Verônica Santos da Silva - Um olhar para além da pobreza: fatores de risco e proteção para o desempenho cognitivo de adolescentes em situação de vulnerabilidade social

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
MESTRADO EM PSICOLOGIA

VERONICA SANTOS DA SILVA

UM OLHAR PARA ALÉM DA POBREZA: FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO
PARA O DESEMPENHO COGNITIVO DE ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE
VULNERABILIDADE SOCIAL

MACEIÓ
2016

VERONICA SANTOS DA SILVA

UM OLHAR PARA ALÉM DA POBREZA: FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO PARA
O DESEMPENHO COGNITIVO DE ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE
VULNERABILIDADE SOCIAL

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em
Psicologia da Universidade Federal de Alagoas, por
Veronica Santos da Silva, para a obtenção do grau de
Mestre em Psicologia.
Orientador: Prof. Dr. Jorge Artur Peçanha de Miranda
Coelho.

MACEIÓ
2016

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário Responsável: Janaina Xisto de Barros Lima
S237u

Santos Silva, Veronica.
Um olhar para além da pobreza: fatores de riscos e proteção para o desempenho
cognitivo de adolescentes em situação de vulnerabilidade social / Veronica Santos da
Silva. –2016.
99 f.
Orientador: Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Alagoas. Instituto
de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Maceió, 2016.
Bibliografia: f. 72-76.
Anexos: f. 77-99.
1. Psicologia social. 2. Avaliação neuropsicológica. 3. Desempenho cognitivo. 4.
Vulnerabilidade social. I. Título.

CDU: 316.6-053.6

“Uma vez olhada positivamente, a afetividade nega a neutralidade das reflexões
cientificas sobre desigualdade social, permitindo que, sem que se perca o rigor teóricometodológico, mantenha-se viva a capacidade de se indignar diante da pobreza”
Sawaia

A minha mãe, pelo seu amor incondicional e

força.

AGRADECIMENTOS

A minha mãe e a ao meu pai por serem provas vivas da força perante o enfrentamento
das situações de vulnerabilidade e da importância do cuidado para o desenvolvimento. A
minha mãe pelo cuidado, carinho e força e ao meu papai pela segurança e palavras sempre
certeiras. Aos meus irmãos Bebê e Lau pelo companheirismo, apoio, exemplo. Enfim, a
minha família, por todo suporte e cuidado que me permitiram chegar onde estou hoje. Sou o
que sou, pois sou com vocês.
Ao cuidadoso, criterioso, responsável e admirável Prof. Jorge Artur, meu orientador,
pela compreensão, orientação, sensibilidade e acima de tudo pela confiança em mim
depositada e sempre demonstrada ao longo desta caminhada. Ao Sr. meu respeito e minha
gratidão, muito obrigada.
A minha amiga, inspiração e exemplo, Profª Patrícia Martins, pela iniciação na vida
acadêmica e pelo apoio sempre presente.
Ao meu amigo, filho, Neto pelo companheirismo da graduação e pelo idealismo que
sempre me inspirou e me fez galgar novos rumos.
Ao colega Alysson pela contribuição na coleta de dados desta pesquisa.
A diretoria das escolas Adolfo Ribeiro, Colégio Campus, General Osório e Sagrada
Família pela contribuição nesta pesquisa.
A CAPES/CNPQ

RESUMO

O objetivo geral da dissertação é o de indicar a necessidade de os instrumentos de avaliação
neuropsicológica apresentarem uma normatização que considere o nível socioeconômico,
tendo em vista o impacto que crescer em situação de vulnerabilidade social gera sobre o
desempenho cognitivo. Contou-se com a participação de 96 adolescentes, com faixa etária
entre os 12 e 14 anos de idade (média = 13 e desvio padrão = 0,80), regularmente
matriculados no ensino fundamental da rede pública e privada de educação básica do
município de Jequié, interior da Bahia, (n = 41, sendo 11 de escola particular e 30 de escola
pública) e de Palmeiras dos Índios, interior de Alagoas (n = 55, sendo 28 de escola particular
e 27 de escola pública). Os participantes foram esclarecidos sobre o anonimato e sigilo de
suas respostas e obteve-se o consentimento livre e esclarecido de todos os participantes. Os
dados obtidos foram submetidos a análises estatísticas por meio do software IBM SPSS
(versão 22). Os resultados indicam o efeito da renda como fator de proteção para o
desempenho nas funções da percepção, linguagem, funções executivas, habilidades
aritméticas e orientação tempo-espaço. Utilizou-se ainda o critério vinculação ao Programa
Bolsa Família (PBF) como variável de analise, o que indicou que a presença do B.F está
associada a um perfil desempenho indicativo de déficits de gravidade importante para todas as
funções avaliadas nos adolescentes da Bahia, com exceção da função executiva, o que se
justifica pelo perfil socioeconômico da população vinculada ao programa. Os resultados
evidenciam ainda que nas funções da memória, atenção e práxis permite identificar que,
nestas funções, a presença de déficits no desempenho cognitivo não apresenta um padrão que
possa ser associado com o nível socieconômico. Confia-se que os resultados permitem
identificar o impacto da condição de vulnerabilidade social sobre o desempenho cognitivo,
indicando tal variável como fator de risco a ser considerada nas avaliações neuropsicológicas.
Argumenta-se que foi possível identificarmos aspectos iniciais que darão subsídio para uma
investigação mais aprofundada da relação entre a condição de vulnerabilidade social e o
desempenho cognitivo em suas diversas funções. Assim, a relação entre déficits cognitivos e
vulnerabilidade social foi preliminarmente explorada na presente pesquisa, permitindo
inferências iniciais sobre a contribuição de cada aspecto que compõe a vulnerabilidade social
enquanto constructo complexo, sobre o desempenho cognitivo. Sugere-se, para estudos
futuros, o aumento da amostra e a inclusão de mecanismos de controle que pemitam mensurar
o efeito da vulnerabilidade social em cada um dos perfis de desempenho apresentados.
Palavras-chave: Avaliação neuropsicológica. Desempenho cognitivo. Vulnerabilidade social.

ABSTRACT

The general purpose of this work is to indicate the need for neuropsychological assessment
tools present a regulation that considers the socioeconomic level, in view of the impact that
growing up in socially vulnerable situation generates on cognitive performance. Counted with
the participation of 96 teenagers, aged between 12 and 14 years (average = 13 and standard
deviation = 0.80), regularly enrolled in primary education in public schools and private basic
education in the city of Jequié, interior of Bahia, (n = 41, and 11 private schools and 30 public
school) and Palmeiras dos Índios, interior of Alagoas (n = 55, and 28 private schools and 27
public school). The participantshave been informed about the anonymity and confidentiality
of their answers and was obtained the free consent of all participants. The data were gathered
and submitted to statistical analysis using the SPSS software (version 22). The results indicate
the effect of income as a protective factor for the performance in the perception of functions,
language, executive functions, arithmetic skills and guidance space-time. It was also used the
binding criteria in the BolsaFamília Program (PBF) as analysis variable, in which indicated
that the BF's presence is associated with an indicative performance profile of important
severity of deficits for all functions evaluated in adolescents of Bahia, with exception of
executive function, that is justified by the socioeconomic profile of the program linked to the
population. The results also show that the functions of memory, attention and Praxis allows to
identify that these functions, the presence of deficits in cognitive performance does not
present a pattern that can be associated with socioeconomic level. It trusts that the results
identifying the impact of social vulnerability condition on cognitive performance, indicating
that variable as a risk factor considered in neuropsychological evaluations. It argues that will
be possible to identify initial aspects that will benefit for further investigation of the
relationship between social vulnerability status and cognitive performance in its various
functions. Thus, the relationship between cognitive deficits and social vulnerability
exploredpreliminarilyin this research, allowing initial inferences about the contribution of
each aspect that makes up the social vulnerability as construct complex on cognitive
performance. Itsuggest for future studies, the increased of sample and the inclusion of control
mechanisms that allow measure the effect of social vulnerability on each of the displayed
performance profiles.
Keywords: Neuropsychological evaluation. Cognitive performance. Social vulnerability.

RESUMEN

El objetivo general de esta disertación es indicar la necesidad de los instrumentos de
evaluación neuropsicológica presentaren una normalización que considere el nivel
socioeconómico, teniendo en cuenta el impacto que el contexto de vulnerabilidad social
provoca sobre el desempeño cognitivo. Hubo la participación de 96 adolescentes, con edad
entre 12 y 14 años (promedio = 13 y desviación estándar = 0,80), regularmente matriculados
en la enseñanza fundamental de la red pública y privada de educación básica de la ciudad de
Jequié, interior del estado de Bahía, (n = 41, siendo 11 de escuela particular y 30 de escuela
pública) y de la ciudad de Palmeiras dos Índios, interior del estado de Alagoas (n = 55, siendo
28 de escuela particular y 27 de escuela pública). Los participantes fueron aclarados sobre el
anonimato y sigilo de sus respuestas y se obtuvo el consentimiento libre y aclarado de todos
los participantes. Los datos obtenidos fueron sometidos al análisis estadísticas por medio del
software IBM SPSS (versión 22). Los resultados indican el efecto de la renta como factor de
protección para el desempeño en las funciones executivas, habilidades aritméticas y
orientación tiempo espacio. Se utilizó, aun, el criterio vinculación al Programa Bolsa Família
(PBF) como variable de análisis, lo que indicó que la presencia del PBF está asociado a un
perfil de desempeño indicativo de déficits de gravedad importante para todas las funciones
evaluadas en los adolescentes de Bahía, con excepción de la función ejecutiva, lo que se
justifica por el perfil socioeconómico de la población vinculada al Programa. Los resultados
evidencian, aun, que en las funciones de la memoria, atención y praxis permiten identificar
que, en estas funciones, la presencias de déficits en el desempeño cognitivo no presenta un
patrón que pueda asociarse con el nivel socioeconómico. Creerse que los resultados permiten
identificar el impacto de la condición de vulnerabilidad social sobre el desempeño cognitivo,
indicando tal variable como factor de riesgo a ser considerada en las evaluaciones
neuropsicológicas. Se argumenta que fue posible identificar aspectos iniciales que darán
subsidios para una investigación más profundada de la relación entre la condición de
vulnerabilidad social y el desempeño cognitivo en sus diversas funciones. Así, la relación
entre déficits cognitivos y vulnerabilidad social fue, preliminarmente, explorada en esta
investigación, permitiendo inferencias iniciales sobre la contribución de cada aspecto que
compone la vulnerabilidad social como constructo complexo, sobre el desempeño cognitivo.
Se sugiere, para los estudios futuros, el aumento de la amuestra y la inclusión de mecanismos
de control que permitan mensurar el efecto de la vulnerabilidad social en cada uno de los
perfiles de desempeño presentados.
Palabras claves: Evaluación neuropsicológica. Desempeño cognitivo. Vulnerabilidad social.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Intervenção diante dos aspectos socioeconômicos .................................................. 17
Figura 2 – Vulnerabilidade Social .................................................................................................... 21
Figura 3 – Faixa do Índice de Vulnerabilidade Social ................................................................. 22
Figura 4 – Organização das Funções, Componentes e Tarefas Avaliadas .............................. 35

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Número de Municípios por Macrorregião e Faixa do IVS ............................... 23

SEÇÃO 2- ARTIGO

Gráfico 1 – Desempenho versus Bolsa Família – Percepção.............................................. 54
Gráfico 2 – Escore Z Percepção Bahia................................................................................ 55
Gráfico 3 – Escore Z Percepção Alagoas............................................................................. 56
Gráfico 4 – Escore Z Linguagem Bahia............................................................................. 57
Gráfico 5 – Escore Z Funções Executivas Bahia................................................................ 58
Gráfico 6 – Escore Z Funções Executivas Alagoas........................................................... 58
Gráfico 7 – Escore Z Habilidades Aritiméticas Bahia....................................................... 59
Gráfico 8 – Escore Z Das Habilidades Aritiméticas Alagoas............................................ 60
Gráfico 9 – Escore Z Tempo Espaço Bahia....................................................................... 60
Gráfico 10 – Escore Z Tempo Espaço Alagoas................................................................... 60
Gráfico 11 – Escore Z Memória Bahia................................................................................ 61
Gráfico 12 – Escore Z Memória Alagoas............................................................................ 62
Gráfico 13 – Escore Z Atenção Bahia.................................................................................. 63
Gráfico 14 – Escore Z Atenção Alagoas.............................................................................. 63
Gráfico 15 – Práxias Bahia................................................................................................... 64
Gráfico 16 – Práxias Alagoas............................................................................................... 64

LISTA DE MAPAS

Mapa 1 - Índice de Vulnerabilidade Social dos Municípios Brasileiros ................................. 22

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Escore Z............................................................................................................................... 23

Seção 2 – Artigo

Tabela 1 – Distribuição Da Amostra Por Estado.......................................................................... 49
Tabela 2 – Distribuição Da Amostra Por Escola .......................................................................... 49
Tabela 3 – Distribuição da Amostra por Renda Familiar Mensal ............................................. 50

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CEP

Comitê de Ética em Pesquisa

FE

Funções Executivas

HPA

Hypothalamic-Pituitary-Adrenal

IDH

Índice de Desenvolvimento Humano

IPEA

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

IVS

Índice de Vulnerabilidade Social

MDS

Ministério do Desenvolvimento Social

NEUPSILIN

Instrumento de Avaliação Neuropsicológica Breve

P.B.F

Programa Bolsa Família

PIB

Produto Interno Bruto

TALE

Termo de Assentimento Livre e Esclarecido

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 15

1.1

Psicopatologia do Desenvolvimento ................................................................................... 25

1.2

Vulnerabilidade Social: Fatores De Risco E Proteção ................................................ 29

2

ARTIGO .................................................................................................................................... 41

2.1

Introdução ................................................................................................................................ 42

2.2

Avaliação neuropsicológica ..................................................................................................47

2.3

Método ........................................................................................................................................ 49

2.4

Instrumentos ............................................................................................................................. 50

2.5

Análise de dados ....................................................................................................................... 52

2.6

Procedimentos ........................................................................................................................... 53

2.7

Resultados ................................................................................................................................... 53

2.8

Discussão ..................................................................................................................................... 65
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 68

3

CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 71
REFERÊNCIAS GERAIS .................................................................................................... 72
ANEXOS ....................................................................................................................................77
ANEXO A - Termo de Consentimento Livre Esclarecido ........................................ 78
ANEXO B – Termo de Assentimento Livre e Esclarecido ......................................... 79

ANEXO C – Questionário de Classificação Econômica Brasil ................................ 80
ANEXO D – Protocolo de aprovação Comitê Ética em Pesquisa ............................ 81
ANEXO E – Comprovante de Submissão do artigo a Revista ................................ 83

15

1

INTRODUÇÃO
Utiliza-se como base conceitual para o presente trabalho a neuropsicologia enquanto

evidência da presença de marcadores neuropsicológicos que indicam os mecanismos através
dos quais eventos ambientais operam sobre o desempenho cognitivo; a psicopatologia do
desenvolvimento enquanto postulado sobre o desenvolvimento e seus fatores de risco e
proteção, e a psicometria enquanto disciplina que direciona-se ao conjunto de técnicas de
quantificação dos fenômenos psicológicos.
Parte-se do pressuposto de que a qualidade da estimulação ambiental, cuidados
parentais e recursos materiais, disponibilizados ao adolescente através do seu ambiente social
são determinados pelas condições sócio-políticas e materiais de vida, e que estas influenciam
o desempenho cognitivo. Pensasse assim que a vulnerabilidade social - exclusão, limitação no
acesso a chances sociais e eventos estressores - ocasiona a interiorização de imagens
negativas atreladas ao status socioeconômico, causando sentimentos de insegurança e de
inferioridade, e, por conseguinte, a desorganização familiar e comunitária que está
diretamente vinculada à estimulação cognitiva que é fornecida pelo ambiente familiar e ao
cuidado parental enquanto fator de proteção.
Esse tipo de estudo (sobre fatores de risco) vem sendo cada vez mais desenvolvido e
representa um avanço importante no campo da neuropsicologia, especialmente no contexto
brasileiro. Tal avanço está relacionado à proposta do presente trabalho de explicitar o impacto
do crescer em situação de vulnerabilidade por meio do uso dos conceitos de vulnerabilidade
social crônica e sua relação com o desempenho cognitivo. Não por acaso, Hackman, Farah e
Meaney (2010) reportam que crescer em uma família com baixo nível socioeconômico está
substancialmente associado a piores condições de saúde, prejuízos ao bem-estar e aos
desenvolvimentos cognitivo e emocional, desde a infância até a vida adulta.
O estudo sobre a influência dos fatores culturais e sociais na organização cerebral e no
processo de avaliação e reabilitação neuropsicológica decorre da noção de que existem
diferenças individuais de funcionamento cerebral e que essas diferenças podem ser genéticas
ou resultado da interação entre cérebro, fatores ambientais e aprendizados adquiridos
(PARENTE; FONSECA, 2007).
O estudo das diferenças individuais na organização cerebral foi postulado logo no
início da neuropsicologia por Paul Broca ao investigar a dominância cerebral para a
linguagem. Posteriormente esta influencia foi estudada através da pesquisa experimental,
Hebb (1949), indicando o impacto da exposição a um ambiente rico em estímulos sobre a

16

formação cerebral de animais. Nos seres humanos, as principais evidências e estudos
direcionam-se a investigação da influencia da cultura e da linguagem sobre o
desenvolvimento, de modo que atualmente não existem dúvidas de que as múltiplas interações
com o ambiente levam o cérebro a atuar de forma adaptativa.
Entre os estudos direcionados a investigação dos aspectos ambientais sobre o
desempenho cognitivo, prevalecem aqueles nos quais adota-se a escolarização e a educação
como principais fatores ambientais a influenciarem os processos cognitivos. Deste modo, é
notável que apesar do consenso quanto à importância do estudo das diversas variáveis
ambientais sobre o desenvolvimento, o nível socioeconômico - enquanto determinante dos
recursos disponibilizados - não tem ocupado o grande cenário das pesquisas quando
comparado à escolarização.
Isto posto, se justifica a realização de estudos na área da neuropsicologia, em especial,
nos quais se indique o impacto da vulnerabilidade social sobre o desempenho cognitivo, e a
importância dos instrumentos de avaliação neuropsicológica apresentarem normatização
adequadas a este contexto.
As investigações estabelecidas com crianças e adolescentes de distintos níveis
socioeconômicos indicam que a vulnerabilidade socioeconômica esta associada com a
depressão, ansiedade, problemas de atenção e desordens de conduta, assim como apontam
para a influência desta sobre o desenvolvimento, correlacionando-a positivamente com a
inteligência e com o desempenho acadêmico.
Pensando em termos das funções e dos elementos que compõem o desempenho
neuropsicológico enquanto constructo, estudos indicam que o nível socioeconômico exerce
um efeito moderado sobre o processamento da linguagem, memória declarativa e cognição
espacial, assim como sobre a memória de trabalho e o controle cognitivo enquanto
componentes das funções executivas (NOBLE; MCCANDLISS; FARAH, 2007; FARAH et
al., 2006; LEVINE et. al., 2005).
Estes indicativos, da influencia do nível socioeconômico sobre aspectos do
funcionamento neuropsicológico, apresentam-se de formar mais especifica nos estudos
direcionados ao desenvolvimento da linguagem em especial no que se refere à aquisição de
vocabulário, a leitura e escrita, através dos quais - usualmente - são estabelecidas correlações
com aspectos neurofuncionais que permitem identificar que regiões estão sendo recrutadas
para dada atividade, assim como o perfil de ativação neurológico apresentado.
A exemplo disto, Raizada et. al. (2008) expõem evidencias de correlações positivas
entre o grau de ativação do giro inferior frontal durante a linguagem falada em crianças,

17

indicando um decréscimo na especialização do hemisfério esquerdo para a função da
linguagem em crianças de baixo nível socioeconômico.
Nesta perspectiva, o resultado desenvolvimental ao ser analisado em correlação com o
status socioeconômico é entendido como perpassado pela renda familiar, recursos materiais,
educação e ocupação dos pais e/ou cuidadores, assim como pelas características do contexto
como exposição à violência e toxinas, cuidado parental e pelas características do ambiente
quanto à estimulação cognitiva.
Com base nisto, Hackman, Farah e Meaney (2010) afirmam a influencia do nível
socioeconômico sobre os aspectos cognitivos, afetivos e, por conseguinte sobre desempenho
acadêmico e saúde mental, e expõem a neurociência como mecanismo para identificação biologicamente plausível - dos mediadores candidatos a explicar as relações de causa-efeito
entre o nivel socioeconômico e o desenvolvimento.
Figura 1 – Intervenção diante dos aspectos socioeconômicos.

Fonte: Adaptada pela autora de Hackman, Farah e Meaney (2010).

Assim, conforme indicado na Figura 1, entende-se que o nível socioeconômico possui
influencias que perpassam os fatores ambientais; cuidados parentais e a estimulação cognitiva
enquanto mediadores do desenvolvimento, ditando os fatores presentes no ambiente e os
recursos e cuidados que serão destinados desde o período gestacional.
O nível socioeconômico delimita as condições de vida e os recursos materiais a que se
tem acesso o que, por conseguinte, interfere no perfil de cuidado parental recebido e na
estimulação cognitiva que é direcionada a criança ou adolescente em seu ambiente familiar.

18

Deste modo, as propostas de intervenção sobre os aspectos do desempenho cognitivo devem
atentar para tal fator.
Ressalta-se que, o estudo da ação do nível socioeconômico sobre os mediadores do
desenvolvimento não pressupõe uma relação simples de causa e efeito, pois, conforme
pressuposto pela Psicopatologia do Desenvolvimento a relação entre o nível socioeconômico
e o resultado desenvolvimental observável não pode ser tido como linear unilateral. Assim, o
desenvolver é entendido como permeado pelos fatores de risco e proteção que - segundo esta
área do conhecimento- atuam continuamente sobre o resultado desenvolvimental observado
na infância, na adolescência e na vida adulta, e que podem potencializar ou prejudicar o curso
adaptativo por meio de interações que precisam ser melhor conhecidas.
Achenbach – autor desta perspectiva teórica, publicou em 1974 texto pioneiro em
Psicopatologia do Desenvolvimento, tendo por objetivo integrar a psicologia anormal a
psiquiatria infantil, e a psicologia do desenvolvimento, abrangendo o desenvolvimento normal
e atípico em uma única abordagem teórica. Posteriormente Dante Cicchetti (1984), totalmente
articulado nesta perspectiva, definiu a Psicopatologia do desenvolvimento como "o estudo das
origens e do curso de padrões individuais de má adaptação comportamental, qualquer que seja
a idade de início, sejam quais forem as causas”.
Assim, a Psicopatologia do desenvolvimento pode ser definida como a ciência que tem
como foco principal a elucidação da interação entre o biológico, o psicológico e o social e que
busca contextualizar aspectos do desenvolvimento normal e anormal independente da etapa da
vida, por meio de métodos estatísticos e epidemiológicos, investigando a diversidade das
trajetórias, processos e os mecanismos envolvidos ao longo do desenvolvimento humano e
buscando entender as origens e cursos que podem levar a um resultado de inadaptação. De
forma mais explicita, ao assumir o efeito do ambiente sobre o desenvolvimento, busca-se o
entendimento de como os fatores ambientais solidificam-se intervindo na expressão gênica e
conduzindo a um desenvolvimento não adaptado.
Nas últimas décadas tem crescido de forma significativa a preocupação pelo estudo da
vulnerabilidade social e das suas implicações nos diversos domínios do desenvolvimento,
incluindo aspectos psicossociais e cognitivos, de crianças e adolescentes que crescem em
situação de privação. Na área da psicologia do desenvolvimento, essa preocupação está
intrinsecamente relacionada à emergência e expansão de linhas teóricas denominadas de
contextualistas. Tais abordagens pressupõem que o desenvolvimento é o resultado da relação
entre a pessoa e o ambiente no qual ela está inserida, sendo um consenso na psicologia o
pressuposto de que o desenvolvimento humano é situado no contexto.

19

No entanto, apesar da consolidação deste pressuposto e do avanço das abordagens
contextualistas, observa-se que na prática a produção científica em psicologia - em especial no
que se refere ao desenvolvimento em seus aspectos psicossociais, cognitivos e
neuropsicológicos, não consegue refletir de maneira coerente a preocupação com as
especificidades do meio.
Pensando de maneira endógena, isto acontece no Brasil, com os estudos – em especial
os de neuropsicologia - que são produzidos em sua maioria na região Sul e Sudeste do país
com base na população local. Tal informação é reportada por Cavalcante (2011), ao
estabelecer associação entre concentração de renda, Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH), Produto Interno Bruto (PIB) e a produção Científica, indicador que o autor denomina
de dados agregados da população. Assim, a região Sudeste do país detém cerca de 57% do
PIB nacional, enquanto que a região Nordeste concentra apenas 13% deste índice. Aponta-se
ainda a concentração de políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação na região Sudeste e Sul
do país, e consequentemente de recursos, o que implica diretamente no PIB e na produção
científica.
[...] enquanto a produção da base cientifica replica, grosso modo, a distribuição da
atividade econômica, os indicadores da base tecnológica e de inovação relevam o
aprofundamento das desigualdades que marcam o país. [...] a região Nordeste cuja
população corresponde a 28% da população do país e detém 13% do PIB brasileiro
tem cerca de 5% do pessoal ocupado técnico – cientifico e menos de 10% das
empresas inovadoras. (CAVALCANTE, 2011, p. 10).

Diante desta constatação, é notável que as condições econômicas, sociais e políticas
presentes nas distintas regiões do país não podem ser equacionadas apenas através da idade e
da escolaridade – enquanto variáveis de normatização presentes nos instrumentos de avaliação
neuropsicológica ─ devendo a produção científica que se propõe a ser normatizada
(especificamente as normas de interpretação presentes nos testes neuropsicológicos),
considerar o desenvolvimento humano situado no contexto, assumindo a impossibilidade de
adoção de uma postura técnica e ética que seja dissociada disto.
As disparidades no incentivo a pesquisa entre as distintas regiões do país, também
estão presentes e se aguçam ao analisarmos a distribuição de diferentes recursos e serviços,
conforme exposto através do Índice de Vulnerabilidade Social entre estas regiões. O Atlas de
Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA, 2015), apresenta o Índice de
Vulnerabilidade Social (IVS) que é composto por dezesseis indicadores divididos entre as
dimensões capital humano, renda e trabalho e infraestrutura urbana, e que permitem um

20

mapeamento da exclusão e da vulnerabilidade social para os municípios brasileiros em uma
perspectiva que vai além da pobreza enquanto recursos monetários, aproximando-se do
conceito de vulnerabilidade crônica adotado neste trabalho.
A especificidade deste conceito situa-se na possibilidade de captar situações de risco
presentes para além da dicotomia presença ou ausência de renda, entendo a vulnerabilidade
social como processo dinâmico que se retroalimenta com base na permanência e consolidação
de situações de precariedade. Tal perspectiva é embasada no trabalho de Armatya Sem
(2000), Desenvolvimento como liberdade, e traz aspectos como dignidade, autoestima e autorespeito e assume a pobreza como carência ou privação de capacidades, de modo que pobres
são aqueles que carecem de capacidades básicas para operarem no meio social, e para
alcançarem níveis minimamente aceitáveis de realizações, o que pode independer da renda
dos indivíduos.
Adota-se a vulnerabilidade social enquanto fenômeno crônico, transmitido de geração
em geração através da precariedade no acesso a saúde, educação, moradia, segurança,
inserção no mercado de trabalho assim como a pertença a grupos socialmente
vulnerabilizados, sendo estes aqueles que têm o acesso e sua participação igualitária
dificultada, quando não vetada, a bens e serviços tidos como universais e que são disponíveis
para os demais integrantes da população. Tais grupos sofrem os efeitos materiais, sociais e
psicológicos da exclusão que pode ser ocasionada tanto por motivos religiosos, de saúde,
opção sexual, gênero, etnia, cor de pele, renda, quanto pela presença de incapacidades físicas
ou mental. Este fenômeno implica em perdas - muitas vezes imensuráveis, que estão para
além da esfera econômica atingindo a dimensão humana.
Parte-se do conceito, Rodríguez Vignoli (2001), no qual a vulnerabilidade social é tida
como o resultado negativo da relação entre a disponibilidade dos recursos materiais ou
simbólico dos atores, sejam eles indivíduos ou grupos, e o acesso à estrutura de oportunidades
sociais, econômicas e culturais que provêm do Estado, do mercado e da sociedade.
Em outras palavras, a vulnerabilidade refere-se à inexistência de ativos que permitam
o enfrentamento de determinadas situações de risco que agem sobre o bem-estar dos
indivíduos, estes ativos estariam ordenados em físicos; humano e sociais. Assim, a situação de
vulnerabilidade social considera a inserção e estabilidade no mercado de trabalho enquanto
mecanismo provedor dos recursos materiais; a debilidade das relações sociais que incluem
redes de reciprocidade, contato, confiança e acesso à informação e, por fim, a regularidade e
qualidade do acesso aos serviços públicos prestados.

21

O ponto de disparidade que se impõe a esta definição deve-se ao fato que as estruturas
de oportunidade variam nos distintos países e no caso do Brasil entre as diferentes regiões do
país. Assim, o enfrentamento das situações de vulnerabilidade social não depende
exclusivamente dos ativos (recursos físicos, humanos e sociais) e sim da estrutura de
oportunidade que caracterizam aquela região. Por estruturas de oportunidades, conceito
postulado por Pierre Bourdie, entende-se o conjunto dos diferentes capitais (econômico,
cultural, social, simbólico, familiar, etc.,) a que os atores sociais têm acesso e pela capacidade
destes de mobilizarem e gerenciarem tais capitais de acordo com demandas e fins específicos.
Deste modo, a equação que compõe o estudo da vulnerabilidade social é composta
pela associação entre ativos, vulnerabilidade e pelas estruturas de oportunidade, e é o
resultado desta relação que determina a mobilidade estrutural que indica a dificuldade de
dados atores em superar as situações de vulnerabilidade.
Figura 2 – Vulnerabilidade social.

Ativos
• Humano
• Fisicos
• Sociais

Estrutura de
Oportunidades

Vulnerabilidade

Mobilidade Estrutural – Possibilidade de superação da vulnerabilidade
Fonte: Autora.

No caso da população infanto-juvenil, público deste estudo, a vulnerabilidade se
expressa através da falta de garantia dos direitos e oportunidades nas áreas de educação, saúde
e proteção social, na exposição a situações de violência (doméstica e comunitária), entre
outros.
Esta

noção

de

vulnerabilidade

social,

que

considera

a

relação

ativos/vulnerabilidade/estrutura de oportunidades, tem sido adotada para a construção de
indicadores sociais mais amplos, não se restringindo ao estabelecimento superficial de uma
determinada linha de pobreza, e sim buscando um indicador contundente que abarque em si os

22

elementos da vulnerabilidade enquanto fenômeno complexo, como propõe o Índice de
Vulnerabilidade Social (IVS).
O IVS sinaliza o acesso, a ausência ou a insuficiência de alguns “ativos” em áreas do
território brasileiro, os quais deveriam, a princípio, estar à disposição de todo cidadão, por
força do Estado. O IVS varia de 0 a 1, com pontos de corte que delimitam faixas onde quanto
mais próximo de 1 maior a vulnerabilidade social do município.
Figura 3 – Faixas do Índice de Vulnerabilidade Social

Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA (2015).

Apresenta-se a baixo (mapa 1) a distribuição da vulnerabilidade social no país de
acordo com o IVS dos municípios em uma escala que vai de muito baixo índice de
vulnerabilidade social, a muito alto índice de vulnerabilidade.
Mapa 1 – índice de vulnerabilidade social dos municípios brasileiros

Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA (2015).

23

Assim, ao compararmos estes índices entre as regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país,
tem-se que os menores índices de vulnerabilidade social encontram-se nos municípios do Sul
e Sudeste do Brasil, particularmente em São Paulo, enquanto que os maiores índices de
vulnerabilidade social encontram-se na região norte e nordeste do país. Na região Nordeste,
especialmente nos estados do Maranhão, de Alagoas e de Pernambuco, além de algumas
porções do território baiano.
Sabendo que existe uma distribuição heterogênea dos índices de vulnerabilidade tanto
entre as regiões do país, como dentro de cada macrorregião é possível realizar uma análise do
número de municípios alocados de acordo com o IVS por macrorregião. Deste modo, além da
distribuição da vulnerabilidade social entre as distintas regiões do país, também é possível
analisarmos como este índice se materializa dentro de cada região.
Gráfico 1 – Número de municípios por macrorregião e faixa do IVS

Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA (2015)

Assim, observar-se que a faixa de baixa vulnerabilidade social, agrega principalmente
municípios das regiões Sudeste e Sul (47,9% e 35,2%, respectivamente) e um número quase
inexpressivo de municípios do Nordeste e do Norte (1,9% e 1,7%, respectivamente). Apenas
um município da região nordeste encontra-se na faixa de baixa vulnerabilidade Social
(Fernando de Noronha – PE), assim predominam nesta faixa os municípios da região Sul, que
correspondem a 54,4% do total de municípios com IVS muito baixo.

24

A faixa de muito alta vulnerabilidade social congrega uma maior proporção de
municípios do Nordeste e Norte (72,4% e 23,4%, respectivamente) e baixo percentual de
municípios do Centro-Oeste (0,4%), Sul (0,1%) e Sudeste (3,7%).
Do total de municípios nordestinos, 80,1% estão nas duas faixas mais altas da vulnerabilidade social. Essa proporção é de 69,5% para os municípios do Norte, 10,4% do
Sudeste, 7,9% do Centro-Oeste e 1,8% do Sul. No outro extremo, nas faixas de baixa e muito
baixa vulnerabilidade social, estão 79% dos municípios do Sul, 64,6% do Sudeste, 53,2% do
Centro-Oeste, 6,5% do Norte e apenas 1,9% do Nordeste.
Diante do exposto, produzir um conhecimento contextualizado, com a condição
socioeconômica, é além de um imperativo teórico e empírico, tendo em vista a influência das
teorias contextualistas na psicologia do desenvolvimento, um compromisso dos pesquisadores
com a realidade social circundante, a qual tem demandado pesquisas e intervenções sociais
visando à qualidade de vida das populações. É ainda, um convite para que a produção
científica que se propõe a ser normatizada pense o desenvolvimento humano situado no
contexto, assumindo a possibilidade de adoção de uma postura técnica e ética de modo que
torna-se necessária a investigação do impacto da vulnerabilidade social sobre o desempenho
cognitivo e a implementação de normatizações direcionadas a esta população.
Dentre a diversidade de demandas sociais e políticas que se apresentam à
neuropsicologia, este trabalho se direcionará a importância desta disciplina no estudo do
desenvolvimento cognitivo de adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Para alcançar o objetivo proposto nesta pesquisa dará destaque a três pressupostos
principais: a corrente teórica denominada de Psicopatologia do Desenvolvimento, que se
direciona ao estudo do processo de desenvolvimento junto aos fatores de risco e proteção; o
conceito de vulnerabilidade social crônica que pressupõe que o acumulo de situações de risco
tem um efeito somatório negativo sobre o processo de desenvolvimento e a perspectiva da
neuropsicologia.
Objetiva-se entender como os fatores de risco presentes na situação de vulnerabilidade
social podem influir no desenvolvimento atípico da cognição. Neste caso, fala-se do nível
socioeconômico da família; famílias numerosas, ocupação (não ocupação ou situação de
trabalho precária e instável), quantidade e qualidade da estimulação cognitiva, estilos de
interação familiar e social, recursos físicos e estruturais. Estes são fatores sociais e contextuais
que parecem se somar influenciando o desenvolvimento psicossocial, neuropsicológico e
cognitivo (PICCOLO, 2010; HACKMAN, FARAH; MEANEY, 2010).

25

Buscar-se-á comparar aspectos do desempenho cognitivo de dois grupos de
adolescentes com idade entre 12 a 14 anos de escolas públicas e particulares das cidades de
Jequié, interior da Bahia, e Palmeira dos Índios, interior de Alagoas, classificados de acordo
com os critérios de classificação econômica como pertencentes a classes economicamente
vulneráveis e as classes mais abastadas. A escolha destes municípios foi realizada por
conveniência, porém justifica-se pelo contexto atual para o Estado da Bahia e de Alagoas, e os
baixos indicadores sociais específicos destas localidades presentes no mapa de
vulnerabilidade social dos municípios.
O município de Jequié, sudoeste da Bahia, encontra-se entre os municípios em que a
pobreza incide sobre cerca de 57,91% da população (INSTITUTO BRASILEIRO DE
GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010). É possível ainda verificar o perfil de desigualdade
social presente no município através do índice GINI (índice que mede a desigualdade social
em uma escala de 0 – 1, onde 0 é uma sociedade totalmente igualitária e quanto mais próximo
de 1 maior a desigualdade encontrada) de 0,51 situando a localidade em segundo lugar entre
os 10 (dez) municípios mais desiguais da Bahia. Do mesmo modo, Palmeiras dos Índios, é a
quarta maior cidade do estado de Alagoas, localizada no agreste alagoano, onde a pobreza
incide sobre cerca de 58,69% da população com índice GINI de 0,43.
Deste modo, a proposta do presente trabalho justifica-se pelas demandas sociais
concretizadas nos indicadores adotados e respalda-se tanto pelos dados das pesquisas em
neurociências dedicadas a mesma problemática, quanto pelas abordagens teóricas
contextualistas dentre as quais destacaremos a Psicopatologia do Desenvolvimento.
1.1

Psicopatologia do Desenvolvimento
A psicopatologia do desenvolvimento é um campo de conhecimento que fundamenta-

se nas contribuições teóricas de várias disciplinas científicas, perspectivas sociais, genéticas e
desenvolvimentistas, com destaque para a epidemiologia Psiquiátrica Infantil e Psicologia do
Desenvolvimento. Assim, por meio de métodos estatísticos e epidemiológicos, investiga-se a
diversidade das trajetórias, os processos e os mecanismos envolvidos ao longo do
desenvolvimento humano buscando entender as origens e cursos que podem levar a um
resultado de inadaptação.
Tal campo de conhecimento teve como percussor Thomas Achenbach, que publicou
em 1974 o primeiro trabalho a utilizar a nomenclatura de Psicopatologia do Desenvolvimento.
Posteriormente são Alan Sroufe e Michael Rutter os autores que dão continuidade aos estudos

26

nesta área ao publicarem em 1984 o artigo “The domain of devolepmental Psychopathology”,
neste os autores expõem que:
é o componente “desenvolvimento” da psicopatologia do desenvolvimento que
distingue esta disciplina da psicologia anormal, da psiquiatria clínica e até mesmo da
psicologia infantil. [...] o foco em padrões individuais de adaptação e inadaptação
distingue esse campo. (SROUFE; RUTTER, 1984, p. 18, tradução nossa)

Desta forma, a Psicopatologia do Desenvolvimento começa a se estruturar enquanto
campo de conhecimento, expondo como proposta conceitual o entendimento dos elementos
que compõem a trajetória do desenvolvimento, dando enfoque ao seu resultado de
inadaptação. É possível assumir que a consideração principal deste campo, refere-se à
complexidade do processo adaptativo que compreende que não há uma relação linear entre a
adaptação no início da vida e mais tarde a presença da psicopatologia, de modo que se faz
necessário entender os padrões individuais de adaptação no que diz respeito ao período do
desenvolvimento e os desafios ambientais.
Ainda utilizando a conceituação trazida pelos autores, a Psicopatologia do
desenvolvimento pode ser descrita como a ciência que estuda as “origens e o curso dos
padrões individuais de comportamentos de desadaptação” (SROUFER; RUTTER, 1984, p.
18). Para isto, tal ciência constitui-se como multidisciplinar que não adere ou se direciona a
nenhuma teoria em particular para descrever os fenômenos do desenvolvimento, buscando
reunir conhecimentos de diversas disciplinas e campos de investigação no estudo de padrões
comportamentais relacionando-os com variáveis oriundas de processos biológicos,
psicológicos, sociais e culturais.
Para Cicchetti (1984), outro autor pioneiro da abordagem, a psicopatologia do
desenvolvimento caracteriza-se através da combinação do rigor da psicopatologia infantil
com a investigação de padrões de vulnerabilidade ou resiliência em crianças de alto risco. O
autor entende a psicopatologia do desenvolvimento como sendo uma disciplina cujo foco
principal encontra-se na elucidação da interação entre o biológico, o psicológico e o social
contextualizando aspectos do desenvolvimento normal e anormal independente da etapa da
vida. Neste caso, caberia o estudo das origens e cursos individuais de inadaptação
comportamental independente da etapa do desenvolvimento em que teve início, das causas
inerentes e do resultado comportamental encontrado.
Deste modo, a Psicopatologia do Desenvolvimento é apresentada como o processo de
estudo empírico em que os padrões divergentes de desenvolvimento, sejam estes cognitivos,
linguísticos ou emocionais, são entendidos como consequências de um contínuo de

27

influencias ambientais que, por serem persistentes no contexto no qual esse individuo se
desenvolve, tornam-se penetrantes na forma como os genes são expressos modificando-os e
contribuindo para a presença de psicopatologias – aspecto epigenético.
A exemplo disto, Polanczyk (2009) expõe que estudiosos da psicopatologia do
desenvolvimento concordam quanto ao entendimento de que,
Os transtornos mentais surgem a partir de inter-relações dimensionais, complexas,
em múltiplos níveis, entre características especificas do indivíduo (fatores
biológicos, genéticos e psicológicos), características ambientais (cuidado parental,
relacionamentos interpessoais, exposição a eventos estressores) e sociais (rede de
apoio social, vizinhança, nível socioeconômico) (POLANCZYK, 2009, p. 7).

O referido autor expõe que a psicopatologia do desenvolvimento, assim como as
demais abordagens desenvolvimentistas, constitui-se sobre os marcos conceituais que
entendem o desenvolvimento como processo, e sendo processo os resultados não adaptados
ocorridos – a exemplo de uma psicopatologia ou prejuízo cognitivo – são entendidos como
paulatinos, de modo que é o efeito contínuo destas experiências que constitui o resultado não
adaptado da forma como este se apresenta.
Tal volta-se ainda para importância da idade e da etapa desenvolvimental como fatores
imprescindíveis para o entendimento da ação de qualquer variável sobre o desenvolvimento. É
pensar que é durante a infância e a adolescência que importantes estruturas cerebrais estão
sendo formadas, e na existência dos chamados períodos críticos do desenvolvimento nos quais
diferentes regiões do cérebro estão sendo especializadas pelas experiências ao longo da vida.
Deste modo, a ocorrência de eventos estressores nesta fase podem ser percebidos como
agentes pertubadores do desenvolvimento neurológico podendo alterar estruturas cerebrais
tornando estes indivíduos mais vulneráveis. (BAES, 2012). Ressalta-se, contudo, que os
agentes causais podem atuar sobre qualquer etapa do ciclo vital produzindo efeitos diversos
que precisam ser individualmente estudados.
Esses pressupostos são adotados como alicerces desta pesquisa pois explicitam a
noção de que os mecanismos causais apresentam resultados distintos conforme o momento do
indivíduo, o contexto familiar e social. Sendo assim, assume-se a vulnerabilidade social
enquanto agente causal que pode, quando presente ao longo do processo de desenvolvimento
dos adolescentes, conduzir ao prejuízo cognitivo.
As pesquisas atuais indicam três abordagens conceituais - neuroendócrina, perinatal e
expressão gênica - direcionadas ao entendimento da ação dos agentes causais por vias
ambientais. A abordagem neuroendócrina expõe que os estressores ambientais atuam sobre
mecanismos neurofisiológicos alterando o seu funcionamento (POLAZANCKY, 2009). Os

28

principais estudos nesta perspectiva tem investigado alterações no eixo tálamo-hipofiseadrenal (HPA, sigla em inglês para Hypothalamic-Pituitary-Adrenal), sistema vinculado
diretamente às respostas aos eventos estressores, inclusive os psicológicos. Segundo Baes
(2012) tais alterações podem ser caracterizadas por uma hiper ou hipoativação deste eixo, de
modo que as anormalidades na função do eixo HPA têm sido descritas em pessoas que
experimentam transtornos psiquiátricos.
No que se refere aos aspectos cognitivos e neuropsicológicos (SALLES; HAASE;
MALLOY-DINIZ, 2016) expõem que através da avaliação neuropsicológica evidenciou-se
que a intensa ativação do eixo HPA, devido aos maus-tratos durante o desenvolvimento seja
por negligência física ou emocional, tem repercussões na memória, funções executivas,
atenção, aprendizagem e psicomotricidade.
A perspectiva perinatal busca investigar, através da hipótese da programação
biológica, como os fatores ambientais atuam e como tais alterações solidificam-se
neurofisiologicamente. Acredita-se que as vivências perinatais geram uma “programação”
neurofisiológica através das quais os indivíduos são conduzidos aos distintos resultados no
desenvolvimento de acordo com a persistência de fatores ambientais afins ou não com a
“programação” realizada durante o período gestacional.
Glover e O´Connor (2002) expõem que estudos realizados tanto em animais como em
humanos sugerem que o estresse nas fases iniciais do desenvolvimento pode induzir
alterações persistentes na capacidade do eixo HPA em responder ao estresse na vida adulta.
Inicialmente prevalecem as evidências de que o estresse vivenciado pela mãe no período
perinatal tem ação de “programação” sobre o eixo HPA do feto gerando perturbações e
reatividade emocional. O já citado autor expõe ainda que, para além das reações emocionais,
tais alterações podem se estender para os aspectos cognitivos e neurológicos, a exemplo de
alterações na lateralidade.
A abordagem epigenética entende que a presença de estressores ambientais pode
conduzir a alteração da expressão gênica resultando em uma alteração desenvolvimental.
Conforme exposto por Polanzynck (2009) fatores ambientais não podem alterar a sequência
gênica, mas podem alterar – ao longo do desenvolvimento – a forma como os genes são
expressos interferindo no seu funcionamento e contribuindo para o desenvolvimento dos
transtornos mentais.
No campo da Psicopatologia do Desenvolvimento estes elementos até aqui chamados
de agente causais são denominados fatores de risco - para o desenvolvimento desadaptativo –
e fatores de proteção que podem levar à neutralização dos efeitos adversos dos riscos. Tais

29

nomenclaturas precisam sem melhor explicitadas para que consigamos atingir o objetivo de
investigar o impacto da vulnerabilidade social, enquanto fator de risco, para o
desenvolvimento cognitivo.
1.2

Vulnerabilidade Social: Fatores de Risco e Proteção
Fatores de risco são aquelas condições ou variáveis que estão associadas com a maior

probabilidade de resultados desenvolvimentais negativos ou indesejáveis (SAPIENZA;
PEDROMONICO, 2005; MORAES, 2009). Inicialmente, a concepção de risco estava
vinculada a noção de “grupo de risco”, conceito que direciona aos sujeitos - devido ao seu
padrão de conduta - a responsabilidade pela exposição a uma situação de fragilidade ou a
comportamentos que podem comprometer a saúde, bem-estar ou performance social ou a
risco em uma perspectiva biológica, destinando-se aos estudo dos fatores de risco para o
desenvolvimento de dadas doenças como o fumo – enquanto fator de risco para o
desenvolvimento de câncer de pulmão. Posteriormente, em meados dos anos 60, tal conceito
começa a ser reformulado dando espaço à investigação dos determinantes sociopolíticos e
ambientais que são impostos aos indivíduos e que constituem fatores de risco ao
desenvolvimento.
Os estudos iniciais a respeito dos fatores de riscos direcionados ao desenvolvimento
tinham como objetivo identificar fatores de risco e adversidades presentes na vida de crianças
e adolescentes, a fim de avaliar a influência destas no desenvolvimento e, assim, propor
estratégias de intervenção direcionadas à redução de problemas de comportamento ou déficits
desenvolvimentais. Ressalta-se que, nestes primeiros estudos considerados os pioneiros na
perspectiva da Psicopatologia do Desenvolvimento, a idéia de risco estava diretamente
atrelada aos aspectos biológicos, de modo que falar em fatores de riscos remetia diretamente
aos aspectos envolvidos no período pré-perinatal e pós-natal e suas consequências posteriores
nas fases do desenvolvimento infantil.
Atualmente, os modelos de risco podem ser divididos em duas categorias gerais:
modelos simples e modelos complexos de risco, sendo que a principal distinção entre estes se
encontra no entendimento quanto à forma como os fatores de risco atuam sobre o
desenvolvimento.
Às produções cientificas que adotam o modelo simples de risco estabelecem uma
visão estática e linear causal entre o risco e o mau ajustamento, sendo este definido como o
resultado negativo do desenvolvimento, e, portanto apresentam limitações na definição de

30

risco. Em oposição a este modelo surge o modelo complexo de risco que trás a idéia de risco
como processo. Nesta perspectiva, o risco não possui um fim em si mesmo, de modo que só
pode ser considerado a partir da sua relação com variáveis que dão início ao conceito de
fatores de proteção, visão adotada neste trabalho.
A noção de risco enquanto fenômeno complexo indica a necessidade de
vislumbrarmos o risco enquanto permeado por mecanismos que ligam múltiplas variáveis.
Assim, a presença de um evento adverso durante o desenvolvimento infantil, ou na vida de
um adolescente não implica diretamente, e por si só, em comportamentos de mau
ajustamento.
Um conceito que surge da discussão do risco enquanto fenômeno complexo perpassa
pela idéia de que as adversidades podem ser sobrepor gerando o chamado efeito cumulativo
de risco. Tal conceito parte do pressuposto que os fatores de risco fazem parte do contexto
social e são determinados por aspectos políticos, socioeconômicos, ambientais, culturais,
familiares e genéticos, de modo que podem se apresentar como causadores de dado resultado
desadaptativo ao desenvolvimento ou enquanto integrantes de uma associação entre diversos
agentes (SAPIENZA; PEDROMÔNICO, 2005).
É neste sentido que Haggerty e outros (1998) expõem que “o acúmulo de riscos existe
em quase todas as famílias, mas o efeito pior se dá nas famílias mais pobres, em que há
possibilidade de os indivíduos serem expostos às adversidades como pobreza dos pais,
discórdia e separação, cuidados inadequados com a saúde e desemprego crônico.” Neste
aspecto, vale ressaltar a importância de estendermos a discussão para além da condição de
pobreza enquanto geradora dos fatores de risco para contemplarmos as diversas variáveis
sociais, políticas e econômicas da qual a pobreza é função, assim como as implicações sociais,
psicológicas e cognitivas que esta impõe enquanto fator político, assim adotamos o marco
conceitual da vulnerabilidade social tendo em vista que esta, enquanto fenômeno, ultrapassa o
fator econômico.
Assim, justifica-se a importância de estudos acerca do desenvolvimento de crianças e
adolescentes em situação de vulnerabilidade, tendo em vista que esta geralmente os expõem a
fatores ambientais que implicam em estressores biológicos e psicossociais. Sapienza e
Pedromônico (2005) expõem a prematuridade, desnutrição, baixo peso, lesões cerebrais,
atraso no desenvolvimento, família desestruturada, pobreza, dificuldade de acesso à saúde e
educação como os fatores de risco usualmente abordados na literatura.
Sobre isto, expõe-se a demanda pelo rompimento dos modelos usuais de estudo dos
fatores de risco, em especial os que direcionam-se as condições sociais de vida, em prol de

31

uma visão na qual a relevância do estudo do desenvolvimento em situação de desvantagem
socioeconômica seja visto enquanto fenômeno político, perpassado pelo desemprego; pela
pobreza e a pela constituição de minorias sociais. Fenômeno este, que cronifica valores,
papéis sociais, o acesso a recursos e serviços, e que deve ser tido como retroalimentador de
um ciclo que cronifica a vulnerabilidade social.
Os fatores de risco – também entendidos enquanto eventos estressores - são definidos
como acontecimentos que alteram o ambiente, podendo estes serem normativos ou não,
gerando alto grau de tensão no indivíduo, tensão esta que altera o padrão de respostas
apresentado e que potencializa as consequências negativas sobre o desenvolvimento. Para
Masten e Garmezy (1985) “condições de pobreza, desagregação familiar, vivência de algum
tipo de violência ou maus-tratos, experiências de doença (indivíduo ou família),
institucionalização, abandono e perdas importantes são alguns exemplos de eventos
adversos.”
Deste modo, a investigação sobre a influência dos fatores de risco sobre os aspectos
psicológicos e cognitivos requer um entendimento amplo e uma base conceitual que permita o
estabelecimento de uma relação causal entre tais fatores. Assim, entende-se que o foco não
deve direciona-se apenas aos efeitos dos fatores de risco – sejam estas as consequências
psicológicas (depressão; transtornos comportamentais; transtornos mentais ou alterações
neuropsicológicas (déficits cognitivos) – mas às suas origens, de modo que seja possível
identificar o mecanismo através do qual tais fatores atuam, incluindo nisto os mecanismos de
proteção.
Os fatores ou mecanismos de proteção são tidos como os recursos sociais que atenuam
ou neutralizam os impactos dos riscos conduzindo – ou mantendo – o indivíduo em uma
trajetória desenvolvimental satisfatória (SAPIENZA; PEDROMÔNICO, 2005). Entender
como estes mecanismos atuam tem sido um desafio, tendo em vista que estes podem se
apresentar enquanto recursos individuais ou do ambiente, de modo que perpassa pela
aproximação do conjunto de elementos que constituem o contexto no qual o indivíduo esta
inserido.
Dentre os elementos tidos como fatores de proteção, destaca-se o cuidado parental
enquanto fonte de suporte social, de supervisão, estimulação das habilidades intelectuais e
conexões com redes familiares ampliadas e apoiadoras. A nível de resultados
desenvolvimentais crescer em um ambiente permeado por fatores de proteção leva ao
desenvolvimento de características pessoais dentre as quais destaca-se a competência social
(flexibilidade; sensibilidade; atenção; assertividade para demonstração emoções e comunicar-

32

se durante as dificuldades); habilidade para resolução de problemas através do pensamento
crítico e da elaboração de alternativas; autonomia expresso através de uma forte auto-estima
positiva e na confiança no futuro.
Assume-se então os fatores de risco e proteção como mediadores da relação entre a
vulnerabilidade social e o desempenho cognitivo infantil, tendo em vista que a estimulação
cognitiva, o acesso ao sistema de saúde, escolaridade e emprego dos pais/cuidadores são
aspectos geralmente vinculados ao nível socioeconômico.
Estudos neuropsicológicos indicam (BARROS et. al, 2009; STELZER, 2011) a
existência de uma associação positiva entre a escolaridade materna e o desempenho cognitivo,
especificamente das funções executivas, em crianças e adolescentes tendo em vista que esta
influencia diretamente o estilo de interação e estimulação cognitiva direcionada através de
práticas cotidianas e os recursos disponibilizados. Tais evidências estendem-se a presença de
uma estimulação cognitiva pobre ou inadequada, conforme indicado em estudo longitudinal
com eletrocefalograma, no qual identificou-se a alta exposição ao risco psicossocial enquanto
fator de risco para o desenvolvimento cerebral dos lobos frontais e occipitais (OTERO et. al,
2003).
Segundo Katzman (2000), a idéia mais geral de vulnerabilidade perpassa pela
defasagem das estruturas de oportunidades do Estado e da comunidade, resultando em um
aumento das situações de desproteção e insegurança. O autor afirmar que,
[...] a noção de vulnerabilidade se concentra nos determinantes dessassituações, as
que se apresentam como resultado de uma defasagem ou assincronia entre os
requisitos de acesso das estruturas de oportunidades oferecidas pelo mercado, o
Estado e a sociedade e os ativos dos lugares que permitiriam aproveitar tais
oportunidades. (KAZTMAN, 2000, p. 278, tradução nossa)

Definida como um risco social, a vulnerabilidade caracteriza-se pela concentração da
precariedade de serviços coletivos e de investimentos públicos que, desse modo, provocam a
desproteção social das comunidades mais carentes (PENNA; FERREIRA, 2014). A questão
da vulnerabilidade envolve a relação entre Estado e sociedade que expõe a “dificuldade em
expandir os direitos de cidadania”, pois não há a consolidação de “um conjunto de direitos
básicos” (PENNA; FERREIRA, 2014). Esses problemas vêm sendo tratados de maneira
pontual pelas políticas públicas, e isto se deve a uma variedade de fatores, alguns altamente
controversos e outros difíceis de medir com precisão, que contribuem para a abordagem
multidimensional do fenômeno.
A noção de vulnerabilidade procura particularizar as diferentes situações dos sujeitos
em três planos analíticos: a vulnerabilidade individual, social e programática.

33

A vulnerabilidade individual está relacionada aos aspectos que dependem diretamente
das ações individuais, configurando o comportamento e as atitudes do sujeito, a partir de um
determinado grau de consciência que ele manifesta. Deste modo, os aspectos biológicos,
emocionais, cognitivos e atitudinais referentes às relações sociais determinam a condição de
vulnerabilidade individual. Por seu turno, a vulnerabilidade programática se refere às ações
comandadas pelo poder público, iniciativa privada e agências da sociedade civil, que visam ao
enfrentamento das situações que causam vulnerabilidade, proposição de ações e destinação de
recursos com esta finalidade. Por fim, a vulnerabilidade social se caracteriza pelo contexto
econômico, político e social, que dizem respeito à estrutura disponível de acesso a
informações, financiamentos, serviços, bens culturais, liberdade de expressão, incluindo o
poder de influenciar decisões políticas e ultrapassar barreiras culturais.
Ressalta-se que tais fatores de vulnerabilidade foram aqui apresentados de
forma distinta, a fim de demonstrar um melhor entendimento. No entanto, estes estão
imbricados em uma complexa rede de interação e multifatorialidade e determinação, que tem
no conceito de vulnerabilidade sua perspectiva de compreensão.
Neste trabalho nos deteremos aos conceitos de vulnerabilidade social em sua
complexidade e dimensões.
Sendo a vulnerabilidade social um processo complexo e multidimensional, este não é
passível de uma única definição conceitual, nem pode ser abordado através de uma
perspectiva teórica restrita. Isto posto, pretende-se expor as principais abordagens teóricas
direcionadas a tal fenômeno, dando destaque a abordagem que entende a vulnerabilidade
social através de elementos, risco e atores.
No âmbito da vulnerabilidade social, o conceito de risco apresenta-se como sendo
contra-face, e não oposto, ao conceito de vulnerabilidade. Neste contexto, entende-se que
todos estão expostos, em maior ou menor medida, a situações de vulnerabilidade ou risco,
mas que estas situações são intensificadas, ou possuem maior impacto, quanto maior forem as
necessidades básicas de vida insatisfeitas.
Katzman (2000) demonstra a aplicação do conceito de risco no contexto da
vulnerabilidade ao apontar que “as forças que afetam o bem-estar podem ser exógenas ou
endógenas dos lugares, e das condições impostas por estes, e que a exposição a estas forças
pode ser maior ou menor dependendo das posições que tradicionalmente refletem a teoria da
estratificação social. Tal perspectiva corrobora o proposto por Morais, Raffaeli e Koller
(2012), quando estas expõem que a perspectiva de vulnerabilidade social propõe-se a entendêla como resultado de um processo social que remete à condição de vida e aos suportes sociais.

34

Crescer em situação de vulnerabilidade social não pode ser tomado por si só enquanto
único fator determinante de um padrão de desenvolvimento cognitivo prejudicado, devendo
ainda o desenvolvimento cognitivo prejudicado ser analisado a luz dos aspectos genéticos.
Sendo assim, a proposta deste trabalho direciona-se para o estudo dos impactos da
situação de vulnerabilidade social - enquanto fator de risco - sobre o desempenho cognitivo,
indicando a necessidade dos instrumentos de avaliação neuropsicológica apresentarem uma
normatização que considere o nível socioeconômico. Para isto, assume-se a neuropsicologia
como área multidisciplinar que exige conhecimentos transdisciplinares e que possui um corpo
próprio de conhecimentos e métodos de trabalho e pesquisa.
A avaliação neuropsicológica é entendida como procedimento formado por provas que
possuem base neurobiológica e que avaliam funções cognitivas descrevendo as diferentes
funções e seus sub-componentes de acordo com a sua representação cerebral e que tem por
objetivo principal descrever a preservação; déficits e desenvolvimento das funções cognitivas
associando-as a possíveis lesões e alterações cerebrais. Dentro deste escopo tem-se as
avaliações neuropsicológicas limitadas a dada função cognitiva (ex: memória, linguagem); as
elaboradas para grupos clínicos específicos (ex: epilepsia ) e as que procuram dar um
panorama geral do estado cognitivo do paciente. As últimas são denominadas de baterias
neuropsicológicas categoria na qual se enquadra o NEUPSILIN – Instrumento de Avaliação
Neuropsicológica Breve, utilizado neste estudo.
A NEUPSILIN propõe-se a fornecer um panorama geral do desempenho cognitivo do
paciente através de uma avaliação breve de oito funções cognitivas, sendo estas assumidas
como marcadores conceituais e indicadores do desempenho cognitivo, estando organizadas
por seus componentes da seguinte maneira:

Figura 4 – Organização das funções, componentes e tarefas avaliadas.

Nomeação
35
Repetição

Temporal

Linguagem Oral

Ling. Automática

Orientação
Espacial

Compreensão Oral
Processamento de Inferências

Contagem Inversa
Atenção

Linguagem
Leitura em voz alta

Repetição de Dígitos

Compreensão Escrita
Verificação da igualdade e diferença entre linhas

Escrita

Heminegligência Visual
Percepção

Linguagem
Escrita Espontânea

Percepção de Faces

Escrita Copiada

Reconhecimento de Faces

Escrita Ditada

Span de Dígitos

Habilidades
Aritméticas

4 cálculos aritméticos

Span de Palavras
De trabalho
Ideomotora
Evocação imediata
Verbal episódica-semâtica

Evocação tardia

Práxias

Reconhecimento
Memória

Fonte: Autora.

Semântica de longo prazo

Construtiva
Reflexiva

2 Perguntas

Visual de curto-prazo

3 Figuras

De trabalho

1 Tarefa

Função
Executiva

Resolução de
Problemas

Fluência
Verbal

36

As funções cognitivas acima esquematizadas são operacionalizadas enquanto
constructos teóricos e avaliadas através de tarefas especificas que constituem a NEUPSILIN,
enquanto bateria de avaliação neuropsicológica. Isto posto, expõe-se o constructos adotados
na presente pesquisa como componentes do desempenho cognitivo e as tarefas através dos
quais cada um destes foi avaliado.
Orientação têmporo-espacial: Sistema composto por recursos atencionais, visuais, de
raciocino e de memória que indica como o indivíduo se situa no tempo e espaço. Déficits
neste domínio podem indicar um prejuízo cognitivo e genérico que pode associar-se com um
distúrbio visuo-especial, sendo tomado também como indicativo para demais quadros clínicos
incluindo nisto os casos de demência. A avaliação deste domínio, na presente pesquisa, deu-se
através da investigação da consciência do individuo quando ao dia, mês, ano (temporal) e
local (espacial) em que estava no momento da avaliação neuropsicológica.
Atenção (concentrada e focalizada): Entendida como função neurobiológica essencial
que permite a seleção dos estímulos mais importantes ou interessantes do ambiente externo ou
interno. Deste modo, a atenção pode ser definida como processo associado à seleção e à
organização da informação isto é, a uma atividade que processe os componentes básicos
necessários para a concentração e ação. A energia necessária para prestar atenção tem efeitos
significativamente benéficos no desempenho de várias tarefas comportamentais, exceto
quando há déficits nesse sistema, é o caso do Transtorno de Déficit de Atenção e
Hiperatividade (BEAR; CONNORS; PARADISO; 2008). As tarefas de contagem inversa e
repetição de dígitos são utilizadas no presente estudo como mecanismos de avaliação
neuropsicológica da percepção.
Percepção: O córtex humano possui três sistemas perceptuais bem desenvolvidos,
sendo: o visual, o auditivo- visual e o somestésico. Todos os sistemas perceptuais dependem
de receptores sensoriais, ou neurônios especializados. Dentro da percepção visual tem-se o
reconhecimento de figuras e objetos que ocorre a partir dos processos da identificação de
tamanho e direção de linhas ou manchas, capacidade de agrupamento, integração e
diferenciação figura-fundo, reconhecimento de formas, constância de tamanho, constância de
posição, classe de objetos. As tarefas de cancelamento de traços, percepção do tamanho de
linhas, reconhecimento e percepção de faces são utilizadas no presente estudo como
mecanismos de avaliação neuropsicológica da percepção visual.
Memória: Os estudos neuropsicológicos privilegiam as teorias de múltiplois sistemas
de memória, assim a memória não é um processo unitário, mas uma combinação de
subsistemas inter-relacionados. Tais teorias prevêem que um sistema de memória possa estar

37

falho enquanto outros continuam preservados, representando uma dissociação entre os
sistemas mnemônicos. As memórias são classificadas quanto à modalidade da informação
assim, há memórias visuais e memórias auditivas, verbais ou não verbais. No que se refere às
etapas da memória, descrevem-se três: codificação, armazenamento ou registro e recuperação
(por evocação ou reconhecimento). Na primeira, as informações são interpretadas, na
segunda, consolidadas e, na terceira, acessadas quando necessárias. A evocação tem papel
importante quando o individuo é exposto novamente ao contexto de aprendizagem, sendo a
única maneira de mostrar que a memória foi realmente formada e armazenada.
(QUILFELLDT, 2010). Na presente pesquisa a memória foi avaliada através de tarefas de
evocação verbal.
Habilidades Aritméticas – As dificuldades de processar números e quantidades, e de
realizar cálculos aritméticos são chamadas discalculias ou acalculias, e estão frequentemente
associadas com os distúrbios da linguagem denominadas afasias. Neste quadro podem estar
presentes dificuldades na transposição da leitura do numero apresentado para à emissão
verbal; erros sintáticos no quais não se consegue considerar as casas decimais; erros
operacionais diretamente vinculados a dificuldade de processar quantidades e os erros
espaciais quando o paciente não consegue realizar os procedimentos espaciais para o calculo
aritmético. A solicitação da estruturação e resolução de operações matemáticas constituiu a
tarefa destinada à avaliação neuropsicológica das habilidades aritméticas nesta pesquisa.
Linguagem Oral e Escrita - A avaliação neuropsicológica da linguagem direciona-se a
análise dos níveis de compreensão e de expressão, assim como ao tratamento da informação
auditiva e o desempenho visuo-construtivos. O exame da compreensão dá-se através do plano
fonológico, verbal e sintáxico. Já a expressão, deve analisar a capacidade fonológica,
morfossintática e léxico-semântica. (GIL, 2002). É a partir das alterações ou normalidades na
fluência do discurso, compreensão auditiva, nomeação e a repetição de cada um destes
parâmetros que são classificadas os diferentes tipos de afasias, sendo esta o distúrbio da
linguagem oral. Prevalecem dentre os diagnósticos as afasias expressivas, nas quais ocorrem a
perda da capacidade de emissão maior do que a perda da capacidade de compreensão; as
afasias receptivas, caracterizada pela perda da compressão maior do eu da emissão; e as
afasias de condução marcada pela dificuldade de repetição e com grande número de trocas
fonológicas (sons), mas sem grande perda da compreensão maior do que da emissão.Na
presente pesquisa a linguagem foi avaliada através de tarefas de nomeação de objetos
representados através de figuras, compreensão (oral palavra e frase), emissão de linguagem
automática (números, meses), repetição de palavras, escrita espontânea, copiada e ditada.

38

Organização motora (praxias) – Entende-se por praxias as habilidades dirigidas à
execução gestual, tendo em vista que diferentes movimentos compõem um gesto a práxis se
refere a um processo de execução de um ou de uma série de movimentos constituindo funções
motoras. As dificuldades gestuais são denominadas apraxias. Na presente pesquisa as praxias
foram avaliadas através de tarefas de comando verbal e imitação dos gestos do examinador.
Funções Executivas: As Funções Executivas (FE) referem-se ao controle voluntário e
consciente sobre o ambiente e sobre a ação necessária para administrar contingências em
função de um objetivo, assim como a regulação do processamento da informação no cérebro.
Deste modo, tais funções estão envolvidas no controle e na regulação dos processos
cognitivos mais simples, bem como em comportamentos direcionados a metas e orientados
para o futuro. (FONSECA; SALLES; PARENTE ,2009). As funções executivas perpassam
pelos processos cognitivos de linguagem, memória, atenção e motricidade, tendo em vista que
inclui processos e funções tais como inferência, resolução de problemas, organização
estratégica, decisão, inibição seletiva do comportamento, seleção, verificação, controle e
execução, flexibilidade cognitiva e memória operacional. (SANTOS, 2004). Os déficits nas
funções executivas são as síndromes frontais ou disexecutivas. No presente estudo utilizaramse as tarefas de resolução de problemas e fluência verbal fonêmico- ortográfica para a
avaliação neuropsicológica das funções executiva, assim como a observação das estratégias
empregadas para solucionar cada teste como fonte de indicadores de possíveis prejuízos.

Os resultados obtidos nas tarefas expostas são analisados através de dois grandes eixos
de normatização, adolescentes e adultos, que permitem a identificação da presença ou não de
déficits cognitivos. Tendo em vista que a pesquisa em questão dedicou-se ao desempenho
cognitivo de adolescentes, serão considerados os dados normativos para o referido grupo que
constitui-se das variáveis escolaridade e tipo de escola – pública e privada.
Deste modo, os dados de normatização do NEUPSILIN expõem que considerando-se a
série dos adolescentes, foram encontradas diferenças significativas entre as médias das tarefas
de orientação temporal; contagem inversa do tempo; verificação da igualdade e diferenças
entre linhas; maior sequência repetida de ordenamento de dígitos; memória semântica de
longo prazo total; Linguagem oral processamento de inferências; linguagem oral total;
linguagem escrita leitura em voz alta; linguagem escrita ditada; linguagem escrita total e
praxia construtiva. No que se refere ao desempenho total na tarefa, foram encontradas
diferenças nas funções Orientação têmporo-espacial; Percepção; Memória; Linguagem;
Praxia; Fluência verbal total e para o número de vocábulos evocados por minuto.

39

Quanto ao tipo de escola, pública ou particular, identificaram-se diferenças nas tarefas
de contagem inversa; repetição de sequência de dígitos; verificação da igualdade e diferenças
de linhas; maior sequência de dígitos; ordenamento ascendente de dígitos; sequência repetida
span auditivo; span auditivo de palavras e sentenças; memória de trabalho total; memória
verbal episódico-semâtica evocação imedita e tardia; memória verbal episódico-semântica
reconhecimento; memória verbal episódico-semântica total; memória semântica de longo
prazo total; memória visual de curto prazo total; linguagem escrita espontânea; escrita
copiada; escrita ditada; linguagem escrita total; praxias construtivas e reflexiva. No que se
refere ao desempenho total na tarefa foram encontradas diferenças – usando como norma a
escolaridade – nas funções da atenção; memória; linguagem e praxias.
O desempenho obtido nas funções citadas e a análise da diferença entre funções é
possível a partir da análise estatística descritiva aplicada ao desempenho dos grupos
normativos. Para o indicativo da presença de déficit em uma determinada tarefa ou função,
tem-se o escore Z (padronizado individual = média do paciente – média esperada idade;
escolaridade; escola/ desvio-padrão do grupo normativo correspondente) que estabelece o
ponto de corte de acordo com a representatividade de um índice de déficit na clínica
neuropsicológica. Assim, tem-se:
Tabela 1 – Escore Z
Escore Z
Z entre - 1 e -1,5

Índice de déficit
Sugestivo de alerta para déficit

Z ≤ - 1,5 desvio-padrão

Sugestivo de déficit

Z entre -1,6 e -2,0 desvios-padrão

Sugestivo de déficit moderando a severo

Z ≤ -2,0 desvios-padrão

Sugestivo de déficit de gravidade importante

Fonte: Autora.

Em termos operacionais os escores Z apresentados indicam o quanto que o
desempenho do avaliado está inferior, sinal negativo, ou superior – sinal positivo, de acordo
com esperado para o grupo ao qual o adolescente pertence, neste caso à idade, escolaridade
(série) e tipo de escola (pública ou particular). Assim, para que o desempenho obtido em dada
função cognitiva seja considerado como vinculado ao déficit cognitivo, variando de alerta
para déficit a déficit de gravidade importante, o escore Z do paciente deve ser ≤ - 1,5.
No caso da avaliação neuropsicológica de crianças e adolescentes a identificação de
possíveis déficits, ou de déficits já consolidados, indica para além da demanda por estratégias
de intervenção neuropsicológica destinadas a estimulação cognitiva, a necessidade de uma

40

investigação que correlacione os déficits identificados com o seu impacto no desempenho
escolar. Deste modo, assume-se que a avaliação Neuropsicológica na infância e adolescência
tem por objetivo identificar precocemente alterações no desenvolvimento cognitivo e
comportamental, contribuindo para o processo de ensino-aprendizagem. (COSTA et al.,
2004).
Os transtornos de aprendizagem representam a conseqüência de um transtorno na
organização funcional do sistema nervoso central, em geral de caráter leve, mas com
conseqüências de considerável importância para o futuro social da criança/adolescente. Do
ponto de vista etiopatogênico, estes transtornos inserem-se dentre das alterações funcionais
(disfunções), porém sua base é evidentemente orgânica.
O ambiente no qual o adolescente esta inserido, e seus fatores de risco, destaca-se
entre as variáveis que interferem no desenvolvimento, tendo em vista que este é um dos
elementos que pode influir no desenvolvimento atípico da cognição. (SAMEROFF, 1986).
Sendo assim, a neuropsicologia, ao investigar a identificação dos fatores responsáveis pela
prevalência de um padrão prejudicado de desempenho cognitivo de adolescentes em contexto
de vulnerabilidade, deve atentar para a multideterminação do desempenho observado e a
necessidade de instrumentos adequados e sensíveis aos aspectos do contexto.
O nível socioeconômico da família; famílias numerosas, ocupação, quantidade e
qualidade da estimulação cognitiva, estilos de interação familiar e social, recursos físicos e
estruturais; dentre outros, são fatores sociais que parecem influenciar no desenvolvimento e
desempenho neuropsicológico e cognitivo, levando ao fracasso escolar, nas áreas a
linguagem, visoespacialidade, e habilidades sociais (PICCOLO, 2012; MARTURANO, 1999;
FREITAS et. al., 2010).

41

2

ARTIGO – ANÁLISE DO DESEMPENHO COGNITIVO SEGUNDO O NÍVEL
SOCIOECONÔMICO: AVALIAÇÃO DE ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO
DE VULNERABILIDADE SOCIAL

RESUMO
O presente estudo se propôs a avaliar o impacto do nível socieconômico sobre o desempenho
cognitivo avaliado por meio de bateria neurosicológica. Tem-se como hipótese que a situação
de vulnerabilidade social está associada a um baixo desempenho neuropsicológico. O
Instrumento de Avaliação Neuropsicológica Breve foi aplicado em 96 adolescentes, com faixa
etária entre os 12 e 14 anos de idade (média = 13 e desvio padrão = 0,80), regularmente
matriculados no ensino fundamental da rede pública e privada de educação básica do
município de Jequié, interior da Bahia, (n = 41, sendo 11 de escola particular e 30 de escola
pública) e de Palmeiras dos Índios, interior de Alagoas (n = 55, sendo 28 de escola particular
e 27 de escola pública). Os participantes foram avaliados ainda através do Questionário de
Classificação Econômica Brasil através do qual se estabeleceu a classificação socioeconômica
das famílias. Os resultados indicam a predominância de déficits cognitivos, intensidade
moderada a severa, na população com rendimento familiar mensal até três salários mínimos,
tal dado é corroborado pela relação entre a presença do benefício do Programa Bolsa Família
e o desempenho indicativo de déficits de gravidade importante para todas as funções avaliadas
nos adolescentes da Bahia, com exceção da função executiva.
Palavras Chave: Avaliação neuropsicológica. Desempenho cognitivo. Vulnerabilidade
Social.
ABSTRACT
The present study if it proposed to evaluate the impact of the level socieconômico on the
appraised cognitive acting through battery neurosicológica. It is had as hypothesis that the
situation of social vulnerability is associated to a bass acting neuropsicológico. The
Instrument of Avaliação Neuropsicológica Breve was applied in 96 adolescents, with age
group between the 12 and 14 years of age (average = 13 and standard deviation = 080),
regularly enrolled in the fundamental teaching of the public and private net of basic education
of the municipal district of Jequié, interior of Bahia, (n = 41, being 11 of private school and
30 of public school) and of Palm trees of the Indians, interior of Alagoas (n = 55, being 28 of
private school and 27 of public school). The participants were appraised still through the
Questionnaire of Economical Classification Brazil through which settled down the
socioeconomic classification of the families. The results indicate the predominance of
cognitive deficits, moderate intensity the severe, in the population with monthly family
income up to three minimum wages, such a die is corroborated by the relationship between
the presence of the benefit of the Programa Bolsa Família and the indicative of deficits of
important gravity for all of the appraised functions in the adolescents from Bahia, except for
the executive function.
Keywords: Neuropsychological evaluation. Cognitive performance. Social vulnerability.

42

2.1

Introdução
Hackman, Farah e Meaney (2010) reportam que crescer em uma família com baixo

nível socioeconômico está substancialmente associado a piores condições de saúde, prejuízos
ao bem-estar e ao desenvolvimento cognitivo e emocional, desde a infância até a vida
adulta.Com base nesta constatação, objetivou-se avaliar o impacto da vulnerabilidade social
sobre o desempenho cognitivo, especificamente, o desempenho em uma bateria de avaliação
neuropsicológica. Deste modo, o estudo das implicações do nível socieconômico sobre os
aspectos neuropsicológicosé relevante para toda a população, embora se deva ressaltar que os
efeitos mais fortes são muitas vezes vistos em pessoas das classes sociais mais baixas.
Os aspectos do desenvolvimento cognitivo e emocional são afetados por todos os
níveis socioeconômicos em diferentes graus e formas. (HACKMAN; FARAH; MEANEY,
2010). Assume-se assim, que o nível socioeconômico como um contructo complexo baseado
na renda familiar, recursos materiais, educação, ocupação e outras características vinculadas
ao contexto familiar incluindo nisto exposição a violência, perfil de cuidado parental e
provisão de estimulação cognitiva.
A respeito disto, fazer partede um contexto familiar de elevado nível socieconômico,
durante a infância, contribui para o desenvolvimento cognitivo e está associado a um maior
grau de inteligência e desempenho acadêmico - desde a infância e ao longo da adolescência.
Entretanto,quando a criança vivência sua infância em um contexto familiar de baixo nível
socioeconômico, predomina amaior prevalência de transtornos psicológicos como a depressão
e a ansiedade, e de comportamentos desviantes e delitivosem comparação com àquelas
crianças inseridas em um contexto socioeconômico mais favorável (DUCAN; BROOKSGUNN; KLEBANOV, 1994; MERIKANGAS, et al., 2010; TRACY, et al. 2008).
O estudo da relação entre as variáveis sociais com os aspectos psicológicos tem
consideradoque muitos dos fatores relevantes para a saúde mental são, ou possuem,
subcomponentes sociais, sendo possível – em alguns casos – expor evidências
neurocientíficas dos correlatos neurais da condição social adversa. Fala-se então dos fatores
de risco socioambiental ao cérebro humano.A exemplo disto, Riem et. al. (2015) expõem que
o comportamento dos cuidadores tem efeitos duradouros sobre o desenvolvimento: atos que
resultam em danos ou representam uma ameaça para a criança aumentam o risco para os
deficits de aprendizagem, anormalidades comportamentais e emocionais, e para uma ampla
gama de doenças, incluindo depressão, transtorno de personalidade borderline, transtorno de
estresse pós-traumático, ansiedade e esquizofrenia.

43

Assim, é a combinação da alta incidência de estressores ambientais, dentre os quais
encontra-se o nível socioeconômico, com os baixos níveis de suporte parental que configuram
a condição de vulnerabilidade. (DUBOIS et. al., 1992; DUBOW; TISAK, 1989; MASTEN;
GARMEZY, 1985).
A vulnerabilidade social é entendida fruto da interação de arranjos sociais e políticos
que vão incidir sobre os indivíduos perpassando por diversos aspectos além daqueles que a
condição de pobreza geralmente envolve. Tem-se então, além da precariedade da renda por
um longo período de tempo, necessidades insatisfeitas, relações sociais fragilizadas, aspectos
psicossociais negativos e baixa capacidade de mobilização de ativos, o que leva a diversas
formas de destituição que se associam a fatores tanto estruturais quanto idiossincráticos e que
juntos configuram situações de vulnerabilidade crônica gerando barreiras para o
desenvolvimento físico e mental. Assim, indivíduos que nascem e crescem em situação de
vulnerabilidade social enfrentam várias barreiras sociais e econômicas para o sucesso e bemestar, e fazê-lo com a desvantagem adicional de acesso precário aos serviços de saúde e
educação reduz a resiliência emocional e prejudica as habilidades cognitivas.
Atentos a esta demanda Heberle e Carter (2015) estudam a condição de pobreza como
determinante não apenas do acesso a serviços e recusos, mas como um problema social
perpassado pelas questões raciais e étnicas, de modo que boa parte das crianças que integram
os grupos étnicos ditos minoritários vivem imersas em uma dinâmica de opressão estrutural,
individual e institucional que transmite intergeracionalmente a pobreza através de fatores
como escolaridade e qualidade ou incapacidade dos pais para passar riqueza material aos
filhos. Como consequência disto, assume-se a hipótese de que as crenças atitudes e
perspectivas

sobre

a

pobreza

e

a

desigualdade

-das

crianças

em

contexto

socioeconomicamente vulnerável, impactam sobre os primeiros esquemas cognitivos, seu
senso de auto-eficácia, a identificação de grupo, e outros aspectos da identidade que deverão
ter lugar na adolescência e no início da idade adulta.(BRUNSMA, 2005; HEBERLE;
CARTER, 2015)
Deste modo, os impactos da desvantagem socioeconômica se instalam, também,
através das crenças do que é ser pobre e das incapacidades sociais e acadêmicas desta
população, interferindo assim nos processos de enfrentamento e nos resultados
comportamentais, principalmente em crianças mais velhas e adolescentes. O condição em
questão, resulta, confome exposto por Poulton et al. (2002), em um risco substancial e
duradouro ao funcionamento emocional e acadêmico social em jovens e crianças pobres, risco

44

este que começa a se manifestar muito cedo na vida e persiste mesmo para pessoas que não
permanecem economicamente desfavorecidas.
Ainda a respeito das variáveis constituintes da situação de vulnerabilidade
social,estudos (PICCOLO et. al., 2012; MARTURANO, 1999; FREITAS et. al., 2010)
indicam que os aspectos associados à condição de vulnerabilidade, como baixa escolaridade
materna, perfil de ocupação (desemprego e emprego precário), determinam o estilo de
interação familiar e social; os recursos físicos e estruturais disponibilizados e a quantidade e
qualidade da estimulação cognitiva destinada a criança e ao adolescente, sendo estes os
fatores que influenciam o desempenho neuropsicológico levando ao prejuízo nas habilidades
sociais e ao fracasso escolar.
O fracasso escolar é perpassado por diversos fatores que vão desde os problemas de
aprendizagem, termo que abarca todo resultado inferior à expectativa e que pode ter causas
internas ou externas ao sujeito; as dificuldades específicas no rendimento acadêmico e, por
fim, pelos transtornos de aprendizagem nos quais se incluem alterações em um ou mais
processos cognitivos, tais como: pensamento e memória; linguagem (atraso de linguagem,
dislalia, ecolalia etc.); atenção, percepção e conduta; leitura (dislexia); escrita (disgrafia,
disortografia); cálculo (discalculia) e coordenação motora (torpeza motriz). (ROSA NETO;
COSTA; POETA, 2013).
A prevalência do transtorno específico da aprendizagem nos domínios acadêmicos da
leitura, escrita e matemática é de 5 a 15% entre crianças em idade escolar, em diferentes
idiomas e culturas. Nos adultos, a prevalência é desconhecida, mas parece ser de
aproximadamente 4% (LOPES, 2013). Entretanto, quando se fala em "problemas de
aprendizagem" as estatísticas aumentam, pelo fato desta classificação envolver um termo
genérico. Segundo Rosa Neto et al. (2000), em torno de 60% a 80% dos indivíduos
diagnosticados com transtorno em leitura, escrita e cálculo são do sexo masculino. Do total de
todos os escolares com dificuldades de aprendizagem, 80% apresentam dificuldade na leitura,
sendo este problema, junto com o transtorno do déficit de atenção/hiperatividade, a causa
mais importante de fracasso escolar.
Maturano (1999) associou o desempenho escolar às variáveis do ambiente familiar em
uma perspectiva direcionada aos mecanismos que envolvem risco, proteção e vulnerabilidade.
Os resultados encontrados indicam que a distribuição dos recursos promotores do
desenvolvimento é afetada pela condição socioeconômica, e permitem supor a escolaridade
materna enquanto variável mediadora entre a condição financeira e a disponibilização de
recursos promotores do desenvolvimento.

45

A disponibilização de recursos no contexto desenvolvimental refere-se tanto aos
aspectos estruturais - presença de materiais educacionais - quanto as experiências sociais e
culturais que são proporcionadas pelo envolvimento dos pais e/ou cuidadores. Assim,
conforme exposto por MATURANO (1999), crianças e adolescentes para as quais os pais
promoveram arranjos direcionados a uma gama de experiências apresentaram, durante os anos
escolares, um melhor nível de elaboração da escrita e melhor desempenho em matemática e
linguagem, evidenciando assim a importância do cuidado parental.
No que se refere, especificamente, ao cuidado materno, estudo realizado com orfãos
romenos demonstrou que cuidado precoce tem um impacto significativo e positivo sobre o
funcionamento cognitivo, os aspectos sociais e emocionais. Neste quesito, o suporte materno
estaria associado com a resposta adaptativa ao estresse promovendo a programação adaptativa
do eixo hipotálamo-hipófise adrenal (HPA), eixo responsável pela resposta ao estress.
(MEANEY, 2001). O funcionamento do eixo HPA também tem sido analisado a luz dos
riscos socioambientais como o maltrato na infância e a exclusão social, aspectos estes
diretamente associados com a vulnerabilidade social crônica.
Corroborando as evidências apresentadas - da ausência do cuidado materno enquanto
fator derisco socioambiental para o desenvolvimento cérebro humano (LIU et al., 1997;
MEANEY, 2001) indicam que o perfil do cuidado durante o desenvolvimento pós-natal pode
atenuar as respostas do eixo HPA ao stress, aumentando a plasticidade neuronal, promovendo
o desenvolvimento de vias dopaminérgicas e de comportamentos sociais.
Ainda no que se refere aos correlatos neurológicos do cuidado materno sobre o
desenvolvimento cognitivo, Luby et. al. (2012) expõe que o cuidado materno nos primeiros
meses de vida esteve positivamente associado ao aumento das ramificações dentríticas e a
neurogênese influenciando o desenvolvimento do hipocampo. De forma complementar e
oposta a esse achado, a ausência de cuidado materno ocasionou efeitos negativos sobre o
desenvolvimento desta região. Deste modo, constata-se que o suporte materno constitui uma
variável preditiva forte para o desenvolvimento do hipocampo e consequentemente sobre o
funcionamento da memória, tendo em vista que esta região está diretamente associada a esta
função cognitiva.
Tais evidencias correlacionam-se e justificam a relevância do estudo da
vulnerabilidade social sobre o desempenho cognitivo de adolescentes, tendo em vista que na
situação de privação socieconômica o suporte materno é usualmente limitado pelas condições
de vida que impõem as mães – rotineiramente principal fonte de suporte aos filhos - uma
sobrecarga ocasionada pelas tarefas domésticas e pela jornada de trabalho diária que implica

46

diretamente sobre o perfil de cuidado dedicado, sendo estas características associadas com o
atraso escolar (MATURANO, 1999).
Para além do perfil de cuidado e dos recursos materiais disponivéis, a condição de
vulnerabilidade social interfere sobre outros âmbitos diretamente vinculados ao desempenho
cognitivo. A exemplo disto estudo realizado por Duncan, Brooks-Gunn e Klebanov (1994)
expõe que o desempenho cognitivo e acadêmico de crianças de três anos de idade,
identificadas pelo perfil de trabalho familiar, é impactado negativamente pela desvantagem
econômica interferindo diretamente sobre as habilidades verbais e sobre o bom
funcionamento cognitivo geral.
Assim, assume-se a condição de vulnerabilidade social como fator precipitante do
perfil de desempenho cognitivo prejudicado situando nas interações entre características
pessoais, aspectos no núcleo familiar e do meio social a origem destas dificuldades.
(MATURANO, 1999). Deste modo, é possível supor uma ligação entre fatores psicossociais e
o desenvolvimento neurológico, permitindo a investigação dos mecanismos biológicos através
dos quais a arquitetura de risco socioambiental influencia o desenvolvimento do cérebro
humano.
Partindo-se do pressuposto de que o nível socioeconômico afeta mais alguns sistemas
cognitivos do que outros, alguns estudos com seres humanos demonstram esta influência
sobre as funções cognitivas e os aspectos afetivos em crianças, adolescentes e jovens adultos.
A avaliação dos vários sistemas neurocognitivos, evidenciou que os maiores efeitos do nível
socioeconômico concentram-se sobre o processamento da linguagem, com efeitos mais
moderados sobre a função executiva, particulamente, a memória de trabalho e o controle
inibitório (NOBLE; MCCANDLISS; FARAH, 2007; FARAH et. al., 2006; KISHIYAMA, et.
al. 2009). Além disso, Levine et al (2005) reportam efeitos moderados do nível
socioeconômico sobre a memória declarativa e cognição espacial.
Corroborando tais achados Hart e Risley (1995) expõem, através de estudo
direcionado a investigar o vocabulário de crianças de três anos, que o vocabulário de crianças
de familias bem estabelecidas profissionalmente é duas vezes maior que em crianças de
famílias em condições de baixo bem-estar. Tais evidencias coadunam o pressuposto por
Whitehurst (1997) que reporta que o nível socieconômico tem efeito sobre o vocabulário,
consciência fonológica (a capacidade de refletir sobre o som e a estrutura da linguagem,
habilidade importante para aprender a ler) e sobre a sintaxe.
Há também evidencias das diferenças relacionadas com o nível socioeconômico no
grau em que dado sistema neural específico é recrutado durante as tarefas de funções

47

executivas. A exemplo disto Hackman; Farah; Meaney (2010), evidenciaram- através de
estudos com neuroimagem funcional, que mesmo quando o desempenho quantitativo na tarefa
utilizada para avaliação neuropsicológica não difere entre os grupos de alto e baixo nível
socioeconômico nota-se, a presenã de um padrão de funcionamento neurocognitivo
qualitativamente distinto entre tais grupos, áreas recrutadas e perfil de ativção, o que indica a
possibilidade

do

nível

socioeconômico

influenciar

tanto

funcionalmente

quanto

estruturalmente o processamento cognitivo.
Expõe-se, portanto, a existência de evidências robustas da influencia do nível
socieconômico sobre a linguagem e as funções executivas, assim como os aspectos
emocionais. Deste modo, justifica-se a avaliação do impacto do nível socieconômico sobre o
desempenho cognitivo avaliado por meio de bateria neurosicológica. Tem-se como hipótese
que a situação de vulnerabilidade social está associada a um baixo desempenho
neuropsicológico.
2.2

Avaliação neuropsicológica
A neuropsicologia é definida como o ramo da ciência que combina neurociência e

psicologia, sendo a neuropsicologia clínica a especialidade aplicada da neuropsicologia que
compreende avaliação e reabilitação neuropsicológica, essencial em casos de lesão
neuropsicológica que resulta em diversos prejuízos que compromentem as capacidades da
pessoa funcionar bem. (APA, 2010.)
Tem-se ainda, como marco da neuropsicologia, o estabelecimento de uma relação
estrutura função, no que se refere ao funcionamento cerebral, que visa compreender as
relações entre o processo de desenvolvimento humano e os sistemas cerebrais. Assume-se
então, que para o processo de desenvolvimento ocorrer é necessário a aprendizagem no
contexto social de modo que o estudo das relações entre o aprendizado e o desenvolvimento
possibilita a compreensão de como os sistemas cerebrais são desenvolvidos a partir do
contexto.
Dentre os fatores de risco e proteção que perpassam o processo de desenvolvimento, o
ambiente no qual o adolescente está inserido, e suas características se destaca entre as
variáveis que podem resultar no desempenho atípico da cognição.
A investigação dos déficits cognitivos e transtornos neuropsicológicos, em uma
perspectiva direcionada a identificação dos seus determinantes biológicos e/ou ambientais, e
dos seus impactos sobre as diversas funções cognitivas (memória, linguagem, funções

48

executivas; psicomotoras) ocorre através da neuropsicologia cognitiva. Esta analisa desde a
etiologia dos déficits e transtornos cognitivos, até a interferência destes sobre as etapas do
desenvolvimento

(CARAMAZZA;

SHELTON,

1998),

estabelecendo-se

assim

a

Neuropsicologia da infância e adolescência.
O desenvolvimento neuropsicológico e a consequente maturação nervosa está
intimamente relacionado às condições orgânicas, emocionais, de aprendizagem formal,
socioeconômicas e familiares. Neste sentido, qualquer intercorrência em um destes fatores
pode influenciar direta ou indiretamente o processo maturacional e o desenvolvimento
cognitivo na infância e adolescência, justificando o estudo dos impactos neuropsicológicos da
vulnerabilidade social sobre o desempenho cognitivo.
A neuropsicologia estuda nas áreas científica, clínica e aplicada, a organização
cerebral dos processos cognitivos-comportamentais e suas alterações na presença de lesão ou
disfunção cerebral (ARDILA; ROSSELLI, 2007) . Na área científica, tem como foco
fundamental a análise e a investigação da organização cerebral, incluindo também pesquisas
com objetivo de aprimoramento das técnicas de avaliação neuropsicológica.
A avaliação neuropsicológica refere-se a avaliação da presença, natureza e extensão de
dano ou disfunção cerebral derivada dos resultados de vário as testes neuropsicológicos.
(APA, 2010).
Tem-se ainda, a avaliação neuropsicológica como método de investigação de
distúrbios cognitivos e comportamentais do desenvolvimento anormal do cérebro que tem por
objetivo geral qualificar e quantificar as funções mentais conservadas e comprometidas
(RIECHI, 2007). Assim, a avaliação neuropsicológica completa é composta pelo exame das
funções cognitivas e emocionais, e direciona-se a identificação de possíveis déficits e
potencialidades, tendo em vista que na perspectiva contemporânea a identificação de déficits
pressupõe propostas de reabilitação.
É diante deste cenário, e ciente das possibilidades de contribuição da neuropsicologia
como ciência que direciona-se a investigar os resultados cognitivos do processo de
desenvolvimento, que propõe-se a investigação do impacto do nível socioeconônico enquanto
fator

ambiental

neuropsicológicas.

sobre

o

desempenho

cognitivo

avaliado

através

das

baterias

49

2.3

Método





Participantes:

Contou-se com uma amostra de 96 adolescentes, com faixa etária entre os 12 e 14 anos
de idade (média = 13 e dp = 0,80), regularmente matriculados no ensino fundamental da rede
pública e privada de educação básica do município de Jequié, interior da Bahia, (n = 41, sendo
11 de escola particular e 30 de escola pública) e de Palmeiras dos Índios, interior de Alagoas
(n = 55, sendo 28 de escola particular e 27 de escola pública). Trata-se de uma amostra não
probabilística, isto é, de conveniência, tendo a participação de estudantes que, convidados,
aceitaram colaborar voluntariamente.
Tabela 1 – Distribuição da amostra por estado
Estado
Bahia

Frequência
41

Alagoas

55

Total

96

Fonte: Autor

Tabela 2 – Distribuição da amostra por escola
Escola

Frequência

Escola Pública Alagoas

28

Escola Pública Bahia

30

Escola Particular Alagoas

28

Escola Particular Bahia

10

Total

96

Fonte: Autora

Tendo em vista que a pesquisa direciona-se a investigação do impacto do nível
socioeconômico sobre o desempenho cognitivo, justifica-se a exposição da distribuição da
amostra quanto a renda mensal familiar.

50

Tabela 3 – Distribuição da amostra por Renda familiar mensal
Renda Familiar

Frequência

Porcentagem

Mais de 15 salários mínimos

8

8,2

Mais de 10 salários mínimos

15

15,5

Mais de 5 salários mínimos

19

19,6

Mais de 3 salários mínimos

20

20,6

Mais de 1 salário mínimo

20

20,6

Menos de um salário mínimo

14

14,4

Total

96

100,0

Fonte: Autor

Assim, cerca de 35% da amostra possui renda mensal inferior a dois salários mínimos.
Não foram incluídas na amostra final adolescentes com algum diagnóstico de deficiência
intelectual, ou que estivessem fazendo uso de drogas que atuem no sistema nervoso central
em doses que pudessem comprometer o desempenho cognitivo, incluindo o uso abusivo de
álcool.
2.4

Instrumentos
A fim de atingir os objetivos propostos para a presente pesquisa foram utilizados os

seguintes instrumentos direcionados tanto para a avaliação neuropsicológica quanto para os
aspectos psicossociais, são eles:
TCLE: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, instrumento que assegura os
repasse de informações e esclarecimentos recebidos acerca do projeto e a espontaneidade na
participação do mesmo.
Matrizes Progressivas de Raven – Conjunto de escalas não-verbais que avaliam a
inteligência ou o raciocínio.
Os aspectos direcionados a identificação do perfil socioeconômico e cuidados
parentais dos participantes foram avaliados através dos instrumentos:
Inventário de Recursos do Ambiente Familiar (RAF) - Baseado na concepção
ecológica do desenvolvimento, o RAF avalia recursos do ambiente familiar que podem
contribuir para o desenvolvimento cognitivo. O RAF é composto por 3 módulos que
investigam a supervisão dos pais; oportunidade de interação com os pais e a presença de
recursos do ambiente físico, que identifica aspectos relativos a disponibilidade de itens que
estimulem o desenvolvimento cognitivo. Neste estudo aplicar-se-á o modulo direcionado a
presença de recursos no ambiente físico.

51

Questionário de Classificação Econômica Brasil (IPEA -2015): utilizado para
classificação sócio-econômica das famílias. O instrumento utiliza como parâmetros principais
para classificação os recursos presentes no ambiente e a renda familiar, classificando a família
em níveis: A1; A2; B1; B2; C; D; E.
Ainda direcionado a investigação dos aspectos socioeconômicos, em uma perspectiva
para além da renda, utilizou-se como instrumento questionário direcionado a investigação da
estrutura familiar, acessos a serviços e acesso a programas de distribuição de renda.
A avaliação do desempenho cognitivo se deu através da Bateria de Avaliação
Neuropsicológica Breve NEUPSILIN: avalia oito funções cognitivas através das tarefas
expostas:
1) Orientação Têmporo-espacial: Tempo: resposta de dia da semana, dia do mês,
mês e ano, e Espaço: resposta de local, cidade, estado e país;
2) Atenção: 1) Contagem Inversa: contagem de 50 a 30 pelo examinando e contagem
do tempo de realização da tarefa pelo examinador para avaliar a velocidade de
processamento e 2) Repetição de Sequência de Dígitos: repetição de uma
sequência de sete números;
3) Percepção: 1) Verificação de Igualdade e Diferença de Linhas: verificação de seis
pares de linhas; 2) Heminegligência Visual: percepção de todo espaço de uma
folha de papel repleta de traços que deverão ser riscados; 3) Percepção de Faces:
avaliação, como iguais ou diferentes, de três pares de fotografias de faces, sendo
uma delas de frente e outra de perfil; e 4) Reconhecimento de Faces: memorização
de dois rostos desenhados, que devem ser reconhecidos entre quatro apresentados
posteriormente;
4) Memória: 1) Memória de Trabalho: a) Ordenamento Ascendente de Dígitos:
repetição em ordem crescente de 10 conjuntos de dois até seis dígitos; b) Span
Auditivo de Palavras em Sentenças: memorização e evocação das últimas palavras
de frases, após a leitura de conjuntos de dois, três, quatro e cinco sentenças pelo
examinador; 2) Memória Verbal Episódico-Semântica: a) Evocação Imediata:
repetição de nove palavras ditas pelo examinador, b) Evocação Tardia: emissão
das mesmas nove palavras em tempo posterior, e c) Reconhecimento: indicação,
em uma lista de 18 palavras, da presença ou não da palavra na lista original falada
pelo examinador; 3) Memória Semântica de Longo Prazo: resposta a duas
perguntas referentes a conhecimentos gerais; 4) Memória Visual de Curto Prazo

52

(três estímulos): memorização de uma figura sem sentido de cada vez e
reconhecimento entre um conjunto de três figuras semelhantes; 5) Memória
Prospectiva: lembrança, ao final da testagem, da instrução de escrever o nome em
uma folha de papel fornecida no início da avaliação;
5) Habilidades Aritméticas: resolução de quatro cálculos, um de cada operação
aritmética básica;
6) Linguagem: 1) Linguagem Oral: a) Nomeação de dois objetos e de duas figuras;
b) Repetição de oito palavras reais e de duas pseudopalavras; c) Linguagem
Automática: contagem de um a dez e verbalização de todos os meses do ano, em
ordem; d) Compreensão Oral (três conjuntos de figuras): indicação da figura
correspondente ao enunciado verbal do examinador; e) Processamento de
Inferências: explicação do significado de um provérbio e de duas metáforas; 2)
Linguagem Escrita: a) Leitura em Voz Alta de dez palavras reais e de duas
pseudopalavras; b) Compreensão Escrita (três estímulos): leitura em silêncio de
palavras e frases e indicação das figuras correspondentes; c) Escrita Espontânea
de uma frase; d) Escrita Copiada de uma frase, e e) Escrita Ditada de dez palavras
reais e de duas pseudopalavras;
7) Praxias: a) Ideomotora: realização de três gestos, conforme instrução verbal do
examinador; b) Construtiva: cópia de três figuras (quadrado, flor e cubo) e
desenho de um relógio sem modelo; c) Reflexiva: repetição de uma sequência de
três gestos;
8) Funções executivas: 1) Resolução de problemas: resposta a duas perguntas
envolvendo raciocínio abstrato; 2) Fluência Verbal fonêmica: verbalização,
durante um minuto, de palavras que iniciem com a letra F.
2.5

Analise dos dados
Os resultados do NEUPSILIN foram avaliados conforme orientações presente em seu

Manual de Pontuação (FONSECA; SALLES; PARENTE, 2009). A análise estatística dos
dados foi realizada através do Software Estatístico Aplicado as Ciências Sociais (SPSS)
versão 22.

53

2.6

Procedimentos
A pesquisa foi realizada no período que compreende 2015/2016, sendo que a coleta

dos dados foi iniciada apenas após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), sob
parecer de número 1.393.376.
Inicialmente estabeleceu-se Termo Institucional para Pesquisa com as quatro escolas
que fizeram parte deste estudo. Posteriormente a isto, a proposta da pesquisa foi apresentada
aos pais e cuidadores dos adolescentes que cumpriam os critérios de inclusão estabelecidos,
sendo que participaram da pesquisa apenas aqueles cujos os pais ou responsáveis assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A cada adolescente foi apresentada a
proposta da pesquisa, o aspecto voluntário de participação nesta, assim como o Termo de
Assentimento Livre e Esclarecido (TALE). Os adolescentes que optaram por participar do
estudo foram avaliados em uma única sessão com duração aproximada de 60 min., por
pesquisadores treinados, em um ambiente reservado e adequado dentro da própria escola.
A aplicação do NEUPSILIN ocorreu em cerca de 40 min., sendo os 20 min. finais da
sessão destinados a investigação dos aspectos socioeconômicos e do perfil de cuidado parental
dedicado ao adolescente, através dos instrumentos já explicitados.
A fim de atingir o objetivo exposto, os escores brutos obtidos no NEUPSILIN foram
convertidos para o escore padrão Z, padronizado individual, sendo este o mecanismo que
permite a análise do desempenho e a composição do perfil neuropsicológico do adolescente.
O escore Z é constituído por quatro categorias gerais: Sem indicativos de défitics;
Alerta para déficits; Déficits moderados a severo; Déficits de gravidade importante. Em
seguida, a classificação obtida foi relacionada com o nível sociecônomicoavaliado através do
questionário socioecômico do IPEA. Os dados foram submetidos a análises descritivas
(frequência, média e desvio-padrão) e à análise de Correlação de Pearson para estudar a
associação do desempenho dos adolescentes e a classificação socioeconômica.
2.7

Resultados
Os resultados obtidos apontam para a existência de uma relação entre o nível

socioeconômico e o desempenho cognitivo, indicando ainda a renda como fator de proteção
perante alterações neuropsicológicas. Assim, a análise do perfil de desempenho
neuropsicológico dos adolescentes das escolas públicas e particulares da Bahia e Alagoas
expõe o modo como o nível socieconômico interfere sobre o desempenho das distintas

54

funções cognitivas em especial sobre a Percepção; Linguagem; Funções Executivas e
Habilidades Aritméticas.
As evidências da ação do nível socieconômico sobre o desenvolvimento e sobre o
desempenho cognitivo podem ser corroboradas ao analisarmos a prevalência de déficits
segundo o programa de distribuição de renda Bolsa Familia. O Bolsa Família é um programa
federal destinado às famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, com renda per capita
de até R$ 154 mensais, que associa à transferência do benefício financeiro do acesso aos
direitos sociais básicos - saúde, alimentação, educação e assistência social.
Através do Programa Bolsa Família (P.B.F), o governo federal concede mensalmente
benefícios em dinheiro para famílias mais necessitadas. O P.B.F serve como uma ajuda no
orçamento familiar de milhões de brasileiros que vivem em situação de pobreza e de extrema
pobreza. Essa iniciativa do Governo Federal é controlada pelo Ministério do Desenvolvimento
Social (MDS) que controla os critérios para distribuição do auxílio. Assim para se ter acesso
ao benefício é necessário comprovar a situação de pobreza, através de documentação exigida
nas secretarias de assistência social de cada município, e, no caso de famílias que possuam
filhos, comprovar a sua matrícula e frequência escolar.
A análise da relação entre a presença do benefício e o desempenho cognitivo expõe
que a presença do B.F está associada a um perfil desempenho indicativo de déficits de
gravidade importante para todas as funções avaliadas nos adolescentes da Bahia, com exceção
da função executiva.
Gráfico 1 - Desempenho versus Bolsa Família – Percepção
8

6

Sim

4

2

0

Fonte: Autora.

Escore Z ≤-2,0
Sugestivo de déficits de
gravidade importante

55

No que se refere-se a análise individual do escore Z por função cognitiva, evidencia-se
que na função percepção, para os adolescentes da Bahia e Alagoas, os indivíduos com
desempenho sem indicativos de déficits possuem, em sua maioria, renda familiar mensal entre
três e quinze salários mínimos, demoninadas – segundo o Critério Brasil de Classificação
Socieconomica como classe - A e B. (Gráfico 2; 3)
A análise individual do padrão de desempenho cognitivo dos adolescentes da Bahia
expõe que nas classificações de desempenho cognitivo característico da presença de déficit –
alerta para déficits; défictis de gravidade importante –prevalecem os indivíduos que possuem
renda familiar mensal menor que dois salários minimos, estando na classe E e C. Nota-se
ainda, que o maior quantitativo de indivíduos com desempenho sugestivo de déficit de
gravidade importante possui renda familiar mensal inferior ou igual a dois salários minímos.
(Gráfico 2)
Gráfico 2- Escore Z Percepção Bahia
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

5

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos Mais
de 3 salários mínimos Mais de 1
salário mínimo e meio

4

Menos de 1 salário mínimo

3

2

1

0
Escore Z atribuído sem
indicativos de déficits

Fonte: Autora.

Escore Z entre -1 e 1,5
Alerta para déficit

Escore Z entre -1,6 e
-2,0 Sugestivo de
déficits moderado a

Escore Z ≤-2,0
Sugestivo de déficits
de gravidade

56

Gráfico 3 – Escore Z percepção Alagoas
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

8

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

6

Mais de 1 salário mínimo e meio
Menos de 1 salário mínimo

]
4

2

0
Escore Z atribuído sem
indicativos de déficits

Escore Z entre -1 e 1,5
Alerta para déficit

Escore Z entre -1,6 e 2,0 Sugestivo de déficits
moderado a severo.

Escore Z≤-2,0
Sugestivo de déficits
de gravidade

Fonte: Autora.

Ressalta-se ainda que, tanto para a função da Percepção quanto para as demais
funções, as classificações por perfil de desempenho indicam a prevalência de dado padrão de
desempenho por nível socieconômico, porém não excluem a influencia dos aspectos genéticos
sobre dado perfil de desempenho.
O desempenho na função cognitiva da Linguagem analisado através do escore Z,
também expõe o efeito do nível socieconômico enquanto fator de proteção. Sendo assim,
observa-se que o maior quantitativo de indivíduos sem indicativos de déficits na função
linguagem possuem renda familiar mensal entre três e quinze salários minimos. No caso do
perfil de desempenho dos adolescentes da Bahia, essa evidência é reforçada ao analisarmos os
indivíduos com padrão de desempenho indicativo de déficit de gravidade importante que
concentram-se na faixa de renda familiar mensal menor que um salário minímo. (Gráfico 4).

57

Gráfico 4 – Escore Z Linguagem Bahia
Renda Familiar
Mensal

6

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

5

Mais de 1 salário mínimo e meio

Menos de 1 salário mínimo

4

3

2

1

0
Escore Z atribuído sem
indicativos de déficits

Escore Z entre -1 e 1,5
Alerta para déficit

Escore Z entre -1,6 e Escore Z ≤-2,0
2,0 Sugestivo de déficits Sugestivo de déficits
de gravidade
moderado a severo.
importante

Fonte: Autora

Quanto ao desempenho nas funções executivas a analise tanto para a Bahia quanto
Alagoas expõe que os indivíduos com desempenho sem indicativo de déficits, em sua maioria,
possuem renda familiar mensal entre mais de quinze, e mais de três salários minímos,
explicitando o efeito das condições socieconômicas como fator de proteção para o
desempenho cognitivo.(Gráficos 5 e 6).
O perfil de desempenho dos adolescentes da Bahia expõe ainda que, no que se refere
ao perfil compatível com indicativo de déficit, até o déficit de moderado a severo, possuem
renda familiar mensal entre mais de um salário minímo e meio, e menos que um salário
mínimo. (Gráfico 5).

58

Gráfico 5 – Escore Z Funções executivas Bahia
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil
Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

6

Mais de 1 salário mínimo e meio
Menos de 1 salário mínimo

4

2

0
Escore Z atribuído sem
indicativos de déficits

Escore Z entre Escore Z ≤ - 1,5
Escore Z entre
Escore Z ≤-2,0
-1 e -1,5
Sugestivo de -1,6 e -2,0 Sugestivo Sugestivo de déficits
Alerta para
déficit.
de déficits
de gravidade
déficit
moderado a severo.
importante

Fonte: Autora.

Já a análise do perfil de desempenho sugestivo da presença de défitics na população de
Alagoas, expõe que as funções executivas além de serem perssadas pela renda enquanto fator
ambiental são influenciadas pelos aspectos géneticos. (Gráfico 6).
Gráfico 6 – Escore Z Funções executivas Alagoas
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

10

Mais de 15 salários mínimos

8

Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

6

Mais de 1 salário mínimo e
Menos de 1 salário mínimo

4

2

0
Escore Z atribuído sem
indicativos de déficits

Fonte: Autora.

Escore Zentre
-1 e -1,5
Alerta para
déficit

Escore Z ≤ - 1,5 Escore Z ≤-2,0
Sugestivo de déficit. Sugestivo de déficits
de gravidade
importante

59

No que se refere as habilidades aritméticas, função que assim como a linguagem tem
impacto sobre o processo de aprendizagem, observa-se que entre os individuos com
desempenho equivalente a ausência de déficits predominam aqueles com renda familiar
mensal entre quinze e três salários minímos. (Gráficos 7 e 8).
A análise individual do perfil de desempenho dos adolescentes da Bahia ainda permite
identificar que entre os individuos com desempenho sugestivo de déficits de gravidade
importante predominam aqueles com renda familiar até três salários minímos. (Gráfico).
Gráfico 7 - Escores Z habilidades Aritméticas Bahia
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil SimSim

4

Mais de 15 salários mínimos

Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

3

Mais de 1 salário mínimo e
Menos de 1 salário mínimo

2

1

0
Escore Z
atribuído sem
indicativos de
déficits

Fonte: Autora.

Escore Zentre
-1 e -1,5
Alerta para
déficit

Escore Z ≤ - 1,5 Escore Z entre
Escore Z ≤-2,0
Sugestivo de -1,6 e -2,0
Sugestivo de déficits
déficit.Escore Z Sugestivo de
de gravidade
atribuído sem déficits
importante.Escore Z
indicativos de moderado a
entre
severo.Escore Z

60

Gráfico 8 – Escore Z habilidades aritméticas Alagoas
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

8

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos

6

Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos
Mais de 1 salário mínimo e meio
Menos de 1 salário mínimo

4

2

0
Escore Z atribuído
sem indicativos de
déficits

Escore Zentre
-1 e -1,5
Alerta para déficit

Escore Z ≤ - 1,5
Sugestivo de
déficit.

Escore Z ≤-2,0
Sugestivo de déficits
de gravidade
importante

Fonte: Autora.

A análise da noção de tempo e espaço, enquanto função cognitiva, evidencia que entre
os indíviduos com perfil de desempenho compatível com a ausência de déficits cognitivos,
tanto para a Bahia e Alagoas, predominam aqueles com renda familiar mensal entre quinze e
três salários minímos. No oposto equivalente, prevalecem os indivíduos das classes D e F,com
perfil de desempenho sugestivo de déficit moderado a severo. ( Gráficos 9 e 10).
Gráfico 9 –Escore Z Tempo e Espaço Bahia
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

10

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

8

Mais de 1 salário mínimo e meio
Menos de 1 salário mínimo

6

4

2

0
Escore Z atribuído
sem indicativos de
déficits

Fonte: Autora.

Escore Z ≤ - 1,5
Sugestivo de
déficit.

Escore Z entre 1,6 e -2,0 Sugestivo
de déficits moderado

a severo.

61

Gráfico 10 –EscoreZ Tempo e Espaço Alagoas

Renda Familiar Mensal
Critério Brasil
Mais de 15 salários
Mais de 10 salários
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

12,5

Mais de 1 salário mínimo e
Menos de 1 salário

10

7,5

5

2,5

0
Escore Z atribuído
sem indicativos

Escore Z entre
-1 e -1,5
Alerta para
déficit

Escore Z entre
-1,6 e -2,0 Sugestivo de
déficits moderado a
severo.

Fonte: Autora.

A analise do desempenho nas funções da memória, atenção e práxias permite
identificar que, nestas funções, a presença de déficits no desempenho cognitivo não apresenta
um padrão que possa ser associado com o nível socieconômico. Deste modo, nota-se que em
todos os grupos de classificação -desde o “sem indicativo de déficits” até o “sugestivo de
déficit de gravidade importante” – há uma distribuição proporcional de individuos
pertencentes aos diversos níveis socieconômicos. Este efeito pode ser explicado, ao menos em
parte, pela influencia dos aspectos genéticos sobre o desmpenho desta função. ( Gráficos
11;12;13;14;15;16)
Assim observar-se, por exemplo, que o desempenho sugestivo de déficit de gravidade
importante está presente tanto nos individuos com maior nível socieconômico quanto nas
classes mais vulneravéis.

62

Gráfico 11–Escore Z Memória Bahia
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

4

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

3

Mais de 1 salário mínimo e meio
Menos de 1 salário mínimo

2

1

0

Escore Z entre

Z ≤-2,0
Escore Z atribuído Escore Z entre Escore Z ≤ - 1,5
sem indicativos de
Sugestivo de -1,6 e -2,0 Sugestivo Sugestivo de déficits
-1 e -1,5
de gravidade
déficits
déficit.
Alerta para déficit
de déficits moderado a
importante
severo.

Fonte: Autora.

Gráfico 12 – Escore Z Memória Alagoas
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

8

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

6

Mais de 1 salário mínimo e meio

Menos de 1 salário mínimo

4

2

0
Escore Z ≤ - 1,5 Escore Z entre

Escore Z atribuído
sem indicativos de
déficits

Fonte: Autora.

Escore Z entre
-1 e -1,5
Alerta para déficit

Z ≤-2,0

Sugestivo de

-1,6 e -2,0

Sugestivo de déficits

déficit.

Sugestivo de
déficits moderado
a severo.

de gravidade
importante

63

Gráfico 13 -Escore Z Atenção Bahia
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

8

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

6

Mais de 1 salário mínimo e meio

4

Menos de 1 salário mínimo

2

0
Escore Z atribuído

Escore Z entre

sem indicativos de

-1 e -1,5

déficits

Alerta para déficit

Escore Z ≤ - 1,5
Sugestivo de
déficit.

Z ≤-2,0
Sugestivo de déficits
de gravidade
importante

Fonte: Autora.

Gráfico 14 – Escore Z Atenção Alagoas
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

10

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos Mais

8

de 1 salário mínimo e meio

Menos de 1 salário mínimo

6

4

2

0
Escore Z atribuído
sem indicativos de
déficits

Fonte: Autora.

Escore Z entre
-1 e -1,5
Alerta para déficit

Escore Z entre
-1,6 e -2,0
Sugestivo de
déficits moderado
a severo.

Escore Z ≤-2,0
Sugestivo de déficits
de gravidade
importante

64

Gráfico 15 – Escore Z Praxias Bahia
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil

5

Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos
Mais de 5 salários mínimos
Mais de 3 salários mínimos

4

Mais de 1 salário mínimo e meio
Menos de 1 salário mínimo

3

2

1

0
Escore Z atribuído
sem indicativos de
déficits

Escore Z entre-1 e -1,5
Alerta para déficit

Escore Z entre
Escore Z ≤-2,0
-1,6 e -2,0
Sugestivo de déficits de
Sugestivo de
gravidade importante
déficits moderado
a severo.

Fonte: Autora.

Gráfico 16 –Escore Z Praxias Alagoas
Renda Familiar Mensal
Critério Brasil
Mais de 15 salários mínimos
Mais de 10 salários mínimos

6

Mais de 5 salários mínimos Mais
de 1 salário mínimo e meio
Menos de 1 salário mínimo
Mais de 3 salários mínimos

4

2

0
Escore Z atribuído
sem
Escore Z entre-1 e -1,5
indicativos de
Alerta para déficit

déficits

Fonte: Autora.

Escore Z entre
Escore Z ≤-2,0
Sugestivo de déficits de
-1,6 e -2,0
gravidade importante
Sugestivo de
déficits moderado
a severo.

65

2.8

Discussão
Tendo em vista a relavância da problemática da vulnerabilidade social para a

sociedade como um todo, e o número crescente de pesquisas que tem se dedicado a estudar a
influencia das condições de vida sobre o desenvolvimento, o presente estudo buscou
investigar o impacto da vulnerabilidade social sobre o desempenho cognitivo avaliado através
dos testes neuropsicológicos.
Ressalta-se, que o nível socieconômico deve ser entendido como um constructo
complexo que é baseado no suporte familiar, nos recursos materiais, nos aspectos
educacionais e de ocupação, e que está diretamente relacionado com a exposição a violência,
ao perfil de cuidado parental dedicado, assim como a estimulação cognitiva destinada a
criança e ao adolescente.
A noção de vulnerabilidade social aproxima-se - pelas suas caracteristicas ideológicas
– do conceito de exclusão, tendo em vista que este trata da desigualdade como resultado da
deficiência ou falta de alguma coisa. Atualmente a discussão sobre ambos os conceitos busca
suplantar as análises que focam apenas em uma das características da desigualdade social,
predominantemente o aspecto socieconômico, e que restringem tal fenômeno a pobreza.
Assim, conforme exposto por Sawaia (2013), o elemento chave da análise da exclusão deve
atentar para a injustiça social.
No cenário brasileiro o estudo da etiologia da exclusão deve considerar a matriz
escravista brasileira que mantém marcas no nosso cotidiano. Assim, a desigualdade social no
Brasil é econômica, política, cultural e étnica. A respeito disto é justo fazer referência ao
pensamento da Profª Aldaíza Sposati, autora do Mapa de Exclusão/inclusão social no Brasil,
onde esta retarada a situação de exclusão:
[...] Este processo deve ser entendido como exclusão, isto é, uma impossibilidade de
poder partilhar o que leva a vivência de privação, da recusa, do abandono e da
expulsão inclusive, com violência, de um conjunto significativo da população, por
isso, uma exclusão social e não pessoal. Não se trata de um processo individual,
embora atinja as pessoas, mas de uma lógica que está presente nas várias formas de
relações econômicas, sociais, culturais e políticas da sociedade brasileira. Esta
situação de privação coletiva é que se está entendendo como exclusão social. Ela
inclui pobreza, discriminação, subalternidade, não equidade, não acessibilidade, não
representação pública. (SPOSATI, 2010).

Assim, evidenciou-se um padrão de relação entre o desempenho cognitivo e o alto
nível socioeconômico, de modo que este pode ser assumido como fator de proteção que atua
sobre cinco das oito funções cognitivas avaliadas. Os resultados encontrados parecem refletir
o fato de que o alto nível socieconômico oportuniza, através de ativos e de uma vasta estrutura

66

de oportunidades, recursos materias e sociais que atuam como fatores de proteção perante os
déficits nas funções cognitivas.
Os fatores de proteção podem ser definidos como aqueles que se interpõem perante
uma situação de risco amenizando os seus impactos sobre o comportamento. Assim, a relação
identificada entre o nível socieconômico – enquanto composto por aspectos estruturais,
sociais e familiares- e o desempenho cognitivo alinha-se com o proposto por Garmezy (1985),
quando este expõe que os fatores de proteção podem ser dividos em três categorias vinculadas
aos atributos disposicionais da criança e do adolescente; características da família, e fontes de
apoio individual ou institucional disponíveis tanto para o adolescente quanto para a família.
Observou-se que o desempenho sem indicativo de déficits nas funções da percepção;
linguagem; funções executivas; habilidades aritméticas e tempo-espaço está associado aos
adolescentes de maior nível socioeconônico sendo estes aqueles com renda mensal entre três e
quinze salários minímos. Além disto, nestas mesmas funções a presença de um padrão de
desempenho sugestivo de déficit e compatível com déficit moderado a severo está associado
as classes econômicas vulneráveis com renda mensal menor que um e três salários minimos e
meio, o que surgere que a situação de vulnerabilidade social expõe – ao longo do
desenvolvimento -os adolescentes a fatores de risco que se interpõem resultando em um perfil
de desempenho cognitivo prejudicado.
A exemplo disto, destaca-se o desempenho obtido da função da linguagem para a qual
evidenciou-se que o maior quantitativo de indivíduos sem indicativos de déficits possuem
renda familiar mensal entre três e quinze salários minimos. No caso do perfil de desempenho
dos adolescentes da Bahia, essa evidência é reforçada ao analisarmos os indivíduos com
padrão de desempenho indicativo de déficit de gravidade importante que concentram-se na
faixa de renda familiar mensal menor que um salário minímo. Tais achados corroboram o
exposto na litertura quanto a influencia da condição de vulnerabilidade social, em seus
aspectos estruturais, físicos e sociais, sobre o desempenho da linguagem em especial sobre o
vocabulário, consciência fonológica - a capacidade de refletir sobre o som e a estrutura da
linguagem, habilidade importante para aprender a ler - e sobre a sintaxe. (WHITEHURST,
1997; MARTURANO, 1999; FREITAS et al, 2010; PICCOLO et al. 2012).
Ainda na área da linguagem, os resultados encontrados, corroboram o pressuposto por
Barnett (1997), quando o autor indica que as sequelas dos maltratos e negligências
direcionados aos adolescentes (situações usualmente vinculadas a vulnerabilidade social)
ocasionam efeitos profundamente negativos, incluindo nisto as áreas da cognição e da
linguagem.

67

Estes achados evidenciam a vulnerabilidade social enquanto fator de risco associado à
alta probabilidade de ocorrência de resultados negativos ou indesejáveis sobre o desempenho
cognitivo, em especial na área da linguagem, memória e habilidades sociais quando
comparados aos adolescentes que não sofreram o efeito de tais variáveis, conforme postulado
por Ramey (1998); Bolsoni-Silva, Marturano e Manfrinato (2005).
No que se refere às funções executivas a análise do perfil de desempenho sugestivo da
presença de défitics na população de Alagoas corrobora o exposto na literatura (NOBLE;
FARAH, 2007; FARAH, 2006; KISHIYAMA, et al. 2009), ao indicar que as funções
executivas, apesar de serem perssadas pela renda enquanto fator ambiental, são fortemente
multideterminadas pelos aspectos genéticos explicando assim o efeito moderado mencionado
pelos autores.
No que conserne a análise do desempenho das funções da memória, atenção e práxias
identifica-se que, nestas funções, a presença de déficits no desempenho cognitivo não
apresenta um padrão que possa ser associado com o nível socieconômico. Deste modo, notase que nestas funções em todos os grupos de classificação -desde o “sem indicativo de
déficits” até o “sugestivo de déficit de gravidade importante” – há uma distribuição
proporcional de individuos pertencentes aos diversos níveis socieconômicos. Este efeito pode
ser explicado, ao menos em parte, pela influencia dos aspectos genéticos sobre o desempenho
destas funções.
Os resultados obtidos apartir da analise de todas as funções alinham-se com o proposto
por Halpern et al (2000) quando este afirma que as características biológicas da população
infanto-juvenil só podem ser assumidas como determinantes principal dos atrasos cognitivos
no caso de crianças e adolescentes gravemente comprometidas, mas não para aquelas que
apresentam variações no desenvolvimento de moderado ou leve. Nestes casos, segundo o
referido autor, deve-se analisar o resultado desadaptativo do desenvolvimento como resultante
da relação entre os fatores de risco e proteção. Nesta perspectiva, problemas biológicos
podem ser modificados por fatores ambientais, e determinadas situações de vulnerabilidade
podem ter etiologia relacionada com fatores sociais e do meio ambiente.
Expõe-se assim, que o resultado desenvolvimental é perpassado por aspectos
genéticos, biológicos adquiridos, assim como pela ausência de oportunidades esperadas que
impõem a continuidade direta ou indireta de entraves ambientais aos processos cognitivos.
(RUTTER, 1988; STRAUS, DIETZ, 1998). Deste modo, pode-se assumir a importância da
analise da vulnerabilidade social sobre o desempenho cognitivo avaliado através dos

68

instrumentos neuropsicológicos, e a relevância da inclusão desta variável de normatização dos
referidos instrumentos.
Os dados expostos permitem especular ainda que os impactos do nível socieconômico
sobre o desempenho cognitivo também implicam sobre o desempenho acadêmico de crianças
e adolescentes conforme exposto por Santos (2002); Maturano, Ferreira e D´Avila Bacarji
(2005), ao afirmarem que os fatores de proteção - recursos materiais disponiveis, perfil de
suporte parental, apoio externo e suporte social são fatores importantes para o desempenho
escolar satisfatório. Portanto, destaca-se a importância do estudo da vulnerabilidade social
tanto como variávelna avaliação clínica neuropsicológica, quanto como recurso para os
investimentos em educação.
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71

3

CONSIDERAÇÕES FINAIS
De maneira geral, pode observar-se, que mesmo com uma amostra reduzida foi

possível identificarmos aspectos iniciais que darão subsídio para uma investigação mais
aprofundada da relação entre a condição de vulnerabilidade social e o desempenho cognitivo
em suas diversas funções. Assim, a relação entre déficits cognitivos e vulnerabilidade social
foi preliminarmente explorada na presente pesquisa, permitindo inferências iniciais sobre a
contribuição de cada aspecto que compõe a vulnerabilidade social enquanto constructo
complexo, sobre o desempenho cognitivo.
Dentre as limitações dessa pesquisa, ressalta-se que a busca por participantes que
cumprissem os critérios de inclusão, assim como por condições apropriadas para realização da
avaliação neuropsicológica e socieconômica gerou um número pequeno de participantes.
Apesar de todos os participantes terem cumprido os critérios estabelecidos e fornecido
informações preliminares para a composição do perfil socieconômico, há diversas variáveis
psicológicas, sociais e genéticas que se multideteminam e interagem delimitando o perfil de
desempenho cognitivo. Portanto, é mais prudente indicar a contribuição da vulnerabilidade
social para um perfil de desempenho cognitivo prejudicado, do que afirmar o quanto que cada
uma destas variáveis contribuir para este perfil.
Sugere-se, para estudos futuros, o aumento da amostra e a inclusão de mecanismos de
controle que pemitam mensurar o efeito da vulnerabilidade social em cada um dos perfis de
desempenho apresentados.

72

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76

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and language disorders: contribution to theories of language development. Baltimore:
Brookes, 1997. p. 233-266.

77

ANEXOS

78

ANEXO A – Termo de Consentimento Livre Esclarecido
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe com
consentimento livre e esclarecido dos participantes, indivíduos ou grupos que, por si e/ou por
seus representantes legais, manifestem a sua anuência à participação na pesquisa.”
(Resolução CNS nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde)

Eu, ........................................................................................................, responsável legal pelo
(a) menor ................................................................................................................ recebi de
Veronica Santos da Silva e Jorge Artur Miranda de Peçanha Coelho, da Universidade Federal
de Alagoas, responsáveis pela sua execução, da pesquisa “RELAÇÃO ENTRE VARIAVÉIS
SOCIAIS E O DESEMPENHO NEUROPSICOLÓGICO: APLICAÇÃO DO NEUPSILIN
EM ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL” autorizo sua
participação enquanto voluntário, tendo recebido as seguintes informações que me fizeram
entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos:
1) Que o estudo se destina a avaliar o impacto das variáveis socioeconômicos
(vulnerabilidade socioeconômica, perfil familiar) sobre o desempenho neuropsicológico.
2) Que os resultados que se desejam alcançar são os seguintes: 1) encontrar um prejuízo nas
funções neuropsicológicas dos escolares quando comparados aos grupos controle; 2) bem
como espera-se obter um mapeamento da relação entre as condições de vulnerabilidade social
e o desempenho neuropsicológico.
3) Que esse estudo começará em Janeiro de 2016 e terminará em Abril de 2016.
4) Que o estudo será composto da avaliação neuropsicológica e socioeconômica que serão
realizadas em um único momento através da aplicação de uma bateria neuropsicológica e de
um questionário socioeconômico – instrumentos devidamente reconhecidos e recomendados
para uso. Por bateria de testes neuropsicológicos entende-se o agrupamento de tarefas
destinadas ao objetivo de avaliação de funções como inteligência, memória, linguagem. Estas
tarefas são executadas através de ações simples como: escrita, leitura e desenho. O
questionário direcionado a avaliação socioeconômica utiliza questões simples para identificar
o perfil da renda familiar. A aplicação de ambos os instrumentos será realizada
individualmente no espaço da própria escola e no horário em que o adolescente estuda, e
durará em média 60min, não sendo necessário comparecer a instituição no turno oposto.
5) Que eu participarei das seguintes etapas: 1) assinatura deste termo
6) Que os incômodos e riscos da pesquisa são os inerentes ao fato de responder a avaliação,
sendo estes: perda de tempo, constrangimento em alguma questão por não saber responde-la,
quebra de sigilo com vazamentos de informações. Para evitar a quebra de sigilo será adotado

79

o seguinte procedimento: qualquer informação obtida nas avaliações será relacionada a uma
numeração sequencial de controle próprio e não ao nome ou iniciais dos pacientes.
7) Que ele deverá contar com a seguinte assistência: apoio a não participar mais da pesquisa
caso haja algum desconforto ao responder a bateria de testes, sendo responsáve(is) por ela:
Veronica Santos da Silva e Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho.
8) Que os benefícios que deverei esperar com a participação dele, mesmo que não diretamente
estão relacionados à grande importância que esse estudo vem trazer tanto para os acadêmicos
e profissionais da área de saúde, bem como ele terá suas funções mentais medidas e eu terei o
retorno por parte do pesquisador.
9) Que a participação dele será acompanhada do seguinte modo: serei recebido pelo
responsável pela pesquisa, o qual explicará inicialmente a importância do estudo e da minha
contribuição para ele. Em seguida será iniciada a fase de leitura destes termos, para,
finalmente, a avaliação.
10) Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do
estudo.
11) Que, a qualquer momento, eu poderei recusar a continuidade da participação dele (a) no
estudo e, também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga
qualquer penalidade ou prejuízo.
12) Que as informações conseguidas através da participação dele (a) não permitirão a sua
identificação, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação das mencionadas
informações só será feita entre os profissionais estudiosos do assunto.
13) O estudo não acarretará nenhuma despesa para o participante da pesquisa.
14) Que eu serei indenizado por qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa.
15) Que eu receberei uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a
participação dele (a) no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das
minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a sua participação implicam,
concordo em autorizar a participação de ....................................................................
.......................................................... e dou o meu consentimento sem que para isso eu tenha
sido forçado(a) ou obrigado(a).

80

Contato de urgência: Sr(a).
Domicílio (rua, praça, conjunto):
Bloco:

Nº:

Complemento:

Bairro:

CEP:

Cidade:

Telefone:
Ponto de referência:

Endereço d(o,a) responsável pelo (a) participante-voluntári(o,a)
Domicílio (rua, praça, conjunto):
Bloco:

Nº:

Complemento:

Bairro:

CEP:

Cidade:

Telefone:
Ponto de referência:

Endereço d (os, as) responsáveis (l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Universidade Federal de Alagoas - UFAL.
Bairro: Tabuleiro dos Martins
Telefone: (73) 99788392

Endereço d (os, as) responsáveis (l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Veronica Santos da Silva
Rua Carlos Aguiar, nº 50, Apartamento 201
Bairro: São Judas
Cidade: Jequié, Bahia
Telefone: (73) 91131879

81

ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no
estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio da Reitoria, sala do C.O.C., Campus A. C. Simões, Cidade Universitária
Telefone: (82) 3214-1041.

___________________________________ _______________________________
Assinatura ou impressão datiloscópica
do (a) voluntário (a) ou responsável legal
(Rubricar as demais páginas)

Nome e Assinatura do(s) responsável
(eis) pelo estudo (Rubricar as demais
páginas)

82

ANEXO B – Termo de Assentimento Livre e Esclarecido

TERMO DE ASSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Convidamos você, após autorização dos seus pais (ou dos responsáveis legais) a participar
como voluntári(o,a) da pesquisa “RELAÇÃO ENTRE VARIAVÉIS SOCIAIS E O
DESEMPENHO NEUROPSICOLÓGICO: APLICAÇÃO DO NEUPSILIN EM
ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL”. Esta pesquisa é
da responsabilidade de Veronica Santos da Silva e Jorge Artur Miranda de Peçanha Coelho da
Universidade Federal de Alagoas.

Este termo deve conter informações que você entenda. Caso haja alguma dúvida, pergunte aos
responsáveis pela pesquisa para que esteja bem esclarecido (a) sobre sua participação na
pesquisa. Você não terá nenhum custo, nem receberá qualquer pagamento para participar.
Você será esclarecido(a) sobre qualquer aspecto que desejar e estará livre para participar ou
recusar-se. Após ler as informações a seguir, caso aceite participar do estudo, assine ao final
deste documento, que está em duas vias. Uma delas é para ser entregue aos seus pais para
guardar e a outra é do pesquisador responsável. Caso não aceite participar, não haverá
nenhum problema se desistir, é um direito seu. Para participar deste estudo, o responsável por
você deverá autorizar e assinar um Termo de Consentimento, podendo retirar esse
consentimento ou interromper a sua participação a qualquer momento, sem nenhum prejuízo.
1) Que esta atividade quer avaliar o impacto das variáveis socioeconômicas (renda da sua
família, relação entre vocês) sobre o desempenho da linguagem; memória; inteligência.
2) O que preciso saber é se a linguagem, inteligência, memória e outros elementos (aqui
chamados de funções cognitivas) são diferentes entre quem estuda em escola particular e
escola pública.
3) Que você participará das seguintes forma: 1) assinando este termo 2) realizando algumas
tarefas que identificarão como está sua inteligência, memória, linguagem. Estas tarefas são
executadas através de ações simples como: escrita, leitura e desenho. Você fará esta atividade
individualmente no espaço da própria escola e no turno que você estuda, e durará em média
60min. O resultado destas tarefas será entregue apenas a você e nenhum outro colega da
escola ou da sala saberá como você se saiu.
4) Que você pode se sentir incomodado com o tempo da avaliação, um pouco constrangido
em alguma questão por não saber responde-la ou pelo vazamento de informações. Para que
isto aconteça irei vincular qualquer informação obtida na sua avaliação a um numero e não ao
seu nome e nem a nada que permita sua identificação.

83

5) Que você contará com a seguinte assistência: apoio a não participar mais da pesquisa caso
haja algum desconforto ao responder a bateria de testes, sendo responsáve(is) por ela:
Veronica Santos da Silva e Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho.
6) Que os benefícios que você pode esperar com a sua participação, mesmo que não
diretamente estão relacionados à grande importância que esse estudo vem trazer tanto para os
acadêmicos e profissionais da área de saúde, bem como terá suas funções medidas e terá o
retorno por parte do pesquisador.
7) Que a sua participação será acompanhada do seguinte modo: será recebido pelo
responsável pela pesquisa, o qual explicará inicialmente a importância do estudo e da sua
contribuição para ele. Em seguida será iniciada a fase de leitura destes termos, para,
finalmente, a avaliação.
8) Que, sempre que você desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas
do estudo.
9) Que, a qualquer momento, você poderá recusar a continuidade da sua participação no
estudo sem que isso te traga qualquer penalidade ou prejuízo.
10) Nem você ou nenhum responsável terá que pagar nenhuma despesa para mim enquanto
participante da pesquisa.
11) Que você será indenizado por qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa.
12) Que você receberá uma via do Termo de Assentimento Livre e Esclarecido.
Finalmente, tendo compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a
participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas
responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implicam, concordo
em dele participar e para isso eu dou o meu consentimento sem que para isso eu tenha sido
forçado ou obrigado.

Endereço d(o,a) participante-voluntári(o,a)
Domicílio (rua, praça, conjunto):
Bloco:

Nº:

Complemento:

Bairro:

CEP:

Cidade:

Telefone:
Ponto de referência:

84

Contato de urgência: Sr(a).
Domicílio (rua, praça, conjunto):
Bloco:

Nº:

Complemento:

Bairro:

CEP:

Cidade:

Telefone:
Ponto de referência:

Endereço d (os, as) responsáve (l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Universidade Federal de Alagoas - UFAL.
Endereço: Bairro: Tabuleiro dos Martins
Telefone: (73) 9978-8392
Ponto de referência: Próximo a Praça Hélio Teixeira

Endereço d (os, as) responsáveis (l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Veronica Santos da Silva
Rua Carlos Aguiar, nº 50, Apartamento 201
Bairro: São Judas
Cidade: Jequié, Bahia
Telefone: (73) 91131879

ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a
sua participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas

85

Prédio da Reitoria, sala do C.O.C., Campus A. C. Simões, Cidade Universitária
Telefone: (82) 3214-1041.

Maceió, ____________________

___________________________________ ___________________________________
Assinatura ou impressão datiloscópica do
(a) voluntário (a) (Rubricar as demais
páginas)

Nome e Assinatura do(s) responsável (eis)
pelo estudo (Rubricar as demais páginas)

86

ANEXO C – Questionário de Classificação Econômica Brasil

Alterações na aplicação do Critério Brasil, válidas a partir de 01/01/2015
A metodologia de desenvolvimento do Critério Brasil que entra em vigor no início de 2015
está descrita no livro Estratificação Socioeconômica e Consumo no Brasil dos professores
Wagner Kamakura (Rice University) e José Afonso Mazzon (FEA /USP), baseado na
Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE.
A regra operacional para classificação de domicílios, descrita a seguir, resulta da adaptação da
metodologia apresentada no livro às condições operacionais da pesquisa de mercado no
Brasil.
As organizações que utilizam o Critério Brasil podem relatar suas experiências ao Comitê do
CCEB. Essas experiências serão valiosas para que o Critério Brasil seja permanentemente
aprimorado.
A transformação operada atualmente no Critério Brasil foi possível graças a generosa
contribuição e intensa participação dos seguintes profissionais nas atividades do comitê:
Luis Pilli (Coordenador) - LARC Pesquisa de Marketing
Bianca Ambrósio -TNS
Bruna Suzzara – IBOPE
Marcelo Alves - Nielsen
Margareth Reis – GFK
Paula Yamakawa - IBOPE
Renata Nunes - Data Folha
Tatiana Wakaguri - IBOPE
Sandra Mazzo - IPSOS
Valéria Tassari - IPSOS
A ABEP, em nome de seus associados, registra o reconhecimento e agradece o
envolvimento desses profissionais.
ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – 2014 – www.abep.org – abep@abep.org

87

SISTEMA DE PONTOS
Variáveis

Banheiros
Empregados domésticos
Automóveis
Microcomputador
Lava louca
Geladeira
Freezer
Lava roupa
DVD
Micro-ondas
Motocicleta
Secadora roupa

0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0

1
3
3
3
3
3
2
2
2
1
2
1
2

Quantidade
2
7
7
5
6
6
3
4
4
3
4
3
2

3
10
10
8
8
6
5
6
6
4
4
3
2

4 ou +
14
13
11
11
6
5
6
6
6
4
3
2

Grau de instrução do chefe de família e acesso a serviços públicos
Escolaridade da pessoa de referência
Analfabeto / Fundamental I
incompleto
Fundamental I completo / Fundamental II
incompleto
Fundamental II completo / Médio incompleto
Médio completo / Superior
incompleto
Superior completo

0
1
2
4
7

Serviços públicos
Água encanada
Rua pavimentada

Não
0
0

Sim
4
2

Distribuição das classes
As estimativas do tamanho dos estratos atualizados referem-se ao total Brasil e resultados das
Macro Regiões, além do total das 9 Regiões Metropolitanas e resultados para cada um das
RM's (Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador,
Recife e Fortaleza).

88

As estimativas para o total do Brasil e Macro Regiões são baseadas em estudos
probabilísticos nacionais do Datafolha e IBOPE Inteligência. E as estimativas para as 9
Regiões Metropolitanas se baseiam em dados de estudos probabilísticos da GFK, IPSOS e
IBOPE Media (LSE).

1,1%
2,1%
10,2%
14,9%
24,5%
47,2%

Centro
Oeste
3,7%
5,7%
20,3%
22,6%
25,9%
21,8%

1,5%
2,5%
11,2%
14,4%
28,2%
42,1%

CWB
6,5%
9,2%

SP
5,0%
8,1%

RJ
3,1%
5,2%

BH
3,9%
5,8%

BSB
10,6%
11,3%

SSA
1,8%
3,5%

REC
2,7%
4,0%

FOR
3,6%
4,4%

12,6%

Classe

Brasil

Sudeste

Sul

Nordeste

A
B1
B2
C1
C2
D-E

2,7%
5,0%
18,1%
22,9%
24,6%
26,6%

3,3% 3,2%
7,0%
6,3%
22,7% 21,3%
27,3% 29,0%
23,9% 24,5%
15,9% 15,6%

POA
4,5%
7,2%
23,7%

Classe 9RM’s
A
4,3%
B1
6,6%

Norte

B2

20,7%

26,5%

25,1%

18,3%

20,3%

23,2%

12,2%

12,1%

C1
C2
D-E

25,0% 28,4% 27,1%
25,0% 23,7% 21,1%
18,4% 12,5% 9,6%

27,9%
23,1%
10,9%

24,3%
27,4%
21,7%

24,7%
26,7%
18,5%

22,2% 21,1% 18,6%
18,8% 30,5% 27,3%
13,9% 30,5% 35,1%

16,7%
24,7%
38,5%

Cortes do Critério Brasil
Classe
Pontos
A
B1
B2
C1

45 - 100
38 - 44
29 – 37
23 – 28

C2
D-E

17 – 22
0 – 16

Estimativa para a Renda Média Domiciliar para os estratos do Critério Brasil
Abaixo são apresentadas as estimativas de renda domiciliar mensal para os estratos sócioeconômicos. Os valores se baseiam na PNAD 2013 e representam aproximações dos valores
que podem ser obtidos em amostras de pesquisas de mercado, mídia e opinião. A experiência
mostra que a variância observada para as respostas à pergunta de renda é elevada, com
sobreposições importantes nas rendas entre as classes. Isso significa que pergunta de renda
não é um estimador eficiente de nível sócio-econômico e não substitui ou complementa o
questionário sugerido abaixo. O objetivo da divulgação dessas informações é oferecer uma
ideia de característica dos estratos sócio-econômicos resultantes da aplicação do Critério
Brasil.

89

Estrato Sócio
Econômico

Renda média
Domiciliar

A
B1

20.272,56
8.695,88

B2
C1

4.427,36
2.409,01

C2
D-E

1.446,24
639,78

TOTAL

2.876,05

90

PROCEDIMENTO NA COLETA DOS
ITENS
É importante e necessário que o critério seja
aplicado de forma uniforme e precisa. Para
tanto, é fundamental atender integralmente as
definições e procedimentos citados a seguir.

Para aparelhos domésticos em geral:
Devem ser considerados todos os bens que
estão dentro do domicílio em funcionamento
(incluindo os que estão guardados)
independente da forma de aquisição: compra,
empréstimo, aluguel, etc. Se o domicílio
possui um bem que emprestou a outro, este
não deve ser contado pois não está em seu
domicílio atualmente. Caso não estejam
funcionando, considere apenas se tiver
intenção de consertar ou repor nos próximos
seis meses.
Banheiro
O que define o banheiro é a existência de vaso
sanitário. Considerar todos os banheiros e
lavabos com vaso sanitário, incluindo os de
empregada, os localizados fora de casa e os
da(s) suíte(s). Para ser considerado, o
banheiro tem que ser privativo do domicílio.
Banheiros coletivos (que servem a mais de
uma habitação) não devem ser considerados.

Não considerar táxis, vans ou pick-ups usados
para fretes, ou qualquer veículo usado para
atividades profissionais. Veículos de uso
misto (pessoal e profissional) não devem ser
considerados.
Microcomputador
Considerar os computadores de mesa, laptops,
notebooks e netbooks. Não considerar:
calculadoras, agendas eletrônicas, tablets,
palms, smartphones e outros aparelhos.
Lava-Louça
Considere a máquina com função de lavar as
louças.
Geladeira e Freezer
No quadro de pontuação há duas linhas
independentes para assinalar a posse de
geladeira e freezer respectivamente. A
pontuação
será
aplicada
de
forma
independente:
Havendo uma geladeira no domicílio, serão
atribuídos os pontos (2) correspondentes a
posse de geladeira; Se a geladeira tiver um
freezer incorporado – 2ª porta – ou houver no
domicílio um freezer independente serão
atribuídos os pontos (2) correspondentes ao
freezer. Dessa forma, esse domicílio totaliza 4
pontos na soma desses dois bens.

Empregados Domésticos
Lava-Roupa
Considerar
apenas
os
empregados
mensalistas, isto é, aqueles que trabalham
pelo menos cinco dias por semana, durmam
ou não no emprego. Não esqueça de incluir
babás, motoristas, cozinheiras, copeiras,
arrumadeiras, considerando sempre os
mensalistas.
Note bem: o termo empregado mensalista se
refere aos empregados que trabalham no
domicílio de forma permanente e/ou continua,
pelo menos cinco dias por semana, e não ao
regime de pagamento do salário.
Automóvel

Considerar máquina de lavar roupa, somente
as
máquinas
automáticas
e/ou
semiautomática. O tanquinho NÃO deve ser
considerado.
DVD
Considere como leitor de DVD (Disco Digital
de Vídeo ou Disco Digital Versátil) o
acessório doméstico capaz de reproduzir
mídias no formato DVD ou outros formatos
mais modernos, incluindo videogames,
computadores, notebooks. Inclua os aparelhos
portáteis
e
os
acoplados
em
microcomputadores.
Não considere DVD de automóvel.

91

Micro-ondas
Considerar forno micro-ondas e aparelho com
dupla função (de micro-ondas e forno
elétrico).
Motocicleta
Não
considerar
motocicletas
usadas
exclusivamente para atividades profissionais.
Motocicletas apenas para uso pessoal e de uso

misto (pessoal e profissional) devem ser
consideradas.
Secadora de roupas
Considerar a máquina de secar roupa. Existem
máquinas que fazem duas funções, lavar e
secar. Nesses casos, devemos considerar esse
equipamento como uma máquina de lavar e
como uma secadora.

92

Modelo de Questionário sugerido para aplicação
P.XX Agora vou fazer algumas perguntas sobre itens do domicilio para efeito de classificação
econômica. Todos os itens de eletroeletrônicos que vou citar devem estar funcionando, incluindo
os que estão guardados. Caso não estejam funcionando, considere apenas se tiver intenção de
consertar ou repor nos próximos seis meses.
INSTRUÇÃO: Todos os itens devem ser perguntados pelo entrevistador e respondidos pelo
entrevistado.
Vamos começar? No domicílio tem______ (LEIA CADA ITEM)
QUANTIDADE QUE POSSUI

ITENS DE CONFORTO
Quantidade de automóveis de passeio exclusivamente
para uso particular
Quantidade de empregados mensalistas, considerando
apenas os que trabalham pelo menos cinco dias por semana
Quantidade de máquinas de lavar roupa, excluindo tanquinho

NÃO
POSSUI

1

Quantidade de banheiros
DVD, incluindo qualquer dispositivo que leia DVD e desconsiderando
DVD de automóvel
Quantidade de geladeiras
Quantidade de freezers independentes ou parte da geladeira duplex
Quantidade de microcomputadores, considerando computadores
de mesa, laptops, notebooks e netbooks e desconsiderando tablets,
palms ou smartphones
Quantidade de lavadora de louças
Quantidade de fornos de micro-ondas
Quantidade de motocicletas, desconsiderando
as usadas exclusivamente para uso profissional
Quantidade de máquinas secadoras de roupas, considerando
lava e seca

A água utilizada neste domicílio é proveniente de?
1
2
3

Rede geral de distribuição
Poço ou nascente
Outro meio

Considerando o trecho da rua do seu domicílio, você diria que a rua é:
1

Asfaltada/Pavimentada

2

Terra/Cascalho

2

3

4+

93

Qual é o grau de instrução do chefe da família? Considere como chefe da família a pessoa
que contribui com a maior parte da renda do domicílio.
Nomenclatura atual
Nomenclatura anterior
Analfabeto / Fundamental I incompleto Analfabeto/Primário Incompleto
Fundamental I completo / Fundamental II Primário Completo/Ginásio
Incompleto
Incompleto
Fundamental completo/Médio
Ginásio Completo/Colegial
Incompleto
Incompleto
Médio completo/Superior incompleto
Colegial Completo/Superior
Incompleto
Superior completo
Superior Completo

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
Este critério foi construído para definir grandes classes
que atendam às necessidades de segmentação (por
poder aquisitivo) da grande maioria das empresas.
Não pode, entretanto, como qualquer outro critério,
satisfazer todos os usuários em todas as
circunstâncias. Certamente há muitos casos em que o
universo a ser pesquisado é de pessoas, digamos, com
renda pessoal mensal acima de US$ 30.000. Em casos
como esse, o pesquisador deve procurar outros
critérios de seleção que não o CCEB.
A outra observação é que o CCEB, como os seus
antecessores, foi construído com a utilização de
técnicas estatísticas que, como se sabe, sempre se
baseiam em coletivos. Em uma determinada amostra,
de determinado tamanho, temos uma determinada
probabilidade de classificação correta, (que,
esperamos, seja alta) e uma probabilidade de erro de
classificação (que, esperamos, seja baixa).
Nenhum critério estatístico, entretanto, tem validade
sob uma análise individual. Afirmações frequentes do
tipo “... conheço um sujeito que é obviamente classe D,
mas pelo critério é classe B...” não invalidam o critério
que é feito para funcionar estatisticamente. Servem,
porém, para nos alertar, quando trabalhamos na
análise individual, ou quase individual, de
comportamentos e atitudes (entrevistas em
profundidade
e
discussões
em
grupo
respectivamente). Numa discussão em grupo um
único caso de má classificação pode pôr a perder todo
o grupo. No caso de entrevista em profundidade os
prejuízos são ainda mais óbvios. Além disso, numa
pesquisa qualitativa, raramente uma definição de
classe exclusivamente econômica será satisfatória.

Portanto, é de fundamental importância que todo o
mercado tenha ciência de que o CCEB, ou qualquer
outro critério econômico, não é suficiente para uma
boa classificação em pesquisas qualitativas. Nesses
casos deve-se obter além do CCEB, o máximo de
informações (possível, viável, razoável) sobre os
respondentes, incluindo então seus comportamentos
de compra, preferências e interesses, lazer e hobbies e
até características de personalidade.
Uma comprovação adicional da adequação do Critério
de Classificação Econômica Brasil é sua discriminação
efetiva do poder de compra entre as diversas regiões
brasileiras, revelando importantes diferenças entre
elas.

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ANEXO D – Protocolo de aprovação Comitê Ética em Pesquisa

UNIVERSIDADE FEDERAL DE
ALAGOAS
PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP
DADOS DO PROJETO DE PESQUISA
Título da
Pesquisa: RELAÇÃO
ENTRE
VARIÁVEIS
NEUROPSICOLÓGICO: APLICAÇÃO DO
NEUPSILIN
EM
NÍVEL SOCIOECONÔMICO

SOCIAIS
E O
ADOLESCENTES

DESEMPENHO
DE BAIXO

Pesquisador: Veronica Santos da Silva
Área Temática: Versão: 2

CAAE: 49713215.8.0000.5013
Instituição Proponente: Instituto de Psicologia
Patrocinador Principal: Financiamento Próprio
DADOS DO PARECER
Número do Parecer: 1.393.376
Apresentação do Projeto:
A neuropsicologia na infância e adolescência direciona-se especialmente a identificação precoce
de alterações no desenvolvimento cognitivo e comportamental, visando assim contribuir para o
desenvolvimento adequado do processo de ensino aprendizagem. (Costa, et. al. 2004). O
ambiente no qual o adolescente esta inserido, e seus fatores de risco, destaca-se entre as
variáveis que interferem no desenvolvimento, tendo em vista que este é um dos elementos que
pode influir no desenvolvimento atípico da cognição. (Sameroff & Fiese, 1990). Sendo assim, a
neuropsicologia, ao investigar a identificação dos fatores responsáveis pela prevalência de um
padrão prejudicado de desempenho cognitivo, que se reflete na aprendizagem, em adolescentes
inserido em um ambiente permeado por fatores de risco, deve atentar para

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a multideterminação do desempenho
observado e a necessidade de instrumentos adequados e sensíveis aos aspectos do contexto.
Objetivo da Pesquisa:
O presente projeto tem por objetivo investigar a correlação e o impacto do nível socioeconômico
(vulnerabilidade social; aspectos do ambiente familiar; aspectos econômicos), sobre o desempenho
neuropsicológico funções cognitiva de uma amostra populacional de adolescentes da cidade de Jequié Bahia, avaliada através da NEUPSILIN.
Objetivo Secundário:
•Investigar a relação entre fatores sociais e desempenho cognitivo dos adolescentes de baixo nível
socioeconômico de uma amostra populacional
•Verificar quais as variáveis sociais que contribuem para o desempenho nas funções avaliadas

Avaliação dos Riscos e Benefícios:
Os riscos possíveis de participação neste estudo são mínimos, pois não envolve engodo, nem técnicas de
pesquisa invasivas. Sendo necessária, apenas, a dedicação dos participantes por cerca de 60 minutos.

As possíveis dificuldades que poderão surgir e que, consequentemente, mobilizarão a elaboração de
estratégias de superação referem-se à possibilidade de intercorrências sobre o calendário escolar, a
exemplo de atividades extraclasse, paralisações e mobilizações, que acabaram influenciando o
cronograma de realização da pesquisa. Outro possível fator dificultador seria a ausência de estrutura
adequada à realização da avaliação neuropsicológica na própria instituição de ensino, tendo em
vista a necessidade de um espaço onde a coleta de dados possa ser realizada com a exposição
mínima a variáveis que possam interferir na avaliação. Por fim, mais um fator que

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pode emergir enquanto dificultador da pesquisa referem-se aos altos índices de evasão escolar e
as constantes transferências dos discentes. Como alternativas as estas dificuldades, buscar-se-á o
ajuste do cronograma de pesquisa (na medida do possível) as atividades escolares, incluindo reposições
e permutas dos dias de coleta; outra estratégia que poderá ser implementada no que se refere à
disponibilidade espaço refere-se à utilização de espaços vinculados a escola como associação de
moradores. O problema da evasão escolar é uma questão com a qual sempre nos deparamos ao lidarmos
com estudantes em situação de vulnerabilidade, uma das medidas empregadas para que este aspecto
não interfira sobre a representatividade da pesquisa será o calculo amostral considerando o tamanho
mínimo da amostra para garantir sua representatividade e estabelecendo-se, sobre este, uma estimativa

do índice de abandono da pesquisa. A nível macro estabelece-se que os resultados desta pesquisa que
poderão indicar correlações e sugerir medidas interventivas mais eficazes sobre os aspectos principais
que emergem da relação entre vulnerabilidade socioeconômica e desempenho neuropsicológico;, variáveis
psicossociais, desempenho cognitivo, e consequentemente aumentando os índices de evasão.

Comentários e Considerações sobre a Pesquisa:
O estudo de coorte transversal do tipo ‘quase-experimental’. Este tipo de pesquisa caracteriza-se pela sua
proximidade com as pesquisas experimentais, diferenciando-se desta, por não haver manipulação direta

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sobre a variável independente por parte do pesquisador. A pesquisa será realizada no período que
compreende 2015/2016, sendo que a coleta dos dados será iniciada apenas quando houver aprovação
do
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).A amostra da pesquisa será composta por 100 adolescentes , com
faixa etária entre os 12 aos 14 anos, regularmente matriculados no ensino fundamental da rede pública
e privada de educação básica do município de Jequié – BA. A amostra será selecionada por
conveniência compondo Grupo Experimental (GE; n= 50) e Grupo Controle (GC; n = 50). O GE será
composto por estudantes de escolas públicas em situação de vulnerabilidade social; e 50 estudantes de
escolas particulares de alto nível socioeconômico comporão o Grupo Controle (GC).imidade com as
pesquisas experimentais, diferenciando-se desta, por não haver manipulação direta
sobre a variável independente por parte do pesquisador. A pesquisa será realizada no período que
compreende 2015/2016, sendo que a coleta dos dados será iniciada apenas quando houver aprovação
do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).A amostra da pesquisa será composta por 100 adolescentes ,
com faixa etária entre os 12 aos 14 anos, regularmente matriculados no ensino fundamental da rede
pública e privada de educação básica do município de Jequié – BA. A amostra será selecionada por
conveniência compondo Grupo Experimental (GE; n= 50) e Grupo Controle (GC; n = 50). O GE será
composto por estudantes de escolas públicas em situação de vulnerabilidade social; e 50 estudantes de
escolas particulares de alto nível socioeconômico comporão o Grupo Controle (GC).

Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória:
Informações Básicas do Projeto
PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_PROJETO_432385.pdf Folha de Rosto
FOLHA.jpg TCLE / Termos de Assentimento / Justificativa de
Ausência
TALE.doc
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declaração de Instituição e Infraestrutura AUTORIZACAOADOLFO.jpg
Projeto Detalhado / Brochura Investigador PROJETO.doc

A primeira lista de pendências foi sanada.
Recomendações:
Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações:
Protocolo atende as recomendações éticas da Resolução 466-12.
Considerações Finais a critério do CEP:
Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados:
Tipo Documento

Arquivo

Postagem

Informações Básicas PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P
do Projeto
ROJETO_432385.pdf
Projeto Detalhado / PROJETO_COMPLETO_PLATAFORM
Brochura
A.doc
Investigador
Outros
PENDENCIAS.docx
TCLE / Termos de
Assentimento /
Justificativa de
Ausência
TCLE / Termos de
Assentimento /
Justificativa de
Ausência
Declaração de
Instituição e
Infraestrutura
Declaração de
Instituição e
Infraestrutura
Folha de Rosto

Autor

Situação

16/12/2015
08:40:23
16/12/2015
08:39:14

Veronica Santos da
Silva

Aceito

16/12/2015
08:12:46
16/12/2015
08:07:19

Veronica Santos da
Silva
Veronica Santos da
Silva

Aceito

TALE.doc

16/12/2015
08:02:34

Veronica Santos da
Silva

Aceito

AUTORIZACAOCAMPUS.jpg

26/08/2015
00:32:39

Veronica Santos da
Silva

Aceito

AUTORIZACAOADOLFO.jpg

26/08/2015
00:31:10

Veronica Santos da
Silva

Aceito

FOLHA.jpg

21/03/2015
09:35:06

TCLE.docx

Aceito

Aceito

Aceito

Situação do Parecer:
Aprovado
Necessita Apreciação da CONEP:

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MACEIO, 22 de Janeiro de 2016

Assinado por: Deise
Juliana Francisco
(Coordenador)

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