Ryan Matheus Figuerêdo Vieira
MARACATU RURAL: VIOLÊNCIA DA PLANTAÇÃO, SOFRIMENTO E MEMÓRIA
Resumo
Este estudo investiga as relações entre a violência da plantação de cana-de-açúcar, o sofrimento e a memória no contexto do Maracatu Rural, uma festa popular afro-brasileira da Zona da Mata pernambucana. A partir de uma perspectiva interdisciplinar, articula-se estética e subjetividade para analisar como o Maracatu Rural, enquanto uma expressividade avessa à transparência da dominação, informa uma compreensão do Brasil e da subjetividade desde as plantações, desvelando a fratura da formação social brasileira. A pesquisa adota como referência teórica a obra de Lélia Gonzalez, que propõe uma interpretação crítica da cultura brasileira, contrastando com o cânone científico representado por Gilberto Freyre. A metodologia adotada combina análise teórica e interpretação estética e tem por suporte epistemológico o estruturalismo. É possível concluir parcialmente que o maracatu rural opera deslocamentos sobre o sofrimento e a memória e possibilita inscrever a violência da plantação em uma perspectiva distinta das estéticas dominantes. Ao produzir tais deslocamentos, o maracatu também desloca uma determinada partilha do sensível que produz o corte entre um sujeito universal – o branco – e um sujeito-objeto supostamente aquém da sensibilidade e da racionalidade – o negro e o indígena. O estudo se afirma, assim, como uma tentativa de construir uma pesquisa crítica voltada ao passado e ao presente da plantação ao reunir a estética e a subjetividade através de uma festa popular afro-brasileira.
