eu poderia ter, e
que eu tenho muita sorte em ter perto.
Ao meu pai, Nivaldo, que tentou ser o melhor que podia e me ensinou a ser independente, honesta
e enfrentar os meus medos.
Aos meus familiares (Kamilla, Jullyanna, Júlio, Bruno, Claricia, Yan, Yuri), que me apoiaram
em momentos diferentes e de diferentes formas.
Amigas e amigos que fazem parte dos momentos mais divertidos e que são meus amores
espalhados por aí.
À minha analista, Luciana Andrade, que me escutou quando o tema da pesquisa começou a pesar
muito para mim.
À minha orientadora Sheyla Fernandes, por ter aceitado as minhas ideias e por me ajudar nesse
processo que precisa de compreensão e ajustes, com muito respeito e carinho.
Às minhas parceiras do LAICOS, em especial Fran, que foi amizade à primeira vista, e Alanda,
minha parceira desde a graduação, que se tornou uma grande amiga no mestrado, e que me
ajudaram em diversos momentos da pós-graduação.
Aos professores, professoras e técnicas, que fizeram parte da formação no PPG do Instituto de
Psicologia da Universidade Federal de Alagoas
reconhecimento.

UFAL, vocês foram incríveis e merecem todo

Só eu e Deus sabe o que é não ter nada,
ser expulso.
Ponho linhas no mundo,
mas já quis pôr no pulso.
(Amarelo - Emicida)

RESUMO
A violência psicológica contra a mulher constitui uma das formas mais frequentes e invisibilizadas
de violência de gênero, marcada pela naturalização de práticas abusivas nas relações íntimas e pela
dificuldade de reconhecimento por parte das próprias mulheres. Apesar dos avanços normativos e
institucionais no Brasil, persistem desafios na comunicação, identificação e enfrentamento dessa
forma de violência, especialmente no âmbito da saúde. Diante desse cenário, esta dissertação teve
como objetivo analisar as crenças de mulheres usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre a
violência psicológica perpetrada por parceiros íntimos, bem como examinar como esse tipo de
violência é abordado nos discursos institucionais do Ministério da Saúde e do Ministério das
Mulheres. A pesquisa foi desenvolvida a partir de três estudos complementares. O Estudo 1
analisou materiais informativos publicados pelos Ministérios, por meio de análise textual com
auxílio do software IRAMUTEQ, identificando que a violência psicológica é frequentemente
tratada de forma genérica, diluída entre outras modalidades de violência, com predomínio de uma
abordagem normativa e institucional. O Estudo 2 investigou, através de entrevistas
semiestruturadas com mulheres usuárias da atenção básica, as crenças relacionadas à violência
psicológica à luz da Teoria da Ação Planejada, revelando dificuldades no reconhecimento do
abuso, naturalização do controle e da humilhação nas relações conjugais, além de uma busca por
ajuda geralmente tardia. O Estudo 3 realizou uma análise comparativa entre os discursos das
mulheres e os discursos institucionais, evidenciando um descompasso entre a experiência vivida e
a resposta pública, sobretudo, no que se refere à centralidade da fala, da escuta e do acolhimento.
Conclui-se que a distância entre os discursos institucionais e as experiências das mulheres impacta
negativamente as crenças comportamentais, normativas e de controle relacionadas ao
enfrentamento da violência psicológica, reforçando sua invisibilidade nos serviços de saúde. Os
achados apontam para a necessidade de estratégias comunicacionais mais específicas, acessíveis e
sensíveis à experiência feminina, capazes de fortalecer o reconhecimento precoce da violência
psicológica e ampliar o acesso ao cuidado integral no SUS.
Palavras-chave: Violência psicológica; Violência contra as mulheres; SUS; Políticas públicas;
Teoria da Ação Planejada.

ABSTRACT
Psychological violence against women constitutes one of the most frequent and yet most
invisibilized forms of gender-based violence, marked by the naturalization of abusive practices in
and institutional advances in Brazil, challenges persist in the communication, identification, and
confrontation of this form of violence, particularly within the health sector. In this context, this
dissertation aimed to analyze the beliefs of women users of the Brazilian Unified Health System
(Sistema Único de Saúde
SUS) regarding psychological violence perpetrated by intimate
partners, as well as to examine how this type of violence is addressed in the institutional discourses
of the Ministry of Health and the Ministry of Women. The research was developed through three
complementary studies. Study 1 analyzed informational materials published by the Ministries using
textual analysis with the support of IRAMUTEQ software, identifying that psychological violence
is often treated in a generic manner, diluted among other forms of violence, with a predominance
of a normative and institutional approach. Study 2 investigated, through semi-structured interviews
with women users of primary health care services, beliefs related to psychological violence in light
of the Theory of Planned Behavior, revealing difficulties in recognizing abuse, the naturalization
of control and humiliation in marital relationships, and a generally late search for help. Study 3
itutional discourses,
highlighting a mismatch between lived experience and public responses, especially regarding the
centrality of speech, listening, and welcoming practices. It is concluded that the gap between
ences negatively affects behavioral, normative, and
control beliefs related to confronting psychological violence, reinforcing its invisibility within
health services. The findings point to the need for more specific, accessible, and experiencesensitive communication strategies capable of strengthening early recognition of psychological
violence and expanding access to comprehensive care within the SUS.
Keywords: Psychological violence; Violence against women; Unified Health System (SUS);
Public policies; Theory of Planned Behavior.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1

Dendograma Ministério da Saúde

Figura 2

Dendograma Ministério das Mulheres

Figura 3 - Gráfico de Similitude - Ministério da Saúde
Figura 4 - Gráfico de Similitude do Ministério das Mulheres
Figura 5 - Gráfico de Similitude do bloco 1
Figura 6 - Dendrograma da CHD do Bloco 1
Figura 7 - Gráfico de Similitude do bloco 2
Figura 8 - Dendrograma da CHD do Bloco 2
Figura 9 - Dendrograma da CHD do Bloco 3
Figura 10

Gráfico de Similitude do Bloco 3

Figura 11

Gráfico de Similitude Ministério da Saúde

Figura 12

Gráfico de Similitude Ministério das Mulheres

LISTA DE TABELAS
Tabela 1

Temas e quantidade de publicações do MS

Tabela 2

Temas e quantidade de publicações do MM

Tabela 3

Caracterização sociodemográfica das participantes

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
TAP

Teoria da Ação Planejada

SUS

Sistema Único de Saúde

UBS

Unidade Básica de Saúde

AB

Atenção Básica

VP

Violência Psicológica

MS

Ministério da Saúde

MM

Ministério das Mulheres

VCM

Violência Contra as Mulheres

VPCMPI

Violência Psicológica Contra as Mulheres por Parceiro Íntimo

PNAB

Política Nacional de Atenção Básica

PNEPS

Política Nacional de Educação Popular em Saúde

SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO......................................................................................................................................................................14
CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO GERAL ................................................................................................................................18
CAPÍTULO 2: VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA, SEXISMO, ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE E TEORIA DA AÇÃO
PLANEJADA ...............................................................................................................................................................................21
2.1 Não deixa marcas, mas fere ....................................................................................................................................21
2.2 Ciclos de Controle: Do sexismo à culpa .............................................................................................................24
2.3 Por trás do sintoma: A violência invisível e o cuidado em saúde ...........................................................28
2.4 O mundo é um moinho: O peso das crenças para o reconhecimento da violência psicológica
contra as mulheres ............................................................................................................................................................29
CAPÍTULO 3: ESTUDO 1 - QUANDO A COMUNICAÇÃO FALHA, A VIOLÊNCIA SE OCULTA: A
COMUNICAÇÃO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE E MINISTÉRIO DAS MULHERES NO ENFRENTAMENTO
DA VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA ............................................................................................................................................32
3.1 Método ............................................................................................................................................................................35
3.2 Resultados e discussões ...........................................................................................................................................35
3.2.1 Análise Gráfica .....................................................................................................................................................36
3.2.2 Análise com o IRAMUTEQ...............................................................................................................................38
3.3 Conclusões .....................................................................................................................................................................45
CAPÍTULO 4: ESTUDO 2 - AS CRENÇAS DE USUÁRIAS DO SUS SOBRE VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA .....49
4.1 Método ............................................................................................................................................................................51
4.1.1 Aspectos Éticos da Pesquisa ..........................................................................................................................51
4.1.2 Perfil das mulheres entrevistadas...............................................................................................................51
4.1.3 Instrumento..........................................................................................................................................................53
4.1.4 Análise dos Dados ..............................................................................................................................................53
4.2 Resultados e Discussão ............................................................................................................................................54
4.2.1 Gráfico de Similitude e Dendrograma

Bloco 1 .................................................................................55

4.2.2 Gráfico de Similitude e Dendrograma

Bloco 2 ..................................................................................61

4.3 Análise das crenças a partir dos blocos 1 e 2 ..................................................................................................67
4.3.1 Crenças Comportamentais .............................................................................................................................67
4.3.2 Crenças normativas...........................................................................................................................................68
4.3.3 Crenças de controle ...........................................................................................................................................69
4.4 Conclusões..........................................................................................................................................................................69
CAPÍTULO 5: ESTUDO 3 ENTRE A EXPERIÊNCIA DAS MULHERES E O
DISCURSO
INSTITUCIONAL: A VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA EM ANÁLISE ...............................................................................73
5.1 Método ............................................................................................................................................................................74

5.1.1 Aspectos Éticos da Pesquisa ..........................................................................................................................74
5.1.2 Instrumento..........................................................................................................................................................74
5.2 Resultados e Discussão ............................................................................................................................................75
5.2.1 Gráficos de similitude Classe 3 e Ministérios ......................................................................................78
5.2 Conclusões .....................................................................................................................................................................84
CAPÍTULO 6: CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................86
REFERÊNCIAS ..........................................................................................................................................................................90
APÊNDICE A Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .............................................................................96
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) ..........................................................................96
APÊNDICE B Instrumento de Entrevista Semiestruturada Individual..........................................................99
ANEXO A Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa UFAL...................................................................... 101