Jéssica Bazilio Chaves - A intenção masculina de procurar as Unidades Básicas de Saúde: Uma análise da Teoria do Comportamento Planejado
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
JÉSSICA BAZILIO CHAVES
A intenção masculina de procurar as Unidades Básicas de Saúde:
Uma análise da Teoria do Comportamento Planejado
Maceió
2016
JÉSSICA BAZILIO CHAVES
A intenção masculina de procurar as Unidades Básicas de Saúde:
Uma análise da Teoria do Comportamento Planejado
Dissertação
de
Mestrado
apresentada ao Programa de PósGraduação em Psicologia da
Universidade Federal de Alagoas,
como requisito parcial para
obtenção do grau de Mestre em
Psicologia.
Orientador: Prof. Dr. Sheyla
Christine Santos Fernandes
Maceió
2016
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário Responsável: Valter dos Santos Andrade
C512i
Chaves, Jéssica Bazilio.
A intenção masculina de procurar as Unidades Básicas de Saúde: uma análise da
Teoria do Comportamento Planejado / Jéssica Bazilio Chaves. –2016.
77 f.
Orientadora: Sheyla Christine Santos Fernandes.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Alagoas. Instituto de
Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Maceió, 2016.
Bibliografia: f. 59-66.
Anexos: f. 67-77.
1. Homens - Comportamento. 2. Saúde do homem. 3. Atenção primária à saúde. 4.
Teoria do comportamento planejado. 5. Atitude (Psicologia). I. Título.
CDU: 159.9.019.4
Aos meus pais que me ensinaram a lutar por meus objetivos e
nunca deixaram de apoiar as minhas escolhas.
AGRADECIMENTOS
À Prof. Dr. Sheyla Christine Santos Fernandes, minha orientadora, pela acolhida desde
a entrada no programa, por acreditar no meu trabalho e no meu desempenho, pelos
ensinamentos, pelo incentivo e pela disponibilidade para me auxiliar na elaboração de todas
as etapas do trabalho.
À Prof. Dr. Mara Cristina Ribeiro pelo incentivo constante para que eu pudesse trilhar
o caminho da pesquisa.
Aos meus colegas de mestrado Alysson Cavalcante, Cristiane Muritiba e Éricka
Feitosa pela parceria, troca de conhecimentos, pelo apoio e ajuda ofertada em todo o percurso.
Às enfermeiras Régina Cristina, Josiane Basílio e Marilucia Basilio pela acolhida e
receptividade nas Unidades Básicas de Saúde, facilitando com que essa pesquisa fosse
realizada.
Aos demais profissionais das Unidades Básicas de Saúde, em especial aos Agentes
Comunitários de Saúde que compartilharam comigo suas jornadas de trabalho, e me
aproximaram dos participantes da pesquisa e da comunidade.
A todos os professores do Mestrado que contribuíram para ampliar o meu
conhecimento.
Aos meus pais por investirem em minha formação, por me apoiarem desde o processo
seletivo até esse momento, não medindo esforços para que hoje eu pudesse realizar esse
sonho.
Às minhas amigas Mayara Vieira e Rebeca Gomes por TUDO! Pelo carinho, pela
dedicação, pelo apoio nas horas mais difíceis, por acreditarem em mim e por dividirem esse
sonho comigo.
À minha amiga Ybéria, que desde o começo esteve junto, contribuindo com o projeto,
dividindo as angústias, fazendo as recomendações necessárias para que hoje eu conseguisse
finalizar com êxito.
Ao meu marido Thiago, a quem eu devo por ter conseguido chegar até o final. Fez o
possível e o impossível para que esta pesquisa acontecesse, chorou quando eu chorei, sorriu
quando eu sorri, obrigada por sempre estar aqui.
À Deus por ter me dado forças para persistir mesmo nos momentos mais difíceis, sem
tua fé eu não estaria aqui.
“Da maciez de uma esponja molhada até à dureza de uma pedrapomes, existem infinitas nuances. Eis o homem”.
(Honoré de Balzac - Escritor francês)
RESUMO
Um dos problemas ainda enfrentados pela saúde pública brasileira é o elevado índice de
morbimortalidade masculina, em decorrência de uma cultura que reforça os homens a
cuidarem da saúde apenas quando o agravo já está instalado. Dessa forma, os homens só
adentram ao sistema de saúde a partir da atenção especializada, ficando restritos à
recuperação da saúde e não aderindo às medidas primárias de promoção da saúde e prevenção
de agravos. Tendo isso em vista, este estudo teve como objetivo avaliar a Intenção
Comportamental de sujeitos do sexo masculino, entre 25 e 59 anos, em um distrito sanitário
de Maceió-AL, de procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS), a fim de contribuir para a
criação de estratégias que promovam uma maior adesão masculina a esses espaços de
cuidados em saúde, diminuindo as estatísticas epidemiológicas alarmantes. Para tanto, foi
utilizada a Teoria do Comportamento Planejado de Ajzen (1985), que busca predizer a
realização de um determinado comportamento a partir Intenção Comportamental, sendo esta
formada pela Atitude, Norma Subjetiva e Percepção de Controle. Foram então realizados dois
estudos: no primeiro, buscou-se obter as crenças salientes de uma parcela da amostra dos
homens maceioenses para que pudesse ser construído um instrumento de pesquisa; no
segundo estudo, realizou-se a aplicação desse instrumento de pesquisa em uma amostra maior
dessa população. Foram utilizadas análises multivariadas e os resultados foram submetidos à
correlação através do r de Pearson. Os resultados demonstraram que a Intenção
Comportamental dos homens maceioenses de procurar a UBS pode ser mensurada apenas
através do construto Percepção de Controle, que representa os atributos que facilitam e /ou
dificultam a busca masculina a UBS. Dessa maneira, a Norma Subjetiva e a Atitude em
relação ao Comportamento, ou seja, as influências sociais e as consequências da escolha,
respectivamente, não teriam impacto significativo como preditoras do comportamento
estudado.
Palavras-chave: Atitude; Comportamento; Saúde do Homem; Atenção Primária à Saúde;
Teoria do Comportamento Planejado.
ABSTRACT
One of the problems still faced by Brazilian public health is the high male mortality rate as a
result of a culture that reinforces men to take care of health only when the grievance is already
installed. In this sense, men only step into the health system by specialized care, being
restricted to health recovery and not adhering to the primary measures of health promotion
and disease prevention. With this in mind, this study aimed to evaluate the Behavioral
Intention of male subjects between 25 and 59 years, in a district of Maceió-AL, to seek the
Basic Health Unit (UBS), in order to contribute to the creation of strategies that promote
greater male adherence to these health care spaces, reducing the alarming epidemiological
statistics. Therefore, we used the Theory of Planned Behavior of Ajzen (1985), which aims to
predict the performance of a certain behavior from Behavioral Intention, which is formed by
Attitude, Subjective Norm and Control of Perception. Two studies were then carried out: the
first, we tried to get the salient beliefs of a portion of the sample of maceioense men so that
we could make a research tool; in the second study, the application of the research tool was
held in a larger sample of that population. Multivariate analysis were used and the results
were submitted to correlation using Pearons’ r. The results showed that the Behavioral
Intention of maceioense men to seek UBS can be measured only through the Perception of
Control construct that represents the attributes that facilitate and/ or hinder the male search for
UBS. Thus, the Subjective Norm and the Attitude related to the Behavior, that means, the
social influences and the consequences of the choice, respectively, would have no significant
impact as predictors of the behavior studied.
Keywords: Attitude; Behavior; Men’s Health; Primary Health Attention; Theory of Planned
Behavior.
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1 Modelo de formação das Intenções Comportamentais (AJZEN, 1991)............30
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 Comportamento de “Procurar o posto de saúde” ..............................................37
TABELA 2 Crenças Comportamentais Salientes ................................................................38
TABELA 3 Crenças Normativas Salientes ..........................................................................39
TABELA 4 Crenças de Controle Salientes ..........................................................................41
TABELA 5 Caracterização dos participantes .....................................................................46
TABELA 6 Dados epidemiológicos dos participantes ........................................................47
TABELA 7 Estado de saúde dos participantes ....................................................................47
TABELA 8 Serviços de saúde frequentados pelos participantes .........................................47
TABELA 9 Análise fatorial do construto Atitude ...............................................................50
TABELA 10 Análise fatorial do construto Norma Subjetiva ..............................................50
TABELA 11 Análise fatorial do construto Percepção de Controle .....................................51
TABELA 12 Análise fatorial do construto Intenção ............................................................51
TABELA 13 Análise de confiabilidade dos construtos .......................................................52
TABELA 14 Média e desvio padrão das respostas ..............................................................52
TABELA 15 Correlações entre os construtos Atitude, Norma Subjetiva e Percepção de
Controle e a Intenção Comportamental ...................................................................................53
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 Quatro fatores do estudo .................................................................................45
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS
AC
Avaliação das consequências
AFE
Análise Fatorial Exploratória
APS
Atenção Primária à Saúde
CC
Crenças Comportamentais
CCR
Crenças de Controle
CN
Crenças Normativas
CNS
Conselho Nacional de Saúde
DP
Desvio padrão
ESF
Estratégia de Saúde da Família
HCS
Habilidade para Controlar a Situação
KMO
Kaiser- Meyer-Olkin
MCR
Motivação para concordar com o referente
NASF
Núcleo de Apoio à Saúde da Família
SUS
Sistema Único de Saúde
PNAISH
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem
TCP
Teoria do Comportamento Planejado
TAR
Teoria da Ação Racional
TCLE
Termo de consentimento livre e esclarecido
SPSS
Statistical Package for Social Sciences
UBS
Unidade Básica de Saúde
UCE
Unidade de Contexto Elementar
UFAL
Universidade Federal de Alagoas
VD
Variável dependente
VI
Variável independente
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ...................................................................................................................... 14
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 16
1.1 Gênero, Saúde e Masculinidades ...................................................................................... 18
1.2 Homens e Cuidados com a Saúde ..................................................................................... 21
1.3 Presença Masculina na Atenção Primária à Saúde ........................................................ 23
1.4 Uma Política Nacional de Saúde para os Homens .......................................................... 25
1.5 Teoria do Comportamento Planejado (TCP) .................................................................. 27
1.4.1 Atitude .......................................................................................................................... 31
1.4.2 Norma Subjetiva .......................................................................................................... 32
1.4.3 Percepção de Controle ................................................................................................ 32
2 OBJETIVOS ............................................................................................................................. 34
2.1 Objetivo Geral .................................................................................................................... 34
2.2 Objetivos Específicos ......................................................................................................... 34
3 PLANO GERAL DE INVESTIGAÇÃO ................................................................................ 35
3.1 Estudo I ............................................................................................................................... 35
3.1.1 Participantes da pesquisa ........................................................................................... 35
3.1.2 Instrumentos ................................................................................................................ 35
3.1.3 Estudo piloto ................................................................................................................ 36
3.1.4 Procedimentos.............................................................................................................. 36
3.1.5 Análise de dados .......................................................................................................... 36
3.1.6 Aspectos éticos ............................................................................................................. 37
3.1.7 Resultados do estudo I ................................................................................................ 37
3.1.8 Discussão acerca do estudo I ...................................................................................... 42
3.2 Estudo II ............................................................................................................................. 44
3.2.1 Construção do instrumento ........................................................................................ 44
3.2.2 Participantes da pesquisa ........................................................................................... 46
3.2.3 Instrumentos ................................................................................................................ 48
3.2.4 Procedimentos.............................................................................................................. 48
3.2.5 Análise dos dados ........................................................................................................ 48
3.2.6 Aspectos éticos ............................................................................................................. 49
3.2.7 Resultados do estudo II ............................................................................................... 49
3.2.7.1 Análise Fatorial Exploratória (AFE) e análise de confiabilidade ........................ 49
3.2.7.2 Análise de adesão dos participantes aos construtos .............................................. 52
3.2.7.3 Análise de correlação r de Pearson ......................................................................... 53
3.8 Discussão acerca do Estudo II .......................................................................................... 54
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 57
3.1 Considerações Teóricas ..................................................................................................... 57
3.2 Recomendações Gerais ...................................................................................................... 57
3.3 Limitações ........................................................................................................................... 58
3.4 Sugestões para Novas Pesquisas ....................................................................................... 58
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 59
ANEXOS ...................................................................................................................................... 67
14
APRESENTAÇÃO
O interesse em estudar a intenção masculina de procurar os serviços de Atenção
Primária à Saúde (APS) emergiu da vivência profissional como terapeuta ocupacional de um
Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) de Maceió, Alagoas, em que se observava uma
tímida presença masculina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), bem como uma escassez de
ações e serviços para este público (FIGUEIREDO, 2005). Aliado a isso, despertou também o
fato das estatísticas epidemiológicas alarmantemente apresentarem altos índices de morbidade
e mortalidade masculina ao longo de todas as faixas etárias (IBGE, 2015).
Para o Ministério da Saúde (2009) isso se deve ao fato de que os homens, quando
adentram ao sistema de saúde, recorrem aos cuidados da atenção especializada, ficando
restritos apenas a recuperação da saúde. Dessa forma, não buscam a atenção primária e
consequentemente não adotam as medidas primárias de promoção da saúde e prevenção de
agravos, o que repercute em sobrecarga não só na saúde pública, como também na vida dos
indivíduos e famílias (BRASIL, 2009).
Para isso, muitos pesquisadores acreditam que seja necessário, ao se pensar e falar em
Saúde do Homem, considerar as heterogeneidades da possibilidade de ser homem. Ou seja,
deve-se atentar para as “masculinidades” como uma significação histórica, social e cultural
que está sempre em construção e transformação, e que é de fundamental importância para a
atenção em saúde dessa população (SCHRAIBER et al., 2010; BRASIL, 2009;
FIGUEIREDO, 2005; SABO, 2002).
Portanto, torna-se relevante compreender as crenças que giram em torno da população
masculina para, então, entender a atual conjuntura da intenção destes de procurar as Unidades
Básicas de Saúde (UBS).
Optamos pela Teoria do Comportamento Planejado (TCP) de Ajzen como aporte
teórico deste estudo, uma vez que ela permite a identificação dessas crenças que influenciam
na intenção ao comportamento de procurar as UBS, e também pela evidência empírica
considerável que esta representa na explicação e predição de vários comportamentos
preventivos e individuais de saúde (MOUTINHO; ROAZZI,2010).
Para tanto, alguns questionamentos nortearam esta investigação:
1- Qual a intenção dos homens de Maceió, Alagoas, em procurar a UBS?
2- Quais as crenças dos homens de Maceió, Alagoas, com relação ao comportamento
de procurar a UBS?
3- Quais as pessoas ou grupos que incentivam os homens a procurar a UBS?
15
Dessa forma, inicialmente será exibida a introdução onde discutiremos sobre o objeto
de estudo desta dissertação e serão apontados os pressupostos teóricos centrais que envolvem
gênero, masculinidade, cuidados à saúde, políticas de saúde e a TCP. Em seguida serão
apresentados os objetivos deste estudo.
No terceiro capítulo apresentaremos os estudos que configuram a parte empírica desta
dissertação. Primeiramente será abordado o plano geral da investigação e, mais à frente, os
dois estudos realizados, sendo um dentro de uma perspectiva mais qualitativa, posto que está
embasado em uma análise das falas dos homens entrevistados, e outro que se subscreve em
uma perspectiva quantitativa. Ambos com resultados e discussões próprias.
Por fim, serão retratadas nossas considerações finais em que apontaremos algumas
conclusões sobre os dois estudos e, após este fechamento, as contribuições derivadas deste
trabalho, suas possíveis limitações e indicações para novas pesquisas.
Acreditamos assim que através desta pesquisa possamos contribuir para um melhor
entendimento da dinâmica que permeia a intenção dos homens em procurar as UBS. Pretendese, sobretudo colaborar com as discussões sobre a necessidade de implementação de algumas
estratégias que promovam uma maior adesão masculina a estes espaços de cuidado à saúde.
16
1 INTRODUÇÃO
As estatísticas epidemiológicas vêm apresentando uma discrepância na expectativa de
vida de homens e mulheres e esse dado tem fortalecido o estudo sobre a saúde masculina no
Brasil (IBGE, 2015; MENDONÇA; ANDRADE, 2010).
Os altos índices de morbimortalidade masculina (IBGE, 2015), impulsionam a
literatura a adotar a perspectiva relacional de gênero como explicação dos processos de saúde
e doença que normalmente permeiam o grupo masculino (STORINO; SOUZA; SILVA, 2013;
ALVES et al., 2011).
Atribui-se à cultura masculina, com suas formas de vida e de socialização, como a
principal causadora dos problemas relacionados à saúde dessa população (GOMES et al.,
2015). Acredita-se na persistência de um modelo de masculinidade hegemônica que trata a
relação entre os gêneros como desigual e de poder, estimulando os homens a cuidarem menos
de si e a se exporem mais aos riscos, visto que lhe são atribuídas características como “forte”,
“viril” e “invulnerável” (GOMES et al., 2011b; SCHRAIBER et al., 2010; SABO, 2002;
COURTENAY, 2000).
Sabo (2002) pontua que os riscos aos quais os homens se expõem estão normalmente
associados à violência, consumo excessivo de álcool e outras drogas, envolvimento com
esportes e trabalhos que exigem mais do corpo ou que são considerados mais arriscados, além
das questões que envolvem a virilidade e sexualidade.
Quanto aos cuidados com a saúde, evidências empíricas atestam que homens
reconhecem e expressam menos as suas necessidades, acreditam precisar menos de
assistência, e buscam menos os serviços de saúde quando comparados às mulheres. A
justificativa encontrada na perspectiva do gênero demonstra que as crenças e valores
existentes no universo masculino remetem ao cuidado, um papel tipicamente feminino; as
necessidades de saúde, uma representação de fraqueza e fragilidade (atributos femininos); e
aos serviços de saúde, um local específico para mulheres, devido a sua acessibilidade,
estrutura e funcionamento (ALVES et al., 2011; GOMES et al., 2011a).
Desse modo, tem sido encontrada uma maior prevalência dos homens em serviços
emergenciais como os prontos-socorros e farmácias, visto considerarem que nestes espaços as
demandas são respondidas mais objetivamente, os problemas mais fáceis de serem expostos,
e, na maioria das vezes, não é necessário enfrentar filas ou marcar consultas (GOMES et al.,
2011b; PINHEIRO et al., 2002).
17
De acordo com o Ministério da Saúde (2009), a não procura pelos serviços de Atenção
Primária à Saúde (APS) faz com que os homens fiquem privados da proteção necessária à
preservação de sua saúde e continue a fazer uso de procedimentos desnecessários se a busca
pela atenção tivesse ocorrido em momento anterior, além do que, muitos agravos poderiam
ser evitados caso os homens realizassem com regularidade as medidas de prevenção primária.
Isso sem contar nos custos ao sistema de saúde pública.
Outras barreiras associadas a essa invisibilidade masculina estão ligadas ao próprio
serviço, no caso, as UBS, devido aos seus horários de funcionamento considerados pela
maioria como não condizentes com a carga horária de trabalho. Aliado a isso, visualizam
estes locais e os seus programas como sendo destinados às crianças, mulheres e idosos. E
receiam o fato de as equipes serem majoritariamente compostas por mulheres (ALVES et al.,
2011; GOMES et al., 2011b).
Diante deste cenário, o Ministério da Saúde criou em 2009 a Política Nacional de
Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), com objetivo de promover a melhoria das
condições de saúde da população masculina do Brasil. Além disso, contribuindo para a
redução da morbidade e mortalidade dessa população através do enfrentamento racional dos
fatores de risco e mediante a facilitação ao acesso, às ações e aos serviços de assistência
integral à saúde (MOURA et al., 2014; ALVES et al., 2011; BRASIL, 2009).
Esta política tem como foco principal dar assistência aos homens na faixa etária de 25
aos 59 anos, uma vez que se trata de uma parcela preponderante da força produtiva com
significativo papel sociocultural e político, além de nunca ter sido incluída em nenhuma outra
política de saúde (ALVES et al., 2011; BRASIL, 2009).
Dessa forma, conforme afirma Alves et al. (2011), é necessário conhecer os aspectos
psicossociais que influenciam os homens na hora de procurar os serviços da APS, a fim de
contribuir com a proposição de mudanças institucionais capazes de atrair esse público e
interferir nas construções culturais ligadas aos cuidados com a saúde e as percepções deles em
relação a esses cuidados.
A partir da perspectiva de que os homens não procuram as UBS, e que isso pode estar
atrelado às crenças que permeiam o universo deste público, optou-se por utilizar o olhar da
Teoria do Comportamento Planejado (TCP), de Fishben e Ajzen, devido à evidência empírica
considerável na explicação e predição de vários comportamentos preventivos e individuais de
saúde. De acordo com este modelo, as intenções são assumidas como disposições para
realização do comportamento, sendo estas influenciadas por fatores como as Atitudes, Norma
Subjetiva e Percepção de Controle (AJZEN, 1991).
18
A Atitude é considerada como uma predisposição para responder de alguma forma
preferencial, ou seja, o grau de favorabilidade ou não-favorabilidade ao comportamento
avaliado. A Norma Subjetiva corresponde à percepção do indivíduo quanto à pressão social
exercida sobre ele para que realize ou não o comportamento em questão. E a Percepção de
Controle é definida como sendo as crenças do indivíduo acerca do grau de
facilidade/dificuldade em executar uma determinada ação, isto é, a percepção de poder
executar um comportamento desejado (AJZEN, 1991).
Todas são determinadas pelas crenças que, para seus autores, representam a
informação que o sujeito tem sobre o objeto. Portanto, as intenções sendo fortes e bem
estabelecidas levam a expectativas realistas (AJZEN, 1991).
Este modelo tem sido bastante utilizado em pesquisas nas diversas áreas que se
preocupam com adoção de comportamentos preventivos em saúde, e isso se deve à
possibilidade de conhecimento das intenções de um dado comportamento em uma
determinada população, permitindo aos programas e políticas de saúde a utilização de
estratégias mais eficazes e resolutivas (MOUTINHO; ROAZZI, 2010).
Dessa forma, a partir desse modelo, tornou-se relevante aprofundar o debate acerca da
presença masculina na APS e, nesse sentido, objetivar avaliar a Intenção Comportamental
masculina de procurar a UBS.
Para tanto, este estudo seguiu o modelo teórico indicado por Ajzen (1985), sendo
conduzido com o levantamento de crenças na etapa inicial do processo de investigação
(Estudo I), e a medição dessas crenças no segundo momento (Estudo II).
A seguir, retrataremos mais detalhadamente a literatura que sustenta este estudo.
1.1 Gênero, Saúde e Masculinidades
Discutir sobre saúde do homem implica colocar em pauta uma questão essencial: o
gênero e a saúde.
O termo gênero, amplamente discutido e utilizado inicialmente pelo movimento
feminista, tem sido um importante elemento na produção científica nacional e internacional,
remetendo-se primordialmente às diferenças culturais existentes entre os sexos. Entretanto,
Scott (1991) pontua que o estudo do gênero não foi só importante para as mulheres, mas,
sobretudo uma categoria útil à própria história. Ainda de acordo com esse autor, trata-se de
“[...] um elemento constitutivo das relações sociais baseado nas diferenças percebidas entre os
sexos [...] o gênero é uma forma primária de dar significado às relações de poder" (p. 3).
19
Korin (2001), por sua vez, afirma que o gênero varia espacialmente (de uma cultura a
outra), temporalmente (em uma mesma cultura há diferentes tempos históricos) e
longitudinalmente (ao longo da vida de um indivíduo) e, por isso, em vez de usar uma
definição de gênero monolítica e estereotipada, defende ser mais apropriado falar de
masculinidades e feminilidades.
Na saúde, Galvão (2008, p. 3) aponta que o uso desse conceito rompe com análises
essencialistas e universais, desmistificando ideias e tabus envolvendo as diferenças entre
homens e mulheres.
Essa perspectiva é fundamental para a crítica ao modelo hegemônico que tem como
características a separação entre as dimensões biológicas e culturais, a fragmentação
do indivíduo e das práticas de intervenção e a sobreposição do saber médico a outros
saberes - “conhecimento popular”, “senso comum”.
Historicamente, acredita-se que o início dos estudos envolvendo gênero, homens e
saúde sucederam-se a partir dos anos 70, em que, segundo Sabo (2002), o discurso produzido
foi apenas exploratório, a partir das teorias feministas, partindo-se da premissa de que a
masculinidade tradicional era prejudicial à saúde. Na década de 80, Couternay (2000) aponta
um considerável avanço em que a terminologia “estudo dos homens” é modificada passando a
ser adotada a terminologia “estudos das masculinidades”, inaugurando a entrada da
perspectiva relacional de gênero entre os estudos. Em 90, Gomes (2006) cita que se
consolidaram conceitos como o de poder, desigualdades e iniquidades de gênero, da mesma
forma que se estabeleceu a ideia de construção histórica e social das relações, na literatura
sobre homens e mulheres.
A partir daí, organizações internacionais passaram a atentar para a necessidade de se
preocupar com a saúde da população masculina, principalmente com o advento da epidemia
da AIDS, incluindo-a em programas e ações (ARILHA, 1999; SCHRAIBER; GOMES;
COUTO, 2005). Portanto, como pontuado por Bonito Mendez (1998), ao contrário do
movimento que ocorreu no campo da saúde feminina, através da opressão e diferença de
gêneros, na saúde masculina a direção tomada recaiu sobre a genitalidade e vida sexual.
Dessa forma, grande parte da literatura tem se sustentando a partir dos discursos de
Connel (1995) e Kimmel (1996) que defendem a existência de uma masculinidade
hegemônica que compromete a saúde dos homens, que produz riscos e que geram
adoecimentos.
De acordo com Connel (1995), esse modelo de masculinidade representa uma
dominação cultural na sociedade, em que o homem assume a posição de liderança, autoridade
20
e dominação sobre as mulheres. É concebido como um modelo ideal de masculinidade que
deveria ser assumido por todos os homens.
Korin (2001, p. 69), reforçando esse pensamento, descreve o perfil tradicionalmente
esperado aos homens: “[...] ativos, fortes, capazes do trabalho físico árduo, produtivos,
competitivos e orientados ao mundo externo; capazes de combater em guerras e penetrar o
corpo de uma mulher”.
O autor ainda aponta que os homens que não apresentam esse perfil, ou que não
aderem ao modelo de masculinidade hegemônica são considerados inferiores, afeminados, ou
homossexuais.
Em virtude disso, habitualmente se expõem mais aos riscos, adotando comportamentos
associados à violência, consumo excessivo de álcool e outras drogas, envolvimento com
esportes e trabalhos que exigem mais do corpo ou que são considerados mais arriscados, além
das questões relacionadas à virilidade e sexualidade (SABO, 2002). Igualmente, conforme
destaca Machin et al., (2011), os homens negam estar com dor ou em sofrimento, fortalecendo
a ideia de invulnerabilidade e de força masculina.
Por trás disso, Santos (2010, p.31) reforça esse cenário de masculinidade retratando a
formação do homem quando criança, em que ele explica que dentro do universo domiciliar a
identidade masculina começa a ser delimitada:
Desde criança o garoto é incentivado por seus pais, a jogar bola, a gostar da cor azul
por que tem um “significado masculino”, a não chorar “por que é coisa de mulher”,
e que pode demonstrar fragilidade, dentre outros quesitos estereotipados que
interferem no processo natural e individualizado da construção da masculinidade.
Santos (2010) ainda compara com a formação recebida pelas meninas que desde cedo
são incentivadas a cuidarem da casa, da boneca, do seu corpo, denotando aos meninos a ideia
de cuidado como papel tipicamente feminino, estimulado pelos pais, professores e a mídia.
E isso negativamente repercute para que os homens se sintam inibidos de cuidarem de
sua saúde, de buscarem os serviços de atenção à saúde, resultando num alto índice de
morbimortalidade masculina (COUTO; SCHARAIBER, 2005; COURTNAY, 2000).
A partir destas premissas, muitos estudos têm se preocupado em discutir sobre homens
e cuidados à saúde (SOUZA et al., 2015; POZZATI et al., 2013; GUTIERREZ; MINAYO;
OLIVEIRA, 2012; ALVES et al., 2011) bem como a compreender as políticas de saúde e a
assistência prestada nos serviços de saúde a essa população (MOURA et al., 2014; GOMES et
al., 2011; MEDONÇA; ANDRADE, 2010; JÚNIOR; LIMA, 2009). Mas, como mostra
21
Gomes e Nascimento (2005) em sua pesquisa, a literatura que remete ao gênero e à saúde
masculina ainda tem se debruçado em aspectos como a sexualidade masculina, abordando
assuntos como as DSTs e a AIDS; masculinidade e reprodução, refletindo sobre a
participação e o comprometimento masculino na saúde reprodutiva; e ainda a masculinidade e
o poder, a partir de tópicos sobre violência masculina, invencibilidade e o homem como ser
provedor.
Dessa forma, a partir de tímidos movimentos da literatura, da mídia e também dos
homens buscando os serviços para cuidar da sua saúde que seguiremos agora a discussão
sobre o cuidado em saúde numa ótica masculina.
1.2 Homens e Cuidados com a Saúde
Habitualmente escuta-se que os homens não cuidam muito de sua saúde, ou quase não
buscam os serviços de saúde (GOMES, 2010), e que as mulheres se cuidam e procuram mais
os serviços de saúde por rotina e prevenção (PINHEIRO, 2002).
Isso não só acontece como é representado em indicadores tradicionais de saúde que
mostram que a mortalidade masculina é maior que a feminina, em quase todas as faixas
etárias e para quase todas as causas (LAURENTE; JORGE; GOTLIEB, 2005).
Historicamente, defendia-se essas heterogeneidades em uma perspectiva biológica,
(LAURENTE; JORGE; GOTLIEB, 2005), mas, atualmente, muitas pesquisas têm buscado
ancorar-se no comportamento e fatores culturais masculinos as causas para os problemas de
saúde do homem.
Bird e Rieker (1999) reconhecem esse impasse e destacam que a partir da concepção
de gênero que as doenças passam a ser definidas como uma combinação de causas biológicas
e socioculturais que podem levar a ampliação ou supressão da morbidade em questão. A
exemplo disso, George (1997) comprova que as diferenças hormonais entre homens e
mulheres estão relacionadas a comportamentos agressivos em homens e depressão nas
mulheres, e isso pode ser potencializado pela socialização de gênero.
Nessa perspectiva, as formas de vida e de socialização masculina têm sido apontadas
como justificativas para os homens cuidarem menos de saúde, e de se exporem mais aos
riscos visto que lhes são comumente conferidos atributos como virilidade, força e
invulnerabilidade. (GOMES; NASCIMENTO, 2006; COURTENAY, 2000; SABO, 2002;
SCHRAIBER et al., 2010).
22
Pinheiro, Couto e Silva (2012) citam que o ser forte conferido aos homens não é
apenas descrito em termos de força física, mas também em termos emocionais e de estrutura
psíquica como justificativa para os homens não reconhecerem o adoecimento e não buscarem
cuidado.
Esse fato pode promover aos homens estilos de vida autodestrutivos e violentos. De
acordo com o Instituto Papai (2007), os homens ao longo dos anos ocupam o primeiro lugar
em várias estatísticas: são a maioria entre as vítimas de acidentes de trânsito, homicídio, uso
indevido de drogas e os que mais tentam suicídio. Além de serem os grandes protagonistas de
atos violentos contra mulheres e crianças.
No estudo de Siqueira et al. (2014), questões que envolvem a masculinidade, o ser
homem na sociedade, gênero, a educação e os preconceitos foram encontrados como
representações dos profissionais de saúde em relação aos homens e aos cuidados à saúde. Os
profissionais, de forma geral, consideraram que os seres do sexo masculino apresentam
desinteresse, vergonha, machismo e medo, bem como são descuidados e não realizam
comportamentos preventivos em saúde.
Além disso, o cuidado é concebido como um papel tipicamente feminino, conforme
encontrado no estudo de Gomes et al. (2005). Os homens entrevistados alegam não se
cuidarem porque associam os cuidados a algo inerente às mulheres, da mesma forma que
argumentam não serem criados para cuidar, defendendo este hábito como materno.
Machin et al. (2011) também aponta esse fator em sua pesquisa, apresentando as falas
dos profissionais de saúde que agregaram a dificuldade dos homens de buscar cuidados em
saúde à noção do cuidado como característica da mulher. Esse autor justifica que a reprodução
e o cuidado com os filhos sempre foram responsabilidades femininas, acabando por
naturalizar essa relação.
Corroborando com essa ideia, Alves et al. (2011) e Gomes (2010) apontam que as
crenças e valores existentes no universo masculino remetem não só ao cuidado como
comportamento feminino, mas também às necessidades de saúde, visto que representam
fraqueza e fragilidade, e no imaginário social isso pode desqualificá-los como homens, porque
em geral o sexo feminino é que é tido como frágil.
Entretanto, já existem várias mudanças em curso. Os homens cada vez mais têm se
envolvido em questões relacionadas ao cuidado, seja com amigos, família e casa
(INSTITUTO PAPAI, 2014) como nos hábitos que envolvem o cuidado em saúde,
preocupados com uma melhor qualidade de vida (BRASIL, 2009).
23
Inclusive, muitos homens têm questionado e discordado da equivalência de
masculinidade à força, especialmente quando força está associada à violência e agressividade,
alegando ser uma postura do passado, ou sustentada por uma minoria com a qual não se
identificam (PINHEIRO; COUTO; SILVA, 2012).
A exemplo disso, a pesquisa de Alves et al. (2011) demonstra que existe uma
ambiguidade entre os homens quanto à adoção de atitudes alusivas ao cuidado à saúde.
Metade dos homens entrevistados mencionaram a adoção de atitudes positivas para o cuidado
à saúde, como: a procura pelo médico por prevenção; a alimentação balanceada; a realização
de atividades físicas; a mudança de hábitos de fumar e beber praticados durante décadas. Em
contrapartida, outra parte dos entrevistados relataram atitudes negativas, a saber: a procura
pelo médico apenas em caso de doença, ao sinal de algum problema; a falta de atividade física
em virtude de o próprio trabalho ser apontado como um exaustivo exercício físico diário ou
em virtude da falta de condições físicas para tal; os hábitos de beber e fumar praticados
durante uma vida inteira, muitas vezes iniciados na infância ou na adolescência.
Ademais, a questão do cuidado à saúde entre os homens remete também à baixa
procura aos serviços de saúde, e ao medo de descobrirem alguma doença. Sendo assim,
buscaremos compreender essa problemática a partir da reflexão teórica acerca da presença
masculina na APS.
1.3 Presença Masculina na Atenção Primária à Saúde
Pensada numa lógica de reorientação do modelo assistencial e consequente
organização da atenção à saúde, a APS ficou conhecida internacionalmente pelo seu caráter
universal, regionalizado, contínuo e sistematizado, que procura atender às necessidades de
saúde da população integrando ações preventivas e curativas no âmbito individual e coletivo.
No Brasil, baseada nos preceitos do Sistema Único de Saúde (SUS), tem como
principal estratégia a Estratégia de Saúde da Família (ESF), buscando ser a porta de entrada
para os serviços de saúde, o contato preferencial dos usuários no sistema, além de resolver os
problemas de saúde de maior frequência e relevância em seu território (BRASIL, 2006; GIL,
2006).
Por muito tempo, a APS foi sendo operacionalizada através de algumas áreas
estratégicas para atuação em todo o território nacional, como a eliminação da hanseníase, o
controle da tuberculose, da hipertensão arterial e do diabetes mellitus, a eliminação da
24
desnutrição infantil, a saúde da criança, da mulher e do idoso, a saúde bucal e a promoção da
saúde, reconhecendo só posteriormente a saúde do homem como prioridade (BRASIL, 2006).
Dessa forma, as UBS, enquanto serviços destinados a prover essas ações da APS para
a população, veio adquirindo uma imagem disseminada de que suas ações são destinadas
quase que exclusivamente a mulheres, crianças e idosos (FIGUEIREDO, 2005).
Na tentativa de compreender essa realidade, muitos estudos têm buscado a explicação
para a invisibilidade masculina nas políticas e serviços primários de saúde. De um lado tem-se
a justificativa de que a identidade e as formas de socialização masculina distanciam os
homens de preocupações relativas ao autocuidado e à busca por serviços de saúde (GOMES,
2007; FIGUEIREDO, 2005; COSTA, 2003).
Gomes et al. (2011b) confirmam essa premissa apontando os resultados de seus
estudos com profissionais da saúde que associam a ausência masculina nas UBS a uma
questão de gênero e cultura, em que os homens não estão habituados a cuidar, muito menos a
aderir comportamentos saudáveis.
Por outro lado, existe o argumento de que as UBS são locais feminilizados,
frequentados principalmente por mulheres, compostos por equipes que em sua maioria são
constituídas por mulheres e ações disponibilizadas que não são direcionadas aos homens
(FIGUEIREDO, 2005).
A reflexo disso, Júnior e Lima (2009) apresentaram em sua pesquisa que os homens
consideram as UBS ambientes voltados aos problemas de saúde de mulheres e crianças e por
acreditarem que os homens adoecem menos que as mulheres. Machin et al. (2011), por sua
vez, retratam a visão de profissionais de saúde que concordam que as UBS carecem de
profissionais, programas e campanhas voltados para o público masculino, provocando nos
homens a sensação de não pertencimento deste espaço.
Corroborando com esses fatos, algumas pesquisas atribuem o conceito de barreiras
socioculturais e institucionais (GOMES, 2003; KEIJZER, 2003; SCHRAIBER et al., 2010).
Como barreiras socioculturais defende-se que grande parte da não adesão masculina à atenção
integral advém de estereótipos de gênero, que a nossa cultura patriarcal submete os homens a
crenças e valores que não facilitam o reconhecimento de suas necessidades, que rejeita a
possibilidade de adoecer e que inviabiliza a busca por cuidados em saúde (KEIJZER, 2003;
SCHRAIBER et al., 2010; SABO, 2002; BOZON, 2004).
Já entre as barreiras institucionais, alega-se o horário de funcionamento das UBS
como incompatíveis às jornadas de trabalho masculinas, e o sistema de marcação de consultas
com as famosas filas intermináveis que os sujeitam a perder um dia de trabalho (GOMES et
25
al., 2007; KALCKMANN; BATISTA; SOUZA, 2005; SCHRAIBER; GOMES; COUTO,
2005).
Em consequência a isso, tem sido encontrada uma maior prevalência dos homens em
serviços emergenciais como os prontos-socorros e farmácias, visto considerarem que nestes
espaços as demandas são respondidas mais objetivamente, os problemas mais fáceis de serem
expostos, e na maioria das vezes não é necessário enfrentar filas ou marcar consultas
(GOMES, 2011; PINHEIRO, 2002).
No estudo de Albano, Basílio e Neves (2010), constatou-se que os homens só
procuram os serviços primários de saúde na condição de estarem com alguma doença, na
necessidade de buscarem medicamentos e como acompanhante dos filhos ou esposas,
ignorando as consultas de caráter preventivo. Mais especificamente, no estudo de Júnior e
Lima (2009), os homens responderam que os motivos que levariam a procurar a UBS seriam:
ter sofrido algum acidente, estar com dor em alguma parte do corpo e/ou a sensação de malestar.
Portanto, Alves et al. (2011) afirmam que é importante identificar os elementos
psicossociais que contribuem para maior vulnerabilidade dessa população, auxiliando na
construção de uma cultura de prevenção. Da mesma forma que o Ministério da Saúde (2009)
acredita que compreendendo as barreiras socioculturais e institucionais é possível propor
estratégias que promovam o acesso dos homens aos serviços de atenção primária, que deve
ser a porta de entrada ao sistema de saúde a fim de resguardar a prevenção e a promoção
como eixos necessários e fundamentais de intervenção.
Nessa perspectiva, em 2009, cria-se a PNAISH, que será o nosso próximo eixo de
discussão.
1.4 Uma Política Nacional de Saúde para os Homens
A proposição de uma política nacional de saúde para os homens surge em 2007, da
preocupação de profissionais de saúde, gestores e entidades representativas com os
significativos indicadores de morbidade e mortalidade masculina que sinalizavam uma
urgência na saúde pública brasileira (BRASIL, 2008).
De modo geral, observou-se que dentre as causas de internação hospitalar masculina
estavam as causas externas – quedas, acidentes de transporte, intoxicações, lesões
autoprovocadas (16,7%), enfermidades do aparelho digestório (14,8%), do aparelho
circulatório (13,2%), do aparelho respiratório (8,8%), e tumores (5,9%). E dentre as causas
26
de mortalidade, identificou-se que a maior porcentagem de óbitos deve-se às causas externas
– agressões, acidentes de transporte, suicídio –, seguido das doenças do aparelho circulatório,
tumores, doenças do aparelho digestivo e doenças do aparelho respiratório (BRASIL, 2009).
Além disso, as estatísticas apontavam que os homens são mais dependentes de álcool
do que as mulheres, usam cigarros com mais frequência e predominam nos casos de
deficiência mental, auditiva e física (BRASIL, 2009).
Dessa forma, visando propor uma atenção integral à saúde masculina que favoreça
mudanças nos comportamentos masculinos relativos à saúde, em consonância com outras
políticas públicas de saúde e com os princípios e diretrizes do SUS, foi criado no dia 27 de
agosto de 2009, através da Portaria de nº 1.944, a PNAISH (MENDONÇA; ANDRADE,
2010).
A partir dela, o Ministério da Saúde buscou promover a melhoria das condições de
saúde da população masculina brasileira, contribuindo para a redução da morbidade e da
mortalidade dessa população por meio do enfrentamento racional dos fatores de risco e
mediante a facilitação ao acesso, às ações e aos serviços de assistência integral à saúde
(BRASIL, 2009).
Considerando que meninos e idosos são levados aos serviços de saúde, a política
adotou o recorte etário de homens na faixa de 25 a 59 anos como estratégia metodológica
necessária para a consideração da problemática a ser enfrentada na atenção especializada. Este
grupo etário corresponde a 41,3 % da população masculina ou a 20% do total da população do
Brasil. Ele corresponde à parcela preponderante da força produtiva e, além do mais, exerce
um significativo papel sociocultural e político (BRASIL, 2009).
Para a operacionalização da PNAISH, foram pensados princípios e diretrizes que
devem ser seguidos pelos serviços públicos de saúde, nas três esferas do governo, dentre eles
destacam-se: universalidade e equidade nas ações e serviços de saúde, humanização e
qualificação da atenção à saúde do homem, corresponsabilidade quanto à saúde e à qualidade
de vida da população masculina, integralidade, organização dos serviços públicos de saúde de
modo a acolher e fazer com que o homem sinta-se integrado, priorização da atenção básica
com foco na estratégia de Saúde da Família e reorganização das ações de saúde por meio de
uma proposta inclusiva (BRASIL, 2009).
Quanto aos objetivos, ressaltam-se a promoção de mudanças de paradigmas na
percepção masculina quanto ao cuidado à saúde, a captação de homens em atividades
preventivas, implantar e qualificar a atenção integral à saúde do homem, fortalecer a
assistência básica no cuidado com o homem, capacitar os profissionais de saúde para o correto
27
atendimento, qualificar a atenção ao planejamento reprodutivo masculino, promover a
prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, garantir o acesso aos serviços
especializados de atenção secundária e terciária, ampliar o acesso à informação, incluir o
enfoque de gênero, orientação sexual, identidade de gênero e condição étnico-racial nas ações
socioeducativas, estimular na população masculina o cuidado com sua própria saúde visando
à realização de exames preventivos regulares e à adoção de hábitos saudáveis, e aperfeiçoar os
sistemas de informação de maneira a possibilitar um melhor monitoramento que permita
tomadas de decisão (BRASIL, 2009).
A PNAISH, além de evidenciar os principais fatores de morbimortalidade na saúde do
homem, explicita o reconhecimento de determinantes sociais que resultam na vulnerabilidade
da população masculina aos agravos da saúde, considerando que representações sociais sobre
a masculinidade comprometem o acesso à APS, bem como repercutem de modo crítico na
vulnerabilidade dessa população a situações de violência e de risco para a saúde (BRASIL,
2009).
O grande desafio dessa política é a mobilização da população masculina brasileira para
a luta pela garantia de seu direito social, bem como a politização e sensibilização para o
reconhecimento e a enunciação de suas condições sociais e de saúde, para que advenham
sujeitos protagonistas de suas demandas, consolidando seu exercício e gozo dos direitos de
cidadania (BRASIL, 2009).
Nesta perspectiva, para que se possam ser criadas estratégias de sensibilização
masculina, faz-se necessário compreender os aspectos comportamentais que permeiam os
homens e os cuidados à saúde, principalmente no âmago da APS e os seus cuidados
preventivos. Para tanto, optamos pela TCP como teoria que subsidiará nossas discussões,
apresentada a seguir.
1.5 Teoria do Comportamento Planejado (TCP)
Na Psicologia Social é comum o estudo do comportamento referente à mudança para
promoção de hábitos saudáveis e aderência terapêutica. Teorias como a do Modelo de
Crenças em Saúde (ROSENSTOCK, 1966), a Teoria da Ação Racional (FISHBEIN; AJZEN,
1975), a Teoria Cognitiva Social (BANDURA, 1986) e a Teoria da Comportamento
Planejado (AJZEN, 1985), indicam que as crenças em saúde influenciam a decisão das
pessoas de assumirem comportamentos preventivos (CAVALCANTI et al., 2005).
28
A Teoria do Comportamento Planejado (TCP) é um modelo bastante utilizado em
pesquisas não só na área da Psicologia, como também em diversas outras áreas que se
preocupam com adoção de comportamentos preventivos em saúde em razão da possibilidade
de conhecimento das intenções de um dado comportamento em uma determinada população,
permitindo aos programas e políticas de saúde a utilização de estratégias mais eficazes e
resolutivas (MOUTINHO; ROAZZI, 2010).
Estudos como o de adoção de alimentação saudável (CONNER; NORMAN; BELL,
2002), adoção do exercício físico em pacientes com câncer (COURNEYA; FRIEDENREICH,
1999), prática de atividades físicas e de lazer (MACIEL; VEIGA, 2012; ARMITAGE, 2005;
COURNEYA, 1995), prevenção ao consumo de álcool (CONNER et al.,1999), o uso de
preservativo entre adolescentes (MATOS; VEIGA; REIS, 2009; BRYAN; FISHER; FISHER,
2002), prevenção ao câncer de mama (D’AMORIM; FREITAS; SÁ, 2012) e de prevenção ao
fumo (HARAKEH et al., 2004), vêm sendo largamente realizados na literatura nacional e
internacional pela utilização da TAP.
Esta teoria foi desenvolvida como extensão de outra teoria bastante conhecida, a
Teoria da Ação Racional (TAR). Criada em 1967 por Martin Fishbein, e revisada e
aprofundada por Fishbein e Ajzen na década de 70, a TAR considera que as pessoas como
seres racionais normalmente agem de acordo com as suas intenções, utilizando as informações
disponíveis e avaliando as implicações de seus comportamentos a fim de decidirem por sua
realização.
O seu objetivo é compreender e predizer um determinado comportamento
(FISHBEIN; AJZEN, 1975). Sendo assim, de acordo com a TAR, a intenção de realizar um
comportamento é resultante de uma avaliação pessoal positiva das possíveis consequências
desse comportamento e da percepção de que ele será socialmente aprovado. A intenção, nessa
teoria, é denominada Intenção Comportamental, e está sob influência de dois determinantes
básicos, um pessoal e outro social. O pessoal diz respeito à Atitude em relação ao
comportamento e o social é a percepção pela pessoa das pressões sofridas na realização ou
não de comportamentos, sendo esse fator denominado Norma Subjetiva. (AJZEN;
FISHBEIN, 1980; D’AMORIM, 2000; FISHBEIN; AJZEN, 1975).
As crenças formam a base da TAR e são entendidas como subjacentes às Atitudes e às
Normas Subjetivas, o que, em última instância, as colocam como determinantes de Intenções
e Comportamentos (MOUTINHO; ROAZZI, 2010). Para Fishbein e Ajzen (1975), as crenças
referem-se às percepções dos sujeitos em relação a algum aspecto existente no seu mundo; é a
compreensão que ele elabora a respeito de si e do meio que o cerca; representam a informação
29
por ele acumulada ao longo de sua experiência de vida em relação ao comportamento
específico, seja essa informação correta ou incorreta, pertinente ou irrelevante. Resumindo,
representam a informação que o sujeito tem sobre um determinado objeto. Uma crença
relaciona ao objeto algum atributo, sendo considerado objeto: pessoas, grupos, instituições,
comportamentos; e atributos: uma qualidade, consequência, característica ou evento. Por
exemplo, no estudo de Mendonça e Dias (1999) as mulheres entrevistadas atribuíram ao
comportamento (objeto) “realizar o auto-exame da mama” o atributo “encontrar nódulos e
caroços”.
Em contrapartida, esse modelo apresentou limitações uma vez que não considerava os
comportamentos que não estavam sob o controle volitivo ou motivacional das pessoas,
podendo então o comportamento ser influenciado também por fatores como os hábitos.
Existem diversos exemplos de comportamentos que somente em parte estão sob controle
voluntário do indivíduo. Por exemplo, quando ouvimos as pessoas contarem que na primeira
tentativa não conseguiram parar de fumar. Este fato deve-se à dificuldade de se conseguir
controlar o próprio comportamento e esta pode ser então a razão pela qual as experiências
passadas são capazes de melhorar as previsões futuras. Dessa forma, Ajzen buscou a sua
ampliação e expansão através da TCP (MOUTINHO; ROAZZI, 2010; AJZEN, 1991).
Nesse novo modelo, para além do que defendia a TAR, tem sido acrescentado outro
elemento de previsão, a Percepção de Controle, baseado na pressuposição de que uma maior
percepção corresponde a uma maior probabilidade de que o desempenho do comportamento
tenha sucesso. É a percepção acerca da presença de fatores que podem facilitar ou impedir a
performance do comportamento. É importante notar que a Percepção de Controle se aproxima
muito ao construto de autoeficácia que concerne ao julgamento das pessoas acerca das
próprias capacidades de enfrentar os requerimentos oriundos do ambiente (BANDURA,
1986).
A Atitude é considerada como uma predisposição para responder de forma
preferencial, ou seja, o grau de favorabilidade ou desfavorabilidade frente o comportamento
avaliado. Trata-se da probabilidade subjetiva de que o comportamento produzirá algum
resultado, o julgamento pessoal sobre o comportamento baseado nas consequências (AJZEN,
1991).
Já a Norma Subjetiva refere-se à percepção do indivíduo quanto à pressão social
exercida sobre o mesmo para que realize ou não o comportamento em questão (AJZEN,
1991). São as influências causadas pela pressão social de pais, amigos, grupos de referência,
cultura, opinião pública e instituições sobre o comportamento dos indivíduos.
30
Desta forma, os construtos Atitudes, Norma Subjetiva e Percepção de Controle são
determinados respectivamente pelas Crenças Comportamentais, Crenças Normativas e
Crenças de Controle e pelo poder de cada uma em influenciar o indivíduo (AJZEN, 1991).
Além das crenças, a Atitude é formada também pela avaliação que o indivíduo faz das
consequências do comportamento, a Norma Subjetiva pela motivação do indivíduo para
aceitar ou não a pressão exercida pelos seus pares e a Percepção de Controle pela habilidade
de se controlar a situação para a realização do comportamento.
Resumindo, em suas áreas específicas, as Crenças Comportamentais produzem uma
Atitude favorável ou desfavorável em relação ao comportamento; as Crenças Normativas são
expressão da pressão social percebida ou das Normas Subjetivas e as Crenças de Controle são
o resultado do controle percebido sobre o comportamento (MOUTINHO; ROAZZI, 2010, p.
284).
De forma combinada, as três levam à formação das Intenções Comportamentais. E, as
Intenções sendo fortes e bem estabelecidas levam a expectativas realistas (Diagrama 1).
Diagrama 1. Modelo de formação das Intenções Comportamentais (AJZEN, 1991).
Atitude
Norma
Subjetiva
Intenção
Comportamental
Comportamento
Percepção de
Controle
De acordo com Engel, Blackwell e Miniard (2000), quando alguém está interessado
em prever o comportamento, a Intenção Comportamental deve ser medida porque ela deve
render uma previsão mais exata do comportamento futuro. Entretanto, Ajzen (1991) destacou
que a Percepção de Controle por si só pode agir diretamente sobre a realização de um dado
comportamento, sem necessariamente passar pela medição intencional.
Segundo Moutinho e Roazzi (2010, p. 284), além disso, “[...] a ação é influenciável
por fatores que podem ser internos e externos: os internos são, por exemplo, o conhecimento,
a habilidade, as competências e também fortes desejos”.
31
Então, se a Percepção de Controle é muito baixa, a probabilidade que um sujeito
efetue uma ação preventiva é também escassa, apesar de a pessoa estar de acordo sobre a
importância de adotar aquele comportamento e avalie positivamente as consequências da
eventual ação.
Como buscamos avaliar a disposição dos homens para procurar as UBS, tornou-se
válido utilizar o raciocínio da TCP para assim conhecer as crenças e, consequentemente,
predizer a Intenção para realizar o comportamento em questão.
Abaixo, explicaremos mais detalhadamente a influência de cada construto na busca de
compreender a Intenção avaliada neste estudo.
1.4.1 Atitude
A Atitude considerada neste modelo (TCP) liga o interesse do indivíduo em realizar
determinado comportamento aos resultados esperados por ele. Em outras palavras, é a
probabilidade subjetiva de que o comportamento produzirá algum resultado (AJZEN, 1991).
Como mencionado, a Atitude é formada pelas Crenças Comportamentais e pela
Avaliação das Consequências (positivas ou negativas) relativas ao comportamento.
No caso das UBS, as crenças e a Avaliação das Consequências em relação ao
comportamento de procurar estes serviços podem determinar se os homens têm a Intenção ou
não de buscar, levando em conta quais serão as prováveis consequências dessa escolha.
Para tanto, faz-se necessário avaliar previamente as variáveis da Atitude. Inicialmente,
Fishbein e Ajzen (1975) sugerem que sejam eliciadas as crenças salientes. Apesar de as
pessoas terem um grande número de crenças baseadas nas consequências, somente um
pequeno número delas é expressa em determinado momento. São essas crenças acessíveis que
determinam a atitude que irá prevalecer frente o comportamento.
Recomendam-se que sejam realizadas questões do tipo “Quais são as vantagens e as
desvantagens que você acredita estarem relacionadas a procurar as UBS?”. As primeiras 5 a 9
crenças emitidas são consideradas crenças salientes. No caso de serem consideradas as
crenças de um amplo número de participantes, pode ser indicado utilizar as crenças modais
salientes, aquelas que forem mais frequentemente emitidas (MOUTINHO; ROAZZI, 2010).
Conhecendo-se as crenças, é importante saber a força da Crença Comportamental, ou
seja, definir quão confiante é a pessoa de que o comportamento em questão está relacionado a
uma dada consequência. Sugere-se então a medição através de escala bipolar, tanto para as
32
Crenças Comportamentais quanto para a Avaliação das Consequências (MOUTINHO E
ROAZZI, 2010).
A partir destes passos, Ajzen (1991) acredita ser possível conhecer a Atitude das
pessoas frente a um comportamento estudado.
1.4.2 Norma Subjetiva
A Norma Subjetiva, conforme defende Fishbein e Ajzen (1975), refere-se à percepção
das expectativas que indivíduos ou grupos têm a respeito do comportamento da pessoa.
De acordo com a TCP, assume-se que as Crenças Normativas combinadas com a
Motivação para Concordar com os Referentes determinam a Norma Subjetiva que irá
prevalecer. As Crenças Normativas reportam-se às pessoas, que fazem esta pressão social:
família, amigos, profissionais de saúde, etc. Já a Motivação para Concordar com o Referente
trata-se da motivação do indivíduo para aceitar ou não a pressão exercida pelos seus pares
quanto à realização do comportamento (MOUTINHO E ROAZZI, 2010).
Da mesma forma como se procedem com as Crenças Comportamentais, as Crenças
Normativas salientes devem ser eliciadas através de questionamento livre, em que o
respondente é convidado a mencionar pessoas e/ou grupos que logo lhe veem à mente quanto
à realização de um dado comportamento. Em seguida, há que se mensurar a força das Crenças
Normativas salientes pela escala bipolar, no qual o sujeito deverá indicar o quão provável é
que o referente assuma dada posição relativa ao comportamento. Quanto à Motivação para
Concordar com o Referente, a escala bipolar também é indicada.
Em nosso estudo, buscamos não só conhecer os referentes modais salientes que
influenciam os homens a procurarem as UBS, como também entender de que forma a Norma
Subjetiva está relacionada com a intenção destes homens de realizarem tal comportamento.
1.4.3 Percepção de Controle
Por fim, a Percepção de Controle diz respeito à percepção da presença de fatores que
podem facilitar ou impedir a performance do comportamento. Assume-se que as Crenças de
Controle combinadas com a Habilidade para Controlar a Situação determinam a Percepção de
Controle que irá prevalecer (AJZEN, 1991).
33
Concernente ao presente projeto, é a percepção dos homens em questão, acerca do que
é necessário para procurar a UBS, que torna a execução do comportamento mais fácil ou
difícil. Refere-se aos fatores que podem mais ou menos estar sobre o controle do indivíduo.
Da mesma forma que a Atitude e a Norma Subjetiva, deve-se levantar as Crenças de
Controle salientes a partir do questionamento dos fatores que facilitam e dificultam a
realização do comportamento, partindo em seguida para a medição da força dessa crença
através de uma escala bipolar. A Habilidade em Controlar a Situação também deve ser medida
por esse princípio.
Azjen (1991) tem revisado os resultados de mais de uma dúzia de estudos que fazem
uso da TCP. Na maioria destas investigações, a adição da Percepção de Controle resultou em
um melhoramento significativo das predições das intenções e/ou do comportamento. Godin e
Kok (1996) revisaram os resultados de 54 avaliações empíricas da TCP em pesquisas na área
de saúde, chegando a constatações similares as alcançadas por Ajzen (1991). Nestas
investigações, a TCP tem se colocado como ferramenta teórico-metodológica que aponta
relações entre variáveis e se apresentam como capazes de discutir em termos da
previsibilidade a comportamentos diversos, em diversos campos do conhecimento, como na
saúde.
É com base nesses conceitos e recomendações que seguiremos este estudo,
apresentando a seguir seus objetivos e a metodologia utilizada.
34
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Analisar a Intenção Comportamental masculina de procurar a Unidade Básica de Saúde,
tomando como referencial teórico o modelo da Teoria do Comportamento Planejado (TCP).
2.2 Objetivos Específicos
• Identificar as crenças positivas e negativas do comportamento de procurar a Unidade Básica
de Saúde;
• Definir os referentes modais salientes no comportamento de procurar a Unidade Básica de
Saúde;
• Elaborar um instrumento sobre a Intenção Comportamental masculina de procurar a
Unidade Básica de Saúde.
35
3 PLANO GERAL DE INVESTIGAÇÃO
Este estudo seguirá o modelo da TCP, que envolve os construtos Atitude, Norma
Subjetiva e Percepção de Controle, todas formadoras da Intenção Comportamental que, para
os autores, é o caminho para se predizer a realização do comportamento, no caso “Procurar as
UBS”.
Inicialmente é exposto o delineamento do Estudo I e seus respectivos resultados e
discussão. Em seguida, serão apresentados delineamento, resultados e discussão do Estudo II.
O primeiro estudo consiste no levantamento de crenças de uma parcela da amostra dos
homens de um distrito sanitário de saúde de Maceió - AL, para que, no segundo estudo
possam ser medidas essas crenças através de um instrumento quantitativo elaborado para uma
amostra maior dessa população.
3.1 Estudo I
Foram levantadas as Crenças Comportamentais, Normativas e de Controle dos
homens, com o objetivo de se obter uma lista de “crenças modais salientes”, ou seja, aquelas
referentes ao comportamento pesquisado e que devem ser explicitadas a partir de uma
amostragem não probabilística, considerando um distrito sanitário de Maceió, Alagoas.
3.1.1 Participantes da pesquisa
A amostra do Estudo I foi composta por 25 homens, conforme o manual da TAP
(FRANCIS et al., 2004), com idades entre 25 a 59 anos, cadastrados em alguma UBS de um
distrito sanitário de Maceió, caracterizando uma amostra não probabilística por conveniência.
Os critérios de exclusão foram: recusar-se a participar da pesquisa; não estar em condições
para responder as perguntas; não estar na faixa etária dos 25 a 59 anos; não estar cadastrado
em alguma UBS do distrito sanitário de Maceió em questão.
3.1.2 Instrumentos
O instrumento utilizado foi constituído por 7 perguntas abertas com foco na Intenção
de procurar a UBS, considerando os seguintes eixos: (a) levantamento das vantagens e
desvantagens em procurar a UBS para identificação das Crenças Comportamentais salientes;
36
(b) levantamento das pessoas e/ou grupos influentes em procurar a UBS para identificação
dos referentes modais salientes; (c) levantamento das facilidades e dificuldades em procurar a
UBS para identificação das crenças de controle salientes; todas, seguindo o modelo postulado
pela TCP (MOUTINHO; ROAZZI, 2010).
3.1.3 Estudo piloto
O instrumento foi aplicado a três homens, com idades e níveis de escolaridade
diferentes, a fim de se verificar se o enunciado estava claro para os sujeitos e se permitia o
levantamento das informações pretendidas. O instrumento de coleta de dados mostrou-se
eficaz em sua proposta.
3.1.4 Procedimentos
Inicialmente, os sujeitos preencheram e assinaram o TCLE. O anonimato e o sigilo
foram assegurados aos participantes, bem como todos foram devidamente informados sobre
os objetivos e procedimentos do estudo.
Em seguida foi realizada a entrevista individualmente, a partir de um roteiro de
perguntas norteadoras em domicílios, espaços comunitários e UBS para maior comodidade
dos participantes, sendo utilizado o gravador para o registro das falas. O tempo médio de
entrevista foi de 9 minutos e 30 segundos.
3.1.5 Análise de dados
Os discursos foram organizados e analisados através da análise de conteúdo de Bardin
(2011), sendo guiados pelas seguintes etapas: (a) Transcrição de todas as crenças e referentes
emitidos pela amostra; (b) Leitura flutuante; (c) Recorte das Unidades de Contexto Elementar
(UCEs); (c) Agrupamento das UCEs de significado semelhante; (d) Organização das UCEs de
significado semelhante em categorias, subcategorias e unidades temáticas (contribuição de
três juízes – um doutor e dois alunos de pós-graduação); e (e) Contagem da frequência por
subcategoria, adotando o critério da frequência mínima, cujo valor deve ser igual ou superior
a 75% com que cada Crença Comportamental, de Controle e Referente foi eliciada para o
comportamento em questão.
37
3.1.6 Aspectos éticos
Todos os participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE), indicando a autorização e o entendimento de todos os aspectos de investigação da
pesquisa, conforme a Resolução Nº 466/12 sobre a pesquisa envolvendo seres humanos do
Conselho Nacional de Saúde - CNS (2012). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa (CEP) da
Universidade
Federal
de Alagoas
(UFAL) (parecer CAAE
43079214.8.0000.5013).
3.1.7 Resultados do Estudo I
Os participantes deste primeiro estudo possuíam idade entre 25 e 59 anos (M=42,56;
DP=10,80), em sua maioria casados (64%), e alfabetizados (76%), porém sem terem acessado
o ensino formal (40%).
Quando questionados se já haviam procurado a UBS, a maioria dos participantes
relatou já ter ido ao serviço (80%) e frequentá-lo anualmente (60%). Com relação à
necessidade do homem ir à UBS, todos concordaram que os homens deveriam buscar o
serviço. Mas, quando perguntado se era comum os homens do seu convívio procurarem a
UBS, mais da metade (68%) afirmou que esta não é uma prática rotineira (Tabela 1).
Tabela 1. Comportamento de “Procurar o posto de saúde”
Frequência
%
Índice de procura à UBS
Sim
Não
20
5
80
20
Frequência
Anualmente
Mais de um ano
Nunca
15
5
5
60
20
20
Concordância com a procura
masculina
Sim
Não
25
0
100
0
A partir da análise de conteúdo, obtiveram-se as crenças salientes referentes à Intenção
masculina de procurar a UBS. Essas crenças foram classificadas pelos juízes de acordo com
38
os construtos Atitude, Norma Subjetiva e Percepção de Controle, criando-se as categorias
“Crenças Comportamentais”, “Crenças Normativas” e “Crenças de Controle”.
Na categoria “Crenças Comportamentais” foram obtidas 41 crenças salientes de um
total de 52 crenças emitidas. Essas crenças foram subcategorizadas em seis dimensões, sendo
3 positivas e 2 negativas (Tabela 2).
Tabela 2. Crenças Comportamentais salientes
Tipos de crença
Resultados
Crenças salientes
Cuidar da saúde
Positivas
Comportamentais (5)
Acolhimento dos profissionais
Atendimento próximo de casa
Tratamento de doenças
Negativas
Atendimento com atraso
Com relação à subcategoria “Cuidar da Saúde”, a partir dos fragmentos de fala dos
participantes, observa-se que estes consideram a UBS um local que possibilita não só aos
homens como à população em geral uma maneira de estar cuidando da saúde, representando
uma crença positiva.
É bom pra cuidar da saúde. (P15)
[...] É importante [...] Pra cuidar da saúde. (P18)
Na subcategoria “Acolhimento dos profissionais” foi encontrada a satisfação dos
homens com a relação estabelecida com os profissionais que trabalham nas UBS, sendo
analisado não só o exercício da atividade profissional, mas também o acolhimento prestado
por estes.
O atendimento é bom, as pessoas são humanas... (P4)
Bom atendimento [...] gente boa [...] (P23)
Quanto à subcategoria “Atendimento com atraso” falas descontentes com o tempo de
espera para ser atendido nas UBS foram apresentadas, em que muitos afirmaram não ter o
desejo de buscar mais este serviço.
39
O ruim é porque às vezes você chega lá e não pode ser atendido [...]
aí tem que agendar [...] pegar ficha [...] fica difícil. (P16)
O lado ruim é que numa precisão se não tiver ficha você não é
atendido... (P19)
Na subcategoria “Tratamento de doenças” percebeu-se uma visão masculina da UBS
enquanto serviço de saúde destinado exclusivamente ao tratamento de agravos, destacando a
sua importância apenas para a melhoria das enfermidades, o que denota negatividade.
O posto é uma casa que a gente precisa, uma emergência eu vou [...]
(P11)
Só vou quando necessito [...] quando o estômago começa a doer.
(P14)
Com relação ao “Atendimento próximo de casa” os participantes referiram que as
UBS são serviços de saúde que oportunizam a população atendimento e tratamento das
doenças perto de casa, demonstrando a representação positiva que fazem destes serviços.
Tem uma vantagem porque dá pra ir a pé, pra mim é bom porque faço
uma caminhada. (P1)
A coisa boa de ir ao posto é porque é perto de casa. (P17)
Na categoria “Crenças Normativas” foram obtidas 26 crenças salientes, de um total de
32 crenças emitidas. As crenças foram então subcategorizadas em 5 dimensões, conforme
apresenta a Tabela 3.
Tabela 3. Crenças Normativas salientes
Tipos de crença
Resultados
Referentes modais salientes
Esposa
Família
Positivas
Normativas (5)
Mulheres da família
Vizinhos
Negativas
Si mesmo
40
Com base nos relatos dos participantes, a “esposa” apareceu como o referente modal
saliente que mais os incentivava a cuidarem de si e a procurarem as UBS.
Minha esposa me incentiva, diz: vá ao posto se consultar... (P14)
Só quem me incentiva é a minha mulher [...] Ela sempre me incentiva
a me cuidar. (P15)
As “irmãs” e “mulheres da família” aparecem logo em seguida, como grandes
apoiadoras do comportamento.
Minhas irmãs me incentivam... (P3)
Muitas pessoas... várias... principalmente minha mãe e minha irmã.
(P6)
Minha tia sempre me incentiva. (P19)
Menos frequente, mas também saliente, apareceu o referente “Si mesmo”,
representando a crença negativa de que para alguns homens a adesão a comportamentos de
saúde depende única e exclusivamente da vontade deles, conforme as falas a seguir:
Ninguém especial... eu sou uma pessoa que eu mesma corro atrás.
(P8)
Ninguém me incentiva. Sou eu mesmo que vou. Sempre fui. Desde
garotão, 16, 17 anos. Sempre procurei nunca ninguém falou nada pra
mim não. (P2)
Os “vizinhos” também foram citados como rede social de suporte:
Meus vizinhos sempre falam. (P9)
Diariamente a vizinhança fala pra eu ir. (P11)
Por fim, na categoria “Crenças de Controle” foi obtido um total de 25 Crenças de
Controle salientes, de um total de 39 crenças emitidas. Dessas crenças, surgiram 3
subcategorias, todas negativas, como apresentadas a seguir (Tabela 4):
41
Tabela 4. Crenças de Controle salientes
Tipos de crença
Resultados esperados
Crenças salientes
Tomar medicação
Negativas
Controle (3)
Não ter vaga para atendimento
Horário de trabalho
Estar doente
Na subcategoria “Tomar medicação” percebeu-se que para grande parte dos homens
entrevistados a procura pela UBS está condicionada à necessidade de tomar alguma
medicação, sendo relatado que quando não há precisão, não existem motivos para procurar o
serviço. Evidenciando-se como negativa ao comportamento.
Eu vou para o posto porque tenho obrigação [...] Por causa da
medicação... Se dissesse que não precisaria mais eu não iria... Só vou
por causa da medicação. (P1)
O que me faz ir ao posto é porque é necessário ir, sou dependente do
remédio. (P2)
Já na subcategoria “Não ter vaga para atendimento”, os participantes demonstraram, a
partir de seus relatos, que as experiências anteriores de procurar a UBS não foram benéficas,
sendo caracterizadas pela negligência no atendimento por parte das equipes de saúde,
atribuindo ao sistema de marcação de consulta o principal motivador desta crença negativa.
O ruim é porque às vezes você chega lá e não pode ser atendido, aí
tem que agendar pegar ficha. (P16)
O ruim é porque nem sempre você é atendido. (P17)
Difícil é ter a consulta. (P24)
A subcategoria “Horário de trabalho” demonstrou uma queixa masculina de que o
horário de atendimento das UBS não condiz com a realidade de trabalho da maioria dos
homens, funcionando em horário similar à jornada de trabalho, aparecendo como um
obstáculo ao comportamento.
42
Não vou quando eu estou trabalhando. Fica difícil o horário do posto
porque você tem que pedir ao patrão e a pessoa que ganha salário
mínimo [...](P2)
Pra gente que trabalha é difícil [...] Horário de trabalho [...] (P7)
Por fim, a subcategoria “Estar doente”, reforça a ideia de que o motivo para se buscar
a UBS se restringe à presença de alguma enfermidade, recorrendo a esse serviço apenas por
questões curativas.
O que faz com que eu não vá é porque eu nunca adoeci. (P7)
Só vou se tiver doente. (P18)
3.1.8 Discussão acerca do Estudo I
De modo geral, pôde-se observar que para os homens participantes deste estudo, a
Intenção de procurar a UBS está associada às Crenças Comportamentais, Normativas e de
Controle que permeiam o seu universo cognitivo e que, portanto, dificultam a realização do
comportamento, conforme vem sendo apontado pela literatura (GOMES et al., 2011b;
SCHRAIBER et al., 2010; FIGUEIREDO, 2005).
Albano e Basílio (2010) demonstraram que a crença “Tratamento de doenças” aparece
como a principal razão pela busca masculina a estes serviços, ignorando a necessidade de
consultas preventivas. Igualmente, a pesquisa de Machado e Ribeiro (2012) realizada com
homens também de Maceió ratifica essa crença de que a procura por médico ou serviço de
saúde está condicionada ao aparecimento de alguma doença, não sendo observada a
necessidade de acessar estes meios apenas pela prevenção. A crença “Atendimento com
atraso” é apontada por outros pesquisadores como fator que distancia o público masculino das
UBS, já que são caracterizadas por intensas filas, e pelo sistema de marcação de consultas por
fichas (BRITTO; SANTOS; MACIEL, 2010; GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007;
PINHEIRO et al., 2002).
A crença positiva “Acolhimento dos profissionais” é consistente com os resultados do
estudo de Gomes et al. (2011a), a partir das entrevistas realizadas com os homens usuários de
UBS do Rio de Janeiro, em que estes consideraram que apesar dos aspectos negativos
referentes a esse serviço, o cuidado prestado pelas equipes de saúde é benéfico,
caracterizando-os como humanizado, ancorado na comunicação e com prontidão. Entretanto,
43
Vaitsman e Andrade (2005) advertem que a satisfação é um aspecto subjetivo que recai sobre
o grau de expectativa e exigência individuais em relação ao atendimento. Da mesma forma,
Willians (1994) aborda que uma avaliação positiva não corresponde necessariamente a uma
avaliação crítica; para esse autor isso pode expressar a ausência de opinião e/ou aceitação do
paternalismo médico.
Já a crença “Cuidar da Saúde”, encontrada neste estudo, se diferencia dos achados em
pesquisas já realizadas (ALVES et al., 2011; MENDONÇA; ANDRADE, 2010; GOMES;
NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007) que indicaram que os homens associam o cuidado com a
saúde como uma expressão da necessidade feminina, visto que a maioria dos homens
visualiza as mulheres como seres mais frágeis, mais vulneráveis às doenças, necessitando de
uma maior atenção à saúde.
Com relação aos referentes importantes para o comportamento, a “Esposa” foi
bastante citada no estudo, corroborando com a pesquisa de Schraiber et al. (2010) que
concluiu que os homens casados procuram mais os serviços primários de saúde quando
comparados aos homens solteiros. Assim como a crenças “Mulheres da família”, defendido
pela literatura a partir da perspectiva de gênero, que culturalmente atribui à mulher o papel de
cuidados com a saúde (AZEVEDO, 2007).
Machado e Ribeiro (2012) já haviam constatado essa crença nas falas dos homens
maceioenses, quando afirmaram que o cuidado/assistência à saúde é uma função restrita às
mulheres, principalmente mães, irmãs e avós, acreditando caber a elas o cuidado mais
incisivo.
Menos frequente apareceram vizinhos, filhos, e família em geral, mas estes também
confirmam a importância da rede social de suporte no apoio à procura da UBS, dando
destaque à família, apresentada no estudo de Nascimento e Lemes (2014) como esteio
essencial de compreensão e amparo aos homens.
Apareceu ainda o referente “Si mesmo”, sendo justificado por Moutinho e Roazzi
(2010) sob a concepção de que quando o indivíduo tem a Crença Comportamental positiva
para o comportamento, a sua Atitude pode ser decisiva para a realização.
Nas Crenças de Controle salientes, a crença “Horário de trabalho” é semelhantemente
encontrada nas pesquisas ligadas a essa área que demonstram que o horário de funcionamento
das UBS é incompatível com a jornada de trabalho na qual os homens estão submetidos, o que
de certa forma desestimula o acesso à UBS (ALVES et al., 2011; BRITTO; SANTOS;
MACIEL, 2010; GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007).
44
O Ministério da Saúde, em 2009, no processo de construção PNAISH, declarou que
existe de fato uma preocupação masculina com a atividade laboral, sobretudo em pessoas de
baixa condição social, o que reforça o papel historicamente atribuído ao homem de ser
responsável pelo sustento da família. Porém, destacou que apesar de essa ser uma barreira
importante, atualmente grande parte das mulheres, de todas as categorias socioeconômicas,
estão inseridas no mercado de trabalho formal, e nem por isso deixam de procurar os serviços
de saúde.
A crença negativa “Não ter vaga para atendimento” corrobora outros achados, que
evidenciam como causa o número limitado de fichas para marcação de consultas e a constante
ausência do médico (GOMES; NASCIMENTO; ARAÚJO, 2007; PINHEIRO et al., 2002).
Azevedo (2007) também chama atenção para a não valorização da demanda
espontânea por parte dos profissionais que compõe as UBS, ocasionando em negligência no
atendimento dos homens que ali chegam.
As crenças “Tomar medicação” e “Estar doente” reforçam os resultados de trabalhos
como o de Pinheiro et al. (2002) que demonstram que os homens quando procuram serviços
de saúde, como as UBS, o fazem por questões ligadas à doença, problema odontológico,
tratamento ou reabilitação e acidente ou lesão.
3.2 Estudo II
O segundo estudo consistiu em um survey interseccional que se caracteriza pela
aplicação de questionários a uma amostra populacional maior e pode ser usado não só para
descrever, mas também para determinar relações entre variáveis na época de estudo
(BABBIE, 1999).
3.2.1 Construção do instrumento
Após a identificação e agrupamento das “crenças salientes”, foi dado prosseguimento
à pesquisa através da elaboração de um instrumento quantitativo (questionário). Ao se
construir um questionário, é necessário adequá-lo à teoria utilizada. Para tanto, buscou-se
seguir os pressupostos da TCP.
Fishbein e Ajzen (1975) ressaltam que ao se analisar um dado comportamento, assim
como seus construtos, deve-se defini-los em termos de quatro fatores, a saber: Ação, Alvo,
Tempo e Contexto. Estes quatro fatores foram então analisados tendo-se como referência o
45
tema estudado e definidos em relação ao mesmo tema. Os resultados são explicitados no
quadro abaixo.
Quadro 1- Quatro fatores do estudo
Ação
Alvo
Tempo
Contexto
Procurar
Unidade Básica de Saúde
Um ano
Consulta de rotina
A mensuração das crenças seguiu o procedimento de medidas indiretas, assim como
definido por Francis et al (2004), em que as crenças salientes presentes nas entrevistas
realizadas no Estudo I são tomadas como base para a construção de afirmativas. Segundo
estes autores as afirmações construídas devem representar as crenças que podem refletir o
comportamento do segmento alvo investigado.
De acordo com Moutinho e Roazzi (2010), conhecendo-se as crenças (medição direta)
é importante saber a força de cada uma, e, para isso, sugere-se que a medição aconteça através
de escala bipolar (medição indireta).
Neste estudo foram utilizadas 5 Crenças Comportamentais, mensuradas através de
escalas de 7 pontos com extremos "Concordo plenamente " e "Discordo plenamente".
A opção pelo procedimento de medidas indiretas para as Crenças Comportamentais
exige que sejam mensuradas as Avaliações das Consequências relativas às crenças apontadas
na questão anterior. Sendo 5 o total de crenças levantadas e mensuradas nas Crenças
Comportamentais, outros 5 itens devem mensurar as Avaliações das Consequências. Se uma
das questões definidas nas Crenças Comportamentais foi, por exemplo, "Procurar o posto de
saúde é cuidar da saúde", nas Avaliações das Consequências deve ser desenvolvido um item
de avaliação como: "Cuidar da saúde é:".
Para a avaliação das Crenças Normativas também optou-se pelo método indireto de
mensuração, conforme orientação e sugestão de Francis et al. (2004). Assim como na
mensuração das Crenças Comportamentais, utilizou-se as crenças identificadas no estudo
anterior - os referentes salientes -, para que fosse possível identificar o que os homens acham
que as pessoas importantes aconselhariam.
Foram utilizadas 5 crenças, mensuradas através de escalas de 7 pontos com extremos
"Concordo plenamente " e "Discordo plenamente".
Da mesma forma, exige-se que seja mensurado o poder dessas crenças sobre o
comportamento em questão. Então, serão 5 itens para avaliar as Crenças Normativas, e mais 5
46
itens para avaliar a Motivação para Concordar.
A escala utilizada foi a do tipo likert de 7
pontos, variando de 1 a 7 com extremos de “Muito importante” a “Pouco importante”.
Moutinho e Roazzi (2010) citam que através desta escala o sujeito indicará o quanto é
provável que ele realize um determinado comportamento caso o referente assuma dada
posição.
Por fim, os itens das Crenças de Controle seguiram o mesmo padrão. Sendo
identificadas 4 crenças salientes, 4 itens para Crenças de Controle foram criados que foram
reformulados pelo método indireto, e serviram para construção dos 4 itens de medida de
Habilidade para Controlar a Situação.
Cada construto, portanto, foi analisado tendo-se em vista suas crenças salientes e seu
poder.
3.2.2 Participantes da pesquisa
A amostra do Estudo II foi composta por 106 homens, entre 25 e 59 anos, seguindo o
critério PNAIHS, cadastrados em UBS de um distrito sanitário de Maceió, considerando os
critérios de inclusão e exclusão do estudo anterior.
A Tabela 5 apresenta a caracterização dos participantes deste estudo. Em geral são
casados (47,2%), com ensino médio incompleto (31,15%), renda familiar de dois salários
mínimos, e média de idade de 43,10 (DP=10,86).
Tabela 5. Caracterização dos participantes (n=106)
Dados sociodemográficos
Idade
Estado civil
Casado
Divorciado
Solteiro
Viúvo
Escolaridade
Superior incompleto
Médio Completo
Médio Incompleto
Fundamental Incompleto
Alfabetizado
Analfabeto
Índices
25 a 59 (M=43,10; DP=10,86)
47,2%
15,1%
19,8%
10,4%
2,8%
5,7%
31,1%
25,5%
28,3%
2,8%
47
Renda familiar
<1 Salário mínimo
1 Salário mínimo
>1Salário mínimo
2 Salários mínimos
>2Salários mínimos
0,9%
18,9%
24,5%
34%
14,2%
A Tabela 6 apresenta o perfil epidemiológico dos homens. Observa-se um índice
considerável de hipertensos (23,6%), fumantes (21,7%), alcoolistas (17%) e diabéticos
(14,2%).
Tabela 6. Dados epidemiológicos dos participantes (n=106)
Dados epidemiológicos
Índices
Hipertensão
Diabetes
Tabagismo
Alcoolismo
Transtorno Mental
Causas externas
Outras comorbidades (Doenças respiratórias, cardíacas,
gastrointestinais etc.)
23,6%
14,2%
21,7%
17%
8,4%
15,1%
14,9%
A Tabela 7 apresenta o perfil de saúde dos participantes, a partir de seus autorrelatos,
que de modo geral declararam que a saúde estava “mais ou menos” (31,1%) ou boa (30,2%).
Tabela 7. Estado de saúde dos participantes (n=106)
Estado de saúde
Índices
Fraca
Mais ou menos
Boa
Muito Boa
27,4%
31,1%
30,2%
10,4%
A Tabela 8 apresenta os serviços de saúde mais frequentados pelos participantes,
tendo destaque a farmácia (31,1%).
Tabela 8. Serviços de saúde frequentados pelos participantes (n=106)
Serviços de saúde
Índices
Posto de saúde
Hospital
Médico particular
Farmácia
Outros serviços
27,4%
18,9%
5,7%
31,1%
14,2%
48
3.2.3 Instrumentos
Foi aplicado um questionário quantitativo construído a partir das crenças salientes do
Estudo I, totalizado em 32 itens, sendo 28 alocados como variáveis independentes (VI) e 4
como variáveis dependentes (VD). “Atitude” com 10 itens (5 itens referentes às Crenças
Comportamentais e 5 itens referentes à Avaliação das Consequências); “Norma Subjetiva”
com 10 itens (5 itens referentes às Crenças Normativas e 5 itens referentes à Motivação para
Concordar com o referente) e “Percepção de Controle” com 8 itens (4 itens referentes às
Crenças de Controle e 4 referentes à Habilidade para Controlar a Situação), representam as
VIs. E 4 itens acerca da “Intenção Comportamental”, representando as VDs.
A escala de respostas utilizada para medir as crenças que influenciam a Intenção de
procurar a UBS foi a do tipo Likert, variando de 1 a 7, desde “Discordo totalmente a
“Concordo totalmente”, “Muito a Pouco” e “Pouco importante a Muito importante”. Ponto
médio igual a 4.
3.2.4 Procedimentos
Inicialmente, seguiram-se os preceitos éticos assim como no Estudo I. Os sujeitos,
após a concordância em participar do estudo, preencheram e assinaram o TCLE.
Em seguida foi aplicado o questionário que contém os itens referentes às variáveis da
TCP. Considerando que grande parte do grupo de respondentes era composta de pessoas
analfabetas funcionais, os instrumentos foram aplicados individualmente nos domicílios,
espaços comunitários e nas UBS. A coleta de dados foi realizada no período de julho a
novembro de 2015. Tempo médio da aplicação do instrumento foi de 10 minutos e 20
segundos.
3.2.5 Análise dos dados
Os dados foram tabulados no SPSS 23.0 (Statistical Package for Social Sciences) em
que foram realizadas análises descritivas (frequência, porcentagem, média, desvio-padrão)
para a caracterização dos participantes, além de análises fatoriais exploratórias e análises de
confiabilidade interna para avaliação das variáveis. Para verificar as relações existentes entre
todas as variáveis independentes que compõem o modelo teórico e a variável dependente,
49
verificando a força e o tipo dessas relações, utilizou-se o coeficiente de correlação r, de
Pearson, com seus respectivos níveis de significância p.
3.2.6 Aspectos éticos
Todos os participantes foram voluntários e assinaram o TCLE indicando a autorização
e o entendimento de todos os aspectos de investigação da pesquisa conforme a Resolução Nº
466/12 do CNS. O projeto foi aprovado pelo CEP da UFAL com parecer mencionado
anteriormente (Estudo I).
3.2.7 Resultados do estudo II
Nesta seção serão apresentados os resultados da Análise Fatorial Exploratória (AFE) e
de confiabilidade interna (Alfa de Cronbach), de modo a verificar se as variáveis que
compõem cada dimensão do instrumento estão inter-relacionadas, reduzindo-se a um fator
latente comum, além de medir a consistência interna desses fatores/dimensões.
3.2.7.1 Análise Fatorial Exploratória (AFE) e análise de confiabilidade
Para analisar os resultados, inicialmente foi feita uma Análise Fatorial Exploratória
(AFE) dos componentes principais (rotação Varimax) de cada construto do instrumento com o
objetivo de averiguar a sua configuração.
A AFE consiste no conjunto de técnicas que visam reduzir uma grande quantidade de
variáveis observadas a um número específico de fatores. Os fatores representam as dimensões
latentes (construtos) que resumem ou explicam o conjunto de variáveis observadas (HAIR et
al., 2005).
Sendo assim, para analisar se os dados podem ser submetidos ao processo da AFE, foi
utilizado o critério de Kaiser- Meyer-Olkin (KMO) que indica o quão adequado é a aplicação
da AFE, sendo inaceitáveis valores menores que 0,5; e o Teste de Esfericidade de Bartlett que
testa a existência de não correlação entre os dados, em que os níveis de significância devem
ser p<0,05 (HAIR ET AL., 2005).
Considera-se também os eigenvalues e a variância explicada de cada variável. De
modo geral, sugere-se que devem ser extraídos apenas os fatores com eigenvalue >1. Isso
porque se o fator apresenta baixo eigenvalue, ele está contribuindo pouco para explicar a
50
variância nas variáveis originais. Para a variância explicada adota-se o limite mínimo de 50%
como aceitável (HAIR ET AL., 2005)
O construto Atitude, composto inicialmente por 10 itens foi dividido em 2 fatores pela
AFE, sendo eles as Crenças Comportamentais (CC) e Avaliação das Consequências (AC). Por
conta da baixa carga fatorial os itens 3, 4, 5 e 17 foram excluídos. Posteriormente, com
objetivo de aumentar a variância explicada 46,280% e o KMO, foram excluídos os itens 1 e 2
em virtude de menores cargas fatoriais. Assim, permaneceram os itens 15, 16, 18 e 19
reduzindo o construto em um único fator (AC). Conforme apresentado na Tabela 9, a
variância explicada final foi de 63,847% (KMO = 0,644; X2 = 176,822; p=0,000).
Tabela 9. Análise fatorial do construto Atitude
Itens
15- Cuidar da saúde é
16- Ser acolhido pelos profissionais de saúde é
18- Ter tratamento quando estiver doente é
19- Ter atendimento de saúde perto de casa é
KMO
Eigenvalue (valor próprio)
Variância explicada
,908
,888
,665
,707
,691
2,554
63,847
O construto Norma Subjetiva foi composto inicialmente por 10 itens distribuídos em
dois fatores: Crenças Normativas (CN) e Motivação para Concordar com o Referente (MCR).
A priori, os resultados apresentaram itens com baixa carga fatorial (8, 9, 10, 24, 27, 28). Esses
itens foram excluídos, aumentando então a variância explicada 54,186% e reduzindo-se a um
único fator. Ao final, restaram 4 itens, conforme apresenta a Tabela 10 (KMO = 0,508; X 2 =
481,644; p=0,000).
Tabela 10. Análise fatorial do construto Norma Subjetiva
Itens
6- Minha família acha que eu devo procurar o posto de saúde
7- As mulheres da minha família acham que eu devo procurar o posto de saúde
25- O quanto você se importa com a opinião de sua família?
26- O quanto você se importa com a opinião das mulheres de sua família?
KMO
Eigenvalue (valor próprio)
Variância explicada
,603
,702
,824
,791
,508
2,167
54,186
O construto Percepção de Controle, a princípio, era constituído de 8 itens, aparecendo
após a AFE dois fatores, um referente às Crenças de Controle (CCR) e outro referente à
Habilidade para Controlar a Situação (HCS). Pela baixa carga fatorial foi excluído apenas o
51
item 11. Desta forma, obteve-se variância explicada de 46,20%. Posteriormente, excluiu-se os
itens 12, 13, 14 e 20 de menores cargas fatoriais, objetivando aumentar a variância explicada
para 56,085%, restando apenas 1 fator (MC) com os itens 21, 22 e 23 (KMO = 0,503; X2 =
48,858; p=0,000).
Tabela 11. Análise fatorial do construto Percepção de Controle
Itens
Carga fatorial
21- Ter vaga para ser atendido no posto de saúde é
22- Estar doente e procurar o posto de saúde é
23- Precisar tomar medicação no posto de saúde é
,519
,883
,795
KMO
Eigenvalue (valor próprio)
Variância explicada
,503
1,683
56,085
Por fim, o construto Intenção Comportamental foi formado por 4 itens, em um único
fator. Em virtude do baixo valor do KMO, o item 30 de menor carga fatorial foi excluído. A
variância explicada final foi de 59,939% (KMO = 0,585; X2= 52,918; p=0,000).
Tabela 12. Análise fatorial do construto da Intenção
Itens
Carga fatorial
29-As pessoas cujas opiniões são importantes para mim, apoiariam a procura pelo
posto de saúde (nos próximos 12 meses)
31- Eu me esforçarei para procurar o posto de saúde (nos próximos 12 meses) caso
isso me traga vantagens
32- Eu planejo procurar o posto de saúde (nos próximos 12 meses) se tiver condições
para isso
KMO
Eigenvalue (valor próprio)
Variância explicada
,622
,862
,818
0,585
1,884
59,939
Para verificar a confiabilidade interna dos fatores foram realizadas análises a partir do
Alfa de Cronbach, por ser um método mais assegurado em estudos transversais (SIJTSMA,
2009). O Alfa de Cronbach avalia o grau em que os itens de uma matriz de dados estão
correlacionados entre si (PASQUALI, 2009).
Conforme Devellis (2012), uma escala é internamente consistente se os itens que a
compõem são altamente intercorrelacionados, o que sugere que tais itens estão avaliando a
mesma coisa. Para Litwin (1995), assegurar confiabilidade de uma escala é garantir que todos
os itens dela meçam aspectos distintos, mas do mesmo conceito.
Na Tabela 13, observe-se que foram obtidos alfas considerados satisfatórios.
Conforme Hair et al. (2005), alfas >0,80 indicam um bom resultado, >0,70 representam um
52
valor aceitável e >0,60 podem ser considerados questionáveis, mas ainda assim podem ser
aceitos mediante a utilização de demais indicadores que constatem a associação entre os itens
da dimensão. Pode-se observar que os 4 fatores estão dentro do limite de aceitabilidade,
apresentando valor acima do limite inferior proposto por Hair et al. (2005).
Tabela 13. Análise de confiabilidade dos construtos
Construto
Atitude
Norma Subjetiva
Percepção de Controle
Intenção
Itens
15,16,18,19
6,7,25,26
21,22,23
29,31,32
Alfa
,80
,72
,60
,67
3.2.7.2 Análise de adesão dos participantes aos construtos
Na Tabela 14, apresenta-se uma análise da média de adesão dos participantes a cada
construto. Em termos gerais, pode-se dizer que houve uma adesão de média a alta dos
respondentes com os itens relativos aos construtos da TCP, ou seja, que eles concordaram
com as crenças referidas no Estudo I.
Tabela 14. Média e Desvio Padrão dos construtos
Construto
Atitude
Norma Subjetiva
Percepção de Controle
Intenção Comportamental
Média
6,5952
5,0143
6,1714
5,8713
Desvio padrão
,86906
1,24847
,89169
1,10047
O construto Atitude apresentou uma média de 6,59 (DP=,869), representando um alto
grau de importância atribuído pelos respondentes com relação às consequências da realização
do comportamento de procurar a UBS (AC).
Na Norma Subjetiva foi encontrada uma média de 5,01 (DP=1,24) que corresponde à
concordância dos respondentes às Crenças Normativas (CN) e a baixa Motivação para
Concordar com os Referentes (MCR) que influenciam esse comportamento.
A Percepção de Controle obteve uma média de 6,17 (DP=,891) que indica o alto grau
de importância atribuído pelos respondentes para controlar a situação (HCS), ou seja,
controlar a realização do comportamento em questão.
Por fim, a Intenção Comportamental atingiu como média das respostas um valor de
5,87 (DP=1,10), expressando a concordância dos respondentes quanto a intenção de procurar
a UBS, apesar do valor não ter sido tão alto.
53
3.2.7.3 Análise de correlação r de Pearson
Para verificar as relações existentes entre os construtos Atitude, Norma Subjetiva e
Percepção de Controle com o construto Intenção Comportamental, a força e o tipo dessas
relações, foi adotada a análise do coeficiente de correlação de Pearson (r).
Essa análise mede o grau da correlação linear entre duas variáveis quantitativas. Em
termos estatísticos, duas variáveis se associam quando elas guardam semelhanças na
distribuição dos seus escores. Mais precisamente, elas podem se associar a partir da
distribuição das frequências ou pelo compartilhamento de variância. No caso da correlação de
Pearson (r) vale esse último parâmetro, ou seja, ele é uma medida da variância compartilhada
entre duas variáveis (FIGUEIREDO; SILVA, 2009).
Os valores aqui adotados seguirão o padrão de Cohen (1988), em que valores entre
0,10 e 0,29 podem ser considerados pequenos; escores entre 0,30 e 0,49 podem ser
considerados como médios; e valores entre 0,50 e 1 podem ser interpretados como grandes.
De modo geral, o teste apontou que apenas o construto Percepção de Controle se
correlaciona significativamente com a Intenção Comportamental em estudo (acima de 0,30).
De acordo com a TCP, a Percepção de Controle pode estar relacionada tanto por via indireta
com o comportamento, através da Intenção Comportamental, como diretamente a ele (sem a
mediação intencional).
Entretanto, para a teoria é preciso que a Atitude e a Norma Subjetiva combinadamente
com a Percepção de Controle estejam correlacionadas com a Intenção Comportamental para
que esta seja mais forte, o que não foi encontrado neste estudo. Na Tabela 15 é possível
observar que os construtos Atitude e Norma Subjetiva não apresentaram correlação com a
Intenção Comportamental.
Tabela 15. Correlações entre os construtos Atitude, Norma Subjetiva, Percepção de
Controle e a Intenção Comportamental
Atitude
Atitude
Intenção
Comportamental
,052
Norma Subjetiva
,097
-0,66
Percepção de Controle
,353*
,201*
-,002
,052
,097
Intenção Comportamental
*p < 0,05 **p<0,01
Norma
Subjetiva
-0,66
Percepção de
Controle
,201*
-,002
,353*
54
Ademais, foi possível identificar uma correlação (apesar de baixa) entre os construtos
Percepção de Controle e Atitude (Tabela 15). Isso pode significar que, para os homens
estudados, o controle necessário para realizar o comportamento (procurar a UBS) está
relacionada com a sua avaliação positiva.
3.8 Discussão acerca do Estudo II
Observou-se, a partir dos resultados deste estudo, que para os homens moradores de
um distrito sanitário de Maceió-AL, a Avaliação das Consequências do comportamento de
procurar a UBS (Atitude) não exerce influência sobre a sua Intenção Comportamental. Isso
significa que, mesmo estes homens fazendo uma avaliação positiva acerca da realização do
comportamento, não implica necessariamente que estes tenham a Intenção de aderi-lo. No
estudo de Vieira et al. (2013) esse dado já havia sido demonstrado nos discursos masculinos
revelando que apesar de reconhecerem a importância destes serviços de saúde, os homens
acreditavam não necessitar dos cuidados ali prestados, declarando-se saudáveis, mesmo sem
conhecerem seu estado de saúde.
Martinelli et al. (2008) e Vuillemin et al. (2005) verificaram através de inquéritos de
avaliação de qualidade de vida (WHOQL-bref/SF-36) que os homens apresentam uma
autopercepção mais positiva de sua qualidade de vida do que as mulheres, principalmente no
domínio físico, atribuindo a isso o modelo de masculinidade presente nos dias de hoje.
Nesse viés, pode-se dizer que os respondentes demonstram estarem mais preocupados
com os motivos que tendem a facilitar e/ou dificultar a sua decisão (Percepção de Controle)
do que com as com as possíveis consequências que a sua decisão trará (Atitude). Entretanto,
dentre os estudos realizados a partir da TCP, a Atitude das pessoas é um forte elemento que
influencia a Intenção de realizar um determinando comportamento (HOPE et al., 2012;
ARMITAGE; CONNER, 2011; ROCHA et al., 2009).
A exemplo disso, tem-se a boa adesão que os indivíduos participantes de pesquisas da
TCP fazem do construto Atitude, estando em quase todas as pesquisas próximo ao valor
máximo da escala e correlacionado com a Intenção, diferente deste estudo em que apenas a
média de adesão foi alta (CABRAL, 2014; MACIEL; VEIGA, 2012; PEIXOTO, 2007).
O construto Norma Subjetiva, no presente estudo, também não apresentou correlação
com a Intenção Comportamental e, além disso, não apresentou uma adesão alta por parte dos
respondentes, contrariando os achados das diversas pesquisas realizadas pelo modelo da TCP
55
(CABRAL, 2012; MATOS, VEIGA; LIMA, 2009; D’AMORIM; FREITAS; SÁ, 1992;
PARKER et al., 1992).
Dessa
forma,
mesmo
existindo
referentes
que
influem
positivamente
no
comportamento de procurar as UBS, a motivação dos homens para concordar com seus
referentes como as mulheres da família, não intervêm no desejo de adotar esse
comportamento.
No entanto, para Engel, Blackwell e Miniard (2000) esse construto vem perdendo
espaço, principalmente no mundo ocidental. Esse fato decorre da crescente urbanização que
acarreta em um grau menor de interação social e leva consequentemente a uma grande
isolação social e ao individualismo. Dentro desse contexto, as Crenças Comportamentais e de
Controle tendem a exercer um poder de influência maior, ou seja, os fatores pessoais passam a
ser mais considerados para determinar o comportamento.
Arruda, Barreto e Marcon (2015) demonstraram que os homens adultos constroem
suas redes de apoio e suporte em saúde, destacando a companheira, mãe e irmã como pessoas
que têm o papel no cuidado com a saúde, porém, os mesmos autores constataram que nem
sempre valorizam ou seguem as orientações de sua família, não se preocupando em atender
aos chamados ao cuidado formal prestado nas UBS, semelhante ao que foi evidenciado neste
estudo.
Por fim, o construto Percepção de Controle, que no presente estudo foi destaque para a
predição do comportamento-alvo, igualmente salientou-se nos trabalhos de Peixoto (2007),
Heath e Gifford (2002), Norman, Conner e Bell (1999) e Schifter e Ajzen (1985) em que além
de se relacionar com a Intenção Comportamental, os resultados também demonstraram uma
alta concordância dos respondentes ao construto. Sendo assim, para os homens pesquisados, a
intenção em relação ao comportamento depende estreitamente da condição de controle. Isso
significa que para homem ter intenção de procurar a UBS, é necessário que este serviço tenha
vaga para atendimento, assim como é preciso que estes homens estejam doentes e
necessitando tomar medicação.
Gomes, Nascimento e Araújo (2007) apontaram que a precarização dos serviços
públicos em relação ao atendimento é referida pelos homens como motivo que atrapalha a
busca por esses serviços. Outras investigações consideraram a falta de conhecimento dos
homens com relação às atividades desenvolvidas nas UBS como a razão para que eles
erroneamente acreditarem que só precisam buscar os seus serviços em casos de acidente, malestar, dores ou precisão de tomar medicação, ignorando as consultas de caráter preventivo,
56
tendência ainda hegemônica do modelo curativo (GOMES et al. 2011; JÚNIOR; LIMA,
2009; ALBANO; BASÍLIO; NEVES, 2008).
Ainda foi possível notar que a Atitude correlacionou-se com a Percepção de Controle
assim como no estudo de Rocha (2009). Isso significa que quando a favorabilidade do
controle à Intenção Comportamental aumenta, mais evidente se torna a postura (Atitude) dos
homens perante a Intenção.
Nesse sentido, pode-se dizer que a Intenção Comportamental dos homens participantes
deste estudo de procurar as UBS tem uma baixa precisão, pois, conforme explicado por Ajzen
(1991), para que um comportamento venha a ser realizado com sucesso é necessário a
combinação das variáveis independentes (Atitude, Norma Subjetiva e Percepção de Controle)
com a variável dependente (Intenção Comportamental), o que não foi identificado neste
estudo.
Entretanto, a TCP também defende que o controle pode ser mais influente sobre o
comportamento alvo do que a opinião pessoal ou social, uma vez que Intenção
Comportamental e Percepção de Controle são necessárias para o desempenho de um
comportamento mantendo uma estreita relação, de tal maneira que o efeito da Intenção sobre
o Comportamento depende da Percepção de Controle. Além disso, a Percepção de Controle
pode ligar-se diretamente ao comportamento, sem necessariamente ser mediado pela Intenção,
o que nos leva a crer que, segundo os resultados desta pesquisa, em casos de adoecimento ou
de tomar medicação os homens provavelmente irão procurar as UBS.
De modo geral, Albuquerque (2002) considera que apesar da Psicologia Social avaliar
os comportamentos e as suas consequências, estas são pouco relacionadas à avaliação das
políticas públicas, as quais afetam a vida de milhares de brasileiros. De acordo com Moutinho
e Roazzi (2010) a TCP é particularmente útil e crucial em circunstâncias/projetos/programas
nos quais o comportamento das pessoas precisa ser modificado. Ela pode contribuir, assim,
para que as campanhas produzam mudanças ou a aquisição de determinados comportamentos,
sendo mais eficazes e obtendo melhores resultados que os modelos tradicionais.
57
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
3.1 Considerações Teóricas
O modelo utilizado como base para a avaliação da Intenção Comportamental dos
homens de um distrito sanitário de saúde de Maceió de procurar a UBS, no presente estudo,
foi a TCP de Ajzen (1985). Essa teoria pressupõe que a Intenção Comportamental é o mais
próximo que se pode chegar para predizer o comportamento. Essa intenção de exercer o
comportamento numa ocasião propícia é determinada por três construtos: Atitudes em
Relação ao Comportamento, a Norma Subjetiva e a Percepção de Controle.
Através das análises foi possível evidenciar que apenas o construto Percepção de
Controle se relacionou com a Intenção Comportamental e apresentou valor significativo. No
entanto, os construtos Norma Subjetiva e Atitude não apresentaram impacto significativo
sobre a Intenção dos homens de procurar a UBS. Consideramos assim, que os participantes
não se preocupam tanto com as consequências (mesmo que positivas) de procurar a UBS, e
nem se importam com a influência que os referentes do seu convívio social exercem para a
realização deste comportamento.
O construto Percepção de Controle acima foi abordado em relação a três fatores, sendo
estes: 1.Ter vaga para atendimento; 2.Estar doente; 3.Tomar medicação.
A respeito da parte empírica, contrariamente ao que vem sendo realizado com
frequência nas investigações sobre o comportamento estudado (estudos em sua maioria
qualitativos), utilizamos diferentes modelos de técnicas de coleta e análise de dados. Com isto
tivemos a possibilidade de ter uma maior acurácia na interpretação dos resultados, uma vez
que estes não foram analisados sob o viés de apenas um tipo de metodologia.
Tendo em vista o atual índice de morbidade e mortalidade masculina, inclusive as altas
taxas de internação hospitalar desse público, os resultados propostos pela presente pesquisa
podem ser uma alternativa para que os gestores de saúde local busquem alternativas mais
eficazes a fim atrair os homens às UBS.
3.2 Recomendações Gerais
Como recomendações gerais, sugerimos que as UBS considerem a elaboração de
estratégias que despertem nos homens a necessidade de se procurar estes serviços
preventivamente, e não apenas quando o agravo já está instalado. Da mesma forma, é
58
necessário que estes serviços possam oferecer um atendimento que aproxime os homens de
suas ações, despertando o interesse e a motivação de estarem presente nestes espaços.
Para isso, indicamos que sejam realizadas não só capacitações com os profissionais de
saúde que trabalham nas UBS, preparando-os para acolher o público masculino, como
também que sejam incluídos programas que enfatizem a saúde masculina dentro das políticas
públicas de saúde, assim como já acontece na prevenção da saúde feminina.
3.3 Limitações
Indicamos algumas limitações que, mesmo considerando as contribuições de ordem
teórica e metodológica deste trabalho, podem ser discutidas. Destacamos o fato de não termos
utilizado uma amostra aleatória, que foi selecionada por conveniência, podendo seus
resultados serem restritos pelo tipo de atendimento que é prestado através das equipes de
saúde do distrito sanitário pesquisado, e não pelo conhecimento genérico que fazem das UBS.
Isso pode ter gerado um tipo de resposta bastante padronizado, com pouca variabilidade e
aquém do que se configura como dado representativo do contexto de Maceió.
Destacamos também as limitações de parte do instrumento utilizado que, como vimos,
apresentou algumas falhas metodológicas e, por conseguinte alguns fatores foram excluídos
das análises posteriores, reduzindo nosso conjunto de dados.
3.4 Sugestões para Novas Pesquisas
Como sugestão para novas pesquisas, seria oportuno analisar o comportamento em
questão a partir de uma amostra mais ampla, com homens de diversas regiões de saúde, ou até
mesmo de diferentes municípios ou estados.
Também seria relevante avaliar a Intenção ao Comportamento de procurar as UBS em
função de determinantes de saúde (indivíduos saudáveis versus indivíduos enfermos) e/ou do
gênero, verificando se existe uma maior ou menor Intenção ao Comportamento, bem como
em relação ao comportamento de realizar exames preventivos, ampliando a discussão do
presente estudo.
59
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67
ANEXOS
68
ANEXO 1 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(Conselho Nacional de Saúde, Resolução 466/12)
Eu,
_____________________________________________________________________,
tendo sido convidad(o,a) a participar como voluntári(o,a) do estudo “A invisibilidade
masculina na Atenção Primária à Saúde: um olhar da Teoria da Ação Planejada”, a ser
realizado nas Unidades Básicas de Saúde do III distrito sanitário do município de Maceió-AL,
coordenado pela Profª. Drª. Sheyla C. Santos Fernandes e conduzido pela pesquisadora
Jéssica Bazilio Chaves, aluna do mestrado de Psicologia da Universidade Federal de Alagoas
– UFAL, recebi as seguintes informações que me fizeram entender sem dificuldades e sem
dúvidas os seguintes aspectos:
1. Que o estudo se justifica pela necessidade de ampliação de conhecimentos relacionados à
saúde da população masculina.
2. Que os objetivos da pesquisa são: Avaliar a Intenção Comportamental masculina de
procurar à Unidade Básica de Saúde, tomando como referencial teórico o modelo da Teoria de
Ação Planejada (TAP); Identificar as crenças positivas e negativas do comportamento de
procurar à Unidade Básica de Saúde; Identificar os referentes modais salientes no
comportamento de procurar a Unidade Básica de Saúde; e construir um questionário sobre a
Intenção Comportamental masculina de procurar a Unidade Básica de Saúde.
3. Que a importância desse estudo envolve a possibilidade de contribuir com as políticas
públicas locais que envolvem a saúde do homem, bem como com a Política Nacional de
Atenção Integral à Saúde do Homem.
4. Que este estudo só irá se iniciar após aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa.
5. Que o estudo será feito da seguinte maneira: entrevistas abertas individuais e aplicação
individual de questionários com os homens cadastrados nas Unidades Básicas de Saúde do III
distrito do município de Maceió-AL.
6. Que os possíveis riscos à minha saúde física e mental são: a) quebra de sigilo sobre os meus
dados, no entanto, estou ciente que os mesmos estarão disponíveis apenas ao pesquisador
responsável e orientador desta pesquisa; b) perda de tempo com a minha participação neste
estudo, sendo minimizado pela explicação de todos os passos metodológicos antes da
assinatura do TCLE e explicação dos objetivos da pesquisa, estando ciente que a minha
participação contribuirá com o desenvolvimento do cuidado à saúde do homem no posto de
saúde e distrito sanitário do qual faço parte, e consequentemente do meu município; c)
constrangimento por não saber responder algumas ou todas as questões do roteiro de
entrevista, minimizado pela liberdade de não responder nada que eu não me convenha, tendo
69
garantias no sigilo das informações obtidas conforme descrito anteriormente; d) insatisfação
e/ou irritação por ter meu discurso gravado, podendo me negar caso não concorde.
7. Que caso haja algum desconforto de ordem mental provocado pela pesquisa eu poderei
contar com a assistência da pesquisadora responsável Profa. Dra. Sheyla C. S. Fernandes.
8. Que os benefícios que deverei esperar com a minha participação, mesmo que não
diretamente são: a) a ampliação e divulgação de conhecimentos relacionados à Saúde do
Homem do distrito sanitário do qual faço parte e consequentemente do meu município,
possibilitando o seu desenvolvimento; b) o retorno às Unidades Básicas de Saúde e Secretária
Municipal de Saúde sobre os resultados obtidos na pesquisa, para que possam compreender as
necessidades de seu público-alvo; c) a possibilidade de tomar conhecimento e ser
sensibilizado acerca da importância de procurar à Unidade Básica de Saúde e
consequentemente cuidar da minha saúde.
9. Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do
estudo.
10. Que, a qualquer momento, eu poderei recusar a continuar participando do estudo e,
também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga qualquer
penalidade ou prejuízo.
11. Que a gravação da entrevista com gravador só será realizada com a minha permissão, bem
como a sua transcrição na íntegra.
12. Que as informações conseguidas através da minha participação não permitirão a
identificação da minha pessoa, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação das
mencionadas informações só será feita entre os profissionais estudiosos do assunto.
Garantindo o sigilo absoluto do meu nome na divulgação dos resultados.
13. Que o estudo não acarretará nenhuma despesa para mim.
14. Que eu serei indenizado por qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa.
15. Que eu receberei uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pela
pesquisadora responsável e por mim.
Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha
participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das minhas
responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implicam, concordo
em dele participar e para isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO
EU TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço d(o,a) participante-voluntári(o,a)
70
Domicílio: (rua, praça, conjunto):
Bloco: /Nº: /Complemento:
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:
Contato de urgência: Sr(a). Jéssica Bazilio Chaves
Domicílio: (rua, praça, conjunto): Rua Industrial Luiz Calheiros Júnior
Bloco:102A /Nº: 170 /Complemento: Portal do Farol
Bairro: Farol /CEP: 57055-230 /Cidade: Maceió /Telefone: 8701-6501
Ponto de referência: Na rua das americanas
Endereço d(os,as) responsáve(l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Instituto de Psicologia
Av. Lourival Melo Mota, s/n, Tabuleiro dos Martins, CEP: 57072-900, Maceió/AL.
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua
participação no estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas.
E-mail: secretaria@etica.ufal.br
Endereço: Av. Lourival Melo Mota, s/n, Cidade Universitária - Maceió - AL,
CEP:57072-900.
Maceió, ______ de________________________ de 2015.
71
Assinatura ou impressão
datiloscópica d(o,a) voluntári(o,a) ou
responsável legal e rubricar as
demais folhas
Nome e Assinatura do(s) responsável(eis) pelo estudo
(Rubricar as demais páginas)
72
ANEXO 2 INSTRUMENTO DO ESTUDO I
Roteiro de perguntas norteadoras
1) Quais as vantagens de procurar a Unidade Básica de saúde anualmente por rotina?
2) Quais as desvantagens de procurar a Unidade Básica de saúde anualmente por rotina?
3) Que pessoas e/ou grupos lhe vem a mente para procurar a Unidade Básica de saúde
anualmente por rotina?
4) Que pessoas e/ou grupos aprovaria que você procurasse a Unidade Básica de saúde
anualmente por rotina?
5) Que pessoas e/ou grupos desaprovaria que você procurasse a Unidade Básica de saúde
anualmente por rotina?
6) Quais os fatores que facilitaram para que você procurasse a Unidade Básica de saúde
anualmente por rotina?
7) Quais os fatores que dificultariam para que você procurasse a Unidade Básica de saúde
anualmente por rotina?
Dados sociodemográficos
Idade:
Estado civil:
Escolaridade:
Você já foi a Unidade Básica de Saúde? ( ) SIM
( )NÃO
Se sim, com que frequência? ( ) Uma vez ao ano ( ) Duas vezes ao ano ( )
Mensalmente (
) Outros: especifique ______________
Você acha que os homens devem procurar a Unidade Básica de Saúde? ( ) SIM
(
)NÃO
Entre os homens que você convive é comum procurar a Unidade Básica de Saúde? ( ) SIM
( )NÃO
73
ANEXO 3 INSTRUMENTO DO ESTUDO II
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
MESTRADO EM PSICOLOGIA
Estamos realizando uma pesquisa sobre a procura dos homens ao posto de saúde. Essa
pesquisa tem como objetivo identificar aspectos considerados importantes em um posto de saúde, bem
como fatores que influenciam no momento da decisão de procurar o posto de saúde. Gostaríamos de
contar com sua participação na pesquisa. Para isso, pedimos-lhe que você responda todas as questões.
Por favor, responda cada questão abaixo assinalando o número que melhor descreve sua
opinião, numa escala que vai de “discordo plenamente” a “concordo plenamente”.
RESPONDER
1-Procurar o posto de saúde é cuidar da saúde
2- Procurar o posto de saúde é ser acolhido pelos
profissionais de saúde
3- Procurar o posto de saúde é receber atendimento
com atraso
4- Procurar o posto de saúde é ter tratamento
quando estiver doente
5- Procurar o posto de saúde é ter atendimento de
saúde perto de casa
RESPONDER
6- Minha família acha que eu devo procurar o posto
de saúde
7- As mulheres da minha família acham que eu
devo procurar o posto de saúde
8- Minha companheira(o) acha que eu devo
procurar o posto de saúde
9- Meus vizinhos acham que eu devo procurar o
posto de saúde
10- Eu acho que devo procurar o posto de saúde
DISCORDO
PLENAMENTE
1
2
3
1
2
3
4
4
CONCORDO
PLENAMENTE
5
6
7
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
4
CONCORDO
PLENAMENTE
5
6
7
DISCORDO
PLENAMENTE
1
2
3
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
74
RESPONDER
11- Para procurar o posto de saúde é preciso faltar
o trabalho
12- Para procurar o posto de saúde é necessário ter
vaga no atendimento
13- Para procurar o posto de saúde é necessário
estar com alguma doença
14- Para procurar o posto de saúde é necessário
precisar tomar medicação
DISCORDO
PLENAMENTE
1
2
3
4
CONCORDO
PLENAMENTE
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
Por favor, responda cada questão abaixo assinalando o número que melhor descreva sua
opinião, numa escala que vai de “pouco importante” a “muito importante”.
RESPONDER
15- Cuidar da saúde é
16- Ser acolhido pelos profissionais de saúde é
17- Ter atendimento com atraso é
18- Ter tratamento quando estiver doente é
19- Ter atendimento perto de casa é
POUCO
IMPORTANTE
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
RESPONDER
POUCO
20- Faltar o trabalho é
21- Ter vaga no atendimento é
22- Estar doente é
23- Precisar tomar medicação é
IMPORTANTE
1
2
3
1
2
3
1
2
3
1
2
3
4
4
4
4
4
MUITO
IMPORTANTE
5
6
7
5
6
7
5
6
7
5
6
7
5
6
7
MUITO
4
4
4
4
5
5
5
5
IMPORTANTE
6
7
6
7
6
7
6
7
Por favor, responda cada questão abaixo assinalando o número que melhor descreve sua
opinião, numa escala que vai de “pouco” a “muito”.
RESPONDER
24- O quanto você se importa com a opinião de sua
família?
25- O quanto você se importa com a opinião das
mulheres de sua família?
26- O quanto você se importa com a opinião de sua
companheira(o)?
27- O quanto você se importa com a opinião de
seus vizinhos?
28- O quanto você se importa com a sua opinião?
MUITO
1
2
3
4
5
6
POUCO
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
1
2
3
4
5
6
7
Por gentileza, responda agora as questões abaixo:
RESPONDER
DISCORDO
PLENAMENTE
CONCORDO
PLENAMENTE
75
29- As pessoas cujas opiniões são importantes para
mim, apoiariam a procura pelo posto de saúde (nos
próximos 12 meses)
30- Irei ao posto de saúde caso as pessoas cujas
opiniões são importantes para mim, sejam
favoráveis (nos próximos 12 meses)
31- Eu me esforçarei para procurar o posto de
saúde (nos próximos 12 meses) caso isso me traga
vantagens
32- Eu planejo procurar o posto de saúde (nos
próximos 12 meses) se tiver condições para isso
1
2
3
4
5
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Para completar, forneça alguns dados pessoais:
Idade: _________________
Nível de escolaridade: ______________________
Profissão: ___________________________ Religião: ____________________________
Estado civil: __________________________
Residência: Própria (
) Alugada (
) Familiares (
Renda familiar: Menos de um salário mínimo (
mínimo ( ) Dois salários mínimos ( )
Como está a sua saúde?: Muito ruim (
Muito boa ( )
) Outros (
) : _______________
) Um salário mínimo (
) Fraca (
) Nem ruim nem boa (
) Mais de um salário
) Boa (
)
Qual destes serviços você frequentemente procura para cuidar da saúde: Posto de saúde (
Consultório particular ( ) Hospital ( ) Farmácia ( ) Outros ( ):
______________________
Frequência ao posto de saúde: Anualmente (
__________________________
É hipertenso? (
) Sim
É diabético? (
) Sim
É alcoolista? (
) Sim
É fumante? (
) Sim (
(
(
) Mensalmente (
) Não
) Não
(
) Não
) Não
Possui alguma doença respiratória? (
) Sim (
) Não
Se sim, qual? : __________________________________
Possui alguma doença do coração? (
) Sim (
) Não
Se sim, qual? : __________________________________
Possui alguma deficiência? (
) Sim (
) Não
Se sim, qual? : __________________________________
) Nunca (
) Outros (
)
):
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Tem transtorno mental? (
) Sim (
) Não
Se sim, qual? : __________________________________
Tem ou já teve alguma DST? (
) Sim (
) Não
Se sim, qual? : __________________________________
Tem ou já teve câncer? (
) Sim (
) Não
Se sim, qual? : __________________________________
Já sofreu algum acidente? (
) Sim (
) Não
Se sim, qual? : __________________________________
Possui alguma outra doença? (
) Sim (
) Não
Se sim, qual? : __________________________________
Forma de administração do questionário: Auto-administrado (
)
Administrado pelo entrevistador (
)
) Assistido pelo entrevistador (
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ANEXO 4 APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA UFAL
