Paulo Sérgio dos Santos Júnior - "A fotografia na Psicologia: metassíntese de teses e dissertações brasileiras"
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
PROCESSOS PSICOSSOCIAIS
PAULO SÉRGIO DOS SANTOS JÚNIOR
A FOTOGRAFIA NA PSICOLOGIA: METASSÍNTESE DE TESES E
DISSERTAÇÕES BRASILEIRAS
MACEIÓ
2018
PAULO SÉRGIO DOS SANTOS JÚNIOR
A FOTOGRAFIA NA PSICOLOGIA: METASSÍNTESE DE TESES E
DISSERTAÇÕES BRASILEIRAS
Dissertação de Paulo
Sérgio
dos
Santos
Júnior
apresentada junto ao Programa de Pós-graduação em
Psicologia da Universidade Federal de Alagoas, como
requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em
Psicologia.
Orientadora: Profª. Drª. Adélia Augusta Souto de Oliveira.
MACEIÓ
2018
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Janis Christine Angelina Cavalcante
S237f
Santos Júnior, Paulo Sérgio dos.
A fotografia na psicologia: metassíntese de teses e dissertações brasileiras /
Paulo Sérgio dos Santos Júnior. – 2018.
130 f.:il
Orientadora: Adélia Augusta Souto de Oliveira.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Maceió,
2018.
Bibliografia: f. 113-123.
Apêndices: f. 124-130.
1. Fotografia. 2. Pesquisa em Psicologia. 3. Metassíntese. 4. Síntese
interpretativa. I. Título.
CDU: 159.9:77.039
Self-Portrait,
registros da década de 1950.
Fotografia de Vivian Maier.
Acervo: © 2018 Maloof Collection, Ltd. < http://www.vivianmaier.com/ >.
AGRADECIMENTOS
À minha orientadora, pela confiança durante toda essa jornada. Muito obrigado por
compartilhar sua experiência.
Aos meus companheiros de pesquisa, Lívia Canuto e Danillo Pinto, pela paciência e
receptividade quando entrei no Grupo de Pesquisa. Luciano Bueno e Maria Laura Rocha, pelo
auxílio na exaustiva tarefa de coleta de dados. Juliano Bastos, pelas inúmeras contribuições
transmitidas com clareza e domínio, nas reuniões do grupo de pesquisa e em artigos de sua
autoria.
À Professora Andréa Zanella e Professora Paula Miura, pela disponibilidade em avaliar
meu projeto de pesquisa, na etapa da qualificação. Suas contribuições, correções e ajustes de
caminho, foram essenciais para o aprimoramento deste trabalho.
Aos meus colegas de turma e professores do PPG-Psi/UFAL (em especial, Jefferson
Bernardes, Heliane Leitão e Paula Miura), pelas boas discussões e compartilhamento.
À equipe administrativa do Instituto de Psicologia da UFAL, pela paciência.
Aos meus colegas acadêmicos, autores das teses e dissertações analisadas nesta
pesquisa, meu mais sincero reconhecimento.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela concessão de
bolsa.
Aos meus amigos (em especial, Caio, Cecília, Mary e Morgana), pelo amor e carinho.
À minha família humana e felina, por tudo!
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas
RESUMO
Neste estudo realizou-se metassíntese sobre as formas de uso da fotografia na pesquisa em
Psicologia. Para tanto, teve como objetivos: explorar, sistematizar, descrever e configurar sua
constituição histórica, geográfica e institucional; identificar os aspectos teóricos-metodológicos
que subsidiam o conhecimento produzido com o uso da fotografia, e, por fim, interpretar as
formas de uso da fotografia como instrumento de pesquisa na pós-graduação brasileira em
Psicologia. Para o alcance desses objetivos, desenvolveram-se quatro etapas metodológicas
sequencias e complementares, denominadas: Exploração, Refinamento, Descrição e
Interpretação. Os dados foram coletados através do Banco de Teses & Dissertações da CAPES
junto a Plataforma Sucupira com o uso dos seguintes descritores: fot* AND Psicologia. Na
primeira parte da pesquisa, realizou-se a análise descritiva de 292 documentos (230 dissertações
e 62 teses), sobre as categorias: nível acadêmico, série história, distribuição geográfica e
institucional. Os dados foram então relacionados e comparados com informações a respeito da
Pós-graduação brasileira, disponíveis na ferramenta de informações georreferenciadas da
CAPES - GeoCAPES. Os resultados demonstram que, do ponto de vista quantitativo, são mais
produções no nível do mestrado. Este avanço é proporcional ao maior quantitativo de programas
de pós-graduação com oferta desse nível acadêmico, incluindo a área da Psicologia. As
informações indicam também, crescimento contínuo e elevado da produção, o qual apresenta
como justificativa, a ampliação da pós-graduação no Brasil, verificada no início da década
passada (2000-2009). Além disso, identificaram-se produções distribuídas em todas as regiões
brasileiras. O estado de São Paulo, em específico, a Universidade de São Paulo e a Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo apresentam maior valor quantitativo. Contudo, deve-se
considerar o maior tempo de existência dos programas de pós-graduação nessas instituições,
aspecto que pode ser indicativo do maior número de produções nesses espaços acadêmicos. No
total, foram localizadas teses e dissertações oriundas de 19 unidades federativas, distribuídas
em 42 instituições de ensino superior. A segunda parte desta pesquisa corresponde à efetivação
da síntese interpretativa, momento em que se procedeu à análise qualitativa das 50 teses que
foram localizadas na íntegra. Corrobora-se com a literatura tradicional, no que afirma que o
objetivo da fotografia na Psicologia é a atribuição de significados. No âmbito dos trabalhos
analisados, identificaram-se as formas de uso como registro, estímulo visual e autofotografia,
somadas a função de acervo iconográfico, quando as fotografias são resgatadas como fontes de
informações históricas e, também, a produção de conteúdos imagéticos, para a construção de
bancos de dados autorais, tendo em vista a validação e atualização de instrumento projetivo ao
contexto brasileiro ou devido aos direitos autorais conferidos as imagens produzidas por
terceiros. E, por último, a função de objeto mediador, quando a fotografia é utilizada como
fonte intermediária que auxilia pesquisadores e interlocutores no processo de construção do
conhecimento. No âmbito desta forma de uso, pesquisadores e seus interlocutores tem à
disposição um objeto (a fotografia) com diversas funcionalidades: suporte à memória,
materialidade mediadora no atendimento individual e grupal, trabalho de tradução, entre outros.
Conclui-se que a fotografia, de modo geral, é aplicada em conjunto a outras ferramentas de
pesquisa, pois assim, permite aos pesquisadores o aprofundamento do conhecimento sobre o
objeto de estudo. Além disso, a fotografia mostra-se um recurso multifacetado, podendo ser
aplicada nos mais variados tipos de pesquisa: análise histórica (pessoal ou coletiva), pesquisa
empírica, etnografia, cartografia, entre outros. Com relação às contribuições para o
desenvolvimento da metassíntese, destaca-se o avanço obtido neste estudo, ao considerar a
descrição histórica e pormenorizada do corpo analítico da pesquisa.
Palavras-chave: fotografia; pesquisa em psicologia; metassíntese; síntese interpretativa.
ABSTRACT
In this research metasynthesis was realized about the uses of photography in psychological
research. The objective are: explore, systematize, describe and configure the historic,
geographic and institutional constitution; identify theoretical and methodological aspects that
subsidize the knowledge produced with the use of photography and interpret the uses of
photography in psychological research produced in graduate programs brazilian in psychology.
To reach these objectives, four methodological stages developed were, denominated:
Exploration, Refinement, Description and Interpretation. For data search has used the Banco de
Teses & Dissertações da CAPES and Plataforma Sucupira, from the descriptors: fot* AND
Psicologia. In the first part of this study, realized descriptive analysis of 292 documents (230
dissertations and 62 theses) about the categories: academic degree, historic series, geographic
and institutional distribution. The data been were related and compared with information about
the brazilian graduate programs, available in the georeferencing tool of the CAPES –
GeoCAPES. The results show, quantitatively, are more production on the level of the master
degree, proportionally to greater quantitative of graduate programs with an offer of this
academic degree, including in the area of Psychological. The information’s also indicates that
continuous growth and high of the production, whom presents as justification, the expansion of
the brazilian graduate programs, verified during the beginning of the past decade (2000-2009).
In addition, been identified productions distributed in all the Brazilian regions. The states of
São Paulo, in particular, a University of the São Paulo and Pontifical Catholic University of the
São Paulo presents greater number of the productions. However, should considered the greater
time of the existence of the graduate programs these institutions, aspect that may indicative of
the greater number of the productions in these academic venues. In total, been located theses
and dissertations arising of the 19 federative units distributed in 42 institutions of the higher
education. The second part of this study, realized the interpretative synthesis, moment whereby
proceed the qualitative analysis of the 50 theses were been located in full. Corroborated with
the traditional literature, when affirm that objective of the photography in Psychology is the
attribution of meanings. At context in the works analyzed, identified use as recording, visual
stimuli and auto-photographic. Added to these, the use as iconographic collection, when the
photographs are redeemed as sources of historical information and, also, the production of
imagery contents, for this purpose, aim construction databases, to the validation and update of
the projective instrument to the brazilian context or due to third parties copyright images.
Finally, the uses as mediator object, when photography is used as a facilitator of dialogue in the
process of knowledge construction. At context this use, researchers and interlocutors has access
to a multifaceted object: memory support, mediating materiality in the psychotherapeutic
attendance and group context, translation work among others. We concludes that the
photography, in general, is applied collaborative the other tools because it allows the researcher
deepen the knowledge about the object of study. In addition, the photography shows a
multifaceted feature can be applied to various types of search: historical analysis, empiric
research, ethnography, cartography, etc. Regarding the contributions to the development the
metasynthesis, its stands out the advance achieved in this study, into consideration of the
historic description and detailed of the analytic corpus of the research.
Keywords: photography; psychological research; metasynthesis; interpretative synthesis.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Exemplo de trabalho identificado como ‘Trabalho Anterior a Plataforma
Sucupira’ no Banco de Teses & Dissertações da CAPES......................................................31
Figura 2 – Exemplo de trabalho com acesso a Plataforma Sucupira no Banco de Teses &
Dissertações da CAPES...........................................................................................................31
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Configuração quantitativa do corpus analítico...................................................32
Quadro 2 – Composição quantitativa dos documentos localizados no Banco de Teses &
Dissertações – CAPES e Plataforma Sucupira......................................................................33
Quadro 3 – Nome do programa de pós-graduação e área de avaliação conforme Plataforma
Sucupira...................................................................................................................................35
Quadro 4 – Distribuição dos Programas de Pós-graduação no Brasil por nível de
formação..................................................................................................................................42
Quadro 5 – Distribuição regional e em Unidades Federativas (UF) por tipo de
documento................................................................................................................................43
Quadro 6 – Distribuição regional e em Unidades Federativas dos Programas de Pósgraduação em Psicologia no Brasil no período de 1998, 2008 e 2015....................................44
Quadro 7 – Distribuição da produção acadêmica entre as Instituição de Ensino Superior
brasileiras em ordem decrescente..........................................................................................45
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Série histórica (frequência ano a ano de 1990 a 2016).........................................40
LISTA DE ABREVIATURAS
AM
Amazonas
BA
Bahia
CAPES
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CE
Ceará
DF
Distrito Federal
ES
Espírito Santo
FURG
Universidade Federal do Rio Grande
GO
Goiás
IES
Instituição de Ensino Superior
MG
Minas Gerais
MS
Mato Grosso do Sul
PA
Pará
PB
Paraíba
PE
Pernambuco
PPG
Programa de Pós-graduação
PPGP
Programa de Pós-graduação em Psicologia
PR
Paraná
PUC/CAMPINAS Pontifícia Universidade Católica de Campinas
PUC/GO
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
PUC/MG
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
PUC/PR
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
PUC/RJ
Pontifícia Universidade Católica do Rio De Janeiro
PUC/RS
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
PUC/SP
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
RJ
Rio de Janeiro
RN
Rio Grande do Norte
RO
Roraima
RS
Rio Grande do Sul
SC
Santa Catarina
SE
Sergipe
SP
São Paulo
UCB
Universidade Católica de Brasília
UCDB
Universidade Católica Dom Bosco
UEL
Universidade Estadual de Londrina
UEM
Universidade Estadual de Maringá
UEPG
Universidade Estadual de Maringá
UERJ
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
UF
Unidade Federativa
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
UFAM
Universidade Federal do Amazonas
UFBA
Universidade Federal da Bahia
UFC
Universidade Federal do Ceará
UFERSA
Universidade Federal do Ceará
UFES
Universidade Federal do Espírito Santo
UFF
Universidade Federal Fluminense
UFGD
Universidade Federal da Grande Dourados
UFGO
Universidade Federal de Goiás
UFMG
Universidade Federal de Minas Gerais
UFMS
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
UFPA
Universidade Federal do Pará
UFPB
Universidade Federal da Paraíba
UFPE
Universidade Federal de Pernambuco
UFPEL
Universidade Federal de Pelotas
UFPR
Universidade Federal do Paraná
UFRGS
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UFRJ
Universidade Federal do Rio de Janeiro
UFRN
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
UFRO
Universidade Federal de Roraima
UFRRJ
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
UFS
Universidade Federal de Sergipe
UFSC
Universidade Federal de Santa Catarina
UFSCAR
Universidade Federal de São Carlos
UFSJ
Universidade Federal de São João Del-Rei
UFU
Universidade Federal de Uberlândia
UnB
Universidade de Brasília
UNESC
Universidade do Extremo Sul Catarinense
UNESP
Universidade Estadual Paulista
UNESP/ASSIS
Universidade Estadual de São Paulo/Assis
UNESP/BAURU
Universidade Estadual de São Paulo/Bauru
UNICAMP
Universidade Estadual de Campinas
UNICAP
Universidade Católica de Pernambuco
UNICEUB
Centro Universitário de Brasília
UNIFESP
Universidade Federal de São Paulo
UNIFOR
Universidade de Fortaleza
UNIFRAN
Universidade de Franca
UNIMEP
Universidade Metodista de Piracicaba
UNISINOS
Universidade do Vale dos Sinos
UNIT
Universidade Tiradentes
UNIUBE
Universidade de Uberaba
UPE
Universidade de Pernambuco
USF
Universidade São Francisco
USP
Universidade de São Paulo
USP/RP
Universidade de São Paulo/Ribeirão Preto
USP/SC
Universidade de São Carlos
UTP
Universidade Tuiuti do Paraná
SUMÁRIO
RESUMO
ABSTRACT
LISTA DE TABELAS
LISTA DE FIGURAS
LISTA DE GRÁFICOS
LISTA DE ABREVIAÇÕES
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 17
1.1 Contextualização do método .................................................................................................... 18
1.2 Contextualização da história da fotografia ............................................................................. 21
1.3 Aspectos técnicos da fotografia ................................................................................................ 25
1.4 Objetivos e questões .................................................................................................................. 27
1.5 Estrutura da dissertação ........................................................................................................... 28
2 MÉTODO.......................................................................................................................................... 29
2.1 Descrição dos procedimentos ................................................................................................... 30
2.1.1 Exploração............................................................................................................................ 31
2.1.2 Refinamento ......................................................................................................................... 35
2.1.3 Descrição .............................................................................................................................. 38
2.1.4 Interpretação ......................................................................................................................... 38
3 PANORAMA DESCRITIVO .......................................................................................................... 40
3.1 Tipo de documento e série histórica ........................................................................................ 40
3.2 Distribuição geográfica e institucional .................................................................................... 43
4 INTERPRETAÇÃO ......................................................................................................................... 48
4.1 Procedimentos para a condução da análise interpretativa .................................................... 48
4.2 Breve apresentação do corpus analítico................................................................................... 50
4.3 As formas de uso da fotografia na pesquisa em Psicologia .................................................... 66
4.3.1 O uso da fotografia para a produção de registro visual ........................................................ 68
4.3.2 O uso da autofotografia ........................................................................................................ 74
4.3.3 O uso da fotografia para a produção de estímulo visual ...................................................... 80
4.3.4 A produção de acervo iconográfico...................................................................................... 94
4.3.5 A fotografia como objeto mediador ..................................................................................... 96
4.3.6 A fotografia como fonte de informação ............................................................................. 107
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................ 110
REFERÊNCIAS..................................................................................................................................113
APÊNDICES.......................................................................................................................................124
17
1 INTRODUÇÃO
A produção de pesquisas científicas, no cenário tecnológico contemporâneo, tem se
transformado em função dos benefícios que a tecnologia disponibiliza a comunidade
acadêmica, em especial, com a ampliação de meios virtuais de divulgação e promoção
científica; a acessibilidade, facilidade de manuseio e disponibilização de recursos e ferramentas
técnicas, mecânicas e computacionais que auxiliam nesse processo.
Nesse contexto, esta pesquisa acompanha dois objetos que têm suas possibilidades
ampliadas em função da progressão tecnológica: as ferramentas de compartilhamento e
disponibilização de informações científicas – bases de dados; e a fotografia, enquanto recurso
visual utilizado para a produção do conhecimento.
No que diz respeito ao primeiro, cita-se a internet, como um importante meio de
comunicação, promoção e disponibilização de informações científicas e acadêmicas. E, nesse
sentido, responsável pelo grande fluxo de informações em bases de dados virtuais. Esse
movimento apresenta duas consequências, qualifica-se, positivamente, como estratégia de
acesso e democratização a esse segmento de informação, devido à amplitude do seu alcance.
Mas, também, dificulta o reconhecimento de avanços e contribuições científicas, devido ao
crescente volume de dados dispersos, armazenados em espaços virtuais, em consequência do
constante aumento da produção científica global (BRASIL, 2010).
Já a fotografia, enquanto materialidade obtida por meio de dispositivos de capturas de
imagens, tem sua principal relevância, na condição de fonte de informação, em sua importância
como elemento visual capaz de registrar “ações temporais e [...] acontecimentos reais –
concretos, materiais” (LOIZOS, 2002, p. 137). Essa qualidade do recurso imagético é cada vez
mais empregada no espaço acadêmico, conforme popularização e avanço das ferramentas de
captura fotográfica e de vídeo. Esse aspecto, reflete assim, uma demanda de um “[mundo]
crescentemente influenciado pelos meios de comunicação, cujos resultados, muitas vezes,
dependem de elementos visuais [...] que desempenham papéis importantes na vida social,
política e econômica” (LOIZOS, 2002, p. 138). E, nesse contexto, as ferramentas imagéticas,
principalmente, a fotografia, torna-se um dos principais recursos de comunicação na
contemporaneidade (FERREIRA, 2009; LOIZOS, 2009; MEDINA FILHO, 2013).
Assim, tendo em vista os aspectos supracitados nesta seção introdutória, apresenta-se,
primeiro, uma breve revisão do método aplicado na presente pesquisa, com ênfase nas
contribuições possibilitadas em pesquisas do tipo metassíntese, especialmente, àquelas
produzidas no contexto do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Ciência Psicológica, que, em
18
síntese, constituem-se em estratégias para a sistematização e análise de avanços acadêmicos e
científicos a respeito de um objeto de estudo. Em seguida, discute-se brevemente a constituição
histórica da fotografia como dispositivo técnico-instrumental e progressivamente modificado
ao longo do tempo.
1.1 Contextualização do método
Os pesquisadores que utilizam produções acadêmicas e científicas como fonte de dados,
empregam tempo e esforços para a realização de estudos com objetivo de reunir, explorar,
mensurar, sistematizar a produção acadêmica e científica sobre determinado objeto de estudo.
E, através disso, conhecer a amplitude e alcance do conhecimento produzido em um
determinado campo do saber científico a respeito desse objeto (BOTELHO; CUNHA;
MACEDO, 2011).
Nesse cenário, incluem as pesquisas fundamentadas nos pressupostos metodológicos da
Medicina Baseada em Evidências, movimento decorrente do crescimento de práticas e
produções acadêmicas e científicas no âmbito da saúde (MATHEUS, 2009), as chamadas
revisões sistemáticas. Estas configuram-se como importantes contributos metodológicos para o
alcance de sínteses de resultados de estudos acadêmicos e científicos (SANDELOWSKI;
BARROSO, 2003).
Nesse tipo de pesquisa, a fonte de dados compreende a literatura científica e acadêmica
sobre determinado objeto de estudo ou campo do saber científico. O seu alcance consiste em
produzir e disponibilizar sistematizações e sínteses a respeito do referencial investigado
(SAMPAIO; MANCINI, 2007). Em suma, busca-se “conhecer o que já foi realizado, para
buscar o que ainda não foi devidamente investigado” (OLIVEIRA; TRANCOSO; BASTOS;
CANUTO, 2015, p. 147).
Segundo Lopes e Fracolli (2008, p. 772), a revisão sistemática de literatura apresenta
como características “fontes de busca abrangentes, seleção dos estudos primários sob critérios
aplicados uniformemente e avaliação criteriosa da amostra”. Ainda, esse tipo de estudo segue
procedimentos metodológicos rigorosos para localização e identificação da amostra, análise
crítica e síntese de estudos relevantes (LOPES; FRACOLLI, 2008). A depender do nível de
tratamento que se dá aos resultados sintetizados, segue configuração quantitativa e/ou
qualitativa; quando analisados estatisticamente configuram-se no campo da meta-análise,
quando integrados e interpretados configuram-se revisão sistemática qualitativa (LOPES;
FRACOLLI, 2008).
19
Os estudos do tipo Metassíntese, nesse sentido, enquadram-se na categoria de pesquisa
denominada revisões qualitativas. No entanto, diferem entre si quanto à abordagem e seu nível
de interpretação. Segundo Botelho e colaboradores (2011), essas pesquisas são divididas em
quatro tipos: meta-estudo; grounded theory; meta-etnografia e metassíntese. Por outro lado,
Lopes e Fracolli (2008) afirmam que essas denominações se referem ao mesmo tipo de método,
no caso, a metassíntese, à medida que são outras nomenclaturas identificadas, na literatura em
estudos, que utilizam os procedimentos que fundamentam a prática baseada em evidências
qualitativas. Os autores supracitados propõem as seguintes denominações: “meta-estudo (metastudy), meta-etnografia (meta-ethnography), meta-análise qualitativa (qualitative metaanalisys) e aggregate analysis” (LOPES; FRACOLLI, 2008, p.774).
Indica-se que no âmbito de nosso Grupo de Pesquisa Epistemologia e a Ciência
psicológica, a metassíntese tem sido desenvolvida em investigações com diferentes objetos de
estudo, a saber, a produção de conceito e sua utilização em áreas distintas (TRANCOSO, 2012),
ou em uma única área (CANUTO, 2016; SANTOS, 2016); a produção de determinado método
(CANUTO et al., 2013) e a configuração de uma área do conhecimento (BASTOS, 2014).
Enfatiza-se, com isso, conforme Oliveira e colaboradores (2015, p. 148), que em pesquisas do
tipo metassíntese “[...] os objetos de investigação são diversos e a precisão em sua delimitação
é ponto crucial para o êxito na investigação, pois dela decorre uma série de procedimentos. A
definição do objeto antecede a operacionalização de qualquer ação do pesquisador”.
O estudo de Trancoso (2012), em resumo, analisa a produção do conceito de juventude
em artigos científicos, dissertações e teses brasileiras a partir dos pressupostos teóricos e
metodológicos da teoria sócio-histórica de Vigotski. Para tanto, este autor busca analisar a
produção do conceito de juventude nas áreas do conhecimento das Ciências Humanas. Utiliza
como fonte de dados, 189 documentos, sendo 37 artigos coletados no Scielo e Google
Acadêmico; 120 dissertações e 37 teses coletados no Banco de Teses & Dissertações - CAPES.
Em síntese, conclui que:
[...] falar de juvenização torna-se mais apropriado como fator exógeno à juventude do
que o contrário. Parece que não deveria fazer parte dos estudos específicos de
juventude, mas de sociedade contemporânea. Considerando o processo de construção
histórica e social, a juventude não ‘possui’ características, mas as desenvolve a partir
dos distintos contextos, das distintas forças e influências que atravessam as pessoas,
e dos processos de significação que cada um realiza. (TRANCOSO, 2012, p. 190).
[...]
Falar de juvenização implica em atribuir uma unicidade de características tanto à
condição como à situação juvenil, especialmente a partir da escolha de alguns
atributos biológicos do corpo jovem, como por exemplo, a aptidão para qualquer
aventura mediante o vigor físico, a iniciação do uso da sexualidade como um dos
mediadores dos relacionamentos com o outro. Essa ideia de juventude-signo nos leva
à pergunta: os jovens ‘juvenilizam’ a sociedade, ou esta sociedade impõe sobre certa
categoria social a exacerbação de um determinado modo de vida, pautado na vontade
20
de que o tempo pare e a existência seja ‘congelada’ nos anos de maior vigor físico?
(TRANCOSO, 2012, p. 190).
A pesquisa de Bastos (2014), por sua vez, analisa a configuração da área do
conhecimento da Saúde Mental e Trabalho. Para tanto, utiliza como ferramenta de busca o
Banco de Teses & Dissertações - CAPES pela “relevância que apresenta na promoção e
divulgação do conhecimento no contexto da pós-graduação brasileira” em diversas áreas do
conhecimento (BASTOS, 2014, p. 39) e a Biblioteca Virtual em Saúde – Psicologia para
“delimitar o corpus da pesquisa, pois, nesse banco, a produção disponível privilegia a área da
Psicologia” (BASTOS, 2014, p. 47). Com isso, em síntese, indica os seguintes resultados:
A produção acadêmica da área da Saúde mental e trabalho, no recorte estudado,
mostra-se inserida historicamente, portanto, contemporânea e voltada para as
necessidades emanadas da sociedade trabalhadora frente aos novos fenômenos que
caracterizam o mundo do trabalho. Essa produção pode ser reconhecida
historicamente por buscar responder às demandas sociais. Nesse sentido assume o
compromisso em apresentar respostas para às situações que afetam diretamente a
população trabalhadora. Essa é uma das condições de sua emergência, que a
caracteriza ainda como uma produção científica que amplia sua análise e, além de
compreender, propõe ações para a transformação do trabalho. (BASTOS, 2014, p.
102).
[...]
Ao investigar os processos de organização do trabalho no âmbito das políticas
públicas e evidenciar a existência de sofrimento / adoecimento psíquico entre os
trabalhadores do Estado, a produção analisada impõe um desafio à área, pois localiza
no poder público um duplo papel: o Estado enquanto agente protetor do trabalho digno
e promotor do trabalho precário. Levanta-se então um questionamento: como
investigar e intervir num agente com essa dupla função? Responder a essa questão
abre várias possibilidades para futuras investigações (BASTOS, 2014, p. 102).
O trabalho de Santos (2016) investiga os sentidos de historicidade em artigos publicados
na revista Psicologia & Sociedade de 1986 e 2015. Para tanto, coletou 369 artigos que, após
processo de refinamento da amostra, resultou em 13 artigos a partir da identificação do descritor
- historicidade. Em síntese, as conclusões desse trabalho indicam que:
Quando não definida, a historicidade nos leva a pensar que seu significado está
previamente acordado pelos usos que resguardam a estabilidade que um conceito
apresenta em sua generalização. Embora, os significados logo desestabilizem para
serem ligados a outros referentes expressos nos sentidos, a ausência de definição nos
trabalhos analisados nos indicou um significado (generalização) subjacente àquelas
ocorrências. (SANTOS, 2016, p. 75)
[...]
Poucos indícios nos foram apresentados nos textos para identificarmos este possível
significado, mas podemos vislumbrar uma resposta, em vista da especificidade do
contexto em que a revista foi fundada. Tendo em vista que, dentre as respostas
diversas que se deram à crise, no Brasil, a psicologia com inspiração vigotskiana e
marxista foi tomada de maneira hegemônica, expressa no trabalho da pesquisadora
Silvia Lane. Avaliamos que se fala da perspectiva de historicidade ligada a estes
sistemas teóricos quando não a palavra não está definida diretamente. Perspectivas
em que a historicidade é marcada pelo materialismo histórico e pelo materialismo
dialético que, na psicologia, estão marcadas na chamada psicologia social crítica
(SANTOS, 2016, p. 75).
21
Por fim, a metassíntese produzida por Canuto (2017), na qual analisou a constituição
sócio-histórica do conceito de infância no Brasil, em artigos científicos na área da Psicologia.
Nesse trabalho, a autora analisou 74 artigos publicados em periódicos com avaliação Qualis
Capes 2015, nos dois estratos mais elevados: A1 e A2. Suas conclusões indicam que:
No que tange ao respaldo técnico da ciência na constituição do conceito de infância,
aponta-se o reconhecimento da importância do papel da psicologia nesse processo,
ressaltando, porém, uma análise crítica de sua participação. Considerando que o
conhecimento científico reflete as condições e possibilidades de cada época e, muitas
vezes, responde a demandas políticas específicas, a psicologia assim o fez no campo
da infância e juventude. Sua entrada se deu pelo campo do desenvolvimento e a
emergência de suas práticas se deu através de dois modelos: clínico, voltado à cura e
tratamento das anormalidades; e o escolar, separando aptos e não aptos. (CANUTO,
2017, p.172).
[...]
No que diz respeito às permanências e rupturas do conceito de infância no Brasil,
considera-se, a partir da análise empreendida nos artigos, que o aparato jurídico e as
políticas públicas sociais voltadas à infância são de grande importância para analisar
o conceito de infância no Brasil, sem desconsiderar que estão articuladas com todo o
contexto social mais amplo (economia, política, cultura). Nessa direção, aponta-se que
o ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] representa um marco histórico
resultante de um longo processo de mudanças no conceito de infância, que institui a
doutrina de proteção integral no lugar da doutrina da situação irregular. (CANUTO,
2017, p.172).
[...]
As políticas públicas voltadas à infância se mostram, portanto, como um desafio para
as práticas “psi”. Assim, a psicologia deve se colocar numa postura crítica às
demandas que está atendendo e se posicionar visando à transformação social e a
desnaturalização de conceitos que ela mesma ajudou a construir. (CANUTO, 2017,
p.173).
Os estudos do tipo metassíntese supracitados (BASTOS, 2014; CANUTO, 2017;
SANTOS, 2016; TRANCOSO, 2012) orientam a condução metodológica adotada nesta
pesquisa. Seja na apropriação teórico-metodológica que subsidia a construção do método
proposto ou, no rigor metodológico, na objetividade e clareza dos procedimentos de coleta e
análise dos dados utilizados.
Dentre outras contribuições, esses estudos (BASTOS, 2014; CANUTO, 2017;
SANTOS, 2016; TRANCOSO, 2012) demonstram a relevância desse tipo de pesquisa como
estratégia para o desenvolvimento de pressupostos científicos e crítica interna a área do
conhecimento específica desses estudos, a saber, Psicologia. À medida que esmiúça sua
produção acadêmica e os subsídios teórico-metodológicos que conduzem a produção de
conhecimentos, a qual, neste estudo, se volta para a fotografia.
1.2 Contextualização da história da fotografia
A primeira metade do século XIX marca a emergência da fotografia como técnica capaz
do registro e fixação de imagens, através do processo químico. Em 1839, o Estado francês
22
tornou domínio público o instrumento conhecido como daguerreótipo, criado por Louis J. M.
Daguerre (1787-1851). Essa ferramenta funciona mediante o processo químico da luz, em
placas iodadas, em uma caixa escura (câmera obscura) que resulta em uma imagem cinzapálida (BENJAMIN, 1940/1987).
Em pleno cenário da revolução industrial, os resultados obtidos por Louis J. M.
Daguerre, possibilitaram a emergência das condições tecnológicas para o desenvolvimento da
criação imagética mediada por dispositivos mais sofisticados que os conhecidos até então. Visto
que em períodos anteriores da história, foram apresentados outros meios técnicos com a
funcionalidade de fixar imagens, Benjamin (1940/1987), como exemplo, cita o uso feito por
Leonardo da Vinci da câmera obscura. A respeito disso, Lopes (2004) conta que:
Esta descoberta [daguerreótipo] nos remete a invenções anteriores, a recursos
tecnológicos criados nos séculos XV e XVI, como a câmera obscura, a perspectiva
monocular e objetiva e ao modelo de imagem construído no período do Renascimento,
que forneceram a pesquisa e o conhecimento básico no campo da ótica para a
construção das tecnologias de produção “automática” de imagens. (LOPES, 2004, p.
96).
De acordo com Caixeta (2006), a história da constituição da fotografia remonta a
período anterior ao Renascimento Cultural, considerando que os princípios óticos da câmera
obscura são conhecidos desde Aristóteles, no século V a. C., segundo sustenta essa autora:
A fotografia não tem um único inventor, já que ela é resultado dos avanços científicos
e tecnológicos de várias áreas do conhecimento: física, química, filosofia, artes,
matemática, astronomia, entre outros, desde o século V a.C. A primeira descoberta
importante para o processo fotográfico foi a câmara escura. Um dos seus modelos
mais conhecidos e ensinados nas escolas consiste numa caixa escura com um pequeno
orifício. Em poucas palavras, quando um objeto é colocado entre a fonte de luz e a
câmara escura, os feixes de luz refletidos no interior da caixa formam uma imagem
invertida do objeto em questão. Esse procedimento ótico começou a ser descrito no
século XVI. Mas, foi no século XIX que, de fato, aconteceu o processo fotográfico.
(CAIXETA, 2006, p. 50).
Já em tempos mais próximos a Louis J. M. Daguerre, verifica-se, na literatura
especializada, que outros estudiosos1 também desenvolveram experimentos com essa mesma
finalidade. No Brasil, Kossoy (1977/2006), na obra Hercule Florence: a descoberta isolada da
fotografia no Brasil, apresenta documentos que demonstram que Hercule Florence desenvolvia
experimentos com métodos de impressão pela luz solar, a partir de 1833, no interior brasileiro.
Afirma assim, que essa é uma descoberta independente da fotografia, em um experimento que
Hercule Florence nomeou Photographie, em razão do papel central da luz (OLIVEIRA, 2006).
Segundo Oliveira (2006, p. 5), “Willian Henry Fox Talbot (1800 - 1877), também pesquisava uma forma de
gravar quimicamente a imagem no papel. Suas pesquisas fotográficas consistiam em obter cópias por contato de
silhuetas de folhas, plumas, rendas e outros objetos”.
1
23
Desde os primórdios da invenção da fotografia até os tempos atuais, em decorrência das
aplicações e inovações tecnológicas que se avolumam no cenário da sociedade contemporânea,
houve uma completa reinvenção da criação fotográfica. Lopes (2004, p. 96) afirma que
“observamos [desde a criação de Louis J. M. Daguerre] várias transformações e criações
tecnológicas que permitiram o aperfeiçoamento das inúmeras possibilidades de registrar e fixar
imagens”. Desde então, segundo Samain (2005, p. 14):
A imagem fotográfica foi, desde que surgiu, o ponto para onde convergiram múltiplos
discursos: discurso técnico, estético, literário, filosófico, psicanalítico, semiológico,
sociológico e antropológico; discurso sobre seus estilos, seus gêneros, seus possíveis
usos; discursos daqueles que a faziam e debates que essa imagem suscitava nos meios
artísticos. (SAMAIN, 2005, p. 14)
Nessa direção, no processo histórico, a imagem cinza-pálida alcançada pelo
daguerreotipo e, posteriormente, o preto e branco das primeiras máquinas fotográficas, foram
substituídos pelas cores realistas reproduzidas pelos dispositivos modernos. O longo tempo
parado para se conseguir foco2 adequado foi reduzido há poucos segundos, em decorrência dos
mecanismos que focalizam e reproduzem imagens fidedignas a representação do objeto
fotografado. O enquadramento limitado a um pequeno espaço foi substituído por quadros mais
amplos e pela fotografia panorâmica. O peso e dimensão das primeiras máquinas fotográficas,
que limitavam sua portabilidade, deram lugar a pequenos aparelhos capazes de serem
transportados sem grandes esforços.
O progresso tecnológico, na constituição do dispositivo fotográfico, ainda nos primeiros
anos do século XX, imprimiu suas contribuições, dentre outros aspectos, na popularização da
máquina fotográfica, primordialmente, através de tecnologias que permitiram maior
portabilidade dessa ferramenta e custos mais acessíveis3. Essa nova configuração situa a
mudança de perspectiva sobre o uso da fotografia, especialmente, no período entre a Primeira
e a Segunda Guerra Mundial, conforme Segundo Reznik e Araújo (2007, p. 1018):
Foi na primeira metade do século XX que a utilização da máquina fotográfica tornouse popular. Para além da crescente e veloz evolução tecnológica que a envolveu, a
fotografia passou a figurar como um discurso da verdade, importante documento
comprobatório de um acontecimento. Não foram poucos os dirigentes políticos que
lançaram mão de sua utilização. Para muitos historiadores da fotografia, localiza-se
entre as duas grandes guerras, mais do que qualquer outra época, o momento em que
a imagem passou a ser explorada em todas as suas potencialidades. (REZNIK;
ARAÚJO, 2007, p. 1018).
2
Em razão disso, até os tempos atuais persiste a tradição de não permitir sorrisos em fotografias de documentos
oficiais. Pois, no século XX, com a democratização da fotografia, iniciou-se o uso de fotos em documentos de
identificação pessoal. Assim, devido ao longo tempo que a pessoa era obrigada a ficar parada para se conseguir
um registro focado, não era comum que sorrissem, enquanto posavam para uma fotografia.
3
Em 1900, ocorreu o lançamento da câmera Kodak Brownie, equipamento vendido a $1 e seu filme a 15 cents.
[http://www.kodak.com/corp/aboutus/heritage/photography/default.htm]
24
Esse momento emblemático para a popularização da fotografia também é apontado por
Lacerda (1994, p. 253):
Esse movimento remonta à década de 20, com a República de Weimar, momento de
efervescência cultural, dominado pelas vanguardas artísticas, em que uma perspectiva
nova se abre no domínio da expressão fotográfica, então duplamente valorizada: nos
seus aspectos de objetividade e de possibilidade de experimentação. Nesse sentido, há
uma transformação não só nas formas de perceber a imagem, mas, sobretudo nas
formas de a conceber e construir. Essa "Nova Objetividade", corrente que se impõe,
busca um rompimento com as hierarquias tradicionais da arte ao mesmo tempo em
que atribui importância aos progressos técnicos, reconhecendo no caráter mecânico
da fotografia o motivo de sua nova função: revelar um mundo realista, conferindo ao
objeto fotografado "autenticidade", em função da utilização das novas técnicas
fotográficas. (LACERDA, 1994, p. 253).
No campo das Artes, o advento da fotografia, fruto do positivismo moderno, apresentou
novos rumos para a criação imagética que, naquele momento, não foram bem aceitos por parte
da comunidade artística (CAIXETA, 2006). Segundo Mauad (1996), desde então, a fotografia
é cercada por polêmicas em torno de seus usos e funções. No século XIX, por exemplo, o meio
artístico “via o papel da arte eclipsado pela fotografia, cuja plena capacidade de reproduzir o
real, através de uma qualidade técnica irrepreensível, deixava em segundo plano qualquer tipo
de pintura” (MAUAD, 1996, p. 2). Assim, houve, nesse período, uma intensa disputa entre a
classe artística, em defesa da pintura como elemento artístico criado na “imaginação criativa e
na sensibilidade humana”, em oposição à fotografia como “instrumento de uma memória
documental da realidade” sem qualquer traço da subjetividade humana (MAUAD, 1996).
Segundo relata Dubois (1983/1998, p. 28), os artistas atuavam “contra o domínio
crescente da indústria técnica na arte, contra o afastamento da criação e do criador, contra a
fixação no ‘sinistro visível’ em detrimento das ‘realidades interiores’ e das ‘riquezas do
imaginário’” (DUBOIS, 1983/1998, p. 28). Nesse aspecto, Baudelaire é mais contundente em
sua posição sobre o papel da fotografia na sociedade de então (citado por DUBOIS, 1983/1998,
p. 29):
Estou convencido de que os progressos mal aplicados da fotografia contribuíram
muito, como aliás todos os progressos puramente materiais, para o empobrecimento
do gênio artístico francês, já tão raro (...). Disso decorre que a indústria, ao irromper
na arte, se torna sua inimiga mais mortal e que a confusão das funções impede que
cada uma delas seja bem realizada (...). Quando se permite que a fotografia substitua
algumas das funções da arte, corre-se o risco de que ela logo a supere ou corrompa
por inteiro graças à aliança natural que encontrará na idiotice da multidão. É, portanto,
necessário que ela volte a seu verdadeiro dever, que é o de servir ciências e artes, mas
de maneira bem humilde, como a tipografia e a estenografia, que não criaram nem
substituíram a literatura que ela enriqueça rapidamente o álbum do viajante e devolva
a seus olhos a precisão que falta à sua memória, que orne a biblioteca do naturalista,
exagere os animais microscópicos, fortaleça até com algumas informações as
hipóteses do astrônomo; que seja finalmente a secretária e o caderno de notas de
alguém que tenha necessidade em sua profissão de uma exatidão material absoluta,
25
até aqui não existe nada melhor. Que salve do esquecimento as ruinas oscilantes, os
livros, as estampas e os manuscritos que o tempo devora, as coisas preciosas cuja
forma desaparecerá e que necessitam de um lugar nos arquivos de nossa memória,
seremos gratos a ela e iremos aplaudi-la. Mas se lhe for permitido invadir o domínio
do impalpável e do imaginário, tudo o que só é válido porque o homem lhe acrescenta
a alma, que desgraça para nós! (DUBOIS, 1983/1998, p. 29).
Nesse caminho, as questões que se colocam a partir dessas novas potencialidades visuais
(em termos de reprodução), verificadas na imagem documental (fotografia), em contraste a
imagem artística e criativa (pintura, desenho), formalizam-se em aspectos que vão de encontro
à natureza técnica que emergem nos processos de produção da fotografia. Em específico, a
mediação do dispositivo mecânico e de reações químicas que são capazes de fixar o olhar do
sujeito produtor. É nessa composição que se localiza o interesse a respeito da técnica da
fotografia, com destaque as contribuições de Boris Kossoy (1989/2001) a respeito da
materialidade da fotografia, localizadas no tópico seguinte.
1.3 Aspectos técnicos da fotografia
O mecanismo de reações químicas para o registro e fixação da imagem formalizou dois
elementos que fundamentam a constituição da fotografia enquanto organização física:
materialidade (existência física, concreta) e técnica (processos de produção). A fixação da
imagem em placas de prata iodadas permitiu aos pioneiros da fotografia materializar a imagem,
torná-la objetivamente - e fisicamente - presente para além da visão do olho humano. Nesse
aspecto, poder reproduzi-la.
Antes mesmo do advento da fotografia, já se discutia a questão da produção de imagens
cada vez mais próximas à realidade. Lopes (2004, p. 97) afirma que o período do Renascimento,
marca a produção de imagens técnicas:
Artistas deste período construíram várias máquinas e procedimentos de representação
destinados a garantir a objetividade da coisa representada. Almejavam dar uma maior
credibilidade e coerência ao trabalho de produção de imagens, até então existente.
Buscando atingir o ideal da verossimilhança na imagem, acreditavam garantir maior
confiança no conhecimento advindo desta produção. Para atingir este objetivo,
utilizavam artifícios que o levavam a criar imagens cada vez mais calculadas,
arquitetadas, construídas. (LOPES, 2004, p. 97).
Para Kossoy (1989/2001), a fotografia, enquanto matéria e expressão, não se apresenta
apenas no conteúdo com as informações que se registram, pois, estas coexistem a seu suporte
físico – técnicas fotográficas tradicionais que possibilitam o registro imagético.
A fotografia é uma representação plástica (forma de expressão visual)
indivisivelmente incorporada ao seu suporte e resultante dos procedimentos
tecnológicos que a materializam. Uma fotografia original é, assim, um objetoimagem: um artefato no qual se pode detectar em sua estrutura as características
técnicas típicas da época em que foi produzido. (KOSSOY, 1989/2001, p. 40)
26
A produção fotográfica é sempre uma ação intencional. É o olhar do criador mediado
por um dispositivo que registra/congela o conteúdo visual e, assim, materializa-o em uma
unidade física4. Kossoy (1989/2001, p. 36) pontua que “Toda fotografia tem sua origem a partir
de um indivíduo que se viu motivado a congelar em uma imagem um aspecto dado do real, em
determinado lugar e época”.
Nesse aspecto, para Kossoy (1989/2001), a produção de uma fotografia, enquanto
criação mediada pela ação humana, decorre de três ‘elementos constitutivos’, que, em síntese,
são compostos pelo assunto, enquanto “tema escolhido, o referente fragmentado do mundo
exterior (natural, social etc.)” (KOSSOY, 1989/2001, p. 38). O fotógrafo, sendo o “autor do
registro, agente e personagem do processo” (KOSSOY, 1989/2001, p. 38). E a tecnologia, que
são os “materiais fotossensíveis, equipamentos e técnicas empregadas para a obtenção do
registro, diretamente pela ação da luz” (KOSSOY, 1989/2001, p. 38).
Por sua vez, o processo de produção, que, segundo Kossoy (1989/2001), se formaliza
em um ciclo que se completa na cristalização bidimensional de uma imagem de um dado
referente. Quanto a isso, o autor denomina ‘coordenadas de situação’, pois se vinculam a
demarcação do espaço “geográfico, local onde se deu o registro” (KOSSOY, 1989/2001, p. 38)
e o tempo “cronológico, época, data, momento em que se deu o registro” (KOSSOY,
1989/2001, p. 38). Essa ação e processo resultam então no produto final, que é, em si, a
fotografia “a imagem, registro visual fixo de um fragmento do mundo exterior, conjunto dos
elementos icônicos que compõem o conteúdo e seu respectivo suporte” (KOSSOY, 1989/2001,
p. 39).
Nesse sentido, a imagem fotográfica é resultado da ação humana conduzida por
instrumentos técnicos que viabilizam a objetivação de um conteúdo visual. Esta materialidade
se apresenta como representação bidimensional de um objeto que preexiste anterior a criação
fotográfica, razão esta que configura a fotografia como uma ação sobre a realidade –
representação do real ou de aspectos do real. Assim, a fotografia está intrinsicamente vinculada
a seu referente, sendo uma reprodução deste em outra forma física, materializada. O que faz da
fotografia um poderoso documento com informações próprias de um determinado contexto.
Mas, essas questões não implicam à ação humana importância secundária na criação
fotográfica:
Toda fotografia tem atrás de si uma história. Olhar para uma fotografia do passado e
refletir sobre a trajetória por ela percorrida é situá-la em pelo menos três estágios bem
4
Kossoy (2001) destaca que antes do advento da fotografia, outras estratégias foram aplicadas para o alcance da
materialização da imagem, o desenho e a pintura se incluem nesse processo.
27
definidos que marcaram sua existência. Em primeiro lugar houve uma intenção para
que ela existisse; esta pode ter partido do próprio fotógrafo que se viu motivado a
registrar determinado tema do real ou de um terceiro que o incumbiu para a tarefa.
Em decorrência desta intenção teve lugar o segundo estágio: o ato do registro que
deu origem à materialidade da fotografia. Finalmente, o terceiro estágio: os
caminhos percorridos por esta fotografia, as vicissitudes por que passou, as mãos que
a dedicaram, os olhos que a viram, as emoções que despertou, os porta-retratos que a
emolduraram, os álbuns que a guardaram, os porões e sótãos que a enterraram, as
mãos que a salvaram. Neste caso seu conteúdo se manteve, nele o tempo parou. As
expressões ainda são as mesmas. Apenas o artefato envelheceu. (KOSSOY,
1989/2001, p. 45, grifo meu).
Enfim, a fotografia não é somente a materialidade do conteúdo visual. É, sobretudo, a
impressão do/a fotógrafo/a (do sujeito), que está efetivamente presente na imagem criada, sua
“própria atitude [...] diante da realidade; seu estado de espírito e sua ideologia acabam
transparecendo em suas imagens, particularmente naquelas que realiza para si mesmo enquanto
forma de expressão pessoal”.5 (KOSSOY, 1989/2001, p. 43).
1.4 Objetivos e questões
Esta investigação tem como objeto de estudo a fotografia como ferramenta de produção
do conhecimento em Psicologia. Para tanto, utiliza-se como fonte de dados a produção
acadêmica e científica da Pós-graduação brasileira em Psicologia. Entende-se que o produto
oriundo desse nível de formação acadêmica, especificamente as dissertações e teses, fornece as
informações necessárias para o alcance da proposta desta investigação, à medida que se
apresenta como produção de profundidade teórica e/ou metodológica. Desse modo, as questões
investigativas, em consonância com o método de pesquisa utilizado, contemplam tanto a
delimitação do objeto de estudo quanto o nível acadêmico-científico das produções que
compõem o corpus analítico.
Assim, quando a proposição desta investigação, formularam-se as seguintes questões:
1) Quais os usos que vem sendo feitos com a fotografia como instrumento de pesquisa em
Psicologia na Pós-graduação brasileira?; 2) Como a produção acadêmica de dissertações e teses
com uso da fotografia como instrumento de pesquisa em Psicologia está configurada (em nível
institucional, geográfico e histórico)?; 3) Quais são os pressupostos epistemológicos, teóricos e
metodológicos que subsidiam a produção do conhecimento com uso da fotografia como
instrumento de pesquisa em Psicologia?
Boris Kossoy (1989/2001, p. 43) faz uma ressalva a respeito do que chama “entrelaçamento ideal do conjunto
fotógrafo-câmara-assunto”, em síntese, afirma que há, ainda que em mesmas condições de produção, imagens que
se destacam no processo histórico, em importância e relevância, devido a “bagagem cultural, a sensibilidade e a
criatividade” do/a fotógrafo/a.
5
28
E, para o alcance das respostas, definiram-se os seguintes objetivos: realizar
metassíntese da produção acadêmica sobre o uso da fotografia como instrumento de pesquisa
em Psicologia no nível da Pós-graduação no Brasil. Especificamente, explorar a produção;
sistematizar as informações, descrever a produção; configurar a constituição histórica,
geográfica e institucional; identificar os pressupostos teóricos e metodológicos que subsidiam
o conhecimento produzido no âmbito dessas produções e, por fim, interpretar os usos feitos da
fotografia como instrumento de pesquisa em Psicologia na pós-graduação brasileira em
Psicologia.
1.5 Estrutura da dissertação
A estrutura deste trabalho divide-se em cinco capítulos.
Neste primeiro capítulo, desenvolveu-se a apresentação da pesquisa e do objeto de
estudo. Situando-o brevemente a fotografia historicamente e destacando seus aspectos técnicos,
também, enquanto ferramenta/instrumento constantemente atravessada pelos avanços
tecnológicos cada vez mais comuns e provocadores de mudanças. Além disso, tratou da
inserção deste estudo no campo das revisões sistemáticas qualitativas, de modo que se
discutiram conceitos e definições, referenciadas pela literatura especializada, sobre esse tipo de
pesquisa. Buscou-se, ainda, apresentar sumariamente as revisões qualitativas - metassíntese que orientaram e contribuíram através de seus pressupostos metodológicos a condução desta
investigação.
Na sequência, o capítulo Método, espaço no qual descrevem-se as etapas metodológicas
que orientaram a condução desta pesquisa. Continuamente, detalham-se os procedimentos
metodológicos adotados para coleta e análise dos dados. No capítulo seguinte, denominado
Panorama Descritivo, apresentam-se indicadores quantitativos da produção investigada,
analisando-a paralelamente ao desenvolvimento da Pós-graduação brasileira.
O quarto capítulo, intitulado Interpretação, refere-se à etapa qualitativa deste trabalho.
Inicia-se com a descrição pormenorizada do corpus analítico, contextualizada a partir do
segmento histórico das produções acadêmicas no nível do doutorado em Psicologia. Na
sequência, apresenta-se a análise interpretativa das formas de uso da fotografia na pesquisa em
Psicologia, com base no material analítico.
Por fim, no quinto capítulo, nomeado Considerações Finais, apresenta-se síntese dos
resultados contextualizados nas seções anteriores, bem como, os alcances, limites e
contribuições desta pesquisa.
29
2 MÉTODO
A produção de metassíntese segue configuração processual, com etapas sequenciais e
complementares, conduzidas de forma sistemática e objetiva (ESPÍNDOLA; BLAY, 2006;
OLIVEIRA et al., 2015). Com isso, obtém-se análise crítica da produção acadêmica sobre o
objeto de estudo supracitado, mediante alcance da síntese e articulação dos resultados da
produção investigada (OLIVEIRA et al., 2015). Para a análise dos dados, utiliza-se a técnica
de análise de conteúdo, procedimento que compreende:
[...] um conjunto de técnicas de análise de comunicações visando obter, por
procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens,
indicadores (quantitativos ou não) que permitem a inferência de conhecimentos
relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens
(BARDIN, 1995, p. 42).
Para o alcance dos objetivos propostos nesta investigação, utiliza-se a construção
metodológica desenvolvida e aprimorada em trabalhos produzidos no âmbito da Linha de
Pesquisa Processos Psicossociais do PPGP/UFAL (BASTOS, 2014; CANUTO et al, 2013;
OLIVEIRA et al., 2015; SANTOS, 2016; TRANCOSO, 2012), no Grupo de Pesquisa
Epistemologia e Ciência Psicológica. A sequência metodológica é composta por cinco etapas,
denominadas: Exploração, Refinamento, Cruzamento, Descrição e Interpretação. A seguir,
caracteriza-se cada uma delas.
A etapa denominada Exploração, consiste no acesso as fontes de busca dos documentos
que comporão a amostra. Nesse momento, lança-se mão de ferramentas que auxiliarão o/a
pesquisador/a a direcionar a busca aos documentos que tratam do objeto de estudo, citam-se
como exemplo, no caso de banco de dados virtuais, os descritores ou palavras-chave. Sugerese, também, a leitura seletiva, a fim de alcançar a delimitação da amostra (BASTOS, 2014;
OLIVERIA; BASTOS, 2014; OLIVEIRA et al., 2015).
A etapa seguinte corresponde ao Refinamento (BASTOS, 2014; OLIVERIA;
BASTOS, 2014; OLIVEIRA et al., 2015), trata-se do primeiro momento de tratamento dos
dados, em que o/a pesquisador/a procede a análise das informações levantadas, de modo a
verificar se os documentos alcançados tratam do objeto que se propõe a investigar. Nessa etapa,
objetiva a constituição do corpus analítico em que o conteúdo dos documentos seja o seu
parâmetro de seleção, reduz-se a amostra e se ganha na qualidade e relevância dos documentos.
Sugere-se o uso do procedimento de leitura flutuante (BARDIN, 1995), que, nesse momento,
poderá contribuir na delimitação criteriosa da amostra e definição dos recortes da pesquisa:
A leitura flutuante cumpre triplo papel: iniciar o investigador no esforço de
impregnação com o material a ser analisado, refinar a primeira seleção realizada na
leitura seletiva determinando de forma definitiva o corpus analítico da pesquisa,
30
estabelecer, quando for o caso, as partes essenciais dos documentos a serem lidas em
profundidade (OLIVEIRA et al., 2015, p. 150).
A terceira etapa, denominada Cruzamento, compreende a análise comparativa entre
todos os documentos resultantes da etapa de Refinamento, a fim de verificar duplicidade de
documentos. Nesse momento, considera-se o desenho da pesquisa, a quantidade de descritores
e fontes de busca. Assim, sugere-se a aplicação de níveis de tratamento conforme esses aspectos
mencionados. São eles: (a) cruzamento intradescritor (verificar duplicidade de documentos
entre as variações sintáticas e semânticas de cada descritor), (b) cruzamento interdescritor
(verificar duplicidade de documentos entre diferentes descritores) e (c) cruzamento entre as
fontes de dados consultadas (BASTOS, 2014; OLIVERIA; BASTOS, 2014; OLIVEIRA et
al., 2015).
A quarta etapa, denomina Descrição, tem por objetivo conhecer o corpus analítico a
partir da descrição das informações que identificam os documentos. Esta etapa compreende o
alcance da revisão sistemática de literatura, de modo a conhecer aspectos que caracterizam a
produção acadêmica sobre determinado objeto de estudo. Sugere-se o uso de ferramentas para
facilitar o processo de sistematização dos dados (OLIVEIRA et al., 2015).
Por fim, a etapa de Interpretação, que no âmbito das revisões qualitativas, compreende
o momento de efetivação da metassíntese. Nessa etapa, o/a pesquisador/a lança mão de
procedimentos para o alcance da síntese interpretativa. Para tanto, “articula as informações,
estabelece conexões, confronta dados apresentados, enfim, ultrapassa o conteúdo de cada
documento para alcançar uma compreensão que está entre estes” (OLIVEIRA et al., 2015, p.
150). Segundo esses mesmos autores, esse alcance consistirá numa “ação interpretativa em que
o pesquisador consegue operar uma transformação, superar a síntese, propor uma crítica interna
à produção científica e um novo conhecimento a partir daquele já produzido” (OLIVEIRA et
al., 2015, p. 150).
2.1 Descrição dos procedimentos
A seguir, apresentam-se os procedimentos adotados nesta investigação. Pontua-se que
em relação às cinco etapas inicialmente projetadas no desenho metodológico, uma delas
precisou ser suprimida, a saber, a etapa denominada Cruzamento, pois não houve razão de
aplicação devido à construção de busca e operacionalização da base de dados. Esse aspecto é
detalhado no tópico seguinte – Exploração – em que está descrito a condução da busca e a
utilização de mecanismos auxiliares para a realização de pesquisas avançadas em bases/bancos
de dados virtuais.
31
2.1.1 Exploração
A exploração iniciou-se pela definição e acesso aos documentos para a construção do
corpus analítico da pesquisa (OLIVEIRA et al., 2015). Conforme Colepicolo (2014), para
buscar e reunir informações provenientes de bancos de dados, o/a pesquisador/a deverá aplicar
critérios objetivos e rigorosos para ter acesso às informações que são relevantes à sua pesquisa.
Sendo assim, a definição do tipo de documento utilizado, nesta pesquisa, contemplou os
seguintes critérios: 1) material oriundo dos Trabalhos de Conclusão da Pós-graduação
brasileira; 2) maior profundidade teórica e metodológica. Assim, sob essas condições, teses e
dissertações foram os documentos selecionados para a construção do corpus analítico, tendo
em consideração o potencial analítico desse tipo de fonte de informação para o alcance dos
objetivos da pesquisa (OLIVEIRA et al., 2015).
Na sequência, a definição da fonte de consulta segue o mesmo rigor qualitativo.
Inicialmente, selecionou-se o Banco de Teses & Dissertações - CAPES, à medida que se
apresenta como principal ferramenta de promoção e divulgação da produção acadêmica da pósgraduação brasileira.
O desenvolvimento dessa etapa ocorreu entre julho e agosto de 2016. Nesse momento,
constatou-se que o Banco de Teses & Dissertações - CAPES estava em fase de reformulação
para operar em conjunto com a Plataforma Sucupira (atualização 2013-2016).
Em razão disso, realizou-se exploração na ferramenta a fim de conhecer as
possibilidades de operações de busca do banco de dados supracitado com disponibilidade de
registros de teses e dissertações brasileiras e seus dados bibliográficos: filtros de resultados por:
tipo, ano, autor, membros da banca, orientador, grande área do conhecimento, área do
conhecimento, área de avaliação, área de concentração, nome do programa, instituição de
ensino superior e biblioteca depositária.
Contudo, nesse momento, verificaram-se imprecisões no sistema de filtros de
resultados, de modo que quantitativos informados automaticamente pelo banco de dados não
se apresentaram verdadeiros quando conferidos manualmente. Assim, para a coleta de
informações com maior proximidade a proposta deste estudo, utilizou-se a aplicação do
operador booleano de intersecção AND para integração dos termos de busca (COLEPICOLO,
2014). Assim, definiu-se como configuração de busca a associação do termo chave: fotografia
a área do conhecimento: psicologia, através do operador booleano AND (com letras
maiúsculas): fotografia AND psicologia.
No entanto, após realizar buscas com uso da operação supracitada, verificou-se, a partir
de leitura de teses e dissertações selecionadas aleatoriamente, a necessidade de utilizar termos
32
que contemplam variações sintáticas, semânticas e derivações da palavra fotografia, tais como:
fotografia/s, foto/s, fotográficas/os, fotomontagem, fotocomposição entre outros. Sendo assim,
optou-se por usar o recurso de recuperação de múltiplos termos em única operação de busca,
através do caractere curinga/truncado: *(asterisco) que acompanha o radical e substitui o sufixo
da palavra fotografia na seguinte forma: fot*
Desse modo, a operação de busca final configura-se na seguinte integração: fot* AND
psicologia6. Conforme Colepicolo (2014), a aplicação do caractere truncado/curinga tem
potencial de tornar a busca mais eficiente, pois permite ampliar o alcance da pesquisa ao
contemplar múltiplos termos em única operação de busca. Além disso, conforme pontua
Oliveira e colaboradores (2015, p. 149) no que diz respeito à definição de descritores, “Para
que se alcance um volume considerável de material relacionado ao objeto de pesquisa, os
descritores devem ser construídos considerando variações semânticas e sintáticas”. O uso
dessas estratégias de pesquisa permitiu delimitar o alcance da busca a resultados com maior
proximidade a proposta de estudo.
Destaca-se que o Banco de Teses & Dissertações - CAPES disponibilizou acesso apenas
aos dados referenciais de produções anteriores a 2013. Já as produções defendidas entre 2013
e 2016 apresentavam vínculo a Plataforma Sucupira, que, por sua vez, permitia acesso aos
dados referenciais, ao resumo e ao trabalho completo. A figura abaixo, capturada por meio de
ferramenta de captura de tela, exemplifica as informações que apareceram no Banco de Teses
& Dissertações - CAPES durante o período de coleta de dados.
Figura 1 - Exemplo de identificação como ‘Trabalho Anterior a Plataforma Sucupira’
Figura 2 - Exemplo de trabalho com acesso a Plataforma Sucupira
6
Verifica-se o uso de dois mecanismos para a condução de pesquisas avançadas. Primeiro, o operador de
truncamento, também conhecido como caractere curinga, na forma do símbolo *. O uso deste recurso, segundo
Colepicolo (2014), permite buscar partes de uma palavra, substituindo seu prefixo ou sufixo, ou ainda, no meio da
palavra. Em seguida, integrado ao mencionado, tem-se o operador booleano AND, chamado de operador de
intersecção, sua aplicação consiste em interligar dois termos, os quais estarão obrigatoriamente presentes em todos
os registros localizados (COLEPICOLO, 2014).
33
Em razão do objetivo de configurar a constituição histórica da fotografia, como
instrumento de produção do conhecimento na pós-graduação brasileira, não se utilizou o recorte
do período de produção, como critério de seleção de documentos. Assim, com uso da
configuração de busca supracitada, o Banco de Teses & Dissertações - CAPES - Plataforma
Sucupira recuperou o quantitativo de 540 documentos (teses e dissertações), conforme
demonstrativo no Quadro 1.
Quadro 1 - Configuração quantitativa do corpo documental
BANCO DE DADOS
PERÍODO
QTD.
DUPLICIDADE
(EXCLUÍDOS)
TOTAL
Banco de Teses & Dissertações CAPES
Anterior a
2013
362
1
361
Plataforma Sucupira
2013 a 2016
178*
1
177
540
2
538
Fonte: Autor, 2018
Legenda: Qtd = Quantidade.
Nota: *. A coleta de dados realizada em julho e agosto de 2016 resultou em 137 documentos recuperados da
Plataforma Sucupira. Em fevereiro de 2017, a Plataforma Sucupira foi atualizada com acréscimo de 41 documentos
referentes ao período de 2013 a 2016, os quais foram somados ao quantitativo encontrado inicialmente.
Em seguida, realizou-se a catalogação das informações disponíveis, de todos os
documentos recuperados, em duas planilhas, no software Excel, para organização das
informações. A primeira, contendo as informações de documentos marcados como ‘Trabalho
Anterior a Plataforma Sucupira’, restrito a seus dados referenciais. E, a segunda, com as
informações de documentos com direcionamento a Plataforma Sucupira, com acesso ao
resumo, aos dados referenciais e ao documento na íntegra. Nessa mesma planilha, foram salvos
− Hypertext Transfer Protocol (HTTP), para posterior localização e armazenamento do arquivo,
contendo o trabalho completo.
Para a catalogação no Excel (Apêndice A), definiram-se categorias de registro das
informações das teses e dissertações, quais sejam: a) quantidade; b) título; c) tipo; d)
nível/programa; e) autoria; f) orientador/a; g) Instituição de Ensino Superior (IES); h) Unidade
Federativa (UF); i) ano; j) acesso ao texto completo; k) acesso somente ao resumo; l) termo de
busca; m) presença no título; n) resumo.
Destaca-se que o uso desse software para a catalogação dos dados, aperfeiçoa a
sistematização das informações, pois, permite trabalhar com sistema de filtros, de modo a
canalizar o acesso a informações específicas, seguindo os dados catalogados. Apresenta,
também, outras funções para o tratamento de dados quantitativos, a exemplo, a verificação de
duplicidade de documentos (Valores Duplicados), o qual compara as células preenchidas em
34
uma determinada coluna ou linha para a identificação de entradas repetidas. Através dessa
aplicação, identificaram-se dois trabalhos duplicados, os quais foram excluídos. Com isso,
reduziu-se o quantitativo inicial de 540 documentos para 538 documentos.
Em seguida, realizou-se a localização e armazenamento das dissertações e teses na
íntegra. Primeiro, mediante acesso ao link da página individual de cada um dos 177 documentos
na Plataforma Sucupira, disponível no Banco de Teses & Dissertações - CAPES. Com isso,
foram identificados 154 trabalhos completos para download na Plataforma Sucupira. Os 23
documentos resultantes que não estavam disponíveis na íntegra foram buscados em outros
ambientes virtuais, a saber, Google.com, bibliotecas depositárias institucionais e outras bases
de dados (bdtd.com; oásis.br e bvs-psi). Com esse procedimento, encontramos sete (7)
trabalhos completos. Assim, foram localizados 161 documentos na íntegra. Os 16 documentos
que não foram localizados online, tiveram o resumo e os dados cadastrados na Plataforma
Sucupira, extraídos da página web, e armazenados em formato PDF.
O segundo conjunto de documentos, formado pelos 361 trabalhos marcados como
‘Anterior a Plataforma Sucupira’, os quais estavam disponíveis apenas seus dados referenciais,
foram buscados através das mesmas ferramentas citadas anteriormente. Para a localização
desses documentos, a busca foi realizada mediante indicação do título do trabalho. Com isso,
foram encontrados 234 documentos na íntegra; 49 resumos (sem acesso ao texto completo), os
quais tiveram suas páginas web armazenadas em formato PDF. Não foram localizados 78
documentos através das ferramentas utilizadas.
Quadro 2 - Composição quantitativa dos documentos localizados no Banco de Teses & Dissertações
e Plataforma Sucupira
NÍVEL DE ACESSO
BANCO DE TESES &
DISSERTAÇÕES
PLATAFORMA
SUCUPIRA
TOTAL
Quantidade
361
177
538
Acesso ao texto completo
234
161
395
Acesso apenas ao resumo
49
16
65
Sem acesso (não foram
localizados)
78
0
77
Fonte: Autor, 2018
A etapa seguinte buscou avançar a consolidação do corpo documental, mediante
redução quantitativa de 460 documentos (395 trabalhos completos e 65 trabalhos com acesso
restrito ao resumo e dados referenciais).
35
2.1.2 Refinamento
Para o refinamento aplicaram-se níveis de tratamento para maior adequação do corpo
documental a proposta de estudo. Inicialmente, buscou-se delimitar a amostra a partir da
identificação da palavra fotografia ou termos derivados no título das teses e dissertações. No
entanto, esse critério mostrou-se restritivo, pois, através de leitura seletiva dos títulos de 30
documentos, apenas três (3) trabalhos apresentaram no título a palavra fotografia ou palavras
derivadas. Por essa razão, esse critério não foi aplicado, pois, restringe o quantitativo de
documentos e descarta trabalhos relevantes para o alcance da proposta de estudo.
A partir disso, definiu-se como critério de inclusão e exclusão, a presença/identificação
do uso da fotografia no resumo, seja, como abordagem única ou multimétodo. Para tanto, foram
lidos os 460 resumos localizados, dos quais, foram excluídos 91 trabalhos, pois, em 83 resumos
a fotografia não se enquadra como uso metodológico; em sete (7) trabalhos, não há indicação
do uso da fotografia, no resumo e, um (1) trabalho não apresenta resumo em seu corpo textual.
Resultaram, então, deste procedimento, 369 trabalhos, sendo 282 dissertações e 88 teses.
Apresentam-se, a seguir, exemplos de documentos excluídos após leitura do resumo. O
primeiro documento trata-se de uma dissertação de Mestrado em Psicologia, defendida no ano
de 2011, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), intitulada Salas/celas, sinas e cenas:
o cinema no contexto prisional. A localização do trabalho ocorreu a partir do termo fotografia,
o qual se apresenta no resumo da dissertação, conforme sentença extraída: “[...] Foram
organizadas vinte e duas sessões quinzenais com a exibição de filmes nacionais e estrangeiros,
selecionados pelo critério de apresentação de inovações na linguagem cinematográfica, seja no
roteiro, na fotografia e/ou em outro aspecto específico deste universo” (SOUSA, 2011, n. p.).
Nesse exemplo, nota-se que a fotografia não está sendo empregada como instrumento
metodológico, mas, apenas como um dos elementos que compõe uma produção
cinematográfica.
O exemplo a seguir ilustra a localização de um trabalho a partir do radical foto. O
trabalho consiste em uma tese de Doutorado em Odontologia, defendida no ano de 2014, na
Universidade Cruzeiro do Sul, com título: Avaliação de resistência de união em esmalte de
dentes decíduos hipoplásicos. A localização do trabalho ocorreu a partir do termo fotoativação
presente em seu resumo, conforme indica o trecho seguinte: “[...] Em seguida, foram
condicionados com ácido ortofosfórico a 35% e foi aplicado o sistema adesivo (Adper Single
Bond) em duas camadas, com fotoativação por 10 segundos” (SCHEIDT, 2014, n. p.). Através
de acesso aos dados referenciais do trabalho na Plataforma Sucupira, buscou-se identificar a
presença da Psicologia nesse estudo, a qual se apresenta na Linha de Pesquisa do Programa de
36
Pós-graduação da instituição de ensino superior proveniente, intitulada: Psicologia,
Desenvolvimento e Prevenção Bucal, com área de concentração: Odontopediatria.
Como exemplo de trabalhos incluídos a partir da leitura do resumo e identificação do
uso fotografia como instrumento metodológico, indica-se a dissertação de Mestrado em
Psicologia Clínica, defendida em 2008 na Universidade de São Paulo (USP), com título:
Apropriação de espaço por adultos com deficiência visual: estudo de casos. Esse trabalho foi
localizado a partir da palavra fotográfico presente em seu resumo, conforme a seguinte
sentença: “Realizamos replicação parcial da proposta metodológica de Bassani (2003a;
2004b) e utilizamos os seguintes métodos: entrevistas temáticas (e clínica); observações (direta
e registros fotográficos) e desenhos” (PARANHOS, 2008, n. p.). Nesse exemplo, a fotografia
é utilizada para registro de observações que decorrem da investigação de campo. Nota-se que,
além do uso da fotografia, são empregados outros métodos para a coleta de informações.
Nesse momento, constatou-se a necessidade de finalizar o refinamento com a
identificação dos programas de pós-graduação, vinculados às dissertações e teses. Essa
avaliação ocorreu através de consulta aos dados cadastrais dos PPGP disponíveis na Plataforma
Sucupira. Por meio desse acesso, identificou-se que, dentre os 369 documentos localizados,
292 trabalhos são oriundos de Programas de Pós-graduação em Psicologia, sendo 230
dissertações e 62 teses.
Quadro 3 - Nome do programa de pós-graduação e área de avaliação conforme Plataforma
Sucupira
PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO
Ambiente, Tecnologia e Sociedade
Análise do Comportamento
Antropologia
Ciências Ambientais
Ciência da Religião
Ciências da Engenharia Ambiental
Comunicação
Comunicação e Semiótica
Desenvolvimento Rural
Diversidade e Inclusão
Educação
Educação (Psicologia da Educação)
Educação Agrícola
Educação Ambiental
Educação Especial (Educação do
Indivíduo Especial)
Educação Física
ÁREA DE AVALIAÇÃO
D
T
QTD.
Ciências Ambientais
Psicologia
Antropologia
Ciências Ambientais
Teologia
Engenharia
Comunicação e Informação
Comunicação e Informação
Interdisciplinar
Ensino
Educação
Educação
Educação
Educação
1
3
1
3
0
1
1
2
1
1
32
1
1
1
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
13
2
0
0
1
3
1
3
1
1
1
2
1
1
45
3
1
1
Educação
1
1
2
Educação Física
1
0
1
37
PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO
Educação para a Ciência
Estudos comparados sobre
Américas
as
Geografia
Informática na Educação
Linguística
Multimeios
Neurociência
Cognitiva
e
Comportamento
Neurociências e Comportamento
Odontologia
Processos
de
Desenvolvimento
Humano e Saúde
ÁREA DE AVALIAÇÃO*
D
T
QTD.
Ensino
1
0
1
Interdisciplinar
0
1
1
Geografia
0
2
2
0
1
1
0
1
1
0
1
1
Psicologia
2
0
2
Psicologia
Odontologia
4
0
0
1
4
1
Psicologia
3
1
4
Interdisciplinar (Sociais e
Humanidades)
Letras/Linguística
Comunicação e Informação
1
0
1
Psicobiologia
Psicologia
Psicologia Clínica
Psicologia Experimental
Interdisciplinar (Saúde e
Biológicas)
Psicologia / Medicina II
Psicologia
Psicologia
Psicologia
7
128
17
9
1
30
12
5
8
158
29
14
Psicologia Social
Psicologia
17
5
22
Psicologia Clínica e Cultura
Psicologia Cognitiva
Psicologia do Desenvolvimento e
Aprendizagem
Psicologia
Escolar
e
do
Desenvolvimento Humano
Psicologia
Psicologia
1
1
0
1
1
2
Psicologia
1
0
1
Psicologia
3
2
5
Psicologia Experimental: Análise do
Psicologia
Comportamento
4
0
4
Psicologia
Psicologia
4
19
0
0
4
19
Psicologia
2
3
5
Saúde Coletiva
Saúde Coletiva
Sociologia
0
0
0
1
1
1
1
1
1
Interdisciplinar
1
0
1
282
87
369
Promoção de Saúde
Psicologia Institucional
Psicologia Social e Institucional
Psicologia Social, do Trabalho e das
Organizações (PSTO)
Saúde Coletiva
Saúde Pública
Sociologia
Tecnologias da Inteligência e Design
Digital
TOTAL
Fonte: Autor, 2018
Legenda: PPG = Programa de Pós-graduação; D = Dissertação; T = Tese; Qtd. = Quantidade.
Nota: *. A indicação da área de avalição vinculada ao Programa de Pós-graduação, segue identificação encontrada
no cadastro do respectivo PPG na Plataforma Sucupira.
Indica-se que os documentos recuperados, através do Banco de Teses & Dissertações CAPES, com cadastro na Plataforma Sucupira, produzidos entre 2013 a 2016, apresentam em
seus campos de registro a indicação da área do conhecimento. Desse modo, a consulta à
38
vinculação dos trabalhos compreendeu apenas àqueles que não estavam cadastrados na
Plataforma Sucupira, ou seja, os trabalhos com data de produção anterior a 2013. Ainda, a
verificação se deu em torno de trabalhos que, pelo nome do programa de pós-graduação, não
foi possível identificar a área do conhecimento vinculada. Por exemplo, a área básica
denominada Psicobiologia refere-se a duas áreas de avaliação: Psicologia e Medicina. Outro
exemplo indicativo trata-se do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Psicologia
da Educação, vinculado à PUC/SP, o qual está avaliado na área da Educação.
2.1.3 Descrição
Avança-se à síntese descritiva do universo da produção acadêmica, em Psicologia, que
compõe o corpo documental (292 documentos). Para tanto, utiliza-se as ferramentas contidas
no software Excel para o tratamento dos dados - cruzamento de informações e quantificação.
Nessa direção, o alcance consolidado nesta etapa, compreende o início propriamente
dito do tratamento dos dados, em que, através de indicadores quantitativos, é possível conhecer,
descrever e configurar o movimento histórico, geográfico e institucional - dentre outros - do
presente objeto de estudo, mediante análise da produção acadêmica vinculada. Nesta
investigação, contemplam-se as seguintes informações: tipo de produção (dissertação ou tese)
e série histórica (frequência ano a ano); distribuição geográfica da produção acadêmica por
unidade federativa e procedência institucional.
2.1.4 Interpretação
Por fim, alcança-se a síntese interpretativa, quando o/a pesquisador/a desenvolve
interpretações para além das obtidas no âmbito da análise descritiva. Nesse momento, busca-se
a compreensão em profundidade do conteúdo das teses (BASTOS, 2013; OLIVEIRA et al.,
2015). Para tanto, opera-se a articulação, conexão e confronto entre as informações levantadas
(BASTOS, 2013; OLIVEIRA et al., 2015). Para Oliveira e colaboradores (2015, p. 150), esse
movimento resulta em “Uma ação interpretativa em que o pesquisador consegue operar uma
transformação, superar a síntese, propor uma crítica interna à produção científica e um novo
conhecimento a partir daquele já produzido”.
A ação de leitura em profundidade do conteúdo é fundamental para que isso ocorra.
Oliveira e colaboradores (2015, p. 150) sugerem que “deve ser [...] uma prática intencional,
estruturada e produtiva”. Esses mesmos autores, defendem que:
Para um estudo de tipo Metassíntese há uma necessidade clara da utilização de leitura
em profundidade, pois esta permite construir uma formulação o mais densa possível
39
a respeito da compreensão de determinado assunto. Esse exercício de leitura pode ser
transformado em questões, perguntas para que, à medida que o investigador se
impregna do conteúdo do texto, elas sejam respondidas. Considerando a leitura como
exercício vivo, dinâmico, questões novas poderão surgir ou, algumas concebidas a
priori poderão ser abandonadas. (OLIVEIRA et al., 2015, p. 150).
Assim, neste estudo, para a condução dessa etapa, selecionam-se as partes dos
documentos referentes à discussão epistemológica e os procedimentos metodológicos,
mediante 1) localização no sumário do trabalho; 2) identificação e seleção (uso de recurso de
edição de textos) dos trechos de interesse para esta investigação. Para aprofundar a descrição
dos procedimentos adotados, optou-se em apresentá-los no capítulo quatro desta dissertação
(ver p. 48).
40
3 PANORAMA DESCRITIVO
Este capítulo apresenta a descrição quantitativa dos dados da produção em estudo.
Organiza-se em quatro segmentos de discussão: 1) tipo de documento; 2) série histórica; 3)
distribuição geográfica e 4) vinculação institucional.
Os dados levantados foram analisados, comparativamente, com informações
provenientes da ferramenta de geoprocessamento GeoCAPES - Sistema de Informações
Georreferenciais, base de dados estatísticos que, em síntese, apresenta informações
georreferenciadas com vinculação ou relação a CAPES (http://geocapes.capes.gov.br/). Dentre
as informações disponíveis, utilizaram-se indicadores e série histórica referentes à distribuição
de programas de pós-graduação no Brasil, no período de abrangência de 1998 a 2012. Estas
informações foram então comparadas aos dados da produção acadêmica em estudo, a partir de
três níveis: distribuição de PPG por grande área (Ciências Humanas) e área específica
(Psicologia); grau de formação (Mestrado, Doutorado e Mestrado Profissional); distribuição
de PPGP por região e por unidade federativa.
3.1 Tipo de documento e série histórica
A identificação do tipo de documento oriundo da pós-graduação brasileira, dissertação
e tese, permite indicar o nível de formação acadêmica em que a fotografia é desenvolvida em
seu potencial como instrumento de produção do conhecimento. Enquanto a série histórica
(BASTOS, 2014), permite explorar a trajetória ano a ano da produção e, com isso, demarcar
sócio-historicamente, os aspectos que contribuíram para o avanço da produção científica sobre
o objeto de estudo desta investigação.
Com relação à distribuição por tipo de documento, a produção acadêmica, em nível de
mestrado responde por 230 dissertações, enquanto que a produção de teses se apresenta em 62
trabalhos. Essa disparidade quantitativa pode ser analisada, a partir dos indicadores
disponibilizados pela CAPES através da ferramenta de geoprocessamento GeoCAPES.
Conforme os dados disponibilizados na ferramenta supracitada, com referência ao ano
de 2015, no território brasileiro, há 2031 Programas de Pós-graduação (PPG) com oferta de
Mestrado e Doutorado, 1207 com oferta apenas de Mestrado Acadêmico e 64 com oferta
exclusivamente de Doutorado. No âmbito das disciplinas das Ciências Humanas, são 303 PPG
com oferta de Mestrado e Doutorado, 186 com oferta de Mestrado Acadêmico e dois (2) PPG
com oferta exclusivamente de Doutorado. No que diz respeito à área da Psicologia, são 53
Programas de Pós-graduação em Psicologia (PPGP) com oferta de Mestrado e Doutorado e 23
41
com oferta exclusiva de Mestrado Acadêmico. Não há PPGP com oferta exclusivamente de
Doutorado. Em termos de discentes matriculados em PPGP, em 2015, eram 3160 no nível do
mestrado e 2368 no nível do doutorado. Com efeito, verifica-se que o quantitativo superior de
programas de pós-graduação e discentes no nível do mestrado relaciona-se a maior quantidade
de trabalhos oriundos desse nível de formação.
No que diz respeito à série histórica (BASTOS, 2004), o primeiro trabalho acessado
corresponde a uma (1) tese de doutorado, defendida no ano de 1990, apenas com acesso a seu
resumo. Nesse estudo, de natureza experimental, a autora busca investigar “a influência do
arranjo espacial sobre a distribuição de crianças entre 19 e 35 meses pelo local habitualmente
utilizado durante atividades livres” (CARVALHO, 1990). Para tanto, utiliza máquinas
fotográficas com função de disparo automático para registro de ações que acontecem no campo
de estudo.
É importante enfatizar que o Banco de Teses & Dissertações - CAPES inicia a
quantificação a partir de 1989. No entanto, embora tenhamos encontrado trabalho datado desse
ano, não foi possível verificar a adequação aos critérios desta pesquisa, pois, não obtivemos
acesso ao resumo do trabalho. Portanto, nesse momento, optamos por eliminá-lo do corpus
analítico. O Gráfico 1 apresenta a distribuição da série histórica ano a ano, com a quantificação
iniciada em 1990 e finalizada em 2016.
Gráfico 1 - Série histórica (frequência ano a ano de 1990 a 2016)
31
23
24
21
17
16
14
12
14
12
10
8
1 1
1
1
2
4
3
1
8
7
6
6
8
6
5
4
1
1
2
2
2
2
8
6
2
1990 1992 1994 1997 1998 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Dissertação
Tese
1
1
Fonte: Autor, 2018
1
2
1
3
1
4
4
1
8
6
7
12
10
14
12
16
21
17
23
24
31
14
1
2
2
2
2
2
6
6
8
8
5
6
8
42
Durante a década de 90, a produção acadêmica em psicologia com uso da fotografia
apresenta-se regular, com pequena variação em seu quantitativo: uma (1) dissertação defendida
em 1992 e 1994 cada; uma (1) tese em 1997; duas (2) dissertações em 1998.
A partir do ano de 2000 nota-se crescimento quantitativo no número de produções de
dissertações e teses. Nos três primeiros anos da década de 2000 (2000, 2001 e 2002) o
quantitativo identificado corresponde a 13 produções. Em relação à quantidade de trabalhos
produzidos na década de 1990, a produção acadêmica dos anos iniciais da década de 2000
apresenta mais que o dobro da produção anteriormente produzida.
O aumento da produção de trabalhos que fazem uso da fotografia em psicologia acentua
a partir do ano de 2003, com 8 documentos, aumento de quase 50% em relação ao ano anterior
– cinco (5) produções. Os anos de 2004 e 2005 apresentam pequena variação em comparação
ao ano anterior, sete (7) e nove (9) documentos respectivamente. Seguindo o ritmo de
crescimento quantitativo da produção acadêmica, os anos seguintes apresentam aumento
contínuo e elevado no número de trabalhos defendidos.
O ano de 2015 apresenta o maior quantitativo no conjunto de documentos coletados,
com 37 trabalhos defendidos, sendo 31 dissertações e 8 teses. Em indicador percentual, o ano
de 2015 responde por aproximadamente 13% da produção acadêmica da pós-graduação, em
psicologia, com uso da fotografia, desde 1990. Acompanham, na sequência, 2013 com 31
documentos (23 dissertações e 8 teses); 2014 com 29 documentos (24 dissertações e 5 teses);
2011 com 27 documentos (21 dissertações e 6 teses). Com relação ao ano de 2016, último ano
recuperado na coleta, o banco de dados apresenta 22 documentos, 14 dissertações e 8 teses,
mesmo quantitativo correspondente ao ano de 2010 (16 dissertações e 6 teses). No entanto,
indica-se que esse quantitativo pode aumentar, conforme os dados de 2016 forem atualizados
na Plataforma Sucupira.
Vale ressaltar que esses dados traduzem a produção de dissertações e teses que foram
resgatadas através de busca online do documento na íntegra ou, quando não fora possível a
localização do trabalho completo, ou o resgate de seu resumo.
Através da ferramenta GeoCAPES, verifica-se as informações sobre a série histórica
referente a distribuição de programas de pós-graduação no Brasil, com dados iniciados no ano
de 1998. Essas informações permitem descrever quantitativamente o desenvolvimento dos
programas de pós-graduação no Brasil. O Quadro 4 apresenta a distribuição dos Programas de
Pós-graduação no Brasil em três eixos: geral, grande área e área do conhecimento. E também
nos diferentes níveis de formação: mestrado, doutorado e mestrado profissional. Para a análise,
utilizaram-se os indicadores referentes ao ano de 1998 - ano inicial avaliado na GeoCAPES -,
43
2003, 2008, 2013 e 2015 – última atualização. Esses dados possibilitam verificar o crescimento
contínuo e elevado do número de PPG em instituições de ensino superior brasileiras.
Quadro 4 - Distribuição dos Programas de Pós-graduação no Brasil por nível de formação
ÁREA
ANO
M/D
M
D
M/D/M. Prof.
M/M. Prof.
TOTAL
Geral
1998
2003
2008
2013
2015
749
907
1284
1934
2031
464
764
1029
1064
1207
24
35
36
56
64
19
44
0
0
0
3
6
-
1259
1756
2349
3054
3302
C. Humanas
1998
2003
2008
2013
2015
1998
2003
2008
2013
2015
102
132
182
286
303
65
127
174
171
186
3
3
4
2
2
1
-
-
170
263
360
459
491
21
23
35
53
53
7
21
24
18
23
0
1
1
0
0
-
-
28
45
60
72
76
Psicologia
Fonte: Autor, 2018
Legenda: M = Mestrado; D = Doutorado; M. Prof. = Mestrado Profissional.
Nota: Dados extraídos da ferramenta de geoprocessamento GeoCAPES, com acesso através do link:
<http://www.geocapes.capes.gov.br/>.
Conforme verifica-se no Quadro 4, com base nas informações presentes na ferramenta
GeoCAPES, em 1998 eram 749 PPG com ofertas de cursos no nível do Mestrado e Doutorado,
464 exclusivos de Mestrado, 24 com oferta apenas de Doutorado, 19 com Mestrado, Doutorado
e Mestrado Profissional. No âmbito das Ciências Humanas, o quantitativo era de 102 PPG com
Mestrado e Doutorado, 65 com Mestrado e três (3) com oferta exclusiva de Doutorado. Na área
da Psicologia, o quantitativo era de 21 PPGP com oferta de Mestrado e Doutorado, sete (7) com
oferta no nível do Mestrado e um (1) PPGP com oferta apenas de Doutorado.
3.2 Distribuição geográfica e institucional
A distribuição geográfica compreende o mapeamento dos polos de produção quanto à
disposição em regiões e unidades federativas (UF) brasileiras. Esse tipo de levantamento
quantitativo permite a identificação dos locais que, apresentam destaque quanto à produção de
trabalhos em Psicologia e que, utilizam a fotografia em suas pesquisas.
44
Quadro 5 - Distribuição regional e em Unidades Federativas (UF) por tipo de documento
REGIÃO
Centro-Oeste
UF
Distrito Federal (DF)
Goiás (GO)
Mato Grosso do Sul (MS)
DISSERTAÇÃO
9
5
5
TESE
7
1
0
TOTAL
16
6
5
Nordeste
Bahia (BA)
Ceará (CE)
Paraíba (PB)
Pernambuco (PE)
Rio Grande do Norte (RN)
Sergipe (SE)
Amazonas (AM)
Pará (PA)
Rondônia (RO)
4
9
6
12
12
2
5
9
1
3
0
1
4
0
0
0
1
0
7
9
7
16
12
2
5
10
1
Espírito Santo (ES)
Minas Gerais (MG)
Rio de Janeiro (RJ)
São Paulo (SP)
Paraná (PR)
Rio Grande do Sul (RS)
Santa Catarina (SC)
8
9
7
77
4
30
16
0
1
5
30
0
3
6
8
10
12
107
4
33
22
TOTAL GERAL
230
62
292
Norte
Sudeste
Sul
Fonte: Autor, 2018
Legenda: UF = Unidade Federativa
Conforme demonstra o Quadro 5, identificaram-se produções acadêmicas oriundas das
cinco (5) regiões brasileiras, distribuídas em 19 unidades federativas, com instituições que
desenvolvem trabalhos, com uso da fotografia, em pesquisas psicológicas. Nesse quesito, o
estado de São Paulo apresenta maior quantitativo de produções, com 107 trabalhos, sendo 77
dissertações e 30 teses. Na sequência, Rio Grande do Sul com 33 produções, as quais se dividem
em 30 dissertações e três (3) teses; segue-se Santa Catarina com 22 trabalhos, sendo 16
dissertações e seis (6) teses; ambos estados localizados na região Sul do país.
Dentre os estados do Nordeste brasileiro, Pernambuco e Rio Grande do Norte
apresentam maior destaque em termos quantitativos, com 16 produções (12 dissertações e 4
teses) e 12 dissertações, respectivamente. Com relação à região Norte, Pará destaca-se com 10
produções, divididas em 9 dissertações e 1 tese; além de Amazonas com 5 dissertações. Na
região Centro-Oeste, o Distrito Federal responde por 16 documentos, sendo nove (9)
dissertações e sete (7) teses.
45
Quadro 6 - Distribuição regional e em Unidades Federativas dos Programas de Pós-graduação em
Psicologia no Brasil no período de 1998, 2008 e 2015
REGIÃO
UF
1998
2008
2015
Centro-Oeste
Distrito Federal (DF)
Goiás (GO)
Mato Grosso do Sul (MS)
Bahia (BA)
Ceará (CE)
Paraíba (PB)
Pernambuco (PE)
Rio Grande do Norte (RN)
Sergipe (SE)
Amazonas (AM)
Pará (PA)
Rondônia (RO)
Espírito Santo (ES)
Minas Gerais (MG)
Rio de Janeiro (RJ)
São Paulo (SP)
Paraná (PR)
Rio Grande do Sul (RS)
Santa Catarina (SC)
1
0
0
0
0
1
1
1
0
0
1
0
1
1
6
11
0
3
1
5
1
1
1
2
2
3
2
1
0
2
0
2
5
8
17
2
4
1
6
2
2
1
2
3
3
2
1
1
3
1
2
6
10
18
4
6
1
Nordeste
Norte
Sudeste
Sul
Fonte: Autor, 2018
Nota: Dados extraídos da ferramenta de geoprocessamento GeoCAPES (http://www.geocapes.capes.gov.br/)
Legenda: UF = Unidade Federativa.
É importante discutir essas identificações quantitativas, relativas à distribuição
geográfica das produções analisadas, comparativamente aos indicadores presentes na
GeoCAPES. Especialmente, a distribuição dos PPGP em unidades federativas brasileiras.
Assim, o Quadro 6 apresenta informações georreferenciadas sobre a evolução dos Programas
de Pós-graduação em Psicologia em termos geográficos, nos últimos 17 anos, a partir de
avaliação dos dados de 1998, 2008 e 2015. Nesse aspecto, verifica-se que a região Sudeste, no
período analisado, apresenta maior quantitativo de PPGP, especialmente o estado de São Paulo:
11 programas em 1998; 17 programas em 2008 e 18 programas em 2015.
Com razão, os dados supracitados direcionam para a vinculação das 107 produções ao
grande quantitativo de programas existentes em São Paulo. Contudo, vale salientar, que o tempo
de existência e o quantitativo de programas em uma localidade é apenas um dos aspectos a ser
considerado. Por exemplo, embora o Rio de Janeiro seja o estado com mais PPGP depois de
São Paulo, seis (6) em 1998, oito (8) em 2008 e 10 em 2015, esses dados não refletem no
quantitativo de produções acadêmicas (12 trabalhos). Na verdade, Santa Catarina, com apenas
um (1) PPGP, no período analisado, responde por 22 trabalhos, terceiro maior quantitativo entre
as UF.
46
A distribuição institucional corresponde à identificação da vinculação dos trabalhados
coletados à instituição de ensino superior proveniente. No Quadro 7, verifica-se com maior
detalhamento a distribuição por instituição de ensino superior (IES).
Quadro 7 - Distribuição da produção acadêmica entre as Instituições de Ensino Superior
brasileiras em ordem decrescente
IES
UF
USP
SP
PUC/SP
SP
UFSC
SC
UFRGS
RS
USP/RP
SP
UnB
DF
UFPE
PE
UFRN
RN
PUC/RS
RS
UFES
ES
UFPA
PA
UFBA
BA
UFPB
PB
PUC/GO
GO
UNIFOR
CE
PUC/RJ
RJ
UFAM
AM
UFSCAR
SP
UFSJ
MG
PUC/CAMPINAS SP
UNESP/ASSIS
SP
D
T
30 15
19 4
16 6
21 0
15 6
6 6
10 2
12 0
7 3
8 0
7 1
4 3
6 1
5 1
6 0
2 3
5 0
3 2
5 0
4 0
2 2
TOTAL
45
23
22
21
21
12
12
12
10
8
8
7
7
6
6
5
5
5
5
4
4
IES
UF
UNICAP
PE
UEL
PR
UFC
CE
UFMG
MG
UCB
DF
UNICEUB
DF
UNISINOS
RS
USF
SP
PUC/MG
MG
UEM
PR
UERJ
RJ
UFPR
PR
UFRJ
RJ
UFRO
RO
UFRRJ
RJ
UFS
SE
UFU
MG
UNESP
SP
UNESP/BAU. SP
UNIFESP
SP
UTP
PR
D T TOTAL
2
3
3
2
1
2
2
1
1
1
1
1
0
1
1
2
1
1
1
1
1
2
0
0
1
1
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
0
4
3
3
3
2
2
2
2
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
Legenda: IES = Instituição de Ensino Superior; UF = Unidade Federativa; D = Dissertação; T = Tese.
Identificaram-se 42 instituições de ensino superior distribuídas em 19 unidades
federativas brasileiras, quantitativo que traduz uma diversidade de instituições de ensino
superior, com produções em Psicologia, utilizando a fotografia na pesquisa acadêmica.
O estado de São Paulo apresenta maior número de IES com trabalhos que fizeram uso
da fotografia, 10 IES, quantitativo que representa aproximadamente 23% do total nacional.
Dentre elas, a Universidade de São Paulo, campus São Paulo (USP), apresenta maior valor
quantitativo, 45 produções, sendo 30 dissertações e 15 teses. Em seguida, a Pontifícia
Universidade Católica, campus São Paulo (PUC/SP), apresenta 23 produções, sendo 19
dissertações e quatro (4) teses.
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aparece na sequência, com 22
produções, sendo 16 dissertações e seis (6) teses. Seguida pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), com 21 dissertações; ambas localizadas na região Sul do país. Dentre
47
as IES localizadas em estados do Nordeste brasileiro, destacam-se a Universidade Federal de
Pernambuco com 12 trabalhos, sendo 10 dissertações e duas (2) teses e, a Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN) com 12 dissertações. Enquanto na região Norte, a
Universidade Federal do Pará (UFPA) apresenta oito (8) produções, as quais se distribuem em
sete (7) dissertações e uma (1) tese. Já na região Centro-Oeste, a Universidade de Brasília (UnB)
apresenta 12 trabalhos vinculados, sendo seis (6) dissertações e seis (6) teses.
É importante vincular essas informações ao tempo de existência e o quantitativo de
programas de pós-graduação provenientes desses espaços. O estado de São Paulo, por exemplo,
local com maior presença de IES e com maior número de trabalhos identificados no conjunto
analisado, na área da Psicologia, dispõe de 18 PPGP, conforme dados atualizados em 2015. No
ano de 1998, São Paulo se sobressaia aos demais estados brasileiros com 11 PPGP. Este último
dado representa quase o dobro do segundo estado com maior número de PPGP, a saber, Rio de
Janeiro com seis (6) PPGP em 1998; em 2015 o quantitativo ampliou para 10 PPGP.
Ao analisar os dados de distribuição dos PPGP no Nordeste brasileiro, como referência
o ano de 1998, na ferramenta GeoCAPES; verificou-se a existência de PPGP nos estados
nordestinos que apresentam destaque quantitativo no conjunto de documentos analisados:
Pernambuco (PE), Rio Grande do Norte (RN) e Paraíba (PB). Precisamente, dentre as nove (9)
unidades federativas da região Nordeste, apenas IES desses três estados (PE, RN e PB),
ofertavam pós-graduação em Psicologia, no ano de referência.
Com referência aos dados expostos, ressalta-se a atenção que devemos empregar ao
analisar e descrever informações a respeito de um cenário no âmbito acadêmico e científico.
Cuidado para, com isso, não irromper conclusões que não se sustentam ao analisarmos o
contexto geral de desenvolvimento e ampliação da pós-graduação no Brasil. Por exemplo, ao
afirmar o estado de São Paulo e instituições de ensino superior provenientes deste estado como
polos de produção com maior relevância quantitativa, deve-se considerar o tempo de existência
de seus programas de pós-graduação e o número de programas ativos.
O mesmo cuidado deve ser aplicado quando analisarmos a série histórica da produção
acadêmica, tendo em vista a ampliação e evolução da pós-graduação nos últimos anos: em 1998,
eram 1259 PPG (28 na área da psicologia); em 2003, o quantitativo cresceu para 1756 PPG (45
na área psicologia); em 2008, avançou para 2349 PPG (60 na área da psicologia); em 2013
ampliou para 3054 PPG (72 na área da psicologia) e, por fim, 2015 com 3302 PPG (76 na área
da psicologia).
48
4 INTERPRETAÇÃO
4.1 Procedimentos para a condução da análise interpretativa
Como vimos na seção da descrição quantitativa, identificaram-se 292 documentos (230
dissertações e 62 teses). Na presente etapa, denominada de Interpretação, faz-se necessário
uma redução deste corpo documental a um quantitativo, substancialmente efetivo, para a
análise interpretativa. Assim sendo, do mesmo modo que ocorreu no processo de seleção
quantitativa, em que foram definidos critérios de inclusão e exclusão; para o desenvolvimento
desta etapa, os critérios visam o potencial analítico dos documentos.
Inicialmente é válido discutir os procedimentos que resultaram na seleção dos
documentos analisados, etapa primordial para o alcance da metassíntese. Primeiro, ponderaramse sobre alguns fatores que repercutem na pesquisa em função da opção que se lança nesse
momento. Dentre eles, os alcances e as limitações de cada tipo de produção acadêmica e
científica enquanto objeto de análise. E, com isso, os ganhos e perdas quando se faz a opção
por um tipo de produção em detrimento de outro.
Sobre isso, no caso desta pesquisa, no primeiro momento, os dados quantitativos
apontavam as dissertações como opção mais coerente para o alcance da proposta. Em especial,
dois aspectos fortalecem essa questão, a constatação de que o mestrado se sobressai em relação
ao doutorado e, também, supõem-se tratar-se de produções acadêmicas em que há uma maior
centralidade no desenvolvimento do método. Contudo, o elevado quantitativo de dissertações,
ainda que seja um importante indicador dos caminhos que o/a pesquisador/a deverá seguir na
investigação, também direciona seu olhar aos elementos que poderão inviabilizá-la. Sendo
assim, tempo de execução, densidade e complexidade do material analítico, também são
aspectos da produção a serem considerados nesse momento.
Durante à etapa da descrição quantitativa, verificou-se que se tratava de um tipo de
produção que apresenta diversidade epistemológica, teórica e metodológica, tanto pela natureza
multidisciplinar da área do conhecimento da Fotografia quanto em razão da diversidade que
caracteriza o campo da Psicologia. Assim sendo, percebeu-se que as perdas seriam maiores
caso resolvêssemos adotar as dissertações como objeto de análise, pois, iria requerer critérios
de inclusão e exclusão que resultariam em restringir essa diversidade. Por exemplo, delimitar a
análise à apenas dissertações de uma única subárea da Psicologia, provavelmente limitaria o
alcance qualitativo da metassíntese. Tampouco seria justo refinar o corpo analítico em função
da sua vinculação institucional, pois assim privilegiaria o conhecimento produzido em um dado
contexto e espaço. Em suma, entendeu-se que a adoção de critérios com base no que foi citado,
49
descaracterizaria a proposta desta pesquisa que contempla, entre outros aspectos, o processo
histórico do uso da fotografia na pesquisa em psicologia no Brasil.
Sabia-se de antemão que o trabalho analítico com teses de doutorado requer uma atuação
mais disciplinada e aprofundada, pois são documentos que têm por característica maior nível
de aprofundamento, principalmente epistemológico e teórico, do que os trabalhos de conclusão
no nível do mestrado. Além disso, apresenta uma configuração mais densa e complexa, por
exemplo, maior número de páginas, capítulos, maior tempo de estudo, entre outros aspectos
que particularizam a produção de uma tese.
Com relação a seleção da fonte de informação, entende-se que é uma escolha que deve
estar criteriosamente fundamentada nos objetivos da pesquisa, pois é o que viabilizará o alcance
do estudo, indicando uma leitura dentre outras possíveis. Em função disso, ao ponderar sobre
os pontos supracitados, além da tentativa de resguardar a diversidade do material analítico, dois
outros aspectos foram considerados para a definição do corpus documental para a análise
qualitativa. Primeiro, o indicador numérico, ou seja, o fator quantitativo, em especial, a
possibilidade de trabalhar com uma quantidade razoável de documentos em um tempo hábil
para a conclusão da pesquisa. Segundo, o aprofundamento teórico e metodológico que, supõemse, caracterizar os trabalhos de conclusão no nível do doutorado.
Nessa direção, dentre as 62 teses que compuseram a análise descritiva, 50 teses foram
localizadas em formato completo, sendo esse o quantitativo analisado nesta etapa final da
pesquisa. Nesse momento, busca-se ir além das informações obtidas no âmbito da quantificação
e descrição do corpus analítico (OLIVEIRA et al., 2015), com a finalidade de produzir
inferências que resultarão na síntese interpretativa.
Nessa etapa, desenvolve-se a compreensão em profundidade do conteúdo de todo o
material investigado (BASTOS, 2013; OLIVEIRA et al., 2015). Para tanto, opera-se a
articulação, conexão e confronto entre as informações levantadas, efetivamente, de modo
intencional, estruturado e produtivo (BASTOS, 2013; OLIVEIRA et al., 2015). Em um sistema,
não obstante, ajustado as particularidades da pesquisa, modo de produção e limitações do/a
pesquisador/a.
Considerando isso, para o alcance desta síntese interpretativa, iniciou-se com o
planejamento do sistema adotado para a condução da análise. Primeiro, buscou-se ajustar os
recursos computacionais aplicados na etapa anterior desta pesquisa, a saber: o software de
processamento de dados (Excel) e o serviço de armazenamento online (Google Drive), ao novo
quadro de informações levantadas nesta etapa qualitativa. Além disso, definiu-se como
50
proceder à prática da leitura aprofundada das teses, a qual tem sua importância para a
metassíntese, justificada por Oliveira e colaboradores (2015, p. 150):
Para um estudo de tipo Metassíntese há uma necessidade clara da utilização de leitura
em profundidade, pois esta permite construir uma formulação o mais densa possível
a respeito da compreensão de determinado assunto. Esse exercício de leitura pode ser
transformado em questões, perguntas para que, à medida que o investigador se
impregna do conteúdo do texto, elas sejam respondidas. Considerando a leitura como
exercício vivo, dinâmico, questões novas poderão surgir ou, algumas concebidas a
priori poderão ser abandonadas. (OLIVEIRA et al., 2015, p. 150).
Para auxiliar a condução da leitura aprofundada das teses, realizada sequencialmente
em série histórica, utilizaram-se os seguintes direcionamentos. Primeiro, através do sumário da
tese, buscou-se localizar a discussão epistemológica e metodológica a respeito da fotografia
(Apêndice B). Segundo, identificação e seleção (uso da ferramenta de realce textual) de cada
unidade de registro (capítulos completos, parágrafos, trechos) referente à discussão mencionada
(Apêndice C). Em seguida, produziu-se uma ficha catalográfica (Apêndice D) de cada trabalho.
E, por fim, produção de textos sínteses de cada tese analisada (Apêndice D). As informações
oriundas desses procedimentos foram sistematizas no banco de dados construído no Excel
(Apêndice A). Conjuntamente, esses documentos nortearam a produção da análise
interpretativa. Apresenta-se, a seguir, uma contribuição importante ao método desenvolvido
no grupo de pesquisa.
4.2 Breve apresentação do corpus analítico
A seguir apresenta-se breve descrição das 62 teses identificadas. Destaque-se que nesse
primeiro momento, de contato com a produção, restringiu-se a análise dos resumos, o qual
fornece informações sobre o objetivo do trabalho e, ainda, de forma limitada, sobre os
procedimentos adotados na pesquisa. Posteriormente, a análise interpretativa, contemplada
ainda neste capítulo, é resultado das teses que foram localizadas em formato integral.
Nessa direção, tendo em vista a série histórica da produção no nível do doutorado com
uso da fotografia na pesquisa em Psicologia, o presente corpus analítico compreende um
conjunto de teses desenvolvidas entre 1990 e 2016, ano que corresponde à última atualização
da Plataforma Sucupira, na ocasião do período em que ocorreu a coleta de dados desta pesquisa.
Na década de 90, identificaram-se as primeiras duas teses de doutorado que utilizam a
fotografia em seu arcabouço metodológico, ambas produzidas no Doutorado em Psicologia da
Universidade de São Paulo. Contudo, o acesso a esses documentos está restrito ao resumo e
corpo referencial, pois não está disponibilizado na íntegra em meios virtuais. O primeiro deles,
defendido em 1990, não é apenas a primeira produção acadêmica no nível do doutorado, como,
51
também, se apresenta como o primeiro trabalho que utiliza a fotografia, presente no corpus
analítico desta pesquisa. Trata-se da tese de Mara Ignez Campos de Carvalho, orientada pela
Professora Maria Clotilde T. Rossetti Ferreira, intitulada Arranjo espacial e distribuição de
crianças de 2-3 anos pela área de atividades livres em creches7. Conforme a pesquisadora
descreve no resumo da tese (CARVALHO, 1990, n.p.8):
Este estudo investigou a influência do arranjo espacial sobre a distribuição de crianças
entre 19 e 35 meses pelo local habitualmente utilizado durante atividades livres. A
pesquisa foi conduzida em duas creches da região de Ribeirão Preto (SP) que atendem
população de baixa renda. Utilizando a estratégia da experimentação ecológica,
modificou-se o arranjo espacial examinando-se a ocorrência de ocupação preferencial
pelas crianças de áreas mais estruturadas. Os dados foram coletados por duas
câmeras fotográficas com funcionamento automático a cada 30 segundos,
fornecendo de 30 a 40 fotos por sessão. Os procedimentos constou de três fases: I.
arranjo espacial aberto: espaço habitual, amplo e vazio; 4 sessões; II. arranjo espacial
aberto: com introdução de pequenas estantes nas laterais do local; 6 sessões; III.
arranjo espacial semi-aberto: com montagem de duas zonas circunscritas; 6 sessões.
A análise da distribuição espacial das crianças mostrou: (1) reorganização da
ocupação do espaço a cada fase; (2) ocupação preferencial de áreas com maior grau
de definição espacial; (3) menor estruturação espacial leva a maior concentração de
crianças em torno do adulto. A relevância desses dados para o planejamento de
ambientes infantis coletivos foi evidenciada em trabalho de intervenção conduzido
após o término da pesquisa. (CARVALHO, 1990, n.p., grifo meu)
Após a tese supracitada, o uso da fotografia somente se fez presente no âmbito do
doutorado, em 1997, com uma tese também defendida na USP, de autoria de Sandro
Caramaschi, orientada por Cesar Ades, com título O conhecimento das expressões faciais de
emoções: tarefas de julgamento, reconhecimento, descrição e produção (CARAMASCHI,
1997, n.p.):
Investiga o conhecimento das pessoas sobre a expressividade facial de emoções
básicas de: alegria, medo, surpresa, tristeza, raiva, desprezo e nojo. Os Ss são 200
alunos (M=100 ; H=100) dos cursos de psicologia e jornalismo da UNESP (Bauru).
Submete-os a 3 tarefas que visam quantificar desempenhos diferentes ligados à
expressão facial: julgamento de fotografias de faces apresentando as emoções;
reconhecimento de descrições anatômicas das emoções apresentadas por escrito,
descrição anatômica das expressões faciais. Posteriormente, submete um subgrupo de
48 Ss (M=24 ; H=24) à produção voluntária de expressões faciais. No último caso,
usou 6 condições experimentais, combinando elementos diferentes de informação
(instrução, espelho e foto). (CARAMASCHI, 1997, n.p., grifo meu)
Adiante, já na década de 2000, identificou-se o uso da fotografia em 13 trabalhos, sendo
12 documentos localizados em formato integral. O primeiro, intitulado Intervenção e
orientação vocacional/profissional: avaliando resultados e processos, defendido por Lucy Leal
Melo Silva, orientado pelo professor Andre Jacquemin, no Doutorado em Psicologia da USP.
7
Utiliza-se a função de destaque em itálico para os títulos das teses citadas. Além das aplicações que são sugeridas
nos manuais de formatação (por exemplo: ABNT sugere o recurso itálico em palavras de idiomas estrangeiros).
8
Ao longo do texto, as citações diretas com mais de 40 caracteres estão referenciadas com o acrônimo ‘n. p.’, pois
consistem em trechos extraídos dos resumos das teses, os quais não são paginados no documento acadêmico.
52
Segundo afirma sua autora (MELO-SILVA, 2000), analisou resultados e processos da
Intervenção em orientação vocacional/profissional com adolescentes. Para tanto, utilizou
diferentes instrumentos avaliativos, dentre eles o Teste de Fotos e Profissões que consiste em
um instrumento projetivo para a verificação da inclinação profissional. Interessa destacar que
no decorrer desta seção, o Teste de Fotos e Profissões retorna em outros trabalhos produzidos
no âmbito desse mesmo Programa de Pós-graduação em Psicologia.
Na sequência, têm-se a tese de doutorado da pesquisadora Margarida Calligaris
Mamede, defendida em 2002, orientada pelo professor Gilberto Safra, intitulada Cartas e
retratos: uma clínica em direção à ética, no Doutorado em Psicologia Clínica da USP. A autora
descreve que a pesquisa decorre de:
[...] complexas dificuldades encontradas no trabalho enquanto psicóloga da Colônia
Feminina do antigo Manicômio Judiciário do Estado de São Paulo, atual Hospital de
Custódia e Tratamento Psiquiátrico Prof. André Teixeira Lima, a autora apresenta
uma proposta de clínica em direção à ética para o atendimento psicoterápico das
pacientes internadas nesta Instituição. Partindo inicialmente do conceito de consulta
terapêutica desenvolvido pelo psicanalista Donald Woods Winnicott, a autora passou
a utilizar objetos concretos no atendimento, como, principalmente cartas e
fotografias, objetos estes que eram solicitados pelas próprias pacientes. (MAMEDE,
2002, n.p., grifo meu)
Enquanto, na década de 90, a produção de teses se apresenta com um pequeno
quantitativo e com longo intervalo de tempo entre as duas produções – 1990, 1997. Na década
de 2000, principalmente a partir da segunda metade, apresenta progressão quantitativa de
produções que utilizam a fotografia no nível do doutorado na pesquisa em Psicologia.
Assim, em 2004, identifica-se a tese de doutorado da pesquisadora Ana Elizabete
Rodrigues de Carvalho Lopes, orientada pela professora Solange Jobim e Souza, no Doutorado
em Psicologia da PUC/RJ. Neste trabalho, intitulado Olhares compartilhados: o ato fotográfico
como experiência alteritária e dialógica, buscou-se “investigar a linguagem fotográfica como
meio e mediação dos processos de construção de conhecimento, de constituição de
subjetividades e de inclusão social” (LOPES, 2004, n. p., grifo meu). Para tanto, a autora
desenvolveu seu estudo com um grupo de jovens sobre o ato fotográfico e as narrativas visuais,
orais e escritas produzidas por eles (LOPES, 2004).
Já em 2005, foram identificadas duas teses, a primeira, defendida por Marli Lúcia
Tonatto Zibetti, orientada pela professora Marilene Proença Rebello de Souza, no Doutorado
em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da USP, com título Saberes docentes na
prática de uma alfabetizadora: um estudo etnográfico. Nessa pesquisa, a autora (ZIBETTI,
2005) investiga processos de apropriação/objetivação e criação de saberes na prática
53
pedagógica de uma alfabetizadora por meio de uma abordagem etnográfica que se utiliza de
observação participante, entrevistas, análise documental e fotografias.
Enquanto a tese de Adélia Augusta Souto de Oliveira, orientada pela professora Bader
Burihan Sawaia, no Doutorado em Psicologia Social da PUC/São Paulo, intitulada Turismo de
massa e segregação psicossocial em uma comunidade litorânea no Nordeste brasileiro: uma
análise a partir da experiência de resistência e submissão das crianças. A pesquisadora,
através de informações levantadas em fotografias, desenhos, textos e conversas produzidas
pelas e com as crianças de uma comunidade litorânea de um município de Alagoas, buscou
analisar os sentidos experienciados no lugar (OLIVEIRA, 2005).
Adiante, em 2006, identificaram-se mais duas teses, ambas produzidas no Doutorado
em Psicologia da Universidade de Brasília – UnB, orientadas pela professora Silviane
Bonaccorsi Barbato. A primeira, intitulada Guardiãs da memória: tecendo significações de si,
suas fotografias e seus objetos, da pesquisadora Juliana Eugênia Caixeta. Desenvolveu
investigação a respeito dos “significados que orientaram a identificação de mulheres guardiãs
da memória, entendendo que o self é formado pelo conjunto de posicionamentos, ou seja, pelas
identificações que o EU assume no espaço interativo” (CAIXETA, 2006, n. p.). Para tanto, a
autora produziu entrevistas narrativas e episódicas com cinco mulheres guardiãs da memória e
reuniu seus guardados, dentre eles fotografias, onde, estas tiveram suas histórias contadas e,
posteriormente, analisadas e quantificadas junto a outros objetos demandados, em que foi
construído um mapa comum entre as cinco guardiãs (CAIXETA, 2006).
A segunda trata-se do trabalho de Fabrícia Teixeira Borges, intitulado Tem tantos jeitos
de ver! Um estudo sobre os significados de olhar nas perspectivas de quatro mulheres de
Goiânia. Nessa pesquisa, a autora (BORGES, 2006, n. p) indica que buscou “analisar a
construção do conceito de Olhar”. Para tanto, realizou entrevistas narrativas, com quatro
mulheres, sobre a atividade de fotografar e tratou de identificar as permanências e modificações
dos significados do conceito em estudo. Além disso, demandou as participantes que
fotografasse como percebiam o mundo (BORGES, 2006).
No ano seguinte, 2007, identificaram-se duas (2) teses. A primeira, da pesquisadora
Flávia Liberman, defendida no Doutorado em Psicologia Clínica da PUC/São Paulo, com
orientação da professora Suely Belinha Rolnik, intitulada Delicadas coreografias: instantâneos
de uma terapia ocupacional. Essa cartografia se propôs a “descrever, discutir e articular uma
série de experiências realizadas em diferentes contextos [...] em que se utilizam abordagens
corporais para promover o encontro entre corpos/sujeitos” (LIBERMAN, 2007, n. p.). Através
de uma série de procedimentos, dentre eles fotografar, a autora produziu registros que
54
“procura[ram] captar instantâneos de expressividade” e, com isso, “apresentar os
procedimentos que pautam a clínica” e “identificar e problematiza algumas de suas linhas
através da análise de cenas, falas e depoimentos. ” (LIBERMAN, 2007, n. p.).
Ainda no ano de 2007, a tese de Yevaldo Lemos Pereira, defendida no Doutorado de
Psicologia Experimental da USP, com orientação da professora Emma Otta, com título
Enrubescimento social: evolução, função apaziguadora e modeladora do comportamento.
Realizou estudos com objetivo de descrever o enrubescimento, as situações desencadeadoras e
testar a hipótese Comunicativa e Remediadora. Nesse aspecto, a fotografia foi utilizada para
apresentação de pessoas em situação de elevada exposição e, desse modo, analisar as regiões
de avermelhamento e brilho da face; em outro momento, avaliar o rubor e brilho de face neutra,
sorriso posado e sorriso espontâneo; e, por fim, atores que supostamente haviam cometido uma
infração. (PEREIRA, 2007).
Em 2008 apresenta-se a tese intitulada Cooperativa de catadores de materiais
recicláveis de Assis - COOCASIS: espaço de trabalho e de sociabilidade e seus
desdobramentos na consciência, produzida por Ana Maria Rodrigues de Carvalho e orientada
pela professora Leny Sato, no Doutorado em Psicologia Social da USP. A pesquisa desenvolveu
estudo “a partir do cotidiano de um trabalho da Cooperativa, as alterações, apreendidas por seus
cooperados, em relação às suas crenças, valores, visão sobre o trabalho e a realidade social.”
(CARVALHO, 2008, n. p.). Dentre os procedimentos de coleta de informações, utilizou a
fotografia para o registro de ações da pesquisa.
Nesse mesmo ano, 2008, e no ano seguinte, 2009, a professora Sônia Regina Pasian
Ferreira, do Doutorado em Psicologia da USP/Ribeirão Preto, orientou duas teses a respeito do
BBT-Br (Teste de Fotos de Profissões). A primeira, defendida por Mariana Araújo Noce,
intitulada O BBT-Br e a maturidade para a escolha profissional: evidências empíricas de
validade. Apresentou proposta de “examinar as possibilidades informativas do BBT-Br (Teste
de Fotos de Profissões) quanto a indicadores de maturidade para a escolha profissional, bem
como validar e fundamentar empiricamente algumas das hipóteses interpretativas desta técnica
projetiva” (NOCE, 2008, n. p.). Enquanto imagens existentes no BBT-Br, a fotografia foi
utilizada para análise das fotos mais escolhidas e mais rejeitadas, comparativamente por dois
grupos experimentais, um com maturidade para a escolha profissional e outro com baixa
maturidade.
Já a segunda tese, defendida em 2009, pela pesquisadora Erika Tiemi Kato Okino, com
título O SDS e o BBT-Br em orientação profissional: evidências de validade e precisão.
Objetivou “delinear uma estratégia convergente deste teste [BBT-Br] por meio de resultados
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obtidos com outra técnica de avaliação psicológica já consagrada no contexto científico
internacional como instrumento de avaliação de interesses, o Self-Directed Search (SDS)”.
(OKINO, 2009, n. p.). A partir disso, a autora propôs verificar a variável sexo – masculino e
feminino – sobre as tendências motivacionais com adolescentes do terceiro ano do Ensino
Médio, período, em geral, de escolha profissional.
Além do trabalho supracitado, em 2009, foi produzida a tese Alice no país das
maravilhas e na Emia: Winnicott e a educação, desenvolvida por Maria Lagua de Oliveira,
orientada pela professora Ivone Fernandes da Motta, no Doutorado em Psicologia Clínica da
USP. Essa pesquisa objetivou “discutir as histórias como experiência cultural facilitadora do
desenvolvimento infantil e suas ressonâncias através do próprio processo em sala de aula:
relação com o professor; interação no grupo; produções; histórias trazidas pelas crianças.”
(OLIVEIRA, 2009, n. p.). A pesquisadora utilizou a fotografia, dentre outros recursos, para o
registro de ações que foram desenvolvidas durante a pesquisa.
Já no ano de 2010, foram identificadas seis (6) teses distribuídas em seis (6) programas
de pós-graduação, sendo três (3) localizados em São Paulo, dois (2) no Rio de Janeiro e um (1)
na Paraíba. A primeira, defendida no Doutorado em Psicologia Clínica da USP, de autoria de
Claudia Aranha Gil, orientada pela professora Leila Salomão de La Plata Cury Tardivo,
intitulada Recordação e transicionalidade: a oficina de cartas, fotografias e lembranças como
intervenção psicoterapêutica grupal com idosos. Essa pesquisa tratou de apresentar o método
psicoterapêutico, denominado Oficina de Cartas, Fotografia e Lembranças como uma proposta
de intervenção clínica com idosos. Dentre outros aspectos, o método propõe o uso de
fotografias, cartas e objetos que suscitam significações na vida dos participantes (GIL, 2010).
A segunda tese trata-se do trabalho defendido pela pesquisadora Maria do Céu Câmara
Chaves, orientado pelo professor Geraldo Romanelli, no Doutorado em Psicologia da
USP/Ribeirão Preto, com título A luta das famílias pela educação escolar dos seus filhos: um
estudo na comunidade do Pontalzinho do Tarumã Açu em Manaus-AM. Esse trabalho foi
desenvolvido com sete famílias de uma comunidade de Manaus, em que investigou suas
práticas educativas, representações dos pais sobre a escola e sobre o processo de escolarização
dos filhos. A fotografia foi utilizada para o registro de algumas atividades ocorridas no espaço
escolar. (CHAVES, 2010).
Ainda, a terceira tese, do pesquisador Fabiano Koich Miguel, orientada pelo professor
Ricardo Primi, no Doutorado em Psicologia da Universidade de São Francisco, intitulada
Criação e validação de um teste informatizado para avaliar a capacidade de perceber emoções
primárias. Nesse trabalho, buscou-se a “criação e validação de um teste informatizado
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destinado a avaliar a capacidade de reconhecer expressões emocionais, tanto autênticas quanto
falseadas” (MIGUEL, 2010, n. p.). Para tanto, o pesquisador apresentou fotos e trechos de
filmes, como estímulos para ocorrência das oito emoções básicas, descritas no modelo
psicoevolucionista. Além disso, 22 participantes foram filmados e, posteriormente, foram
capturadas suas expressões autênticas e falseadas de emoções (MIGUEL, 2010).
No âmbito dos trabalhos produzidos em PPG do Rio de Janeiro. No Doutorado em
Psicologia da UFRJ, tem-se a tese da pesquisadora Adriana Tavares Carrijo, orientada pelo
professor Francisco Teixeira Portugal, intitulada A cartografia da infância multitranstornada;
sobre a psiquiatrização da infância em decorrência dos múltiplos transtornos mentais
(CARRIJO, 2010). No estudo, a pesquisadora utilizou a fotografia e outros recursos
metodológicos para apreensão deste fenômeno.
Enquanto no Doutorado em Psicologia Clínica da PUC/RJ, a pesquisadora Cristina
Laclette Porto desenvolveu a tese Álbuns de retratos, infâncias entrecruzadas e cultura lúdica:
memória e fotografia na Brinquedoteca Hapi, orientada pela professora Solange Jobim e Souza.
O estudo, através de instrumentos que evocam a memória, em especial a fotografia, apresentou
parte da história da Brinquedoteca Hapi (PORTO, 2010).
Já a tese Percepção ambiental de crianças em ambientes naturais protegidos, defendida
por Christiana Cabiceiri Profice, orientada pelo professor José de Queiroz Pinheiro, no
Doutorado em Psicologia em Psicologia da UFPB, apresentou como objetivo “explorar e
descrever as percepções infantis de ambientes naturais protegidos” (PROFICE, 2010, n. p.). A
pesquisadora utilizou de estratégia multimétodos, incluindo o recurso fotográfico, para
“compreender a interação pessoa-ambiente a partir de perspectiva ecológica, e apresentamos
também referenciais teóricos para a compreensão de como a natureza é crucial para o bem-estar
e o desenvolvimento psicológico.” (PROFICE, 2010, n. p.).
No ano seguinte, 2011, identificaram-se cinco (5) teses, sendo quatro (4) oriundas de
PPG lotados em São Paulo e uma (1) no Distrito Federal. Quanto às teses de instituições de
ensino superior de São Paulo, tem-se o trabalho Cartografia luminosa de um território em
trânsito, da pesquisadora Maria da Conceição Hatem de Souza, orientado pela professora Suely
Belinha Rolnik, no Doutorado em Psicologia Clínica da PUC/SP, sobre o qual descreve em seu
resumo (SOUZA, 2011, n. p.):
Cartografar, inventar trajetórias, dar passagem a afetos e afetar. Sendo a fotografia
um método, que para este projeto/processo tese funciona como dispositivo do registro
luminoso, na tentativa de replicar a poética do instante. Um devir Turner, tempestade,
vento, devir nuvem, onda. O Instante luminoso recortado pelo registro imagético,
desenha um volume e comporta um ponto de fuga. Dissipar para constituir passagem,
estados reais, físicos, efetivos, sensações. Se tivesse que contar um acontecimento, de
57
que ponto partiria? Ou qual o ponto de vista selecionar? Qual a intensidade narrar?
Qual dispositivo inventar para dar conta da sensação vivida? A partir dessas
inquietações sou convocada a inventar um método. A escolha de reconhecer e compor
a tese como dispositivo que permita conectar com a experiência do intensivo. Fazer
vibrar a sensação. Fotografias, exposições, a construção de narrativas, fabulações,
formas que tentam reconfigurar não a experiência vivida e sim a sensação vivida. A
nuvem como ser da sensação, a fotografia que conserva em si a hora da luz, a
intensidade luminosa de um instante de um dia. Brincadeira de criança. Devir- criança,
inventar formas com as nuvens. Novas formas, formas inconstantes que transfiguram
ao sabor dos ventos e nos levam para outros territórios. Simulacros de existência,
universo de possíveis. (SOUZA, 2011, n.p., grifo meu).
Ainda no contexto da IE de São Paulo, foram identificadas outras três (3) teses
defendidas no Doutorado em Psicologia da USP. A primeira, O comportamento de cuidado
entre crianças analisado à luz do contexto sociocultural, das ideias infantis sobre cuidado, das
metas de socialização maternas e de comparações interculturais, da pesquisadora Ana Karina
Santos, orientada pela professora Vera Silvia Raad Bussab, da linha de pesquisa Psicologia
Experimental, consistiu na investigação do comportamento de cuidado entre crianças, ideias
infantis sobre o cuidado, metas de socialização das mães e de comparações interculturais. Nesse
aspecto, dentre outras ferramentas, utiliza o método da foto-entrevista, para apreensão das
ideias de cuidado infantil (SANTOS, 2011).
Já a tese Psicoterapia psicanalítica da fobia: o uso de imagens em um estudo de caso,
da pesquisadora Laura Carmilo Granado, orientada pela professora Leila Salomão de la Plata
Cury Tardivo, da linha de pesquisa Psicologia Clínica, apresenta o atendimento clínico de uma
paciente em que se utilizou fotografias relacionadas à sua fobia, no processo psicoterapêutico
(GRANADO, 2011). Por fim, a tese Por um outro cinema - jogo da memória em Chris Marker,
de Emi Koide, orientada pela professora Iray Carone, no Doutorado em Psicologia Escolar e do
Desenvolvimento Humano, a qual, segundo descreve o resumo do trabalho:
[...] é uma reflexão crítica sobre o estatuto da imagem e sua relação com a memória e
a história na sociedade contemporânea, em que a influência dos meios de
comunicação de massa, da indústria cultural e dos recursos audiovisuais é
dominante. [...] Na análise de filmes, fotografias e textos de Marker, procurou-se
compreender o modo de articulação de imagem e som em seus trabalhos, levando em
conta as considerações de Benjamin sobre o cinema e sobre a história. (KOIDE, 2011,
n.p., grifo meu).
No Doutorado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (PSTO) da UnB,
por sua vez, tem-se a tese defendida por Sérgio Henrique Barroca Costa e orientada pelo
professor Mário César Ferreira, intitulada Carnaval: trabalho ou diversão? Atividade, gestão e
bem-estar nas escolas de samba do Rio de Janeiro. Nesse trabalho, o pesquisador utiliza um
conjunto de recursos metodológicos, dentre eles, o registro fotográfico para investigar o
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contexto das escolas de samba fluminenses, a respeito do trabalho, gestão e bem-estar.
(COSTA, 2011).
No ano de 2012 foram produzidas oito (8) teses em distintos PPG, sendo duas (3) em
São Paulo, duas (2) no Rio Grande do Sul, uma (1) em Santa Catarina, Pernambuco e Rio de
Janeiro cada. Em São Paulo, tem-se a tese O ato fotográfico: memória, prospecção e produção
de sentidos na velhice, da pesquisadora Joana Sanches Justo, orientada pelo professor Mário
Sérgio Vasconcelos, no Doutorado em Psicologia da UNESP/Assis. Nesse trabalho, a autora
pesquisa “os sentidos produzidos pelo ato fotográfico na relação do idoso com o tempo e com
a memória, dando maior ênfase às possibilidades da fotografia enquanto prospecção do futuro.”
(SANCHES-JUSTO, 2012, n. p.). Desse modo, “foram realizadas oficinas de fotografia com
dois grupos de idosos [...] Os participantes fotografaram orientados pelas seguintes perguntas:
“O que é importante na vida, hoje?”; “Que imagem ou cena você tomaria agora para representar
algo que ainda não aconteceu em sua vida, mas que você pretende que aconteça no futuro?”.
(SANCHES-JUSTO, 2012, n. p.)
Além desse trabalho, no Doutorado em Psicologia Clínica da PUC/São Paulo, tem-se a
tese Um modelo psicanalítico para pensar e fazer grupos em instituições, defendido por Pablo
de Carvalho Godoy Castanho, orientado pelo professor Luís Cláudio Mendonça Figueiredo, em
que, segundo informa o autor (CASTANHO, 2012, n. p.) tem:
[...] o objetivo geral de construir as bases de um modelo psicanalítico que possa
abranger todas as práticas “psi” com grupos em instituições, propondo parâmetros
para estabelecer a pertinências de cada grupo a seu contexto institucional e para uma
discussão detalhadas de sua coordenação. [...] Identificaremos os grupos operativos
de aprendizagem e os grupos com objetivos mediadores (destacando a
Fotolinguagem©, tal como concebida por Vacheret no segundo) com os dois
dispositivos de referência em nosso trabalho. (CASTANHO, 2012, n.p., grifo meu).
Por fim, a tese defendida no Doutorado em Psicologia da UFSCAR, intitulada
Expressões faciais de emoções de crianças com deficiência visual e videntes: avaliação e
intervenção sob a perspectiva das habilidades sociais, produzida por Barbara Carvalho Ferreira
e orientada pela professora Zilda Aparecida Pereira del Prette. Esse trabalho tratou de “avaliar
o impacto de um programa de treinamento de expressão facial de emoções, na interface com as
habilidades sociais, sobre o repertório de crianças cegas, com baixa visão e videntes”
(FERREIRA, 2012, n. p.). Utilizou registros fotográficos e filmagens para apresentação de
estímulos aos participantes.
Quanto as produções oriundas do Rio Grande do Sul, tem-se, primeiro, a tese Como
lembramos juntos?: emoção e diferenças individuais na conformidade de memória, defendida
pela pesquisadora Rosa Helena Delgado Busnello, orientada pela professora Lilian Milnitsky
59
Stein, no Doutorado em Psicologia PUC/Rio Grande do Sul. Na qual objetivou analisar “o
impacto de emoções e de diferenças individuais de temperamento no efeito de CM”
(BUSNELLO, 2012, n. p.). Para esse alcance, a autora utilizou o recurso computacional e
fotográfico “selecionadas do International Affective Picture System (IAPS; Lang, Bradley &
Cuthbert, 2008). As fotos foram utilizadas em teste de reconhecimento, tendo sido selecionadas
em duas de suas dimensões emocionais: o alerta (controlado) e a valência (manipulada).”
(BUSNELLO, 2012, n. p.)
A outra tese, também do Doutorado em Psicologia da PUC/Rio Grande do Sul,
defendida por Miriam Cristine Alves e orientada pelo professor Nédio Antônio Seminotti,
intitulada Desde dentro: processos de produção de saúde em uma comunidade tradicional de
terreiro de matriz africana. Consistiu em trabalho que buscou “compreender os processos de
produção de saúde em uma comunidade tradicional de terreiro de matriz africana,
problematizando a dialógica entre o paradigma civilizatório ocidental e o paradigma
civilizatório negro-africano. “ (ALVES, 2012, n. p.). Para tanto, utilizou fotografias e outros
recurso metodológico para a coleta de informações.
Em Santa Catarina, a tese As múltiplas cidades na cidade: as relações estéticas dos
catadores de material reciclável com a polifonia urbana, da pesquisadora Daiana Barboza,
orientada pela professora Andréa Vieira Zanella, apresentou os seguintes objetivos “analisar as
imagens da cidade produzidas pelos CMR [catadores de material reciclável]; identificar os
movimentos de resistência dos CMR; investigar em quais condições os CMR estabelecem
relações estéticas com a cidade.” (BARBOZA, 2012, n. p.). Para tanto, “cada sujeito recebeu
uma câmera fotográfica para registrar imagens das suas relações com a urbe. Em outro
momento, em suas residências, foram realizadas conversas informais acerca das narrativas
fotográficas por eles produzidas.” (BARBOZA, 2012, n. p.)
Nesse mesmo ano, tem-se o trabalho Retratos dos dias: a produção de sentidos na vida
cotidiana de crianças, defendido no Doutorado em Psicologia Cognitiva da UFPE, pela
pesquisadora Silvia Fernanda de Medeiros Maciel, orientado pelo professor Luciano Rogério
Lemos Meira, no qual, segundo afirma Maciel (2012, n. p):
[...] faz uma reflexão acerca dos processos de produção de sentidos na vida diária de
crianças, a partir do ponto de vista delas, entendendo que é nas relações corriqueiras
do dia-a-dia e no fluir das ações cotidianas – com seus padrões de permanência e com
suas rupturas – que os seres humanos elaboram suas histórias de vida e se constituem
como sujeitos. A base teórica do trabalho se estabelece ancorada em discussões acerca
das relações da psicologia com os usos da palavra e dos jogos de linguagem, da
psicologia com a vida cotidiana e da psicologia com a fotografia. Como estratégia
metodológica para a produção dos dados, foi elaborado um jogo de pesquisa baseado
no uso de sondas culturais e na reflexão sobre o lúdico, os jogos e seus usos. Com ele,
quatro crianças com idade entre 9 e 11 anos, foram orientadas a fotografar (e a
60
desenhar) seu cotidiano e a depois falar sobre as imagens produzidas. (MACIEL,
2012, n.p., grifo meu).
Por fim, a tese defendida na PUC/Rio de Janeiro, intitulada Interdiscursividade e
práticas cotidianas: modos de fazer/operar a política de reserva de vagas na UERJ, da
pesquisadora Luciana Ferreira Barcellos, orientada pela professora Solange Jobim e Souza.
Nessa tese, Barcellos (2012, n. p.) investigou “as práticas cotidianas a partir da implementação
da política de reserva de vagas na UERJ. Para o alcance desse objetivo, a pesquisadora informa
que adotou como proposta metodológica para a coleta de informações “o registro de imagensfotográficas de cartazes, informes, desenhos espalhados pelas paredes da universidade e a
entrevista como etapa suprasequente, pondo em diálogo as imagens expostas na UERJ, o
pesquisador e os sujeitos da pesquisa” (BARCELLOS, 2012, n. p.).
Assim como no ano anterior, foram identificadas oito (8) teses em 2013, sendo quatro
(4) em São Paulo e uma (1) nos seguintes estados: Santa Catarina, Pernambuco, Pará e Goiás.
Com relação aos trabalhos oriundos de PPG de São Paulo, tem-se, primeiro, a tese Sistema
integrado de alocação de esforços: tomada de decisão frente à instabilidade ambiental e sinais
reprodutivos, de José Henrique Benedetti Piccoli Ferreira, orientada pela professora Vera Silva
Raad Bussab, no doutorado em Psicologia da USP. O trabalho consiste em, segundo consta em
seu resumo (FERREIRA, 2013, n. p.):
[...] No estudo 1, investigamos como pistas de instabilidade ambiental, como fotos ou
notícias sobre catástrofes naturais, ou notícias sobre a crise econômica, influenciam a
sensibilidade aos estímulos. No estudo 2, investigamos como pistas reprodutivas,
como fotos sensuais, de pessoas bonitas, de pais cuidando de seus filhos e de bebês,
influenciam a tomada de decisão frente a escolhas de desconto do futuro. [...] Fotos
de cuidados parentais levaram mulheres a uma redução da impulsividade.
(FERREIRA, 2013, n.p., grifo meu).
Já a tese A interdisciplinaridade na atenção psicossocial: um olhar fotográfico sobre a
psiquiatria, defendida por Mardônio Parente de Menezes, orientada pelo professor Silvio
Yasui, no Doutorado em Psicologia da UNESP/Assis; utilizou conceitos da Fotografia –
enquanto campo do conhecimento – para análise de entrevistas produzidas com psiquiatras no
âmbito do cotidiano profissional da Atenção Psicossocial (MENEZES, 2013).
Enquanto o trabalho de Naiara Minto de Sousa, orientado pela professora Maria Stella
Coutinho de Alcântara Gil, intitulado Procedimentos e processos: uma delicada relação na
aprendizagem de discriminações por bebês, defendido no Doutorado em Psicologia da
UFSCAR, produziu:
[...] análise da literatura sobre Controle de Estímulos e aprendizagem de
discriminação por crianças em torno de dois anos de idade e dos procedimentos e
resultados de quatro relatos de pesquisa experimental que foram discutidos à luz da
literatura em periódicos especializados. Os quatro experimentos ajustaram
61
procedimentos de ensino de discriminações que produziram: 1) aprendizagem de
discriminações simples por bebês entre 10 e 20 meses de idade; 2) aprendizagem de
discriminações simples e reversões das discriminações simples por bebês entre 15 e
23 meses de idade; 3) aprendizagem rápida de comportamento de ouvinte por um bebê
entre 17 e 22 meses de idade; 4) aprendizagem de discriminações condicionais por
identidade por sete bebês entre 14 e 27 meses; a demonstração de generalização da
relação objeto-objeto com um par de estímulos abstratos para a relação foto-objeto e
vídeo-objeto por um bebê entre 27 e 29 meses de idade. (GIL, 2013, n.p., grifo meu).
Por fim, a tese Influência do padrão de beleza veiculado pela mídia na satisfação
corporal e escolha alimentar de adultos, da pesquisadora Maria Fernanda Laus, orientada pelo
professor Sebastião de Sousa Almeida, no Doutorado em Psicobiologia da USP/Ribeirão Preto.
Esse trabalho objetivou “[...] avaliar a influência do corpo ideal propagado pela mídia na
satisfação com o próprio corpo e na escolha alimentar de estudantes universitários.” (LAUS,
2013, n. p.). Para tanto, recorreu à divisão de grupos, para o experimental, apresentou fotos de
modelos de ambos os sexos, representativas do ideal de beleza; para o controle, fotos de objetos
neutros (LAUS, 2013).
No Doutorado em Psicologia da PUC/GO, a tese Paisagem, experiência e
representações sociais: o olhar etnográfico para um fenômeno de cultura, da pesquisadora
Margarida do Amaral Silva, orientada pelo professor Pedro Humberto Faria Campos;
desenvolveu “estudo etnográfico da paisagem segundo experiência e conforme representação
social.” (SILVA, 2013, n. p.). Nesse trabalho, a fotografia foi utilizada para a captação de
imagens que demonstraram a experiência paisagística dos participantes. (SILVA, 2013).
No Doutorado em Psicologia da UFPA, a tese Estudos sobre a avaliação da afasia
expressiva: material e procedimentos, de Tony Nelson, orientado pelo professor Olavo de Faria
Galvão, buscou aprimorar a avalição de adultos com afasia expressiva. Para tanto, em uma de
suas etapas, solicitou que participante nomeasse fotografias com vistas a verificar a
concordância em relação aos nomes que lhes foram atribuídas, posteriormente, considerado o
percentual de 90 a 100% de concordância, foram selecionadas as fotografias dentro desse
quantitativo. (NELSON, 2013).
Já a tese intitulada Intervenção artística e transtornos psíquicos: possibilidades de
diálogo, defendida por Ana Elizabeth Lisboa Nogueira Cavalcanti, orientada pela professora
Ana Lucia Francisco, no Doutorado em Psicologia Clínica da UNICAP, objetivou “identificar
o uso da arte como dispositivo clínico de expressão de subjetividades para pessoas com
transtornos psíquicos, com vistas à proposição desta modalidade de tratamento para esses
pacientes.” (CAVALCANTI, 2013, n. p.). Para tanto, a fotografia atuou como registro de ações
decorridas no momento da pesquisa.
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Por sua vez, a tese Experiência de educação/trabalho no SUS: sentidos para estudantes
em oficinas estéticas inseridos no PET-Saúde, do pesquisador Carlos Eduardo Máximo e
orientada pela professora Katia Maheire, no Doutorado em Psicologia da UFSC, propositou,
conforme Máximo (2013, n. p.), “compreender a experiência de inserção de estudantes
universitários de cursos da área da saúde em um programa de integração ensino/serviço.”, desse
modo, utilizou fotografias para obtenção de informações sobre o fenômeno em estudo.
(MÁXIMO, 2013).
No ano de 2014 foram identificadas cinco (5) teses. A primeira, da pesquisadora Raquel
Redondo Rotta, orientada pelo professor José Francisco Miguel Henriques Bairrão, defendida
no Doutorado em Psicologia da USP/Ribeirão Preto. Intitulada Olhares que narram:
perspectivas umbandistas de articulação do sentido, busca, através da produção fotográfica e
outros procedimentos, “apreender, em comunidades umbandistas, nuances dos modos de
construção, transmissão e apreensão de significados relativos ao mundo, ao eu e ao outro, por
meio de perspectivas umbandistas de articulação do sentido.” (ROTTA, 2014, n. p.)
Ainda nesse mesmo ano, a tese Um hipotético efeito antecipatório anômalo para
estímulos aparentemente imprevisíveis poderia afetar a tomada de decisão humana?, do
pesquisador Fábio Eduardo Silva, orientada pelo professor Welligton Zangari, defendida no
Doutorado em Psicologia Social da USP. Desenvolveu o uso da fotografia em estudo
experimental que propositou “replicar estudos prévios do HEAA [Hipotético Efeito
Antecipatório Anômalo] registrando dados fisiológicos de participantes antes, durante e depois
de observarem fotografias, divididas em calmas e emocionais (eróticas e violentas)”. (SILVA,
2014, n. p.).
Além dessa, tem-se a tese intitulada O processo de formação identitária e a
incorporação, inculcação e encarnação do habitus militar: um estudo etnográfico na PMSC,
produzida por Aniele Fischer Brand, orientada pela professora Suzana da Rosa Tolfo, no âmbito
do Doutorado em Psicologia da UFSC. Na qual, fez uso da fotografia entre outros
procedimentos, para alcançar compreensão a respeito do processo de construção da identidade
militar. (BRAND, 2014, n. p.)
O trabalho Quando a pele faz a passagem - roteiro tese do filme A Pele que Habito,
produzido por Taciano Valério Alves da Silva, orientado pela professora Maria Cristina Lopes
de Almeida Amazonas, no Doutorado em Psicologia Clínica da UNICAP, conduz o uso da
fotografia, especificamente, de fotogramas do filme A Pele que Habito (Pedro Almodóvar,
2011), para subsidiar a discussão sobre “a pele como metonímia/fronteira da identidade de
gênero” (SILVA, 2014, n. p.). O autor da tese justifica a escolha por esse tipo imagético –
63
fotograma -, à medida que este “acompanha a dimensão dos acontecimentos, surgindo, assim,
multiplicidades de possibilidades para interpretações em que encontramos como aliados,
Foucault e Deleuze, para adensar nossa investigação”. (SILVA, 2014, n. p.)
Por fim, a tese Estetização do self e elaboração psíquica: repercussões das redes sociais
na subjetvidade, defendida por Gabriel Artur Marra e Rosa, orientada pelo professor Benedito
Rodrigues dos Santos, produzida no âmbito do Doutorado em Psicologia da UCB. Consistiu
em trabalho que utilizou fotografias e outras informações extraídas em perfis na rede social
Facebook para investigar “os aspectos que incidem na composição da identidade de [seus]
participantes das redes sociais” (ROSA, 2014, n. p.)
Avança-se a produção de 2015, nesse ano foram identificadas seis (6) teses defendidas
em quatro (4) PPG distintos. O trabalho Pequenos cidadãos ações e concepções de crianças
sobre o brincar em espaços públicos, tese de doutorado defendida por Paula Sanders Pereira
Pinto, orientada pela professora Ilka Dias Bichara, no Doutorado em Psicologia da UFBA,
utilizou entrevistas, fotografias, desenhos infantis e maquetes para “investigar e analisar ações
e concepções de crianças a respeito dos espaços públicos onde brincam e mediar interlocuções
entre um grupo de brincantes e o gestor do espaço” (PINTO, 2015, n. p.).
Além dessa, a tese A feira agroecológica como espaço de produção de práticas
culturais: identidade, alimentação e relações psicossociais, da pesquisadora Maria Rita
Macedo Cuervo, orientada pelo Professor Adolfo Pizzinato, no âmbito do Doutorado em
Psicologia da PUC/Rio Grande do Sul. Nessa produção acadêmica, distribuída em três artigos,
a autora apresenta etnografia em uma feira agroecológica, em que utiliza, dentre outros
procedimentos, a fotografia para a produção de informações (CUERVO, 2015).
Ainda em 2015, tem-se a tese Olhos abertos para ouvir, sentir, pensar: crianças com
deficiência visual fotografando a cidade, defendida pela pesquisadora Laura Kemp de Mattos
e orientada pela professora Andréa Vieira Zanella, no Doutorado em Psicologia da UFSC. A
autora utiliza a fotografia como instrumento para a composição de narrativas de crianças e
jovens com deficiência visual (MATTOS, 2015, n. p.). Segundo expõe em seu resumo, a tese
consiste em:
[...] investigação sobre o processo de constituição de olhares de cinco crianças/jovens
com deficiência visual, com idades entre 07 a 14 anos. Como ferramenta para
produção de informação, foram criadas narrativas fotográficas e audiovisuais em
distintos espaços da cidade por elas escolhidos. [...] Os capítulos relatam encontros
com a cegueira, em diálogo com as veredas do processo de criação da pesquisa:
experiências com o grupo de crianças/jovens em Florianópolis em uma oficina sobre
fotografia e cidades; com cada criança/jovem para a produção e leitura das suas
narrativas; e incursões com Evgen Bavčar em países estrangeiros. (MATTOS, 2015,
n.p., grifo meu).
64
Enquanto o trabalho Abrindo os códigos do tesão: encantamentos de resistência entre
o transfeminismo pós-pornográfico, defendido por Arthur Grimm Cabral e orientado pela
professora Maria Juracy Filgueiras Toneli, no âmbito do Doutorado em Psicologia UFSC,
produz tese que:
Vinculada a ativismos queer e (trans)feministas, a pós-pornografia consiste num
convite (artístico, erótico e político) para incitar corpos a se reapropriarem das
tecnologias que operam o dispositivo da sexualidade, experimentando possibilidades
de dissidência ao longo desse processo. A presente pesquisa é uma tentativa de
responder a este convite, compondo uma cartografia situada desde minha corpa
branca, de classe média, não-heterossexual e transgênera. As músicas, performances,
fotos, oficinas e vídeos pós-pornograficos são aqui evocados não enquanto “objetos”,
mas como personagens que se aliam à construção das minhas próprias ficções,
derivando experimentações com a escritura que buscam interferir e (re)articular as
normas de sexo e gênero que me cruzam. (CABRAL, 2015, n.p., grifo meu).
Na produção "Tão perto e tão longe": o cotidiano de aposentados nos espaços urbanos
da cidade de Florianópolis, da pesquisadora Aline Bogoni Costa, orientada pela professora
Dulce Helena Penna Soares, no Doutorado em Psicologia da UFSC, utiliza-se fotografias e
entrevistas para “compreender as relações estabelecidas por pessoas aposentadas, em seus
cotidianos, nos espaços urbanos da cidade de Florianópolis” (COSTA, 2015, n. p.).
Por fim, a tese A produção de sentidos intergeracional de homens sobre o planejamento
familiar, de Júlio Cesar dos Santos, orientada pela Professora Silviane Bonaccorsi Barbato, no
âmbito do Doutorado em Psicologia da UnB. A qual, segundo descreve seu autor no resumo da
tese, objetivou:
[...] analisar a produção de sentidos individual e intergeracional de homens com
relação ao planejamento familiar, relacionado à: compreensão dos sentidos da herança
cultural entre gerações; projetos de vida que incluem planos futuros sobre formação
familiar, relação amorosa, reprodução; graus de apropriação das práticas culturais
familiares. [...] Optamos por uma metodologia qualitativa, em contexto de
comunidade negra rural, com a participação de nove homens, de três gerações, de três
famílias da cidade de Santo Antônio de Jesus, Bahia. Realizamos a construção de
dados na casa dos participantes, em dois momentos, com os seguintes procedimentos:
(a) uma entrevista de história de vida; (b) uma entrevista episódica seguida por uma
semiestruturada mediada por fotografias/objetos trazidos pelos participantes que
lembrassem filhos, pais e avós. (SANTOS, 2015, n.p., grifo meu).
Quanto à produção de teses referente ao ano de 2016, último do presente corpo analítico,
foram identificados oito (8) trabalhos, parcialmente distribuídos em seis (6) PPG brasileiros. A
primeira tese, Evidências de validade concorrente entre o BBT-Br e a BFP: um estudo com
universitários, defendida pela pesquisadora Milena Shimada, orientada pela professora Lucy
Leal Melo, no âmbito do Doutorado em Psicologia da USP/Ribeirão Preto. Consistiu em estudo
com objetivo de verificar a validade de dois testes aplicados com estudantes universitários,
utilizados para a avaliação de seus interesses vocacionais. O BBT-Br (Teste de Fotos de
Profissões), teste projetivo que avalia interesses vocacionais e BFP.
65
O Doutorado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações da UnB
apresentam-se duas (2) teses. A primeira, com título Ambientes restauradores: uma retomada
do urbano, da pesquisadora Elisa Dias Becker Reifschneider, orientada pelo professor Hartmut
Gunther. Nesse trabalho, o recurso fotográfico foi adotado para a visualização das imagens
pelos participantes e com isso comparar os cenários demostrados pelos pesquisadores natureza, arquitetura escultórica e vidro espelhado.
Enquanto a segunda tese, intitulada Melhora essa cara: a adesão a valores com foco
social como indicadora da habilidade do controle de expressões faciais de emoção, do
pesquisador Hugo Rodrigues, orientada pelo professor Cláudio Vaz Torres, usou o instrumento
fotográfico para investigar “o quanto valores individuais com um foco social eram capazes de
explicara habilidade de produzir intencionalmente expressões faciais idênticas às espontâneas.”
(RODRIGUES, 2016, n. p.). Desse modo, utilizaram-se oito (8) fotos fornecidas pelos
participantes, uma (1) com expressão neutra e sete (7) com emoções básicas. (RODRIGUES,
2016).
No Doutorado em Psicologia da UFBA, identificaram-se duas teses, ambas orientadas
pelo professor Marcos Emanoel Pereira. A primeira, intitulada Pele negra sem máscaras
brancas: o julgamento da boa aparência em seleção de pessoal, do pesquisador Altair dos
Santos Paim, buscou “avaliar os efeitos do racismo no julgamento da boa aparência em seleção
de pessoal.” (PAIM, 2016, n. p), em três estudos, os quais contemplaram pesquisa documental;
avaliação de fotos e simulação de seleção de pessoal. Nesse caso, o uso da fotografia ocorreu
“Inicialmente, uma avaliação de fotos por juízes, utilizando imagens prototípicas. Uma escala
de branqueamentos com fotos masculinas foi produzida, sendo instrumento para o estudo
seguinte”. (PAIM, 2016, n. p.)
Além dessa, a tese O processo de socialização de crianças e o desenvolvimento moral
das mães: estudos da expressão de conteúdos e traços estereotípicos de crianças brancas e
negras acerca da cor de pele, do pesquisador Saulo Santos Menezes de Almeida, buscou, em
pesquisa de natureza descritiva e exploratória com:
[...] 200 crianças, sendo 125 crianças classificadas pelos juízes como negras e 75
brancas, com faixa etária entre 8 a 11 anos de idade (x=10; s= 1,41). Destas 200
crianças, 100 crianças foram do Estado de Sergipe (32 brancas e 68 negras) e 100
crianças do Estado da Bahia (42 brancas e 58 negras). Elas foram solicitadas a se
classificarem quanto a cor de sua pele e também a exporem seus pensamentos com o
uso de traços e conteúdos estereotípicos relacionados à atratividade física, capacidade
cognitiva, comportamento normativo e nível socioeconômico, e qual a sua preferência
de cor de pele de uma outra criança (uma criança negra e outra branca, apresentadas
em fotos) quando há a possibilidade de um contato direto ou proximidade.
(ALMEIDA, 2016, n.p., grifo meu).
66
Já a tese Escrever é uma viagem: A atividade de criação literária no desenvolvimento
dos turistas aprendizes, defendida por Alice Paiva Souto, orientada pela professora Cláudia
Osória Silva, no Doutorado em Psicologia da UFF; recorreu ao método da oficina de fotos para
o registro de imagens, a partir de questões quanto à atividade de escrever e viajar. Buscou-se,
com isso, analisar “a função da atividade de criação literária no desenvolvimento de jovens em
processo de formação” (SOUTO, 2016, n. p.)
No Doutorado em Psicologia da UFMG, a tese Construção de uma tarefa para estimar
a capacidade de reconhecimento de micro e macro expressões faciais emocionais básicas, de
Lorenzo Lanzetta Natale, orientada pelo professor Arthur Melo e Kummer, teve como objeto
de estudo as emoções básicas, na qual, segunda descreve o autor (NATALE, 2016, n. p.):
Propusemos a construção de uma tarefa capaz de estimar a capacidade de
reconhecimento das micro e macro expressões faciais emocionais básicas
(TRMMEBEB). Adicionalmente, foi construído um banco de dados com fotos/vídeos
de expressões faciais cotadas pelo Facial Action Coding System. Foram filmados 63
voluntários e produzidos 1066 vídeos e mais de 255.000 fotos de expressões faciais
emocionais. A TRMMEBEB é composta por quatro partes. As partes 1 e 2 medem a
capacidade de reconhecimento de microexpressões faciais (166ms) e as partes 3 e 4
medem o reconhecimento das macroexpressões faciais. (NATALE, 2016, n.p., grifo
meu).
Por fim, a tese Percepção estética do envelhecimento feminino, defendida por
Gleicimara Araújo de Queiroz, orientada pela professora Eclea Bosi, no Doutorado em
Psicologia Social da USP. Esse trabalho investigou a percepção da estética feminina durante o
envelhecimento. A fotografia foi utilizada conjuntamente a entrevista de história de vida. As
imagens retrataram as fases da vida das interlocutoras (QUEIROZ, 2016).
Assim, as 62 teses foram se descortinando para a pesquisa, seus títulos, seus autores,
seus orientadores, seus resumos, vinculação aos PPGs. A seguir, empreendemos uma análise
do uso da fotografia nesses diversos estudos.
4.3 As formas de uso da fotografia na pesquisa em Psicologia
Na Psicologia, Neiva-Silva e Koller (2002) relatam que William James (1842-1910) foi
quem primeiro tratou da capacidade de se atribuir significados à imagem, quando “definiu o
significado das palavras como sendo imagens sensoriais trazidas à consciência” (NEIVASILVA; KOLLER, 2002, p. 237). No contexto atual da pesquisa em psicologia, a atribuição de
significados ainda permanece como o principal objetivo de uso dessa ferramenta. Em especial,
porque é um instrumento que atua em sentido de auxiliar a expressão àqueles indivíduos que
apresentam dificuldade de falar sobre alguns temas verbalmente (NEIVA-SILVA; KOLLER,
2002).
67
Esse aspecto é corroborado nas teses analisadas, nas quais identificaram-se, nas funções
que se aplicam a fotografia, o objetivo de potencializar a fala, expressão e reações dos sujeitos
colaboradores das pesquisas. Em termos de aproximações epistemológicas no conjunto de
trabalhos que compõem esta síntese interpretativa, destacam-se as contribuições da fotografia
no sentido de representação do real; como suporte à memória; como expressão do olhar e da
subjetividade dos interlocutores das pesquisas. O conceito central que se coloca no curso desses
trabalhos, diz respeito à fotografia como materialidade mediadora, ao contemplar a condição
desse objeto de dimensionar à processos psicológicos, psicossociais, ou mesmo, no campo
simbólico9.
Ainda, a análise das teses demonstrou que o uso da fotografia na pesquisa em psicologia,
com frequência expressiva, mante-se alinhada as funções tradicionais de uso, no sentido que
foram documentadas por Neiva-Silva e Koller (2002), no levantamento histórico-metodológico
sobre o uso da fotografia na psicologia, que compreendeu a década final do século XIX até os
anos finais do século XX. Além disso, indicou, também, outras formas de mediação
desenvolvidas através do dispositivo fotográfico no fazer pesquisa em Psicologia.
Nessa direção, aponta-se que, no quadro geral das teses analisadas, identificaram-se as
seguintes formas de uso da fotografia: registro, estímulo10, autofotografia (NEIVA-SILVA;
KOLLER, 2002); acervo iconográfico e objeto mediador. Pontua-se que, em menor
quantitativo, identificaram-se produções em que a imagem fotográfica foi aplicada em mais de
uma função (GIL, 2010; NELSON, 2013; NATALE, 2016).
O trabalho de Neiva-Silva e Koller (2002) apresenta relevância no desenvolvimento
teórico-metodológico elaborado pelos autores das teses que foram analisadas, ao tratar do uso
da fotografia na psicologia. Nesse aspecto, considera-se importante referenciar a revisão
histórica-metodológica realizada por esses autores, em que investigam o uso da fotografia na
psicologia. Conforme mencionado, na presente pesquisa, identificaram-se formas de uso em
consonância com as registradas por Neiva-Silva e Koller (2002), com exceção do uso na função
denominada feedback (NEIVA-SILVA; KOLLER, 2002), a qual não se verificou ocorrência
no corpo analítico em estudo. Esse fato, inclusive, reafirma o que os autores supracitados
apontam em seus resultados, no qual constataram a pouca implicação científica do uso da
fotografia como feedback, em relação as outras funções: registro, modelo e autofotografia,
9
Ver a tese de Menezes (2013).
Com relação às nomenclaras, vale destacar que Neiva-Silva e Koller (2002) usam o termo modelo para designar
a função de estímulo. Nesta pesquisa, optou-se pela substituição com intuito de contemplar as denominações que
os/as pesquisadores/as abordam em suas teses, sendo o termo estímulo identificado com maior frequência.
10
68
ao longo dos anos. A respeito disso, os autores justificam que “[...] se deu, principalmente, em
virtude das limitações apresentadas pelo método em relação à restrição de possíveis temas a
serem estudados através deste processo.” (NEIVA-SILVA; KOLLER, 2002, p. 238).
As nomenclaturas que denominam as formas de uso para além das já tradicionais
documentadas por Neiva-Silva e Koller (2002), a saber, acervo iconográfico e objeto
mediador, foram definidas com base nas fontes primárias desta pesquisa, quais sejam, as 50
teses analisadas. Mesma lógica que direcionou a substituição do termo modelo por estímulo.
Evidencia-se que este movimento não foi conduzido a partir da quantificação da ocorrência dos
termos nos documentos primários, mas, em função da identificação do uso da fotografia
realizado pelos pesquisadores, no contexto dos seus estudos. Resguarda-se, assim, o caráter
interpretativo do método de análise aqui empregado, conduzido via leitura aprofundada:
A respeito da análise e interpretação de dados qualitativos deve-se estabelecer uma
leitura compreensiva, que seria exaustiva, de primeiro plano, de forma a atingir níveis
mais profundos, buscando obter visão de conjunto, aprender particularidades do
conjunto do material a ser analisado, elaborar pressupostos iniciais de análise e formas
de classificação. (OLIVEIRA et al., 2015, p. 151).
Constata-se que em poucos trabalhos encontra-se claramente denominada a forma de
uso da fotografia, mesmo naqueles que resgatam as contribuições de Neiva-Silva e Koller
(2002) e/ou de outros autores (AMERIKANER; SCHAUBLE; ZILLER, 1980) a respeito do
uso da fotografia como método de pesquisa. Desse modo, a leitura em profundidade e o auxílio
de ferramentas informáticas foram técnicas essenciais para se obter o alcance dessas
informações. Esse aspecto é corroborado por Oliveira e colaboradores (2015, p. 151), quando
afirmam a importância de ferramentas para o registro do que foi lido, em que “vale tanto
parafrasear o autor sem desvirtuar seu pensamento expresso, como transcrever trechos literais
da obra a se converterem em futuras citações”. Caminho este, adotado na produção desta
pesquisa, com as já mencionadas fichas catalográficas.
4.3.1 O uso da fotografia para a produção de registro visual
No âmbito dos trabalhos que utilizaram a fotografia com a função de registro visual,
recurso que contempla a documentação de uma determinada ocorrência durante seu
acontecimento e no qual importa o conteúdo presente na imagem (NEIVA-SILVA; KOLLER,
2002), identificaram-se 15 teses de doutorado, nas quais, as fotografias foram produzidas
durante a pesquisa, pelos próprios autores (ZIBETTI, 2005; LIBERMAN, 2007; PEREIRA,
2007; CARVALHO, 2008; OLIVEIRA, 2009; CHAVES, 2010; GIL, 2010; PROFICE, 2010;
69
COSTA, 2011; BARCELLOS, 2012; FERREIRA, 2012; CAVALCANTI, 2013; BRAND,
2014; SILVA, 2014; RODRIGUES, 2016).
A função de registro visual é caracterizada por explorar o potencial da fotografia para
documentar o real, com isso, visa os acontecimentos e ações que se desenvolvem no decorrer
da pesquisa (LOIZOS, 2002). Para Neiva-Silva e Koller (2002), quando se dispõe ao registro,
o pesquisador tem sua vinculação analítica ao “motivo fotográfico”, sendo esse, a “ação, pessoa
ou objeto fotografado” (NEIVA-SILVA; KOLLER, 2002, p. 238). Nesse aspecto, o conteúdo
presente na imagem é o foco da análise do pesquisador.
Verifica-se que o uso da fotografia como registro visual é o emprego mais comum no
âmbito da pesquisa científica em psicologia. Ainda no século XIX, nos primórdios da
fotografia, a imagem fotográfica era utilizada apenas com essa finalidade. Nesse contexto,
entendia-se que a fotografia apresentava “plena capacidade de reproduzir o real através de uma
qualidade técnica irrepreensível” (MAUAD, 1996, p. 2). Nesse aspecto, a concepção da
fotografia como “instrumento de uma memória documental da realidade” (MAUAD, 1996, p.
2) afastava qualquer implicação à subjetividade de seu autor, pois, essa vinculação era própria
da criação artística, concebida “na imaginação criativa e na sensibilidade humana” (MAUAD,
1996, p. 2).
A utilização da fotografia com a finalidade de registro visual está documentada no
primeiro trabalho que fez uso desse instrumento no âmbito de uma pesquisa em Psicologia,
ainda no final do século XIX. Neiva-Silva e Koller (2002) identificaram o estudo de Henry
Donaldson, publicado em 1890, como o primeiro texto científico na área da Psicologia em que
a fotografia se fez presente como fonte de informação científica:
Henry Donaldson utilizou o recurso fotográfico na função de registro e tinha por
objetivo encontrar relações entre o construto “inteligência” e estruturas anatômicas do
cérebro de uma mulher surda muda e cega, já falecida. Os resultados foram discutidos
tomando por base diferentes critérios, como notas biográficas, dados físicos,
fotografias do cadáver da mulher durante a autópsia, peso e volume encefálico. Apesar
da fotografia não ter sido o principal instrumento de apreensão dos dados, mas apenas
mais uma forma de registro dos dados em meio a diversas outras, este trabalho foi
um marco da utilização deste recurso dentro da pesquisa psicológica. (NEILVASILVA, KOLLER, 2002, p. 238-239, grifo meu).
No presente estudo, os dados demonstram que o uso da fotografia na função de registro
visual, no âmbito da pesquisa em Psicologia, continua vinculado a tradição de representação do
real. Não obstante, essa ferramenta imagética, nas teses analisadas, de modo geral, está
acompanhada por outros recursos metodológicos como fonte de informação. Constata-se, nesse
sentido, sendo mais frequentemente usada como suporte a observação in loco e acompanhada
da técnica de entrevistas.
70
Nessa direção, verifica-se que a fotografia, ainda que seja uma importante ferramenta
de registro de acontecimentos (LOIZOS, 2002), como fonte de informação, apresenta outros
elementos relevantes condicionados a sua produção: motivo, autor/a, contexto, assunto,
objetivo, são alguns exemplos, mesmo em pesquisas que tomam como objeto de análise o
conteúdo visual em si. Desse modo, a condução de uma pesquisa através de estratégias de
triangulação de dados, possibilita alcance mais abrangente sobre as várias dimensões do objeto
de estudo (ZIBETTI, 2005; CARVALHO, 2008; COSTA, 2011; BRAND, 2014).
Nessa proficuidade – registro – a produção fotográfica assume caráter deliberado. A
imagem é construída de forma intencional e orientada. Essa posição é evidenciada nas teses de
Costa (2011) e Barcellos (2012). Na primeira, o registro fotográfico foi utilizado com objetivo
de documentar situações representativas do processo de trabalho em uma agremiação de escola
de samba. Esse pesquisador (COSTA, 2011, p. 132) chama a atenção para um aspecto que se
destacou durante a produção, em que “os trabalhadores faziam poses acreditando que seriam
divulgadas e assim pudessem ser notados”. Essas ocorrências atentou o pesquisador ao
ambiente competitivo da escola de samba, fato que ainda não havia considerado (SANTOS,
2009; COSTA, 2011). A fotografia, sustenta Costa (2011), ainda que esteja limitada ao registro
estático, não revelando elementos dinâmicos, foi um recurso revelador em sua pesquisa, ao
documentar “às condições de trabalho encontradas em organizações permitindo fazer um
paralelo entre o que deveria ser e o real por meio de uma análise mais detalhada dos elementos
existentes nas cenas.” (COSTA, 2011, p. 228).
Já a tese de Barcellos (2012), sobre práticas cotidianas a partir da implementação da
política de reserva de vagas na UERJ, apresenta destaque ao construir sua própria técnica de
fotografar, conforme afirma a pesquisadora, ao apontar seu amadorismo no trato dessa
ferramenta. Assim, Barcellos (2012, p. 129) indica que buscou “fotografar pragmaticamente,
com funcionalidade”, de modo que, “A melhor foto seria a que fosse mais nítida e a que
garantisse a apreensão das informações contidas na imagem”. Nota-se que os registros
fotográficos elaborados pela pesquisadora direcionam a materialização do seu olhar, sendo uma
extensão do seu campo de visão:
Tendo sido delimitada a direção – registrar tudo o que fosse relativo ao tema da
política de reserva de vagas, a partir das subcategorias estabelecidas - o pesquisador
caminha, diariamente, com a posse da máquina fotográfica digital. Importante
salientar que não há qualquer familiaridade prévia do pesquisador com a técnica da
fotografia. A câmera surge como um dispositivo de registro na intenção de fixar as
imagens que o campo de visão do pesquisador é capaz de flagrar. No transcorrer de
trânsitos cotidianos pela UERJ, a câmera assume a função do diário de bordo,
depositário das anotações, observações e impressões do pesquisador, não perdendo de
vista a especificidade do modo de registro possível de cada uma destas ferramentas.
(BARCELLOS, 2012, p. 129, grifo meu).
71
Na tese seguinte, verifica-se maior ênfase no potencial analítico do registro fotográfico
como estratégia para documentar o desenvolvimento da pesquisa. Nesse trabalho (BRAND,
2014), a fotografia é explorada em sua capacidade de materializar o tempo e espaço da pesquisa,
ao documentar todo o processo que decorreu da imersão da pesquisadora no campo de estudo.
Nesse aspecto, Brand (2014) afirma que “as fotos serviram principalmente para demonstrar os
processos de socialização durante o curso, bem como para ilustrar o novo habitus que estava
sendo incorporado e se refletia nos corpos dos policiais militares.” (BRAND, 2014, p. 121).
Nessa pesquisa, do tipo etnográfica, houve a adoção da estratégia de triangulação de dados para
a coleta de informações. No caso da fotografia, a autora utilizou-a para orientar a compreensão
da realidade observada, no curso da sua experiência no campo de estudo, com auxílio de outras
diferentes técnicas de coleta de dados: observação, vídeos, áudios, análise de documentos,
questionários, entrevistas e conversas informais (BRAND, 2014).
Nesse mesmo caminho, o registro fotográfico tem sido utilizado como ferramenta para
documentar ações da pesquisa: oficinas (GIL, 2010); atividades (ZIBETTI, 2005; OLIVEIRA,
2009; CHAVES, 2010; CAVALCANTI, 2013), encontros (CARVALHO, 2008). No trabalho
de Gil (2010), registros fotográficos foram utilizados para documentar o desenvolvimento de
Oficinas em que a mediação de objetos suscitava recordações e significados em um grupo de
idosos. Os as fotografias foram produzidas no término de cada encontro. Estas se revelaram
como importante ferramenta para documentação da sessão terapêutica e construção de novas
lembranças para os participantes da pesquisa.
Carvalho (2008), por sua vez, em pesquisa sobre crenças, valores e visão sobre o
trabalho e a realidade social, apreendidas por cooperados, a princípio, quando propôs o uso da
fotografia em sua pesquisa, não tinha intenção de usá-las como fonte de informação. Nesse
momento, seu objetivo, com a fotografia, era poder documentar o cotidiano dos Cooperados
durante o período de realização da pesquisa e, com isso, manter registros dos acontecimentos.
Contudo, a capacidade reveladora das imagens chamou a atenção da autora e, assim, no curso
da etnografia, o registro fotográfico se faz presente para ilustrar as vivências cotidianas dos
sujeitos da pesquisa.
[...] registrar fotograficamente nossos primeiros contatos com os catadores, ainda na
rua, as primeiras reuniões, os espaços físicos da Cooperativa, seus equipamentos e
máquinas, o trabalho dos cooperados, as festas, a participação dos cooperados em
diferentes espaços públicos não decorreu de uma escolha metodológica. Contudo, no
percurso do trabalho, nas diversas ocasiões em que apresentávamos e discutíamos a
temática, dentro ou fora da Cooperativa, fomos percebendo como as fotos iam
ocupando lugar de destaque. Algumas vezes, disparavam apontamentos e reflexões
inusitados, outras, falavam por si mesmas. (CARVALHO, 2008, p. 20-21).
72
A qualidade da fotografia como representação do real é mais enfaticamente explorada
na tese de Profice (2010), na qual registra fotografias de paisagens e posteriormente compara
aos desenhos infantis desses mesmos espaços e, assim, avaliar a percepção ambiental de
crianças com idade entre seis a onze anos. Além dessa tese, nos trabalhos de Pereira (2007) e
Rodrigues (2016), imagens fotográficas foram utilizadas para registrar a evidência de alterações
físicas nos sujeitos da pesquisa.
No primeiro trabalho, a fotografia foi utilizada com objetivo de descrever o
enrubescimento, as situações desencadeadoras e testar a hipótese Comunicativa e Remediadora
(PEREIRA, 2007). Nesse aspecto, o pesquisador utilizou fotografias de palestrantes, em
situação social de elevada exposição, e que foram analisadas as regiões de avermelhamento e
brilho na face: bochecha, nariz, testa, mento11 e orelhas (PEREIRA, 2007). Em seguida, avaliou
o rubor e brilho de face neutra, sorriso posado e de sorriso espontâneo em 36 fotos. Por fim,
fotografias de atores que, supostamente, haviam cometido uma infração em um supermercado,
foram utilizadas para avaliar o rubor como apaziguamento (PEREIRA, 2007).
Enquanto Rodrigues (2016) utilizou registros fotográficos para documentar as emoções
básicas de 243 participantes, sendo uma foto neutra e sete, representando cada uma das emoções
básicas, em estudo empírico que buscou avaliar “o quanto que valores individuais com um foco
social eram capazes de explicar a habilidade de produzir intencionalmente expressões faciais
idênticas às espontâneas” (RODRIGUES, 2016, n. p.).
Por fim, vale conferir destaque a outra forma possível de se produzir registros
fotográficos sem o auxílio de câmeras. Na tese de Silva (2014), o autor analisa o filme A Pele
que Habito, do realizador Pedro Almodóvar, lançado em 2001. Em seu trabalho, Silva (2014,
p. 18) discute a “pele como metonímia/fronteira da identidade de gênero”. Nessa direção, parte
de questionamentos sobre os planos cinematográficos no filme, em específico, como os
elementos fílmicos são usados para discutir as estratégias de poder retratadas na película e
apresentar os gêneros através do enquadramento.
Nesse quesito, Silva (2014) utilizou a seleção de fotogramas para frear o movimento do
filme. O autor optou por limitar apenas as imagens consideradas relevantes a sua proposta de
estudo, devido à grande quantidade de imagens fixas que compõem um filme. Desse modo deu
seguimento à captura, descrição e discussão sobre cada uma das imagens emblemáticas em sua
tese, na sequência que se apresentam na película. Os fotogramas12 são as várias imagens fixas
11
Mento: parte inferior e média da face, abaixo do lábio inferior.
Na Enciclopédia Itaú Cultural encontra-se a seguinte definição para fotograma: “a unidade do filme fotográfico
depois de processado, ou seja, do negativo. Isto significa que um filme de 36 poses gera, portanto, 36 fotogramas.
12
73
que dão vida a um filme. Em outras palavras, são as imagens que o dispositivo mecânico registra
no filme fotográfico – o negativo que tão bem conhecíamos nos tempos dos dispositivos
analógicos.
Na estrutura da tese, Silva (2014) elabora, a partir dos fotogramas do filme em análise,
um processo que denomina ‘roteiro-tese’. O autor utilizou os fotogramas para acompanhar e
ilustrar sua narrativa/análise que toma forma na descrição das 66 imagens extraídas do filme.
Esses fotogramas, descortinados ao longo do texto, apresentam outra composição, que se
formaliza através da análise do autor (SILVA, 2014, p. 23).
O trabalho se processa num fôlego de continuidade, ou seja, sigo a estrutura do filme,
pois somente assim posso ir vivendo as manifestações da película. O que vou
realizando é fotografa os acontecimentos: "fazer fotografia é querer descobrir mais
sobre o mundo em uma cena, através da possibilidade de reconstruí-la e depois
contemplá-la" (Gomes, 2012, p. 117). Capturo as passagens, descrevo as imagens,
reconstruo com o que me causa e o contemplo com novas miragens, por isso trata-se
de um roteiro-tese. (SILVA, 2014, p. 23).
Em síntese, a tese de Silva (2014) apresenta outro domínio possível do registro
fotográfico, possibilitado, principalmente, em razão das novas tecnologias que se avolumam no
cenário global. Embora o autor não especifique como fez os registros dos fotogramas, uma
forma possível é através do recurso de captura de tela (ou screenshot), que consiste em capturar
a imagem da tela de um dispositivo eletrônico que disponibiliza essa função. Assim, o que se
obtém através desse processo é uma imagem digital gerada por um dispositivo que não é uma
câmera fotográfica. Nesse quesito, considerando a imagem original (quando não há
manipulação de programas de edição de imagens), o autor da captura não é o responsável pelo
enquadramento, iluminação e outros aspectos próprios da técnica fotográfica. O próprio
dispositivo realiza essas funções. Se por um lado, é um processo objetivo e prático, no qual, a
ação humana, do ponto de vista mecânico, limita-se ao toque na tecla que aciona a captura da
imagem, em uma reprodução fiel de um dado instante presente na tela do dispositivo eletrônico.
Por outro lado, o/a pesquisador/a se implica no ato de selecionar as imagens. É o sujeito
quem diz o que deve ser capturado. É ele quem seleciona a exata imagem que corresponde a
seu interesse de pesquisa. Esse aspecto está presente na tese de Silva (2014), quando explica
que “Os fotogramas que capturamos trazem imagens que nos dão caracteres para situar os
instantes que privilegiam personagens e elementos materiais de importância fundamental para
a nossa discussão”. Verifica-se, nisso, que o pesquisador faz suas escolhas em direção aos
Este termo não se aplica aos dispositivos, que são simplesmente denominados de cromos ou slides. Fotograma
serve igualmente para denominar as fotografias obtidas sem o auxílio da câmara, através da colocação de um
objeto opaco ou translúcido diretamente sobre o material fotossensível”.
74
elementos que materializam as suas inquietações, a saber, as estratégias de poder entre os
personagens e apresentação dos gêneros através do enquadramento (SILVA, 2014). Vale
ressaltar, que no âmbito da forma de uso de registro, o interesse de pesquisa é o conteúdo visual.
4.3.2 O uso da autofotografia
A autofotografia, tal qual identificada por Neiva-Silva e Koller (2002), ocorre quando
há interesse tanto em que produz a fotografia quanto em seu conteúdo visual. Nesse tipo de
aplicação metodológica da fotografia, o participante recebe uma câmera fotográfica e instruções
sobre o manuseio do dispositivo. As fotografias são então produzidas com objetivo de responder
questões lançadas pelo/a pesquisador/a. Usualmente, a análise de conteúdo orienta a
classificação e categorização das imagens (NEIVA-SILVA; KOLLER, 2002).
No âmbito das teses analisadas, identificaram-se 13 estudos que desenvolvem o uso do
método autofotográfico (LOPES, 2004; OLIVEIRA, 2005; BORGES, 2006; ALVES, 2012;
BARBOZA, 2012; SANCHES-JUSTO, 2012; MACIEL, 2012; MAXIMO, 2013; SILVA,
2013; ROTTA, 2014; COSTA, 2015; MATTOS, 2015; SOUTO, 2016). É interessante destacar
que em sua maioria (11 teses), são trabalhos produzidos nesta década, somente a tese de
Oliveira (2005) e a de Borges (2006) foram produzidas na década anterior.
De fato, o momento de produção das imagens foi, de modo geral, durante a realização
da pesquisa, sempre pelo participante, em consonância com a proposta do método
autofotográfico, em que o conteúdo e o processo são objetos de interesse do/a pesquisador/a.
Quando uma pessoa direciona a câmara fotográfica para determinado objeto, símbolo,
evento, pessoa ou lugar, em resposta a uma pergunta, e capta esta imagem através da
fotografia, naquele instante ela passa a mostrar algo de si. O ato de fotografar
constitui-se um importante evento social que pode afetar, inclusive aqueles que estão
diante da câmara (NEIVA-SILVA; KOLLER, 2002, p. 248).
A partir da análise desses estudos, identificaram-se aproximações quanto à proposta
epistemológica das teses com uso da autofotografia. Em síntese, os pesquisadores buscaram
através das fotografias produzidas pelos interlocutores: conhecer suas experiências e vivências
em determinados contextos de vida (OLIVEIRA, 2005; BARBOZA, 2012; MAXIMO, 2013;
SILVA, 2013; ROTTA, 2014; COSTA, 2015; MATTOS, 2015); os processos de produção de
sentidos (BORGES; 2006; SANCHES-JUSTO, 2012; MACIEL, 2012); e as constituições
subjetivas (CAVALCANTI, 2013; LOPES, 2004; SOUTO, 2016).
A produção da autofotografia, conforme Neiva-Silva e Koller (2002), é instada por uma
pergunta/solicitação que parte do/a pesquisador/a ao participante, este, por meio do recurso
imagético, tenta respondê-la. Contudo, aliado as fotografias, recomenda-se a adoção de outras
75
estratégias metodológicas que permitam ir além do que se expressa através do conteúdo visual.
Esta opção é verificada na totalidade das teses analisadas que fazem uso da autofotografia, em
que entrevistas, oficinas, ou, até mesmo outros recursos visuais e gráficos (desenhos infantis)
que foram utilizados combinados à produção fotográfica.
Um aspecto que chama a atenção, no contexto das teses que utilizaram a autofotografia,
trata-se da quantidade de imagens produzidas pelos interlocutores. Em alguns trabalhos, o/a
próprio/a pesquisador/a, previamente, estabelece um limite, como é o caso de Oliveira (2005),
ao solicitar quatro fotografias às quatro questões lançadas a seus colaboradores. Em outros
trabalhos, este limite é imposto pela quantidade de fotografias que o dispositivo fotográfico é
capaz de produzir, a exemplo, quando se entrega máquinas fotográficas descartáveis contendo
filmes com capacidade restrita de fotogramas. (BORGES, 2006; BARBOZA, 2012; MACIEL,
2012).
Nesse segmento, destaca-se a tese de Maciel (2012), em que se desenvolveu um jogo de
pesquisa, para ser realizado com crianças com idade entre nove e 11 anos. De acordo com
Maciel (2012), esse método foi proposto com vistas a conferir caráter lúdico, convidativo,
próximo à brincadeira, que possibilitasse o envolvimento das crianças na pesquisa e na geração
dos dados (MACIEL, 2012).
Conforme indica Maciel (2012), a brincadeira consistiu em tirar fotografias do dia-adia (também era permitido desenhar e escrever) e conversar sobre as fotos produzidas. As
crianças foram orientadas sobre o tipo de dispositivo fotográfico que iriam usar para tirar as
fotografias. A pesquisadora relata que entregou uma caixa contendo um caderno de desenhos,
lápis de cor e lápis grafite, uma câmera fotográfica Kodak de uso único e as instruções do jogo
e do uso da máquina. Devido às crianças não estarem familiarizadas com esse tipo de
dispositivo, a pesquisadora informou-as que só poderiam tirar em torno de 27 fotografias e que
não poderiam visualizá-las ou apagá-las, tal como é permitido nas máquinas digitais.
Entendemos a necessidade de registro desses fatos relativos às limitações do
equipamento fotográfico, no ato da orientação para seu uso, porque eles são
restritivos. Não tendo um número ilimitado de fotos possíveis a serem feitas e não
podendo ver as fotos assim que as fazem (nem apagá-las ou alterá-las), as crianças
deveriam ser mais seletivas e reflexivas na escolha sobre o que fotografar – o que,
segundo nossos objetivos, implicaria numa produção de sentidos sobre a própria ação
de fazer a fotografia. Por outro lado, levamos em conta que também isso poderia gerar
desinteresse por parte dos participantes que, não vendo o que fotografaram, poderiam
se sentir desestimulados a prosseguirem no jogo. (MACIEL, 2012, p. 64).
No caso do trabalho de Oliveira (2005), o método autofotográfico foi utilizado em
pesquisa com crianças com idade entre nove (9) e 14 anos. A pesquisadora assim descreve o
passo a passo da produção imagética:
76
Elaboraram-se seis questões norteadoras para as fotos, os desenhos e as conversas,
com o objetivo de buscar o sentido do lugar (1-o mais bonito do Francês; 2-o mais
feio do Francês e 3-como é o Francês hoje) o sentido de estar no lugar, ocupando o
espaço enquanto criança (4-como é ser criança na Praia do Francês), e, por último, o
comparativo como foi e como gostariam que fosse o lugar (6-como gostaria que o
Francês fosse e 5-como você imagina que foi). Formaram-se dois grupos, solicitandose às crianças que fotografassem algo [...] que dissesse respeito às quatro primeiras
questões. A máquina fotográfica da pesquisadora era emprestada a cada um deles para
que fizessem as quatro fotos. Poderiam realizar em grupo ou sozinhos. Eles ficavam
com máquina até que o grupo todo tivesse fotografado. (OLIVEIRA, 2005, p. 75).
[...]
A seguir foi acrescentada a questão cinco, e solicitamos que escrevessem algo [...]
sobre as cinco questões, sendo, por último, acrescentada a questão seis, após o que
pedimos que desenhassem sobre elas [...]. As questões cinco e seis foram inseridas,
tendo em vista a expressão do passado, em termos de histórias contadas acerca do
lugar, e do futuro, em termos de desejos e sonhos. Já a escrita de um texto sobre as
questões foi uma forma de expressão e reflexão sobre o que já tinham fotografado,
dando mais elementos sobre o real. Poderíamos confirmar repetições e novidades.
(OLIVEIRA, 2005, p. 75).
[...]
Os desenhos foram utilizados para pudessem expressar algo que não tivesse a
concretude de existência mostrada pelas fotos, sendo dada vazão, agora, às
representações simbólicas da imaginação, através das cores e das formas próprias do
desenho. (OLIVEIRA, 2005, p. 75).
Já a pesquisa de Borges (2006) tratou de investigar a construção do conceito de ‘Olhar’,
através de uma análise dialógica que compreendeu o uso de entrevistas, da fotografia e da
exibição do documentário Janela da Alma. As interlocutoras produziram fotografias antes e
após a exibição do filme, as quais foram analisadas pela pesquisadora conjuntamente com as
entrevistas de história de vida, sobre a atividade de fotografar:
Inicialmente foram feitas entrevistas com as participantes escolhidas sobre suas
histórias de vida e quais os conceitos que possuíam de Olhar e de visão de mundo.
(BORGES, 2006, p. 72).
[...]
Além das entrevistas, as participantes tiraram fotos de como percebiam o mundo, a
fim de que pudéssemos entender seus conceitos sobre o Olhar e a dinâmica que
permeava suas histórias de vida. Inicialmente, foi entregue uma máquina fotográfica
descartável, com 24 poses para cada mulher e dadas instruções básicas de como
utilizar o aparelho. Foi solicitado a cada mulher que tirasse 24 fotografias de como
vêem (sic) o mundo e a vida. Em seguida, pediu-se para que as participantes
selecionassem quatro entre essas fotos e organizassem-nas em ordem de importância.
(BORGES, 2006, p. 72).
[...]
Após a realização das fotos, foram feitas entrevistas individuais para construir
informações sobre os significados e sua ordenação. A narrativa sobre as fotos teve
como objetivo esclarecer a intenção da produção de cada foto, o significado e o tema
de cada uma. Pensamos que uma interpretação do material visual produzido pelas
mulheres pressupõe a fala sobre esse material e o contexto histórico e emocional no
qual ele foi produzido, e colabora para o enriquecimento do que se percebe e se produz
visualmente. Nesta etapa, foi feita, também, a escolha das fotos que mais eram
representativas da visão de mundo que cada uma tem, a partir da percepção das
participantes. (BORGES, 2006, p. 73).
Conforme demonstram os dados, a autofotografia é frequentemente utilizada em
pesquisa-intervenção, especialmente, no método da Oficinas de Fotos. Nessa condição, foram
77
identificadas cinco teses (LOPES, 2004; SANCHES-JUSTO, 2012; MAXIMO, 2013;
MATTOS, 2015; SOUTO, 2016).
No caso do trabalho de Lopes (2004), as fotografias foram utilizadas como
“possibilidade de reconstrução da realidade que se apresenta na maneira particular,
fragmentária, mas, ao mesmo tempo, nos remete ao todo de que faz parte” (LOPES, 2004, p.
98). Pois, através do recurso fotográfico, “pode-se resgatar a memória e recontar a história da
experiência vivida e compartilhada durante a pesquisa-intervenção.” (LOPES, 2004, p. 98). O
uso desse instrumento, no contexto do método denominado Oficina de Photos&Graphias, visou
“investigar a linguagem fotográfica como meio e mediação dos processos de construção de
conhecimento, de constituição de subjetividades e de inclusão social.”. Para tanto, foi aplicado
junto a 11 jovens com idade entre 15 e 24 anos, seis com necessidades especiais de
aprendizagem e cinco alunas sem deficiências física, sensorial ou mental. Buscou-se, por meio
da realização de oficinas, utilizar a linguagem fotográfica como recurso pedagógico e como
metodologia de pesquisa (LOPES, 2004).
Já na tese de Sanches-Justo (2012), buscou-se investigar possibilidades de prospecção
de idosos a partir do ato fotográfico, entendido como “a possibilidade de pensar a fotografia
não como um resgate do vivido, mas um planejamento, uma expressão dos desejos e sonhos a
respeito das miragens que se colocam adiante” (SANCHES-JUSTO, 2012, p. 15). Para tanto, o
método da oficina de fotografias foi aplicado em um grupo de 25 idosos. Inicialmente, houve a
apresentação das instruções sobre o manuseio do dispositivo fotográfico, além disso, nesse
momento, puderam exercitar o olhar fotográfico. Para, então, “Ao apropriarem-se deste
instrumento de expressão, estariam aptos a comunicar seus anseios e produzir fotografias que
expressassem fielmente seus pontos de vista” (SANCHES-JUSTO, 2012, p. 51).
As oficinas foram conduzidas a partir de perguntas disparadoras, quais sejam: “O que
você quer, do presente, eternizar para o futuro?”; “Que imagem ou cena você registraria agora
para representar algo que ainda não aconteceu em sua vida, mas que você pretende que aconteça
no futuro?” (SANCHES-JUSTO, 2012, p. 51). Nesse espaço, de acordo com Sanches-Justo
(2012), ao conferir liberdade aos interlocutores no ato de sua produção, puderam exercitar o
olhar fotográfico, explorar as técnicas, selecionar imagens.
A tese de Maximo (2013), por sua vez, utilizou a autofotografia, no âmbito da sua
pesquisa-intervenção, para que seus interlocutores – estudantes universitários inseridos em um
serviço de saúde – produzissem registros capazes de explorar suas experiências nesse contexto.
No espaço das oficinas de fotografias, as imagens foram discutidas coletivamente pelos
estudantes. De acordo com Maximo (2013), os participantes utilizaram suas próprias câmeras
78
fotográficas, para a produção de 10 fotos sobre a experiência de inserção no PET-Saúde. Com
base no que afirma Zanella e colaboradores (2006, citador por MAXIMO, 2013, p. 32), as
oficinas “constituem lócus que tem por objetivo possibilitar aos participantes, a partir da
mediação de diferentes linguagens, vivências nas quais novas possibilidades podem ser
produzidas, novos sentidos podem ser gerados”.
Já a tese de Mattos (2015) trata-se de uma pesquisa-intervenção com crianças e jovens
cegos, em que investiga a constituição dos seus olhares. Desse modo, buscou-se “compreender
o acontecimento de fotografar: o motivo, o que está por detrás da intenção, em suma, o que
cativa o olhar de cada um.” (MATTOS, 2015, p. 48). Para tanto, seguiu um “percurso
metodológico em trajetos pela cidade de Florianópolis que lhes pudesse oportunizar a produção
de narrativas fotográficas audiovisuais” (MATTOS, 2015, p. 48).
Em síntese, os três momentos da oficina estética compreenderam: no primeiro
momento trabalhamos em grupo, na sede da ACIC em Florianópolis, Santa Catariana,
a temática da fotografia. As crianças/jovens experimentaram este recurso,
fotografando instalações multissensoriais que simulavam espaços da cidade. No
segundo momento, individualmente em suas casas ou escolas, apresentei a elas
recortes do registro de áudio da oficina de fotografia e suas fotos produzidas naquela
ocasião, para que decidíssemos qual seria o lócus para suas in(ter)venções na cidade.
As crianças/jovens escolheram os espaços e nos inserimos na urbe para criar suas
narrativas fotográficas e audiovisuais. No terceiro momento, apresentei para
criança/jovem e sua família a narrativa audiovisual criada. (MATTOS, 2015, p. 52).
No âmbito da tese de Souto (2016), a autofotografia foi utilizada como forma de
impulsionar o diálogo sobre a atividade, e, com isso, produzir uma ação sobre a realidade. Nesse
estudo, através do método da oficina de fotos, trabalhadores (individualmente ou em grupos)
de uma instituição produziram fotografias sobre sua atividade de trabalho, estas foram reunidas
e discutidas sobre o que mais chama a atenção em cada uma delas. A possibilidade dessa
experiência permite que a discussão seja conduzida a números maiores de trabalhadores no
ambiente em que a pesquisa foi realizada. Tendo em vista que, como proposta inserida na
metodologia da clínica da atividade, o trabalho de Souto (2016) caracteriza-se como pesquisaintervenção.
Nas teses de Barboza (2012) e Costa (2015), entrevistas foram utilizadas junto ao
recurso fotográfico (além de filmagens e diários de campo), com vistas a investigar, por meio
da autofotografia, determinados grupos e suas relações com os espaços urbanos, catadores de
material reciclável e idosos, respectivamente. No primeiro, a pesquisadora solicitou fotos sobre
a relação deles com a cidade, ressaltando que teriam autonomia para escolher as imagens que
seriam registradas (BARBOZA, 2012):
Os CMR, ao perambularem pela cidade em suas carroças, bicicletas, carrinhos ou
mesmo a pé, percebem-na de diferentes ângulos. Na pesquisa, eles registraram a
cidade a partir do modo como a veem, como a (re)produzem e são constituídos nesses
79
trajetos. Suas narrativas fotográficas revivem a polifonia da cidade. Os registros
apresentaram momentos dessas histórias como uma “colcha de retalhos”, que
precisariam ser “costurados” de mil maneiras para abarcar a complexidade de suas
vidas, constituídas com diversas cores, linhas e texturas. (BARBOZA, 2012, p. 56).
Por sua vez, Costa (2015) trabalha com autofotografias em incursões à cidade com 10
colaboradores aposentados (as), para analisar suas trajetórias de vida. De acordo com Costa
(2015, p. 99), a “adoção conjunta das entrevistas e fotografias, indo além das observações de
campo e documentos do descritivo, favoreceu-nos a compreensão do fenômeno em estudo e a
construção de nosso “olhar”, ao mesmo tempo, psicológico e social”. Para a produção das
fotografias, a pesquisadora solicitou registros com o tema “lugares de Florianópolis em meu
cotidiano”. Assim, defende que a fotografia, com base no que afirma Martins (2013, p. 26), é
“um recurso que, em diferentes campos, amplia e enriquece a variedade de informações de que
o pesquisador pode dispor para reconstruir e interpretar determinada realidade social”.
Com relação à tese de Silva (2013), a pesquisadora coletou imagens fotográficas,
videogravadas e desenhadas, as quais foram narradas em entrevistas semiestruturadas. A
pesquisa de Silva (2013) consistiu em estudo de caso que pretendeu a interpretação, através do
uso de fotografias e filmagens, das experiências paisagísticas de dois sujeitos que se
apropriaram do espaço do Parque Ibirapuera. Buscou-se, com o uso do método autofotográfico,
a compreensão dos modos de apropriação do lugar pelos sujeitos da pesquisa, em itinerário de
sua escolha. Assim, as fotografias são essenciais durante a realização das entrevistas, pois nesse
momento os participantes são indagados sobre suas escolhas. A aplicação ocorreu por meio de
uma “câmera fotográfica semiprofissional, de uso amador, e também utilizavam os óculos, com
câmera filmadora embutida, que são popularmente chamados de ‘óculos espiões’, mas que
serão tratados por nós como microcâmeras ou subcam” (SILVA, 2013, p. 197).
No caso da tese de Alves (2012), além da fotografia, a pesquisadora recorreu a outras
estratégias metodológicas, quais sejam, observação participante, diário de campo, entrevistas
abertas e grupo de discussão. O processo de produção fotográfica teve início no contexto do
grupo de discussão com participação de 14 interlocutores. Em outro momento, foram realizadas
entrevistas individuais com 15 membros, dentre os quais, quatro também fizeram parte do grupo
de discussão, por critério de seleção: disponibilidade e interesse em participar da atividade.
Nesse contexto, a autora lançou como questão “como você expressa a sua relação com seu
òrìsà13 por meio de uma fotografia?”, que se desenrolou durante dois (2) encontros de três (3)
que foram realizados, conforme descreve:
13
Escrita em yorùbá, idioma nígero-congoleso, equivalente a orixá no idioma português. No Brasil, está inserido
no campo cultural-linguístico, em específico, nas religiões de matriz afro-brasileiras.
80
No primeiro encontro do grupo de discussão, os participantes foram
instrumentalizados com técnicas básicas de fotografia. Após este momento, de caráter
informativo, oferecemos aos participantes um momento para a produção de uma
fotografia que expressasse a sua relação com a sua divindade. No segundo encontro,
os participantes comentaram sobre o sentido e o significado dado às fotografias e
aprofundou-se a discussão sobre a relação sujeito-divindade. No terceiro encontro,
problematizamos a produção de saúde nas comunidades tradicionais de terreiros a
partir das discussões anteriores e colocamos, para reflexão, a possibilidade de diálogo
entre terreiros e SUS. (ALVES, 2012, p. 44).
A pesquisadora explica que o uso da fotografia teve como objetivo “fotografar as cenas
e os acontecimentos vividos no campo com o propósito de refletir sobre as realidades, saberes
e subjetividades produzidas nos e pelos pesquisadores a partir da linguagem fotográfica no
contexto de pesquisa em psicologia”. (ALVES, 2012, p. 44).
Em síntese, no uso dessa função, ao fotografar um dado acontecimento se produz uma
duplicata feita de imagens (SONTAG, 1977/2004), que está mais acessível a nós do que a
própria realidade, pois, pode ser manipulada, recortada, interpretada em nossas próprias
significações (BARTHES, 1984; SONTAG, 1977/2004; MACIEL, 2012). O processo de
elaboração da fotografia é tão relevante, no plano analítico, quanto o próprio conteúdo visual
registrado, visto que, “[...] com a fotografia, podemos registrar olhares que descrevem tanto o
que se vê, quanto o como se vê; podemos retratar formas de vida” (MACIEL, 2012, p. 33). A
respeito disso, Sontag (1977/2004, p. 14) afirma que “fotografar é apropriar-se da coisa
fotografada”; através da fotografia o sujeito se lança numa relação dialógica com o mundo,
revelando aquilo que está no campo da sua subjetividade, sua própria interpretação do mundo,
sua história, ou mesmo, os acontecimentos em sua vida (MACIEL, 2012). A fotografia,
conforme Barthes (1984) revela aquilo mesmo que ele desconhece ou não tem consciência.
4.3.3 O uso da fotografia para a produção de estímulo visual
A forma de uso da fotografia para a produção de estímulo visual14 tem por objetivo
avaliar “as percepções, falas e reações das pessoas em relação às imagens” (NEIVA-SILVA;
KOLLER, 2002, p. 238), desse modo, o interesse do/a pesquisador/a recai sobre as respostas
do sujeito que vê a foto. Geralmente, recorre-se a apresentação de imagens sobre um
determinado assunto (que representa o objeto de estudo) e, a partir disso, analisa-se a resposta
do participante da pesquisa.
14
Com relação às nomenclaturas, o termo modelo, utilizado por Neiva-Silva e Koller (2002) em seu artigo original,
foi substituído pelo termo estímulo nesta pesquisa. Isso ocorreu com intuito de contemplar as denominações que
os/as pesquisadores/as abordam em suas teses, sendo o termo estímulo o mais frequentemente identificado.
81
Essa forma de uso foi inicialmente identificada, no período entre as duas grandes guerras
mundiais, primeira metade do século XX. Essa funcionalidade foi designada, principalmente,
na área de Recursos Humanos e objetivava, então, a criação de um sistema de seleção rápido e
eficaz, capaz de ser realizado com grandes quantidades de pessoas ao mesmo tempo (NEIVASILVA; KOLLER, 2002).
No âmbito desta pesquisa, identificaram-se 14 teses em que a fotografia foi utilizada
com a função de estímulo visual para eliciar reações a seu conteúdo (MELO-SILVA, 2000;
NOCE, 2008; OKINO, 2009; MIGUEL, 2010; SANTOS, 2011; BUSNELLO, 2012;
FERREIRA, 2013; NELSON, 2013; SOUSA, 2013; SILVA, 2014; LAUS, 2015; ALMEIDA,
2016; NATALE, 2016; SHIMADA, 2016).
É comum que o/a pesquisador/a quando utiliza a fotografia com a função de estímulo
visual, recorra a imagens preexistentes e/ou produzidas por terceiros (NEIVA-SILVA;
KOLLER, 2002), geralmente presentes em ambientes virtuais, acervos pagos ou gratuitos,
protegidos por direitos autorais, instrumentos psicométricos, testes psicológicos, entre outros.
Esse aspecto foi constatado na maioria dos trabalhos identificados pelo uso da fotografia como
estímulo visual, com exceção de dois (2) trabalhos15, nos quais, as imagens usadas foram
produzidas durante à pesquisa, pelo próprio pesquisador (NELSON, 2013) e/ou com auxílio de
terceiros (NATALE, 2016).
No quadro geral, em síntese, as 14 teses assim estão distribuídas: seis (6) estão
vinculadas à validação e atualização de testes psicológicos: capacidade de reconhecimento de
micro e macro expressões faciais (NATALE, 2016), percepção de emoções primárias
(MIGUEL, 2010), Teste de Fotos de Profissões - BBT-Br (MELO, 2000; NOCE, 2008;
OKINO, 2008; SHIMADA, 2016); e, oito (8) são estudos experimentais com propósitos
diversos: (SANTOS, 2011; BUSNELLO, 2012; FERREIRA, 2013; LAUS, 2013; NELSON,
2013; SOUSA, 2013; SILVA, 2014; ALMEIDA, 2016).
Com relação aos trabalhos em que as fotografias foram produzidas durante a pesquisa,
os autores apresentam como justificativas, no caso de Nelson (2013), os direitos autorais das
imagens disponibilizadas em meios externos. Enquanto Natale (2016) busca a contextualização
intercultural através da construção de uma base de dados imagéticos adaptada de um modelo
de classificação estrangeiro (NATALE, 2016).
A pesquisa de doutorado de Nelson (2013) consiste em dois estudos empíricos com
vistas à avaliação de adultos com afasia expressiva: estudo da linguagem receptiva e estudo da
15
Esses aspectos encontram-se no tópico sobre a forma de uso identificada como acervo iconográfico, na p. 94.
82
linguagem expressiva. Para efeito deste último, desenvolveu “material e procedimentos de
avaliação da expressão da linguagem em diferentes contextos de uso (especialmente, o
mando/pedir), controlando a estrutura das palavras, aplicado em adultos com afasia
expressiva.” (NELSON, 2013, p. 52). Para a coleta de dados, Nelson (2013) descreve que foram
avaliados 20 participantes, os quais foram solicitados a nomearem setenta fotos e, com isso,
objetivou verificar a concordância em relação aos nomes atribuídos aos seus respectivos
objetos.
Em síntese, a fotografia foi utilizada como instrumento para obtenção de respostas para
a avaliação da linguagem expressiva em afásicos. O procedimento ocorreu com a apresentação
das imagens e sua nomeação. Assim relata Nelson (2013, p. 66) conforme as duas categorias
verbais avaliadas: nomeação por confronto visual (tato) e mando/pedir16:
Foram mostradas fotos coloridas, uma de cada vez, e se pediu ao participante que
nomeasse os estímulos apresentados. Este tipo específico de tarefa é conhecido como
nomeação por confronto visual e é um item bastante usual em testes aplicados a
afásicos. (NELSON, 2013, p.66, grifo meu).
[...]
Instrução: “Agora, eu vou te mostrar algumas fotos. Preciso que o (a) senhor (a) você
me diga o nome das coisas que vou te mostrar. Tudo bem?”. Se necessário, repetir
instrução. “Vou começar.” O examinador mostra uma foto e pergunta “O que é isto?”.
(NELSON, 2013, p.66).
[...]
Cada tarefa envolveu a entrega de cinco fotos ao participante. Existiam dois pares
completos de fotos e uma foto cujo par estava faltando. As cartas eram entregues
misturadas. O participante era instruído a formar os pares, descobrir a foto que estava
faltando e pedi-la ao examinador. Na primeira apresentação da tarefa de mando, foi
feita uma demonstração para o participante. Este exemplo poderia ser repetido para
que o participante entendesse as regras da tarefa (NELSON, 2013, p.66).
Já o trabalho de Natale (2016), objetivou a construção de uma base de dados digitais
para adaptar o Facial Action Coding System (FACS) ao contexto nacional. O material original
do FACS oferece exemplos na forma de fotos e vídeos das 44 unidades taxinômicas (UA’s),
com a finalidade de aprendizado e treinamento dos/as pesquiadores/as. Conforme explica, “É
por meio da combinação dessas unidades que as expressões faciais e as expressões faciais
emocionais são compostas” (NATALE, 2016, p. 76). Considerando isso, em sua pesquisa,
utilizou tanto o material preexistente quanto as imagens de sua autoria, “no processo de cotação
e categorização do banco de dados” (NATALE, 2016, p. 76).
Nesse segmento, na forma de uso aqui discutida – estímulo visual –, o trabalho de Natale
(2016) desenvolveu o reconhecimento da TRMMEFB17 através de 90 vídeos. Estes foram
16
Para uma explicação pormenorizada, consultar a tese de Tony Nelson, intitulada Estudos sobre a avaliação da
afasia expressiva: material e procedimentos. A descrição do procedimento encontra-se na p. 65 da tese.
17
TRMMEFB: Tarefa de Reconhecimento de Micro e Macro Expressões Faciais Emocionais Básicas. Segundo
Natale (2016, p. 80) “A TRMMEFB foi estruturada tendo como modelo o paradigma desenvolvido e utilizado por
83
selecionados após processo de cotação e classificação com o Facial Action Coding System
(FACS) “por uma equipe de juízes [...] composta por um psicólogo, um fonoaudiólogo, dois
estudantes de psicologia e especialista em edição de vídeos” (NATALE, 2016, p. 79). A seguir,
apresenta-se uma breve descrição da aplicação desse modelo conforme explicações do
pesquisador (NATALE, 2016, p. 79)18:
Para compor a TRMMEFE, como dito, foram selecionados 90 vídeos entre os 321
cotados com o FACS e classificados positivamente como representantes prototípicos
das emoções básicas. Chegou-se a esse número pelo seguinte raciocínio: 12 vídeos (6
homens e 6 mulheres) para cada uma das sete expressões faciais emocionais básicas.
Também foram selecionados seis vídeos que serviram como exemplo/treino antes
tarefa iniciar. Cada um dos 90 vídeos foi convertido em frames e dos frames foram
selecionadas as seguintes sequência: a) dois frames da face neutra e b) três frames de
expressões emocionais em diferentes intensidades (baixa, moderada e alta)
(NATALE, 2016, p. 79).
[...]
Para que a TRMMEFB não ficasse extremamente longa, ela foi dividida em quatro
tarefas. As primeiras duas tarefas medem a capacidade de reconhecimento das
microexpressões faciais e as outras duas a capacidade de reconhecimento das
macroexpressões faciais. A “Tarefa 1” é composta por 18 itens de cada emoção que,
por sua vez, são divididos conforme a intensidade da emoção (seis itens intensidade
baixa, seis itens intensidade média e seis itens intensidade alta). O formato da “Tarefa
2” é idêntico ao da “Tarefa 1”, mudando apenas os atores. (NATALE, 2016, p. 82).
Nesse aspecto, as fotografias (vídeos e frames) produzidas pela pesquisadora foram
utilizadas com vistas a apresentar as expressões em tempos predeterminados (expressão
emocional: 1/5 segundo e face neutra: 1 segundo) em condições de estímulos visuais, em que,
a partir dessa exposição, o sujeito avaliado escolhe uma das sete emoções faciais como a
correta.
O estudo 2 teve como objeto selecionar os itens, construir a TRMMEFBE e aplicar a
TRMMEFEB nas amostras selecionadas de forma a explorar e descrever tanto o
comportamento da tarefa quanto dos grupos em relação aos itens e ao design da tarefa
(estímulos, tempo de exposição, número de estímulos, nível de dificuldade dos itens
em relação a emoção expressa e sua intensidade - leve, moderada ou forte).
(NATALE, 2016, p. 73, grifo meu).
Ainda, no âmbito dos estudos que lidam com a criação e validação de testes, tem-se a
tese de Miguel (2010). Em que desenvolveu esse objetivo com a finalidade de avaliar a
capacidade de reconhecimento de expressões emocionais autênticas e falseadas por meio de um
instrumento informatizado. Primeiro, para a construção de estímulos emocionais, utilizou fotos
Ekmam denominado Micro Expression Training Tol (METT). Segundo esse paradigma, os estímulos de micro
expressões faciais devem ser compostos sempre da seguinte forma face neutra/face emocional/face neutra. O
METT original é composto por 56 sujeitos diferentes que aparecem uma única vez na tarefa. A expressão
emocional tem um tempo de exposição de 1/5 de segundo e a face neutra 1 segundo cada. Após a apresentação do
estímulo, o sujeito deve escolher uma entre as sete emoções básicas como correta.”
18
Para descrição pormenorizada, consultar o trabalho de Lorenzo L. Natale, intitulado Construção de uma tarefa
para estimar a capacidade de reconhecimento de micro e macro expressões faciais emocionais básicas, tópico
sobre a construção do TRMMEFB, localizado na p. 80.
84
e trechos de filmes como estímulo para as respostas das oito emoções básicas previstas no
referencial psicoevolucionista: alegria, aceitação, medo, surpresa, tristeza, aversão, raiva e
expectativa (PLUTCHIK, 2000, 2002; PLUTCHIK; CONTE, 1997, citados por MIGUEL,
2010). Posteriormente, desenvolveu a construção do teste com vídeos e os estudos de validade
com variáveis externas.
A respeito do uso da fotografia, Miguel (2010) esclarece que ocorreu mediante “seleção
de estímulos para criação de uma apresentação de imagens com objetivo de eliciar respostas
emocionais”. Desse modo, o conteúdo presente na imagem (fotos e vídeos) estava associado às
emoções básicas as quais pretendia evocar, sendo assim, representações gráficas do fenômeno.
Tendo isso em mãos, as imagens foram exibidas por meio do software de apresentação Power
Point, em ordem específica. Procedeu-se então captura em vídeo das reações dos participantes.
Em seguida, análise das filmagens e seleção das mais adequadas. E posterior desenvolvimento
de software para execução do teste.
Para a obtenção das fotos e vídeos que foram exibidos, Miguel (2010) indica que utilizou
o International Affective Picture System – IAPS como fonte primária, pois, consiste em uma
coletânea com 707 fotografias:
[...] criada com o objetivo de providenciar controle experimental durante a seleção de
estímulos emocionais. As imagens do IAPS são divididas em três dimensões: valência
(variando de agradável a desagradável), alerta (variando de calma a agitada) e controle
(variando de figuras maiores em controle a menores sendo dominadas). (MIGUEL,
2010, p. 46, grifo meu).
Miguel (2010) defende que este acervo pode ser utilizado em produções nacionais, visto
que o estudo de Ribeiro, Pompéia e Bueno (2005) identificou altas correlações ao comparar
amostras estadunidenses com amostras brasileiras. Contudo, Miguel (2010) ressalva que optou
por localizar algumas imagens em ambiente virtuais de armazenamento de fotos, pois algumas
das imagens disponibilizadas no IAPS são antigas.
A tarefa de localização e seleção das fotografias utilizadas como estímulo foi realizada
pelo autor com auxílio de outros cinco membros do seu grupo de pesquisa (orientador e
colaboradores), conforme, descreve passo-a-passo:
Cada participante incumbiu-se da tarefa de individualmente recolher fotos de web
sites da internet destinados à distribuição de imagens. Cada foto deveria ser capaz de
gerar uma das oito emoções básicas (alegria, aceitação, medo, surpresa, tristeza,
aversão, raiva e expectativa), dessa maneira seguindo o procedimento de apresentação
de estímulos que evocam emoções encontrado em Gazzaniga e cols. (2006). O
conteúdo foi diversificado, abrangendo faces, paisagens, objetos, eventos, fenômenos
naturais, pessoas e animais. As fotos foram agrupadas em uma pasta no computador.
(MIGUEL, 2010, p. 63, grifo meu).
[...]
Em seguida, todos os participantes assistiram às imagens do IAPS. Para cada imagem,
os pesquisadores consideravam se ela se adequava às necessidades da apresentação a
85
ser criada. Quando a foto era considerada representativa de uma das oito emoções
básicas em algum nível (brando, mediano ou forte), era selecionada e copiada para a
pasta de fotos comuns. (MIGUEL, 2010, p. 63).
[...]
Após esse procedimento, todas as imagens na pasta comum foram assistidas pelos
participantes e então foram escolhidas três ou quatro fotos para cada uma das emoções
básicas. Buscou-se escolher uma foto branda, duas medianas e uma forte para cada
emoção. Esses procedimentos foram realizados em três encontros do grupo de
pesquisa, com duração de cerca de 3 horas cada um. (MIGUEL, 2010, p. 63).
A apresentação em sequência das fotografias em PowerPoint, conforme relata Miguel
(2010), foi montada de modo a permitir um transito suave entre as emoções, iniciando com as
emoções positivas até as negativas. Desse modo, uma única fotografia poderia causar mais de
uma emoção em seu observador (MIGUEL, 2010). Cada lauda, com a imagem, era exibida por
7 segundos, tempo considerado suficiente para visualização em detalhe e sem exaustão
(conforme demonstrou estudo piloto). Foram inseridas 27 fotografias. A transição entre cada
uma delas era acompanhada por um breve som neutro, o qual era capturado pela câmera como
forma de identificar o momento da ocorrência.
Finalizada essa etapa, uma tela branca exibia a mensagem solicitando que os
participantes aguardassem as novas instruções. Em seguida, iniciavam-se os estímulos que
provocariam as emoções falseadas. Conforme descreve Miguel (2010, p. 66), “primeiro um
slide em branco contendo apenas o nome da emoção a ser falseada, e em seguida uma imagem,
normalmente oposta àquela emoção, para a qual o espectador deveria olhar e fingir a emoção
pedida”. Por exemplo, a lauda solicitava a emoção tristeza, no entanto, a imagem exibia um
bebê sorrindo.
Foram exibidas 10 fotografias, uma da primeira sequência e nove inéditas. O tempo
definido de exibição foi de 5 segundos para o nome da emoção a ser falseada, repetiu-se o
processo de inserção do som neutro entre cada lauda, e, por fim, 7 segundos para a exibição da
lauda com a imagem. Miguel (2010) indica que para gerar a emoção de medo, fez uma alteração
no processo de exibição, apostando em recursos mais dinâmicos que a fotografia:
Dois outros recursos foram então utilizados para se poder gerar essa emoção. O
primeiro recurso foi uma apresentação que simulava um jogo de concentração, em
que o objetivo era clicar com o mouse em pequenos pontos vermelhos localizados em
regiões em fotos de bebês. Na quarta imagem, ao se passar o cursor sobre o ponto
vermelho, surgia uma foto extraída do filme O Exorcista com o rosto da menina
endemoninhada, com um alto grito. Dessa maneira, buscou-se capturar uma expressão
clara e intensa de medo por meio do susto. (MIGUEL, 2010, p. 67).
Além do recurso fotográfico, para gerar as emoções, Miguel (2010) recorreu ao uso de
trechos extraídos de filmes19. Verifica-se, com isso, que a fotografia é um dos possíveis recursos
19
Ver a tese de Miguel (2010).
86
capazes de eliciar emoções, apresentando limitações quando se exigem estímulos mais
complexos, sendo assim, desencadeados por outros elementos mais dinâmicos que a imagem
estática. Conforme a aplicação produzida por Miguel (2010), em que utilizou estímulos
audiovisuais em substituição as fotografias.
Verifica-se, com base no exposto, a importância de se estabelecer critérios para a seleção
do material adotado na pesquisa. Miguel (2010) observou tanto a atualidade das imagens quanto
a adaptabilidade e concordância ao contexto nacional. Além disso, os limites e alcances do uso
da fotografia em provocar estímulos. Constata-se que o conteúdo visual da fotografia não é um
elemento secundário e de pouca importância no curso da pesquisa. Os critérios de seleção das
imagens seguem tanto a qualidade técnica da fotografia quanto a capacidade do conteúdo visual
de provocar ou não as respostas que o pesquisador antecipa em suas hipóteses de pesquisa.
Por fim, apresenta-se o quadro de trabalhos que desenvolvem análise, validação e
atualização do Teste de Fotos e Profissões (MELO-SILVA, 2000; NOCE, 2008; OKINO, 2008;
SHIMADA, 2016)20, que compreende quatro teses vinculadas aos Programas de Pós-graduação
em Psicologia da USP/Ribeirão Preto.
O primeiro, trata-se da pesquisa de Melo-Silva (2000), em que produz estudo empírico
com adolescentes divididos em dois grupos experimentais, com vistas à análise de resultados e
processos da Intervenção em Orientação Vocacional/Profissional. Para tanto, utilizou distintas
ferramentas de avalição para o alcance dessa proposta: Questionário de Maturidade
Profissional; Inventário de Ansiedade Traço-Estado; Teste de Fotos de Profissões; registros de
observação das sessões realizadas com base no Esquema Conceitual Referencial Operativo de
Pichon-Rivière; respostas das participantes aos questionários de avaliação (MELO-SILVA,
2000). Segundo relata:
[...] o BBT foi empregado em todos os grupos, objetivando clarificar a estrutura de
cada adolescente. O procedimento complementar de contar uma história das cinco
fotos preferidas em dois momentos do processo de orientação profissional, no início
e final, forneceu dados valiosos para avaliar possíveis mudanças no processo de
tomada de decisão profissional. (MELO-SILVA, 2000, p. 117).
A pesquisa de Noce (2008, p. 99), por sua vez, objetivou “examinar as possibilidades
informativas
do
BBT-Br
quanto
a
indicadores
de
maturidade
para
escolha
profissional/ocupacional, bem como fundamentar empiricamente, algumas das hipóteses
interpretativas desta técnica”. Para tanto, aplicou avaliação com o BBT-Br em 93 estudantes de
20
No Brasil, o Professor André Jacquemin, orientador da tese da pesquisadora Lucy Leal Melo-Silva, é o pioneiro
nos estudos com a população brasileira, com os trabalhos O Berufisbilder-test (BBT) de Achtnich. Problema de
validade interna I (1985) e L’ état des recherches sur le BBT au Brésil. Bulletin de Psychologie Scolaire e
d’Orientation (1989) (MELO-SILVA, 2000).
87
ambos os sexos, cursando o último ano do ensino médio em escola pública. Para a formação
dos grupos, utilizou como estratégia de seleção os resultados da Escala de Maturidade para
Escolha Profissional – EMEP, em alta maturidade e baixa maturidade, aplicada coletivamente
em sala de aula. Seguiu-se a aplicação do BBT-Br, individualmente, com as formas adaptadas
para ambos os sexos e o contexto sócio-cultural brasileiro.
No caso da tese de Okino (2009, p. 83), a autora buscou “avaliar as características
psicométricas do Self Directed Search Career Explorer (SDS)21 e do Teste de Fotos de
Profissões (BBT-Br), especificamente estimando a precisão e a validade destes instrumentos.”.
Nesse aspecto, Okino (2009) descreve que para a aplicação do BBT-Br, precisou separar em
duas salas específicas, em razão das duas formas desse instrumento, masculina e feminina,
acompanhadas por dois psicólogos em cada uma delas: Segundo relata, ocorreu:
[...] na forma de slides. As instruções foram lidas em conjunto e após esclarecimentos
das dúvidas, deu-se início à aplicação. As fotos foram apresentadas por meio de um
projetor de slides, com tempo programado de projeção de 17 segundo para cada foto,
em tela especifica para esta função. Conforme as 96 fotos eram projetadas, os alunos
as classificaram em formulário próprio, segundo as instruções do teste. O tempo
médio de aplicação foi de 40 minutos. (OKINO, 2009, p. 106).
Quanto ao trabalho de Shimada (2016), esse teve como objetivo, ampliar os dados do
Teste de Fotos e Profissões – BBT-Br para uso com estudantes do ensino superior, tendo em
vista o modo usual de aplicação deste instrumento, com adolescentes do Ensino Médio. Nessa
direção, Shimada (2016) aponta que “explorou as correlações entre interesses vocacionais e
traços de personalidade, avaliados por meio da Bateria Fatorial de Personalidade – BFP”. Para
tanto, 906 universitários, de ambos os sexos, com média de idade entre 23 e 38 anos, de
instituições públicas e privadas, responderam a uma sequência de instrumentos de avaliação
para a composição dos dados da pesquisa. Com relação à aplicação do BBT-Br, foi
desenvolvido um aplicativo para tablets, segundo a pesquisadora descreve:
O aplicativo do BBT-Br segue as instruções determinadas do manual do BBT-Br,
conforme passos já padronizados de aplicação e avaliação do teste. No momento da
aplicação, cada participante tem acesso a um iPad. Inicialmente, seleciona-se no
aplicativo a forma feminina ou masculina do BBT-Br, possibilitando a aplicação
concomitante em suas versões masculina e feminina em uma mesma sala de aula, o
que não era executável com as metodologias anteriores. Em seguida, são apresentadas
as 96 fotos do BBT-Br, sendo que o participante tem a alternativa de efetuar a
classificação das imagens em positivas, negativas e neutras no próprio equipamento.
Finalizada essa etapa, é possível acessar o grupo de fotos escolhidas positivamente e
dividi-las em subgrupos de acordo com o critério pessoal de comunalidade e
21
Segundo Okino (2009), no Brasil, o SDS é como Questionário de Busca Auto-Dirigida, traduzido por Ricardo
Primi. Em sua versão original, informa Okino (2009, p. 91): “O SDS é um inventário de interesses profissionais,
elaborado a partir do modelo hexagonal de Personalidade Vocacional de John Holland (Holland, 1996; 1997;
Holland et al., 1994, citado por OKINO, 2009). Segundo esta teoria, os indivíduos se classificariam em seis tipos
de identidades profissionais bem definidas: Realista (R), Investigador (I), Artístico (A), Social (S), Empreendedor
(E) e Convencional, compondo assim, o acrônimo RIASEC”.
88
significado cognitivo/afetivo. Nesta fase, o participante poderá visualizar as
miniaturas de cada uma das fotos de cada grupo podendo realizar as associações sobre
as imagens. As respostas do participante podem ser gravadas no próprio aplicativo.
Posteriormente, novamente são apresentadas todas as fotos escolhidas positivamente
(em miniaturas na tela), possibilitando a escolha das cinco fotos preferidas e a
elaboração da história, que pode ser digitada no próprio aplicativo ou gravada
oralmente. (SHIMADA, 2016, p. 92-93).
A respeito do Teste de Fotos de Profissões (BBT), foi elaborado na década de 1970,
pelo suíço Martin Achtnich, caracterizando-se como um instrumento projetivo, baseado nos
pressupostos da Teoria de Personalidade de Szondi (1970). É utilizado para “clarificar os
interesses e tendências motivacionais dos indivíduos” (SHIMADA, 2016, p. 64).
O BBT apresenta oito fatores radicais de inclinação classificatório das inclinações e
interesses das pessoas. Em sua composição original, apresenta 96 fotos com ilustrações reais
de pessoas envoltas em atividades ocupacionais (ACHTNICH, 1991, citado por SHIMADA,
2016), de modo a combinar dois fatores/radicais de inclinação (SHIMADA, 2016), pois
“nenhum desses oito fatores de inclinação existe em um estado isolado do indivíduo”
(ACHTNICH, 1991, p. 11, citado por SHIMADA, 2016, p. 64). A elaboração de Achtnich
(1991), conforme citado por Shimada (2016, p. 64-65) indica que “radicais de inclinação
primários dizem respeito às atividades profissionais em si”, onde, “cada atividade adquire
sentido somente em relação a um objeto profissional” (SHIMADA, 2016, p. 65); enquanto
“radicais secundários [...] descrevem outros aspectos das profissões representadas nas imagens
do BBT-Br, como objetivos e ambientes de trabalho” (SHIMADA, 2016, p. 65).
As estruturas de interesses primárias e secundárias, são então investigadas por meio
de escolhas e rejeições das atividades, ambientes e instrumentos de trabalho,
representados nas imagens que compõem o teste. Destaca-se que a classificação das
imagens no BBT é realizada considerando-se as impressões afetivas dos indivíduos
sobre as fotos, não apenas os aspectos concretos e racionais de suas representações
(PASIAN et al., 2007 citado por SHIMADA, 2016, p. 65).
Nessa direção, Shimada (2016) pontua que para Melo-Silva, Noce e Andrade (2003), o
BBT é um instrumento de avalição dinâmica de interesses, pois, através de sua aplicação,
possibilita captar a organização de escolhas e a hierarquização de preferências e rejeições
motivacionais.
O BBT contempla ainda análise qualitativa dos dados, em que “associações e reflexões
que o sujeito realiza sobre fotos e grupos de fotos escolhidas, revelando peculiaridades
interpretativas além daquelas apresentadas na estrutura de interesses (PASIAN et al., 2007,
citado por SHIMADA, 2016, p. 65). Em que, continua, “ao envolver cliente e psicólogo num
processo de investigação ativa, permite que orientando construa as suas categorias de interesses,
89
explore o seu significado e os seus conteúdos (LEITÃO, MIGUEL, 2004, citado por
SHIMADA, 2016, p. 65).
A autora argumenta em favor do uso do BBT em intervenções no campo da Orientação
Profissional e de Carreira, pois, conforme descrevem Jacquemin e colaboradores (2006, citado
por SHIMADA, 2016, p. 65) “a divisão da aplicação do instrumento em diferentes fases permite
que, gradativamente, a pessoa entre em contato com diversos aspectos – nem sempre
conscientes ou esclarecidos – que interferem em sua carreira.”. Outro argumento favorável ao
uso desse instrumento sugere que “as imagens do BBT, além de visualmente atrativas, podem
retratar aspectos globais das atividades profissionais, sem necessariamente centrarem-se em um
aspecto isolado, como usualmente ocorre em outros instrumentos utilizados” (MELO-SILVA;
JACQUEMIN, 2001, p. 65-66). Além disso, “a participação ativa do indivíduo em todo
processo de aplicação, realizando escolhas e refletindo sobre as mesmas [...] acaba por
favorecer o desenvolvimento de sua identidade e autoconhecimento, fundamental nos processos
de construção da carreira” (JACQUEMIN; MELO-SILVA; PASIAN, 2010, citado por
SHIMADA, 2016, p. 66). Como relação à versão brasileira do BBT, Shimada (2016, p. 66)
informa que:
Devido a suas amplas possibilidades informativas, o BBT foi incorporado ao contexto
brasileiro na década de 1980. Pesquisas foram realizadas objetivando avaliar se as
fotos representadas no BBT estavam adequadas à realidade sociocultural brasileira,
evidenciando que diversas imagens não despertaram associações suficientes para
corresponder ao fator primário proposto por Achtnich (Okino et al., 2003). Desta
forma, o BBT foi adaptado ao contexto sociocultural brasileiro, em suas duas versões
– a forma masculina foi concluída em 1998 (Jacquemin, 2000) e a feminina, em 2003
(Jacquemin et al., 2006). Salienta-se que a existência das duas versões do BBT serviu
ao intuito de favorecer o processo de identificação com as atividades quando
representadas pelo mesmo sexo do respondente (Achtnich, 1991), sendo que ambas
foram construídas de modo a representar os oito radicais de inclinação de forma
equivalente. (SHIMADA, 2016, p. 66).
[...]
Diversas investigações científicas com o BBT-Br foram desenvolvidas no Brasil nas
últimas três décadas, evidenciando sua utilidade clínica. Especificamente em relação
a contribuição do BBT-Br para intervenções de carreira, destacam-se estudos
referentes a: (a) avaliação de estratégias em Orientação Profissional e de Carreira,
destacando o BBT-Br como técnica eficaz no processo de intervenção (Melo-Silva &
Jacquemin, 2001); (b) estudos de caso, descrevendo experiências clínicas que ilustram
as possibilidades interpretativas do BBT-Br nos processos de orientação com
adolescentes (Jacquemin et al., 2010; Melo-Silva & Noce, 2004); (c) estudo followup de um situação clínica (Melo-Silva, Pasian, Okino, Marangoni, & Shimada, 2015);
(d) avaliação de interesses de adolescentes que procuraram intervenção psicológica
em serviços de Orientação Profissional (Melo-Silva et al., 2003; Shimada, 2011); (e)
história das cinco fotos preferidas, enquanto procedimento qualitativo complementar
e aprimoramento técnico do BBT-Br (Melo-Silva, Pasian, Assoni, & Bonfim, 2008;
Santos & Melo-Silva, 1998; Shimada, Oliveira, Risk, Saviolli, & Melo-Silva, 2013).
(SHIMADA, 2016, p. 66).
90
Assim como na tese de Miguel (2010)22, o estudo empírico produzido por Busnello
(2012) também recorre ao International Affective Picture System – IAPS para selecionar
fotografias com objetivo de investigar “a emocionalidade dos eventos no efeito de
conformidade da memória” (BUSNELLO, 2012, p. 20). Utilizando as normas validadas em
território brasileiro por Ribeiro, Pompéia e Bueno (2004), o pesquisador selecionou e exibiu
126 fotografias no software Power Point, no qual as imagens foram centralizadas na tela do
computador. Foram realizadas duas seções com intervalo de dois entre elas. Assim descreve a
pesquisadora quanto à aplicação23:
Na primeira seção, grupos de três ou quatro participantes estudaram 60 fotos (20 de
cada valência) na tela do computador, posicionados cada um em frente a um
computador. As fotos foram apresentadas uma por vez, durante um segundo, com um
segundo interestímulos. A instrução da pesquisadora foi de que os participantes
observassem as fotos apresentadas para realizarem um teste posteriormente. Ao final
da seção, os participantes foram lembrados de retornar em dois dias, a fim de
realizarem o teste de memória. (BUSNELLO, 2012, p. 21).
[...]
Dois dias após, ocorreu o teste de memória de reconhecimento. Os participantes foram
testados em duplas pareadas por sexo e idade, utilizando-se somente um computador
por dupla. O material de teste consistiu em 126 fotografias semi aleatoriamente
apresentadas, dentre as quais 60 eram estudadas (20 de cada valência) e 66 eram
novas, sendo 20 relacionadas e duas não relacionadas por valência. (BUSNELLO,
2012, p. 21).
A tese de Ferreira (2013, p. 87), por sua vez, objetivou “investigar a integração do
sistema motivacional com o sistema que define a estratégia de CV [ciclos de vida]”. Para tanto,
desenvolveu dois estudos, no primeiro, utilizou fotografias com conteúdo relacionado a
“estímulos de instabilidade ambiental extrema (fotos de catástrofes naturais e guerra) ao grupo
experimental, e estímulos de ambiente estável (estímulo controle, com fotos de paisagens) ao
grupo controle” (FERREIRA, 2013, p. 100, grifo meu). E, no segundo, fotografias relacionadas
a “estímulos sensuais (fotos sensuais de homens e mulheres) e parentais (fotos de pais e mães
com seus filhos pequenos)” (FERREIRA, 2013, p. 100, grifo meu).
No âmbito desses estudos, o uso da fotografia como estímulo visual realizado por
Ferreira (2013), aliado a outros instrumentos24 aplicados pelo mesmo, foi desenvolvido para
investigar:
[...] a sensibilidade de nosso sistema motivacional à pistas ambientais evolutivamente
relevantes (envolvidas no enfrentamento dos dilemas evolutivos do CV, como
indicadores de instabilidade ambiental, ou de disponibilidade de parceiros sexuais) e
22
Encontra-se na p. 84 desta dissertação.
Para descrição pormenorizada da realização do teste, consultar a tese de Rosa H. Delgado Busnello, intitulada
Como lembramos juntos? Emoção e diferenças individuais na conformidade de memória, p. 20 da tese.
24
Questionário de Desconto do Futuro (Ambos); Critério de Classificação Econômica no Brasil (Ambos);
Questionário das Condições do Ambiente de Criação e Atual (só no Estudo 1); Escala Multidimensional de
Estratégia Sexual (Ambos)
23
91
o consequente estabelecimento de padrões de respostas que estejam de acordo com as
expectativas da Teoria Evolucionista dos CV. (FERREIRA, 2013, p. 87).
Nesse caso, o pesquisador (FERREIRA, 2013) explica que as imagens foram obtidas na
internet e a seleção ocorreu mediante processo de avaliação, o qual participaram 10 juízes. Esta
consistiu em atribuir notas de 0 a 10 (no primeiro, quanto ao grau de estabilidade do ambiente;
no segundo, quanto à sensualidade e carinho). Essa mesma avaliação (atribuição de notas) foi
realizada com os participantes. A seguir, descreve-se em detalhe a construção dos instrumentos:
Quanto à composição dos estímulos ambientais (Estudo 1):
[...] inicialmente [foram] apresentadas 64 fotos e tendo sido definitivamente
selecionadas somente 20, divididas em 2 grupos, de 10 fotos: ambiente estável e
instável. O processo de seleção foi realizado por 10 julgadores através da atribuição
de notas quanto ao grau de estabilidade do ambiente da imagem em uma escala de
“zero” (pouco estável) a “dez” (muito estável), sendo selecionadas as 10 fotos que
apresentavam as notas mais elevadas e as menores notas de estabilidade ambiental.
Ao longo do experimento os participantes também deveriam avaliar o grau de
estabilidade, em uma escala de 0,0 (pouco estável) a 10,0 (muito estável) (com
intervalo mínimo de um décimo entre as opções). (FERREIRA, 2013, p. 101).
Quanto à composição dos estímulos sensuais e parentais (Estudo 2):
[...] A seleção das imagens relacionadas a estímulos sensuais (fotos sensuais de
homens e mulheres) e parentais (fotos de pais e mães com seus filhos pequenos) foi
previamente realizada por 10 julgadores, através de avaliação por notas de “zero” a
“dez”, respectivamente, quanto à sensualidade e carinho. Foram inicialmente
apresentadas 55 fotos, das quais foram selecionadas as 40 fotos que apresentavam
maiores notas nos critérios acima apresentados, sendo divididas em 4 grupos, de 10
fotos: fotos de homens sensuais, mulheres sensuais, mulheres com bebês/crianças e
homens com bebês/crianças. O processo de seleção foi realizado através da atriuição
de notas quanto ao grau de sensualidade (fotos sensuais) e carinho (fotos parentais)
da imagem em uma escala de “zero” (pouco) a “dez” (muito). Ao longo do
experimento os participantes também deveriam avaliar o grau de sensualidade e
carinho, em uma escala de 0,0 (pouco) a 10,0 (muito) (com intervalo mínimo de um
décimo entre as opções). (FERREIRA, 2013, p. 169).
Na tese de Laus (2012), a fotografia foi utilizada como estímulo visual para avaliar,
tanto a influência do corpo ideal (vinculado na mídia) na satisfação com o próprio corpo, como
na escolha alimentar de universitários. Nesse estudo, a pesquisadora desenvolveu instrumento
baseado em metodologia previamente existente (JOHSSON et al., 1998; QUAIOTI, 2002,
citados por LAUS, 2012) denominado Instrumento de Escolha Alimentar (IEA). Este apresenta
22 alimentos divididos em duas categorias: saudáveis e não saudáveis, os quais representassem
um lanche da tarde com alimentos brasileiros. Para a sua construção, uma porção de cada um
dos alimentos foi fotografada em pratos brancos. Após tratamento nas fotografias, elas foram
reveladas em cartão com brilho dimensionado em 13 cm x 13 cm. Incialmente o instrumento
foi validado através de estudo paralelo realizado com 100 participantes. Procedimento que
demonstrou ser “apropriado para avaliar a escolha alimentar de adultos” (LIMA, 2012, citado
por LAUS, 2012, p. 33).
92
Na aplicação do instrumento, as fotos eram exibidas em uma mesa para que os
participantes as observassem e escolhessem três fotos que representassem alimentos que
gostariam de comer em um lanche da tarde. A partir disso foram feitas as classificações entre
‘saudável’ e ‘não saudável’ (LAUS, 2012).
Além disso, para a composição dos estímulos experimentais, a pesquisadora (LAUS,
2012) utilizou fotografias, as quais representassem o ideal de beleza, obtidas em revistas
populares e catálogos de moda. Foram obtidas 40 imagens de cada sexo, selecionadas a partir
dos seguintes critérios: um/a modelo em cada foto; visibilidade de ¾ do corpo do/a modelo;
roupas não poderiam estar cobrindo uma grande parte do corpo (mulheres de biquíni e homens
de sunga ou sem camisa); modelos com aparência de 18 anos ou mais (CUSUMANO &
THOMPSON, 1997; WALLER, HAMILTON, & SHAW, 1992, citado por LAUS, 2012). O
processo de seleção das imagens ocorreu mediante realização de um projeto piloto:
[...] conduzido com 10 homens e 10 mulheres (estudantes de graduação e pósgraduação) que avaliaram, independentemente, o quão cada foto representava o ideal
de beleza atual, através de uma escala analógica visual variando de 0 (nada
representativa) a 5 (extremamente representativa). Uma vez que estudos demonstram
que entre uma e nove fotos produzem melhores efeitos experimentais (Groesz et al.,
2002), as nove fotos de cada sexo que mais pontuaram foram selecionadas como os
estímulos experimentais. (LAUS, 2012, p. 33, grifo meu).
Já para a seleção dos estímulos neutros, Laus (2012) utilizou o International Affective
Picture System – IAPS, para a obtenção de fotos de objetos. Conforme explica (LAUS, 2012,
p. 34), “Foram selecionadas nove fotos previamente identificadas como eliciadoras de níveis
neutros de valência e de baixa excitação: caneca, botões, disquete, toalha, apito, banquinho,
zíper, alicate e relógio”.
Ressalta-se que outros instrumentos25 foram utilizados na pesquisa de Laus (2012). No
caso específico da aplicação da fotografia como estímulo, ocorreu em dois momentos, primeiro,
com o Instrumento de Escolha Alimentar, conforme já descrito. E, após isso, apresentaram-se
os estímulos experimentais (fotos representativas do corpo ideal conforme padrão de beleza
atual) e estímulos neutros (fotos de objetos, eliciadores de níveis de neutros de valência e baixa
excitação), as quais foram exibidas em slides, com apresentação de 10 segundos, sequenciada
por uma tela preta com duração de 3 segundos.
Nas teses de Santos (2011) e Almeida (2016), a fotografia foi utilizada durante a
aplicação de entrevistas. No caso do trabalho de Santos (2011), a pesquisadora descreve o uso
da fotografia no método denominado foto-entrevista. Segundo relata (SANTOS, 2011), as foto25
Ver mais informações sobre os instrumentos utilizados na pesquisa de Laus (2012), no Capítulo 3: Material e
Método na p. 30. Em específico, mais detalhes da aplicação dos instrumentos utilizados encontram-se nas p. 34 e
35 da tese.
93
entrevistas foram realizadas exclusivamente com as crianças participantes do estudo, com idade
entre 4 e 6 anos. Com efeito, encontra-se na literatura a recomendação de se utilizar fotos e
outros materiais em entrevistas com sujeitos crianças “no intuito de ilustrar o tópico de interesse
e estimular a narração” (KRÜGER; GRUNET, 2001, citado por SANTOS, 2012).
A aplicação ocorreu, conforme descreve Santos (2012), com a apresentação de cinco
imagens26 de uma menina interagindo com um bebê, a cada participante individualmente, em
que deveria selecionar a representasse a melhor forma de cuidar de um bebê. A imagem
escolhida era retirada e, novamente, a pesquisadora perguntava qual mostrava a melhor forma
de cuidar de um bebê e por qual motivo. Com isso, todas as representações eram discutidas. A
ordem de escolha era anotada. Os dados obtidos foram comparados interculturalmente, através
de informações oriundas de outra foto-entrevista, realizada com crianças da vila rural Nso, em
Camarões, e crianças alemãs de Osnabrück (LAMM, 2008, citado por SANTOS, 2012). A
pesquisa de Santos (2012) foi realizada no Brasil, no estado de Sergipe, com crianças de uma
creche de um povoado rural.
Como relação à tese de Almeida (2016), sobre “o processo de socialização através dos
traços e conteúdos estereotípicos apresentados pelas crianças acerca da cor de pele de crianças
brancas e negras.” (ALMEIDA, 2016, p. 82). A pesquisadora utilizou a fotografia em
entrevistas com crianças para obter respostas quanto a “preferência de cor de pele de uma outra
criança (uma criança negra e outra branca, apresentadas em fotos) quando houvesse a
possibilidade de um contato direto ou proximidade mais frequentes, compartilhando dos
mesmos bens e ambientes.” (ALMEIDA, 2016, p. 89). Conforme relata:
As perguntas foram dirigidas às crianças de forma padronizada e simples, uma por
vez, e pedindo as crianças que associassem as respostas binárias (feio ou bonito; burro
ou inteligente; não-estudioso ou estudioso; briguento ou comportado; malvado ou
bom; pobre ou rico) a si, e aos alvos brancos e negros apresentados em fotos, além
das escolhas de um destes alvos para amizade, adoção como irmão, partilha de um
doce e de uma tarefa escolar (ALMEIDA, 2016, p. 89).
Diferente das aplicações da fotografia até então citadas, a tese de Silva (2014) descreve
um estudo experimental no qual os participantes tiveram suas respostas fisiológicas registradas
antes, durante e depois de observarem fotografias calmas e emocionais (eróticas e violentas),
estas últimas, acompanhadas de estímulos auditivos. No que tange o uso da fotografia nessa
pesquisa, o autor teve como objetivo desenvolver um estudo experimental voltado a replicar o
“As fotos dos cartões representavam cinco dos sistemas parentais – cuidado primário, contato corporal,
estimulação corporal, estimulação com objeto e interação face a face [...]. Pelo fato de não ser possível ilustrar o
“envelope narrativo” adequadamente em uma imagem, este sexto sistema parental foi deixado de fora. O sexo do
bebê e das crianças que aparecem nas fotos não tiveram nenhum critério de escolha, a busca era por crianças da
região cujos pais autorizassem as fotos e o uso das imagens para fins da pesquisa.” (SANTOS, 2012, p. 79)
26
94
Hipotético Efeito Antecipatório Anômalo – HEAA, com isso verificar a possibilidade do
HEAA participar da tomada de decisão humana (SILVA, 2014). Para tanto, o pesquisador
utilizou um instrumento para registrar a condutividade da pele dos participantes durante o
experimento27. Para a exibição dos estímulos, Silva (2014) desenvolveu um instrumento
próprio28.
Segundo indica May e colaboradores (citado por SILVA, 2014), estímulos fotográficos
possibilitam respostas idiossincráticas. Desse modo, “Uma fotografia avaliada como tendo uma
afetividade baixa pode ter, para alguns participantes, uma grande afetividade, e vice-versa.”
(SILVA, 2014, p. 54). Com intenção de minimizar esse efeito, Silva (2014) acrescentou
estímulos auditivos aos estímulos visuais das fotografias emocionais, contribuindo também,
para a ampliação das reações emocionais. O pesquisador pontua que inseriu um breve retardo
“no início do som, em relação à apresentação da fotografia, [...] para possibilitar o início do
processamento visual (que é mais demorado) antes do início do processamento auditivo.”
(SILVA, 2014, p. 54).
Seu estudo foi aplicado em dois contextos: com participantes brasileiros e participantes
estadunidenses. Para a composição dos estímulos visuais, utilizou “quatro conjuntos de 200
fotografias, cada um deles com 100 fotografias calmas e 100 emocionais, sendo estas divididas
entre eróticas (50) e violentas (50)” (SILVA, 2014, p. 68). As imagens foram obtidas no
International Affective Picture System – IAPS, com referência as padronizações masculinas e
femininas para ambas as populações, de modo que, os conjuntos de fotografias correspondem
a cada tipo de participante em seu sexo e contexto específico (SILVA, 2014).
4.3.4 A produção de acervo iconográfico
O uso da fotografia para a construção de acervo iconográfico foi identificado em três
(3) trabalhos presentes no corpo analítico (PORTO, 2010; NELSON, 2013; NATALE, 2016).
No âmbito dessa função, encontram-se dois tipos de uso da fotografia. Sendo a tese de Porto
(2010) a aplicação mais tradicional, que tratou de usar fotografias (e outros recursos) para
apresentar a história da Brinquedoteca Hapi, e, nesse sentido, como fonte de informação da
história desta instituição. Segundo Porto (2010), no âmbito do seu estudo, dentre os suportes de
27
Monitor fisiológico J & J Engineering, modelo I-330-C2.
Segundo informa, desenvolveu programa que “produz um impulso TTL de 5 volts, enviando os sinais de
marcação dos momentos de exibição das fotografias para o dispositivo I-330-C2 [de registro da resistividade
elétrica da pele].
28
95
memória utilizados, a fotografia demonstrou-se essencial no processo de contar a história da
Brinquedoteca:
Para aproximar-me, como pesquisadora, da história da Brinquedoteca Hapi, debruceime sobre imagens congeladas nas fotografias que foram tiradas ao longo da existência
desse espaço. E logo compreendi que havia que levar em conta que a fotografia é em
si um objeto carregado de história e exige uma reflexão sobre suas características
próprias que formam uma linguagem particular sobre os acontecimentos. (PORTO,
2010, p. 17).
Com uso e finalidade diferente da tese de Porto (2010), encontram-se dois trabalhos em
que os pesquisadores utilizaram a fotografia para a produção de acervos iconográficos para a
composição de bancos de dados autorais, para fins específicos (NELSON, 2013; NATALE,
2016). Vale destacar que ambos os trabalhos também utilizaram a fotografia como estímulo
visual29. A identificação desses trabalhos ocorreu mediante verificação da finalidade expressa
da produção de um acervo iconográfico. Esse elemento, no âmbito da presente análise,
caracteriza essa função da fotografia em relação a forma de uso denominada registro (NEIVASILVA; KOLLER, 2002). Visto que, em primeira instância, as fotografias produzidas com a
finalidade de compor um banco de dados imagético, são registros fotográficos que seguem o
conceito de representação do real. Assim, como dado primário, a fotografia produzida está na
classificação do registro imagético, que, posteriormente, passará por outras formas de
aplicação.
A produção das fotografias autorais, no âmbito desses trabalhos, apresenta duas
finalidades distintas. Primeiro, o uso de fotos autorais, ao invés de imagens localizadas por meio
de ferramentas de busca na internet, como estratégia para contornar a questão dos direitos
autorais, da pessoa física ou jurídica de imagens presentes nos espaços virtuais (NELSON,
2013). Segundo, a produção de uma base de dados nacional adaptada de um instrumento
utilizado na pesquisa acadêmica e científica no contexto internacional (NATALE, 2016).
Nelson (2013) justifica que optou por produzir as imagens que seriam utilizadas em sua
pesquisa, em razão de que, grande parte das imagens armazenadas em meios online, com
resolução e qualidade técnica, apresenta certificado Copyright, portanto, são protegidas pela
Lei de Direitos Autorais. Assim, para Nelson (2013), a produção de suas próprias imagens
confere maior autonomia, quanto ao uso realizado:
É interessante, porém, que pesquisadores obtenham maior autonomia no uso de seu
material, construindo bancos de dados de estímulos, como fotos, que possam ser
usadas livremente para finalidade de pesquisa. Isto também pode garantir que
futuramente pesquisadores possam criar instrumentos de avaliação sem necessidade
de pedir ou pagar permissão especial para os autores ou até correr o risco de ser negada
a utilização do material. (NELSON, 2013, p. 53, grifo meu).
29
Encontra-se na p. 82 desta dissertação.
96
Além disso, Nelson (2013) afirma que, no território nacional, não há banco de dados
imagéticos com estímulos faciais emocionais, disponibilizado para o uso acadêmico e
científico. Em contrapartida, verifica-se no cenário internacional um grande volume de banco
de dados, gratuitos e pagos, com expressões faciais emocionais à disposição do uso acadêmico
e científico. Para a produção dos registros fotográficos, Nelson (2013) conta que selecionou
palavras associada a uma imagem:
Foram escolhidas palavras com o critério de número de sílabas e acentuação,
dissílabas e trissílabas paroxítonas, respectivamente, de estrutura CVCV e CVCVCV
(C: consoante; V: vogal). Este tipo de estrutura apresenta uma maior facilidade de
emissão. As estruturas de palavras que envolvem a alternância de consoantes com
vogais são bastante comuns na linguagem (Locke, 2000). MacNeilage e Davis (2000,
2001) sustentam, inclusive, que a fala foi uma exaptação de funções ligadas a ingestão
de alimentos (mastigar, engolir, chupar) e que envolvem ciclos de abrir e fechar a
boca. Assim, estas atividades teriam fornecido um quadro básico que teria sido
incorporado no ato da fala, tornando o uso da alternância consoante-vogal uma
estrutura comum presente na mesma. (NELSON, 2013, p. 53-54).
A produção de um banco de dados de expressões faciais emocionais também foi
desenvolvida na tese de Natale (2016). Contudo, diferentemente da proposta de Nelson (2013),
essa autora objetivou adaptar ao contexto brasileiro um instrumento pré-existente chamado
Facial Action Coding System – FACS. Segundo afirma, consiste em “um método de classificar
as expressões faciais por meio de um sistema de codificação dos movimentos e/ou conjunto de
movimentos de um ou mais dos músculos da face.” (NATALE, 2016, p. 74). Desse modo,
propõe com a adaptação desse sistema, “disponibilizar à literatura psicológica brasileira um
instrumento capaz de produzir dados científicos sobre as expressões faciais, seus mecanismos
e significados contextuais e patológicos” (NATALE, 2016, p. 32).
Verifica-se que, ambos os bancos de dados digitais, tem como proposição futura, serem
colocados à disposição da comunidade acadêmica e científica da psicologia brasileira, como
instrumentos para a geração de dados científicos por meio de conteúdos imagéticos (NELSON,
2013; NATALE, 2016).
4.3.5 A fotografia como objeto mediador
A definição da forma de uso da fotografia como objeto mediador exigiu maior esforço
interpretativo do que as categorias anteriormente descritas. Ainda que através dos mesmos
critérios conferidos para a identificação dessas outras categorias, a saber, como os
pesquisadores descrevem a aplicação que fazem da fotografia e qual a finalidade do uso desse
instrumento no âmbito de suas pesquisas.
97
Nessa direção, foi possível identificar dois aspectos centrais no uso da fotografia como
objeto mediador. Primeiro, o/a pesquisador/a lança mão desse recurso imagético para mediar a
relação que se estabelece no espaço da pesquisa. Nesse sentido, a fotografia é o elo, o
intermediário que auxilia pesquisadores e interlocutores no processo de construção do
conhecimento acerca do objeto de estudo, ao consistir em outra forma de expressão e fonte de
informação. Segundo, no âmbito desta funcionalidade, a fotografia não é apenas tratada em sua
dimensão de representação do real, de um dado acontecimento. É, para além disso, um objeto
multifacetado que, sendo devidamente explorado, possibilita obter vasto conhecimento sobre o
objeto de estudo.
Assim, no âmbito das oito (8) teses identificadas que fazem uso da fotografia como
objeto de mediação, as finalidades de uso divergem em: guardado/suporte à memória
(CAIXETA, 2006; QUEIROZ, 2016); objeto/materialidade mediadora no atendimento
individual e contexto grupal (GIL, 2010; GRANADO, 2011; CASTANHO, 2012; SANTOS,
2015); composição narrativa (CABRAL, 2015) e trabalho de tradução (MENEZES, 2013).
Verifica-se que o/a pesquisador/a, quando faz uso da fotografia como objeto mediador,
recorre a diferentes formas de obtenção desse recurso visual; pode ser um registro produzido
pelo/a informante ou mesmo pelo/a próprio/a pesquisador/a; pode ser uma imagem nunca antes
vista pelo/a interlocutor/a; uma foto recortada de um jornal ou localizada em websites, redes
sociais etc; também pode ser uma fotografia emblemática; um guardado de família ou de um
arquivo pessoal.
A tese de Caixeta (2006), por exemplo, utilizou o que a autora denomina como
guardados/objetos da memória. Para a coleta desse material, no espaço da realização de
entrevistas episódicas, solicitavam-se objetos que foram guardados no passado, no caso especial
da fotografia, quando as interlocutoras afirmaram tê-las entre seus guardados, a pesquisadora
pedia então para que selecionassem as imagens e objetos e, posteriormente, discutissem a
respeito das escolhas. No estudo de Queiroz (2016), por sua vez, utilizaram-se fotografias
resgatadas em arquivos pessoais das próprias interlocutoras da pesquisa, que “retomaram as
fases da vida do sujeito (infância, adolescência, vida adulta e velhice) para remontar a história
do sujeito e sua percepção acerca da estética” (QUEIROZ, 2016, p. 76).
O uso da fotografia como materialidade mediadora para auxiliar a objetivação de
significados para os sujeitos está presente na tese de Santos (2015). Nesse estudo, a respeito da
produção de sentidos individual e intergeracional de homens com relação ao planejamento
familiar, utilizaram-se entrevistas episódicas “enfocando [...] a produção dos sentidos do
planejamento familiar e intergeracional dos participantes [...] mediada por imagens e objetos
98
em relação à produção de sentidos sobre si, o outro e o mundo.” (SANTOS, 2015, p. 90). Além
de entrevistas episódicas, recorreu-se, também, a entrevistas abertas e semiestruturadas e as
anotações em diários de campo. O pesquisador indica que as fotografias (e outros objetos) eram
escolhidas pelos participantes como lembrando a constituição familiar e “Com base nessa
fotografia/objeto, foi solicitado que falasse sobre a condição de ser homem, a estrutura familiar,
o nascimento dos filhos, o orçamento doméstico entre as mudanças no curso da vida”
(SANTOS, 2015, p. 90). As fotografias, segundo Santos (2015, p. 90), auxiliaram a construção
narrativa, pois são “[...] artefatos culturais que desencadeiam novas possibilidades de narração,
bem como de negociação de significados”.
No caso da tese de Castanho (2012), com objetivo de desenvolver as bases de um
modelo psicanalítico para as práticas com grupos em instituições, discutem-se duas técnicas de
grupos: “grupos operativos de aprendizagem e os grupos com objetos mediadores”, nesse
último, destaca-se a Fotolinguagem©, técnica desenvolvida por Alain Baptiste e Claire Belisle,
para o trabalho com grupos, aplicada em diferentes referenciais teóricos, conforme descreve
Castanho (2012, p. 149):
[...] o dispositivo psicanalítico da Fotolinguagem© destaca-se dentre os grupos com
objetos mediadores. Somada à facilidade que o uso de um objeto mediador único
oferece à teorização e à prática, justificamos assim nosso uso da Fotolinguagem©
como um dispositivo de referência para a criação de dispositivos com objetos
mediadores. Na Fotolinguagem©, distinguem-se claramente dois momentos: o de
escolha das fotos, a partir de uma pergunta dada pelos animadores do grupo, e o da
partilha, no qual cada participante apresenta sua foto e houve comentários dos demais.
Os animadores também escolhem uma foto, apresentam-na e comentam sobre as fotos
dos outros. (CASTANHO, 2012, p. 149, grifo meu).
Nesse caso, Vacheret (2013) estabelece que, no âmbito do dispositivo psicanalítico da
Fotolinguagem©, o objeto mediador, no trabalho grupal, conforme aponta Gimenez (2002), é
compartilhado entre várias pessoas. Este aspecto contrasta com o objeto transicional
(WINNICOTT, 1971), pois, nesse caso trata-se de um objeto particular, próprio da relação mãe
e criança, ainda segundo Vacheret (2013). No corpo analítico desta pesquisa, duas (2) teses se
apresentam com uso de materialidades transicionais (GIL, 2010; GRANADO, 2011).
A tese de Gil (2010) apresenta o método de intervenção psicanalítica, denominado
Oficina Psicoterapêutica de Cartas, Fotografias e Lembranças, como proposta de trabalho com
idosos em um enquadre breve. Segundo afirma, sua pesquisa tem o objetivo de “compreender
as vivências emocionais presentes na proposta [Oficina Psicoterapêutica de Cartas,
Fotografias e Lembranças], enfocando, de modo especial, àquelas relacionadas à recordação e
à transicionalidade” (GIL, 2010, p. 15).
99
O enfoque psicanalítico do método proposto por Gil (2010), é fundamentado na relação
que se faz entre materialidade (objeto) e psicanálise. Assim, busca-se a descrição desta
interface, posto que o método psicoterapêutico da Oficina de Cartas, Fotografias e Lembranças
trabalha com a relação que os objetos, tais como a fotografia e cartas suscitam no indivíduo
para a produção de recordações. No caso específico da fotografia, Gil (2010) desenvolve a
relação desta com a psicanálise, com base nos escritos de Walter Benjamin sobre a história da
fotografia (GIL, 2010, p. 44):
Walter Benjamin (1940/1994, p. 94), ao traçar a histórica da fotografia, propõe uma
relação entre a fotografia e psicanálise à medida que determina que a natureza que
fala à câmara não é a mesma que fala ao olhar. Imagens que revelam ações
conscientes que são substituídas por outras inconscientes também se contrapõem.
Como exemplo, é proposta a imagem de um homem que caminha sem que percebamos
sua atitude do momento. Segundo Benjamin (1940/1994, p. 94): “A fotografia nos
mostra essa atitude através de seus recursos auxiliares: câmara lenta, ampliação. Só a
fotografia revela esse inconsciente ótico, como só a psicanálise revela o inconsciente
pulsional. (BENJAMIN, 1940/1994, p. 94 citado por GIL, 2010, p. 44, grifo do autor).
No mesmo texto, Gil (2010) também explora as contribuições de Frayze-Pereira (2005),
especificamente, o que esse autor tem a dizer sobre a interface arte e psicanálise e sua
importância para o entendimento da relação entre homem e cultura. A respeito disso, FrayzePereira (2005, citado por GIL, 2010, p. 45) argumenta sobre “a dimensão perceptiva da relação
com a fotografia” implicada à subjetividade que está implícita na produção imagética. Nos
escritos de Roland Barthes (1981), ainda segundo Gil (2010), Frayze-Pereire (2005) encontra
uma reflexão metafórica sobre esse entrelaçamento:
Frayze-Pereira (2005) recorre a Barthes (1981) para falar sobre o sentimento doloroso
que se apresenta ao observar determinadas fotografias. Ele atribui esse sentimento a
uma relação que se estabelece entre o revelado pela fotografia e o que já está morto,
designado como o “isto foi”, que pertence ao passado e que reflete, por sua vez, a
própria dor e vulnerabilidade da humanidade frente à morte. É a partir também desta
perspectiva de dor, considerada como uma dimensão fundamental no campo
psicanalítico, que Frayze-Pereira (2005) afirma que, entre todas as artes, é a fotografia
que mais se aproxima da psicanálise: [...] assim como na fotografia, o negativo
transforma-se, mediante um processo físico-químico, numa imagem-objeto capaz de
suscitar em nós recordações e narrativas, na psicanálise observa-se a conversão do
não-sentido em sentido (pictogramas ou palavras), sentido que pode gerar novas
elaborações. Sem essa transformação simbólica o que resta ao sujeito é a experiência
subjetiva da dor como fenômeno que persiste como mal-estar físico-psíquico, como
um estado não nomeado, não pensado. (FRAYZE-PEREIRA, 2005, p. 117, citado por
GIL, 2015, p. 46).
Adiante, Gil (2010) aponta as contribuições de Safra (1999, p. 24) sobre a estética do
self, a respeito da qual o autor afirma que “as vivências de um indivíduo e seu estilo de ser
constituem-se esteticamente, e o self se constitui, se organiza, se apresenta por fenômenos
estéticos”. Em outro momento, Safra (2004, citado por GIL, 2010, p. 46) discorre que “para
uma intervenção clínica poder ser realizada por meio de objetos é necessário reconhecer a
100
mensagem que esse objeto traduz, além de compreender o idioma pessoal do paciente”. Com
isso, o autor apresenta os diversos registros do objeto30. Nesse quesito, Gil (2010) propõe uma
aproximação entre o registro lírico “aquele concebido justamente por adquirir significado ao
fazer parte da vida da pessoa” (GIL, 2010, p. 46) e o uso que emprega da materialidade (objeto)
em sua intervenção psicoterapêutica.
Ao abordar a fotografia como elemento de intervenção e investigação psicanalítica, Gil
(2010) recorre, em sua defesa, ao conceito de espaço potencial de Winnicott (1967/1975). De
acordo com Gil (2010, p. 47), “A fotografia é considerada, nesse contexto, um elemento cultural
que está diretamente relacionado à memória e que, também, desta perspectiva, possui vários
registros possíveis.”:
Safra (2009) fala sobre a memória subjetiva relacionada ao sentido biográfico que o
indivíduo confere à fotografia. É possível também o registro social, (no sentido de um
documento) e o registro de como a fotografia mostra o Real, que vai além do registro
subjetivo e social. É exemplo de um registro Real a expressão poética que pode ser
percebida em uma fotografia. (GIL, 2010, p. 47).
Sobre a Oficina de Cartas, Fotografias e Lembrança31, Gil (2010, p. 48) a descreve
como “baseada em um modo de intervenção psicanalítica que utiliza enquadre clínicos
diferenciados à luz da teoria Winnicottiana”. De modo que, através de “materialidades
mediadoras”, proporciona o “crescimento emocional e o desenvolvimento das potencialidades
de cada indivíduo, criando condições de sustentação emocional e recuperação do gesto criativo,
podendo assim gerar mudanças” (GIL, 2010, p. 49, grifo meu):
A apresentação da materialidade mediadora em cada oficina é vista como um
elemento facilitador do brincar, podendo ser considerado um paradigma do Jogo do
Rabisco proposto por Winnicott (1968/1994). A materialidade que é usada como
mediação na comunicação entre o terapeuta e o paciente tem a função de gerar
condições para a expressão do gesto espontâneo, fazendo com que o paciente saia de
um estado de passividade e possa agir sobre o mundo, recuperando assim a
possibilidade de existir de modo criativo no mundo. (GIL, 2015, p. 49, grifo meu).
[...]
Nesse tipo de enquadre se destaca o caráter não interpretativo em que o terapeuta não
segue o modelo de “saber sobre o outro”, decifrando o que ficou inconscientemente
recalcado, mas parte do princípio de que a possibilidade da experiência do encontro
inter-humano se fará acompanhar naturalmente da articulação simbólica (AIELLOVAISBERG; MACHADO, 2003). (GIL, 2010, p. 49).
Na intervenção clínica proposta na Oficina Psicoterapêutica de Cartas, Fotografia e
Lembranças é interessante a dinâmica espacial que se constrói no acontecimento de sua prática,
em que a composição e organização do espaço que a desenvolve fomenta um processo de
30
Gilberto Safra (2004), em A poética na clínica contemporânea, fala sobre registro étnico, estético, ontológico,
teológico, social e lírico.
31
A “Oficina Psicoterapêutica de Cartas, Fotografias e Lembranças” é desenvolvida e pesquisada no Laboratório
de Saúde Mental e Clínica Social do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP, nos
projetos APOIAR e SER e FAZER – Oficinas Psicoterapêuticas de Criação (GIL, 2010)
101
construção e enriquecimento do participante. Para Gil (2015, p. 50), “[...] o espaço potencial
criado, no conjunto, ocorre a manifestação de uma expressão coletiva, mas também que
conserva o particular e singular de cada indivíduo”:
Os encontros são semanais e têm um hora e meia de duração. Sobre um cavalete ou
mesa, apoia-se um quadro magnético branco que, auxiliado por ímãs, recebe e sustenta
os diferentes materiais trazidos em cada sessão. O beiral do cavalete ou a superfície
da mesa fornecem ainda a base para que sejam apoiados objetos que não puderam ser
afixados no quadro. Após fixar o material trazido para a sessão, os participantes
posicionam-se ao redor do quadro, quando, então, é aberto um espaço para falarem
sobre as recordações e experiências que estas materialidades suscitam, bem como
sobre tantos outros acontecimentos que fazem parte da vida de cada um. (GIL, 2010,
p. 50).
O “espaço potencial criado” (GIL, 2010) fomenta o contato e interação inter-subjetiva
em que, através de atividades mediadoras, ou mesmo objetos, como no caso da Oficina
Psicoterapêutica de Cartas, Fotografias e Lembranças, potencializa ao indivíduo a construção
do seu self, na comunicação e interação com o outro e, por consequência, com suas
subjetividades (SAFRA, 1999).
O que se designa no trabalho de Gil (2010), com relação ao uso da fotografia, é a
materialidade capaz de reportar através das lembranças e memórias dos interlocutores,
momentos e experiências passadas de sua vida. Contudo, é no acontecimento da Oficina, no
falar sobre, na recordação, na comunicação e na interação com o outro, no espaço coletivo que
se constitui sua prática, que reverbera articulações simbólicas provocativas de mudanças e
crescimento de cada participante individualmente (GIL, 2010).
Esse aspecto também é pontuado no trabalho de Granado (2011), em tese que apresenta
aproximação epistemológica com a proposta desenvolvida por Gil (2005; 2010) em sua
dissertação de mestrado e tese de doutorado:
Em um atendimento individual, a dissertação de Gil (2005)32 demonstra que
instrumentos mediadores no contato com o paciente tiveram um efeito mutativo à
medida que geraram condições para cada indivíduo utilizar seu próprio potencial
criativo. Gil (2010) realizou a Oficina de Cartas, Fotografias e Lembranças como
intervenção psicoterapêutica com idosos e teve como resultado crescimento
emocional e integração no grupo que se submeteu à oficina. (GRANADO, 2011, p.
60, grifo meu).
A tese de Granado (2011) consiste em relato sobre um estudo de caso de uma paciente
com aracnofobia, em que o método clínico do atendimento incluiu o uso de imagens ou objetos
como representação de um estímulo que provocasse reações associada à fobia da paciente.
Assim a pesquisadora descreve o processo (GRANADO, 2011, p. 67):
32
GIL, C. A. Envelhecimento e depressão: da perspectiva psicodiagnóstica ao encontro terapêutico. Dissertação
(Mestrado) - Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. São Paulo: 2005, 179p.
102
Ao escolher os objetos que comporiam sua caixa, a paciente pediu para colocar, em
uma pasta aberta, fotos que lembrassem aranha, de cadeira com pés em formato de
aranha, de canto de parede. Em uma pasta fechada, pediu que eu trouxesse fotos de
aranha de verdade e fotos de teias, também. Combinamos que essas fotos de aranhas
e teias ficariam num envelope fechado e que ela abriria quando quisesse. Foi explicado
que, em todas as sessões, eu traria pastas com todas as figuras e que somente quando
e se ela quisesse ver quaisquer figuras iríamos olhá-las. (GRANADO, 2011, p. 67).
Para Granado (2011, p. 61, grifo meu), “O atendimento a partir de objetos mediadores
do contato terapêutico, fundamentado no conceito de transicionalidade de Winnicott33, tem
proporcionado resultados importantes à abordagem psicanalítica do sofrimento emocional”.
Vale destacar que ao referir-se a materialidades mediadoras, não se restringe a fotografia, no
âmbito da pesquisa de Granado (2011), esse recurso imagético foi adotado como escolha da
própria paciente/interlocutora, quando confrontada com as possibilidades de objetos que
poderiam ser utilizados.
Os usos da fotografia descritos na sequência, apresentam outras formas possíveis de
aplicação desse recurso imagético na condição de objeto mediador. No primeiro caso, está a
tese de Menezes (2013), em que se apropria de conceitos próprios da Fotografia, enquanto área
do conhecimento, para análise dos dados de sua pesquisa. O autor (MENEZES, 2013)
caracteriza sua finalidade de uso como um trabalho de tradução (também como uma construção
metafórica). A tese de Menezes (2013) chama a atenção pois, em direção contrária a dimensão
material da imagem, emprega-se uma dimensão conceitual, em que os aportes teóricos da área
do conhecimento da Fotografia são utilizados para a tradução das entrevistas realizadas com
seus interlocutores.
A tese de Menezes (2013) aborda a psiquiatria e a interdisciplinaridade no contexto da
atenção psicossocial. Para tanto, sua construção metodológica segue o caminho da
interdisciplinaridade, pois, conforme sustenta, realiza o deslocamento de conceitos de uma área
para outra. A respeito da dinâmica dessa ação, Menezes (2013, p. 20) cita que:
A traduzibilidade de um conceito significa submetê-lo a uma operação de passagem
de um ambiente lingüístico (sic) a outro, conduzi-lo para outro campo, dotá-lo de um
sentido novo que não o original, elevá-lo a uma significação mais premente e explorar
sua eficácia fora do âmbito de sua gênese, conferir-lhe figuração, visibilidade,
espetacularidade, penetração e divulgação para um outro público. (BRANDÃO, 2005,
p. 41, citado por MENEZES, 2013, p. 20).
33
Indicações de leitura: 1) WINNICOTT, D. W. (1941). A observação de bebês numa situação padronizada. In:
WINNICOTT, D. W. Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas. Trad. Davy Bgomoletz. Rio de Janeiro: Imago,
2000, p. 112-132. 2) WINNICOTT, D. W. (1968). O jogo do rabisco (Squiggle Game). In: WINNICOTT, C.;
SHEPHARD, R. (org.). Explorações psicanalíticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994, p. 230-243. 3)
WINNICOTT, D. W. (1971). Consultas terapêuticas em psiquiatria infantil. Trad. Joseti Marques Xisto Cunha.
Rio de Janeiro: Imago, 1984.
103
No âmbito de sua pesquisa, Menezes (2013) busca fundamentar o diálogo entre a
Fotografia e o método científico a partir de três aspectos essenciais para o chamado método
fotográfico: ilusão imaginária da fotografia; o studium e o punctum; e, o dentro e o fora da
fotografia.
O primeiro deles, segundo descreve, trata das duas dimensões atribuídas a fotografia:
registro do real e caráter documental; e, no tocante a representação do real e sua natureza
criativa (KOSSOY, 1989/2001; MENEZES, 2013). Essa ambiguidade é confrontada por
Menezes (2013) ao destacar a qualidade da fotografia como documento e sobre a natureza de
sua criação. Em que apresenta a fotografia como “um recorte intencional do mundo, informado
pelas posições ideológicas, culturais, políticas, religiosas etc. do fotógrafo que a faz,
configurando-se assim como uma espécie de tomada de posição de seu autor” (MENEZES,
2013, p. 30).
O segundo, aborda os conceitos de studium e punctum, concebidos por Barthes (1984),
que dizem respeito a relação do espectador com a fotografia. Mais detalhadamente, os conceitos
studium e punctum circunscrevem as relações possíveis entre o espectador e a fotografia diante
de seus olhos (BARTHES, 1984). De acordo com Menezes (2013), Barthes (1984), com o
conceito de studium, “descreve o interesse genérico - provindo do saber polido e da cultura de
quem observa – que determinadas imagens suscitam no espectador”, sobre o qual, Barthes
(1984, p. 44-45) afirma que:
[...] visivelmente, é uma vastidão, ele tem a extensão de um campo, que percebo com
bastante familiaridade em função de meu saber, de minha cultura; esse campo pode
ser mais ou menos estilizado, mais ou menos bem sucedido, segundo a arte ou a
oportunidade do fotógrafo, mas remete sempre a uma informação clássica: a
insurreição, a Nicarágua, e todos os signos de uma e de outra: combatentes pobres,
em trajes civis, ruas em ruína, mortos, dores, sol e os pesados olhos índios. Desse
campo são feitas milhares de fotos, e por essas fotos posso, certamente, ter uma
espécie de interesse geral, às vezes emocionado, mas cuja emoção passa pelo
revezamento judicioso de uma cultura moral e política. O que experimento em relação
a essas fotos tem a ver com um afeto médio, quase com um amestramento. Eu não via,
em francês, palavra que exprimisse simplesmente essa espécie de interesse humano;
mas em latim, acho que essa palavra existe: é o studium, que não quer dizer, pelo
menos de imediato, “estudo”, mas a aplicação a uma coisa, o gosto por alguém, uma
espécie de investimento geral, ardoroso, é verdade, mas sem acuidade particular
(BARTHES, 1984, p. 44-45, grifo do autor).
Já, com relação ao conceito de punctum, Barthes (1984) trata de um interesse que não
está na ordem da cultura ou saber do espectador. De acordo com Menezes (2013, p. 32), “[...]
vai além das próprias possibilidades de nomeação do espectador, [...] refere-se a um movimento
da imagem em relação àquele que a olha. [...] o punctum de uma imagem é algum detalhe que,
de chofre, toma toda a atenção do espectador”.
104
O segundo elemento vem quebrar ou escandir o studium. Dessa vez, não sou eu que
vou buscá-lo (como invisto com minha consciência soberana o campo do studium), é
ele que parte da cena, como uma flecha, e vem me transpassar. [...] A esse segundo
elemento que vem contrariar o studium chamarei então de punctum; pois punctum é
também picada, pequeno buraco, pequena mancha, pequeno corte – e também lance
de dados. O punctum de uma foto é esse acaso que, nela, me punge (mas também me
mortifica, me fere) (BARTHES, 1984, p. 46, grifos do autor).
Por fim, o dentro e o fora da fotografia, conceito mais presente nos trabalhos produzidos
por Dubois (1983/1998). Na concepção de Menezes (2013, p. 32), “Toda fotografia pressupõe
um recorte espacial e temporal do mundo, feitos a um só tempo, mas com implicações variadas.
O ato fotográfico é, entre outras coisas, um recorte de uma porção específica da realidade”.
Nesse aspecto, no âmbito de sua pesquisa, Menezes (2013, p. 32) trata da “espacialidade da
fotografia” e do que está além da imagem concreta e material, do “invisível da imagem”.
Dessa forma, toda fotografia implica uma borda, que – a priori – irá delimitar a leitura
de determinada imagem. Contudo, aquilo que ficou fora do recorte escolhido, o
invisível, o que restou do real, irá fazer parte, tanto quanto o que na imagem se vê, da
análise da fotografia. (MENEZES, 2013, p. 32).
Esses três elementos conceituais fundamentam o método fotográfico, que pode ser
utilizado na pesquisa acadêmica e científica em dois âmbitos procedimentais (MENEZES,
2013). Para a coleta de dados, “através de recortes intencionados da realidade a ser estudada,
informados por conceitos da Fotografia, tais como o punctum, a borda, o enquadramento, a
opacidade etc.” (MENEZES, 2013, p. 37). E para a análise de informações “através da
construção das cenas a serem analisadas, da escolha de seus elementos, da articulação delas
com outras cenas em uma espécie de colagem, da análise – a partir de seus elementos – daquilo
que se pressupõe fora de seu enquadre etc.” (MENEZES, 2013, p. 37).
A partir dessa fundamentação, o trabalho de Menezes (2013) inova ao propor o uso da
fotografia para além de sua configuração física. Na tese em questão, utilizaram-se os
pressupostos epistemológicos da Fotografia - o conhecimento imaterial dessa área, as
contribuições de teóricos da Fotografia - para a análise de trechos das entrevistas34 realizadas
com os interlocutores da pesquisa. Para tanto, o autor desenvolve a transformação dessas
entrevistas em cenas para auxiliá-lo no processo analítico.
Segundo Menezes (2013, p. 114), esse complexo movimento de “transformar palavras
em cena” se assemelha a construção metafórica, pois ambas assumem a falsidade como
elemento de caracterização e produzem novos significados a partir dela (BRANDÃO, 2005;
34
As entrevistas foram realizadas com dois psiquiatras com vivência profissional (passada ou presente) em equipe
de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), para “a discutir as peculiaridades de suas formações e/ou de suas
vivências pessoais que poderiam vir a influenciá-los rumo ao que se poderia genericamente chamar de uma atitude
interdisciplinar” (MENEZES, 2013, p. 114, grifo do autor).
105
MARI, 2005; MENEZES, 2003). Essa mesma compreensão fundamenta o uso que fez do
método fotográfico em sua pesquisa, conforme explica, “[assim] como [a] metáfora, comportou
falsidades e revelações” (MENEZES, 2013, p. 115).
O sinônimo substitui algo com o qual se pretende uma total semelhança. A metáfora
aproxima dois entes dando a ver tanto a sua semelhança quanto a sua diferença: ela
interpreta e modifica algo, como na tradução, não recobrindo-o inteiramente, mas
conferindo-lhe um acréscimo de ser ou um novo atributo, antes oculto. A metáfora
também não é símbolo, pois este “representa” totalmente uma coisa em virtude de sua
correspondência com ela, enquanto que na relação metafórica enfatizamos um traço
de similaridade que “seleciona” e “revela” um aspecto de alguma coisa. (BRANDÃO,
2005, p. 46, citado por MENEZES, 2013, p. 115).
Além disso, o autor compara a atividade de imersão no campo e coleta de dados a
experiência de um/a fotógrafo/a em obter as imagens e elaborar uma exposição, em que a partir
de uma ideia inicial se desenha um processo de coleta estruturado especificamente para a sua
proposta de estudo (MENEZES, 2013, p. 25):
Pensemos no processo de elaboração de uma exposição. Ao se decidir por
determinado tema, o fotógrafo vai a campo coletar suas imagens. É certo que o artista
tem uma ideia pré-concebida de seu tema, ainda que por vezes pouco formulada. É a
partir dessa espécie de hipótese que ele se aparelha para seu trabalho de campo.
Fotografar paisagens, por exemplo, pode requerer a luz de determinada hora do dia,
objetivas com distâncias focais específicas, películas de uma certa sensibilidade etc.
que serão, pelo menos em tese, bem diferentes da luz, das objetivas e das películas
usadas para se fotografarem outros temas. (MENEZES, 2013, p. 25).
Tem-se, assim, um processo de construção de um projeto semelhante ao que um/a
pesquisador/a propõe quando lança mão do trabalho de campo, pois, tanto a atividade do/a
fotógrafo/a quanto a do/a pesquisador/a exige compromisso com a realidade apresentada
(MINAYO, 2001; MENEZES, 2013). De acordo com Menezes (2013, p. 27), “Há [...], no
processo de se fotografar, um caminho a se percorrer; há um método, uma forma específica de
se pensar, uma maneira determinada de se captar a realidade e de apresentá-la”. O trabalho de
campo partilha dessa mesma característica, em que, segundo Cruz Neto (2001, p. 52), trata-se
de uma atividade de descoberta e criação, no sentido que “se apresenta como uma possibilidade
de conseguimos não só uma aproximação com aquilo que desejamos conhecer e estudar, mas
também de criar um conhecimento, partindo da realidade presente no campo”.
Por fim, destaca-se a pesquisa de Cabral (2015), que utilizou a fotografia como
tecnologia complementar a escrita textual na composição narrativa da tese. Seu trabalho
consiste em uma pesquisa cartográfica com a proposta de reapropriação de tecnologias que são
mediadoras das experiências que atravessam o dispositivo da sexualidade, conforme Cabral
(2015, p. 26-27) descreve na sequência:
‘Pornocartografia’ é um nome provisório qualquer que atribuí a esta geringonça, como
a versão de uma possibilidade (dentre tantas outras infinitas) para se mapear
tecnologias pelas quais a experiência de “sexualidade” se constrói em nossas corpas.
106
As dicas que proponho logo abaixo podem funcionar como exercícios de reflexão,
experimentação e disparadores de escrita. A escolha desse formato tem a intenção de
desmistificar um pouco as possibilidades de fazer cartografia (a despeito do que
muitos textos fazem parecer, não se trata de nenhum exercício esotérico). Minha
sugestão à pessoa leitora é que se sirva daquelas que lhe fazem sentido e descarte
todas aquelas que não lhe ajudam. (CABRAL, 2015, p. 26-27).
Em sua tese, dentre as dicas que sugestiona para o processo de construção cartográfica,
Cabral (2015) cita o uso de tecnologias que permitem a visibilidade das vivências subjetivas da
sexualidade, segundo indica (CABRAL, 2017, p. 29):
Experimente tecnologias que permitam amplificar e difratar a visibilidade do que te
parece vergonhoso ou abjeto na vivência da tua corpa [palavra utilizada na tese] e/ou
prazeres. Por exemplo: através de fotos, vídeos, desenhos, pinturas, coreografias,
músicas ou via narrativa escrita. Deixar-se atravessar por estes dispositivos abre a
oportunidade para construir novos olhares que desviam das representações
dominantes, esboçando micro-prazeres imanentes a esse próprio ato de
(contra)representação. [...]. Perceba as tecnologias que te são acessíveis, aquelas com
as quais você se vê mais à vontade e quais não. Tudo isso também nos diz muito sobre
as redes, relações e técnicas através das quais “nossa” sexualidade opera e é operada.
(CABRAL, 2015, p. 29).
Nesse aspecto, o uso da fotografia, aplicado na tese de Cabral (2015), cumpre essa
função, enquanto tecnologia estética que amplifica a visibilidade de “novos referentes de
sexualidade” (CABRAL, 2015, p. 85) e, assim, instrumentaliza a reapropriação e reinvenção
das tecnologias na construção cartográfica.
As músicas, performances, fotos, oficinas e vídeos pós-pornográficos são aqui
evocados não enquanto “objetos”, mas como personagens que se aliam a construção
das minhas próprias ficções, derivando experimentações com a escritura que buscam
interferir e (re)articular as normas de sexo e gênero que me cruzam. (CABRAL, 2015,
n. p.).
Na tese de Cabral (2015), o recurso textual e o recurso imagético (fotografias) se aliam
para “propiciar uma reflexão sobre os temas em questão” (GOLDOPHIM, 1995, p. 169). As
fotografias utilizadas por Cabral (2015), tanto registros autorais quanto imagens extraídas de
outras fontes, não são meras ilustrações que enfeitam o texto. Elas complementam a narrativa.
Reivindicam a “visibilidade pública dos processos de reapropriação tecnológica da
sexualidade” (CABRAL, 2015, p. 85).
Com base no que foi exposto, em relação as outras formas de uso aqui desenvolvidas,
quais sejam, registro, em que o foco está no conteúdo visual; autofotografia, que interessa
tanto a imagem quanto seu processo de produção, estímulo visual que provoca respostas a
exibição do conteúdo da imagem, ou mesmo, de acervo iconográfico. Na condição de objeto
mediador, a fotografia é utilizada como um instrumento facilitador/auxiliar do diálogo no
processo de construção do conhecimento.
107
Nesse aspecto, o que determinada fotografia traz de representativo para que o sujeito a
utilize para se expressar (?); o que o conteúdo visual representa/revela para o sujeito da pesquisa
(?); quais recordações estão associadas à imagem (?). São algumas das questões possíveis que
o/a pesquisador/a pode contemplar quando utiliza a fotografia como objeto mediador. Vale
ressaltar que o uso de outros recursos metodológicos aliados à fotografia potencializam maior
alcance qualitativo.
4.3.6 A fotografia como fonte de informação
As fotografias colaboram como dispositivos da memória individual e coletiva, das
narrativas pessoais e comunitárias, da realidade dos acontecimentos. É um artefato social, e
como tal, carrega marcas da sociedade, da cultura e do tempo. Conforme sugere Caixeta (2006,
p. 48) “As imagens sempre fizeram parte do dia-a-dia da humanidade. Através delas, grupos
humanos transmitiram e transmitem idéias (sic), valores, crenças, práticas culturais, [...]
conhecimentos sobre si, seu grupo e sua época”. A imagem, fora de sua narrativa constitutiva,
tem seu potencial analítico restrito ao recorte da fotografia, ao referente que se encontra
registrado. Em que pese esse aspecto, por si só, é uma relevante fonte de informação35, embora
restrita (LOIZOS, 2002).
O poder indiciário da fotografia não é o único responsável pela sua importância como
fonte de pesquisa. Tão importante quanto é a capacidade de fomentar recordações e lembranças
sobre os acontecimentos passados. Kossoy (1999/2009, p. 45) diz que “a fotografia funciona
em nossas mentes como uma espécie de passado preservado, lembrança imutável de certo
momento e situação, de certa luz, de determinado tema, absolutamente congelado contra a
marcha do tempo”. A fotografia é um guardado das nossas histórias. Ela materializa a
recordação do vivido e permite “uma volta infinita ao ponto de observação, uma contemplação
detida, longa, múltipla e repetida” (FLUSSER, 1985, p. 11). Para Kossoy (1999/2009, p. 137):
Toda fotografia que apreciamos se refere ao passado. Mesmo as que tiramos, ou as
que tiraram de nós, no último fim de semana. Quando falo em passado, quero dizer
que o movimento vivido é irreversível e que as situações e emoções que vivemos estão
registradas no nosso íntimo sob a forma de impressões. Essas impressões, com o
passar do tempo, se tornam etéreas, nubladas, longíquas. Se tornam fugidias com o
35
Não obstante, no campo acadêmico e científico, prevalece o caráter documental e probatório da fotografia,
conforme demonstraram os dados desta pesquisa, em que a função de registro e de estímulo visual aparecem com
números quantitativamente superiores em relação as outras formas de uso: autofotografia, acervo iconográfico
e objeto mediador. Para além do contexto acadêmico, esse aspecto foi amplamente utilizado por governos, no
uso ideológico da imagem (KOSSOY, 1999/2009).
108
enfraquecimento de nossa memória; desaparecem, por fim, com o nosso
desaparecimento físico (KOSSOY, 1999/2009, p. 137).
Nessa razão, a fotografia é um fragmento, um quebra cabeça a ter suas peças encaixadas
e assim revelar o todo possível. Esse parece ser o maior desafio do/a pesquisador/a. Conectar
as peças. Contemplar o além do que revela o conteúdo indiciário (MAUAD, 1996), o referente.
Pois, o que a fotografia carrega como informação “não se esgota na competente análise
iconográfica” (KOSSOY, 1999/2009, p. 133). Esse é simplesmente o ponto inicial da análise
(KOSSOY, 1999/2009).
A imagem fotográfica tem múltiplas faces e realidades. A primeira é a mais evidente,
visível. É exatamente o que está ali, imóvel no documento (ou na imagem petrificada
no espelho), na aparência do referente, isto é, sua realidade exterior, o testemunho, o
conteúdo da imagem fotográfica (passível de identificação), a segunda realidade,
enfim. As demais faces são as que não podemos ver, permanecem ocultas, invisíveis,
não se explicitam, mas que podemos intuir; é o outro lado do espelho e do documento;
não mais a aparência imóvel ou a existência constatada mas também, e sobretudo, a
vida das situações e dos homens retratados, desaparecidos, a história do tema e da
gênese da imagem no espaço e no tempo, a realidade interior da imagem: a primeira
realidade. (KOSSOY, 1999/2009, p. 131).
A fotografia não é somente o referente, o visível, embora este possibilite “a objetiva
constatação da existência do assunto: o “isto aconteceu” (KOSSOY, 1999/2009, p. 134). Nela
se faz presente um contexto, uma narrativa, as presenças e ausências no enquadramento, as
emoções e recordações que são reveladas. E, não menos importante, a interpretação da pessoa
que vê a imagem. (MAUAD, 1996; LOIZOS, 2002; CAIXETA, 2006). A leitura interpretativa
que se faz nesse processo é carregada de significados. Conforme Caixeta (2006), Barthes (1984)
tratou dessa dimensão da fotografia, quando abordou a questão das mensagens denotativa e
conotativa desse tipo imagético:
Barthes (1984) explica esse fenômeno fotográfico muito bem quando trata as
mensagens denotativa e conotativa da fotografia. Assim, a fotografia é uma linguagem
denotativa, mas sua interpretação tem uma dimensão conotativa. A dimensão
denotativa é a foto por si mesma, o real que a foto pretende imitar e a dimensão
conotativa é a interpretação dela, de acordo com o sujeito, seu grupo, seu ambiente
sócio-cultural e as informações presentes no contexto. As duas dimensões se
relacionam dialeticamente entre si. (BARTHES, 1984, citado por CAIXETA, 2006,
p. 54).
A fotografia, enquanto materialização da imagem, não limita o conceito a sua existência
física, até mesmo porque no mundo contemporâneo essa questão está diluída, a exemplo, os
ambientes virtuais que compreendem outro plano existencial. A caracterização que diz respeito
à materialidade consiste em sua essência enquanto “signos que representam o nosso meio
ambiente visual” (SANTAELLA; NÖTH, 1999, p. 15), que está avidamente presente
demarcando as relações cotidianas e sociais. Para Jobim e Souza (2003):
109
Com a fotografia iniciamos um longo caminho na construção de novos modos de
escrita do mundo. [...] Do mesmo modo que a escrita ortográfica nos revelou uma
maneira mais sistemática e conceitual de tomarmos consciência da nossa cultura, a
"foto-grafia" se constitui como uma escrita atual do homem, mediada por uma
tecnologia criadora de uma narrativa figurada. Podemos considerar que, depois da
invenção do ato de fotografar, a experiência humana nunca mais foi a mesma, pois
conquistamos, a partir desta prótese da visão, um olhar sobre a materialidade do
mundo físico e social que antes não era possível, criando em nós uma nova
consciência cultural e subjetiva do mundo. Além disto, podemos afirmar que as
imagens constituem hoje as narrativas do mundo contemporâneo, trazendo novos
elementos para buscarmos uma compreensão mais abrangente do próprio conceito de
narrativa. (JOBIM E SOUZA, 2003, p.72).
A fotografia se mostra uma fonte de informação com amplo potencial analítico, pois
marca grande presença na vida das pessoas, nelas estão os registros dos diversos acontecimentos
(significativos ou não) que ocorreram ao longo de nossas vidas. Os fragmentos do vivido,
registros do cotidiano, mecanicamente eternizados, mas que “nunca mais poderá repertir-se
existencialmente” (BARTHES, 1984, p. 13), transformados em memórias de um passado,
guardadas e colecionadas por nós em álbuns de retratos (MAUAD, 1996).
110
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No âmbito desta pesquisa, buscou-se alcançar dois níveis analíticos. O primeiro, com
dimensão quantitativa, qual seja: sistematizar, analisar e interpretar os números referentes à
produção acadêmica/científica brasileira que faz uso da fotografia no contexto da pósgraduação, especialmente, da pós-graduação em Psicologia. Para tanto, as ferramentas oficiais
(Banco de Teses e Dissertações - CAPES e Plataforma Sucupira) de divulgação e promoção da
produção acadêmica da pós-graduação brasileira foram exploradas rigorosamente.
As informações sistematizadas resultaram em algumas formulações gerais a respeito do
uso da fotografia na Psicologia. Por exemplo, a produção está majoritariamente no nível do
mestrado, são 230 dissertações contra 62 teses. Verificou-se, também, que há um evidente
crescimento quantitativo de produções a partir do ano 2000, em todos os estados brasileiros.
Além disso, nota-se que a maioria dos trabalhos são vinculados a Programas de Pós-graduação
em Psicologia - PPGP localizados no estado de São Paulo. No entanto, constatam-se também
indicadores relevantes, em termos quantitativos, em outros espaços.
Contudo, enfatiza-se a necessária contextualização dessas informações aos fatores que
justificam sua movimentação ao longo dos anos e nos espaços geográficos e institucionais em
destaque. Por exemplo, o mestrado se sobressai quantitativamente em relação ao doutorado,
devido ao maior número de programas de pós-graduação com oferta de cursos no nível do
mestrado. Para efeito de comparação, no ano de 2015, somente no âmbito da Psicologia,
existiam 76 PPGP, dentre os quais, 53 PPGP ofertavam mestrado e doutorado; 26 PPGP
somente ofertavam metrado e nenhum ofertava exclusivamente doutorado. O mesmo cálculo
pode ser aplicado à justificativa quanto ao crescimento quantitativo de produções na década
passada (2000-2009), pois, em 1998 (primeiro ano de quantificação da ferramenta GeoCAPES)
eram 28 PPGP em contraste aos 76 PPGP no ano de 2015. Com relação à prevalência de
produções oriundas de IES do estado de São Paulo. O elevado quantitativo está amparado na
também elevada quantidade de PPGP neste estado. No ano de 2015, existiam 18 PPGP, quando
a média nacional era de 3,8 PPGP por unidade federativa.
Em síntese, os resultados alcançados a partir da análise quantitativa é consequência de
um procedimento que buscou contextualizar os dados localizados aos indicadores disponíveis
em mídias oficiais da gestão da Pós-graduação no Brasil. Desse modo, tornou-se possível
relacioná-los e, a partir disso, compreender o desenvolvimento da produção acadêmica no nível
da pós-graduação em Psicologia no Brasil, com uso da fotografia como ferramenta de produção
de conhecimento, em sua configuração histórica, geográfica e institucional. A aplicação desse
111
procedimento é fundamental e eticamente necessária em pesquisas do tipo metassíntese, pois,
limita o risco de apontar a relevância qualitativa de um determinado espaço e relativizar a de
outros. Visto assim, o dado numérico por si só é limitado quanto à amplitude da informação
que fornece. Por exemplo, ao olhar para indicadores quantitativos, é possível conhecer quem
produz; onde se está produzindo; quais os interesses, entre outros aspectos. Contudo, fora do
contexto, essas informações não dimensionam o nível de especialização e dos vínculos
acadêmicos que entrelaçam as produções em análise.
Ao configurar a média de produções institucional e geograficamente, identificaram-se
107 trabalhos vinculados ao estado de São Paulo, distribuídos em 10 IES. Somente a USP
responde por 45 documentos, valor quantitativamente superior a qualquer outra instituição com
vínculo as produções do corpus analítico. Na sequência, aparecem PUC/SP com 23 documentos
e UFSC com 22 trabalhos.
Contudo, conforme mencionado, há de se considerar outros aspectos que influem na
produção de um determinando espaço acadêmico, para citar um deles, o tempo de existência do
programa de programas de pós-graduação. A USP36 iniciou a oferta da pós-graduação em
Psicologia logo após o momento em que as normas de credenciamento dos cursos de pósgraduação foram definidas pela CAPES, no ano de 1969. No ano seguinte, em 1970, foi criado
o mestrado em Psicologia Escolar e em Psicologia Experimental. Em 1974, já havia oferta de
doutorado em Psicologia Escolar e Experimental. Após isso, em 1975 e 1976 foram os
mestrados em Psicologia Clínica e Psicologia Social, respectivamente. Em 1982 foi a vez do
doutorado em Psicologia Clínica e, em 1989, o doutorado em Psicologia Social. A área de
Neurociências e Comportamento foi contemplada em 1992, com oferta de mestrado e
doutorado. Para efeito de comparação, a pós-graduação em Psicologia na UFSC37, foi iniciada
em 1995, com recomendação da CAPES lançada em 1996. Já o doutoramento, somente em
2004. Nota-se, nessas informações, que entre a oferta da pós-graduação em Psicologia na USP
e na UFSC, há um longo espaço de tempo, precisamente 15 anos38.
Com base nisso, aponta-se a importância da aplicação de estratégias e uso de
ferramentas que potencializam uma maior abrangência analítica, como, por exemplo, a
ferramenta de georreferenciamento utilizada no âmbito desta pesquisa.
36
Informações consultadas na página web da Pós-graduação em Psicologia da USP, no endereço eletrônico: <
http://www.ip.usp.br/portal/>
37
Informações consultadas na página web da Pós-graduação em Psicologia da UFSC, no endereço eletrônico:
<http://ppgp.ufsc.br/>
38
Pode-se citar também, embora não tenha sido objeto da presente análise, o maior investimento que as instituições
públicas e privadas de ensino superior localizadas em São Paulo receberam ao longo dos anos.
112
O segundo nível analítico correspondeu à etapa qualitativa desta dissertação, com
alcance da síntese interpretativa. Nesse aspecto, com base nas 50 teses analisadas, os dados
demonstram que as formas de uso da fotografia como registro (15), estímulo visual (14) e a
função de autofotografia (13) são as mais usuais no âmbito da pesquisa em Psicologia. A
função de objeto mediador (8) também apresenta relevância quantitativa, nesse caso, a
fotografia é utilizada para mediar o diálogo entre os elementos que compõem a pesquisa –
pesquisador/a, interlocutor/a e objeto de estudo. Já em menor número, verifica-se a função de
acervo iconográfico (3), que, no âmbito dos trabalhos analisados, apresenta duas finalidades:
fonte de informação histórica e produção de conteúdos imagéticos, para a construção de banco
de dados autorais, tendo em vista os direitos autorais de imagens de terceiros e, de outro modo,
para contextualização e validação de instrumentos projetivos no Brasil. Vale ressaltar que em
três (3) teses, a fotografia foi utilizada com mais de uma função, em dois casos como registro
e acervo iconográfico; e em um trabalho como registro e objeto mediador.
Com base nos resultados alcançados, verificou-se que a fotografia tem se firmado como
recurso metodológico aplicado conjuntamente a outras ferramentas de pesquisa, que
potencializam contemplar com mais profundidade o arcabouço de informações que o recurso
fotográfico carrega para além do conteúdo visual. As diversas formas de uso da fotografia, no
âmbito da pesquisa em Psicologia, apontam o caráter multifacetado dessa ferramenta, podendo
ser aplicada em diferentes propostas investigativas: análises históricas, pesquisas empíricas,
etnografias, cartografias entre outros.
Sobre o uso da fotografia em um cenário de avanços tecnológicos e suas repercussões
nos modos de fazer pesquisa em Psicologia. Constataram-se novas formas de produção
imagética, possibilitadas por dispositivos eletrônicos que preenchem a função da tradicional
máquina fotográfica: smartphones, desktops, notebooks, videogames, acessórios com micro
câmeras embutidas etc. Essa nova configuração, que se verifica na contemporaneidade, torna a
fotografia um objeto mais acessível para a pesquisa acadêmica e científica, visto que esses
instrumentos eletrônicos fazem parte do cotidiano das pessoas. Outra questão que se coloca
nesse contexto tecnológico, trata-se da capacidade desses dispositivos eletrônicos de produzir
um número elevado de imagens que são instantaneamente visualizadas, manipuladas e
descartadas. Introduzindo, com isso, novas formas de compor narrativas através da fotografia.
Por fim, no que diz respeito ao método aplicado, destaca-se que esta pesquisa avançou
em apresentar uma seção que contempla a descrição histórica e pormenorizada do corpus
analítico. E, com isso, situar possíveis leitores deste trabalho em relação a cada uma das teses
analisadas.
113
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SILVA, M. A. Paisagem, experiência e representações sociais: o olhar etnográfico para um
fenômeno de cultura. 2013. Tese (Doutorado em Psicologia) – Pontifícia Universidade
Católica de Goiás, Goiânia, 2013.
SILVA, T. V. A. da. Quando a pele faz a passagem - roteiro tese do filme A Pele que
Habito. 2014. Tese (Doutorado em Psicologia) – Universidade Católica de Pernambuco,
Recife, 2014.
SONTAG, S. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. (Publicado
originalmente em 1977).
SOUSA, K. A. Salas/celas, sinas e cenas: o cinema no contexto prisional. 2011. 107 f.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais,
2011.
SOUSA, N. M. Procedimentos e processos: uma delicada relação na aprendizagem de
discriminações por bebês. 2013. Tese (Doutorado em Psicologia) – Universidade Federal de
São Carlos, São Carlos, 2013.
123
SOUTO, A. P. Escrever é uma viagem: A atividade de criação literária no desenvolvimento
dos turistas aprendizes. 2016. Tese (Doutorado em Psicologia) – Universidade Federal
Fluminense, Rio de Janeiro, 2016.
SOUZA, M. C. H. de. Cartografia luminosa de um território em trânsito. 2011. Tese
(Doutorado em Psicologia) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.
TRANCOSO, A. E. R. Juventudes: o conceito na produção científica brasileira. 2012. 222 f.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2012.
VACHERET, C.; GIMENEZ, G.; CURI-ABUD, C. Sobre a sinergia entre grupo e o objeto
mediador. Revista Brasileira de Psicanálise, v. 47, n. 3, p. 1-13, 2013. Disponível em:
https://hal-amu.archives-ouvertes.fr/hal01386388/file/Guy_Gimenez_publication_67_SOBRE%20A%20SINERGIA%20ENTRE%2
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ZIBETTI, M. L. T. Saberes docentes na prática de uma alfabetizadora: um estudo
etnográfico. 2005. Tese (Doutorado em Psicologia) – Universidade de São Paulo, São Paulo,
2005.
124
APÊNDICES
125
APÊNDICE A – Sistematização no Excel para a construção do banco de dados
1. Primeira estrutura do banco de dados no Excel – análise quantitativa
Legenda: Qtd. = Quantidade / D = dissertação / N = não
Nota: As colunas J - Acesso ao texto completo e K - Acesso somente ao resumo tratam do nível de acesso ao documento.
1. Segunda estrutura do banco de dados no Excel – análise qualitativa
Nota: Essa sistematização decorre da leitura em profundidade das teses. As informações que constam no banco de dados foram primeiro
registradas em uma ficha catalográfica (Apêndice D) e, a partir disso, inseridas na planilha.
126
APÊNDICE B – Aplicação utilizada para localizar a discussão a respeito da fotografia.
1. Forma de localização a partir do descritor Fot* no sumário da tese.
Fonte: Souto, 2016
Nota 1: A localização foi realizada mediante aplicação do recurso de atalho do software
Adobe Acrobat Reader DC na função Ctrl + F, que abre uma caixa de diálogo em que se
digita uma palavra que será buscada em todo o documento. Nesse primeiro momento, o
campo de interesse é o Sumário (conforme demonstra a imagem). Contudo, constatando
a ausência do termo de busca Fot* no capítulo e/ou seção de discussão presente no
Sumário, a mesma aplicação era ajustada para localizar a palavra Fot* no corpo da tese.
127
APÊNDICE C: Identificação e seleção das unidades de registros (uso do recurso realce).
Fonte: Gil, 2010
128
APÊNDICE D – Exemplo de Ficha Catalográfica
FICHA CATALOGRÁFICA
PRIMEIRA PARTE – DADOS REFERENCIAIS
TÍTULO: Evidências de validade concorrente entre o BBT-BR e a BFP: um estudo com
universitários
AUTOR/A: Milena Shimada
ORIENTADOR/A: Lucy Leal Melo-Silva
IE: USP
ANO: 2016
SEGUNDA PARTE – SÍNTESE INTERPRETATIVA
TIPO DE PESQUISA: investigação
PRODUÇÃO: registro pré-existente
FUNÇÃO: estímulo
TEXTO SÍNTESE:
O trabalho de Shimada (2016) busca ampliar os dados do Teste de Fotos e Profissões –
BBT-Br para uso com estudantes do ensino superior. Segundo esta autora, o BBT, elaborado na
década de 1970 pelo suíço Martin Achtnich, caracteriza-se como um instrumento projetivo. É
utilizado para “clarificar os interesses e tendências motivacionais dos indivíduos” (SHIMADA,
2016, p. 64), baseia-se nos pressupostos da Teoria de Personalidade de Szondi (1970). Shimada
(2016, p. 64) cita Pasian e colaboradores (2007) com a finalidade de pontuar a proposição do
autor supracitado “Achtnich (1991) sugere a existência de variáveis que se combinam de forma
dinâmica e, em conjunto com fatores ambientais e socioculturais, influenciam as escolhas de
carreira dos indivíduos” (PASIAN et al., 2007).
O BBT apresenta oito fatores/ radicais de inclinação classificatório das inclinações e
interesses das pessoas. Em sua composição original, apresenta 96 fotos com ilustrações reais de
pessoas envoltas em atividades ocupacionais (ACHTNICH, 1991, citado por SHIMADA, 2016),
de modo a combinar dois fatores/radicais de inclinação (SHIMADA, 2016), pois “nenhum desses
oito fatores de inclinação existe em um estado isolado do indivíduo” (ACHTNICH, 1991, p. 11,
citado por SHIMADA, 2016, p. 64). A elaboração de Achtnich (1991) conforme citado por
Shimada (2016, p. 64-65) indica que “[...]radicais de inclinação primários dizem respeito às
atividades profissionais em si.”, assim, “[...] cada atividade adquire sentido somente em relação
a um objeto profissional” (p. 65); enquanto “[....] radicais secundários [...] descrevem outros
129
aspectos das profissões representadas nas imagens do BBT-Br, como objetivos e ambientes de
trabalho” (p. 65).
As estruturas de interesses primárias e secundárias, são então investigadas por
meio de escolhas e rejeições das atividades, ambientes e instrumentos de
trabalho, representados nas imagens que compõem o teste. Destaca-se que a
classificação das imagens no BBT é realizada considerando-se as impressões
afetivas dos indivíduos sobre as fotos, não apenas os aspectos concretos e
racionais de suas representações (PASIAN et al., 2007 citado por SHIMADA,
2016, p. 65).
Nessa direção, Shimada (2016) pontua que para Melo-Silva, Noce e Andrade (2003), o
BBT é um instrumento de avalição dinâmica de interesses, pois, através de sua aplicação,
possibilita captar a organização de escolhas e a hierarquização de preferências e rejeições
motivacionais.
O BBT contempla ainda análise qualitativa dos dados, em que “associações e reflexões
que o sujeito realiza sobre fotos e grupos de fotos escolhidas, revelando peculiaridades
interpretativas além daquelas apresentadas na estrutura de interesses (PASIAN et al., 2007, citado
por SHIMADA, 2016, p. 65). Em que, continua, “ao envolver cliente e psicólogo num processo
de investigação ativa, permite que orientando construa as suas categorias de interesses explore o
seu significado e os seus conteúdos (LEITÃO, MIGUEL, 2004, citado por SHIMADA, 2016, p.
65).
A autora argumenta em favor do uso do BBT em intervenções no campo da Orientação
Profissional e de Carreira, pois, conforme descreve Jacquemin e colaboradores (2006) citado por
Shimada (2016, p. 65) “a divisão da aplicação do instrumento em diferentes fases permite que,
gradativamente, a pessoa entre em contato com diversos aspectos – nem sempre conscientes ou
esclarecidos – que interferem em sua carreira.”. Outro argumento favorável ao uso desse
instrumento sugere que “as imagens do BBT, além de visualmente atrativas, podem retratar
aspectos globais das atividades profissionais, sem necessariamente centrarem-se em um aspecto
isolado, como usualmente ocorre em outros instrumentos utilizados” (MELO-SILVA;
JACQUEMIN, 2001, p. 65-66). Além disso, “a participação ativa do indivíduo em todo processo
de aplicação, realizando escolhas e refletindo sobre as mesmas [...] acaba por favorecer o
desenvolvimento de sua identidade e autoconhecimento, fundamental nos processos de
construção da carreira” (JACQUEMIN; MELO-SILVA; PASIAN, 2010, citado por SHIMADA,
2016, p. 66). No contexto brasileiro, SHIMADA (2016, p. 66) informa que:
Devido a suas amplas possibilidades informativas, o BBT foi incorporados ao
contexto brasileiro na década de 1980. Pesquisas foram realizadas objetivando
avaliar se as fotos representadas no BBT estavam adequadas à realidade
sociocultural brasileira, evidenciando que diversas imagens não despertaram
associações suficientes para corresponder ao fator primário proposto por
Achtnich (Okino et al., 2003). Desta forma, o BBT foi adaptado ao contexto
sociocultural brasileiro, em suas duas versões – a forma masculina foi
concluída em 1998 (Jacquemin, 2000) e a feminina, em 2003 (Jacquemin et
al., 2006). Salienta-se que a existência das duas versões do BBT serviu ao
130
intuito de favorecer o processo de identificação com as atividades quando
representadas pelo mesmo sexo do respondente (Achtnich, 1991), sendo que
ambas foram construídas de modo a representar os oito radicais de inclinação
de forma equivalente.
[...]
Diversas investigações científicas com o BBT-Br foram desenvolvidas no
Brasil nas últimas três décadas, evidenciando sua utilidade clínica.
Especificamente em relação a contribuição do BBT-Br para intervenções de
carreira, destacam-se estudos referentes a: (a) avaliação de estratégias em
Orientação Profissional e de Carreira, destacando o BBT-Br como técnica
eficaz no processo de intervenção (Melo-Silva & Jacquemin, 2001); (b)
estudos de caso, descrevendo experiências clínicas que ilustram as
possibilidades interpretativas do BBT-Br nos processos de orientação com
adoslecentes (Jacquemin et al., 2010; Melo-Silva & Noce, 2004); (c) estudo
follow-up de um situação clínica (Melo-Silva, Pasian, Okino, Marangoni, &
Shimada, 2015); (d) avaliação de interesses de adolescentes que procuraram
intervenção psicológica em serviços de Orientação Profissional (Melo-Silva et
al., 2003; Shimada, 2011); (e) história das cinco fotos preferidas, enquanto
procedimento qualitativo complementar e aprimoramento técnico do BBT-Br
(Melo-Silva, Pasian, Assoni, & Bonfim, 2008; Santos & Melo-Silva, 1998;
Shimada, Oliveira, Risk, Saviolli, & Melo-Silva, 2013).
REFERÊNCIAS USADAS PELO/A AUTOR/A
ACHTNICH, M. O BBT-Teste de Fotos de Profissões: método projetivo para a clarificação da
inclinação profissional. Trad. José Ferreira Filho. São Paulo: CETEPP, 1991.
JACQUEMIN, A. O BBT-Br: teste de fotos de profissões: normas adaptação brasileira: estudo
de caso. São Paulo: Centro Editor de Testes e Pesquisas em Psicologia, 2000.
JACQUEMIN, A. A adaptação do BBT: Teste de Fotos de Profissões - para o contexto
sociocultural brasileiro. Revista Brasileira de Orientação Profissional, v. 4, n. 1-2, 2003. p.
87–96.
JACQUEMIN, A.; MELO-SILVA, L. L.; PASIAN, S. R. O Berufsbilder Test (BBT): Teste de
fotos de profissões em processos de orientação profissional. In LEVENFUS, R. S.; SOARES,
D. H. P. (Eds.), Orientação vocacional ocupacional: novos achados teóricos, técnicos e
instrumentais para a clínica, a escola e a empresa. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 211–224.
JACQUEMIN, A.; OKINO, E. T. K.; NOCE, M. A.; ASSONI, R. de F.; PASIAN, S. R. O
BBT-Br feminino: Teste de Fotos de Profissões: adaptação brasileira, normas e estudos de
caso. São Paulo: Centro Editor de Testes e Pesquisas em Psicologia, 2006.
LEITÃO, L. M.; MIGUEL, J. P. Avaliação dos interesses. In Avaliação psicológica em
orientação escolar e profissional. Coimbra: Quarteto, 2004. p. 179–262.
MELO-SILVA, L. L., & JACQUEMIN, A. Intervenção em orientação
vocacional/profissional: avaliando resultados e processos. São Paulo: Vetor, 2001.
MELO-SILVA, L. L.; NOCE, M. A.; ANDRADE, P. P. Interesses em adolescentes que
procuram orientação profissional. Psic: Revista Da Vetor Editora, v. 4, n. 2, 2003. p. 06-17.
OKINO, E. T. K.; NOCE, M. A., ASSONI, R. de F.; CORLATTI, C. de T.; PASIAN, S. R.;
PASIAN, S. R.; OKINO, E. T. K.; MELO-SILVA, L. L. O Teste de Fotos de Profissões (BBT)
de Achtnich: histórico e pesquisas desenvolvidas no Brasil. Psico-USF, v. 12, n. 2, 2007. p.
173–187.
