Marcelo Jackson Santos - Cidade e saúde mental: Análise dos discursos em redes científicas brasileiras

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

MARCELO JACKSON SANTOS SILVA

CIDADE E SAÚDE MENTAL: ANÁLISE DOS DISCURSOS EM REDES
CIENTÍFICAS BRASILEIRAS

Orientador: Dr. Jefferson de Souza Bernardes

Maceió
2015

MARCELO JACKSON SANTOS SILVA

CIDADE E SAÚDE MENTAL: ANÁLISE DOS DISCURSOS EM REDES
CIENTÍFICAS BRASILEIRAS

Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
Universidade

Federal

de

Alagoas

para

obtenção do título de mestre.

Orientador: Dr. Jefferson de Souza Bernardes

Maceió
2015

FOLHA DE APROVAÇÃO

MARCELO JACKSON SANTOS SILVA

CIDADE E SAÚDE MENTAL: ANÁLISE DOS DISCURSOS EM REDES
CIENTÍFICAS BRASILEIRAS

Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
Universidade

Federal

de

obtenção do título de mestre.
Banca examinadora:
____________________________________________________
Prof. Dr. Jefferson de Souza Bernardes -Presidente e Orientador
(Universidade Federal de Alagoas-UFAL)

____________________________________________________
Prof.ª Dra. Deise Juliana Francisco - Examinadora externa
(Universidade Federal de Alagoas- UFAL)

____________________________________________________
Prof.ª Dra. Telma Low Silva Junqueira- Examinadora interna
(Universidade Federal de Alagoas-UFAL)

Alagoas

para

AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, Clemilton e Suely, pelo apoio e compreensão, mesmo de longe, durante meu
processo no mestrado, e a toda atenção e afeto dedicados desde meu nascimento.
A minha tia-avó “Ciça” (in memoriam), minha segunda mãe, pelo cuidado a mim dedicado, e
pelas tantas estórias contadas, que me afetam até os dias atuais, e sem as quais esta
dissertação não seria a mesma.
A minha irmã, pelo afeto e companheirismo dedicado.
A meu orientador, Jefferson Bernardes, pela parceria durante o processo do mestrado, pelo
respeito às opções do orientando, pelas observações cuidadosas sobre a dissertação, pela
forma de se dispor com o orientando para além da formalização instituída, possibilitando a
construção de laços de amizade. Também a sua esposa, Ninna, e seus filhos, Thomas e Alícia,
pelas gentilezas prestadas no recebimento em vosso lar, durante as etapas de orientação.
A professora Dra. Deise Francisco, pelas observações contundentes na baca de qualificação, e
por aceitar participar da banca de defesa.
A professora Dra. Barbara Cabral, pela participação na banca de qualificação.
A professora Dra. Telma Low, por aceitar participar da banca de defesa.
Ao professor da UFPE Ms. Eniel Sabino, pelas conversas, mesmo antes do mestrado, que
engendraram algumas questões postas na dissertação.
À Evelyn Siqueira, pelo companheirismo e afeto prestado nos últimos meses antes da defesa,
que contribuíram para a finalização desta etapa.
À turma do mestrado, em especial à Barbara, Marcos Leandro e Walkiria, pelo
companheirismo e pelas boas risadas.
Aos colegas do grupo de pesquisa “Psicologia e Saúde”, pela parceria durante o mestrado.
À Anna Júlia, por ter emprestado seu computador, quando o meu quebrou às vésperas da
qualificação, e pela amizade nesta minha estadia em Maceió.
Aos queridos de Maceió, Ágatha, Barbara Baptista, Bruna, Luana, Manu e Soriano; pela
amizade.
Aos queridos de Recife, Antônio, Clebes, Cynthia, Chiquinho, Leonardo, Sady, e tantos
outros; pelos diversos momentos compartilhados.
Às companheiras de trabalho em Rio Largo, Arlyse e Edmée, pelos compartilhamentos
corriqueiros.

[...] O hospício de alienados, sob o manto da
ciência e da justiça, é comparável à caserna, à
prisão, à masmorra. [...] Os loucos são as
vítimas individuais por excelência da ditadura
social;

em

nome

dessa

individualidade

intrínseca ao homem, exigimos que sejam
soltos esses encarcerados da sensibilidade,
pois não está ao alcance das leis prender
todos os homens que pensam e agem.(Antonin
Artaud,

Carta

ao

médicos-chefes

do

cidade

de

manicômios)

Formigante

cidade,

cheia

sonhosOnde o espectro em pleno dia assedia o
passante...Os mistérios por todo lado fluem
feito seiva. (Charles Baudelaire, Les sept
vieillards)

O objeto principal da política é criar a
amizade entre membros da cidade (Aristóteles,
A Política)

RESUMO

O objetivo da pesquisa foi analisar as produções sobre a cidade nas redes de pesquisa e de
literatura científica brasileira que abordam a temática da atenção à saúde mental. Na Idade
Média os sujeitos considerados “loucos” tinham a liberdade de circular pelos espaços públicos
da cidade e se relacionar com a dinâmica dos acontecimentos citadinos. Já a partir da criação
dos manicômios, estes “loucos” passaram a ser confinados e excluídos do convívio do espaço
público. A partir de meados do século XX vários movimentos pela Reforma Psiquiátrica
contribuíram para a construção de modelos de atenção à saúde mental em ambientes abertos,
sem enclausuramentos. A partir desta perspectiva, trabalhos de alguns pesquisadores deste
campo têm orientado problematizações sobre os potenciais da cidade para atenção à saúde
mental. Assim, coloca-se o problema de saber se aatenção à saúde mental exercida na cidade
possui um potencial terapêutico, e se este potencial pode ser dinamizado e desenvolvido.
Algumas abordagens teóricas foram utilizadas para esta discussão, entre as principais, a noção
de Biopolítica em Foucault e as noções de Cidade Moderna e Cidade Contemporânea
referenciadas pelo urbanismo e pela geografia; e em menor relevância, a noção deleuziana de
Sociedade de Controle e as discussões sobre saúde mental por produções acadêmicas da saúde
coletiva. Para tanto, foram analisados registros presentes nas seguintes redes científicas:
Diretório de Grupos do CNPq; Banco de dados do SciELO; Currículo Lattes. O caminho de
análise traçado seguiu alguns critérios sugeridos por Foucault para uma Arqueologia das
Ciências. Como resultado pode-se observar a existência de três principais discursos sobre a
cidade nas redes científicas: a cidade enquanto Localização Geográfica; a cidade enquanto
Conjunto Sociodemográfico; a cidade enquanto Dispositivo Clínico-Político. Estes discursos
foram então problematizados com as abordagens teóricas adotadas nesta pesquisa, o que
proporcionou considerações críticas sobre as noções de cidade nas perspectivas das produções
acadêmicas que trabalham com a atenção a saúde mental.Assim, esta pesquisavisa contribuir
para o desenvolvimento da atenção à saúde mental no Brasil.
Palavras-chaves: Saúde Mental, Planejamento de Cidades, Governo, Gestão da Ciência,
Tecnologia e Inovação em Saúde.

ABSTRACT
The objective of the research was to analyze the productions about city in Brazilian‟s
research networks and scientific literature addressing the issue of mental health care. In
the Middle Ages the subjects considered "crazy" were free to move around the city's public
spaces and relate to the dynamics of cities events. Since the creation of asylums, these "crazy"
became confined and excluded from the coexistence in the public space. Since the midtwentiethcentury, various movements in favor of Psychiatric Reform contributed to the
construction of models of care to mental health that occur outdoors without enclosures. From
this

perspective,

the

works

of

some

researchers

of

this

field

have

guided problematizations about the potential of the city to mental health care. Thus arises the
question whether the mental health care exercised in the city has a therapeutic potential, and
this potential can be streamlined and developed.Some theoretical approaches were used for
this discussion, among the main, the notion of Biopolitics in Foucault and the notions of
Modern City and Contemporary City referenced by urbanism and geography; and, to a lesser
relevance, Deleuze's notion of Society Control and discussions on mental health for academic
productions of public health. Therefore, were analyzed records present in the following
scientific networks: CNPq‟s Group Directory; Data Bank SciELO; Lattes Curriculum. The
analysis of the traced path followed some suggested criteria by Foucault for Archaeology of
Sciences. As a result, it can be seen that there are three main speeches about the city in the
scientificnetworks: the city as Geographic Location; the city as Sociodemographic Conjunct;
the city as a Clinical-Political Device. These speeches were problematized with the theoretical
approaches adopted in this research.It provided critical considerations aboutnotions of city
from the perspectives of academic productions in the filedof mental health. Thus, this research
aims to contribute to the development of mental health care in Brazil.
Keywords:Mental Health,City planning, Government, Management Science, Technology and
health innovation.

LISTA DE TABELAS
TABELA 1 Distribuição dos Locais de Registro .................................................................................................. 57
TABELA 2 Distribuição dos Vocábulos ............................................................................................................... 58
TABELA 3Distribuição dos Pressupostos............................................................................................................. 59
TABELA 4 Relação entre Local de Registro e Campo do Vocábulo ................................................................... 60
TABELA 5 Relação entre Local de Registro e Pressuposto ................................................................................. 62
TABELA 6 Relação entre Pressuposto e Campo do Vocábulo ............................................................................. 62
TABELA 7 Lista das produções científicas analisadas no Diretório de Grupos do CNPq ............... APÊNDICE A
TABELA 8 Lista dos vocábulos no Diretório de Grupos do CNPq ................................................... APÊNDICE B
TABELA 9 Lista das produções científicas analisadas no SciELO ................................................... APÊNDICE C
TABELA 10 Lista dos vocábulos no SciELO ................................................................................... APÊNDICE D
TABELA 11 Lista das produções científicas analisadas no Currículo Lattes .................................... APÊNDICE E
TABELA 12 Lista dos vocábulos no Currículo Lattes ....................................................................... APÊNDICE F

LISTA DE SIGLAS

AT

Acompanhante Terapêutico

BIREME

Centro Latino-americano e do Caribe de Informações em Ciências da

CAPS

Centro de Atenção Psicossocial

CAPSi

Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil

CNCT

Cadastro Nacional de Competência em Ciência e Tecnologia Saúde

CNPq

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

CT&I

Ciência, Tecnologia e Inovação

DATASUS

Departamento de Informática do Sistema único de Saúde

FAPESP

Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

MTSM

Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental

PISAM

Plano Integrado de Saúde Mental

PTS

Projeto Terapêutico Singular

SciELO

Scientific Eletronic Library Online

SRTs

Serviços de Residências Terapêuticas

SUS

Sistema único de Saúde

TCM

Transtornos Mentais Comuns

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................ 9
2 O BIOPODER E SEUS MECANISMOS: CÓDIGO JURÍDICO-LEGAL; SISTEMA DISCIPLI NAR; DISPOSITIVO DE
SEGURANÇA....................................................................................................................................................22
2.1 OS MECANISMOS DE BIOPODER SÃO LOCALIZADOS ................................................................................................. 24
3. A CIDADE MODERNA E A CIDADE CONTEMPORÂNEA: LOCAIS DE AÇÃO DOS MECANISMOS DISCIPLINARES
E DE SEGURANÇA ............................................................................................................................................27
4. ASSISTÊNCIA À SAÚDE MENTAL: JUSTIFICATIVAS ENTRE O CONFINAMENTO E A LIBERDADE DE TRANSITAR
.......................................................................................................................................................................35
5. REGIÕES DE PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO .............................................................................................39
5. 1 AS REDES CIENTÍFICAS ...................................................................................................................................... 40
5. 1. 1 O Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq ..................................................................................... 41
5.1.2 Scientific Electronic Library Online - SciELO ........................................................................................ 44
5. 1. 3 O currículo Lattes .............................................................................................................................. 45
6 DISCUSSÃO METODOLÓGICA: SOBRE TRILHAS E DESCAMINHOS .................................................................48
6. 1 ANÁLISE DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS: FUNDAMENTAÇÕES ..................................................................................... 48
6.2 ANÁLISE DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS: PROCEDIMENTOS ......................................................................................... 53
7. RESULTADOS ...............................................................................................................................................56
7.1 CRITÉRIOS DE ANÁLISE....................................................................................................................................... 56
7.1.1 Primeiro critério de análise: locais de registro .................................................................................... 56
7. 1. 2 Segundo critério de análise: vocábulos utilizados ............................................................................. 57
7. 1. 3 Terceiro critério de análise: pressupostos ......................................................................................... 58
7.2 CRUZAMENTO DOS CRITÉRIOS ............................................................................................................................. 59
8. DISCUSSÃO .................................................................................................................................................63
8. 1 LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA ............................................................................................................................... 64
8.2 CIDADE ENQUANTO CONJUNTO SOCIODEMOGRÁFICO (POPULAÇÃO) ......................................................................... 68
8.3 CIDADE ENQUANTO DISPOSITIVO CLÍNICO-POLÍTICO ............................................................................................... 73
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................................................79
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................84
APÊNDICES ......................................................................................................................................................88

9

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho é produto de um processo de pesquisa que analisou as
produções sobre a noção de Cidade nas redes de pesquisa e de literatura científica brasileira
que abordam a temática da atenção à saúde mental.
Na era clássica, na Europa, o lugarde tratamentoaos considerados loucos era
prioritariamente a natureza, pois se compreendia este espaço como possuidor de um potencial
terapêutico capaz de dissipar os erros e ilusões aos quaisse atribuía a loucura. Acreditava-se
na natureza como o lugar onde a verdade se torna visível, distintamente da cidade, que seria o
local capaz de potencializar o erro e a ilusão. Assim, em relação ao tratamento, devia-se
afastar o louco da convivência com os perigos da cidade. “As prescrições dadas pelos médicos
eram de preferência a viagem, o repouso, o passeio, o retiro, o corte com o mundo vão e
artificial da cidade” (FOUCAULT, 2007, p. 120).
Já no período medieval e no Renascimento,a relação entre a cidade e a atenção
àqueles tidos como insanos se constituiu de forma diversa. Em geral, tais locais costumavam
assumir a responsabilidade por seus loucos, expulsando aqueles não nascidos em seu
território, mas que, como errantes, por lá acabavam por chegar (FOUCAULT, 1978).
De forma mais específica, algumas dessas cidades organizavam e financiavam
peregrinações para os insanos, existiu até uma embarcação (Narrenschiff – A Nau dos
Loucos) que foi destinada a este propósito. Houve, também, casos de cidades que mantinham
alojados, com recursos próprios, os loucos oriundos de seu território e/ou de outras regiões,
situação em que eramsimplesmente aprisionados.E, ainda, cidades nas quais os loucoseram
levados,por mercadores e marinheiros, para serem abandonados em outras regiões, onde
“[...]eles eram ali „perdidos‟, purificando-se assim de sua presença a cidade de onde eram
originários”(FOUCAULT, 1978, p. 15).
A partir do século XVII foi o isolamento social, o confinamento, que passou a ser
a prática comum a qual eram submetidos os considerados insanos, cabendo “[...] recolher,
alojar, alimentar aqueles que se apresentavam de espontânea vontade, ou aqueles que lá são
encaminhados pela autoridade real ou judiciária” (FOUCAULT, 1978, p. 55-56).
Os espaços desses internamentos receberam a alcunha de Hospital Geral 1 e
tornaram-se os locais onde eram “jogados”, a sua própria sorte, os entes desviantes da norma

1

Foucault (1978) relatou que nesta época algumas casas na cidade de Paris também foram destinadas ao
isolamento dos marginalizados.

10

social, aí se incluíam, além dos loucos, pervertidos, delinquentes e demais marginalizados
(AMARANTE, 1996). Não havia, então, neste isolamento uma caracterização específica da
loucura, como afirma Foucault (1978):
[...] sabe-se que os loucos, durante um século e meio, foram postos sob o regime
desse internamento, e que um dia serão descobertos nas salas do Hospital Geral, nas
celas das „casas de força‟; percebe-se também que estavam misturados com a
população das Workhouses ou Zuchthdusern. Mas nunca aconteceu de seu estatuto
nelas ser claramente determinado, nem qual sentido tinham essa vizinhança que
parecia atribuir uma mesma pátria aos pobres, aos desempregados, aos
correcionários e aos insanos (p. 55-56).

A partir das últimas décadas do século XVIII se iniciaramquestionamentos sobre
as condições às quais os loucos eram submetidos nos Hospitais Gerais,com o argumentoda
necessidade de uma atenção com parâmetros científicos para a loucura. Motes utilizados pelo
médico francês Philippe Pinel para reivindicar reformulações na organização do Hospital
Bicêtre em Paris (FOUCAULT, 1978).
Pinel elaborou o Traité médico-philosophique sur l’ aliénation mentale, que
aborda a primeira incursão científica sobre a loucura. Criou-se o conceito de Alienação
Mental, eoisolamento do espaço público da cidade, que nos Hospitais Gerais tinha por
finalidade o simples aprisionamento, passou a constituir um princípio terapêutico fundamental
do novo local de internamento,o Asilo. Instituiçãoque surgiu para a atenção exclusiva ao
fenômeno da loucura, onde o loucorecebia um tratamento moral cientificamente embasado
(AMARANTE, 1996).
Outros sistemas teóricos de caracterização da loucura, como o modelo de
Kraepelin, que marca o início da Psiquiatria do século XX, sucederam o modelo proposto por
Pinel. Mas, a questão do confinamento dos loucos permaneceu como proposta hegemônica de
local de tratamento até meados do século XX, quando, após a Segunda Grande Guerra
Mundial, vários debates referentes àpsiquiatria se intensificaram. Estes eram caracterizados,
segundo Amarante (1996), por um “[...] um conjunto de enunciados, propostas e arranjos de
natureza técnica e administrativa sobre o campo disciplinar e de intervenção da psiquiatria
[...]” (p.15), queficaram conhecidos pela alcunha de Reforma Psiquiátrica.
Não havia um consenso no campo dessas reformas, o que culminou na ampla
variedade de propostas,“[...] dentre as quais destacam-se as de comunidades terapêuticas, de
psicoterapia institucional, de psiquiatria de setor, de psiquiatria preventiva e comunitária, de
antipsiquiatria, de psiquiatria democrática, para ficar apenas entre as mais importantes[...]”
(AMARANTE, 2014, p. 79).

11

Essas propostas de Reforma Psiquiátrica apresentaram variações quanto ao local
de atenção aos portadores de transtorno mental, mas, de uma forma geral, posicionaram-se
contra o uso do internamento em hospitais psiquiátricos como único modelo de
tratamento.Em alguns casos se criou serviços intermediários entre o hospital psiquiátrico e o
espaço público, em outros, a saída do hospital se caracterizou pela desassistência por parte do
Estado. Porém, vale ressaltar que nem todas as propostas surgidas defendiam o término dos
hospitais psiquiátricos, mas em vários casos a coexistência desse modelo com outros serviços
(AMARANTE, 1996).
No Brasil, o processo de asilamento dos loucos teve início em meados do século
XIX. A psiquiátrica a esta época agiu em prol da organização de um modelo de sociedade, na
quala exclusão da loucura do espaço público matinha relação intrínseca com os novos
fenômenos da vida nas cidades. Mais especificamente pela reorganização do espaço público
urbano, devido ao crescimento das cidades e das populações, como descreve Amarante
(AMARANTE, 2014):
As mudanças sociais e econômicas, no período que se segue, exigem medidas
eficientes de controle social, sem as quais torna-se impossível ordenar o crescimento
das cidades e das populações. Convocada a participar dessa empresa de
reordenamento do espaço urbano, a medicina termina por desenhar o projeto do qual
emerge a psiquiatria brasileira. [...] É a partir desse momento que os loucos passam a
ser considerados doentes mentias, merecedores, portanto, de um espaço social
próprio, para sua reclusão e tratamento. ( p. 74).

Porém, no Brasil, diferentemente ao que se configurava a esta época em parte da
Europa, estes projetos assistenciais para a loucura eram gerenciados pela Igreja. Assim, os
espaços de internação se configuravam como lugares de prestação de caridade e não por uma
função científica, como defendiam os alienistas (AMARANTE, 2014).
Esta característica dos espaços de internação no Brasil foi unânime até fins do
século XIX, quando após a proclamação da república se promoveu uma modernização da
psiquiatria pelos alienistas brasileiros, que influenciados por ideais positivistas e republicanos
objetivavam dar um caráter científico a assistência prestada aos loucos (AMARANTE, 2014).
Entre as mudanças ocorridas a esta época promoveu-se a criação de novos espaços
de atenção ao louco, pois as instituições de internamento eram criticadas pelos psiquiatras
alienistas brasileiros por serem consideradas como representantes do absolutismo político, o
que estava de encontro aos ideais liberais promulgados. Pela concepção de uma nova ordem
social, defendeu-se a atuação da psiquiatria no espaço social, “[...] espaço onde vivem as
pessoas, onde se estruturam as doenças mentais, e não se limitar apenas ao espaço cercado

12

pelos muros do asilo” (AMARANTE, 2014, p. 76). Assim, foi criado o modelo de colônias
para este tipo de assistência.
O princípio fundamental do modelo de colônia era o de promover uma maior
interação entre os loucos e a comunidade, de forma que estes pudessem conviver em casa e/ou
no trabalho. O trabalho era, então, um ideal importante para a nova ordem social e, por isso,
passou a ser utilizado como função terapêutica na assistência prestada na colônia.
(AMARANTE, 2014).
Após 1923, se inaugura no Brasil a Liga Brasileira de Higiene Mental, que
continuou caracterizando as intervenções sobre os ditos doentes mentais como uma prática de
regulação do espaço social, demarcadas a este momento por características eugenistas,
xenofóbicas, antiliberais e racistas. O internamento tinha a função de retirar do espaço social
e, portanto, também da cidade, aqueles que não se enquadram no modelo idealizado, numa
tentativa de criar um espaço público asséptico, eugênico, caracterizado por certa normalidade
(AMARANTE, 2014).
Já apartir da década de 1950, a psiquiatria brasileira foi principalmente
influenciada pelo modelo de Psiquiatria Comunitária desenvolvido nos Estados Unidos, que
tinha como princípio uma assistência prestada com o objetivo de promover Saúde Mental.
Sendo Saúde Mentalnesta concepção definida pela capacidade adaptativa do assistido a um
determinado meio social. A este modelo referem-se Birman e Costa (2014) da seguinte forma:
A reforma do hospital psiquiátrico deve ser abandonada como ação preferencial,
tornando-se o espaço social mais amplo, o espaço da ação da psiquiatria: a
“Comunidade”. Responsabilidade de todos, cidadãos e governo, instituições
públicas e privadas, estratégias de promoção da Saúde Mentalse explicita, tornandose a preocupação referida da Nova Psiquiatria(p. 54).

A partir da década 1960 houve uma grande expansão do setor privado de saúde no
atendimento de demandas da saúde mental, com o Estado brasileiro, por meio de seus órgãos
responsáveis, pagando parte da demanda por práticas de assistência em instituições privadas.
O modelo da Psiquiatria Comunitária se ampliou, foram criadas as comunidades terapêuticas,
organizadas a partir do Plano Integrado de Saúde Mental -PISAM (AMARANTE, 2014).
Outro modelo que teve destaque a esta época foi o da Psiquiatria Preventiva, que
passou a promover a perspectiva de que a promoção de Saúde Mental é caráter preventivo do
adoecimento mental, e deve ser efetivada através da adaptação aos recursos do espaço social,
ao promover uma homeostase entre os indivíduos e este espaço. “Adoecer mentalmente é
falhar nos mecanismos interativos da „Comunidade‟ constituída, e curar é restabelecer este
equilíbrio [...]” (BIRMAN; COSTA, 2014, p. 56).

13

Nos últimos anos da década de 1970, o Movimento dos Trabalhadores em Saúde
Mental- MTSM foi o principal agente propositivo de mudanças, no Brasil, quanto a atenção
em Saúde Mental, influenciado pelo modelo italiano de reforma psiquiátrica como proposto
por Franco Basaglia, visava uma mudança não apenas focada na desospitalização dos
pacientes internos, mas também em uma necessidade de reconfiguração social do caráter da
loucura. Fortalecendo a crítica ao saber médico, surgem novos protagonistas na atenção à
saúde mental, externos a instituição psiquiátrica.
Oprincípio deste modelo de Reforma Psiquiatra era impelir processos de
desinstitucionalização. E para isto não bastava deslocar o local da atenção, pois se considerou
que uma atenção à saúde mental que mantivesse características de um hospital psiquiátrico,
mesmo que efetivada em um espaço aberto, continuaria a institucionalizar os assistidos, seria
um manicômio “a céu aberto” (ROTELLI, 2014).
Essas propostas culminaram, a partir do final da década de 1980, no Brasil, para
uma:
[...] crescente organização e mobilização dos trabalhadores e usuários dos serviços
de saúde mental, que se instituiu uma série de medidas em favor daquilo que se
convencionou chamar de reforma psiquiátrica (Vasconcelos, 1996). Se isso ainda
não é suficiente para subtrair o manicômio do panorama nacional, tem resultado no
aumento crescente da oferta de serviços e práticas inovadoras de cuidado e
assistência no campo da saúde mental, especialmente em municípios cujos governos
locais mostram-se mais comprometidos com a proposta da reforma (PALOMBINI,
1999, p. 28).

Entre estas práticas inovadoras, foram criados diversos serviços de atenção à
saúde mental no Brasil que têm suas ações pautadas através da construção de técnicas de
intervenção de base territorial, em que há uma explícita articulação com a comunidade local.
Em 1987, o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental assume-se enquanto
um movimento social, e não apenas de técnicos e administradores, e lança o lema
“Por uma Sociedade sem Manicômios”. O lema estratégico remete para a sociedade
a discussão sobre a loucura, a doença mental, a psiquiatria e seus manicômios. No
campo prático, passa-se a privilegiar a discussão e a adoção de experiências de
desinstitucionalização. Esta, implica não apenas num processo de desospitalização,
mas de invenção de práticas assistenciais territoriais; um processo prático de
desconstrução dos conceitos e das práticas psiquiátricas(AMARANTE, 2014, p. 81).

No Brasil, entre as atuais tecnologias de assistência à Saúde Mental que têm suas
práticas exercidas ou articuladas com o espaço público da cidade, pode-se citar, por exemplo,
os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os Serviços de Residências Terapêuticas (SRTs)
e a atividade de Acompanhante Terapêutico (AT).
O CAPS, por exemplo, é o serviço responsável por organizar as ações da rede de
Saúde Mental brasileira. É o “carro-chefe” da Política Nacional de Saúde Mental, a qual os

14

demais serviços devem se referenciar, sendo uma instituição que tem seu foco no cuidado
prestado no contexto do território ao qual abrange (BRASIL, 2004a).
O Serviço de Residência Terapêutica- SRT, regulamentado pela Portaria
nº106/2000 do Ministério da Saúde, é outra tecnologia assistencial de base territorial que
compõe a rede de atenção em saúde mental no Brasil. Consiste em criar espaços de habitação
(casas) dentro da cidade para ex-internos de instituiçõespsiquiátricas. A relação dos
moradores dessas casas com o território que habitam e, por consequência, a cidade, torna-se
fundamental para romper com ciclo do padrão de institucionalização gerado pelo
confinamento a que estes foram submetidos(BRASIL, 2004b).
A atividade de Acompanhante Terapêutico não é reconhecida como uma profissão
da área da saúde, mas vem sendo desenvolvida no Brasil desde a década de 1970, e ganhou
espaço nos serviços públicos do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do final da década de
1980 e início da década de 1990, atendendo a interface de demandas do Movimento Sanitário
Nacional e do Movimento de Reforma Psiquiátrica brasileira: “[...] juntando forças na luta
pela reformulação dos cuidados em saúde mental, principalmente através dos CAPS e dos
Residenciais Terapêuticos, evidenciando a aposta de uma atenção feita de fato no território”
(BENEVIDES, 2007, p. 56-57).
O atual marco legal para a assistência à Saúde mental no Brasil é a Lei nº 10.216,
enviada ao Congresso Nacional em 1990 e promulgada em 2001.Tem influência do
movimento da Reforma Psiquiátrica brasileira e passou a orientar a criação dos serviços de
base territorial, visando substituir os hospitais e manicômios psiquiátricos. Como trata seu
artigo 2º, inciso IX, “ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde
mental”(BRASIL, 2001); e no artigo 4º, parágrafo 1º, “O tratamento visará, como finalidade
permanente, a reinserção social do paciente em seu meio” (BRASIL, 2001).Nessa perspectiva,
o assistido deixou de ser considerado um louco a ser isolado da sociedade e passou a ser
considerando um cidadão, possuidor de direitos, devendo ser incluso na vivência dos espaços
coletivos.
A legislação em questão observa ser fundamental o desenvolvimento e a
consolidação de tecnologias de assistência em uma rede comunitária de cuidados para
efetivação dos princípios da Reforma Psiquiátrica, como alternativa substitutiva aos hospitais
psiquiátricos. Acrescenta, ainda, que esta rede não se resume ao conjunto de serviços públicos
destinados à atenção em saúde mental, mas ao se definir como de base comunitária, deve se
articular aos diversos espaços da cidade e outras instâncias não pertencentes à máquina
pública (BRASIL, 2005).

15

É a articulação em rede de diversos equipamentos da cidade, e não apenas de
equipamentos da saúde, que pode garantir resolutividade, promoção da autonomia e
da cidadania das pessoas com transtornos mentais. Para a organização desta rede, a
noção de território é especialmente orientadora (BRASIL, 2005, p. 26).

E acrescenta:
O território é a designação não apenas de uma área geográfica, mas das pessoas, das
instituições, das redes e dos cenários nos quais se dão a vida comunitária. Assim,
trabalhar no território não equivale a trabalhar na comunidade, mas a trabalhar com
os componentes, saberes e forças concretas da comunidade que propõem soluções,
apresentam demandas e que podem construir objetivos comuns. Trabalhar no
território significa assim resgatar todos os saberes e potencialidades dos recursos da
comunidade, construindo coletivamente as soluções, a multiplicidade de trocas entre
as pessoas e os cuidados em saúde mental. É a ideia do território, como organizador
da rede de atenção à saúde mental, que deve orientar as ações de todos os seus
equipamentos (BRASIL, 2005, p. 26).

São múltiplas as referências ao espaço onde deve ocorrer a atenção à saúde
mental, como observado: meio; comunidade território; cidade. Todas fazendo referência a
perspectiva da desinstitucionalização proposta pelo modelo de Reforma Psiquiátrica adotado.
Ao se retirar a atenção prestada do confinamento, é com a instituição da “loucura” que se
pretende romper.
Porém, ao se referir a este local onde é prestada a assistência, a literatura
acadêmica ora utiliza o termo Meio, ora Território, ora Comunidade, ora Cidade; não sendo
estes sinônimos. Esta diversidade de termos aparece também nas legislações da Saúde Mental
no Brasil, e nas referências do modelo de Reforma Psiquiátrica italiana 2, que serviu de aporte
para a atual Política Nacional de Saúde Mental.
A noção de “meio” tem origem nas ciências da natureza, o “meio ambiente”, que
caracteriza o “homem” como ser biológico, constituinte de uma espécie. A alusão a noção de
“meio” como localização teve seu início de utilização a partir de alguns geógrafos do início
do século XX, que com pretensões de estabelecer um caráter mais positivista à geografia
adotaram uma série de metáforas organicistas (VASCONCELOS, 1999).
O uso da noção de território na atenção em saúde mental no Brasil tem sua origem
na saúde coletiva, visto que a rede de serviços de saúde mental é articulada à rede do Sistema
Único de Saúde-SUS. O SUS passou a utilizar as divisões territoriais para operacionalizar
suas ações administrativas, gerenciais, econômicas e políticas. Tais divisões estabeleceram-se
como instrumento para o princípio constitucional de regionalização da saúde previsto a partir
de 1988, em que a organização dos serviços passou a obedecer aos níveis de complexidade

2

A principal proposta de Reforma Psiquiátrica adotada no Brasil, que referência a Política Nacional de Saúde
Mental, é inspirada na Psiquiatria Democrática, proposta surgida na Itália e que tem como principal referência
teórica o trabalho de Franco Basaglia.

16

(primário, secundário e terciário), definidos a partir de características tecnológicas,
geográficas e populacionais.
O Distrito Sanitário passou a ser a unidade organizacional mínima do sistema de
saúde, sendo caracterizado por uma base territorial definida política e geograficamente,
comportando uma rede de serviços de saúde de acordo com o padrão de sua população,
articulada de forma hierárquica aos outros níveis de complexidade da rede de saúde.
Assim, esta noção de território foi construída historicamente, sendo lugar de
expressão do poder do Estado, das agências e de seus cidadãos. Essa característica de ação do
poder é fundamental para entender que:
O espaço-território, muito além de um simples recorte político-operacional do
sistema de saúde, é o locus onde se verifica a interação população-serviços no nível
local. Caracteriza-se por uma população específica, vivendo em tempo e espaço
singulares, com problemas e necessidades de saúde determinados, os quais para sua
resolução devem ser compreendido e visualizado espacialmente por profissionais e
gestores das distintas unidades prestadoras de serviços de saúde. Esse território
apresenta, portanto, muito mais que uma extensão geométrica, também um perfil
demográfico, epidemiológico, administrativo, tecnológico, político, social e cultural
que o caracteriza e se expressa num território em permanente construção
(BARCELLOS; ROJAS, 2004, p. S/N).

Ao traçar padrões epidemiológicos de determinadas regiões, a saúde pública tem
como finalidade caracterizar os riscos à saúde de uma população, mapeando as variáveis
sanitárias, socioeconômicas e ambientais ligadas a padrões de risco. Nos territórios os
fenômenos relacionados ao risco ocorrem de forma simultânea, de maneira que suas
repercussões são sentidas como uma totalidade (BARCELLOS; ROJAS, 2004).
Na área da atenção àSaúde Mental, algumas pesquisam sugerem que as práticas
exercidas no território têm apresentado grandes lacunas entre sua efetividade e os princípios
daReforma Psiquiátrica Brasileira, “[...] gerando por vezes questionamentos quanto à sua real
contribuição no sentido de avançar na reinserção social do portador de transtornos mentais e
na desestigmatização e cuidado efetivo dessas pessoas”. (NUNES; JUCÁ; VALENTIM,
2007, p. 2376).
Em relação ao uso da noção de “Comunidade” na atenção à saúde mental, este é
baseado em duas premissas, segundo Birman e Costa (2014):
Em primeiro lugar, admite-se que os recursos institucionais e humanos da
comunidade (instituições médicas, paramédicas, educativas, assistenciais, religiosas,
recreativas, culturais, familiares, amigos, líderes formais e informais etc.) podem
somar-se ao esforço da psiquiatria em prevenir, curar e reabilitar os pacientes
psiquiátricos. Em segundo lugar, admite-se que os grupos sociais possuem um
potencial terapêutico inerente às redes de relações funcionais e efetivas, que pode ser
dinamizado e desenvolvido (p. 62).

17

Em relação à primeira premissa, Birman e Costa (2014) afirmam não haver, na
época da implantação da Psiquiatria Comunitária no Brasil, nenhuma referência sociológica,
antropológica, psicológica ou histórica que sustentasse a afirmação da existência de
determinados grupos sociais que tenham enquanto “objetivo social” uma atenção consensual
de um projeto sobre Saúde Mental (p. 62).
Quanto à segunda premissa, Birman e Costa (2014) consideram que:
[...]a atuação “espontaneamente terapêutica”do meio cultural sobre o indivíduo é
automática, imediata e absoluta para um certo tipo de cultura. Não há como elevar o
“potencial terapêutico” de um grupo cultural, amenos que se mude o status social da
pessoa ou ethos cultural da sociedade (p. 66).

Considerando tais questões, o uso da noção de Comunidade é problemático para
atenção à Saúde Mental, visto não apresentar nenhum respaldo enquanto ação terapêutica.
Já o uso da noção de cidade apresenta-se relevantemente nas descriçõesda relação
entre espaço e atenção à saúde mental sobre o modelo de Reforma Psiquiátrica italiana, que
serviu de base para a construção do modelo brasileiro. “Quando se discutia sobre as melhores
formas e lugares para a reabilitação do enfermo mental, Basaglia dizia: „são os espaços da
cidade‟”(BASAGLIA apud AMARANTE, 1996, p. 15). Na cidade italiana de Trieste, por
exemplo, os ex-internos de hospitais psiquiátricos passaram a habitar em casas e
apartamentos, estabelecendo uma maior relação com o espaço urbano.
Atualmente, cerca de 80% da população mundial residem no espaço urbano. E as
cidades são, segundo Guatarri (2006), imensas máquinas “produtoras de subjetividade”, a
interferir sobre a vida das pessoas em diversos aspectos. Operam de forma diversa a impelir
determinadas práticas, e restringir outras. Ao considerar estas questões, torna-se
plausívelproblematizar a atenção à saúde mental em relação com a cidade, considerando as
potencialidades dessa relação para adesinstitucionalizaçãoproposta pelo modelo de Reforma
Psiquiátricareferido, como respalda Liberato e Dimenstein (2013):
[...] embates e encontros que os espaços da cidade, através da articulação de
diferentes redes, podem possibilitar na construção de outros modos de relação com a
diferença. Ao buscarmos operar a partir da lógica da desinstitucionalização da
loucura, perguntamo-nos se não seria preciso também criar estratégias no que tange
a desinstitucionalização do próprio espaço da cidade e das relações que nela são
tecidas. Não seria este o cerne da proposta de desconstrução do lugar da loucura: a
criação de diferentes formas de (con)viver com a diferença e habitar a urbes? (p.
273)

A literatura acadêmica brasileira tem apresentado algumas considerações a estas
práticas assistenciais à Saúde Mental articuladas com o espaço público das Cidades, que pode
ser articulado em dois eixos: um que se relaciona a uma ampliação da clínica tradicional; e
outro que se articula às atuais tecnologias assistências.

18

Quanto à ampliação da clínica tradicional, Onocko-Campo e Furtado (2006)
destacam a necessidade de avançar na ruptura de certos modelos hegemônicos presentes na
lógica hospitalar para o fortalecimento de uma rede de atenção à saúde mental a partir de suas
próprias peculiaridades. É assim que tais autores afirmam alguns pontos necessários a serem
desenvolvidos na rede de atenção em saúde mental, destacando, entre outros, a necessidade de
efetivação de uma clínica ampliada voltada aos sujeitos assistidos e suas “maneiras de habitar
a polis, isto é, a política” (p. 1054-1055).
Ainda nessa perspectiva, alguns relatos de pesquisa de Ferreira Neto (2008) têm
apresentado propostas que vão além da clínica tradicional, pautando-se numa atenção em
saúde mental que “é pensada como sendo atravessada e constituída por um conjunto de
processos, como, por exemplo, as políticas públicas, a organização dos serviços e a vida
comunitária e social no contemporâneo da cidade” (p. 113).
Quanto à articulação com as tecnologias assistenciais, Palombini (2007) destaca
na prática do AT, que a Cidade pode incidir sobre a relação do vínculo terapêutico entre
acompanhante e acompanhado:
Nesse sentido, o encontro com o inesperado da cidade a que ambos, acompanhante e
acompanhado, estão sujeitos, ao ampliar as ofertas de enlace social, possibilita ao
acompanhado descolar-se da relação absoluta e exclusiva ao AT como seu
semelhante; além disso, a cidade, o discurso social que a rege, operando na função
de terceiro a incidir sobre o par acompanhante-acompanhado, também cria as
circunstâncias para o remanejamento desse lugar em que o AT é primeiramente
colocado (PALOMBINI, 2007, p. 146).

Ainda,em relação às tecnologias assistenciais, Amorim e Dimenstein (2009)
afirmam que os SRT‟s, ao deslocar a moradia dos entes acompanhados para casas dentro da
cidade, predispõe a composição de redes de interação, gerando entrelaçamentos capazes de
reconfigurar o arranjo funcional dos entes assistidos:
O que a experiência dos SRT‟s tem demonstrado, portanto, é que, entre a
solidariedade e a indiferença, o processo de desinstitucionalização pode ser
potencializado quando da relação loucura-cidades redes de sociabilidade, de afeto e
cuidado são desenvolvidas e viabilizadas a partir de „lutas em rede‟. [...] Na vida
social e cotidiana as articulações dos moradores e usuários podem gerar iniciativas
de cooperação e solidariedade (AMORIM; DIMENSTEIN, 2009, p. 332).

Porém, considerando as premissas apresentadas por Birman e Costa (2014) quanto
à noção de “Comunidade” e sua utilização no campo da assistência à saúde mental, se fez
nesta pesquisa a extensão das problemáticas apresentadas à noção de “Cidade”. Assim, se
elaborou as seguintes questões: a assistência à Saúde Mental exercida na cidade possui um
potencial terapêutico relacionado às suas redes de relações funcionais, e este potencial pode
ser dinamizado e desenvolvido? Em não sendo possível elevar o potencial terapêutico de um

19

meio, como o espaço de uma cidade, não seria suficiente expor o ente a tal local? Como essas
relações funcionais da cidade seriam utilizadas na assistência à saúde mental?
Para tentar problematizar tais questões, considerou-se nesta pesquisa a afirmação
foucaultiana de que a realidade de um fenômeno é criada a partir de uma relação de uso do
poder por parte de um saber. A “espisteme”é um saber que valida um fenômeno na
determinação daquilo que é científico para uma sociedade. Portanto, ao se submeter um
campo científico a análise está se discorrendo sobre as regras de validação da realidade dos
fenômenos em questão.
Um campo científico pode ser compreendido como sistemas de discursos. Sendo o
discurso, nesta perspectiva, uma instância da ordem do saber que explicita e atualiza as
relações de poder referentes a um campo. Assim, tem-se a perspectiva de que as produções
discursivas, que validam a realidade de um determinado campo científico, são articuladas a
conjuntos diversos de relações de poder, como os de ordem: técnica; institucional; política;
etc.
Nesta pesquisa, a análise dos discursos de um campo científico se deu através das
redes de pesquisa e de literatura científica brasileira que abordam a temática da atenção à
saúde mental e que possuíam registros sobre a cidade. Essas redes se configuram como
comunidades institucionalizadas que visam trocas de informação e de material técnico entre
os membros de um campo científico.E reúnemos aspectos de ordem técnica, institucional e
política.As redes científicasutilizadas foram: o Diretório de Grupos do CNPq; o Banco de
Dados do SciELO; o Currículo Lattes.
A partir desta consideração, esta pesquisa utilizou como objeto de análise
osregistros das redes científicas brasileiras que abordam a temática da atenção à saúde mental
e que possuem o termo “cidade” em seus registros. O objetivo geral foi o de investigar os
discursos produzidos sobre a “cidade” nas redes científicas brasileiras que trabalham com a
temática da “atenção à saúde mental”. Os objetivos específicos foram: identificaras regras de
dispersão que constituem os discursos sobre “Cidade” nestas redes científicas; problematizar
os discursos produzidos nestas redes científicas.
O aporte teórico para discussão pautou-se nas noções foucaultianas de Biopoder e
nas problematizações desenvolvidas sobre a Cidade Contemporânea por algumas produções
acadêmicas do Urbanismo e da Geografia; e,também, na noção deleuziana de Sociedade de
Controle, e nas problematizações desenvolvidas sobre a Atenção à Saúde Mental por algumas
produções acadêmicas da Saúde Coletiva.

20

No segundo capítulo desta dissertação, “O biopoder e seus mecanismos:
códigojurídico-legal; sistema disciplinar; dispositivo de segurança”, foi conceituada a noção
de Biopoder e descritos seus mecanismos de operacionalização, ena parte seguinte do capítulo
foi argumentado que as ações do Biopoder agem sempre sobre uma delimitação espacial.
Já no terceiro capítulo, “A cidade Modernae a CidadeContemporânea: locais de
ação dos mecanismos disciplinares e de segurança”, foram descritas as características dos
instrumentos de controle da dinâmica social no modelo deCidadeModerna, equivalendo a este
o mecanismo do sistema disciplinar. Posteriormente, foram descritas as característicasdo
modelo de Cidade Contemporânea, equivalendo a este o mecanismo do dispositivo de
segurança, que tenta prevê os acontecimentos da dinâmica social para potencializa-los, ao
invésde tentar controla-los.
No quarto capítulo, “Assistência à saúde mental: justificativas entre o
confinamento

e

a

liberdade

de

transitar”,

foram

descritos:

o

surgimento

da

assistênciainstitucionalizada a loucura e suas justificativas para o confinamento; o surgimento
das primeiras propostas de assistênciaem interação com o espaço público das cidades; a
efetivação de serviços assistenciais em interação com o espaço públicos das cidades, a partir
das propostas de Reforma Psiquiátrica surgidas após a Segunda Grande Guerra Mundial.
No capítulo cinco, “Regiões de conhecimento”, foi argumentado como a ciênciase
caracteriza como região de produção de conhecimento, justificando a escolha das redes
científicas para análise. Em parte posterior, foram descritas característicasde cada uma das
três redes científicas utilizadas.
O capítulo seis, “Discussão Metodológica: sobre trilhas e descaminhos”, é divido
em duas partes. Na primeira, apresenta-se a fundamentação teórica da forma de análise
empregada nesta pesquisa, a partir de considerações metodológicas feitas por Foucault para
uma Arqueologia das Ciências. Na segunda, apresentam-se os procedimentos realizados de
forma sistemática para a análise.
No capítulo sete, “Critérios de análise”, apresentam-se os resultados obtidos
através dos critérios de análises utilizados. Neste, foram identificados e quantificados: os
locais de registro das produções (disciplina científica a qual o registro está vinculado); os
pressupostos sobre a cidade em cada registro; o campo dos vocábulos utilizados nos registros.
Posteriormente, foram cruzados os critérios de análise, e como resultado observou-se a
existência, com maior frequência, de três discursos sobre a cidade nas redes científicas
brasileiras que trabalham com a temática da atenção à saúde mental: um que se constitui a
partir do pressuposto “Localização Geográfica”, com registros que se utilizam principalmente

21

de vocábulos do campo da “Saúde Coletiva”, sendo maioria nas produções da “Psicologia” e
da “Saúde Coletiva”; o segundo que se constitui a partir do pressuposto “Conjunto
Sociodemográfico”, com registros que se caracterizam pelo uso de vocábulos dos campos
“Categorias Sociológicas” e “Estatística”, sendo maioria em produções da Medicina; e o
terceiro que se constitui a partir do pressuposto “Dispositivo clínico-político”, com registros
que se caracterizam pelo uso de vocábulos dos campos “Filosofia Pós-estruturalista”,
“Geografia” e “Urbanismo”, sendo mais comum em produções da Psicologia.
No capítulo oito, “Discussão”, efetiva-se a discussão sobre os resultados obtidos
através da fundamentação teórica utilizadas nesta pesquisa. O que permitiu considerar que a
cidade: ora aparece como elemento nulo em relação à atenção à saúde mental, pela premissa
de objetividade da localização geográfica; ora aparece como um recorte populacional, com
análises estabelecidas por variáveis pré-determinadas; ora aparece com possuidora de
potencial terapêutico, que articula dimensões clínicas e políticas.
No capítulo nove, “Considerações finais”, fazem-seconsiderações sobre o alcance
dos objetivos da pesquisa, e sobre a eficácia do método e das fundamentações teóricas
utilizadas. Assim, em relação às indagações iniciais, foi possível identificar nas redes de
pesquisa e literaturas científicas brasileiras, que trabalham com a temática de atenção à saúde
mental, a produção de discursos que consideram a existência de um potencial terapêutico na
atenção à saúde mental exercida na cidade, podendo este potencial ser dinamizado e
desenvolvido. Por fim, considera-se as potencialidades das questões trabalhadas nesta
pesquisa para a atenção à saúde mental, e apresenta-se questões possíveis de serem
problematizadas em pesquisas futuras.

22

2 O BIOPODER E SEUS MECANISMOS: CÓDIGO JURÍDICO-LEGAL; SISTEMA
DISCIPLINAR; DISPOSITIVO DE SEGURANÇA

Foucault (2008b) afirma que a partir do século XVIII os governos ocidentais
passaram a operar uma série de processos que constituíram um fenômeno importante, ao qual
o pensador francês utilizou a alcunha de Biopoder para fazer-lhes referência, seriam estes
“[...] o conjunto dos mecanismos pelos quais aquilo que, na espécie humana, constitui suas
características biológicas fundamentais vai poder entrar numa política, numa estratégia geral
de poder”(p. 3). Ou seja, um sistema constituído por estratégias de controle dos corpos dos
habitantes de um Estado.
A partir do século XIX, estesmecanismos de Biopoder, que ocorriam de forma
dispersa na malha social, passaram a ser organizados pelos Estados ocidentais através das
formas de Governo, que utilizavam tecnologias de poder para realização de seus fins. O
Estado passou propriamente a operar sobre a vida dos indivíduos, tendo seus objetivos
efetivados em prol de uma “razão de Estado”, que passou a ter objetivos ilimitados, de
encarregar-se para além das atividades dos grandes grupos sociais, “[...] mas encarregar-se da
atividade dos indivíduos até seu mais tênue grão [...]”(FOUCAULT, 2008b, p. 4-10).
Foucault (2008c) distinguiu três formas de operacionalização desses mecanismos
de poder, a saber: o código jurídico-legal, o sistema disciplinar e o dispositivo de segurança;
que possuem alguns elementos em comum, mas com especificidades diferentes. Esses
mecanismos não são precisos a um período histórico, por vezes, atuam concomitantemente
numa mesma sociedade, mas podem ser situadas predominâncias em determinadas épocas.
O mecanismo jurídico-legal estabelece uma divisão binária entre o que é
permitido e o que é proibido, e acopla a cada determinada proibição certo tipo de punição. E
esta punição se caracteriza por uma ação precisa, não dispersa no tempo, punições como a
forca, a multa e o desterro; é o sistema penal que se tem conhecimento de sua atuação da
Idade Média aos séculos XVII-XVIII (FOUCAULT, 2008c).
O mecanismo disciplinar utiliza-se em sua operacionalização de formas de
vigilâncias e correção. Este mecanismo cria uma série de procedimento para prevenir que os
indivíduos inflijam às proibições do código, e se uma vez infligida à proibição a ações
acopladas se dispersam no tempo, numa tentativa de correção do indivíduo e de exemplo para
os demais. Tornam-se características instituições de confinamento, como as prisões, e,
também, “[...] uma série de técnicas adjacentes, policiais, médicas, psicológicas, que são do

23

domínio da vigilância, do diagnóstico, da eventual transformação dos indivíduos”; é o sistema
que é posto em execução a partir do século XVIII (FOUCAULT, 2008c, p. 8-9).
O dispositivo de segurança, afirmado por Foucault (2008c) como contemporâneo
a sua época, teve origem a partir de uma série de perguntas, tais como:
[...] qual é a taxa média da criminalidade desse [tipo]*? Como se pode prever
estatisticamente que haverá esta ou aquela quantidade de roubos num momento
dado, numa sociedade dada, numa cidade dada, na cidade, no campo, em
determinada camada social, etc.? Em segundo lugar, há momentos, regiões, sistemas
penais tais que essa taxa média vai aumenta ou diminuir? As crises, a fome, as
guerras, as punições rigorosas ou, ao contrário, as punições brandas vão modificar
essas proporções? Outras perguntas mais: essa criminalidade, ou seja, o roubo
portanto, ou, dentro do roubo, este ou aquele tipo de roubo, quanto custa à
sociedade, que prejuízo produz, que perdas, etc? Mais outra pergunta: a repressão a
esses roubos custa quanto? É mais oneroso ter uma repressão severa e rigorosa, uma
repressão fraca, uma repressão de tipo exemplar e descontínua ou, ao contrário, uma
repressão contínua? Qual o custo comparado do roubo e de sua repressão? O que é
melhor, relaxar um pouco com o roubo ou relaxar um pouco com a repressão? Mais
outras perguntas: se o culpado é encontrado, vale a pena puni-lo? O que se deveria
fazer para puni-lo e, punindo-o, reeducá-lo? Ele é efetivamente reeducável? Ele
representa, independentemente do ato que cometeu, um perigo permanente, de sorte
que, reeducado ou não, reincidiria, etc.? (p. 7-8).

Uma das questões implicadas no modelo do dispositivo de segurançaé saber, se
existem níveis aceitáveis, em torno de uma média social e economicamente definida, para a
criminalidade, de forma que se possa aprimorar os mecanismos de segurança social. Assim,
segundo Foucault (2008c), pretende-se:
[...] inserir o fenômeno em questão, a saber, o roubo, numa série de acontecimentos
prováveis. Em segundo lugar, as reações do poder ante esse fenômeno vão ser
inseridas num cálculo que é um cálculo de custo. Enfim, em terceiro lugar, em vez
de instaurar uma divisão binária entre o permitido e o proibido, vai se fixar de um
lado uma média considerada ótima e, depois estabelecer os limites do aceitável,
além dos quais a coisa não deve ir. É, portanto, toda outra distribuição das coisas e
dos mecanismos que assim se esboça (p. 9).

Caracterizam-se, assim, as chamadas séries indefinidas, quanto ao que circula,
quanto ao que se produz e quanto ao que se acumula. Como afirma Foucault (2008c): “É a
gestão dessas séries abertas, que, por conseguinte, só podem ser controladas por uma
estimativa de probabilidades, é isso, a meu ver, que caracteriza essencialmente o mecanismo
de segurança” (p. 25-27).
Esse Dispositivo de Segurança, surgido no campo jurídico e voltado para os
indivíduos que cometiam atos criminais, extrapolou com o tempo esta área e „enraizou-se‟ por
outros campos sociais, como a Medicina, por exemplo, e voltou-se a estabelecer estratégias de
ordenamentos generalizadas para o que vinha a ser conhecido como “população”, criando
uma série de estratégias de individuação da multiplicidade através de uma “economia geral de
poder” (FOUCAULT, 2008c, p. 14-16).

24

2.1 Os mecanismos de Biopoder são localizados

Entre os modos de ação do Biopoder, houve ao final do século XVIII uma
mudança na forma como os estados passaram a se ocupar da administração de seu território,
subtraindo o foco, que antes se encontrava no domínio dos limites físicos deste, em que a
questão era garantir o terreno, e voltando a atenção para os sujeitos que habitavam esse lugar.
Criaram-se, então, vários mecanismospara influenciar os atos dos moradores destes locais.
(FOUCAULT, 2012).
Foucault (2012) referiu-se à condição de todo poder ser localizado, regionalizado,
situado histórica e geograficamente em mecanismos diversos; não havendo um poder central,
primordial, que sustentaria uma determinada estrutura, mas a existência de diversos pequenos
poderes, que se articulam entre si para formar os grandes aparelhos do estado. Assim,
asestratégias para efetivação do poder) no espaço de uma cidade consolidam-se como uma
entre diversas outras forças que se articulam para gerar um sistema de forças que formavam
um mecanismo Biopolítico.
É o caso dos mecanismosDisciplinare de Segurança que agem em um local
específicodenominado como meio. Como os mecanismos biopolíticos pressupõem a ação do
poder sobre o corpo de uma espécie, o meio enquanto referência de lugar se justifica pela
aproximação deste com a noção de ambiente:“O meio é certo número de efeitos, que são
efeitos de massa que agem sobre todos os que aí residem”.
Nos mecanismos disciplinares têm-se uma ação sobre o meio através do território,
onde se “[...] arquiteta um espaço e coloca como problema essencial uma distribuição
hierárquica e funcional dos elementos [...]” (FOUCAULT, 2008c, p. 27-28). Já nos
dispositivos de segurança, a ação sobre o meio visa engendrar uma ordem das circulações em
prol da ação do poder sobre uma série de acontecimentos referentes à população.
[...] a segurança vai procurar criar um ambiente em função de acontecimentos ou de
séries de acontecimentos ou de elementos possíveis, séries que vai ser preciso
regularizar num contexto multivalente e transformável. O espaço próprio da
segurança remete portanto a uma série de acontecimentos possíveis, remete ao
temporal e ao aleatório, um temporal e um aleatório que vai ser necessário inscreve
num espaço dado. O espaço em que se desenrolam as séries de elementos aleatórios
é, creio, mais ou menos o que chamamos de meio (FOUCAULT, 2008c, p. 27).

Tendo como referência esta tipificação de mecanismos biopolíticos apresentados
por Foucault, Deleuze (1992) estabeleceu outraclassificação,na qual caracterizou as
sociedades

do

século

XVIII

e

XIX

como

Sociedades

Disciplinares,

a

dos

25

mecanismosdisciplinares; e a sociedades a partir do século XX como Sociedades de Controle,
a dos dispositivos de segurança.
Nas sociedades disciplinares são organizados grandes meios de confinamento, em
que o indivíduo transita por espaços fechados, como a habitação familiar, a escola, a fábrica, o
hospital, e em alguns casos a prisão. Projeto de confinamento este que visava “[...] concentrar;
distribuir no espaço; ordenar no tempo; compor no espaço-tempo uma força produtiva cujo
efeito deve ser superior à soma das forças elementares” (DELEUZE, 1992, p. 219).
A partir da Segunda Guerra Mundial, estabelece-se uma crise generalizada destes
meios de confinamento, surgindo uma necessidade de reforma deste modelo. “Reformar a
escola, reformar a indústria, o hospital, o exército, a prisão; [...]”(DELEUZE, 1992, p.219),
estava posta a necessidade de gerir as pessoas através de um novo modelo que supere o
mecanismo disciplinar, cria-se mecanismos de engendramento de forças que passam a serem
geridas “ao ar livre”, caracterizando o surgimento das “Sociedades de Controle”.
Não se deve perguntar qual é o regime mais duro, ou mais tolerável, pois é em cada
um deles que se enfrentam as libertações e as sujeições. Por exemplo, na crise do
hospital como meio de confinamento, a setorização, os hospitais-dia, o atendimento
a domicílio, puderam marcar o início de novas liberdades, mas também passaram a
integrar mecanismo de controle que rivalizam com os mais duros confinamentos
(DELEUZE, 1992, p. 219).

Neste mecanismo de controle tenta-se, a cada momento, a modulação dos
elementos posicionados em espaço aberto, numa “[...] implantação progressiva e dispersa de
um novo regime de dominação” (DELEUZE, 1992, p. 222).Por exemplo:
No regime das prisões: a busca de penas “substitutivas”, ao mesmo para a pequena
delinquência, e a utilização de coleiras eletrônicas que obrigam o condenado a ficar
em casa em certas horas. No regime das escolas: as formas de controle contínuo,
avaliação contínua, e a ação da formação permanente sobre a escola, o abandono
correspondente de qualquer pesquisa na Universidade, a introdução da “empresa”
em todos os níveis de escolaridade. No regime dos hospitais: a nova medicina “sem
médico nem doente”, que resgata doentes potenciais e sujeitos a risco, o que de
modo algum demonstra um progresso em direção à individuação, como se diz, mas
substitui o corpo individual ou numérico pela cifra de uma matéria “dividual” a ser
controlada. No regime da empresa: as novas maneiras de tratar o dinheiro, os
produtos e os homens, que já não passam pela antiga forma-fábrica. (DELEUZE,
1992, p. 222)

Nesta economia do poder, instituída pela sociedade de controle, as formas de
monitoramento

são

mais

“[...]difusas,

flexíveis,

móveis,

ondulantes,

„imanentes‟[...]”(PELBART, 2009, n.p.). Trata-se de controles exercidos em espaço aberto
através de enquadramentos e fluxos inseridos em sistemas e redes, de comunicação e de
informação.
Através de redes flexíveis, moduláveis e flutuantes, o poder muda de figura, amplia
seu alcance, penetração, intensidade, bem como sua capacidade de mobilização. [...]
É a dimensão biopolítica da sociedade de controle. Ela corresponde à entrada do

26

corpo e da vida, bem como de seus mecanismos, no domínio dos cálculos explícitos
do poder (PELBART, 2009, n.p.).

A vida, que é então considerada, já não corresponde a uma entidade biológica, e
passa a ser compreendida como uma “sinergia coletiva”, em imbricação com os modos de
produção na contemporaneidade, sejam estes materiais ou imateriais. Torna-se, assim, uma
“virtualidade molecular da multidão” (PELBART, 2009).
O bios é redefinido intensivamente, no interior de um caldo semiótico e maquínico,
molecular e coletivo, afetivo e econômico. Aquém da divisão corpo/mente,
individual/coletivo, humano/inumano, a vida ao mesmo tempo se pulveriza e se
hibridiza, se moleculariza e se totaliza (PELBART, 2009, n.p.)

As estratégias biopolíticas em uma localidade têm, portanto, aspectos distintos
segundo o perfil de seus fluxos. Nas sociedades disciplinares, fluxos mais precisos,
característicos à Cidade Moderna. Nas sociedades de controle, fluxos mais difusos,
característicos à Cidade Contemporânea.

27

3. A CIDADE MODERNA EA CIDADE CONTEMPORÂNEA: LOCAIS DE AÇÃO
DOS MECANISMOS DISCIPLINARES E DE SEGURANÇA
As diversas tentativas de controle da dinâmica social na cidade moderna3têm
origemnum conjunto de perspectivas surgidas a partir do século XVII, tais como: a maior
aglomeração de pessoas decorrente da imigração do campo para a cidade; o surgimento da
Medicina Social; e os valores do Estado Moderno.
Entre os valores constituintes do Estado Moderno estão as premissas da ciência
iluminista, que influenciaramos projetos de organização das dinâmicas sociais nas cidades,
através, da tentativa de controlar a distribuição dos elementos urbanos sobre o espaço e as
atividades oriundas das vivências nestas localidades. Na descrição de Secchi (2006):
Encontramos esse progressivo interesse do Estado pela vida do cidadão nas ciências
e nas ordenanças de polícia, entendidas no século XVIII como um conjunto de
conhecimentos e instrumentos fundamentais para a promoção da civilização e da
virtude pública. Mas também, o encontramos nos regulamentos edilícios e de
higiene, na medicalização progressiva da sociedade, no surgimento da educação e da
medicina como serviço público, na expansão da oferta de equipamentos e serviços
públicos confiados a especialistas - garantidos e controlados pelo Estado - e, na
definição dos critérios administrativos de acesso a eles (p. 100- 101).

Foucault (2008c) relata que se torna fundamental para o desenvolvimento da
cidade a esta época o surgimento da concepção de que cada país deve ter uma capital, e que
esta deve exercer uma soberania em relação ao restante do território. A capital passaria a
centralizar a política em relação às demais áreas, mas deveria também servir como parâmetro
estético e simbólico. Assim, acapital deveria ser capaz para“capilarizar”, a partir de uma rede
de leis e decretos, meios para regular as condutas das pessoas em toda extensão do território.
Em relação a tal questão, afirma Foucault (2008c):
Ou seja, a relação da soberania com o território é que é essencialmente primeira e
que serve de esquema, de chave para compreender o que deve ser uma cidadecapital e como ela pode e deve funcionar. Aliás, é interessante ver como, através
dessa chave de soberania como problema fundamental, vemos surgir um certo
número de funções propriamente urbanas, funções econômicas, funções morais e
administrativas, etc (p. 19-20).

Já a constante migração de pessoas do campo para a cidade, nesta época, gerou
mudanças nos padrões de circulação e concentração ocorridos em seu território, o que gerou

3

A Cidade Moderna não é tratada nesta pesquisa como equivalente ao período histórico conhecido como “Era
Moderna”. A partir da classificação do historiador inglês Eric J. Hobsbawm, sobre o “século breve”, Secchi
(2006) considera que a Cidade Moderna é hegemônica até as últimas décadas do século XIX. E, a partir da
Primeira Grande Guerra Mundial, teve-se o início da transição da Cidade Moderna para a Cidade
Contemporânea, que só viria a terminar nos anos noventa do século XX.

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projetos de urbanização que visavam otimizar a distribuição espacial dos equipamentos
coletivos...
[...] em função da densidade da população: creches por habitantes, escolas primarias,
igrejas, equipamentos esportivos, parques infantis, áreas verdes, estacionamentos,
dimensões e características das seções viárias, das faixas lindeiras destinadas a
mitigar e a compensar a poluição acústica e do ar, isto é, pelo menos uma parte do
comfort e do desempenho da cidade (SECCHI, 2006, p. 97).

A cidade era caracterizada, no século XVIII e início do século XIX, por aspectos
jurídicos e administrativos, diferentes de demais áreas do território, e pelo seu encerramento
pelas muralhas, o que demarcava uma heterogeneidade social e econômica em relação ao
espaço do campo. Tais aspectos geraram problemas para o desenvolvimento dos Estados,
referente à especificidade jurídica, e diante da expansão do comércio e da demografia urbana,
referentes ao seu cerco. Ou seja, estabelecia-se um problema da circulação dos indivíduos e
dos produtos fabricados e manufaturados.
[...] a necessidade de intercâmbios econômicos permanentes entre a cidade e seu
entorno imediato para a subsistência, seu entorno distante para suas relações
comerciais, tudo isso [fazia com que] o encerramento da cidade, seu encravamento,
[também levantasse] um problema. E, em linha gerais, era precisamente desse
desencravamento espacial, jurídico, administrativo, econômico da cidade que se
tratava no século XVIII. Ressituar a cidade num espaço de circulação (FOUCAULT,
2008c, p. 17).

Através desse papel da soberania a cidade-capital enquanto esquema conceitual
situa-se novamente diante das questões de manter uma intensidade das circulações, que
passam a ser de forma mais diversa “[...] circulação das idéias, circulação das vontades e das
ordens, circulação comercial também” (FOUCAULT, 2008c, p. 20-21). A cidade passa a ser
concebida como um “macrocosmo” que deve estabelecer a soberania em relação aos
“microscosmos”.
Diversas medidas de reurbanização foram tomadas para garantir a potencialidade
das circulações na cidade, muralhas foram derrubadas e foram realizadas ligações das ruas
com as estradas que saiam para o campo, para garantir o comércio. Na cidade de Richelieu,
por exemplo, realizou-se um maior esquadrinhamento de seus quarteirões na área comercial e
administrativa, para garantir a proximidade dos departamentos, em contraposição área
habitacional, menos esquadrinhada (FOUCAULT, 2008c).
Em outras cidades, ruas foram alargadas com intuito de melhorar a higiene e o
arejamento, para diminuir a incidência de doenças na população.Os urbanistas do século
XVIII e XIX foram influenciados pelos discursos médicos normativos para elaborarem
modelos de organização ideal das cidades, criando uma relação entre o saber médico e as
operações nas transformações urbanísticas, reduzindo o urbano ao biológico, medicalizando a

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cidade, tentando agir sobre os sintomas mais notórios da “doença social”, numa tentativa de
normatizar o espaço em prol de uma utopia urbana (COSTA, 2002).
Segundo Secchi (2006):
[...] ao separar e distanciar, nomear e distinguir, os diversos materiais urbanos, a
cidade moderna tornou-se um imenso dispositivo de regulação também da vida dos
seus habitantes, de suas relações com o próprio corpo, de suas relações recíprocas e
com o espaço e tempo (p.101).

Ou seja, essas tentativas de ordenamento urbano compunham algumas das
estratégias pelas quais o regime disciplinar tentava exercer suas funções.Estratégias como as
que descreve Seabra (2004):
Engenheiros, médicos higienistas, pedagogos atuavam na formação do corpo
normativo do Estado, afirmando os princípios de ordenação da vida na cidade. A
modernidade reflexiva tal como descrita por Giddens (1977) estava destinada a
organizar os saberes, fazendo-os chegar ao plano da vida imediata dos sujeitos, onde
se confrontavam com a tradição. Os saberes seriam organizados como práticas,
através das quais, supostamente, uma nação civilizada estava em marcha. Hospitais,
escolas, sanatórios, ruas, pontes, luz elétrica e a própria cidade que ganhava novas
formas estavam ligados ao princípio da nação e da cidadania, envolvendo conceitos
e práticas civilizatórias. Mas, prevaleceriam as virtudes econômicas da cidade (p.
193).

A partir do século XX originou-se uma transição entre este modelo de cidade
moderna, dotada de uma tentativa de ordem, de previsibilidade dos fenômenos que ocorriam
em seu território; para o modelo da cidade contemporânea, considerada caótica, difusa,
imprevisível e incompreensível. Assim, nas descrições sobre a cidade contemporânea por
parte de “[...] urbanista, sociólogos, antropólogos, etnólogos e economista, foram utilizados
termos

geralmente

dotados

de

grande

amplitude

semântica,

como

fragmento,

heterogeneidade, descontinuidade, desordem, caos” (SECCHI, 2006, p. 88).
Marcel Roncayolo afirmou ser a dinâmica dos fenômenos que ocorrem na malha
da cidadeque definem sua funcionalidade e organização espacial, contrariando, assim, as
pretensões anteriores do urbanismo em que se pretendia determinar, através de um projeto
totalizante da cidade moderna, a estrutura funcional e a organização espacial da
cidade(MEYER, 2006)
Criaram-se novos critérios de análise da malha urbana, visto que a idealização do
conceito de “cidades compactas”, que previa o espaço como uma unidade funcional, começou
a perder validade em prol das chamadas “peças urbanas”, em que a cidade passou a ser
considerada como uma funcionalidade difusa. Assim, as “peças urbanas” são recortes para
possibilitar o estudo de uma determinada “fatia” da cidade, a fim de tentar encontrar neste

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recorte alguma ordem comum. Tentar traçar um perímetro homogêneo de análise espacial e
funcional, presentes nesta “cidade difusa” (MEYER, 2006).
Segundo Secchi (2006), na tentativa de descrever a cidade contemporânea em
seus fluxos difusos, as pesquisas desta área passaram a utilizar diversos tipos analogias, tais
como:
[...] a imagem do jogo, do puzzle, do dominó, da machetaria, do patchwork, da
hibridação, do zapping, da estratificação, dos layers que se sobrepõem e
parcialmente se entrecruzam, do labirinto, do hipertexto, da rede, da figura fractal;
do mesmo modo, foram utilizadas técnicas gráficas em que, fotogramas únicos ou
em sequência, se misturavam ao desenho, segundo uma técnica de montagem que
denunciava explicitamente suas dívidas com os grandes mestres do cinema. (p. 89)

A cidade contemporânea,nesta perspectiva, passou a ser considerada como uma
“rede de fluxos”, na qual “a contiguidade física, ou mesmo a continuidade espacial é,
obrigatoriamente, minimizada em favor de novas variáveis”(MEYER, 2006, p.41). É na
emergência de fluxos locais autônomos e, ao mesmo tempo, correspondentes com fluxos de
demais localidades que se define a dinâmica funcional de uma determinada malha urbana, e as
coligações desses fluxos deve-se em parte a globalização da comunicação e dos produtos de
consumo, que criaram uma sociedade em rede, gerando um padrão para o deslocamento
espacial dos fluxos.
A esta questão acrescenta Pelbart (2000) nos seguintes termos:
[...] não há mais uma concentração do poder capitalista numa única metrópole, numa
cidade mãe, mas, como diz Guattari, a concentração ela mesma se esparrama por um
arquipélago de cidades, isto é, por pedaços de grandes cidades, conectadas entre si
pela informática, numa espécie de rizoma multipolar recobrindo a superfície do
Planeta. Pequenas ilhas de primeiríssimo mundo por toda parte, constituindo a
cidade da elite global, rodeada de Terceiro mundo por todos os lados, o mar dos
excluídos, dos inempregáveis, dos inúteis e sem préstimo. A cidade é desmembrada
e satelizada pelo capitalismo (p. 46).

Compreender estas mudanças na cidade contemporânea não é tão simples devido
à heterogeneidade, dispersão e fragmentação com os quais os elementos desta nova cidade são
apresentados, porém, fatores específicos desenvolvidos a partir na época da Revolução
Industrial e no século XX são cruciais para tais mudanças, como os já descritos: avanços
técnicos ocorridos nos meios de comunicação e transportes; a globalização; e o
desenvolvimento da informática. Como afirma Secchi (2006):
Dito de modo sumário: automóvel, rádio, e televisão, computadores e cartões de
crédito, internet e telefones celulares, construindo uma vizinhança artificial e
simultaneidade de pessoas, de coisas e de acontecimentos, teriam destruídos os
vínculos e apropria idéia de proximidade que formavam a base da construção
urbanae, portanto, na origem da passagem da cidade moderna à contemporânea (p.
94- 95).

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Outros fatores importantes destas mudanças caracterizam-se pela decadência, na
cidade contemporânea, das metanarrativas típicas da modernidade, que subjetivavam os
habitantes da cidade moderna em estilos de vida mais homogêneos do que os atuais,
diminuindo a possibilidade da diversidade. Em contrapartida, a cidade contemporânea “[...] se
torna cada vez mais o lugar da diferença, acervo das minorias culturais, religiosas,
linguísticas, étnicas, de níveis de renda, de estilos de vida, de arquiteturas e saberes que
tendem a se isolar[...]” (SECCHI, 2006, p. 89).
A rápida difusão dos hábitos urbanos constitui modos de vidas específicos no dia
a dia das pessoas na cidade. Neste cotidiano urbano se perfaz uma experiência própria sobre o
espaço e o tempo vivido,em que a cidade “[...] prolonga e explicita o sentido da urbanização
capitalistapela generalização de um modo de vida no qual foram sendo aprofundadas as
separações no âmbito da vida social” (SEABRA, 2004, p. 182).
Há uma diferença nesta vivência do tempo entre a cidade moderna e a
contemporânea, enquanto a cultura da modernidade marcava um tempo linear, em que os
acontecimentos são dispostos por ordenações sucessivas, numa perspectiva de contínuo
progresso, na cidade contemporânea o tempo é anacrônico, disposto por rupturas (SECCHI,
2006).
Já em relação à vivência do espaço, a cidade contemporânea produziu
redefinições funcionais e formais dos lugares públicos, que se encontram mais em vias de
processo do que de estado, porém com alguns padrões comuns quanto aos: valores
posicionais; espaços de sociabilidade; formas de mobilidade.
Houve na cidade contemporânea uma transformação daquilo que pode se
caracterizar como “valores posicionais”, enquanto que na cidade moderna há uma clara
demarcação da separação e dos distanciamentos das instituições, o local da fábrica, do
hospital, etc.; na cidade contemporânea a reorganização dos espaços causou um deslocamento
contínuo dos fluxos, o que diluiu os “valores posicionais”, tornando-os difusos. Como
descreve Secchi (2006):
Na cidade moderna alcançara-se gradual e progressivamente certa coerência entre a
forma urbana, o papel das diversas partes, a disposição das atividades em seu
interior e a distribuição dos valores posicionais. No centro, as atividades direcionais
e comerciais de maior valor, as grandes instituições e a residência das classes mais
abastardas; e, gradualmente, em direção à periferia, atividades menos raras e classes
sociais menos ricas; na extrema periferia, fábricas, quartéis, manicômios e bairros
populares. A pirâmide dos valores posicionais e estéticos espelhava o social (p. 92).

Já a cidade contemporânea:
[...] é lugar de contínua e tendencial destruição dos valores posicionais, de
progressiva uniformização e democratização do espaço urbano; de destruição de

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consolidados sistemas de valores simbólicos e monetários, de contínua formação de
novos itinerários privilegiados, de novos lugares de comércio, de lazer, da
comunicação e de interação social, de uma nova geografia de centralidades, de
novos sistemas de intolerância, de compatibilidade e incompatibilidade. A
instabilidade da cidade contemporânea, o contínuo deslocamento e reorganização
das diversas atividade, a obsolescência e desativação, os fenômenos de degradação e
filtering-down aos quais dão origem, as ações de reutilização, recuperação e o
upgrading que a eles eventualmente se seguem, as políticas de gentrification de
partes limitadas e circunscritas da cidade das quais é palco são, ao mesmo tempo, a
causa e a expressão de uma contínua destruição-democratização-reconstrução de
valores posicionais e dos horizontes de sentido que apresentam a nós sobre a
aparência do caos (SECCHI, 2006, p.93).

A desativação e substituição dos grandes edifícios de instituições totalizantes
como hospitais, indústrias, cadeias, escolas de internato, repartições públicas; que
estabeleciam um padrão nas relações

com o espaço de seus entornos, ocasionou na cidade

contemporânea uma nova organização simbólica dos lugares. Constituiu-se, assim, novas
relações das práticas sociais como espaço público, modificando a “geografia funcional” da
cidade (SECCHI, 2006).
Um exemplo desta mudança está nos espaços de sociabilidade, que nas cidades
modernas tinham referências padronizadas em espaços coletivos, capazes de fortalecer laços
de solidariedade, e que foram minimizados com as alterações funcionais na cidade
contemporânea, como descreve Secchi (2006):
A obsolescência e a e desativação embaralhou as cartas, desagregando o corpo
compacto da classe operária e, de certa maneira, também o dos segmentos médios:
privando-os de referências espaciais e temporais tradicionais, essa obsolescência e
desativação os dispersou entre um vasto número de atividades, de iniciativas e de
lugares. No período caracterizado como “crepúsculo do futuro” e na ausência de
outros lugares de socialização, isso deu origem a uma progressiva privatização do
próprio estilo de vida, a uma crescente competividade entre minorias que utilizam
todo recurso humano, econômico e político para obter garantias no que diz respeito
aos próprios standards de bem-estar. A cidade contemporânea tornou-se a sede de
uma inumerável série de microconflitos (p. 107).

A sociabilidade na cidade contemporânea encontra, geralmente, lugar no espaço
público de edifícios que tentam imitar ambientes “naturais”. O padrão “shopping malls” se
tornou o mais evidente, em que as vitrines, as praças, o jardim interno, os terraços, os skyways
“[...] através de um ambiente com temperatura constante, não se tem só a evocação de uma
imagem, mas também a preocupação com o desempenho do espaço urbano, com a
organização de um conjunto de atores e de um inteiro setor de atividade [...]” (SECCHI, 2006,
p. 102-103).
Além do shopping, cada vez mais aeroportos, hotéis, restaurantes, discotecas e
diversos outros equipamentos, criam áreas planejadas para a convivência, o lazer e o
entretenimento. Criou-se “[...] um grande campus, um parque de objetos e fragmentos da

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cidade, isolados e livremente dispostos no verde. Na cidade contemporânea tudo se tornou
parque: parque tecnológico, parque de diversão, parque de escritórios, parque temático”
(SECCHI, 2006, p.103).
Em relação à mobilidade, a cidade moderna era marcada por movimentos
regulares, onde, por exemplo, “[...] o centro da cidade, sede das atividades direcionais e
comerciais, toda manhã atrai fluxo intenso que, à semelhança de um coração com seu ritmo
pulsante, reflui à noite para os bairros residenciais” (SECCHI, 2006, p. 111).
Quando se examinam os problemas da mobilidade, tanto de pessoas como de coisas,
a figura à qual durante toda a mobilidade, ao menos implicitamente, se recorreu com
frequência foi a figura hidráulica, muitas vezes seguindo uma peculiar conotação
corporal. O tráfego é conceituado como um fluxo que, de origens diversas, flui
sistematicamente para as grandes áreas produtivas e, sobretudo, para o centro da
cidade. Seus milhares de cursos são canalizados em coletores sempre mais largos
que, como vasos capilares, veias e artérias, asseguram a circulação dentro do corpo
da cidade (SECCHI, 2006, p. 110).

Na cidade contemporânea a mobilidade pode ser associada à figura da espoja, em
que o fluxo do fluido ocorre por percolação. Novos canais de mobilidade transformaram as
relações espaciais, “[...] obstaculizando ou impedindo relações visuais e percursos
consolidados por uma longa tradição, construindo novos lugares obscuros, no-man lands que
são apropriadas por práticas à margem da legalidade [...]” (SECCHI, 2006, p. 113).
E para isso a cidade contemporânea se utiliza de:
[...] diferentes técnicas de mobilidade e das diferentes velocidades dos meios de
transporte. Altura, distância, relações de cobertura, relações entre áreas verdes e as
destinadas às infra-estrutura, entre as áreas destinadas à circulação e à permanência,
entre aquelas destinadas a circulação de veículos e a de pedestres, os vários estratos
do solo, dimensão dos espaços de mediação entre movimento e permanência, são
exatamente estes os parâmetros do modelo urbano (SECCHI, 2006, p. 115).

Porém,não se pode atribuir exclusivamente às transformações urbanas a análise
das mudanças ocorridas na cidade contemporânea. Há, relacionadas às questões urbanas, um
conjunto de regras, leis e políticas. Caracterizadas por “[...] enunciados ao mesmo tempo
teóricos e práticos, descritivos e institucionais, analíticos e regulamentares, composto de
interferência e de decisões, de afirmações e de decretos [...]”(SECCHI, 2006, p. 132), o que
gera uma dificuldade de entendimento e de ordenação das dinâmicas da cidade
contemporânea.
O sistema disciplinar pretendia o controle exato sobre a cidade, numa tentativa de
atuar sobre fenômenos específicos. Para tanto, os mecanismos disciplinaresatuavam sobre um
espaço vazio, onde se construía equipamentos urbanos em prol de um modelo ideal de cidade
que pudesse atender a ideia de planejamento e controle. Já na cidade contemporânea, se está
ciente da impossibilidade de se estabelecer uma funcionalidade totalmente controlada, o

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planejamento vai atuar sobre os espaços já existentes, sejam eles construídos ou naturais, para
maximizar os elementos positivos. Este planejamento passou a ser realizado com o intuito de
prever o que possa ocorrer na cidade, vincula-se aí uma técnica relacionada ao problema das
séries indefinidas que caracterizam o mecanismo de segurança.

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4. ASSISTÊNCIA À SAÚDE MENTAL: JUSTIFICATIVAS ENTRE
OCONFINAMENTO E A LIBERDADE DE TRANSITAR

Precedente ao surgimento dos hospitais gerais, o século XVI foi um marco do
modelo de racionalidade que veio a determinar, de forma hegemônica, o desenvolvimento da
ciência moderna. Esse modelo negou, à época, qualquer forma de conhecimento que não se
pautasse por seus princípios epistemológicos e metodológicos, delegando àexperiência
sensorial do mundo, empírica, a capacidade de obter o conhecimento verdadeiro sobre a
natureza, capacidade esta que, posteriormente, se voltou para a tentativa de obter a verdade
sobre os fenômenos humanos (SANTOS, 1995).
A partir desta perspectiva de racionalidade o fenômeno da loucura
passou a serconsiderado como possível de ser conhecido de forma
empírica. Este foi um dos preceitos que o médico, matemático,
filósofo e enciclopedista Philippe Pinel utilizou ao criar seu tratado
sobre a Alienação Mental. Pinel rompeu com a tradição das reflexões
metafísicas
sobre
a
loucura,
as
quais
considerava
merosexercíciosespeculativos, e adotou a perspectiva de
classificaçãoda ciência moderna inaugurada por Descartes para
organizar os resultados de sua observação (AMARANTE, 1996,).[...]
conhecer é classificar, separar e agrupar os diferentes fenômenos em ordens
aproximativas. Desta forma, se a loucura é considerada um rompimento com a
racionalidade, rompimento este que se expressa por meio de determinados sinais,
precisos e constantes, pode ser então classificada e agrupada, de acordo com suas
aproximações e distanciamentos, em classes, gêneros e espécies, enfim, numa
nosografia (AMARANTE, 1996, p. 42).

Com Pinel sob o comando do Hospital Bicêtre, os “loucos” passaram a receber
um tratamento especializado, época em surge o asilo psiquiátrico como lugar de cura. Neste
novo local os enfermos não ficavam acorrentados como antes, era considerado que os loucos
deviam ter a liberdade circular pelo hospital se relacionando com os demais convivais. Esta
possibilidade da interação entre os loucos relacionava-se diretamente ao método de
tratamento, pois nesta reorganização na dinâmica de locomoção no espaço asilar se creditava
a capacidade da observação do que seria a expressão da “natureza” da loucura, antes restrita
pela inibição das interações nos espaços de reclusão. A esta questão afirma Pessotti (1996):
Era essencial libertar, quanto possível, os movimentos, a locomoção e as
relaçõesinterpessoais dentro do manicômio. As algemas e outros instrumentos de
constrição, bem como o enclausuramento dos pacientes em celas estreitas (como
castigo por medida de segurança), impediam a manifestação natural dos sintomas da
loucura de cada paciente: impediam o diagnóstico realista das verdadeiras alterações
na vida afetiva, intelectual e social de cada paciente (p. 164).

Outra importância, para a efetivação do “espaço livre” no Asilo, era “[...]
assegurar aos pacientes experiências reais que corrigissem pedagogicamente os vícios de sua

36

razão desviada” (PESSOTTI, 1996, p 167). Tinha-se a perspectiva da reeducação do alienado,
que consistia em fazer com que este seguisse normas e evitasse comportamentos desviantes.
As normas em questão eram as vigentes no espaço público aos quais eles foram excluídos.
Para isso, o espaço do asilo devia ser semelhante ao espaço público, com o objetivo de
“treinar” a readaptação do louco a sociedade.
Enfim, os asilos construídos no plano térreo, compostos de diversos edifícios
isolados, distribuídos sobre uma vasta superfície, assemelham-se a aldeias, nas quais
as ruas, praças e caminhos oferecem aos alienados os espaços mais variados, mais
amplos, para se entregarem ao exercício, tão necessário no estado deles
(ESQUIROL apud PESSOTTI, 1996, p. 171).

Ou seja, este confinamento não se baseava num enfoque exclusivamente científico
à loucura. O asilo passou a exercer, também, um tratamento moral sobre o louco, com a
função de manter uma determinada ordem social, uma normatização, sustentada por
instrumentos técnicos e científicos de poder, engendrados entre práticas discursivas e
políticas.Foram os hábitos, atitudes e gestos, considerados estranhos, que passaram a
enquadrar, a partir da comparação com o padrão social, o que era normal e o que era
patológico(AMARANTE, 1996).
O primeiro e mais fundamental princípio terapêutico do tratamento moral, o
princípio de isolamento do mundo exterior, é uma construção pineliana que até os
dias atuais não está totalmente superada. Se as causas da alienação mental estão
presentes no meio social, é o isolamento que permite afastá-las, transpondo o
indivíduo enfermo para um meio onde as mesmas não podem mais prejudicá-lo
(AMARANTE, 1996, p. 50).

Segundo Basaglia (2001) o ato terapêutico nesta perspectiva se caracterizou como
uma ação discriminatória baseada em uma “norma” definida pela ciência. Assim, o Asilo
configurou-se como um sistema institucional a pôr em prática a “norma”,que é algo de caráter
qualitativo, e que só se define como normal ou patológico a partir de suas condições de
relação com aquilo a que se posiciona. Neste caso a loucura se torna doença na relação com o
asilo.
O internamento sobrepôs o louco a“[...] consequência do processo de
institucionalização, que homogeneíza, objetiva e serializa (no sentido proposto por Sartre) a
todos aqueles que entram na instituição” (AMARANTE, 1996, p. 85). São as formas com que
as instituições de confinamento passaram a “[...] lidar, olhar, sentir o internado, a partir
daquilo que se supõe ser o louco e sua loucura” (AMARANTE, 1996, p. 85). Ou seja, a
experiência do louco passou a ser modificada pela experiência da reclusão. A internação
configurou-se, neste caso, como estratégia do dispositivo disciplinar, que ao segregar o louco
do espaço público visava o controle do Estado sobre a ordem social. Nas palavras de
Portocarrero (apud AMARANTE, 1996, p. 67):

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Foucault afirma, em História da Loucura, que a designação de loucura e que a
consequente exclusão da sociedade não depende de uma ciência médica, mas de uma
„percepção‟ do indivíduo como ser social, dispersa e produzida por diversas
instituições como a polícia, a justiça e a família, a partir de critérios que dizem
respeito à transgressão das normas.

Questão que Foucault (2008c) apresenta da seguinte forma:
A normalização disciplinar consiste em primeiro colocar um modelo, um modelo
ótimo que é construído em função de certos resultados, e a operação de
normalização disciplinar consiste em procurar tornar as pessoas, os gestos, os atos,
conformes a esse modelo, sendo normal precisamente que é capaz de se conformar a
essa norma e o anormal que não é capaz. Em outros termos, o que é fundamental e
primeiro na normalização disciplinar não é o normal e o anormal, é a norma (p. 75).

O louco foi posto como anormal em relação à norma vigente no espaço público,
que servia como modelo para o Estado nos agenciamentos disciplinares sobre a população.
Enquanto instância Biopolítica o regime disciplinar cominava invariavelmente numa atuação
sobre o corpo. No caso, o corpo do louco institucionalizado pelo asilo. A esta questão
comenta Basaglia (2001):
Se o encontro com o doente mental ocorre no corpo, será, necessariamente, num
corpo presumidamente enfermo, operando uma ação objetivante de caráter préreflexivo, da qual se deduz a natureza da ação a adotar: neste caso impõe-se ao
doente o papel objetivo sobre o qual virá fundar-se a instituição que o tutela. (p.
104)

Propostas para retirar os internados do enclausuramento dos asilos surgiram desde
a segunda metade do século XIX, com objetivos distintos, tais como: alocar o louco junto a
sua família; alocar o louco junto a uma família estranha; criar aldeias de alienados; criar
colônias agrícolas próximas aos asilos. Mas não foram amplamente efetivadas (PESSOTTI,
1996).
Apenas a partir de meados do século XX a prática de internamento da loucura
deixou de ser hegemônica.Após a Segunda Grande Guerra, alguns psiquiatras e governantes
passaram a enfatizar as preocupações com a grande quantidade de internados nos asilos,
devido ao longo tempo de tratamento e cronicidade de internações, representando uma
impotência terapêutica da psiquiatria. E a guerra teve importância fundamental para o
surgimento de mudanças na psiquiatria.
Entre as questões relacionadas à guerra que influenciaram estas mudanças: houve
o desenvolvimento das psicoterapias de grupo, devido à incapacidade das psicoterapias
individuais em responder ao crescimento da demanda entre soldados acometidos com
problemas mentais; a situação degradante de alguns países no pós-guerra demandavam
esforços de reconstrução, na qual não se poderia desperdiçar o potencial de trabalho dos
doentes mentais, gerando a criação de estratégias para a reinserção destes ao meio social; as

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mazelas a que algumas populações foram acometidas durante a guerra influenciaram a criação
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que delegou aos Estados a responsabilidade
pela garantia da cidadania de seus habitantes, entre estes também estavam os ditos doentes
mentais.
O surgimento das psicoterapias grupais e a necessidade de ressocialização dos
doentes mentais internados promoveram alterações no ambiente de internamento. Os grupos
psicoterapêuticos incentivaram as relações interpessoais dos internados, o que servia como
modelo para o tratamento que tinha como a adaptação destes as relações que ocorreriam no
espaço social. Passou a receber ênfase a tese que considerava a doença mental como uma
desadaptação do indivíduo ao social, uma “[...] reação a uma situação ambiental conflitiva”
(BIRMAN; COSTA, 2014, p.44).
Quanto à questão da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a garantia da
cidadania por parte dos Estados gerou maior ênfase na Medicina Social, em detrimento a
atenção individual a saúde, pela perspectiva de que seria responsabilidade deste a promoção
da saúde de seus habitantes. Sobre esta influência a psiquiatria, que desde seu surgimento
estava focada na doença mental, elegeu a saúde mental como seu novo objeto. Considerando
esta a partir de "[...] suas condições de possibilidades e sobre as formas de instaurá-la
originalmente nos indivíduos" (BIRMAN; COSTA, 2014, p. 43)
Então, entre os países participantes da guerra, as diversas propostas de mudanças
no campo da psiquiatria originaram movimentos reivindicatórios que ficaram conhecidos
como Reforma Psiquiátrica. Apesar da heterogeneidade destas propostas, as mudanças no
espaço de intervenção e no objeto da psiquiatria foram, segundo Birman e Costa (2014), a
pauta em comum destas.Diante disto, alterou-se no campo teórico o discurso psiquiátrico, e
no campo das práticas assistenciais sua estrutura de funcionamento.
Assim, as alterações nos espaços terapêuticos incluíam-se em duas questões, a
estrutura lógico-conceitual e os instrumentos operacionais. Aassistência prestada passou a ser
regulada por instituições externas a clínica psiquiátrica, e a adaptação ao social como
elemento de promoção de Saúde Mental era a referência para definição de seu novo espaço
(BIRMAN; COSTA; 2014).Assim, diversos processos de desospitalização e de criação de
serviços inseridos numa perspectiva de interação com a comunidade foram postos em prática,
desenvolvidos em proximidade com os espaços públicos das cidades.

39

5. REGIÕES DE PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO

Michel Foucault (2008a) afirmou que a história em suas narrativas tradicionais
analisa os acontecimentos como sucessões lineares a partir de instrumentos específicos, como
“[...] modelos de crescimentos econômicos, análise quantitativa dos fluxos de mudanças,
perfis dos crescimentos e das regressões demográficos, estudos das oscilações do clima [...]”
(p.83). Tornando, assim, não perceptível uma gama de outros acontecimentos que
permaneciam subjugados pelas prioridades de análises escolhidas.
Este modelo de análise inicial foi substituído na obra de Foucault (2008a) a partir
da compreensão de que a história se desenvolve de forma descontínua e por rupturas. O que
ocasionou uma série de questionamentos quanto às especificidades das relações dos
acontecimentos, tais como as noções de “[...] hierarquia, dominância, estratificação,
determinação unívoca, causalidade circular” (p. 83).
Foucault propõe estender esta noção de descontinuidade àquilo que se chama de
história das ideias, do pensamento, da ciência ou dos conhecimentos. Para isso seria preciso
abdicar de uma série de noções ligadas ao postulado de continuidade: tradição; influência;
desenvolvimento; teleologia; mentalidade. Estas noções orientam a análise do conhecimento
trabalhando com coordenadas constantes, com a perspectiva de transmissão regular, de
sucessão de acontecimentos, de homeostase normativa, de comunidades de sentidos, de
semelhanças, de ligações simbólicas.
Para evitar o que seriamsínteses fabricadas, Foucault (2008a) propõe a análise das
regiões de produção de conhecimentos, na qual se inclui as ciências, a partir da análise dos
discursos aí produzidos, sendo estes constituídos por elementos de “[...] uma população de
acontecimentos dispersos”(FOUCAULT, 2008a, p. 87-88).
A ciência, enquanto região de produção de conhecimento, tem a capacidade de
validar a realidade de um fenômeno, a partir da execução de uma relação de poder, que é
efetuada por diversos discursos, sendo estes constituídos como registros presentes em um
determinado campo científico. Assim, a análise das descontinuidades uma região de produção
de conhecimento pode ser efetuada em um campo científico, pela análise da dispersão dos
registros que compõem os seus discursos.
Para efetivação desta pesquisa, a análise da dispersão dos registros no campo
científico foi realizada através das redes científicas, que são grupos institucionalizados de
colaboração científica, que visam a trocas de informações científicas entre seus membros, o
intercâmbio de material técnico e de recursos humanos. E que explicitam, além dos registros,

40

aspectos de ordem técnica, institucional e políticas; que agem na determinação daforma de
dispersão.

5. 1 As redes científicas

O início da colaboração científica entre pesquisadores foi formalizada a partir do
século XIX e, desde então, está se caracterizando como “[...] um empreendimento cooperativo
que envolve metas comuns, esforço coordenado e resultados ou produtos (trabalhos
científicos) com responsabilidade e mérito compartilhados”(BALANCIERI et al., 2005, p.64)
Assim, estas colaborações formam redes científicas, que são capazes de
acrescentar, a empreitada do trabalho a ser realizado, uma “[...] ampliação do repertório de
abordagens e ferramentas que advém do intercâmbio de informações e da fertilização cruzada
[...]”(BALANCIERI et al., 2005, p.64), em comparação com o trabalho de pesquisadores
isolados.
Estas redes científicas têm se configurado de forma diversa com o passar do
tempo, mas as possibilidades de caracterizações destas se ampliaram com o desenvolvimento
de novas tecnologias da informação, destacando-se a internet, que possibilitou a criação de
comunidades virtuais do campo da ciência, tecnologia e inovação (CT&I), que se configuram
como sítios na internet que explicitam as relações entre os membros destas comunidades
(BALANCIERI et al., 2005).
Segundo Balancieri (2005), pesquisas na década de 1960 demostraram que já
naquela época a “[...] colaboração científica se dava, frequentemente, no âmbito dos
chamados „colégios invisíveis‟” (BALANCIERI, 2005, p. 65), que se caracterizavam como
“[...] comunidades informais de pesquisadores que se comunicavam, trocavam informações e
experiências e também publicavam formalmente seus resultados no campo do conhecimento
científico” (BALANCIERI, 2005, p. 65). Estes colégios invisíveis tinham por finalidade
aumentar a produtividade científica, monitorar a produção de conhecimento em um
determinado campo e treinar estudantes.
Os fatores que geram a colaboração científica entre pesquisadores incluem,
segundo Balancieri (2005), questões diversas, entre estas: cognitivos, econômicos e sociais.
Há ainda o interesse do pesquisador em aumentar a visibilidade de sua produção e assim
ganhar maior reconhecimento entre seus pares.
Balancieri (2005) define uma rede científica como:

41

[...] uma organização de coesão tênue, consistindo de diferentes indivíduos ou
grupos ligados entre si por vínculos de natureza diversa. Essas redes são tipicamente
centros „não-físicos‟ que contam com meios de comunicação avançados a fim de
promover a interação de participantes com qualificações complementares (p. 68).

A partir dessas considerações, optou-se nesta pesquisa pela análise dos registros
produzidos em três redes de pesquisa e de literatura científica brasileira, sendo estas: o
Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq); o Banco de Dados da Biblioteca Virtual Scientific Electronic Library
Online(SciELO); o Currículo Lattes.

5. 1. 1 O Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq

O Diretório funciona como uma base de dados disponível no site do CNPq, que
fornece informações sobre os grupos de pesquisa em atividade no Brasil. O Currículo Lattes e
o Diretório funcionam de forma integrada, pois possuem links diretos de acesso um com o
outro, possibilitando o transito rápido através destas bases de informação. “As informações
individuais dos participantes dos grupos são extraídas dos seus Currículos Lattes” (CNPq.
Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014). Assim, o Diretório de Grupos de pesquisa do CNPq
se constitui como um inventário dos grupos de pesquisa em atividade no Brasil, fornecendo
diversos tipos de informações sobre estes.
As informações nele contidas dizem respeito aos recursos humanos constituintes dos
grupos (pesquisadores, estudantes e técnicos), às linhas de pesquisa em andamento,
às especialidades do conhecimento, aos setores de aplicação envolvidos, à produção
científica, tecnológica e artística e às parcerias estabelecidas entre os grupos e as
instituições, sobretudo com as empresas do setor produtivo. Com isso, é capaz de
descrever os limites e o perfil geral da atividade científico-tecnológica no Brasil
(CNPq. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014).

O diretório existe desde o ano de 1992, possuindo, atualmente, uma base corrente,
que pode ser atualizada continuamente pelos líderes dos grupos de pesquisa, e uma base
censitária que tem seu inventário atualmente constituído através de censos bianuais (CNPq.
Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014).
O diretório tem por objetivos: trocar informações entre os membros da
comunidade científica e tecnológica; servir como ferramenta para o planejamento e a gestão
das atividades de ciência e tecnologia; e preservar a memória das atividades brasileiras em
ciência e tecnologia (CNPq. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014).
Quanto ao objetivo de trocar informações entre seus membros, o diretório tem
constituído, no dia a dia das atividades científico-tecnológica, um instrumento rápido e eficaz

42

no intercâmbio de informações, possibilitando responder com precisão quem são os
pesquisadores envolvidos, onde se localizam os grupos, que atividades estão realizando e o
que foi produzido recentemente(CNPq. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014).
Quanto à possibilidade de servir como ferramenta para o planejamento e a gestão
das atividades de ciência e tecnologia, a construção permite visualizaras atividades
desenvolvidas a partir de fatores como: financiamento, avaliação qualitativa e “[...] padrão das
interações entre grupos de pesquisa e o setor produtivo” (CNPq. Diretório dos Grupos de
Pesquisa, 2014).
Por fim, o objetivo de preservar a memória das atividades brasileiras em ciência e
tecnologia se dá pela criação de bases de dados através da recorrente realização de censos.
Segundo o sítio do Diretório de Grupos na internet, é habilitado a participar desta as
instituições que seguem os seguintes critérios:
Universidades federais, estaduais, municipais ou privadas; Instituições de Ensino
Superior – IES não universitárias, públicas ou privadas, que possuam pelo menos
um curso de pós-graduação stricto sensu (mestrado, doutorado e mestrado
profissional) reconhecido pela CAPES/MEC. As IES não universitárias podem
ser centros universitários, faculdades integradas, faculdades isoladas, institutos e
escolas; Instituições que possuam pelo menos 1 (um) pesquisador doutor com bolsa
em curso de Produtividade em Pesquisa (PQ) ou de Produtividade em
Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT); Institutos públicos de
pesquisa científica; Institutos tecnológicos públicos, centros federais de educação
tecnológica e institutos federais de educação tecnológica; Laboratórios de pesquisa e
desenvolvimento de empresas estatais”; Demais instituições, públicas ou privadas
(ex: as ECTPs – Entidades Científicas e Tecnológicas Privadas sem fins lucrativos),
que comprovem atividade permanente de pesquisa, infra-estrutura compatível e
existência de doutores em seu quadro efetivo (CNPq. Diretório dos Grupos de
Pesquisa, 2014).

As referências individuais de cada participante dos grupos são organizadas de
formahierárquica para a constituição da base de dados de cada grupo.As questões que balizam
a hierarquia são relacionadas à experiência, ao destaque e a liderança de cada membro do
grupo no campo científico ou tecnológico. São consideradas, também, para esta organização a
relação de trabalhos que são vinculados às linhas de pesquisa em comum, e o
compartilhamento de instalações e equipamentos entre os grupos(CNPq. Diretório dos Grupos
de Pesquisa, 2014).
O grupo de pesquisa tem pelo menos um líder, havendo a possibilidade de
constituir-se com no máximo duas lideranças, e deve estar “[...] „abrigado‟ em uma instituição
previamente autorizada pelo CNPq”.(CNPq. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014)
O fluxo geral do cadastro e da certificação de um grupo de pesquisa envolve os
dirigentes de pesquisa, os líderes de grupos, pesquisadores, estudantes e técnicos, e
ocorre da seguinte maneira: A instituição interessada solicita a sua participação por
intermédio de seu Titular e indica o Dirigente de pesquisa e um Assessor, que serão
os responsáveis pela gestão do Diretório na instituição; O CNPq analisa a solicitação

43

e, se aceita, comunica aos interessados e libera o acesso aos responsáveis indicados.
Estes cadastram os líderes de grupos da instituição, liberando, por sua vez, o acesso
dos mesmos ao Formulário Grupo; Os Líderes acessam o Formulário Grupo para
preenchimento dos dados e envio ao CNPq; O responsável pelo DGP na instituição
(Dirigente de pesquisa) visualiza os grupos enviados pelos Líderes e certifica ou
nega a certificação dos mesmos.(CNPq. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014)

E para isso acontecer, é necessário que:
As autoridades institucionais envolvidas (Titular, Dirigente de pesquisa e Assessor)
possuam
cadastro
no
Diretório
de
Instituições-DI
do
CNPq
<http://di.cnpq.br/di/cadi/consultaInst.do> e possuam uma Senha CNPq; Dirigentes,
Assessores, Pesquisadores, Estudantes, Técnicos ou Colaboradores estrangeiro,
tenham seus currículos Lattes no CNPq.(CNPq. Diretório dos Grupos de Pesquisa,
2014).

Através de julgamento próprio, os líderes podem excluir os membros que não
estiverem mais ativos nos grupos. Pesquisadores, estudantes e técnicos têm a orientação de
manter seus currículos atualizados, sendo facultativo a estes a auto-exclusãode um grupo.
Também é facultativo aos líderes criarem outros grupos, desde que sigam os critérios já
citados(CNPq. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014).
É essa atualização contínua que forma o banco de dados do Diretório de Grupos:
[...] ou seja, a inclusão de novas instituições pelo CNPq, o cadastro de líderes e a
certificação de grupos pelos dirigentes, a atualização e o envio de novos grupos
pelos líderes e a atualização dos Currículos Lattes por todos os participantes (de
onde o CNPq extrai informações como formação acadêmica, sexo e a produção
C,T&A) formam a denominada Base Corrente do DGP, que é disponibilizada para
consultas na Internet..(CNPQ. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014)

A cada intervalo de dois anos, o CNPq elabora um diagnósticodessa base corrente,
e compõe, através desta, um banco de dados censitário que fica disponível em seu sítio na
Internet(CNPQ. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014).
Segundo o sitio da CNPq na internet, a Base corrente é formada por:
[...] grupos de pesquisa certificados pelos dirigentes das instituições participantes
(universidades, instituições isoladas de ensino, institutos públicos de pesquisa e
outras). Contém dados relativos aos recursos humanos dos grupos (pesquisadores,
estudantes, técnicos e colaboradores estrangeiros), às linhas de pesquisa em
andamento, às especialidades do conhecimento, aos setores de aplicação das linhas e
às parcerias estabelecidas entre os grupos e as instituições, sobretudo as empresas do
setor produtivo. A produção científica, tecnológica e artística dos últimos quatro
anos, extraída da base de Currículos Lattes, é atribuída a cada pesquisador e
estudante presente na base, não quantificando assim a produção do grupo, mas a
produção individual dos seus participantes. (CNPQ. Diretório dos Grupos de
Pesquisa, 2014)

A partir de 2013 também foram incluídas no “Formulário Grupo”, a possibilidade
de informar se os grupos têm participação em redes de pesquisa e vínculos com colaboradores
estrangeiros(CNPQ. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014).

44

Com relação às Bases Censitárias, estas são formadas, além do que é computado
na Base corrente, através da:
[...] produção científica, tecnológica e artística dos grupos, constituída pela soma das
produções individuais dos seus participantes, representando, assim, uma
aproximação da produção do grupo. Contêm, ainda, informações extraídas de outras
bases de dados, como a do Sistema de Bolsas do CNPq e do Coleta CAPES
(docentes da pós-graduação), utilizadas como filtros na busca textual dos grupos.
.(CNPQ. Diretório dos Grupos de Pesquisa, 2014)

Assim, os censos são compostos de informações textuais e quantitativas sobre os
grupos, com disponibilidade para consultas através de variáveis como: instituições, áreas
predominantes, recursos humanos, tipo de produção, etc.

5.1.2 Scientific Electronic Library Online- SciELO

O desenvolvimento do armazenamento e catalogação da produção científica
passou por uma rápida evolução com o advento da Internet, do fichário transformado em
catálogo público on-line, a bibliotecas híbridas que mantinham concomitantemente acervos
físicos e digitalizados, as bibliotecas virtuais que prescindem de acervo físico(CUENCA et al,
2008-2009).
Atualmente, o uso das bibliotecas virtuais apresentam diversas vantagens em
relação às bibliotecas físicas. Tais como a rapidez no acesso à informação e possibilidade de
acessar as informações em lugares distintos, pois bastando ter acesso a uma rede de internet
não é necessário o deslocamento para um lugar específico, fatores que aumentam o
dinamismo na pesquisa (CUENCA et al, 2008-2009).
Outra vantagem importante das bibliotecas virtuais é o seu funcionamento com
“[...] sistemas integrados de bases de dados possibilitando buscas simultâneas, interfaces
personalizadas e serviços em rede que permitem navegação com inúmeras coleções”
(CUENCA et al, 2008-2009, p. 75).
A

biblioteca

virtual

Scientific

Electronic

Library

Online

(SciELO)

disponibiliza,em seu banco de dados, produções científicas brasileiras em formato eletrônico,
e, ainda, produz e publica referências estatísticas sobre essas produções, operando suas
funções através de um sistema de informática próprio, a Metodologia SciELO.
A SciELO surgiu de uma parceria, na segunda metade da década de 1990, entre a
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o Centro LatinoAmericano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) e alguns editores de
revistas científicas. A esta época a comunicação científica por meio eletrônico passou a se

45

caracterizar universalmente como forma utilizada majoritariamente para publicação científica,
e os países desenvolvidos já contavam com projetos avançados nesta área.
O desenvolvimento da Metodologia SciELOocorreu, segundo Packer et al (1998),
por alguns objetivos: contribuir para o aprimoramento dos meios já tradicionais; dar maior
visibilidade gerencial, técnica e econômica ao se adotar uma metodologia comum; evitar a
pulverização entre publicações não compatíveis entre si; integrar as “[...] funções de
publicação propriamente ditas, mais o controle bibliográfico, a manutenção e preservação de
coleções de periódicos, bem como a mensuração do seu uso e impacto” (PACKER et al, 1998,
p. 112); aumentar o uso da informação científica, ao facilitar a acessibilidade; e induzir que as
revistas elevem a qualidade da informação.
A SciELO ainda se baseou em alguns princípios para o seu desenvolvimento.
Entre outros:
[...] o compromisso com a preservação das identidades dos periódicos, incluindo a
política editorial e de produção específica de cada um. Esse compromisso permitiu
dotar a Metodologia SciELO com a necessária flexibilidade para atender o amplo
espectro de situações a ser enfrentado no processo de transição para a publicação
eletrônica. (PACKER et al, 1998, p. 112)

Contudo, tais características não impedem que o editor possa modificar as
configurações do material editado devido ao interesse próprio do campo científico da
publicação em questão.
Outros princípios que a SciELOsustenta são: utilizar alguns padrões e normas
internacionais para a publicação científica; desenvolver projetos na América Latina e Caribe
para o uso das tecnologias de informação com fins científicos.
A definição para a Metodologia SciELO é:
[...] um conjunto de normas, guias, manuais, programas de computador e
procedimentos operacionais dirigidos à preparação de textos de periódicos
científicos em formato eletrônico, incluindo, entre outras, as seguintes funções:
armazenamento de textos estruturados em base de dados, publicação dos periódicos
na Internet ou em outros meios, recuperação de artigos e outros textos por seu
conteúdo, produção regular de relatório de uso e indicadores bibliométricos,
aprimoramento de critérios para a avaliação da qualidade de periódicos e o
desenvolvimento de procedimentos e políticas para a preservação de publicações
eletrônicas. A aplicação modelo da metodologia é o site SciELO. (PACKER et al,
1998, p. 113)

5. 1. 3 O currículo Lattes

Desde a década de 1980 o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq) tinha interesse na criação de um registro padrão para o currículo dos

46

pesquisadores brasileiros, com o intuito de poder avaliar estes profissionais, facilitar a seleção
de consultores e especialistas, e gerar dados sobre a distribuição da atividade científica no país
(CNPQ. Plataforma Lattes, 2014).
Na década de 1980, “[...] foi, então criado, um sistema denominado Banco de
Currículos que à época, contava com formulário de captação de dados em papel e etapas de
enquadramento e digitação de dados em um sistema informatizado”(CNPQ. Plataforma
Lattes, 2014). No final dá década de 1980 estes dados foram disponibilizados para
universidades e instituições nacionais de pesquisa através da rede BITNET, anterior à Internet
no país.
Na década de 1990, o CNPq criou outros formulários eletrônicos, como o: BCUR,
para Sistema Operacional DOS; o Currículo Vitae do Orientador, que operava em ambiente
Windows; e o Cadastro Nacional de Competência em Ciência e Tecnologia–CNCT.(CNPQ.
Plataforma Lattes, 2014)
Foi ao final da década de 1990 que o CNPq resolveu unificar os modelos de
currículos existentes, laçando em agosto de 1999 a Plataforma Lattes, que é utilizadas até
momento e “[...] vem aumentando sua abrangência, sendo utilizado pelas principais
universidades, institutos, centros de pesquisa e fundações de amparo à pesquisa dos estados
como instrumento para a avaliação de pesquisadores, professores e alunos”.(CNPQ.
Plataforma Lattes, 2014)
Atualmente, a Plataforma Lattes é composta por “[...] bases de dados de
Currículos, de Grupos de pesquisa e de Instituições em um único Sistema de
Informações”(CNPQ. Plataforma Lattes, 2014). E serve a auxiliar:
[...] ações de planejamento, gestão e operacionalização do fomento do CNPq, mas
também de outras agências de fomento federais e estaduais, das fundações estaduais
de apoio à ciência e tecnologia, das instituições de ensino superior e dos institutos de
pesquisa. Além disso, se tornou estratégica não só para as atividades de
planejamento e gestão, mas também para a formulação das políticas do Ministério
de Ciência e Tecnologia e de outros órgãos governamentais da área de ciência,
tecnologia e inovação. (CNPQ. Plataforma Lattes, 2014)

O registro no Lattes tornou-se uma ferramenta de âmbito nacional, na qual é
possível identificar um conjunto de atividades desenvolvidas, pregressas e atuais, por
pesquisadores e estudantes no campo da Ciência e Tecnologia. Sendo utilizado em
abrangência para analisar méritos e competências que servem como respaldo para os
financiamentos nestas áreas.(CNPQ. Plataforma Lattes, 2014)
O Lattes fornece, como já descrito, informações individuais acerca desses
pesquisadores e estudantes. Entretanto, estes costumam se organizar em redes cientificas de

47

colaboração, com atividades também de orientação e treinamento para estudantes. Esta rede
científica é visualizada no sítio de internet do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico-CNPq – por meio do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq.
(CNPQ. Plataforma Lattes, 2014)

48

6 DISCUSSÃO METODOLÓGICA: SOBRETRILHAS E DESCAMINHOS

6. 1 Análise das produções científicas: fundamentações

É importante não confundir a análise do discurso com a análise de uma língua. A
análise de uma língua procura distinguir a partir de quais regras um enunciado foi construído
e de que forma um enunciado semelhante poderia ser construído. “A descrição do discurso
coloca uma questão diferente: como ocorre que tal enunciado tenha surgido e nenhum outro
em seu lugar?” (FOUCAULT, 2008a, p. 92).
Também a análise do discurso não trabalha a perspectiva de uma consciência de
um sujeito falante, que tem uma intensão em seus enunciados, sua finalidade é diferente, pois:
[...] trata-se de apreender o enunciado na estreiteza e na singularidade de seu
acontecimento; de determinar as condições de sua existência, de fixar da maneira
mais justa os seus limites, de estabelecer suas correlações com outros enunciados
aos quais ele pode estar ligado, de mostrar que outras formas de enunciação ele
exclui (FOUCAULT, 2008a, p. 93).

Um enunciado é sempre um acontecimento, possui sua materialidade na forma de
registros e sempre é oferecida a possibilidade de ser repetido, transformado e reativado. Incita
consequências e simultaneamente se liga a situações que os provoca, e remetem-se a
enunciados precedentes e aos o que lhes sucede. O enunciado não se limita aos
acontecimentos de característica discursiva, pois também se relaciona a acontecimentos de
“[...] ordem técnica, prática, econômica, social, política etc” (FOUCAULT, 2008a, p. 94).
Assim, a análise de um acontecimento discursivo não tenta apreender um
significado inerente a este, mas “[...] descrever, entre ele e outros sistemas que lhe são
exteriores, um jogo de relações” (FOUCAULT, 2008a, p. 94).
Trata-se de descrever as condições de existência de um discurso e também as
correlações entre os discursos, estabelecendo “conjuntos discursivos”. Esses conjuntos não
são novos, mas encontram-se por vezes invisíveis. Analisá-los seria a exposição descritiva
que torna visível estes arranjos. Entretanto,
[...] essas relações invisíveis não constituiriam de forma alguma uma espécie de
discurso secreto animando do interior os discursos manifestos; portanto, não é uma
interpretação que poderia fazê-las emergir, mas sim a análise de sua coexistência, de
sua sucessão, de seu funcionamento mútuo, de sua determinação recíproca, de sua
transformação independente ou correlativa (FOUCAULT, 2008a, p. 94).

Faz-se necessário, também, um recorte temporal para empreender tal análise,
porém, este recorte não deve atender a uma tentativa de homogeneizar um período estudado, e
sim, procurar reconhecer nesses recortes os pontos de rupturas, de descontinuidade dos

49

discursos. A filosofia e as ciências não articulam da mesma forma o campo de acontecimentos
dos discursos se considerar, por exemplo, um recorte histórico entre o século XVII e o século
XIX.
A esta questão, ainda acrescenta Foucault (2008a) que:
De qualquer forma, certamente é preciso tomar consciência de que esses recortes quer se trate dos que admitamos ou dos que são contemporâneos aos discursos
estudados - são sempre, eles mesmos, categorias reflexivas, princípios de
classificação, regras normativas, tipos institucionalizados: por sua vez, eles são fatos
de discurso que merecem ser analisados ao lado de outros, que mantêm certamente
com eles relações complexas, mas que não têm características intrínsecas autóctones
e universalmente reconhecíveis (p. 88).

É, ainda, necessário, em um recorte específico, desconsiderar qualquer tentativa
de procurar uma origem do discurso, e sim:
[...] acolher cada momento do discurso em sua irrupção de acontecimento; na
pontualidade em que ele aparece e na dispersão temporal que lhe permite ser
repetido, sabido, esquecido, transformado, apagado, até em seus menores traços,
enterrado, bem longe de qualquer olhar, na poeira dos livros. Não é preciso remeter
o discurso à longínqua presença da origem; é preciso trata-lo no jogo de instância
próprio a cada um (FOUCAULT, 2008a, p. 91).

Diante de tal perspectiva, para analisar os discursos produzidos sobre a “cidade”
na Atenção à Saúde Mental brasileira, a presente pesquisa utilizou como recorte os registros
produzidos nas redes científicas: Diretório de Grupos do CNPq; Banco de Dados SciELO;
Currículo Lattes. Estas redes científicas são regiões de acontecimentos discursivos, que foram
utilizadas para circunscrever um determinado domínio onde se busca descrever as relações
que permitem aos enunciados suas condições de existência, como indica Foucault(2008):
O que se trata de fazer aparecer é o conjunto de condições que regem, em um
momento dado e em uma sociedade determinada, o surgimento dos enunciados, sua
conservação, os laços estabelecidos entre eles, a maneira pela qual os agrupamos em
conjuntos estatutários, o papel que eles exercem, a série de valores ou de
sacralização pelos quais são afetados, a maneira pela qual são investidos nas práticas
ou nas condutas, os princípios segundo os quais eles circulam, são recalcados,
esquecidos, destruídos ou reativados. Em suma, tratar-se-ia do discurso no sistema
de sua institucionalização (p. 95).

As produções discursivas sobre a "cidade" na atenção em saúde mental no Brasil
ocorrem em locais diversos, como nas práticas de profissionais em serviços de saúde mental
de base territorial. Porém, foi dada preferência à região onde se encontra a maior densidade e
quantidade de relações dos acontecimentos discursivos: “[...] e em que outra região os
acontecimentos discursivos parecem estar melhor ligados entre si, e conforme relações melhor
decifráveis, do que naquela que se designa em geral com o termo ciência?”(FOUCAULT,
2008a, p. 96). São nas redes científicas que se produzem a maior quantidade desses
acontecimentos e onde estes podem ser mais facilmente descritos.

50

Outra consideração sobre a escolha das regiões de acontecimentos discursivos foi
realizada a partir da inclusão daquelas com menor formalização, que são mais propícias para
análise em questão, por isso se optou, também, pelos Diretórios de Grupos do CNPq e pelos
Lattes, visto que no SciELO, pelas exigências de edição dos periódicos, estes discursos
parecem ser mais formalizados.
Quanto a esta questão acrescenta Foucault (2008a):
[...] como se dar mais chances de recuperar em um enunciado não o momento de sua
estrutura formal e de suas leis de construção, mas o de sua existência e das regras de
seu surgimento, senão se dirigindo a grupos de discursos pouco formalizados, nos
quais os enunciados não parecem engendrar de acordo com regras de pura sintaxe?
(p. 96)

Porém, é necessário ficar claro que um discurso relativo a um determinado tema
não pode ser tomado como “[...] unidade válida para constituir um conjunto de enunciados”
(FOUCAULT, 2008a, p. 98), pois cada discurso pode compor objetos diversos a partir de seus
enunciados. Por exemplo, Foucault ao estudar o discurso referente à “loucura” no século XVII
e XVIII identificou que os enunciados do campo jurídico e do campo médico não constituíam
a “loucura” enquanto objeto único, mas que o tema da “loucura” ao ser inserido no campo dos
enunciados jurídicos e no campo dos enunciados médicos criavam dois objetos distintos, cada
um relativo a cada campo.
Trata-se, assim, que a unidade do discurso sobre a “loucura” se compôs a partir de
um jogo de regras que não produzem a identidade de um objeto no discurso, mas que
compuseram sua dispersão, defasagem e diferença; é aquilo que formula a “lei de repartição”.
É assim que:
A unidade dos discursos sobre a loucura não está fundamentada na existência do
objeto “loucura” ou na constituição de um horizonte único de objetividade; é o
conjunto das regras que tornam possíveis, durante uma determinada época, o
aparecimento de descrições médicas (com seu objeto), o aparecimento de uma série
de medidas discriminatórias e repressivas (com seu objeto próprio), o aparecimento
de um conjunto de práticas codificadas em receitas ou medicações (com seu objeto
específico) (FOUCAULT, 2008a, p. 99).

Está nesta questão um possível critério para análise da unidade discursiva, que é
proposto por Foucault (2008a) como análise da “Lei de Dispersão” desses objetos que se
formam a partir de um mesmo tema, daseguinte forma:
Eu não chamaria esse sistema de “domínio” de objetos (pois essa palavra implica a
unidade, o fechamento, a proximidade, mais do que a disseminação e a dispersão);
dar-lhe-ei, um pouco arbitrariamente, o nome referencial; e direi, por exemplo, que
a “loucura” não é o objeto (ou referente) comum a um grupo de preposições, mas o
referencial ou lei de dispersão de diferentes objetos ou referentes colocados em ação
por um conjunto de enunciados, cuja unidade se encontra precisamente definida por
essa lei (FOUCAULT, 2008a, p. 99).

51

Nesta pesquisa, os campos com descrições sobre a “cidade” foram analisados a
partir dos locais de origem dos registros (departamento ao qual se vinculam: grupos de
pesquisa, linhas de pesquisa, dissertações de mestrado; e os periódicos nos quais os resumos
foram publicados). Considerou-se que os discursos produzidos nestes campos formam
diferentes objetos a partir do termo "cidade", que foi utilizado nas redes científicas em
questão como "Regra de Dispersão" dos discursos produzidos na área de atenção à saúde
mental brasileira.
Outro critério que pode ser utilizado para constituir conjuntos discursivos seria o
tipo de enunciação utilizada, uma forma constante que caracteriza um “estilo” de enunciação,
neste caso, referente a um único objeto. Por exemplo, Foucault (2008a) afirma que a partir do
século XIX a ciência médica se caracterizou mais pela utilização de um perfil descritivo, do
que pela formulação de conceitos e objetos, estando os conjuntos descritivos também
influenciados por questões políticas, econômicas, institucionais e de modelos de ensino.
Pela primeira vez a medicina não é mais constituída por um conjunto de tradições,
observações, receitas heterogêneas, mas por um corpus de conhecimentos que
supõem um mesmo olhar sobre as mesmas coisas, uma mesma grade do campo
perceptivo, uma mesma análise do fato patológico de acordo com o espaço visível
do corpo, um mesmo sistema de transcrição do que se percebe no que se diz (mesmo
vocabulário, mesmo jogo de metáforas); em suma, parecia-me que a medicina se
formalizava, se é possível dizê-lo, como uma série de enunciados descritivos
(FOUCAULT, 2008a, p. 99-100).

Porém, a análise de um perfil enunciativo não deve ser orientada na busca de um
“[...] modelo único de encadeamento linear”. Como afirma Foucault (2008a), referindo-se ao
exemplo em questão:
O que deve ser caracterizado como medicina clínica é a coexistência desses
enunciados dispersos e heterogêneos; é o sistema que rege sua repartição, a
confirmação que eles adquirem uns a partir dos outros, a maneira pela qual eles se
implicam ou se excluem, a transformação que sofrem, o jogo de sua emergência, de
disposição e de sua substituição (p. 101).

Deve-se procurar a regra desses “desdobramentos” do conjunto enunciativo. São
estas, em sua individualidade, que constituem o discurso, e que ocasionam a heterogeneidade
dos enunciados, “[...] em sua própria impossibilidade de se integrar em uma só cadeia
sintática” (FOUCAULT, 2008a, p.101). Esta regra de dispersão dos enunciados é o que
Foucault (2008a) denominou de “defasagem enunciativa” (p. 101).
Para tanto, esta pesquisa utilizou a análise do perfil enunciativo a partir
daidentificaçãodos vocábulos utilizados nos registros das redes científicas, que foram
posteriormente distribuídos, para análise da dispersão, por área de conhecimentonos quais são
comumente utilizados.

52

Outro critério de análise considerado por Foucault (2008a), para verificar as
formações discursivas, orienta a descrição de alguns conceitos da gramática clássica, que são
mais ou menos heterogêneos, e que permitem “[...] definir um sistema comum que dê conta
não somente de sua emergência, mas de sua dispersão e, eventualmente, de sua
incompatibilidade”(FOUCAULT, 2008a, p. 102). Esse sistema se define como um “[...]
conjunto de regras de formação dos conceitos”(FOUCAULT, 2008a, p. 102). É conjunto de
regras que pode ser subdividido em quatro regras teóricas: teoria da atribuição; teoria da
articulação; teoria da designação; e teoria da derivação.
Porém, diante do tempo disponível para este trabalho, este terceiro critério não
será utilizado, mas deixa-se a indicação de sua existência e a consideração de que este age em
interação com os demais critérios para a produção dos discursos.
Por fim, o quarto critério para conhecimento de uma unidade discursiva pode ser
estabelecido através de uma “identidade de opinião”. Foucault (2008a) considerando tal
questão a partir das “ciências humanas”, por exemplo, afirmou que:
[...] ao jogo das preferências ou dos interesses, tão permeáveis a temas filosóficos ou
morais, tão aptas em certos casos ao uso político, igualmente tão próximas de certos
dogmas religiosos, é legítimo em primeira instância supor que uma certa temática é
capaz de ligar e de arrimar, como um organismo que tem suas necessidades, sua
força interna e suas capacidades de sobrevivência, um conjunto de discursos (p. 103104).

Neste caso, o que permite individualizar um discurso é conhecer a independência
da sua existência a partir de um sistema de campo de escolha, “[...] uma gama enunciativa
determinada, a partir de uma série de conceitos definidos em seu conteúdo e em seu uso”
(FOUCAULT, 2008a, p. 105).
É “[...] insuficiente procurar em uma opção teórica o fundamento geral de um
discurso e a forma global de sua identidade histórica: pois uma mesma opção pode reaparecer
em dois tipos de discursos; e um só discurso pode dar lugar a várias opções diferentes”
(FOUCAULT, 2008a, p. 105).
Então, no critério de análise em questão o que foi observado é um campo
estratégico onde se situa a distribuição dos “pontos de escolha”, no qual um determinado
discurso advém. “Esse campo não é o somatório de todos os elementos em conflito, tampouco
uma obscura unidade dividida contra ela mesma e recusando se reconhecer sob a máscara de
cada adversário; é a lei de formação e de dispersão de todas as opções possíveis”
(FOUCAULT, 2008a, p. 106).
Estes “pontos de escolha” foram considerados neste trabalho como pressupostos
utilizados nos registros das redes científicas que servem como regra de dispersão dos

53

enunciados sobre a “cidade” no campo de atenção à saúde mental brasileiro. A identificação
destes pressupostos foi realizada nesta pesquisa como um dos critérios de análise das regiões
de enunciados (redes científicas).
No geral, sobre o que foi argumentado até agora, são apresentados quatro critérios
para o conhecimento das “unidades discursivas”, sendo esses critérios articulados entre si,
tem-se que:
[...] o primeiro define a unidade de um discurso pela regra de formação de todos os
seus objetos; o segundo, pela regra de formação de todos os seus tipos sintáticos; o
terceiro, pela regra de formação de todos os seus elementos semânticos; o quarto,
pela regra de formação de todas suas eventualidades operatórias (FOUCAULT,
2008a, p. 106).

Nesta pesquisa foram utilizados apenas três dos seguintes critérios. No primeiro, o
termo

“cidade”

serviu

como

“regra

de

dispersão”

para

identificaros

campos

dosacontecimentos enunciativos, através dos locais de registro das produções científicas; no
segundo, os demais vocábulos, presentes nos registros, foram analisados e agrupados de
forma a compor o perfil enunciativo sobre a “cidade”, através da distribuição por área de
conhecimento onde os vocábulos são comumente utilizados; no terceiro (equivalente ao
quarto critério no parágrafo anterior), são analisados os pressupostos sobre a “cidade”
presentes nosregistros das produções científicas.

6.2 Análise das produções científicas: procedimentos

Considerando a investigação analítica do discurso através de suas regras de
dispersão (FOUCAULT, 2008a), esta pesquisa analisou registros produzidos em três sítios
virtuais utilizados para propagação de informações em ciência e tecnologia no Brasil:
Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq; Banco de Dados SciELO; Currículo Lattes. Os
registros produzidos nestas redes científicas criam a regra de dispersão do enunciado “cidade”
nas redes científicas brasileiras que abordam a temática da atenção à saúde mental.
Para tanto, três critérios foram utilizados para análise: primeiro, os locais de
registro das produções (no Diretório, pela área do departamento/instituto ao qual se vinculam
os grupos; no SciELO, pela área do periódico em que os artigos foram publicados; no Lattes,
pela vinculação de Departamento/Instituto do autor do registro);segundo, a área de
conhecimento a qual são comuns os vocábulos utilizados no registro; terceiro, os pressupostos
sobre “cidade” utilizados nos registros.

54

Os vocábulos analisados foram organizados em grupos, referentes às áreas dos
quais são utilizados com maior frequência. Por vezes, um mesmo vocábulo, por não
apresentar uma delimitação precisa, foi categorizado em mais de um grupo (APÊNDICES B;
D; F).
No primeiro procedimento para identificação de informações,realizou-se a
consulta no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPqatravés do link “Buscar Grupos”, na
base corrente. Em seguida na “Caixa” de pesquisa digitou-se a expressão “Saúde Mental”,
marcou-se o tipo de consulta como “Parametrizada” e a opção de consulta como “Expressão
exata”. Esse primeiro critério de seleção deu origem a uma lista, primeira tabela, com
referências de 422 (quatrocentos e vinte dois) grupos, produzindo a primeira dimensão de
análise. Em seguida foi gerada uma segunda tabela, por meio da organização do item
“Repercussão do grupo de pesquisa”, presente na primeira tabela, dos 422 grupos citados,
gerando a segunda dimensão de análise. Estas “Repercussões” foram submetidas a um
segundo critério de seleção, na qual foram identificadas aquelas que possuíam o termo
“Cidade”, o que gerou uma terceira lista com 18 (dezoito) “Repercussões”, das quais 6 (seis)
foram excluídas por não descreverem atividades com características de “Atenção à Saúde
Mental”, de tal maneira que se elaborou uma terceira tabela (APÊNDICE A) com as
“Repercussões” dos 12 (doze) grupos selecionados, gerando a terceira dimensão de análise.
Nesta terceira dimensão foram identificados os vocábulos (APÊNDICE B) que se relacionam
com “Cidade”, bem como o pressuposto pelo qual o termo “Cidade” é utilizado.
Para a pesquisa no banco de dados SciELO foi utilizada a opção “Busca
avançada” que disponibilizou duas “Caixa de busca” onde se escreveu a expressão “Saúde
Mental”, com aspas para não haver a busca separada das palavras, e o termo “Cidade”; outra
opção utilizada foi o “AND”, segundo a característica disponível no site, para que a
buscafosse realizada de forma conjunta. Como filtro, foi marcado“Brasil” na opção
“Coleções”, e “Português” na opção“Idiomas”. A seleção, seguindo esses critérios,
disponibilizou uma relação com 111 (cento e onze artigos), dos quais 45 (quarenta e cinco)
foram excluídos por não descreverem atividades com características de “Atenção à Saúde
Mental”, o que gerou uma lista final com 66 (sessenta e seis) artigos, dos quais foi organizada
uma tabela (APÊNDICE C) com seus resumos, que foram posteriormente analisados. Esta
Tabela gerou a identificação dos vocábulos(APÊNDICE D) que se relacionam com “Cidade”,
bem como o pressuposto pelo qual o termo “Cidade” é utilizado.
Nas páginas do Currículo Lattes a busca pelos registros foi realizada utilizando-se
a indexação através da base de Grupos do CNPq, e a indexação, partindo de alguns autores já

55

conhecidos, na página do próprio currículo que possui link ao Lattes de outros usuários do
sistema do CNPq. Assim, foi possível mapear alguns autores que têm dado relevância a
“Cidade” no campo da “Atenção à Saúde Mental”. Tal busca originou uma tabela
(APÊNDICE E), onde foram identificados os vocábulos (APÊNDICE F) que se relacionam
com “Cidade”, bem como o pressuposto pelo qual o enunciado “Cidade” é utilizado.
Posteriormente, foram organizadas tabelas (a serem apresentadas no capítulo
sobre os “resultados”)com o cruzamento dos critérios de análise para as três redes científicas.
A formação destastabelas possibilitou identificar a dispersão do termo “Cidade” nos registros
das redes científicas brasileirasque trabalham com a temática da atenção à saúde mental. Por
fim, este material identificado foi problematizado a partir das fundamentações teóricas que
norteiam esta pesquisa.

56

7. RESULTADOS

7.1 Critérios de análise

7.1.1 Primeiro critério de análise: locais de registro
A utilização do termo “cidade” como regra de dispersão possibilitou a descrição
dos locais de registros dos campos científicos. Assim, foram observadosno Diretório de
Grupos do CNPq os seguintes locais de registros dos campos científicos: Psicologia; Saúde
Coletiva; Serviço Social. No Banco de Dados do SciELO: Enfermagem; Medicina;
Psicologia; Saúde Coletiva; Transdisciplinar. No Currículo Lattes: Educação; Interdisciplinar;
Psicologia.
No Diretório de Grupos do CNPq foram analisados 12 (doze) grupos com
registros sobre a “cidade”, distribuídos nas seguintes localizações: 9 (nove) na Psicologia; 2
(dois) na Saúde Coletiva; e 1 (um) no Serviço Social.
No Banco de dados do SciELO foram analisados um total de 66 (sessenta e seis)
resumos de artigos com registros sobre a “cidade”, assim distribuídos: 33 (trinta e três) na
Saúde Coletiva; 17 (dezessete) na Psicologia; 10 (dez) na Medicina; 5 (cinco) na
Enfermagem; 1 (um) Transdisciplinar.
No Currículo Lattes foram analisados um total de 17 (dezessete)registros sobre a
“cidade”, distribuídos nas seguintes localizações: 15 (quinze) na Psicologia; 1(um) na
Educação; 1(um) Interdisciplinar.
No geral foram analisados 95 (noventa e cinco) registros sobre a “cidade”,
distribuídos por localizações em campos disciplinares na seguinte composição: 41 (quarenta e
um) na Psicologia; 35 (trinta e cinco) na Saúde Coletiva; 10 (dez) na Medicina; 5 (cinco) na
Enfermagem; 1(um) na Educação; 1(um) Interdisciplinar; 1 (um) no Serviço Social; 1 (um)
Transdisciplinar. Esta distribuição é apresentada na Tabela 1, a seguir:

57

Local de Registro
do Campo
Científico
Psicologia
Saúde Coletiva
Medicina
Enfermagem
Educação
Interdisciplinar
Serviço Social
Transdisciplinar
Total
Fonte: Autor, 2015

TABELA 1- Distribuição dos Locais de Registro
Quantidade
Quantidade por rede científica
Total
Diretório de grupos
Banco de dados
Currículo Lattes
do CNPq
SciELO
42
9
17
15
35
2
33
0
10
0
10
0
5
0
5
0
1
0
0
1
1
0
0
1
1
1
0
0
1
0
1
0
95
12
66
17

7. 1. 2 Segundo critério de análise: vocábulos utilizados
Os vocábulos analisados, que se relacionavam a “cidade”, foram agrupados por
áreas de conhecimento em que são comumente utilizados. O agrupamento destes vocábulos
formaram no Diretório de grupos do CNPq a seguinte distribuição: 36 (trinta e seis) vocábulos
utilizados comumente pela Saúde Coletiva; 34 (trinta e quatro) vocábulos utilizados
comumente pelas Categorias Sociológicas; 17 (dezessete) vocábulos pela Medicina; 15
(quinze) vocábulos pela Psicologia; 11 (onze) vocábulos pela Geografia; 8 (oito) vocábulos
pela Filosofia Pós-estruturalista; 4 (quatro) vocábulos utilizados comumente pelo Urbanismo.
O agrupamento destes vocábulos formaram no Banco de dados do SciELO a
seguinte distribuição: 277 (duzentos e setenta e sete) vocábulos utilizados comumente pela
Saúde Coletiva; 165 (cento e sessenta e cinco) vocábulos utilizados pelas Categorias
Sociológicas; 149 (cento e quarenta e nove) utilizados pela Medicina; 98 (noventa e oito)
vocábulos pela Estatística; 60 (sessenta) vocábulos pela Psicologia; 58 (cinquenta e oito)
vocábulos pela Geografia; 46 (quarenta e seis) vocábulos pela Filosofia Pós-estruturalista; 18
(dezoito) vocábulos pelo Urbanismo.
No Currículo Lattes os vocábulos compuseram a seguinte distribuição: 41
(quarenta e um) vocábulos utilizados comumente pela Medicina; 32 (trinta e dois vocábulo)
utilizados pela Saúde Coletiva; 29 (vinte e nove) vocábulos pela Filosofia Pós-estruturalista;
19 (dezenove) vocábulos pela Geografia; 18 (dezoito) vocábulos pelo Urbanismo; 16
(dezesseis) vocábulos pelas Categorias Sociológicas; 9 (nove) vocábulos pela Psicologia.
Na análise geral tem-se a seguinte distribuição de registros com os vocábulos
comumente utilizados4: 345 (trezentos e quarenta e cinco) pela Saúde Coletiva; 215 (duzentos
4

Conferir nos APÊNDICES B; D e F.

58

e quinze) pelas Categorias Sociológicas; 207 (duzentos e sete) pela Medicina; 98 (noventa e
oito) pela Estatística; 88 (oitenta e oito) pela Geografia; 84 (oitenta e quatro) pela Psicologia;
83 (oitenta e três) pela Filosofia Pós-estruturalista; 40 (quarenta) pelo Urbanismo. Observa-se
esta distribuição na Tabela 2, a seguir:

Área do vocábulo

Quantidade
Total

TABELA 2- Distribuição dos vocábulos
Quantidade por rede científica
Diretório de grupos

Banco de dados

do CNPq

SciELO

Currículo Lattes

Saúde Coletiva

345

36

277

32

Categorias

215

34

165

16

Medicina

207

17

149

41

Estatística

98

0

98

Geografia

88

11

58

19

Psicologia

84

15

60

9

Filosofia Pós-

83

8

46

29

40

4

18

18

Sociológicas

estruturalista
Urbanismo
Fonte: Autor, 2015

7. 1. 3 Terceiro critério de análise: pressupostos
A análise dos pressupostos utilizados sobre a “cidade” nos locais de registros das
redes científicas possibilitou a identificação de 12 (doze) registros no Diretório de Grupos de
Pesquisa do CNPq: 5 (cinco) registros em que “Cidade” é utilizada como pressuposto de
Localização Geográfica; 4 (quatro) registros em que “Cidade” é utilizada como pressupostos
de Campo de Pesquisa; 2 (dois) registros em que “Cidade” é utilizada como pressupostos de
Conjunto Sociodemográfico; 1 (um) registro em que “Cidade” é utilizada como pressuposto
de Nome próprio.
No Banco de Dados do SciELO foram identificados 66 (sessenta e seis)
pressupostos, sendo estes: 31 (trinta e uma) registros em que “Cidade” é utilizada como
pressuposto de Localização Geográfica; 24 (vinte e quatro) registros em que “Cidade” é
utilizada como pressupostos de Conjunto Sociodemográfico; 7 (sete) registros em que
“Cidade” é utilizada como Dispositivo Clínico-Político; 3 (três) registros em que a “Cidade” é

59

utilizada como campo de pesquisa; 1 (um) registro em que “Cidade” é utilizada como
Comunidade.
No Currículo Lattes foram identificados 17 (dezessete) pressupostos, sendo estes:
16 (dezesseis) registros em que “Cidade” é utilizada como pressuposto de Dispositivo
Clínico-Político; 1 (um) registro em que “Cidade” é utilizada como pressuposto de
Localização Geográfica.
No geral, foram identificados 95 (noventa e cinco) pressupostos nos registros da
três redes científicas, sendo estes: 37 (trinta e sete) registros em que “Cidade” é utilizada
como pressuposto de Localização Geográfica; 26 (vinte e seis) registros em que “Cidade” é
utilizada como pressuposto de Conjunto Sociodemográfico; 23 (vinte e três) registros em que
“Cidade” é utilizada como Dispositivo Clínico-Político; 4 (quatro) registros em que “Cidade”
é utilizada como pressupostos de Campo de Pesquisa; 1 (um) registro em que “Cidade” é
utilizada como Comunidade; 1 (um) registro em que “Cidade” é utilizada como pressuposto
de Nome próprio. Observa-se esta distribuição na Tabela 3, a seguir:

Pressuposto

TABELA 3- Distribuição dos pressupostos
Quantidade
Quantidade por rede científica
Diretório de grupos

Banco de dados

do CNPq

SciELO

37

5

31

1

26

2

24

0

23

0

7

16

Campo de Pesquisa

7

4

3

0

Comunidade

1

0

1

0

Nome próprio

1

1

0

0

Total

95

12

66

17

Localização

Currículo Lattes

Geográfica
Conjunto
Sociodemográfico
Dispositivo
Clínico-político

Fonte: Autor, 2015

7.2 Cruzamento dos critérios

No primeiro cruzamento (Tabela 4) entre critérios, local de registro versus área de
conhecimento dos vocábulos, pode-se observar a predominância de registros sobre a “cidade”
na atenção à saúde mental brasileira em três disciplinas: Psicologia; Saúde Coletiva;

60

Medicina. Há de se considerar, também, a característica interdisciplinar da Saúde Coletiva,
que pode conter tanto autores relacionados à Psicologia, como da Medicina. Nestes três locais
de registros pode-se observar também uma preponderância de vocábulos comuns a própria
área de conhecimento, e outros como “Categorias Sociológicas”, comum a este três locais,
“Estatística”, comum aos registros em Saúde Coletiva e Medicina, “Filosofia PósEstruturalista” e “Geografia”, comum a Psicologia.
Sendo as três áreas de vocábulos com maiores referências comum aos três locais
de registro mais frequentes, o que marca a dispersão dos discursos sobre a “cidade”, a partir
do cruzamento destes dois critérios, são os vocábulos emprestados de outras áreas, não
reconhecidas como pertencentes a área da saúde, como: Geografia; Estatística; Filosofia PósEstrututuralista; Urbanismo.

TABELA 4- Relação entre Local de Registro e Área de conhecimento dos vocábulos
Área de conhecimento dos vocábulos
Local de
Registro

Quantidade

Psicologia
41
Saúde
35
Coletiva
Medicina
10
Enfermagem
5
Interdisciplina
2
r/Transdiscipli
nar
Educação
1
Serviço Social
1
Total
95
Fonte: Autor, 2015

S. Colet.

Med.

Estat.

Geog.

Psic.

116
176

Categorias
Sociológ.
69
91

Urb.

36
25

Filos. PósEstrut..
36
20

78
84

23
33

35
50

21
13
7

39
6
4

28
9
3

32
6
2

11
0
2

13
1
2

1
4
3

3
0
2

6
0
339

1
3
213

2
0
204

0
0
96

2
1
101

1
0
78

0
0
64

2
0
40

No segundo cruzamento entre critérios (Tabela 5), local de registro versus
pressuposto, o pressuposto “Localização Geográfica” é comum nos registros da Saúde
Coletiva e da Psicologia, enquanto “Conjunto Sociodemográfico” é comum na Saúde Coletiva
e na Medicina. Já o pressuposto “Dispositivo Clínico-Político” é preponderante na Psicologia.
Há uma dispersão, sobre a “cidade” na atenção à saúde mental brasileira, causada pelos
pressupostos adotados. Esta dispersão está polarizada entre os locais de registro da Psicologia
e da Medicina, e entre estes dois polos encontra-se a intersecção da Saúde Coletiva.
No terceiro Cruzamento entre critérios (Tabela 6), pressuposto versus área de
conhecimento do vocábulo, observa-se nas produções acadêmicas que utilizam a “cidade”
enquanto pressuposto de “Localização Geográfica” e “Conjunto Sociodemográfico” a
preponderância de vocábulos comumente utilizados na: Saúde Coletiva; Categorias

19
14

61

Sociológicas; Medicina; Estatística. Enquanto que nas produções que utilizam o pressuposto
“Dispositivo Clínico-Político” os vocábulos da Saúde Coletiva e da Medicina são comumente
utilizados, mas os vocábulos dos campos Categorias Sociológicas e Estatística não têm tanta
ênfase, e constata-se que há preponderância, também, em campos de vocábulos como:
Geografia; Filosofia Pós-Estruturalista; Urbanismo. Portanto há uma dispersão polarizada em
um lado pelos pressupostos “Localização Geográfica” e “Conjunto Sociodemográfico”, e
pelos campos de vocábulos “Categorias Sociológicas” e “Estatística”; e pelo outro lado, com
o pressuposto “Dispositivo Clínico-Político”, e os campos “Geografia”, Filosofia Pósestruturalista e Urbanismo.

62

TABELA 5- Relação entre Local de Registro e Pressuposto
Pressuposto
Locais de
Registro

Quantidade

Localização
Geográfica

Psicologia
41
Saúde Coletiva
35
Medicina
10
Enfermagem
5
Interdisciplinar/
2
Transdisciplinar
Educação
1
Serviço Social
1
Total
95
Fonte: Autor, 2015

Dispositivo
clínicopolítico
18
3
0
0
1

Campo
de
Pesquisa
4
3
0
0
0

Comunidade

Nome
Próprio

15
16
2
4
0

Conjunto
Sociodemográfi
co
4
12
8
1
1

0
1
0
0
0

0
0
0
0
0

0
0
37

0
0
26

1
0
23

0
0
7

0
0
1

0
1
1

TABELA 6- Relação entre Pressuposto e Área de conhecimento dos vocábulos
Área de conhecimento dos vocábulos
Pressupostos

Quantidade

Localização
Geográfica
Conjunto
Sociodemográfico
Dispositivo
Clínicopolítico
Campo de
Pesquisa
Comunidade
Nome Próprio
Total

37

S. Colet.

Med.

Estat.

Geog.

Psic.

149

Categorias
Sociológ.
71

Urb.

37

Filos. PósEstrut..
21

80

38

16

26

86

99

59

55

37

20

4

8

23

71

22

53

2

37

12

32

23

7

27

15

9

1

7

8

6

2

1
1
95

6
0
339

1
3
213

3
0
204

0
0
96

3
1
101

1
0
78

1
0
64

0
0
39

6

63

8. DISCUSSÃO

A partir destes três cruzamentos, conclui-se a existência de três regras de
dispersão predominantes em relação às produções discursivas sobre a “cidade” nas redes
científicas brasileiras que trabalham com a temática da atenção à saúde metal.
A primeira, mais hegemônica, pode ser identificada como um bloco composto
pelos pressupostos “Localização Geográfica”, mais comum nos registros da Saúde Coletiva e
da Psicologia. Este bloco é também caracterizado pela maior utilização de vocábulos comuns
ao campo da “Saúde Coletiva” e da “Medicina”. A “Cidade” refere-se ao local onde ocorre a
atenção à saúde mental, sendo elemento neutro em relação a dinâmica do fenômeno
trabalhado.
A

segunda

regra

é

o

bloco

composto

pelo

pressuposto

“Conjunto

Sociodemográfico”, mais comum nos registros da Saúde Coletiva e da Medicina. Caracterizase por serem os registros com maior incidência de vocábulos dos campos “Categorias
Sociológicas” e “Estatística”. A “Cidade” é equiparada a um recorte populacional, e são as
características desta população que são consideradas em relação às dinâmicas da atenção à
saúde mental.
A terceira regra é o bloco composto pela produção dos discursos sobre a “Cidade”
a partir do pressuposto “Dispositivo clínico-político”, presente em maioria nos locais de
registro da Psicologia, mas também, com menor frequência, da Saúde Coletiva. Este bloco é
também diferenciado pela maior utilização de vocábulos comuns ao campo da “Geografia”,
“Filosofia Pós-estruturalista” e “Urbanismo”. Nesta dispersão se observa uma importância
dada a “Cidade” como dispositivo capaz de otimizar os aspectos clínicos e políticos da
“Atenção à Saúde Mental”, conformando-se mais aos princípios da Reforma Psiquiátrica. O
espaço urbano da cidade torna-se lugar de pequenas lutas, de uma micropolítica que seja
capaz de pôr em prática a desinstitucionalização sobre a loucura a partir da resistência sobre
os modos operantes dos dispositivos do Estado que tentam enquadrar, controlar a “saúde
mental” dos entes no espaço aberto da Sociedade de Controle5.

5

A expressão Sociedade de Controle é utilizada por Deleuze para se referir a uma época que se caracteriza a
partir de meados do século XX, recorte temporal em que se inclui o regime biopolítico do Dispositivo de
Segurança caracterizado por Foucault. Assim, nesta pesquisa não se fará distinção de época entre Sociedade de
Controle e Dispositivos de Segurança.

64

8. 1 Localização Geográfica

Na composição destes sistemas de regras, que produzem os discursos sobre a
“cidade” nas redes científicas da atenção à saúde mental brasileira, é importante evidenciar
aquelas que estão invisíveis por parecerem neutras, possuidoras de objetividade. É o caso do
pressuposto “Localização Geográfica”, que faz com que a presença do termo “cidade” nos
registros científicos não seja problematizada, tornando-a um elemento que pressupõe uma
objetividade em si. As representações perimétricas da cidade são comumente usadas em
pesquisas como detentoras de uma verdade sobre este objeto, atribuída pela “retórica da
realidade” e pela “retórica da precisão irrefutável” (SECCHI, 2004).
Como exemplo dessa perspectiva de objetividade, pode-se observar o trecho do
resumo do artigo “Concepções de saúde e doença mental para profissionais de um CAPSi”,
disposto no SciELO:
A implantação de dispositivos destinados exclusivamente ao atendimento de
crianças e de adolescentes com transtornos mentais graves é uma conquista recente,
por isso são poucos os estudos que enfoquem estes serviços. Nesta pesquisa, tivemos
como objetivo investigar como os profissionais que atuam em um Centro de
Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (CAPSi) de uma cidade da Região Sudeste do
Brasil concebem os processos de saúde e doença dos usuários deste serviço[...].
(FONTE: APÊNDICE C)

E no trecho da descrição do grupo “Psicologia das Relações e Saúde”, no
Diretório do CNPq:
[...] Um importante incremento foi o financiamento pela FAPERGS através do edital
PPSUS 002/2009 DECIT/SCTIE/MS,CNPq, FAPERGS, SES/RS do projeto de
nível superior denominado PROCONVIVE - Projeto de implantação do ambiente de
convivência permanente para crianças usuárias do CAPS infantil da cidade de Santa
Maria, RS, e avaliação do impacto da intervenção terapêutica em usuários e
funcionários do CAPSI, registrado sob o n° de processo 09/0098-2. O projeto
alcançou a totalidade da população do CAPSi através de pesquisa e extensão, e no
momento gera dados para a melhoria do serviço, da qualidade das relações e para
trabalhos posteriores (FONTE: APÊNDICE A)

Em ambos os registros científicos, resumo de artigo e descrição de grupo de
pesquisa, o termo “cidade” situa apenas o local onde fica o CAPSi. O que está no foco da
pesquisa e do projeto são descritos como fenômenos característicos do CAPSi que não sofrem
interferência de algum aspecto da “cidade”, que é tratada como exercendo nula influência
sobre os fenômenos da atenção prestada no CAPSi.
Porém, o pressuposto da “Localização Geográfica” não é objetivo e neutro, pois,
como afirma Black (2005), existem limitações nas tendências de “mapeamento positivista”
quanto à “disponibilidade e descrição de dados”, visto que a “coleta, análise e descrição de
dados” é uma “construção social”, inserida numa “cultura científica” de determinada época,

65

valendo-se, assim, “[...] de uma tecnologia social que não é democrática nem livre de valores,
mas que reflete uma tecnocracia com seus próprios valores e métodos” (p. 411).
E acrescente-se, ainda, que:
Em parte, tal análise reflete uma reação suspeita ao poder latente em qualquer
método que tenha um potencial para auxiliar a análise e o planejamento; não é
específico dos mapas. Contudo, há também uma preocupação acerca do
mapeamento que está relacionada ao presente interesse pelo poder dos mapas como
meio de abordar e apresentar situações, e processo pelo qual a cartografia reflete o
poder. (BLACK, 2005, p. 411)

Entre as noções que a cartografia pode influenciar estão, por exemplo, questões
como a "[...] ênfase em nações como comunidades políticas imaginadas, ênfase no papel de
imagens como meio de criar percepções de poder e, de modo mais geral, ênfase em aspectos
iconográficos da autoridade política e cultural" (BLACK, 2005, p. 11).
No resumo “Avaliação de serviços de saúde mental: adaptação transcultural de
uma medida da percepção dos usuários sobre os resultados do tratamento”, tem-se a ênfase
atribuída de que a nação brasileira possa constituir-se como uma região possuidora de
homogeneidade cultural, constituindo uma comunidade, como pode ser observado a seguir:
INTRODUÇÃO: Para avaliar a qualidade dos serviços de saúde mental, medidas de
resultados relatados pelos próprios usuários têm sido destacadas e, mais
recentemente, a percepção de mudanças. O objetivo desta pesquisa foi realizar a
adaptação transcultural para o Brasil da escala canadense Questionnaire of Perceived
Change, obtendo-se a Escala de Mudança Percebida (EMP), em duas versões: a dos
pacientes e a dos familiares. MÉTODO: Participaram da pesquisa 20 familiares e 23
pacientes psiquiátricos de um serviço de saúde mental de uma cidade de porte médio
de Minas Gerais. A escala foi submetida aos procedimentos de adaptação
transcultural: tradução, retradução, análise por comissão de especialistas, estudo
piloto. A escala original possui 20 itens que avaliam a mudança percebida em quatro
dimensões da vida dos pacientes. As alternativas de resposta estão dispostas em
escala tipo Likert de 4 pontos. RESULTADOS: Foram feitas modificações,
incluindo: uma nova forma de aplicação por um entrevistador, número balanceado
de alternativas de resposta resultando em três opções, redação dos itens em
linguagem simples, eliminação de um item, uso de exemplos e inclusão de duas
perguntas abertas. A escala mostrou-se de fácil compreensão pelos usuários.
CONCLUSÃO: As duas versões da escala EMP estão adaptadas ao contexto
brasileiro e apresentam equivalência semântica com a escala original. Elas servirão
para avaliar os resultados do tratamento, na percepção dos seus usuários.
(APÊNDICE C)

Na descrição do artigo, anteriormente citado, há duas premissas consideradas a
partir da localização geográfica do serviço de saúde mental, a saber: a primeira, que os
pacientes localizados numa mesma cidade possuem uma homogeneidade cultural; a segunda,
que a cidade em questão possui uma amostra significativa da cultura brasileira que permita a
validação e a generalização do instrumento.
O artigo em questão foi publicado em um periódico da Medicina (fonte de
registro), campo disciplinar comumente pautado por referenciais positivistas de ciência, em

66

que o reducionismo praticado por meio das técnicas de separação e classificação,serve para
análise dos elementos de um fenômeno e para posterior composição de teorias explicativas
gerais. No caso em questão, a cidade é considerada como um recorte objetivo e possuidor de
homogeneidade, característica típica de duas instâncias da modernidade, respectivamente, a
ciência e a cidade. Assim, a análise desse resumo permite identificar a regra de dispersão do
discurso sobre a cidade pautada na intersecção de dois dos critérios analisados: o local de
registro e o pressuposto, a “Medicina” e a “Localização Geográfica”.
Essa perspectiva de cartografia científica data do século III, na China, onde se
utilizava como critérios de mapeamento aspectos jurídicos, físicos e históricos do território. Já
nos séculos XVII e XVIII, na Europa, foram realizadas mudanças significativas para os
mapeamentos, entre outras a criação de mapas cadastrais, "feitos para tributação ou com
propósitos administrativos", e "a melhoria da medição de longitude"; assim, as referências a
mapas cresceram,nesta época, passando a ser "[...] equivalentes cartográficos do interesse em
informações estatísticas que afetava aqueles que se preocupavam com 'aritmética política'"
(BLACK, 2005, p. 36-40).
E foi esta questão do uso da Estatística que se tornou uns dos elementos
fundamentais para análise dos fenômenos sociais no mundo contemporâneo, como pode ser
observado no exemplo da descrição do Collins Atlas of Twentieth-Century World History, de
Glasgow (1991): "Ele abrangia desertificação, poluição do mar, chuva ácida e desmatamento
das florestas tropicais em dois mapas dedicados ao meio-ambiente global e a incidência de
casos de AIDS em um dos mapas dedicados à saúde"(BLACK, 2005, p. 347). Ou seja, a
cartografia passou a quantificar aspectos culturais, econômicos e sociais; através do uso da
estatística.
No campo da Saúde Coletiva, o uso da Estatística no mapeamento tornou-se
comum para determinar padrões aceitáveis de fenômenos relacionados à incidência de
doenças e aos seus determinantes, e passou também a influenciar a delimitação das políticas
públicas de saúde por região. Tem-se a seguir um exemplo deste uso em um dos resumos do
SciELO analisado nesta pesquisa:
O objetivo do presente estudo foi verificar a prevalência de transtornos mentais
comuns (TMC) e sua relação com auto-estima, bem como outros fatores associados
à ocorrência de TMC em gestantes. Foi realizado um estudo transversal aninhado a
uma coorte no qual participaram gestantes atendidas no serviço de saúde do Sistema
Único de Saúde na cidade de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Foi
utilizado para o rastreamento de transtornos mentais comuns o Self-Reporting
Questionnaire (SRQ-20) e, para avalia a auto-estima, a Escala de Auto-Estima de
Rosenberg. A amostra constituiu-se de 1.267 gestantes, que tinham em média 25
anos (dp = 6,53). A média de auto-estima foi de 9,3 pontos (dp = 4,76) e a
prevalência de TMC em gestantes foi de 41,4%. Evidenciou-se, também, que quanto

67

menor a auto-estima da grávida maiores são as chances de associação a TMC (p <
0,001). Houve uma significativa associação entre maior prevalência de TMC e baixa
auto-estima. (FONTE: APÊNDICE C)

Observa-se no resumo, anteriormente citado, o foco na análise de prevalência de
TCM em gestantes que são atendidas em um serviço de saúde situado em uma cidade. A
relevância da localização geográfica é acentuada pela descrição do Estado e do país: “Rio
Grande do Sul, Brasil”. Acrescentada a presença de vocábulos comuns ao campo da
“Estatística” e da “Saúde Coletiva”, tem-se a perspectiva da análise do padrão de incidência
de uma doença numa determinada localidade. Diferentemente da análise que será
posteriormente realizada com o pressuposto “Conjunto Sociodemográfico”, em que a análise
Estatística de incidência será realizada sobre a população. Este argumento é válido em função
de que existe uma maior correlação do campo de vocábulos “Categorias Sociológicas”, que
caracterizam uma determinada população, com o pressuposto “Conjunto Sociodemográfico”.
Neste último exemplo, a única categoria sociológica presente é a idade, que não apresenta
correlação entre sua distribuição e o resultado da pesquisa. Através destas considerações, temse nesse resumo que a regra de dispersão que produz o discurso sobre a cidade parte da
intersecção do local de registro “Saúde Coletiva” com o pressuposto “Localização
Geográfica”.
Estas pesquisas realizadas com o pressuposto “Localização Geográfica” são
influenciadas, mesmo que indiretamente, pelo conjunto de informações sobre os parâmetros
de saúde por região. Na área da saúde coletiva brasileira, o Sistema de Informação em Saúde
é composto por um conjunto de subsistemas com informações demográficas e de saúde no
país. Este sistema realiza o registro, a compilação e a difusão das informações através do
Departamento de Informática do SUS - DATASUS. As informações são obtidas através de
registros de: serviços de saúde distribuídos no território nacional; secretarias estaduais e
municipais de saúde; e órgãos de pesquisas sobre condições demográficas, como o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. As informações repassadas pelos IBGE são
compiladas em formato de mapas, com índices distribuídos por regiões (BRASIL, 2009).
Além de mapas e atlas, a apresentação das informações em saúde por região pode ocorrer por
gráficos e tabelas, mas que tem em seus princípios o uso do método cartográfico para
determinar seus recortes políticos-administrativos.
E estas metodologias cartográficasestão sendo cada vez mais utilizadas por
profissionais de diversas áreas, entre outros motivos, pela facilidade que os softwares
desenvolvidos têm apresentado no manuseio para inclusão de informações por profissionais
não especialistas do método cartográfico. Assim, é cada vez mais ampla a utilização da

68

cartografia para o diagnóstico e prognóstico de fenômenos sociais dispersos em um recorte de
espacialidade(BLACK, 2005).
Esta utilização de computadores na cartografiapossibilita também uma ampliação
da base de informações utilizadas e uma maior diversidade nas apresentações destas. Esta
ampliação permite mostrar a difusão, ou a mudança no decorrer do tempo, de fenômenos
sociais, e a diversidade de apresentação, através de “[...] recursos interativos, permite o uso
dos mapas num „estado de fluxo‟, o que torna a apresentação aparentemente menos estatística,
influenciando, assim, no processo de produção de conhecimento” (BLACK, 2005, p. 406).
Assim, esta característica decorrente da diversidade de apresentações contribui ainda mais
para a invisibilidade do pressuposto “Localização Geográfica” nos discursos sobre a “cidade”
nas redes científicas brasileiras que trabalham com a atenção à saúde mental, fazendo com
que não se perceba a correlação de informações com a repartição espacial.

8.2 Cidade enquanto Conjunto Sociodemográfico (População)
Nos registros apresentados, a “cidade” considerada a partir do pressuposto
“Conjunto Sociodemográfico” constitui-se como uma população que reside em um
determinado local e que possui características próprias, sendo estas relevantes para a atenção
à saúde mental prestada. Por isso, a prevalência de relação deste pressuposto com o campo de
vocábulos “Categorias Sociológicas” (Sexo, Idade, Renda, etc.) que servem como indicadores
para a avaliaçãodas características de saúde de uma determinada população, como perfil
endêmico e tipologia de sintomas.
Pode-se observar a utilização da noção de população nos seguintes trechos:
OBJETIVO: Avaliar a influência das condições socioeconômicas na associação
entre transtornos mentais comuns, uso de serviços de saúde e de psicofármacos.
MÉTODOS: Estudo transversal populacional conduzido na cidade de Botucatu, SP,
com amostragem probabilística, estratificada e por conglomerados. Foram realizadas
entrevistas domiciliares com 1.023 sujeitos de 15 anos ou mais de idade, entre 2001
e 2002. [...] RESULTADOS: No total da amostra, 13,4% (IC 95%: 10,7;16,0)
procuraram serviços de saúde na quinzena anterior à entrevista. A procura de
serviços de saúde se associou ao sexo feminino (OR=2,0) e à presença de transtorno
mental comum (OR=2,2). Na amostra 13,3% (IC 95%: 9,2;17,5) referiram ter usado
ao menos um psicotrópico, destacando-se os antidepressivos (5,0%) e os
benzodiazepínicos (3,1%). Na análise multivariável, sexo feminino e presença de
transtorno mental comum mantiveram-se associados ao uso de benzodiazepínicos.
Renda per capita mostrou-se direta e independentemente associada ao uso de
psicofármacos, conforme aumento da renda. [...] (APÊNDICE C)

E também na descrição do grupo do CNPq “Psicanálise e Saúde Mental Infantil”:
Tendo como fundamento o aspecto extencionista e de pesquisa, a partir do contato e
diálogo com a comunidade, o grupo busca produzir dispositivos clínicos em saúde

69

mental infantil que contribuam para a prevenção e o cuidado com a primeira infância
no serviço saúde de saúde mental, na atenção primária, da cidade de UberlândiaMG.de modo específico, nossos objetivos são: - estabelecer campos de diálogo entre
a psicanálise e a saúde pública mediante a criação de estratégias de identificação e
intervenção precoce na população infantil, ressaltando a prioridade dessa
intervenção no território social e cultural da criança e sua família; - criar estratégias
e viabilizar a aplicação de instrumentos de identificação precoce dos sinais de risco
de sofrimento psíquico na tenção básica com crianças na primeiríssima infância; investigar a sensibilidade desses instrumentos quanto à variabilidade psicopatológica
identificada precocemente por meio dos mesmos, assim como os efeitos das
especificidades sociais e culturais da população sobre os instrumentos e a
necessidade de sua (re)elaboração; [...]. (APÊNDICE A)

Foucault (2007) afirmou que a noção de População surgiu exatamente com o
regime biopolítico do Dispositivo de Segurança, onde os Estados modernos ocidentais
substituíram o foco sobre a cidade-território e suas características físico-administrativas para o
foco sobre a noção de que os indivíduos que habitam um determinado local fazem parte de
uma espécie, a Espécie Humana. Assim, os fenômenos sociais passaram a ser entendidos
como padrões característicos dessa espécie. Padrões que devem ser estabelecidos através de
cálculos estatísticos capazes de obter a otimização do menor custo entre o investimento do
Estado e aceitação de determinados miasmas sociais, visto que estes não podem ser
simplesmente extintos. Os corpos dos indivíduos, que constituem a unidade da espécie, tornase uma estratégia biopolítica que o Estado passa a tentar controlar. Na área da saúde, os
estados europeus, entre o final do século XVI e início do século XVII, passaram a utilizar
estes cálculos estatísticos para determinar padrões de saúde populacional.
Surge, então, o campo da Saúde Coletiva, que tem suas origens em um conjunto
de práticas, surgidas no século XVIII na Europa, que vieram a caracterizar a medicina
moderna como prática social que tinha por finalidade o controle dos "corpos" dos indivíduos,
passando a compor o que ficou conhecido pela alcunha de Medicina Social. Como melhor
descreve Guérin:
Tínhamos tido já ocasião de indicar as numerosas relações que existem entre a
medicina e os assuntos público [...]. Apesar destas abordagens parciais e não
coordenadas que tínhamos tentado incluir sob rubricas tais como polícia médica,
saúde pública, e medicina legal, com o tempo estas partes separadas vieram a se
juntar em todo organizado e atingir seu mais alto potencial sob a designação de
medicina social [...] (apud NUNES, 2012, p. 20-21).

O foco destas práticas é a própria população. Como especifica Arouca, a Medicina
Social pode ser entendida “[...] como o estudo da dinâmica do processo de saúde-doença nas
populações, suas relações com a estrutura de atenção médica, bem como bem como das
relações de ambas com o sistema social global” (apud NUNES, 2012,p. 24).
Estas análises demográficas passaram a incluir no Brasil, no campo da saúde
pública, fatores sociais e políticos, influenciadas pelas “[...] possibilidades trazidas pelas

70

ciências sociais na compreensão do processo saúde-doença; assim como das relações com o
campo da epidemiologia, da organização social da saúde e das relações saúde e trabalho”
(NUNES, 2012, p. 21).
Como ênfase a esta questão, Nunes (2012) afirma:
Em realidade, a partir do momento em que se foram firmando as formas de tratar o
coletivo, o social e o público caminhou-se para entender a saúde coletiva como um
campo estruturado e estruturante de práticas e conhecimentos, tantos teóricos como
políticos. (p. 27).

Pode-se observar também na análise realizada nas redes científicas que nos locais
de registros da Medicina, o pressuposto “Conjunto Sociodemográfico” é hegemônico, assim
como os vocábulos afins a este pressuposto, “Categorias Sociológicas” e “Estatística”, têm
maior incidência. Já nos registros da Saúde Coletiva, apesar do pressuposto “Conjunto
Sociodemográfico” ser o segundo mais utilizado, e vocábulos do campo da “Estatística” não
estão entre os mais comuns.
A variabilidade entre os locais de registro pode ser justificada pelo fato de a
Medicina ser comumente uma ciência mais positivista e, portanto, de quantificação, enquanto
que a Saúde Coletiva é mais heterogênea, por ser dividida em “[...] três grandes espaços e
formações disciplinares: as ciências sociais e humanas, a epidemiologia e a política e o
planejamento” (NUNES, 2012, p. 29).
Assim,observa-se uma relação entreessas formações disciplinares ealguns campos
de vocábulos,porexemplo: ciências sociais e“Categorias Sociológicas”; epidemiologia
e“Estatística”; política e planejamento, e o campo de vocábulos próprios da “Saúde Coletiva”.
Exemplificando estas relações, tem-se, por exemplo, que a epidemiologia no
campo da saúde mental utiliza-se de uma “[...] taxonomia nosográfica bem delimitada que
clarifique suas variáveis de estudo, bem como a definição precisa dos fatores de exposição”
(BASTOS; CASTIEL, 2014, p. 106-107). Há, então, a pretensão de uma objetividade que
torne a análise dos fenômenos observados possíveis de uma classificação estatística, com
intuito de gerar o estabelecimento probabilístico dos “fatores de risco”.
Esta relação entre epidemiologia e “Estatística” pode ser observada,entre as
produções analisadas, no resumo do artigo “Filhos de dependentes químicos com fatores de
risco bio-psicossociais: necessitam de um olhar especial?”, publicado em um local de registro
da Medicina (Revista de Psiquiatria Clínica), serve como um dos exemplos do uso da
epidemiológica na atenção à saúde mental:
CONTEXTO: A dependência química tende a afetar a família como um todo. Filhos
de dependentes químicos têm um risco aumentado para o desenvolvimento da
dependência química, bem como para transtornos psiquiátricos, quando comparados

71

com outras crianças. OBJETIVO: Investigar o perfil de crianças, adolescentes e
familiares em um serviço de prevenção seletiva para filhos de dependentes químicos
e discutir alternativas de intervenção e tratamento para essa população. Tipo de
estudo: corte transversal. AMOSTRA: serviço de prevenção seletiva, situado em um
bairro da periferia da cidade de São Paulo, com 63 familiares, 54 crianças e 45
adolescentes. INSTRUMENTOS: dados sócio-demográficos; Procedimento de
Desenhos de Família com Estórias - DF-E; Drug Use Screening Inventory (DUSI);
Critérios de investigação sobre situações de estresse psicossocial vividas pela
criança (CID 10, 1993); Self-Report Questionnaire SRQ-20; CAGE familiar.
RESULTADOS: com relação ao perfil familiar, 67% pertencem à categoria
socioeconômica D; na maioria das famílias o pai é o dependente químico (67%),
tendo como substância de escolha o álcool (75%). O SRQ-20 detectou, em 59% dos
cônjuges que não eram dependentes químicos, risco de distúrbios em saúde mental.
Nas crianças, foi observada timidez e sentimento de inferioridade, depressão,
conflito familiar, carência afetiva e bom nível de energia, que é indicativo de
equilíbrio emocional e mental. Nos adolescentes, foi observado maior índice de
problemas nas seguintes áreas do DUSI: desordens psiquiátricas, sociabilidade,
sistema familiar e lazer/recreação. CONCLUSÃO: o artigo concluiu a necessidade
de um serviço especializado de prevenção seletiva, dirigido a crianças, adolescentes
e familiares afetados pela dependência química, uma vez que filhos de dependentes
químicos representam um grupo de risco para o desenvolvimento de problemas biopsicossociais. (APÊNDICE C)

A utilização da análise em saúde mental, nesta descrição de resumo, naturaliza o
comportamento de um grupo da população como possuidor de um caráter de risco. Neste
grupo as especificidades da saúde mental dos entes pesquisados estão diluídas em fenômenos
estratificados a partir de categorias sociológicas (criança, adolescente, categoria
socioeconômica). Ainda há a sugestão da interferência de um serviço voltado para a
prevenção de riscos nestes moradores da periferia da cidade de São Paulo.
Este recorte da cidade, através do uso do vocábulo periferia, comum aos campos
da “Geografia” e do “Urbanismo”, cria-se um “valor posicional” que enfatiza a noção de risco
desta população. E esta noção de risco, que tem, segundo Spink (2011), “[...] sua expressão
clássica máxima na epidemiologia” (p. 1-2), configura-se como uma das principais estratégias
da biopolítica contemporânea, remetendo-se sempre ao controle de eventos futuros. O que
transposto para a atenção à saúde mental descritiva no artigo anteriormente citado, impõe uma
perspectiva de controlar o que possa vir a acontecer com a população residente naquele local
da cidade. Como pode ser também observado, a seguir, no trecho de uma das “Repercussões
de Grupo” do CNPq:
Tendo como fundamento o aspecto extencionista e de pesquisa, a partir do contato e
diálogo com a comunidade, o grupo busca produzir dispositivos clínicos em saúde
mental infantil que contribuam para a prevenção e o cuidado com a primeira infância
no serviço saúde de saúde mental, na atenção primária, da cidade de UberlândiaMG.de modo específico, nossos objetivos são: - estabelecer campos de diálogo entre
a psicanálise e a saúde pública mediante a criação de estratégias de identificação e
intervenção precoce na população infantil, ressaltando a prioridade dessa
intervenção no território social e cultural da criança e sua família; - criar estratégias
e viabilizar a aplicação de instrumentos de identificação precoce dos sinais de risco
de sofrimento psíquico na tenção básica com crianças na primeiríssima infância; [...]
(APÊNDICE A)

72

Assim, a relação mais frequente entre os vocábulos dos campos “Categorias
Sociológicas” e “Estatística” com o pressuposto “Conjunto Sociodemográfico” justifica-se em
prol das determinações epidemiológicas. Visa-se a gestão de políticas públicas em saúde
mental focada não apenas no “acompanhamento” dos entes assistidos,mas também no
controle de suas condutas, através da prevenção de riscos.
Há, nos dois últimos registros citados, a instauração do regime biopolítico numa
determinada região da cidade, gerando uma fragmentação que considera a existência de
homogeneidades nas “peças urbanas‟, como é característico nas análises atuais do urbanismo
sobre a Cidade Contemporânea. Esta homogeneização, porém, é capaz de gerar invisibilidade
da ocorrência de aspectos mais difusos da cidade, sua variedade de fluxos. Este recorte da
cidade, comumente não problematizado, gera na atenção à saúde mental critérios de análise
pré-determinados que excluem outros fatores influentes na especificidade da área da cidade
em questão, como pode-se observar, também, no trecho do resumo a seguir:
OBJETIVO: Detectar a prevalência de transtornos mentais em idosos residentes em
área urbana. MÉTODOS: Uma amostra de 327 idosos (60 anos de idade ou mais)
residentes na cidade de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, foi selecionada
por amostragem probabilística, em estratos múltiplos, dentro de estrato homogêneo,
sendo a unidade amostral o domicílio. [...] CONCLUSÕES: Comparando com
outros estudos comunitários, a prevalência de distúrbios mentais entre os idosos na
área urbana foi alta e está associada com múltiplas doenças, incapacidade e pobreza.
É uma realidade preocupante pelo de seu impacto sobre a qualidade de vida relativa
à saúde da população e sobre os serviços de saúde nas próximas décadas
(APÊNDICE A).

73

8.3 Cidade enquanto Dispositivo Clínico-Político
A utilização da “cidade”, nas redes científicas em questão, a partir do pressuposto
“Dispositivos Clínico-Político” é majoritariamente encontrada nos locais de registro da
Psicologia, e utiliza-se, mais frequentemente, vocábulos comuns a campos como a
“Geografia”, “Filosofia Pós-estruturalista” e “Urbanismo”; do que os registros que se utilizam
de outros pressupostos.
A utilização, em parte destes registros, de vocábulos do campo da “Filosofia Pósestruturalista” é justificada pelo fato destas utilizarem-se comumente de autores deste campo
como sustentáculo teórico para suas argumentações, tais como: Deleuze; Foucault; Guatarri.
Como pode ser observado na descrição do projeto de pesquisa “As Cidades e as Intervenções
sobre o Diverso: contribuições da Desinstitucionalização Italiana”:
Descrição: A pesquisa visa investigar a vida social dos ex-pacientes do Hospital
Psiquiátrico Osservanza, Imola, após o cumprimento da Lei 180 conquistada pela
Reforma Psiquiátrica italiana, que proibe o funcionamento do manicômio, as longas
internações em todo o território italiano. Objetiva refletir os desafios políticos
advindos da presença destes agora " cidadãos" no cotidiano urbano; deseja detectar
as práticas de poder sobre a diferença nas metrópoles do capitalismo
contemporâneo. A categoria cidade utilizada na pesquisa afasta-se do sentido de um
espaço simbólico ou funcional a uma natureza humana indiferente às tramas da
história. À luz das contribuições de Michel Foucault e Walter Benjamin, entre outros
autores, esta categoria será utilizada como campo de produção e de confronto de
forças, lugar de assujeitamentos, transgressões, de singulares e múltiplas formas de
criação e de lutas. [...] (APÊNDICE E).

E também no resumo do artigo “Acompanhamento terapêutico: dispositivo
clínico-político”:
Considerando que o acompanhamento terapêutico, no contexto da reforma
psiquiátrica em curso, torna-se uma função emblemática da mistura e contágio das
disciplinas psi com o espaço e tempo da cidade, o artigo toma inicialmente como
base a noção de dispositivo, tal como a define Michel Foucault, para abordar os
elementos que constituem condição para que o acompanhamento terapêutico possa
operar como dispositivo clínico-político em apoio à consolidação e colocação em
análise do processo da reforma psiquiátrica. Em um segundo momento propõe como
problematização para a clínica do acompanhamento terapêutico, fundada em Lacan,
Winnicott ou Deleuze-Guatarri, sua operação no espaço múltiplo e aberto da cidade,
onde a conflitualidade e o imprevisto inevitavelmente têm lugar.(FONTE:
APÊNDICE E)

A própria noção de dispositivo presente nos registros analisados, ora como
pressuposto e ora como um dos vocábulos listados6 no campo “Filosofia Pós-estruturalista”, é
conceituada na obra de Foucault. Caracteriza-se como um mecanismo concreto que atualiza as
relações de poder, mecanismo abstrato, existentes em um determinado microcosmo.

6

Conferir nos APÊNDICES B; D e F.

74

Segundo Agamben (2005), o “dispositivo” na obra de Michel Foucault é
composto por elementos heterogêneos como “[...] discursos, instituições, edifícios, leis,
medidas de segurança, proposições filosóficas etc” (p. 9); e que podem “[...] capturar,
orientar, determinar, interceptar, modelar, controlar e assegurar os gestos, as condutas, as
opiniões e os discursos dos seres viventes” (p. 13).
O dispositivo, porém, nunca é um desses elementos isolado, mas uma relação
entre elementos, uma rede (AGAMBEM, 2005). Em alguns casos analisados com o
pressuposto “Dispositivo clínico-político”, a cidade constitui-se como dispositivo na relação
com as tecnologias assistenciais em saúde, como se pode observar em relação à função do
Acompanhante Terapêutico (AT) nos trechos:
[...] O AT surgiu num movimento de desinstitucionalização da loucura, tomando a
cidade como campo de experimentação e inserindo-se para além dos
estabelecimentos de saúde. Realizar uma „clínica sem muros‟, problematizando a um
só tempo a doença mental e sua relação com os espaços urbanos e interrogando
radicalmente as práticas manicomiais. [...] O AT comparece como um mobilizador
de forças capazes de consolidar um estatuto público para a clínica. (FONTE:
APÊNDICE E)

A relação da cidade com AT possui potenciais clínicos e políticos capazes de
serem problematizados nas práticas de atenção à saúde mental, onde os tensionamentos
produzidos pela relação AT-Cidade devem servir para eliminar resquícios manicomiais
oriundos das práticas de confinamento, em prol de uma clínica realizada no espaço aberto da
cidade.
Já no resumo “Loucura e cidade: cenas biopolíticas e incursões (des)
institucionalizantes”,pode-se observar a cidade em relação com outra tecnologia de assistência
à saúde mental, o Serviço Residencial Terapêutico- SRT:
Neste artigo, partimos do pressuposto de que a relação loucura-cidade serve como
analisador do processo de desinstitucionalização em saúde mental e procuramos
indicar os eixos disciplinares e biopolíticos em operação nesse campo. Para tanto,
analisamos algumas cenas urbanas e certos acontecimentos que acompanhamos
numa pesquisa acerca das práticas de cuidado no âmbito de um Serviço Residencial
Terapêutico (SRT). E, com base no reconhecimento dos modos de operação do
biopoder na relação loucura-cidade, procuramos argumentar que as formas de
resistência aos manicômios biopoliticamente configurados na contemporaneidade
devem operar macro e micropoliticamente por meio de "lutas em rede". (FONTE:
APÊNDICE C)

O dispositivo presente na relação da cidade com o SRT é analisado como
estratégia biopolitíca a operar sobre os entes assistidos, na qual se incide em cenas urbanas de
forma a reproduzir os modelos disciplinares. A assistência prestada por este serviço deve-se,
segundo a visão das autoras, se articular com outras redes, reconfigurando o dispositivo em
prol de agenciamentos capazes de tensionar as instâncias do Biopoder. Assim, o potencial

75

clínico e político, cuidados e lutas, é considerado como capaz de ser mobilizado através de
uma relação entre a atenção prestada e a cidade.
Outra característica do dispositivo é, ao agirem sobre os viventes, ter por efeitoa
produção desubjetividades, que não são, nesta perspectiva, uma entidade que habita o sujeito,
mas como o conjunto de práticas do dia a dia de um ente (AGAMBEM, 2005). No resumo do
artigo “Processos de subjetivação e territórios de vida: o trabalho de transição do hospital
psiquiátrico para serviços residenciais terapêuticos”, tem-se um exemplo desta perspectiva da
produção de subjetividade em um registro que se utiliza do vocábulo dispositivo com o
pressuposto “Dispositivo Clínico-Político”:
O artigo discute o cuidado em saúde mental no contexto da Reforma Psiquiátrica em
implementação no Brasil. Resulta de uma proposta de pesquisa-intervenção
potencializadora da desinstitucionalização de moradores do Hospital Psiquiátrico
São Pedro e aborda, mais precisamente, o trabalho de transição para os serviços
residenciais terapêuticos Morada São Pedro, na cidade de Porto Alegre. Para além
de mero deslocamento de um espaço físico para outro, a concepção de transição
trabalhada diz respeito mais à apropriação de novos territórios subjetivos e de
formas outras de viver e habitar. Os processos de subjetivação que emergiram entre
usuários, trabalhadores e em nós pesquisadores, ao transitar por novos territórios de
vida, foram tomados como dispositivos analisadores e são aqui problematizados, a
fim de refletir sobre a função que a transição possa ter na produção de vida desses
novos integrantes da vida urbana (APÊNDICE C).

Neste resumo, pode se observar a utilização da “cidade” na atenção à saúde
mental tanto por uma perspectiva clínica, como política. No aspecto clínico, a cidade é
entendida como possuidora de um potencial terapêutico ao ser capaz de impelir aos entes
assistidos a produção de novas subjetividades; e no aspecto político, esta é entendida como
potencializadora do processo de desinstitucionalização, que é uma das propostas básicas do
modelo de Reforma Psiquiátrica implantado no Brasil. Prepondera-se, ainda, como afirma
Campos (2012), que argumentos em prol da produção de novas subjetividades têm sido
defendidos em diversos ramos da Saúde Coletiva.
Ferreira Neto (2011) afirma, a partir de relatos de suas pesquisas, que os modos de
subjetivação são cada vez mais relevantes para os profissionais e pesquisadores que trabalham
na área de atenção à saúde mental, sendo por alguns destes considerada como uma questão
indissociável dos novos modelos de atenção. O autor considera, respaldando-se em Foucault,
que das experiências de atenção à saúde mental decorrem, invariavelmente, a criação de
“estilo de vida” e “cuidado de si”, e, portanto, de subjetividade (FERREIRA NETO, 2007).
Esses estilos de vida têm uma imbricação relacionada, em alguns dos registros
analisados, a utilização de vocábulos comuns ao campo do “Urbanismo” e da “Geografia”,
como: rua; zona; malha; periferia; lugar; região; território; urban(o)/(a); etc. Vocábulos
usados para referir-se a locais da cidade que possuem dinâmicas de fenômenos específicos. E

76

são estas dinâmicas que ocorrem na cidade que agem influenciando os modos de vidas de seus
moradores, e, portanto, suas subjetividades. Isto explica a maior incidência destes vocábulos
em registros com o pressuposto “Dispositivo Clínico-político”, a exemplo do trecho do
resumo da dissertação “Educação do lugar: saúde mental e pedagogias da cidade”:
[...] Trata-se de uma investigação realizada na "zona de fronteira" entre o serviço de
atenção psicossocial e as ruas da cidade, a cultura da cidade, as zonas de resistir e
criar nas redes sociais contemporâneas. Após "fechar" os manicômios e abrir
serviços substitutivos, no processo de inserir pessoas com a vivência de transtorno
psíquico em redes de acolhimento em saúde uma nova pergunta: dessegregar é
estender a clínica ou inserir na cidade? Se a esfera da cidade é o território da política
(polis) e das redes sociais, a cidade é desafio de pensamento, desafio de prática,
desafio de estudo para sistematizar um conhecimento que oriente práticas. A aposta
no encontro da saúde com a educação em uma pedagogia da cidade é a aposta na
construção de aprendizagens por encontro, exposições, interações para a emergência
de laços sociais. Uma educação do lugar que não se impõe, uma vez que emerge das
forças de resistir e criar. Destacamos os laços sociais, que produzem um híbrido da
atenção em saúde mental e sua clínica, com a educação e seus enlaces na cultura.
Trata-se de situar lugares de acolhimento para a „alta‟ da clínica em pedagogias da
cidade. Pedagogias da cidade, zonas de confiança e acolhimento, efeitos da tecitura
de redes na qual o coletivo e o singular coexistem, configurando a Educação do
Lugar. (FONTE: APÊNDICE E)

Em outro registro com o pressuposto “Dispositivo Clínico-político”, esta
discussão sobre os modos de vida na cidade, seus processos de subjetivação, surge na
perspectiva do cotidiano urbano, é o caso do resumo do artigo “Arte, loucura e cidade: a
invenção de novos possíveis”:
RESUMO: O presente trabalho intenta discutir as possibilidades trazidas pela arte
no contexto da desinstitucionalização da loucura. Propõe-se que tal dispositivo pode
ir além de um uso meramente instrumental e disciplinador, criando novos regimes
de visibilidade e de sociabilidade no cotidiano urbano. Nesse sentido, apresentamos
algumas imagens que nos ajudam a refletir sobre a potência da arte e debatemos
algumas ações que estão em curso a partir do “Projeto Arte e Saúde”. A despeito das
dificuldades vivenciadas, observamos que a produção de encontros derivados dessas
experiências aponta para outras formas de lidar com a diferença e vivenciar a cidade
por meio da arte (APÊNDICE C).

Há neste resumo, acima citado, a necessidade de se romper os padrões de
cotidianos citadinos instituídos como forma de potencializar os aspectos clínicos e políticos
da atenção em prol da desinstitucionalização da loucura, em que a arte é utilizada como
elemento capaz de reorganizar as relações dos sujeitos com a cidade.
Segundo Seabra (2004), pode-se considerar o entrecruzamento de dois vieses que
servem como matriz de análise do cotidiano no espaço urbano das cidades: tempo e espaço.
Nas sociedades disciplinares esta relação tempo-espaço era demarcada pelos meios de
confinamento, onde as demarcações do tempo ocorriam sobre marcações lineares dos
horários, que limitavam os acontecimentos da vida cotidiana (DELEUZE, 1992). Já na Cidade
Contemporânea o tempo é anacrônico (SECCHI, 2006), o que faz com que sua influência

77

sobre os acontecimentos cotidianos se tornem menos visíveis. Exigindo estratégias
diversificadas para distinguir e resistir aos mecanismos biopolíticos difusos no espaço aberto
da cidade. No caso do último resumo transcrito, a arte é usada como estratégia de resistência
para um processo de desinstitucionalização da loucura no cotidiano da cidade.
Outras características das cidades capazes de potencializar os aspectos clínicos e
políticos na atenção à saúde mental remetem-se à capacidade desta enquanto local de
promoção de encontros e da diferença. Encontros que ocorrem na cidade, são comumente
considerados, nos registros analisados, como um elemento capaz de agir sobre os entes
assistidos, deslocando as dinâmicas de suas vivências, ao lhes colocar em aproximação com a
diferença, seja esta a de um outro ente e/ou de um acontecimento na cidade.
A rua, por exemplo, funciona como uma espécie de conectivo, gerando uma
determinação limitada de fluxos, sendo capaz de reunir estranhos indiferentes que se tornam
ativos entrelaçados com os demais, permitindo uma negociação dialógica do indivíduo com a
ordem social, que pode ser, por exemplo, o lugar para a negociação privada do domínio
público, ou um lugar para negociação pública do domínio privado (VALSINER, 2004).
Pode-se observar no último resumo citado que esta questão do encontro surge em
referência ao uso do termo “sociabilidade”. Os espaços de sociabilidade na cidade sofreram
alterações demarcadas na passagem do modelo da cidade moderna para a contemporânea.
Locais de socialização foram reduzidos na contemporaneidade e destinados a ambientes que
têm por característica o controle privativo das vivências. O que torna necessário a construção
de estratégias na atenção à saúde mental para garantir encontros entre diferentes sujeitos. No
último exemplo descrito esta estratégia é a “arte”.
Por outro viés, em nenhum outro momento, como na contemporaneidade,
encontrou-se na cidade a presença de tantas “tribos urbanas”, produzindo tantas diferenças. O
fluxo de uma rua, unindo no mesmo local tantos anônimos, é capaz de gerar um constante
embate com a diferença, encontros, mesmo não havendo diálogo entre os entes. Além das
diferenças nesses entes, há, ainda, a diferença que a cidade dispõe em acontecimentos
múltiplos, mais heterogêneos do que os que poderiam ocorrer em um espaço confinado. Esta
multiplicidade da cidade é capaz de engendrar, na atenção à saúde mental, mudanças
potencializadas em aspectos clínicos e políticos, como descrito no resumo analisado:
Resumo: Com base na experiência do acompanhamento terapêutico como uma
clínica sem muros, imersa na cidade, o artigo centra-se no tema da cidade nas suas
relações com a subjetividade. Valendo-se das elaborações de Benjamin sobre a
flânerie e a idéia da amizade como política, presente em Foucault e Derrida, o texto
assinala a importância, para a consecução dessa clínica, de se tomar em
consideração a cidade como polis, aberta ao encontro com a diferença e, portanto,

78

território de conflitos e negociação. Assim, a cidade como polis é a utopia que a
clínica do acompanhamento terapêutico busca ativar. (APÊNDICE E)

Em um esquema simplificador, tem-se que os registros que se utilizam do
pressuposto “Dispositivo Clínico-Político” se apropriam de vocábulos do campo “Pósestruturalista” como conceitos teóricos que sustentam a argumentação da existência de
potencias clínicas e políticas na relação ente cidade e atenção à saúde mental. E utilizam
vocábulos da geografia e do urbanismo para caracterizar a dinâmica de locais na cidade onde
os fluxos dessas potências e dos mecanismos de Biopoder ocorrem.

79

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando as indagações iniciais desta pesquisa, sobre o potencial terapêutico
presente na atenção à saúde mental prestada em articulação com a cidade, pondera-se que as
análises aqui realizadas não visam respostas com pretensões de descrever a realidade dos
fenômenos apresentados. Pois, considera-se, a partir da perspectiva teórica foucaultiana, que
as informações das redes científicas produzem discursos que não descrevem uma realidade
anterior, dada no campo, mas que a criam.
Por isto, a análise das informações aqui dispostas dão subsídios a considerar que a
produção de discursos sobre a cidade na atenção à saúde mental validam dois tipos de
fenômenos: um, em que a cidade é nula como potencial terapêutico; outro; em que a cidade
possui um potencial terapêutico que pode sim ser dinamizado e desenvolvido em articulação
com as tecnologias de atenção à saúde mental, a partir de aspectos clínicos e políticos.
Os caminhos utilizados como métodos através dos critérios deixados por Foucault
foram satisfatórios para se compreender como os discursos produzidos possuem como regra
de dispersão nestas redes científicas intersecções dispostas entre a tradição da disciplina
científica em que foram produzidos, os vocábulos utilizados e os pressupostos considerados;
possibilitando, também, identificar quais discursos foram produzidos por esta regra.
Considera-se, ainda, que a utilização de três redes científicas distintas serviu para
apresentar um panorama das produções discursivas sobre a cidade no campo científico
brasileiro que trabalha com a temática da atenção à saúde mental, panorama que seria limitado
com a redução da quantidade de redes analisadas.
Quanto ao corpo teórico da pesquisa, foi possível identificar que além das
contribuições de Foucault, outros teóricos possuem contribuições relevantes para a discussão
sobre os problemas apresentados, tais como Deleuze e Guatarri. Áreas de conhecimento como
a geografia e o urbanismo, apesar de não apresentarem trabalhos sobre a atenção à saúde
mental, contribuem de forma relevante para a discussão ao disporem conceitos importantes
sobre a cidade e seus fenômenos.
É importanteo desenvolvimento de uma clínica de atenção à saúde mental das
vivências praticadas no dia a dia, no local das experiências cotidianas da cidade, como
pondera Ferreira Neto (2007). Esta seria uma ação política de enfrentamento às relações de
poder presentes na tradição destas práticas, ainda influenciadas por modelos disciplinares,
típicos da tradição manicomial.

80

Como ainda sugere Ferreira Neto (2008), esta clínica se dá a partir de práticas de
atenção que superem as dicotomias interno/externo e privado/público, presentes na clínica
clássica, em prol do caráter ético-político da construção de subjetividades mais autônomas,
menos vulneráveis às homogeneizações impelidas pelos regimes biopolíticos.
Como afirma Bezerra Jr.,“[...] saúde significa capacidade de poder suportar
embates, sofrimentos, limitações e ir adiante, construindo novas formas de existência”(apud
SANTOS; NECHIO, 2010, p. 133). Portanto, como está implicada na produção de novas
forma de existência, saúde se relaciona com processos de subjetivação.
A este respeito, “[...] o que mais importa não é o conhecimento de si mesmo, mas
a invenção de si mesmo, a ruptura com uma subjetividade indenitária em função de uma
subjetivação que „desprende-se de si mesma‟ e cria um devir outro”(FERREIRA NETO,
2007, p. 181).
Modos de existir numa cidade são, por consequência, modos de subjetivação,
vivências do dia a dia da relação com este local. Todavia, não está se considerando aqui a
cidade como fator determinante aos processos de subjetivação. Trata-se sim de conceber a
relação da cidade com a atenção à saúde mental como um sistema de forças entre outros,
sistemas que são capazes de impelir certos processos de subjetivação ao ente assistido. Assim,
as considerações sobre o uso do potencial terapêutico da cidade na atenção à saúde mental
constitui-se como um rumo a ser adotado, e não como um estado dado e facilmente
manipulável.
As especificidades da cidade contemporânea, seus aspectos fluidos e
heterogêneos, também são fatores importantes de serem problematizados nos registros das
redes científicas que trabalham com a temática da atenção à saúde mental, e podem ser
considerados a partir de dois vieses: nos registros de pesquisas que buscam identificar
elementos da cidade que se relacionam com a saúde mental; e nos registros sobre as
tecnologias assistenciais desenvolvidas em relação com a cidade.
Em relação às pesquisas, a análise dos elementos da cidade contemporânea, que se
relacionam com a saúde mental,requer novas formas de compreensão dos fenômenos urbanos,
para não se limitarem a um recorte geográfico ou populacional. A utilização da cidade em
pesquisas delimitando-se na análise da população através de variáveis sociodemográficas prédeterminadas, ou como recorte de localização homogêneo, limita a compreensão dos diversos
fluxos difusos da cidade contemporânea que se relacionam com a saúde mental dos cidadãos.
Em alguns casos, o recorte utilizado sobre a cidade poderia ser contextualizado. Uma possível

81

alternativa para a reconfiguração da utilização da cidadeé autilização de novas perspectivas de
análise que o campo do urbanismo tem desenvolvido sobre os fenômenos citadinos.
Como apresentadas por Secchi (2004), estas perspectivas de análise utilizam “[...]
nova organização discursiva e novas figuras [...]”(p. 154), ao risco de não se limitar a uma
codificação pré-determinada.Uma perspectiva que explora situações variadas e “[...] que
rejeita a unificação, a codificação, a redução formal e linguística, a generalidade” (p. 154). É
certo que alguns critérios de análise continuarão a serem utilizados, como “temas, escalas, e
técnicas”; mas estes devem utilizados a partir da consideração do aspecto difuso da cidade
contemporânea que “[...] refuta o pressupostos de homogeneidade do território que subjaz a
toda estrutura de planejamento ditada pela hierarquia institucional e técnico-administrativa”
(p. 154).
Já para as tecnologias assistenciais, diversos aspectos da cidade contemporânea
podem ser considerados, por exemplo, os CAPS, SRT‟s, AT‟s. A vivência que um ente
assistido estabelece no cotidiano da cidade pode auxiliar a construção de Projeto Terapêutico
Singular (PTS) pela equipe de profissionais de um CAPS. A localização do SRT na cidade
pode facilitar a socialização e o uso de equipamentos coletivos por parte dos assistidos. A
circulação do AT com o assistido pela cidade pode se dar no sentido de privilegiar aqueles
locais com maior potencial de embates do ente com a “diferença” capaz de produzir outras
dinâmicas, que desloquem a padronização dos hábitos geradas pelo “transtorno”.
Apesar do constante “embaralhamento” dos fluxos na cidade contemporânea, há
regiões, como já afirmado nesta pesquisa, com características específicas, umas mais
influenciadas pelos engendramentos dos fluxos da globalização da informação e do consumo,
outras engendradas pelos fluxos das tradições locais.
Entre as tradições locais, pode-se observar em cidades brasileiras a existência de
diversas práticas que ocorrem em espaços públicos, como: pessoas jongando dominó;
conversando; partidas de futebol e outros esportes, em campos de várzea ou sobre o asfalto de
quadras e ruas; caminhadas ou corridas em ruas, praças e descampados; a existência de
atividades folclóricas (rodas de capoeiras; grupos de dança e música; ensaio de brincadeiras
típicas e cortejos; etc); espaços ondem ocorrem com frequência à apresentação de showse/ou
festas típicas; etc.
Pode-se observar, ainda, em relação a uma determinada região da cidade, a
existência de determinados equipamentos coletivos que possam ser usadas pelos entes
assistidos: pistas de cooper para caminhadas; bancos públicos para os transeuntes sentarem ou
deitarem; equipamentos para alongamentos e exercícios; praias; museus; cinemas; teatros;

82

bares; ruas com prédios antigos; bibliotecas para leitura; clubes esportivos, culturais ou de
lazer; feiras públicas; associação de moradores de bairro que promovem atividades coletivas;
cooperativa de trabalhadores; igrejas, templos e demais prédios ondem ocorrem atividades
religiosas; etc.
A existência destas práticas locais e equipamentos coletivos podem promover
mudanças no cotidiano citadino dos entes assistidos, ao permitir novas apropriações do tempo
e do espaço. E até a proximidade dos equipamentos coletivos, como prédios religiosos e
serviços de saúde, podem, em alguns casos, possuírem “valores posicionais” capazes de
contribuir para a “sensação de segurança” em alguns entes que têm com maior frequência
ocorrências de “crises”, por exemplo.
Porém, não se considera que estas possam, isoladamente, serem determinantes
para a produção de novas dinâmicas na vivência dos entes assistidos. Alguns, por dificuldade
nos movimentos corporais podem estar impossibilitados de exercer algumas dessas práticas
ou equipamentos físicos, para outros, nenhumas destas possibilidades podem interessar, e
preferirem, por exemplo, ficarem trancados em seus quartos no SRT‟s. Entretanto, aos que
não possuem limitações físicas e se interessam pelas possibilidades destes elementos
citadinos, os aspectos citados podem contribuir para socialização, circulação e uso do tempo
em prol de encontros, na cidade e com a cidade, possíveis de estabelecer um potencial
terapêutico na atenção à saúde mental, prestadas pelas tecnologias assistenciais.
Em outra perspectiva, aspectos da cidade podem ser evitados por, ao invés de
contribuir para o desenvolvimento terapêutico, prejudicarem o desenvolvimento de outros
fluxos terapêuticos. Assim, a localização do serviço assistencial em saúde mental pode, por
exemplo, prejudicar o deslocamento daqueles que dependem de transporte público, ou que
têm dificuldade de locomoção. Ou ainda, por se localizarem em áreas com maior aglomeração
de transeuntes podem expor ao desconforto os assistidos com repulsa a multidões ou
prejudicar o conforto por barulho, calor e interrupção constante de locomoção. Regiões
perigosas da cidade podem gerar incômodos para deslocamento pelas ruas. A presença de
esgotos abertos e lixo acumulado em ruas e terrenos baldios podem tanto prejudicar o
conforto emocional, como gerar agravos à saúde.
Quanto à perspectiva política de desinstitucionalização da loucura, defendida pela
modelo de Reforma Psiquiátrica adotado no Brasil, a configuração dos SRT‟s, por exemplo,
permite aos assistidos se deslocarem por sua vizinhança, sendo vistos por outros moradores da
região, o que contribui para a desestigmatização destes entes, diferentemente do que ocorria
com o confinamento no hospício ao isolar o ente do convívio na cidade.

83

Enfim, considera-se diversos os aspectos que podem ser analisadosna cidade
como potencial para a atenção à saúde mental, não cabendo aqui esgotá-los. Pondera-se,
entretanto, que foram deixadas pistas, caminhos a serem seguidos para trabalhos que venham
a abordar tais questões, lembrando que cada caso tem sua especificidade, e que cada recorte
sobre a cidade em um registro científico deva contextualizar uma gama de fluxos diversos
entre a malha citadina e a atenção à saúde mental.
Ainda assim, sugere-se o desenvolvimento de pesquisas que envolvam a
observação de usuários de tecnologias de saúde mental a partir de três critérios que se
relacionam com a cidade: circulação; sociabilidade; uso do tempo.
Também se considera necessário maiores articulações entre secretarias de saúde e
secretarias de habitação e desenvolvimento urbano, na esfera municipal e, na esfera federal,
entre Ministério da Saúde e Ministério das Cidades.

84

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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APÊNDICES

APÊNDICE A
TABELA 7- LISTA DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS ANALISADAS NO DIRETÓRIO DE GRUPOS DO CNPq
NOME
GRUPO

DO

LOCAL
DE
REGISTRO
(DEPARTAMENTO
VINCULADO)
Psicologia UFSJ

PRESSUPOSTO

DESCRIÇÃO DO GRUPO

Localização
Geográfica

Laboratório
de
Estudos
do
Trabalho
e
Subjetividade em
Saúde
LETRASS.

Saúde Coletiva UFF

Campo
pesquisa

Grupo de Estudos
e Pesquisas sobre
Saúde, Qualidade
de
Vida
e
Relações
de
Trabalho
–
QUAVISSS

Serviço
UNESP

Nome Próprio

Núcleo de Estudo, Pesquisa e Intervenção em Saúde (NEPIS) atua, desde 2007, no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Del
Rei, utilizando oficinas de teatro, literatura, artes plásticas e música, com o objetivo de ampliar a noção de saúde dos integrantes
da instituição. Em 2008, foi estabelecida uma parceria com o Conselho Municipal de Saúde (CMS) de São João Del Rei, que
culminou, em 2010, numa capacitação que contou com a participação de professores da FIOCRUZ, da PUC-MG e da ESP-MG,
além de conselheiros de diversas cidades da região. Em 2010, foi efetuada parceria com o Centro de Testagem e Aconselhamento
(CTA). Em relação às pesquisas, contamos com duas linhas: A Relação da Arte com o Campo da Saúde Mental; e Promoção da
Saúde: entre os estilos de vida e as ações intersetoriais. Na primeira pesquisa, estamos mapeando os trabalhos que relacionam a
arte com o campo da saúde mental. A segunda pesquisa conta com financiamento da FAPEMIG e está vinculada à pesquisa
Promoção da Saúde e Processos de Subjetivação, coordenada pelo Prof. Dr. João Leite Ferreira Neto da PUC-MG. Desde 2007, o
NEPIS organiza o Seminário Saúde e Educação, que teve as seguintes versões: De Médico, de Louco e de Todo Mundo um
Pouco (2007); Quando Acabar o Maluco Sou Eu (2008); Que País É Este? (2009); Psicologia, Escola e Universidade (2010).
Através de parceria com o Espaço Artaud, o NEPIS iniciou em 2009 a publicação das palestras dos seminários com o livro
Quando Acabar o Maluco Sou Eu
O LETRASS é um grupo de pesquisa que tem como pressuposto a inseparabilidade da pesquisa e experimentação, sendo assim,
concebe como indivisíveis a investigação e produção de conhecimento, da intervenção sobre a realidade e a si mesmo.
Caminhamos portanto como laboratório entre a pesquisa e extensão, em uma multiplicidade que se forma com base na "invasão"
da Universidade pela "polis", a cidade, formando assim um campo de forte interseção onde os acontecimentos acontecem. Nossos
temas circundam entre a produção do cuidado, trabalho em saúde, educação, criação e arte, micropolítica e subjetividade,
produção do comum nas políticas sociais às quais temos uma relação privilegiada de construção permanente. Mantemos
cooperação com entidades da comunidade, governos,e Programas de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde
Coletiva (PPGBIOS-UFRJ,ENSP,UERJ,UFF); Programa de Pós-graduação em Clínica Médica, linha de pesquisa Micropolítica
do Trabalho e o Cuidado em Saúde da UFRJ; Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da UFES; Núcleo de Ciências do
Poder Judiciário - NUPEJ, e o Programa de Pós-Graduação em Justiça Administrativa da Fac. de Direito da UFF. Relações
Internacionais com Universidade de Bolonha (Itália), Universidade de Lanús (Buenos Aires-Argentina),Universidade Militar
Nueva Granada (Colômbia) e Universidade do Novo México (EUA)
O Grupo está direcionado para a formação de pesquisadores tendo como produto a elaboração de Trabalhos de Conclusão de
Curso (TCC), dissertações e teses, apresentações em Congressos nacionais e internacionais, publicações em revistas
especializadas e em jornais de divulgação leiga, editoração de livros e promoção de eventos. Mantém caráter multidisciplinar
garantindo o intercâmbio de saberes com a participação e articulação de pesquisadores e estudantes tanto da própria UNESP,
como também de outras Universidades e Centros de Pesquisa. Resultados obtidos foram a publicação de 5 livros sobre saúde,
como "RETRATOS DA SAÚDE: o relatório QUAVISSS" (2006); "Conversas interessantes sobre saúde: Programa de Extensão
QUAVISSS"(2007); "Aprendendo a construir saúde:desafios na implantação da política de educação permanente em saúde" com
o financiamento da FAPESP/UNESP (2008); "Pacto de Saúde: conversando sobre o SUS" (2010), e "Cidade Amiga do Idoso: um
caminho a percorrer"(2011). Mais uma contribuição importante do Grupo é atividade de extensão universitária realizada
mensalmente de Oficinas para a população em geral, e publicações de artigos em revistas especializadas. Ainda com o apoio da
FUNDUNESP, da FAPESP, do CNPq e da CAPES, o Grupo tem elaborado e apresentado trabalhos em diversos eventos
significativos para a categoria dos assistentes sociais no país e no exterior. Outros produtos foram obtidos a partir das parcerias

Núcleo de Estudo,
Pesquisa
e
Intervenção
em
Saúde (NEPIS)

Social

de

PSICANÁLISE E
SAÚDE
MENTAL
INFANTIL

Psicologia UFU

Conjunto
Sociodemográfico

Grupo de Estudo
da Assistência à
Saúde Mental da
Baixada Santista
(GEPAPS)

Saúde
Coletiva
UNISANTOS

Conjunto
Sociodemográfico

Psicologia
das
Relações e Saúde

Psicologia UFSM

Localização
Geográfica

Saúde Mental e
Trabalho

Psicologia UFRGS

Campo
pesquisa

de

estabelecidas durante eventos, como do "Seminário de Saúde do Trabalhador de Franca",do VI CONASSS (2012), resultado de
ação conjunta entre pesquisadores, docentes, discentes e trabalhadores na perspectiva de construção do conhecimento em saúde.
Desde 2010, o QUAVISSS socializa seu trabalho por meio do Blogdoquavisss, instrumento online de divulgação que permite a
participação de interessados com comentários e debates(http://grupoquavisss.blogspot.com/).
Tendo como fundamento o aspecto extencionista e de pesquisa, a partir do contato e diálogo com a comunidade, o grupo busca
produzir dispositivos clínicos em saúde mental infantil que contribuam para a prevenção e o cuidado com a primeira infância no
serviço saúde de saúde mental, na atenção primária, da cidade de Uberlândia-MG.de modo específico, nossos objetivos são: estabelecer campos de diálogo entre a psicanálise e a saúde pública mediante a criação de estratégias de identificação e
intervenção precoce na população infantil, ressaltando a prioridade dessa intervenção no território social e cultural da criança e
sua família; - criar estratégias e viabilizar a aplicação de instrumentos de identificação precoce dos sinais de risco de sofrimento
psíquico na tenção básica com crianças na primeiríssima infância; - investigar a sensibilidade desses instrumentos quanto à
variabilidade psicopatológica identificada precocemente por meio dos mesmos, assim como os efeitos das especificidades sociais
e culturais da população sobre os instrumentos e a necessidade de sua (re)elaboração; - colaborar para a construção da rede de
assistência e intervenção em saúde mental infantil na atenção básica de saúde no município de Uberlândia-MG, considerando as
orientações das políticas públicas de saúde para os cuidados à infância.
O Grupo de Estudo da Assistência à Saúde Mental da Baixada Santista (GEPAPS) desenvolve pesquisas sobre pacientes em
tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) com o propósito de produzir conhecimento para embasar as discussões
sobre o modelo de assistência comunitária em CAPS adotado em Santos ao final da década de 1980 e que é o modelo
preponderante adotado pela política assistencial Brasileira. Nosso grupo, desde a sua formação, desenvolve metodologia que
busca integrar estudos epidemiológicos e etnográficos capaz de fazer frente à necessidade de promover saúde mental, desenvolver
e avaliar os cuidados dos portadores de transtornos mentais em serviços públicos de saúde. Neste sentido firmamos convênios
com a Secretaria Municipal de Saúde da Cidade de Santos e de outras Secretarias das cidades localizadas na Baixada Santista
para o desenvolvimento de nossos projetos de pesquisa, dentre eles destacamos aqueles cujos objetivos específicos são estudar: as
necessidades de pacientes com transtornos mentais graves, a qualidade de vida de pacientes com transtornos esquizofrênicos, uso
de psicofarmacos por pacientes com transtorno mental grave, estrutura e relacionamento familiar de pacientes com transtorno
esquizofrênico, depressão em mulheres, uso de serviço de saúde mental pela comunidade atendida pelo programa de saúde da
família e inserção social de pacientes como transtornos psicóticos. Todos os projetos são desenvolvidos por pós-graduandos e
alunos de iniciação científica da Universidade e, alguns deles, contam com apoio de agências financiadoras, tais como FAPESP,
CNPq e programa de bolsas de iniciação científica da Universidade.
O grupo surgiu em janeiro de 2009, no Departamento de Psicologia da UFSM e desde então desenvolve pesquisas e extensão,
além de atividades integradas de ensino. São desenvolvidos projetos de pesquisa e ensino através da iniciação
científica,orientação de trabalhos de conclusão de curso e orientações de mestrado (estas últimas até o ano de 2012. São focos de
trabalho o desenvolvimento de grupos em saúde e saúde mental (portadores de psoríase, CAPS infantil). Desde 2009 recebemos
vários incrementos finaceiros através da Universidade nos editais FIPE (2009, 2010, 2011, 2012) FIEX (2009, 2010, 2011,2012)
e das demais agências de fomento CNPq com bolsas PIBIC (2009, 2011,2012) e FAPERGS com bolsas PROBIC (2011,2012).
Um importante incremento foi o financiamento pela FAPERGS através do edital PPSUS 002/2009 DECIT/SCTIE/MS,CNPq,
FAPERGS, SES/RS do projeto de nível superior denominado PROCONVIVE - Projeto de implantação do ambiente de
convivência permanente para crianças usuárias do CAPS infantil da cidade de Santa Maria, RS, e avaliação do impacto da
intervenção terapêutica em usuários e funcionários do CAPSI, registrado sob o n° de processo 09/0098-2. O projeto alcançou a
totalidade da população do CAPSi através de pesquisa e extensão, e no momento gera dados para a melhoria do serviço, da
qualidade das relações e para trabalhos posteriores
Os estudos desenvolvidos pelo grupo terão repercussão no âmbito acadêmico, no sentido da problematização da saúde mental e
do trabalho, sobretudo na análise dos impactos do trabalho contemporâneo na saúde dos trabalhadores. A noção de trabalho,
ampliada dos aspectos relacionados aos processos, ambientes e organização do trabalho, deverá buscar, também, o trabalho
informal, o espaço da cidade e da rua e as diversas estratégias de formação e de capacitação dos trabalhadores. As atividades
desenvolvidas pelo grupo também deverão repercutir na definição e implantação das políticas públicas, nas discussões junto ao
movimento sindical e nos assessoramento de diferentes movimentos sociais. A reforma psiquiátrica e seus desdobramentos em
termos das práticas cotidianas de trabalho também será objeto de estudos e produções dos grupos de pesquisa vinculados ao

LOCUS
Laboratório
Pesquisa
Psicologia
Ambiental

de
em

Psicologia UFC

Campo
pesquisa

de

Políticas
de
subjetivação
e
práticas em saúde
em
contextos
comunitários
e
institucionais

Psicologia UFPI

Campo
pesquisa

de

Grupo de Estudo
sobre Violência e
Gênero

Psicologia FEAD

Localização
Geográfica

Grupo de Estudos
e Pesquisa em
Acompanhamento
Terapêutico

Psicologia UNIP

Localização
Geográfica

Núcleo de Estudos
sobre o Trabalho

Psicologia UNIFOR

Localização
Geográfica

diretório. Outro aspecto relevante á a discussão metodoloógica proposta pelo grupo nos estudos sobre saúde, enfocando a
psicopatologia do trabalho, o estudo das trajetórias e as intervenções fotográficas, como forma de ampliar a discussão saúde
mental e trabalho e, da mesma forma, o alcance de nossos estudos. Importante salientar que o grupo tem assumido um caráter
interdisciplinar ainda mais evidente, com o ingresso de pesquisadoras da área do serviço social e da fonoaudiologia. Este processo
está provocando a redis~cussão das linhas de pesquisa do grupo, que deverão ter alguns focos mais definidos para permitir um
melhor aproveitamento dos estudos dos participantes.
O LABORATÓRIO DE PESQUISA EM PSICOLOGIA AMBIENTAL TEM COMO OBJETIVO DESENVOLVER
PESQUISAS NA ÁREA DE PSICOLOGIA AMBIENTAL ASSOCIADAS À EXTENSAO E AO ENSINO, CONSTRUINDO
REDES DE ATUAÇAO INTERDISCIPLINAR COM A PSICOLOGIA, EDUCAÇAO, GEOGRAFIA, ARQUITETURA E
OUTRAS ÁREAS DE INTERVENÇAO NO AMBIENTE. AS LINHAS DE PESQUISA DESDE LABORATÓRIO
ENVOLVEM: CIDADE, AFETIVIDADE E SIMBOLISMO DO ESPAÇO; IDENTIDADE, APROPRIAÇÃO E
SUSTENTABILIDADE; EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PRÁTICAS COLETIVAS. ESTE PROJETO INTEGRA ALUNOS DE
GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO, PROFISSIONAIS E PROFESSORES COLABORADORES DA UFC. COMO
PROJETOS DE PESQUISA DO LOCUS EM ANDAMENTO TEMOS :PROJETO DE APOIO E ARTICULAÇÃO ENTRE
GRUPOS DE PESQUISA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA DA UFC E O PROGRAMA DE
PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO DA UFRGS(CASADINHO: TRANSFORMANDO
AFETOS: JOVENS E ADOLESCECENTES CATADORES DE MATERIAL RECICLÁVEL EM BUSCA DE UMA
ATIVIDADE PRODUTIVA; ESTUDO SOBRE AFETIVIDADE DE MORADORES NO PROCESSO DE REABILITAÇÃO
DO CENTRO DE FORTALEZA COM ENFOQUE NA PSICOLOGIA AMBIENTAL;LAR DOCE LAR? UM ESTUDO
SOBRE O APEGO AO LUGAR DE MORADIA E A QUALIDADE DE VIDA DE IDOSO; PRÁTICAS DOS PSICÓLOGOS E
A ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE AO ADOLESCENTE: PROGRAMAS E POLÍTICAS E AFETIVIDADE E
AMBIENTE DO TRABALHADOR EM SAÚDE MENTAL.
Este grupo reúne pesquisadores vinculados ao Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP) da UFPI - Campus Parnaíba,
comprometidos com a construção de uma política pública de saúde que dê concretude aos princípios do SUS e aos ideários das
Reformas Sanitária e Psiquiátrica. Tendo como base investigativa as metodologias participativas e interventivas, o grupo
desenvolve atividades de pesquisa em torno: dos processos educativos e formativos de profissionais no contexto das políticas
públicas; da produção de saúde e subjetividades nos mais diversos grupos, coletivos e formações sociais na contemporaneidade;
da saúde mental e intersetorialidade das políticas públicas; e das questões pertinentes a cidade, contextos rurais e a cultura local.
O Grupo mantém contato com pesquisadores de outras instituições de ensino superior que trabalham com temas afins. Esse
intercâmbio proporciona a realização de pesquisas interinstitucionais, missões e encontros acadêmicos.
O grupo pretende capacitar alunos e profissionais para atendimento a mulheres em situação de violência, bem como desenvolver
metodologias diferenciadas para tais atendimentos. O grupo também pretende criar um serviço de política pública na area de
saude mental, voltado para o suporte a violencia de genero. Apresentação de trabalho de Pesquisa no Congresso da ABRAPSO
2011 - Recife sobre suporte a violencia de genero em Presídio Feminino da Cidade de Belo Horizonte - MG Apresentação de
Rodas de Conversas e Banner na Mostra Mineira (Agosto de 2012) e Nacional (Setembro de 2012) de Psicologia sobre atuação
em Presídio Feminino da Cidade de Belo Horizonte - MG.
Este Grupo tem como objeto de investigação o campo do Acompanhamento Terapêutico (AT) em suas dimensões clínicas,
teóricas, históricas, culturais e de formação. Seus pesquisadores têm procurado consolidar a fundamentação desta prática clínica e
a organização de eventos científicos e culturais sobre o tema. Vale ressaltar o trabalho conjunto com pesquisadores de outros
países na organização de uma agenda eventos científicos para a área desde 2003. Em 2012 participamos da organização do VII
Congresso Internacional, VIII Congresso Ibero-americano e III Congresso Brasileiro sobre AT a ser realizado em Sao Paulo
Capital nos dias 15, 16 e 17 de novembro no Campus Paraíso da UNIP; Em 2013,teremos o VIII Congresso Internacional sobre
AT na Cidade do México nos dias 14, 15 e 16 de novembro. como evento preparatório o III Simpósio Internacional sobre AT a
ser realizado em setembro em São Paulo. Outro trabalho que os pesquisadores deste Grupo se dedicam, em parceria com a AATAssociação de Acompanhamento Terapêutico, é a publicação do Periódico Científico ATravessar, voltado para a área do AT.
O Laboratório de Estudos do Trabalho (LET) foi criado em função da evolução de uma tendência específica de investigações
dentro da linha de pesquisa "Ambiente, Trabalho e Cultura nas Organizações Sociais" em dezembro de 2007. Desde então vem
realizando investigações sobre saúde e trabalho, focalizando as condições de trabalho e a saúde mental dos trabalhadores. O LET

vem desenvolvendo pesquisas sobre: assédio moral no trabalho, depressão e trabalho, papel do psicólogo organizacional na saúde
do trabalhador, identidade e trabalho, síndrome de burnout entre outros assuntos relevantes para o entendimento do sofrimento do
trabalhador e sua relação com as condições de trabalho. O LET conta com pesquisadores externos, professores e alunos dos
cursos de graduação e pós-graduação da UNIFOR e da UECE. No biênio 2006/2008 contou com um Auxílio à Pesquisa do CNPq
para pesquisa sobre o assédio moral no trabalho e no biênio 2010/2011 contou com dois Auxílios à Pesquisa (Edital PPSUS:
Pesquisas para o SUS) da FUNCAP/CNPq. O primeiro auxílio para a pesquisa sobre as condições de trabalho e identidade dos
catadores de materiais recicláveis da cidade de Fortaleza. O segundo diz respeito a uma pesquisa sobre as condições de trabalho
das atividades operacionais dos Portos do Mucuripe e Pecem no estado do Ceará. Em relação ao tema Assédio Moral no
Trabalho. No momento, conta com Auxílio à Pesquisa da Rede PPSUS (CNPq/FUNCAP) para desenvolvimento de pesquisa
sobre as condições de emprego e trabalho dos profissionais de saúde do Estado do Ceará e um Projeto sobre as condições de
trabalho dos Operadores de Sala de Controle da COELCE (Companhia de Energia do Ceará). A coordenação do LET participa do
grupo "Trabalho e processos organizativos na contemporaneidade" da ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e PósGraduação em Psicologia).

APÊNDICE B

TABELA 8- LISTA DOS VOCÁBULOS NO DIRETÓRIO DE GRUPOS DO CNPq
LEGENDAS:
LG: Localização Geográfica
CS: Conjunto Sociodemográfico
CP: Campo de Pesquisa
NP: Nome Próprio
ÁREA DE
CONHECIMENTO
ONDE O
VOCÁBULO É
MAIS COMUM

VOCÁBULO

QUANTIDADE
DE CITAÇÕES
DO
VOCÁBULO

DISTRIBUIÇÃO
DOS
PRESSUPOSTOS
NOS RESUMOS
QUE UTILIZAM
O VOCÁBULO

Psicólogo/ Psicologia
Subjetiv(idade)/(ação)
Depressão
Terapêutica
Psicanálise
Afetividade
Apego
Simbolismo
Total

NÚMERO
DE
RESUMOS
QUE
UTILIZAM
O
VOCÁBULO
5
3
2
1
1
1
1
1
15

Psicologia

12
3
2
1
1
3
1
1
24

Urbanismo

Muni(cípio)/(cipal)
Rua
Total

3
1
4

3
1
4

Categorias
sociológicas

Soci(al)/(ais)

7

9

Públic(o)/(a)/(os)/(as)

5

9

4- LG; 1- CP
2- CP; 1- LG
1- CS; 1- LG
1- LG
1- CS
1- CP
1-CP
1 –CP
7- LG; 6- CP; 2CS
2- CS; 1- LG
1- CP
2- CS; 1- CP; 1LG;
3- CP; 2- CS; 1LG; 1- NP
2- CP; 2- CS; 1LG;

Saúde Coletiva

Medicina

População

3

4

Comunidade
Inf(ância)/(antil)
Criança(s)
Família
Mulheres
Idoso
Gênero
Adolescentes
Moradores
Jovens
Total

3
2
2
2
2
2
1
1
1
1
32

3
8
3
2
2
2
2
1
1
1
47

Intervenç(ão)/(ões)

6

8

Públic(o)/(a)/(os)/(as)

5

9

Serviços

5

6

Atenção

4

6

Cuidado
Rede(s)

3
3

5
3

Institu(ição)/(ições)/(cionais)
Assistência
Reforma
Usuárias
Epidemiológicos
Território
Risco
Prevenção
Total

2
2
2
1
1
1
1
1
37

3
3
2
2
1
1
1
1
51

Clínic(os)/(a)

3

4

1- CS; 1- LG; 1NP
2- CS; 1- CP
1- CS; 1- LG
1- CS; 1- LG
2-CS
1- CS; 1-LG
1- CP; 1- NP
1- LG
1-CP
1- CP
1- CP
12- CS; 7- LG; 10CP; 3- NP
3- CP; 2- LG; 1CS
2- CP; 2- CS; 1LG;
2- CS; 2- LG; 1CP
2- CS; 1- CP; 1LG;
2- CS; 1-CP
1- CP; 1- CS; 1LG;
1- CP; 1- LG
2- CS
2- CP
1- LG
1- CS
1- CS
1- CS
1- CS
16- CS; 12- CP; 9LG;
1- CP; 1- CS; 1LG

Vida

3

3

Depressão
Transtornos
Pacientes
Esquizofrênicos
Psicopatologia
Tratamento
Terapêutica
Reabilitação
Psicofármacos
Psicóticos
Total

2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
17

2
6
6
2
1
1
1
1
1
1
29

Filosofia pósestruturalista

Subjetiv(idade)/(ação)
Arte
Micropolítica
Dispositivos
Total

3
2
1
1
7

3
4
2
1
10

Geografia

Área
População

3
3

5
4

Espaço
Território
Região
Geografia
Total

2
1
1
1
11

2
1
1
1
14

1- CP; 1- CS; 1LG
1- CS; 1- LG
1- CS
1- CS
1- CS
1-CP
1- CS
1- LG
1- CP
1- CS
1- CS
9- CS; 4- CP; 4LG;
2- CP; 1- LG
1- CP; 1- LG
1- CP
1- CS
4- CP; 2- LG; 1CS
1- LG; 2- CP
1- CS; 1- LG; 1NP
2-CP
1- CS
1- LG
1- CP
5- CP; 3- LG; 2CS; 1- NP

APÊNDICE C

TABELA 9- LISTA DE PRODUÇÕES CIENTÍFICAS ANALISADAS NO SciELO
NOME DO ARTIGO

LOCA DE
REGISTRO
(PERIÓDICO
PUBLICADO)
Rev. Saúde Pública

PRESSUPOSTO

RESUMO

Conjunto
Sociodemográfico

Saúde mental nos municípios do Alto Uruguai,
RS, Brasil: um diagnóstico da reforma
psiquiátrica

Ciênc. saúde coletiva

Localização
Geográfica

Função de publicização do acompanhamento
terapêutico: a produção do comum na clínica

Psicol. Soc.

Dispositivo
Clínico-político

Equipe de apoio e a construção coletiva do
trabalho em Saúde Mental junto à Estratégia
de Saúde da Família: espaço de discussão e de
cuidado

Saude soc.

Localização
Geográfica

É apresentado o programa de Saúde Mental decorrente de convênio estabelecido pela Secretaria
da Saúde do Estado de São Paulo com a Universidade de São Paulo, através da Faculdade de
Saúde Pública. Este convênio tem por finalidade a realização de estudos na área de Saúde
Mental, tais como assistência psiquiátrica preventiva e pesquisas visando a medir transtornos
mentais através de casos de óbito e na população da cidade e de cursos e atividades curriculares
e extra-curriculares.
O presente estudo investigou as características dos cuidados em saúde mental nos municípios do
Alto Uruguai, levando em conta as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Reforma
Psiquiátrica. Através de um instrumento estruturado, foram entrevistados 31 profissionais que
atuam na rede de saúde pública. Os resultados apontam a centralização das ações no modelo de
atendimento clínico, na medicalização dos sintomas, embora a totalidade dos municípios
disponha de Programas de Saúde da Família; a não utilização de conceitos de clínica ampliada
na saúde mental; a inexistência de uma rede de serviços de Saúde Mental nos municípios,
excetuando a cidade-pólo; a utilização da transferência para hospitais psiquiátricos como
solução para os casos agudos e crônicos; a ausência de acompanhamento posterior das equipes à
internação em hospitais psiquiátricos, caracterizando a porta giratória; a inexistência de
programas de saúde mental inseridos nos Planos Municipais de Saúde; assim como a
inexpressiva representatividade de profissionais nos Conselhos de Saúde. Conclui-se que a
questão da municipalização da Saúde Mental na região norte do Rio Grande do Sul é incipiente,
prevalecendo ainda as internações em hospitais psiquiátricos como principal intervenção em
Saúde Mental.
Este artigo discute o Acompanhamento Terapêutico (AT) como dispositivo clínico-político e
suas implicações na atenção à saúde mental no contexto da Reforma Psiquiátrica no Brasil. O
AT surgiu num movimento de desinstitucionalização da loucura, tomando a cidade como campo
de experimentação e inserind o-se para além dos estabelecimentos de saúde. Esse dispositivo
realiza uma "clínica sem muros", problematizando a um só tempo a doença mental e a sua
relação com os espaços urbanos, interrogando radicalmente as práticas manicomiais.
Acompanhando o dispositivo em suas variações e em sua articulação com a rede de saúde
mental brasileira, atentamos para algumas funções que o dispositivo AT opera. A partir de tais
funções, o AT comparece como um mobilizador de forças capazes de consolidar um estatuto
público para a clínica.
A grande demanda por consulta psiquiátrica e psicoterapia e a necessidade de otimizar os
recursos humanos em Saúde Mental têm conduzido à organização de novos modos de ação e
suporte técnico aos profissionais de unidades com Estratégia de Saúde da Família. Uma Unidade
Básica de Saúde de uma região d a cidade de São Paulo iniciou a prática denominada Apoio
Matricial, que consiste no suporte à identificação, tratamento, e proposta de solução dos
problemas de saúde mental em conjunto com as equipes de Saúde da Família. O presente

Programa de saúde mental

Concepção de clientela: análise do discurso da
benevolência no contexto da reforma
psiquiátrica brasileira

Rev. bras. enferm.

Localização
Geográfica

Famílias na rede de saúde mental: um breve
estudo esquizoanalítico

Psicol. estud.

Localização
Geográfica

Exclusão social do doente mental: discursos e
representações no contexto da reforma
psiquiátrica

Psico-USF

Localização
Geográfica

Saúde mental e enfermagem na estratégia
saúde da família: como estão atuando os
enfermeiros?

Rev. esc. enferm. USP

Conjunto
Sociodemográfico

trabalho tem por objetivo relatar a experiência focada nesse processo de trabalho, tendo como
horizonte ético os princípios do Sistema Único de Saúde e concepções técnicas e científicas
mais humanizadas com vistas ao atendimento integral ao paciente e a sua inserção no meio
social. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa que utilizou a observação participante
como meio para coletar os dados e analisar a situação. Consoante com a Reforma Psiquiátrica no
Brasil, busca-se uma visão complementar e menos fragmentada do atendimento em Saúde
Mental. A experiência mostrou que por meio do apoio matricial pode ser alcançada a necessária
(re)organização dos serviços para acolher a demanda e efetivar a atenção em Saúde Mental de
qualidade. Esse modo de operar, ao integrar Equipes de Saúde da Família e Unidade Básica
Tradicional, permitiu a construção compartilhada do cuidado em saúde.
Este estudo pretende conhecer o contexto dinâmico e controverso onde ocorre a prática em
saúde mental. Para isso, analisou-se o discurso de trabalhadores de saúde mental sobre a
concepção da clientela do serviço. O corpus deste trabalho é composto por entrevistas aplicadas
a 17 dos 25 profissionais de saúde mental que trabalham em um serviço substitutivo de uma
cidade da Região Sul do Brasil. O referencial teórico-filosófico foi a Análise Crítica do
Discurso. O dispositivo metodológico que subsidiou a sistematização dos dados foi o "diagrama
axiológico-discursivo". Os resultados demonstram que os trabalhadores assumem relações de
benevolência em função da indefinição conceitual sobre a clientela do serviço, fruto da
dificuldade em estabelecer o que é normal e patológico em saúde mental. Esperamos que o
estudo contribua para problematizar o processo de consolidação da reforma psiquiátrica
brasileira.
Essa pesquisa estudou a dinâmica de funcionamento das famílias de portadores de transtorno
mental do CERSAM Teresópolis de Betim, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A amostra se constituiu de 08 famílias atendidas no Programa de extensão Saúde Mental e
Família, em uma parceira da pref eitura local com a PUC-Minas. Os dados foram coletados
através do cadastro familiar, que abordava as seguintes categorias: situação familiar, renda
familiar, emergência da psicopatologia e funcionamento familiar. Os resultados atestam que a
baixa renda familiar, a cronicidade da doença mental e sua respectiva dependência, a
necessidade de cuidado ininterrupto, a crise que advém da eclosão da doença, tudo isso integra
um território existencial marcado pela dor e pelo sofrimento, formando um modo de existência
grupal que tem na doença mental seu eixo de sustentação.
Este trabalho visa conhecer como os profissionais da saúde mental e os familiares de doentes
mentais que se encontram em instituições psiquiátricas representam, por meio de seus discursos,
a doença mental e a reforma psiquiátrica. Para tanto, foram realizadas, na cidade de João PessoaPB, entrevista s semi-estruturadas com 25 profissionais, dentre eles psiquiatras, psicólogos,
enfermeira-chefe, técnicos de enfermagem e assistente social; e 24 familiares de pacientes
institucionalizados. Tais entrevistas foram analisadas segundo a análise de conteúdo temática.
Os dados encontrados mostram que ainda há um predomínio de visões pejorativas e
estereotipadas acerca do doente mental, vendo-o como um ser sem razão ou sem juízo e como
uma criança que precisa ser cuidada e protegida. Por outro lado, o hospital psiquiátrico é visto
positivamente, enquanto a reforma psiquiátrica é representada como algo negativo, que deixará
o doente mental livre para afligir a população e os familiares.
O elo entre as práticas de saúde mental e a Estratégia Saúde da Família está alicerçado no
vínculo, na corresponsabilidade, no envolvimento e conhecimento do grupo familiar. Estudo do
tipo analítico, com abordagem qualitativa, utilizando a técnica de história oral temática. Foi
realizado com dez enfermeiros pertencentes a três unidades de saúde da família do Distrito
Sanitário Oeste da cidade de Natal/RN. Seu objetivo foi descrever as atividades voltadas para a
atenção ao portador de transtorno mental na Estratégia Saúde da Família e identificar se os

Problemas de saúde mental e tabagismo em
adolescentes do sul do Brasil

Rev. Saúde Pública

Conjunto
Sociodemográfico

Avaliação da ocorrência de transtornos
mentais comuns em usuários do Programa de
Saúde da Família

J. bras. psiquiatr.

Conjunto
Sociodemográfico

Produções táticas de usuários e trabalhadoras
de programa de saúde mental: estudo
etnográfico num centro de saúde escola da
zona oeste de São Paulo

Saude soc.

Campo de Pesquisa

Ações de saúde mental na atenção básica:
caminho para ampliação da integralidade da

Ciênc. saúde coletiva

Localização
Geográfica

profissionais encontram-se preparados para atender a essa clientela específica. De acordo com as
falas pôde-se constatar que não há atividades para o portador de transtorno mental na rede
básica, e que a falta de capacitação das enfermeiras emerge como um desafio a ser superado.
OBJETIVO: Analisar a associação entre problemas de saúde mental e uso de tabaco em
adolescentes. MÉTODOS: Foram analisados 4.325 adolescentes de 15 anos da coorte de
nascimentos de 1993 da cidade de Pelotas, RS. Tabagismo foi definido como fumar um ou mais
cigarros nos últimos 30 dias. Saúde mental foi avaliada de acordo com o escore total do
questionário Strengths and Difficulties Questionnaire e escore maior ou igual a 20 pontos foi
considerado como positivo. Os dados foram analisados por regressão de Poisson, com ajuste
robusto para variância. RESULTADOS: A prevalência de tabagismo foi 6,0% e cerca de 30%
dos adolescentes apresentaram algum tipo de problema de saúde mental. Na análise bruta, a
razão de prevalências para tabagismo foi de 3,3 (IC95% 2,5; 4,2). Após ajuste (para sexo, idade,
cor da pele, renda familiar, escolaridade da mãe, grupo de amigos fumantes, trabalho no último
ano, repetência escolar, atividade física de lazer e uso experimental de bebida alcoólica),
diminuiu para 1,7 (IC95% 1,2; 2,3) entre aqueles com problemas de saúde mental.
CONCLUSÕES: Problemas de saúde mental na adolescência podem ter relação com o consumo
de tabaco.
OBJETIVO: Avaliar as características dos transtornos mentais comuns em usuários do Programa
de Saúde da Família (PSF), visando a identificar a necessidade de atendimento em saúde mental.
MÉTODO: Foram entrevistadas 400 pessoas indicadas por duas equipes do PSF, residentes de
um bairro de baixo nível socioeconômico de uma cidade do interior de Minas Gerais.
Entrevistadores previamente treinados aplicaram o Questionário de Saúde Mental (QSG), que
avalia as características de transtornos mentais comuns não-psicóticos. RESULTADOS: Obtevese um índice global elevado (37,8%) de pessoas com perfil sintomático indicativo de transtornos
mentais comuns, destacando-se os sintomas referentes às Subescalas de Distúrbios do Sono
(41%) e Desejo de Morte (38,25%) e menores índices nas Subescalas de Desconfiança do
Próprio Desempenho (27,75%), Distúrbios Psicossomáticos (25,5%) e Estresse Psíquico (22%).
Houve taxa significativamente mais elevada no escore global para os homens, com 45,1%
apresentando perfil sintomático, comparativamente a 32,6% das mulheres. Porém, as mulheres
apresentaram porcentagens mais elevadas de perfil sintomático na subescala que se refere ao
desejo de morte, 44,1% contra 29,9% dos homens. CONCLUSÃO: Os resultados descrevem
problemas importantes no estado de saúde mental, diferenciados por sexo, em usuários do PSF.
Este artigo apresenta um recorte de pesquisa sobre o acesso aos serviços de saúde mental na
cidade de São Paulo, focalizando as táticas de usuários e trabalhadoras do programa de saúde
mental de um centro de saúde escola, constelando possibilidades e afrontando limites da política
instituída. Tratou -se de estudo etnográfico realizado na recepção do referido programa, dando a
conhecer dimensões das produções cotidianas que qualificam a participação de usuários e
trabalhadoras na construção da política pública, na perspectiva posta em tema por Michel de
Certeau. O artigo explicita, primeiramente, alguns nexos teórico-metodológicos que dão
sustentação ao estudo, articulando a noção de tática, diferenças e tensões entre política instituída
e formas de sua apropriação pela população e etnografia. Em seguida, apresenta o Programa de
Saúde Mental no qual a pesquisa foi realizada, procurando mostrar seu caráter singular e
"sobrevivente", tendo em vista as atuais orientações das políticas de saúde mental e de atenção
básica. A interpretação do material observado teve como base as noções de indisciplina e de
imaginário, examinando principalmente os vínculos, o mal-estar, a medicação, o acolhimento, o
cuidado e o humor.
A atenção básica de saúde, impulsionada pela estratégia da saúde da família, tem o grande
desafio de incorporar de ações de enfrentamento às situações de violência e problemas de saúde

atenção

Cidades sutis: dispersão urbana e da rede de
saúde mental

Psicol. Soc.

Dispositivo
Clínico-Político

O significado do trabalho para os profissionais
de um servico substitutivo de saude mental

Rev. esc. enferm. USP

Localização
Geográfica

Necessidades de saúde psicológica em
crianças com deficiência mental

Psicol. cienc. prof

Localização
Geográfica

Representações sociais, saúde mental e
imigração internacional

Psicol. cienc. prof

Conjunto
Sociodemográfico

mental. O trabalho analisou a atenção prestada a 411 crianças de cinco a onze anos em uma UBS
na cidade de São Paul o. Os dados clínicos foram comparados com um inventário de sintomas
padronizados Child Behavior Checklist (CBCL). Entrevistas semi-estruturadas foram aplicadas
complementarmente em pediatras. O trabalho mostra que os pediatras têm baixa capacidade de
reconhecer problemas de saúde mental em crianças. Os principais fatores relacionados a este
baixo desempenho foram: deficiência na formação, carência de possibilidade de atuação
concreta frente à queixa ou hipótese diagnóstica. O processo de reorganização do trabalho na
atenção básica deveria contemplar a oferta de apoio técnico específico em saúde mental,
propiciando a incorporação de tecnologias de intervenção mais apropriadas, como acolhimento e
escuta qualificada. A incorporação dos aspectos psicossociais na prática cotidiana da atenção
básica possibilitará a ampliação do conceito saúde-doença e abrirá caminho para a abordagem
das situações de violência às crianças atendidas na rede básica de serviços de saúde do SUS.
Este artigo pretende problematizar o percurso genealógico que possibilita o atual arranjo entre a
cidade de Porto Alegre e sua assistência em saúde mental. Inicia com a cidade e seu Hospital
Psiquiátrico São Pedro, constituídos a partir de uma lógica disciplinar que buscava subjetivar
corpos e gesto s adequados para o trabalho industrial e aos padrões de convivência da civilidade
urbana moderna. Vemos então o surgimento de movimentos anômalos a esta geometria,
espasmos descentralizantes que vão esboroando as antigas centralidades e seus lócus antes
fechados. Através da breve genealogia dos movimentos que tomaram tais espaços, operamos a
problematização das transformações nesta cidade e nas atuais práticas de assistência à saúde
mental: por um lado, as novas microssegmentações privadas no espaço urbano contemporâneo
minando a centralidade urbana da cidade com a dispersão da convivência e, por outro, a atual
reforma psiquiátrica, com a descentralização da assistência.
O Centro de Atenção Psicossocial tem sido visto como uma nova estratégia de atendimento ao
portador de transtorno mental por possuir particularidades no cotidiano de trabalho que
influenciam diretamente as práticas desenvolvidas pelos profissionais de saúde que nele atuam.
Por meio de um estudo de c aso qualitativo, realizaram-se entrevistas gravadas com 13
profissionais de diferentes categorias, a fim de conhecer o significado do trabalho para os
profissionais que atuam em um Centro de Atenção Psicossocial da cidade de Belo Horizonte.
Para análise dos dados foi utilizada a técnica de análise de conteúdo, com os seguintes
resultados: a satisfação dos profissionais que atuam no centro de atenção psicossocial devido ao
novo modelo de atenção à saúde mental baseada na proposta antimanicomial; a realização no
trabalho pelo fato de conseguirem a reinserção social dos indivíduos com transtorno mental e os
meios para o alcance da sua autonomia.
O encaminhamento de crianças com deficiência mental para o psicólogo provém, sobretudo, da
preocupação com a adequação de suas condutas às expectativas sociais em detrimento de sua
saúde mental e seu bem-estar. Neste trabalho, buscou-se identificar necessidades de saúde
psicológica em crianças com d eficiência mental, com indicação prévia de psicoterapia, para
posterior análise do preparo do psicólogo para atender essas necessidades. A pesquisa foi
realizada em escola especial pertencente à rede pública, na cidade de Aracaju. A amostra foi
constituída por sete crianças, de sete a dez anos de idade, de ambos os sexos, com escolaridade
correspondente à pré-alfabetização. Utilizou-se a observação participante para a coleta de dados,
sistematizados por meio de análise de conteúdo. No grupo estudado, os resultados apontaram
para a prevalência das necessidades de amor e pertencimento, seguida das necessidades de
crescimento, dentro da hierarquia das necessidades humanas básicas descritas por Maslow.
O movimento de populações, de pessoas mais ou menos organizadas, é fenômenos tão antigos
como a humanidade, mas a migração de milhões de pessoas, nos dias de hoje, está se
convertendo em um processo com níveis de estresse tão intensos que superam a sua capacidade

Loucura e cidade: cenas biopolíticas e
incursões (des) institucionalizantes

Fractal, Rev. Psicol

Dispositivo
Clínico-político

Etnografia de sujeitos em sofrimento psíquico

Rev. Saúde Pública

Dispositivo
Clínico-político

Sofrimento mental em vendedores na Grande
São Paulo: a destituição do ser pela
organização do trabalho

Rev. bras. saúde
ocup.

Localização
Geográfica

Fatores associados ao sofrimento psíquico de
policiais militares da cidade do Rio de Janeiro,
Brasil

Cad. Saúde Pública

Conjunto
Sociodemográfico

de adaptação. Este estudo objetiva a valiar a saúde mental e analisar as representações sociais
sobre os construtos imigração, imigrante, saúde mental e futuro de imigrantes brasileiros
residentes na cidade de Genebra/Suíça. O estudo é exploratório e trabalha com abordagem
multimétodo, com uma amostra de 266 participantes submetidos ao questionário
biosociodemográfico, ao instrumento de Scrining Self-Reporting Questionnaire e à entrevista
semidirigida. Os dados dos questionários foram analisados através do pacote estatístico
Statistical Package for the Social Sciences (SPSS.for Windows.16), utilizando-se a estatística
descritiva e inferencial e os conteúdos das entrevistas pela análise de conteúdo de Bardin
(1997/2002). Os resultados demonstraram que a variável tempo de imigração favoreceu o
aparecimento de déficits na saúde mental dos participantes. O presente estudo permitiu concluir
que, nesse contexto de imigrações internacionais, as representações sociais dos imigrantes e a
sua saúde mental são influenciadas, proporcionalmente, pela duração ou pelo tempo da
imigração.
Neste artigo, partimos do pressuposto de que a relação loucura-cidade serve como analisador do
processo de desinstitucionalização em saúde mental e procuramos indicar os eixos disciplinares
e biopolíticos em operação nesse campo. Para tanto, analisamos algumas cenas urbanas e certos
acontecimentos q ue acompanhamos numa pesquisa acerca das práticas de cuidado no âmbito de
um Serviço Residencial Terapêutico (SRT). E, com base no reconhecimento dos modos de
operação do biopoder na relação loucura-cidade, procuramos argumentar que as formas de
resistência aos manicômios biopoliticamente configurados na contemporaneidade devem operar
macro e micropoliticamente por meio de "lutas em rede".
OBJETIVO: Analisar como pessoas com doenças mentais vivenciam suas necessidades
especiais e interagem com a comunidade local nos espaços públicos urbanos. METODOLOGIA:
Pesquisa realizada na cidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, utilizando como abordagem
teórico-metodológica a etnografia. A parti r de estudo de um sujeito, buscou-se compreender o
que caracteriza as pessoas como doentes mentais e como as adversidades decorrentes de seus
quadros mentais não as impossibilitam de construir circuitos, trajetos e redes sociais no espaço
urbano. RESULTADOS E CONCLUSÕES: O estudo identificou os processos de subjetivação
dos sujeitos no espaço da cidade. Uma vez que os serviços de saúde reconhecem esses sujeitos,
podem criar formas de intervenção mais adequadas às suas necessidades especiais.
Este trabalho relata a experiência de um serviço de psicologia no atendimento de vendedores
com transtornos mentais, discutindo riscos e malefícios causados pela organização do trabalho
no ramo de serviços. O sofrimento mental é enfocado a partir da falta de reconhecimento, do
conflito família versu s trabalho e também pelo conflito ético instalado nos vendedores por uma
das empresas focalizadas na pesquisa. São apresentados relatos de oito trabalhadores colhidos
por meio do método de entrevistas semiestruturadas e material clínico de sessões de
psicoterapia. Todos foram atendidos entre os anos de 2006 e 2009 no Centro de Referência em
Saúde do Trabalhador de Diadema, cidade da Grande São Paulo. Os dados revelam como a
identidade dos trabalhadores é ameaçada por inúmeras estratégias provocando um vazio
existencial que leva ao adoecimento mental. Nesta estrutura, a correlação do lúdico com o
trabalho na vida adulta se perde, interrompendo a continuidade do desenvolvimento do ser.
Nesse artigo, foram investigados fatores associados ao sofrimento psíquico dos policiais
militares da cidade do Rio de Janeiro, Brasil, a partir de estudo transversal com 1.120 policiais,
sendo caracterizados o perfil socioeconômico e demográfico, a qualidade de vida, as suas
condições de saúde e de trabalho. Para mensurar o sofrimento psíquico, utilizou-se o SelfReported Questionnaire. Na análise de associações, usou-se o modelo de regressão logística,
considerando-se variáveis relacionadas ao sofrimento psíquico. Os resultados indicaram
associação entre sofrimento psíquico e fatores como: capacidade de reagir a situações difíceis e

Avaliação de política em saúde mental sob o
viés da alteridade radical

Physis

Campo de Pesquisa

Atividade física e estado de saúde mental de
idosos

Rev. Saúde Pública

Conjunto
Sociodemográfico

O apoio matricial em Unidades de Saúde da
Família: experimentando inovações em saúde
mental

Saude soc

Localização
Geográfica

Saúde mental na atenção primária à saúde:
estudo avaliativo em uma grande cidade
brasileira

Ciênc. saúde coletiva

Conjunto
Sociodemográfico

grau de satisfação com a vida; problemas de saúde, sobretudo, digestivos, nervosos, musculares
e ósseos; e condições adversas de trabalho, como carga excessiva, constante exposição ao
estresse e à vitimização. Conclui-se apontando a necessidade de intervenções que visem à
promoção da saúde desses profissionais, sobretudo da sua saúde mental.
Realizou-se pesquisa de tese em História Social, sob a vertente da História Oral, com o objetivo
de avaliar a política de saúde mental do município de Quixadá, no período de 1993 a 2012.
Foram selecionados quatro depoimentos de pessoal diretamente responsável pela construção da
política, em sua primeira gestão: o prefeito, o supervisor de serviço, um auxiliar de Enfermagem
e um médico. Os depoimentos foram analisados utilizando como referencial teórico a ética da
alteridade radical. Consensualmente, os depoimentos apontavam para o entendimento de que,
além de o paciente e sua família precisarem de cuidados, intervenções se faziam necessárias no
sentido de apresentar a loucura à cidade, como forma de diminuir o preconceito. Sugere-se, a
partir dos relatos dessa boa prática, a criação de um novo critério de avaliação dos serviços em
saúde mental, qual seja, sua efetividade em gerar, na sociedade, novas formas de lidar com a
diferença e com o outro.
OBJETIVO: Avaliar a associação entre nível de atividade física e o estado de saúde mental de
pessoas idosas. MÉTODOS: Inquérito de base populacional com amostragem probabilística,
incluindo 875 idosos da cidade de Florianópolis, Santa Catarina, em 2002. Foram aplicados os
questionários: Internaciona l de Atividades Físicas e Brazil Old Age Schedule. Os problemas de
saúde mental avaliados foram depressão e demência, além da prática de atividade física total
(lazer, ocupação, deslocamentos e serviços domésticos). Após análises descritivas e bivariadas,
realizou-se análise ajustada por meio de regressão logística, com ajuste para os fatores de
atividade física total, atividade de lazer, escores de depressão e demência. RESULTADOS:
Verificou-se associação estatisticamente significativa e inversa de demência e depressão com
atividade física total e atividade física no lazer. A odds ratio ajustada para demência entre os
sujeitos sedentários para atividade física total comparada à dos ativos foi de 2,74 (IC 95%: 1,85;
4,08), enquanto o respectivo valor para depressão foi de 2,38 (IC 95%: 1,70; 3,33).
CONCLUSÕES: Os resultados reforçam a importância de estilo de vida ativo para prevenção de
problemas de saúde mental de idosos. Infere-se que a atividade física tem conseguido reduzir
e/ou atrasar os riscos de demência, embora não se possa afirmar que a atividade física evita a
demência.
A Reforma Psiquiátrica busca superar as intervenções tradicionalmente hospitalocêntricas e
medicalizantes em relação à "loucura". Para isso, visa implantar estratégias de cuidado
territoriais e integrais, ancorados em novos saberes e valores culturais. Nessa perspectiva, o
Apoio Matricial surge como proposta para articular os cuidados em saúde mental à Atenção
Básica. Este trabalho objetiva discutir a perspectiva de técnicos de Unidades de Saúde da
Família (USF) do município de Natal, RN, acerca dessa proposta. Foram realizadas entrevistas
com oito técnicos da USF do Distrito Sanitário Leste da cidade. A partir dos resultados
observamos que não há clareza acerca da proposta de Apoio Matricial (AM) e há uma forte
demanda cotidiana de saúde mental não acolhida, pois os entrevistados não se sentem
capacitados para tal e indicam a necessidade de apoio e instrumentalização nesse campo. Além
disso, as possibilidades de referenciamento são pequenas em função da precariedade da rede de
serviços substitutivos e destes com a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) como um todo. O
trabalho compartilhado com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é ainda uma promessa.
A Atenção Primária à Saúde é reconhecida mundialmente como a responsável pela solução dos
principais problemas de saúde da comunidade, incluso a mental. O presente estudo buscou
avaliar a articulação entre as redes de atenção primária e de saúde mental em regiões de alta
vulnerabilidade social de um a grande cidade brasileira (Campinas - SP) através dos parâmetros:

Trabalhadores em saúde mental: contradições
e desafios no contexto da reforma psiquiátrica

Esc. Anna Nery

Localização
Geográfica

A banalização da prescrição de psicofármacos
em um ambulatório de saúde mental

Paidéia (Ribeirão
Preto)

Conjunto
Sociodemográfico

Reforma psiquiátrica e inclusão social pelo
trabalho

Ciênc. saúde coletiva

Localização
Geográfica

Plantão psicológico, universidade pública e
política de saúde mental

Estud. psicol.
(Campinas)

Campo de Pesquisa

pesquisa avaliativa, participativa e predominantemente qualitativa. Foram definidos dois grupos
pela técnica de clusters: um de Unidades Básicas de Saúde com maior grau de implantação das
ações inovadoras e outro com menor grau de implantação. Posteriormente foi realizada uma
comparação. O apoio matricial se mostrou potente para definir fluxos, qualificar as equipes e
promover uma assistência conjunta e compartilhada. Detectou-se um papel estratégico do agente
comunitário de saúde para identificar ofertas em potencial e propiciar escuta de forma mais
próxima à população. As práticas de promoção à saúde ainda não estão consolidadas. Quando os
arranjos possibilitam inserções dos profissionais em atividades extramuros, os usuários
reconhecem e se apropriam dos espaços, possibilitando ações que se distanciam da tradicional
queixa-conduta.
Este estudo analisa o discurso de trabalhadores, apontando caminhos, dúvidas e incertezas que
rondam a constituição da equipe de um serviço comunitário de saúde mental. O corpus é
composto por entrevistas aplicadas no ano de 2006 a 17 dos 25 trabalhadores de saúde mental
que trabalham em um serviço substitutivo de uma cidade da Região Sul do Brasil. O dispositivo
metodológico que subsidia a sistematização dos dados é o "diagrama axiológico-discursivo",
construído a partir dos pressupostos teóricos da Análise Crítica do Discurso. Constata-se que a
incerteza operacional que une e fragmenta a equipe, ao mesmo tempo, está relacionada com uma
cascata de possibilidades, que se inicia na indefinição operacional dos objetos e instrumentos de
trabalho em saúde mental, e termina na dificuldade de identificar quem são os profissionais que
devem cuidar da loucura no serviço. Espera-se que este estudo ajude na problematização do
movimento de reforma psiquiátrica no contexto brasileiro.
A conjunção do desenvolvimento dos psicofármacos modernos com o amplo alcance que
assumiu a ênfase preventiva em saúde mental na atualidade modificou as práticas da Psiquiatria,
que deixou de ser um saber voltado exclusivamente ao tratamento da loucura para dedicar-se a
medicar, através da prescriçã o de psicofármacos, qualquer manifestação de sofrimento psíquico.
O presente trabalho problematiza esse processo atual de medicalização generalizada da
população e apresenta dados de um estudo exploratório amostral que objetivou conhecer, através
do exame de registros de prontuários, a trajetória dos usuários da porta de entrada do Pronto
Atendimento até a prescrição de psicofármacos no âmbito de um Ambulatório de Saúde Mental
de uma pequena cidade do oeste paulista. Nossos dados mostram que a maioria (65%) dos
usuários já chega ao serviço sob prescrição prévia de psicofármacos e que, encaminhados à
consulta psiquiátrica, praticamente todos (99%) recebem prescrição de psicofármacos.
Este estudo busca compreender a relação entre trabalho, adoecimento mental e reabilitação
psicossocial a partir da narrativa de pessoas portadoras de transtorno mental e usuárias de
substâncias psicoativas sobre o sentido do trabalho. O estudo ocorreu em Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS) da cid ade de Goiânia (GO), do qual participaram oito pessoas adultas e de
ambos os sexos, que traziam o trabalho como algo importante em suas vivências. Utiliza-se de
metodologia qualitativa e exploratória, por meio da realização de grupo focal. Para o tratamento
dos dados, utiliza-se a análise temática. Os resultados apontam os sentidos do trabalho enquanto
existencialização e identidade social, autonomia e sociabilidade. Na interface com a saúde
mental, o trabalho surge como protetor e/ou adoecedor mental. Os processos de exclusão social
dos participantes ocorrem através da dificuldade de acesso à seguridade social relacionada ao
trabalho e ao preconceito social vivido na tentativa de ingresso ao mundo do trabalho. Enquanto
possibilidade de (re) inserção social, o estudo mostrou que os CAPS têm dificuldades em propor
alternativas de inclusão pelo trabalho, apesar da melhoria de vida promovida pelo
acompanhamento psicossocial.
Este artigo analisa a prática de Plantão Psicológico no contexto da crise universitária e do
desmanche dos serviços públicos de saúde mental na cidade de São Paulo. Define a prática de

Enredando lutas cotidianas: dispositivos de
saúde pela cidade

Fractal, Rev. Psicol.

Dispositivo
Clínico-político

Reforma psiquiátrica, trabalhadores de saúde
mental e a "parceria" da família: o discurso do
distanciamento /

Interface (Botucatu)

Localização
Geográfica

A atuação dos psicólogos em unidades básicas
de saúde na cidade de São Paulo

Saude soc.

Localização
Geográfica

O diagnóstico psiquiátrico e a produção de
vida em serviços de saúde mental

Estud. psicol. (Natal)

Localização
Geográfica

Plantão Psicológico e explicita o panorama empírico no qual se encontra a partir da
implementação das reformas neoliberais das políticas públicas na área da saúde. Apresenta e
discute a "modernização" da universidade pública e suas implicações na esfera da prestação de
serviços universitária. Finalmente, esboça algumas propostas de enfrentamento da situação de
crise dos serviços universitários e, mais especificamente, o Plantão Psicológico.
A partir das experiências de intervenções em serviços públicos de saúde e em outros setores da
cidade, este trabalho afirma uma prática oficineira descentralizada capaz de compor na
construção de redes sociais, servindo de instrumento de análise e possibilitando a invenção de
modos de vida e afirmação de singularidades. As intervenções na cidade abrem caminhos para
mudanças nos processos em curso e contribuem para a produção de saúde/cidadania por meio da
potência conectiva das lutas. O enlace dessas temáticas visa ampliar o campo problemático da
atenção psicossocial e fortalecer a luta antimanicomial no Espírito Santo, apostando em novas
formas de atuação.
Este estudo analisou o discurso de trabalhadores de saúde mental sobre a participação da família
no tratamento. O corpus foi composto por entrevistas aplicadas a 17 dos 25 profissionais que
trabalham em um serviço substitutivo de uma cidade da região Sul do Brasil. O referencial
teórico-filosófico f oi a Análise Crítica do Discurso. O dispositivo metodológico que subsidiou a
sistematização dos dados foi o "diagrama axiológico-discursivo". Verificou-se que os
trabalhadores manifestam a importância da família no tratamento do usuário, entretanto,
representação ainda pautada na responsabilização e culpabilização, quando a família se afasta do
tratamento. Aos poucos, a "parceria" vai dando espaço ao "distanciamento", como dimensão
cuidadora nos serviços de saúde mental. Espera-se que este estudo subsidie a constante reflexão
sobre o papel das famílias em saúde mental, temática importante para repensar saberes e práticas
sobre o louco, a loucura e suas relações no contexto da reforma psiquiátrica.
Este artigo foi produzido com base em pesquisa qualitativa, cujo objetivo foi estudar a atuação
do psicólogo em Unidades Básicas de Saúde (UBS). Foram realizadas 17 entrevistas
semiestruturadas com psicólogas atuantes na atenção básica à saúde, pertencentes à
Coordenadoria de Saúde da região oeste d a cidade de São Paulo. A análise foi de conteúdo do
tipo temática e tomou por referencial teórico-conceitual a produção em análise institucional, em
estudos sobre o trabalho em saúde e sobre a história da psicologia como profissão. Enfocaram-se
dois aspectos interligados: as mudanças e novas necessidades de trabalho e atuação profissional
que a regulamentação da profissão trouxe para a psicologia, e as políticas públicas de saúde
mental no Estado e na cidade de São Paulo a partir da década de 1970. Os resultados revelam as
mudanças, tensões e contradições no processo de institucionalização da psicologia clínica,
tradicionalmente uma prática liberal realizada em consultório que passa a apresentar ao
psicólogo novos desafios com sua inserção em instituições de saúde pública, em especial em
UBS, cuja atuação passa a incluir práticas clínico-sanitárias e a ter regulações de ordem políticoinstitucional.
A Reforma Psiquiátrica objetiva desconstruir a relação de tutela e objetificação sustentada pelo
saber/práticas psiquiátricas para com a loucura. Um dos pilares dessa relação é o diagnóstico
psiquiátrico que produz efeitos importantes nas trajetórias vital e institucional dos portadores de
transtorn os mentais. Essa pesquisa objetivou conhecer os sentidos do diagnóstico psiquiátrico
para usuários do Ambulatório de Saúde Mental na cidade de Natal/RN e os efeitos produzidos
em suas vidas. Trabalhamos com observações e um roteiro semi-estruturado de entrevista.
Identificamos variações na concepção do diagnóstico, alterações nas suas vidas em função do
mesmo tais como a perda do trabalho, a dependência familiar, mudanças nas relações sociais, as
quais são sustentadas pelo saberes médico e jurídico. Entendemos que as relações tutelares com
a família e os serviços de saúde se estabelecem a partir do momento que o diagnóstico é atestado

Transtornos mentais comuns e auto-estima na
gestação: prevalência e fatores associados

Cad. Saúde Pública

Localização
Geográfica

Transtornos mentais comuns e uso de
psicofármacos: impacto das condições
socioeconômicas

Rev. Saúde Pública

Conjunto
Sociodemográfico

Inconsciente e cotidiano na prática da atenção
psicossocial em saúde mental

Psic.: Teor. e Pesq.

Localização
Geográfica

Os impasses da pobreza absoluta: a
experiência da Ouvidoria Coletiva na região da
Leopoldina, Rio de Janeiro (RJ, Brasil)

Ciênc. saúde coletiva

Conjunto
Sociodemográfico

e a vida passa a ser norteada pela "existência" do transtorno mental.
O objetivo do presente estudo foi verificar a prevalência de transtornos mentais comuns (TMC)
e sua relação com auto-estima, bem como outros fatores associados à ocorrência deantes. Foi
realizado um estudo transversal aninhado a uma coorte no qual participaram gestantes atendidas
no serviço de saúde do Sistema Único de Saúde na cidade de Pelotas, Estado do Rio Grande do
Sul, Brasil. Foi utilizado para o rastreamento de transtornos mentais comuns o Self-Reporting
Questionnaire (SRQ-20) e, para avalia a auto-estima, a Escala de Auto-Estima de Rosenberg. A
amostra constituiu-se de 1.267 gestantes, que tinham em média 25 anos (dp = 6,53). A média de
auto-estima foi de 9,3 pontos (dp = 4,76) e a prevalência de TMC em gestantes foi de 41,4%.
Evidenciou-se, também, que quanto menor a auto-estima da grávida maiores são as chances de
associação a TMC (p < 0,001). Houve uma significativa associação entre maior prevalência de
TMC e baixa auto-estima.
OBJETIVO: Avaliar a influência das condições socioeconômicas na associação entre
transtornos mentais comuns, uso de serviços de saúde e de psicofármacos. MÉTODOS: Estudo
transversal populacional conduzido na cidade de Botucatu, SP, com amostragem probabilística,
estratificada e por conglomerados. Foram realizadas entrevistas domiciliares com 1.023 sujeitos
de 15 anos ou mais de idade, entre 2001 e 2002. Transtorno mental comum foi avaliado
utilizando o Self Reporting Questionnaire (SRQ-20). O uso de serviços foi investigado com
relação à quinzena anterior à entrevista e uso de psicotrópicos, nos três dias anteriores. Utilizouse regressão logística para análise multivariável, considerando o efeito do desenho.
RESULTADOS: No total da amostra, 13,4% (IC 95%: 10,7;16,0) procuraram serviços de saúde
na quinzena anterior à entrevista. A procura de serviços de saúde se associou ao sexo feminino
(OR=2,0) e à presença de transtorno mental comum (OR=2,2). Na amostra 13,3% (IC 95%:
9,2;17,5) referiram ter usado ao menos um psicotrópico, destacando-se os antidepressivos
(5,0%) e os benzodiazepínicos (3,1%). Na análise multivariável, sexo feminino e presença de
transtorno mental comum mantiveram-se associados ao uso de benzodiazepínicos. Renda per
capita mostrou-se direta e independentemente associada ao uso de psicofármacos, conforme
aumento da renda. CONCLUSÕES: Menor renda associou-se à presença de transtorno mental
comum, mas não ao uso de psicotrópicos. A associação entre transtorno mental comum e uso de
psicotrópicos e maior renda reforça a hipótese da existência de iniqüidades no acesso à
assistência médica na população estudada.
O objetivo deste artigo é analisar as concepções sobre o inconsciente ligadas ao cotidiano da
prática terapêutica de rede, como contribuição à clínica em saúde mental. A pesquisa
participante foi realizada em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) na cidade de São
Paulo. Os resultados mostraram as concepções mais frequentes: o inconsciente como
inconsciência, o inconsciente como desconhecimento e o inconsciente como método de escuta
do sujeito e das relações na instituição. Demonstram uma flexibilidade teórica que pode permitir
articulações complexas nas diversas intervenções no cotidiano da equipe referentes às
subjetividades e saberes sobre o inconsciente, psicanalíticos ou não. Conclui-se que a elucidação
desse saber prático sobre o inconsciente contribui para o aprofundamento dessa temática no
campo da reforma psiquiátrica.
A experiência de Ouvidoria Coletiva desenvolvida na região da Leopoldina, na cidade do Rio de
Janeiro, amplia a visão tradicional de vigilância em saúde e objetiva organizar um sistema de
vigilância capaz de identificar os problemas de saúde da população e os recursos utilizados na
tentativa de superá-los. Profissionais de saúde, líderes comunitários e religiosos se reuniram em
fóruns mensais para apresentar e discutir as condições de vida percebidas nas comunidades em
que atuam. A partir do olhar das dimensões sociais envolvidas nos processos de saúde-doença,
este trabalho visa discutir de que forma a pobreza compromete a saúde das classes populares,

Saúde mental e trabalho interdisciplinar: a
experiência do "Cândido Ferreira"em
Campinas

Ciênc. saúde coletiva

Localização
Geográfica

Avaliação de serviços de saúde mental:
adaptação transcultural de uma medida da
percepção dos usuários sobre os resultados do
tratamento

J. bras. psiquiatr,

Conjunto
Sociodemográfico

Prevalência de transtornos mentais em área
urbana no norte de Minas Gerais, Brasil

Rev. Saúde Pública

Conjunto
Sociodemográfico

especialmente no que se refere à saúde mental e ao "sofrimento difuso". A metodologia permitiu
organizar, de modo sistemático, a escuta e favoreceu o reconhecimento do saber local,
construído a partir das experiências de vida das pessoas que lidam com o sofrimento, a doença e
seus determinantes nas condições de vida da população. A situação de pobreza absoluta de uma
parcela significativa da população foi percebida como geradora de impasses para a resolução de
problemas de saúde. Os resultados confirmam a importância de se compreenderem as estratégias
de enfrentamento da população e as propostas para possíveis ações no campo da saúde
Este artigo analisa o processo de reforma psiquiátrica a partir de um foco dirigido ao trabalho
interdisciplinar dos profissionais de nível superior do serviço de saúde Dr. Cândido Ferreira, em
Campinas. Trata-se de uma instituição filantrópica que contribui expressivamente com a rede de
assistência à saúde mental deste município. Embora integrada à rede de assistência de saúde
mental desta cidade, o serviço apresenta certa independência financeira, administrativa e
gerencial em relação à ela, o que lhe permite implementar algumas experiências terapêuticas e
inovações gerenciais. Mais especificamente, este artigo focaliza o processo de tomada de
decisão da equipe interdisciplinar, envolvendo diagnóstico e processo terapêutico. Também
aborda a organização do serviço no processo de desospitalização, como o remanejamento de
pacientes em residências fora da parte central do serviço, a manutenção dessas unidades, o
gerenciamento das oficinas de trabalho na instituição, que preveem um rendimento financeiro
para o paciente, e a implementação de um programa de três anos de residência em psiquiatria na
instituição. A abordagem metodológica da pesquisa é essencialmente qualitativa, constituindo-se
de entrevistas e observação participante relacionados com os profissionais desse serviço de
saúde.
INTRODUÇÃO: Para avaliar a qualidade dos serviços de saúde mental, medidas de resultados
relatados pelos próprios usuários têm sido destacadas e, mais recentemente, a percepção de
mudanças. O objetivo desta pesquisa foi realizar a adaptação transcultural para o Brasil da escala
canadense Questionnaire of Perceived Change, obtendo-se a Escala de Mudança Percebida
(EMP), em duas versões: a dos pacientes e a dos familiares. MÉTODO: Participaram da
pesquisa 20 familiares e 23 pacientes psiquiátricos de um serviço de saúde mental de uma cidade
de porte médio de Minas Gerais. A escala foi submetida aos procedimentos de adaptação
transcultural: tradução, retradução, análise por comissão de especialistas, estudo piloto. A escala
original possui 20 itens que avaliam a mudança percebida em quatro dimensões da vida dos
pacientes. As alternativas de resposta estão dispostas em escala tipo Likert de 4 pontos.
RESULTADOS: Foram feitas modificações, incluindo: uma nova forma de aplicação por um
entrevistador, número balanceado de alternativas de resposta resultando em três opções, redação
dos itens em linguagem simples, eliminação de um item, uso de exemplos e inclusão de duas
perguntas abertas. A escala mostrou-se de fácil compreensão pelos usuários. CONCLUSÃO: As
duas versões da escala EMP estão adaptadas ao contexto brasileiro e apresentam equivalência
semântica com a escala original. Elas servirão para avaliar os resultados do tratamento, na
percepção dos seus usuários.
OBJETIVO: Detectar a prevalência de transtornos mentais em idosos residentes em área urbana.
MÉTODOS: Uma amostra de 327 idosos (60 anos de idade ou mais) residentes na cidade de
Montes Claros, no norte de Minas Gerais, foi selecionada por amostragem probabilística, em
estratos múltiplos, dentro de estrato homogêneo, sendo a unidade amostral o domicílio. Os
transtornos mentais foram aferidos por meio de um questionário de rastreamento psicogeriátrico
(QRP). Utilizou-se análise univariada usando o qui-quadrado e análise multivariada de regressão
logística. RESULTADOS: A prevalência estimada de transtornos mentais foi 29,3%, associada
com sexo feminino, número de doença, capacidade funcional e local de residência (favela/não
favela). CONCLUSÕES: Comparando com outros estudos comunitários, a prevalência de

Experiências psíquicas de mulheres
frequentadoras da rede pública de saúde em
Teresina (PI, Brasil)

Ciênc. saúde coletiva

Conjunto
Sociodemográfico

Perfil cognitivo em idosas de dois serviços
públicos em São Luís - MA

Rev. psiquiatr. clín..

Conjunto
Sociodemográfico

Território e serviço comunitário de saúde
mental: as concepções presentes nos discursos
dos atores do processo da reforma psiquiátrica
brasileira

Saude soc

Localização
Geográfica

distúrbios mentais entre os idosos na área urbana foi alta e está associada com múltiplas
doenças, incapacidade e pobreza. É uma realidade preocupante pelo de seu impacto sobre a
qualidade de vida relativa à saúde da população e sobre os serviços de saúde nas próximas
décadas.
O objetivo deste artigo é discutir os significados das experiências psíquicas de mulheres
frequentadoras da rede pública de saúde em nível de Atenção Básica na cidade de Teresina,
Piauí, Brasil. Realizou-se uma pesquisa qualitativa com o objetivo de compreender experiências
emocionais, sociais, familiares, sexuais e laborais na perspectiva de mulheres usuárias da Saúde
da Família em Teresina. Para a coleta de dados, utilizaram-se entrevista semiestruturada e
observação não sistemática, realizadas na própria Unidade Municipal de Saúde. As informações
coletadas desvelaram sofrimento psíquico intrínseco às experiências cotidianas, na relação
familiar, em situações de traição, separação, desemprego, violência e vivência da sexualidade.
Percebeu-se a importância de articular saúde mental com atenção básica, instituindo um diálogo
profícuo, com vistas à proximidade entre equipes, famílias e comunidades, que certamente serão
beneficiadas no enfrentamento de entraves do cotidiano, permeado por situações de violência,
abuso, maus-tratos e negligência. Propõe-se preparar profissionais de saúde e implementar a
interface entre Saúde da Família e atenção psicossocial, propiciando ação integral voltada ao
sujeito integral.
CONTEXTO: Este estudo procurou estabelecer, sob o ponto de vista descritivo, o nível de
cognição e variáveis sociodemográficas associadas em mulheres da sétima à nona década, em
dois serviços públicos, na cidade de São Luís (MA). OBJETIVOS: Estudar o nível de cognição
pelo Miniexame do Estado Mental (MMSE) e variáveis sociodemográficas associadas em
mulheres da sétima à nona década, em dois serviços públicos, na cidade de São Luís (MA).
MÉTODOS: Durante quatro meses um questionário com as variáveis sociodemográficas e o
Miniexame do Estado Mental (MMSE) foram aplicados em pacientes ambulatoriais. As
voluntárias foram avaliadas nos ambulatórios de Neurologia do Hospital Universitário
Presidente Dutra e do Hospital Estadual Carlos Macieira. RESULTADOS: Oitenta pacientes
foram avaliadas - 31,2% foram classificadas com transtorno cognitivo ao MEEM; 71,4% destas
tinham entre 81 e 85 anos. Transtorno cognitivo estava presente em 65% das pacientes com
nível educacional inferior a sete anos. Em relação ao nível de renda e cognição, foi observado
que 30,4% das pacientes que apresentavam nível de renda menor que um a dois salários
mínimos eram classificadas com transtorno cognitivo. Das 33 voluntárias que tinham cuidador
direto, 57,6% apresentavam transtorno cognitivo. CONCLUSÕES: O estudo torna-se de
relevância, pois permite se atentar para o problema na região e serve de estímulo para estudos
metodológicos mais complexos, visando promover a saúde pública mental do idoso.
Uma das proposições dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços substitutivos de
assistência à saúde mental de base comunitária e territorial, é a intervenção no contexto de vida
dos usuários, buscando explorar os recursos existentes para a viabilização dos projetos
terapêuticos, os quais devem possibilitar transformações concretas no cotidiano. Nesse contexto,
foi desenvolvida a pesquisa que tem como referencial metodológico a teoria da vida cotidiana,
proposta por Agnes Heller, e as categorias analíticas, território e reabilitação psicossocial. Tratase de um estudo de caso com a finalidade de identificar e discutir as possibilidades das práticas
territoriais na produção de mudanças no cotidiano dos usuários. Nesse artigo, buscamos discutir
um dos objetivos delineados no estudo: compreender a representação que a equipe
multiprofissional tem sobre "território" e "serviço de saúde mental de base territorial". O campo
do estudo constituiu-se em um dos CAPS III da cidade de Campinas/SP e os colaboradores desta
pesquisa foram os trabalhadores de saúde mental, os usuários e não usuários do serviço. Os
dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e sessões de grupo focal. Na

Ambiência na Atenção Psicossocial InfantoJuvenil: um estudo no CAPSi

Saude soc.

Localização
Geográfica

Suicídio e trabalho em metrópoles brasileiras:
um estudo ecológico

Ciênc. saúde coletiva

Conjunto
Sociodemográfico

Avaliação do processo de acolhimento em
Saúde Mental na região centro-oeste do
município de São Paulo: a relação entre CAPS
e UBS em análise

Interface (Botucatu)

Localização
Geográfica

Programa de educacao popular em saude:
habitos de vida e sintomas depressivos em
idosos

Rev. bras. geriatr.
gerontol.

Conjunto
Sociodemográfico

análise dos dados, sob o enfoque da Análise do Discurso, obteve-se como resultado o
reconhecimento de três categorias empíricas, dentre as quais o território. As ações no território é
que dão significado para o cotidiano do serviço e nisso reside a importância dessas intervenções,
as quais diferenciam um hospital psiquiátrico de um serviço comunitário.
O Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) organiza-se como um ambulatório
diário voltado para crianças e adolescentes com transtornos mentais graves, configurando-se
como um modelo de atenção pautado em bases territoriais e comunitárias. Por ser um novo
serviço direcionado a crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e entendendo que
a saúde engloba os aspectos do ambiente, o objetivo deste trabalho foi conhecer e descrever a
ambiência no atendimento de crianças e adolescentes com transtornos mentais graves no CAPSi
da cidade de Vitória, ES. Foram priorizados os componentes expressos na forma da atenção
dispensada ao usuário e da interação estabelecida entre profissionais e usuários. Empregou-se a
técnica de coleta de dados da observação participante. Verificou-se, com base na teoria de
Winnicott, que a presença, a atenção aos objetos disponíveis nos espaços, a sustentação e o
manejo das atividades são aspectos importantes na constituição da ambiência na atenção
psicossocial, pois podem facilitar o oferecimento de um ambiente seguro e adequado às
necessidades das crianças e adolescentes que sofrem com transtornos mentais graves.
O objetivo deste estudo foi relacionar a mortalidade por suicídio com indicadores de saúde e
trabalho em seis metrópoles brasileiras: Porto Alegre, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de
Janeiro e São Paulo. Estudo ecológico, cujo desfecho é o coeficiente de mortalidade por suicídio
na série histórica de 2002 a 2010, e as variáveis independentes são os indicadores de atividade
laboral e de sofrimento mental. Realizou-se associação estatística por meio do teste de
Correlação de Pearson e as variáveis associadas ao suicídio (p < 0,05) foram incluídas em um
modelo de regressão linear multivariada. A mortalidade por suicídio foi maior em Porto Alegre,
seguida de São Paulo, e a tendência do fenômeno foi ascendente (p = 0,03). Observou-se que a
população economicamente ativa e ocupada permaneceu no modelo final de regressão na cidade
de São Paulo. A associação entre mortalidade por suicídio e variáveis laborais sugere que o
trabalho no contexto de precarização piora a qualidade de vida da população trabalhadora,
implica em sofrimento físico e mental e aumenta o risco de autoagressão.
Este trabalho relata a experiência de avaliação do acolhimento em saúde mental na cidade de
São Paulo-SP, utilizando entrevistas com trabalhadores de um Centro de Atenção Psicossocial
(CAPS) e duas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Objetivou entender o acolhimento,
considerando a percepção dos trabalhadores e identificando o vínculo e a articulação da rede
nesse processo. Utilizou-se como método a hermenêutica filosófica, para identificar que
elementos participantes do processo de acolhimento poderiam ser destacados. Procedeu-se à
análise das narrativas a partir de três linhas de argumentação: vínculo, acolhimento e articulação
da rede - resultando em quatro categorias: sensação de ausência; mistura de modelos; primazia
em tecnologias duras; e ineficiência quanto à integralidade. A discussão apontou uma
imbricação dessas categorias, colocando o investimento em tecnologias leves como centro do
debate para a superação da sensação de ausência, da mistura dos modelos e para construção da
integralidade do cuidado.
OBJETIVOS: Avaliar a proposta de um programa de educação popular em saúde para um
envelhecimento saudável em duas comunidades da cidade de Campinas, SP e verificar a
influência deste programa sobre os hábitos de vida e em sintomas depressivos dos participantes.
MÉTODOS: Trata-se de estudo exploratório, prospectivo e intervencionista. Foram realizadas
atividades educacionais com 16 indivíduos idosos, com idades que variavam entre 60 e 75 anos
(m=66,88+5,4anos) e que foram divididos em dois grupos com delineamento pré-teste,
intervenção, pós-teste e seguimento; a intervenção consistiu de um encontro semanal de 150

O impacto do baixo peso ao nascer
relacionado à depressão gestacional para o
financiamento federal da saúde pública: uma
análise do Município de Pelotas, Rio Grande
do Sul, Brasil

Cad. Saúde Pública

Conjunto
Sociodemográfico

Processos de subjetivação e territórios de vida:
o trabalho de transição do hospital psiquiátrico
para serviços residenciais terapêuticos

Physis

Dispositivo
Clínico-político

Produções discursivas sobre o trabalho em
equipe no contexto da reforma psiquiátrica:
um estudo com trabalhadores de Centros de
Atenção Psicossocial

Estud. psicol.
(Campinas)

Localização
Geográfica

O perfil dos usuários do CAPSad-Blumenau e
as políticas públicas em saúde mental

Psicol. Soc.

Conjunto
Sociodemográfico

minutos, de agosto a dezembro de 2009. As medidas incluíram questionários e escalas sobre
variáveis sociodemográficas, de saúde, hábitos de vida e sintomas depressivos. Os programas
foram elaborados com temas escolhidos pelos idosos. RESULTADOS: O estudo mostrou
melhora no tempo diário de prática de atividade física; melhora no consumo diário de verduras e
legumes para os dois grupos; os participantes de um dos grupos apresentaram piora em sintomas
depressivos na medida de seguimento. CONCLUSÕES : Os resultados sugerem que
intervenções desse tipo podem favorecer a saúde física e mental de idosos, a partir de mudanças
de comportamento em saúde; mostra também a importância do grupo social para atenuação dos
sintomas depressivos em viúvas.
O baixo peso ao nascer está relacionado com morbimortalidade e sequelas no desenvolvimento
infantil, impactando nos custos dos sistemas de saúde, por isso é importante avaliar fatores que o
influenciam, estimando seu impacto no Sistema Único de Saúde (SUS). Este é um estudo
prospectivo aninhado a um a coorte de gestantes que realizaram pré-natal e parto exclusivamente
pelo SUS nos hospitais com UTI da cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Entre os
resultados, concluiu-se que mães com episódios de depressão gestacional apresentam quase
quatro vezes mais chances de ter um filho com baixo peso ao nascer (RP = 3,94; IC: 1,4910,36). Valendo-se do cálculo da fração atribuível na população, estima-se que, na população
geral, 36,17% dos bebês com baixo peso ao nascer são filhos de mães que tiveram episódio
depressivo, estimando-se um custo que pode chegar a mais de R$ 76 milhões no Brasil. Sugerese que se ampliem as ações preventivas e curativas para as gestantes na área da saúde mental,
possibilitando melhor desfecho de saúde dos recém-nascidos, e que se utilizem adequadamente
os recursos do SUS.
O artigo discute o cuidado em saúde mental no contexto da Reforma Psiquiátrica em
implementação no Brasil. Resulta de uma proposta de pesquisa-intervenção potencializadora da
desinstitucionalização de moradores do Hospital Psiquiátrico São Pedro e aborda, mais
precisamente, o trabalho de transição para os serviços residenciais terapêuticos Morada São
Pedro, na cidade de Porto Alegre. Para além de mero deslocamento de um espaço físico para
outro, a concepção de transição trabalhada diz respeito mais à apropriação de novos territórios
subjetivos e de formas outras de viver e habitar. Os processos de subjetivação que emergiram
entre usuários, trabalhadores e em nós pesquisadores, ao transitar por novos territórios de vida,
foram tomados como dispositivos analisadores e são aqui problematizados, a fim de refletir
sobre a função que a transição possa ter na produção de vida desses novos integrantes da vida
urbana.
O artigo objetiva analisar as produções discursivas de trabalhadores de Centros de Atenção
Psicossocial sobre o processo de atuação em equipe. Adota-se como abordagem teóricometodológica a Psicologia Social Discursiva, uma abordagem construcionista no contexto da
Psicologia Social. A opção por centrar os estudos nos trabalhadores em saúde mental deve-se ao
fato de que, no Brasil, esses profissionais foram os precursores do movimento de Reforma
Psiquiátrica. A pesquisa, de natureza qualitativa, contemplou 14 entrevistas semiestruturadas
com profissionais de dois Centros de Atenção Psicossocial da cidade de Recife (PE).
Delimitação de lugares, diluição de saberes e necessidade de formação profissional foram
sentenças recorrentes durante as entrevistas. As falas aqui analisadas revelam equipes que se
encontram permeadas por conflitos, tensões e possibilidades de construção de suas práticas
profissionais. Tais falas apontam para a necessidade de dar visibilidade e fomentar discussões
sobre as referidas práticas.
O momento é emblemático para as políticas públicas em saúde no Brasil, pois os novos modelos
de atenção, que rompem com a lógica da psiquiatria tradicional, já estão implementados, mas
sua legitimação e consistência teórico-metodológica precisam ainda ser consolidadas na práxis

Medicalização de mulheres idosas e interação
com consumo de calmantes

Saude soc

Conjunto
Sociodemográfico

Prevalência e fatores associados aos
transtornos mentais comuns em residentes
médicos e da área multiprofissional /

J. bras. psiquiatr.

Conjunto
Sociodemográfico

Avaliação da sobrecarga em familiares
cuidadores de pacientes esquizofrênicos
adultos

Psicol. estud.

Localização
Geográfica

Residência multiprofissional em saúde da
família e a formação de psicólogos para a

Saude soc.

Localização
Geográfica

coletiva. Dessa forma , o objetivo deste estudo é estabelecer reflexões sobre as práticas nos
novos dispositivos de atenção à saúde, como os CAPS - Álcool e Drogas e sua relação com as
políticas realizadas pelo Ministério da Saúde. Sustentado em estudo do tipo exploratório
descritivo, baseado na análise de 1122 prontuários do CAPSad da cidade de Blumenau-SC, nos
anos de 2005 e 2007, o presente trabalho traçou o perfil dos usuários desse serviço. Utilizaramse análises estatísticas univariadas e bivariadas. Estabeleceram-se discussões entre os dados
obtidos e as proposições da Reforma Psiquiátrica.
Investigamos neste estudo a interação entre gênero, envelhecimento e consumo particularizado
de calmantes (benzodiazepínicos), procurando entender como, dentro do processo de
medicalização da sociedade, essa interação interfere nos modos de utilizar e nas concepções
sobre os calmantes e como são (re )significados pelas consumidoras. No estudo, foram
realizadas entrevistas semi-estruturadas com 18 mulheres idosas, que a partir de uma análise
qualitativa foram interpretadas, à luz dos enfoques teóricos de gênero, transição de idades e
medicalização. Essas mulheres eram pertencentes a classes populares da cidade de Ribeirão
Preto-SP, pacientes psiquiátricas do serviço público ambulatorial do Núcleo de Saúde Mental,
vinculado ao Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da
Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Observamos que o consumo de calmantes é
intensificado entre as mulheres idosas, que passam a tratar conflitos e questões cotidianas por
meio do uso de medicamentos. As mulheres idosas, com experiência de freqüência dos serviços
de saúde, entre eles os psiquiátricos, durante vários anos, conseguem incorporar conhecimentos
e experiências sobre o uso dos calmantes, promovendo a sua difusão no meio social.
OBJETIVO: Determinar a prevalência de transtornos mentais comuns (TMC) e sua associação a
fatores sociodemográficos e profissionais em residentes de medicina, enfermagem, nutrição e
saúde coletiva da cidade do Recife (PE). MÉTODOS: Estudo transversal foi conduzido, em
2007, envolvendo uma amostra aleatória de 178 residentes que responderam a questões
sociodemográficas e sobre a formação profissional e ao Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20).
Calcularam-se as prevalências de TMC e estimaram-se as razões de prevalência (RP) e os
intervalos de confiança. RESULTADOS: A prevalência total dos TMC foi de 51,1% e não se
observou associação aos fatores sociodemográficos. A prevalência do evento foi 39% maior nos
médicos que nos não médicos (p = 0,049) e 46% maior em residentes médicos das
especialidades cirúrgicas que entre os de enfermagem, nutrição e saúde coletiva (p = 0,048).
Cinco das queixas do SRQ-20 foram mais frequentes no sexo feminino (p < 0,05).
CONCLUSÃO: Os dados demonstram a elevada magnitude dos TMC nessa população,
principalmente nos residentes médicos, e servem para educadores e gestores de serviços de
saúde no sentido de viabilizar estratégias para prevenir e reuperar a qualidade de vida dos
residentes.
O estudo avaliou o sentimento de sobrecarga objetiva e subjetiva deflagrado em cuidadores de
adultos portadores de esquizofrenia. A coleta de dados foi realizada em um hospital-dia da rede
pública da cidade de Teresina-PI - Brasil, e a amostra foi constituída por 14 familiares que
cuidavam direta ou indiretamente de portador de esquizofrenia. Verificaram-se sobrecargas
objetiva e subjetiva semelhantes nas dimensões relacionadas à assistência na vida cotidiana, à
supervisão dos comportamentos problemáticos, ao impacto nas rotinas diárias e a preocupações
com o paciente. Observou-se que os cuidadores quase sempre necessitam cobrir despesas
desencadeadas pelo doente. Desse modo, destaca-se a necessidade, por parte dos dispositivos em
saúde mental, de estratégias que viabilizem o apoio, a orientação e a preparação das famílias no
tocante ao gerenciamento do cuidado ao portador de esquizofrenia.
O Programa de Saúde da Família (PSF) surgiu como estratégia de reorientação da atenção básica
em saúde. A incorporação de profissionais de saúde mental no PSF não foi prevista na Portaria

atuação na atenção básica

Desinstitucionalização em saúde mental e
práticas de cuidado no contexto do serviço
residencial terapêutico

Ciênc. saúde coletiva

Dispositivo
Clínico-político

A Psicologia no modelo atual de atenção em
saúde mental

Psicol. cienc. prof

Localização
Geográfica

Filhos de dependentes químicos com fatores
de risco bio-psicossociais: necessitam de um
olhar especial?

Rev. psiquiatr. clín.

Conjunto
Sociodemográfico

nº 648 (2006), que definiu os recursos mínimos para a atuação das equipes. O Ministério da
Saúde, em 2007, aprovou os Núcleos de Atenção à Saúde da Família. A Residência
Multiprofissional em Saúde da Família foi uma proposta coordenada pela Faculdade e Casa de
Saúde Santa Marcelina, contando com dez categorias profissionais, entre elas a psicologia. Este
trabalho tem o objetivo de refletir sobre a prática do psicólogo residente e analisá-la,
contribuindo para a discussão das possibilidades de atuação do psicólogo no PSF na cidade de
São Paulo. Trata-se de uma pesquisa avaliativa do tipo estudo de caso, que tem o objetivo de
sistematizar as intervenções realizadas, o processo de construção da planilha mensal de
produção e alguns dados que ela fornece. Os resultados são: a descrição das categorias, a
planilha mensal de produção com adaptações a partir dos códigos do Sistema de Informação
Ambulatorial (SIA) atribuídos aos psicólogos e um quadro com os dados quantitativos. Foi
possível perceber que os princípios do PSF, a formação em psicologia e a vinculação com a
Residência estão relacionados com os caminhos percorridos. Concluiu-se, então, que a
quantificação é necessária para a visualização das ações, entretanto, não é suficiente para avaliar
a abrangência, a eficácia e a efetividade das ações e o quanto o SIA não está preparado para o
registro, o controle e a fiscalização do psicólogo inserido no PSF.
Os serviços residenciais terapêuticos (SRT) no Brasil são considerados estratégicos e
imprescindíveis no processo de desinstitucionalização de egressos de longas internações
psiquiátricas que perderam vínculos sociais e familiares. No entanto, muitos são os problemas e
desafios que este serviço evid encia no contexto mais amplo da atenção à saúde. Este artigo
procura analisar alguns desses problemas e desafios a partir da experiência do SRT de Natal, Rio
Grande do Norte, e de contribuições da literatura do campo. Propostos com base na idéia de que
os encontros entre loucura e cidade são potentes no sentido da desconstrução da " lógica
manicomial" , os SRT são problematizadores do modelo de atenção em saúde vigente, pois
exigem a desconstrução das formas rígidas e hegemônicas de morar e cuidar. Pretende-se
problematizar essa " lógica manicomial" que atravessa os limites dos manicômios concretos e se
atualiza no cotidiano dos serviços substitutivos em certas práticas e na frágil articulação da rede
de saúde mental. A falta de articulação efetiva entre SRT e Centro de Atenção Psicossocial
(CAPS) dá lugar a dispositivos biopolíticos no cotidiano através dos quais essa lógica opera.
Discutimos, então, os riscos de captura por esta lógica e indicamos algumas das possibilidades
de desconstrução, defendendo uma clínica que possibilite encontros potentes com a cidade e a
construção de " redes de trabalho afetivo" produtoras de vida e liberdade.
O presente estudo teve como objetivo conhecer a experiência dos profissionais da Psicologia
dentro do atual modelo de atenção em saúde mental. Foi realizado um estudo qualitativo, com a
utilização da técnica de entrevistas semiestruturadas, tendo como participantes sete psicólogos
de três Centros de Atenção Psicossocial de uma cidade de porte médio do Rio Grande do Sul. Os
resultados foram analisados através da análise de conteúdo, e revelaram o impacto inicial
vivenciado pelos profissionais, manifestado através dos sentimentos de medo, frustração e
impotência. Os participantes evidenciaram a importância de um constante repensar da ação
profissional, destacando a realização de capacitação quando da entrada do profissional no
serviço e da supervisão clínico-institucional como recurso para qualificar a prática, e ressaltaram
a importância de um trabalho em equipe e do olhar multiprofissional em relação ao usuário.
Pode-se concluir que os profissionais da Psicologia têm um papel preponderante nas equipes que
compõem os CAPS.
CONTEXTO: A dependência química tende a afetar a família como um todo. Filhos de
dependentes químicos têm um risco aumentado para o desenvolvimento da dependência
química, bem como para transtornos psiquiátricos, quando comparados com outras crianças.
OBJETIVO: Investigar o perfil de crianças, adolescentes e familiares em um serviço de

Distorções do pensamento em pacientes
deprimidos: frequência e tipos

J. bras. psiquiatr.

Conjunto
Sociodemográfico

Impacto em cuidadores de idosos com
demência atendidos em um serviço
psicogeriátrico

Rev. Saúde Pública

Localização
Geográfica

prevenção seletiva para filhos de dependentes químicos e discutir alternativas de intervenção e
tratamento para essa população. Tipo de estudo: corte transversal. AMOSTRA: serviço de
prevenção seletiva, situado em um bairro da periferia da cidade de São Paulo, com 63 familiares,
54 crianças e 45 adolescentes. INSTRUMENTOS: dados sócio-demográficos; Procedimento de
Desenhos de Família com Estórias - DF-E; Drug Use Screening Inventory (DUSI); Critérios de
investigação sobre situações de estresse psicossocial vividas pela criança (CID 10, 1993); SelfReport Questionnaire SRQ-20; CAGE familiar. RESULTADOS: com relação ao perfil familiar,
67% pertencem à categoria socioeconômica D; na maioria das famílias o pai é o dependente
químico (67%), tendo como substância de escolha o álcool (75%). O SRQ-20 detectou, em 59%
dos cônjuges que não eram dependentes químicos, risco de distúrbios em saúde mental. Nas
crianças, foi observada timidez e sentimento de inferioridade, depressão, conflito familiar,
carência afetiva e bom nível de energia, que é indicativo de equilíbrio emocional e mental. Nos
adolescentes, foi observado maior índice de problemas nas seguintes áreas do DUSI: desordens
psiquiátricas, sociabilidade, sistema familiar e lazer/recreação. CONCLUSÃO: o artigo concluiu
a necessidade de um serviço especializado de prevenção seletiva, dirigido a crianças,
adolescentes e familiares afetados pela dependência química, uma vez que filhos de dependentes
químicos representam um grupo de risco para o desenvolvimento de problemas biopsicossociais.
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi identificar as principais distorções do pensamento (DP)
em pacientes deprimidos, sua frequência, bem como se há relação delas com dados clínicos e
sociodemográficos. Método: Estudo descritivo de corte transversal com 75 voluntários entre 18
e 65 anos, residentes na cidade de João Pessoa/PB. Aplicaram-se a escala SCID - I, apenas a
parte dedicada ao diagnóstico de depressão, o Inventário de Beck para Depressão (IBD) e
questionários para avaliação de dados clínicos e sociodemográficos. Foram pesquisadas as
principais distorções do pensamento descritas na literatura. RESULTADOS: As distorções do
pensamento mais prevalentes foram desesperança (69,3%), hipocondria (62,7%), ideias de
fracasso (61,3%) e desejo de morte (60,0%). As DP ideias de culpa, desejo de morte e ideias
suicidas foram as únicas a ocorrerem exclusivamente em pacientes com IBD > 10. Apenas
13,3% dos pacientes não apresentaram no momento da entrevista nenhuma distorção do
pensamento. Houve associação estatisticamente significativa entre várias DP e variáveis clínicas
e sociodemográficas (p < 0,05). CONCLUSÃO: Conclui-se que as distorções do pensamento
são altamente prevalentes em indivíduos deprimidos, merecendo maior investigação por parte
dos profissionais de saúde mental envolvidos no atendimento a pacientes deprimidos.
OBJETIVO: O número de idosos com demência no Brasil está crescendo rapidamente, e há
carência de dados empíricos sobre o impacto em cuidadores informais. O objetivo do estudo foi
avaliar o impacto sobre cuidadores informais de pacientes com síndrome demencial.
MÉTODOS: Estudo de corte transversal foi conduzido em um serviço psicogeriátrico da cidade
de São Paulo, Brasil. Entrevistas estruturadas e semi-estruturadas foram aplicadas em 49 idosos
com demência e em seus cuidadores informais. O impacto em cuidadores foi avaliado com a
Zarit Burden Interview. RESULTADOS: Os pacientes eram em sua maioria do sexo feminino,
apresentavam escore médio no mini exame do estado mental de 12,2 e alta freqüência de
transtornos de comportamento. Os cuidadores eram predominantemente mulheres, filhas ou
esposas, e co-residiam com seus pacientes. A média de impacto foi de 32,4 (dp: 16,7). As
variáveis estatisticamente associadas a níveis de impacto foram o grau de parentesco do
cuidador com o paciente (p=0,011), sintomas psiquiátricos do cuidador (p<0,001) e tempo em
que o cuidador exercia o papel de cuidar (p=0,001). CONCLUSÕES: Observou-se alta média de
impacto em cuidadores de idosos, com demência, que necessitam de atendimento
psicogeriátrico. É necessário que os profissionais de saúde estejam aptos a prover suporte

O psiquiatra na atenção psicossocial: entre o
luto e a liberdade

Ciênc. saúde coletiva

Comunidade

Dimensão ética do cuidado em saúde mental
na rede pública de serviços

Rev. Saúde Pública

Localização
Geográfica

Depressão, aspectos emocionais e sociais na
vivência do aborto: comparação entre duas
capitais Brasileiras

Rev. Assoc. Med.
Bras

Conjunto
Sociodemográfico

adequado a esses cuidadores, com o objetivo de minimizar problemas tanto para pacientes,
quanto para cuidadores.
No Brasil, vemos surgir, a partir da década de setenta, diversas propostas inovadoras no campo
da atenção à saúde mental. A partir de então, multiplicam-se no país ambulatórios de psicologia
e psiquiatria, hospitais-dia, residências terapêuticas e diversos núcleos/centros de atenção
psicossocial. Transformados em política pública, os centros de atenção psicossocial espalham-se
pelo país, preconizando um atendimento ambulatorial, interdisciplinar e de orientação territorial.
Geralmente formado sob os auspícios de um grande hospital, o psiquiatra que se propõe a
trabalhar, a partir da ótica psicossocial, imerso em uma pequena cidade, vê-se exposto às
diversas contradições e ilogicidades do discurso psiquiátrico clássico. Os variados saberes locais
são uma ameaça ao saber psiquiátrico medicamente constituído. Respostas, antes fáceis no
interior do hospital, têm variadas implicações no território e adquirem uma complexidade para a
qual o psiquiatra não se encontra preparado. Assim, este trabalho tenta demonstrar a dissonância
entre essas duas espécies de psiquiatria: a clássica (afinada com a biologia, com a normatividade
e com a instituição) e a psicossocial (que se volta para respostas localmente construídas e que se
afina com o homem, em uma dimensão muito além do seu corpo).
OBJETIVO: Analisar os sentidos do cuidado para com o usuário atendido no âmbito da
assistência em saúde mental, a partir de percepções de psicólogos atuando no cotidiano de
serviços públicos de saúde. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: Estudo exploratório
qualitativo realizado na cidade de Fortaleza, CE, no ano de 2006. A amostra foi composta por
oito informantes do sexo feminino, psicólogas, pertencentes ao quadro funcional da rede
estadual de saúde. Para apreensão e construção das informações, foram realizadas entrevistas
não-diretivas, gravadas e transcritas. A categorização dos discursos a partir de enfoque
hermenêutico possibilitou a construção de rede interpretativa. ANÁLISE DOS RESULTADOS:
A rede interpretativa evidenciou que o psicólogo reconhece sua inserção no campo da saúde
pública como um desafio, distinto do campo de sua formação. As concepções de cuidado
predominantes foram circunscritas à dimensão técnica, embora também tenham sido
identificadas outras mais próximas à abertura ética e de respeito à alteridade. CONCLUSÕES:
No cotidiano da assistência na rede pública, percebe-se uma atitude de cuidado como técnica,
controle e anulação da diferença mais comprometida com os modelos tradicionais da
biomedicina e da psicologia clínica. Foram observadas práticas que ultrapassam essa atitude e
assumem uma configuração direcionada ao encontro intersubjetivo, ao diálogo, à afetação, à
escuta ética, ao compartilhamento de responsabilidades e ao compromisso ético em sua
perspectiva sociocultural e política.
OBJETIVO: Avaliar aspectos emocionais e sociais na vivência do aborto e o diagnóstico de
depressão maior comparando mulheres de duas capitais brasileiras (São Paulo e Natal).
MÉTODOS: Estudo transversal realizado de janeiro de 2009 a maio de 2010, envolvendo a
realização de entrevistas semidirigidas com mulheres em situação de abortamento (interrupção
até a 22a semana de gestação) atendidas em hospitais universitários de São Paulo (n = 166) e
Natal (n = 150). Para o diagnóstico de depressão, foi aplicada a versão em português do
instrumento Primary Care Evaluation of Mental Disorders (PRIME-MD). RESULTADOS: Não
houve diferença significativa (p = 0,223) na proporção de abortamentos provocados: Natal
(7,3%) e São Paulo (12,0%). O diagnóstico de depressão foi elevado nas mulheres em situação
de abortamento, em proporção significativamente maior na cidade de Natal do que em São Paulo
(50,7% contra 32,5%, respectivamente, p < 0,01). Quanto aos aspectos emocionais, não houve
diferença na ocorrência de sentimentos de culpa (Natal 27,7%; São Paulo 23,3%; p = 0,447). A
participação do companheiro foi satisfatória pelas mulheres em proporção semelhante nas
capitais (Natal 62,0%; São Paulo 59,0%; p = 0,576). Não se constata diferença na proporção de

Serviço de Emergência Psiquiátrica em
hospital geral: estudo retrospectivo

Rev. esc. enferm. USP

Localização
Geográfica

Cuidado em saúde mental por meio de grupos
terapêuticos de um hospital-dia: perspectivas
dos trabalhadores de saúde

Interface (Botucatu)

Localização
Geográfica

Rastreamento da depressão pós-parto em
mulheres atendidas pelo Programa de Saúde da
Família

Rev. Bras. Ginecol. Obstet

Localização Geográfica

mulheres que relatam ter sofrido violência, relacionada ou não ao aborto (Natal 22,9%; São
Paulo 16,6%; p = 0,378). CONCLUSÃO: Embora não tenha sido constatada diferença entre os
aspectos emocionais e sociais na comparação entre as duas capitais, verificou-se elevada
proporção de mulheres com depressão maior, sendo mais frequente na cidade de Natal, o que
denota a importância de suporte psicossocial nos serviços de atenção à saúde da mulher.
O Serviço de Emergência Psiquiátrica em Hospital Geral (SEPHG) é uma proposta articulada
com o movimento da reforma psiquiátrica. Objetivou-se caracterizar os clientes com sofrimento
psíquico assistidos no SEPHG Dr. Estevam, em Sobral-CE. Este é um estudo do tipo
documental, com abordagem quantitativa, envolvendo 191 clientes atendidos no SEPHG no
período de janeiro a dezembro de 2007. Os dados foram coletados a partir de um livro de
registro, cujas informações nele contidas foram retiradas dos prontuários dos clientes. Observouse predomínio de pacientes do sexo masculino (70,15%), com idade entre 30-49 anos (48,71%) e
solteiros (74,86%). A maioria era proveniente da cidade de Sobral (69,64 %). Em 42,40% dos
casos, o diagnóstico foi transtorno do uso de álcool. Grande parte da clientela (66,50%) deu
entrada no serviço por demanda espontânea. Após avaliação do SEPHG, 43,45% desses clientes
foram encaminhados ao CAPS-ad. Pelos resultados, depreende-se o quão imprescindíveis são os
serviços de saúde mental.
O objetivo deste trabalho foi compreender as práticas e os saberes envolvidos nas abordagens
terapêuticas grupais e suas articulações com a produção do cuidado em saúde mental em um
Hospital-Dia (HD) da cidade de Fortaleza-CE, por meio de pesquisa descritiva, com abordagem
qualitativa. Para coleta d e dados, realizou-se entrevista semiestruturada com 14 profissionais do
HD, além da observação sistemática das práticas. Na análise crítica e reflexiva, buscaram-se
convergências e divergências entre as falas dos profissionais e as observações no campo. De
acordo com essa análise, as práticas terapêuticas grupais desenvolvidas no HD são importantes
para a reabilitação psicossocial dos sujeitos e a equipe do HD utiliza dispositivos para a
produção do cuidado, tais como: vínculo, acolhimento, corresponsabilização e autonomia. Ao
cuidar do sujeito, a equipe procura entender sua complexidade e subjetividade. A produção do
cuidado no HD inclui a participação da família do paciente e perpassa todo o projeto terapêutico.
OBJETIVOS: estimar a prevalência de depressão puerperal (DP) sua associação com transtorno
mental comum (TMC) nas mulheres atendidas por duas unidades do Programa de Saúde da
Família (PSF) da cidade de São Paulo e identificar os fatores de risco associados à DP.
MÉTODOS: estudo de corte transversal com 70 puérperas atendidas nas Unidades do PSF,
Fazenda da Juta II e Jardim Sinhá, entre outubro de 2003 e fevereiro de 2004. Como
instrumentos utilizaram-se: questionário com informações sociodemográficas econômicas e
dados obstétricos e perinatais; Self-Report Questionnaire 20 (SRQ-20), para rastreamento de
TMC e a Edinburgh Post-Natal Depression Scale (EPDS), para avaliação de DP. Para testar as
associações entre variáveis explicativas (fatores de risco) e a presença de DP foram utilizados os
testes t de Student, chi2 e chi2 de tendência linear, quando indicados. Para avaliar a
concordância entre a EPDS e o SRQ foi utilizado o coeficiente de concordância kappa (kapa).
RESULTADOS: a prevalência de TMC e de DP foi de 37,1%. As escalas apresentaram boa
concordância (kapa = 0,75). As variáveis explicativas idade materna, cor, escolaridade,
ocupação e estado civil, além de idade, ocupação e instrução do companheiro, renda familiar,
número de gestações, paridade, abortamentos, filhos vivos, partos prematuros, idade gestacional,
tipo do parto, planejamento da gestação, Apgar de 1º e 5º minuto, sexo e peso do recém-nascido
e aleitamento materno não apresentaram significância estatística. Quanto maior a percepção de
suporte social do marido, menor a prevalência de DP (p=0,03). CONCLUSÃO: devido à alta
prevalência e impacto negativo sobre a mãe e seu filho, é valioso sensibilizar o profissional de
saúde para a importância da DP.

Avaliação de déficits cognitivos em moradores
com mais de 65 anos de um albergue público

Rev. psiquiatr. clín.

Conjunto
Sociodemográfico

Concepções de saúde e doença mental para
profissionais de um CAPSi

Psicol. estud.

Localização
geográfica

CONTEXTO: Há uma escassez de estudos nacionais que tenham avaliado déficits cognitivos em
população idosa em situação de rua. Propôs-se o presente estudo para avaliar esses transtornos
em uma população moradora de um albergue público da cidade do Rio de Janeiro. MÉTODOS:
Avaliou-se uma amostra aleatória de 64 pessoas com mais de 65 anos, moradoras de um
albergue público do Rio de Janeiro, por uma entrevistadora treinada em instrumentos com
aspectos sociodemográfico, cognitivo, nutricional e cotidiano. RESULTADOS: A idade média
foi de 72,9 anos (desvio-padrão = 6,03 anos). A maior parte da amostra foi do sexo masculino
(71,9%), solteira (90,6%), oriunda do Rio de Janeiro (71,9%), analfabeta (60,9%) e
desempregada no momento (82,8%). A freqüência de déficits cognitivos foi de 20,3%. Da
amostra, 15,6% relataram internações psiquiátricas anteriores, 12,5% apresentaram desnutrição,
39,1% não apresentaram autonomia/independência e 37,5% relataram uso abusivo de álcool
estando associado estatisticamente com síndrome demencial provável (37,5% vs. 20,3%; X² =
4,6; p = 0,03). CONCLUSÕES: Deve-se implementar ações específicas nos albergues, no intuito
de trabalhar a equipe de saúde para receber o morador e desenvolver nele competências e
habilidades perdidas ou escondidas.
A implantação de dispositivos destinados exclusivamente ao atendimento de crianças e de
adolescentes com transtornos mentais graves é uma conquista recente, por isso são poucos os
estudos que enfoquem estes serviços. Nesta pesquisa, tivemos como objetivo investigar como os
profissionais que atuam em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil (CAPSi) de uma
cidade da Região Sudeste do Brasil concebem os processos de saúde e doença dos usuários deste
serviço. Entrevistamos vinte e quatro profissionais, mediante um roteiro semiestruturado. Os
dados foram submetidos a uma análise de conteúdo temática. Destacaram-se entre os temas de
análise: a explicação de transtornos mentais sob uma ótica pluricausal; a menção do transtorno
como um fenômeno relacional; a abertura à cidadania e à reinserção social; a presença do
sofrimento psíquico e de oscilações no transtorno; e a importância de detectar precocemente tais
situações. As ideias que circulam entre o profissionais parecem considerar as particularidades do
público atendido, com uma inclinação terapêutica aliada às políticas destinadas a este público.

APÊNDICE D
LEGENDAS:
LG: Localização Geográfica
CS: Conjunto Sociodemográfico
CP: Campo de Pesquisa
DCP: Dispositivo Clínico-político
C: Comunidade
TABELA 10- LISTA DOS VOCÁBULOS DO SciELO
ÁREA DE
CONHECIMENTO
ONDE O
VOCÁBULO É
MAIS COMUM

TERMO

Psicologia

Psicólogo(s)/ Psicologia/
Psicológic(o)/(a)
Depressão
Subjetividade(s)/Subjetivos/
Subjetiva®/(ção)
Terapêutico
Vínculo
Perfil
Conflito(s)
Violência
Comportamento(s)
Psicoterapia
Auto-estima
Inconsciente
Pensamento
Cognição
Hábitos
Total

NÚMERO
DE
RESUMOS
QUE
UTILIZAM
O TERMO
10

QUANTIDADE
DE CITAÇÕES
DO TERMO

28

DISTRIBUIÇÃO
DOS
PRESSUPOSTOS
NOS RESUMOS
QUE UTILIZAM
O VOCÁBULO
8 LG; 1 C; 1CP

6
6

13
8

5- CS; 1- LG
3- LG; 3- DCP

5
5

8
6

4
4
3
3
3
1
1
1
1
1
54

7
5
5
3
3
6
6
5
3
2
108

5-LG
2-LG; 1- CS; 1DCP; 1- CP
4- CS
2 LG; 2 CS
2- CS; 1- LG
2- LG; 1- CS
3-LG
1- LG
1- LG
1 CS
1- CS
1- CS
29- LG; 18- CS;
4- DCP; 2- CP; 1C

Urbanismo

Estatística

Categorias
sociológicas

Urban(o)/(a)/(os/(as)
Município(s)/ Municipal(ização)

6
5

10
9

Centralidades/
Descentraliza(das)/(ção)/(ntes)
Bairro
Periferia
Metrópoles
Total

3

6

2
1
1
18

2
1
1
29

Dados
Popula(ção)/(cional)

28
15

32
22

Amostra(l)/(gem)
Níve(l)/(is)
Estatística(mente)
Prevalência
(Sub)escala(s)
Escore
DesvioPadrão/Padr(ões)/(onizados)
Índice
Proporção
Dispersão
Normal
Total

13
8
8
6
6
4
3

19
12
9
18
15
5
3

2
1
1
1
96

3
5
1
1
135

Família/Familiar(es)

22

57

Soci(al)/(ais)/(edade)

20

30

Públic(o)/(a)/(os)

18

27

Popula(ção)/(cional)

15

22

Sex(o)/(os)/(uais)
Comunidade(s)/
Comunitári(o)/(a)/(as)

12
9

13
12

5- DCP; 1-CS
3- LG; 1- CS, 1CP
2- DCP; 1- LG
2- CS
1- CS
1- CS
6-CS; 7- DCP; 4LG; 1- CP
20- LG; 8- CS
13- CS; 1- LG; 1CP
8- CS; 5-LG
6- CS; 2- LG
6- CS; 2- LG
3- CS; 3- LG
4- CS; 2- LG
3- CS; 1- LG
1- CS; 1- LG; 1DCP
2- CS
1- CS
1- DCP
1- LG
55- CS; 38- LG;
2- DCP; 1- CP
14- LG; 6- CS; 1DCP; 1- CP
9- LG; 7- CS; 3DCP; 1- CP
6- CS; 6- LG; 3DCP; 2- CP; 1- C
13- CS; 1- LG; 1CP
6- CS; 6- LG
5- CS; 3- LG; 1DCP

Saúde Coletiva

(Sócio)Demográfico(s)
Grupo(s)
Mulher(es)
Criança(s)
Adolescente(s)
Idoso(s)
Renda
Perfil
(Sócio)econômic(o)/(as)
Violência
Culturais/transcultural/
Sociocultural
Adult(a)/(as)/(os)
Morador(es)
Classes
Sociabilidade
Gênero
Civilidade
Solteiros
Total

8
8
7
6
4
5
5
4
4
3
3

15
11
19
18
12
12
10
7
4
5
4

7- CS; 1- LG
5- CS; 3- LG
5- CS; 2- LG
5- LG; 1- CS
2- CS; 2- LG
5- CS
3- CS; 2-LG
4- CS
4- CS
2- CS; 1- LG
2- LG; 1- CS

3
2
2
2
1
1
1
165

3
4
2
2
2
1
1
284

Serviço(s)

35

67

Atenção

22

46

Públic(o)/(a)/(os)

18

27

Rede(s)

17

25

Reforma

15

16

Cuidado(s)

14

32

Usuário(s)

14

23

Intervenç(ão)/(ões)

12

16

3- LG
1- CS; 1- DCP
2- CS
1- CS; 1LG
1- CS
1-DCP
1- LG
87- CS; 62- LG;
10- DCP; 5- CP;
1- C
18- LG; 10- CS; 4DCP; 3- CP
13- LG; 4- CS; 3DCP; 1- C; 1- CP
6- CS; 6- LG; 3DCP; 2- CP; 1- C
9- LG; 5- DCP; 3CS
11- LG; 3- DCP;
1- CS
9- LG; 2- CP; 2DCP; 1- CS
7- LG; 5- CS; 1CP; 1- DCP
6- LG; 3- CS; 2DCP; 1- CP

Medicina

Doença/Adoecimento

10

14

Medica(lização)/(ção)/
(lizantes)/Médico(s)
Programa(s)

9

14

9

14

Modelo
Assistência

9
8

12
12

Fatores
Territóri(o)(al)/(ais)

7
6

10
14

Instituição/
Institucional(izados)/(ização)
Risco(s)

6

11

6

9

Recurso(s)
Preven(ção)/(tiva)
Área(s)
Caso (s)
Acolhimento
Desinstitucionalização
Demanda
Corresponsabilidade/
(Cor)responsabilização
Gestante(s)
Matricial
Custo
Indicadores
Vigilância
Humanizadas
Normal
Total

6
5
5
5
4
4
3
3

6
7
6
5
7
4
4
3

2
2
1
1
1
1
1
262

6
5
2
2
2
1
1
423

Transtorno(s)
Vida

20
16

41
25

6- LG; 2- CS; 2DCP
3- CS; 3- LG; 2CP; 1- C
5- LG; 3- CS; 1CP
6- LG; 3- CS
4- LG; 3- CS; 1DCP
4- CS; 3- LG
4- LG; 1- C; 1DCP
5- LG; 1- C
3- CS; 2- LG; 1PT
4- LG; 2- CS
5- CS
4- CS; 1-CP
4- LG; 1- CS
3- LG; 1 CP
4- DCP
3- LG
2- LG; 1- CS
1- CS; 1- LG
2- LG
1- CS
1- CS
1- CS
1- LG
1- LG
138- LG; 71- CS
32- DCP; 15-CP;
6-C
11- LG; 9 CS
8- CS; 5- LG; 3DCP

Filosofia pósestruturalista

Paciente(s)

12

25

Hospita(l)/(is)/(locentricas)

11

15

Medica(lização)/(ção)/
(lizantes)/Médico
Clínic(o)/(a)

9

14

10

13

Doença/Adoecimento

9

14

Loucura

9

10

Ambulatóri(o)/(os)/(ais)/(al)
Depressão
Diagnóstic(a)/(o)
Tratamento
Sintomas
Terapêutico
Manicomiais/
Antimanicomial
Psiquiatria
Reabilitação
Psicofármacos
Normal
Patológico
Total

7
6
6
6
5
5
5

9
13
11
8
8
8
7

4
3
2
1
1
147

5
3
7
1
1
240

Dispositivo(s)

10

13

Discurso(s)/Discursiva(s)
Subjetividade(s)/Subjetivos/
Subjetiva®/(ção)
Diferença(s)

8
6

15
8

4

7

Desconstru(ir)/(ção)
Biopolític(o)/(os)/(a)

2
2

4
3

7- LG; 4-CS; 1CP
5-LG; 3- CS; 2DCP; 1- CP
3- CS; 3- LG; 2CP; 1- C
6- LG; 2- DCP; 1CS
6- LG; 2- CS; 2DCP
4- LG; 3- DCP; 1CS; 1- CP
3-CS; 3- LG; 1- C
5- CS; 1- LG
4- LG; 2- CS
3- CS; 3- LG
3- LG; 2-CS
5- LG
4- DCP; 1-LG
2- CS; 1- C; 1- LG
3- LG
2- CS
1- LG
1- LG
73- LG; 50- CS;
16- DCP; 5- CP;
3- C
6- LG; 3- DCP; 1CS
7- LG; 1- C
3- LG; 3- DCP
2- CP; 1- CS; 1LG
1- LG; 1- DCP
2- DCP

Geografia

Disciplinar(es)
Geneal(ogia)/(ógico)
Biopoder
Fluxos
Total

2
1
1
1
37

2
2
1
1
56

Popula(ção)/(cional)

15

22

(Sócio)Demográfico(s)
Espaço(s)

8
7

15
10

Territóri(o)(al)/(ais)

6

14

Urban(o)/(a)/(os/(as)
Área(s)
(Sócio)econômic(o)/(as)
Migração
Metrópoles
Local(mente)

6
5
4
1
1
5

10
6
4
4
1
5

Residência(s)
Total

4
62

6
97

2-DCP
1- DCP
1- DCP
1- CS
18- LG; 13- DCP;
3- CS; 2- CP; 1- C
13- CS; 1- LG; 1CP
7- CS; 1- LG
4- DCP; 2- LG; 1CS
4- LG; 1- C; 1DCP
5- DCP; 1-CS
4- CS; 1-CP
4- CS
1- CS
1- CS
2- CS; 1- C; 1DCP; 1- LG
2- LG; 1- C; 1-CS
35- CS; 11- DCP;
11- LG; 3- C; 2CP

APÊNDICE E

TABELA 11- LISTA DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS ANALISADAS NO CURRÍCULO LATTES
TÍTULO DA PRODUÇÃO
As Cidades e as Intervenções sobre o
Diverso: contribuições da
Desinstitucionalização Italiana

TIPO DE PRODUÇÃO
Projeto de pesquisa

PRESSUPOSTO
Dispositivo
Clínico-político

O louco e a rua: a clínica em movimento
mais além das fronteiras institucionais

Artigo completo
publicado em periódico

Dispositivo
Clínico-político

DESCRIÇÃO DA OBRA
“Descrição: A pesquisa visa investigar a vida social dos ex-pacientes do Hospital Psiquiátrico
Osservanza, Imola, após o cumprimento da Lei 180 conquistada pela Reforma Psiquiátrica
italiana, que proibe o funcionamento do manicômio, as longas internações em todo o território
italiano. Objetiva refletir os desafios políticos advindos da presença destes agora " cidadãos" no
cotidiano urbano; deseja detectar as práticas de poder sobre a diferença nas metrópoles do
capitalismo contemporâneo. A categoria cidade utilizada na pesquisa afasta-se do sentido de um
espaço simbólico ou funcional a uma natureza humana indiferente às tramas da história. À luz
das contribuições de Michel Foucault e Walter Benjamin, entre outros autores, esta categoria
será utilizada como campo de produção e de confronto de forças, lugar de assujeitamentos,
transgressões, de singulares e múltiplas formas de criação e de lutas. Selecionamos para a
pesquisa intervenção a residência Cá de Vento, primeira moradia criada pela Reforma em Imola,
onde residem 20 moradores, homens e mulheres entre 45 e 70 anos, ex-pacientes do Hospital
Osservanza. A pesquisa pretende ouvir suas histórias sobre a presença polifônica da cidade no
cotidiano da nova morada; deseja destacar, através das suas narrativas, as inquietações e os
projetos destes "cidadãos" na vida urbana. Objetiva também focar a atenção nos desafios
singulares que possam emergir nesta residência aos técnicos de apoio aos moradores; ouvir as
interpelações, descobertas, tensões da desinstitucionalização em curso desencadeadas pelo novo
espaço.”
“Cada louco é, hoje, sua própria nau errante, deslizando invisível, à deriva, pelas ruas, sem porto
de chegada. Um ambulatório, hospital-dia ou internação fazem, às vezes, de ponto de paragem,
mas sem amarragem com a própria vida, que escoa contínua pelos instantes ou, imóvel, congela
a nascente do tempo. Com que bóias, então, sustentar a sua livre navegação pelas vias da cidade?
De que amarras é preciso desfazerem-se os profissionais para, com mãos livres, tecerem os fios
que possam ancorá-lo, ainda que brevemente, à terra urbana? Respostas a essas questões não se
formulam nem nos manuais de atendimento clínico nem nas diretrizes políticas de saúde mental.
Elas inventam-se continuamente na prática cotidiana das equipes envolvidas no trabalho em
saúde mental, diante do desafio que lhes lança cada um daqueles que busca, ou deixa de buscar,
atendimento. Para que essas práticas microscópicas se entrelacem em rede, é necessário
fomentá-las, expandi-las, e, sobretudo, desterritorializá-las, deslocá-las do âmbito restrito dos
serviços de saúde mental, lançando-as no espaço aberto do urbano – o que não significa, como já
ocorreu no passado, uma psiquiatrização do social, mas o assujeitamento, ao social, da
psiquiatria e suas congêneres (Palombini, 1998; p.46). Trata-se de tarefa inadiável, se queremos
que o louco ocupe lugar na cidade, não enquanto doente mental, mas em sua peculiar condição
de sujeito.”

Interferências urbanas: a presença das
cidades nos discursos/práticas de saúde
mental

Dissertação concluída

Dispositivo
Clínico-político

Uma nova clínica na cidade: uma
experiência em saúde mental - práticas
transversalisadas

Projeto de pesquisa

Dispositivo
Clínico-político

Acompanhamento terapêutico: vertigens
da clínica no concreto da cidade.

Artigo completo
publicado em periódico

Dispositivo
Clínico-político

Acompanhamento terapêutico:
dispositivo clínico-político

Artigo completo
publicado em periódico

Dispositivo
Clínico-político

Vertigens de uma psicanálise a céu aberto:
a cidade. Contribuições do
acompanhamento terapêutico à clínica na
reforma psiquiátrica (resumo de tese)

Artigo completo
publicado em periódico

Dispositivo
Clínico-político

“Resumo: Esta pesquisa se propõe a analisar a concepção de território que atravessa os
discursos e práticas em saúde mental a partir do surgimento do modelo de assistência
psicossocial. À luz das questões sobre a construção da assistência ampliada e articulada ao
território que visa promover a inclusão social dos usuários dos dispositivos da reforma
psiquiátrica, proporemos uma interlocução com alguns autores que analisam os sentidos e usos
possíveis do território na atualidade. As diversas formas de apropriação dos territórios, das
cidades que forjam movimentos de resistência e subversão a ordem instituída, nos permite
interferir no processo de reforma psiquiátrica.
“Descrição: Objetivo geral: Estudar as práticas clínicas em Psicologia em serviços públicos na
cidade de Belo Horizonte. Objetivos específicos: - Elaborar um panorama histórico do
desenvolvimento das novas práticas clínicas. - Apurar conceitualmente a noção de clínica
associada a essas novas práticas, em especial o novo que se distingue das ações clássicas da
psicologia clínica. - Identificar as conexões entre essas novas práticas e a vida urbana. Conhecer o ponto de vista dos profissionais envolvidos com essas práticas - Propor alguns
elementos de avaliação dessas práticas tanto do ponto de vista teórico-técnico quanto do éticopolítico.”
“Resumo:Este artigo tem como ponto de partida o percurso de uma experiência desenvolvida
desde 1998 junto ao Instituto de Psicologia da UFRGS, em parceria com serviços de saúde
mental da rede pública, tendo a atividade do acompanhamento terapêutico (AT) como vetor no
contexto da reforma psiquiátrica, o acompanhamento terapêutico torna-se uma função
emblemática da interpenetração das disciplinas psi com o espaço e tempo da cidade. Se
diferentes vertentes da clínica disponibilizam ferramentas conceituais com as quais se constrói a
prática do AT, é do encontro entre acompanhante e acompanhado em meio à cidade e seus jogos
de força que surgem as interpelações que aqui lançamos, em retorno, no campo da clínica, à
psicanálise mesma. Palvra-chaves: Acompanhamento terapêutico, Psicanálise, Cidade, Saúde
mental.”
Considerando que o acompanhamento terapêutico, no contexto da reforma psiquiátrica em curso,
torna-se uma função emblemática da mistura e contágio das disciplinas psi com o espaço e
tempo da cidade, o artigo toma inicialmente como base a noção de dispositivo, tal como a define
Michel Foucault, para abordar os elementos que constituem condição para que o
acompanhamento terapêutico possa operar como dispositivo clínico-político em apoio à
consolidação e colocação em análise do processo da reforma psiquiátrica. Em um segundo
momento propõe como problematização para a clínica do acompanhamento terapêutico, fundada
em Lacan, Winnicott ou Deleuze-Guatarri, sua operação no espaço múltiplo e aberto da cidade,
onde a conflitualidade e o imprevisto inevitavelmente têm lugar.
“Considerando que é esse paradoxo que o acompanhamento terapêutico, ao abrir-se à cidade,
vem habitar, a pesquisa busca identificar as ferramentas conceituais de que se serve o
acompanhamento terapêutico em cada uma de suas vertentes teóricas – referendadas seja em
Lacan, em Winnicott ou em Deleuze e Guattari – e o modo como essas ferramentas possibilitam
à clínica a incorporação do espaço público, por meio de objetos e relações, tanto simbólicos
como materiais, sem fazer uso de uma relação de domínio à parte, que implique segregação com
respeito à sociedade comum.”

A Função Publicizante do
Acompanhamento Terapêutico na Clínica:
o contexto, o texto e o foratexto do AT

Dissertação concluída

Dispositivo
Clínico-político

Educação do lugar: saúde mental e
pedagogias da cidade

Dissertação concluída

Dispositivo
Clínico-político

Práticas transversalizadas da clínica em
saúde mental

Artigo completo
publicado em periódico

Dispositivo
Clínico-político

“Resumo: Esta pesquisa investiga o Acompanhamento terapêutico (AT) como dispositivo
clínico-político e suas implicações na atenção à saúde mental no contexto da Reforma
Psiquiátrica no Brasil. Construímos o trabalho em três momentos: num primeiro traçamos o
contexto em que tem se dado as experiências de AT; num segundo trouxemos à cena os textos
sobre AT e, num terceiro, incluímos o foratexto, ou seja, problematizamos e fizemos interceder
no texto e no contexto as funções que tal dispositivo faz funcionar. O AT surgiu num movimento
de desinstitucionalização da loucura, tomando a cidade como campo de experimentação e
inserindo-se para além dos estabelecimentos de saúde. Realizar uma „clínica sem muros‟,
problematizando a um só tempo a doença mental e sua relação com os espaços urbanos e
interrogando radicalmente as práticas manicomiais. Paradoxalmente, há uma tendência no
campo do AT de institucionalização e privatização da clínica, fazendo do mesmo um
especialismo. Acompanhando o dispositivo em suas variações e em sua articulação com a rede
de saúde mental brasileira, atentamos aos agenciamentos que estabelece com a Psiquiatria, com
a Psicanálise, com as Universidades e com a cidade e os efeitos políticos que tais agenciamentos
produzem. As relações que se estabelecem entre os vetores que compõem o plano da
experimentação clínica do AT, dão visibilidade a algumas funções que o dispositivo AT opera:
função micropolítica, função de transversalização, função rizomática, função deslocalizadora e
analisadora da clínica, função de resistência aos modelos centrípetos e analisadora do
Movimento da Reforma Psiquiátrica brasileira, função de territorialização, função inclusiva e
função de publicização, ou de geração de um plano comum na clínica. O AT comparece como
um mobilizador de forças capazes de consolidar um estatuto público para a clínica.
“Resumo: Este trabalho procura a educação como desafio à saúde, ativação de pensamento,
pelos abalos do fora sobre o território psicossocial estruturado nos serviços de saúde mental.
Trata-se de uma investigação realizada na "zona de fronteira" entre o serviço de atenção
psicossocial e as ruas da cidade, a cultura da cidade, as zonas de resistir e criar nas redes sociais
contemporâneas. Após "fechar" os manicômios e abrir serviços substitutivos, no processo de
inserir pessoas com a vivência de transtorno psíquico em redes de acolhimento em saúde uma
nova pergunta: dessegregar é estender a clínica ou inserir na cidade? Se a esfera da cidade é o
território da política (polis) e das redes sociais, a cidade é desafio de pensamento, desafio de
prática, desafio de estudo para sistematizar um conhecimento que oriente práticas. A aposta no
encontro da saúde com a educação em uma pedagogia da cidade é a aposta na construção de
aprendizagens por encontro, exposições, interações para a emergência de laços sociais. Uma
educação do lugar que não se impõe, uma vez que emerge das forças de resistir e criar.
Destacamos os laços sociais, que produzem um híbrido da atenção em saúde mental e sua
clínica, com a educação e seus enlaces na cultura. Trata-se de situar lugares de acolhimento para
a „alta‟ da clínica em pedagogias da cidade. Pedagogias da cidade, zonas de confiança e
acolhimento, efeitos da tecitura de redes na qual o coletivo e o singular coexistem, configurando
a Educação do Lugar.”
“Relações entre Clínica, Comunidade, Região e Cidade - As entrevistas, neste grande tema,
abordam dois importantes aspectos: uma descrição das particularidades do Distrito Sanitário
onde as profissionais trabalham, e uma discussão sobre o manejo da família, rede de
relacionamentos do paciente, e da cidade, no contexto dos tratamentos.”

Utópicas cidades de nossas andanças:
flânerie e amizade no acompanhamento
terapêutico

Artigo completo
publicado em periódico

Dispositivo
Clínico-político

Coisas que se passam sobre a pele da
cidade: clínica urbana e políticas de
subjetivação no contemporâneo

Projeto de pesquisa

Dispositivo
Clínico-político

Produção de documentário: imagens e
polifonias da desinstitucionalização da
loucura na cidade

Dissertação concluída

Dispositivo
Clínico-político

Multiversas Cidades, tessituras de redes:
acompanhamento terapêutico

Artigo completo
publicado em periódico
(Trata-se de um prefácio
da edição do periódico)

Dispositivo
Clínico-político

“Resumo: Com base na experiência do acompanhamento terapêutico como uma clínica sem
muros, imersa na cidade, o artigo centra-se no tema da cidade nas suas relações com a
subjetividade. Valendo-se das elaborações de Benjamin sobre a flânerie e a idéia da amizade
como política, presente em Foucault e Derrida, o texto assinala a importância, para a consecução
dessa clínica, de se tomar em consideração a cidade como polis, aberta ao encontro com a
diferença e, portanto, território de conflitos e negociação. Assim, a cidade como polis é a utopia
que a clínica do acompanhamento terapêutico busca ativar.
“Descrição: Inspirados em Michel Foucault, elegemos como indagação-eixo para o nosso
trabalho a questão: "o que temos feito de nós mesmos?". Essa é uma questão que roça aquilo que
nos dói, que atravessa nossos corpos e almas, que perpassa nosso tempo e as tramas da malha
urbana, nossa cidade. Assim, saímos às ruas para ouvir histórias de vida, histórias de vidas
anônimas, histórias de vidas infâmes, histórias de uns que se misturam as histórias de outros. A
escuta dessas histórias nos permite a produção de narrativas, que se fazem por imagens e
palavras, e nos permitem conta-las por meio de fotografias, de pequenos filmes, de textos, de
dissertações. Ao compartilharmos essas histórias, percebemos que algo que é vivido como
próprio, como individual, nos enlaça em tantos pontos em comum, nos aproxima, nos liberta de
certas idiossincrasias que nos capturam. Esse é o nosso compromisso ético e político com a
(re)invenção do cuidar e de uma clínica ampliada.”
“Resumo: As transformações que a Reforma Psiquiátrica possibilitou na relação entre a cidade e
a loucura trouxe aos usuários de saúde mental, antes confinados nos manicômios, uma abertura
para a diversidade de relações e acontecimentos no espaço urbano. Ao mesmo tempo, nessa
relação, existe a possibilidade de que a presença antes interdita do louco no espaço urbano possa
ser agente de novos modos de ser e habitar a cidade. O contato do louco com a polis e vice-versa
permite que todos os habitantes possam estar em contato com o estranhamento, proporcionando
um terreno fecundo para irrupção de novas formas de ser, de estar e habitar a cidade. Baseado
nesta relação e nesta mudança de perspectiva desencadeada pela desinstitucionalização da
loucura, surgiu a produção de um documentário que retrata justamente este cenário
contemporâneo, este momento singular no processo da reforma psiquiátrica, em que pessoas
deixam de ocupar o manicômio e habitam a vida comum da cidade. Esta produção, iniciada no
ano de 2008, inspirada na itinerância de Abel, morador de um serviço substitutivo ao
manicômio, e através do depoimento de algumas pessoas que o conheciam, é o balizador desta
dissertação. A partir de pensadores sobre o cinema como Deleuze, Vertov, Benjamin, Comolli,
Lins, Ramos, entre outros, aos quais se soma a análise da produção do documentário "Eu
Conheço o Abel", procurouse elementos para analisar a produção de cinema documental como
agente de transformação do real, e não como retratação do real, como sugerem algumas
correntes da produção de documentários. A partir desta análise, puderam ser estabelecidas
ressonâncias com a ética e a pesquisa em psicologia social.”
“A abertura para estar com o outro, entre traçados de vidas que inventam a geografia citadina,
nos convoca a uma clínica extramuros, sem muros, feita dos acontecimentos que emergem das
andanças pelos espaços e tempos da cidade. A experiência do acompanhamento terapêutico,
quando imbuída dessa direção, faz emergir problemáticas que há muito interessam à psicologia
social no Brasil, envolvendo as relações entre cidade e subjetividade, entre políticas públicas e
redes territoriais de cuidado e entre reforma psiquiátrica e desinstitucionalização da loucura”

Territórios da loucura

Dissertação concluída

Dispositivo
Clínico-político

Arte, loucura e cidade: a invenção de
novos possíveis.

Artigo completo
publicado em periódico

Localização
Geográfica

Consultório de/na rua: desafio para um
cuidado em verso na saúde

Artigo publicado em
periódico completo

Dispositivo
Clínico-político

“Resumo: A loucura desperta ao mesmo tempo medo e fascínio, um espelho pelo avesso que
revela o homem na sua forma mais insólita. Esta pesquisa tem como campo de análise territórios
onde se pode encontrar e conviver com a mesma, tendo como objetivo analisar as mudanças ali
ocorridas durante os últimos anos. Está dividida em três partes que correspondem a três
territórios: a rua, o hospital psiquiátrico e o centro de atenção psicossocial, todos situados na
cidade de Uberaba, interior de Minas Gerais. Valendo-se do contexto histórico, da literatura e da
análise institucional, tratou-se da construção de uma escrita experimental ou cartográfica. As
análises partiram de observações, diálogos, entrevistas e experiências clínicas que favoreceram
uma melhor compreensão das principais transformações ocorridas em cada território; essas
mudanças atravessam diversas esferas, seja política, econômica, cultural, social e ética. Algumas
geraram entraves que interferem até hoje diretamente na representação social, nas formas de
tratamento, no funcionamento e organização desses territórios, nos modos de convivência e nas
práticas daqueles que decidem tratar a loucura. A dissertação termina com um questionamento
ético referente ao papel do profissional que atua hoje na saúde mental, revelando os desafios
permanentes na construção de um território e uma prática clínica a mais horizontal possível.
"RESUMO:
O presente trabalho intenta discutir as possibilidades trazidas pela arte no contexto da
desinstitucionalização da loucura. Propõe-se que tal dispositivo pode ir além de um uso
meramente instrumental e disciplinador, criando novos regimes de visibilidade e de
sociabilidade no cotidiano urbano. Nesse sentido, apresentamos algumas imagens que nos
ajudam a refletir sobre a potência da arte e debatemos algumas ações que estão em curso a partir
do “Projeto Arte e Saúde”. A despeito das dificuldades vivenciadas, observamos que a produção
de encontros derivados dessas experiências aponta para outras formas de lidar com a diferença e
vivenciar a cidade por meio da arte.
“Resumo: Este artigo discute práticas de cuidado do Consultório de/na rua, serviço que se
delineia no Sistema Único de Saúde, destinado à atenção às pessoas em situação de rua. A
intenção é problematizar as estratégias de acolhimento e cuidado em saúde, bem como as
diretrizes ou valores desse trabalho, muitas vezes destoantes entre si, como: as ações
programadas de rastreamento e autoridade moral sobre pessoas com vida na rua e as ações
disruptivas do modelo urbano de cidade saudável e segura, para uma forte inclusão de pessoas
que, por variados motivos, levam esse tipo de vida. Como recurso de análise, estão diários de
campo escritos pelos trabalhadores de um desses consultórios – localizado em Porto Alegre,
Brasil – que, em seu cotidiano, percorrem as ruas e redes de saúde e intersetorial com todas as
suas dificuldades e potências.

APÊNDICE F

TABELA 12- LISTA DOS VOCÁBULOS DO CURRÍCULO LATTES
LEGENDAS:

LG: Localização Geográfica
DCP: Dispositivo Clínico-político
ÁREA DE
CONHECIMENTO
ONDE O
VOCÁBULO É
MAIS COMUM

VOCÁBULOS

Psicologia

Urbanismo

Categorias
sociológicas

QUANTIDADE
DE CITAÇÕES
DO TERMO

Psicologia
Psicossocial
Psicanálise
Total
Urban(o)/(a)
Rua(s)
Tramas
Zona(s)
Malha
Metrópoles
Total

NÚMERO
DE
RESUMOS
QUE
UTILIZAM
O TERMO
4
3
2
9
8
5
2
1
1
1
18

5
4
3
12
11
8
2
3
1
1
26

DISTRIBUIÇÃO
DOS
PRESSUPOSTOS
NOS RESUMOS
QUE UTILIZAM
O VOCÁBULO
4- DCP
2- DCP; 1- LG
2- DCP;
8- DCP; 1- LG;
8- DCP;
4- DCP; 1- LG;
2- DCP
1- DCP
1- DCP
1- DCP
17- DCP; 1- LG;

Família
Sociedade
Social
Cultura
Homens
Mulheres
Econômica
Sociabilidade
Morador(es)

1
1
6
2
1
1
1
1
2

1
1
8
3
1
1
1
1
3

1- DCP
1- DCP
5- DCP; 1 LG
1- DCP; 1- LG
1- DCP
1- DCP
1- LG
1- LG
2- DCP

Saúde Coletiva

Medicina

Filosofia pósestruturalista

Geografia

Total
Reforma
Rede(s)
Atenção
Públic(o)/(a)/(os)
Serviço(s)
Cuida(r)/(do)
Acolhimento
Usuários
Território(s)
Assistência
Total

16
7
7
5
5
4
3
2
2
5
1
41

20
11
10
6
5
5
4
4
2
14
2
63

12- DCP; 4- LG;
7- DCP
7- DCP;
4- DCP; 1- LG;
5- DCP;
4- DCP;
3- DCP
2- DCP
2- DCP
4- DCP; 1- LG
1- DCP
39- DCP; 2- LG

Vida
Hospital
Clínica(S)
Doença/Adoecimento
Loucura
Tratamentos
Corpos
Terapêutico
Manicômi(o)/(ais)
Psiquiatri(a)/(zação)
Total
Dispositivo(s)
Diferença
Agenciamentos
Potência
Subjetividade
Vetor(es)
Assujeitamentos
Arte
Disciplinador
Discursos
Total
Espaço(s)

7
2
11
1
5
2
1
6
4
2
41
4
3
2
2
2
2
2
1
1
1
20
8

11
3
25
1
8
2
1
12
6
3
72
8
3
3
2
2
2
2
4
1
1
28
11

7-DCP;
1- DCP; 1- LG
10- DCP; 1- LG;
1- DCP
4- DCP; 1- LG;
1- DCP; 1- LG
1- DCP
6- DCP
4- DCP
2- DCP
37- DCP; 4- LG;
3- DCP; 1- LG
3- DCP
2- DCP
2- DCP
2- DCP
2- DCP
2- DCP
1- DCP
1- DCP
1-DCP
19- DCP; 1- LG
8- DCP

Urban(o)/(a)
Território(s)
Cartográfica
Lugar
Metrópoles
Região
Total

8
5
1
4
1
1
28

11
14
1
6
1
1
45

8- DCP;
4- DCP; 1- LG
1- LG
4- DCP
1- DCP
1- DCP
26- DCP; 2- LG