Stephane Juliana Pereira da Silva - Sentidos produzidos sobre a residência multiprofissional por egressos de um programa.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
Stephane Juliana Pereira da Silva
SENTIDOS PRODUZIDOS SOBRE A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL POR
EGRESSOS DE UM PROGRAMA
Maceió
2016
Stephane Juliana Pereira da Silva
SENTIDOS PRODUZIDOS SOBRE A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL POR
EGRESSOS DE UM PROGRAMA
Dissertação apresentada ao Programa de Pós
Graduação em Psicologia da Universidade
Federal de Alagoas, como requisito para
obtenção do título de Mestre, sob a
orientação da Profª Dra. Maria Auxiliadora
Teixeira Ribeiro.
Maceió
2016
Folha de Aprovação
AUTORA: STEPHANE JULIANA PEREIRA DA SILVA
SENTIDOS PRODUZIDOS SOBRE A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL POR
EGRESSOS DE UM PROGRAMA
Dissertação submetida ao corpo docente do
Programa de Pós-Graduação em Psicologia
da Universidade Federal de Alagoas em 29 /
09 / 2016.
________________________________________________________________
Profª Dra. Maria Auxiliadora Teixeira Ribeiro, UFAL (Orientadora)
Banca Examinadora:
_____________________________________________________________________________
__
Profª Dra. Jacqueline Isaac Machado Brigagão (Examinadora Externa)
_____________________________________________________________________________
___
Profª Dr. Jefferson de Souza Bernardes, UFAL (Examinador Interno)
AGRADECIMENTOS
Não é fácil elencar aqueles a quem devo esses agradecimentos, pois são muitos anos de
dedicação para chegar até aqui e finalmente encerrar mais este ciclo depois de tantos
momentos em que pensei que não iria conseguir.
Agradeço a Deus pela vida, por permitir minhas conquistas e derrotas, pois até nelas eu
pude aprender algo e amadurecer.
A minha filha Júlia, por ser meu incetivo nesta reta final.
Aos meus pais, por todo amor e confiança dedicados a mim ao longo da minha vida.
Sempre acreditam que eu vou conseguir independente do desafio, e vejo o quanto sou
motivo de orgulho para eles, isso é a minha maior retribuição por toda dedicação.
Ao meu esposo, que sempre me apoia em todas as escolhas profissionais e me incentiva
a nunca parar com minha jornada acadêmica.
Aos meus irmãos, pela presença e amizade me ajudando nos momentos de escape
quando essa jornada parecia ser dolorosa.
À Maria Auxiliadora, a quem carinhosamente chamamos de Xili, pela amizade e pela
orientação acadêmica e na vida pessoal desde 2008, quando começamos essa jornada.
Ao grupo de pesquisa, que agora chamamos de Prosa, pelas contribuições quando ainda
estava na Residência Multiprofissional.
Aos professores doutores Jeffersson e Jacqueline pelas contribuições com este trabalho
desde o momento da qualificação.
Ao PETPsico que foi a experiência incentivadora deste percurso profissional.
Ao amigo Nilton, pelas caronas quando tínhamos orientação e pela disponibilidade em
me ouvir.
Aos amigos Darlan, Eyre e Welison que fiz no mestrado e foram fundamentais neste
percurso, me ajudando a suportar quando precisei e por festejarem cada passo
conquistado nesses dois anos.
À amiga Larissa que foi inspiração por ser a primeira orientanda da Xili neste mestrado
e por todas as conversas e trocas.
Aos amigos Mário e Walkiria por terem participado dessa jornada desde a graduação
À amiga Renata e ao Mário pela leitura cuidadosa e essencial para finalização deste
texto.
Aos amigos da Residência que levo para a vida e que foram inspiração para este
trabalho.
Aos colegas de graduação e mestrado pelas contribuições e convivência.
Às partipantes desta pesquisa, sempre tão disponíveis e compreensivas.
A minha família e família do meu esposo (que também é minha!) pelo incentivo e
confiança no meu potencial.
Às amizades construídas ao longo da vida.
À CAPES pelo financiamento da pesquisa.
RESUMO
Buscamos compreender os sentidos produzidos sobre a formação profissional por
residentes egressos de um Programa de Residencia Multiprossional, a partir de suas
falas relacionadas à experiência vivenciada, dialogando com a proposta da Política de
Educação Permanente em Saúde. Apoia-se no referencial teórico-metodológico das
práticas discursivas e produção de sentidos, fundamentado no construcionismo social.
Uma oficina, com cinco residentes egressas de um Programa de Residência
Multiprofissional de Maceió, é o método utilizado para a construção das informações.
Entre as cinco participantes, duas são assistentes sociais, uma psicológa, uma
nutricionista e uma fisioterapeuta, que fizeram parte das três primeiras turmas e estão
vinculadas em algum serviço. Nosso foco de análise são as características de ação
conjunta da experiência vivenciada a partir das falas das participantes, convocadas a
produzir sentidos sobre a Residência Multiprofissional. Consideramos que o diálogo e o
trabalho em equipe, proporcionados pela experiência da Residência, promovem a
construção de novos conhecimentos e novas possibilidades de atuação nos serviços de
saúde e que se caracterizam como ações conjuntas. E ainda que, a Residência
Multiprofissional tem possibilitado a emergência de outros saberes e modos de atuação
configurando-se como um dispositivo de formação, em consonância com a proposta da
política de Educação Permanente.
Palavras-chave: Residência Multiprofissional , Educação Permanente em Saúde,
Práticas Discursivas e Produção de Sentidos, Ação Conjunta.
ABSTRACT
We seek to understand how former residents from the Multiprofessional Residence
Program produce meanings about their professional training, according to their
discourses on the experience and its relation to the Permantent Education in Health
Policy. Our theorethical and methodological approach is Discursive Practices and
Meaning Production, which bases on Social Construccionism Movement. To achieve
our goal and produce information, we performed a workshop with five former residents
of the Multiprofessional Residence Program of Maceió. The participants were two
social workers, a psychologist, a nutricionist and a physical therapist. All of them were
at the first three Program classes and are employed. The analysis focused on the
characteristics of joint action experience according to their discourses about the
Program. Results show that dialogue and teamwork, provided by the experience on the
Program, are join actions that have made possible to produce new knowl edge and new
professional possibilities in health services. Furthermore, Multiprofessional Residence
Program has made the emergence of new knowledges and practices possible, working
as a training device, in line with Permanent Education in Health Policy.
Keywords: Multiprofessional Residence Program, Permanent Education in Health,
Discursive Practices and Meaning Production, Joint Action.
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO...............................................................................................9
1. POR QUE PESQUISAR AS RESIDÊNCIAS MULTIPROFISSIONAIS EM
SAÚDE?...............................................................................................................11
1.1 As Residências que circulam na literatura acadêmica........................................12
1.1.1. Residências como cenário de prática......................................................14
1.1.2.
Educação
Permanente
em
Saúde:
focalizando
as
residências
multiprofissionais............................................................................................16
2. POSICIONAMENTO TEÓRICO-METODOLÓGICO...................................26
2.1. De onde falamos?...........................................................................................26
3. PERCURSOS METODOLÓGICOS ...............................................................29
3.1 A Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso do
HUPAA/UFAL......................................................................................................29
3.2 Diálogo com as residentes egressas...................................................................33
3.3. O que se fala: os sentidos produzidos durante o encontro..................................36
3.4. Conversando sobre experiência da residência e a ação conjunta........................55
4.
CONSIDERAÇÕES
SOBRE
AS
RESIDÊNCIAS
MULTIPROFISSIONAIS.....................................................................................57
5. REFERÊNCIAS................................................................................................59
ANEXOS...............................................................................................................65
9
APRESENTAÇÃO
Ao finalizar, a graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas –
UFAL, em 2012, na qual desenvolvi pesquisas e o trabalho de conclusão de curso, na
área da saúde, tive interesse em continuar aprofundando meus estudos me vinculando a
uma pós-graduação, além de ter uma vivência no cotidiano da atuação em Psicologia
nos serviços de saúde. Realizei a seleção do programa de Residência Multiprofissonal
do Hospital Universitário vinculado à UFAL, experiência que durou dois anos.
O interesse em estudar as residências multiprofissionais em saúde surge a partir
dessa vivência no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do
Idoso.
A atuação no programa teve como espaço, no primeiro ano, clínicas do hospital
que atendiam a usuários que foram submetidos a algum tipo de cirurgia ou estavam
internados devido a algum tipo de patologia como: diversos tipos de câncer,
dificuldades renais, complicações clínicas das doenças crônicas como diabetes e
hipertensão entre outros. No segundo ano, a atuação foi realizada em dois ambulatórios
e em uma Unidade Básica de Saúde.
Algumas questões foram provocando o interesse em refletir sobre a minha
experiência e de outros colegas que fizeram parte do Programa. Ao conversar sobre a
sua influência, levando em conta as mudanças que ocorreram, na forma de intervir nos
diversos espaços e como o diálogo entre as diferentes disciplinas foi imprescindível
para um cuidado integral ao usuário dos serviços de saúde.
A reflexão sobre as mudanças ocorridas em minha forma de compreender a
atuação da Psicologia, consequentemente minha própria atuação, e as conversas com os
amigos que fiz durante o período na Residência, profissionais de diversas àreas de
atuação, foram despertando o interesse em dar continuidade a minha trajetória
acadêmica. O que me levou a realizar a seleção do mestrado em Psicologia da UFAL o
qual já tinha certa aproximação por ter participado do grupo de pesquisa vinculado a
este Programa e que minha orientadora faz parte.
Inicialmente, as inquietações que deram origem ao desejo de fazer a pesquisa do
mestrado estavam direcionadas a investigar a contribuição da vivência nesse Programa
relacionada às mudanças na atuação da Psicologia no campo da Atenção Básica. A
partir das leituras realizadas, das conversas em orientação e em outros espaços,
10
consideramos que as ações desenvolvidas durante a residência ocorreram na dimensão
multiprofissional e focalizar apenas na Psicologia, reduziria este estudo a uma das
disciplinas envolvidas neste processo.
O nosso interesse é compreender os sentidos produzidos sobre a formação
profissional por residentes egressos de um Programa de Residencia Multiprossional, a
partir de suas falas relacionadas à experiência vivenciada, dialogando com a proposta da
Política de Educação Permanente em Saúde
Para abranger esse objetivo, primeiro realizamos a apresentação do contexto de
surgimento das Residências; um diálogo com a literatura acadêmica sobre o tema,
apresentando os principais artigos que tivemos acesso, que possibilitam visualizar como
a discussão sobre as Residências tem circulado nas publicações científicas. Esse
levantamento foi estruturado a partir de dois bancos de dados: Biblioteca Virtual de
Saúde (BVS) e no banco dos periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES).
No segundo capítulo, trazemos o nosso referencial teórico-metodológico, aquele
que norteia o percurso de toda a pesquisa.
No terceiro, discorremos sobre o método da oficina que escolhemos para
alcançarmos nossos objetivos, quem participou e sobre o Programa de Residência
escolhido para este estudo.
Além disso, ainda no terceiro capítulo, descrevemos as falas das participantes
nas oficinas, realizamos uma discussão dos sentidos produzidos a partir das falas das
participantes da pesquisa e analisamos os sentidos produzidos sobre a experiência na
Residência tendo como foco o conceito de ação conjunta. Por fim, no quarto capítulo,
faremos algumas considerações sobre a experiência proporcionada pela Residência e
seus desdobramentos.
11
1. POR QUE PESQUISAR AS RESIDÊNCIAS MULTIPROFISSIONAIS EM
SAÚDE?
O SUS tem possibilitado importantes mudanças na forma de assistência em
saúde e, também, nos modos de ensinar e aprender. Essas mudanças vêm mobilizando
pessoas e instituições com o objetivo de aproximar as instituições formadoras e as ações
e serviços do SUS. Esse movimento cria condições para estimular mudanças no
processo de formação dos profissionais da saúde e também nos modelos de cuidado em
saúde. Com essas mudanças, novos perfis profissionais foram solicitados e várias
estratégias têm sido criadas para que os princípios do SUS sejam consolidados. Uma
delas é a criação dos programas de residências multiprofissionais em saúde enquanto
estratégias de educação permanente. Esta surge para reconfigurar a atuação dos
trabalhadores da saúde partindo da educação no e para o trabalho como estratégia para
que mudanças ocorram no cenário de atuação (BRASIL, 2004; CECCIM;
FEUERWERKER, 2004;LOBATO, 2010).
O Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES), responsável pela
proposição e formulação das políticas relativas à formação, ao desenvolvimento
profissional e à educação permanente dos trabalhadores da saúde, em todos os níveis de
escolaridade, apresentou a proposta de criação da “Política de Educação Permanente e
desenvolvimento para o SUS: caminhos para educação permanente em saúde”. Essa
política tem o objetivo de potencializar mudanças na formação dos profissionais e nos
modelos de atenção em saúde, oferecidos pelos serviços do SUS, assim como
implementar a atribuição do SUS de gestão da educação dos profissionais da área. Em
setembro de 2003, o Ministério da Saúde aprovou junto ao Conselho Nacional de Saúde
a proposta realizada pelo DEGES através da portaria Nº198/GM/MS. (BRASIL, 2004;
CECCIM; FEUERWERKER, 2004; OLIVEIRA, 2009).
Nesta perspectiva, decidiu-se pela adoção de uma política de educação
permanente no SUS capaz de encarar o desafio de ser um eixo transformador, uma
estratégia mobilizadora dos diversos atores envolvidos e recurso de fortalecimento do
SUS (BRASIL, 2004).
Uma das principais mudanças em decorrência da implantação das residências
multiprofissionais foi a resistência ao modelo de atenção à saúde centrado na figura do
médico e também ao modelo de formação, baseado na especialização e fragmentação do
conhecimento. Esses modelos trabalham predominantemente com a perspectiva da
12
doença como um fenômeno estritamente biológico. As residências multiprofissionais
surgem enquanto uma das estratégias para formação de recursos humanos, que dialoga
com essas mudanças na atenção à saúde e destaca a importância da comunicação entre
as diversas categorias profissionais da saúde (BRASIL, 2006).
O modelo de atenção à saúde, com a criação do SUS (Sistema Único de Saúde),
vem sendo modificado a partir de uma perspectiva de atenção de forma integral, na qual
são considerados os diversos aspectos da vida (trabalho, moradia, cultura, contexto
social) além de fundamentar o trabalho das novas categorias de saúde estabelecidas pela
Resolução CNS 287/1998. (BRASIL, 2006; 2009; NASCIMENTO; OLIVEIRA, 2006).
Além disso, a saúde passa a ter uma assistência mais ampla sendo distribuída por níveis
de atenção
Estudos sobre as residências multiprofissionais levou-nos a considerar que tem
sido produzida uma crescente mudança nas metodologias de atuação profissional e
como essas novas formas de fazer possibilitam melhorias na qualidade do atendimento
nos serviços de saúde, em decorrência dessas práticas (NEPOMUCENO &
BRANDÃO, 2011; CLEMENTE et al, 2008).
As residências multiprofissionais são consideradas como dispositivo para que
mudanças aconteçam, na perspectiva da estratégia de Educação Permanente que tem em
seus objetivos a busca do aprimoramento da atuação nos serviços de saúde no país
(BRASIL, 2009). Apesar da discussão sobre as Residências como uma estratégia de
Educação Permanente ter crescido, compreendemos que podemos contribuir para a
expansão dessa discussão e produção de conhecimento sobre esta experiência e suas
repercurssões no cotidiano dos profissionais que vivenciam estes programas.
1.1
AS
RESIDÊNCIAS
QUE
CIRCULAM
NA
LITERATURA
ACADÊMICA
Para abranger a compreensão de como a residência multiprofissional tem sido
discutida na literatura científica, realizamos uma busca em dois bancos de dados: no
portal da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e no banco dos periódicos da Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Na escolha dos bancos de dados, levamos em conta suas características e o
objeto de estudo desta dissertação. Ambos utilizam um modelo de indexação similar e
13
são de acesso livre, sendo o primeiro importante para pesquisas em saúde e o segundo
de temáticas e abrangência de interesse nacional e internacional (RIBEIRO; MARTINS;
LIMA, 2015). E, nossa pesquisa tem como foco as residências multiprofissionais em
saúde.
Utilizamos como palavras-chave para o levantamento naqueles bancos de dados,
as combinações: “residência multiprofissional” e “residência não médica”.
Quanto aos termos escolhidos para realizar a busca das publicações, o termo
“residência não médica” foi retirado do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e o
termo “residência multiprofissional” escolhemos para realizar uma busca específica da
temática já que no DeCS esse termo não está indexado. O resultado da busca com o
termo ‘residência multiprofissonal’ nos trouxe um número maior de publicações sobre
as Residências Multiprofissionais, enquanto que o termo ‘residência não médica’
resultou em várias publicações relacionadas às residências médicas e não apareceram
outros artigos, a não ser aqueles
que surgiram com o termo ‘residência
multiprofissional’.
Realizamos a leitura dos títulos e resumos dos textos encontrados, a partir da
qual foi possível construir dois quadros demonstrativos deste levantamento das
publicações
relacionadas
ao
tema.
A
seguir,
disponibilizamos
os
quadros
demonstrativos do levantamento realizado, inicialmente em janeiro 2015 e atualizado
em março de 2016.
Termo: Residência Multiprofissional
Artigos
BVS
CAPES
Residência
55
como cenário de
prática/discussão
de profissão ou
residência
específica
88
Residência
38
enquanto
estratégia de
Educação
Permanentediscussão central
24
14
Repetidos
20
6
Total:
113
118
Termo: Residência Não Médica
Artigos
BVS
CAPES
Residência
149
como cenário de
prática/discussão
de profissão ou
residência
específica
106
Residência
7
enquanto
estratégia de
Educação
Permanentediscussão central
2
Repetidos
31
15
Total:
187
123
Somou-se 71 publicações que trazem a discussão das Residências como
estratégia de Educação Permanente e destas publicações selecionamos 23 artigos, 1
dissertação e 3 documentos oficiais do Ministério da Saúde. Estes foram utilizados para
fundamentação da temática sobre as Residências.
A partir da leitura dos títulos e resumos das publicações, quando realizamos a
compreensão daquilo que o texto tratava enquanto discussão, classificamos as
publicações acessadas em dois subtemas: por um lado, as produções que trazem a
Residência como cenário de prática/discussão de profissão ou residência relacionada a
apenas uma profissão e por outro, aquelas em que a Residência é focalizada enquanto
estratégia de Educação Permanente como discussão central.
1.1.1. RESIDÊNCIAS COMO CENÁRIO DE PRÁTICA
15
Os artigos que trazem as residências multiprofissionais como cenário para
discussão de temas específicos, abordam assuntos relacionados às práticas e ao processo
de formação de algumas profissões envolvidas nestes programas: serviço social,
psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, enfermagem, fonoaudiologia e odontologia
(PINTO et al, 2007; GONZALEZ; ALMEIDA, 2010; ALVES; CALDEIRA, 2011;
MEIRA E SILVA, 2011; SANTOS et al, 2011; BERWING et al, 2012; CORREIA;
COELHO, 2012; LANGONI et al, 2012; SCHMALLER et al, 2012; CIELO et al,
2013).
Abordam ainda, formas de atuação em áreas específicas como neonatologia,
anestesiologia, cirurgia bariátrica, acompanhamento infantil e com idosos (BARBIERI
et al, 2012; MAIA et al, 2012; CERON et al, 2013; MARTINS et al, 2014;), além de
discutirem práticas desenvolvidas nos programas de residências: cuidado domiciliar,
apoio matricial e cuidados paliativos (KLOCK et al, 2005; MITRE, 2012; HERMES;
LAMARCA, 2013).
Outro enfoque abordado nesses estudos é a interlocução proporcionada pelas
residências com algumas políticas, através de seus programas de ações, como a
Estratégia de Saúde da Família (ESF), Política de Saúde Mental e Educação Popular em
Saúde (CARNEIRO et al, 2009; LOBOSQUE, 2011; RODRIGUES, 2011; GUERIN et
al, 2012).
Além das políticas, são discutidas as experiências dos residentes, em alguns
espaços de atuação, como ambulatório de oncologia (MORAIS et al, 2012; MIRANDA;
LO BIANCO, 2013;) e de doenças renais (PENA et al, 2012).
As publicações que abordam os programas de residência ou falam sobre
residentes, discutem diversos assuntos. Entre eles está a incidência de transtornos em
residentes como a Síndrome de Burnout e transtornos mentais em geral (GUIDO et al,
2012; CARVALHO et al, 2013) e a percepção de residentes sobre a experiência nas
residências (LIMA E ARAÚJO, 2011; GOULART et al, 2012).
Também são discutidos aspectos relacionados à experiência nos programas, a
exemplo da interdisciplinaridade e multiprofissionalidade (LESSA, 2000; FERREIRA
et al, 2009; SALVADOR et al, 2011; CHEADE et al, 2013; SHERER et al, 2013).
Outros relatam também a experiência da preceptoria nas residências e o uso de recursos
16
metodológicos como diários reflexivos nessa formação (PAGANI; ANDRADE, 2012;
OLIVEIRA et al, 2013).
A literatura acadêmica apresenta a residência como uma estratégia de Educação
Permanente regulamentada a partir de 2005, após a criação da Política de Educação
Permanente no país e será apresentada a seguir, contribuindo para a compreensão da
constituição das residências multiprofissionais.
1.1.2. EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE: FOCALIZANDO AS
RESIDÊNCIAS MULTIPROFISSIONAIS
Neste capítulo, discorreremos sobre a literatura acadêmica encontrada nos
bancos de dados anteriormente citados que fala desde a implementação da Política de
Educação Permanente. Ao falarmos dessa Política falaremos também do surgimento e
regulamentação das Residências Multiprofissionais como uma das estratégias para
concretização da Educação Permanente no Brasil.
A Educação Permanente em Saúde tem como proposta se constituir em uma
ação estratégica que contribua para mudanças nos processos formativos, nas práticas
pedagógicas e de saúde e na organização dos serviços. Propõe ainda que este trabalho
seja articulado entre o SUS e suas esferas e as instituições formadoras. A lógica desta
política pública é a de aceitar que formação e o desenvolvimento de ações possam ser
realizados de modo descentralizado, ascendente e transdisciplinar (CECCIM, 2005).
A Educação Permanente torna-se o conceito pedagógico e metodológico para
experimentação das relações entre ensino-aprendizagem e entre docência e atenção à
saúde, sinalizando ser necessária a criação de novas formas de entender e produzir
saúde (OLIVEIRA, 2009).
Diante deste cenário, podemos situar a formação dos profissionais da saúde em
um projeto de educação que ultrapassa os limites de um processo educativo voltado
apenas para uma aprendizagem técnico-científica de cada profissão. A formação
técnico-científica é um dos aspectos da qualificação das práticas, pois a este processo
amplo de formação englobamos outros aspectos como produção de subjetividade, de
habilidades técnicas e de pensamento e um conhecimento do SUS. Essa formação deve
ter como objetivos, também, a transformação das práticas profissionais e da organização
17
do trabalho, favorecendo um direcionamento para as necessidades da população
usuários dos serviços de saúde (CECCIM; FEUERWERKER, 2004).
Portanto, os processos de qualificação dos trabalhadores da saúde precisam ser
estruturados a partir da problematização do seu processo de trabalho. Outro aspecto
importante nesse cenário de qualificação e formação é que, muitas vezes, cursos que são
considerados necessários aos trabalhadores são ainda mais necessários aos docentes,
buscando fortalecer a educação superior e profissional integrando valores éticos,
técnicos, humanísticos e organizacionais já mencionados (CECCIM; FEUERWERKER,
2004).
O modelo de capacitação utilizado para qualificação dos trabalhadores da saúde
está baseado na lógica dos saberes específicos, que em grande parte tem uma atuação
hierarquicamente determinada e um formato de ações que privilegiam a compreensão
individual, deixando em segundo plano o sentido da integralidade na assistência. Essas
capacitações acabam sendo sustentadas por uma perspectiva médico individualista
(OLIVEIRA, 2009).
Na modalidade “Educação em Serviço”, como é o exemplo das residências
multiprofissionais, destaca-se o espaço de trabalho como produtor de novos conteúdos,
instrumentos e recursos para um projeto de mudança. Destacamos que essa estratégia
considera a implantação de um processo educativo concomitante às práticas de serviço,
buscando a construção de espaços coletivos de avaliação e análise dos sentidos
colocados no cotidiano do trabalho em saúde (CECCIM, 2005; OLIVEIRA, 2009).
A educação em serviço reconhece os municípios como espaço de vivências
dessa proposta. Reúne desafios na atuação que englobam o lugar de inscrição das
populações, a contribuição das instituições formadoras, dos projetos político
pedagógicos, dos estágios para estudantes e de mobilização das culturas. A educação
permanente em saúde/educação em serviço contribui para a interlocução entre os
diversos atores, incluindo as esferas estaduais e municipais, na construção de um
sistema único para a saúde (BRASIL, 2004; OLIVEIRA, 2009).
Essa estratégia busca produzir mudanças que possibilitem os profissionais da
saúde reconstruírem conceitos que abandonem o determinismo biológico e a definição
de saúde como ausência de doenças, trazendo para o cotidiano de trabalho a importância
do atendimento integral aos usuários dos serviços. Esses conceitos e práticas
biomédicas têm sustentado, durante um tempo significativo, os modelos de assistência a
18
saúde e podem interferir na consolidação dos princípios do SUS (FEUERWERKER,
2005; OLIVEIRA, 2009).
Assim, a partir dessas concepções, a Educação Permanente tem um lugar
importante na criação de dispositivos capazes de dar conta desta proposta, além de não
mais antagonizar políticas e práticas em saúde. Isso provoca mudanças nas concepções
atuais e direciona para a necessidade de desnaturalizar compreensões historicamente
produzidas no campo da saúde (CECCIM, 2005; LOBATO, 2010).
As residências multiprofissionais são exemplo desses dispositivos criados para
contribuir com essas mudanças. Salientamos sua implicação como instrumento
questionador e promotor da transformação das práticas de planejamento, gestão e
atuação junto à comunidade. A educação em serviço, utilizando como dispositivo as
residências multiprofissionais, é compreendida como um avanço no sentido de produzir
novos modos de atuação para os profissionais reconfigurando práticas e criando outras
(CECCIM, 2005; LOBATO, 2010).
A residência, enquanto uma modalidade de formação, tem uma história de
regulamentação, na área do ensino médico, através do Ministério da Educação, em
1977, com o Decreto nº 80.281, na modalidade de pós-graduação lato sensu. Enquanto
que as residências multiprofissionais são mais recentes, tanto em sua expansão quanto
na regulamentação, através da Lei 11.129/2005. Apesar disso, desde a década de 1960,
as residências não médicas vinham ocorrendo, sem vinculação nenhuma com os
Ministério da Saúde (MS) e/ou da Educação (BRASIL, 2009; LOBATO, 2010).
O MS vem apoiando as Residências Multiprofissionais em Saúde (RMS), desde
2002. Nesse mesmo ano, foram criadas dezenove residências multiprofissionais em
saúde da família com diferentes formatos, mas todas elas trabalhando na perspectiva de
construção de um trabalho integrado com todas as profissões da saúde (BRASIL, 2006;
ROSA & LOPES, 2010).
Em 2005, através da Lei nº 11.129 de 30 de junho, foi criada a Residência em
Área Profissional da Saúde. Esta ficou definida como modalidade de ensino de pósgraduação lato sensu, voltada para a educação em serviço destinada às categorias
profissionais que compõem a área da saúde, excetuada a área médica. Neste período
vários grupos se organizavam em diferentes regiões do País, para criar programas de
residência multiprofissional estimulados pela SGTES (BRASIL, 2006, 2009; ROSA &
LOPES, 2010).
19
Embora as residências não médicas, multiprofissionais sejam regulamentas a
partir da criação da Lei nº 11.129/05, estudos apontam que elas existam desde 1978.
Porém, como uma das estratégias de qualificação que passaria a ser financiada e
regulamentada pela relação interministerial, entre Ministério da Educação e Saúde, ela
só pode ser reconhecida a partir dessa lei (LIMA & SANTOS, 2012).
Este financiamento, para os Programas de Residências Multiprofissionais de
Saúde no Brasil e o investimento no seu potencial pedagógico e político, tem como
objetivo possibilitar a formação de profissionais comprometidos com as mudanças
ocorridas, a partir da criação do SUS e contribuir com a mudança do desenho da
assistência desse sistema (BRASIL,2006).
Após a promulgação da lei que criou as residências multiprofissionais, instituiuse a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS) e se
iniciou o processo de sua regulamentação. A partir daí, começou um processo de
socialização e discussão sobre o tema entre o Ministério da Educação e o Conselho
Nacional de Saúde (CNS) (BRASIL, 2009).
Alguns eventos se destacaram nesse espaço de discussão para a construção das
residências multiprofissionais em saúde. O principal foi o I Seminário Nacional de
Residência Multiprofissional em Saúde, realizado pela SGTES em Brasília, em parceria
com o Conselho Nacional de Saúde, em dezembro de 2005 (BRASIL, 2006).
Este processo teve continuidade em 2006, quando a SGTES, em parceria com o
CNS e o Fórum de Residentes Multiprofissionais em Saúde, iniciou a realização de
seminários regionais para discutir a RMS. Esse movimento deu seguimento ao seu
processo de regulamentação, à medida que foram discutidas questões pertinentes às
orientações para o programa. Ainda durante os seminários regionais surgiram propostas
para a criação de um grupo para elaborar a proposta de composição, atribuições e
funcionamento da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde
(BRASIL, 2006).
O II Seminário Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde aconteceu
no Rio de Janeiro, em agosto de 2006, dentro do 8º Congresso Brasileiro de Saúde
Coletiva da ABRASCO. Após estes acontecimentos houve uma ampliação do número
de projetos de RMS, construídos pelas várias regiões do País. E, para dar conta das
peculiaridades de cada região e programa a ser criado e estabelecer um padrão de
análise dos programas, que deveriam estar afinados com a Política Nacional de
20
Educação para o SUS, a SGTES elaborou critérios de análise a serem observados em
cada projeto (BRASIL, 2006).
O que podemos destacar dessa estratégia de formação é a característica da
interdisciplinaridade que atribui o caráter inovador desses programas, evidenciado pela
inserção das categorias estabelecidas pela Resolução CNS nº 287/ 1998. Este tipo de
formação coletiva visa inserir os diversos profissionais envolvidos sem deixar de
respeitar e considerar os núcleos específicos de cada profissão (BRASIL, 2006; 2009).
Algumas definições tornaram-se necessárias para a análise no processo de
credenciamento dos programas. Definição de preceptoria, tutoria, campos de estágio,
ênfases dos programas, estratégias pedagógicas e modos avaliativos também entraram
para a lista de critérios estabelecidos para o credenciamento. Os diversos lugares que
construíram programas de RMS, o fizeram procurando aproximar o ensino da gestão, o
que por si só já se constitui em inegável inovação na formulação de políticas para
formação de trabalhadores do e para o SUS. Apesar da variedade de projetos e desenhos
metodológicos, os programas precisam defender e praticar a utilização de metodologias
ativas e participativas e a educação permanente como eixo pedagógico (BRASIL,
2006).
Para exemplificar isto, podemos citar a formação de preceptores e tutores antes
de iniciar o programa, destacando a necessidade de qualificação permanente dos
profissionais envolvidos. Outro exemplo é a construção de espaços de articulação
ensino-serviço que esses programas promovem, provocando mudanças no modelo de
formação dos profissionais de saúde, para os cursos de graduação da área da Saúde e
outras iniciativas de capacitação dos trabalhadores para o SUS (BRASIL, 2006).
É interessante destacar que existem programas de residência com nomenclaturas
diferentes, embasadas nos modelos de organização institucional para cada modalidade,
por exemplo, Residência em Saúde da Família, em saúde do Adulto e do Idoso, em
Saúde Mental. Apesar disso, todas elas se configuram como modalidade de ensino de
pós-graduação
através da formação
em serviço, pela inserção
em equipe
multiprofissional, oferecendo supervisão nos espaços de trabalho e aulas teóricas com
foco nos núcleos específicos e campo coletivo (OLIVEIRA, 2009).
Existe uma diversidade nos planos políticos pedagógicos dos programas de
Residência Multiprofissional ofertados. Isso nos mostra um cenário heterogêneo no que
diz respeito a currículos, organização didático-pedagógica, objetivos educacionais,
21
matrizes pedagógicas e sistemas de avaliação utilizados. É importante que se construa
planos políticos pedagógicos consistentes e coerentes com a realidade local, pois são
eles que fornecem os elementos condutores da formação e sua construção expressa a
responsabilidade social da Instituição de Ensino Superior IES com a formação em saúde
(NETO et al, 2015).
Para compreender a forma como as residências multiprofissionais são entendidas
como uma estratégia de resistência à manutenção de algumas práticas já engessadas é
necessário repensarmos alguns conceitos que foram construídos ao longo da história da
assistência em saúde no país. Reordená-los para as novas necessidades da população
usuária dos serviços de saúde, realizando mudanças e até substituições de paradigmas e
conceitos já naturalizados. Conceitos propostos a partir da implantação do SUS, que
auxiliam na compreensão da importância das políticas de educação permanente e da
formação de trabalhadores e que assumam uma concepção de saúde na qual os sujeitos
possam ser considerados de forma integral (OLIVEIRA, 2009).
A formação desses profissionais começa na universidade, espaço esse que tem
supervalorizado o saber científico e especializado. Os cursos de graduação por muito
tempo buscaram legitimar um processo de constituição de habilidades e competências
para atuação dentro de cada núcleo de saber, seguindo práticas técnicas já definidas.
Porém, ao considerarmos as estratégias de educação permanente para o SUS, como as
residências multiprofissionais, esperamos que aflore um novo traçado metodológico que
favoreça a criação e efetivação de ações pautadas em novos paradigmas (OLIVEIRA,
2009).
Essas estratégias vêm sendo incentivadas visando a promoção de mudanças na
formação tanto inicial, por projetos como Pró-saúde (Programa Nacional de
Reorientação da Formação Profissional em Saúde) e PET Saúde (Programa de
Educação pelo Trabalho para a Saúde), e também na modalidade de pós-graduação lato
sensu
como
são
as
residências
multiprofissionais
(GERLAK et
al 2009;
NASCIMENTO & OLIVEIRA, 2010; NEPOMUCENO & BRANDÃO, 2011).
A reorientação da formação dos profissionais dos vários cursos da área da Saúde
tem ocupado a agenda dos setores da saúde e educação, visto que programas como estes
possuem uma potencialidade para formar um novo trabalhador em saúde. As RMS
buscam promover essa transformação incentivando uma reflexão sobre as práticas
desenvolvidas no âmbito do SUS e novas possibilidades de atuação. Esta se caracteriza,
22
ainda, como um processo de formação a partir da inserção no trabalho, contribuindo
para o desenvolvimento de competências como, ser um profissional generalista, com
visão humanista, crítica e integradora, sendo capaz de atuar com qualidade e
resolubilidade nos serviços de saúde. Além de considerar a necessidade do acolhimento
integral ao usuário e a construção de um novo saber irrestrito a uma disciplina isolada
(GERLAK et al, 2009; NASCIMENTO; OLIVEIRA, 2010; FREITAS, 2012).
Esta experiência de formação em serviço possibilita a qualificação profissional
não apenas para os residentes, como também para os profissionais já inseridos nos
serviços que os recebem. Além de formar um profissional orientado pelas diretrizes do
SUS, o que se espera é um profissional capaz de compartilhar saberes e que mostre
interesse em participar de ações conjuntas, para atender às necessidades da população.
Esta postura pode romper com paradigmas construídos anteriormente para construir um
novo modelo de cuidado em saúde (NASCIMENTO; OLIVEIRA, 2006).
Neste processo, a população, formas de controle social, a equipe dos serviços, as
escolas do bairro entre outros tantos atores são convidados a produzir espaços de saúde
e de qualidade de vida. E esse é o destaque que pretendemos dar a experiência
possibilitada pelas residências multiprofissionais: questões complexas do cotidiano de
trabalho no SUS passam a ter respostas coletivas. Contribuições como essas
potencializam a importância das RMS no processo de ruptura com modelos engessados
de atenção em saúde (BRASIL, 2006).
O que pretendemos destacar é que a experiência proporcionada pelas RMS
almeja a construção de espaços de trocas, de abertura para a comunicação, com o
objetivo de desenvolver práticas coletivas não mais fragmentadas e relacionadas apenas
a objetos definidos pelas disciplinas de forma isolada (OLIVEIRA, 2009; LOBATO,
2012).
Essa experiência permite romper com a rigidez imbricada nas disciplinas
propondo um espaço coletivo de atuação onde se cria e se experimenta. As RMS não
são apenas uma iniciativa de formação técnica, mas um importante movimento político
e de ordenação social para garantia da consolidação do SUS. Essa formação em serviço
busca também a construção de novas práticas e tecnologias em saúde, com a inserção
dos profissionais em equipes multidisciplinares. A partir disso, a troca entre os
trabalhadores e usuários possibilita a criação de novos saberes e práticas, permeados
pelas concepções de atendimento integral (OLIVEIRA, 2009; LOBATO, 2012).
23
Um estudo realizado por Clemente et al (2008) em um programa de residência
em saúde da família na cidade de São Paulo foi possível observar que essa experiência
permitiu aos profissionais desenvolverem práticas interdisciplinares, considerando o
compromisso com a demanda da população e também com a formação e aprendizado
dos residentes nesse formato de atuação.
Em 2009, Gerlak et al realizaram um estudo, no qual foi discutido a experiência
de uma residência em saúde do idoso de Porto Alegre, como estratégia de educação
permanente, que reúne diferentes campos de saberes e práticas no sentido de planejar
ações para a população e trabalhar na perspectiva da integralidade. Neste sentido, o
trabalho em equipe constitui uma dinâmica sustentada por um modelo de atenção em
saúde fundamentado na interdisciplinaridade, integralidade, na humanização do cuidado
e no diálogo, demonstrando que é possível ampliar o foco do processo de trabalho.
Para que a integralidade aconteça, é preciso que haja disponibilidade dos
profissionais para se posicionar de forma flexível, solidária e democrática.
Consideramos que essa mudança na formação e nas práticas é um desafio a ser superado
por implicar mudanças de paradigmas consolidados nos serviços, nas instituições de
ensino e nas nossas relações. Porém, o diálogo e a construção de práticas coletivas
podem tornar possível um novo modo de trabalho em saúde (NASCIMENTO;
OLIVEIRA, 2006; 2010).
Entendemos que o desafio das RMS envolve a reconfiguração das práticas
hegemônicas colocadas pelo paradigma cientificista adotado pela medicina. A busca
pela legitimação do espaço das demais profissões da área da saúde destaca ainda mais a
importância das RMS existirem, enquanto dispositivo de modificação do modelo
tradicional biomédico. Este desafio está relacionado à ampliação do conceito de saúde,
que direciona múltiplas dimensões e caminhos de atuação. Os recursos que podem
facilitar a consolidação desse modelo de atuação mais ampliado são encontrados nas
práticas de interdisciplinaridade como resultado dos encontros com outros saberes e
práticas de outros profissionais inseridos, e também com usuários, grupos e
comunidades (OLIVEIRA, 2009; NEPOMUCENO; BRANDÃO 2011).
As experiências nas Residências Multiprofissionais tem demonstrado a
importância da educação interprofissional na formação em saúde para atingir a
complexidade das profissões na perspectiva do cuidado integral. Esta formação
contribui para que os profissionais tenham uma compreensão mais ampla do usuário ou
24
paciente, rompendo com a lógica hospitalocêntrica e contribuindo, também, para
atuação na atenção primária de saúde (SILVA, 2013).
Essas experiências representaram o fortalecimento de muitas políticas de saúde.
Entre elas podemos citar o Apoio Matricial, fornecendo conhecimentos especializados e
suporte técnico aos trabalhadores dos serviços, nos quais o residente é inserido
(MOURA E SILVA, 2015).
Uma
pesquisa
realizada
em
Londrina
aponta
que
as
Residências
Multiprofissionais tem contribuído para que mudanças ocorram nos contextos onde são
criadas. Uma delas é considerar que a atuação dos residentes é importante para produzir
mudanças no processo de trabalho dos serviços que os recebem, contribuindo ainda para
a mudança do modelo de assistência à saúde. Por isso, a participação do profissional de
saúde atuante no serviço é imprescindível para que as Residências se consolidem
(DOMINGOS et al, 2015).
A Residência tem sido compreendida como uma “especialização para a vida”
contribuindo para a formação do residente para a resolução de problemas vividos no
cotidiano, na forma de lidar com os indivíduos, para atuar em todas as áreas
relacionadas ao setor saúde e em equipe. A vivência nas Residências proporciona ao
profissional o enfretamento das dificuldades com o usuário, com a comunidade, criação
de vínculos, comprometimento com o cuidado, ir em busca do que a pessoa
(usuário/paciente) precisa. Para os profissionais do serviço existe a possibilidade de
ampliação da relação teoria prática e do conhecimento dos trabalhadores sobre o
território (DOMINGOS et al, 2015)
Essas práticas interdisciplinares, realizadas nos programas de RMS, são
percebidas como mais resolutivas, possibilitam o exercício de uma capacidade de
negociação para lidar com a hierarquia estabelecida nas relações de trabalho, tolerância
e diálogo em situações conflituosas. As experiências multiprofissionais mostram como a
formação em serviço pode ser rica e desafiadora para o cuidado em saúde (LIMA &
SANTOS, 2012).
As pesquisas realizadas por Silva et al (2014), Casa Nova et al (2015) e Bones
et al (2015) com residentes de programas espalhados pelo Brasil mostram que esta
experiência traz a oportunidade de ter contato com conhecimentos acerca de outras
áreas e isso faz com que profissões diferentes se auxiliem e se complementem. Esse
trabalho em conjunto traz ao paciente uma assistência de forma integral, tratando-o não
25
apenas como um doente, mas atendendo às suas necessidades. Além disso, o residente
realiza suas ações de forma compartilhada, reconhecendo quando existe a necessidade
da intervenção de outros profissionais, proporcionando atendimento multidisciplinar
ampliado.
Os residentes percebem que, apesar do trabalho ser realizado em equipe, cada
profissional tem sua individualidade que contribui para o desenvolvimento da prática
multiprofissional em beneficio do paciente
Os residentes sentem-se valorizados e
reconhecidos quando os usuários admitiram ter satisfação com a assistência prestada e
reconhecem sua contribuição. A construção coletiva do conhecimento, um dos objetivos
dessa modalidade de formação, pode efetivar o desenvolvimento de uma proposta
inovadora de assistência, além de ampliar as possibilidades de atuação junto a equipes
multiprofissionais de saúde. O conceito de trabalho em equipe multiprofissional implica
em objetivos comuns, identidade de equipe compartilhada, compromisso compartilhado,
funções da equipe e responsabilidades claras, interdependência entre os membros da
equipe e integração entre os métodos de trabalho (SILVA et al, 2014).
As Residências ainda proporcionam a educação permanente dos profissionais do
serviço ao compartilharem atividades com os residentes. É neste sentido que podemos
frisar a importância de implantação de políticas públicas, especialmente no âmbito da
educação e da saúde, que favoreçam a produção de conhecimentos e de práticas
voltadas para a transformação dos modos de atuação para o SUS (FREITAS, 2012;
ROSA; LOPES, 2010).
Segundo Rossoni (2015) a vivência na residência multiprofissional tem suas
dificuldades relacionadas à estrutura dos cenários de prática, organização de atividades
e do processo de trabalho dos profissionais dos serviços os quais eram inseridos. Essas
dificuldades fizeram com que os residentes desenvolvessem um movimento de
solidariedade e resistência que marcavam o cotidiano dessa formação. O que podemos
destacar é a necessidade de qualificar as estruturas físicas e os processos de trabalho
dos serviços.
É de fundamental importância as Residências para a adequação e formação de
profissionais para o SUS. No entanto, algumas experiências evidenciam dificuldades de
articulação entre os municípios. Essas dificuldades apontam que os arranjos políticos
internos dos municípios interferem diretamente na constância das pactuações realizadas
no processo de prática dos Programas. Vale destacar a importância do alinhamento entre
26
a intituições de ensino superior e os municípios (FIORANO & GUARNIERI, 2015;
TORRES et al, 2015).
Para que esta proposta continue avançando é importante dialogar amplamente
com o controle social e a participação popular, a integralidade, o trabalho em equipe e o
desenvolvimento do SUS, portanto, com a multiprofissionalidade (CECCIM, 2009).
Nesse contexto, é que buscamos realizar uma pesquisa que configure os sentidos
dessa experiência para residentes egressos em seus contextos presentes de atuação
profissional, refletindo sobre as residências multiprofissionais enquanto uma estratégia
da Política de Educação Permanente.
2. Posicionamento teórico-metodológico
Neste capítulo, discorremos sobre o nosso posicionamento teórico e
metodológico. Inicialmente, apresentamos alguns pressupostos do construcionismo
social que norteiam a prática de produção de conhecimento nesta pesquisa. Em seguida,
apresentamos o referencial teórico das Práticas Discursivas e Produção de Sentidos de
modo a explicitar nossa concepção de linguagem como uma ação social. Por fim,
apresentamos o conceito de ação conjunta, o qual fundamenta as reflexões sobre o
material empírico desta pesquisa, produzido no encontro com nossos interlocutores.
2.1. De onde falamos?
Para começar, vamos ressaltar que aspectos do construcionismo são relevantes
para esta pesquisa e escrita da dissertação. O primeiro aspecto é considerar qualquer
conhecimento como socialmente construído. Com isso queremos dizer que o
conhecimento não é produzido pela busca de algo pré-existente ou que esteja pronto
para ser descoberto. A ênfase é que o conhecimento se dá no processo de interação
social e não é produzido dentro da mente das pessoas. Outra característica importante é
a intrínseca relação entre conhecimento e ação, pois tanto as ações humanas geram a
necessidade de descrição e explicação (construção de um conhecimento), como esta
construção gera ações (RIBEIRO, 2011).
A linguagem, pautada por uma perspectiva construcionista, é o foco no qual nos
apoiamos para entender a dinâmica da construção do conhecimento. Este é produzido
27
através da linguagem em uso, que é entendida como uma forma de ação na qual
construimos o mundo. Então o construcionismo no qual nos apoiamos para construção
desta dissertação, é aquele que está comprometido com a produção de conhecimento
considerada como ação (RIBEIRO, 2011).
Pautamo-nos
no
Construcionismo
Social,
por
compartilhar
com
o
posicionamento de que as convenções, crenças e discursos produzidos, no nosso caso no
âmbito da saúde, produzem uma lógica de dominação nas relações de poder que
precisam ser entendidas a partir de seu contexto de produção. Quem fala, para quem se
fala, como se fala e o que se quer produzir com esse ou aquele discurso são
questionamentos
presentes
nesta
forma
de
pesquisar.
A desconstrução
ou
desfamiliarização de conceitos que foram construídos ao longo do tempo e da história
que se transformam em crenças e “verdades” são o caminho para compreendermos as
realidades produzidas por nós (SPINK; FREZZA, 2004; SPINK et al, 2014).
Esta perspectiva propõe o constante estranhamento e questionamento dessas
“verdades” e defende o abandono de grandes verdades fundadas nos pressupostos da
Modernidade como a representação do conhecimento, a retórica da verdade, a
neutralidade e endeusamento do conhecimento científico. Ressignificar a objetividade
da ciência implica numa postura reflexiva, tanto do processo de construção do
conhecimento, como também sobre as suas consequências para as pessoas, o que resulta
numa reflexão ética (SPINK, 2000; 2004).
O compromisso ético durante o processo de construção da pesquisa é abarcado
pela compreensão da pesquisa como uma prática social e pelas reflexões da ética
dialógica. O que se pode destacar neste posicionamento é a relação do pesquisador com
seu objeto de pesquisa e suas consequências (SPINK, 2000; RIBEIRO, 2011).
Tendo em vista a aproximação com o referencial teórico metodológico a
pesquisa é desenhada por uma perspectiva dialógica, na qual se pauta na compreensão
dos discursos produzidos neste contexto. A produção de conhecimentos está
instrinsecamente relacionada a sentidos e realidades múltiplas nas quais a dialogia
desempenha uma função importante (IÑIGUEZ, 2002).
Nessa perspectiva, a objetividade está atravessada pela dialogia. E esta é
entendida como o conceito fundamental na concepção de uma pesquisa ética. Uma
pesquisa realizada a partir deste posicionamento implica na produção de sentidos
28
perpassada por muitas vozes, essas não são somente dos pesquisadores e pesquisados,
mas também dos autores que lemos, colegas com quem dialogamos e tantos outros
interlocutores (SPINK, 2000).
Segundo Ribeiro (2011), o diálogo é entendido por Bakhtin como um fenômeno
da interação verbal, que envolve toda comunicação verbal, não apenas entre as pessoas.
Partindo deste conceito de dialogia entendemos que as experiências das residências
possibilitam a produção de um conhecimento dialogicamente situado e construído pelas
muitas vozes perpassadas, a política de educação permanente, os projetos políticos
pedagógicos das residências, as diferentes formações pessoais e profissionais dos
residentes, dentre tantos outros elementos que fazem parte desse processo dialógico.
Este processo nomeado por Bakhtin de dialógico é traduzido por Shotter (2011),
em um conceito que ele chamou de ação conjunta. Esse conceito focaliza situações
concretas, nas quais as circunstâncias do meio e as ações das pessoas têm uma
influencia formativa naquilo que nós fazemos, assim como qualquer coisa dentro de
nós. Além disso, a ação conjunta se caracteriza por uma atividade “espontaneamente
responsiva” na qual uma pessoa não age independente da outra, mas agem em conjunto.
E isto acontece de forma espontanea na qual aqueles envolvidos em tal ação conjunta,
criam entre si situações únicas, novas que só existem a partir desse encontro.
Significa dizer que na concepção de Shotter (2011) quando alguém age, sua ação
não pode ser entendida como sua própria atividade, pois para que esta ação aconteça
outras influências formatadas pelas ações dos outros são incorporadas. Assim
produzimos ações conjuntas, dialógicas e interacionais no que Shotter chamou de nós
coletivo.
Pensar numa perpectiva construcionista voltada para a ação é realizarmos uma
compreensão da ação conjunta na na qual afirmamos que o mundo é construído a partir
das relações, do diálogo e da interação (RIBEIRO, 2011).
Ribeiro (2011) ao realizar uma compreensão do que Shotter (1993) descreve
sobre Ação Conjunta, afirma que esta é uma atividade que se desenvolve na incerteza
e impredizibilidade. Isso quer dizer que não é possível predizer ou prever que efeitos e
reepercussões uma ação terá, ainda que exista um planejamento a priori para sua
realização.
29
É a partir deste referencial construcionista focalizando a ação conjunta descrita
por Shotter (2011) que desenvolvemos esta pesquisa, buscando reflexões sobre a
vivência de egressos de um programa de Residência Multiprofissional, considerando as
transformações que esta experiência possibilita para os profissionais e o conhecimento
produzido a partir disto.
3. Percursos metodológicos
Tendo as residências multiprofissionais em saúde como foco deste estudo,
elaboramos uma pesquisa no enquadre construcionista de estudo das práticas
discursivas, considerando a diversidade de profissões envolvidas neste processo de
formação. Para compreender os sentidos produzidos pela residência multiprofissional,
elegemos descrever o Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e
do Idoso, vinculado ao Hospital Universitário Professor Alberto Antunes da
Universidade Federal de Alagoas, realizar uma oficina com egressos desse Programa e
refletir sobre suas experiências, articuladas com a Política de Educação Permanente em
Saúde e o referencial teórico, norteador desta pesquisa.
3.1 A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE DO ADULTO E
DO IDOSO DO HUPAA/UFAL
O programa de Residência Multiprofissional da Universidade Federal de
Alagoas teve sua primeira turma de residentes iniciado em 2010. Está prioritariamente
relacionada à atenção em saúde, de média e alta complexidade, no Hospital
Universitário Professor Alberto Antunes, contemplando ainda a atenção básica em
saúde. Além disso, mantém um caráter multiprofissional, envolvendo profissionais das
áreas de enfermagem, farmácia, fisioterapia (retirada a partir da turma de 2012-2014),
nutrição, psicologia, serviço social e educação física (incluída a partir da turma 20112013), visando à integração interdisciplinar, mas preservando as especificidades de cada
área profissional participante.
Nessa perspectiva, os conteúdos teóricos e práticos estão baseados nos princípios
da integralidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade, considerando a singularidade
da nossa região. Sendo assim, o programa de Residência Multiprofissional prevê a
30
articulação entre as diversas instâncias do sistema de saúde local, tomando como ponto
de apoio o sistema de referência e contra-referência, levando os residentes a buscarem
as unidades básicas do VI e VII distritos sanitários de Maceió/AL, para dar seguimento
ou suporte ao atendimento iniciado e/ou continuado no HUPAA.
Este programa de Residência tem a duração mínima de dois anos com 60 horas
semanais de atividades. Da carga horária total, 80% são direcionadas às atividades
práticas, sendo que 65% representam atividades realizadas no Hospital Universitário e
15% na rede de atenção primária. Os 20% restantes são destinados às atividades teóricoconceituais, a saber: componentes curriculares, cursos específicos, seminários,
discussão de casos clínicos, pesquisa, revisão e atualização científica.
As atividades que trabalham os conteúdos teórico-práticos (correspondente a
20% da carga horária total do programa) são distribuídas da seguinte forma: 1110h para
o eixo comum (a todos os residentes), sendo 480h de disciplinas e 120hs de outras
atividades (cursos, seminários, discussão de casos clínicos, pesquisa, revisão e
atualização científica com temas comuns a todos os residentes). E no eixo específico são
430h de disciplinas (de cada profissão participante do programa) e 80h de outras
atividades (cursos, seminários, discussão de casos clínicos, pesquisa, revisão e
atualização científica, próprios a cada uma das profissões).
O programa tem como cenários de práticas (locais onde a parte prática da
Residência é desenvolvida), a Clínica Médica, Ambulatório (ambulatório de oncologia,
Hospital dia, Pediatria, Cardiologia, Programa de Cirurgia Bariátrica, Nefrologia,
Programa de Controle do Tabagismo), Clínica Cirúrgica, UTI Geral, UTI Neonatal,
Licitação, Controle Social (Ouvidoria, Conselho Gestor), Unidades de saúde do VII
distrito sanitário de Maceió.
Em minha vivência no programa (turma 2012-2014), pude atuar em alguns
desses cenários de prática. No primeiro ano, nos distribuímos em duas equipes de
trabalho para atuar em duas clínicas do hospital, clínica médica e a cirúrgica. Após um
período de seis meses foi realizado o rodízio para que as duas equipes pudessem
vivenciar as duas clínicas durante o primeiro ano de trabalho. No segundo ano as
atividades nos cenários de prática eram realizadas nos ambulatórios do hospital e em
uma Unidade Básica de Saúde, determinada anteriormente pela coordenação do
programa. O mesmo rodízio foi realizado no segundo. A semana do residente era
organizada a partir das práticas profissionais nesses cenários de prática, atividades com
31
disciplinas (específicas e integradas) além de reuniões entre as equipes, com a
preceptoria, tutoria e sempre que necessário com a coordenação.
Enfrentamos algumas dificuldades durante esses dois anos, o primeiro desafio
foi formar as equipes e conseguir trabalhar e desenvolver atividades em conjunto. Outro
grande desafio era ter uma rotina de disciplinas integradas e algumas específicas, pois
enfrentamos uma greve na UFAL que desestabilizou a rotina que tínhamos começado a
construir. Além disso, ocorreram dificuldades de estruturação desses cenários de prática
no segundo ano. Os ambulatórios que nos receberiam foram escolhidos às vésperas do
inicio de nossa prática. Percebemos que essas dificuldades, além das que já existiam no
cotidiano de trabalho nos cenários de prática, foram desgastando tanto a nós residentes
quanto os preceptores e tutores levando a desistência de alguns.
A carga horária da Residência Multiprofissional é de 60h semanais, então
permanecíamos o dia inteiro no hospital ou onde fossem realizadas as atividades (UBSUnidade Básica de Saúde, UFAL). Foi disponibilizada uma sala de descanso e uma de
estudos para todos os residentes desde a primeira turma e aos poucos fomos
organizando e adequando essas salas às nossas necessidades.
Seguem abaixo os quadros1 demonstrativos da quantidade de residentes de cada
turma dos participantes nesta pesquisa, salientando também as desistências ocorridas ao
longo dos dois anos de cada turma.
Quadro 1- Turma 2010-2012:
Edital 2010
1
Área de Concentração
Saúde do Adulto e do Idoso
Cursos:
Vagas
Enfermagem
2
Farmácia
2
Fisioterapia
2
Nutrição
2
Psicologia
2
Serviço Social
2
Os quadros foram obtidos e mantidos como os originais fornecidos pela secretaria do
programa pesquisado.
32
Total de Vagas credenciadas:
12 vagas
Vagas preenchidas:
11
Obs: 1 Desistência de Serviço Social
Quantidade de Residentes R1:
11
Quadro 2- Turma 2011-2013:
Edital 001/2011
Área de Concentração
Saúde do Adulto e do Idoso
Cursos:
Vagas
Enfermagem
2
Educação Física
2
Farmácia
2
Fisioterapia
2
Nutrição
2
Psicologia
2
Serviço Social
2
Total de Vagas credenciadas:
14 vagas
Vagas preenchidas:
13
Obs: 1 Desistência de Fisioterapia
Quantidade de Residentes R1:
13
Quadro 3- Turma 2012-2014:
Edital 002/2011
Área de Concentração
Saúde do Adulto e do Idoso
Cursos:
Vagas
Enfermagem
4
Educação Física
4
Farmácia
4
Nutrição
4
Psicologia
4
Serviço Social
4
Total de Vagas credenciadas:
24 vagas
33
Vagas preenchidas:
24 vagas
Obs: Desistiu 1 de Farmácia e 1 de Serviço Social e 2 de Farmácia foram
desligados do Programa.
Quantidade de Residentes R1:
20
Quadro 4- Turma 2013-2015:
Edital 002/2012
Área de Concentração
Saúde do Adulto e do Idoso
Cursos:
Vagas
Enfermagem
4
Educação Física
4
Farmácia
4
Nutrição
4
Psicologia
4
Serviço Social
4
Total de Vagas credenciadas:
24 vagas
Vagas preenchidas:
22 vagas
Obs:. Farmácia entraram apenas 2 candidatas
A visualização dos quadros possibilita identificar que a primeira turma iniciou
as atividades com seis profissões, na segunda mais uma profissão, a Educação Física,
foi inserida, totalizando sete profissões e na terceira e quarta turma, com a saída da
Fisioterapia da estrutura do programa, voltou a se configurar com seis profissões.
Apesar dessas mudanças sinalizarem uma instalibilidade nos primeiros anos de sua
implementação é importante destacar o avanço do programa ao aumentar o número de
vagas ofertadas de duas para quatro profissionais de cada área, possibilitando o acesso
de mais profisisonais a essa formação.
3.2 DIÁLOGO COM AS RESIDENTES EGRESSAS
34
Para alcançarmos o objetivo de refletir sobre as experiências dos residentes
egressos relacionadas aos princípios da Política de Educação Permanente em Saúde em
suas
ações
e
discutir
as
possibilidades
dos
residentes
egressos
traduzirem/contextualizarem para as suas atuações presentes suas experiências no
programa de residência, realizamos uma oficina, norteadas pela proposta de (SPINK,
MENEGON, MEDRADO 2014).
Esse método está fundamento no referencial teórico-metodológico ao considerar
que os sentidos produzidos em nosso cotidiano são negociados e produzidos
coletivamente. Nas oficinas, o processo de negociação de sentidos perpassa pelo que
chamamos de interanimação dialógica que faz fluir a diversidade de versões sobre o
mesmo tema.
A oficina foi realizada com residentes egressos das quatro turmas concluintes de
2012 até 2015. Foram convidados para participar da pesquisa pelo menos três residentes
de cada uma das quatro turmas.
Participaram deste estudo aqueles que aceitaram o convite, que assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que já tinham concluído o curso
até aquela data e que já tivessem alguma experiência profissional após o período da
Residência.
O convite para os residentes participarem da pesquisa foi feito por telefone
inicialmente e alguns foram realizados pessoalmente. Para agendarmos, o dia em que
seria realizado o encontro, foi mantido um contato constante pelo telefone, durante o
período de um mês, com as pessoas que aceitaram o convite para participar da pesquisa,
para tomarmos as decisões sobre o melhor horário e local.
Os residentes egressos que aceitaram participar foram dos cursos de Psicologia,
Serviço Social, Fisioterapia e Nutrição, totalizando 5 participantes, da primeira, segunda
e terceira turmas formadas pelo programa.
A oficina foi realizada no período da manhã em uma sala do Hospital
Universitário Professor Alberto Antunes da Universidade Federal de Alagoas. Teve uma
duração de duas horas sendo coordenada pela autora da pesquisa e participou também
um mestrando observador que faz parte do mesmo grupo de pesquisa da pesquisadora.
Abaixo disponibilizamos um quadro que mostra como foi esquematizada a oficina:
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PESQUISA SOBRE A RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL
1. Apresentação dos participantes
2. Atividade 1:Associação de ideias com o termo residência multiprofissional
3. Atividade 2: Fomentar relatos de experiência sobre ações do cotidiano de trabalho que
conseguem relacionar/associar ao que vivenciaram na Residência.
Classificação das ações relatadas
a. Ações que podem ser consideradas similares, pois puderam ser colocadas em prática, da
mesma forma como era realizada na residência.
b. Ações que podem ser consideradas quase similares, pois possibilitaram a reflexão de
um grupo de profissionais sobre alguma situação como na residência, mas não chegaram a
ser desenvolvidas da mesma forma.
c. Ações que podem ser consideradas quase similares, pois possibilitaram a ação de um
grupo de profissionais sobre alguma situação, mas não chegaram a planejar/refletir sobre a
situação.
d. Ações que podem ser consideradas não similares, pois divergem totalmente da
experiência vivenciada na residência.
4. Atividade 3: SENTIDOS DA RESIDÊNCIA
Qual a contribuição da Residência Multiprofissional para sua atuação?
Houve mudança(s) a partir desta experiência? Quais?
Quais as possibilidades de traduzir a experiência da Residência para seu contexto atual de
trabalho? Quais as dificuldades?
A oficina, além de um instrumento para produção das informações para
discussão da pesquisa, funcionou como um espaço de troca sobre a vivência no
Programa entre as participantes. Foi interessante compartilhar opiniões e sentimentos
sobre as situações vivenciadas na Residência e esse clima de compartilhamento e troca
de expriências permeou todo o momento. Já de inicio as participantes se mostraram
estar dispostas ao encontro com o outro e a escuta da fala do outro, bem como os
objetivos da oficina. Foi um encontro leve e que proporcionou a construção das
informações para a pesquisa de forma espontanea. As turmas das Residências tem, em
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sua composição, uma proporção maior de mulheres que cursam o Programa. Isso
aparece na nossa pesquisa que na qual todas as participantes são mulheres.
No total participaram da oficina cinco residentes, sendo duas assistentes sociais,
uma nutricionista, uma psicóloga e uma fisioterapeuta. Três participantes eram egressas
da primeira turma formada pelo programa, uma da segunda turma e outra da terceira. A
participante da quarta turma que aceitou o convite para a oficina não compareceu, além
de um participante da segunda turma que chegaria atrasado no encontro, então
preferimos explicar que não faria sentido chegar na oficina com ela em andamento e
agradecemos pela disponibilidade em contribuir.
Após a realização da oficina, foi feita a transcrição literal das falas em todos os
momentos do grupo. Depois, realizamos uma transcrição sequencial destacando as falas
dos residentes relacionando-as aos termos que foram evidenciados na primeira e
segunda atividade da oficina. Nossa análise focalizou a fala dos residentes egressos
participantes da pesquisa sobre o tema discutido na oficina. Para isto, solicitamos a
gravação dos encontros para que as falas fossem analisadas integralmente. Os nomes
atribuídos as participantes da pesquisa são fictícios.
Por fim, propomos nos relacionar com as participantes da pesquisa, a partir da ética
dialógica (SPINK,2000), nos distanciando de qualquer rotulação, naturalização e
prescrição de valores morais e regras. Para nós, todos os valores morais são
equivalentes no que diz respeito às opiniões do grupo de egressos da Residência,
considerando aquilo que faz sentido para cada participante (CORDEIRO et al, 2014).
3.3. O que se fala: os sentidos produzidos durante o encontro
No primeiro momento da oficina foi solicitado às participantes que escrevessem
sobre o que as palavras “Residência Multiprofissional” as faziam lembrar.
Posteriormente pedi que falassem sobre aquilo que escreveram. A fim de preservar a
identidade das participantes que contribuíram com a pesquisa foram atribuídos nomes
fictícios a cada uma delas e as palavras que apresentaram estão escritas em caixa alta e
seguindo a ordem em que falaram, na descrição a seguir. Antes de começarem a falar,
elas estabeleceram entre si, uma ordem de quem falaria primeiro e assim por diante,
mantendo esta regra até o final do encontro.
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A primeira participante começou a falar sobre as palavras que surgiram quando
foi solicitada a pensar sobre “Residência Multiprofissional”. Laura, assistente social,
fala as palavras SAUDADE E AMIZADE. Trouxe uma fala carregada de sentimentos e
afetos sobre sua experiência no programa. Falou sobre os vínculos que formou e
amizades que ultrapassaram o período da vivência na Residência.
Eu acho assim tudo que é bom na vida da gente a gente sente saudade. (...) é uma residência
porque a gente convivia mais com quem estava aqui do que quem estava em casa. (...) a primeira palavra
que vem à cabeça é saudade. Saudade daquilo que foi vivido.
...e aí aqui eu construí, assim, vários amigos né? E são amigos que não se perderam né? São
amigos realmente. (...) realmente ficou uma amizade que foi muito importante pra mim. Inclusive, assim,
no andamento de todo processo.
Laura ainda segue falando da importância das relações criadas entre os
residentes que não se limita a amizade, mas reverbera na atuação profissional e em seu
APRENDIZADO. Aprendizado esse que se dá na relação com o outro e que pode ser
profissional também. No campo profissional/pedagógico, a experiência no programa é
destacada por Laura quando dá ênfase sobre o TRABALHO EM EQUIPE e
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL. Ela valoriza a Residência como potencializador da
experiência que adquiriu profissionalmente e fala da dificuldade em construir um
trabalho em equipe, tanto pelas características profissionais, quanto pelas individuais.
...porque como foi difícil no começo e como foi gratificante no final. Por que
nem todas as profissões estão abertas a lidar com o trabalho em equipe ou as
pessoas mesmo, talvez seja assim né? Talvez seja coisa de formação profissional
ou também cada pessoa é diferente. (...) uma coisa que eu vou levar pra minha
vida toda né? De assim, como é lidar com uma equipe tão grande e como é que a
gente faz pra sair das situações e como a gente precisa se comportar (...).
Riquíssima assim no sentido de meter a cara né? De “tá” ali muitas vezes
jogados né? (...) A gente teve uma experiência profissional muito rica tanto
aqui no hospital como na atenção básica muito maior. E aí a experiência
profissional realmente foi, pra mim, talvez se eu tivesse em outro campo
ocupacional não tivesse sido tão rica como foi aqui.
No final de sua fala, Laura aborda um aspecto negativo relacionado ao
programa e a palavra DECEPÇÃO foi utilizada para expressar isso. Ela fala do
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sentimento de abandono pelo programa por sentir falta de mais organização tanto
relacionada à estrutura quanto à coordenação, ou seja, uma decepção com a gestão da
Residência.
...porque por tudo que poderia ter sido mais e não foi por muitas vezes é assim,
se sentir abandonados, jogados, sem muitas vezes ter uma atenção que
gostaríamos de ter tido (...) ainda dessa estruturação do programa né? Do
programa e da questão da, de muitas vezes uma falta de organização da
coordenação da Residência (...).
A segunda participante a falar neste momento foi Fabiana, também assistente
social. Ela trouxe alguns termos e palavras semelhantes aos de Laura, como
TRABALHO EM EQUIPE E AMIZADE. Atribuindo sentidos muitos próximos aos que
Laura tinha trazido. Fabiana destaca a experiência da Residência com o trabalho em
equipe como algo enriquecedor pela diversidade de profissões e diferenciado de outros
lugares de sua atuação profissional. Ao termo amizade fala da relação afetiva entre os
residentes que se estende para depois do período da Residência.
... Em outra área, em qualquer outro lugar que eu já passei eu não tive essa
experiência de trabalhar com uma equipe tão diversa. E aí assim não tem como
não pensar no trabalho em equipe que a gente desenvolveu aqui. Foi muito
enriquecedor.
Os residentes conquistaram grandes amigos né? E levaram para fora do hospital
né?
Além desses dois termos anteriores, Fabiana fala de CONHECIMENTO
COMPARTILHADO e CONHECER O DIFERENTE que se complementam em sua
fala, tanto que ela os apresenta em conjunto. Ao primeiro ela atribui o sentido de uma
formação ampliada que a Residência como campo proporciona ao ampliar seu
conhecimento, inclusive a respeito do que o outro faz. Quando fala do segundo termo
ela fala da importância das profissões estarem abertas a aprender e ensinar saberes para
que exista uma troca de saberes na relação de ensinar e aprender com o outro.
Acho que é interessante né?Acho que a minha profissão e as outras também
estarem abertas, além de mim, a ensinar um saber e de aprender também
aquilo que eu não sabia e não conhecia (...).
...porque eu realmente pude conhecer uma área nova, uma nova
formação e a atuação de profissionais de pessoas, de profissões que eu não tinha
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o mínimo de conhecimento né? (...) aqui a gente tem essa oportunidade de
conhecer profissões diferentes e atuações, diferentes da nossa. Que muitas
vezes na graduação a gente não tem essa possibilidade (...).
Ao final de sua fala, Fabiana traz os aspectos negativos relacionados à
experiência no programa. O primeiro deles é o termo CARGA HORÁRIA
EXAUSTIVA quando a participante fala da sobrecarga de horas de trabalho e compara
com outros espaços de atuação, trazendo o termo exaustão e excesso pela carga horária
exigida no programa. A última palavra, que também tem uma relação negativa com a
experiência é CERTIFICADO falando de um sentimento de frustração por não ter o
certificado que seria uma forma de comprovar a experiência.
(...) não tem como não lembrar. Só depois que passa que vai trabalhar em outro
lugar porque eu não sei se existe outro lugar que exijam tanto como aqui.
É minha maior frustração né, até agora com relação a Residência (...)
A terceira fala é de Carla, psicóloga. Sua primeira palavra associada ao termo
“Residência Multiprofissional” é ÉTICA. Ela aborda esta palavra no sentido de um
posicionamento que a equipe tinha no cuidado com a assistência ao paciente,
prevalecendo um posicionamento ético nas decisões e conflitos entre as profissões.
Por que por mais que a equipe, claro todo mundo tinha um posicionamento
sobre o que achava certo e o que achava errado, mas quando se tratava de pensar
na assistência o posicionamento era o mesmo. Com relação ao paciente, ao bem
para o paciente pra quem nós estávamos prestando a assistência.
Outras palavras estão relacionadas a este posicionamento ético presente em sua
fala, são elas: CONFLITOS, RESPEITO, COMPROMISSO E DIÁLOGO. Ao falar
sobre conflitos, Carla coloca que mesmo tendo divergências e embates sobre
posicionamentos diferentes, existia um respeito. O conflito está associado às relações
interpessoais, como algo cotidiano. Não como algo negativo, mas que existem
posicionamentos diferentes o tempo todo no ambiente de trabalho. As palavras
compromisso e respeito estão relacionados a essas relações interpessoais e de
negociação diária entre a equipe. E por ultimo a palavra diálogo é citada como uma
prática inerente da experiência na Residência.
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Que não tinha como fugir dos conflitos seja entre os próprios residentes, com os
profissionais, com a tutoria com a preceptoria com a coordenação que a gente
sempre tinha conflito.
(...) eu lembro que a gente brigava muito, mas ao mesmo tempo a gente sempre e
respeitava nunca baixava o nível (risos). A gente podia brigar, mas quando se
tratava de trabalhar nós tínhamos o mesmo posicionamento. (...) E o respeito
também aos profissionais daqui...
(...) de manter os horários de participar das atividades, de ir pra aula.
(...) que era uma coisa que nós tínhamos bastante entre nós, com os preceptores,
com os tutores, com os profissionais daqui do HU. Mesmo que assim, muitas
queixas né? (...) Mas nunca desistimos de conversar.
Na fala de Carla, o termo COMPARTILHAMENTO DE SABERES aparece
como um resultado/o que foi produzido a partir do que foi dito antes: conflito,
compromisso, respeito e ética. Além da amizade construída, destaca a relação de
trabalho que foi desenvolvida na Residência e continuou depois da experiência. Por
último aparece o termo CONSTRUÇÃO CONJUNTA que está extremamente
relacionado ao termo anterior e é apresentado como uma referência profissional, de um
trabalho conjunto o qual faz parte de seu trabalho atual. Além disso, trata a construção
do trabalho em equipe não como apenas a reunião de profissões, mas de saberes que
trocam e conversam sobre uma determinada demanda e conseguem construir algo junto,
que chega a ser comum a partir do olhar de cada um.
...que realmente eu aprendi muito, eu fiz amigos, mas eu também fiz muitos
colegas de trabalho pessoas que até hoje eu trabalho com essas pessoas. (...)
Então além da amizade até hoje eu aprendi muito.
... que eu não sei mais trabalhar sozinha. Eu não consigo mais trabalhar só (...)
então eu tento manter reuniões periódicas de trabalho com elas porque eu não
consigo trabalhar sozinha
Márcia, que é nutricionista, começa sua fala com a palavra EQUIPE. Ela associa
esse termo a um trabalho difícil de ser realizado, de se constituir, mas que ao ser
concretizado torna a atuação mais fluída e rica. Em seguida Márcia fala duas palavras
que são complementares em seus sentidos. Uma é EXPERIÊNCIA quando fala do fato
da Residência ser em hospital de referência, o que tornou a experiência profissional
mais enriquecedora. E ainda relaciona a experiência ao que aprendeu com relação a sua
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profissão e também com as demais de sua equipe. E a outra palavra é SEGURANÇA
relatada como uma característica de garantir realizar um bom trabalho em qualquer
espaço de atuação. Essa segurança em trabalhar em qualquer espaço foi adquirida pela
experiência na Residência.
... todo mundo acha que é difícil né? Trabalhar em equipe, mas quando a gente
realmente vivencia isso a gente vê o quanto facilita e o quanto acrescenta pra
gente (...)
...tanto experiência na área como em relação as outras áreas (...)o fato
de ser aqui no HU eu acho que é uma coisa que contribuiu muito porque né é
uma hospital de referência (...)as minhas preceptoras foram excelentes então
talvez isso tenha contribuído bastante. O próprio ambiente, as preceptoras, a
equipe, entendeu?
...eu saí daqui segura, preparada pra qualquer trabalho que aparecesse
(...). Enfim eu saí daqui muito mais segura e muito mais preparada vamos dizer
assim.
Outra palavra associada por Márcia é DESAFIO. Essa palavra está relacionada
ao fato de Márcia ter feito parte da primeira turma da Residência, então tudo era
novidade para todos os envolvidos, inclusive a construção de uma equipe
multiprofissional. Logo em seguida ela fala duas palavras que se complementam em
seus sentidos que foram ASSISTÊNCIA E SUS. A assistência relacionada ao trabalho
realizado por ela no hospital e SUS fazendo uma avaliação do público o qual ela atendia
na realização de seu trabalho, o qual construía vínculos significativos.
...nós éramos a primeira turma então era aquela coisa né tudo novo. Então tudo
foi desafio pra gente tanto pra gente enquanto equipe tanto pra gente construir
realmente essa Residência.
...foi outra palavra que eu coloquei porque eu me sentia muito útil aqui.
pensando no sentido do público (...)Então a gente não era só um profissional ali
a gente sei lá a gente criava um vinculo maior (...)
E a sua última palavra foi INTEGRAÇÃO que também se relaciona com as
anteriores, pois fala dos vínculos e da relação que estabeleceu entre os diversos sujeitos
envolvidos (paciente, equipe, profissionais), além de qualificar essa relação entre
profissionais da saúde e não por categorias profissionais.
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...elo todo (...) Paciente, equipe, os profissionais daqui (...) A gente se misturava
mesmo de assim de as vezes nem fazer muita diferença de quem era o residente e
quem era o profissional e de quem era o nutricionista porque era o profissional
da saúde.
A fisioterapeuta Sara foi a ultima a expor sobre o que havia escrito e começou
sua fala com os termos SABER/VISÃO AMPLIADA os quais ela colocou na mesma
folha sem separação. Fala sobre o aprendizado com os colegas e sobre a mudança na
forma de compreender o usuário a partir de uma visão ampliada. Esta associação está
diretamente ligada a outro termo que ela traz INTEGRALIDADE. Esse se relaciona a
forma de compreensão do usuário, como ser que tem muitas facetas e é integral,
portanto o profissional tem uma visão mais ampla de seu processo de
saúde/adoecimento.
... a gente aprende muito aqui e a questão de uma visão ampliada. Hoje eu
enxergo o paciente, ele é uma pessoa, não é nem paciente (...) aprendi muito
aqui, principalmente com os colegas (...)
visão diferente (...)Então ver ele como um todo, tentar ver o psicológico, o
físico, a nutrição (...)Então a gente aprende a ver o paciente como um todo né?
Os
termos
EXPERIÊNCIA,
CRECIMENTO
e
AMADURECIMENTO
PROFISSIONAL e APRENDIZADO se relacionam entre si à medida que Sara expõe
em sua fala o processo da sua vivência no programa. No primeiro termo ela ressalta o
que aprendeu na sua atuação e sobre o trabalhar em equipe, já quando fala sobre
crescimento e amadurecimento coloca os obstáculos e dificuldades que teve nesse
processo de aprendizado e acumulo de experiência. Isso proporcionou o aprendizado
que ela destaca no termo anterior falando que tanto os acertos quanto os erros
proporcionados por esta experiência foram importantes para seu processo de
aprendizagem.
Que é essa experiência profissional (...) que é essa de trabalhar em equipe de
trabalhar junto (...)
...por esses desafios de tá “quebrando a cara”, de tá correndo atrás e eu acho que
é isso que faz, talvez se a gente tivesse com tudo prontinho, tudo perfeito a gente
não teria tanto crescimento como a gente teve oportunidade de ter né?
...de ver que não dá certo o que é que pode melhorar que não melhorou (...)
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Ainda dentro desse processo de aprendizado Sara expõe mais dois termos,
CUIDAR e PROBLEMATIZAÇÃO. Os dois relacionados a práticas adquiridas na
vivência durante o programa. Para finalizar ela coloca mais dois termos, um deles é
DESCORBERTA, com um sentido de descobrir o novo, esse novo seria o trabalhar em
equipe e a prática dos outros profissionais.
...cuidar do outro do paciente o objetivo da gente, da gente tá discutindo éee
aprendendo pro outro, pra o cuidar do outro.
...então a gente eu acho que a gente aprendia muito a partir do que a gente tava
vivendo e a gente buscava aprender a partir daquilo né? A partir daquele
momento daquelas circunstâncias (...)
eu coloquei descoberta no sentido do outro da profissão dos colegas que a gente
não tinha contato e hoje é muito difícil trabalhar sem equipe. É uma dificuldade
enorme (...). Então acho que essa descoberta da gente do outro foi muito
importante.
E por último o termo INTERDISCIPLINARIDADE, o qual ela relata que
poderia ter sido mais bem trabalhado, mas existia uma dificuldade em trabalhar este
tema nas disciplinas e atividades da Residência e justifica dizendo que a maioria dos
envolvidos no programa não estava preparada para trabalhar com este tema.
...poderia ser muito mais promovido essa interdisciplinaridade que a gente
discutia muito (...) eu acho que quem recebeu a gente a maioria não tava
preparado pra trabalhar com interdisciplinaridade, então as disciplinas da gente
eram muito fisioterapia, psicologia, serviço social e no momento de discutir a
gente não tinha a gente tentava, não “vamo” fazer uma discussão de caso e não
era sempre.
Um aspecto a ser observado é que todas as participantes começam sua fala
expondo os aspectos positivos de sua experiência com o programa, para depois falarem
dos aspectos negativos, do que poderia ter sido melhor. Além disso, as palavras e
termos relacionados à Residência Multiprofissional tem uma concatenação entre eles e
isso pode ser observado na fala das participantes.
No segundo momento da oficina, a pesquisadora solicitou que as participantes
escrevessem sobre as ações do cotidiano de trabalho que conseguem relacionar/associar
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ao que vivenciaram na Residência. Posteriormente pedi (pesquisadora) que falassem
sobre aquilo que escreveram.
Laura relata três ações que conseguiu relacionar ao seu contexto de trabalho
atual. A primeira foi TRABALHAR EM EQUIPE, seguida da VISÃO AMPLIADA e
por último ESCUTA DO OUTRO. As três ações remetem a aquelas que são
desenvolvidas em conjunto com outras profissões, seja no trabalho diretamente com
outros profissionais ou como no caso da visão ampliada, que possibilitou uma ação
diferenciada a partir da experiência na residência.
(...) final de maio e eu trabalhei diretamente, diretamente mesmo assim, lado a
lado, mão unidas com a nutrição. Lá no Programa Mesa Brasil. Então assim é
uma equipe menor né? Mais reduzido com duas categorias profissionais, mas nós
temos, tem lá ainda estagiário e também o pessoal do administrativo.
(...) muitas vezes os profissionais eles tem uma visão um pouco fechada né não
consegue ver além daquilo que tá ali. Eu acho que foi o que eu consegui levar.
Interessante destacarmos que ao falar do trabalho em equipe, Laura inclui os que
trabalham no setor administrativo bem como os estagiários. Quando fala sobre uma
visão ampliada a participante relata que existiu uma mudança em sua forma de
compreender o sujeito, a partir do que vivenciou na Residência. Isso também
transparece ao falar sobre a escuta do outro.
(...) como aqui a gente escuta muitos, muitos outros profissionais então eu acho
que isso eu consegui levar essa questão de escutar o outro de pra poder trocar ter
um momento maior de escuta.
Fabiana fala sobre duas ações que desenvolve em seu contexto de trabalho e
relaciona
ao
que
vivenciou
na
Residência,
são
elas:
ATENDIMENTO
MULTIPROFISSIONAL E DISCUSSÃO DE CASOS. No primeiro, fala dos
atendimentos realizados junto com outros profissionais (psicóloga e pedagoga)
atualmente e relaciona com os vivenciados na Residência. A segunda enfatiza as
discussões em equipe dos casos atendidos.
(...) que geralmente a gente faz com o residente (aluno da residência
universitária) né o estudante e faz esse atendimento multiprofissional né? Pra
entender a história do estudante e as demandas que ele tá trazendo pra gente. E
não tem como não relacionar ao atendimento multiprofissional que a gente fazia
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com a doutora Heloisa. Que a gente fazia com os pacientes na clínica de
reumatologia e ai fazíamos essa mesma escuta cada equipe pra depois fazer os
possíveis encaminhamentos.
Quando a gente senta pra falar sobre a situação de um estudante não tem como
não lembrar do que a gente fazia aqui quando a gente sentava pra discutir uma
ação com relação assim ao usuário.
Carla traz as ações TRABALHO EM EQUIPE, CONSIDERAR O ORGÂNICO,
VISÃO AMPLIADA E LIDAR COM O DIFERENTE E SABER GERENCIAR
CONFLITOS. Fala da importância em trabalhar dialogando com outros profissionais
envolvidos nos caso que atende (trabalho em equipe), assim como considerar os
aspectos físicos na compreensão dos usuários. Relata que sua formação em Psicologia a
fez afastar ou mesmo considerar essas questões orgânicas. Isso contribuiu para que ela
pudesse ter uma visão mais ampla dos sujeitos, considerando também os aspectos
físicos.
Hoje em dia eu não consigo trabalhar sozinha e eu sempre assim estou em
diálogo com outro profissional. quem me encaminhou ou a família ou a escola eu
sempre faço esse trabalho.
(...) porque na minha formação eu era muito acostumada a rechaçar a questão
orgânica. (...) E aqui na Residência foi onde eu aprendi a digamos considerar sim
as doenças né. Que é importante a gente saber o que é que tá acontecendo
fisicamente com a pessoa, que a própria doença também pode è...possibilitar
alguns quadros psíquicos.
Enfim, isso eu tenho uma VISÃO A0MPLIADA hoje em dia e eu acho que faz
muita diferença com os psicólogos (...)
Finalmente, fala sobre a habilidade de lidar conflitos e o aprendizado em saber
equilibrar escuta e fala nas suas relações.
(...) como eu trabalho dentro das casas dessas crianças, eu vou até a casa. Eu
entro no ninho eu acabo dentro de alguns conflitos e na Residência também eu
aprendi a recuar em alguns momentos, a escutar esses conflitos, a calar e a entrar
em algumas situações e saber como eu preciso intervir, onde eu preciso recuar.
Pra mim foi ótimo também lidar com essas diferenças, com pessoas que pensam
diferente. E que eu não tenho a intenção de mudar ou converter as pessoas, pelo
contrário eu quero escutar o que elas tem a dizer.
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Márcia expressa quatro ações: BUSCA PELO TRABALHO EM EQUIPE, VER
O PACIENTE COMO UM TODO, CONSEGUIR ENXERGAR A NECESSIDADE
DE OUTROS PROFISSIONAIS, INCENTIVO À PESQUISA e À PRODUÇÃO
CIENTÍFICA. Essas ações estão relacionadas ao trabalho em equipe e a visão integral
dos sujeitos atendidos. Além disso, traz a importância do incentivo à produção científica
e destaca que isso foi bem trabalhado no período da Residência. Por fim, considera que
a experiência no programa possibilita uma agilidade em identificar a necessidade de
outros profissionais, intervindo nos casos.
(...) que é uma coisa que realmente eu me vejo fazendo isso muito hoje pelo fato
de ter muito dificuldade em trabalhar sozinha.
(...) hoje eu não tô mais só querendo saber o que é que ele come se ele tem algum
problema só digestivo né eu, quero saber é.... se ele é casado, qual a profissão,
onde é que ele mora, quais são os hábitos da vida dele né. A gente tem uma visão
daquele paciente, de uma forma muito mais ampla do que antes a gente tinha,
né?
...por exemplo, que não fizeram a Residência eles até conseguem visualizar essa
necessidade, mas muitas vezes acabam visualizar muito tarde, quando já tá uma
coisa meio obvia. Como a gente tem uma visão um pouco diferenciada, a gente
consegue visualizar isso muito mais cedo (...)
(...) porque pelo menos a minha, assim na minha turma, eu acho que a gente
produziu bastante.(...). No meu caso, as duas preceptoras realmente cobravam. A
gente produziu muito na época pra o que a gente produzia enquanto graduação. E
hoje no meu trabalho é uma coisa que eu me cobro, eu digo meu Deus eu já to há
três anos na empresa e nunca produzi. E eu fico desesperada com isso sabe?
Sara, trouxe quatro ações: ATITUDE, TRABALHAR COM POUCO OU
NENHUM RECURSO, DISCUSSÃO COM A EQUIPE E BUSCAR O MELHOR
PARA O PACIENTE. O termo atitude remete ao sentido de ter um preparo para atuar
nas mais diversas situações, além de agir rápido. Já o trabalho com pouco ou nenhum
recurso, se refere ao desenvolvimento da criatividade para trabalhar improvisando com
o que era acessível. A discussão com a equipe remete ao sentido de trabalho em equipe,
relatado pelas outras participantes e finalmente, a última ação fala da busca pela
excelência do atendimento ao usuário.
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...o que for dentro desse ambiente hospitalar, principalmente desse ambiente
hospitalar, eu dou conta. A gente aprendeu muito a ter atitude acontece muita
coisa, uma parada cardíaca, uma coisa. E a gente tem que pensar rápido tem que
fazer rápido éee, eu acho que isso eu aprendi muito aqui.
Por que falta muita coisa aqui. Falta muito recurso, material, recurso humano eee
a gente aprende umas técnicas, umas invenções, umas engenharias que eu vejo
que outras pessoas, que trabalham no particular que tem tudo muito prontinho.
Ah faltou isso. Ah não vou trabalhar, não tem isso. (...). Então a gente se vira
com o que tem.
Então tudo isso é sempre pro paciente, é sempre pro usuário. Então a gente tá
sempre tentando estudar, tentando discutir, leva na cara. Sempre por ele né?
Podemos observar que algumas ações se repetem entre as participantes e
sinalizam um processo de mudança na forma de compreensão dos sujeitos atendidos e
também no processo de trabalho. Destaco aqui, o trabalho em equipe e a visão ampliada
(integral) como os principais aspectos que pudemos identificar na fala das participantes
sobre as ações que desenvolviam na Residência e que levaram para as atuações
profissionais atuais.
No terceiro momento da oficina, propomos que as participantes refletissem sobre
as palavras que elas trouxeram no momento de associação de ideias (primeiro momento)
e as ações que falaram no segundo momento a partir de três questões principais: qual a
contribuição da Residência Multiprofissional para sua atuação? Houve mudança a partir
desta experiência? Quais? Quais as possibilidades de traduzir a experiência da
Residência para seu contexto de atuação atual? Quais as dificuldades?
Laura fala da contribuição da Residência para sua atuação profissional ser
imensurável, que ela não consegue descrever objetivamente. Relata que houve uma
mudança após a experiência, principalmente por ser sua primeira atuação profissional
quando conseguiu vivenciar o trabalho do Serviço Social, mas também o trabalho em
equipe e esta vivência a deixou segura para atuar em qualquer espaço de trabalho. Como
possibilidade de levar para o contexto de trabalho o que a experiência proporcionou,
Laura destaca o diálogo entre as diferentes profissões no sentido de melhor solucionar
as demandas dos usuários.
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Fabiana qualifica a constribuição da Residência para sa atuação profissional
como enorme e acredita que não exista outra pós graduação que possibilite a riqueza da
vivência e o avanço profissional. Além dessa contribuição diz que a troca de experiência
e de saber profissional também são importantes. Quando fala das mudanças trazidas
pela Residência, relata que aprendeu a ser mais tolerante, a ouvir melhor o outro e
respeitar a seu posicionamento. Sobre as possibilidades e dificuldades em traduzir a
experiência da Residência para seu contexto de trabalho, ela discorre sobre o trabalho
em equipe, como uma ação que agrega no cotidiano de trabalho e ao mesmo tempo pode
ser empobrecedor, caso não tenha uma diversidade de profissionais em sua equipe.
Para Carla, a principal contribuição da Residência é pensar na sua atuação
considerando o outro profissional, o outro saber, de manter uma relação de troca diante
das demandas do paciente/usuário. Relata sobre a mudança que a atuação junto a outros
profissionais proporciona, dizendo que aprendeu um pouco sobre cada profissão e
entendendo como isso ajudava e interferia na sua atuação.
Márcia começa sua fala destacando os pontos que acredita ser os principais na
contribuição da Residência. O primeiro é que os profissionais saem com muito mais
experiência para trabalhar de forma mais qualificada e o segundo para formar uma visão
ampliada dos pacientes. Com relação às mudanças percebidas por ela, relata que são
muitas e que a principal é sair do Programa uma profissional, melhor, mais qualificada.
Para ela, as possibilidades de traduzir essa experiência para o meu contexto de trabalho
são no sentido de trabalhar em equipe e de ver o paciente como um todo. A principal
dificuldade é conseguir concretizar o trabalho em equipe já que nem todos os espaços de
atuação garantem a diversidade de profissionais.
Sara inicia sua fala com duas contribuições que o Programa trouxe para ela:
experiência na sua profissão (fisioterapia) e com o trabalho em equipe. Ela não
considera que houve uma mudança após a experiência, pois acredita que construiu sua
atuação na Residência, então não falaria em mudança, mas em contrução. Sobre as
dificuldades é de se trabalhar de acordo com o que se aprende na Residência junto a
outros profissionais, segundo ela é por que os outros profissionais não tiveram esta
vivência e devido a problemas desde a graduação, que não promovem isso.
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Podemos agrupar os termos do primeiro momento em três categorias criadas a
partir dos sentidos que estes apresentam na fala das participantes. As categorias são:
Campo do afeto/relações
interpessoais no cotidiano
Campo profissional/pedagógico
Dificuldades
SAUDADE
TRABALHO EM EQUIPE
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
DECEPÇÃO
AMIZADE
APRENDIZADO
CONHECIMENTO
COMPARTILHADO
CONFLITOS
CONHECER O DIFERENTE
CARGA HORÁRIA
EXAUSTIVA
CERTIFICADO
DESAFIO
RESPEITO
ÉTICA
INTEGRAÇÃO
DIÁLOGO
COMPROMISSO
COMPARTILHAMENTO DE
SABERES
CONSTRUÇÃO CONJUNTA
EQUIPE
EXPERIÊNCIA
SEGURANÇA
ASSISTÊNCIA
SUS
SABER/VISÃO AMPLIADA
INTEGRAÇÃO
APRENDIZADO
CUIDAR
PROBLEMATIZAÇÃO
DESCORBERTA
INTERDISCIPLINARIDADE
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A primeira categoria “campo do afeto/relações interpessoais no cotidiano” surge
quando as palavras atribuídas a esta categoria são mencionadas pelas participantes e
trazem um sentido de relação afetiva entre os profissionais e que isso faz parte do
cotidiano da vivência na Residência e promove o aprendizado. A fala de Laura é um
exemplo disso:
Eu acho assim tudo que é bom na vida da gente a gente sente saudade. (...) é
uma residência porque a gente convivia mais com quem estava aqui do que quem
estava em casa. (...) a primeira palavra que vem à cabeça é saudade. Saudade
daquilo que foi vivido. (Laura. Assistente social)
Podemos compreender que essa vivência possibilitou que sentimentos positivos
aflorassem nas participantes quando rememorou suas experiências no programa. Laura,
por exemplo destacou a importância das relações criadas entre os residentes que não se
limita a amizade, mas reverbera na atuação profissional e em seu aprendizado.
Então eu aprendi muito aqui. (...) e muito mais com meus companheiros de
equipe. (...) não aprendi apenas sobre as coisas ligadas a Residência né?
( Laura, assistente social)
A Residência tem sido compreendida como uma “especialização para a vida”
possibilitando um aprendizado técnico e pessoal, levando os conhecimentos e relações
estabelecidas para a vida. Além disso, tem contribuido para a formação do residente na
resolução de problemas vividos no cotidiano, na forma de lidar com os indivíduos, para
atuar em todas as áreas relacionadas ao setor saúde e em equipe. (DOMINGOS et al,
2015)
A segunda categoria campo profissional/pedagógico criamos para dar conta dos
termos que as participantes expressaram como aquilo que contribuiu para formação de
sua atuação profissional, os aspectos que puderam formar um profissional de acordo
com a porposta do Programa.
Os termos agrupados nessa categoria ressaltam a
importância da Residência na formação das participantes.
Na fala de Laura podemos compreender que a Residência é um campo
profissional no qual potencializa a maturidade profissional em cada participante.
Riquíssima assim no sentido de meter a cara né? De “tá” ali muitas vezes
jogados né? (...) A gente teve uma experiência profissional muito rica tanto
51
aqui no hospital como na atenção básica muito maior. E aí a experiência
profissional realmente foi, pra mim, talvez se eu tivesse em outro campo
ocupacional não tivesse sido tão rica como foi aqui.
(Laura, assistente social)
Um termo que permeou a fala de todas as participantes foi “trabalho em equipe”
e a compreesão de que este exige uma implicação do profissional enquanto pessoa
também.
...porque como foi difícil no começo e como foi gratificante no final. Por que
nem todas as profissões estão abertas a lidar com o trabalho em equipe ou as
pessoas mesmo, talvez seja assim né? Talvez seja coisa de formação profissional
ou também cada pessoa é diferente.
(Laura, assistente social)
Para que o diálogo aconteça, é importante que haja disponibilidade dos
profissionais para se posicionar de forma flexível, solidária e democrática nas diversas
situações do cotidiano do trabalho em equipe. Consideramos que essa mudança na
formação e nas práticas é um desafio a ser superado por implicar mudanças de
paradigmas consolidados, porém o diálogo e a construção de práticas coletivas tem
demonstrado ser o caminho para um novo modo de trabalho em saúde
(NASCIMENTO; OLIVEIRA, 2006; 2010).
A experiência na Residência proporciona uma vivência do trabalho em equipe de
forma diferenciada de outros lugares, pela diversidade de profissões envolvidas. Esta
experiência traz a oportunidade de ter contato com conhecimentos acerca de outras
áreas e isso faz com que profissões diferentes se auxiliem e se complementem (SILVA
etal, 2014; CASA NOVA et al; BONES et al, 2015)
Em outra área, em qualquer outro lugar que eu já passei eu não tive essa
experiência de trabalhar com uma equipe tão diversa. E aí assim não tem como
não pensar no trabalho em equipe que a gente desenvolveu aqui. Foi muito
enriquecedor. (Fabiana, assistente social)
Além disto o trabalho em equipe proporciona a ampliação do conhecimento no
seu campo profissional e também dos colegas de equipe, além da troca de saberes na
52
relação de ensinar e aprender com o outro. Isso contribui para direcionar os
profissionais na compreensão das demandas dos usuários para resolução destas.
...porque eu realmente pude conhecer uma área nova, uma nova formação e a
atuação de profissionais de pessoas, de profissões que eu não tinha o mínimo de
conhecimento né? (...) aqui a gente tem essa oportunidade de conhecer
profissões diferentes e atuações, diferentes da nossa. Que muitas vezes na
graduação a gente não tem Acho que é interessante né?Acho que a minha
profissão e as outras também estarem abertas, além de mim, a ensinar um saber
e de aprender também aquilo que eu não sabia e não conhecia essa
possibilidade (...). (Fabiana, assistente social)
Na Residência as ações são realizadas de forma compartilhada, reconhecendo
quando existe a necessidade da intervenção de outros profissionais, proporcionando
atendimento multidisciplinar ampliado. (SILVA etal, 2014; CASA NOVA etal; BONES
etal, 2015)
A experiência na Residência proporciona o desenvolvimento de habilidades
permeadas pelas relações pessoais e profissionais. ÉTICA, CONFLITO, DIÁLOGO E
RESPEITO são palavras que demonstram o desenvolvimento dessas habilidades a partir da
vivência no Programa. Ética está associada ao cuidado com a assistência ao paciente,
prevalecendo um posicionamento ético nas decisões e conflitos entre as profissões. O
diálogo é expressado como uma prática constante na Residência. O Conflito está
associado às relações interpessoais, como algo cotidiano. Não como algo negativo, mas
que existem posicionamentos diferentes nas relações de trabalho.
(...) que era uma coisa que nós tínhamos bastante entre nós, com os preceptores,
com os tutores, com os profissionais daqui do HU. Mesmo que assim, muitas
queixas né? (...) Mas nunca desistimos de conversar.
(Carla, psicóloga, relacionada ao diálogo)
(...) eu lembro que a gente brigava muito, mas ao mesmo tempo a gente sempre e
respeitava nunca baixava o nível (risos). A gente podia brigar, mas quando se
tratava de trabalhar nós tínhamos o mesmo posicionamento. (...) E o respeito
também aos profissionais daqui...
(Carla, psicóloga, relacionada ao respeito)
A experiência proporcionada pelas Residências almeja a construção de espaços
de trocas, de abertura para a comunicação, com o objetivo de desenvolver práticas
53
coletivas não mais fragmentadas e relacionadas apenas a objetos definidos pelas
disciplinas de forma isolada. A fala das participantes demonstram que isso tem
acontecido. Além disso, a experiência tem permitido romper com a rigidez impostas
pelas disciplinas isoladas propondo um espaço coletivo de atuação (OLIVEIRA, 2009;
LOBATO, 2012).
O principal aspecto ressaltado pelas participantes desta experiência é a relação
de trabalho e pessoal entre diversas profissões. E isto não apenas como a reunião de
profissões, mas de saberes que trocam e conversam sobre uma determinada demanda e
conseguem construir algo junto que chega a ser comum a partir do olhar de cada um.
Esta vivência acaba sendo a referência profissional, de um trabalho conjunto nos
contextos de trabalho atuais.
... que eu não sei mais trabalhar sozinha. Eu não consigo mais trabalhar só (...)
então eu tento manter reuniões periódicas de trabalho com elas porque eu não
consigo trabalhar sozinha.
(Carla, psicóloga)
elo todo (...) Paciente, equipe, os profissionais daqui (...) A gente se misturava
mesmo de assim de as vezes nem fazer muita diferença de quem era o residente e
quem era o profissional e de quem era o nutricionista porque era o profissional
da saúde.
(Márcia, nutricionista)
...gente aprende muito aqui e a questão de uma visão ampliada. Hoje eu enxergo
o paciente, ele é uma pessoa, não é nem paciente (...) aprendi muito aqui,
principalmente com os colegas (...)
(Sara, fisioterapeuta)
Na segunda etapa da oficina depois que as participantes falaram sobre qual/quais
ações de seu contexto atual de trabalho associam ou relacionam com a experiência
vivenciada na residência, as ações foram agrupadas a partir de categorias criadas antes
da oficina acontecer. Segue abaixo o quadro demonstrativo dessa categorização:
Ações
que
podem
ser
consideradas similares, pois
puderam ser colocadas em
prática, da mesma forma como
era realizada na residência.
Ações que podem ser consideradas
quase similares, pois possibilitaram a
reflexão de um grupo de profissionais
sobre alguma situação como na
residência, mas não chegaram a ser
desenvolvidas da mesma forma.
Ações que podem ser
consideradas quase similares,
pois possibilitaram a ação de
um grupo de profissionais
sobre alguma situação, mas
não
chegaram
a
planejar/refletir
sobre
a
situação.
54
Atitude
Trabalhar em equipe
Discussão de casos
Visão ampliada
Atendimento
multiprofissional
Escutar o outro
Trabalho em equipe
Trabalhar com pouco
ou nenhum recurso
Busca pelo
equipe
Interesse pelo paciente
como um todo
Pesquisa/produção científica
Trabalho em equipe
Lidar
com
o
diferentes/gerenciar conflitos
trabalho
em
Buscar o melhor para
o paciente
Identificar
a
necessidade
de
outros profissionais
Considerar
orgânico
Visão ampliada
o
A partir dessa categorização, podemos compreender que as participantes tem
conseguido desenvolver muitas das ações que realizavam na Residência em seus
contextos de trabalho atuais. O trabalho em equipe aparece como principal ação, citada
por todas as participantes. Além disso, as outras ações citadas pelas egressas da
Residência remetem ao diálogo entre as profissões e consequetemente a busca pelo
desenvolvimento do trabalho em equipe.
Então palavras como “visão ampliada”, “discussão de casos”, “escutar o outro”
são exemplos de como essa busca pelo trabalho em equipe tem sido disseminado pelas
participantes, em outros espaços de atuação e de como a vivência na Residência constrói
uma relevância nesse trabalho em conjunto e transforma os profissionais em agentes
multiplicadores dessas ações.
Podemos compreender, a partir dessas concepções, que a Educação Permanente
tem um lugar importante na criação de dispositivos capazes de dar conta desta proposta.
Isso provoca mudanças e direciona para a necessidade de desnaturalizar compreensões
historicamente produzidas no campo da saúde (CECCIM, 2005; LOBATO, 2010).
A experiência de formação em serviço é capaz de formar um profissional
orientado pelas diretrizes do SUS que sabe compartilhar saberes e mostra interesse em
participar de ações conjuntas contribuindo para a construição de um novo modelo de
cuidado em saúde (NASCIMENTO; OLIVEIRA, 2006).
55
No terceiro momento, as participantes finalizam a oficina falando sobre as
contribuições que a Residência trouxe para suas atuações profissionais e as dificuldades
encontradas em traduzir essa experiência para os espaços em que trabalham. Mais uma
vez o trabalho em equipe é o principal aspecto citado pelas participantes.
O que corrobora com um dos o objetivos das residências
que é formar
profissionais para o SUS com a característica da interdisciplinaridade que traz o caráter
inovador desses programas, evidenciado pela inserção das categorias estabelecidas pela
Resolução CNS nº 287/ 1998. Este tipo de formação coletiva insere os diversos
profissionais envolvidos sem deixar de respeitar e considerar os núcleos específicos de
cada profissão trazendo uma vivência conjunta em diversos contextos (BRASIL, 2006;
2009).
3.4. Conversando sobre experiência da residência e a ação
conjunta
Norteando-nos pelo conceito de Ação Conjunta delineado por Shotter (2011),
podemos considerar que as residências multiprofissionais são espaços nos quais as
relações de trabalho e pessoais são contituídas pelo nós coletivo.
A Ação conjunta definida por Shotter (2011) considera que uma atuação
dialógica acontece quando intra-agimos numa relação de co-construção entre si. Assim,
ao invés de considerarmos que nós em nossas relações inter-agimos, como se fossemos
independente uns dos outros, nessa situação aquilo que o outro faz e diz tem implicação
direta e formativa naquilo que eu faço e vice e versa.
A partir do diálogo com as participantes da pesquisa, independente da área de
formação da qual vieram, podemos refletir que a vivência na Residência proporciona a
construção de um conhecimento comum através de ações em conjunto, ação essa muito
próxima daquilo que Shotter (2011) nomeia como Ação Conjunta. Essa relação
dialógica é construída cotidianamente permeada por afetos e desafetos que perpassam
tanto as relações de trabalho quanto as relações pessoais (como poderíamos separar uma
da outra?).
56
...porque como foi difícil no começo e como foi gratificante no final. Por que
nem todas as profissões estão abertas a lidar com o trabalho em equipe ou as
pessoas mesmo, talvez seja assim né?
Acho que é interessante né?Acho que a minha profissão e as outras também
estarem abertas, além de mim, a ensinar um saber e de aprender também
aquilo que eu não sabia e não conhecia (...).
...elo todo (...) Paciente, equipe, os profissionais daqui (...) A gente se misturava
mesmo de assim de as vezes nem fazer muita diferença de quem era o residente e
quem era o profissional e de quem era o nutricionista porque era o profissional
da saúde.
visão diferente (...) Então ver ele como um todo, tentar ver o psicológico, o
físico, a nutrição (...) Então a gente aprende a ver o paciente como um todo né?
(trechos das falas das participantes que exemplificam o movimento dialógico
proporcionado pela Residência)
Uma outra marca que a Residência tem deixado em quem participa do Programa
durante os dois anos é a manutenção de ações desenvolvidas durante a experiência em
suas atuações posteriores. Abaixo trazemos alguns trechos das falas das participantes
que possibilitam construir esse argumento.
... que eu não sei mais trabalhar sozinha. Eu não consigo mais trabalhar só (...)
então eu tento manter reuniões periódicas de trabalho com elas porque eu não
consigo trabalhar sozinha
(...) como aqui a gente escuta muitos, muitos outros profissionais então eu acho
que isso eu consegui levar essa questão de escutar o outro de pra poder trocar ter
um momento maior de escuta
Quando a gente senta pra falar sobre a situação de um estudante não tem como
não lembrar do que a gente fazia aqui quando a gente sentava pra discutir uma
ação com relação assim ao usuário.
(...) que geralmente a gente faz com o residente (aluno da residência
universitária) né o estudante e faz esse atendimento multiprofissional né? Pra
entender a história do estudante e as demandas que ele tá trazendo pra gente. E
não tem como não relacionar ao atendimento multiprofissional que a gente fazia
com a doutora Heloisa. Que a gente fazia com os pacientes na clínica de
reumatologia e ai fazíamos essa mesma escuta cada equipe pra depois fazer os
possíveis encaminhamentos.
57
(...) que é uma coisa que realmente eu me vejo fazendo isso muito hoje pelo fato
de ter muito dificuldade em trabalhar sozinha.
(...) hoje eu não tô mais só querendo saber o que é que ele come se ele tem algum
problema só digestivo né eu quero saber éee se ele é casado, qual a profissão,
onde é que ele mora, quais são os hábitos da vida dele né a gente tem uma visão
daquele paciente de uma forma muito mais ampla do que antes a gente tinha né?
As falas das participantes mostram como a Residência tem alcançado o objetivo
de formar profissionais dispostos a trabalhar em equipe e tem contribuído para
pontencializar características que envolvem esse trabalho. Então, características como
escuta do outro, diálogo com outros profissionais, trabalho em conjunto são destacadas
pelas egressas como o que elas puderam inserir no cotidiano de trabalho atual.
4. Considerações sobre as residências multiprofissionais
A Política de Educação Permanente visa promover mudanças no processo
formativo e práticas nos serviços de saúde sem antagonizar os serviços das instituições
formadoras. Isto se concretiza através de estratégias de formação que possam articular
os serviços do SUS e a formação dos profissionais que podem trabalhar neste sistema.
As Residências Multiprofissionais são uma das estratégias desta Política.
A Residência Multiprofissional foi instituída com o objetivo de formar
profissionais para o SUS e para outros espaços de atuação. Esses profissionais são
convocados a exercer uma atuação compartilhada, construir novos conhecimentos para
responder às demandas que surgem com o SUS e novas práticas de atuação.
O diálogo com egressos de um programa de Residência Multiprofissional levounos a compreender que a vivência experienciada nesse contexto perpassa por aspectos
relacionais no aprendizado de quem é residente. O que isso quer dizer é que um
profissional não aprende apenas ao participar de disciplinas estruturadas previamente ou
atividades pedagógicas. Esses aprendem no cotidiano das relações, sejam elas
profissionais e/ou pessoais.
Esse aspecto relacional é possibilitado, principalmente pelo trabalho em equipe,
que tem sido apontado como o aspecto de maior relevância nesta experiência. Os
egressos falam dessa característica como uma inovação que as Residências trazem para
58
a atuação profissional. E essa vivênvia do trabalho em equipe acaba fazendo com que os
profissionais exercitem outras características no seu campo de atuação.
Dessa forma, entendemos que o processo de Educação Permanente em Saúde
através das Residências tem (trans) formado esses profissionais e produzidos mudanças
em suas práticas e consequentemente na forma como os serviços de saúde tem se
organizado para receber essas mudanças.
Existem ainda dificuldades em levar o conhecimento produzido nas Residências
para outros espaços de atuação, porém os egressos têm conseguido mesmo que
minimamente compartilhar esses conhecimentos através de suas práticas.
Sobre essas dificuldades encontradas pelas participantes da pesquisa, tanto no
período em que estavam no Programa quanto no período posterior a ele podem nos
levar a enveredar por outros caminhos de tantos que esta pesquisa pode nos guiar.
Dificuldades essas que são estruturais e relacionais e que podem nos ajudar a refletir
sobre as possibilidades de renovação destes Programas.
Além disso, outra questão nos orienta para estudos futuros no sentido de romper
com a lógica da disciplinaridade. Vimos que muitas vezes as participantes desta
pesquisa falaram sobre a interação entre os profissionais e como isso era refletido em
suas ações conjuntas. É como se a questão disciplinar, que muitas vezes forma uma
barreira entre os profissionais, não existisse da forma como estamos habituados a
considerar. Nesta experiência, cada profissional sabe que questões são pertinentes à sua
profissão, mas o que faz sentido é a troca de conhecimento e o que se contrói a partir
disto conjutamente.
59
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65
ANEXO 1- Transcrição sequencial das falas
Obs: O item linha desta tabela se refere à numeração das páginas na transcrição
literal das falas da partipantes.
QUEM FALA
EXPRESSÕES /
REPERTÓRIOS
O QUE FALA
LINH
A
SOBRE O QUE FALA
(ANÁLISE DO PESQUISADOR)
Pesquisadora
Residência
Multiprofissional
Então acho que a gente pode começar com a
primeira atividade. (...) Eu queria que vocês
nesses papeizinhos, que eu vou distribuir (...)
colocassem aquilo que vem à mente, que
vem à cabeça quando a gente fala as palavras
Residência Multiprofissional. O que é que
lembra né? O que é que vem? Assim que a
gente pensa Residência Multiprofissional
lembra o que? Pensa em que?
1
A oficina se inicia com os
residentes escrevendo aquilo que as
palavras
“Residência
Multiprofissional” fazem lembrar.
Logo após verbalizam sobre aquilo
que escreveram.
Laura-AS
Saudade
Eu acho assim tudo que é bom na vida da
gente a gente sente saudade. (...) é uma
residência porque a gente convivia mais com
quem estava aqui do que quem estava em
casa. (...) a primeira palavra que vem à
cabeça é saudade. Saudade daquilo que foi
vivido.
19/24
Atribui sentimento/afeto ao que foi
vivido durante a Residência como
algo positivo.
Laura-AS
Aprendizado
Então eu aprendi muito aqui. (...) e muito
mais com meus companheiros de equipe. (...)
não aprendi apenas sobre as coisas ligadas a
Residência né?
26
Relata sobre o que aprendeu com os
colegas de equipe, ultrapassa os
limites
da
aprendizagem
profissional.
Aprendizagem na relação, com o
outro. Que pode ser profissional
também.
Laura-AS
Amizade
...e aí aqui eu construí, assim, vários amigos
né? E são amigos que não se perderam né?
São amigos realmente. (...) realmente ficou
uma amizade que foi muito importante pra
mim. Inclusive, assim, no andamento de todo
processo.
29
Relação afetiva que desenvolveu
durante o processo que foi
importante durante e depois da
vivência no programa.
Laura-AS
Experiência Profissional
Riquíssima assim no sentido de meter a cara
né? De “tá” ali muitas vezes jogados né? (...)
A gente teve uma experiência profissional
muito rica tanto aqui no hospital como na
atenção básica muito maior. E aí a
experiência profissional realmente foi, pra
mim, talvez se eu tivesse em outro campo
ocupacional não tivesse sido tão rica como
foi aqui.
34
Valoriza a Residência como
potencializador da experiência,
experiência única.
Laura-AS
Trabalho em equipe
...porque como foi difícil no começo e como
foi gratificante no final. Por que nem todas
as profissões estão abertas a lidar com o
trabalho em equipe ou as pessoas mesmo,
talvez seja assim né? Talvez seja coisa de
40/45
Fala da dificuldade em construir um
trabalho em equipe, tanto pelas
características profissionais, quanto
pelas individuais. Trabalho em
equipe proporciona uma formação
66
formação profissional ou também cada
pessoa é diferente. (...) uma coisa que eu vou
levar pra minha vida toda né? De assim,
como é lidar com uma equipe tão grande e
como é que a gente faz pra sair das situações
e como a gente precisa se comportar (...).
Laura-AS
Fabiana- AS
Fabiana- AS
Fabiana- AS
Decepção
profissional que envolve questões
do trabalho e pessoais.
...porque por tudo que poderia ter sido mais e
não foi por muitas vezes é assim, se sentir
abandonados, jogados, sem muitas vezes ter
uma atenção que gostaríamos de ter tido (...)
ainda dessa estruturação do programa né?
Do programa e da questão da, de muitas
vezes uma falta de organização da
coordenação da Residência (...).
48/51
Trabalho em Equipe
... Em outra área, em qualquer outro lugar
que eu já passei eu não tive essa experiência
de trabalhar com uma equipe tão diversa. E
aí assim não tem como não pensar no
trabalho em equipe que a gente
desenvolveu aqui. Foi muito enriquecedor.
56
Trabalho em equipe diferenciado
(de outros lugares, dando destaque a
experiência na Residência) pela
diversidade
de
profissões
e
enriquecedor.
Conhecer o diferente
...porque eu realmente pude conhecer uma
área nova, uma nova formação e a atuação
de profissionais de pessoas, de profissões
que eu não tinha o mínimo de conhecimento
né? (...) aqui a gente tem essa oportunidade
de conhecer profissões diferentes e
atuações, diferentes da nossa. Que muitas
vezes na graduação a gente não tem essa
possibilidade (...).
63/66
Trata a Residência como campo
para ampliar seu conhecimento,
inclusive a respeito do que o outro
faz.
Acho que é interessante né?Acho que a
minha profissão e as outras também estarem
abertas, além de mim, a ensinar um saber e
de aprender também aquilo que eu não
sabia e não conhecia (...).
69
Conhecimento
compartilhado
Sentimento de abandono pelo
Programa por sentir falta de mais
organização tanto relacionado à
estrutura quanto à coordenação.
Decepção com
Residência.
a
gestão
da
Formação ampliada
Fala da importância das profissões
estarem abertas a aprender e ensinar
saberes.
Troca de saberes na relação de
ensinar e aprender com o outro.
Fabiana- AS
Amizade
Os residentes conquistaram grandes amigos
né? E levaram para fora do hospital né?
73
Relação afetiva entre os residentes
que se estende para depois do
período da Residência.
Fabiana- AS
Carga Horária Exaustiva
(...) não tem como não lembrar. Só depois
que passa que vai trabalhar em outro lugar
porque eu não sei se existe outro lugar que
exijam tanto como aqui.
74
Sobrecarga de horas de trabalho e
compara com outros espaços de
atuação, duvidando existir outro
lugar que exija tanto.
Sentido: exaustão, excesso.
Fabiana- AS
Certificado
E minha maior frustração né, até agora com
relação a Residência (...)
77
Sentimento de frustração por não ter
o certificado que seria uma forma
de comprovar a experiência.
Relacionado com as questões
burocráticas e administrativas.
Carla- Psi
Ética
Por que por mais que a equipe, claro todo
mundo tinha um posicionamento sobre o
que achava certo e o que achava errado, mas
quando se tratava de pensar na assistência o
posicionamento era o mesmo. Com relação
ao paciente, ao bem para o paciente pra
87
Ética está associada ao cuidado com
a
assistência
ao
paciente,
prevalecendo um posicionamento
ético nas decisões e conflitos entre
as profissões.
67
quem nós estávamos prestando a assistência.
Independente das decisões
conflitos entre as profissões.
e
Diálogo
(...) que era uma coisa que nós tínhamos
bastante entre nós, com os preceptores, com
os tutores, com os profissionais daqui do
HU. Mesmo que assim, muitas queixas né?
(...) Mas nunca desistimos de conversar.
95/99
O diálogo como uma prática na
Residência.
Carla- Psi
Conflito
Que não tinha como fugir dos conflitos seja
entre os próprios residentes, com os
profissionais, com a tutoria com a
preceptoria com a coordenação que a gente
sempre tinha conflito.
99
Conflito associado às relações
interpessoais, como algo cotidiano.
Não como algo negativo, mas que
existem posicionamentos diferentes.
Carla- Psi
Respeito
(...) eu lembro que a gente brigava muito,
mas ao mesmo tempo a gente sempre e
respeitava nunca baixava o nível (risos). A
gente podia brigar, mas quando se tratava de
trabalhar
nós
tínhamos
o
mesmo
posicionamento. (...) E o respeito também
aos profissionais daqui...
101/
Relações interpessoais
Carla- Psi
104
Carla- Psi
Compromisso
(...) de manter os horários de participar das
atividades, de ir pra aula.
111
Relações interpessoais
Carla- Psi
Compartilhamento de
saberes
...que realmente eu aprendi muito, eu fiz
amigos, mas eu também fiz muitos colegas
de trabalho pessoas que até hoje eu trabalho
com essas pessoas. (...) Então além da
amizade até hoje eu aprendi muito.
112/
Além da amizade construída,
destaca a relação de trabalho que foi
desenvolvida na Residência e
continua depois da experiência.
116
Como um resultado/o que produziu
a partir do que foi dito antes:
conflito, compromisso, respeito,
ética.
Carla- Psi
Construção conjunta
... que eu não sei mais trabalhar sozinha. Eu
não consigo mais trabalhar só (...) então eu
tento manter reuniões periódicas de trabalho
com elas porque eu não consigo trabalhar
sozinha.
117/
122
Não é apenas a reunião de
profissões, mas de saberes que
trocam e conversam sobre uma
determinada demanda e conseguem
construir algo junto que chega a ser
comum a partir do olhar de cada
um.
Referência profissional, de um
trabalho conjunto trazendo para o
trabalho atual.
Marcia- Nutri
Equipe
... todo mundo acha que é difícil né?
Trabalhar em equipe, mas quando a gente
realmente vivencia isso a gente vê o quanto
facilita e o quanto acrescenta pra gente (...)
129 a
131
A possibilidade de trabalhar em
equipe como algo que não é fácil,
mas que ao vivenciar acrescenta e
faz com que o trabalho flua de
forma positiva.
Marcia- Nutri
Experiência
...tanto experiência na área como em relação
as outras áreas (...)o fato de ser aqui no HU
eu acho que é uma coisa que contribuiu
muito porque né é uma hospital de referência
(...)as minhas preceptoras foram excelentes
então talvez isso tenha contribuído bastante.
O próprio ambiente, as preceptoras, a equipe,
entendeu?
133 a
135/
138 e
139
O fato de ser em hospital de
referência, fez com que a
experiência
profissional
fosse
enriquecida.
Relaciona
a
experiência ao que aprendeu com
relação a sua profissão e também
com as demais de sua equipe.
68
Marcia- Nutri
Segurança
...eu saí daqui segura, preparada pra
qualquer trabalho que aparecesse (...). Enfim
eu saí daqui muito mais segura e muito mais
preparada vamos dizer assim.
141/
147 e
148
Fala sobre a segurança em trabalhar
em qualquer espaço e em condições
de trabalho diversas.
Marcia- Nutri
Desafio
...nós éramos a primeira turma então era
aquela coisa né tudo novo. Então tudo foi
desafio pra gente tanto pra gente enquanto
equipe tanto pra gente construir realmente
essa Residência.
150 a
152
Relata sobre o desafio de ter feito
parte da primeira turma e terem
experimentado toda a construção da
Residência juntos.
Marcia- Nutri
Assistência
...foi outra palavra que eu coloquei porque
eu me sentia muito útil aqui.
162
Assistência no sentido de utilidade
para o trabalho realizado por ela no
hospital.
Marcia- Nutri
SUS
pensando no sentido do público (...)Então a
gente não era só um profissional ali a gente
sei lá a gente criava um vinculo maior (...)
163/
167 a
169
Fala sobre o vínculo que formava
com os pacientes do SUS que vai
além da relação profissional.
Marcia- Nutri
Integração
...elo todo (...) Paciente, equipe, os
profissionais daqui (...) A gente se
misturava mesmo de assim de as vezes nem
fazer muita diferença de quem era o
residente e quem era o profissional e de
quem era o nutricionista porque era o
profissional da saúde.
181/
183 a
186
Fala da relação que estabeleceu
entre
os
diversos
sujeitos
envolvidos
(paciente,
equipe,
profissionais), além de qualificar
essa relação entre profissionais da
saúde e não por categorias
profissionais.
Sara- Fisio
Saber/
...gente aprende muito aqui e a questão de
uma visão ampliada. Hoje eu enxergo o
paciente, ele é uma pessoa, não é nem
paciente
(...)
aprendi
muito
aqui,
principalmente com os colegas (...)
194 a
197
Relata sobre o aprendizado com os
colegas e sobre a mudança na forma
de compreender o usuário a partir
de uma visão ampliada.
Visão ampliada
Sara- Fisio
Experiência
Que é essa experiência profissional (...) que
é essa de trabalhar em equipe de trabalhar
junto (...)
204/20
6
Sobre a experiência profissional
adquirida e sobre a experiência de
trabalhar em equipe.
Sara- Fisio
Integralidade
visão diferente (...)Então ver ele como um
todo, tentar ver o psicológico, o físico, a
nutrição (...)Então a gente aprende a ver o
paciente como um todo né?
221/
225 e
226/22
9
Na forma de compreensão do
usuário, como ser que tem muitas
facetas e é integral.
Sara- Fi
...por esses desafios de tá “quebrando a
cara”, de tá correndo atrás e eu acho que é
isso que faz, talvez se a gente tivesse com
tudo prontinho, tudo perfeito a gente não
teria tanto crescimento como a gente teve
oportunidade de ter né?
230 a
233
Sio
Crescimento e
amadurecimento
profissional
A partir dos desafios encontrados,
dos
obstáculos
e
situações
inesperadas foi possível crescer e
amadurecer profissionalmente.
Sara- Fisio
Aprendizado
...de ver que não dá certo o que é que pode
melhorar que não melhorou (...)
234
Aprendeu com os acertos e erros em
seu trabalho.
Sara- Fisio
Cuidar
...cuidar do outro do paciente o objetivo da
gente, da gente tá discutindo éee aprendendo
pro outro, pra o cuidar do outro.
235 a
237
Fala sobre a importância de
aprender para cuidar do outro
visando o paciente/usuário.
Sara- Fisio
Problematização
...então a gente eu acho que a gente aprendia
muito a partir do que a gente tava vivendo e
a gente buscava aprender a partir daquilo né?
237 a
239
Questionar aquilo que vivenciaram
e aprender a partir da experiência,
nas condições mais diversas
69
A partir daquele
circunstâncias (...)
momento
Sara- Fisio
Descoberta
eu coloquei descoberta no sentido do outro
da profissão dos colegas que a gente não
tinha contato e hoje é muito difícil trabalhar
sem equipe. É uma dificuldade enorme
(...)Então acho que essa descoberta da gente
do outro foi muito importante.
Sara- Fisio
Interdisciplinaridade
...poderia ser muito mais promovido essa
interdisciplinaridade que a gente discutia
muito (...)eu acho que quem recebeu a gente
a maioria não tava preparado pra trabalhar
com
interdisciplinaridade
então
as
disciplinas da gente eram muito fisioterapia,
psicologia, serviço social e no momento de
discutir a gente não tinha a gente tentava,
não “vamo” fazer uma discussão de caso e
não era sempre.
Pesquisadora
Laura- AS
TRABALHAR EM
EQUIPE
possíveis.
daquelas
242 a
244/25
6
Descoberta no sentido de conhecer
o novo, tanto o trabalhar em equipe
quanto sobre a profissão dos outros
colegas.
Aqui relata sobre a dificuldade em
trabalhar a interdisciplinaridade nas
disciplinas
e
atividades
da
Residência e justifica dizendo que a
maioria
dos
envolvidos
no
programa não estava preparado para
trabalhar com este tema.
Então, no segundo momento eu queria que
vocês falassem também através da escrita ou
da forma que vocês puderem se expressar
nesse papelzinho, éee qual ou quais ações no
seu contexto atual de trabalho vocês
associam ou relacionam com a experiência
vivenciada na Residência. Então assim o que
é que vocês vivenciam hoje né no contexto
de trabalho de vocês e que vocês conseguem
fazer essa relação. Então éee eu consigo dar
conta dessa situação por que eu vivenciei
isso na Residência.
270
No segundo momento da oficina a
coordenadora pede para que as
participantes escrevam nos papéis já
distribuídos as ações do cotidiano
de trabalho
que conseguem
relacionar/associar
ao
que
vivenciaram na Residência. E que
da mesma forma que fizeram na
primeira etapa, compartilhassem
com o grupo aquilo que foi escrito
por elas.
(...) final de maio e eu trabalhei diretamente,
diretamente mesmo assim, lado a lado, mão
unidas com a nutrição. Lá no Programa
Mesa Brasil. Então assim é uma equipe
menor né? Mais reduzido com duas
categorias profissionais, mas nós temos, tem
lá ainda estagiário e também o pessoal do
administrativo.
279 a
283
Trabalho em equipe é considerado
como possibilidade de trabalho com
os
profissionais
do
setor
administrativo e com os estagiários.
Não restringe essa interlocução aos
profissionais ligados diretamente à
assistência.
Horizontalidade e afetividade na
relação de trabalho
Laura- AS
VISÃO AMPLIADA
(...) muitas vezes os profissionais eles tem
uma visão um pouco fechada né não
consegue ver além daquilo que tá ali. Eu
acho que foi o que eu consegui levar.
287 a
289
Compreende o sujeito além dos
limites de sua profissão e de forma
ampliada (integral).
Laura- AS
ESCUTA DO OUTRO
(...) como aqui a gente escuta muitos, muitos
outros profissionais então eu acho que isso
eu consegui levar essa questão de escutar o
outro de pra poder trocar ter um momento
maior de escuta.
289 a
292
A escuta como exercício de troca
entre os profissionais.
Fabiana-AS
DISCUSSÃO DE CASOS
Quando a gente senta pra falar sobre a
situação de um estudante não tem como não
lembrar do que a gente fazia aqui quando a
gente sentava pra discutir uma ação com
294 a
297
Discussão dos casos atendidos entre
os profissionais e relação direta com
o que foi vivenciado na Residência.
70
relação assim ao usuário.
Fabiana-AS
ATENDIMENTO
MULTIPROFISSIONAL
(...) que geralmente a gente faz com o
residente (aluno da residência universitária)
né o estudante e faz esse atendimento
multiprofissional né? Pra entender a história
do estudante e as demandas que ele tá
trazendo pra gente. E não tem como não
relacionar ao atendimento multiprofissional
que a gente fazia com a doutora Heloisa.
Que a gente fazia com os pacientes na
clínica de reumatologia e ai fazíamos essa
mesma escuta cada equipe pra depois fazer
os possíveis encaminhamentos.
297 a
304
Atendimento em conjunto com
outros profissionais, tal como era
realizado na Residência.
Carla-PSI
TRABALHO EM EQUIPE
Hoje em dia em não consigo trabalhar
sozinha e eu sempre assim estou em diálogo
com outro
profissional. quem me
encaminhou ou a família ou a escola eu
sempre faço esse trabalho.
305 a
308
Relata não conseguir mais realizar
um trabalho sem um diálogo com
outros profissionais envolvidos nos
casos que atende (trabalho sozinho).
Carla-PSI
CONSIDERAR O
ORGÂNICO
(...) porque na minha formação eu era muito
acostumada a rechaçar a questão orgânica.
(...) E aqui na Residência foi onde eu aprendi
a digamos considerar sim as doenças né. Que
é importante a gente saber o que é que tá
acontecendo fisicamente com a pessoa, que a
própria doença também pode éee possibilitar
alguns quadros psíquicos.
308 a
309/
311 a
314
Atribui a negligência de aspectos
físicos e orgânicos dos casos
atendidos por ter tido uma formação
em Psicologia.
Carla-PSI
VISÃO AMPLIADA
Enfim isso eu tenho uma VISÃO
AMPLIADA hoje em dia e eu acho que faz
muita diferença com os psicólogos esquecem
e começassem a tratar antes.
335 a
337
A ação anterior possibilitou que a
participante desenvolvesse uma
visão ampliada (integral) dos
sujeitos.
Carla-PSI
LIDAR
COM
O
DIFERENTE E SABER
GERENCIAR CONFLITOS
(...) como eu trabalho dentro das casas
dessas crianças, eu vou até a casa. Eu entro
no ninho eu acabo dentro de alguns conflitos
e na Residência também eu aprendi a recuar
em alguns momentos a escutar esses
conflitos a calar e a entrar em algumas
situações e saber como eu preciso intervir
onde eu preciso recuar pra mim foi ótimo
também lidar com essas diferenças com
pessoas que pensam diferente. E que eu não
tenho a intenção de mudar ou converter as
pessoas, pelo contrário eu quero escutar o
que elas tem a dizer.
338 a
344
Relata que aprendeu a gerenciar os
momentos de fala e de escuta nos
conflitos vivenciados em seus
atendimentos.
Marcia-NUTRI
BUSCA PELO
TRABALHO EM EQUIPE
(...) que é uma coisa que realmente eu me
vejo fazendo isso muito hoje pelo fato de ter
muito dificuldade em trabalhar sozinha.
358 a
359
Dificuldade em trabalhar sozinha
gerada a partir da experiência de
trabalho conjunto.
Marcia-NUTRI
VER O PACIENTE COMO
UM TODO
(...) hoje eu não tô mais só querendo saber o
que é que ele come se ele tem algum
problema só digestivo né eu quero saber éee
se ele é casado, qual a profissão, onde é que
ele mora, quais são os hábitos da vida dele
né a gente tem uma visão daquele paciente
de uma forma muito mais ampla do que
antes a gente tinha né?
360 a
364
Compreensão do sujeito como ser
integral multifacetado.
71
Marcia-NUTRI
CONSEGUIR ENXERGAR
A NECESSIDADE DE
OUTROS
PROFISSIONAIS
...por exemplo, que não fizeram a Residência
eles até conseguem visualizar essa
necessidade, mas muitas vezes acabam
visualizar muito tarde quando já tá uma coisa
meio obvia. Como a gente tem uma visão um
pouco diferenciada a gente consegue
visualizar isso muito mais cedo (...)
367 a
370
Relata que os profissionais que
fizeram
Residência
consegue
identificar
mais
rápido
a
necessidade de intervenção de
outros profissionais nos casos.
Marcia-NUTRI
INCENTIVO A PESQUISA
E A PRODUÇÃO
CIENTÍFICA
(...) porque pelo menos a minha assim na
minha turma eu acho que a gente produziu
bastante.(...) No meu caso as duas
preceptoras realmente cobravam a gente
produziu muito na época pra o que a gente
produzia enquanto graduação E hoje no meu
trabalho é uma coisa que eu me cobro, eu
digo meu Deus eu já to há três anos na
empresa e nunca produzi. E eu fico
desesperada com isso sabe?
379 e
380/
387 a
393
Incentivo e exercício das práticas
acadêmicas através da publicação e
apresentação de trabalho em
congressos.
Sara-FISIO
ATITUDE
...o que for dentro desse ambiente hospitalar,
principalmente desse ambiente hospitalar, eu
dou conta. A gente aprendeu muito a ter
atitude acontece muita coisa, uma parada
cardíaca, uma coisa. E a gente tem que
pensar rápido tem que fazer rápido éee, eu
acho que isso eu aprendi muito aqui.
412 a
416
Atitude remete ao sentido de ter um
preparo para atuar nas mais diversas
situações, além de agir rápido.
Sara-FISIO
TRABALHAR
POUCO OU
RECURSO
COM
NENHUM
Por que falta muita coisa aqui. Falta muito
recurso, material, recurso humano eee a
gente aprende umas técnicas umas invenções
umas engenharias que eu vejo que outras
pessoas que trabalham no particular que tem
tudo muito prontinho ah faltou isso ah não
vou trabalhar, não tem isso. (...) Então a
gente se vira com o que tem.
420 a
425
Desenvolvimento da criatividade
em trabalhar com pouco ou nenhum
recurso improvisando com o que era
acessível.
Sara-FISIO
DISCUSSÃO
EQUIPE
COM
A
O trabalho em equipe que eu acho que outras
pessoas já falaram.
426 e
427
Remete ao sentido de trabalho em
equipe relatado pelas outras
participantes.
Sara-FISIO
BUSCAR o MELHOR P/
PACIENTE, USUÁRIO
Então tudo isso é sempre pro paciente, é
sempre pro usuário. Então a gente tá sempre
tentando estudar, tentando discutir, leva na
cara. Sempre por ele né?
428 a
430
Busca
pela
excelência
atendimento ao usuário.
do
