Katiúscia Karine Martins da Silva - "Avaliação neuropsicológica das funções executivas, agressividade e impulsividade em adultos com diagnóstico de TDAH"
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
KATIÚSCIA KARINE MARTINS DA SILVA
AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS,
AGRESSIVIDADE E IMPULSIVIDADE EM ADULTOS COM DIAGNÓSTICO DE
TDAH
Maceió/AL
2017
KATIÚSCIA KARINE MARTINS DA SILVA
AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS,
AGRESSIVIDADE E IMPULSIVIDADE EM ADULTOS COM DIAGNÓSTICO DE
TDAH
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em
Psicologia da Universidade Federal de Alagoas,
como requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre em Psicologia.
Orientador: Prof. Dr. Raner Miguel Ferreira
Póvoa.
Coorientador: Prof. Dr. Leandro Malloy-Diniz.
Maceió
2017
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Janaina Xisto de Barros Lima
S586a
Silva, Katiúscia Karine Martins da.
Avaliação neuropsicológica das funções executivas, agressividade e
impulsividade em adultos com diagnóstico de TDAH / Katiúscia Karine Martins
da Silva. – 2018.
79 f.: il.
Orientador: Roner Miguel Ferreira Pávoa.
Coorientador: Leandro Malloy-Diniz.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Maceió,
2017.
Bibliografia: f. 47-53
Apêndices: f. 54-63.
Anexos: f. 64-79.
1. Agressividade (Psicologia). 2. Funções executivas. 3. Transtorno do déficit de
atenção com hiperatividade. I. Título.
CDU: 159.94
Folha de Aprovação
AUTOR: KATIÚSCIA KARINE MARTINS DA SILVA
AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA DAS FUNÇÕES EXECUTIVAS,
AGRESSIVIDADE E IMPULSIVIDADE EM ADULTOS COM DIAGNÓSTICO DE
TDAH
Dissertação submetida ao corpo docente do
Programa de Pós-graduação stricto sensu em
Psicologia da Universidade Federal de
Alagoas e aprovada em 11 de Dezembro de
2017.
Área de concentração: Psicologia
__________________________________________________________________
Prof. Dr. Raner Miguel Ferreira Póvoa, Universidade Federal de Alagoas (Orientador)
__________________________________________________________________
Prof. Dr. Leandro Malloy-Diniz, Universidade Federal de Minas Gerais (Coorientador).
Banca Examinadora:
__________________________________________________________________
Prof. Dr. Valfrido Leão de Melo Neto, Universidade Federal de Alagoas.
(Examinador Externo)
__________________________________________________________________
Prof. Dr. Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho, Universidade Federal de Alagoas.
(Examinador Interno)
“Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida
com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, por
que o mundo pertence a quem se atreve. E a vida é muito
bela para ser insignificante”.
Charles Chaplin
AGRADECIMENTOS
Dedico especialmente este trabalho ao meu marido Daniel, companheiro de todas as horas,
que, com muito amor e delicadeza, sempre me incentiva, valoriza meu trabalho e compreende
minhas ausências.
Aos meus filhos, Sofia e Mateus, por existirem e fazer minha vida ter sentido.
Agradeço a todas as pessoas que aceitaram participar do meu estudo como voluntárias, sem os
quais este estudo não teria sido possível.
Aos meus pais e minha irmã Katrinne pelo apoio, carinho e incentivo constante.
Ao meu orientador Dr. Raner Póvoa, minha permanente gratidão, por todos os ensinamentos,
pela confiança e por acreditar no meu trabalho.
Ao meu coorientador Dr. Leandro Malloy, pela disponibilidade e colaboração inestimável.
As amigas Ana Paula Cajaseiras, Christiane Muritiba e Vanina Papini pelo apoio, amizade e
contribuições teóricas.
A toda equipe NEUROPSI, pelo apoio, incentivo aos meus estudos e querer o meu bem.
Aos alunos de graduação de psicologia que colaboraram com a pesquisa: Anne, Márcio,
Norton e Lara.
Aos meus amigos do mestrado, pelos momentos juntos, especialmente à Priscila, que se
tornou uma amiga especial. Obrigada por dividir comigo as alegrias e tristezas dessa
caminhada.
Aos professores Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho e Valfrido Leão de Melo Neto, pelas
valiosas contribuições, que foram fornecidas de forma eficiente e segura.
Agradeço também aos meus amigos e pacientes, por compreenderem momentos que estive
ausente.
Ao CNPq, pelo apoio financeiro.
RESUMO
INTRODUÇÃO: O TDAH é um transtorno psiquiátrico marcado por um padrão persistente
de desatenção e/ou hiperatividade ou impulsividade com início na infância, onde alguns casos
persistem na fase adulta. Os sintomas do TDAH podem interferir de maneira significativa em
diversos aspectos da vida do paciente, gerando dificuldades nas atividades da vida diária. A
etiologia é multifatorial, ou seja, causado pela interação de vários fatores ambientais e
genéticos. O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, fundamentado nos critérios
diagnósticos do DSM-5. Vários estudos apoiam a condição de alteração do funcionamento
executivo em pacientes com TDAH. O objetivo dessa pesquisa foi avaliar a existência de
déficits das funções executivas em pessoas adultas com diagnóstico de TDAH, bem como
avaliar os níveis de impulsividade e agressividade desses sujeitos. MÉTODO: A metodologia
utilizada teve caráter descritivo-correlacional, inserido numa abordagem quantitativa e
transversal. A amostra da pesquisa foi composta por dois grupos, sendo eles o Grupo de 21
pessoas com TDAH (G1); o grupo de 19 pessoas do grupo controle (GC), composto por
indivíduos sem TDAH. Os sujeitos foram pareados pelo gênero, idade, escolaridade e nível
socioeconômico. Os pacientes tinham idade entre 18 e 50 anos. A comparação das médias
entre os grupos TDAH e controle em relação às variáveis de interesse foi mensurada via teste
t independente. O nível de significância estabelecido foi de 0,05. O local da pesquisa foi o
Centro de Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva e Comportamental – NEUROPSI.
RESULTADOS: Em relação aos testes Stroop C, Digit Span, Trilhas A e B, IGT
(Impulsividade Motora e Impulsividade Por Não Planejamento) (Impulsividade Motora e
Impulsividade Por Não Planejamento), WCST (índices de Erros Perseverativos e Categorias),
indicou que não existe diferença com significância estatística entre o grupo com TDAH e o
Controle. Contudo, em relação à Impulsividade Atencional (IGT), indicou que existe
diferença com significância estatística com o grupo TDAH apresentando maior escore médio
que o grupo controle. Do mesmo modo, o grupo TDAH apresentou maior escore médio em
relação ao grupo controle quando avaliada a Impulsividade Global. Nesta análise, indicou que
há diferença estatisticamente significante entre os grupos. Indicou-se que não houve diferença
estatística significativa entre os escores médios de Agressividade Física, Agressividade
Verbal, Raiva e Agressividade Geral entre os grupos estudados. Em contrapartida, indicou
que existe diferença com significância estatística entre o grupo com TDAH e o Controle em
relação à hostilidade. Reporta-se diferença média entre os escores da escala ASRS A no grupo
experimental e controle. Do mesmo modo, houve diferença com significância estatística
quando analisada a escala ASRS B. Nota-se que em ambos os fatores da escala ASRS o grupo
TDAH apresentou maiores médias. Sobre a escala Brown, indicou que existe uma diferença
média estatisticamente significativa, na qual o grupo com TDAH apresentou maior escore
médio que o Controle. CONCLUSÕES: De forma geral, as implicações do presente estudo
não forneceram diferenças significativas no campo da cognição entre o grupo experimental
(TDAH) e o grupo controle saudável, tendo como meio o uso de testes neuropsicológicos. Já
as escalas mostraram maior sensibilidade para identificar problemas no adulto com TDAH.
Foi encontrado, ainda, diferença com significância estatística, em relação à impulsividade
atencional e hostilidade, com o grupo TDAH, indicando maior escore médio que o grupo
controle.
Palavras-chave: TDAH. Funções Executivas. Agressividade. Impulsividade.
ABSTRACT
INTRODUCTION: ADHD is a psychiatric disorder marked by a persistent pattern of
inattention and/or hyperactivity or impulsivity with onset in childhood, where some cases
persists until adulthood. The ADHD symptoms can interfere with a significant way on several
aspects of patient life, generating difficulties in the activities of daily living. The etiology is
multifactorial, that is, caused by interaction of many environmental and genetic factors. The
ADHD diagnosis is essentially clinical, based on the diagnostic criteria of DSM-5. Several
studies support the condition of altered executive functioning in patients with ADHD. The
objectivity of this research was to evaluate the existence of executive function deficits in
adults with ADHD, as well as to evaluate the levels of impulsiveness and aggressiveness of
these subjects. METHOD: The methodology used was descriptive-correlational, inserted in a
quantitative and transversal approach. The research sample consisted of two groups, being the
group of 21 people with the ADHD (G1); the group of 19 people in the control group (GC),
composed of individuals without ADHD. The subjects were matched by gender, age,
schooling and socioeconomic level. The patients were aged between 18 and 50 years. The
research location was the Neurophycology and cognitive behavioral rehabilitation center –
NEUROPSI. RESULTS: The comparison of the means between the ADHD and control
groups in relation to the variables of interest was measured by independent t test. The
significance level established was 0,05. Related to Stroop test C, Digit Spam, Trail test A and
B, IGT (Motor impulsivity and impulsivity by planning), WCST (Perseverative error and
categories indexes), it indicated that there is no statistical significance between the ADHD
group and Control group. However, related to attentional impulsivity (IGT), it indicated that
there it’s a difference with statistical significance with ADHD group showing more average
score related to control group when evaluated the global impulsivity. On the analysis,
indicated that there is a statistical significance between the average scores of physical
aggression, verbal aggression, anger and general aggression, between the groups studied. In
contrast, it indicated there is difference between the scores on ASRS scale on experimental
and control group. The same way, there was difference with statistical significance when it
was analyzed the ASRSB scale. It was noted that in both factors on ASRS A the ADHD
group showed higher average. On the Brown scale, it indicated that there is a statistical
significance average difference, in which the ADHD group showed medium score higher than
the control group. CONCLUSION: In general, the implications of the present study did not
provide significant differences in the field of cognition between the experimental group
(ADHD) and the healthy control group, having as means the use of neuropsychological tests.
On the other hand, the scales showed more sensitivity to identify problems in adults with
ADHD. It was also found a difference with statistical significance, in relation to the
attentional impulsiveness and hostility, with the ADHD group, indicating a higher mean score
than the control group.
Key words: ADHD. Executive Functions. Aggressiveness. Impulsiveness.
LISTA DE QUADRO
QUADRO 1 -
Critérios
diagnósticos
para
TDAH
segundo
o
Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5)..........
15
QUADRO 2 -
Conceitos e/ou componentes de funçõesexecutivas.......................
19
QUADRO 3 -
Principais componentes das funções executivas.............................
20
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Características da amostra – (Sexo)................................................................
35
Tabela 2 - Características da amostra – (idade)................................................................
36
Tabela 3 - Características da amostra – (profissão, escolaridade, estado civil)...............
36
Tabela 4 - Características da amostra – (ocupação, doença, tipo de doença)..................
37
Tabela 5 - Características da amostra – (uso de álcool/outras drogas, consumo de
álcool/outras drogas).......................................................................................
38
Tabela 6 - Média, desvio padrão, mínimo e máximo, erro padrão e intervalo de
39
confiança de 95% para o teste Beta grupo TDAH (n= 21) e grupo controle
Tabela 7 - Teste t independente para diferenças entre grupo controle e TDAH..............
39
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
TDAH
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
FEs
Funções Executivas
CPF
Córtex Pré-Frontal
BIS-11
Barrat Impulsiviness Scale
BPAQ
Questionário de Agressão BUSS-PERRY
DSM 5
Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – 5
ASRS
Adult Self-Report Scale
IGT
Iowa Gambling Task
WCST
Wisconsing Card Sorting Test
NEUROPSI
Centro de Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva e Comportamental
APA
Associação Americana de Psiquiatria
SUMÁRIO
1.
INTRODUÇÃO.................................................................................................
14
2.
TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE... 15
2.1
Funções executivas............................................................................................
17
2.2
Agressividade e impulsividade..........................................................................
22
2.3
TDAH e as funções executivas..........................................................................
25
2.4
TDAH e a relação com a agressividade e impulsividade..................................
27
3.
OBJETIVOS......................................................................................................
29
3.1
Geral................................................................................................................... 29
3.2
Específicos.........................................................................................................
29
4.
METODOLOGIA..............................................................................................
29
4.1
Tipo de estudo.................................................................................................... 29
4.2
Aspectos éticos..................................................................................................
29
4.3
Participantes da pesquisa e amostragem………………………........................
29
4.3.1
Critérios de inclusão e exclusão......................................................................... 29
4.3.1.1
Critérios de inclusão para Grupo Experimental ................................................ 30
4.3.1.2
Critérios de inclusão para Grupo Controle........................................................
30
4.3.1.3
Critérios de exclusão para Grupo Experimental e Grupo Controle...................
30
4.4
Local da pesquisa…………………………………………………................... 30
4.5
Instrumentos....................................................................................................... 31
4.6
Procedimentos.................................................................................................... 34
5
ANÁLISE DOS DADOS................................................................................... 35
6
RESULTADOS.................................................................................................
35
7
DISCUSSÃO.....................................................................................................
44
8
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................
48
REFERÊNCIAS................................................................................................. 49
APÊNDICE........................................................................................................ 56
ANEXOS...........................................................................................................
66
14
1 INTRODUÇÃO
Conforme o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM 5), o
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), considerado um transtorno do
neurodesenvolvimento, consiste em um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividadeimpulsividade que interfere com o funcionamento ou desenvolvimento. Em ambos os
domínios os sintomas devem persistir por pelo menos seis meses, em um grau que é
inconsistente com o nível de desenvolvimento, e tem um impacto negativo diretamente sobre
as atividades sociais e acadêmicas/profissionais. Vários sintomas de desatenção e/ou
hiperatividade-impulsividade devem estar presentes antes dos 12 anos de idade e devem estar
presentes em dois ou mais contextos (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2013).
O TDAH tem alta prevalência, tanto na infância quanto na fase adulta, constituindo um
transtorno crônico (KOOIJ et al., 2005).
Estudos apontam que o TDAH exibe comorbidade com humor, ansiedade, transtornos
por uso de substâncias, distúrbios de aprendizagem, déficits executivos, desregulação
emocional, assim como deficiências funcionais (UCHIDA et al., 2015). Estudos abalizam que
pessoas diagnosticadas com TDAH apresentam maior prevalência de condutas opositoras.
Nessa conjuntura, pessoas adultas com TDAH estão mais propensas a riscos para transtornos
disruptivos do comportamento, problemas escolares e profissionais (MURPHY et al., 1996).
As funções executivas estão relacionadas a quatro subcomponentes, são eles: volição,
planejamento, ação intencional e desempenho efetivo (LEZAK, 2004). Atender o seguimento
dos componentes do fucionamento executivo amplifica a possibilidade do indivíduo alcançar
seus objetivos apetecidos de forma ajustada. Alterações em tais funções estão relacionadas a
distúrbios como o TDAH (KNAPP et al., 2002; MATTOS et al., 2003).
Diagnosticar TDAH nem sempre é uma tarefa simples, principalmente porque suas
propriedades podem confundir-se com outros quadros psiquiátricos, ou até mesmo podem
pertencer a experiências consideradas naturais. Nesse contexto, é importante destacar que,
além de investigar a presença de déficits neuropsicológicos em pessoas com diagnóstico de
TDAH, é respeitável investigar presença de comprometimento funcional (NIGG et al., 2005),
aliado a medidas de funcionamento emocional (SJÖWALL et al., 2013). Isso significa que
déficit de funções executivas pode ser um componente importante no ajuizamento do TDAH,
mas não suficiente para assegurar um diagnóstico seguro.
15
Nesse projeto de pesquisa realizou-se a avaliação neuropsicológica das funções
executivas, visando detectar déficits neuropsicológicos, aliado a deficiências comportamentais
em adultos com diagnóstico de TDAH.
2. TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE
Os critérios para o diagnóstico de TDAH estão descritos no DSM-5. Algumas
modificações, embora sendo poucas, foram verificadas nessa nova versão, quando comparada
com a anterior. O DSM-5 manteve a mesma lista de dezoito sintomas divididos entre
Desatenção e Hiperatividade/Impulsividade. Os subtipos do transtorno foram substituídos por
especificadores com o mesmo nome. Indivíduos até os dezessete anos de idade precisam
apresentar seis dos sintomas listados (QUADRO 1), enquanto indivíduos mais velhos
precisam de apenas cinco. No novo manual, o limite é expandido para os doze anos de idade,
antes até os 7 anos de idade (ARAÚJO, 2014).
O TDAH é um transtorno clínico, que se caracteriza por um padrão persistente de
desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade com início na infância, com persistência da
sintomatologia em grande parte dos casos, chegando a 65% de adultos com sintomas do
TDAH (WILENS et al., 2002). Os sintomas do TDAH podem interferir de maneira
significativa e prejudicial em diversos aspectos da vida do paciente, promovendo dificuldades
em atividades da vida diária, nas relações interpessoais, como também, no desempenho
acadêmico e profissional (RAPPLEY, 2005), associando-se a um impacto importante em
termos clínicos, funcionais e de qualidade de vida (RAMOS-QUIROGA, 2012).
QUADRO1 - Critérios diagnósticos para TDAH segundo o Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5)
A
1. Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção (duração mínima de 6 meses):
a) Frequentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em
atividades escolares, de trabalho ou outras;
b) com frequência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
c) com frequência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;
d) com frequência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas
domésticas ou deveres profissionais;
e) com frequência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
f) com frequência evita, antipatiza ou reluta em envolver-se em tarefas que exigem esforço
mental constante;
g) com frequência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades;
h) é facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa;
i) com frequência apresenta esquecimento em atividades diárias.
2. Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade (duração mínima de 6 meses):
16
B
C
D
E
a) Frequentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;
b) frequentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais
se espera que permaneça sentado;
c) frequentemente corre ou escala em demasia em situações nas quais isto é inapropriado;
d) com frequência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em
atividades de lazer;
e) está frequentemente "a mil" ou muitas vezes age com se estivesse "a todo vapor";
f) frequentemente fala em demasia. Impulsividade (duração mínima de 6 meses)
g) Frequentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas;
h) com frequência tem dificuldade para aguardar sua vez;
i) frequentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros.
Alguns sintomas de hiperatividade – impulsividade ou desatenção que causam prejuízo
devem estar presentes antes dos 12 anos de idade.
Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (escola,
trabalho e em casa, por exemplo).
Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social,
acadêmico ou ocupacional.
Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um transtorno invasivo do
desenvolvimento, esquizofrenia ou outro transtorno psicótico e não são melhores explicados
por outro transtorno mental.
Fonte: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5)
Sintetizando o quadro acima, o TDAH é um distúrbio comportamental, que consiste
em um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade, ocorrendo em diversos
ambientes, causando amplo comprometimento funcional (APA, 2013). É importante ressaltar
que, para o diagnóstico de TDAH deve-se considerar a presença de sintomas constitutivos do
transtorno ao longo da história do portador (GOLDSTEIN E GOLDSTEIN, 2004).
O TDAH é uma desordem heterogênea, ou seja, existem múltiplas variantes da
condição com diferentes bases etiológicas, registros fisiopatológicos e marcadores
neuropsicológicos e comportamentais (NIGG, 2006), os quais, por conseguinte, variam em
grau de comprometimento e de necessidade e/ou resposta ao tratamento medicamentoso
(SAGVOLDEN et al., 2005). Nesse contexto, a etiologia do transtorno é multifatorial, pois
depende da interação de vários fatores ambientais e genéticos que atuam na manifestação da
sitomatologia clínica do TDAH (THAPAR, 2012).
As revelações dos sintomas vão mudando ao longo do desenvolvimento, mas a
maioria dos portadores continua a apresentar alguns sintomas na idade adulta (WILSON,
2000). Millstein e cols (1997) indicaram que nos adultos os subtipos desatento e impulsivo
são os mais habitualmente identificados, com estimativas de amplas amostras de estudos,
aludindo com percentuais de 56-62% para TDAH subtipo impulsivo, 31-37% para TDAH
subtipo desatento e 2-7% para TDAH subtipo hiperativo.
17
Devido às alterações de funcionamento encefálicos no TDAH, Szobot e cols (2003)
destacam que a diferença nas manifestações clínicas do TDAH provavelmente está atrelada a
complexidade dos processos biológicos envolvidos na etiologia.
Considerando que o processo diagnóstico e tratamento do TDAH são abstrusos,
ponderar os aspectos cognitivos de pessoas com TDAH torna-se essencial, e, desse modo, a
avaliação neuropsicológica cumpre um papel eficaz na avaliação do transtorno (BARKLEY,
2002). Contudo, sua maior contribuição é com o diagnóstico diferencial bem como o
favorecimento da elaboração de estratégias terapêuticas, através da identificação de pontos
fortes e fracos do paciente (HARRISON et al., 2007).
No TDAH, ocorre uma anormalidade no funcionamento do córtex pré-frontal (CPF)
(BARKLEY, 1997). Essa anormalidade está atrelada a disfunção da neurotransmissão
dopaminérgica que ocorre na área frontal (pré-frontal, frontal motora, giro cíngulo); regiões
subcorticais (estriado, tálamo médiodorsal) e a região límbica cerebral (núcleo acumbens,
amígdala e hipocampo) (VOLKOW et al., 2005; RUBIA et al., 2001). Essa teoria foi
reforçada pelo fato de que a maioria dos casos responde ao metilfenidato, um inibidor da
reabsorção de dopamina (BARKLEY, 2007).
Outras pesquisas cientificas tem relacionado às causas para o TDAH a transtornos
cerebrais – lesões cerebrais ou desenvolvimento cerebral anormal, associando as causas de
tais anormalidades a dois grupos de fatores: (1) agentes ambientais, como exposição fetal ao
álcool e ao tabaco, e exposição precoce a altos níveis de chumbo; e (2) hereditariedade
(BARKLEY, 2007). A influência da hereditariedade no TDAH, durante muitos anos, deixou
claro que os familiares biológicos de uma criança com TDAH apresentavam mais problemas
psicológicos do que os familiares de crianças sem TDAH. Tais pesquisas sugerem que deve
haver predisposição genética para o transtorno (BARKLEY, 2007).
2.1 Funções executivas
Na condição de sede de intencionalidade, previsão e planejamento, os lobos frontais
são, entre todos os componentes do cérebro humano, os mais especificamente humanos
(GOLDBERG, 2002). O lobo frontal é uma parte do cérebro que faz com que o indivíduo seja
quem é e define sua personalidade. Para executarmos qualquer tarefa é necessário
escolhermos as melhores ações. E essa é a função geral dos lobos frontais, mais
designadamente do córtex pré-frontal.
18
Os lobos frontais desempenham as funções mais complexas de todo o cérebro, as
assim chamadas funções executivas (FEs). Segundo Goldberg (2002), devido a essa
conectividade única, que o torna especialmente adequado para a coordenação e para a
integração de todas as outras estruturas cerebrais, ele é considerado o “regente da orquestra”.
Os lobos frontais agem de maneira semelhante a um compositor, mas, em vez de selecionar
notas e instrumentos, selecionam nossas ações (KOLB; WHISHAW, 2002). As FEs são uns
dos basilares elementos da cognição relacionadas ao ajustamento do indivíduo ao meio.
A observação de pacientes com lesões frontais possibilitou a análise do funcionamento
executivo. O caso clássico na literatura, que permitiu a compreensão das funções executivas,
foi o caso Phineas Gage. A história de Phineas Gage ilustra alguns dos primeiros
conhecimentos adquiridos na relação entre a personalidade e o funcionamento do lobo frontal
do cérebro. No século XIX, Harlow descreveu o episódio sucedido com Phineas Gage. Em
1848, Gage trabalhava em uma ferrovia como engenheiro. Ele tinha, além de supervisionar o
trabalho de construção de uma estrada de ferro, colocar explosivos em buracos e detoná-los
com uma barra de ferro. Em uma determinada ocasião, por acidente, ele detonou o explosivo
e uma barra de ferro atravessou o seu crânio, originando um grave acidente. Gage não morreu
e não perdeu a consciência. Contudo, Gage sofreu mudanças no seu comportamento, passou a
ter conduta irresponsável e socialmente imprópria. Técnicas da neuroimagem evidenciaram
que Gage sofreu lesões nas áreas do lobo frontal esquerdo e direito (áreas órbito-frontal e
anterior-medial), provocando juízo social inadequado, mudança de personalidade,
impulsividade e ausência de objetivos (GAZZANIGA et al., 1998).
O termo FEs refere-se a várias funções cognitivas de ordem superior, relacionadas ao
comportamento dirigido a metas e que possibilitam ao indivíduo a solução de novos
problemas (HILL, 2004). Uma das principais funções dessas competências é conferir uma
coordenação do comportamento objetivando o alcance da tarefa. Nesse contexto, pessoas com
dano nesses domínios geralmente são desorganizadas e não conseguem alcançar os desígnios
apetecidos, suas atuações são ocasionais e desligadas das metas.
Para Fuentes e cols (2014), trata-se de um conjunto de habilidades cognitivas que
trabalham de forma unificada, consentindo ao indivíduo constituir metas e direcionar seus
esforços para alcançar seus objetivos. Na literatura existem vários conceitos de FEs,
entretanto, resumindo, as FEs consentem aos seres humanos avaliar as possibilidades de
realização de determinada tarefa e rejeitar aquelas que estimarem menos eficazes. O Quadro 2
reune alguns desses conceitos.
19
QUADRO 2. Conceitos e / ou componentes de funções executivas
Autor
Lezak (1983)
Baddeley and Hitch (1974)
Norman and Shallice (1986)
Lafleche and Albert (1995)
Borkowsky and Burke (1996)
Anderson et al. (2001b)
Delis et al. (2001)
Hobson and Leeds (2001)
Piguet et al. (2002)
Elliot (2003)
Banich (2004)
Conceitos e / ou componentes de funções executivas
Volição, planejamento, ação intencional, desempenho
efetivo.
Executivo central, alça fonológica e esboço
visuoespacial.
Sistema atencional supervisório.
Manipulação concorrente de informações: flexibilidade
cognitiva, formação de conceitos, comportamento
direcionado.
Manipulação concorrente de informações: flexibilidade
cognitiva, formação de conceitos, comportamento
direcionado.
Controle da atenção, flexibilidade cognitiva, definição
de metas.
Flexibilidade de pensamento, inibição, resolução de
problemas, planejamento, controle de impulsos,
formação de conceitos, pensamento abstrato,
criatividade.
Planejamento, iniciação, preservação e alteração do
comportamento dirigido a metas.
Conceito de formação, raciocínio, flexibilidade
cognitiva.
Resolvendo
novos
problemas,
modificando
comportamentos à luz de novas informações, gerando
estratégias, sequenciando ações complexas.
Organização objetiva e coordenada do comportamento.
Reflexão e análise do sucesso das estratégias
empregadas.
FONTE: María Beatriz Jurado; Mónica Rosselli, 2007.
Os lobos frontais parecem ser relativamente imaturo durante a infância e acredita-se
que o desenvolvimento continue até o início da adolescência, especialmente processos como
arborização, mielinização e sinaptogênese (FUSTER, 1993). Segundo Consenza e Guerra
(2011), o processo de maturação das FEs é contínuo, até o final da adolescência e início da
idade adulta. Diversos estudos demonstraram associações entre a capacidade de FEs e o
desempenho escolar nos primeiros graus do ensino fundamental (MCCLELLAND et al.,
2007; BLAIR et al., 2007). Apesar de vários estudos sobre o desenvolvimento das FEs, ainda
permanece a necessidade de uma maior precisão na avaliação longitudinal das FEs nos
primeiros anos de vida.
Do ponto de vista neurobiológico, as funções executivas estão relacionadas às áreas
pré-frontais (BADDELEY, 1996). As FEs tem conexão com alguns circuitos que envolvem
conexões entre o córtex pré-frontal e os circuitos pré-frontais orbitofrontal, dorsolateral e do
cíngulo anterior. Cada circuito parece estar implicado com elementos específicos das funções
20
executivas (FUSTER et al., 1997) e apresenta suas características funcionais. A manifestação
clínica de uma síndrome disexecutiva depende de quais circuitos foram danificados
(MALLOY-DINIZ et al., 2008).
O circuito pré-frontal dorsolateral está relacionado às funções de antecipação, seleção
de metas, o planejamento, o monitoramento, insight, autoregulação, flexibilidade de
pensamento, memória operacional, capacidade de abstração e resolução de problemas
(ALVAREZ et al., 2006). O circuito pré-frontal orbitofrontal está associado à estratégias
ajustadas comportamentais aplicadas ao ambiente, inibição de impulsos, julgamento social,
atenção e responsabilidades sociais (MEYERS et al., 1992). O circuito do cíngulo anterior
está correlatado a estado de profunda apatia, falha na iniciativa motora ou psíquica e
desmotivação (TENGVAR el al., 2004).
Sintetizando, quase todas as áreas corticais e subcorticais influenciam o CPF
diretamente ou através de algumas sinapses. O CPF também envia conexões recíprocas a
quase todas as áreas que se projetam a ele e para áreas motoras e pré-motoras. Essa posição
distinta do CPF possibilita a condição de integração entre diferentes processos cognitivos
(COZOLINO, 2002).
Existem vários subcomponentes das funções executivas. Entre os diferentes processos
comumente apontados como componentes das funções executivas, destacam-se os descritos
no Quadro 3.
QUADRO 3 - Principais componentes das funções executivas.
Componente
Definição
Aspecto funcional
Memória de
trabalho (ou
Operacional)
Sistema de Armazenamento temporário
de
informações
que
serão
disponibilizadas para outros processos
cognitivos visando à realização de
operações
mentais.
Apresenta
capacidade limitada, auxiliando o
processamento de informações e
gerando uma interface entre a
percepção, memória de longo prazo e
ação sobre o ambiente. Em um dos
modelos mais difundidos na literatura
sobre a Memória operacional, descritos
por Baddeley (2000) este sistema é
caracterizado por um executivo central e
três sistemas escravos que lidam com
informações distintas (a alça fonológica,
o retentor visioespacial e o buffer
A memória operacional permite ao
indivíduo atuar sobre a informação
processada utilizando-a para resolver
problemas de natureza diversificada. A
limitação
da
capacidade
de
armazenamento e manipulação de
informações na memória operacional
está relacionada à dificuldades de
planejamento, solução de problemas
novos e complexos e perda da fluência e
eficiência comportamental.
21
episódico).
Identificação de traços comuns entre
objetos e subsequente agrupamento dos
mesmos em uma categoria definida a
partir destes traços (ex.: cão e gato =
animais).
A categorização é um elemento de
economia cognitiva, organização da
informação em blocos e está relacionada
tanto à capacidade de abstração quanto à
estratégias de armazenamento e
evocação de informações. O pensamento
concreto tem entre seus sustentáculos, as
dificuldades
relacionadas
à
categorização.
Capacidade
de
mudar
(alternar)
dinamicamente
o
curso
do
processamento cognitivo, pensamentos
ou comportamentos conforme as
exigências ambientais.
O comprometimento da flexibilidade
cognitiva está relacionado à sustentação
de
condutas
que
se
mostram
inapropriadas e pouco adaptativas. O
erro perseverativo é um exemplo da
falha na flexibilidade cognitiva.
Controle Inibitório
Capacidade de inibir uma resposta para
a qual o indivíduo apresenta uma forte
tendência, mas que não é adaptativa.
Capacidade de alternar entre rotinas
atencionais automáticas e controladas,
inibição de estímulos distratores
interferentes, capacidade de interromper
uma resposta em curso na medida em
que a mesma se mostra pouco eficiente
ou há uma alternativa mais vantajosa.
O comportamento impulsivo, em
particular a impulsividade motora, surge
como consequência das falhas no
controle
inibitório.
Maior
susceptibilidade
ao
efeito
de
interferência, como o mensurado pelo
efeito stroop também dizem respeito ao
controle inibitório.
Planejamento
Capacidade de identificar objetivos ou
problemas não-imediatos a serem
resolvidos e elaborar uma sequência de
passos temporalmente ordenados para
sua resolução. Envolve escolher a
estratégia que parece mais eficaz,
implementá-la e monitorar a sua
eficácia, analisando suas consequências.
As falhas em qualquer uma das etapas
do planejamento gera no indivíduo
consequências que vão desde o
envolvimento com metas irreais à
escolha equivocada de passos para
alcançar um objetivo. A solução de
problemas é geralmente realizada por
tentativa e erro.
Fluência
Capacidade de o indivíduo emitir de
comportamentos
sequenciais
e
cadenciados dentro de uma estrutura
lógica de regras específicas (verbais ou
não-verbais).
O comportamento não fluente, seja
verbal ou não verbal, pode levar a
condutas impersistentes, lentificadas,
com pouca eficiência temporal ou então
repetitiva.
Monitoramento
Capacidade
de
adequar
o
comportamento às diferentes situações
do quotidiano levando em consideração
a análise de pistas contextuais e as
demandas específicas de cada ambiente.
Envolve a capacidade de adequar as
respostas ao contexto avaliando a
eficiência e pertinência de tais respostas.
A incapacidade de autorregular o
comportamento pode levar a condutas
inapropriadas, descontextualizadas e
pouco eficientes em termos do alcance
de objetivos.
Tomada de
Processo que envolve a escolha entre Na tomada de decisão, o indivíduo deve
Categorização
Flexibilidade
Cognitiva
22
Decisões
duas ou mais alternativas concorrentes
demandando análise de custo e benefício
e de risco de cada opção além da
estimativa de suas consequências em
curto, médio e longo prazo. Pode ocorrer
em situações de risco (em que as
probabilidades
de
desfecho
são
acessíveis) e ambiguidade (em que as
probabilidades de desfecho são inferidas
de forma mais subjetiva).
considerar as consequências de seus atos
em escala temporal, conciliando ganhos
e prejuízos em curto, médio e longo
prazo. As decisões imediatistas são
associadas à impulsividade por não
planejamento e à miopia para o futuro.
FONTE: De Paula e cols, 2013.
Existe uma distinção entre os componentes que fazem parte das FEs, um campo mais
cognitivo e outro abarca aspectos mais afetivos do comportamento. Nesse contexto, na
literatura, alguns autores designam as FEs como “frias” e “quentes”. As FEs “frias” estão
relacionadas com componentes lógicos, conectadas à região pré-frontal dorsolateral
(planejamento e resolução de problemas, memória operacional, atenção, flexibilidade
cognitiva, abstração e julgamento). As FEs “quentes”, atreladas aos circuitos orbitofrontais,
estão relacionadas com os aspectos emocionais e motivacionais (comportamentos impróprios
e impulsivos) (MALLOY-DINIZ et al., 2010).
Representações de síndromes disexecutivas foram descritos no TDAH (POLANCZYK
et al., 2007). Contudo, é respeitável advertir que, nem sempre os testes neuropsicológicos são
sensíveis para identificar déficits de FEs, entretanto, o comprometimento funcional coligado a
problemas de FEs é observado no paciente.
As provas objetivas neuropsicológicas são pouco sensíveis para evidenciar déficits
executivos. O espaço onde o emprego das provas neuropsicológicas é controlado e as
instruções dos testes recomendam caminhos a serem seguidos e permitem o processamento
consciente dos pacientes no cumprimento dos testes, podendo contribuir para gerar respostas
ajustadas. Nesse contexto, indica-se aplicação de testes ecológicos para ponderar seguramente
o desempenho cognitivo dos pacientes, podendo gerar interação com o ambiente menos
controlado. Muitos testes estão disponíveis para capturar componentes específicos das FEs
(GOLDSTEIN, 1996). Comparando com testes mais objetivos, estudos atualizados com
adultos com TDAH, desvendaram que quando as FEs são ajuizadas com tarefas ecológicas os
déficits são distinguidos com mais nitidez (TORRALVA, 2013).
23
2.2 Impulsividade e Agressividade
Impulsividade refere-se ao comportamento que ocorre na ausência de tomada de
decisão consciente. Coloquialmente, a impulsividade é muitas vezes vista como uma
tendência a agir "sem pensar" ou "no impulso do momento", e implica que agimos sem
considerar possíveis consequências ou modos alternativos de ação (MCKAY et al., 2001).
Conforme Bechara e cols (1994), impulsividade pode está relacionada ao fracasso em planejar
com antecedência, exibindo condutas sem refletir.
Segundo Moeller e cols (2008), impulsividade ocorre quando há mudanças no curso
da ação sem que seja feito um julgamento consciente prévio; ocorrem comportamentos
impensados e se manifesta uma tendência a agir com menor nível de planejamento em
comparação a indivíduos com mesmo nível intelectual. A impulsividade é um importante
sintoma presente em vários transtornos psiquiátricos (MOELLER et al., 2001). Em particular,
é um componente essencial do diagnóstico da forma mais prevalente de TDAH (TAYLOR et.
al., 1998; MALLOY-DINIZ et al., 2009).
O impacto do comportamento impulsivo na vida particular é observado em diferentes
condições, sendo associado, por exemplo, ao baixo rendimento acadêmico, abuso no uso de
substâncias psicoativas e comportamento agressivo (SPINELLA, 2004).
Um modelo que explica o comportamento impulsivo foi proposto por Ernst Barratt. O
modelo delineia que a impulsividade é apresentada como três componentes distintos: a)
impulsividade motora: está relacionada a não inibição de respostas inadequadas com o
contexto; b) impulsividade atencional: relacionada à tomada de decisão rápida e c) falta de
planejamento: o comportamento está orientado para o presente (BARRATT et al., 1997;
DIEMEN et al., 2007). Nesse contexto, Patton e cols (1995) referem que a impulsividade é
separada em três elementos: ativação motora (agindo sobre o impulso do momento), atenção
(não se concentrar na tarefa em questão), e falta de planejamento (não planejar e pensar com
cuidado).
Outros pesquisadores, como Bechara e cols., (2000; 2005), propuseram um modelo
multidimensional de impulsividade, no qual são descritos três padrões de impulsividade com
diferenças funcionais, sendo eles: (1) a impulsividade motora (associada a déficits na inibição
de respostas); (2) a impulsividade atencional (dificuldades de atenção e memória de trabalho,
que está relacionada a dificuldades em excluir informações irrelevantes da memória de
trabalho, o que resulta em déficit atencional); e (3) a impulsividade cognitiva (dificuldades de
24
tomada de decisões, dificuldades em adiar gratificações e orientação para o presente, em
detrimento das consequências de longo prazo de um determinado comportamento)
(MALLOY-DINIZ et al.,2014).
Robert e cols. (2008) exibiram dois modelos de impulsividade: no primeiro, a pessoa
tem uma forte motivação e emoção com expressão de desinibição motora (impulsividade
agressiva-comportamental); no segundo, ela reflete controle executivo pobre relacionado à
atenção que pode está relacionado à tomada de decisão ousada em vários domínios funcionais
(impulsividade cognitiva).
Todavia, por outro lado, tem-se o controle de impulsos, que é um mecanismo
inibitório ativo que modula o desejo de reforços primários, como alimentos, sexo ou outras
recompensas altamente desejáveis. Este mecanismo de controle inibitório pode proporcionar o
substrato pelo qual
respostas e reflexos rápidos condicionados são suprimidos
transitoriamente, de modo que mecanismos cognitivos mais lentos podem orientar o
comportamento (WINSTANLEY, 2006).
Do ponto de vista neurobiológico, o córtex pré-frontal dorsolateral juntamente com o
córtex orbitofrontal, exercem uma ação constitucional na regulação da impulsividade
(MATSUO et al., 2009). A serotonina regula as regiões corticais pré-frontais como o córtex
orbitofrontal e o córtex cingular anterior atuando nos receptores 5-HT2 (SIEVER, 2008).
Nesse contexto, baixos níveis de atividade serotoninérgica e dopaminérgica no cérebro estão
relacionados à impulsividade (FERGUSON et al., 2009). Neste caso, a hipótese mais atual
sugere que a neurotransmissão serotoninérgica funciona como um inibidor do comportamento
impulsivo (e/ou agressivo) devido suas projeções diretas para o CPF, e, também, para os
núcleos da base e área tegmentar ventral, envolvidos na neurotransmissão dopaminérgica em
humanos e animais (JONAS et al., 2014).
A agressividade é expressa de diversos modos e é influenciada por uma variedade de
fatores circunstânciais. Prado-Lima (2009) propôs formas de classificar o comportamento
agressivo: a) pelo alvo (dirigido aos objetos, pessoas ou a si próprio) e; b) pelo modo (físico
ou verbal) ou gravidade. Nesse contexto, nomeou duas classificações, que possuem
importantes correlatos com questões neurobiológicas: a agressão premeditada e a agressão
impulsiva. A agressão premeditada é um comportamento planejado que não está
habitualmente associado à frustração nem é provocado por ameaça imediata. Já a agressão
impulsiva não é planejada, mas está associada à percepção de ameaça ou frustração imediata.
Dodge (1991) tinha igualmente feito essa distinção entre agressão premeditada e agressão
25
impulsiva. A agressão premeditada (“proativa”) é motivada pela realização de alguns
conceitos pré-concebidos e é atingido através do emprego de meios instrumentais. Em
contraste, a agressão impulsiva ("reativa") está associada a um estado que, no momento do ato
agressivo, está além de seu controle, são mais espontâneos e resultam de uma incapacidade de
conter a raiva em resposta à frustração percebida ou ameaça. Bennett e cols (2004) mostraram
que o comportamento anti-social reativo estava mais estreitamente relacionado ao TDAH do
que o comportamento anti-social pró-ativo em crianças.
É importante referir que a agressão pode ser apreciada como uma reação natural frente
a situações intimidantes. Entretanto, também pode ser patológica quando a reação é
incombinante com a circunstância.
Uma extensa literatura apoia a noção de que os mecanismos neurobiológicos estão
envolvidos na agressão e violência humana (PRADO-LIMA, 2009). Várias linhas de
evidência sugerem que uma associação entre disfunção serotoninérgica e agressão
interpessoal, tentativas de suicídio e controle de impulso têm sido demonstrada em pacientes
com diagnósticos psiquiátricos (RETZ et al., 2004). Um estudo evidenciou que adultos que
tinham comportamentos hiperativos/impulsivos apresentaram comportamentos criminosos,
enquanto que adultos que exibiram presença isolada de desatenção não exibiram essa conduta
(BABINSKI et al., 1999).
Nesse contexto, a serotonina pode ser responsável pelo controle das reações
agressivas. A diminuição da regulação serotoninérgica no córtex pré-frontal orbital e
mediano, pode diminuir a inibição da resposta, aumentar a impulsividade e a agressão e
aumentar o risco de comportamento suicida (SOLOFF et al., 2007). Portanto, o
comportamento agressivo estaria relacionado a déficits nas FEs e incapacidade de regulação
dos impulsos (MORGAN; LILENFELD, 2000).
Para Raine e Yang (2006), a agressividade impulsiva pode surgir a partir do
desequilíbrio entre o controle descendente, promovido pelo córtex orbitofrontal e pelo giro do
cíngulo anterior, bem como os impulsos ascendentes gerados nas estruturas límbicas, tais
como a amígdala e a ínsula. Outros estudos demonstraram uma relação funcionalmente direta
entre lesões em áreas pré-frontais, suas conexões com áreas cerebrais subcorticais e em áreas
temporais associadas a estruturas límbicas aos comportamentos agressivos (GOLDEN et al.,
1996).
26
2.3 TDAH e as funções executivas
Pessoas com lesões estruturais do córtex pré-frontal apresentam inabilidade de iniciar
tarefas e dificuldades na planificação de ação e incompetência na sequenciação de atividades
visando desígnios apetecidos (GIL, 2002). Essas inaptidões poderão afetar a funcionalidade
da pessoa envolvida e, consequentemente, comprometer sua capacidade de governar
suficientemente suas atividades habituais. Contudo, anormalidades funcionais nessa região
igualmente poderão originar os mesmos sintomas. Nesse contexto, há indicativos de
disfunções frontais no TDAH, onde os sintomas presentes no TDAH são combinantes com
alteração no funcionamento do córtex pré-frontal e de suas conexões com a rede subcortical
(BARKLEY, 1997; BARNETT et. al., 2001).
Alterações do córtex pré-frontal e de suas conexões com a rede subcortical no TDAH
têm sido documentados na literatura (BARKLEY, 1997). Pesquisas têm abordado déficits no
funcionamento executivo associados a esse campo em pessoas com TDAH. Por conseguinte,
portadores adultos que apresentam essas disfunções estão mais suscetíveis a ter baixa
realização acadêmica e menor status socioeconômico confrontados com aqueles portadores
sem essas disfunções (BIEDERMAN et al., 2006).
Estudos têm descoberto que os déficits das FEs são de ampla importância para a
progressão do TDAH da infância para o comportamento anti-social adulto. A performance
prejudicada por crianças com TDAH em uma multiplicidade de testes neuropsicológicos
revelou déficits em várias áreas que incluem memória de trabalho, inibição e planejamento
(BARKLEY, 1997). Associado às funções do lobo frontal, o comprometimento da capacidade
cognitiva nessas áreas pode contribuir para um prognóstico de longo prazo, na medida em que
eles estão subjacentes à auto-regulação e à orientação interna do comportamento (NUCCI et
al., 1982).
Uma revisão sistemática que objetivou analisar o desempenho executivo e atenção em
indivíduos com TDAH adulto, concluiu que as habilidades de atenção, planejamento, inibição
do comportamento e resolução de problemas foram as mais depreciadas, conjuntura que
igualmente foi comparada com a população infantil com TDAH (BALINT at al., 2008). Outro
estudo com indivíduos com TDAH adulto estudou a condição de planificação verbal,
deficiência já estabelecida no indivíduo com TDAH juvenil. Com base nos achados do estudo,
concluiu-se que o planejamento verbal é claramente prejudicado no TDAH adulto
(DESJARDINS et al., 2010).
27
Alloway (2011) investigou os padrões de desempenho da memória de trabalho em
crianças com TDAH fazendo uma correlação com performance acadêmica. O desfecho foi
que esse grupo clínico apresentou déficit de memória de trabalho que afetava os domínios
verbal e visuoespacial. Essa condição pode está relacionada às dificuldades de aprendizagem.
No TDAH, existem determinadas alterações no funcionamento executivo que são mais
comuns: capacidade de controlar, direcionar, gerenciar e integrar funções cognitivas,
emocionais e comportamentais para execução voluntária e consciente dos comportamentos
(DAMÁSIO, 1996).
Seguindo as implicações acima, indivíduos com TDAH, com sintomas de desatenção
ou de hiperatividade-impulsividade ou ambos apresentam déficits de FEs (MATTOS et al.,
2002).
2.4 TDAH e a relação com a impulsividade e agressividade
A impulsividade e a agressividade ocorrem comumente em uma variedade de
transtornos psiquiátricos. No TDAH, a impulsividade se evidencia por dificuldade de
autocontrole e de auto-regulação, de seguir instruções de forma sequenciada e pausada e de
antecipar as consequências de seus atos (ROHDE et al., 2004). Além de o TDAH ser
caracterizado por comportamento desatento e hiperativo, o comportamento impulsivo também
faz parte do conjunto.
A incapacidade de inibição de respostas comportamentais (CHAMBERS, 2009),
como é frequentemente descrita em pessoas com TDAH, é considerada um dos déficits
capitais desse transtorno. O controle inibitório é o processo de extinguir as respostas
concorrentes para selecionar as respostas mais adaptadas, fundamental para adaptar o
comportamento em circunstâncias as mudanças. Numerosos estudos referem que pessoas com
TDAH apresentam um baixo controle inibitório (ARON; POLDRACK, 2005, BARI;
ROBBINS, 2013).
Do ponto de vista neurobiológico, estudos propagam que o TDAH provém de
disfunção no córtex pré-frontal (CASTELLANOS; TANNOCK, 2002; BARKLEY, 1997;
BARNETT et al., 2001). Anormalidades em regiões mais ventrais dos lobos frontais, como o
córtex orbitofrontal, também têm sido observadas no TDAH (HESSLINGER et al., 2002). É
importante ressaltar, que o córtex frontal está envolvido na geração de comportamento
impulsivo. Dano no córtex frontal gera déficits em processos inibitórios e comportamentos
28
agressivos (MANN, 1998; PURVIS & TANNOCK, 2000; KNAPP et al., 2002). A serotonina
regula as regiões corticais pré-frontais, como o córtex orbitofrontal e o córtex cingular
anterior. Os receptores de 5-HT2A estão envolvidos em impulsividade e agressividade
aumentadas e os receptores de 5-HT2C em impulsividade e agressividade diminuídas
(SIEVER, 2008; TOMSON et al., 2016 ). Ou seja, baixa produção do sistema 5-HT no SNC
aumenta a impulsividade.
O TDAH tem sido associado a distúrbios nos sistemas dopaminérgico, serotonérgico e
adrenérgico (CORTESE, 2012) e o sistema de dopamina e serotonina tem influência no
comportamento agressivo (SIEVER, 2008).
A impulsividade está associada a falhas de FEs inibitórias (Posner et al., 1998), onde
as decisões são assumidas precipitadamente, levando a resultados desadaptados ou
relacionadas à atenção seletiva prejudicada (ROBINSON et al., 2008), onde há um
processamento de informação rápido e inadequado, gerando ações ineficazes ou provoca
supressão de uma resposta.
O curso de desenvolvimento para muitas crianças com TDAH é caracterizado por uma
remissão de sintomas centrais e desistência do comportamento inadaptado com a idade, onde
a passagem para a idade adulta para outras crianças com TDAH é marcada pela progressão do
comportamento anti-social violento. Um padrão ininterrupto de agressão física entre as
crianças com TDAH parece ser de grande importância quando se prevê um desfecho a longo
prazo, indicando uma maior probabilidade de progressão para o comportamento anti-social
adulto (MCKAY, 2001).
Porém, é importante destacar, que estudos mostram que no caso dos adultos, TDAH
tipo desatento e TDAH tipo combinado são os mais comumente identificados. Com
estimativas de grandes amostras, estudos (N100) indicam taxas de 56-62% para o TDAH tipo
combinado, 31-37% para o TDAH tipo desatento e 2-7% para TDAH tipo hiperativoimpulsivo
(MILLSTEIN;
WILENS;
BIEDERMAN;
SPENCER,
1997;
WILENS;
BIEDERMAN; SPENCER, 2009).
A gravidade do TDAH não se deve exclusivamente a falta de atenção e impulsividade,
mas também está associada a sintomas de conduta que levam à agressão, à delinqüência, a
comportamentos anti-sociais e abuso de substâncias (PATEL; BARZMAN, 2013). Outro
estudo (BACSKAI et al., 2012) concluiu que o TDAH pode desempenhar um papel
importante no desenvolvimento de agressão, depressão e suicídio em indivíduos dependentes
29
de drogas. Os resultados destacaram a importância da investigação diagnóstica do TDAH no
tratamento de pacientes dependentes de drogas.
Um estudo de revisão realizado por Mogavero e cols (2016), concluiu que os genes do
relógio são prováveis genes de risco para a suscetibilidade do TDAH e agressão através da
modulação dos sistemas neurotransmissores. Em conjunto, estes estudos em animais
sugeriram que a expressão alterada do gene do relógio e as anormalidades circadianas afetam
o funcionamento do sistema neurotransmissor e podem assim estar associadas ao TDAH e à
agressão.
30
3 OBJETIVOS
3.1 GERAL
Realizar avaliação neuropsicológica das funções executivas, impulsividade e
agressividade, visando detectar déficits neuropsicológicos e comportamentais em pessoas
adultas com diagnóstico de TDAH.
3.2 ESPECÍFICOS
Investigar possíveis déficits neuropsicológicos em pessoas com diagnóstico de TDAH;
Identificar os níveis de impulsividade em pessoas com TDAH;
Averiguar os níveis de agressividade nessa população.
31
4. METODOLOGIA
4.1 Tipo de Estudo
Trata-se de um estudo de natureza quantitativa, com delineamento transversal
correlacional.
4.2 Aspectos éticos
O estudo foi realizado durante o período de março a dezembro de 2016, após a
aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas em
dezembro de 2015, sob o CAAE: 51329115.0.0000.5013 e parecer 1.350.430 (APÊNDICE
A). Os participantes do estudo assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE), segundo as normas estabelecidas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de
Saúde para as pesquisas envolvendo seres humanos (APÊNDICE B).
4.3 Participantes da pesquisa e amostragem
A amostra da pesquisa foi composta por dois grupos, sendo eles o Grupo de 21
pessoas com TDAH (G1); o grupo de 19 pessoas no grupo controle (GC), composto por
indivíduos sem TDAH. A amostra foi composta por indivíduos amostrados por conveniência
no total. Nenhum participante desistiu participar da pesquisa.
4.3.1 Critérios de inclusão e exclusão
4.3.1.1 Critérios de Inclusão Grupo G1:
Ter idade entre 18 e 50 anos;
Ter diagnóstico de TDAH de acordo com os critérios do DSM-5 (American
Psychiatric Association, 2013).
Resultado do Teste não Verbal de Inteligência Geral – BETA-III acima de 40 em
ambos os subtestes.
4.3.1.2 Critérios de Inclusão Grupo GC:
Ter idade entre 18 e 50 anos;
Não ter diagnóstico de TDAH.
32
Resultado do Teste não Verbal de Inteligência Geral – BETA-III acima de 40 em
ambos os subtestes.
4.3.1.3 Critérios de Exclusão para os Grupos G1 e GC:
Outro diagnóstico de transtornos psiquiátricos (DSM-5);
Doenças clínicas graves, como: problemas renais graves, hiper e hipotireoidismo,
neoplasias;
História de doença do Sistema Nervoso Central (e.g., epilepsia, meningite/encefalite,
acidente vascular cerebral), ou seja, doenças neurológicas que provocam o surgimento
de déficits cognitivos, principalmente nas funções executivas.
História de traumatismo craniano com perda de consciência, uma vez que pode existe
deterioração neurológica, podem surgir vários sintomas conforme a localização das
lesões;
Resultado do Teste não Verbal de Inteligência Geral – BETA-III abaixo de 40 em
ambos os subtestes.
4.4 Local da pesquisa
Centro de Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva e Comportamental – NEUROPSI.
Todos os testes para coleta de dados foram aplicados em um ambiente controlado e
individualizado, o que proporcionou uma avaliação adequada aos sujeitos da pesquisa, com o
máximo de privacidade possível.
4.5 Instrumentos
4.5.1 Instrumentos empregados na triagem
a) ASRS (ANEXO A) - Escala de Auto-Avaliação para Diagnóstico do Transtorno de
Déficit de Atenção/Hiperatividade em Adultos. É uma Escala de Auto-Aplicável de
TDAH em Adultos (ASRS V1.1) onde seu sistema de classificação foram
desenvolvidos em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Grupo
de Trabalho sobre TDAH em Adultos (KESSLER et al., 2005). Na escala ASRS 18
admite-se que a pontuação total acima de 24 pontos é fortemente sugestiva de TDAH.
Outra forma de interpretar a escala é seguir o mesmo ponto de corte estabelecido no
DSM-5, ou seja, são considerados como tendo diagnóstico possível aqueles indivíduos
que apresentam, no mínimo, seis sintomas em pelo menos um dos domínios
33
(desatenção – itens 1 a 9 da parte A – e hiperatividade-impulsividade – itens 1 a 9 da
parte B) ou em ambos.
b) Escala de Brown para Transtorno do Déficit de Atenção (BROWN, 1996)
(ANEXO B) - que é uma escala para Transtorno do Déficit de Atenção, que possibilita
a avaliação de sintomas de TDAH em adultos. É autoaplicável, que focaliza sintomas
cognitivos atencionais e organizacionais, as incapacidades afetivas comuns, bem como
os sintomas de comportamento hiperativo. Para correção, soma-se todas as pontuações
para obter a pontuação total. Quando a pontuação total tem um resultado menor que
40, significa que o TDAH é possível, mas não necessariamente, entre 40-54, denota
que o TDAH é provável, mas não com certeza e 55 ou mais, que o TDAH é altamente
provável (BROWN, 1996).
4.5.2 Instrumentos utilizados na avaliação neuropsicológica das funções executivas
a) Teste de Trilhas (ANEXO C) - Consiste no sujeito conectar com lápis, no menor
tempo possível e em ordem crescente, 25 números (forma A) e números alternados
com letras (forma B), avaliando atenção focada e dividida, atenção seletiva,
velocidade de processamento perceptual e flexibilidade mental (LEZAK, 2004, p.365).
b) Teste de Stroop (ANEXO D) - Utilizado para medir o controle executivo e a
concentração, ou para fazer o rastreio da disfunção cognitiva (CASTRO, CUNHA e
MARTINS, 2000). É constituído por duas partes, e em cada uma delas cronometra-se
o tempo e anota-se o número de erros. Na primeira parte, o indivíduo deve nomear a
cor em que cada palavra foi escrita, independente do conteúdo verbal do estímulo. Na
segunda parte, o estímulo apresentado é semelhante ao da primeira parte, mas os
estímulos verbais são nomes de cores que não correspondem à cor da impressão,
devendo o indivíduo ignorar o conteúdo verbal e nomear a cor em que cada palavra foi
impressa, no menor tempo possível (LEZAK, 2004).
c) Digit Span (ANEXO E) - Avalia principalmente a capacidade de memória de trabalho
e a atenção (KAUFMAN; 1994). Na parte 1, o examinando repete na mesma ordem os
números enunciados pelo aplicador; na parte 2, o examinando repete na ordem inversa
os números enunciados pelo aplicador. Cada acerto na parte 1 e 2 equivale a 1 ponto.
O escore total é a soma das duas partes.
d) Wisconsin Card Sorting Test – WCST (Teste Wisconsin de Classificação de
Cartas) (ANEXO F) - Tem o objetivo de avaliar as funções executivas, entre elas a
34
capacidade alterar e manter estratégias em resposta a mudanças de contingências
ambientais, e utilizar o feedback, e requer do sujeito planejamento estratégico,
organização, comportamento orientado para metas e capacidade para modular a
resposta impulsiva. O teste consiste em quatro cartões de estímulos, colocados em
frente ao examinando, sendo o primeiro com um triângulo vermelho, o segundo com
duas estrelas verdes, o terceiro com três cruzes amarelas, e o quarto cartão com quatro
círculos azuis. É, então, dado ao indivíduo dois montes contendo 64 cartões resposta
cada um deles, os quais têm desenhos similares aos que estão nos cartões de estímulo,
variando em cor, forma geométrica e número. É solicitado ao examinando que faça a
correspondência com um dos quatro cartões de estímulos e é dado um feedback toda
vez que o sujeito está certo ou errado. Nenhuma advertência é feita para a mudança
das regras, que podem ser alteradas a qualquer momento (STRAUSS, SHERMAN,
SPREEN, 2006, p. 526-527).
4.5.3 Instrumentos usados na avaliação do potencial intelectual
a) Teste não Verbal de Inteligência Geral – BETA-III (ANEXO G) - É um
instrumento de medida de habilidades intelectuais não verbais. O subteste Códigos
caracteriza-se como uma medida de velocidade de processamento e o Raciocínio
Matricial avalia o processamento de informações visuais e raciocínio abstrato. No
subteste Raciocínio Matricial o examinando recebe as instruções de acordo com o
manual, realiza o treino disponível e, em seguida, responde ao teste no tempo de cinco
minutos; no subtestes Códigos os procedimentos de instrução seguem o mesmo
protocolo e o examinando tem dois minutos para responder ao teste (RABELO et.al.,
2011).
4.5.4 Instrumento para medir impulsividade
a) Escala de Impulsividade de Barratt (BIS-11) (ANEXO H) - Esta escala destina-se
primariamente a análise do comportamento impulsivo. Ela é útil na identificação de
diferentes padrões de impulsividade em diversos quadros neurológicos, assim na
avaliação do impacto de transtornos mentais sobre a cognição. A BIS-11 permite a
avaliação de três subdomínios da impulsividade: impulsividade motora, impulsividade
atencional e impulsividade por não-planejamento (MALLOY-DINIZ et al., 2010).
Para cada frase, o examinando deve julgar de acordo com uma escala likert de 4
35
pontos se o comportamento em questão ocorre nunca ou raramente (1 ponto),
ocasionalmente (2 pontos), frequentemente (3 pontos) ou muito frequentemente (4
pontos). O escore máximo da escala é de 120 pontos.
4.5.5 Instrumento para medir agressividade
a) Questionário de Agressão de Buss-Perry (ANEXO I) - Avalia a agressão em quatro
componentes: agressão física, agressão verbal, raiva e hostilidade (BUSS; PERRY,
1992). Para cada frase, o examinando deve indicar o quanto concorda com ou discorda
de cada pergunta – discorda totalmente (1 ponto), discordo em parte (2 pontos), nem
concordo nem discordo (3 pontos), concordo em parte (4 pontos), concordo totalmente
(5 pontos).
4.5.6 Avaliação da capacidade de tomada de decisão
a) Iowa Gambling Task (IGT) (ANEXO J) - É uma tarefa elaborada para simular
situações da vida real de tomada de decisão, de planejamento e estratégias, em
condições de incerteza, de acordo com a recompensa ou punição (BECHARA;
DAMASIO; DAMASIO; ANDERSON, 1994).
b) Teste dos Dilemas Morais (ANEXO K) - Será utilizado o Teste dos Dilemas Morais,
no qual é dividido em dois subtestes (Moral pessoal e Moral Impessoal), onde o
indivíduo deverá tomar uma decisão de caráter moral pessoal e impessoal.
4.6 Procedimentos
Inicialmente, foi feita uma triagem dos sujeitos para participação na pesquisa. Foram
selecionados 21 pacientes com diagnóstico de TDAH estabelecido de acordo com os critérios
do DSM-5. Os pacientes avaliados foram encaminhados pelos médicos psiquiatras e
diagnosticados por eles. Os profissionais foram previamente orientados pelo pesquisador
sobre os critérios de inclusão e exclusão. Os sujeitos foram convidados a participar da
pesquisa e aceitaram preencher e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O
anonimato e o sigilo foram asseverados aos participantes, bem como todos foram
devidamente informados sobre os objetivos e procedimentos da avaliação neuropsicológica,
garantindo a devolução de informação sobre os resultados dos testes para todos os que assim
36
desejarem. Uma vez que os sujeitos foram enquadrados no perfil do estudo, o profissional
responsável apresentou o presente estudo e o convidou a participar voluntariamente do
mesmo.
O grupo controle foi composto por pessoas da comunidade. O grupo controle seguiu
os mesmos critérios idade, QI, nível de escolaridade e assinatura do termo de consentimento
livre e esclarecido. Todos os participantes foram informados sobre os objetivos gerais da
pesquisa. A ordem para aplicação dos outros instrumentos foi igual para todos os
participantes. Num primeiro momento, os participantes foram esclarecidos sobre o estudo em
questão e acerca do anonimato e do sigilo de suas respostas, para em seguida foram
solicitados a declarar se desejavam ou não participar deste estudo. Aqueles que indicaram que
sim, foram requeridos a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foi garantido
o caráter voluntário da participação, bem como o respeito às diretrizes éticas que regem a
pesquisa com seres humanos. Em seguida foi realizado um questionário de dados sóciodemográficos (APÊNDICE C) que possibilitou a identificação dos sujeitos, bem como
conhecer o perfil dos sujeitos. Em seguida, foi aplicado a prova usada na avaliação do
potencial intelectual. Na sequencia, foi aplicado os instrumentos empregados na triagem,
depois os instrumento para medir impulsividade e agressividade e, por último, os
instrumentos utilizados na avaliação neuropsicológica das funções executivas. Foi realizada a
avaliação neuropsicológica das funções executivas, com testes padronizados e validados para
a população brasileira.
Nenhum sujeito interrompeu sua participação no estudo.
Este estudo não envolveu engodo nem constrangimento e riscos para os seus
participantes, foi necessário o tempo médio de 1 hora e 30 minutos de sua atenção para
realização dos testes.
5. ANÁLISE DOS DADOS
Foi utilizado o software IBM Statistical Package for the Social Sciences (IBM SPSS),
versão 23, para a realização dos procedimentos estatísticos. Foram efetuadas, num primeiro
momento, estatísticas descritivas, média, desvio padrão, erro padrão e intervalo de confiança IC de 95%) e de frequência e percentagem, para a descrição da amostra e dos instrumentos
utilizados; seguidos das estatísticas inferenciais, isto é, de tomada de decisão. Foram
37
utilizados testes paramétricos, a saber, testes t de Student - para medir diferenças entre os
grupos. O nível de significância estabelecido foi de 0,05.
6. RESULTADOS
Os dados referentes às características da amostra, no que se refere a dados
sociodemográficos, estão disponibilizados nas tabelas de 1 a 5, e os dados referentes ao
quociente de inteligência estão dispostas na tabela 6. Inicialmente foram calculados a média e
desvio padrão, ou estatística descritiva, com as características dos dois grupos. A tabela 7
apresenta o Teste t independente para diferenças entre grupo controle e TDAH para todos os
testes e inventários aplicados.
Tabela1. Frequência por sexo
TDAH
Sexo
Masculino
Feminino
Total
Fonte: Autor, 2017.
Frequência
10 (47,6%)
11 (52,4%)
21 (100%)
CONTROLE
Sexo
Frequência
Masculino
6 (31,6%)
Feminino
13 (68,4%)
19 (100%)
Total
Como pode ser observado na tabela 1, o grupo experimental (TDAH) é composto por
10 indivíduos do sexo masculino (47,6%) e 11 indivíduos do sexo feminino (52,4%); já o
grupo controle é formado por 6 indivíduos do sexo masculino (31,6%) e 13 indivíduos do
sexo feminino (68,4%).
Tabela 2. Média, desvio padrão, mínimo e máximo, erro padrão e intervalo de confiança de
95%.
Média
Desvio
Padrão
Mínimo-Máximo
Erro
Padrão
IC95%
35,43
7,78
20-50
1,69
31,89, 38,97
26,79
7,07
18-43
1,62
23,38, 30,20
Grupo TDAH
Idade
Grupo Controle
Idade
Fonte: Autor, 2017.
Na tabela 2 estão dispostos os dados referentes a idade dos indivíduos dos grupos
experimental (TDAH) e controle. Verifica-se que o grupo TDAH apresenta idade média de
35,43 anos (DP 7,78) e o grupo Controle, média de idade de 26,79 anos (DP 7,07).
38
Tabela 3. Características da amostra – G1 (n=21) e GC (n=19), profissão,
escolaridade, estado civil.
G1 – Grupo TDAH
GC – Grupo Controle
Profissão
Advogado
Estudante
Professor
Servidor
Psicólogo
Empresário
Outros
5 (23,8%)
5 (23,8%)
2 (9,5%)
3 (14,3%)
6 (28,6%)
2 (10,5%)
6 (31,6%)
2 (10,5%)
3 (15,8%)
6 (31,6%)
Escolaridade
Médio Completo
Superior Incompleto
Superior Completo
Pós-Graduação
5 (23,81%)
9 (42,1%)
7 (33,3%)
2 (10,5)
6 (31,6)
8 (23,8%)
3 (15,8%)
Estado Civil
Solteiro
Casado
Divorciado
7 (33,3%)
12 (57,1%)
2 (9,5%)
15 (79%)
4 (21%)
-
18 (85,7%)
3 (14,3%)
13 (68,4%)
6 (31,6%)
Variáveis
Ocupação Atual
Trabalhando
Estudante
Fonte: Autor, 2017.
Em relação a uso de medicamentos, o grupo de pacientes com TDAH revelaram que
72,2% faziam uso de medicamento, enquanto 28,2% não. Já o grupo controle, 15,8% usavam
medicamentos, enquanto 84,2% não usavam. Quando questionados quanto ao tipo de
medicamento, o grupo TDAH exibiu que 25% usavam ritalina®, 25% concerta® e 50%
outros medicamentos. Já o grupo controle narrou que 33,3% usavam puranT4®, 33,3%
venlifit® e 33,3% corticoide (não especificado).
Tabela 4. Características da amostra – grupos G1 (n=21) e GC (n=19), ocupação, doença,
tipo de doença.
G1 – Grupo TDAH
GC – Grupo Controle
39
Variáveis
Ocupação Atual
Trabalhando
Estudante
Doença
Sim
Não
Tipo de Doença
Depressão
Hipotireoidismo
Asma
Ansiedade
Tireoide e
Hipertensão
Pânico e Ansiedade
Frequência (%)
18 (85,7%)
3 (14,3%)
13 (68,4%)
6 (31,6%)
7 (33,3%)
14 (66,7%)
5 (26,3%)
14 (73,7%)
2 (28,6%)
1 (14,3%)
1 (14,3%)
1 (14,3%)
1 (14,3%)
1 (20%)
1 (20%)
2 (40%)
1 (20%)
-
1 (14,3%)
-
Fonte: Autor, 2017.
As tabelas 3 e 4 apresentados dados referentes às características sócio demográficas
dos grupos. Observa-se que, no quesito profissão, há uma grande diversidade de papeis
ocupacionais, distribuídos da seguinte forma: no grupo TDAH tem-se 23,8% formado por
advogados, 23,8% de professores, 9,5% servidor público, 14,3% é composto por empresários
e 28,6% com outras profissões; no grupo controle 10,5% dos sujeitos são advogados, 10,5%
servidor público, 31,6% dos sujeitos são estudantes, 15,8% são psicólogos e 31,6% exercem
outras atividades.
Em relação à escolaridade os grupos são assim constituídos: grupo experimental conta
com 23,8% de indivíduos com ensino superior incompleto, 42,9% de sujeitos com ensino
superior completo e 33,3% com pós-graduação; o grupo controle é composto de 15,5% de
indivíduos com ensino médio completo, 31,6% com ensino superior incompleto, 42,1% com
ensino superior completo e 15,8% com pós-graduação.
No que se refere a estado civil tem-se o grupo TDAH formado por 33,3% dos sujeitos
solteiros, 57,1% casados e 9,5% divorciados; no grupo controle 79% dos sujeitos eram
solteiros e 21% casados. Em se tratando da ocupação atual tem-se o grupo TDAH com 85,7%
dos sujeitos trabalhando e 14,3% estudando, enquanto que o grupo controle conta com 68,4%
dos sujeitos trabalhando e 31,6% estudando.
Em relação ao quesito doença, verifica-se que o grupo TDAH apresenta um percentual de
33,3% dos sujeitos com algumas doenças (senda a de maior prevalência neste grupo a
depressão que acomete 28,6% dos sujeitos) e o grupo controle tem 26,3% dos sujeitos com
40
alguma doença (sendo asma a de maior prevalência, acometendo 40% dos sujeitos doentes
desse grupo).
Tabela 5. Características da amostra – grupos G1 (n=21) e GC (n=19), Uso de álcool/outras
drogas, Consumo de álcool/outras drogas.
G1 – Grupo TDAH
Variáveis
GC – Grupo Controle
Frequência (%)
Uso de
álcool/outras
drogas
Sim
Não
12 (57,1%)
9 (42,9%)
11 (57,9%)
8 (42,1%)
Consumo de
álcool/outras
drogas
Socialmente
Fim de semana
Raramente
Outros
5 (41,7%)
2 (16,7%)
2 (16,7%)
3 (24,9%)
3 (27,3%)
6 (54,5%)
2 (18,2%)
-
Fonte: Autor, 2017.
A tabela 5 apresenta os dados relacionados ao uso de substâncias psicoativas.
Observa-se que no grupo TDAH 57,1% dos sujeitos fazem uso de álcool e/ou outras drogas,
enquanto 42,9% dizem não usar nenhuma substância. No grupo controle observa-se que
57,9% dos sujeitos fazem uso de substâncias psicoativas, e 42,1% relatam não fazer uso.
Quanto à frequência de uso, a maioria dos indivíduos do grupo TDAH que fazem uso (41,7%)
relatam que usam socialmente; já no grupo controle, dos que fazem uso, a maioria (54,5%),
afirmam que fazem uso apenas nos finais de semana.
Tabela 6. Média, desvio padrão, mínimo e máximo, erro padrão e intervalo de confiança de
95% para o teste Beta grupo TDAH (n= 21) e grupo controle (n=19)
Média
Desvio
padrão
Mínimo-máximo
Erropadrão
IC 95%
Códigos
60
17,53
30 – 90
3,83
52,02, 67,98
Raciocínio Matricial
58,81
26,35
10 – 90
5,75
46,81, 70,81
Variáveis
GRUPO TDAH
GRUPO
CONTROLE
41
Códigos
58,61
24,42
10 – 90
5,75
46,47, 70,76
Raciocínio Matricial
65,83
22,37
20 – 90
5,27
54,71, 76,96
Fonte: Autor, 2017.
No que se refere ao nível intelectual – QI medido pelo Beta-III, subtestes Raciocínio e
Códigos – os grupos apresentam as seguintes características: no subtestes Raciocínio o G1
(M= 58,81; DP=26,35), o G2 (M= 65,83; DP=22,37) e para o subteste Códigos o G1 (M=60;
DP=17,53), o G2 (M=58,61; DP=24,42), como está disposto na tabela 5.
Tabela 7. Teste t independente para diferenças entre grupo controle e TDAH
Grupo
M
DP
TDAH 1,09 1,84
Stroop C Erro*
Controle 0,42 0,83
TDAH 8,47 2,35
Dígitos ordem
direta
Controle 7,78 1,18
TDAH 5,14 2,24
Dígitos ordem
inversa
Controle 6,31 2,64
TDAH 0,14 0,35
Trilhas A Erro*
Controle 0,10 0,31
TDAH 1,47 2,44
Trilhas B Erro*
Controle 0,68 1,41
TDAH 22,42 12,58
Wisconsin Erros P
Controle 19,31 8,23
TDAH 5,28 3,49
Wisconsin
Categorias
Controle 6,00 2,49
TDAH -0,57 20,49
Iowa Gambling
Task
Controle 10,63 21,90
TDAH 2,18 0,51
Impulsividade
motora
Controle 1,99 0,53
TDAH 2,62 0,50
Impulsividade por
não-planejamento Controle 2,36 0,47
TDAH 3,17 0,54
Impulsividade
atencional
Controle 2,32 0,58
TDAH 2,59 0,47
Impulsividade geral
Controle 2,19 0,48
TDAH 2,03 0,81
Agressão física
Controle 1,98 0,77
TDAH 2,61 0,85
Agressão verbal
Controle 2,50 0,86
TDAH 2,89 1,18
Raiva
Controle 2,71 1,10
TDAH 3,18 0,82
Hostilidade
Controle 2,68 0,74
Agressão geral
TDAH 2,73 0,78
EP
t
0,40 1,46
0,19
0,51 1,14
0,27
0,48 -1,51
0,60
0,07 0,35
0,07
0,53 1,23
0,32
2,74 0,91
1,88
0,76 -0,84
0,57
4,47 -1,67
5,02
0,11 1,09
0,12
0,11 1,67
0,10
0,12 4,71
0,13
0,10 2,59
0,11
0,18 0,18
0,17
0,19 0,41
0,19
0,26 0,49
0,25
0,18 1,98
0,17
0,17 1,05
gl
p
38,0 0,152
DM
0,67
IC de 95%
d
LI LS
0,46 -0,25 1,60
38,0 0,259
0,68
0,36 -0,52 1,90
38,0 0,138 -1,17 -0,48 -2,73 0,39
38,0 0,728
0,03
0,11 -0,18 0,25
38,0 0,224
0,79
0,39 -0,50 2,08
38,0 0,366
3,11
0,29 -3,77 9,99
38,0 0,403 -0,82 -0,26 -2,78 1,14
38,0 0,103 -11,20 -0,52 -24,77 2,37
37,0 0,279
0,18
0,35 -0,15 0,52
37,0 0,103
0,26
0,53 -0,05 0,57
37,0 < ,001
0,84
1,51
0,48 1,21
37,0 0,014
0,39
0,83
0,08 0,70
37,0 0,855
0,04
0,05 -0,47 0,56
37,0 0,684
0,11
0,13 -0,44 0,66
37,0 0,624
0,18
0,15 -0,56 0,92
37,0 0,055
0,49
0,63 -0,01 1,00
37,0 0,300
0,25
0,33 -0,23 0,75
42
ASRS A
ASRS B
Brown
Controle
TDAH
Controle
TDAH
Controle
TDAH
Controle
2,47
2,80
1,85
2,53
1,71
1,88
1,15
0,74
0,86
0,92
0,81
0,78
0,67
0,74
0,17
0,18
0,21
0,17
0,18
0,15
0,17
3,36
38,0 0,002
0,95
1,06
0,37 1,52
3,24
38,0 0,002
0,82
1,02
0,31 1,34
3,20
37,0 0,003
0,72
1,02
0,26 1,18
Fonte: Autor, 2017.
Nota. M = Média; DP = Desvio padrão; EP = Erro padrão; t = Teste t de student; gl = Grau de liberdade; p =
Valor de p; DM = Diferença entre os escores médios; d = d de Cohen - Cohen (1992) recomenda que, para o
tamanho do efeito de teste t, 0,20 é um efeito pequeno, 0,50 é um efeito médio e 0,80 é um efeito grande; LI =
Limite inferior; LS = Limite superior.
A comparação das médias entre os grupos TDAH e controle em relação às variáveis de
interesse foi mensurada via teste t independente. O nível de significância estabelecido foi de
0,05. Utilizou-se o d de Cohan para indicar o tamanho do efeito.
Em relação ao Stroop C Erro, o teste t [t(38) = 1,46, p = 0,152] indicou que não existe
diferença com significância estatística entre o grupo com TDAH (M = 1,09; DP = 1,84) e o
Controle (M = 0,42; DP = 0,83). No que diz respeito ao Digit Span, também não foram
observadas diferenças estatisticamente significativas tanto na ordem direta [t(38) = 1,14, p =
0,259], quanto na ordem inversa [t(38) = -1,51, p = 0,138]. Neste instrumento, o grupo
controle apresentou médias de 7,78 (DP = 1,18) e 6,31 (DP = 2,64), ao passo que o grupo
experimental mostrou escores médios de 8,47 (DP = 2,35) e 5,14 (DP = 2,24) para as ordens
direta e inversa, respectivamente. Os grupos pesquisados não apresentaram diferenças
significativas do ponto de vista estatístico quando analisados os erros das Trilhas A [t(38) =
0,35, p = 0,728], e das Trilhas B [t(38) = 1,23, p = 0,224]. Nessas análises, o grupo controle
indicou escores médios de 0,10 (DP = 0,31) e 0,68 (DP = 1,41) e o grupo experimentou, por
sua vez, revelou médias de 0,14 (DP = 0,35) e 1,47 (DP= 2,44) para as versões A e B,
respectivamente. No WCST, não houve diferença com significância estatística quando
analisados os índices de Erros Perseverativos [t(38) = 0,91, p = 0,366] e Categorias [t(38) = 0,84, p = 0,403] entre os grupos em questão. O grupo controle mostrou médias de 19, 31 (DP
= 8,23) e 6,10 (DP = 2,49) e o grupo TDAH indicou escores médios de 22,42 (DP = 12,58) e
5, 28 (DP = 3,49) para os índices de Erros Perseverativos e Categorias, respectivamente. No
que tange à tendência geral no IGT, o teste t [t(38) = -1,67, p = 0,103] indicou que não há
diferença estatisticamente significante entre os grupos TDAH (M = -0,57; DP = 20,49) e
controle (M = 10, 63 ; DP = 21,90).
43
Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os escores
médios de Impulsividade Motora [t(37) = 1,09, p = 0,279] e Impulsividade Por Não
Planejamento [t(37) = 1,67, p = 0,103] entre os grupos pesquisados. O grupo controle
apresentou médias de 1,99 (DP = 0,53) e 2,36 (DP = 0,47), ao passo que o grupo experimental
mostrou escores médios de 2,18 (DP = 0,51) e 2,62 (DP = 0,50) para Impulsividade Motora e
Impulsividade Por Não Planejamento, respectivamente. Contudo, em relação à Impulsividade
Atencional, o teste t [t(37) = 4,71, p < 0,001] indicou que existe diferença com significância
estatística com diferença média de 0,84 (IC 95% 0,48 - 1,21) e efeito grande (d = 1,51) Cohen (1992) recomenda que, para o tamanho do efeito de teste t, 0,20 é um efeito pequeno,
0,50 é um efeito médio e 0,80 é um efeito grande, com o grupo TDAH (M = 3,17, DP = 0,54)
apresentando maior escore médio que o grupo controle (M = 2,32, DP = 0,58). Do mesmo
modo, o grupo TDAH (M = 2,59, DP = 0,47) apresenta maior escore médio em relação ao
grupo controle (M = 2,19, DP = 0,48) com diferença média de 0,39 (IC 95% 0,08 - 0,70) e
efeito grande (d = 0,83) quando avaliada a Impulsividade Global. Nesta análise, o teste t
[t(37) = 2,59, p = 0,014] indicou que há diferença estatisticamente significante entre os
grupos.
Indica-se que não houve diferença estatística significativa entre os escores médios de
Agressividade Física [t(37) = 0,18, p = 0,855], Agressividade Verbal [t(37) = 0,41, p = 0,684],
Raiva [t(37) = 0,49, p = 0,624] e Agressividade Geral [t(37) = 1,05, p = 0,300] entre os
grupos estudados. O grupo controle apresentou médias de 1,98 (DP = 0,77), 2,50 (DP = 0,86),
2,71 (DP = 1,10) e 2,47 (DP = 0,74), ao passo que o grupo experimental mostrou escores
médios de 2,03 (DP = 0,81), 2,61 (DP = 0,85), 2,89 (DP = 1,18) e 2,73 (DP = 0,78) para
Agressividade Física, Agressividade Verbal, Raiva e Agressividade Geral, respectivamente.
Em contrapartida, o teste t [t(37) = 1,98, p = 0,055] indicou que existe diferença com
significância estatística entre o grupo com TDAH e o controle em relação à hostilidade. A
diferença foi de 0,49 (IC 95% -0,01, 1,00), com efeito mediano (d = 0,63). O grupo TDAH
(M = 3,18; DP = 0,82) apresentou maior escore médio que o grupo controle (M = 2,68, DP =
0,74).
Reporta-se diferença média de 0,95 (IC95% 0,37 – 1,52), correspondente a um grande
efeito (d=1,06), entre os escores da escala ASRS A nos grupos experimental (M= 2,80, DP=
0,86) e controle (M= 1,85, DP= 0,92). O teste t [t(38)=3,363, p=0,002] indicou que existe
diferença estatisticamente significativa entre esses grupos. Do mesmo modo, houve diferença
com significância estatística [t(38)=3,24, p=0,002] de grande efeito (d= 1,02) quando
44
analisada a escala ASRS B. A diferença média entre os grupos controle (M= 1,71, DP= 0,78)
e experimental (M=2,53, DP= 0,81) foi de 0,82 (IC95% 0,31 – 1,34). Nota-se que em ambos
os fatores da escala ASRS o grupo TDAH apresentou maiores médias.
Sobre a escala Brown, o teste t [t(37) = 3,20, p = 0,003] indicou que existe uma
diferença média estatisticamente significativa de 0,72 (IC 95% 0,26 - 1,18) com mediano
efeito (d = 0,72), na qual o grupo com TDAH (M = 1,88; DP = 0,67) apresentou maior escore
médio que o Controle (M = 1,15; DP = 0,74).
45
Gráficos Dilemas Morais
Embora os gráficos aparentem diferença entre os grupos com o afastamento das linhas, não há
significância estatística para distinção ou relação entre as variáveis.
46
6. DISCUSSÃO
O objetivo principal deste estudo foi avaliar a presença de déficits neuropsicológicos
das funções executivas, impulsividade e agressividade em pacientes adultos com diagnóstico
de Transtorno de Déficit de Atenção, Hiperatividade e Impulsividade.
Os testes empregados no presente estudo foram eleitos com apoio em trabalhos
antecedentes. De forma geral, as implicações do presente estudo não forneceram diferenças
com significância estatística no campo da cognição entre o grupo experimental (TDAH) e o
grupo controle saudável, tendo como meio o uso de testes neuropsicológicos. Os resultados de
vários estudos não mostram consistência entre eles, apreciando que existe uma variação de
testes usados para avaliar funções cognitivas, gerando problemas na comparação entre os
estudos. Entretanto, esses resultados são consistentes com a hipótese de Barkley, que indica
que os testes neuropsicológicos tem pouco poder discriminativo para identificar algum
problema em adultos com TDAH.
Um estudo de Barkley e Murphy (2010), investigou déficits de FEs, avaliados por
exames de autoavaliações (problemas ocupacionais auto-relatados) relacionadas com FEs e
provas neuropsicológicas. Três grupos de adultos foram recrutados em função da gravidade
do TDAH: diagnóstico de TDAH (n = 146), controles clínicos auto-referentes para TDAH,
mas não diagnosticados com ele (n = 97) e controles comunitários (n = 109). Os grupos foram
combinados e as análises revelaram que as auto-avaliações de FEs eram significativamente
preditivas para deficiências em todas as 11 medidas de ajuste ocupacional. Foi concluido que
os déficits de FEs contribuem para deficiências no funcionamento ocupacional que ocorrem
em conjunto com TDAH adulto. As classificações de FEs na vida cotidiana contribuem mais
para compreensão de tais deficiências do que as provas neuropsicológicas que avaliam FEs.
Aproveitando esse mesmo estudo, Barkley e Murphy (2011) levantou a hipótese de
que alterações de FEs, avaliadas com testes neuropsicológicos, existem em apenas uma
minoria de pessoas com TDAH. Essa divergência deve-se em grande parte à baixa validade
ecológica dos testes que avaliam FEs. Concluiu-se que as relações entre as escalas de FEs e os
testes foram baixos e na sua maioria não teve significância estatística, considerando que nas
escalas de avaliação, a maioria dos adultos com TDAH estava clinicamente prejudicada nas
classificações das FEs, mas apenas uma pequena minoria estava assim nos testes
neuropsicológicos. Esses resultados concordam com pesquisas anteriores que mostraram que
os testes de FEs são, em grande parte, não relacionados às classificações de FEs e que as
47
classificações de FEs estão mais fortemente associadas a deficiências nas atividades da vida
diária (ex. comportamento desviante ou anti-social).
Um estudo realizado por Molitor (2017), realizou uma revisão objetivando sintetizar
as evidências disponíveis relacionadas ao uso de tarefas neuropsicológicas como ferramenta
para informar o planejamento do tratamento para jovens com TDAH. Foi realizada uma
revisão de 25 trabalhos, onde 17 estudos avaliaram a ligação com domínios de tratamento
específicos (por exemplo, funcionamento acadêmico) e 6 avaliaram tratamento com
metilfenidato. Concluiu-se que, o papel que o desempenho de indivíduos com TDAH nas
tarefas neuropsicológicas é ambíguos, e os resultados são mistos sobre se as tarefas têm
validade para diagnosticar a desordem. Tarefas neuropsicológicas podem fornecer
informações valiosas aos profissionais de saúde mental se puderem informar recomendações
para metas e modalidades de tratamento e prever a resposta ao tratamento com metilfenidato.
Seguindo o exposto acima, Barnhart e col (2017), em seu estudo, usou medidas
comportamentais de impulsividade em indivíduos que se auto-relataram (n=28) ou não autorelataram (n=147) história de TDAH, e concluiram que a utilização de múltiplas medidas,
tanto auto-relatadas como medidas de avaliação comportamental, pode ajudar a avaliar de
forma mais completa e precisa configurações clínicas.
Vasconcelos e cols (2014) desenvolveram um estudo, onde o desígnio capital foi
investigar se existem evidências de validade para analisar a impulsividade por meio de escalas
e testes neuropsicológicos. O estudo teve 266 participantes, onde se mediu o controle de
inibição de resposta e dimensões de impulsividade não planejadas. Os resultados indicaram
que houve pouca evidência de validade convergente entre os dois tipos de medidas.
O presente estudo reporta-se a diferença média entre os escores da escala ASRS A nos
grupos experimental e controle. Ou seja, existe diferença com significância estatística entre
esses grupos. Do mesmo modo, houve diferença com significância estatística quando
analisada a escala ASRS B. Nota-se que em ambos os fatores da escala ASRS o grupo TDAH
apresentou maiores médias. Sobre a escala Brown, indicou que existe uma diferença média
com significância estatística, na qual o grupo com TDAH apresentou maior escore médio que
o Controle. Esses dados do nosso estudo estão de acordo com o que foi publicado acima.
Nesse contexto, a partir dos níveis alcançados pelos grupos na avaliação das funções
executivas, bem como na impulsividade e na agressividade, verificou-se que os indivíduos
com TDAH e grupo controle não tiveram diferença com significância estatística no que se
refere ao domínio de inibição de respostas (Stroop C). Esse achado foi combinante com os
48
resultados de Seidman (2006), onde o julgamento dessa função com o teste Stroop não
mostrou diferença estatisticamente significante entre o grupo de TDAH e controles saudáveis.
Os grupos pesquisados não apresentaram diferenças significativas do ponto de vista
estatístico quando analisados os erros das Trilhas A e das Trilhas B, ou seja, as funções de
destreza viso-motora, inibição e flexibilidade executiva não exibiram diferenças entre os
grupos. Esses achados não foram combinantes com as implicações do estudo de Rooij e cols
(2015), que investigaram a inibição de resposta em adolescentes com TDAH (n=185), em
comparação com seus irmãos não afetados (n=111) e controles saudáveis (n=125). Em
conclusão, os adolescentes com TDAH apresentaram uma hipo-conectividade durante a
inibição da resposta comparado com seus irmãos não afetados e controles saudáveis. Além
disso, foi mostrado que o grau de conectividade funcional na rede de inibição de resposta está
correlacionado com gravidade do sintoma de TDAH.
Entretanto, em outro estudo, realizado por Mostert e cols (2015), onde examinaram o
desempenho neuropsicológico em tarefas que medem FEs, inibição, estimativa de tempo e
variabilidade de resposta, comparando pacientes com TDAH persistente com grupo controle
saudável, o resultado foi que no domínio das FEs, a memória de trabalho e a atenção estavam
prejudicadas, mas não foram encontradas diferenças entre os grupos para a inibição e fluência
verbal. O estudo comparou pacientes com TDAH persistente (n=133, 42% do sexo masculino,
idade média 36) e adultos saudáveis (n=132, 40% do sexo masculino, idade média 36).
Ainda sobre inibição de respostas no TDAH, Barkley (1997) indicou que o prejuízo
central foi a incapacidade de inibir respostas devido a anormalidades no córtex pré-frontal e
em suas conexões com outras partes do cérebro. Para ele, o problema de inibição de resposta
manifesta-se em quatro áreas de funcionamento: (1) memória operacional; (2) internalização
de fala autodirigida; (3) a autorregulação de afeto, motivação e nível de excitação; e (4)
reconstituição – a capacidade de dividir comportamentos observados em partes componentes
que podem se recombinar em novos comportamentos dirigidos a um objetivo.
De acordo com os resultados encontrados no que se refere à atenção focada e memória
operacional verbal, é que também não foram observadas diferenças estatisticamente
significativas tanto na ordem direta, quanto na ordem inversa no teste de Dígitos. Resultados
como esse não têm sido verificado em alguns estudos, como ocorreu no estudo de GonzalezGadea e cols (2013), onde eles mostraram um déficit de memória de trabalho em pacientes
com TDAH e Síndrome de Asperger.
49
No que concerne à impulsividade atencional e impulsividade global, os resultados
obtidos neste estudo apontam que há diferença estatisticamente significante entre os grupos.
Nesse contexto, Barnhart e col (2017) examinou as relações entre o auto-relato e as medidas
comportamentais da impulsividade em indivíduos que se auto-relataram ou não autorelataram uma história de TDAH. Uma das escalas usadas foi a Escala de Impulsividade de
Barratt, que também foi usada nesse estudo. A análise indicou que a impulsividade da atenção
consegue apontar indivíduos com e sem um histórico auto-relatado de diagnóstico de TDAH.
Entretanto, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os escores
médios de Impulsividade Motora, Impulsividade Por Não Planejamento, Agressividade
Física, Agressividade Verbal, Raiva e Agressividade Geral entre os grupos estudados. No que
tange à hostilidade, existiu diferença com significância estatística entre o grupo com TDAH e
o controle.
No WCST, não houve diferença com significância estatística quando analisados os
índices de Erros Perseverativos e Categorias entre os grupos em questão. Isso significa que as
funções de flexibilidade cognitiva, o raciocínio abstrato e inibição não indicaram diferenças
entre o grupo experimental e controle. Este resultado mostra incompatibilidade com trabalhos
prévios, onde de acordo com os achados de Seidman (2006), indica que o WCST é um teste
eficiente no discernimento entre o grupo de TDAH e grupo controle.
Dobson-Patterson
e
cols
(2016)
mostraram
que
embora
alguns
testes
neuropsicológicos individuais possam diferenciar pacientes com TDAH de controles
saudáveis, eles não mostram nenhuma vantagem na diferenciação de subtipos de TDAH com
base em Diretrizes do DSM-IV.
50
7. CONCLUSÃO
De forma geral, as implicações do presente estudo não forneceram diferenças
estatísticas no campo da cognição entre o grupo experimental (TDAH) e o grupo controle
saudável, tendo como meio o uso de testes neuropsicológicos. Já as escalas mostraram maior
poder discriminativo para identificar problemas no adulto com TDAH.
Foi encontrado, ainda, diferença com significância estatística, em relação à
impulsividade atencional e hostilidade, com o grupo TDAH, indicando maior escore médio
que o grupo controle.
Os resultados concordam em alguns aspectos com muitos achados anteriores. Ao
mesmo tempo, autentica a necessidade de desenvolver estudos e modelos clínicos para
identificar sintomas de TDAH. O uso de provas cognitivas mais elaboradas ajudará a
diferenciar os déficits no TDAH e, por conseguinte, aprimorar as metas para o tratamento do
TDAH.
É importante referenciar que o presente estudo aponta limitações relacionadas ao
tamanho pequeno da amostra e ausência do uso de outros instrumentos que pudessem tornar
mais seguro o diagnóstico do sujeito da pesquisa. Outra limitação do estudo foi o uso de
medicação. Certamente, não podemos desconsiderar a influência da medicação na
performance neuropsicológica de alguns sujeitos. Por fim, o estudo também não separou os
subtipos de TDAH, dificultando a comparação dos resultados entre eles e com o grupo
controle. Além do mais, adultos com TDAH são neuropsicologicamente heterogênios.
A implicação do presente estudo contribuiu para compreender que o uso de testes
neuropsicológicos aponta pouca sensibilidade para avaliar alterações de FEs em pessoas com
TDAH. Nesse contexto, pesquisas futuras devem refinar ou desenvolver ferramentas
neuropsicológicas mais sofisticadas para avaliar FEs no TDAH na vida habitual.
51
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58
APÊNDICES
59
APÊNDICE A
60
APÊNDICE B: TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Eu,
........................................................................................................,
tendo
sido
convidad(o,a) a participar como voluntári(o,a) da pesquisa “Avaliação Neuropsicológica das
Funções Executivas, Agressividade e Impulsividade em Pacientes adultos com diagnóstico de
TDAH”, recebi de Katiúscia Karine Martins da Silva e Raner Miguel Ferreira Povoa da
Universidade Federal de Alagoas, responsáveis por sua execução, as seguintes informações
que me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos:
Que o estudo se destina avaliar funções executivas, agressividade e impulsividade em
pacientes adultos com TDAH.
Que os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: encontrar déficit de
funções executivas, agressividade e impulsividade em pacientes adultos com TDAH.
Que esse estudo começará em janeiro de 2016 e terminará em dezembro de 2016.
Que o estudo será feito da seguinte maneira: será utilizado um questionário de dados
sócio-demográficos e de saúde e as escalas para avaliação neuropsicológicas das com
testes padronizados e validados para a população brasileira, que será feita por um
psicólogo habilitado.
Que eu participarei das seguintes etapas: responder aos questionários préestabelecidos.
Que os incômodos que poderei sentir com a minha participação são possíveis
constragimentos para responder algumas perguntas do questionário de avaliação.
Que os possíveis riscos à minha saúde física e mental são: à possibilidade das
informações
adquiridas
serem
extraviadas,
podendo
acarretar
desconforto,
constrangimento ou incômodo aos indivíduos envolvidos. Porém, preventivamente
toda e qualquer informação obtida nas avaliações serão relacionadas a uma
numeração sequencial de controle próprio e não ao nome ou iniciais dos pacientes.
Que deverei contar com a seguinte assistência psicológica com profissionais
devidamente qualificados e inscritos no CRP15, sendo responsável (is) por ela:
Vanina
Papini
Goés
Teixeira
(CRP15\3572)
e
Helenízia
Santos
Sobral
(CRP15\1852). São profissionais colaboradores do local que será realizada a
pesquisa.
Que os benefícios que deverei esperar com a minha participação, mesmo que não
diretamente estão relacionados à grande importância que esse estudo vem trazer tanto
para os acadêmicos e profissionais da área de saúde, como também para os gestores de
61
saúde, pois, é crescente o número de casos de demências em total o mundo,
caracterizando um problema de saúde pública.
Que a minha participação será acompanhada do seguinte modo: a entrevista será feita
em apenas um encontro para coleta de dados e preenchimento das escalas de
avaliação.
Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas
do estudo.
Que, a qualquer momento, eu poderei recusar a continuar participando do estudo e,
também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga
qualquer penalidade ou prejuízo.
Que as informações conseguidas através da minha participação não permitirão a
identificação da minha pessoa, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a
divulgação das mencionadas informações só será feita entre os profissionais
estudiosos do assunto.
O estudo não acarretará nenhuma despesa para o participante da pesquisa.
Que eu serei indenizado por qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa, podendo ser encaminhado para a instituição onde será realizada a pesquisa.
Que eu receberei uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre
a minha participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos,
das minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação
implicam, concordo em dele participar e para isso eu dou o meu consentimento sem
que para isso eu tenha sido forçado ou obrigado.
Endereço d(o,a) participante-voluntári(o,a)
Domicílio: (rua, praça, conjunto):
Bloco: /Nº: /Complemento:
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:
Contato de urgência: Sr(a).
Domicílio: (rua, praça, conjunto)
Bloco: /Nº: /Complemento:
62
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:
ATENÇÃO: Em caso de qualquer desconforto, o(a) senhor(a) poderá entrar em contato com a
equipe de pesquisa, pessoalmente ou pelo telefone 9351-0894. Para maiores esclarecimentos
você poderá consultar o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas.
Endereço: Campus A. C. Simões - Av. Lourival Melo Mota, s/n, Cidade Universitária - Maceió - AL,
CEP:57072-900
Telefone: 82. 3214-1041
Maceió, ____________________
Assinatura ou impressão Nome e Assinatura do(s) responsável(eis) pelo estudo (Rubricar as
datiloscópica
voluntári(o,a)
d(o,a) demais páginas)
ou
responsável legal e rubricar
as demais folhas
63
APÊNDICE C: CARACTERIZAÇÃO SÓCIO-DEMOGRÁFICA DA AMOSTRA
Data da Avaliação: _________
Examinador:_____________ Entrevista nº:__________
Contato: ________________________
Endereço: ____________________________________________________
Município: _____________ Estado:_________ CEP:_________________
Escolaridade: _______(anos) Profissão:_____________________
Data de nascimento: ____/_____/______
Idade: ______________
Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino
Estado civil: ( ) Solteiro(a) ( ) Casado(a)/mora junto (
) Separado(a)/divorciado (
)
Viúvo(a)
Ocupação atual: ( ) Trabalhando/do lar ( ) Estudante ( ) Desempregado ( ) Aposentado
Condição de saúde:
Apresenta algum tipo de doença? ( ) Sim ( ) Não
Qual (is) e há quanto tempo (cada): ___________________________________________
________________________________________________________________________
Faz uso de medicamento(s)? Qual (is)? ________________________________________
________________________________________________________________________
Sofreu algum tipo de traumatismo craniano? ( ) Sim ( ) Não Qual idade? ___________
Teve sequelas? ( ) Sim ( ) Não Quais: _______________________________________
Faz uso de bebida alcóolica ou outras drogas? ( ) Sim ( ) Não Frequência:__________
Tem diagnóstico de transtornos psiquiátricos de eixo I (DSM-5)? ( ) Sim ( ) Não
Qual? _______________________________________________
Doenças clínicas graves, como: problemas renais graves, hiper e hipotireoidismo, neoplasias?
( ) Sim ( ) Não
História de doença do Sistema Nervoso Central (e.g., epilepsia, meningite/encefalite, acidente
vascular cerebral), ou seja, doenças neurológicas que provocam o surgimento de déficits
cognitivos, principalmente nas funções executivas? ( ) Sim ( ) Não
Distúrbios visuais ou auditivos não corrigidos? ( ) Sim ( ) Não
Comprometimento motor? ( ) Sim ( ) Não
Histórico de Doença na família? ( ) Sim ( ) Não
Qual (is)? _______________________________________________________________
64
ANEXOS
65
ANEXO A - Escala de Auto-Avaliação para o Diagnóstico do Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade em Adultos Versão 1.1 (ASRS-V1.1)
Por favor, responda as perguntas abaixo se avaliando de
acordo com os critérios do lado direito da página. Após
responder cada uma das perguntas, circule o número que
corresponde a como você se sentiu e se comportou nos
últimos seis meses. Por favor, dê este questionário completo
ao profissional de saúde para que vocês possam discutir na
consulta de hoje.
1. Com que freqüência você comete erros por falta de atenção
quando tem de trabalhar num projeto chato ou difícil?
2. Com que freqüência você tem dificuldade para manter a
atenção quando está fazendo um trabalho chato ou repetitivo?
3. Com que freqüência você tem dificuldade para se concentrar
no que as pessoas dizem, mesmo quando elas estão falando
diretamente com você?
4. Com que freqüência você deixa um projeto pela metade
depois de já ter feito as partes mais difíceis?
5. Com que freqüência você tem dificuldade para fazer um
trabalho que exige organização?
6. Quando você precisa fazer algo que exige muita
concentração, com que freqüência você evita ou adia o início?
7. Com que freqüência você coloca as coisas fora do lugar ou
tem de dificuldade de encontrar as coisas em casa ou no
trabalho?
8. Com que freqüência você se distrai com atividades ou
barulho a sua volta?
9. Com que freqüência você tem dificuldade para lembrar de
compromissos ou obrigações?
PARTE A
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
1. Com que freqüência você fica se mexendo na cadeira ou
balançando as mãos ou os pés quando precisa ficar sentado (a)
por muito tempo?
2. Com que freqüência você se levanta da cadeira em reuniões
ou em outras situações onde deveria ficar sentado (a)?
3. Com que freqüência você se sente inquieto (a) ou agitado (a)?
4. Com que freqüência você tem dificuldade para sossegar e
relaxar quando tem tempo livre para você?
5. Com que freqüência você se sente ativo (a) demais e
necessitando fazer coisas, como se estivesse “com um motor
ligado”?
6. Com que freqüência você se pega falando demais em
situações sociais?
7. Quando você está conversando, com que freqüência você se
pega terminando as frases das pessoas antes delas?
8. Com que freqüência você tem dificuldade para esperar nas
situações onde cada um tem a sua vez?
9. Com que freqüência você interrompe os outros quando eles
estão ocupados?
PARTE B
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
0
1
1
2
2
3
3
4
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
0
1
2
3
4
66
ANEXO B - ESCALA DE BROWN PARA TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO
Brown,TE (1996)
SINTOMAS ATUAIS: assinale com outra cor o número referente à opção que melhor corresponde ao seu comportamento
atual.
Nunca
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10
.
11
.
12
.
13
.
14
.
15
.
16
.
17
.
18
.
19
.
Ouve e tenta prestar atenção em reuniões, aulas ou
conversas, mas a mente freqüente-mente se dispersa;
perde informações de importância.
Sente muita dificuldade para iniciar tarefas (ex: atividades
burocráticas ou realizar contatos com outras pessoas).
Sente-se demasiadamente estressado ou sobrecarregado
com tarefas que deveriam ser manejáveis (ex: “de jeito
nenhum consigo fazer tudo isso agora, isto está fora do
meu alcance” – apesar da situação não ser tão ruim
assim).
“Sai do ar” involuntária e freqüentemente durante
leituras necessárias; pensa em coisas que não têm nada a
ver com o que está sendo lido.
Perde o foco com facilidade; inicia uma tarefa e em
seguida muda para algo menos importante.
Perde o fio da meada do que acabou de ser lido e precisa
retomar a leitura; compreende as palavras, mas
simplesmente não guarda o que foi lido.
É muito esquecido com relação ao que foi dito, feito ou
ouvido nas últimas 24 horas.
Lembra-se de alguns detalhes das leituras, mas não
consegue assimilar a idéia central.
Frustra-se com facilidade e é muito impaciente.
Fica confuso quando recebe muita coisa para fazer, tem
dificuldade para estabelecer prioridades, organizar-se e
começar.
Adia os afazeres, freqüentemente deixa-os de lado (ex:
“farei depois” ou “farei amanhã”).
Sente-se sonolento ou cansado durante o dia, mesmo
após uma noite satisfatória de sono.
É desorganizado; tem muita dificuldade para monitorar
planos, dinheiro ou tempo.
Não consegue completar tarefas no tempo planejado;
precisa de um tempo extra para concluir
satisfatoriamente.
0
Uma vez por
semana ou menos
1
Duas vezes por
semana
2
Quase
Diariamente
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
0
1
1
2
2
3
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
Planeja fazer coisas mas esquece (ex., desligar aparelhos,
comprar coisas na loja, re-tornar ligações telefônicas, ir a
compromissos, pagar contas, cumprir deveres).
Critica-se ou os outros o criticam por ser preguiçoso.
0
1
2
3
0
1
2
3
A qualidade de seus trabalhos é inconsistente; o seu
desempenho é completamente flutuante; esquiva-se das
tarefas a menos que esteja sob pressão.
É sensível a críticas; ressente-se profundamente ou por
um tempo prolongado; torna-se excessivamente
defensivo.
Demora para reagir ou ter iniciativa; é lento ou faz tudo
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
67
20
.
21
.
22
.
23
.
24
.
25
.
26
.
27
.
28
.
29
.
30
.
31
.
32
.
33
.
34
.
35
.
36
.
37
.
38
.
39
.
40
.
devagar; não se atira de imediato para as atividades;
demora para responder a perguntas ou se aprontar para
algo.
Irrita-se com facilidade; é “pavio curto” e tem ataques
repentinos de raiva.
É muito rígido ou perfeccionista (tem que fazer as coisas
sempre do mesmo jeito, é “cricri”).
É criticado por não alcançar todo o seu potencial (ex.,
“poderia fazer muito melhor se ao menos... me esforçasse
mais ou trabalhasse mais consistentemente”).
Pega-se “sonhando acordado” ou preocupado com os
próprios pensamentos.
Tem dificuldade para expressar raiva de maneira
adequada; não consegue se impor.
Perde o fio da meada e não vai até o final; seu esforço se
dissipa rapidamente.
Dispersa-se com facilidade por barulhos ou atividades do
ambiente; precisa verificar qualquer outra coisa que
esteja acontecendo.
Tem muita dificuldade para acordar de manhã; acha
extremamente difícil levantar-se da cama e começar a
fazer as coisas.
Na escrita, necessita repetidamente apagar, rasurar ou
recomeçar devido a erros pequenos.
Com freqüência se sente desencorajado, triste ou para
baixo.
Tende a se isolar de seus pares, é reservado e tímido; não
se associa muito com amigos da mesma idade.
Parece apático ou desmotivado (os outros pensam que
não se importa absolutamente com o seu trabalho).
Fica com olhar fixo e distante; parece estar no “mundo da
lua”.
Na escrita, freqüentemente deixa de fora palavras ou
letras.
Apresenta caligrafia desleixada e difícil de se ler.
Esquece de levar – ou não lembra onde deixou – itens
importantes como chaves, lápis, contas e documentos
(“Sei que está aqui em algum lugar; apenas não consigo
encontrar agora...”).
Parece não estar ouvindo ou recebe reclamações dos
outros à respeito.
Os outros precisam lembrá-lo de começar ou de manterse engajado em tarefas que precisam feitas.
Apresenta dificuldade de memorização (ex., nomes, data,
informações do trabalho).
Entende mal as orientações para preencher formulários,
realizar tarefas, etc.
Inicia atividades (ex., papelada, afazeres) mas não finaliza.
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
0
1
2
3
68
ANEXO C - TESTE DE TRILHAS
69
70
ANEXO D – STROOP TEST
71
ANEXO E – DÍGITOS
DÍGITOS EM ORDEM DIRETA
Dígitos Ordem Direta
1
2
1
2
1
2
1
2
1
2
1
2
1
2
1
2
Pontos (0 ou 1)
1-7
6-3
5-8-2
6-9-4
6-4-3-9
7-2-8-6
4-2-7-3-1
7-5-8-3-6
6-1-9-4-7-3
3-9-2-4-8-7
5-9-1-7-4-2-8
4-1-7-9-3-8-6
3-8-2-9-5-1-7-4
5-8-1-9-2-6-4-7
2-7-5-8-6-2-5-8-4
7-1-3-9-4-2-5-6-8
DÍGITOS EM ORDEM INVERSA
1
2
1
2
1
2
1
2
1
2
1
2
1
2
Dígitos Ordem Inversa
2-4
5-7
4-1-5
6-2-9
3-2-7-9
4-9-6-8
1-5-2-8-6
6-1-8-4-3
5-3-9-4-1-8
7-2-4-8-5-6
8-1-2-9-3-6-5
4-7-3-9-1-2-8
7-2-8-1-9-6-5-3
9-4-3-7-6-2-5-8
Pontos (0 ou 1)
72
ANEXO F - WISCONSIN
73
ANEXO G - TESTE NÃO VERBAL DE INTELIGÊNCIA GERAL – BETA-III
Subteste Raciocínio Matricial
74
Subteste Códigos
75
ANEXO H - ESCALA DE IMPULSIVIDADE DE BARRATT (BIS-11)
1
2
3
4
Ramente/
Nunca
Às vezes
Ocasionalmente
Quase sempre/
Sempre\
01. ______ Eu planejo tarefas cuidadosamente.
02. ______ Eu faço coisas sem pensar.
03. ______ Eu tomo decisões rapidamente.
04. ______ Eu sou despreocupado (confio na sorte, “desencanado”).
05. ______ Eu não presto atenção.
06. ______ Eu tenho pensamentos que se atropelam.
07. ______ Eu planejo viagens com bastante antecedência.
08. ______ Eu tenho autocontrole.
09. ______ Eu me concentro facilmente.
10. ______ Eu economizo (poupo) regularmente.
11. ______ Eu fico me contorcendo na cadeira em peças de teatro ou palestras.
12. ______ Eu penso nas coisas com cuidado.
13. ______ Eu faço planos para memmanter no emprego (eu cuido para não perder meu
emprego).
14. ______ Eu falo coisas sem pensar.
15. ______ Eu gosto de pensar em problemas complexos.
16. ______ Eu troco de emprego.
17. ______ Eu ajo por impulso.
18. ______ Eu fico entediado com facilidade quando estou resolvendo problemas
mentalmente.
19. ______ Eu ajo no “calor” do momento.
20. ______ Eu mantenho a linha de raciocínio (“não perco o fio da meada”).
21. ______ Eu troco de casa (residência).
22. ______ Eu compro coisas por impulso.
23. ______ Eu só consigo pensar em uma coisa de cada vez.
24. ______ Eu troco de interesses e passatempos (“hobbys”).
25. ______ Eu gasto ou compro a prestação mais do que ganho.
26. ______ Enquanto estou pensando em uma coisa, é comum que outras ideias me
venha a cabeça ao mesmo tempo.
27. ______ Eu tenho mais interesse no presente do que no futuro.
28. ______ Eu me sinto inquieto em palestras ou aulas.
29. ______ Eu gosto de jogos ou desafios mentais.
30. ______ Eu me preparo para o futuro.
76
ANEXO I - QUESTIONÁRIO DE AGRESSÃO DE BUSS-PERRY.
INSTRUÇÕES – Por favor, leia atentamente as frases abaixo e, pensando em você
mesmo (a), indique o quanto concorda com ou discorda de cada uma delas. Para isso
utilize a escala de resposta a seguir.
1
Discordo
totalmente
2
Discordo em
parte
3
Nem concordo
nem discordo
4
Concordo em
parte
5
Concordo
totalmente
01. ______ Se alguém me bater, eu bato de volta.
02. ______ Quando me provocam o suficiente, é possível que eu bata em outra pessoa.
03. ______ Alguns amigos dizem que sou cabeça quente.
04. ______ Algumas vezes gostaria de saber por que sou tão exigente com as coisas.
05. ______ Eu tenho ameaçado algumas pessoas que conheço.
06. ______ Entro em brigas um pouco mais que outras pessoas.
07. ______ Eu desconfio de pessoas estranhas que são amigáveis demais.
08. ______ Quando decepcionado, deixo minha irritação aparecer.
09. ______ Sei que “amigos” falam de mim pelas costas.
10. ______ Meus amigos dizem que sou bastante discutidor, sempre tenho algo a
debater.
11. ______ Algumas vezes me sinto como uma bomba prestes a explodir.
12. ______ Fico furioso(a) facilmente, mas também me acalmo rapidamente.
13. ______ Às vezes fico nervoso(a) sem nenhuma boa razão e não consigo me
controlar.
14. ______ Existem pessoas que me provocam tanto que nós acabamos brigando.
15. ______ Eu tenho ficado tão nervoso(a) e irritado(a) que quebro coisas.
16. ______ Quando as pessoas me aborrecem, é possível que eu fale o que realmente
penso
delas.
17. ______ Tenho dificuldade em controlar meu temperamento.
18. ______ Algumas vezes o ciúme me corrói por dentro.
19. ______ Algumas vezes eu sinto que as pessoas estão rindo de mim pelas costas.
20. ______ Constantemente me vejo discordando das pessoas.
21. ______ Se eu tiver que partir para violência para garantir os meus direitos, eu parto.
22. ______ Uma vez ou outra não consigo controlar a vontade de bater em outra pessoa. 23.
______ Às vezes sinto que a vida tem sido injusta comigo.
24. ______ Quando as pessoas são muito gentis, duvido de suas intenções.
25. ______ Outras pessoas parecem sempre se controlar para não desrespeitar as leis.
26. ______ Eu não consigo ficar calado(a) quando as pessoas discordam de mim.
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ANEXO J - IOWA GAMBLING TASK (IGT)
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ANEXO K
