Elisabete Martins da Silva
Mas ele nunca me bateu : as crenças das usuárias do SUS sobre violência psicológica contra a mulher.
Resumo
As leis e políticas públicas mostram um avanço para a proteção das mulheres, porém, notam-se os números de violências que crescem e o surgimento de novos desafios. Um deles é a compreensão de que a violência contra a mulher nem sempre é física, podendo ser também moral, patrimonial, sexual e psicológica. Na presente pesquisa, reconhece-se que a violência é um fenômeno multidimensional, manifestando-se de diversas formas e atravessando todas as camadas sociais, independentemente de local, classe, raça, etnia ou faixa etária. Além disso, pode ser perpetrada por diversas pessoas, independente do gênero, de instituições e organizações sociais e culturais. No entanto, a pesquisa aprofunda-se no recorte de violência psicológica por parceiro íntimo (cônjuge, companheiro, namorado) do gênero masculino, pois, segundo o Mapa da Violência, os homens ainda são os maiores perpetradores da violência contra as mulheres. Este estudo analisa as crenças das usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre violência psicológica contra a mulher (VPM) e avalia a comunicação dos Ministérios da Saúde (MS) e das Mulheres (MM) sobre o tema. O primeiro estudo desenvolvido é de metodologia mista e combinou análise textual de publicações institucionais utilizando o software IRAMUTEQ. Os resultados revelaram que apenas 21,57% das publicações do MS e 53,66% do MM abordavam diretamente a VPM, muitas vezes de forma superficial ou associada a outras violências. Conclui-se que há lacunas significativas na divulgação de informações claras e acessíveis pelos ministérios.
