Thallyta Caroline Farias de Souza
A construção de vínculos no Método Canguru.
Resumo
Esta dissertação apresenta uma pesquisa sobre o Método Canguru, política pública de atenção humanizada voltada à/ao recém-nascida/o de baixo peso e à sua família, baseada no contato pele a pele, na participação familiar no cuidado e na promoção do vínculo afetivo. Tem como objetivo geral analisar a produção de sentidos do Método Canguru no cotidiano de mulheres-mães e familiares de recém-nascidas/os internadas/os em uma Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa). Como objetivos específicos, busca compreender o contexto do Método Canguru enquanto política pública do SUS; investigar os efeitos emocionais, relacionais e cotidianos vivenciados pelas mulheres-mães durante a internação neonatal e a participação no Método Canguru; e analisar o apoio familiar e as redes de apoio no cuidado à/ao recém-nascida/o no contexto da hospitalização neonatal. O estudo fundamenta-se no construcionismo social, focando em conversas do cotidiano, compreendendo-as como centrais e ativas na produção do conhecimento. Trata-se de um movimento que se interessa pelos modos como as pessoas descrevem suas experiências e constroem sentidos por meio das práticas discursivas e da produção de sentidos. Como estratégia metodológica, utiliza-se da etnografia, sustentada pelo conceito de campo-tema, tendo o diário de campo como ferramenta de registro e análise. A pesquisa foi realizada na Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCa) de um hospital universitário localizado em uma capital do Nordeste brasileiro. A análise das experiências compartilhadas no campo possibilitou a construção de três dimensões que orientaram a discussão. A primeira, centralidade do Método Canguru na mulher-mãe: exaustão, solidão e saudades, como a responsabilização pelo cuidado da/o recém-nascida/o pode produzir sobrecarga física e emocional, além de distanciamento da vida cotidiana e de pessoas significativas. A segunda, produção de sentidos na mulher-mãe: medos, culpas e controles - o peso do peso, os sentidos produzidos em torno da condição clínica e da evolução do quadro clínico da criança, atravessados por medos, expectativas, sentimento de culpa e a responsabilidade da mulher-mãe sobre o ganho de peso. E a terceira, produção de sentidos a partir das relações familiares e da internação, a hospitalização neonatal reflete nas relações familiares, mobilizando diferentes formas de presença, apoio, ausência e participação no cuidado.
