Maria Sandra dos Santos - "A infância e a criança na psicologia: metassíntese da produção acadêmica de grupos de pesquisa e pesquisadores brasileiros".
Dissertação de Mestrado- Maria Sandra dos Santos - FINAL.pdf
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1
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
MARIA SANDRA DOS SANTOS
A INFÂNCIA E A CRIANÇA NA PSICOLOGIA: METASSÍNTESE DA PRODUÇÃO
ACADÊMICA DE GRUPOS DE PESQUISA E PESQUISADORES BRASILEIROS
MACEIÓ - AL
2019
2
MARIA SANDRA DOS SANTOS
A INFÂNCIA E A CRIANÇA NA PSICOLOGIA: METASSÍNTESE DA PRODUÇÃO
ACADÊMICA DE GRUPOS DE PESQUISA E PESQUISADORES BRASILEIROS
Dissertação de mestrado de Maria Sandra dos
Santos a ser apresentada junto ao Programa de
Pós-graduação em Psicologia da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito parcial
para a obtenção do título de Mestre em
Psicologia.
Orientadora: Prof.a Dra. Adélia Augusta Souto
de Oliveira.
MACEIÓ - AL
2019
3
AGRADECIMENTOS
À minha orientadora, Prof. Dra. Adélia Augusta Souto de Oliveira, pela confiança dispensada
a mim durante todo meu percurso acadêmico, onde pude aprender e conviver com seu talento
e profissionalismo desde o tempo da graduação.
A toda minha família, em especial à minha mãe Rosita Maria e meu irmão José Cícero,
ambos, de forma direta e indireta, me ajudaram a continuar trilhando esse caminho. Foram
suporte e incentivo ao longo da caminhada.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e à Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), que por meio de edital em parceria me
possibilitaram os recursos da bolsa pra executar minha pesquisa.
Às professoras e professores do Programa de Pós-Graduação, pelo compromisso e ética
profissional.
Às professoras Sônia Margarida Gomes Sousa e Heliane de Almeida Lins Leitão, pelas
importantes contribuições a este trabalho, no Seminário Avançado de Qualificação, bem como
estarem no momento da banca de defesa. Agradeço também à professora Paula Orchiucci
Miura, pela disponibilidade em representar minha orientadora na defesa deste trabalho,
presidindo a banca examinadora.
Aos colegas de turma de mestrado, e aos do grupo de pesquisa “Epistemologia e a Ciência
Psicológica”, pelos momentos de discussões e articulações que muito contribuíram para a
conclusão deste trabalho, em especial à Raissa Matos, pela amizade e parceria,
compartilhando comigo momentos e discussões cruciais na construção e desenvolvimento
desta pesquisa. Muito obrigada pela presença sempre afável.
Ao meu amigo Wanderley Barbosa, que nos momentos de angústia soube ser um ótimo
ouvinte. Sou muito grata por me permitir compartilhar com você esses momentos.
Agradeço a todos que, de um modo ou de outro, foram apoio e presença durante este percurso.
Aos meus amigos, Drielly Alcântara, Jessica Mendes, James Leite, e Hygina Porfirio, vocês
foram meu momento de leveza e descontração, necessários nesse período.
4
RESUMO
O presente projeto de pesquisa tem objeto de estudo os conceitos de infância e de criança na
produção acadêmica da área de conhecimento da psicologia. Objetiva-se sistematizar o
conhecimento teórico e metodológico produzido e autoria da produção sobre a infância e a
criança no âmbito da psicologia no Brasil. Trata-se de método de análise descritivointerpretativa, do tipo metassíntese. Para tanto, foi realizada as seguintes fases: exploração no
banco de dados, no portal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), acessando e explorando os conteúdos disponíveis; identificação de vinte
e quatro grupos certificados no diretório de grupos (DGP), com os descritores: infância,
criança, crianças e infantil; aplicação de fases de cruzamento e de refinamento, com obtenção
de 21 grupos; a descrição dos dados do diretório de grupos com os filtros: todas as regiões,
todas as instituições, todos os anos, as Ciências Humanas como grande área de conhecimento
e a Psicologia como área específica. Os vinte e um pesquisadores líderes, possuem doutorado
ou pós-doutorado; o grupo mais antigo foi formado em 1992 e o mais recente, em 2017. Nos
anos de 2010, 2013 e 2017 foram formados três grupos de pesquisa, sendo esse o maior
quantitativo de grupos criado por ano. São 18 instituições públicas e 03 comunitárias
representadas em cada grupo. O estudo realizou ainda a identificação das produções dos
pesquisadores líderes de cada grupo, por meio da Plataforma Lattes, acessando o currículo dos
mesmos; descrição da produção dos grupos e dos pesquisadores; identificação de aspectos
teóricos e metodológicos da produção dos líderes de cada grupo. Essa etapa permitiu
contabilizar os artigos de cada líder de grupo de pesquisa, por meio do acesso ao currículo
Lattes dos mesmos, onde se obteve um quantitativo de 73 artigos, publicados entre 2013 a
2017, com um dos quatro descritores presentes no título. São 48 artigos com o termo crianças,
10 com o termo infantil, 08 com o termo infância e 07 com o termo criança no título. Na fase
qualitativa, de análise dos artigos, permitiu a seguinte síntese interpretativa: o uso do conceito
criança/as demarca certa faixa etária da criança, onde são avaliados aspectos do
desenvolvimento, com demarcação orgânica e social, associados a diversas temáticas. Por
outro lado, o conceito de infância/infantil apresentam pressupostos de base históricas e
culturais. Os estudos, do ponto de vista do método, são quarenta e sete (47) estudos empíricoexperimentais e vinte e seis (26) estudos teóricos. Em relação às perspectivas teóricas
adotadas nos estudos, dos setenta e três (73) artigos analisados, quarenta (40) não
especificaram a perspectiva teórica abordada. São trinta e três (33) artigos que especificam o
uso de alguma abordagem teórica. As abordagens teóricas utilizadas nos artigos foram
subdivididas em cinco (05) categorias teóricas: Histórico-culturais/Psicossociais (14),
Cognitivo-comportamentais (08), Psicologia do desenvolvimento (07), Psicanálise (02) e
Neuropsicologia (02). Considera-se importante a utilização de bases online de pesquisas e
pesquisadores, na configuração dos estudos da infância e da criança, no estabelecimento de
redes de pesquisas, no âmbito da psicologia brasileira.
Palavras-chave: Infância, Metassíntese, Produção de conceitos, Diretório de grupos de
pesquisa do CNPq.
5
RESUMEN
El presente proyecto de investigación tiene objeto de estudio los conceptos de infancia y de
niño en la producción académica del área de conocimiento de la psicología. Objetiva
sistematizar el conocimiento teórico y metodológico producido y autoría de la producción
sobre la infancia y el niño en el ámbito de la psicología en Brasil. El método se trata de un
análisis descriptivo-interpretativo, del tipo metassíntesis. Para ello, se realizaron las siguientes
fases: explotación en el banco de datos, en el portal del Consejo Nacional de Desarrollo
Científico y Tecnológico (CNPq), accediendo y explorando los contenidos disponibles;
identificación de veinticuatro grupos certificados en el directorio de grupos (DGP), con los
descriptores: infancia, niño, niños e infantil; aplicación de fases de cruce y de refinamiento,
con la obtención de 21 grupos; la descripción de los datos del directorio de grupos con los
filtros: todas las regiones, todas las instituciones, cada año, las Ciencias Humanas como gran
área de conocimiento y la Psicología como área específica. Los veinte y uno investigadores
líderes, poseen doctorado o postdoctorado; el grupo más antiguo fue formado en 1992 y el
más reciente, en 2017. En 2010, 2013 y 2017 se formaron tres grupos de investigación, siendo
el mayor cuantitativo de grupos creado por año. Son 18 instituciones públicas y 03
comunitarias representadas en cada grupo. El estudio también realizó la identificación de las
producciones de los investigadores líderes de cada grupo, a través de la Plataforma Lattes,
accediendo al currículo de los mismos; descripción de la producción de los grupos y de los
investigadores; identificación de aspectos teóricos y metodológicos de la producción de los
líderes de cada grupo. Esta etapa permitió contabilizar los artículos de cada líder de grupo de
investigación, a través del acceso al currículo Lattes de los mismos, donde se obtuvo un
cuantitativo de 73 artículos, publicados entre 2013 a 2017, con uno de los cuatro descriptores
en el título. Son 48 artículos con el término niños, 10 con el término infantil, 08 con el
término infancia y 07 con el término niño en el título. En la fase cualitativa, de análisis de los
artículos, permitió la siguiente síntesis interpretativa: el uso del concepto niño / as demarca
cierta franja etaria del niño, donde se evalúan aspectos del desarrollo, con demarcación
orgánica y social, asociados a diversas temáticas. Por otro lado, el concepto de infancia /
infantil presentan presupuestos de base históricas y culturales. Los estudios, desde el punto de
vista del método, son cuarenta y siete (47) estudios empírico-experimentales y veintiséis (26)
estudios teóricos. En relación a las perspectivas teóricas adoptadas en los estudios, de los
setenta y tres (73) artículos analizados, cuarenta (40) no especificaron la perspectiva teórica
abordada. Son treinta y tres (33) artículos que especifican el uso de algún enfoque teórico. Los
enfoques teóricos utilizados en los artículos fueron subdivididos en cinco (05) categorías
teóricas: Histórico-culturales / Psicosociales (14), Cognitivo-comportamentales (08),
Psicología del desarrollo (07), Psicoanálisis (02) y Neuropsicología (02). Se considera
importante la utilización de bases online de investigaciones e investigadores, en la
configuración de los estudios de la infancia y del niño, en el establecimiento de redes de
investigación, en el ámbito de la psicología brasileña.
Palabras clave: Infancia, Metassíntesis, Producción de conceptos, Directorio de grupos de
investigación del CNPq.
6
Lista de Quadros
1.
Quadro 01...............................................................................................................14
2.
Quadro 02. .............................................................................................................16
3.
Quadro 03...............................................................................................................17
4.
Quadro 04...............................................................................................................18
5.
Quadro 05...............................................................................................................33
6.
Quadro 06...............................................................................................................33
7.
Quadro 07...............................................................................................................41
8.
Quadro 08...............................................................................................................44
9.
Quadro 09.............................................................................................................153
7
Lista de Gráficos
1.
Gráfico 01...........................................................................................22
2.
Gráfico 02...........................................................................................43
3.
Gráfico 03...........................................................................................44
4.
Gráfico 04..........................................................................................155
8
Lista de Abreviaturas e Siglas
APLAB
Avaliação Psicológica: Pessoas & Contextos
CNPq
Conselho Nacional de Pesquisa
DCNL
Developmental Cognitive Neuroscience Lab
DGP
Diretório de Grupos de Pesquisa
EIDEP
Escolarização Inicial e Desenvolvimento Psicológico
FAQ
Frequently Asked Questions
GAEPPE
Grupo amazônico de estudos e pesquisas em psicologia e
educação
GEPEIF
Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Infantil e
Fundamental 1
GEIJC
Grupo de pesquisa Infância, Juventude e Cultura
Contemporânea.
GIDEP
Interação Social, Desenvolvimento e Psicopatologia.
HUBRIS
Conceito grego que pode ser traduzido como "tudo que
passa da medida”
HU/UFSC
Hospital Universitário \Universidade Federal de Santa
Catarina
LABMIS
Laboratório de Novas Mídias \Psicologia Cultural
LabVis-UFPE
Laboratório de Percepção Visual
Labclinicapsic
Laboratório de clínica psicanalítica
LAPAM
Laboratório de Psicologia Ambiental
LAPEN
Laboratório de Pesquisa e Extensão em Neuropsicologia
LabESHU
Laboratório de Estudos da Sexualidade Humana
LEPPSI
Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia e
Saúde
LEPIA
Laboratório de estudos e pesquisas sobre infância e
adolescência
MCTIC
Ministério
da
Ciência,
Tecnologia,
Inovações
e
Comunicações
NELUS
Núcleo de Estudos em Ludicidade e Sócio tecnologias
NEPEIA
Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Infância e
Adolescência
9
NPPJ
Núcleo de Pesquisa em Psicologia Jurídica
NIPIAC
Núcleo de Pesquisa para a Infância e Adolescência
Contemporâneas
NEPPFE
Núcleo
de
estudos
e
pesquisas
em
psicologia
fenomenológico-existencial
NUPPCINE
Núcleo de Pesquisa e Extensão em Psicanálise e Cinema
PNeC
Percepção, Neurociências e Comportamento
PSIDINH
Psicologia e Desenvolvimento Humano
PUC-RJ
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
PUC-GO
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
PUC-Campinas
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
TIC
Tecnologia da informação e comunicação
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UFRJ
Universidade Federal do Rio de Janeiro
UFF
Universidade Federal Fluminense
UEP-JMF
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
USP
Universidade de São Paulo
UE-Centro-Oeste
Universidade Estadual do Centro-Oeste
UFBA
Universidade Federal da Bahia
UFT
Universidade Federal do Tocantins
UF- Mato Grosso
Universidade Federal de Mato Grosso
UEBA
Universidade do Estado da Bahia
UCDB
Universidade Católica Dom Bosco
UFPR
Universidade Federal do Paraná
UFPB
Universidade Federal da Paraíba
UF São Carlos
Universidade Federal de São Carlos
UFRRJ
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
UFRGS
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UEL
Universidade Estadual de Londrina
UFSC
Universidade Federal de Santa Catarina
UERJ
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
UFU
Universidade Federal de Uberlândia
UFPA
Universidade Federal do Pará
VIESES
Violência, Exclusão Social e Subjetivação
10
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12
2. MÉTODO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.1. Etapas da metassíntese. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.1.1. Exploração. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.1.2. Cruzamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.1.3. Refinamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2.1.4. Descrição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
2.1.5. Interpretação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
3. POTENCIALIDADES DO DIRETÓRIO DE GRUPOS DE PESQUISA/ CNPQ. .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ...37
3.1. O que é o Diretório de Grupos de Pesquisa?. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
3.2. Como utilizar as informações sobre os grupos de pesquisa no diretório. . . . . . . . . 39
4. QUEM SÃO OS PESQUISADORES LÍDERES DOS GRUPOS DE PESQUISA?
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
5. POTENCIALIDADES
DA
PLATAFORMA
LATTES:
O
QUE
OS
PESQUISADORES LÍDERES SIGNIFICAM SOBRE A INFÂNCIA E A
CRIANÇA EM SEUS ARTIGOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
5.1. Autores que utilizam o conceito criança/as em seus artigos. . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
5.1.1. Aqueles que explicitam pressuposto teórico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
5.1.1.1. Abordagem Histórico-culturais/Psicossociais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
5.1.1.2. O pressuposto Cognitivo-comportamental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
5.1.1.3. Psicologia do Desenvolvimento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
5.1.1.4. Psicanálise. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
5.1.1.5. A Neuropsicologia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
5.1.2. Aqueles que não explicitam pressuposto teórico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
5.2. Autores que utilizam o conceito infância/infantil em seus artigos. . . . . . . . . . . . 113
5.2.1. Aqueles que explicitam pressuposto teórico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
5.2.2.1. Abordagem Histórico-culturais/Psicossociais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
5.2.2.2. O pressuposto Cognitivo-comportamental. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126
5.2.2.3. Psicologia do Desenvolvimento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
5.2.2.4. Psicanálise. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
5.2.3. Aqueles que não explicitam pressuposto teórico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
6. CONCLUSÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158
11
7. REFERÊNCIAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
8. APÊNDICE. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
12
1. INTRODUÇÃO
A produção do conceito de infância e de criança se apresenta como importante questão
a ser estudada e desenvolvida na linha de pesquisa “Psicologia e os processos psicossociais”,
bem como estudos no âmbito do grupo de pesquisa “Epistemologia e Ciência Psicológica”.
Desse modo, o presente estudo pretende contribuir com o avanço das discussões sobre o tema.
As produções teóricas dos estudos da infância e da criança é um campo importante da
psicologia o que nos permite identificar diferentes posicionamentos teóricos e metodológicos
na investigação desse fenômeno, os quais subsidiam o pensamento teórico na psicologia.
Como aponta Canuto (2017) em sua pesquisa sobre o conceito de infância em artigos
brasileiros de psicologia, onde se observa a partir de seus resultados que mesmo dentro de
uma única área de conhecimento, no caso, a psicologia, há uma variação de perspectivas
acerca do mesmo fenômeno, por exemplo, temos as perspectivas cognitivas e a do
desenvolvimento em contrapartida às perspectivas sociais.
A análise empreendida nos artigos demonstra que ainda há uma predominância na
concepção de infância como etapa do desenvolvimento na psicologia. No que diz
respeito ao método, ressalta-se que alguns autores dos artigos analisados
demonstram a preocupação, reconhecida a nível internacional, sobre o abafamento
da voz das crianças nas pesquisas. Porém, poucas pesquisas dos artigos analisados
recorrem diretamente à fala da criança. (CANUTO, 2017).
A escolha pelos descritores infância/infantil e criança/s no título dos grupos de
pesquisas e nos artigos, foi pela aproximação com tais termos em comparação à outros, como
por exemplo, o descritor desenvolvimento.
Nessa direção, se coloca o interesse em perceber como, em um período de tempo e em
um banco de dados diferentes, o conceito de infância e de criança está sendo concebido pela
psicologia no Brasil. Assim, esta pesquisa objetiva sistematizar o conhecimento produzido e
as autorias da produção sobre a infância e criança no âmbito da psicologia no Brasil.
Especificamente 1. Conhecer o diretório dos grupos de pesquisa (DGP) no Brasil, disposto no
portal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq),
acessando e explorando os conteúdos disponíveis; 2. Identificar os grupos que tomam a
infância e a criança como temática de pesquisa, por meio do uso dos seguintes termos de
busca: infância, infantil, criança e crianças; 3. Identificar os pesquisadores líderes de cada
13
grupo e suas produções por meio da Plataforma Lattes, acessando o currículo dos mesmos; 4.
Descrever a produção dos grupos e dos pesquisadores, apresentando os aspetos mais
relevantes quantitativamente; e 5. Identificar aspectos teóricos e metodológicos da produção
dos líderes de cada grupo.
Assim a presente dissertação apresenta em seu Capítulo 2, a descrição pormenorizada
dos procedimentos realizados nesta metassíntese. As cinco etapas da pesquisa (exploração
cruzamento, refinamento, descrição e interpretação), assim como os critérios de análise
utilizados.
O capítulo 3 apresenta as potencialidades do Diretório de Grupos de Pesquisa do
CNPq, destaca sua historicidade como sistema de registro da pesquisa no Brasil e etapas de
manejos utilizados na plataforma. Por sua vez, o Capítulo 4 apresenta os pesquisadores líderes
dos grupos de pesquisa ao tempo em que, vai configurando o corpus analítico do estudo.
O Capítulo 5 proporciona uma descrição da potencialidade da plataforma Lattes e uma
imersão nos artigos produzidos pelos autores, acerca da infância e da criança em busca dos
pressupostos teóricos e metodológicos que subsidiam a utilização e a produção dos conceitos
focalizados neste estudo, seguido da Conclusão, Referências e Apêndice (com fragmentos das
etapas dos procedimentos metodológicos e resultados encontrados).
14
2. MÉTODO
2.1. Etapas da metassíntese
Trata-se de uma metassíntese e deve ser estruturada de modo a favorecer o caráter
processual da investigação. Nesse caso, torna-se necessário a delimitação de etapas
sequenciais e complementares (BASTOS, 2014; TRANCOSO, 2012).
Quadro 01. Conceitos de Metassíntese
Autor
SANDELOWSKI M; BARROSO J (2003)
Conceito
Revisão
sistemática
ou
integração
de
resultados de investigação qualitativa num
determinado domínio, sendo eles próprios,
sínteses interpretativas de dados, incluindo
fenomenologias,
etnografias,
grounded
theories e outras.
THORNE S; JENSEN L (2004)
Metodologia que, através dos resultados de
estudos qualitativos, procura descobrir os
elementos essenciais e traduzir os resultados
primários
num
produto
final,
que
os
transforme num novo conceito, conservando
a especificidade dos estudos individuais e
desenvolver ou refinar teorias.
FINFGELD-CONNETT, D. (2006)
Metodologia utilizada para o estudo rigoroso
de conclusões qualitativas, interpretando-as e
redefinindo-as,
resultando
em
(re)
conceptualizações das conclusões originais.
ZIMMER, L. (2006)
Estudo qualitativo que utiliza como dados os
resultados de outros estudos qualitativos,
com o mesmo tema ou temas relacionados.
Fonte: Sousa e Branco (2013)
Sousa e Branco (2013), consideram esta metodologia um tipo de evidência científica
rigorosa na construção do conhecimento e de nível mais elevado de complexidade na
15
investigação qualitativa. Sendo assim uma fase superior de abstração mental da síntese,
conjugada com a capacidade racional e a sensibilidade através de processos de desconstrução,
reconstrução e meta-refinamento, permitindo clarificar conceitos, descrever ou explicar
teorias ou desenvolver novos modelos e teorias, mantendo a singularidade dos estudos
primários.
Será feita inicialmente uma exploração no banco de dados do CNPq, no diretório de
grupos; com posteriores fases de cruzamento e refinamento da amostra. A seguir, realiza-se a
descrição dos dados do diretório de grupos, e, por último, a fase de interpretação que, segundo
Canuto (2017) é a fase que possibilita lançar um olhar, em perspectiva, para o que foi
apreendido no encontro entre as informações obtidas, e realizar propriamente a metassíntese.
2.1.1 Exploração → Corresponde ao momento de busca dos estudos nas fontes
selecionadas. Para tanto, faz-se necessário uma definição e uso de descritores de busca ou
palavras-chave que tenham a capacidade de localizar documentos pertinentes ao objeto de
investigação (BASTOS, 2014). Esta etapa caracteriza-se pela definição e busca dos grupos de
pesquisa que constituirão o corpus inicial da pesquisa. Nesse sentido, o recorte utilizado,
nesta busca inicial, foi a partir do uso dos descritores: infância, criança, crianças e infantil,
como termos de busca no banco de dados do diretório de grupos do CNPq, sendo somente da
área da Psicologia.
16
Quadro 02. Os recortes utilizados nesta etapa da pesquisa foram:
Escolha da
fonte de busca
de dados:
Diretório de
Grupos do
CNPQ
Escolha do uso dos
descritores: Infância,
Infantil, Criança e
Crianças
Os artigos devem
conter um dos
descritores no título
Critérios de análise dos
grupos: somente aqueles
que apresentem no título
um dos descritores - Com
o status de certificado pela
instituiçao-Nas Ciências
Humanas- Psicologia- Em
todos os anos
O acesso aos artigos se
deu por meio do
curriculo Lattes dos
pesquisadores (link no
próprio diretório)
Serão analisadas as
publicaçõe
s (artigos) dos líderes
de cada grupo, entre
os anos (2013-2017)
Fonte: Autora (2018)
Após a utilização desses critérios de busca e de análise, a intenção é poder ter um
quantitativo relevante e ao mesmo tempo analisável, visto que, serão lidos integralmente os
artigos de cada líder de grupo em um recorte temporal de cinco anos. É importante ressaltar
que em todas as etapas, acima elencadas, foram desenvolvidas na plataforma do diretório de
grupos de pesquisa.
17
2.1.2 Cruzamento → Com o objetivo de reduzir e refinar a amostra, esta fase
objetivou eliminar os grupos que não apresentavam os descritores no título. Para verificar a
repetição de grupos em cada descritor utilizado, se realizou um cruzamento intradescritores e
interdescritores, que consistem na análise comparativa entre os grupos obtidos por cada
descritor e entre os quatro descritores utilizados. A verificação de duplicidade de grupos no
material visa uma maior precisão nos resultados. Esta é a fase do tratamento dos dados, a qual
se caracteriza pela intenção de convergir criteriosa e, gradualmente, a um corpus de pesquisa
que tenha a relevância do conteúdo como parâmetro. Nesse sentido, esta fase deve aumentar a
qualidade e consistência da amostra e reduzir seu volume. (BASTOS, 2014).
A primeira busca no diretório de grupos foi realizada em abril de 2017, onde foram
contabilizados 256 grupos, com o uso dos quatro descritores, e 34 grupos, com o status de
certificação pelo CNPq, na área da psicologia. Porém passado um ano desde essa primeira
busca, a instituição em questão (CNPq) fez novas atualizações em seu banco de dados e, por
isso realizou-se uma recontagem dos grupos, para que assim essa pesquisa apresente
informações atualizadas e, consequentemente, se mostre relevante no campo acadêmico.
Uma nova busca no diretório de grupos foi realizada em maio de 2018, contendo
assim as atualizações feitas pelo CNPq. Segue abaixo o quantitativo de grupos encontrados.
Quadro 03. Critérios de exclusão de grupos:
Total de
Total de
Total de
Total de grupos
Total de
Total de
grupos
grupos
grupos com o
com o status em
grupos
grupos
encontrados
certificados
status de não
preenchimento
com o
repetidos
com o uso dos
pela
atualizados
quatro
instituição
status de
excluídos
descritores:
44
24
14
04
02
03
Fonte: Autora (2018)
O recorte escolhido, na busca pelos grupos, foi à presença no título da temática
(infância/criança), por meio dos termos: infância, infantil, criança e crianças. Com a utilização
destes quatro termos, obtivemos um quantitativo de 44 grupos. Deste quantitativo inicial 24
estão certificados pela instituição (CNPq). Após cruzamentos interdescritor e intradescritor
18
houve a verificação de 03 repetições, restando assim 21 grupos a serem analisados. O quadro
geral dos grupos encontrados encontra-se em apêndice.
2.1.3 Refinamento → Nessa fase foi realizada uma análise comparativa entre todos os
documentos que permaneceram no corpus da pesquisa. Assim, objetivou-se averiguar a
duplicidade do material coletado para que não haja imprecisão no resultado. (BASTOS,
2014).
Dos 44 grupos contabilizados obteve-se 21 grupos para as posteriores fases desta
pesquisa. Serão lidos, integralmente, os artigos dos líderes destes 21 grupos, entre os anos de
2013 a 2017. Os artigos devem conter um dos descritores no título.
Quadro 04. Grupos de Pesquisa a serem analisados
GRUPO e ANO DE CRIAÇÃO
1. Infância, adolescência,
LÍDER
INSTITUIÇÃO
Lídia Natalia Dobrianskyj Weber
Universidade Federal do
família e sociedade.
Paraná
1992
2. Interação social,
aprendizagem e
Maria Stella Coutinho de
Universidade Federal de
Alcântara Gil
São Carlos
Sônia Margarida Gomes Sousa
Pontifícia Universidade
desenvolvimento da
criança pequena.
1995
3. Infância, família e
sociedade.
Católica de Goiás - PUC
1999
GOIÁS
4. Desenvolvimento
Universidade Estadual
sociomoral de crianças e
adolescentes.
2002
Paulista Júlio de Mesquita
Raul Aragão Martins
Filho
19
5. Infância, juventude e
cultura contemporânea –
Raquel Gonçalves Salgado
Universidade Federal de
Mato Grosso
GEIJC.
2006
6. Psicologia Educacional,
Formação e Infância -
Ângela Maria Dias Fernandes
estudos sobre classes
Universidade Federal da
Paraíba
populares e educação
pública.
2006
7. Questões empíricas e
conceituais na aquisição de
Carlos Barbosa Alves de Souza
repertórios simbólicos em
Universidade Federal do
Pará
crianças com e sem atraso
no desenvolvimento.
2010
8. Grupo de Pesquisa em
Psicologia da Infância.
Daniela Barros da Silva Freire
Andrade
Universidade Federal de
Mato Grosso
2010
9. Grupo de Estudos e
Pesquisa em Educação
Infantil e Fundamental 1 –
Jorgete Pereira Oliveira
Universidade do Estado da
Bahia
GEPEIF.
2010
10. NEPEIA - Núcleo de
Estudo, Pesquisa e
Extensão em Infância e
Adolescência.
2011
Andrea Gabriela Ferrari
Universidade Federal do
Rio Grande do Sul
20
11. Núcleo de Investigações
Neuropsicológicas da
Patrícia Martins de Freitas
Infância e Adolescência
Universidade Federal da
Bahia
(NEURÔNIA).
2012
12. Laboratório de estudos e
pesquisas sobre infância e
Antônio Augusto Pinto Junior
adolescência (LEPIA).
Universidade Federal
Fluminense
2013
13. Ações preventivas e
processos de intervenção
em desenvolvimento
infantil.
Olga Maria Piazentin Rolim
Universidade Estadual
Rodrigues
Paulista Júlio de Mesquita
Filho
2013
14. Estudos sobre Infância e
Ana Priscila Batista
Adolescência.
Universidade Estadual do
Centro-Oeste
2013
15. Sistema de proteção a
crianças e adolescentes:
Débora Dalbosco Dell'Aglio
Pesquisas e aplicações.
Universidade Federal do
Rio Grande do Sul
2014
16. Psicologia da saúde e
desenvolvimento da
Sônia Regina Fiorim Enumo
criança e do adolescente.
Pontifícia Universidade
Católica de Campinas
2014
17. Balbucios: Gaguejar uma
infância.
2016
Michele de Freitas Faria de
Universidade Federal de
Vasconcelos
Sergipe
21
Andrea Soutto Mayor
Universidade Federal
18. Abuso sexual infantil:
Fluminense
reflexões contemporâneas.
2016
19. Educação, infância e
Francisco de Assis Carvalho de
Universidade Estadual da
Almada
Região Tocantina do MA
desenvolvimento humano
na perspectiva da teoria
(UEMASUL)
histórico-cultural
(GEITHC).
2017
20. Linguagem, corpo &
infantil/ LinCI-UFPA.
Luiz Carlos Souza Bezerra
Universidade Federal do
Pará – UFPA
2017
21. VIA – Redes (Violência,
infância, adolescência e
Jean Von Hohendorff Faculdade
Faculdade Meridional –
redes de proteção e de
Meridional – IMED
IMED
atendimento).
2017
Fonte: Autora (2018)
No quadro acima temos os 21 grupos (por ordem cronológica de ano de formação) que
apresentam um dos descritores, conforme critério definido na fase de busca. Tais grupos estão
com o status de certificação fornecido pela instituição (o CNPq). Logo, os grupos não
atualizados, em preenchimento ou excluídos, não fazem parte desta pesquisa. São doze grupos
com o termo infância, quatro com o termo infantil, três com o termo crianças e dois com o
termo criança, totalizando os 21 grupos de pesquisa. Podemos observar acima também os
anos de formação de cada grupo de pesquisa.
2.1.4 Descrição → Nesta etapa buscou-se responder ao objetivo de descrever o
panorama da produção nos grupos e dos líderes utilizados nesta pesquisa. Para tanto, se
realizou a descrição dos dados dos grupos, obtida através do acesso à página oficial do CNPq
(disponível nas referências). Assim, se pôde identificar o histórico e características de cada
grupo e das produções de seus líderes, acessando seus Currículos Lattes.
22
A busca pelos grupos de pesquisa seguiu os seguintes critérios: presença do descritor
no título – Ser da área de estudos das Ciências Humanas (Psicologia) – Em todos os anos.
Com o uso do termo infância no campo de busca do diretório foram encontrados 19
grupos, sendo 04 não atualizados, 03 em preenchimento, e 12 certificados; com a busca pelo
termo infantil encontramos 09 grupos, sendo 04 não atualizados, 01 em preenchimento e 04
certificados; Com a busca com o termo criança contabilizamos 10 grupos, 04 não atualizados,
01 excluído e 05 certificados; e com a busca com o termo crianças encontramos 06 grupos, 02
não atualizados, 01 excluído e 03 certificados pela instituição (CNPq). Lembrando que apenas
os grupos certificados foram analisados. Ou seja, totalizamos 44 grupos de pesquisa, porém
retirando os dois grupos excluídos, os quatro em preenchimento, os 14 não atualizados e as
três repetições encontradas, restaram 21 grupos de pesquisa para as fases seguintes desta
pesquisa.
Gráfico
01.
Quantitativo
de
grupos
de
pesquisa
por
uso
de
descritor
Descritores
Infantil
17%
Criança
21%
INFÂNCIA: 12
GRUPOS
CRIANÇA: 05
GRUPOS
Crianças
12%
INFANTIL: 04
GRUPOS
CRIANÇAS: 03
GRUPOS
Criança
Infância
Infância
50%
Crianças
Infantil
Fonte: Autora (2018)
São vinte e quatro grupos certificados, porém subtraindo as repetições, ficam 21
grupos a serem analisados e seus respectivos líderes. No gráfico acima, vemos o quantitativo
de grupos encontrados com a busca no diretório, com o uso de cada descritor. Dos vinte e um
grupos analisados doze aparecem com o termo infância no título, quatro tem o termo infantil,
três com o termo crianças e dois com o termo criança no título.
23
No capítulo a seguir, referente à descrição estarão dispostos os dados de cada grupo e
seus pesquisadores. E, no apêndice, estão os quadros com o quantitativo geral de grupos
encontrados no diretório.
Importante apresentar ainda, que foram contabilizados os artigos de cada líder de
grupo de pesquisa, por meio do acesso ao currículo Lattes dos mesmos, onde se obteve um
quantitativo de 73 artigos, publicados entre 2013 a 2017, com um dos quatro descritores no
título. Abaixo, estão apresentados os 73 artigos por ordem alfabética de cada
autor/pesquisador:
Ana Priscila Batista (total de 07 artigos publicados e 03 artigos com o descritor
no título no período de 2013-2017):
Relação entre autoconceito de crianças e estilos de liderança de
professores. Psicologia escolar e educacional (2017).
Crenças de Crianças e Professoras sobre a - Boa Professora-.
Iniciação Científica – CESUMAR (2016).
Análise
de
programas
direcionados
a
comportamentos
exteriorizados na infância e adolescência. Psicologia Argumento
(PUCPR. Impresso) (2014).
Antônio Augusto Pinto Junior (total de 06 artigos publicados e 03 artigos com
o descritor no título no período de 2013-2017):
Avaliação de um programa de esclarecimento sobre abuso sexual
infantil para pais e responsáveis. Revista ciência em extensão,
(2017).
Violência doméstica contra crianças e adolescentes: prevenção nos
centros de referência de assistência social. Revista Ciência em
Extensão (2015).
24
Caracterização
da
violência
doméstica
contra
crianças
e
adolescentes e as estratégias interventivas em um município do
Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos Saúde Coletiva, (2015).
Carlos Barbosa Alves de Souza (total de 18 artigos publicados e 04 artigos
com o descritor no título no período de 2013-2017):
Relações funcionais entre estímulos condicionais sociais, atenção
conjunta, tato e mando em crianças com autismo. Revista brasileira
de terapia comportamental e cognitiva (impresso) (2017).
Ensino de Nomeação com Objetos e Figuras para Crianças com
Autismo. Psicologia: Teoria e Pesquisa (Brasília. Online) (2016).
Ensino de linguagem receptiva para crianças com autismo:
comparando dois procedimentos. Acta Colombiana de Psicologia,
(2015).
Intervenções Comportamentais no Ensino de Atenção Conjunta
para Crianças com Autismo: Uma revisão de literatura. Interação
em Psicologia (Online), (2014).
Daniela Barros da Silva Freire Andrade (total de 15 artigos publicados e 07
artigos com o descritor no título no período de 2013-2017):
Intervenção em práticas de cuidado à criança no contexto
hospitalar: representações sociais da equipe de saúde. Psicologia e
saber social, (2017).
Representações sociais de Cuiabá: estudo comparativo entre mapas
cognitivos de crianças em escolas públicas e particulares. Revista
educação e fronteiras (Online), (2016).
25
'Quando eu penso em Cuiabá... ': significações da cidade por
crianças em escolas particulares. Plures. Humanidades (Ribeirão
Preto), (2016).
Movimento e aprendizagem: a significação do corpo pela criança
na Educação Infantil. (2016).
O potencial narrativo dos lugares destinados às crianças: incursões
do grupo de pesquisa em psicologia da infância GPPIN. Fractal:
Revista de Psicologia, (2015).
Cidade como metáfora de si: representações socioespaciais de
Cuiabá? MT segundo a criança. Revista Diálogo Educacional
(PUCPR. Impresso), (2014).
A criança nas entrelinhas dos discursos de acadêmicos brasileiros
sobre professor da Educação Infantil. Revista de Educação Publica
(UFMT), (2013).
Débora Dalbosco Dell’Aglio (total de 65 artigos publicados e 10 artigos com o
descritor no título no período de 2013-2017):
Imagens sociais de crianças e adolescentes institucionalizados e
suas famílias. Psicologia & Sociedade (Online), (2017).
Direitos da criança e do adolescente e maus-tratos: Epidemiologia e
notificação. Revista da SPAGESP, (2016).
Imagens Sociais de Famílias com Crianças e Adolescentes: Impacto
do Status Socioeconômico e da Institucionalização. Pensando
Famílias, (2016).
26
Pretendentes à adoção de crianças no Brasil: Um estudo
documental. Revista da SPAGESP, (2016).
Padrões de revelação e descoberta do abuso sexual de crianças e
adolescentes. Revista de psicología (Santiago), (2015).
Perfil do desenvolvimento da linguagem de crianças no município
de Belém, segundo o Teste de Triagem de Denver II. Revista
CEFAC (Online), (2015).
Depoimento especial: para além do embate e pela proteção das
crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Temas em
Psicologia (Ribeirão Preto), (2014).
Nível
socioeconômico
e
funções
executivas
em
crianças/
adolescentes: revisão sistemática. Arquivos Brasileiros de Psicologia
(Online), (2013).
Perícia psicológica em casos de suspeita de abuso sexual contra
crianças e adolescentes. Avaliação Psicológica (Impresso), (2013).
Caracterização da revelação do abuso sexual de crianças e
adolescentes: negação, retratação e fatores associados. Temas em
Psicologia (Ribeirão Preto), (2013).
Jean Von Hohendorff (total de 12 artigos publicados e 04 artigos com o
descritor no título no período de 2013-2017):
O que podemos aprender com o modelo de rede de proteção e de
atendimento às crianças vítimas de violência a partir do modelo
americano Children's Advocacy Center (CAC)? Diaphora - Revista
da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, (2017).
27
Parceria com a rede de atendimento no estudo da violência sexual
infantil. REVISTA DA SPAGESP, (2017).
Violência sexual contra crianças e adolescentes: Identificação,
consequências e indicações de manejo. BARBARÓI (UNISC.
online), (2017).
Psicoterapia para Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência
Sexual no Sistema Público: Panorama e Alternativas de
Atendimento. Psicologia: Ciência e Profissão (Impresso), (2015).
Lídia Natalia Dobrianskyj Weber (total de 16artigos publicados e 05 artigos
com o descritor no título no período de 2013-2017):
. Cuidados parentais e desenvolvimento socioemocional na infância
e na adolescência: uma perspectiva analítico-comportamental.
Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva (Impresso),
(2016).
Relações entre a obesidade na infância e adolescência e a percepção
de práticas de alimentação e estilos educativos parentais. Psicologia
Argumento (PUCPR. Impresso), (2014).
Maus-tratos contra crianças e adolescentes. INFAD (Barcelona),
(2013).
Percepção do estresse pelas crianças do primeiro ano do ensino
fundamental. Impulso: Revista de Ciências Sociais e Humanas,
(2013).
A influência da escola a alimentação da criança. Camine: Caminhos
da Educação, (2013).
28
Maria Stella Coutinho de Alcântara Gil (total de 09 artigos publicados e 01
artigo com o descritor no título no período de 2013-2017):
Aprendizagem de relações emergentes por exclusão em crianças de
2 a 3 anos. Revista brasileira de análise do comportamento, (2016).
Michele de Freitas Faria de Vasconcelos (total de 15 artigos publicados e 01
artigo com o descritor no título no período de 2013-2017):
Apoio institucional como fio condutor do Plano de Qualificação das
Maternidades: oferta da Política Nacional de Humanização em
defesa da vida de mulheres e crianças brasileiras. Interface
(Botucatu. Online), (2014).
Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues (total de 30 artigos publicados e 10
artigos com o descritor no título no período de 2013-2017):
Ansiedade Materna e Problemas Comportamentais de Crianças
com Fissura Labiopalatina. Psicologia Ciência e Profissão, (2017).
Problemas Comportamentais em Crianças Pré-Escolares com
Fissura Labiopalatina. Temas em psicologia (Ribeirão Preto), (2017).
Análise de manuais de aleitamento infantil: orientações às mães
que não podem amamentar. Temas em Psicologia (Ribeirão Preto),
(2016).
Intoxicação infantil por chumbo: uma questão de saúde e de
políticas públicas. Psicologia em Revista (Online), (2016).
Habilidades sociais, competência acadêmica e problemas de
comportamento em crianças com diferentes níveis de plumbemia.
Psicologia: Reflexão e Crítica (UFRGS. Impresso), (2015).
29
Estratégias de enfrentamento em crianças em situação précirúrgica: relação com idade, sexo, experiência com cirurgia e
estresse. Estudos de Psicologia (PUCCAMP. Impresso), (2015).
Influências do estresse e ansiedade puerperal nos primeiros meses
do desenvolvimento infantil. Cadernos de Pós Graduação em
Distúrbios do Desenvolvimento (Online), (2015).
Intervenção em habilidades sociais com uma criança com Síndrome
de Down. Revista Educação Especial (Online), (2014).
Avaliação do desempenho escolar de crianças contaminadas por
chumbo. Revista Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional,
(2014).
Avaliação do repertório de habilidades sociais em crianças com
fissura labiopalatina. Aletheia (2014).
Patrícia Martins de Freitas (total de 09 artigos publicados e 05 artigos com o
descritor no título no período de 2013-2017):
Adaptações Curriculares para Crianças com Deficiência Intelectual
Moderada: Contribuições da Neuropsicologia do Desenvolvimento.
Pedagogia em Ação (PUC-MG), (2016).
Análise dos preditores do estado psicológico das mães de crianças
com Paralisia Cerebral. Estudos e Pesquisas em Psicologia (Online),
(2014).
Relações entre depressão materna e problemas de comportamento
em crianças. Psicologia Argumento (PUCPR. Impresso), (2014).
30
Percepção
das
Mães
sobre
as
Relações
Familiares
e
o
Comportamento de suas crianças: um estudo correlacional. Gerais:
Revista Interinstitucional de Psicologia, (2013).
Intervenção
Cognitivo-Comportamental
dificuldades
psicolinguísticas:
para
Reabilitação
crianças
com
neuropsicológica.
Revista Ciência em Extensão, (2013).
Raquel Gonçalves Salgado (total de 08 artigos publicados e 06 artigos com o
descritor no título no período de 2013-2017):
Infância em pesquisa: as crianças e os signos da mídia em contextos
educativos. Interação Interdisciplinar, (2017).
Gêneros, sexualidades e infâncias: cenas de crianças na contramão
da inocência. Childhood & philosphy, (2017).
Em busca do corpo perfeito: as crianças na cultura da beleza e da
sedução. Em Aberto. (2016).
Infância e escola: tempos e espaços de crianças. Educação e
Realidade, (2016).
Infância, gerações e temporalidades: experiências de crianças e
professoras em diálogo. Linhas críticas (Online), (2014).
'Tudo junto e misturado?': a infância contemporânea no diálogo
entre crianças e adultos. Revista Teias (UERJ. Online), (2013).
Raul Aragão Martins (total de 31 artigos publicados e 04 artigos com o
descritor no título no período de 2013-2017):
31
Concepções de profissionais da saúde sobre altas habilidades e
transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em
crianças. Educação e cultura contemporânea, (2016).
Histórias e dilemas morais com crianças: instrumento para
pesquisadores e educadores. Interfaces da Educação, (2015).
Considerações sobre a agressividade infantil. Revista Olhares e
Trilhas, (2015).
Dilema moral na educação infantil: generosidade ou justiça?
Estudos em Avaliação Educacional (Impresso), (2014).
Rose Gurski (total de 16 artigos publicados e 02 artigos com o descritor no
título no período de 2013-2017):
A escuta de pais nas entrevistas preliminares com crianças:
algumas questões iniciais. Revista de psicologia: teoria e prática
(Online), (2017).
O sujeito sindrômico e a infância eternizada: um modo de
penhasco? Cadernos de psicanálise (Círculo Psicanalítico/RJ), (2013).
Sônia Regina Fiorim Enumo (total de 39 artigos publicados e 08 artigos com o
descritor no título no período de 2013-2017):
A inserção/reinserção da criança com doença renal crônica na
escola: a implentação de um projeto de diálogos entre escola e
serviço de saúde. Temas em educação e saúde (Araraquara), (2017).
Coping da hospitalização em crianças com câncer: a importância
da classe hospitalar. Estudos de Psicologia (Campinas), (2015).
32
Impacto Familiar nas Diferentes Fases da Leucemia Infantil.
Revista de Psicologia: Teoria e Prática (Online), (2015).
Enfrentamento em crianças portuguesas hospitalizadas por câncer:
comparação de dois instrumentos de avaliação. Estudos de
Psicologia (Campinas), (2014).
Brincar e problemas de comportamento de crianças com câncer de
classes hospitalares. Estudos de Psicologia (PUCCAMP. Impresso),
(2014).
Desempenho de crianças com e sem necessidades especiais em
provas assistidas e psicométricas. Revista Brasileira de Educação
Especial, (2013).
A saúde da criança com doença falciforme: desempenho escolar e
cognitivo. Revista de Educação Publica (UFMT), (2013).
A dor no cotidiano de cuidadores e crianças com anemia
falciforme. Psicologia USP (Impresso), (2013).
Estes são os setenta e três artigos analisados na última fase da metassíntese, onde se
buscou fazer a interpretação dos usos dos conceitos de infância e de criança. São 15 autores
com artigos publicados, dentro dos critérios de análise para esta pesquisa e 06 que não
apresentaram nenhum artigo com os descritores no título. No geral, foram encontrados 79
artigos, porém 04 artigos estão indisponíveis online e 02 são repetidos, por isso temos o
número final de 73 artigos.
São 48 artigos com o termo crianças, 10 com o termo infantil, 08 com o termo infância
e 07 com o termo criança no título.
33
Quadro 05. Anos de publicação dos setenta e três artigos analisados:
Ano de publicação
Quantidade de artigos
2017
13
2016
16
2015
15
2014
14
2013
15
Fonte: Autora (2018)
O quadro acima apresenta o quantitativo de artigos publicados em cada ano.
Lembrando que um dos critérios de análise dos artigos é a publicação ter ocorrido entre o
período de 2013-2017. O ano em que mais artigos foram publicados foi em 2016, com 16
artigos publicados, e o ano com menos artigos foi 2017, com 13 artigos publicados.
Quadro 06- Apresentação das revistas dos artigos analisados por ordem alfabética:
REVISTAS
Acta colombiana de
Educação & Realidade;
Pensando Famílias;
Estudos e Pesquisas em
Psicologia & Sociedade;
psicologia;
Aletheia;
Psicologia;
Avaliação Psicológica;
Educação Especial
Arquivos Brasileiros
Educação Pública (em 02
de Psicologia;
artigos);
Barbarói;
Educação e Fronteiras;
Psicologia e Saber Social;
----------
Psicologia: Teoria e
Pesquisa;
Caderno Saúde
Fractal: Revista de
Psicologia Argumento
Coletiva;
Psicologia;
(em 03 artigos);
34
Cadernos de Pós-
Interfaces da Educação;
Graduação em
Psicologia Escolar e
Educacional;
Distúrbios do
Desenvolvimento;
Cadernos de
Interação Interdisciplinar;
Plures Humanidades;
Camine: Caminhos
Interfase: Comunicação
Revista Brasileira de
da Educação;
saúde educação;
Educação Especial;
CEFAC- Saúde e
Impulso;
Revista
Psicanálise;
Educação;
Interinstitucional de
Psicologia;
Corixo - Revista de
Interação Psicologia;
Revista brasileira de
Extensão
análise do
Universitária;
comportamento;
Childhood &
Iniciação Científica
Revista Brasileira de
philosphy;
CESUMAR;
Terapia Comportamental
e Cognitiva (em 02
artigos);
Diaphora;
Linhas Críticas;
Revista de Psicología
(Universidad de Chile);
Diálogo Educacional;
Psicologia USP;
Revista da SPAGESP (em
03 artigos);
Estudos de Psicologia
Pedagogia em ação;
(em 03 artigos);
A
Educação e Ensino;
Psicologia em Revista;
Teias;
Temas em Educação e
Saúde;
Estudos em Avaliação Psicologia: Reflexão e Crítica;
Temas em Psicologia (em
Educacional;
04 artigos);
Educação
e
Cultura Psicologia Ciência e Profissão
Contemporânea;
(em 02 artigos);
Em Aberto;
Psicologia: Teoria e Prática
(em 03 artigos);
Fonte: Autora (2018)
-------
--------
35
O quadro acima apresenta as revistas que publicaram cada artigo analisado. Nove
revistas publicaram mais de um artigo. Sendo o total de 56 revistas representadas na amostra.
2.1.5 Interpretação → Este é o momento da pesquisa que possibilita a ampliação do
conhecimento acerca do objeto do estudo – o conceito de infância e de criança - a partir das
articulações em torno dos termos: infância, infantil, criança e crianças, encontradas no
material a ser analisado. A análise dos conteúdos dos artigos nos permite a realização da fase
de interpretação dos dados. É nesta fase que é possível lançar um olhar, em perspectiva, para
o que foi apreendido no encontro entre as informações obtidas, e realizar a metassíntese. É
nessa fase que o pesquisador estabelece conexões, articulações e confrontos entre as
informações, de modo a ultrapassar o conteúdo particular de cada documento e alcançar um
entendimento do que se encontra entre eles. Este movimento gera uma ação interpretativa e
proporciona a superação da síntese, o que viabiliza a proposição de uma crítica interna à
produção científica e a proposição de um novo conhecimento gerado com base no que já se
tem produzido. (CANUTO, 2017).
Nesta fase os setenta e três artigos foram lidos integralmente, relidos e posteriormente
foram identificados os aspectos teóricos e metodológicos que cada autor/pesquisador abordou
em cada artigo.
Em cada fase desta metassíntese o material trabalhado foi agrupado e salvo em pastas
no computador, com possíveis revisitas.
Descritores/Grupos de Pesquisas:
Captura realizada em 11/03/2019
Em cada pasta acima foram agrupados e salvos todos os grupos de pesquisas
encontrados com a utilização de cada descritor, ou seja, aí estão incluídos também os grupos
não atualizados, em preenchimento e excluídos.
36
Pesquisadores/Artigos:
Captura realizada em 11/03/2019
Foram salvos nas pastas acima os artigos analisados de cada autor respectivamente, a
leitura de tais artigos foi feita por ordem alfabética de autor/pesquisador.
37
3. POTENCIALIDADES DO DIRETÓRIO DE GRUPOS DE PESQUISA/
CNPQ
Neste capítulo é apresentada a análise descritiva do banco de dados pesquisado, sua
origem e características, sendo mostrado um passo a passo que permite o acesso à plataforma
do diretório de grupos do CNPq, e consequentemente às informações nele contidas.
3.1 O que é o Diretório de Grupos de Pesquisa?
O Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil constitui-se no inventário dos grupos de
pesquisa científica e tecnológica no país. Foi criado em 1992 e suas informações dizem
respeito aos recursos humanos constituintes dos grupos, ou seja, os pesquisadores, estudantes
e técnicos, às linhas de pesquisa em andamento, às especialidades do conhecimento, aos
setores de aplicação envolvidos, à produção científica, tecnológica e artística e às parcerias
estabelecidas entre os grupos e as instituições, sobretudo com empresas do setor produtivo.
Sendo capaz assim, de descrever os limites e o perfil geral da atividade científica e
tecnológica no Brasil.
O Diretório dos Grupos de Pesquisa constitui-se em bases de dados censitárias e
correntes que contêm informações sobre os grupos de pesquisa em atividade no país. Tem três
finalidades principais: instrumento para o intercâmbio e a troca de informações; caráter
censitário no auxílio de planejamento estratégico ao fomento, e por fim, constituir base de
dados importante papel na preservação da memória da atividade científico-tecnológica no
Brasil.
Os grupos inventariados estão localizados, principalmente, em universidades,
instituições isoladas de ensino superior com cursos de pós-graduação stricto sensu, institutos
de pesquisa científica e institutos tecnológicos. O diretório possui uma base corrente, onde as
informações podem ser atualizadas, continuamente, pelos autores envolvidos, realiza censos
bianuais, que são fotografias dessa base corrente. Está disponível no portal do CNPq
(Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que é uma agência do
Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O diretório tem
como principais atribuições fomentar a pesquisa científica e tecnológica e incentivar a
formação de pesquisadores brasileiros.
38
Segundo as informações dispostas em seu portal online, o CNPq foi criado em 1951,
desempenha papel primordial na formulação e condução das políticas de ciência, tecnologia e
inovação. Até 1974 a sigla CNPq correspondia ao nome Conselho Nacional de Pesquisa,
porém desde então leva uma nova nomenclatura, Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico, mantendo a sigla. Sua atuação contribui para o desenvolvimento
nacional e o reconhecimento das instituições de pesquisa e pesquisadores brasileiros pela
comunidade científica internacional. Tem como missão fomentar a Ciência, Tecnologia e
Inovação e atuar na formulação de suas políticas, contribuindo para o avanço das fronteiras do
conhecimento, o desenvolvimento sustentável e a soberania nacional. E objetiva ser uma
instituição de reconhecida excelência na promoção da Ciência, da Tecnologia e da Inovação
como elementos centrais do pleno desenvolvimento da nação brasileira (acesso por meio do
link: (http://cnpq.br/apresentacao_institucional/)).
No acesso ao Diretório de Grupos está disposto um menu, contendo os seguintes itens
e suas respectivas informações:
O Diretório →O que é → Objetivos → Quem pode participar → Como participar;
Bases de dados → Como os dados são obtidos → O que contêm as bases → Anexos;
Censos → Séries históricas → Súmula Estatística → Plano Tabular → Busca textual →
Estratificação → Painel DGP;
Histórico → Censo atual → Censos realizados → Logística → Revisão de dados;
Ajuda → FAQ → Glossário → Manual do usuário.
39
3.2 Como utilizar as informações sobre os grupos de pesquisa no diretório?
1. Entrar no diretório de grupos de pesquisa no Brasil
Fonte: http://lattes.cnpq.br/web/dgp (2017)
No acesso à página inicial da plataforma foi possível identificar um link que
encaminha os usuários para a busca dos grupos de pesquisa. O primeiro acesso foi realizado
em abril de 2017 e o novo acesso para atualização das informações foi feito em maio de 2018.
2. Buscar grupos
Fonte: http://lattes.cnpq.br/web/dgp (2017)
Clicando em buscar grupos aparecerão em seguida as opções de filtros para a busca
dos grupos a serem pesquisados.
40
3. Consulta parametrizada
Fonte: http://lattes.cnpq.br/web/dgp (2018)
Nesta página será possível ao pesquisador escolher o termo de busca para sua
pesquisa. Os termos foram pesquisadores separadamente, ou seja, se pesquisaram primeiro o
termo infância, depois infantil, criança e crianças. Como podemos observar no print acima se
buscou o termo no nome dos grupos certificados.
4. Filtros usados: Área de conhecimento → Ciências Humanas→ Psicologia
41
Fonte: http://lattes.cnpq.br/web/dgp (2018)
Os filtros utilizados nesta busca pelos grupos foram: todas as Regiões, todas as
Instituições, todos os anos, as Ciências humanas como grande área de conhecimento e
a Psicologia como área específica.
Quadro 07. Instituições e Regiões do Brasil representadas nos grupos de pesquisa
INSTITUIÇÃO
Pública (Sudeste)
Universidade Federal
Fluminense
(02 grupos)
Pública (Sudeste)
Universidade Estadual
Paulista Júlio de
Mesquita Filho
(02 grupos)
Universidade Federal de
Pública (Nordeste)
Sergipe
Universidade Estadual
da Região Tocantina do
Pública (Nordeste)
MA (UEMASUL)
Universidade Estadual
Pública (Centro-Oeste)
do Centro-Oeste
Universidade Federal de
Mato Grosso
(02 grupos)
Pública (Centro-Oeste)
42
Pública (Nordeste)
Universidade do Estado
da Bahia
Universidade Federal do
Paraná
Pública (Sul)
Pública (Sudeste)
Universidade Federal de
São Carlos
Universidade Federal do
Pública (Norte)
Pará – UFPA
(02 grupos)
Universidade Federal do
Pública (Sul)
Rio Grande do Sul
(02 grupos)
Pública (Nordeste)
Universidade Federal da
Bahia
Pública (Nordeste)
Universidade Federal da
Paraíba
Pontifícia Universidade
Comunitária (Centro-Oeste)
Católica de Goiás - PUC
GOIÁS
Comunitária (Sudeste)
Pontifícia Universidade
Católica de Campinas
Faculdade Meridional IMED
Comunitária (Sul)
43
Fonte: Autora (2018)
Podemos ver no quadro acima que os vinte e um grupos de pesquisa estão
representados da seguinte forma: São seis na Região Sudeste, cinco no Nordeste, quatro no
Sul e Centro-Oeste, e dois grupos no Norte do Brasil. São dezoito instituições públicas e três
instituições comunitárias. No gráfico, a seguir, podemos visualizar melhor essas informações.
Gráfico 02. Divisão das instituições por região do país.
Regiões do Brasil
Sudeste
Sul
Nordeste
Centro-Oeste
Norte
5%
Sudeste: 06
20%
30%
Nordeste: 05
Sul: 04
CentroOeste: 04
25%
20%
Norte: 02
Fonte: Autora (2018)
São 18 instituições públicas e 03 comunitárias. A Universidade Federal Fluminense,
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Universidade Federal de Mato
Grosso, Universidade Federal do Pará, e Universidade Federal do Rio Grande do Sul
aparecem em dois grupos cada, ou seja, são instituições cadastradas em dois grupos
diferentes.
44
Gráfico 03. Demonstrativo dos anos de formação dos 21 grupos de pesquisa:
Anos de FORMAÇÃO dos Grupos
2017
14%
2016
10%
1992
1995
5%
5% 1999
5%2002
5%
2006
9%
2014
9%
2013
14%
2010
14%
2012 2011
5% 5%
Fonte: Autora (2018)
O grupo mais antigo foi formado em 1992 e o mais recente foi formado em
2017. Em 2010, 2013 e 2017 foram formados três grupos de pesquisa, sendo esse o
maior quantitativo de grupos criado por ano.
Quadro 08. Quantitativo de artigos por descritores
DESCRITORES
ARTIGOS
CRIANÇAS
48
INFANTIL
10
INFÂNCIA
08
CRIANÇA
07
TOTAL DE ARTIGOS
73
Fonte: Autora (2018)
O quantitativo geral de artigos encontrados com o uso dos quatro descritores foi de 79
artigos, porém, quatro artigos não foram encontrados online e dois artigos se repetiram, por
45
isso ficaram fora do quantitativo final e, consequentemente, da fase de análise. Como
podemos observar acima o termo crianças foi o que mais apareceu nos artigos.
46
4 QUEM SÃO OS PESQUISADORES LÍDERES DOS GRUPOS DE
PESQUISA?
Neste capítulo são apresentados os pesquisadores líderes de cada grupo de
pesquisa, seus grupos e linhas de pesquisa. Os pesquisadores foram agrupados seguindo o uso
de descritor no grupo de pesquisa.
São vinte e um pesquisadores líderes. Possuem doutorado ou pós-doutorado. A seguir
serão apresentados e agrupados, segundo aparecem no banco de dados pela busca por
descritor.
Infância:
Michele de Freitas Faria de Vasconcelos
(Print capturado em 25.05.2018)
Michele de Freitas Faria de Vasconcelos é professora do Departamento de
Educação/DEDI, Campus Alberto Carvalho, da Universidade Federal de Sergipe. Atua
e realiza pesquisas no campo da Educação, Psicologia, Saúde Coletiva/Saúde
Mental/Álcool e outras Drogas. Suas pesquisas têm articulado os temas: dispositivos
clínico-institucionais no campo da saúde mental; clínica e corpo; corpo, relações de
gênero e sexualidade; produção de saúde e subjetividade; educação em saúde;
infâncias. Concluiu doutorado em educação em 2013. Seu vínculo institucional atual é
com a Universidade Federal de Sergipe (UFS). Tem vinte e cinco artigos publicados
em periódicos, (um artigo com o descritor: crianças); um livro publicado; e cinco
capítulos de livros publicados.
47
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/2614753897693732
Última atualização do currículo em 19/04/2018
Francisco de Assis Carvalho de Almada
(Print capturado em 29.05.2018)
Graduado em Pedagogia pela Universidade Federal de Mato Grosso (1990), Mestre
em Ciências da Educação pelo Instituto Pedagógico Latinoamericano Y Caribeño - Havana
Cuba (1999), Mestre em Planejamento do Desenvolvimento pela Universidade Federal do
Pará (2005) e Doutor em Educação pela Universidade Estadual Paulista - Campus de Marília
(2011). Atualmente é professor Adjunto III da Universidade Estadual da Região Tocantina do
Maranhão (UEMASUL) e professor Adjunto I da Universidade Federal do Maranhão
(UFMA) Campus de Imperatriz. Tem experiência na área de Didática, Fundamentos
Educacionais e Pesquisa Educacional. Seu vínculo profissional atual é com a Universidade
Estadual da Região Tocantina do MA, UEMASUL, Brasil. Publicações: 01artigo completo,
02 livros publicados e 07 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/1054483633358225
Última atualização do currículo em 09/03/2018
48
Ana Priscila Batista
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina - UEL,
especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva: teoria e aplicação pela Universidade
de São Paulo - USP, mestrado em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo USP e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Paraná - UFPR. É professora
efetiva do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual do Centro-Oeste UNICENTRO, campus de Irati, PR. Coordena o Laboratório de Estudos sobre Infância e
Adolescência (LEIA) na UNICENTRO. Vínculo institucional atual com a Universidade
Estadual do Centro-Oeste do Paraná, UNICENTRO, Brasil. Publicações: 14 artigos
completos (03 artigos com os descritores), 01 livro publicado, 06 capítulo de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/3063604155925029
Última atualização do currículo em 10/05/2018
Daniela Barros da Silva Freire Andrade
(Print capturado em 29.05.2018)
Psicóloga com doutorado em Educação: Psicologia da Educação pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (2006). Atualmente é professora associada da
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Cuiabá, onde atua no Curso
de Psicologia e no Programa de Pós-Graduação em Educação, Coordena o Grupo de
Pesquisa em Psicologia da Infância (GPPIN). Tem experiência na área da Psicologia
da Aprendizagem e Desenvolvimento e da Psicologia Social com ênfase na Teoria das
Representações Sociais. Desenvolve pesquisas sobre infâncias e com crianças no
contexto da cidade, educação e atenção à saúde. É pesquisadora associada do Centro
Internacional de Estudos em Representações Sociais e Subjetividade- Educação
49
(CIERS-Ed), desde 2006 e membro do GT Representações Sociais da Associação
Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP). Seu vínculo
institucional atual é com a Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT, Brasil.
Publicações: 23 artigos publicados (07 artigos com os descritores), 07 livros
publicados, 17 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/5846054833569905
Última atualização do currículo em 04/03/2018
Lídia Natalia Dobrianskyj Weber
(Print capturado em 29.05.2018)
Lídia Natalia Dobrianskyj Weber é psicóloga (CRP08/0774), especialista em
Antropologia Filosófica e em Origens Científicas e Filosóficas da Psicologia, mestre e
doutora em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo com Pós-doutorado em
Processos de Desenvolvimento Humano e Saúde na Universidade de Brasília. Atualmente é
professora sênior e orientadora de Mestrado e Doutorado em Educação da UFPR e professora
aposentada do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná. Atual membro
do Conselho Científico da Association Francophone de Psychologie et Psychopathologie de
l'enfant et l'adolescente (Paris, 2012); Membro da diretoria do Conselho Regional de
Psicologia (1986-1992); Representante latino-americana da Society of Research in
Community Psychology da American Psyhological Association (1999-2005); Correspondente
internacional da revista Journal de Psychologues de Paris (1998-2006); Editora da revista
Interação em Psicologia (2000-2006); Parecerista de revistas e agências nacionais e
internacionais; recebeu convites para proferir palestras em diferentes congressos nacionais e
50
internacionais (França, Bélgica, Marrocos, Portugal, Itália, Espanha, Holanda, Rússia,
Alemanha); recebeu diferentes travel awards integrais dos congressos para apresentar seus
trabalhos de pesquisa em eventos internacionais. Atua na área de Psicologia, como
pesquisadora, palestrante e ministra capacitação do seu Programa de Qualidade na Interação
Familiar (PQIF), com ênfase em Estilos e Práticas Educativas Parentais, Abandono e Adoção,
Psicologia Positiva e Relacionamento Amoroso. Seu atual vínculo institucional é com a
Universidade Federal do Paraná, UFPR, Brasil. Publicações: 90 artigos publicados (05 artigos
dentro dos critérios de análise), 27 livros publicados, 42 capítulo de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/3774116496575393
Última atualização do currículo em 23/05/2018
Sônia Margarida Gomes Sousa
(Print capturado em 29.05.2018)
Psicóloga (bacharel, licenciada e psicóloga) pela UCG, (1985), mestre e doutora em
Psicologia Social pela PUC-SP (1994 e 2001). É professora titular da Pontifícia Universidade
Católica de Goiás (Escola de Ciências Sociais e da Saúde. Programa de Pós Graduação em
Psicologia e Curso de Psicologia). Foi Diretora do Instituto Dom Fernando - Especializado
nas temáticas da infância, adolescência, juventude e família, vinculado à Pró-Reitoria de
Extensão e Apoio Estudantil (PROEX/PUC Goiás) no período de 2005 a 2008. Foi PróReitora de Extensão e Apoio Estudantil da PUC Goiás no período de 2008 a 2010.
Atualmente é Pró-Reitora de Graduação (a partir de 2010). Tem experiência na área de
Psicologia, com ênfase em Psicologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas:
aspectos psicossociais da infância, adolescência, juventude e família; psicologia social crítica;
51
educação infantil; dialética exclusão/inclusão social e teoria sócio-histórica. Desenvolve
estudos e pesquisas que buscam compreender os aspectos psicossociais da infância,
adolescência e juventude contemporânea, tais como: trabalho infantil, violência física,
psicológica e sexual, abandono, exploração sexual comercial, subjetividade e vínculos
familiares. Também desenvolve estudos e pesquisas a partir da temática da violência e suas
interfaces com a saúde, educação e direitos sociais. Últimas publicações: organizou
juntamente com a Profa. Dra. Maria Tereza Canezin Guimarães o livro "Jovens, espaços de
sociabilidade e processos de formação" (Editora da PUC Goiás/ Cânone, 2010) e com a Profa.
Maria Ignez Costa Moreira o livro “Quebrando o silêncio: Disque 100”. Estudo sobre a
denúncia de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil (Ed. Cânone, 2013). Seu
vínculo institucional atual é com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás, PUC GOIÁS,
Brasil. Publicações: 19 artigos publicados, 19 livros publicados, 40 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/1511889781304921
Última atualização do currículo em 09/05/2018
Raquel Gonçalves Salgado
(Print capturado em 29.05.2018)
Possui graduação em Formação de Psicólogo pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro (1992), Licenciatura em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(1993), mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(1998) e doutorado em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (2005). Realizou, também, doutorado sanduíche, durante seis meses, no
Centre for the Study of Children, Youth and the Media, do Institute of Education, da
52
Universidade de Londres. É Professora Associada da Universidade Federal de Mato Grosso,
no Campus de Rondonópolis, e atua no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu)
e no Curso de Psicologia. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia
do Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: infância, mídia,
cultura lúdica, educação infantil e educação. Mais recentemente, tem se dedicado a pesquisas
sobre infância, discursos do corpo, relações de gênero e sexualidade na cultura
contemporânea. Seu atual vínculo institucional é com a Universidade Federal de Mato
Grosso, UFMT, Brasil. Publicações: 18 artigos publicados (06 artigos dentro dos critérios de
análise), 03 livros publicados, 15 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/1165554868380123
Última atualização do currículo em 25/05/2018
Antônio Augusto Pinto Junior
(Print capturado em 29.05.2018)
Possui graduação em Psicologia pela Faculdade Salesiana de Filosofia Ciências e
Letras de Lorena/SP (1989), doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano
pela Universidade de São Paulo (2003) e pós-doutorado em Psicologia Clínica pela
Universidade de São Paulo (2018). Atualmente é Professor Associado da Universidade
Federal Fluminense (UFF), Polo de Volta Redonda, coordenador do Laboratório de Estudos e
Pesquisas sobre Infância e Adolescência (LEPIA) e pesquisador colaborador da Universidade
de São Paulo. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do
Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: violência doméstica,
violência contra a criança, saúde mental na infância e adolescência, Psicodiagnóstico infantil
e Psicanálise de Winnicott. Seu vínculo institucional atual é com a Universidade Federal
Fluminense, UFF, Brasil. Publicações: 18 artigos publicados (03 artigos dentro dos critérios
de análise), 03 livros publicados, 08 capítulos de livros.
53
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/4137608617042010
Última atualização do currículo em 11/05/2018
Roselene Ricachenevsky Gurski
(Print capturado em 29.05.2018)
Psicóloga e Psicanalista. Orientadora de Mestrado no PPG Psicanálise: clínica e
cultura (UFRGS). Professora Associada do Departamento de Psicanálise e Psicopatologia do
Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do
Programa de Pós-graduação em Psicanálise: clínica e cultura (UFRGS). Vice- coordenadora
do PPG de Psicanálise: clinica e cultura (UFRGS) entre 2014-2016 e 2016-2018.
Coordenadora do Curso de Especialização Intervenção Psicanalítica na Clinica da Infância e
Adolescência (UFRGS), edição 2015-2017. Pesquisadora associada ao GT Psicanálise e
Educação da ANPEPP e vice-coordenadora do GT (2016-2018). Membro da Red
Interuniversitária Internacional de Estudos e Investigações psicanalíticas e interdisciplinares
em Infância e Instituições? INFEIES, desde 2015. Foi Membro da Comissão de Psicologia
INEP entre 2012 e 2014. Possui Mestrado em Psicologia do Desenvolvimento UFRGS (1997)
e Doutorado em Educação UFRGS (2008). Líder do NEPEIA (Núcleo de Estudo, Pesquisa e
Extensão sobre Infância e Adolescência (CNPq/UFRGS) e Co-coordenadora do NUPPEC
(Núcleo de Psicanálise, Educação e Cultura CNPq/UFRGS). Pesquisadora associada do
NIPIAC/UFRJ (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para Infância e
54
Adolescência Contemporâneas). Pesquisadora associada ao Grupo de Pesquisa Além da Tela
(UFMG). Especialista em problemas do desenvolvimento na infância e adolescência pelo
Centro Lydia Coriat de Porto Alegre. Membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre
(APPOA). Foi membro fundador e diretora da Clínica Maud Mannoni - tratamento, ensino e
pesquisa dos problemas de desenvolvimento na infância e adolescência, de 1998 a 2010, na
cidade de Porto Alegre. Autora do livro Três Ensaios sobre Juventude e Violência (Escuta,
2012) e organizadora/autora dos livros Cenas da Infância Atual: a família, a escola e a clínica
(Unijui, 2006), Educação e Função Paterna (Ed. UFRGS, 2008) e Debates sobre Adolescência
Contemporânea (Juruá, 2012), além de outros capítulos de livros e artigos publicados no
campo da infância, adolescência, psicanálise e educação. Desenvolve pesquisas e intervenções
nas áreas de Psicologia, Psicanálise e Educação, tanto no âmbito clínico, quanto educacional,
com ênfase nos seguintes segmentos: interface psicanálise e educação; clínica da infância,
adolescência e juventude, socioeducação, mídia, cinema e cultura contemporânea com
financiamento do CNPq (Universal, 2011, 2014). Desde 2018, é pesquisadora colaboradora
do Laboratório de Psicanálise, Sociedade e Política do Programa de Pós-graduação em
Psicologia do IPUSP. Seu vínculo institucional atual é com a Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, UFRGS, Brasil. Publicações: 32 artigos publicados (02 artigos dentro dos
critérios de análise), 04 livros publicados, 13 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/4276058366255199
Última atualização do currículo em 15/05/2018
(Print capturado em 29.05.2018)
Patrícia Martins de Freitas
55
Doutora em Ciências da Saúde, área de concentração Saúde da Criança e do
Adolescente, pela Faculdade de Medicina da UFMG, em 2009. Mestre em Psicologia, área de
concentração Psicologia do Desenvolvimento, pela Faculdade de Filosofia e Ciências
Humanas da UFMG em 2004 e graduação em Psicologia pela mesma instituição em 2003.
Professora Associada da Universidade Federal da Bahia e Professora do Programa de
Mestrado em Ensino da Universidade do Sudoeste da Bahia. Linhas de pesquisa: Transtornos
do Desenvolvimento e da aprendizagem, Neurogenética, Cognição matemática, Desempenho
escolar. Experiência na área de Psicologia do Desenvolvimento Humano, atuando
principalmente nos seguintes temas: neuropsicologia, transtornos do desenvolvimento,
psicometria, adaptação psicossocial, avaliação e reabilitação neuropsicológica pediátrica e
paralisia cerebral. Seu vínculo institucional atual é com a Universidade Federal da Bahia,
UFBA, Brasil. Publicações: 25 artigos publicados (05 artigos dentro dos critérios), 09
capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/1256586899421231
Última atualização do currículo em 02/05/2018
Angela Maria Dias Fernandes
(Print capturado em 29.05.2018)
Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro (1977), mestrado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (1983), doutorado
em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (1996)
e Pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de
Santa Catarina. Atualmente é Professora Aposentada Colaboradora (Associada IV) do
Departamento de Psicologia, docente credenciada do Programa de Pós-Graduação em
Educação da Universidade Federal da Paraíba. Tem experiência nas áreas de Políticas
56
Públicas em Educação e Psicologia Educacional investigando, principalmente, os seguintes
temas: avaliação institucional, formação profissional; psicologia educacional, fracasso
escolar; investigação e intervenção Institucional; educação infantil; arte e criação. No
PPGE/UFPB desenvolve investigações em Políticas Educacionais voltadas para temas
relacionados com avaliação em larga escala, formação docente, alfabetização e inclusão.
Coordena o Grupo de Pesquisa - Psicologia Educacional, formação e infância - estudos sobre
classes populares e educação pública - PEFI (UFPB/PPGE). Seu vínculo institucional atual é
com a Universidade Federal da Paraíba, UFPB, Brasil. Publicações: 16 artigos publicados, 02
livros publicados, 12 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/1744082874190395
Última atualização do currículo em 14/04/2018
Jean Von Hohendorff
(Print capturado em 29.05.2018)
Psicólogo graduado pelas Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT), Mestre e
Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, Bolsista
CNPq), com estágio de Pós-Doutorado Júnior (Psicologia, Bolsista CNPq) na UFRGS.
Atualmente é professor do mestrado em Psicologia da IMED (Passo Fundo), onde coordena o
grupo de pesquisa VIA-Redes (Violência, Infância, Adolescência e Atuação das Redes de
proteção e de atendimento). É pesquisador colaborador do Grupo de Pesquisa Violência,
Vulnerabilidade e Intervenções Clínicas (GPEVVIC), do Programa de Pós-Graduação em
Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). É editorchefe da Revista de Psicologia da IMED (Qualis B3) e editor associado da revista Psicologia:
Teoria e Pesquisa (Qualis A1). É associado da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP) e da
International Society for Research on Aggresion (ISRA), tendo sido selecionado para o
programa de jovens pesquisadores da ISRA em 2018. Desenvolve atividades de pesquisa e
57
extensão com foco em situações de violência contra crianças e adolescentes e na atuação das
redes de proteção e de atendimento para crianças e adolescentes em situação de risco.
Principais contribuições do seu trabalho acadêmico são: a) adaptação e avaliação de um
protocolo cognitivo-comportamental para meninos vítimas de violência sexual; b) produção
de um documentário para uso com meninos vítimas de violências sexuais, e profissionais da
rede; c) caracterização de situações de violência sexual, meninos vítimas e seus agressores; d)
proposição de um modelo integrativo conceitual para o entendimento da dinâmica da
violência sexual contra crianças e adolescentes; e e) análise das redes de proteção e de
atendimento a crianças e adolescentes em situação de risco. Seu vínculo institucional atual é
com a Faculdade Meridional, IMED, Brasil. Publicações: 19 artigos publicados (04 artigos
dentro dos critérios de análise), 02 livros publicados, 12 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 29.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/0149260568216826
Última atualização do currículo em 10/05/2018
Infantil:
Andrea Soutto Mayor
(Print capturado em 30.05.2018)
Professora Adjunta do Curso de Psicologia da Universidade Federal Fluminense
(Departamento de Psicologia - Campos dos Goytacazes). Possui Doutorado em Psicologia
Experimental pela Universidade de São Paulo - USP (2007), Mestrado em Sexologia pela
Universidade Gama Filho (2001), Especialização em Educação Especial: Deficiência Mental
pela Universidade Federal Fluminense (1996) e graduação e bacharelado em Psicologia pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990). Tem experiência na área de Pesquisa em
Psicologia, Psicologia Clínica e Sexualidade Humana, atuando principalmente nos seguintes
temas: psicopatologia, processos cognitivos básicos, Terapia Cognitiva Comportamental,
58
relacionamento amoroso e conjugal, família e sexualidade. Seu vínculo institucional atual é
com a Universidade Federal Fluminense, UFF, Brasil. Publicações: 05 artigos publicados, 01
capítulo de livro.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/6129863558242126
Última atualização do currículo em 27/03/2018
Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues
(Print capturado em 30.05.2018)
Possui graduação em Psicologia pela Fundação Educacional de Bauru, mestrado em
Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos, doutorado em Psicologia
Experimental pela Universidade de São Paulo (IP/SP) e livre-docência em Psicologia do
Desenvolvimento pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Atualmente é
Professora Adjunta do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-graduação em
Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem, da Faculdade de Ciências, campus de
Bauru, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Tem vários
livros publicados (Psicologia da saúde: perspectivas interdisciplinares; Psicologia do
Desenvolvimento e Aprendizagem: investigações e análises), capítulos de livros e artigos
publicados em periódicos com referee. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em
Psicologia do Desenvolvimento Humano, especificamente desenvolvimento infantil e as
variáveis que o influenciam. Entre as temáticas de desenvolvimento infantil estão: avaliação
de desenvolvimento, interação mãe-bebê, prematuridade, impacto de más formações e
síndromes e, também, a influência de variáveis maternas como escolaridade, saúde emocional
materna e práticas educativas. É bolsista Produtividade em Pesquisa, do CNPq (Pq-2). Seu
vínculo institucional é com a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho,
59
UNESP, Brasil. Publicações: 70 artigos publicados (10 artigos dentro dos critérios de análise),
20 livros, 39 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/8149650593877042
Última atualização do currículo em 27/04/2018
Jorgete Pereira Oliveira
(Print capturado em 30.05.2018)
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (1978), mestrado
em Psicologia (Teoria e Pesquisa do Comportamento) pela Universidade Federal do Pará
(2002) e doutorado em Psicologia (Teoria e Pesquisa do Comportamento) pela Universidade
Federal do Pará (2009). Atualmente é professora adjunta e pesquisadora da Universidade do
Estado da Bahia (CAMPUS III - Juazeiro - BA) nos cursos de Graduação (Pedagogia),
Especialização em Educação Contextualizada e no Mestrado em Educação, Cultura e
Territórios Semiáridos. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia da
Educação (Ensino e Aprendizagem) atuando principalmente nos seguintes temas: ensino,
aprendizagem, desenvolvimento cognitivo, educação, interação verbal e argumentação em
sala de aula. Seu vínculo institucional atual é com a Universidade do Estado da Bahia, UNEB,
Brasil. Publicações: 02 artigos publicados, 04 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/2373547735498148
Última atualização do currículo em 21/04/2017
Luiz Carlos Souza Bezerra
60
(Print capturado em 30.05.2018)
Luiz Carlos Bezerra concluiu Doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da
Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) e Mestrado em
Ciências da Linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Possui
Graduação em Fonoaudiologia e Formação em Psicanálise. Professor Adjunto da
Universidade Federal do Pará (UFPA), Campus Universitário de Altamira. É líder do Grupo
de Pesquisa? Linguagem, Corpo e Infantil? ? LinCI, cadastrado no CNPq/UFPA. Áreas de
atuação: Linguagem e Educação; Educação Especial e Inclusiva: escolarização e processos
terapêuticos; Fonoaudiologia e; Psicanálise. Seu vínculo institucional atual é com a
Universidade Federal do Pará, UFPA, Brasil. Publicações: 01 artigo publicado, 01 livro
publicado, 07 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/1988042003612886
Última atualização do currículo em 21/02/2018
Criança:
Raul Aragão Martins
(Print capturado em 30.05.2018)
Graduado em Psicologia pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo - UNISAL
(Campus de Lorena) (1977), Mestre (1986) e Doutor (1991) em Psicologia pela Fundação
61
Getúlio Vargas - RJ. Livre-Docente em Psicologia da Educação pela Universidade Estadual
Paulista - UNESP (2006). Atualmente é professor adjunto do Dep. Educação do Instituto de
Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (IBILCE/UNESP).
Credenciado como orientador e docente no Programa de Pós-Graduação em Educação da
Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP e do Programa de Pós-Graduação Ensino e
Processos Formativos do IBILCE, FEIS e FCAV da UNESP. Tem experiência na área de
Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Social e da Personalidade, atuando
principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento sociomoral, uso de álcool e outras
drogas por adolescentes, desenvolvimento infantil, educação infantil e crianças e adolescentes
em vulnerabilidade social. Seu vínculo institucional atual é com a Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, Brasil. Produções: 62 artigos publicados (04 artigos
dentro dos critérios de análise), 04 livros publicados, 34 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/8498347239701559
Última atualização do currículo em 28/05/2018
Maria Stella Coutinho de Alcântara Gil
(Print capturado em 30.05.2018)
Licenciada e Psicóloga pelo Curso de Psicologia da PUC-Camp, com estágio de pósdoutorado no E.K. Shriver Center for Mental Retardation/UMASSMED; doutorou-se em
Psicologia (Psicologia Experimental), na Universidade de São Paulo e é mestre em Psicologia
pela Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é Professora Associada do Departamento
de Psicologia, CECH/UFSCar, docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e do
Programa de Pós-Graduação em Educação Especial. Coordena o Pró-infância: II Programa de
Promoção do Desenvolvimento. É membro do Instituto Nacional de Ciência e TecnologiaEstudos sobre Comportamento, Cognição e Ensino; associada plena da Sociedade Brasileira
de Psicologia; sócia fundadora da Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento e
62
associada à ABPMC. Realiza investigações dirigidas à população de crianças pequenas, com
ou sem deficiência, nas áreas de Psicologia e Educação Especial, com destaque para os
processos interativos educacionais; procedimentos de ensino da fala e de seus requisitos e
processos básicos no desenvolvimento da função simbólica. Seu vínculo institucional atual é
com a Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, Brasil. Publicações: 35 artigos
publicados (01 artigo dentro dos critérios de análise), 05 livros publicados, 18 capítulos de
livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/1673770301699940
Última atualização do currículo em 21/05/2018
Sônia Regina Fiorim Enumo
(Print capturado em 30.05.2018)
Tem licenciatura e bacharelado em Psicologia (PUC-Campinas, 1978, 1979),
Mestrado em Educação Especial (UFSCar, 1985), Doutorado em Psicologia Experimental
(USP, 1993) e pós-doutorado em avaliação assistida de crianças com deficiência visual
(CEPRE/FCM/UNICAMP, 1998). Foi docente do Curso de Psicologia da PUC-Campinas
(1981-1985). É Professora orientadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia (desde
2012) e do Mestrado em Ciências da Saúde (2015) da PUC-Campinas. Aposentou-se pela
Universidade Federal do Espírito Santo [UFES] (1986-2011), recebendo o título de Professora
Emérita em 2014. Orientou no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFES
(PPGP/UFES) entre 1992-2016. Foi Chefe do Depto. Psicologia Social e do Desenvolvimento
da UFES (1999-2000), Coordenadora do PPGP/UFES (2000-2002) e Tutora do Grupo
PET/CAPES da Psicologia/UFES (1994-1997). Foi Primeira-Secretária da Associação
Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental - ABPMC (1998-1999), e da
Sociedade Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento - ABPD (2006-2007). Foi
representante da UFES no Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia de Vitória, ES?
63
CMCT/FACITEC (2008-2012). Foi bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq entre
2001-2018. É líder do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Saúde e Desenvolvimento da
Criança e do Adolescente (PUC-Campinas) e pesquisadora do Grupo de Pesquisas em
Psicologia Pediátrica (USP-RP) do CNPq; é Coordenadora do GT- Psicologia da Saúde da
Criança e do Adolescente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em
Psicologia (ANPEPP) desde 2012. É Editora Associada da Revista Estudos de Psicologia
(PUC-Campinas)
desde
2012.
Coordena
pesquisas
nas
áreas
de
Psicologia
do
Desenvolvimento e Psicologia Pediátrica sobre avaliação, intervenção e prevenção de
problemas de desenvolvimento, com temas como processos de estresse-coping e Avaliação
Assistida. Seu vínculo institucional atual é com a Pontifícia Universidade Católica de
Campinas, PUC Campinas, Brasil e a Universidade Federal de Sergipe, UFS, Brasil.
Publicações: 93 artigos pulicados (08 artigos dentro dos critérios de análise), 09 livros
publicados, 56 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/6611875189543103
Última atualização do currículo em 26/05/2018
Carlos Barbosa Alves de Souza
(Print capturado em 30.05.2018)
Graduação (1994) e Mestrado (1997) em Psicologia na Universidade de Brasília,
Doutorado em Ciencias Del Comportamiento (2001) no Centro de Estudios e Investigaciones
en Comportamiento, Universidad de Guadalajara e Pós-Doutorado (2003) no Nova Institute
of Philosophy, Universidade Nova de Lisboa. Atualmente é Professor Associado 4 da
Universidade Federal do Pará, professor permanente do Programa de Pós-graduação em
Teoria e Pesquisa do Comportamento (PPGTPC), coordenador do Grupo de Pesquisa
Questões empíricas e conceituais na aquisição de repertórios simbólicos em crianças com e
sem atraso no desenvolvimento, membro do comitê de avaliação da área de Psicologia na
Capes, Editor Associado da revista Acta Comportamentalia e pesquisador do Instituto
64
Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino do CNPq. Atuou
como Editor da revista Acta Comportamentalia (2007-2009), Vice-Coordenador (2013-2015)
e Coordenador (2015-2017) do PPGTPC, e membro da comissão da área da Psicologia do
Prêmio Capes de Tese 2016. Tem experiência na área de Psicologia Experimental, atuando
principalmente nos seguintes temas: Aquisição de repertórios simbólicos, Análise
Comportamental Aplicada e Análise conceitual em psicologia. Seu vínculo atual é com a
Universidade Federal do Pará, UFPA, Brasil, e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior, (CAPES), Brasil. Publicações: 48 artigos publicados (04 artigos dentro dos
critérios de análise), 04 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/1264063598919201
Última atualização do currículo em 11/05/2018
Débora Dalbosco Dell’aglio
(Print capturado em 30.05.2018)
Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul (1983), mestrado em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (1992) e doutorado em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (2000). Atualmente é professora pesquisadora do PPG
Educação Unilasalle e colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
UFRGS, orientadora de mestrado e doutorado e Coordenadora do Núcleo de Estudos e
Pesquisas em Adolescência (NEPA/UFRGS). Foi coordenadora do Programa de PósGraduação em Psicologia UFRGS no período 2008-2010, editora associada na área de
desenvolvimento na Revista Psicologia Reflexão e Crítica/Psychology no período 2011-2013
e Editora Geral no período 2013-2015. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em
Psicologia do Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas:
adolescentes, institucionalização, abuso sexual, rede de apoio, bem-estar, resiliência,
65
violência, desenvolvimento em situação de risco pessoal e social, politicas públicas de
proteção à infância e adolescência. Vínculo institucional atual: Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, UFRGS, Brasil e Universidade La Salle - Canoas, UNILASALLE, Brasil.
Publicações: 138 artigos publicados (10 artigos dentro dos critérios de análise), 06 livros
publicados, 51 capítulos de livros.
Grupos de Pesquisa aos quais faz parte:
(Print capturado em 30.05.2018)
Endereço para acessar seu CV: http://lattes.cnpq.br/6343989319484265
Última atualização do currículo em 28/05/2018
Crianças:
Foram encontrados três grupos com este descritor, porém os mesmos se mostraram
repetições. E consequentemente se repetiram os seus líderes. Tais grupos são:
Desenvolvimento sociomoral de crianças e adolescentes (Raul Aragão Martins), Questões
empíricas e conceituais na aquisição de repertórios simbólicos em crianças com e sem atraso
no desenvolvimento (Carlos Barbosa Alves Souza), Sistema de proteção a crianças e
adolescentes: Pesquisas e aplicações (Débora Dalbosco Dell’aglio).
66
5
O QUE OS PESQUISADORES LÍDERES SIGNIFICAM SOBRE A
INFÂNCIA E A CRIANÇA EM SEUS ARTIGOS:
Nas fases anteriores, em que realizamos a exploração, os cruzamentos, o refinamento e
a descrição, constatamos que diante dos vinte e quatro grupos de pesquisa analisados, doze
apresentaram no título o termo infância, quatro utilizam o termo infantil, cinco o termo
criança e três, o termo crianças. Já diante da análise dos artigos percebemos que o termo que
mais apareceu no título foi o termo crianças (48 artigos), criança (07 artigos), infantil (10
artigos) e infância (08 artigos).
Neste momento apresentaremos as sínteses interpretativas realizadas a partir dos
artigos, com as proposições conceituais acerca da infância e criança presentes nos mesmos,
chegando assim à fase final da metassíntese pretendida.
5.1
Autores que apresentam o descritor criança/as no título de seus artigos.
5.1.1. Aqueles que explicitam pressuposto teórico.
1.
“Quando eu penso em Cuiabá...: significações da Cidade por crianças em
escolas particulares”. (ANDRADE, 2016).
2.
“Representações sociais de Cuiabá: estudo comparativo entre Mapas
cognitivos de crianças em escolas públicas e Particulares”. (ANDRADE, 2016).
3.
“Intervenção em práticas de cuidado à criança no contexto hospitalar:
representações sociais da equipe de saúde”. (ANDRADE, 2017).
4.
“Cidade como metáfora de si: representação socioespacial de Cuiabá-MT
segundo a criança”. (ANDRADE, 2014).
5.
“Imagens sociais de crianças e adolescentes institucionalizados e suas
famílias”. (DELL’AGLIO, 2017).
6.
“Relação entre autoconceito de crianças e estilos de liderança de professores”.
(BATISTA, 2017).
7.
“Crenças de crianças e professoras sobre a boa professora”. (BATISTA,
2016).
8.
“Relações funcionais entre estímulos condicionais sociais, atenção conjunta,
tato e mando em crianças com autismo”. (SOUZA, 2017).
67
9.
“Ensino de Nomeação com Objetos e Figuras para Crianças com Autismo”.
(SOUZA, 2016).
10.
“Intervenções Comportamentais no Ensino de Atenção Conjunta para Crianças
com Autismo: Uma revisão de literatura”. (SOUZA, 2014).
11.
“Ensino de linguagem receptiva para crianças com autismo: Comparando dois
procedimentos”. (SOUZA, 2015).
12.
“Desempenho de Crianças Com e Sem Necessidades Especiais em Provas
Assistidas e Psicométricas.” (ENUMO, 2013).
13.
“Imagens Sociais de Famílias com Crianças e Adolescentes: Impacto do Status
Socioeconômico e da Institucionalização”. (DELL’AGLIO, 2016).
14.
“Percepção do estresse pelas crianças do primeiro ano do ensino
fundamental.” (WEBBER, 2013).
15.
“Habilidades
Sociais,
Competência
Acadêmica
e
Problemas
de
Comportamento em Crianças com Diferentes Níveis de Plumbemia”. (RODRIGUES,
2015).
16.
“Histórias e dilemas morais com crianças: instrumento para pesquisadores e
educadores”. (MARTINS, 2015).
17.
“Intervenção cognitivo-comportamental para crianças com dificuldades
psicolinguísticas: reabilitação neuropsicológica”. (FREITAS, 2013).
18.
“Adaptações curriculares para crianças com deficiência intelectual moderada:
contribuições da neuropsicologia do desenvolvimento”. (FREITAS, 2016).
19.
“A escuta de pais nas entrevistas preliminares com crianças: algumas questões
iniciais.” (GURSKI, 2017).
5.1.1.1. Abordagem Histórico-culturais/Psicossociais:
Andrade (2016) apresenta um recorte da pesquisa de mestrado intitulada
Representações Sociais da cidade de Cuiabá: estudo com crianças em contexto de
escolas particulares. “Objetiva a identificação e análise das significações da cidade de
Cuiabá, segundo crianças em contexto de escolas particulares. Adota como aporte
teórico a Teoria Histórico-Cultural (VIGOTSKI, 2009; 2010). Os dados foram gerados
com 40 crianças, em quatro escolas particulares, divididas entre as regiões: Leste,
Oeste e Sul. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas individuais, que foram
processadas pelo software Analyse Lexicale par Contexte d´um Esemble de Segments
68
de Texte (ALCESTE). Os dados anunciam que aspectos da cidade, como as ruas,
bairros e praças, são identificados como cenários observados pelas crianças durante os
trajetos que percorrem, geralmente realizando a ligação entre lugares de família,
consumo e a escola. A cidade aparece nas entrevistas como lugares fragmentados, e a
ausência dos elementos históricos sugere uma postura de distanciamento em relação a
um enraizamento cultural. Tais constatações desvelam o potencial transformador dos
processos formativos, ao mesmo tempo em que evidenciam seu poder de
conservação”.
Como já mencionado, a autora adota como aporte teórico a Teoria HistóricoCultural (VIGOTSKI, 2009; 2010) e o método apresentado é um estudo empírico, em
que foram ouvidas 40 crianças, alunas de escolas particulares, através de entrevistas
semiestruturadas. O corpus foi analisado pelo software Alceste que, após o
processamento, dividiu o corpus em 748 Unidades de Contextos Elementares (UCE)
que continham 646 palavras, formas ou vocábulos diferentes.
Os resultados apresentaram que ao analisar o discurso das crianças, em
contexto de escolas particulares, identificam-se significações da cidade de Cuiabá
marcadas por trajetos, vias públicas esvaziadas de vivências e significados, como
cenários que se apresentam ao longo do percurso que liga predominantemente espaços
privados. Contudo, os trajetos são identificados também como fontes de informações,
a partir das quais crianças elaboram suas hipóteses a respeito da cidade. Os lugares
nomeados pelas crianças indicam a alta recorrência e consenso de um perfil de espaços
privados, voltados para o consumo ou enquanto lugares de convivência familiar, como
a casa. Esses dados fortalecem a compreensão das possibilidades que a cidade tem
ofertado, ou que tem sido possibilitado pelos adultos, para as crianças.
O conceito aqui utilizado é o de criança, como sujeito social que constrói
representações acerca do meio ao qual está inserida. As crianças construindo sentidos
a partir dos elementos do meio, tendo como referência os adultos, os objetos, a mídia e
as normas que regulam os espaços.
Andrade (2016) analisa dados de estudos sobre representações sociais da
cidade, segundo crianças de escolas públicas (SILVA, 2014) e particulares (POUBEL,
2016). “O aporte teórico partiu da abordagem ontogenética das representações sociais
e da Teoria Histórico Cultural em diálogo com os estudos de Bourdieu (2004) e
Sennett (1988). Como metodologia adotou-se mapas cognitivos (ALBA, 2011)
produzidos por 80 crianças (40 de escolas públicas e 40 de escolas particulares),
69
analisados conforme a técnica de análise de conteúdo (BARDIN, 1977)”. Os
resultados indicaram um campo representacional marcado por informações sobre a
cidade atrelada à rotina das crianças, esta orientada pelos adultos que regulam
estruturas de oportunidade para sua aprendizagem e desenvolvimento. Observou-se
maior repertório nos mapas coletados na escola pública, cujos trajetos infantis são
realizados por meio de transporte público ou a pé. As crianças das escolas particulares
anunciam a cidade vista pela janela do carro com destaque para grandes avenidas, vias
públicas e logomarcas. Em ambos os grupos, destaca-se a recorrência de espaços
privatizados como shoppings, lojas e lugares de família. Assim, conteúdos
representacionais identificados sobre Cuiabá indicam a influência das diferentes
posições sociais dos grupos, em acordo com os espaços que vivenciam e com a
mediação exercida pelo adulto.
As crianças das escolas particulares anunciam a cidade vista pela janela do
carro com destaque para grandes avenidas, vias públicas e logomarcas. Apesar da
distinção é possível identificar aproximações e distanciamentos ora delineados pela
infância, ora pela posição social. A criança é participante da pesquisa onde se busca
identificar e problematizar a significação da cidade pela criança, em diferentes grupos
de pertencimento – alunos de escola pública e de escola privada.
O estudo de Andrade (2017) objetivou compreender e identificar redes de
significações sobre práticas do cuidado à criança no contexto hospitalar, segundo
profissionais que trabalham em uma enfermaria pediátrica. Para tanto, se fundamenta
na Teoria das representações sociais, elencando pontos possíveis de articulação com
os estudos de Bruner sobre a narrativa, buscando a compreensão sobre as imbricações
em relação a um projeto de intervenção e o compartilhamento de significados. “Foram
realizadas onze entrevistas semiestruturadas com profissionais de diferentes áreas de
atuação que trabalham em uma enfermaria pediátrica de um hospital universitário. O
corpus foi processado pelo programa computacional IRAMUTEQ que permitiu a
realização da análise de Classificação Hierárquica Descendente, favorecendo a
identificação de diferentes classes nas narrativas apresentadas. Para efeito deste
trabalho, foi analisada a classe 1 intitulada “A prática de sentar e contar história” que
indicou a presença de diferentes significações sobre o cuidado de crianças no contexto
hospitalar junto aos profissionais entrevistados. Elas remetem historicamente tanto ao
paradigma da medicina flexneriana quanto ao da Política Nacional de Humanização, e
70
se apresentaram como matéria prima para a elaboração de novas narrativas, retratando
diferentes contextos de interação nas práticas de cuidado abordadas”.
A perspectiva teórica é a Teoria das representações sociais, o método é
apresentado como estudo empírico com projeto de intervenção. Os procedimentos
adotados caracterizam um estudo de campo de orientação etnográfica, constituído de
observação participante e entrevistas semiestruturadas, realizadas individualmente
com 11 profissionais da enfermaria pediátrica. No total foram entrevistadas: 1 médica,
1 enfermeira, 2 técnicas em enfermagem, 2 psicólogas, 3 pedagogas, 1 assistente
social e 1 nutricionista. De modo geral, é possível caracterizar esse grupo como
formado por mulheres, predominantemente entre 30 a 59 anos, com pós-graduação e
que trabalham na instituição há seis anos ou mais. O material produzido pela
transcrição das entrevistas foi processado no programa computacional IRAMUTEQ
(Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de
Questionnaires) que permitiu a realização da análise de Classificação Hierárquica
Descendente (CHD).
Como resultados, neste exercício de identificação e diferenciação, “foi possível
destacar elementos em torno dos quais se estruturam narrativas dos profissionais sobre
o cuidado em saúde de crianças. Destaca-se a noção de tempo instituído pela rotina
hospitalar, da preponderância dos aspectos biológicos em detrimento aos demais e da
abordagem disciplinar, organizando o trabalho de assistência à saúde, por meio de
especialidades. De forma geral, por meio das práticas de cuidado propostas pelo
projeto de intervenção, foi possível reconhecer a existência, no cenário da enfermaria
pediátrica investigada, redes distintas de significações sobre o cuidado de crianças no
contexto hospitalar que se fazem presentes junto aos profissionais entrevistados. Elas
remetem historicamente tanto ao paradigma da medicina flexneriana, quanto ao da
Política Nacional de Humanização (PNH), e se apresentaram como matéria prima para
a elaboração de narrativas frente à entrevista, retratando diferentes contextos de
interação, nas quais as práticas de cuidado à criança podem acontecer no hospital”.
Evidencia-se a utilização do conceito de criança atrelado ao processo de
adoecimento e as narrativas de profissionais sobre o cuidado às crianças no contexto
hospitalar.
Andrade (2014) propõe neste estudo uma discussão sobre a relação da criança
com a cidade, mediante análise compreensiva do discurso associado ao mapa da
cidade construído pela criança participante, com o objetivo de refletir sobre aspectos
71
de sua constituição identitária nessa relação. A análise das significações se orienta pela
articulação entre a Teoria Histórico-Cultural (VIGOTSKI, 2009, 2010) e a Teoria das
Representações Sociais (MOSCOVICI, 2003), esta última no diálogo com os estudos
de Jodelet (1982, 2001). “Os estudos de Tuan (1980, 1983) sobre a noção de lugar,
topofilia e topofobia também integram o referencial teórico, que, em seu conjunto,
possibilita compreender a relação entre criança e cidade como aspecto importante para
o desenvolvimento infantil”. O procedimento metodológico adotado para a apreensão
da representação socioespacial deu-se pelo recolhimento do desenho da cidade,
inspirado na proposta dos mapas cognitivos (ALBA, 2011), acompanhado de
entrevista semiestruturada com uma criança de uma escola municipal de Educação
Básica de Cuiabá, MT. A análise da entrevista e do mapa da cidade orientou-se pela
perspectiva compreensiva do discurso, e revelou que a representação socioespacial da
cidade de Cuiabá, é influenciada por valores, vivências e afetos da criança, estando
presentes elementos de suas particularidades, mas que também são frutos de relações
estabelecidas socialmente. Além disso, nota-se que os lugares do afeto permeiam o
processo de formação identitária da criança, aspecto que permite anunciar que, em
alguma medida, a cidade é tomada como metáfora de si.
O estudo em questão se orienta pela articulação entre a Teoria HistóricoCultural (VIGOTSKI, 2009, 2010) e a Teoria das Representações Sociais
(MOSCOVICI, 2003), esta última no diálogo com os estudos de Jodelet (1982, 2001).
Os estudos de Tuan (1980, 1983) sobre a noção de lugar, topofilia e topofobia também
integram o referencial teórico, que, em seu conjunto, possibilita compreender a relação
entre criança e cidade como aspecto importante para o desenvolvimento infantil.
Trata-se de um estudo de carácter experimental, onde foi feita uma
representação socioespacial por meio da recolhida do desenho da cidade, (ALBA,
2011). Foi realizada uma entrevista semiestruturada com uma criança de uma escola
municipal de Educação Básica de Cuiabá, MT.
“Os critérios para a seleção da participante foi que a mesma tivesse idade entre
09 e 12 anos, estudante do quinto ano do Ensino Fundamental, desejo de participar da
pesquisa e ter autorização do responsável mediante assinatura do termo de
consentimento livre e esclarecido. A análise da entrevista e do mapa da cidade
orientou-se pela perspectiva compreensiva do discurso e seguiu o roteiro de entrevista
organizado em três etapas: Contextualização; Nomeação, classificação e significação
dos lugares; Informação, análise e crítica”.
72
Percebe-se com os resultados que os lugares do afeto permeiam o processo de
formação identitária da criança e representam a base que lhe permite compensar seus
problemas e dificuldades. A identificação da criança com tais lugares permite não
somente pensar a cidade como lugar de pertencimento, mas também pensar a si
mesma, nutrindo por Cuiabá a valorização que gostaria que seus pais tivessem por ela.
“Nesse exercício, a criança recorre à memória social e resgata princípios éticos e
valores sociais que revelam a Cuiabá como lugar de pertencimento orientado pelo bem
comum, refletindo a importância da valorização das pessoas e da cidade no processo
de construção identitária, ou seja, evidenciando que a construção da identidade pessoal
está intimamente associada à identidade dos lugares”.
Como vimos no estudo relatado acima, a criança se apresenta como
participante da pesquisa. O estudo permite destacar a constituição subjetiva das
crianças acontece mediante suas vivências, que carregam significações e
interpretações pessoais, mas também são permeadas pelo arcabouço simbólico
construído no e pelo meio sociocultural.
Dell’aglio (2017) em seu estudo apresenta uma reflexão teórica acerca das
imagens sociais de crianças e adolescentes institucionalizados e suas famílias. Parte-se
de uma perspectiva histórica acerca das instituições no Brasil até os dias atuais, em
que a política de atendimento é regida pela Doutrina da Proteção Integral, prevista
pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, destacando-se os prejuízos das imagens
sociais negativas relativas a crianças e adolescentes em acolhimento e suas famílias.
São discutidos alguns trabalhos que enfocam as imagens construídas acerca dessa
população e suas consequências, tanto para os sujeitos em situação de
institucionalização quanto para os profissionais que com eles trabalham.
“Parte-se de uma perspectiva histórica acerca das instituições no Brasil até os
dias atuais, em que a política de atendimento é regida pela Doutrina da Proteção
Integral, prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), destacando-se os
prejuízos das imagens sociais negativas relativas a crianças e adolescentes em
acolhimento e suas famílias. Imagem social corresponde a uma forma de classificar
indivíduos a partir da construção de teorias implícitas sobre eles ou sobre por que se
comportam de determinada forma, por exemplo. Essas teorias implícitas guiam o
comportamento e interações com esses indivíduos que são classificados, buscando
confirmar essas classificações e imagens que são criadas em torno desse público alvo
(DOMINGUES, 2013). As imagens sociais construídas sobre os grupos alvo
73
dependem da formação e do status do próprio grupo alvo, bem como do status e do
interesse dos grupos que as percebem (TAJFEL, 1974). É um estudo teórico, onde são
discutidos alguns trabalhos que enfocam as imagens construídas acerca dessa
população e suas consequências”.
Os resultados demonstraram que as imagens sociais que os indivíduos
constroem sobre outros estão vinculadas à história desses indivíduos e dos grupos
sociais a que eles pertencem. As imagens sociais associadas a um determinado grupo
estão relacionadas tanto ao que é esperado desse grupo quanto às potencialidades
atribuídas aos seus membros. “Os estudos demonstraram que a história da
institucionalização apresenta forte influência na construção do que se pensa sobre a
criança. Dessa forma, modificar as crenças e imagens sociais das crianças e
adolescentes institucionalizados, especialmente daqueles que trabalham diretamente
com esses indivíduos, é tarefa fundamental daqueles que refletem, discutem e
constroem políticas públicas voltadas a esse grupo social”.
É enfocada a questão da institucionalização de crianças propondo uma visão de
criança e adolescente como sujeitos de direitos e pessoas em desenvolvimento.
“Compreendendo que a infância, assim como a adolescência ou a família, é o que cada
sociedade, em cada momento histórico, conhece e fala sobre ela (CASAS, 2006)”.
Em suma, Dell’aglio (2017) propõe uma visão da criança e do adolescente
como sujeitos detentores de direitos e pessoas em desenvolvimento. Ou seja, a
infância, a adolescência e a família são tomadas como construções do processo
histórico em cada sociedade.
5.1.1.2. O pressuposto Cognitivo-comportamental:
Conforme estudo de Batista (2017) observa-se que a interação professor-aluno
é essencial para o desenvolvimento das crianças. Essa interação influencia diversos
aspectos do comportamento infantil, dentre estes, o autoconceito. Este trabalho teve
por objetivo verificar a relação entre o autoconceito em crianças e os estilos de
liderança de professores. “Participaram dessa pesquisa 124 alunos com idade média de
9,5 (DP=1,29), de 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, de escolas públicas. Para a
coleta de dados foram utilizados dois instrumentos, a Escala de Autoconceito InfantoJuvenil (EAC-IJ) e o Inventário de Estilos de Liderança de Professores (IELP). Os
resultados mostraram três correlações, uma positiva e duas negativas, além da
74
classificação quanto aos estilos de liderança de professores e a classificação dos
autoconceitos das crianças. O estudo aponta para a necessidade de se considerar as
relações sociais estabelecidas na escola e promove uma reflexão sobre a importância
dessas relações para o desenvolvimento infantil. Seus resultados apontam que o
autoconceito e os estilos de liderança de professores na amostra estudada. Outro
resultado apresentado é com relação aos estilos de liderança de professores, em que a
maioria dos alunos responde que seus professores pertencem ao estilo autoritativo.
Assim, considerado o melhor estilo de liderança. Quanto ao autoconceito, a maioria
dos participantes (49,3%) se classificou como possuindo um bom autoconceito geral,
ou seja, se percebem como inteligentes, com boas relações e acreditam que possuem
muitas capacidades”.
A perspectiva teórica utilizada por Batista (2017) é da análise do
comportamento (ROCHA, INGBERMAN, & BREUS, 2011), o autoconceito, segundo
esta abordagem, pode ser visto como uma forma de autoconhecimento. O método se
caracteriza por estudo empírico- As crianças como participantes, e também os
professores. Foram quatro turmas do 4º ano e quatro turmas do 5º ano do Ensino
Fundamental de três escolas públicas do interior do Paraná. Os instrumentos usados
foram: A Escala de Autoconceito Infanto-Juvenil (EAC-IJ): Criada por Sisto e
Martinelli (2004) e aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), tem por
objetivo avaliar, com maior precisão, os diferentes níveis de autoconceito:
autoconceito pessoal, autoconceito social, autoconceito familiar e autoconceito
escolar; e o Inventário de Estilos de Liderança de Professores (IELP): Desenvolvido
por Batista (2013) e publicado por Batista e Weber (2015) tem porfinalidade
identificar os estilos de liderança de professores, o qual se constitui por 56 itens como,
por exemplo, “Minha professora é alegre”, que devem ser respondidos com uma das
opções “nunca ou quase nunca”, “às vezes” ou “sempre ou quase sempre”,
configurando-se em uma escala Likert de três pontos. O estudo aponta para a
necessidade de se considerar as relações sociais estabelecidas na escola e promove
uma reflexão sobre a importância dessas relações para o desenvolvimento infantil.
Em síntese, o conceito de criança (s) se apresenta relacionado ao
desenvolvimento da criança e como ocorre o processo de autoconceito em meio às
interações em sala de aula.
Batista (2016) em seu estudo aborda as crenças de crianças e professoras sobre
a “boa professora”. A escola é um dos locais onde as crianças passam grande parte do
75
seu tempo, sendo um dos principais contextos de socialização na infância. Assim,
observa-se a relevância de investigar as relações que ocorrem nesse ambiente, tais
como a interação professor-aluno, visto que o professor é o adulto que fica a maior
parte do tempo com a criança, organiza e estrutura as atividades diárias e faz a
mediação entre pares. “O presente estudo buscou investigar crenças de crianças e
professoras sobre “o que é ser uma boa professora”. Participaram do estudo 83
crianças e cinco professoras do quinto ano do ensino fundamental de uma escola
pública de uma cidade no interior do Paraná. Os alunos responderam em uma folha
essa questão, enquanto as professoras participaram de entrevista semiestruturada. Os
resultados mostram que características relacionadas à responsividade, incluindo, afeto,
apoio, participação e qualidade na comunicação, são mais citadas tanto por alunos
quanto por professoras, seguido da importância de limites e regras”.
Em relação à perspectiva teórica o artigo apresenta o modelo teórico de Estilos
de lideranças de professores, que segundo Batista e Weber (2015), se caracterizam por
um conjunto de atitudes direcionadas aos alunos e que, tomadas em conjunto, criam
um clima emocional no qual os comportamentos são expressos, moderando a
efetividade de uma prática particular e alterando a receptividade da criança à relação
de ensino-aprendizagem. O método refere-se a um estudo empírico – As crianças
como participantes da pesquisa. Participantes: 83 crianças (9-11 anos) e cinco
professoras do quinto ano do ensino fundamental de uma escola pública de uma cidade
no interior do Paraná. Com as professoras, foi realizada uma entrevista semiestruturada, na qual foram apresentadas perguntas referentes ao que é ser uma boa
professora, quais objetivos devem atingir com as crianças de quinto ano do ensino
fundamental e o que acreditam que influencia o desempenho escolar dos alunos, além
de perguntas voltadas para o seu perfil profissional, como questões que abordem sua
rotina na escola, há quanto tempo estão na profissão, quanto tempo dedicam ao
trabalho e o quão satisfeitas estão em sua profissão. Com as crianças, os dados foram
levantados a partir de uma folha, contendo uma questão para responderem
abertamente o que acreditavam ser uma boa professora.
Os resultados apontaram que em relação às crenças das professoras existem
dois pontos importantes que se destacam em suas falas: “para ser uma boa professora,
necessariamente tem que se passar e se fazer compreender os devidos conteúdos
acadêmicos e o segundo ponto apresenta que, algumas dessas professoras acreditam
ser uma boa professora corresponde, além de passar os conteúdos acadêmicos é
76
importante também criar vínculos afetivos com os alunos que possam suprir as
deficiências familiares e sociais no contexto de cada aluno. Já os alunos trazem em
suas respostas que uma boa professora deve priorizar a relação em sala com o aluno,
estando sempre atentas as necessidades dos mesmos”. Esses alunos trazem a
responsividade das professoras como algo mais importante em detrimento do poder
coercitivo no favorecimento do processo de ensino aprendizagem. Em conclusão o
texto traz que a presença somente da responsividade pode criar um ambiente
permissivo, sendo que o equilíbrio com as os limites e regras é importante para um
clima mais positivo em sala de aula.
Crianças é o conceito apresentado. As crianças dentro deste estudo “ganham
voz”, as perspectivas/crenças destas crianças ganham foco, juntamente às crenças das
próprias profissionais no que se refere à imagem da ‘boa professora’.
Em Souza (2017) temos a discussão sobre relações funcionais entre estímulos
condicionais sociais, atenção conjunta, tato e mando em crianças com autismo.
Déficits na atenção conjunta (AC), caracterizada como resposta de atenção conjunta
(RAC) e iniciação de atenção conjunta (IAC), têm sido relacionadas com os problemas
de linguagem observados em pessoas com autismo. “O estabelecimento do
comportamento de outras pessoas como estímulos discriminativo-reforçadores
condicionais pode ser importante para AC. Este estudo investigou, em três crianças
com autismo, as relações funcionais que podem ocorrer entre o estabelecimento do
comportamento de outras pessoas como estímulos discriminativo-reforçadores
condicionais e os repertórios de RAC, IAC, tato e mando. Foram realizados treinos de
repertórios de sessão e pré-testes da efetividade reforçador-discriminativa de estímulos
condicionais sociais, de RAC, IAC, mando e tato. Com base nos prétestes, foram
definidas diferentes linhas de base entre os participantes para iniciar os treinos dos
repertórios inexistentes e poder avaliar os efeitos de um ou mais repertórios sobre os
demais. Os resultados sugerem uma independência funcional entre a aquisição de
RAC, mando e tato e o estabelecimento de respostas a estímulos sociais”.
Esse estudo se utilizou dos conceitos de (AC) Atenção conjunta. (RAC)
resposta de atenção conjunta e iniciação de atenção conjunta (IAC) (WHALEN &
SCHEIBMAN, 2003). A RAC tem sido determinada como o comportamento da
criança de entrar em contato com estímulos que lhe são apresentados pelos adultos ou
pares, e a IAC como respostas da criança em direção a adultos ou pares a fim de
mostrar um objeto ou evento de interesse durante uma interação social (MEINDL &
77
CANNELLA-MALONE, 2011). O método utilizado se refere a um estudo empírico.
Participaram do estudo três crianças com diagnóstico de TEA (transtorno do espectro
autista) integradas ao projeto de Atendimento e Pesquisa sobre Aprendizagem e
Desenvolvimento (Aprende) da Universidade Federal do Pará.
“De maneira geral, os dados sugerem que os programas comportamentais
desenvolvidos no Aprende facilitaram o processo de aquisição de repertórios
propostos nos treinos dos participantes. Observou-se que os programas para
desenvolver comportamentos de sessão permitiram a execução geral do estudo e
podem ter favorecido o desempenho dos participantes nas avaliações de linha de base
de RAC, mando e tato (percentuais de acerto de 79 % 100%)”. Crianças foi o
termo/conceito empregado no estudo.
Souza (2016) comparou a utilização de estímulos bidimensionais e
tridimensionais em um procedimento de instrução com múltiplos exemplares para
instalar nomeação (integração dos repertórios de falante e ouvinte) em quatro crianças
com autismo. “Após uma linha de base de nomeação (Fase 01), treinou-se
discriminação condicional por identidade com o experimentador tateando os estímulos
modelo, discriminação condicional auditivo-visual e tato com novos estímulos
(Fase2). Atingido o critério na Fase 02, a Fase 01 foi replicada (Fase 03). Observada
nomeação na Fase 03, a Fase 01 foi replicada com novos estímulos (Fase 04). Dois
participantes demonstraram nomeação. Discutiu-se a efetividade do procedimento de
instrução com múltiplos exemplares, o papel da modalidade de estímulos e a interação
entre os repertórios de falante e ouvinte”.
A perspectiva teórica foi a caracterização do repertório comportamental
definido como nomeação por Horne e Lowe (1996). Eles caracterizam nomeação
como uma relação comportamental bidirecional que integra funções de falante e
ouvinte tal que a presença de uma pressupõe a outra. O método: é um estudo
experimental. Participaram do estudo quatro crianças diagnosticadas com transtorno
do espectro autista, com atraso no desenvolvimento verbal, sem comorbidades e com
baixa frequência de comportamentos auto e heterolesivos. Foi utilizado um
procedimento adaptado de ICME (instrução com múltiplos estímulos) para ensino de
nomeação, como proposto por Greer e colaboradores (e.g. GREER & LONGANO,
2010; GREER & ROSS, 2008), constituído de quatro fases.
“Os resultados de Max e Dan (nomes fictícios) sugerem uma maior facilidade
em produzir nomeação com estímulos bidimensionais. No caso de Max, embora a
78
diferença no número de sessões de ICME para atingir o critério de aprendizagem com
as formas geométricas como estímulos 2D e 3D tenha sido mínima, apenas houve
demonstração de nomeação na Fase 3 com os estímulos 2D. Além disso, na replicação
do procedimento com brinquedos como estímulos, Max demonstrou nomeação com os
estímulos 2D já na Fase 1, precisando de duas sessões de ICME para alcançar o
critério de aprendizagem com os estímulos 3D. Esses resultados sugerem ainda uma
maior facilidade de aprendizado de nomeação com estímulos naturais/convencionais
(e.g., brinquedos) em comparação com estímulos não convencionais (e.g., formas
geométricas não representacionais) que precisa ser mais bem investigada. Embora
alguns estudos demonstrem a efetividade da ICME na aquisição de nomeação
(FIORILE & GREER, 2007; GREER et al., 2005; GREER et al., 2007; GILIC &
GREER, 2011), apenas dois dos quatro participantes do presente estudo adquiriram
nomeação após serem expostos ao referido treino. Isso sugere uma efetividade
limitada, ao menos para os participantes deste estudo”.
De forma geral, os dados do presente estudo confirmam a efetividade do
procedimento de ICME na instalação de nomeação em crianças diagnosticadas com
autismo e sugerem que o uso de estímulos 2D pode facilitar a emergência desse
repertório. Neste estudo o conceito que aparece é criança, como sujeito e participante
da pesquisa. A pesquisa propõe uma avaliação do desenvolvimento das crianças com
autismo.
Souza (2014) neste estudo continua seus estudos sobre a temática do autismo
em crianças. Ele revisou estudos baseados na metodologia e procedimentos da Análise
do Comportamento que investigaram o ensino da atenção conjunta (AC) para crianças
com autismo, procurando descrever e analisar as variáveis envolvidas no ensino de
resposta de atenção conjunta (RAC) e de iniciação de atenção conjunta (IAC). “Foram
avaliados: componentes da AC e classes de respostas de RAC e IAC treinados;
procedimentos
utilizados;
estímulos
discriminativos
e
reforçadores
usados;
participação de familiares; e resultados de aquisição e generalização. Os resultados da
revisão mostraram o sucesso em estabelecer RAC e IAC através de procedimentos
comportamentais e apontam quais estratégias podem favorecer a manutenção e
generalização desses repertórios”.
A perspectiva teórica utilizada foi a perspectiva analítico-comportamental. As
estratégias analítico-comportamentais são: (e.g. hierarquia de dicas, variação de
reforçamento, uso de múltiplos exemplares de estímulos, testes de preferências,
79
modelação e randomização de tarefas). Realizaram uma revisão de literatura com a
busca sistemática nas bases de dados Pubmed Central e Education Resources
Information Center (ERIC), sem restrição de período, utilizando as palavras-chave
“joint attention”, “autism” e “training” como termos livres. “Esse procedimento
resultou em 324 artigos. A partir da leitura dos títulos e/ou resumos de cada artigo
localizado, foram selecionados para análise aqueles que cumpriam os seguintes
critérios: 1. Ser um relato de pesquisa publicado em uma revista com revisão por
pares; 2. Treinar pelo menos um dos componentes da AC; 3. Ter como participantes
crianças diagnosticadas com autismo; 4. Utilizar procedimentos da Análise do
Comportamento (e.g. dicas; reforçamento); e 5. Exibir controle experimental (i.e.
demonstrar o efeito do treino no repertório do participante)”.
Os resultados apresentaram que dezoito artigos preencheram os critérios de
inclusão para análise. “Dos 18 estudos analisados, nove ensinaram diretamente apenas
um dos repertórios: quatro ensinaram RAC (KLEIN et al., 2009; KRSTOVSKAGUERRERO & JONES, 2013; MARTINS & HARRIS, 2006; ROCHA,
SCHEIBMAN, & STAHMER, 2007) e cinco IAC (JONES, 2009; KAALE, SMITH,
& SPOHEIM, 2012; MACDUFF, LEDO, MCCLANNAHAN, & KRANTZ, 2007;
NAOI, TSUCHIYA, YAMAMOTO, & NAKAMURA, 2008; POLLARD, BETZ, &
HIGBEE, 2012). Os nove estudos que buscaram ensinar ambos os repertórios
apresentaram resultados díspares: aprendizagem apenas de RAC (KASARI,
GULSRUD, WONG, KWON, & LOCKE, 2010; TAYLOR & HOCH, 2008;
WHALEN & SCHREIBMAN, 2003; WARREYN & ROYERS, 2013; WONG, 2013)
ou de ambos os repertórios (GULSRUD, KASARI, FREEMAN, & PAPARELLA,
2007; ISAKSEN & HOLTH, 2009; JONES, CARR, & FEELEY, 2006; KASARI,
FREEMAN, & PAPARELLA, 2006)”. Considerados conjuntamente, os 18 estudos
analisados mostraram que a AC pode ser ensinada para pessoas com autismo por meio
de intervenções comportamentais, mas que a RAC, replicando os dados da literatura
sobre AC, é mais facilmente instalada do que a IAC (MACDONALD et al., 2006;
MEINDL & CANNELLA-MALONE, 2011; WHITE et al., 2011).
O conceito utilizado é o de crianças. O estudo se tratou de uma revisão de
literatura, buscando identificar em artigos a análise comportamental de como se
desenvolve a AC (atenção conjunta) em crianças com autismo.
Ainda, sobre o autismo em crianças, Souza (2015) comparou a eficiência de
um treino de Discriminação Simples-Condicional (DSC), que empregou blocos de
80
tentativas e três estímulos desde o seu início, com a do treino de Discriminação
Condicional (DC), no ensino de linguagem receptiva para três crianças com autismo.
Com cada criança foram treinadas nove relações palavra falada-figura em cada tipo de
treino. “O treino DSC consistiu na redução gradual de tentativas por bloco (de seis
blocos de três tentativas, na Fase 1 para nove blocos de duas tentativas, na Fase 2), até
sua randomização total, na Fase 3. O treino DC foi idêntico à Fase 3 de DSC, porém
com outros estímulos. O treino DC se mostrou mais eficiente para o estabelecimento
da linguagem receptiva, mas o treino DSC foi mais efetivo para a manutenção do
repertório”.
O estudo se pautou na intervenção comportamental intensiva precoce (Early
intensive behavioral intervention – EIBI) (ELDEVIK et al., 2010). Um dos repertórios
ensinados na EIBI é a chamada linguagem receptiva, ou seja, respostas discriminadas
condicionais a estímulos verbais antecedentes, geralmente discriminações áudio
visuais. “Este repertório é importante porque pode constituir a base para a
aprendizagem de habilidades verbais, sociais e acadêmicas relevantes na vida de
pessoas com autismo (GREER & ROSS, 2008; LOVE, CARR, ALMASON, &
PETURSDOTTIR, 2009). Caracteriza-se como um estudo empírico, com participação
de três crianças do sexo masculino (P1 – 10 anos; P2 – 7 anos; e P3- 5 anos),
diagnosticadas com autismo, sem comorbidades e com baixa frequência de
comportamentos hetero e autolesivos, inseridas no projeto APRENDE (Atendimento e
Pesquisa sobre Aprendizagem e Desenvolvimento – BARROS, SOUZA, & ASSIS,
2012) da UFPA, onde recebiam intervenção analítico-comportamental três vezes por
semana”.
Os resultados apontaram que todos os participantes alcançaram o critério de
aprendizagem nos treinos de DSC (discriminação simples-condicionada) e DC
(discriminação condicionada) com os três conjuntos de estímulos aos quais foram
expostos. “Os resultados do presente estudo se somam aos achados recentes (GROW
et al., 2011; GROW et al., 2014; GUTIERREZ et al., 2009; VEDORA &
GRANDELSKI, 2015) que indicam que os procedimento de treino DSC e DC são
eficazes para ensinar linguagem receptiva para crianças com autismo (ou seja, ambos
os procedimentos levam à aquisição do repertório)”. As crianças são participantes da
pesquisa. As crianças com autismo são avaliadas, segundo seu desenvolvimento na
linguagem, por meio de procedimentos aplicados.
81
Enumo (2013) analisou neste estudo relações entre o desempenho de crianças,
com e sem necessidades de educação especial (NEE), em três provas assistidas e duas
psicométricas, entre o perfil de desempenho nas provas assistidas e variáveis de status
(gênero, escolaridade e NEE). “Foram analisados 256 resultados de provas assistidas e
228 psicométricas, obtidos em seis pesquisas, com 228 crianças (125 meninas), com
5-12 anos (M = 08 anos e 06 meses), cursando da Educação Infantil ao Ensino
Fundamental (três em classe especial) e apresentando: dificuldade de aprendizagem
(63), deficiência visual (6), nascidas prematuras e com baixo peso (38), prematuras e
com muito baixo peso (30) e sem NEE (91); nas provas psicométricas, as
classificações no Columbia-EMC (69 aplicações) concentraram-se em Média-Inferior
(40,5%) e Média (33,3%) e no Raven-MPC (159 aplicações), nas faixas
Intelectualmente na Média (45,2%) e Definidamente Acima da Média (23,9%).
Quanto às provas assistidas (256 aplicações) - Jogos de Perguntas de Busca com
Figuras Geométricas (154 aplicações) e com Figuras Diversas (34 aplicações) e
Children’s Analogical Thinking Modifiability Test (68 aplicações) predominou o
perfil Ganhador (55,8%), seguido do perfil Ganhador Dependente da Assistência
(16,8%), Não Mantenedor (14%) e Alto Escore (13,3%)”. Não houve associações
significativas entre o desempenho nas provas assistidas e psicométricas, confirmandose a proposição de complementaridade dessas metodologias avaliativas, especialmente
para crianças com problemas no desenvolvimento.
A perspectiva teórica abordada foi a teoria da Modificabilidade Cognitiva.
Trata-se de um estudo teórico.
Como resultados “a amostra de 228 crianças produziu 256 classificações de
perfil de desempenho cognitivo, isso porque 28 delas responderam a mais de uma
prova cognitiva assistida (PBFG e CATM). Encontrou-se uma maior concentração do
perfil Ganhador (143 aplicações = 55,8%), seguido pelo perfil Ganhador Dependente
de Assistência (43 aplicações = 16,8%), Não Mantenedor (36 aplicações = 14%) e
Alto Escore (34 aplicações = 13,3%). Quanto à escolaridade, destaca-se o fato de seis
crianças que não frequentavam a escola ou a classe especial terem sido classificadas
como Ganhadoras ou Ganhadoras Dependentes de Assistência. De outro lado,
considerando os desempenhos de 49 crianças que frequentavam a antiga pré-escola
(atual 1º Ano), vê-se que 42,9% foram classificadas como Não Mantenedoras,
diferentemente daquelas que cursavam o Ensino Fundamental a partir do 2º ano (n =
210 aplicações), que se classificaram como Ganhadoras (58,2%) e Alto Escore (16%).
82
Na prova assistida CATM (relações analógicas), a maioria das 68 crianças obteve o
perfil Ganhador (G = 52,9%), seguido de Não Mantenedor (NM = 42,6%), Alto
Escore (AE = 3%) e Ganhador Dependente de Assistência (GDA = 1,5%). Quanto aos
resultados da EMC, a maior parte das crianças recebeu classificação Médio-Inferior
(41,2%), acompanhada de Médio (32,4%), Inferior (19%), Médio-Superior (5,9%) e
Superior (1,5%). Observou-se que as 36 crianças classificadas como Ganhadoras no
CATM pontuaram na EMC (mede habilidades de raciocínio geral e por
classificações), com maior frequência, em duas faixas: Médio-Inferior (MINF =
38,9%) e Médio (MD = 33,3%). Nessa subamostra de Ganhadores, 22 crianças
(61,1%) eram do sexo masculino. Para as 29 crianças com perfil Não Mantenedor
(NM) no CATM, as faixas se repetiram na ECM, com as seguintes classificações–
Médio-Inferior (MIFN = 41,3%) e Médio (MD = 31%). De outro lado, destaca-se o
fato de duas meninas Não Mantenedoras no CATM serem classificadas como Superior
e Médio- Superior na ECM”.
Não
foram
observados
coeficientes
de
correlação
estatisticamente
significativos, isto é, não se deve considerar existência de associação entre o
desempenho das crianças nas provas assistidas e psicométricas avaliadas. OBS.: DA=
dificuldade de aprendizagem; PT-BP- 1500-2500g (prematuro); PT-MBP- 1500g
(prematuro); S/NEE = sem deficiência.
“O tipo de deficiência aparentemente não diferenciou o perfil de desempenho
do examinando, uma vez que ambos os tipos de crianças - com e sem NEE - obtiveram
bons resultados nas provas assistidas. Nesse contexto, uma população com NEE pode
se beneficiar (TZURIEL, 2001). Chama atenção o fato de que, nas provas assistidas,
mais da metade das crianças, independentemente do tipo de problemas de
desenvolvimento estudado, foram classificadas como Ganhador ou Alto Escore, com
exceção dos casos de DV, que não tiveram nenhuma criança classificada como Alto
Escore. Neste último caso, a necessidade de mais mediação por parte do examinador
ficou evidente, mas deve-se considerar também o pequeno tamanho da amostra”.
O estudo realizou a identificação e análise das relações entre o desempenho de
crianças com e sem necessidades educativas especiais.
83
5.1.1.3. Psicologia do Desenvolvimento:
Dell’Aglio (2016) investigou as imagens sociais associadas às famílias com
crianças e adolescentes institucionalizados, comparando-as com as imagens de
famílias com crianças e adolescentes não institucionalizados e de diferentes status
socioeconômicos. “Participaram do estudo 202 leigos e profissionais residentes no Rio
Grande do Sul, com idades entre 16 e 69 anos (M=32,76, DP=11,67). Os dados foram
analisados a partir de análises de conteúdo e estatísticas descritivas. Identificou-se que
imagens sociais negativas são mais frequentemente associadas às famílias com
crianças e adolescentes institucionalizados e às famílias de baixo status
socioeconômico. Salienta-se a necessidade de discutir e reelaborar estas concepções
negativas sobre famílias, uma vez que as mesmas podem comprometer decisões sobre
a garantia dos direitos de crianças e adolescentes à convivência familiar e ao
desenvolvimento saudável em comunidade”.
A autora trabalhou com a perspectiva bioecológica (BRONFENBRENNER,
1979/1996). A estrutura ecológica de uma criança/adolescente institucionalizados
pode ser compreendida da seguinte maneira: “a instituição de acolhimento é o
microssistema central e o mesossistema inclui as interações entre a instituição e os
vários outros microssistemas tais como, a família de origem, a escola ou um programa
social no qual a família participe. O macrossistema incluirá as crenças e os estigmas
sociais que se formam a partir da ideia da institucionalização, sendo muitos de caráter
pejorativo e depreciativo. Isso quer dizer que estes elementos do macrocontexto
podem transcender e se materializar nas múltiplas relações que a criança e adolescente
institucionalizados estabelece com profissionais e outras crianças/adolescentes, tanto
no ambiente interno da instituição, como no ambiente externo”. Estudo Experimental
participaram do estudo 202 pessoas (117 leigos e 85 profissionais de instituições de
acolhimento institucional) residentes em três municípios do Rio Grande do Sul: 44 de
Porto Alegre, 52 de Rio Grande e 106 de Santa Maria. Os participantes tinham idades
entre 16 e 69 anos (M=32,76, DP=11,67), sendo a maioria do sexo feminino (79,2%),
solteiro (51%), com ensino médio (48%) ou curso superior (37,6%), 55% conhecia
alguma criança ou jovem acolhido institucionalmente e 42,9% trabalhavam na área de
crianças e adolescentes em risco e perigo.
“Foi utilizado um questionário aberto elaborado especificamente para este
estudo e adaptado do instrumento utilizado por Domingues (2013), em Portugal, num
84
estudo semelhante. O questionário possui três partes e tem por objetivo investigar as
imagens de famílias com filhos em acolhimento institucional, famílias de status
socioeconômicos baixo e médio, além de coletar os dados sociodemográficos dos
participantes. Para análise dos dados, foi realizada análise de conteúdo (Bardin, 1994)
das palavras levantadas pelo questionário (n= 1799), tendo sido criadas oito categorias
que agruparam as diferentes características descritas pelos participantes para as
situações apresentadas. Esse procedimento foi realizado com o objetivo de reduzir o
número de características, agrupando-as conforme o seu significado. As categorias
foram criadas a posteriori, a partir dos dados coletados”.
Os resultados não apresentaram associações significativas entre as categorias
de características e as variáveis sociodemográficas dos participantes. No entanto, a
análise das frequências das categorias de características atribuídas às diferentes
famílias permitiu identificar a presença de imagens sociais diversificadas
principalmente em função do status socioeconômico das famílias, tanto no caso do
alvo ser criança ou jovem. “A análise das categorias mais utilizadas para descrever
cada tipo de família demonstra que as imagens sociais de famílias de status
socioeconômico médio diferem claramente dos outros dois tipos de famílias
investigados, os quais parecem possuir imagens sociais mais semelhantes e mais
negativas, pois compartilham as categorias “Recursos-valência negativa” e
“Habilidades Protetoras valência negativa” entre as mais utilizadas”.
O presente estudo identificou que famílias pobres e famílias com filhos
institucionalizados compartilham características relacionadas à falta de habilidades
protetoras, à ausência de recursos e à presença de afetos negativos ou falta de afeto,
salientando a relação entre pobreza e institucionalização. Partindo disso, “considera-se
a permanência, no imaginário social, de uma concepção implícita que liga linearmente
a pobreza à incapacidade das famílias de cuidar dos filhos em função do desamparo,
desorganização e desunião, aspectos que seriam precursores da institucionalização de
crianças e adolescentes”.
“A institucionalização, como medida protetiva, está prevista em caráter
excepcional e transitório visto que o afastamento do convívio familiar prolongado
pode oferecer riscos ao desenvolvimento na infância e adolescência, especialmente se
a instituição não oferecer um ambiente protetivo e com funcionamento adequado à
promoção do desenvolvimento integral e saudável (YUNES, MIRANDA & CUELLO,
2004)”.
85
Em seu estudo Weber (2013) verificou a intensidade de estresse escolar
percebido pelas crianças e suas possíveis relações com, domínios da vida escolar,
comportamentos das crianças, e variáveis do contexto familiar. “Participaram 39
crianças (média de 5,9 anos), de duas turmas do primeiro ano do ensino fundamental,
de uma escola particular de Ponta Grossa (PR), duas professoras, 39 mães e 25 pais.
Nos resultados encontrados muitas crianças relataram diversas situações estressoras no
ambiente escolar”. Os domínios mais estressantes foram relação com os companheiros
e adaptação a demandas não acadêmicas. Ressalta-se a importância da qualidade de
interação familiar no desenvolvimento infantil e as possibilidades de sucesso na
trajetória escolar das crianças.
A perspectiva teórica utilizada encontra-se vinculada ao desenvolvimento,
Marturano (2008) propõe um esquema conceitual que considera provisório, cuja
finalidade é gerar hipóteses e integrar resultados de pesquisas sobre o estresse da
transição em uma perspectiva de desenvolvimento. Nesse esquema conceitual, o
estresse da transição ao primeiro ano do ensino fundamental é uma configuração de
microssituações com as quais a criança defronta-se no dia a dia e que pode afetar a
resolução das tarefas adaptativas com que a criança se depara nesse período. “As
tarefas adaptativas são: (1) ajustar-se às mudanças nas definições de papéis; (2) situarse na rede social ampliada; e (3) adequar-se às normas e regras do novo contexto.
Como vimos, este é um estudo empírico”.
Os resultados obtidos por meio do instrumento Inventário de Estressores
Escolares (IEE) apontaram que 23 situações estressoras do ambiente escolar de um
total de 30 situações foram referidas por mais de 20% das crianças. “As situações
estressoras referidas com alta frequência atingiram 76,9% (“precisava sempre de ajuda
para conseguir fazer as tarefas escolares”); 79,5% (“meus pais queriam que eu tirasse
‘estrelinhas’ nas tarefas”) e; 97,4% (“meus colegas fizeram bagunça na classe”).
Dessas situações, referidas pela maioria absoluta dos participantes, as duas primeiras
apresentadas tiveram o efeito perturbador (“o quanto a situação ocorrida o deixou
chateado”) considerado baixo (“só um pouco chateado”)”. Ou seja, pode-se pensar que
o suporte na realização das tarefas é inerente ao início da escolarização, bem como o
fato de a idade da criança exigir ajuda na maior parte do tempo em todas as suas
atividades. “Muitas crianças relataram ter vivenciado diversas situações estressoras na
escola, sendo que as situações mais estressantes percebidos pelas crianças foram nos
domínios “relação com os companheiros” e “adaptação a demandas não acadêmicas”,
86
entre elas “as crianças mais velhas tiraram sarro de mim”, “alguns colegas me
provocaram, falaram palavrão ou colocaram apelido”, “a professora me mandou para
diretoria”, “já fui roubado na escola” e “um adulto da escola me deu bronca com
gritos, palavrões ou beliscões”. Os resultados deste estudo revelaram que é necessária
uma postura educacional preventiva e positiva ao desenvolvimento infantil e à
qualidade de interação familiar”. Desta maneira poderá ocorrer o aumento das
possibilidades de sucesso na trajetória escolar de crianças, pois uma parceria entre
família e escola contribui para que as crianças desenvolvam repertórios de
enfrentamento e de relacionamento interpessoal adequado à vida.
A criança neste estudo está relacionada ao conceito de estresse. São discutidas
questões referentes à percepção da própria criança em relação às tensões cotidianas no
primeiro ano de escolarização formal.
Rodrigues (2015) teve como objetivo neste estudo verificar a relação entre
diferentes níveis de plumbemia e o repertório de habilidades sociais, problemas de
comportamento e competência acadêmica de crianças e adolescentes. “Participaram
155 crianças e adolescentes, com idade média entre 13 e 10 anos, pertencentes a três
grupos: alta plumbemia (superior a 10μg/dl), baixa plumbemia (inferior a 5μg/dl) e
que viviam em ambiente similar, mas livre da contaminação por chumbo (grupo de
comparação). Foram utilizados os instrumentos SSRS-BR e o IHSA-Del-Prette,
respondidos pelos participantes e seus professores. Identificou-se comprometimento
no repertório comportamental, acadêmico e social, associado ao nível de plumbemia.
Esses resultados evidenciam os riscos associados à exposição ao chumbo. São
discutidas explicações para alguns resultados contraditórios, levantando-se hipóteses e
questões para novos estudos”.
A perspectiva teórica abordada vincula-se à Psicologia do desenvolvimento
com especificidades das habilidades sociais, onde os déficits nas mesmas podem
ocorrer quando as condições ambientais são restritivas ou inadequadas à aprendizagem
ou ao desempenho de comportamentos socialmente competentes e, adicionalmente, se
existem condições favoráveis ao desempenho de comportamentos indesejáveis (DEL
PRETTE & DEL PRETTE, 2009). Este é um estudo experimental. Efetuou-se uma
Análise Multivariada de Variância (MANOVA) para verificar o efeito da plumbemia
(grupo alta plumbemia vs. grupo baixa plumbemia vs. Grupo comparação), sobre as
variáveis dependentes (habilidades sociais e suas subescalas, problemas de
comportamento e competência acadêmica). Foram realizadas diferentes Manovas de
87
acordo com a escala utilizada, considerando o critério de colinearidade entre as
variáveis dependentes (MARÔCO, 2010).
Os resultados apontam que nos dois grupos de crianças e adolescentes que
viviam em um ambiente contaminado por chumbo, o tempo de residência era muito
similar e para muitos foi seu único local de moradia, desde o nascimento. “Para as
crianças não foram encontradas diferenças para nenhuma das classes de habilidades
sociais. Em linhas gerais, identificou-se prejuízo no repertório comportamental,
acadêmico e social, associado ao nível de plumbemia, quando esses aspectos foram
avaliados pelo professor. Porém, na condição de autoinforme, os adolescentes com
alta plumbemia se autoavaliaram mais positivamente do que aqueles com plumbemia
baixa ou nula. Em relação às habilidades sociais autoavaliadas pelas crianças,
observou-se que aquelas do grupo de comparação (sem exposição ao chumbo no seu
local de residência) apresentaram melhor repertório nas habilidades sociais da classe
expressão de sentimento positivo do que aquelas crianças que foram intoxicadas por
chumbo (GAP). Espera-se que crianças com mais habilidades sociais tenham menor
probabilidade de desenvolver problemas de comportamento ou de apresentar baixo
rendimento acadêmico (GRESHAM, 2009)”.
Foi feita, no estudo, a correlação entre diferentes níveis de plumbemia
(intoxicação infantil por chumbo), e o repertório de habilidades sociais, problemas de
comportamento e competência acadêmica de crianças e adolescentes.
Martins (2015) objetivou com este estudo discutir o uso de histórias-estímulo e
dilemas morais como instrumentos de coleta de dados sobre o tema do
desenvolvimento do juízo moral. Em estudos com o enfoque teórico da Psicologia do
Desenvolvimento Moral, apoiado nos estudos de Jean Piaget e de Lawrence Kolhberg,
as histórias-estímulo têm sido o instrumento mais utilizado com crianças pequenas e
os dilemas morais têm sido mais empregados com adolescentes e adultos. Diante
disso, discute-se o histórico do método clínico criado por Jean Piaget (no intuito de
apreender o curso do pensamento da criança), o debate de dilemas morais proposto por
Lawrence Kohlberg, a construção de histórias-estímulo e a estrutura interna dos
dilemas morais, assim como parâmetros para educadores utilizarem histórias e dilemas
morais no intuito de aprimorar as discussões morais existentes no ambiente escolar.
Foi realizada uma investigação sistemática, onde foram analisadas as propostas
de Piaget e Kohlberg no desenvolvimento de seus métodos.
88
Como resultados pode-se observar que “as pesquisas em Psicologia Moral têm
utilizado frequentemente as histórias-estímulo e dilemas morais para a coleta de dados
com crianças, adolescentes e adultos. Estes instrumentos não somente contribuíram
solidamente para que pesquisadores da área avaliassem o juízo moral dos sujeitos, mas
também podem ser de grande valia para professores que desejam utilizar esse
procedimento, inclusive na Educação Infantil, pois o quanto antes as crianças tomarem
consciência dos problemas morais e refletirem sobre eles estarão aptas a entender e a
emitir juízos sobre eles. Diante deste instrumento, os adultos podem avaliar o juízo
moral da criança e ajudá-la a avançar para novos estágios do desenvolvimento”.
Portanto, considera-se que, com a ajuda de seus professores, as crianças podem
se tornar, o quanto antes, indivíduos capazes de refletir sobre os acontecimentos em
sua volta e tomar decisões sabiamente. Discute-se o uso de histórias-estímulo e
dilemas morais com crianças.
5.1.1.4. Psicanálise:
Gurski (2017) neste estudo discute os efeitos da escuta de pais nas Entrevistas
Preliminares da criança para o início do tratamento. Foram analisadas as entrevistas
realizadas com uma mãe que pede atendimento psicológico para seu filho por queixa
de hiperatividade. Parte-se do pressuposto de que, algumas vezes, o sintoma
apresentado pela criança revela aspectos mal elaborados do processo de recalcamento
da história infantil dos pais. “Pensa-se que o trabalho com quem demanda atendimento
para a criança permite recompor o que de seu infantil ficou fraturado, e, a partir de
uma operação de elaboração permitida pela rememoração, este possibilita que os pais
autorizem a criança a demandar tratamento em nome próprio. Consideram-se as
Entrevistas Preliminares realizadas com os pais um dispositivo potente que permite o
reposicionamento das funções parentais frente à demanda de atendimento para o
filho”.
A psicanálise é a abordagem adotada no estudo. Trata-se de um estudo
empírico. Foram analisadas as entrevistas realizadas com uma mãe que pede
atendimento psicológico para seu filho (06 anos) por queixa de hiperatividade. Depois
de ter entrevistado a mãe e a criança conjuntamente, optou-se por escutar somente a
mãe, a fim de trabalhar a queixa trazida, circunscrita a uma reclamação da professora,
e a possível transformação em demanda de atendimento. “Apesar de também ter-se
89
conversado com o pai, trouxe somente as entrevistas realizadas com a mãe, de modo a
pensar como, às vezes, o trabalho de reminiscências parentais se faz necessário para
que a função sinto-mal (QUINET, 1991) surja nos pais e permita, a partir disso, o
acesso da criança a seu tratamento”.
Como resultados considera-se que considerando que, “na chegada de um filho,
há uma atualização do momento constitutivo da castração parental e, em havendo
fraturas no recalcamento, podemos supor que o filho pode ser utilizado como palco
onde se atuam as tragédias de sua própria filiação (FERRARI, 2012)”. Sem o
dispositivo da escuta pacienciosa e atenta da história da mãe, é possível que o enigma
do sintoma do filho não tivesse emergido, impedindo a construção e sustentação de
uma demanda na direção de um sujeito suposto saber acerca do sofrimento que estava
em questão no sintoma do mesmo.
“Pensa-se que a escuta dos pais em Entrevistas Preliminares pode ser um
dispositivo potente, especialmente no que se refere a possibilitar uma operação de
elaboração do recalcamento infantil fraturado dos pais que pode ter se precipitado
quando da chegada de um filho. No momento em que as rememorações parentais
encontram outra guarida, abre-se o espaço necessário para que a criança possa
despojar-se do que não lhe pertence e passar a assumir os próprios dramas
constitutivos”. Acreditamos ainda que, quando a sintomatologia da criança está tão
contaminada pela história infantil parental, a escuta dos pais possibilita que o trabalho
com a criança de fato aconteça. Assim, o enigma do sintoma trazido pela criança pode
ser enlaçado à história infantil daquele que se queixa precipitando a função sinto-mal e
a consequente implicação dos pais no sofrimento da criança. Discutem-se os efeitos da
escuta de pais nas Entrevistas Preliminares da criança para o início do tratamento.
5.1.1.5. A Neuropsicologia:
Freitas (2013) objetivou com este estudo elaborar e oferecer um programa de
intervenção cognitivo-comportamental para alterações do processamento lexical em
crianças, verificando sua eficácia na redução dos déficits. “Cinco crianças, com idade
entre seis a 10 anos e apresentando desempenho abaixo do esperado para sua idade em
algumas tarefas da bateria, foram inseridas no programa de estimulação. Essas
crianças foram convocadas a participar de uma intervenção, que consistiu na segunda
etapa do projeto. Na intervenção, as crianças foram submetidas ao programa de
90
estimulação psicolinguística, constituído de tarefas que visam a estimular funções
ligadas principalmente ao desempenho da leitura e escrita das crianças. Os dados
quantitativos foram analisados a partir do Statistical Package for Social Sciences. No
primeiro momento, realizou-se a análise estatística descritiva, que identificou as
crianças que ficaram abaixo do primeiro desvio padrão em tarefas da bateria utilizada
na avaliação, posteriormente, após as atividades de intervenção, as crianças foram
reavaliadas. Os resultados estatísticos comparativos demonstram o efeito do programa
no desempenho psicolinguístico. Ganhos referentes ao interesse e à participação das
crianças nas atividades escolares foram observados também pelos professores”.
Utilizou-se o referencial teórico da neuropsicologia, “campo do conhecimento
interessado em estabelecer as relações existentes entre o funcionamento do sistema
nervoso central (SNC) e as funções cognitivas e comportamentais, tanto nas condições
normais quanto nas deficitárias (CAMARGO, et al., 2007)”. Estudo empírico. A
pesquisa está associada a ações de extensão. Portanto, a elaboração da casuística
contou com duas etapas. A primeira constituiu-se na avaliação individual, em que
foram identificadas as necessidades das crianças selecionadas para a segunda etapa. A
segunda etapa refere-se ao processo de estimulação das funções psicolinguísticas,
sendo esta o principal foco do presente estudo. “A avaliação contou com 40 crianças.
Desse total, cinco apresentaram desempenho abaixo do esperado em algumas tarefas
da BANBLE e foram convocadas a participar do processo de reabilitação. Os referidos
participantes tinham idade entre seis e 10 anos (média = 8,5 anos; dp=1,87), sendo
uma do sexo feminino e quatro do masculino. No que diz respeito à escolaridade, uma
criança cursava o 4º ano, duas eram do 2º ano e outras duas cursavam o 6º ano”.
Os resultados descritivos mostraram que “as crianças no pós-teste
apresentaram média de desempenho maior em todas as tarefas em relação ao pré-teste,
com exceção da Tarefa de Nomeação de Figuras. Além disso, com o teste de
Wilcoxon foi possível identificar diferenças significativas, com p<0,05, nas tarefas de
Associação Semântica Palavra-Figura e Julgamento de Rimas. A partir dos resultados
qualitativos, observados por meio dos aplicadores do programa, foi possível notar um
aumento significativo do desempenho das crianças em relação às atividades realizadas
durante o processo de estimulação, uma vez que, inicialmente, as crianças
apresentavam dificuldade em acompanhar os níveis graduais de complexidade das
tarefas e, posteriormente, a partir de treinos, passaram a acompanhar com maior
91
facilidade o avanço dos níveis das atividades (tarefas simples para as mais
complexas)”.
O conceito de criança está vinculado a sua participação no estudo. Realizou-se
a avaliação neuropsicológica do processamento lexical em crianças. “Crianças com
atraso de desenvolvimento das funções linguísticas podem futuramente apresentar
dificuldades de leitura e escrita. Os problemas sociais podem agravar ainda mais as
situações de fracasso, considerando que o acesso aos serviços especializados na
redução ou eliminação de tais dificuldades é restrito, sendo de alto custo para famílias
de baixa renda”.
Segundo Freitas (2016), a educação de crianças com deficiência intelectual
enfrenta dificuldades de ser implementada, tanto em escolas inclusivas quantos
especializadas. “A deficiência intelectual é erroneamente reconhecida como uma
condição estática e, portanto, com poucas possibilidades para aprendizagem e
desenvolvimento. As lacunas na formação dos professores estão relacionadas com o
pouco conhecimento do desenvolvimento neuropsicológico e das técnicas de ensino
baseadas na análise experimental do comportamento”. Diante disto o autor propõe
com este estudo apresentar as características clínicas e funcionais da deficiência
intelectual, assim como recursos e ferramentas para a promoção da adaptação
curricular. A aplicação de avaliações funcionais e individualizadas, do planejamento
de currículos direcionados para as necessidades de cada criança e do ensino baseado
em técnicas comportamentais demonstram melhores resultados, tanto para
aprendizagem de comportamentos de vida diária quanto para habilidades escolares
como leitura, escrita e cálculos.
Seguindo a perspectiva da neuropsicologia, é realizado um estudo teórico, onde
foram apresentados modelos inclusivos de educação e propostas de adaptações
curriculares.
Observam-se com os resultados obtidos que as lacunas ainda existentes no
processo de ensino e aprendizagem das crianças com deficiência intelectual são
importantes eixos de intervenção política e social. “Há necessidade de tornar os
direitos já estabelecidos em ações efetivas, que garantam uma educação capaz de
promover mais qualidade de vida e a inserção social dos indivíduos com deficiência
intelectual. Dentre essas lacunas, as que restringem a aplicação das adaptações
curriculares e o uso de técnicas e de estratégias de ensino consistentes com evidências
científicas de êxito deve ser foco de mudanças, no âmbito da educação de crianças
92
com deficiência intelectual”. Foram discutidas as dificuldades e os desafios na
educação inclusiva de crianças com deficiência intelectual.
5.1.2. Aqueles que não explicitam pressuposto teórico.
1.
PINTO JUNIOR, 2015;
2.
DELL’AGLIO, 2013, 2014, 2015, 2016;
3.
VON HOHENDORFF, 2015, 2017;
4.
WEBER, 2013;
5.
GIL, 2016;
6.
RODRIGUES, 2014, 2015;
7.
FREITAS, 2013, 2014;
8.
ENUMO, 2013, 2014, 2015.
Dos autores que não especificam a perspectiva teórica abordada em seus
artigos, Pinto Junior (2015) aborda em seu estudo a problemática do abuso sexual
contra crianças. Discute os resultados de um projeto de extensão universitária
desenvolvido no período de 2012-2013, visando à prevenção da Violência Doméstica
contra Crianças e Adolescentes (VDCA) por meio de encontros de sensibilização e
conscientização junto à população atendida pelos Centros de Referência em
Assistência Social (CRAS) do município de Volta Redonda/RJ. “Após a apresentação
de um vídeo instrucional, discutiram-se as modalidades de violência doméstica,
consequências, indicadores comportamentais, formas de denúncia e notificação, e
modelos “não violentos” de educação familiar. Ao término dos encontros, os
participantes responderam a um questionário de avaliação, em que deveriam descrever
os pontos positivos e os pontos negativos do trabalho realizado, além de propor
sugestões para os futuros encontros. A análise desses questionários aponta que a
maioria avaliou positivamente o trabalho, destacando a melhor compreensão sobre o
fenômeno, a orientação de como proceder com os casos, e a identificação de outras
formas de pedagogia familiar e da criança sem o emprego da violência ou força física.
Poucos foram os pontos negativos elencados, e a maioria versa sobre os horários e a
duração das reuniões”.
Como sugestões, a população atendida destacou a necessidade de estender esse
tipo de trabalho para a comunidade escolar e outras instituições sociais. Os resultados
mostraram que, por meio da proposta do projeto de extensão, muitos participantes
93
mudaram conceitos e representações acerca da violência doméstica contra criança e
adolescente, favorecendo, assim, a sua prevenção a partir do engajamento no combate
a esse tipo de problema social que aflige a vida de crianças e adolescentes brasileiros.
A abordagem teórica utilizada não está explícita e se trata de um projeto de
extensão universitária. Os sete alunos extensionistas participantes do projeto estavam
vinculados ao grupo de pesquisa do CNPq “Laboratório de Estudos e Pesquisas na
área da Infância e Adolescência (LEPIA)” e foram capacitados a partir de leituras e
discussões de textos científicos na área da violência doméstica contra criança e
adolescente. “Foram realizados encontros nas unidades dos CRAS que teve em média
a duração de duas horas, e como estratégias foram utilizadas a exposição dialogada e
recursos audiovisuais (projetor multimídia e DVD). O público alvo foram os usuários
dos CRAS (pais e responsáveis dos menores). Os resultados obtidos foram
transferidos para um banco de dados, elaborado no aplicativo Microsoft Excel 2007 e
analisados através do programa Statistical Package for the Social Sciences versão 20.0
(SPSS®), com análise descritiva dos dados de levantamento de frequência simples e
relativa”.
Os resultados demostraram que, ao longo de 2012-2013, realizaram-se
encontros em 33 unidades de CRAS, chegando-se ao total de 482 usuários
participantes. Do total dos participantes do projeto de extensão, 444 eram do sexo
feminino e apenas 38 do sexo masculino. Destes, 362 usuários responderam ao
questionário sobre a temática. O artigo ressalta ainda que o combate da violência
doméstica contra criança e adolescente não deve ser uma ação pontual e isolada, mas
configurada como um programa contínuo, que favoreça a articulação com outras
instituições de assistência à infância e adolescência, a fim de que se crie uma rede que
ofereça suporte, principalmente para a população exposta às situações de risco.
O conceito que aparece são crianças relacionadas à temática da prevenção à
violência doméstica contra as crianças e adolescentes, com um cunho voltado à
assistência social. As unidades dos Centros de Referência da Assistência Social
(CRAS) figuram como lócus privilegiado para as práticas de prevenção.
Pinto Junior (2015) em um estudo sobre a violência doméstica contra crianças
e adolescentes objetivou caracterizar os tipos de violência doméstica infantil e as
estratégias de intervenção no município de Volta Redonda, no Estado do Rio de
Janeiro, no período de 2008 a 2012, por meio da análise dos prontuários de
atendimento do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
94
“Foram identificados 210 prontuários, e todas as informações neles contidas
foram consideradas para traçar o perfil dos envolvidos, a caracterização da violência e
as intervenções adotadas. Foram realizadas análises descritivas de frequência dos
dados levantados. Os resultados apontaram que a violência sexual, a violência física e
a negligência foram as mais reportadas, representando 29,0% do total de prontuários
analisados. Os agressores, em sua maioria, eram do sexo masculino e na faixa etária de
31 a 40 anos, e as vítimas, majoritariamente do sexo feminino e na faixa dos 14 aos 18
anos. As condições socioeconômicas das famílias eram precárias, sendo que muitas
(24,3%) viviam com renda de até um salário mínimo. Como medidas de intervenção,
as vítimas foram encaminhadas para psicoterapia individual (23,3%), e o agressor,
para atendimento psicossocial (28,7%)”.
Não há especificação da perspectiva teórica abordada. O método trata-se de um
estudo exploratório-descritivo documental, com abordagem quantitativa.
A possibilidade da criança vitimizada na infância se transformar em um
agressor na vida adulta, faz da violência doméstica um fenômeno de amplo alcance,
podendo envolver de forma cíclica várias gerações em sua reprodução. Embora as
condições socioeconômicas estejam associadas à predisposição para a prática da
violência doméstica, esses dados devem ser interpretados com certa cautela, pois
estudos na área indicam que a vitimização infantil não é prerrogativa de uma
determinada classe social.
O autor utiliza o mesmo conceito em relação ao estudo anterior. É abordada a
temática da prevenção à violência doméstica contra as crianças e adolescentes, com
um cunho voltado à assistência social.
Dell’Aglio (2015) neste estudo objetivou caracterizar os padrões de
revelação/descoberta do abuso sexual, verificando a associação com fatores
individuais das vítimas e dos agressores (idade, sexo) e fatores relacionais
(familiaridade entre vítimas e agressores, e receptor da revelação). “Foram analisados
232 prontuários de abuso sexual, registrados em três serviços especializados, sendo
um localizado no estado brasileiro do Pará (PA) e dois no estado do Rio Grande do
Sul (RS). Os padrões de revelação/descoberta foram significativamente associados à
idade e sexo das vítimas, e ao local da amostra. A revelação intencional foi mais
frequente entre vítimas do sexo feminino (33.5%) e a detecção acidental foi mais
frequente entre meninos (44.7%). Na amostra do PA, predominou a detecção acidental
(46.9%), enquanto entre as vítimas do RS houve a prevalência da revelação
95
intencional (31.1%)”. Discute-se a importância de questões como gênero, etapa de
desenvolvimento e influência dos fatores culturais e estruturais nas políticas públicas
de prevenção do abuso sexual.
Não há especificação da perspectiva teórica. É um estudo documental de
amostragem não probabilística. A amostra final deste estudo foi constituída por 232
prontuários referentes a casos de abuso sexual. Não foi observada associação
significativa entre os padrões de revelação/descoberta e a familiaridade das vítimas
com o agressor tanto no Pará quanto no Rio Grande do Sul. “Quando o abuso sexual é
perpetrado por um membro familiar, a revelação poderá resultar na desestabilização
deste sistema, tornando ainda mais instável a situação de vítimas que vivem em
contextos que reforçam a preservação familiar (ALAGGIA, 2001; PAINE &
HANSEN, 2002). Além disso, fatores estruturais tais como a discriminação, migração
e a pobreza são apontadas como barreiras à revelação (FONTES, 1993), pois as
vítimas que são marginalizadas em decorrência da discriminação associada à raça,
etnia ou pobreza, poderão sentir-se menos encorajadas para revelar o abuso sexual
(ALAGGIA, 2005)”. Os aspectos associados ao modo como ocorreu à revelação da
violência sexual têm implicações para a prática de entrevistas com crianças e
adolescentes vítimas que são encaminhadas aos profissionais da rede sócio assistencial
e do sistema de justiça.
Como conceito trabalhado tem-se a criança vítima de abuso sexual. São
discutidas as dificuldades no processo de identificação/revelação do agressor,
dificultando assim os meios de assistência às vítimas.
Dell’Aglio (2013) buscou discutir com este estudo a perícia psicológica em
casos de suspeita de abuso sexual cometido contra crianças e adolescentes. São
apresentados diversos modos de realização desse tipo de perícia, em diferentes
contextos no cenário mundial, e é identificada a existência de alguns pontos
relativamente consensuais entre os autores. Dentre esses pontos, a avaliação do
impacto psíquico na suposta vítima e a avaliação da credibilidade do relato, ganham
especial ênfase, devido às dificuldades de suas aplicações práticas no contexto
pericial. Este estudo demonstra uma variedade de estratégias utilizadas nas avaliações
psicológicas investigativas em casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes,
indicando uma tentativa, por parte dos profissionais, de lidarem com a complexidade
inerentemente envolvida nestas situações. Não especifica a teoria. É um estudo
documental, onde foi feita a análise de pesquisas nacionais e internacionais acerca da
96
perícia psicológica na avaliação da credibilidade de supostas vítimas de abusos
sexuais.
Como resultados “observa-se que nas perícias psicológicas em casos de abuso
sexual infanto-juvenil, embora o conjunto de procedimentos técnicos seja específico a
uma mesma área, a Psicologia, não parece haver ainda uma uniformidade, em nível
mundial, sobre o modo como esse tipo de perícia deve ser realizado. Para os casos de
avaliação da credibilidade em alegações de abuso sexual infanto-juvenil, pode-se
concluir, portanto, que o resultado fornecido mediante o uso da técnica SVA não deve
ser considerado como uma prova inconteste da ocorrência do delito. Os próprios
autores apontam que o resultado do SVA consiste numa estimativa da credibilidade
(STELLER & BOYCHUK, 1992), o que é diferente de uma comprovação da verdade.
Atualmente, o Statement Validity Assessment (SVA), um método compreensivo para
a avaliação dos relatos de testemunhos (JUÁREZ LÓPEZ, 2004), é reconhecido como
a técnica mais popular no mundo para medir a veracidade de uma declaração verbal
(VRIJ, 2000, 2005)”. Identificou-se que a utilização indireta do conceito é de crianças
vítimas de abuso sexual diante da perícia psicológica
Dell’Aglio (2016) investigou o perfil sócio familiar de pretendentes à adoção, a
partir do Cadastro Nacional de Adoção (CNA). “As amostras foram compostas
aleatoriamente por 418 registros de pretendentes à adoção de crianças com
desenvolvimento típico e 380 que aceitavam crianças com deficiência e/ou doença
crônica. A partir dos dados do cadastro, foi observado que a maioria dos pretendentes
é casada, com cor da pele branca e baixo nível socioeconômico. Foi observada
diferença significativa entre os grupos, sendo que os pretendentes à adoção de crianças
com deficiência e/ou doença crônica apresentavam renda e escolaridade mais baixas
do que o outro grupo. Esses resultados podem refletir questões culturais presentes no
perfil observado, tornando-se necessários novos estudos para investigar as motivações
da adoção”.
Teoria não especificada. Refere-se a um estudo documental de caráter
descritivo, baseado na análise de registros que compõem o Cadastro Nacional de
Adoção. A população deste estudo é constituída pelos registros de pretendentes que
constam do Cadastro Nacional de Adoção, desde a sua criação no Brasil, em abril de
2008, até a realização da coleta de dados desta pesquisa, em 2012. “Foram
identificados 29.303 registros, sendo que 22.898 (78%) referiam-se aos pretendentes
que desejavam adotar crianças com desenvolvimento típico e os 6.405 restantes (22%)
97
representavam os que aceitavam adotar criança ou adolescente com deficiência e/ou
com doença crônica. A amostragem foi do tipo probabilística sistemática, a qual se
caracteriza pela escolha casual do primeiro elemento e depois de um intervalo fixo, e
assim realiza-se, sucessivamente, a coleta dos demais participantes até que a
quantidade indicada pelo cálculo amostral esteja completa. Os dados foram coletados
através da consulta direta ao banco de dados do Cadastro Nacional de Adoção,
utilizando-se
para
anotação
das
informações
previstas
no
Formulário
de
Caracterização Sociofamiliar (FCS)”.
Como resultados as análises efetuadas em relação à amostra de pessoas
disponíveis para adotar crianças, entre 0 e 18 anos incompletos, com
deficiências/doenças crônicas (n=380) “apontaram que as médias de idade dos
pretendentes do sexo masculino e feminino foram respectivamente: 43,12 anos (DP=
8,96) e 40,73 anos (DP= 8,39). Quanto à situação conjugal, a amostra era formada
exclusivamente por casais, sendo que 99,5% deles heterossexuais e 0,5%
homossexuais. Quanto ao perfil da criança desejada, a maior parte esperava adotar
uma criança (87,10%), com idade entre zero e três anos (70%), sem preferência quanto
ao sexo do adotando (56,5%) e à cor da pele (60,5%). Todos os pretendentes desta
amostra aceitavam adotar crianças com necessidades especiais, seja doença não
tratável, deficiência física, deficiência mental e vírus HIV. Verifica-se que a maioria
dos pretendentes das duas amostras apresenta estado civil casado, cor da pele branca, é
proveniente de família de baixa renda e não possui filhos (seja biológicos ou
adotivos). Em relação às características das crianças que os pretendentes inscritos no
CNA no ano de 2012, este estudo encontrou semelhanças entre aqueles que aceitavam
adotar crianças com deficiência/sem deficiência e os que não tinham a mesma
disposição”.
De modo geral, verificou-se que a maioria dos pretendentes pertencia a
famílias formadas por casais heterossexuais, com pessoas cuja média de idade situavase em torno dos 40 anos, cor de pele branca, escolaridade correspondente ao ensino
médio completo, provenientes de famílias de baixa renda e que não possuíam filhos
biológicos, nem adotivos. “Estes dados corroboram os achados de outros estudos já
realizados sobre o perfil desta população tanto internacionalmente (TAN et al., 2007)
quanto em estados brasileiros ou no país como um todo (PEREIRA, 2012; PEREIRA
& OLIVEIRA, 2010; SILVA et al., 2010; SOUZA, 2012)”.
98
O conceito utilizado diz respeito indiretamente às crianças em situação de
adoção com e sem deficiência ou doença crônica.
Dell’Aglio (2013) aponta em seu estudo que a revelação do abuso sexual pode
garantir as intervenções psicossociais e legais às vítimas, aos (as) agressores (as), e aos
familiares. “Este estudo objetivou caracterizar a revelação, negação e retratação do
abuso sexual por meio de trinta e um prontuários de casos de abuso sexual registrados
contra crianças e adolescentes atendidos em um serviço especializado na cidade de
Belém-Pará. Os seguintes fatores foram explorados: idade e sexo (vítimas/agressores),
relação entre as vítimas e os (as) agressores (as) (intrafamiliar/extrafamiliar),
indivíduo que fez a notificação. Os resultados indicam a predominância de vítimas
entre oito e 11 anos de idade, sexo feminino, e agressores entre 14 e 32 anos, sexo
masculino. Houve maior ocorrência de abuso sexual intrafamiliar. A mãe biológica
realizou as notificações na maioria dos casos (n=14). O abuso sexual foi revelado
pelas vítimas em 87% dos casos, e a não revelação envolveu abuso intrafamiliar. A
negação predominou entre os meninos e crianças de cinco a sete anos. Os dois únicos
casos de retratação ocorreram na amostra de meninos”. Segundo a autora a revelação,
negação e retratação devem ser utilizadas como indicadores importantes na avaliação e
compreensão dos casos de abuso sexual infantil.
Teoria não especificada. Este estudo documental de amostragem não
probabilística. “A amostra foi composta de 31 prontuários referentes a casos de abuso
sexuais registrados entre os anos de 2006 e 2008, em um centro de referência para
atendimento de crianças e adolescentes (com idades até 18 anos incompletos), na
região metropolitana de Belém-Pará. Os prontuários continham: fichas de entrevista
inicial, relatórios das entrevistas psicológicas, laudos/pareceres e/ou relatórios
psicológicos referentes a cada um dos casos. A ficha de entrevista inicial consiste em
um documento próprio do serviço de atendimento, no qual são anotados os seguintes
dados acerca das vítimas e dos (as) agressores (as): idade, sexo, se houve ou não
notificação, quem fez a notificação, quem é o indivíduo acusado de abuso sexual, qual
a relação entre as vítimas e o s(as) agressores (as). Os relatórios apresentam a
evolução individual dos casos e contêm o registro das principais ocorrências das
sessões psicológicas com as vítimas. Os dados foram analisados por meio do software
SPSS, aplicando-se a estatística descritiva (frequência, média e desvio padrão)”. A
ocorrência de negação e/ou retratação foi identificada a partir da leitura dos registros
das sessões psicológicas constantes nos relatórios.
99
Como resultados, “na amostra estudada foram identificadas vítimas com idades
entre dois a 16 anos, observando-se as seguintes taxas de abuso sexual de acordo com
a faixa etária: dois a quatro anos; cinco a sete anos; oito a 11 anos e 12-16 anos. Foram
registrados 80,6% de vítimas do sexo feminino e do sexo masculino, sendo todos os
agressores do sexo masculino, com idades entre 13 a 76 anos, contabilizando-se seis
casos sem esta informação. O abuso sexual foi caracterizado como intrafamiliar em
57,7% dos prontuários analisados, e como extrafamiliares em 43,3% , havendo um
caso sem esta identificação”. Nos abusos intrafamiliares os agressores eram na maioria
dos casos e/ou padrasto, seguido de outros familiares. Foram tratadas neste estudo
questões relacionadas à revelação, negação e retratação do abuso contra crianças.
Segundo Dell’Aglio (2014) a nova metodologia de inquirição de crianças e
adolescentes vítimas de abuso sexual pelo Poder Judiciário, denominada Depoimento
Especial têm sido discutidas por profissionais de diferentes áreas do conhecimento.
Dessas discussões, resultaram opiniões divergentes sobre o assunto. Esse artigo visa
apresentar historicamente a metodologia do Depoimento Especial, primeiramente
denominado Depoimento Sem Dano, e discutir as necessidades de a Justiça dialogar
com outros saberes para um melhor direcionamento da realização deste ato processual
– a ouvida da criança. “Conclui-se, a partir da revisão de literatura e da interlocução
entre Psicologia e Direito, que as discordâncias e debates legais não têm contribuído
para a proteção das vítimas”. O Poder Judiciário e outras áreas do conhecimento
precisam fortalecer suas habilidades para trabalhar em conjunto numa interlocução
respeitosa e equânime troca de conhecimentos. Teoria não especificada. Estudo
teórico . Foi feita uma revisão de literatura com a análise e discussão de pesquisas
estrangeiras e brasileiras na área do depoimento especial com crianças e adolescentes.
Os resultados apontam que “testemunhar em situações de abuso sexual, por
certo, é uma tarefa estressante, especialmente se a criança tiver que repetir inúmeras
vezes seu testemunho ou não tiver a presença de uma pessoa de sua confiança
(GOODMAN et al., 1992). Entretanto, depor num tribunal pode ser uma experiência
positiva, se alguns fatores estiverem favoráveis, como por exemplo: (a) se a criança
estiver emocionalmente preparada; (b) se ela teve um tratamento respeitoso e
adequado à sua idade; (c) obtiver apoio; (d) receber serviços e proteção que se façam
necessários após o julgamento; (e) for incentivada a depor; (f) se a família e os
profissionais que lidam com a vítima o façam adequadamente e de forma a lidar com
suas necessidades emocionais (GOODMAN, OGLE, TROXEL, LAWLER, &
100
CORDON, 2009). Estando estas condições asseguradas, o estresse característico de
um depoimento pode ser atenuado, tornando-se menos traumático e revitimizador, e
até mesmo, obtendo mais veracidade (GOODMAN et al., 2009). Psicologia cognitiva
e Psicologia forense, portanto, são áreas orientadas à busca da verdade dos fatos e se
aproximam da verdade buscada pelo sistema de justiça”. Dessa forma, os psicólogos
que se identificam com essas áreas podem atuar eticamente nessa questão sem
interferir em valores pessoais ou identificações teóricas divergentes. As crianças em
situação de violência sexual.
Von Hohendorff (2015) em seu estudo descreve que o Estatuto da Criança e do
Adolescente prevê que é direito de toda criança e de todo adolescente se desenvolver
sem experienciar qualquer forma de violência. No entanto, diariamente, ocorrem casos
de violência contra crianças e adolescentes, seja física, psicológica, sexual, ou casos
de negligência. “Desta forma, é necessário que as redes de proteção e de atendimento
às crianças e aos adolescentes vítimas de violência intervenham de forma coordenada
e efetiva. Opiniões de usuários destas redes indicam algumas fragilidades, tais como a
sua fragmentação e a falta de acolhimento das vítimas e familiares. Diante disto,
estratégias para o aprimoramento das redes são necessárias. O estudo objetiva
apresentar o modelo americano de rede de proteção e de atendimento às crianças e aos
adolescentes vítimas de violência do Children’s Advocacy Center (CAC)”. Propõe-se,
a partir da apresentação do modelo americano, discutir possíveis mudanças no modelo
de redes de proteção e de atendimento às crianças e aos adolescentes vítimas de
violência no Brasil.
Não especifica a teoria aborda, o autor se utiliza do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) (Brasil, 1990) para discutir a temática. Refere-se a um estudo
teórico com comparação entre o Children’s Advocacy Center (CAC) Centro de
Proteção da Criança dos Estados Unidos, trazendo possibilidades de mudança para as
redes de atendimentos no contexto brasileiro.
Como resultados observa-se que “a desarticulação das redes de proteção e de
atendimento às crianças e adolescentes vítimas de violência é uma realidade
constatada tanto por usuários (SANTOS et al., 2011), quanto por profissionais
(DESLANDES e CAMPOS, 2015). Diante disto, é necessário reavaliar a adequação
do atual modelo de redes, que vem se mostrando pouco efetivo devido,
principalmente, à desarticulação dos serviços. Crianças e adolescentes vítimas de
violência são expostas a, no mínimo, seis diferentes serviços, nos quais costumam
101
ocorrer intervenções repetidas e desarticuladas”. Pode-se considerar, assim, que as
redes de proteção e de atendimento, ao invés de proteger as vítimas e atender às suas
necessidades, acabam por revitimizá-las. Crianças e adolescentes vítimas de violência
que receberem intervenções efetivas terão mais chances de se tornarem adultos
saudáveis. Eles possivelmente não reproduzirão as situações de violência às quais
foram expostos, contribuindo para o cessamento de ciclos transgeracionais de
violência. Além disto, terão menos chances de apresentarem consequências de longo
prazo, tais como envolvimento com drogas e transtornos de ansiedade e de humor, que
elevam os gastos de saúde pública e diminuem a mão de obra do país. Ao se investir
no aprimoramento das redes de proteção e de atendimento se está investindo na
qualidade de vida das crianças, dos adolescentes e dos seus familiares, bem como em
um país mais próspero. O conceito abordado se trata das crianças, crianças vítimas de
violência.
Ainda sobre a temática da violência contra crianças, Von Hohendorff (2017)
pontua que, a Violência Sexual contra crianças e adolescentes é um problema de saúde
pública que costuma produzir consequências na vida das vítimas. Embora a violência
sexual afete milhões de crianças e adolescentes no Brasil e no mundo, ela ainda é
subnotificada. “Neste cenário, os profissionais que possuem contato com essa
população têm papel fundamental na identificação e na escuta das revelações de
violência sexual. No entanto, nem sempre os profissionais possuem informações
suficientes para agir diante destes casos”. O artigo descreve o(s) conceito(s) de
violência sexual, suas consequências e indicações de manejo.
Teoria que subsidia o estudo não está especificada. É um estudo teórico. Foi
feita uma apresentação da temática da violência sexual contra crianças e adolescentes,
e suas consequências.
Com os resultados se percebe que há uma diversidade teórica na compreensão
do que é violência sexual contra crianças e adolescentes e a dinâmica envolvida. No
entanto, “os autores concordam que a violência sexual deve ser conceituada de forma
ampla, considerando todos os atos que são infringidos às vítimas e dos quais elas não
são capazes de entender e dar seu consentimento. Embora subnotificada, a violência
sexual atinge muitas crianças e adolescentes. Geralmente, os agressores são pessoas
com as quais as crianças e adolescentes convivem. Assim, o papel dos profissionais
que, de alguma forma, têm contato com a criança ou adolescente, é de extrema
relevância. Esses profissionais devem estar atentos a possíveis sinais de ocorrência da
102
violência sexual, disponíveis para escutar a suposta vítima e estar preparados para a
realização da notificação”. Para tal, o conhecimento sobre o conceito de violência
sexual, sua dinâmica e procedimentos de notificação são essenciais. Foram feitas
discussões em torno das concepções acerca da violência sexual contra crianças.
Von Hohendorff (2015) neste estudo abordou a questão da garantia de acesso
ao tratamento psicoterápico de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual
pelo sistema público, tendo em vista que o desenvolvimento de psicopatologias em
curto e em longo prazo está associado à experiência de violência sexual. “As
principais leis e diretrizes sobre a organização dos serviços públicos de assistência
social e de saúde para vítimas de violência sexual foram revisadas, bem como estudos
sobre os encaminhamentos adotados nesses casos. Constatou-se que o serviço público
de assistência deve oferecer atendimento psicossocial, enquanto o serviço público de
saúde deve oferecer psicoterapia. No entanto, os estudos sobre encaminhamentos de
casos de violência sexual contra crianças e adolescentes indicam baixos índices de
encaminhamento para serviços que oferecem psicoterapia. Tal panorama é discutido a
partir das diretrizes quanto ao público atendido pelo serviço público de saúde no que
tange à saúde mental, bem como a partir da quantidade desses serviços em nosso país.
Alternativas para a garantia de acesso ao tratamento psicoterápico de crianças e
adolescentes vítimas de violência sexual pelo sistema público de saúde são
discutidas”.
A perspectiva teórica não está especificada. O estudo trata-se de um estudo
teórico, onde foi realizada análise de pesquisas nacionais e internacionais sobre o
processo psicoterápico para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
Quanto aos resultados “identifica-se uma lacuna referente ao atendimento
contínuo de saúde mental para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual que
apresentam psicopatologias, embora esse seja um direito previsto em lei em nosso país
(BRASIL, 2001)”. São tratadas, no estudo, as questões acerca do tratamento
psicoterápico as crianças e adolescentes vitimas de violência sexual.
O estudo de Weber (2013) teve como objetivo identificar o perfil dos
envolvidos nas denúncias feitas ao Serviço de Atendimento ao Vitimizado em
Domicílio (SAV) na cidade de Curitiba (Brasil) entre os meses de janeiro e outubro de
2009. “Foi realizado um estudo de corte transversal de 155 formulários de denúncia
confirmadas de maus-tratos contra crianças e adolescentes (entre 0 e 16 anos). As
denúncias envolveram 70 de casos de violência física, 48 de negligência, 10 de
103
violência psicológica e 09 casos de violência sexual; os outros 18 casos envolveram
mais de um tipo de violência associada. A análise estatística revelou que os maustratos ocorrem com mais frequência em famílias de pais separados (60 casos), e são
em sua totalidade perpetrados por pessoas que fazem parte do círculo familiar, sendo
que a mãe (83 casos) e pai (33 casos) se configuram como os principais agressores.
Das vítimas, 75 eram do sexo masculino e 80 do sexo feminino, sendo que a maioria
delas se concentrou na faixa etária de 4 a 11 anos”. O estudo conclui que a situação
dos maus-tratos é de urgência e necessita de mais estudos científicos e medidas sociais
eficazes para combatê-lo.
O estudo não especifica a perspectiva teórica abordada. Refere-se a um estudo
documental. Foi realizado um estudo de corte transversal de 155 formulários de
registro de dados dos arquivos do SAV de Curitiba (Brasil). As denúncias eram
relativas às crianças e adolescentes de zero a 16 anos que tinham sofrido qualquer tipo
de maus-tratos no período de janeiro a outubro de 2009. Como instrumento para a
coleta de dados, foi elaborado um questionário para recuperação sistemática e objetiva
dos dados que constavam em cada prontuário.
Os resultados apontam que das crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos,
48,4% são do sexo masculino e 51,6% do sexo feminino. “Outros autores encontraram
também em suas pesquisas esta sutil diferença entre os sexos, não representando este,
em si, portanto, um fator associado à perpetração dos maus-tratos. (DESLANDES,
1994; CARVALHO e cols. 2009; COSTA e cols., 2007; WEBER e cols., 2002). Em
relação à idade das vítimas, a maior parte delas (63,3%) tem entre 4 e 11 anos, sendo
que a maior proporção está na faixa de 8 a 11 anos (33,6%). Em relação à
configuração familiar da vítima de maus-tratos evidenciou-se que a maioria dos casos
de violência acontece em famílias de pais separados (38,7%). Os casos de violência
em famílias onde os pais moram juntos representaram 29,7%, os casos onde a mãe era
solteira 15,5% e os casos onde pai ou mãe eram falecidos 8,4%. A violência relatada
com maior frequência foi a violência física (45,2% dos casos), a segunda violência
mais relatada foi a negligência, e a menos relatada foi a violência sexual (5,8% dos
casos)”.
Conceito discutido nesse estudo diz respeito à criança em situação de violência
doméstica. Deslandes (1994) define o abuso ou maus-tratos como sendo todo dano
físico, psicológico ou sexual cometido por um sujeito em condições superiores (de
idade, força, posição social ou econômica, inteligência ou autoridade), contrariamente
104
à vontade da vítima ou por consentimento obtido a partir de indução ou sedução
enganosa. Os maus-tratos são classificados como: violência física, violência
psicológica, negligência e abuso sexual. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
PEDIATRIA e cols., 2001; ABRAPIA 1997).
Gil (2016) infere em seu estudo que o responder por exclusão é um fenômeno
robusto da aprendizagem de vocabulário. A aprendizagem de relações emergentes por
exclusão em crianças menores de 36 meses de idade, entretanto, ainda requer
comprovação. Este estudo teve como objetivo verificar a aprendizagem das relações
nome-objeto, após uma única tentativa de exclusão e após repetições de tentativas
similares à tentativa de exclusão. “Em uma creche, foi solicitada a oito participantes,
com 27 a 36 meses de idade, a seleção de objetos condicionalmente a palavras faladas,
em tarefas de emparelhamento com o modelo auditivo visual. O procedimento geral
incluiu: ensino de relações de linha de base (LB); sondas de exclusão, de
aprendizagem e de controle; teste de nomeação de estímulos e avaliação do repertório
verbal. Caso o critério de acerto nas sondas de aprendizagem não fosse obtido, era
conduzida a reexposição ao procedimento geral. Se não fosse atingido o critério de
aprendizagem de relações de LB, era conduzido um procedimento adicional de ensino,
envolvendo aumento progressivo do número de comparações e diminuição do número
de tentativas. Cada participante foi reexposto ao procedimento geral, e quatro
participantes ao ensino adicional da LB. Três de oito participantes aprenderam a
relação nome-objeto e tiveram desempenho acurado na sonda controle. Observou-se
que o maior número de exposições a tentativas similares à tentativa de exclusão
aumentou a probabilidade de ocorrência da aprendizagem da relação nome-objeto”. A
abordagem teórica utilizada não foi especificada.
Foram realizadas análises do desempenho do grupo de participantes sem
destacar o desempenho individual. “Os oito participantes engajaram-se nas tarefas de
ensino de linha de base e das sondas. Nenhum participante atingiu critério para o
término do experimento, de acerto nas três sondas de aprendizagem após uma única
tentativa de exclusão, e na sonda controle; todos os participantes foram reexpostos ao
procedimento. Na ocasião da reexposição, três participantes responderam a tentativas
similares à de exclusão, aprenderam as relações que emergiram da exclusão (respostas
corretas em S1, S2 e S3), e responderam à sonda controle. O número de tentativas
similares à tentativa de exclusão necessária para que ocorresse a aprendizagem da
105
relação emergente nas três sondas (S1, S2 e S3) variaram entre oito e 11 exposições.
Todos os participantes aprenderam as relações auditivo-visuais da LB (linha de base)”.
Neste estudo, observou-se que “o maior número de exposições aos pares
auditivo-visuais (exposição e reexposição ao procedimento) aumentou a probabilidade
de ocorrência da aprendizagem com base no responder por exclusão”. Como se vê o
conceito de crianças está relacionado ao processo de desenvolvimento na linguagem
verbal em crianças pequenas.
Rodrigues (2014) avaliou neste estudo o desempenho acadêmico de 102
crianças do Ensino Fundamental. “Os participantes foram divididos em dois grupos:
um com 34 crianças não contaminadas ou com nível inferior a 05 μg/dl e o outro, de
68 crianças, estava com nível de contaminação por chumbo no sangue entre 10 and 40
μg/dl. Para avaliação foram utilizados o Teste de Desempenho Escolar (TDE) e
anamnese. Os resultados indicaram melhor desempenho acadêmico para o segundo
grupo, com diferenças significantes em aritmética, leitura e desempenho geral”. A
comparação entre os sexos indicou melhor desempenho para meninas, dado coerente
com a percepção dos pais na anamnese. Embora outras variáveis estejam presentes, os
dados apontam prejuízos acadêmicos maiores para crianças com índices de chumbo
mais altos. A perspectiva teórica não foi especificada.
Este é um estudo empírico. Tendo as crianças como participantes. “Como as
comparações entre os grupos 01 e 02 indicaram resultados inferiores em todas as áreas
para o grupo 02 (com maior índice de contaminação), os dados confirmam os
apontamentos sobre prejuízos à saúde e desenvolvimento infantil, indicando relações
entre a contaminação por chumbo e dificuldades de aprendizagem. Acredita-se que o
desempenho inferior dos meninos pode estar relacionado a questões socioculturais
tanto no modo de se relacionar com os conteúdos acadêmicos (serem menos
incentivados a estudar que as meninas) quanto na maior contaminação por chumbo
(brincar mais fora de casa, contato com solo e ambientes contaminados)”.
O estudo em questão avalia o desempenho escolar em crianças contaminadas
por chumbo. “Bellinger (1995, 2008) afirmou que mesmo quantidades relativamente
pequenas de chumbo podem causar rebaixamento permanente da inteligência em
crianças, resultando em prejuízos acadêmicos e distúrbios psicológicos”.
Rodrigues (2014) analisou a significância clínica e mudanças confiáveis no
repertório de habilidades sociais de uma criança com Síndrome de Down, a partir de
intervenções na clínica, em casa e na escola. Participou deste estudo uma menina de
106
sete anos com Síndrome de Down, que frequentava o primeiro ano do ensino regular,
seus pais e sua professora. “Eles eram atendidos em um Centro de Psicologia
Aplicada, de uma universidade pública do interior paulista. Antes e depois da
intervenção, pais e professora responderam ao Sistema de Avaliação de Habilidades
Sociais (SSRS). A intervenção com a criança foi realizada durante seis meses, por
meio de atividades lúdicas em reuniões semanais. Com os pais e professora, em
encontros quinzenais e mensais, foram discutidos diversos temas relacionados às
habilidades sociais. Os resultados obtidos foram analisados utilizando o método JT.
Com os pais, comparando as duas avaliações conduzidas, os dados apontaram para
mudança positiva confiável para quatro das seis habilidades avaliadas. Das cinco
habilidades avaliadas pela professora, uma delas não estava no nível clínico desde a
primeira aplicação. Das demais, duas passaram de nível clinico para não clínico,
caracterizando uma mudança positiva confiável”. O estudo mostrou a importância de
avaliações pré e pós em estudo de caso, possibilitando a avaliação dos efeitos da
intervenção realizada sobre os diversos fatores das habilidades sociais. A perspectiva
teórica não foi especificada.
Este é um estudo empírico. Como resultados observa-se que analisando o
repertório social relatado por pais e professora na primeira avaliação, para os pais,
todos os fatores foram avaliados com nível de significância clínica. “Para a professora,
quatro dos cinco fatores avaliados estavam nesta condição. Os resultados obtidos estão
condizentes com os encontrados por Pereira (2007) e Anhão, Pfeifer e Santos (2010)
que apontaram para defasagens importantes no repertório social de crianças com
síndrome de Down. De maneira geral à intervenção trouxe resultados positivos para a
criança, segundo a análise de mudança positiva e significância clínica. Os resultados
obtidos com as intervenções ressaltam a importância de intervenções pontuais em
todos os ambientes que a criança frequenta tendo em vista a melhoria do seu repertório
de habilidades sociais”. O estudo mostrou, também, a eficácia de uma intervenção
baseada em princípios do treinamento de habilidades sociais com a criança, pais e
professores. Podemos entender que o conceito de criança abordado é o de participante
na pesquisa (habilidades sociais de uma criança com síndrome de down).
O estudo de Rodrigues (2014) avaliou o repertório de habilidades sociais de 60
crianças com fissura labiopalatina, que responderam o SMHSC Del Prette
relacionando-as a dados sociodemográficos e dificuldade escolar, problemas de
comportamento e presença/ausência de chacotas, coletados em entrevista com os pais.
107
Observou-se a presença de chacotas em crianças que estudam em escolas públicas e
com fissura transforame. “Os resultados do SMHSC mostraram a presença de
comportamentos internalizantes entre as meninas e de comportamentos externalizantes
entre os meninos. Análises comparativas entre variáveis coletadas com os pais e os
resultados obtidos no SMHSC apontaram para diferenças significantes considerando o
sexo, com maior frequência em habilidade passiva entre as meninas, coerente com a
diferença observada na dificuldade habilidosa. Os dados obtidos sugerem intervenções
preventivas em crianças com fissura, uma vez que tantos comportamentos
internalizantes como externalizantes reduzem as oportunidades de interações
adequadas com seus pares e, consequentemente, de desenvolvimento social”. Não foi
especificada a abordagem teórica utilizada.
Este é um estudo empírico. Com os resultados observou-se que a maioria das
crianças não apresentou dificuldades escolares, , segundo o relato dos pais, com pouca
diferença entre meninos e meninas e entre os anos escolares. “Todavia 23,3% das
crianças de escola pública apresentaram dificuldades escolares. Notou-se também que
as dificuldades escolares são maiores em crianças com o tipo de fissura transforame
(11,6%). O estudo também verificou os tipos de dificuldade escolar, conforme o relato
dos pais. Das 15 crianças cujos pais relataram dificuldade, 16,7% referiram à Língua
Portuguesa. Tal fato pode estar associado à disciplina escolar, a aquisição e expressão
da fala, bem como, ao déficit na atenção auditiva sustentada. Observou-se uma maior
necessidade dos meninos serem acompanhados em sua aquisição de habilidades
sociais, visando à prevenção de comportamentos problemáticos (externalizantes) e
uma maior atenção ao repertório de habilidades sociais das meninas, que apresentaram
mais comportamentos internalizantes”. Ambos são considerados indicativos de
problemas de comportamento, principalmente pelo fato de reduzir as oportunidades de
interação e de desenvolvimento de repertórios imprescindíveis ao desempenho social
das crianças. Foram avaliadas neste estudo as habilidades sociais de crianças com
fissura labiopalatina.
Neste estudo de Rodrigues (2015) foram verificadas as estratégias de
enfrentamento de crianças, com idade entre 07 e 12 anos, em situação pré-cirúrgica, e
sua relação com variáveis sociodemográficas, presença de estresse na criança, no
acompanhante e experiência prévia com cirurgia. Para tanto, “58 crianças internadas
para realização de cirurgias eletivas responderam ao instrumento de avaliação das
estratégias de enfrentamento da hospitalização e a um questionário de avaliação do
108
estresse. O acompanhante respondeu a um levantamento sociodemográfico e ao
inventário de sintomas de estresse de Lipp. As estratégias mais utilizadas foram
distração e solução do problema e as menos utilizadas foram afastamento social e
oposição. Meninas e filhos de pais com estresse usaram significativamente mais
estratégias de regulação da emoção. Observou-se maior uso de reestruturação
cognitiva em crianças mais velhas e com experiência prévia em cirurgia”. Os
resultados sinalizaram ainda a necessidade de considerar as variáveis estudadas
quando da elaboração de programas de preparação cirúrgica.
O estudo não especifica a perspectiva teórica abordada. É um estudo empírico.
“Das crianças avaliadas, 22 (37,9%) tinham idade entre 07 e 8 anos e 11 meses, 12
(20,7%) de 9 a 10 anos e 11 meses, e 24 (41,4%) de 11 a 12 anos e 11 meses. A
maioria era meninos (53,4%), metade apresentou estresse e 58,6% não tinham
experiência prévia com cirurgia. Os acompanhantes, em sua grande maioria, eram os
cuidadores primários (97,0%), do sexo feminino (90,0%), sendo que 77,6% pontuaram
para estresse, a maioria na fase de resistência (73,3%) e a sintomatologia prevalente
foi psicológica (93,3%). O grupo de crianças com experiência anterior com
procedimentos cirúrgicos teve, de forma significativa, média mais alta da estratégia de
reestruturação cognitiva (p = 0,002), que crianças sem experiência cirúrgica. No
tocante às diferenças entre sexos, as meninas relataram mais estratégias de regulação
da emoção e ruminação do que os meninos, confirmando evidências na literatura sobre
a utilização de comportamentos e estratégias de enfrentamento diversas, dependendo
do sexo, em crianças e adolescentes (BRODERICK & KORTELAND, 2002;
BORGES, MANSO, TOMÉ, & MATOS, 2008; HAMPEL & PETERMANN, 2005)”.
As crianças mais novas relataram significativamente menos uso da estratégia
de reestruturação cognitiva, em comparação às crianças mais velhas, que possuem
capacidades cognitivas e emocionais mais sofisticadas e, portanto, recorrem ao uso de
regras mais abstratas e generalizáveis para controlar a ação.
O conceito de criança aparece como participante no estudo “para fazer face ao
estresse da internação, a criança recorre a esforços adaptativos denominados
estratégias de enfrentamento ou coping, determinados tanto pela sua maturação
biológica quanto psicológica”.
Freitas (2013) objetivou com este estudo verificar a relação entre o
funcionamento familiar e problemas de comportamento em crianças a partir da
percepção das mães. “Participaram do estudo 21 mães de crianças entre 07 e 11 anos
109
que estudavam em escolas públicas. Os instrumentos foram o child Behavior Check
List (CBCL) Inventário do Clima Familiar (I C F) e o familiograma, todos foram
preenchidos pelas mães. Os dados foram analisados através de estatística descritiva e
inferencial. Os resultados mostraram correlações fortes e significativas entre as
variáveis que avaliam o ambiente familiar e a presença de problemas de
comportamento das crianças, segundo o relato das mães. Os resultados mostram que
existe relação entre essas variáveis, que quanto maior o nível de afetividade e coesão,
menor é a presença de problemas de comportamento”.
Perspectiva teórica não especificada. É um estudo empírico. Pesquisa
quantitativa com um caráter nomotético. Caracteriza-se como um estudo exploratório
e correlacional. “Os resultados mostraram correlações fortes e significativas entre as
variáveis que avaliam o ambiente familiar e a presença de problemas de
comportamento das crianças, segundo o relato das mães”. Os resultados mostram
ainda a existência de relação entre tais variáveis, e que quanto maior o nível de
afetividade e coesão, menor é a presença de problemas de comportamento. A
consistência desses resultados é uma evidência importante sobre o ambiente familiar
como fonte de desenvolvimento emocional e psicossocial. Os conflitos familiares
parecem influenciar diretamente o aumento dos problemas de comportamento infantil.
Foi realizada uma análise da relação entre o funcionamento familiar e problemas de
comportamento em crianças.
Em um estudo realizado por Freitas (2014), Foi identificado que “a sobrecarga
física e emocional associada ao cuidado de crianças com patologias crônicas pode
ocasionar prejuízos na vida cotidiana das mães e de outros membros da família. O
sofrimento psicológico tem sido identificado e caracterizado, sendo ainda importante a
investigação de variáveis preditoras desse fenômeno”. O estudo buscou identificar
preditores do sofrimento psicológico das mães de crianças com paralisia cerebral
considerando as características da mãe, sua idade e escolaridade, percepção sobre o
próprio estado emocional e saúde geral das mães, e o perfil comportamental. “A
análise baseou-se em análises descritivas, correlacionais e na análise de regressão
múltipla. Participaram do estudo 122 mães de crianças com paralisia cerebral, em
tratamento na Associação Mineira de Reabilitação, na cidade de Belo Horizonte. Os
resultados demonstram que as variáveis preditoras do sofrimento psicológico foram:
severidade dos comportamentos identificados como problemas; idade da criança e a
110
escolaridade das mães”. A saúde geral foi mais significativamente predita pelas
variáveis, depressão, escolaridade e estresse relacionado ao cuidado da criança.
Perspectiva teórica não especificada. Estudo empírico. Os resultados
encontrados demonstram que existe uma relação entre o estado emocional das mães,
sua saúde geral e o comportamento das crianças com paralisia cerebral. “A análise de
regressão múltipla demonstrou resultados que contribuem para a investigação de quais
são as variáveis que podem predizer o estresse de mãe de crianças com paralisia
cerebral, assim como quais as variáveis preditivas do estado de saúde geral. Através
desse estudo, demonstrou-se que o modelo que melhor explicou estresse associado à
presença da criança com paralisia cerebral é composto pelas variáveis, sobrecarga
emocional e escolaridade da mãe, a gravidade dos problemas de comportamento no
ambiente doméstico e a idade da criança. Conceito/termo: crianças- com Paralisia
Cerebral.
Enumo (2014) partindo do pressuposto de que o brincar no hospital traz
benefícios à criança e ao tratamento, servindo como uma estratégia de enfrentamento
da hospitalização objetivou com este estudo descrever as preferências lúdicas de
crianças com câncer, na classe hospitalar. Participaram 18 crianças de 6 a 12 anos,
avaliadas pelo instrumento computadorizado de avaliação do brincar no hospital
(ABHcomp). “Os pais responderam à escala comportamental infantil A2 de Rutter
(ECI). As brincadeiras preferidas no ABHcomp foram: desenhar, assistir à TV e ler
gibi. As crianças apresentaram problemas comportamentais e emocionais (61,1%) na
ECI, como dor de cabeça e medo. A alta frequência de problemas indica a importância
da assistência psicológica, que pode ser realizada por meio da associação de recursos
lúdicos às técnicas psicológicas adequadas às demandas do contexto da doença e da
hospitalização. Além disso, o brincar aparece durante o período na classe hospitalar,
indicando possíveis benefícios dessa para a brincadeira no hospital e o tratamento
dessas crianças”.
A perspectiva teórica não foi especificada. Trata-se de um estudo empírico. Foi
feita a análise de conteúdo. Onde os resultados demonstram que “as brincadeiras
preferidas no ABHcomp foram: desenhar, assistir à TV e ler gibi. As crianças
apresentaram problemas comportamentais e emocionais (61,1%) na ECI, como dor de
cabeça e medo. Os resultados obtidos pela ECI que avaliam os aspectos
comportamentais, segundo a percepção dos responsáveis, indicaram que 11 crianças
(61,1%) apresentam escores na faixa clínica. Na escala de saúde, os itens com maior
111
frequência de respostas das crianças foram: dor de cabeça (30,6%), dor no estômago
(20,4%) e mau humor (16,3%). Já na escala de hábitos, os comportamentos que
apresentaram respostas mais frequentes foram: medo (37,2%), dificuldade de
alimentação (27,9%) e dificuldade de sono (23,3%). Na escala de problemas de
comportamento, os itens mais indicados foram: medo de situações novas (8,8%), estar
muito preocupada e insegura e ser desobediente (7,2% para cada um dos itens), além
de ser impaciente e agarrada à mãe (6,8% para cada item). A alta frequência de
problemas indica a importância da assistência psicológica, que pode ser realizada por
meio da associação de recursos lúdicos às técnicas psicológicas adequadas às
demandas do contexto da doença e da hospitalização”
Além disso, o brincar apareceu durante o período na classe hospitalar,
indicando possíveis benefícios dessa para a brincadeira no hospital e o tratamento
dessas crianças. Realizou-se uma descrição das preferências lúdicas de crianças com
câncer, na classe hospitalar.
Enumo (2015) ainda sobre a hospitalização de crianças e da classe hospitalar
propõs com este estudo descrever as estratégias de enfrentamento de crianças com
câncer para lidar com a hospitalização, analisando a importância da Classe Hospitalar.
Participaram do estudo 18 crianças com câncer (06 a 12 anos), avaliadas pelo
Instrumento Informatizado de Avaliação do Enfrentamento da Hospitalização. “Os
pais responderam ao Child Behavior Checklist (06-18 anos). Os comportamentos mais
referidos foram: brincar, conversar, assistir TV, tomar remédio, estudar, sentir raiva e
fazer chantagem; e as famílias de coping mais identificadas foram ruminação e
distração. As crianças destacaram a importância da Classe Hospitalar para a
continuidade da aprendizagem e da escolaridade. O padrão de coping revelou
comportamentos e estratégias favoráveis ao enfrentamento da hospitalização durante o
período na Classe Hospitalar, indicando possíveis benefícios desta para a criança em
tratamento contra o câncer”.
A perspectiva teórica não foi especificada. Trata-se de um estudo empírico.
Para descrever a importância da Classe Hospitalar para a criança hospitalizada,
utilizou-se a análise de conteúdo.
“Os comportamentos mais referidos foram: brincar, conversar, assistir TV,
tomar remédio, estudar, sentir raiva e fazer chantagem; e as famílias de coping mais
identificadas foram ruminação e distração. As crianças destacaram a importância da
Classe Hospitalar para a continuidade da aprendizagem e da escolaridade. O padrão de
112
coping revelou comportamentos e estratégias favoráveis ao enfrentamento da
hospitalização durante o período na Classe Hospitalar, indicando possíveis benefícios
desta para a criança em tratamento contra o câncer. No Instrumento Informatizado de
Avaliação do Enfrentamento da Hospitalização, as cenas brincar, conversar, assistir
TV, tomar remédio e estudar foram escolhidas por todas as 18 crianças. A cena sentir
raiva também foi mencionada por todas as crianças, e apenas uma não escolheu a cena
fazer chantagem. As cenas menos escolhidas foram pensar em fugir e sentir culpa. Na
Escala Orientada pelo DSM-IV, 15 crianças (83,3%) foram referidas como clínicas.
Na subescala Problemas Somáticos, apresentaram problemas, como: “Tem problemas
para dormir”, “Tem crises de raiva, temperamento exaltado”, “Anda sempre a
choramingar”, “É infeliz, triste ou deprimido”. Nas demais escalas, a maioria das
crianças foi considerada não clínica. Entre as famílias de coping ou estratégias de
enfrentamento mais frequentes nesta amostra estão a distração e a ruminação, seguidas
das estratégias de solução de problemas e busca de suporte. As crianças, inclusive as
mais novas, costumam apresentar quatro dessas famílias de coping - busca por
suporte, solução de problemas (e ação instrumental), esquiva e, quando esta não é
possível, distração”.
Neste estudo realizou-se uma descrição das estratégias de enfrentamento de
crianças com câncer para lidar com a hospitalização, e uma análise da importância da
Classe Hospitalar.
“A doença falciforme (DF) apresenta um quadro clínico que compromete o
desenvolvimento e o desempenho escolar da criança por complicações, como
hemorragia cerebral e alterações cognitivas e comportamentais”. Enumo (2013)
investigou o desempenho escolar e cognitivo de 14 crianças com DF com idade entre
08 e 12 anos. “Na prova de raciocínio, mais da metade das crianças obteve
classificação na média. No desempenho escolar, metade da amostra apresentou
histórico de reprovação escolar associado aos sintomas da doença. As implicações do
quadro clínico da doença sobre a aprendizagem da criança merecem atenção da
escola”.
A perspectiva teórica não foi especificada. Trata-se de um estudo empírico.
“Para avaliar os aspectos cognitivos gerais e a flexibilidade na resolução de problemas
das crianças, foram aplicados os seguintes instrumentos: a) Matrizes Progressivas
Coloridas de Raven - Escala Especial [Raven-MCP] (ANGELINI et al., 1999) - este
instrumento tem como objetivo avaliar a capacidade intelectual geral (fator G),
113
capacidade de extrair significados de uma situação confusa, de desenvolver novas
compreensões, de ir além do que é dado para perceber o que não é imediatamente
óbvio, de estabelecer constructos”.
Com os resultados observa-se que, no geral, “as crianças apresentam algum
tipo de prejuízo na vida escolar, dificuldades de aprendizagem e/ou histórico de
reprovação em função das recorrentes faltas à escola para tratamento (consultas,
visitas ao hemocentro, internações), corroborando as evidências de Nunest et al.
(2010) e Souza (2005), como também comprometendo o convívio social e familiar,
segundo Vieira e Lima (2002)”. Em relação aos resultados obtidos através da
aplicação do Raven-MPC, observou-se que a maioria das crianças foi classificada
como intelectualmente média (N = 9), havendo 04 abaixo da média (03 com
classificação abaixo da média e uma intelectualmente deficiente). Apenas uma criança
obteve classificação intelectualmente superior.
As complicações decorrentes do quadro clínico da Doença Falciforme podem
acarretar diversas dificuldades no âmbito das aquisições de habilidade intelectuais e
dos processos cognitivos. Criança- criança com doença crônica. Em suma, infere-se
que as crianças com uma doença crônica são mais prováveis de terem dificuldades
acadêmicas, sociais e emocionais.
5.2
Autores que apresentam o conceito infância/infantil em seus artigos.
5.2.1 Aqueles que explicitam pressuposto teórico:
1.
“A criança nas entrelinhas dos discursos de acadêmicos brasileiros sobre
professor da educação infantil”. (ANDRADE, 2013).
2.
“Movimento e aprendizagem: a significação do corpo pela criança na
educação infantil”. (ANDRADE, 2016).
3.
“O potencial narrativo dos lugares destinados às crianças: incursões do grupo
de pesquisa em psicologia da infância GPPIN”. (ANDRADE, 2015).
4.
“Infância em pesquisa: as crianças e os signos da mídia em contextos
educativos”. (SALGADO, 2017).
5.
“Infância e Escola: tempos e espaços de crianças.” (SALGADO, 2016).
114
6.
“Infância, gerações e temporalidades: experiências de crianças e professoras
em diálogo.” (SALGADO, 2014).
7.
“Gêneros, sexualidades e infâncias: Cenas de crianças na contramão da
inocência.” (SALGADO, 2017).
8.
“Em busca do corpo perfeito: as crianças na cultura da beleza e da sedução.”
(SALGADO, 2016).
9.
“Tudo junto e misturado?”: a infância contemporânea no diálogo entre
crianças e adultos. (SALGADO, 2013).
10.
“Cuidados parentais e desenvolvimento socioemocional na infância e na
adolescência: uma perspectiva analítico-comportamental”. (WEBER, 2016).
11.
“Relações entre a obesidade na infância e adolescência e a percepção de
práticas de alimentação e estilos educativos parentais”. (WEBER, 2014).
12.
“Habilidades
Sociais,
Competência
Acadêmica
e
Problemas
de
Comportamento em Crianças com Diferentes Níveis de Plumbemia”. (RODRIGUES, 2015).
13.
“Intoxicação infantil por chumbo: uma questão de saúde e de políticas
públicas”. (RODRIGUES, 2016).
14.
“O sujeito sindrômico e a infância eternizada: um modo de penhasco”?
(GURSKI, 2013).
5.2.2.1. Abordagem Histórico-culturais/Psicossociais:
Andrade (2013) orientada pela teoria das representações sociais buscou neste estudo
identificar significados sobre criança e representações identitárias da docência. Privilegiou
análise dos significados atribuídos à criança, segundo 252 estudantes primeiroanistas do curso
de Pedagogia de três universidades brasileiras. Os dados analisados se referem às associações
de palavras para o termo criança (software EVOC) e análise de conteúdo em articulação com
as questões abertas, submetidas a análise lexical. Os dados revelam a criança pequena e
inocente cuja expressividade lúdica se articula à aprendizagem e ao desenvolvimento
cognitivo. Criança foi associada ao não familiar e a possível ameaça identitária, aquilo que
escapa e que deve ser modelada.
Na teoria das representações sociais, pode-se dizer que, de um lado, os conteúdos
representacionais funcionam como orientações-guias para adultos no exercício de significação
sobre a infância e consequente organização de universos de socialização destinados às
crianças, em torno das quais constroem suas identidades sociais e anunciam referenciais
115
identitários para os pequenos; de outro, crianças criam hipóteses sobre o mundo com base nas
representações sociais partilhadas no seu grupo de pertencimento podendo, no exercício de
sua atividade criadora, propor novas formas de interpretação da realidade cujos sentidos
evidenciam potencial gerador de representações sociais, bem como potencial de influência
social. Utilizou o método experimental no estudo. “Apresenta a análise dos significados
atribuídos à criança, segundo 252 acadêmicos primeiroanistas do curso de Pedagogia de três
universidades brasileiras localizadas nas regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste. A análise dos
dados considerou as associações livres e as respostas para as questões abertas sobre bom
professor de creche e pré-escola, além da questão sobre as principais dificuldades esperadas
na profissão com relação a si própria. As associações livres foram processadas pelo software
EVOC5 – análise prototípica e análise hierárquica. Todos os vocábulos que compuseram o
corpus foram categorizados segundo o procedimento de análise de conteúdo. Já as respostas
às questões abertas, foram submetidas a análise lexical com auxílio do software Alceste”.
Como resultados os dados revelam a criança pequena e inocente cuja expressividade
lúdica se articula à aprendizagem e ao desenvolvimento cognitivo. Criança foi associada ao
não familiar e a possível ameaça identitária, aquilo que escapa e que deve ser modelada.
Embora a imagem da criança inocente, inserida no contexto familiar, ocupe a centralidade da
representação social delineando o papel de filho, é forte a imagem do aluno. De forma geral, o
termo criança foi analisado como tendo significado amplo, podendo ocupar o status de um ser
previsível e controlado pela ação do adulto, seja como criança inocente, que precisa ser
cuidada, ou como aluno, que precisa ser ensinado. Ainda, a criança foi significada como algo
não familiar quando se refere a ausência de controle adulto, entidade que habita um outro
mundo (CHOMBART DE LAUWE, 1991), podendo ser associada pelos acadêmicos ao não
familiar e, portanto, como possível ameaça identitária. Constata-se que a criança autêntica
está mais próxima das cenas cotidianas que envolvem o exercício da docência, desafiando-a.
É possível afirmar, a partir do estudo apresentado acima, que a maneira de perceber e
pensar o infantil não apenas influencia as condições de vida dos pequenos, mas também
daqueles que com eles se relacionam e, no caso específico deste texto, chama-se atenção para
os profissionais da Educação Infantil.
O estudo de Andrade (2016) trata-se de um relato de experiência de uma atividade de
extensão realizada por meio do estágio em contextos sócio educativos do curso de Psicologia
da UFMT articulado com o projeto “Rede de Apoio à Educação Infantil: interfaces com a
Psicologia, Pedagogia e Arquitetura”. A experiência se insere no contexto da formação em
serviço de profissionais da Educação Infantil em diálogo com os processos de
116
desenvolvimento infantil, identificados no fazer cotidiano das atividades propostas. A
orientação teórica baseou-se na Teoria Histórico-Cultural, na Psicogênese da Pessoa
Completa, nos estudos da Sociologia da Infância e na noção de espaço narrativo (SENNETT,
1990) com ênfase nas significações sobre criança como sujeito de direito e de cultura. O
procedimento metodológico adotado foi a análise documental e a observação participante
seguida de análise compreensiva sobre a relação adulto-criança. As considerações destacadas
possibilitaram a elaboração de um projeto de intervenção sobre a significação do corpo pelas
crianças no qual a narrativa e a ludicidade foram consideradas instrumentos psicológicos
promotores da aprendizagem e do desenvolvimento. “O comportamento das crianças e suas
narrativas foram comparados com o apresentado pelas mesmas no período inicial de
observação. Foi possível destacar que as vivências promovidas pelo projeto ajudaram as
crianças a reconhecer a imagem do seu próprio corpo por meio das interações sociais e das
brincadeiras contribuindo para o processo de diferenciação. Em adição, considera-se que a
atividade possibilitou desenvolver significativamente expressividades e narrativas infantis,
além de gestos simbólicos e de imitação ligados ao faz-de-conta”.
Os resultados apontam que “ao considerar os indicadores do desenvolvimento pode-se
destacar a emergência de novos modos de ser, de brincar e aprender das crianças envolvidas.
A expressividade do grupo de crianças mostrou-se mais desenvolvida sendo possível notar a
diminuição de ações imediatas tais como bater em outra criança para conseguir o que deseja.
Tal fenômeno mostrou-se favorável a emergência das brincadeiras coletivas delineadas com
ajuda da mediação do adulto e da atmosfera lúdica”. Destaca-se que as Técnicas de
Desenvolvimento Infantil estabeleceram um bom diálogo com o subprojeto de intervenção no
sentido de pensar categorias teórico-práticas que orientam o desenvolvimento das crianças tais
como a narrativa como ferramenta do trabalho pedagógico considerando que, por meio dela,
crianças compreendem a realidade e constroem redes de significação a seu respeito
considerando a situação social de desenvolvimento que se encontram. Desta forma, foi
possível avaliar que as intervenções realizadas evidenciaram o potencial dialógico entre a
Psicologia do Desenvolvimento e a Educação Infantil podendo ser útil tanto para o trabalho
dedicado aos programas e projetos diretamente direcionados às crianças, quanto para a
formação e capacitação dos seus educadores.
Como conceito o estudo traz a infância. Entendendo que crianças possuem narrativas
próprias, veiculadas seja verbalmente, seja corporalmente, que também circulam no espaço
em busca de contornos de lugares específicos influenciando comportamentos dos adultos e de
outras crianças. Os estudos diferenciam os termos infância e criança tomando o primeiro
117
como a expectativa social que determinada sociedade possui sobre a criança, esta última, ser
de certa idade. Assim, considera-se infância uma invenção cultural ou construções sócio
históricas, porque se define pelas significações que lhes são atribuídas ao longo dos tempos
nas diferentes culturas.
Andrade (2015) discute em seu estudo o potencial narrativo dos espaços da infância
por meio de estudos sobre significações e práticas socioeducativas destinadas às crianças na
Educação Infantil. Fundamentado na Teoria Histórico Cultural, na abordagem ontogenética da
Teoria das Representações Sociais em diálogo com a noção de minorias ativas (MOSCOVICI,
2011) e espaço narrativo (SENETT, 1990), procura responder se crianças são capazes de
influenciar processos de significação da realidade e exercer influência social. “Apresenta dois
estudos que discutem o berçário como artefato cultural, cujas significações orientam
profissionalidades
de
educadoras
e regulam
estruturas
de oportunidade para o
desenvolvimento de bebês. Revela o ser e estar de bebês mediante nova organização espacial
do berçário anunciando possibilidades de aprendizagem e inserção da educadora na cena
lúdica pelo bebê. As análises dos estudos revelam novas significações sobre a criança no
contexto das práticas educativas e de pesquisa destacando seu poder de criação”.
O método apresenta uma discussão teórica acerca dos resultados de dois estudos
empíricos com profissionais da educação infantil. Entre os anos de 2011 e 2013, o Grupo de
Pesquisa em Psicologia da Infância (GPPIN) desenvolveu dois subprojetos de pesquisa, que
foram delineados em torno dos resultados das atividades de extensão conhecida como Rede de
Apoio à Educação Infantil: interfaces com a Psicologia, Pedagogia e Arquitetura. “O
procedimento metodológico adotado prevê entrevistas, observações, videografia e coleta de
material iconográfico. O material coletado tem sido analisado com auxílio de análise
compreensiva e microgenética, além do exercício de identificação de núcleos de significações
(AGUIAR, OZELLA, 2006), às vezes com apoio de programa computacional. O berçário é o
espaço observado”.
Como resultados as análises dos estudos revelam novas significações sobre a criança
no contexto das práticas educativas e de pesquisa destacando seu poder de criação. “Com
relação aos discursos decorrentes das diferentes organizações espaciais, destaca-se a evidência
de que, ao falarem do espaço as profissionais também evidenciaram a dimensão identitária
das representações sociais – valorização do profissional, melhor condição de trabalho e a
ancoragem nos significados associados a babá e a profissional. Sobre esse aspecto, foi
possível observar movimentos característicos daquilo que Bauer (1994) anunciou como
função de resistência das representações sociais. As oportunidades de exploração do espaço
118
que emergem nas vivências infantis, observadas a partir da perspectiva ontogenética das
representações sociais, evidenciam outro tipo de cenário favorável às transformações das
práticas e das representações sociais. Sem contestar, o pressuposto da segurança física do
bebê como principal organizador das representações sociais sobre o trabalho na educação
infantil e orientador das práticas das profissionais do berçário, a vivência em torno da unidade
bebê-brinquedo desafia o adulto a se colocar como aquele que apoia a ação do bebê ao mesmo
tempo em que procura anular o potencial perigo daquela atividade. Nessa prática, mobilizada
pela atenção ao cuidado, emerge o sentido, ainda que ao nível intuitivo, proposto pelo
binômio cuidar-educar”.
A infância é definida e conceituada como construção sociocultural cujos significados
regulam práticas sociais e educacionais frente às quais adultos e crianças interagem,
incorporando-as, negando-as e mesmo reinterpretando-as.
Salgado (2017) neste estudo apresenta os resultados de uma pesquisa, à luz dos
estudos culturais, que buscou compreender os significados que as crianças constroem sobre os
discursos da mídia e como estes se expressam em seus modos de ser, agir e se relacionar com
o outro em contextos educativos. A investigação, com caráter de intervenção, foi
desenvolvida em dois contextos: na Brinquedoteca da Universidade Federal de Mato Grosso,
em Rondonópolis, com uma turma de crianças da educação infantil; e na escola, com as
mesmas crianças e a professora da turma. O objetivo, foi discutir as experiências da infância
com a cultura midiática a partir dos significados que as crianças constroem sobre os signos da
mídia. Com este estudo foi possível compreender que as crianças se apropriam dos discursos
midiáticos, constroem valores, significam, ressignificam e constituem identidades na
sociedade contemporânea, marcada, visivelmente, pelas tecnologias e por produtos/objetos
com que nos deparamos no cotidiano.
O autor se utiliza da perspectiva da construção social, fundamentada na sociologia da
infância. É um estudo empírico, de natureza qualitativa, “os conceitos de dialogismo e
alteridade são assumidos como referenciais de análise, como são compreendidos e definidos
por Bakhtin (1992; 1998), tornam-se as bases fundamentais que sustentam a metodologia
desta investigação, que tem como foco de averiguação as crianças, assim como os discursos
produzidos a partir da relação com o outro – adulto ou outra criança. A pesquisa aconteceu
com uma turma de crianças pequenas, composta por 16 sujeitos, sendo onze meninas e cinco
meninos. Com eles desenvolvemos oficinas e contribuímos para a construção de algumas
cenas, obtendo como tema os assuntos trazidos à tona pelas próprias crianças. Tais cenas,
compreendidas, aqui, como episódios inusitados, surgidos no contexto da pesquisa, se tornam
119
pontos instigantes que trazemos para discussão. Durante meses, a observação permitiu
enriquecer o diário de campo, construída no desenvolvimento da pesquisa. As observações e
intervenção aconteceram em dois contextos distintos: na Brinquedoteca da Universidade
Federal de Mato Grosso, município de Rondonópolis, com uma turma de crianças da
educação infantil; e na escola municipal de Educação Infantil (EMEI), com as mesmas
crianças e a professora regente da turma. Com a proposta de pesquisa intervenção, buscamos
investigar as apropriações que as crianças fazem dos discursos midiáticos em suas
brincadeiras e como estas emergem nos diálogos que elas estabelecem entre si e nas
interações que estabelecem com os adultos (pesquisador e professora)”.
Como resultado deste estudo pode-se observar que, o consumo, fatores de ordem
econômica e questões ligadas à beleza e estética, na infância, estão fortemente presente em
seus modos de ser, em seus discursos e brincadeiras. Esses fenômenos são valorizados pelas
crianças, elas os discutem e participam dos processos de constituição de suas identidades.
“Durante a pesquisa nos relacionamos o tempo todo, com crianças que conhecem as
inovações lançadas pelo mercado e indústria tecnológica, para as quais o medo e o receio de
manusear um objeto eletrônico estão longe de fazerem parte de suas vidas. Nesse sentido, não
destacamos que a mídia e as tecnologias atuam como vilãs, mas como elementos
protagonistas que se fazem presentes nas relações e subjetividades das crianças no
contemporâneo”.
O conceito/termo abordado é Infância. É discutida a Construção de significados pelas
crianças a partir de conteúdos midiáticos. (PROUT (2010), que utiliza o termo “nova
sociologia da infância” em referência a um leque de trabalhos que conceituam as crianças
como atores sociais e a infância como entidade/instituição construída socialmente). “A
constituição da infância na contemporaneidade tem caráter histórico, em que as “identidades
flutuam no ar”, conforme destaca Bauman (2005)”.
No estudo de Salgado (2016) a infância é abordada como viés para pôr em discussão o
tempo cronológico, demarcado por uma linearidade ordenada pelo progresso e pela
racionalidade. Conjugando escritos poéticos de Mario Quintana com os diálogos e os mapas
vivenciais das crianças em uma escola, este estudo teve como objetivo discutir como tempos e
espaços repercutem na construção da infância e nos processos educativos de crianças, no
sentido de problematizar as dimensões calculadas e previsíveis que essas categorias assumem
nesse contexto social. Buscou-se, assim, dar visibilidade ao tempo do inusitado nas
experiências das crianças, na escola, ao destacar como, nesse espaço, elas operam rupturas
com a temporalidade contínua, progressiva e linear.
120
“Entretecida com os sentidos dos espaços vividos por crianças na escola está a
sensibilidade do poeta Mario Quintana, conjugada às reflexões de autores, como: Agamben
(2005), sobre os embates entre khronos e kairos; Elias (1998), sobre o tempo em sua
dimensão simbólica; Benjamin (1985), sobre o conceito de história como contrapartida à
noção de progresso; Lloret (1998), sobre as idades da vida e como estas participam do
processo de constituição identitária; e Arroyo (2008; 2009), sobre a relação entre tempo e
escola”.
O autor também se baseia também em estudos da Geografia da Infância, ancorados
numa perspectiva de infância como categoria social que se modifica nos diferentes espaços
que ocupa, os quais, para além de meros arranjos físicos, são lugares dotados de sentidos, que
surgem exatamente pelo vínculo que as crianças criam em suas relações de cooperação ou
conflito tecidas nessas espacialidades.
Este é um estudo empírico- “São trazidos cenários de duas pesquisas, em nível de
mestrado, com crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental, que se desenvolveram em
momentos distintos, mas na mesma escola da rede estadual de ensino da cidade de
Rondonópolis, Mato Grosso. A primeira pesquisa ocorreu no ano letivo de 2012, em uma
turma, com crianças de 8 a 9 anos e uma professora, do terceiro ano do Ensino Fundamental,
e a segunda, no ano letivo de 2014, em uma turma do quinto ano dessa mesma etapa da
Educação Básica, com crianças de 10 a 11 anos de idade. Em vez de pesquisar a criança com
o propósito de melhor conhecê-la, passa-se a pesquisar com a criança as experiências
socioculturais que ela compartilha com as pessoas de seu convívio. Além disso, as duas
pesquisas têm em comum as observações participantes das crianças no cotidiano da escola.
Entrevistas e questionários são, também, utilizados como estratégias metodológicas em ambas
as pesquisas. A primeira pesquisa, realizada em 2012, além das crianças, conta com a
participação da professora e das mães, posto que seu foco principal é compreender as
experiências de crianças e adultos com o universo midiático-tecnológico contemporâneo,
assumindo, assim, a perspectiva intergeracional como um importante eixo analítico e
metodológico. Por essa razão, as entrevistas e os questionários não se restringem às crianças,
sendo trabalhados, também, com a professora e com as mães. A segunda pesquisa, realizada
em 2014, tem como objetivo principal compreender os sentidos que as crianças atribuem aos
diversos espaços escolares, as apropriações e reconfigurações que fazem destes a partir de
suas relações com as mídias e as novas tecnologias. Nessa perspectiva, os mapas vivenciais se
apresentam como a mais importante estratégia metodológica. Esses mapas são procedimentos
que conjugam recursos visuais, sob a forma de representações cartográficas, com narrativas”.
121
Resultados: “Quando o processo ensino-aprendizagem se faz significativo para a
vivência das crianças, ele produz prazer e mobiliza transformações subjetivas, mas a rotina
pautada e orientada pela lógica tradicional afasta o prazer e o desejo pelo conhecimento,
assim como pelos lugares e tempos que representam o controle e a preparação para um futuro.
É na coexistência de saberes que aprendemos sobre o tempo. Passado, presente e futuro.
Infância, idade adulta, velhice. São conceitos e configurações que permeiam nossas
experiências humanas, entretecidas de instantes, memórias e encontros, construídos e
reconstruídos em retornos e rupturas, que quebram os ciclos e desfazem os fios da linha reta.
Cada experiência é única, ímpar, solitária e, ao mesmo tempo, coletiva. Buscamos dar
visibilidade a esse tempo na vida das crianças pelo viés da perspectiva infantil ao
percebermos que, nesse devir criança, há sempre rupturas com a temporalidade contínua,
progressiva e linear. Essa ideia parte do princípio de que a criança se constitui como um
sujeito que transcende ao que está posto e se liberta para o tempo do prazer, em uma fuga
permanente da padronização que a sociedade lhe impõe”.
Conceito: Infância. “A infância é abordada como viés para pôr em discussão o tempo
cronológico, demarcado por uma linearidade ordenada pelo progresso e pela racionalidade”.
Ainda na área dos estudos da infância Salgado (2014) objetivou com este estudo
discutir como crianças e professoras significam mutuamente suas experiências de infância. A
pesquisa situa-se no campo dos estudos da infância. “Grupos de discussão sobre diversas
experiências de infância, entre crianças e professoras de turmas de educação infantil,
realizados em uma brinquedoteca universitária, consistem em estratégias metodológicas.
Entre as professoras, há uma tendência em valorar as experiências atuais da infância como
dissonantes de um ideal que se perdeu no tempo. As crianças, por outro lado, trazem a
tecnologia e o consumo como marcas de suas experiências, questões que precisam ser
contempladas na agenda da educação contemporânea”.
Os estudos da infância se propõem a interrogar a sociedade a partir da infância, esta
entendida como categoria geracional em oposição à ideia de estado transitório para a vida
adulta e se pautam, no âmbito deste artigo, nas reflexões de Sarmento (2008) e Qvortrup
(2010). “Na esteira da sociologia da infância, campo de conhecimento no qual a criança é
vista como agente social e produtora de cultura (QVORTRUP, 2010), não há como entendê-la
como sujeito destituído de experiências”. É um estudo empírico. A pesquisa assume um
caráter de intervenção. O contexto da pesquisa é uma brinquedoteca universitária, localizada
no campus de Rondonópolis da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que vem
atendendo, desde 2008, escolas de educação infantil da rede pública desse município. Sendo
122
assim, desta pesquisa “participaram três turmas do segundo agrupamento da educação infantil,
compostas por crianças na faixa etária de 5 a 6 anos e suas respectivas professoras, com
idades entre 40 e 50 anos, que atuam no magistério há entre 13 e 20 anos e na educação
infantil entre 06 e 16 anos. Como uma das estratégias metodológicas, teve-se a realização de
grupos de discussão com as crianças e as professoras, organizados sob a forma de oficinas,
como forma de suscitar diálogos voltados para questões relacionadas a diversas experiências
de infância”.
Como resultados observa-se que, as crianças, com suas experiências atravessadas pelas
tecnologias e pelo consumo, têm desenhado imagens bem distintas da infância saudosa de
suas professoras: “crianças que, com os pés fincados no mundo da economia globalizada, das
relações sociais cada vez mais competitivas, não mais recorrem a entidades imaginárias para o
cumprimento do que desejam – elas escolhem, exigem, compram –; crianças ávidas por
informações e conhecimentos que rompem as fronteiras com o mundo adulto; crianças
demandantes, que não se resignam facilmente diante da impossibilidade de ter. Em se tratando
especificamente da educação infantil, já que a dimensão ética é um de seus eixos importantes,
faz-se indispensável compreender e intervir nos modos como as crianças têm pautado suas
relações com os outros, cada vez mais, inspiradas em valores regidos pela lógica do consumo
e da competitividade, que acarretam, em algumas situações, práticas discriminatórias e
excludentes”. Conceito/termo: Infância. O estudo discute como crianças e professoras
significam mutuamente suas experiências de infância.
No estudo de Salgado (2017) é proposta uma problematização da produção discursiva
da criança inocente, no campo da psicologia e da educação, pelo viés da critica feminista e
dos estudos da infância. Para tanto, assumiu-se como principais interrogantes o gênero e a
sexualidade como possibilidades de construir outros olhares sobre a infância ao nos
debruçarmos sobre as experiências, os conhecimentos e os sentidos que as crianças
compartilham em suas produções culturais lúdicas. “As cenas que trazemos à baila como
suportes de nossas reflexões advêm de pesquisas com crianças em instituições de Educação
Infantil, da rede pública municipal de ensino de Rondonópolis, Mato Grosso, Brasil,
desenvolvidas no âmbito do grupo de pesquisa “infância, juventude e cultura contemporânea”
(GEIJC). As principais questões que levantamos com os marcadores de gênero e sexualidade,
quando os levamos para o contexto escolar, são: (1) o lugar das crianças no direito de
expressarem seus gêneros e sexualidades nesse contexto; (2) a possibilidade de essas
expressões serem reconhecidas e terem existências despatologizadas e viáveis em contextos
de aprendizagem, bem como a sua desvinculação de valores moralistas e excludentes; e (3) a
123
possibilidade de reconhecimento, pela escola e pelas políticas cognitivas gestadas nesse
contexto, de trajetórias distintas das expressões de gênero e sexuais de crianças. Em suma,
nossas indagações vão ao sentido de problematizar a ideia de desenvolvimento como
progresso a um “deve ser” orientado pela linearidade e universalidade das expressões de
gênero e sexuais, que desemboca com força nos discursos pedagógicos por uma identidade
falocêntrica, masculinista, heteronormativa, binária e burguesa”.
A Perspectiva utilizada no estudo foi a perspectiva feminista e dos estudos da infância,
que assumem o gênero e a sexualidade como interrogantes que permitem construir outros
olhares sobre a infância. É um estudo empírico, realizado com crianças de uma turma da
Educação Infantil, entre cinco e seis anos de idade, de uma Unidade Municipal de Educação
Infantil (UMEI), da rede pública de ensino do município de Rondonópolis, que teve como
foco principal analisar as experiências lúdicas das crianças, como forma de compreender os
sentidos que elas constroem nas relações e nos grupos que compõem para brincar. A
observação participante das experiências lúdicas das crianças e os registros em diário de
campo consistiram nas principais estratégias metodológicas durante a pesquisa.
Os resultados expõem que, “a aproximação de crianças à sexualidade ainda é
proibitiva, mesmo com as contribuições da psicanálise freudiana que, apesar das críticas
binaristas e heteronormativa, inserem a sexualidade como algo que não deve ser negado na
vida das crianças. Estes distanciamentos entre crianças e sexualidades estão presentes também
nos feminismos, nos quais, em algumas perspectivas mais radicais, as discussões não
contemplam a menina ou a mulher adolescente. De maneira geral, em grande parte das
ciências humanas e sociais, sexo e gênero se distanciam dos marcadores etários em sua
produção, permanecendo a ideia de inocência da criança e a disfuncionalidade da
adolescência quando se trata destes temas. Em algumas de suas linhas, os feminismos são
predominantemente adultocêntricos, ou seja, excluem o marcador etário como parte da
interseccionalidade necessária para se pensar os gêneros e as sexualidades. A psicologia, lugar
de nossa enunciação, do mesmo modo, quando se ocupa da educação, se vincula às
considerações psicanalíticas – às trajetórias oral, anal, fálica e de latência -, que afirmam um
telos da sexualidade e dos gêneros, advindo do modelo patriarcal e heteronormativo”.
A infância é abordada a partir de discussões a cerca da produção discursiva da criança
inocente, no campo da psicologia e da educação, pelo viés da critica feminista e dos estudos
da infância. “A aura sagrada e secular da inocência em torno da infância mantém ainda, nos
dias de hoje, sua força nos discursos sociais de proteção, cuidado e educação das crianças.
Conjugado a essa aura de inocência está o discurso do desenvolvimento infantil, muito caro à
124
psicologia e à educação, que se esforça em descrever e caracterizar minuciosamente a infância
como uma “etapa da vida”, como forma de afirmar “verdades” sobre os sujeitos que vivem e
como “deve” vive-la”.
Salgado (2016) pontua que “o processo de produção do corpo busca uma perfeição
que se consagra com base em conceitos de beleza, saúde e felicidade”. Na perspectiva dos
estudos da infância, é analisado e discutido neste estudo como crianças entre 04 e 10 anos de
idade, de turmas da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, significam
seu próprio corpo e o do outro em suas relações e nas experiências que constroem. A análise
destaca como o corpo tem assumido relevância na produção cultural e lúdica das crianças ao
se apresentar como produto que se põe à mostra, admirado, apreciado, avaliado, rejeitado,
copiado e conquistado, alvo de artefatos e performances e, em algumas situações, de práticas
discriminatórias.
Na perspectiva dos estudos da infância, o corpo da criança apresenta-se não apenas
como um organismo ou “tábula rasa”, mas como entidade híbrida, atravessada por discursos,
produtos e artefatos culturais, que, ao se conectarem ao substrato biológico, nele intervêm e
transformam a natureza. Trata-se de um estudo empírico, O estudo traz cenários de pesquisas
com crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, que estão sendo
desenvolvidas desde 2005, no âmbito do Grupo de Pesquisa Infância, Juventude e Cultura
Contemporânea (GEIJC), em contextos distintos “A observação participante foi a principal
estratégia metodológica adotada, uma vez que investigamos as interações entre as crianças, a
composição de seus grupos sociais e de suas culturas lúdicas. Entretanto, as observações não
aconteceram distantes dos encontros e confrontos com as crianças, pois não nos privamos de
estabelecer interações com elas e, até mesmo, de propor e realizar algumas intervenções, das
quais crianças e professoras participaram”.
Como resultados se pontuam as seguintes inferências: “Imersas neste mercado
cultural, em que bens de consumo passam a ser aspectos indispensáveis para a constituição
identitária, estão, também, as crianças de nosso tempo, que, no fluxo acelerado de captura de
referências simbólicas, vão compondo o seu mosaico de identidades. Desse universo, as
crianças retiram os signos que as aproximam de ideais de beleza, sucesso, fama e poder, tão
perseguidos na esfera midiática e na cultura do consumo. Barrigas, bundas, pele, cabelos,
olhos vão deixando de ser partes de um corpo-carne para se transformarem em peças,
disponíveis em vitrines do mundo midiático, de um corpo que apela para ser fabricado e
modelado com o propósito de ser percebido, sentido e nomeado como belo. “As cenas das
crianças presentes nos diversos cenários de pesquisa no estudo apresentados nos mobilizam a
125
compreender que pedagogias culturais em torno de seus corpos estão sendo levadas a cabo
desde muito cedo em suas vidas”.
“Como nos alerta Giroux (1999), estamos diante de um forte desafio político e ético
no campo da educação de crianças, que precisa assumir a cultura popular como um importante
objeto de análise no currículo, de modo que crianças e jovens possam problematizar imagens
que se apresentam como a única realidade possível diante de seus olhos”.
Conceito/termo abordado: Infância. O estudo buscou compreender como determinadas
referências simbólicas, sobretudo as que circulam na mídia, são ressignificadas pelas crianças.
Finalizando os estudos sobre a sociologia da infância, Salgado (2013), discute as
experiências da infância na contemporaneidade numa perspectiva intergeracional. Crianças e
adultos participam de grupos de discussão voltados para questões relativas à infância em duas
situações distintas. Evidencia-se a participação das crianças em situações sociais, das quais
emergem outras experiências de infância. Porém, entre os adultos, aparece a perplexidade
diante da quebra de uma imagem tradicional da infância quando confrontada com
experiências e saberes manifestos pelas crianças.
Como principal fundamentação teórica, têm-se os estudos realizados no campo da
sociologia da infância, que permitem compreender as crianças como atores sociais, capazes de
interpretar e transformar a cultura com a qual interagem, bem como a infância como categoria
geracional socialmente constituída.
É um estudo empírico, “caracterizando-se por dois vieses: a compreensão da infância a
partir da alteridade estabelecida entre crianças e adultos – professoras e mães –; e a
intervenção por meio da criação de espaços de discussão sobre a infância contemporânea
junto às crianças e aos adultos. Para tanto, são realizados grupos de discussão, que se
materializam sob a forma de oficinas voltadas para questões relativas à infância e realizadas
em duas situações distintas. Uma delas é conduzida junto às professoras e às crianças, com
idades entre cinco e seis anos, de três turmas do segundo agrupamento da educação infantil,
de duas escolas da rede pública municipal de ensino de Rondonópolis, Mato Grosso, que
frequentam o Laboratório de Ludicidade “Profª. Drª. Soraiha Miranda de Lima”
(Brinquedoteca), da Universidade Federal de Mato Grosso, em Rondonópolis. A outra
situação transcorre em uma escola da rede pública estadual, na mesma cidade, em uma turma
do 3º ano do ensino fundamental, com crianças de oito anos, as mães e a professora dessa
turma. O principal objetivo dessas oficinas é suscitar uma discussão, entre as crianças e os
adultos, sobre os objetos culturais que hoje são compartilhados por esses sujeitos e suas
implicações nos modos como as experiências da infância contemporânea têm se configurado”.
126
Resultados: “Discutir a infância contemporânea, que dialoga, usa e domina os recursos
midiáticos e tecnológicos com autonomia, sob uma perspectiva intergeracional, é uma
tentativa de compreender os sentidos atribuídos à infância tanto por quem hoje a vive – as
crianças –, quanto por quem já a viveu – os adultos. As crianças violam as regras e os papéis
sociais instituídos, dando margem ao surgimento de novas possibilidades de relacionamento
capazes de romper fronteiras geracionais. Distantes e, ao mesmo tempo, tão próximos,
infância e idade adulta, de fato, compõem outra cartografia dos tempos de vida e das
experiências que os singularizam na contemporaneidade, atravessadas que são pelos discursos
da mídia, pelos usos das novas tecnologias e pelo consumo. Distantes porque, ainda que as
crianças cotidianamente atestem saberes, competências e valores que as autorizam ingressar e
habitar espaços tradicionalmente considerados como territórios adultos, as imagens
historicamente desenhadas da infância, como tempo da inocência e da preparação para o
futuro, ainda se impõem nos discursos e nas práticas dos adultos”.
“O foco deste estudo foi discutir as experiências da infância na contemporaneidade
numa perspectiva intergeracional. É na relação entre crianças e adultos, afirma Mayall (2003),
que o conceito de infância se define e redefine, assim como o conceito de vida adulta”.
5.2.2.2. O pressuposto Cognitivo-comportamental:
Weber (2016) no estudo a seguir propôs uma interpretação analítico-comportamental
de construtos da Psicologia do Desenvolvimento referentes ao comportamento parental e de
suas relações com características do desenvolvimento de bebês, crianças na fase pré-escolar e
escolar, e adolescente. “O conceito de responsividade sensível foi articulado ao conceito de
contingência tríplice e às noções de efeito de prazer e de efeito de fortalecimento das
contingências de reforçamento. Os problemas de comportamento de pré-escolares e escolares
e suas relações com os cuidados parentais foram discutidos, enfatizando a análise das funções
das queixas comportamentais infantis, que pode ser beneficiada pela adoção do conceito de
habilidades sociais educativas parentais. A tipologia dos estilos parentais foi interpretada em
uma perspectiva behaviorista, considerando os padrões comportamentais característicos de
cada estilo e seu impacto sobre o desenvolvimento de adolescentes. A sensibilidade dos pais
às contingências vigentes na interação pais-filhos parece destacar-se como um aspecto crucial
nas três etapas do desenvolvimento examinadas”.
O estudo parte de uma perspectiva analítico-comportamental. Onde foi feita uma
análise experimental do Comportamento e pressupostos epistemológicos do Behaviorismo
127
Radical. Psicologia do desenvolvimento. É um estudo teórico, onde foi feita uma análise de
pesquisas acerca do desenvolvimento socioemocional na infância e adolescência.
Como resultados observa-se que o comportamento da criança ou do adolescente deve
constituir de forma consistente a estimulação antecedente para o comportamento de cuidado
dos pais. Parece fundamental que o comportamento dos filhos seja, de fato, uma fonte de
estímulos antecedentes e consequentes que controla operantes discriminados dos pais. Quando
o comportamento da criança efetivamente exerce controle, ou seja, quando os pais de fato são
sensíveis e reagem ao que vêem, sentem ou ouvem dos filhos, se tornam capazes de detectar
necessidades reais de auxílio sinalizadas pela criança ou adolescente, bem como pistas de que
ele já é capaz de se comportar de forma autônoma, prescindindo de qualquer intervenção
parental.
Como conceitos abordados neste estudo têm-se o termo infância. São discutidas
questões referentes ao desenvolvimento comportamental na infância. Discutem-se também
possíveis características comuns do comportamento parental ao longo da infância e da
adolescência, que favoreçam o desenvolvimento socioemocional infantil.
5.2.2.3. Psicologia do Desenvolvimento:
Weber (2014) visou, em seu estudo, compreender as relações entre o sobrepeso e a
obesidade de crianças e adolescentes, com os estilos parentais e as práticas de alimentação
infantil percebidos. “Participaram da pesquisa 139 crianças, de 5ª e 6ª série, que responderam
às escalas de verificação das práticas de alimentação infantil (MUSHER-EIZENMAN &
HOLUB, 2007) e de exigência e responsividade (LAMBORN, MOUNTS, STEINBERG &
DORNBUSCH 1991)”. Foram verificados o peso e a altura das crianças para o cálculo do
índice de massa corporal, e os resultados indicaram que crianças com peso dentro da
normalidade tenderam a perceber seu pai com estilo autoritativo e sua mãe com estilo
negligente ou autoritativo. Tanto pais quanto mães autoritativos são os que apresentam
melhores escores na escala de práticas de alimentação com seus filhos. Assim, concluiu-se
que a obesidade está ligada ao modo que os pais educam e alimentam os seus filhos.
Perspectiva teórica abordada foi a teoria de Baumrind (1966). Apresenta os estilos
parentais: permissivo, autoritário e autoritativo. Maccoby e Martin (1983) reorganizaram as
dimensões
de
Baumrind
em
duas:
exigência
(demandingness)
e
responsividade
(responsiveness). “O termo responsividade refere-se a atitudes compreensivas, amorosas e de
envolvimento dos pais com seus filhos e o termo exigência refere-se ao estabelecimento e
128
cumprimento de regras (MACCOBY & MARTIN, 1983), e a partir desse modelo o estilo
parental permissivo foi dividido em indulgente e negligente (MACCOBY & MARTIN,
1983)”. Trata-se de um estudo empírico. “Os participantes deste estudo foram selecionados
em uma amostra por conveniência, em uma cidade do interior do Paraná, em um total de 139
alunos matriculados na 5ª e 6ª série do ensino fundamental. As turmas foram selecionadas
visando estudantes com idade próxima de 12 anos. A pesquisa foi realizada em duas escolas
públicas: a Escola Damasceno (nome fictício), da qual participaram 75 alunos e a Escola
Expedito (nome fictício), com a participação de 64 alunos. Os alunos tinham idade entre 10 e
14 (idade média=11,45, desvio-padrão=1,06), sendo 64% do sexo feminino (n=87) e 36%
(n=50) do sexo masculino. Os dados coletados foram analisados por meio do programa
Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 15. O nível de significância
utilizado foi p<0,001. As análises ocorreram por meio de medidas descritivas (médias,
medianas, percentagens, desvio-padrão etc.) e foram calculados escores totais por escala, bem
como os escores das suas subescalas. Para a análise de dados foram utilizados Anova, Quiquadrado e Teste t de Student. A consistência interna das escalas foi avaliada por meio do
coeficiente alfa de Cronbach”.
Como resultados observa-se que entre as tendências, verifica-se que “o maior
percentual de filhos com “peso normal” (69%) percebe seu pai como autoritativo. Entre as
crianças e adolescentes que percebem os pais como autoritativos, 23% têm sobrepeso ou
obesidade; para os pais autoritários esse percentual é de 26%, para os pais permissivos é de
29% e para os pais negligentes é de 31%. O maior percentual de crianças e adolescentes com
peso normal (78%) percebeu sua mãe como negligente. Somando os casos de sobrepeso e
obesidade, 15% das mães negligentes e das autoritativas apresentam filhos acima do peso;
para mães autoritárias o percentual é de 26% e para as mães permissivas é de 34%. Um
ambiente com baixo controle parental estaria associado a um maior risco de obesidade, em
função de os pais permitirem que seus filhos façam muitas escolhas em um ambiente que
pode conter alimentos não saudáveis (OLVERA & POWER, 2009; TOPHAM et al.,2010);
ademais, um ambiente rigoroso e carente de afetividade, também é associado com o aumento
da obesidade na infância (RHEE et al., 2006). Com base no estudo realizado percebeu-se que
não existe relação entre os estilos parentais e o IMC de crianças e adolescentes. Entretanto,
percebeu-se que os pais autoritativos tendem a ter mais filhos com peso normal (tendência
específica para a figura paterna)”.
O conceito termo abordado é a infância, onde se fizeram discussões de práticas
alimentares na infância. Pensando assim os riscos presentes na obesidade infantil.
129
Rodrigues (2015), partindo da inferência que a identificação da presença de
indicadores de ansiedade e estresse materno e a análise da relação entre estes fatores e o
desenvolvimento infantil possibilitam a implementação de programas de intervenção precoce
com a díade. “Buscou caracterizar os níveis de estresse e ansiedade maternos, no segundo mês
de vida do bebê e, correlacioná-los ao desenvolvimento do bebê no segundo e quarto mês.
Participaram do estudo 16 mães e seus bebês que frequentavam um serviço de
acompanhamento do desenvolvimento do bebê. Estas responderam a inventários para
avaliação de ansiedade e estresse e o desenvolvimento do bebê foi avaliado com o Inventário
Portage Operacionalizado. Em relação ao estresse, embora as diferenças entre os bebês de
mães com estresse e mães sem estresse não sejam significativas, as médias dos bebês de mães
com estresse foram maiores em quatro das cinco áreas de desenvolvimento avaliadas. Quanto
à ansiedade, as análises indicaram algumas diferenças significantes, com resultados mais
favoráveis ao desenvolvimento dos bebês de mães com ansiedade, o que requer maiores
investigações, sobretudo acerca da ansiedade situacional ou ainda, os efeitos em longo prazo”.
Os resultados sugeriram uma maior investigação da relação entre comportamentos
maternos de mães ansiosas e a estimulação de bebês.
A perspectiva teórica adotada é a Psicologia do desenvolvimento. Este estudo
empírico trata-se de uma análise descritiva e observacional, que integra as pesquisas
relacionadas ao Programa de Acompanhamento do bebê durante o primeiro ano de vida. “O
desenvolvimento dos bebês foi avaliado a partir do Inventário Portage Operacionalizado –
IPO (WILLIAMS; AIELLO, 2001) que propõe a avaliação infantil de 0 a 6 anos nas áreas de
socialização, desenvolvimento motor, cognição, linguagem e autocuidados. Em relação à
ansiedade, inicialmente optou-se por classificar as mães em razão do percentil, sendo: mães
sem ansiedade (Percentil até 49), mães com ansiedade moderada (Percentil 50 a 74) e mães
com alta ansiedade (Percentil 75 ou mais). Os dados foram analisados com o software
Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 22. Para a comparação de grupos
utilizou-se o Teste t para amostras independentes, as correlações foram realizadas com o
coeficiente de correlação de Spearman”.
Os resultados demonstram que em relação ao estresse, “embora as diferenças entre os
bebês de mães com estresse e mães sem estresse não sejam significativas, as médias dos bebês
de mães com estresse foram maiores em quatro das cinco áreas de desenvolvimento avaliadas.
Quanto à ansiedade, as análises indicaram algumas diferenças significantes, com resultados
mais favoráveis ao desenvolvimento dos bebês de mães com ansiedade, o que requer maiores
investigações, sobretudo acerca da ansiedade situacional ou ainda, os efeitos em longo prazo”.
130
Os resultados sugerem ainda a investigação da relação entre comportamentos
maternos de mães ansiosas e a estimulação de bebês. “Além de impactar diretamente a saúde
materna, altos níveis de estresse podem influenciar o desenvolvimento do bebê e o
estabelecimento de uma boa relação diádica, buscou-se comparar os níveis de estresse aos
dados obtidos acerca do desenvolvimento dos bebês, de acordo com o IPO, no segundo e
quarto mês de vida. Em especial as primíparas, pela falta de experiência em identificar as
necessidades do recém-nascido, muitas vezes realizam cuidados excessivos, elevando também
o seu nível de estresse e possivelmente, comprometendo sua saúde”.
Conceito/termo: Infantil. Foi realizada a caracterização dos níveis de estresse e
ansiedade maternos, no segundo mês de vida do bebê. Ou seja, estava em pauta o processo de
desenvolvimento infantil.
Rodrigues (2016) neste estudo apresenta um panorama geral sobre a exposição ao
chumbo, seus valores de referência, a exposição como fator de risco à saúde e a necessidade
de investimentos em políticas públicas de prevenção, bem como a possibilidade de atuação de
profissionais da Psicologia em relação a esse fenômeno e seus efeitos. “Destaca-se a
relevância da participação do psicólogo na equipe de saúde e na pesquisa, desenvolvendo
conhecimentos e estratégias de intervenção. O reconhecimento de que níveis de plumbemia
acima de 10 μg/dL em crianças podem causar alterações neurocomportamentais, tais como
déficits no desenvolvimento psicológico, hiperatividade, atrasos no desenvolvimento da
linguagem e cognição, aponta a relevância de políticas públicas de saúde junto a populações
que foram intoxicadas”. A psicologia do desenvolvimento norteia o estudo.
Este estudo teórico, por meio de analises de pesquisas nacionais e internacionais, traz
a reflexão sobre políticas públicas de prevenção, ressaltando que, ao atuar em uma questão
factual como a contaminação por chumbo, as autoridades competentes atenham-se à
necessidade de uma discussão de caráter político e econômico.
“A repercussão de incidentes ambientais, como a intoxicação por chumbo, deve
motivar a tomada de providências no âmbito da pesquisa e intervenção. Partindo do
pressuposto de que a contaminação por chumbo, em sua gravidade e impacto, é uma
retratação da degradação ambiental resultante do processo industrial, propostas de saúde e
políticas públicas são importantes para que a sociedade reflita sobre quais seriam as
estratégias de controle desses problemas na comunidade em questão, que tem seus alicerces
(trabalho, moradia, escola) construídos em uma região de risco”. São avaliados os níveis de
intoxicação infantil por exposição ao chumbo.
131
5.2.2.4. Psicanálise:
Gurski (2013) discute neste estudo a repercussão psíquica do dano orgânico na clínica
com sujeitos sindrômicos. Com base em fragmentos de atendimentos, desdobram-se pontos
importantes da direção da cura destes casos, dentre os quais, o estabelecimento do real, a
importância da concepção interdisciplinar e o trabalho de elaboração do luto. “A discussão
lança luzes sobre o lugar do psicanalista nesses tratamentos, enriquecendo o debate acerca da
ética psicanalítica na clinica com tais sujeitos”.
A Perspectiva teórica utilizada é a Psicanálise. É um estudo teórico, onde foi feita a
discussão, por meio de recortes de relatos de análises, das diferenças (síndromes crônicas) em
crianças.
Os resultados apresentam que “se faz necessário, tanto com o sujeito, quanto com os
pais, trabalhar o denominado de estabelecimento do real, ou seja, circunscrever os limites do
dano orgânico, a fim dos mesmos não se estenderem para além dos prejuízos efetivamente
produzidos pelo dano real e, simultaneamente, para que não se construam demandas
impossíveis na direção do sujeito. Costumamos denominar esta operação de um movimento
pendular entre, denegar a dimensão mórbida do problema buscando viabilizar um sujeito e
amparar os pais e o próprio paciente para não ficarem à espera de um milagre. Esta operação,
denominada pendular, muitas vezes, excede o campo da psicanálise, fazendo-se necessária a
busca de outros saberes e intervenções a partir do conceito de interdisciplina. “O analista não
deve se abster de lidar com a dimensão da “cura do que não se cura” (JERUSALINSKY,
1989), tão presente nesta clínica; dimensão, aliás, que se sustenta em algo muito importante
na formação analítica em geral e que está relacionado ao tema da ética psicanalítica, qual seja,
a possibilidade de lidar com aquilo que falha, com o que há de mais caro para o sujeito, a
falta”. Isso, também, como um modo de o analista não ser mais um a temer a dimensão
indecifrável do portador do dano orgânico, podendo acompanhá-lo, através de sua escuta, na
construção de um lugar desejante para si; isso sem precisar jogar o sujeito de algum “tipo” de
penhasco”.
A infância é o conceito trabalhado. As questões discutidas são a constituição subjetiva
desses sujeitos e a criança sindrômica. A eternização da infância do portador de dano
orgânico ou do sujeito sindrômico parece funcionar como uma estratégia de defesa em relação
ao luto não elaborado dos pais.
132
5.2.3. Aqueles que não explicitam pressuposto teórico:
1.
BATISTA, 2014;
2.
PINTO JUNIOR, 2017;
3.
DELL’AGLIO, 2013, 2015, 2016;
4.
VON HOHENDORFF, 2017;
5.
WEBER, 2013;
6.
VASCONCELOS, 2014;
7.
RODRIGUES, 2016, 2017;
8.
FREITAS, 2014;
9.
MARTINS, 2013, 2015, 2016;
10.
ENUMO, 2013, 2014, 2015, 2017.
Conforme estudo de Batista (2014) observa-se que diversos autores apontam a
importância da intervenção precoce como estratégia eficaz para a prevenção ou interrupção da
trajetória de problemas de comportamento. “Esse trabalho buscou realizar uma revisão de
literatura acerca de estudos sobre programas direcionados a problemas de comportamentos
exteriorizados em crianças e adolescentes. Os critérios para a seleção dos artigos foram:
textos completos; publicados no período de 2000 a 2011; nas bases de dados online Scielo,
Lilacs e Pepsic; sendo excluídos artigos médicos relacionados a outras temáticas e os
repetidos. Várias palavras-chave foram utilizadas para a seleção de artigos. Foram realizadas
a leitura e a análise dos 23 artigos completos selecionados que se referiam a estudos teóricos e
empíricos específicos acerca de programas direcionados a comportamentos exteriorizados em
crianças e adolescentes. Os resultados foram agrupados para análise de suas características
referentes a: 1) público-alvo; 2) comportamento-alvo abordado; 3) formas de intervenções
(individual ou em grupo); 4) foco quanto ao tipo de intervenção (prevenção ou tratamento); 5)
resultados e conclusões encontrados e 6) análise dos estudos acerca de teorias, delineamento e
funcionamento dos programas em si”.
O estudo enfatiza a importância da utilização de diversas formas de intervenção, sendo
cada uma necessária e eficaz podendo ser implementada a partir de contextos e problemas
específicos.
O estudo tem como método a revisão de literatura. Foram encontrados com o
Conceito/termo: Infância – Problemas de comportamento na infância e os seguintes
resultados: Foram encontrados 16 estudos empíricos e 07 estudos teóricos acerca de teorias,
133
delineamento e funcionamento dos programas em si. O estudo apresentou um panorama do
desenvolvimento de programas direcionados a problemas de comportamentos exteriorizados,
bem como sua avaliação, tanto em relação à eficácia e aos resultados para a população alvo
crianças e adolescentes, quanto no sentido de avaliação da metodologia e da implementação
de tais ações.
Pinto Junior (2017) neste estudo trabalha a questão do abuso sexual infantil,
Descrevendo a avaliação dos participantes de um projeto de extensão, visando à orientação
dos pais de alunos da 1ª Fase do Ensino Fundamental de 24 unidades de ensino de um
município do estado do Rio de Janeiro para a prevenção e combate do Abuso Sexual Infantil
(ASI), realizado no período de março a novembro de 2015. “Contabilizou-se a participação de
646 pais ou responsáveis. Após a apresentação de um vídeo instrucional, em cada encontro
foram discutidos os conceitos e caracterização do abuso sexual infantil, consequências,
indicadores comportamentais, formas de denúncia e prevenção desse fenômeno. Ao término
dos encontros, os participantes responderam a um questionário de avaliação em que deveriam
descrever os pontos positivos e negativos do trabalho realizado, além de propor sugestões
para os futuros encontros. Ao final do projeto procedeu-se à análise dos dados dos
questionários. Os resultados obtidos foram transferidos para um banco de dados elaborado no
Microsoft Excel 2007 e analisados através do programa Statistical Package for the Social
Sciences versão 20.0 (SPSS®), com análise descritiva dos dados, de levantamento de
frequência simples e relativa”.
Os resultados apontaram que a maioria dos participantes avaliou positivamente o
trabalho, destacando uma melhor compreensão sobre o fenômeno, a orientação de como
proceder com os casos, e como denunciar as suspeitas de abuso sexual infantil. Como
sugestões, os participantes destacaram a necessidade de estender esse trabalho para outras
instituições sociais.
A perspectiva teórica não foi especificada. O método se trata de um projeto de
extensão desenvolvido pelo Departamento de Psicologia do Instituto de Ciências Humanas e
Sociais da Universidade Federal Fluminense, no período de março a novembro de 2015.
Os resultados apontaram que “ao longo de março a novembro de 2015 foram
realizados 24 encontros em 24 unidades escolares (um encontro por escola), chegando-se ao
total de 646 participantes. Destes, 296 responderam ao questionário de avaliação. O combate
desse grave problema social não deve se resumir em uma ação pontual e isolada, mas
configurada como um programa contínuo que favoreça a articulação e o diálogo com outros
segmentos institucionais, objetivando a criação de uma rede que ofereça suporte e recursos
134
para prevenir e reduzir o índice de crianças abusadas em nossa sociedade. Os dados desse
trabalho de extensão universitária mostram que estratégias como essa desenvolvida nas
escolas municipais de Volta Redonda/RJ podem corrigir conceitos e ideias errôneas acerca do
ASI e da dinâmica da família incestogênica, favorecendo uma compreensão correta da
população sobre esse problema para poder preveni-lo de maneira eficaz, impedir sua
reprodução, ou mesmo nortear formas de notificação ou denúncia corretas dos casos”.
Infantil é o conceito que aparece é posto em perspectiva os conhecimentos relativos á
problemática do abuso sexual infantil que familiares de vítimas possam ter. Ou seja, foi
proposto a esse público encontros/reuniões que objetivaram o esclarecimento a cerca dos
processos de violação sexual infantil assim também como os modos de sua prevenção.
O estudo de Dell’Aglio (2015) objetivou avaliar o desenvolvimento da linguagem,
segundo o Teste de Triagem de Denver II, de crianças que frequentavam a educação infantil
em Belém e verificar fatores associados do desfecho com as características familiares,
ambientais e pessoais. O método trata-se de uma pesquisa transversal e de caráter descritivo
exploratório. “Foi aplicado um questionário aos genitores para coletar os dados pessoais,
contextuais e familiares e um instrumento para medição do nível de pobreza familiar”.
Não há perspectiva teórica especificada. Trata-se de um estudo transversal e de caráter
descritivo exploratório. “Foram avaliadas 319 crianças que frequentavam as UEI distritos
administrativos de Belém, no período de agosto a dezembro de 2012, sendo 56% (178) do
sexo masculino e 44% (141) do feminino, com idades de 36 a 48 meses. Foi utilizado o
processo de amostragem por conglomerado. A margem de erro do cálculo amostral ficou em
5% e o nível de confiança representa 95%. Foi aplicado um questionário aos genitores para
coletar os dados pessoais, contextuais e familiares e um instrumento para medição do nível de
pobreza familiar. Das 319 crianças avaliadas, 59,2% apresentaram resultado suspeito de
atraso na linguagem, sendo que 62,4% (111) eram meninos e 55,3% (78) meninas. As
variáveis que mostraram associação estatisticamente significante com o nível de
desenvolvimento da linguagem foram escolaridade paterna, idade materna e o nível de
pobreza urbana”.
Destacou-se a importância da implementação de programas de estimulação e
monitoramento sistemático, e da atenção para a interferência negativa dos fatores de risco
nesse processo. “Existem graves consequências que um ambiente socioeconômico
desfavorável ocasiona ao desenvolvimento infantil, e especial da linguagem. Ao serem
comparadas a seus pares economicamente mais privilegiados, as crianças em situação de
pobreza encaram disparidades que envolvem a família, à escola e comunidade que pertencem.
135
Por meio da análise e interpretação dos resultados foi possível averiguar alta prevalência de
suspeita de atraso na linguagem dos participantes. Ressalta-se que o TTDD-II é teste de
triagem, ou seja, que não realiza diagnóstico clínico”.
O conceito/termo utilizado foi infância. Onde se inferiu que na infância ocorre um
processo contínuo e progressivo de aquisições e habilidades.
No entanto, o processo
desenvolvimental não ocorre da mesma maneira para todas as crianças.
Dell’Aglio (2016) objetivou discutir criticamente estudos brasileiros sobre a temática
dos maus-tratos, buscando-se melhor compreender as características da violência perpetrada
contra crianças e adolescentes, assim como os desafios para sua notificação. “Embora a
legislação estabeleça a obrigatoriedade da proteção e garantia de direitos dessa população,
dados epidemiológicos indicam altos índices de maus-tratos contra crianças e adolescentes
brasileiros, especialmente relacionados à negligência e agressões físicas. Quanto às
dificuldades para a notificação, os resultados evidenciam o despreparo de profissionais,
receios de retaliação e desconhecimento do processo de notificação”.
Destaca-se a importância de investimentos em ações de prevenção à violência e de
capacitação de profissionais, bem como a necessidade de uma maior articulação da rede de
proteção.
Não apresenta uma teoria especifica. E trata-se de um estudo teórico/documental. Foi
feita a análise e discussão de pesquisas no contexto brasileiro referentes aos maus tratos a
crianças e adolescentes. Os aspectos metodológicos dos estudos são levados em consideração,
visto que as variadas formas de conceituar maus-tratos, as amostras e instrumentos utilizados,
bem como os diversificados aportes teóricos que embasam as discussões, dificultam uma
visão consensual sobre o fenômeno.
Como resultados o estudo aponta que “com a criação do ECA (Estatuto da Criança e
do Adolescente) se avançou muito em relação à proteção das crianças e adolescentes, também
ao considerar de forma mais integral o contexto no qual estes estão inseridos. Entretanto,
ainda que suas diretrizes apresentem ressalvas quanto a dificuldades econômicas, ainda é nas
famílias pobres que ocorre a grande maioria das notificações, sendo estas também as mais
sujeitas a sanções legais. Destaca-se que caberia aos profissionais que lidam com a população
de crianças e adolescentes uma maior reflexão acerca desse processo. A falta de confiança no
aparato estatal, aliado à falta de capacitação, faz com que a notificação não seja efetivada
(SILVA et al., 2009), uma vez que existe a descrença na resolutividade da situação. Bazon e
Faleiros (2013) situam as críticas ao sistema de proteção, aliadas ao medo de retaliações ou
consequências negativas para a criança, enquanto fatores que diminuem as chances da
136
notificação ocorrer. Por sua vez, Luna et al. (2010) ressaltam que o tempo de formação,
possuir pós-graduação, bem como saber para onde encaminhar as suspeitas, influenciam
significativamente na notificação. Se faz necessária a implementação de políticas de educação
e prevenção, com estratégias que possibilitem que cada vez menos casos necessitem de
intervenções e que, quando necessárias, sejam realizadas o mais precocemente possível”.
A autora considera o século XX como o século da infância, devido ao surgimento de
uma maior preocupação quanto aos direitos das crianças.
Dell’Aglio (2013) objetivou com esse estudo sistematizar evidências sobre a
influência do nível socioeconômico no desempenho em tarefas de funções executivas. “A
busca de artigos foi realizada nas bases ISI Web of Knowledge, Scopus, PsycINFO, Pubmed,
Science Direct, EBSCO e BVS-PSI, entre 2000 e 2011. Foram selecionados 19 artigos, com
base em critérios pré-estabelecidos. As características metodológicas dos estudos foram
analisadas quanto à presença de amostra representativa, critérios de inclusão, controle de
confundidores e tamanho de efeito. NSE influenciou o desempenho em FE em 17 estudos,
sendo que a magnitude das diferenças entre os grupos de NSE foi geralmente moderada e
fraca, de acordo com a função executiva e a idade”. Discute-se a relação entre variáveis
socioeconômicas e funções executivas na infância/adolescência, assim como a relevância de
estudos futuros com rigor metodológico.
A perspectiva teórica não foi especificada. É um estudo teórico. “Os resultados
demostraram que de 120 publicações encontradas nas buscas, 20 artigos foram selecionados a
partir das bases de dados. A influência do NSE nas FE foi verificada em crianças, em crianças
e adolescentes, e em adultos, totalizando 20 artigos. Destes, o único estudo com adultos foi
excluído da presente revisão, uma vez que não haveria dados comparativos, resultando em um
total de 19 artigos. Os artigos foram oriundos da América do Norte (9), América do Sul (3),
Reino Unido (3), Ásia (1), Europa (2) e África (1). A maioria possui delineamento transversal
(n=15), o que não permitiu evidenciar o aspecto desenvolvimental das FE”.
Em relação à frequência de publicações durante o período analisado, foi possível
visualizar a importância que o contexto econômico vem tomando no estudo das FE a partir de
2009, com maior número de publicações em 2010 e 2011. “Os indicadores de NSE avaliados
nos estudos foram principalmente escolaridade dos pais/escolaridade materna, renda familiar
e ocupação parental, de forma isolada ou combinada em índices. A renda familiar foi avaliada
diretamente pelo valor da remuneração mensal ou pelas necessidades de renda da família, que
é calculada pela divisão do valor da renda familiar pelo limiar de pobreza oficial do respectivo
país para o tamanho da família”.
137
Como esperado, a maioria das pesquisas sugere que um nível sócio econômico mais
elevado influencia positivamente no desempenho em medidas de funcionamento executivo,
enquanto condições socioeconômicas menos favoráveis estão associadas a mais dificuldades
nessas medidas. “Nenhum dos fatores, pré-natais, cuidado parental e estimulação cognitiva,
explica isoladamente a atuação do nível sócio econômico sobre o neurodesenvolvimento,
sendo possível que exista uma interação desses fatores e que alguns deles afetem mais
especificamente algumas funções cognitivas do que outras que ainda precisa ser investigado”.
É avaliado o desenvolvimento neuropsicológico por meio do nível sócio econômico
(NSE) familiar, e suas influências no funcionamento das funções executivas (FE) na infância.
Segundo Von Hohendorff (2017), estudos sobre violência sexual contra crianças e
adolescentes geralmente recorrem aos serviços da rede de atendimento para a coleta de dados,
e a formação de parcerias para a coleta de dados requer cuidadosa consideração aos preceitos
éticos. “Este estudo objetivou apresentar e avaliar o processo de construção de uma parceria
entre pesquisadores e serviços na execução de uma pesquisa sobre violência sexual contra
meninos. As parcerias foram avaliadas por meio de entrevistas realizadas com cinco
psicólogos dos serviços parceiros, que foram analisadas qualitativamente. Os resultados
indicaram a adequação do processo de construção das parcerias, bem como possíveis ajustes.
O desejo em estabelecer parcerias de longa duração foi relatado pelos psicólogos
participantes”.
Teoria não especificada. Estudo empírico. “Participaram do estudo cinco psicólogos
da rede de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual de cinco cidades
do Rio Grande do Sul. O número de participantes (5) foi igual ao de psicólogos dos serviços
parceiros, os quais foram escolhidos por conveniência. Os psicólogos tinham entre 30 e 51
anos, quatro do sexo feminino e um do sexo masculino. Dois psicólogos possuíam
especializações (uma psicóloga possuía especialização em Psicologia Jurídica e em Terapia
Familiar e de Casal e outra em Dependência Química e Promoção de Saúde e em Gestão de
Organização Pública em Saúde). Quatro trabalhavam em Centros de Referência Especializado
de Assistência Social (CREAS) e uma em um serviço municipal (i.e., Equipe Especializada
em Saúde da Criança e do Adolescente). A experiência no atendimento de crianças e
adolescentes vítimas de violência sexual variou entre dois e 13 anos. Foi utilizado um roteiro
de entrevista para avaliação da parceria, dividido em três blocos de perguntas: 1. Avaliação
geral, 2. Etapas da parceria, 3. Parcerias futuras. A duração média das entrevistas foi de 28
minutos. As entrevistas foram analisadas com o uso do software NVivo 10. A análise foi
dividida em etapas, baseada na proposta de análise temática (BRAUN & CLARKE, 2006): (1)
138
familiarização com o material por meio da transcrição dos áudios das entrevistas e leituras
subsequentes acompanhadas de anotações sobre o conteúdo; (2) identificação e seleção de
estratos (i.e., trechos específicos das transcrições) mediante homogeneidade do conteúdo; (3)
revisão dos estratos de acordo com a opinião expressa pelos profissionais sobre cada etapa da
parceria; (4) revisão dos estratos com as opiniões dos profissionais referentes à cada etapa da
parceria; (5) redação dos resultados”.
Como resultados observa-se a formalização de parcerias com cinco serviços, sendo
esses de municípios distintos. Dois serviços não foram incluídos por não realizarem
entrevistas com vítimas de violência sexual. Foi discutida com cada serviço a realização de
um curso de extensão, no qual o tema da pesquisa seria abordado.
Os profissionais relataram tanto aspectos específicos da parceria estabelecida quanto
de parcerias em geral. “Especificamente em relação à parceria estabelecida, foi mencionada a
necessidade de maior aproximação do pesquisador e que nada precisaria ser mudado
(“Mudaria algo? Não! Quem sou eu, né” – PC). Em relação às parcerias em geral, os
profissionais citaram o caráter utilitarista de algumas parcerias (“A gente meio que se sente
assim meio sugado às vezes, sabe? É meio que eu quero essa informaçãozinha, agora vou lá” AP), o encastelamento da academia (“A academia se encastela muito, entendeu? [...] Eu acho
que a gente tem que desencastelar. E eu acho que também não é uma coisa... Nunca é, né... só
da academia. Sempre tem outro lado também”- AP) e a necessidade de parcerias prolongadas
em detrimento de parcerias restritas a um projeto de pesquisa”. O estudo abordou o conceito
de violência sexual infantil, especificamente em crianças do sexo masculino.
Weber (2013) em seu estudo buscou verificar a prevalência de sobrepeso e obesidade
em escolares de 5ª e 6ª série em duas escolas públicas e a utilização de práticas de prevenção
e controle do sobrepeso e obesidade infantil. Para isso, “foram verificados o peso e a altura
das crianças para o cálculo do índice de massa corporal e também foi realizada uma entrevista
semiestruturada, com base na literatura, com o diretor de cada escola. Os resultados
apontaram que 13% das crianças estão com sobrepeso e 5%, com obesidade. Quanto às
escolas possuírem ou não medidas para o controle do sobrepeso e obesidade infantil,
constatou-se que nenhuma delas possui diretamente meios para o controle desse fenômeno”.
É sinalizada a importância para a inclusão de políticas públicas voltadas ao controle
do excesso de peso das crianças. Sendo que a construção de hortas e pomares de frutas e a
realização de palestras informativas para professores se mostra uma alternativa possível, para
pais e crianças, considerando a infância um dos melhores momentos para a prevenção e
obtenção de resultados positivos para o controle da obesidade.
139
A perspectiva teórica não está especificada. Trata-se de um estudo empírico. “Após o
consentimento dos pais, foi verificado o peso e a altura de cada criança. Para isso, em um
ambiente reservado, foram utilizadas uma balança e uma fita métrica. Em seguida, a
pesquisadora realizou a entrevista com o diretor de cada escola participante, sendo que cada
entrevista totalizou em média 20 minutos. Os resultados deste estudo apontaram ainda que
calculando o IMC das crianças de acordo com a escola que frequenta, observou-se que não
apresenta relação estatisticamente significativa, sendo a prevalência de obesidade para escola
1 de 3% e para a escola 2, de 7%. Para a análise qualitativa das escolas participantes foram
escritas as perguntas e em seguida a análise das respostas dadas pelos diretores. A questão 1
que foi perguntada às diretoras era: “Você ouviu falar nos últimos tempos sobre o tema:
obesidade na infância?”, dividida em duas categorias: ouvir falar ou não ouvir falar sobre
esse tema; as duas diretoras afirmaram ter ouvido falar sobre esse tema. A questão 2, “A
escola possui alguma medida no controle da obesidade?”, dividida em duas categorias:
possuir ou não possuir alguma medida no controle da obesidade, mostrou que nenhuma das
escolas tem alguma medida para esse tipo de controle. Em relação à atividade física, a questão
3 consistiu em descrever: “Como são as aulas de educação física?”, e as duas diretoras
descreveram como sendo a maioria prática. A questão 4 era: “Quantas aulas de educação
física os alunos têm na semana? “E as duas diretoras responderam que as crianças têm três
aulas por semana. A questão 5 era sobre se “A escola tem algum projeto de incentivo à
atividade física?. “A diretora da escola 1 (Escola DC) demonstrou vontade de ter esse tipo de
atividade”.
Observou-se que as escolas não possuíam nenhum programa dedicado especialmente à
questão do sobrepeso e da obesidade. O conceito abordado trata-se da obesidade na infância.
“A literatura é vasta no número de pesquisas que têm como objetivo verificar a prevalência de
sobrepeso e obesidade infantil”.
Vasconcelos (2014) pretendeu analisar, neste estudo, a relação entre função apoio
institucional e humanização, valendo-se da experiência realizada no Plano de Qualificação de
Maternidades (PQM), para o qual a contribuição da Política Nacional de Humanização
centrou-se justamente no objetivo de desenhar a função apoio institucional. Tendo por base o
entendimento de que, para mudar o modelo de atenção e de gestão ao parto e nascimento, é
preciso interferir em práticas de saúde ‘desumanizadoras’, no PQM o apoio institucional se
constituiu como fio condutor, cujo escopo foi o de, por meio da criação de espaços coletivos
de análise e interferência nas práticas, tecer uma rede coletiva de produção de saúde materna e
infantil.
140
Não há especificação da teoria. Trata-se de um estudo teórico. Foi realizada a
apresentação e discussão das práticas caracterizadas como desumanizadas no contexto da
atenção na rede SUS e caracterização e defesa de práticas sobre a base da PNH (Política
Nacional de Humanização).
Como resultados percebe-se que mediante “a operação da função apoio institucional,
colocam-se em análise as relações estabelecidas entre os sujeitos e suas práticas; levantam-se,
coletivamente, situações que possam funcionar como analisadoras do processo de trabalho,
indicando problemas e possibilidades de enfrentamentos; buscam-se situações-analisadoras
que tragam consigo a possibilidade de desestabilizar práticas ‘desumanas’ naturalizadas no
cotidiano de trabalho em saúde. Sendo assim, no PQM, o apoio institucional atuou
perturbando tendências tecnocráticas de se lidar com os eventos que envolvem o entorno da
gravidez, do parto e do nascimento”.
Conceito/termo empregado no estudo: Infantil. Foram discutidas as questões da saúde
infantil, do acompanhamento de bebês e suas mães, da humanização de práticas perinatais e
do cuidado materno e infantil.
“Indicadores emocionais maternos como a ansiedade têm sido considerados como
condições de adversidade ao desenvolvimento infantil”, Rodrigues (2017). Neste estudo
foram observadas peculiaridades e uma diversidade de achados em relação a problemas de
comportamento e a outros distúrbios debilitantes em crianças ao longo do ciclo vital. O
presente estudo objetivou identificar e associar indicadores clínicos para a ansiedade materna
com os indicadores de problemas de comportamento internalizantes e externalizantes de 83
crianças com fissura labiopalatina, com idade entre três e cinco anos. “Os instrumentos
utilizados foram, protocolo de entrevista, Idate e CBCL. Os resultados apontaram que as
crianças que convivem com mães com indicadores clínicos para ansiedade apresentaram
prevalência de comportamentos internalizantes e externalizantes. Para os meninos (37,5%)
seriam identificados mais problemas de comportamento externalizantes enquanto que para as
meninas (60,0%), mais problemas de comportamento internalizantes. Das mães identificadas
com ansiedade avaliaram suas crianças como clínicas em problemas externalizantes”.
Considera-se que as informações acima referidas podem contribuir para o
planejamento de ações preventivas e interventivas, de modo a favorecer o suporte psicológico
para as mães que apresentam indicadores clínicos para ansiedade, assim como propor medidas
para os problemas comportamentais das crianças que convivem com mães ansiosas. Não foi
especificada nenhuma perspectiva teórica.
141
Trata-se de um estudo empírico. “Sendo a ansiedade avaliada em termos de Traço e
Estado, os resultados apresentam que das 83 mães avaliadas, 25,3% apresentaram Ansiedade
Traço Clínica e 15,7% Ansiedade Estado Clínica. Das 13 mães avaliadas com A-Estado, oito
(61,5%) delas avaliaram seus filhos com indicadores clínicos para problemas de
comportamento externalizante, 11 (84,6%) para total de problema e 11 (84,6%) com déficit de
atenção e hiperatividade e das 70 mães com A-Estado controlada, 18 (25,7%) avaliaram seus
filhos com problema externalizante, 28 (40%) com total de problema e 30 (42,9%) com
déficit de atenção e hiperatividade. Estes resultados indicam que a ansiedade materna pode
trazer problemas comportamentais especificamente do tipo externalizante para as crianças
com fissura labiopalatina, uma vez que os dados mostraram associações significativas para
déficit de atenção e hiperatividade, problemas de conduta e problemas de desenvolvimento.
Podemos destacar que os indicativos clínicos para a ansiedade é um fator de risco para o
desenvolvimento de problemas comportamentais externalizantes nas crianças com fissura
labiopalatina, sendo a A-Estado para os problemas totais e déficit de atenção e hiperatividade,
enquanto que a A-Traço para os problemas totais, problemas de desenvolvimento, déficit de
atenção e hiperatividade e problemas de conduta”.
O conceito/termo é o infantil. Foram avaliadas as condições de adversidade ao
desenvolvimento infantil. E consequentemente seu comportamento.
“Apesar do incentivo da Organização Mundial da Saúde para garantir a amamentação,
há contraindicações que podem torná-la temporária ou inviável”, Rodrigues (2016).
Considerando-se então os esforços dos órgãos públicos brasileiros para atendimento desta
meta, buscou-se no presente estudo: analisar em documentos oficiais do Ministério da Saúde e
secretarias estaduais do Brasil, informações importantes sobre o aleitamento natural e
artificial; identificar em que medida os documentos disponíveis apresentam informações a
mães que amamentam e mães que oferecem aleitamento artificial. “Selecionou-se onze
manuais nacionais e oito estaduais, publicados de 2007 a 2013, a partir dos endereços
eletrônicos das secretarias de saúde, nacionais e estaduais do Brasil. A maioria dos estados
referendou os documentos já disponíveis no Ministério da Saúde. Em todos houve grande
enfoque quanto aos benefícios da amamentação exclusiva até o sexto mês de vida”.
Outras informações atenderam também ao critério de alimentação complementar,
atendimento à mãe por profissionais da saúde, divulgação de programas em prol da
amamentação, direitos das mães e características culturais e étnicas. As informações sobre
aleitamento artificiais limitaram-se ao relato de contraindicações para o mesmo.
142
Não foi identificada nenhuma perspectiva teórica. Trata-se de um estudo teórico. Onde
foi feita uma análise documental. “Os resultados demonstraram que sobre a quantidade a ser
oferecida em regime de aleitamento artificial, o tema foi pouco abordado, apareceu em apenas
um dos manuais nacionais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013b). A frequência de oferta do
aleitamento materno foi abordada pela maioria dos manuais, apontando, sobretudo para a
oferta em demanda livre, respeitando-se o ritmo e necessidade de cada bebê (MINISTÉRIO
DA SAÚDE, 2009, 2010a; Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, 2012; Secretaria
Estadual de Saúde do Mato Grosso do Sul, 2007a, 2007b, 2007c, 2007d). Já a frequência do
aleitamento artificial foi abordada por apenas um manual nacional (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2013b). Os cuidados de higiene foram mais detalhadamente explicados no manual
do Ministério da Saúde (2012a). Os demais manuais nacionais abordaram o tema ao discutir
sobre o cuidado das mamas, principalmente durante as atividades de ordenha e
armazenamento de leite materno para pasteurização. A alimentação complementar foi
abordada parcialmente nos manuais nacionais. Nos estaduais, foi destacada em Minas e no
Mato Grosso do Sul. As citações relativas ao leite materno indicaram a introdução de
alimentos após o sexto mês de aleitamento materno exclusivo como importante medida para
nutrição e saúde infantil (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009, 2010a, 2010b; SECRETARIA
ESTADUAL DE SAÚDE DE MINAS GERAIS, 2012; SECRETARIA ESTADUAL DE
SAÚDE DO MATO GROSSO DO SUL, 2007a, 2007b, 2007c), corroborando os estudos de
Thakur et al. (2015) e as orientações de Opas (2013). “Também estiveram presentes as
contraindicações à amamentação e os serviços de apoio à mãe que amamenta, principalmente
dos bancos de leite, salientando a importância da formação da equipe técnica no
acompanhamento da mãe-nutriz (DAVANZO ET AL., 2014; SANTIAGO, 2013)”.
Conceito/termo: Infantil. Tratou-se do aleitamento infantil. Foi abordada a
amamentação como processo importante no desenvolvimento do bebê.
Rodrigues (2017) objetivou identificar, com este estudo, problemas de comportamento
de 83 crianças com fissura labiopalatina e testar a correlação entre esses problemas e as
variáveis, sexo, idade e tipo de fissura. “Os instrumentos utilizados foram: Protocolo de
Entrevista e o CBCL. Procedeu-se a análise descritiva dos dados utilizando medidas de
frequência e porcentagem e, para as associações, foi realizado o Teste Estatístico do Quiquadrado. Os resultados mostraram maior frequência de problemas de comportamento
externalizantes em meninos. Verificou-se porcentagem maior de problemas internalizantes
(62,2%) e problemas totais (46,7%) em crianças mais velhas. Quanto à relação entre tipo de
fissura e problemas comportamentais pode-se constatar a prevalência de comportamentos
143
internalizantes, independentemente do tipo. Considerando o perfil comportamental que
compõem as escalas internalizantes e externalizantes, foi observada uma associação entre
sexo e comportamento agressivo, com destaque para os meninos; idade e comportamento
agressivo, com destaque para 3 a 4 anos e 3 meses e, tipo de fissura pré-forame e transforame
e comportamento internalizante, com destaque para os problemas de ansiedade/depressão
(50% e 27,1% respectivamente)”.
Considera-se que estes resultados podem contribuir para o planejamento de ações
preventivas e interventivas, visto que os comportamentos internalizantes e externalizantes
reduzem as oportunidades de interações adequadas e, consequentemente, de desenvolvimento
social.
Não há especificação da perspectiva teórica utilizada. Este é um estudo empírico. “Os
resultados mostraram maior frequência de problemas de comportamento externalizantes em
meninos. Verificou-se porcentagem maior de problemas internalizantes (62,2%) e problemas
totais (46,7%) em crianças mais velhas. Quanto à relação entre tipo de fissura e problemas
comportamentais pode-se constatar a prevalência de comportamentos internalizantes,
independentemente do tipo. Considerando o perfil comportamental que compõem as escalas
internalizantes e externalizantes, foi observada uma associação entre sexo e comportamento
agressivo, com destaque para os meninos; idade e comportamento agressivo, com destaque
para 3 a 04 anos e 03 meses e, tipo de fissura pré-forame e transforame e comportamento
internalizante, com destaque para os problemas de ansiedade/depressão (50% e 27,1%
respectivamente). Os dados mostram que não há, para a população estudada, associação
significativa entre idade e as dimensões do DSM avaliadas pelo CBCL. Observou-se
porcentagem maior de problemas externalizantes e problemas de comportamento totais para
os meninos. De maneira geral, tais dados são compatíveis com a literatura quando revela
maior frequência de comportamentos externalizantes entre os meninos e internalizantes entre
as meninas, também independente da existência da fissura (BLATT-EISENGART et al.,
2009; LOOSLI & LOUREIRO, 2010; NOPOULOS et al., 2010). Os resultados do presente
estudo não revelaram correlações significativas entre as dimensões do DSM avaliadas pelo
CBCL, as variáveis sociodemográficas da criança (sexo e idade) e o tipo de fissura. No
entanto, independentemente do sexo, idade e tipo de fissura, em torno de 30% das crianças
participantes apresentaram, segundo relato das mães, problemas de desenvolvimento, quando
comparadas às outras dimensões avaliadas”.
144
Foi verificado o comportamento infantil, ou seja, crianças com fissura labiopalatina
relacionadas a problemas de comportamento relacionados às variáveis, sexo, idade e tipo de
fissura.
Diante da inferência de que a saúde mental materna é apontada como um fator que
influencia diretamente a presença ou não de prejuízos sócioemocionais na vida da criança. E
uma vez que a depressão constitui o principal transtorno mental a atingir a população
feminina na idade reprodutiva, Freitas (2014), propôs com este estudo investigar a relação
entre depressão materna e problemas de comportamento em crianças de 7 a 11 anos.
“Participaram do estudo 21 pares de crianças-mães selecionadas de uma escola pública da
cidade de Santo Antônio de Jesus-BA. A idade média das crianças era de 8,09 anos (dp =
0,91) e das mães 28,17 anos (dp = 3,27), sendo que 51,7% das crianças eram do sexo
masculino. A depressão materna foi avaliada através do Inventário Beck de Depressão (IBD)
e os problemas de comportamento infantil foram avaliados através do Inventário de
Comportamentos da Infância e Adolescência (CBCL). Na análise dos dados foi utilizada
estatística descritiva e inferencial. Os resultados demonstram que a depressão materna explica
uma porcentagem de variação no CBCL de 30,2% a 31,3% para as subescalas, problemas de
socialização, problemas de pensamento e quebra de regras. Foram encontradas correlações
moderadas e significativas entre a depressão materna e problemas de socialização, problemas
de pensamento, quebra de regras e agressividade. Na comparação entre os grupos de crianças
de mães com depressão e mães saudáveis, apenas foram encontradas diferenças nas
subescalas problemas de pensamento e quebra de regras”.
A perspectiva teórica não foi especificada. Trata-se de um estudo empírico. “Os
resultados da avaliação da depressão materna revelam que, das 21 mães, 13 (61,9%)
apresentam um nível mínimo de sintomas, 03 (14,3%) sintomas leves e 05 (23,8%) sintomas
moderados para depressão, sendo que, ao todo, 5 mães estão acima do ponto de corte para
depressão. Quanto à presença ou não de problemas de comportamento nas 21 crianças
avaliadas, 14,2% (3) das crianças apresentam problemas de ansiedade-depressão, 14,2% (3)
retraimento, 9,5% (2) queixa somática, 9,5% (2) problemas de socialização, 23,8% (5)
problemas de pensamento, 4,7% (1) problemas de atenção, 9,5% (2) quebra de regras e 9,5%
(2) agressividade”.
Em suma os resultados demonstraram que a depressão materna influencia diretamente
no comportamento dos filhos, tanto nos comportamentos ditos internalizantes, como
externalizantes. Sendo encontradas significativas correlações entre a depressão materna e
problemas de socialização, problemas de pensamento, quebra de regras e agressividade. Na
145
comparação entre os grupos de crianças de mães com depressão e mães saudáveis, apenas
foram encontradas diferenças nas subescalas problemas de pensamento e quebra de regras.
Questões abordadas sobre o conceito: Problemas de comportamento infantil.
Segundo Martins (2016) as relações entre a educação e a medicina estão presentes
desde o início da revolução industrial, que precisava, para o seu desenvolvimento, de grandes
contingentes de pessoas com um mínimo de educação formal e em boas condições de saúde.
Diante disso o autor propôs, para uma melhor compreensão desse fenômeno, uma discussão
sobre a organização da medicina moderna, a qual teve, entre suas produções, a criação do
movimento higienista, segundo o qual, para o desenvolvimento do país, era necessário que as
famílias e suas crianças recebessem uma nova educação. “Decorrente desse movimento, a
partir da segunda metade do século XX, inicia-se o processo de identificação e tratamento de
doenças que prejudicariam a aprendizagem dos alunos. Essa busca de patologias indica que
estão sendo levadas para a área médica algumas questões educacionais, assim como ela pode
estar encobrindo as crianças que têm altas habilidades. Nessa perspectiva, este artigo tem por
objetivo avaliar as concepções de três profissionais de saúde que atendem a crianças
encaminhadas por escolas, de maneira a discutir as implicações dos resultados para a
educação”.
Constatou-se que crianças as quais apresentam condutas mais ativas, em determinadas
situações, ou são quietas e mesmo passivas, em outras, não devem ser caracterizadas como
patológicas e passíveis de medicalização, pois essas condições não são adequadamente
avaliadas na escola e nos consultórios médicos e/ou psicológicos. Tais procedimentos podem
ter erros e não permitir que crianças com capacidade elevada tenham oportunidades de se
manifestarem.
Este estudo não especifica a perspectiva teórica utilizada. Trata-se de um estudo
empírico. “Os dados foram obtidos através do estudo de caso realizado com três profissionais
do sexo feminino, da área da saúde, sendo duas médicas – que distinguiremos como
profissional (A) e profissional (B) – e uma psicóloga, descrita como profissional (C). Elas
estão com 40, 37 e 52 anos de idade, respectivamente. Junto com outros profissionais, elas
formam uma equipe multidisciplinar em um Ambulatório Regional de Especialidades (ARE)
em uma cidade do interior do estado de São Paulo com pouco mais de 400 mil habitantes”.
No que diz respeito ao TDAH, as profissionais afirmaram conhecimento do tema. Elas
caracterizaram o TDAH de forma similar, como aponta o relato da profissional B; “segundo
ela, a agitação psicomotora, a inquietação, a dificuldade de atenção e concentração são
características do TDAH. Entre as marcas específicas, as profissionais atribuíram à
146
característica de serem mais falante apenas ao TDAH, entretanto, de acordo com Guenther
(2012), crianças com dotação e talento as quais possuem capacidade verbal podem revelar tal
comportamento. O processo da medicalização, segundo Guarido (2010), nasce como uma
expressão da difusão do saber médico com o discurso comum. Serve ainda como confirmação
da suspeita de médicos e professores, na construção do diagnóstico sobre a criança vista como
incapaz de aprender, submetendo-a ao consumo de drogas psicotrópicas (GARRIDO;
MOYSÉS, 2010)”.
Os resultados mostram que, embora as profissionais afirmem que conhecem a
Dotação, o Talento e o TDAH, elas relacionam algumas características, como a inquietação e
a falta de atenção, como pertencendo somente ao TDAH. Crianças que apresentam condutas
mais ativas, em determinadas situações, ou são quietas e mesmo passivas, em outras, não
devem ser caracterizadas como patológicas e passíveis de medicalização, pois essas condições
não são adequadamente avaliadas na escola e nos consultórios médicos e/ou psicológicos.
A Discussão no estudo gira em torno da patologização e medicalização da infância. Os
cuidados pedagógicos no século XIX, no Brasil, refletiram as influências da medicina,
psicologia e outras áreas. “Esse olhar pedagógico buscava a homogeneização educacional,
através de uma higienização dos corpos (sic) das crianças, a qual deveria eliminar os possíveis
transtornos de aprendizagem, de modo que elas a pudessem aferirem de forma
verdadeiramente efetiva (GERALDI, 2013)”.
Martins (2013) investigou os juízos a respeito da virtude generosidade ou justiça de
professores da educação infantil e compará-los com os das crianças. “Foram entrevistados 26
professores e 90 crianças de 4, 5 e 6 anos de idade desse nível de ensino. O instrumento
utilizado foi um dilema moral em que a protagonista da história teria de optar entre dar um
prêmio para a criança que fez o desenho mais bonito (justiça) ou para a criança que estava
triste (generosidade). Os resultados indicaram que a justiça é a virtude mais valorizada pelas
professoras e que já é valorizada pelas crianças, podendo ser uma necessidade para elas. E a
generosidade é mais valorizada pelas crianças do que pelas professoras”.
A perspectiva teórica não foi especificada. Este é um estudo empírico.
Os
participantes da pesquisa foram alunos e professores da educação infantil de quatro escolas
municipais de uma cidade de médio porte do interior do Estado de São Paulo. “As crianças
eleitas foram aquelas que obtiveram a autorização de seus responsáveis para participar da
pesquisa e elas têm idades entre quatro e seis anos, com amostra de 90 crianças, 30 crianças
de cada idade, divididas igualmente por sexo (30 crianças de quatro anos, 15 meninas e 15
meninos; 30 crianças de cinco anos, 15 meninas e 15 meninos; e 30 crianças de seis anos, 15
147
meninas e 15 meninos). Os professores da pesquisa são todos aqueles que lecionam para as
quatro escolas selecionadas e que aceitaram participar da pesquisa, correspondendo ao
número de 26 participantes. A entrevista clínica piagetiana foi utilizada como método para a
coleta de dados (PIAGET, 1975, 1994; DELVAL, 2002)”. Como instrumento foi aplicada
uma história-estímulo no formato de dilema moral, para ambos os grupos, professores e
crianças, sendo que para as crianças foi necessária a construção de desenhos ilustrados. “A
história-estímulo foi construída com seu respectivo desenho ilustrado, um, com personagens
femininos, para as meninas e outro, com personagens masculinos, para os meninos”.
Os dados do estudo mostraram que a maioria das crianças sente compaixão pela
criança da história, pois mencionam que o sofrimento da criança que perdeu seu cachorrinho é
motivo para que a professora dê o prêmio a ela. “Acredita-se que a maioria das crianças
elegeu a generosidade do professor porque pode ser que elas ajam ainda por obediência à
autoridade, mas também, pode haver algo a mais que a coação na relação das crianças com o
professor, pois a criança pequena, em razão do realismo moral, ainda confunde o seu eu com
o eu dos mais velhos, mas já começa a perceber outras necessidades (PIAGET, 1932/1994).
Possivelmente, se poderia dizer que o sentimento de compaixão coexiste com a submissão à
autoridade nos julgamentos da maioria das crianças desta pesquisa. Segundo as imagens que
as crianças têm do professor, 77,8% acham que o professor dará o prêmio para quem fez o
desenho mais bonito e agirá com justiça e 22,2% acham que o professor dará o prêmio para a
menina que está chorando, por sentimento a ela, e agirá com generosidade. Em relação à
primeira questão do dilema, a maioria das professoras (84,6%) se baseia na justiça e, nesta
questão, 61,5% julgam que agiria segundo a justiça. Verifica-se que há mais professoras que
julgam os atos do protagonista (primeira questão) que professoras que julgam seus próprios
atos baseados na justiça. Provavelmente, essas professoras acham que agir segundo a justiça é
a forma ideal de conduzir as situações em sala de aula e, dessa forma, também julgam que
seus atos devem se basear pela justiça, mas em menor proporção. Houve concordância entre
as respostas das crianças e as das professoras em relação a dar o prêmio para quem ganhou o
concurso por merecimento”.
Foi realizada uma investigação dos juízos a respeito da virtude generosidade ou justiça
de professores da educação infantil em comparação com os das crianças.
“O comportamento agressivo de crianças pequenas preocupa muitos pais e
profissionais que atuam na educação infantil. Ações como chutar, empurrar, bater e agressões
verbais como gritar, xingar e discutir são observadas cada vez mais entre crianças. A
multiplicidade de fatores envolvidos na conduta agressiva aponta para uma diversidade de
148
teorias que abordam o tema”. Martins (2015) apresentou neste estudo considerações sobre as
principais formas de manifestação do comportamento agressivo em crianças e possíveis
intervenções que podem ser realizadas no contexto escolar. Para isso, foi realizada uma
pesquisa bibliográfica para seleção de artigos científicos e outros textos que constituem a
bibliografia consultada. Postula-se que a primeira infância é um período crítico quanto à
presença de problemas de comportamento, e intervenções mostram-se eficazes quando
planejados de acordo com as características da escola, dos profissionais envolvidos e das
famílias.
Perspectiva teórica não especificada. Trata-se de um estudo teórico. “A pesquisa
bibliográfica realizada na página eletrônica Scielo aconteceu entre os meses de dezembro de
2014 a janeiro de 2015, e as palavras chave usadas na busca foram agressividade,
comportamento agressivo, infância, escola, intervenção. Os sete artigos selecionados dividemse em três temas principais: “agressividade e habilidades sociais”, “resolução de conflitos” e
“formação continuada de professores”. Além dos artigos científicos, a bibliografia consultada
é constituída de livros, capítulos de livros e outros textos acadêmicos”.
Como resultados observa-se que “intervenções mais especificas, como orientação e
atenção a crianças que estão agressivas, quanto àquelas direcionadas para o favorecimento de
um ambiente cooperativo e de respeito mútuo necessitam ser planejadas e estudadas pelos
profissionais envolvidos e constantemente avaliadas, com o objetivo de verificar se os
objetivos estão sendo atingidos ou não”.
A má preparação da equipe acadêmica, e a indiferença da própria escola são
dificultadores no processo interventivo. “A agressividade infantil não possui causa única e
merece atenção dos familiares, equipe escolar e demais profissionais envolvidos com o
desenvolvimento humano”. As variáveis que influenciam no surgimento e expressão dos
comportamentos agressivos são múltiplas e tem origem em fatores biológicos, psicológicos,
evolutivos, culturais, sociais e emocionais, além do contexto familiar, práticas educativas
parentais e características pessoais. Discute-se sobre a agressividade infantil.
Segundo Enumo (2015) “o câncer infanto juvenil é uma doença que causa
desequilíbrio físico, emocional e social em toda a família, especialmente na mãe, que é uma
fonte importante de cuidado no processo da doença”. Diante disto a autora analisou o impacto
familiar da leucemia em quatro estágios da doença: após o diagnóstico (mãe 1), durante o
tratamento (mãe 2), manutenção (mãe 3) e cuidados paliativos (mãe 4). “Em aplicações
individuais, as mães responderam ao Peds QLTM Family Impact Module, com 36 itens e oito
dimensões. Todas as famílias foram afetadas pela doença, diferencialmente em cada fase e
149
dimensão, em ordem decrescente: M4 (cuidados paliativos) – M2 (tratamento) – M1
(diagnóstico) – M3 (manutenção); com maior impacto em atividades diárias (M2) e
funcionamento cognitivo e relacionamento (M4). Avaliar esses casos clínicos, considerando o
estágio da doença e variáveis emocionais maternas, pode subsidiar intervenções no processo
de enfrentamento de um dos maiores estressores da vida, que é a ameaça de morte do filho”.
A perspectiva teórica não foi especificada. Trata-se de um estudo empírico. “As mães
tinham entre 32 e 49 anos de idade (Me = 36,5 anos); a maioria tinha o ensino médio
completo e era casada; elas tinham de um a três filhos, com idade variando de 2 a 33 anos.
Todas cuidavam do filho doente em tempo integral e não exerciam atividades profissionais.
As crianças tinham entre 7 e 13 anos e estavam matriculadas em escolas: três no ensino
fundamental e uma no ensino médio; entretanto, três delas (C1, C2, C4) estavam
impossibilitadas de frequentar aulas por causa do tratamento, que exigia internação
hospitalar”.
As crianças tinham diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda (LLA). “Eram
atendidas por uma casa de apoio sem fins lucrativos de uma cidade do interior de Minas
Gerais, cujo objetivo era oferecer suporte às crianças e aos adolescentes com doenças oncohematológicas e outras hemopatias, e às suas famílias. Os critérios de inclusão foram: ser o
cuidador um familiar, não exercer o cuidado de forma remunerada e concordar em participar
da pesquisa espontaneamente. Os critérios de exclusão foram: cuidador ter menos de 18 anos
de idade, exceto se fosse a mãe da criança, e não responder a todos os instrumentos
psicológicos da pesquisa”.
Os resultados mostram que as mães da amostra estavam lidando com a doença do filho
em tempos e circunstâncias diferentes por isso os resultados são diferenciados. “Em ordem
decrescente de impacto total da doença, tem-se a sequência, em termos de médias de pontos
na escala: M4 (cuidados paliativos) – M2 (tratamento/transplante) – M1 (diagnóstico) – M3
(manutenção); no entanto, notam-se escores próximos para M1 (diagnóstico) e M2
(tratamento/transplante)”.
As preocupações das mães estavam centradas na lida cotidiana no hospital, onde as
responsabilidades e exigências da nova rotina lhe tomaram tempo, energia de um modo que
reconfigurou toda sua rotina. Análise dos dados dessas quatro mães possibilitou verificar que
a doença tem impacto diverso em cada família que lidava com a doença em tempos diferentes.
No primeiro momento, ao choque no diagnóstico da doença soma-se o impacto de cuidar do
filho, gerando perturbações psicológicas, emocionais e físicas. Discutem-se os cuidados na
leucemia infantil.
150
Enumo (2017) objetivou com este estudo a inserção/reinserção das crianças e
adolescentes com Doença Renal Crônica na escola uma vez constatado, pelo serviço
psicopedagógico, que as mesmas não estavam frequentando as instituições regulares de
ensino. Para tanto, foram realizadas visitas técnicas às escolas visando compreender a
situação global da criança no meio escolar bem como instrumentalizar a equipe escolar com
as informações necessárias sobre a Doença Renal Crônica e seus consequentes cuidados
nutricionais, emocionais e sociais. “As visitas às escolas das crianças promoveram entrevistas
e diálogos com toda a equipe escolar sendo possível observar e ouvir discursos dos
profissionais envolvidos diretamente com a criança nos quais, os mesmos, consideravam-se
“despreparados” e “mal informados” sobre a doença. Este estudo ressalta a importância da
parceria eficaz das equipes: hospitalar e escolar quanto à manutenção da escolaridade do
paciente com Doença Renal Crônica”. Ainda, para futuras ações, visa-se à sistematização da
intervenção psicoeducativa.
Perspectiva teórica não mencionada. Trata-se de um estudo empírico: “O Setor de
Hemodiálise possui capacidade para atender 56 pacientes adultos e oito crianças. No
momento que foi realizado este trabalho, contava com 42 pacientes adultos e 04 crianças,
sendo o único serviço de referência em Uberlândia e região para o atendimento de crianças
dependentes de hemodiálise. Fisicamente a unidade de hemodiálise do HC-UFU é dividida
em três salões para atendimento de crianças, adultos sorologia negativa e adultos sorologia
positiva para vírus Hepatite B”.
As informações encontradas pelo serviço psicopedagógico através das anamneses
junto às famílias, revelaram as dificuldades e limitações das mesmas para inserir as crianças
na escola, tais como: internações recorrentes; dificuldades e limitações com o tratamento; não
aceitação da escola e dificuldades peculiares de cada criança. “As visitas às escolas das
crianças oportunizaram entrevistas e diálogos com toda a equipe escolar”. Foi possível
observar no discurso, dos profissionais envolvidos diretamente com a criança (professores,
pedagogos entre outros), que se consideram “despreparados” e “mal informados” sobre a
doença, solicitando esclarecimentos sobre a mesma. Discute-se a criança em situação de
doença crônica e sua reinserção ao ambiente escolar.
Segundo Enumo (2013) as crises de dor crônica ou aguda, de diferente intensidade e
recorrência imprevisível, são um dos sintomas mais frequentes na Anemia Falciforme e
tendem a afetar a qualidade de vida dos portadores da doença. Logo, este estudo procurou
descrever e comparar a percepção do episódio doloroso da Anemia Falciforme entre crianças
e seus cuidadores. “Participaram 27 pares de cuidador/criança, sendo 11 pares formados por
151
crianças atendidas no Ambulatório de Pediatria do Hospital Universitário Cassiano Antônio
de Moraes de Vitória/ES e 16 pares compostos por crianças que frequentavam o Hemocentro
de Cuiabá/MT. Os resultados revelaram diferença na percepção de cuidador e criança sobre a
caracterização da dor no que se refere ao tipo e à intensidade. As crises de dor interferem,
sobretudo, nas atividades do cotidiano. A estratégia de enfrentamento mais utilizada por
ambos os grupos centrou-se em pensamentos que envolveram os aspectos negativos da
experiência indesejada, o que indica a necessidade de intervenção psicológica com esta
população”.
A Perspectiva teórica não especificada. Estudo empírico, onde se utilizou o método de
estudo descritivo-comparativo (Meltzoff, 2001), o qual procurou descrever e comparar a
percepção do episódio doloroso da Anemia Falciforme entre crianças e seus cuidadores.
Para a maioria das crianças a dor foi considerada do tipo forte, já para seus cuidadores
a dor foi considerada do tipo moderada. “Quanto à presença de crise de dor recente, isto é, na
última semana vivida pelas crianças, tanto crianças quanto cuidadores em maior frequência
não evidenciaram presença de crise de dor. Além disso, o estado geral da criança na última
semana foi percebido pelas crianças e cuidadores como condição geral de saúde de bem estar,
principalmente, pelos cuidadores. Quando avaliadas sobre o impacto da dor nas atividades de
vida diária das crianças, houve concordância entre as respostas, indicando seu impacto,
sobretudo nas atividades cotidianas (dormir, sentar, deitar e comer) e de lazer (brincar, ver
televisão e passear)”.
Observou-se diferença em relação à intensidade da última dor percebida pelas crianças
e pelos cuidadores, os quais subestimaram a dor dos filhos. “Elas se referiram à dor como um
“aperto”, enquanto seus cuidadores tinham a sensação de que a dor dos seus filhos era,
sobretudo, do tipo “em fincada”, “profunda” e “moendo””. Esses resultados permitiram
considerar que, devido ao caráter subjetivo e multidimensional da dor, sua mensuração e/ou
definição pode ser difícil por qualquer outra pessoa que não aquela que a sente. Dificuldade
que ocorre, sobretudo na infância, diante das características desenvolvimentais da criança,
conforme afirmam Murta (1999) e Guimarães (1999). De acordo com os resultados do
presente estudo, fica evidente o quanto o desafio de estudar a dor em crianças é complexo,
sobretudo diante de sua natureza subjetiva e das inúmeras variáveis que podem servir como
mediadoras da experiência dolorosa. Discute a anemia falciforme em crianças.
Enumo (2014) justifica seu estudo enfatizando que condições associadas à
hospitalização e tratamentos de crianças com câncer têm sido identificadas como fontes de
estresse, sendo pertinente estudar as estratégias de enfrentamento utilizadas por essas
152
crianças. Dito isto a autora objetivou comparar duas metodologias de avaliação do
enfrentamento em contexto de hospitalização pediátrica. “Dezenove crianças com câncer,
com idade entre 06 e 12 anos, em tratamento em um hospital português, responderam ao
Kidcope e ao Instrumento para Avaliação das Estratégias de Enfrentamento da
Hospitalização. Além disso, também os cuidadores avaliaram a adaptação da criança ao
hospital”.
Os resultados apontaram baixos níveis de perturbação comportamental e sofrimento,
tanto na avaliação das crianças quanto na dos pais. A amostra apresentou ainda diversidade de
estratégias de enfrentamento, bem como preponderância de comportamentos facilitadores em
ambas as escalas, com predominância de suporte social e distração, mas também a presença
de pensamento mágico e ruminação.
A perspectiva teórica não foi especificada. Este é um estudo empírico que foi realizado
no Serviço de Pediatria de um hospital público especializado em doenças oncológicas,
localizado em Lisboa, Portugal. “Foi feita uma análise descritiva dos resultados obtidos nos
dois instrumentos e na resposta do cuidador sobre a adaptação da criança. Posteriormente,
investigou-se a existência de associações estatisticamente significativas entre duas variáveis,
através do Coeficiente de correlação r de Pearson para variáveis de intervalo e o Teste não
paramétrico do Qui-quadrado de Pearson para variáveis nominais”.
De modo geral, os pais consideraram a adaptação do filho tão boa ou melhor que a das
outras crianças. “Os resultados mostraram o uso predominante de estratégias de
enfrentamento avaliadas pelas crianças como bastante ou moderadamente eficazes, em
especial as estratégias de enfrentamento ativo (suporte social, reestruturação cognitiva e
regulação emocional) e de esquiva (distração e pensamento mágico). Mostra, ainda, o uso
reduzido de estratégias que as crianças avaliaram como pouco eficazes, de enfrentamento
negativo (autocrítica). A identificação das estratégias de enfrentamento das crianças, feita
com base nas suas justificativas, mostrou, para cada criança, uma média de 6,89 estratégias de
enfrentamento. As estratégias mais relatadas foram: busca de suporte, distração, ruminação e
resolução de problemas; e as menos relatadas foram negociação, delegação e oposição.
Houve, assim, preponderância de estratégias associadas a comportamentos facilitadores; a
ruminação foi o único comportamento não facilitador com frequência elevada”.
Diante da comparação dos instrumentos verificou-se que o instrumento Kidcope, por
ser uma escala breve e de fácil manejo, permite examinar uma grande variedade de estratégias
de enfrentamento que cada criança poderá utilizar ou não, de forma rápida e objetiva. Além
disso, esse instrumento permite avaliar a eficácia subjetiva atribuída a cada estratégia. “Por
153
sua vez, o AEH consiste numa metodologia lúdica, apelativa e inovadora, eventualmente mais
interessante para crianças mais novas, e tem a grande vantagem de permitir obter dados
qualitativos subjetivos sobre a experiência idiossincrática de cada criança. No entanto, seus
resultados podem ser um pouco mais difíceis de interpretar, pelo fato de esse instrumento se
basear num conceito de enfrentamento mais amplo, que considera não somente as respostas,
comportamentos ou instâncias de enfrentamento relatadas, mas também pretende deduzir as
estratégias de enfrentamento funcionalmente relacionadas e hierarquicamente superiores
(SKINNER et al., 2003)”.
O estudo apresentou a criança em situação de hospitalização. Foi feita uma
comparação entre dois métodos avaliativos de estratégias de enfrentamento na hospitalização.
Em suma, tanto os autores que discutem a infância como os que discutem a criança,
não se atêm na apresentação do conceito em si, ou os pressupostos que subsidiam a utilização
dos referidos conceitos. Os estudos abordam as temáticas infância e criança atreladas às mais
diversas questões.
A partir desta análise podemos observar que são quarenta e sete (47) estudos
empíricos (o uso no texto do termo experimental ora empírico foi usado partindo da
afirmativa que cada autor utilizou em seus artigos) e vinte e seis (26) estudos teóricos. Em
relação às perspectivas adotadas nos estudos, dos setenta e três (73) artigos analisados
quarenta (40) não especificaram a perspectiva teórica abordada. As perspectivas teóricas
identificadas serão apresentadas no quadro a seguir por ordem alfabética:
Quadro 09- Perspectivas teóricas identificadas nos artigos:
Análise do
(AC) Atenção
Bioecologia
Caracterização do
comportamento
conjunta (RAC)
(Bronfenbrenner,
repertório
(Rocha, Ingberman,
resposta de atenção
1979/1996).
comportamental
& Breus, 2011).
conjunta e iniciação
definido como
Aparece em três
de atenção conjunta
nomeação por Horne
(03) artigos.
(IAC) (Whalen &
e Lowe (1996).
Schreibman, 2003).
Estilos parentais
Histórico-Cultural
Intervenção
Modelo teórico de
permissivo,
(VIGOTSKI, 2009;
comportamental
Estilos de lideranças
autoritário e
2010).
intensiva precoce
de professores,
autoritativo.
Aparece em cinco
(Early intensive
(Batista e Weber
154
Baumrind (1966).
(05) artigos.
behavioral
2015).
intervention – EIBI)
(Eldevik et al.,
2010).
Neuropsicologia
Psicologia do
Psicanálise.
Perspectiva histórica
(CAMARGO, et al.,
desenvolvimento-
Aparece em dois
das imagens sociais
2007).
Marturano (2008).
(02) artigos.
(Domingues, 2013).
Aparece em dois
Aparece em cinco
(02) artigos.
(05) artigos.
Perspectiva feminista
Teoria das
Teoria da
Sociologia da
e dos estudos da
Representações
Modificabilidade
infância.
infância.
Sociais
Cognitiva.
Aparece em cinco
(MOSCOVICI,
(05) artigos.
2003).
Aparece em dois
(02) artigos.
Fonte: Autora (2018)
São trinta e três (33) artigos que especificam o uso de alguma abordagem teórica,
como podemos observar no quadro acima. As abordagens teóricas utilizadas nos artigos foram
subdivididas em cinco (05) categorias teóricas: Histórico-culturais/Psicossociais (14),
Cognitivo-comportamentais (08), Psicologia do desenvolvimento (07), Psicanálise (02) e
Neuropsicologia (02) como demonstrado no gráfico a seguir.
155
Gráfico 04- Distribuição de artigos por categorias teóricas:
Categorias Teóricas
HISTÓRICO-CULTURAIS
COGNITIVOCOMPORTAMENTAL
PSICOLOGIA DO
DESENVOLVIMENTO
PSICANÁLISE
NEUROPSICOLOGIA
Fonte: Autora (2018)
Observamos que a maioria dos artigos não especifica o uso de nenhuma abordagem
teórica, totalizando quarenta artigos, e dos trinta e três artigos restantes que especificam o uso
de alguma abordagem, a categoria dos estudos Histórico-culturais/Psicossociais foi a que mais
apareceu (em quatorze artigos), Psicanálise e Neuropsicologia apareceram ambas em dois
artigos.
Em síntese, podemos afirmar que os estudos analisados abordam as crianças como
participante dos estudos que buscam revelar, o que ela diz sobre si ou, sobre modo como os
adultos com as quais trabalham ou convivem as abordam.
Assim, as crianças surgem ainda nos documentos que falam sobre ela (artigos,
prontuários, protocolos, testagens). O conceito de criança (s) se apresenta relacionado ao
desenvolvimento da criança e como ocorre o processo de autoconceito em meio às interações
em sala de aula; crianças “ganham voz” e apresentam suas crenças sobre “ser uma boa
professora”; crianças relacionadas à temática da prevenção à violência doméstica contra as
crianças e adolescentes, com um cunho voltado à assistência social; crianças como
participante da pesquisa na avaliação do desenvolvimento e treinamento comportamental das
crianças com autismo; criança como sujeito social que constrói representações sociais acerca
do meio ao qual está inserida, tendo como referência os adultos, os objetos, a mídia e as
normas que regulam os espaços; criança participante que significa a cidade em diferentes
156
grupos de pertencimento – alunos de escola pública e de escola privada; criança adoecida e o
cuidado a ela destinado pelos profissionais no contexto hospitalar; criança participante da
pesquisa que relata suas vivências, que carregam significações e interpretações pessoais, mas
também são permeadas pelo arcabouço simbólico construído no e pelo meio sociocultural;
crianças vítimas de abuso sexual e suas dificuldades no processo de identificação/revelação
do agressor, dificultando assim os meios de assistência às vítimas, bem como no mapeamento
de perfis de adotantes e possíveis adotados de crianças acolhidas; crianças vítimas de
violência doméstica; crianças submetidas a condições estressoras no ambiente escolar;
crianças pequenas e o desenvolvimento de sua linguagem verbal; crianças submetidas a
condições físicas ambientais que restringem o desenvolvimento de suas habilidades sociais;
crianças com síndrome de down; crianças com deficiência e avaliação neuropsicológica de
aquisição de linguagens.
Em relação à discussão do conceito infância nos artigos, percebe-se que as temáticas
abordadas não se distanciam muito das citadas acima, pois se voltam às questões hospitalares,
doenças crônicas, violências de diversos tipos, dificuldades acadêmicas e questões similares
atreladas à infância. Percebe-se ainda que, a depender da perspectiva teórica adotada pelos
pesquisadores, a infância vai sendo percebida de diferentes maneiras: como um processo
sociocultural, em que a concepção de infância vai sendo construída nas relações sociais e
históricas em que está inserida; ou como um processo de desenvolvimento natural, em que se
demarcam as faixas etárias, características e comportamentos dos ciclos de vida.
Ressalta-se ainda que alguns autores utilizem, de forma indiferenciada, os termos
criança e infância. A perspectiva teórica Histórico-culturais/Psicossociais, em nossa análise,
foi a que apresenta a discussão conceitual, em que demarcam a infância como um fenômeno
em processo, que é influenciado e influencia os sujeitos.
Em relação aos pressupostos cognitivo-comportamentais, percebeu-se uma gama de
instrumentos utilizados para a avalição de comportamentos, emoções e afetos infantis.
Entende-se assim que apresentam a discussão da infância como uma etapa em que a criança
está transitando. Os postulados da perspectiva do desenvolvimento busca caracterizar e
determinar as habilidades e as dificuldades das crianças, dependendo de idade-sexo-doença,
em determinado contexto, como por exemplo, o estudo de Weber (2014), que dentro desta
perspectiva analisou o nível de comprometimento infantil diante da obesidade/sobrepeso.
E por fim, podemos pontuar que a psicanálise, em nosso estudo, discute relatos de
casos clínicos, e para abordar o sintoma infantil, recorre ao entendimento e discussão dos
157
sintomas dos pais, logo a criança ficou num segundo plano, para emergir na narrativa
materno-paterna.
158
6
CONCLUSÃO
O diretório de grupos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) mostrou-se uma ferramenta confiável e eficaz na busca dos
dados. Com a proposta de análise dos grupos de pesquisa sobre conceito de infância e de
criança e a análise dos artigos dos pesquisadores de cada grupo, podemos obter um panorama
das produções acadêmicas no Brasil no período 2013-2017.
Os grupos de pesquisa representam a produtividade acadêmica no país. Com a amostra
de 21 grupos de pesquisa sobre a temática infância e criança encontrados nesta pesquisa,
podemos inferir que esse quantitativo não representa a totalidade de grupos de pesquisa no
diretório que tratam do tema, visto que foram aplicados critérios de busca, como por exemplo,
a busca por ter no título do grupo um dos descritores. A análise dos grupos nos permitiu
observar que há uma maior concentração de pesquisas no sudeste e sul, devido à maior
quantidade de Programas de Pós-graduação e, consequentemente, um maior número de
pesquisadores. Também observamos que não houve uma variação significativa de grupos de
pesquisa formado por ano, ou seja, foram em média formados dois grupos em cada ano.
O descritor de busca que mais se destacou foi o descritor crianças, com 48 artigos
encontrados, em seguida, infantil (10 artigos), infância (08 artigos) e criança (07 artigos).
Totalizando assim 73 artigos analisados.
A análise dos 21 grupos de pesquisa nos levou aos respectivos pesquisadores e suas
publicações, por meio do acesso ao currículo Lattes dos mesmos. Optamos por utilizar os
seguintes critérios para a análise das publicações: ser artigo publicado entre 2013-2017 e ter
no título um dos quatro descritores. A utilização de filtros nos pareceu importante pra
podermos ter uma amostra padronizada e analisável, visto que 73 artigos nos parecem uma
amostra quantitativamente relevante. Em relação ao quantitativo de artigos publicados em
cada ano ficou entre treze (13) a dezesseis (16) artigos publicados.
Nove revistas publicaram mais de um artigo. Sendo o total de 56 revistas
representadas na amostra.
Em relação à plataforma do Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil, ele foi criado
em 1992, e constitui-se em bases de dados censitárias e correntes que contêm informações
sobre os grupos de pesquisa em atividade no país. Tem três finalidades principais:
instrumento para o intercâmbio e a troca de informações; caráter censitário no auxílio de
planejamento estratégico ao fomento, e por fim, constituir base de dados importante papel na
preservação da memória da atividade científico-tecnológica no Brasil. Já o CNPq foi criado
159
em 1951, desempenha papel primordial na formulação e condução das políticas de ciência,
tecnologia e inovação. Até 1974 a sigla CNPq correspondia ao nome Conselho Nacional de
Pesquisa, porém desde então leva uma nova nomenclatura, Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mantendo a sigla. Sua atuação contribui para o
desenvolvimento nacional e o reconhecimento das instituições de pesquisa e pesquisadores
brasileiros pela comunidade científica internacional. Tem como missão fomentar a Ciência,
Tecnologia e Inovação e atuar na formulação de suas políticas, contribuindo para o avanço
das fronteiras do conhecimento, o desenvolvimento sustentável e a soberania nacional. E
objetiva ser uma instituição de reconhecida excelência na promoção da Ciência, da
Tecnologia e da Inovação como elementos centrais do pleno desenvolvimento da nação
brasileira (acesso por meio do link: (http://cnpq.br/apresentacao_institucional/)).
O acesso à plataforma é bem simples e acessível com menu e ferramentas que
direcionam o usuário na busca por suas informações. Dito isto, não se afirma que o diretório
de grupos é infalível, pois todos os bancos de dados têm suas limitações, o que se afirma, a
partir do material coletado, é que tal plataforma nos possibilitou coletar um material
significativo, com informações relevantes.
Nem todos os pesquisadores tinham artigos publicados sobre a temática da
infância/criança no período de 2013-2017. São 15 autores com artigos analisados, e 06 que
não apresentaram nenhum artigo com os critérios de análise. Foram encontrados 04 artigos
indisponíveis online e 02 repetidos.
A análise dos artigos foi dividida entre os autores que abordam o conceito criança/s e
infância/infantil. Dentre eles, Batista (2017) discute acerca do desenvolvimento da criança,
pensando como a criança está no processo de autoconceito em meio às interações em sala de
aula. No estudo de Andrade (2016), com base na perspectiva teórica Histórico-Cultural, na
Psicogênese da Pessoa Completa, nos estudos da Sociologia da Infância e na noção de espaço
narrativo (SENNETT, 1990) com ênfase nas significações sobre criança como sujeito de
direito e de cultura, discute como crianças possuem narrativas próprias, veiculadas seja
verbalmente, seja corporalmente, que também circulam no espaço em busca de contornos de
lugares específicos influenciando comportamentos dos adultos e de outras crianças. Os
estudos diferenciam os termos infância e criança, tomando o primeiro como a expectativa
social que determinada sociedade possui sobre a criança, esta última, ser de certa idade.
Assim, considera-se infância uma invenção cultural ou construções sociais e históricas,
porque se define pelas significações que lhes são atribuídas, ao longo dos tempos nas
diferentes culturas.
160
São trinta e três (33) artigos que especificam o uso de alguma abordagem teórica. As
abordagens teóricas utilizadas nos artigos foram subdivididas em cinco (05) categorias
teóricas: Histórico-culturais/Psicossociais (14), Cognitivo-comportamentais (08), Psicologia
do desenvolvimento (07), Psicanálise (02) e Neuropsicologia (02). A maioria dos artigos não
especifica a abordagem teórica, totalizando quarenta artigos, e dos trinta e três artigos
restantes que especificam o uso de alguma abordagem, a categoria dos estudos Históricocultural/Psicossociais foi a que mais apareceu (em quatorze artigos), Psicanálise e
Neuropsicologia apareceram ambas em dois artigos.
A partir da análise empreendida no capítulo 5, podemos inferir que o uso maciço do
descritor crianças nos artigos é de certo modo justificado, ou seja, estes pesquisadores que
trataram da criança/s focaram no estudo com crianças, e os poucos pesquisadores que focaram
no estudo sobre a criança/s consequentemente abordaram a infância. Dito isto, entende-se que
há ai uma divisão sobre a discussão dos conceitos.
Ressalta-se que não houve a intenção de discutir teoricamente o conceito a priori, mas
se buscou trazer a discussão dos conceitos partindo de cada artigo analisado.
Partindo da análise a posteriori pode-se afirmar que o que se produziu sobre infância,
dentro deste recorte, foi pouco e limitado, onde o conceito de infância facilmente se
confundiu com o de criança, dificultando assim a nossa análise. Porém tais resultados se
mostram importantes para pensarmos e realizarmos futuras pesquisas na temática,
principalmente dentro dos nossos grupos de pesquisas.
De modo geral, os artigos analisados abordam os conceitos de infância e criança
atrelados a temáticas diversificadas, exemplo, violência (sexual, física), doenças crônicas,
entre outras problemáticas. Os autores/pesquisadores em sua maioria tomam a criança como
sujeitos participantes de suas pesquisas. A infância, por sua vez, se relaciona diretamente com
os pressupostos teóricos gerais que subsidiam as pesquisas.
161
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com Crianças e Adolescentes: Impacto do Status Socioeconômico e da
Institucionalização. Pensando Famílias, v. 20, p. 83-98, 2016.
169
8. APÊNDICE
Quantitativo total de grupos de pesquisa encontrados por descritores
Quadro 10- Infância
Fonte: CNPq (2018)
170
Quadro 11- Descritor: Criança
Fonte: CNPq (2018)
Quadro 12- Descritor: Crianças
Fonte: CNPq (2018)
171
Quadro 13- Descritor: Infantil
Fonte: CNPq (2018)
