Raissa de Abreu Rocha Gomes
Entre as dobras, tudo transborda: vivências de mulheres gordas e lésbicas acerca do amor
Resumo
Antes que eu pudesse escrever esta pesquisa, ou ao menos pensá-la, precisei primeiro me encontrar com o amor; precisei senti-lo e redesenhá-lo a partir das minhas vivências — em outras palavras, precisei vivê-lo. No entanto, o amor que encontrei e vivi me levou a transbordar entre os espaços, fez com que eu me movesse pelo mundo até chegar aqui, neste texto que você está prestes a ler. Mas, antes que você comece, preciso que saiba: é o amor que me faz escrever esta pesquisa. No decorrer das páginas, vou me inscrevendo e me encarnando entre essas linhas, assumindo a autohistoria-teoria enquanto uma política de escrita ético-feminista que me permite habitar as fronteiras entre memória, ficção e teoria para construir um novo lugar, onde entrelaço minhas vivências e histórias aos saberes feministas lésbicos e gordos, que me ajudam a pensar e construir uma epistemologia gorda-sapatão — minha aposta ética e política. Enquanto objetivo geral, busco compreender como mulheres gordas e lésbicas têm vivenciado o amor. Para isso, assumo também os seguintes objetivos específicos: (1) refletir sobre como as intersecções entre gênero, sexualidade e gordura influenciam as vivências amorosas de mulheres gordas e lésbicas; (2) compreender quais tecnologias amorosas essas mulheres estão criando como estratégias de fortalecimento e manutenção de suas existências. Durante esse percurso, conversarei com mulheres gordas e lésbicas, recorrendo à autofotografia enquanto estratégia metodológica. Por meio de uma chamada pública que ficará disponível nas redes sociais, convidaremos até no máximo 10 mulheres que se autodeclaram gordas e lésbicas para participarem de uma roda de conversa que acontecerá de modo online — pela plataforma do Google Meet — em dois momentos diferentes. Primeiramente, nos encontraremos para que eu possa apresentar a pesquisa e seus objetivos, abrindo também espaço para que elas compartilhem suas vivências acerca do amor. A partir das discussões, elas serão convidadas a criarem fotografias que retratem aquilo que conversamos nesse primeiro momento. No segundo encontro, voltamos a nos reunir para que elas compartilhem as imagens produzidas e, assim, possamos conversar sobre os significados e sentidos que carregam — as imagens serão o fio que nos conduz nessa travessia amorosa, costurando corpo, história, memórias e amor. Analisarei essas narrativas produzidas a partir de um viés interseccional, a fim de pensar os diferentes atravessamentos que perpassam as experiências singulares no modo como essas mulheres vivem e significam o amor.
