Famílias produzidas nos discursos psicológicos: um diálogo com a produção científica
Discente: Larissa Daniela de Almeida Amorim Costa / Orientadora: Profa. Dra. Maria Auxiliadora Teixeira Ribeiro
Dissertação LARISSA_DANIELA_DE_ALMEIDA_AMORIM_COSTA - FAMÍLIAS PRODUZIDAS NOS DISCURSOS PSICOLÓGICOS UM DIÁLOGO.pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
NÍVEL MESTRADO
LARISSA DANIELA DE ALMEIDA AMORIM COSTA
FAMÍLIAS PRODUZIDAS NOS DISCURSOS PSICOLÓGICOS: UM DIÁLOGO
COM A PRODUÇÃO CIENTÍFICA
Maceió
2014
LARISSA DANIELA DE ALMEIDA AMORIM COSTA
FAMÍLIAS PRODUZIDAS NO DISCURSO PSICOLÓGICO: UM DIÁLOGO COM A
PRODUÇÃO CIENTÍFICA
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós Graduação em Psicologia da
Universidade Federal de Alagoas, como
requisito parcial para a obtenção do título de
Mestre em Psicologia.
Orientadora: Profa. Dra. Maria Auxiliadora
Teixeira Ribeiro.
Maceió
2014
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário Responsável: Valter dos Santos Andrade
C837f
Costa, Larissa Daniela de Almeida Amorim.
Famílias produzidas nos discursos psicológicos: um diálogo com a produção
científica / Larissa Daniela de Almeida Amorim Costa. – 2014.
104 f. : il.
Orientadora: Maria Auxiliadora Teixeira Ribeiro.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Maceió, 2014.
Bibliografia: f. 63-67.
Apêndices: f. 68-104.
1. Família – Aspectos psicológicos. 2. Psicologia – Análise do discurso.
3. Discurso psicológico. I. Título.
CDU: 159.9
AGRADECIMENTOS
Lembrar todos aqueles que fizeram e fazem parte da minha história para registrar na forma de
agradecimentos não é tarefa simples. As palavras fogem para expressar o emaranhado de
sentimentos que vivi nesse período de tanta dedicação e intensidade, o que muitas vezes
significou ausências e distanciamento, daqueles que são tão importantes para mim
Agradeço a Deus pela vida, por permitir minhas conquistas. Por conceder força, foco e fé
quando mais preciso.
A minha filha Sophia, por ter mudado completamente minha vida, reordenado minhas
prioridades. Sou desafiada diariamente a amá-la mais. Sua doce presença tem sido
fundamental para seguir minha jornada. Cabe pedir perdão pelas ausências, dolorosas, mas
essenciais, nessa fase de escrita.
Aos meus pais, Lula e Dorinha, por toda dedicação, amor, carinho e confiança prestados ao
longo da minha vida. Meu pai por todas as vezes que apostou nas minhas certezas e
incertezas, ainda que “os estudos” (como ele fala) não tenha sido sua escolha, sonhou e sonha
ter uma filha doutora e, esse é mais um degrau. Minha mãe com sua corujice desmedida
dedicou-se a nós. Seus cuidados com minha princesa foi fundamental para tornar possível a
conclusão desse trabalho.
Ao meu esposo, Alex, meu grande incentivador. Por sua companhia diária, pela reciprocidade
do amor e carinho, pela filha que ganhamos durante o meu mestrado e o seu doutorado. Suas
palavras e presença, nos momentos mais difíceis, foram fundamentais.
Às minhas irmãs, Luana e Lisandra, pelo apoio, presença e amizade que nos une. Por terem
também contribuído, mimando a Sophia, e assim tornasse possível estudar na UFAL.
Aos meus cunhados Lilyan e Régio pela amizade, encontros e risadas.
Aos cunhados Victor e Manu, pela torcida por minhas conquistas.
Ao meu sobrinho Pietro por sua doçura e amor.
Aos meus sogros por compreenderem as ausências justificadas em virtude dessa fase de
dedicação ao mestrado.
A minha orientadora Xili, por compartilhar suas experiências e conhecimento. Há um
tempinho estamos construindo juntas e só tenho a agradecer suas contribuições e
compreensão. Foi uma honra ser sua primeira orientanda de mestrado.
Às minhas amigas Carol, Stephane e Scheila por terem participado da minha vida, escutado
minhas palavras quando precisei falar ou respeitado meu silêncio. Pela leitura cuidadosa que
fizeram desse texto.
Aos professores Benedito Medrado pelas pontuações no processo de qualificação e, ao
professor Jefferson por estar contribuindo com minha formação desde o primeiro período da
graduação.
Ao professor Jorge Lyra por ter aceito o convite para participar da banca.
Aos meus colegas de graduação e mestrado pelas contribuições e convivência.
A minha família e às amizades construídas ao longo da vida.
Aos autores dos documentos analisados que possibilitaram a construção desse trabalho.
À CAPES pelo financiamento da pesquisa.
“Todo ponto de vista é a vista de um ponto (...)
Isso faz da leitura sempre uma releitura (...) cada
leitor é co-autor (...). Porque compreende e
interpreta a partir do mundo que habita .”
Leonardo Boff
RESUMO
Busca compreender e problematizar a família produzida pelo discurso psicológico, no Brasil,
a partir do posicionamento teórico e metodológico das Práticas Discursivas e Produção de
Sentidos, pautado no Construcionismo Social. A fim de configurar esses discursos, buscamos
a literatura indexada no Banco de teses e dissertação da CAPES e no SciELO utilizando os
descritores “família” e “Psicologia”. Nesse mapeamento, identificamos os campos temáticos e
destacamos para análise a literatura que discute a família como espaço de risco e proteção, as
quais têm interlocução com documentos que normatizam e propõem ações para a família,
colocando-a como objetivo, meio e fim, entre eles: Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA), Programa Nacional de Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à
Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC), Programa Família Acolhedora (PFA), Lei
Orgânica de Assistência Social (LOAS). A partir de uma leitura desnaturalizante, apontamos
eixos discursivos que fazem amarrações e irrupções de posicionamentos críticos e
controversos da Psicologia. Hegemonicamente, considera-se a pobreza facilitadora do
rompimento de vínculos, corroborando a produção de famílias pobres e violadoras. A família
é categorizada, idealizada e normatizada; fala-se de uma estrutura familiar, de arranjos
familiares, das funções maternas e paternas atreladas a um cuidado natural.
Palavras-chave: Psicologia, família, discurso psicológico.
ABSTRACT
From the theoretical and methodological positioning of Constructionism and Discursive
Practices and Production of Meanings, this paper seeks to understand and discuss the family
produced by psychological discourse in Brazil. In order to configure these speeches, we
search for the indexed literature in the Bank of theses and dissertations of Capes and SciELO,
using family and psychology as descriptors. In this mapping, we identified thematic fields,
and highlight the literature that discusses the family as a place of risk and protection, which
have dialogue with documents that standardize and propose actions for the family, placing in
it purpose, middle and end, such as: Statute of Child and Adolescent (ECA), National Plan for
the Promotion, Protection and Defense of the Rights of Children and Adolescents to Family
and Community Life (PNCFC), Cozy Family Program (PAF), Organic Law of Social
Assistance (LOAS). From a denaturing reading, we pointed discursive axes that make
moorings and irruptions of critical and controversial placements of Psychology.
Hegemonically, poverty is considered as a facilitator of the disruption of ties, supporting the
production of poor and violator families. The family is categorized and idealized; there is talk
of a family structure, family arrangements, maternal and paternal functions linked to a natural
care.
Keywords: Psychology, family, psychological discourse.
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1- Fluxo da produção científica (teses e dissertações): Psicologia e Família ...... 35
Gráfico 2- Fluxo da produção científica (artigos): Psicologia e Família .......................... 35
Gráfico 3- Temática (Psico) patologias ............................................................................
37
Gráfico 4- Temática Atuação/Intervenção ........................................................................ 38
Gráfico 5- Temática- Rede/Violação ................................................................................
39
Gráfico 6- Temática – Processos Educativos ...................................................................
40
Gráfico 7- Temática – Gênero/sexualidade ......................................................................
41
Gráfico 8- Temática – Questões Jurídica .......................................................................... 42
Gráfico 9- Temática – Pesquisa com família .................................................................... 43
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – SciELO, Psicologia e Família ........................................................................
33
Quadro 2 – Categorias e quantitativo de publicações .......................................................
36
LISTA DE SIGLAS
CAPS
Centro de Atenção Psicossocial
CREAS
Centro de Referência Especializado de Assistência Social
CT
Conselho Tutelar
ECA
Estatuto da Criança e do Adolescente
ESF
Estratégia Saúde da Família
MDS
Ministério do Desenvolvimento Social
NASF
Núcleo de Apoio à Saúde da Família
PFA
Programa Família Acolhedora
PNCFC
Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e
Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária.
SUS
Sistema Único de Saúde
SUMÁRIO
1.
Introdução................................................................................................................
12
2.
Família, Estado e Discurso Psicológico ................................................................
17
2.1.
Governo das famílias ...............................................................................................
19
2.2.
Para além do DNA: família e pertencimento............................................................
20
2.3.
Políticas na/para a/ da família ..................................................................................
22
3.
Posicionamento Teórico-Conceitual .....................................................................
26
3.1
A centralidade da linguagem e o Construcionismo Social ......................................
26
3.2.
Práticas Discursivas e Produção de Sentidos ...........................................................
28
3.3.
A performatividade do discurso ...............................................................................
28
4.
Percursos Metodológicos .......................................................................................
31
4.1.
Banco de dados como campo-tema ..........................................................................
31
4.1.2 Incursão nos Bancos de Dados .................................................................................
32
O que se fala: a construção de categorias temáticas ................................................
34
4.2.1 Revisitando as categorias .........................................................................................
37
4.2.2 Construção do dispositivo analítico e a visibilidade dos discursos..........................
42
4.2.
5.
Sobre a construção dos eixos discursivos e as produções científicas
analisadas ...............................................................................................................
47
5.1.
O contexto da literatura analisada ............................................................................
47
5.2
Os discursos produzidos pela Psicologia: o que encontramos na literatura .............
48
5.2.1 Família: definições e funções ...................................................................................
48
(Des) estruturação familiar: de que estrutura se fala.................................................
50
5.3.1 Ausência paterna e família matrilinear: família (des) estruturada? .........................
52
5.3.
5.4.
Família: um lugar de risco e proteção ...................................................................... 54
5.5.
“Dar” família a quem precisa? O discurso estatal e a produção da falta familiar
56
6.
Considerações Finais ..............................................................................................
59
Referências ..............................................................................................................
62
Apêndice A ..............................................................................................................
67
Apêndice B ..............................................................................................................
88
12
1. INTRODUÇÃO
O percurso no mestrado levou-me por caminhos diversos à família como interesse de
estudo. Refiro-me a caminhos diversos as reelaborações da pergunta de pesquisa, seja devido
ao processo de amadurecimento ou à imersão no campo-tema. Inicialmente, o interesse era
compreender o ser-mãe/mulher em famílias de vulnerabilidade social, para isso foi necessário
entender o espaço que produz e reproduz formas de estar nessas funções, a família. A
discussão temporal realizada, no primeiro momento dessa pesquisa, remonta para a
construção sociocultural da família e para o interesse estatal em instituí-la aliada, como
estratégia de governo. Essas políticas fundamentadas na família e que objetivam intervir nas
relações familiares, resultaram na produção do discurso da família como lugar de promoção
de cuidado e proteção, mas também de risco (AYRES, 2005; RIBEIRO, 2004; SARTI, 2004).
Como práticas sociais, as disciplinas científicas são reguladas pelo contexto
sóciohistórico, elas possibilitam a emergência de saberes e modos de intervenção sobre o que
consideram relevante tornar “objeto” de estudo. Uma discussão sobre família, a partir da
perspectiva de tempo longo, possibilita compreender a construção, manutenção e atualização
de repertórios. Por tempo longo compreende-se:
(...) o domínio da construção social dos conteúdos culturais que formam os
discursos de uma dada época. Constitui um espaço de acontecimentos
produzidos e interpretados por diferentes domínios de saber. Esses
conhecimentos antecedem a vivência da pessoa, mas se fazem nela presentes
por meio de instituições, modelos, normas (SPINK; MEDRADO, 2004, p.
51).
Os repertórios discursivos são dispositivos linguísticos que utilizamos para construir
versões das ações, é por meio deles que podemos entender tanto a estabilidade como a
dinâmica e variabilidade das produções linguísticas humanas. Esses repertórios são moldados
por contingências sociais, constituem e são constituintes dos campos de conhecimentos, são
presentificados no cotidiano por meio dos aparatos sociais.
Propomos, nessa dissertação, a desnaturalização dos discursos psicológicos que
circulam nas produções científicas analisadas, a desfamiliarização das construções conceituais
sobre família, a problematização do caráter histórico do conhecimento. A historicidade na
construção do conhecimento se constitui como uma forma de questionar a objetividade dos
saberes, considerando que estes são configurados na história da sua produção, nas tradições,
13
nos modos de vida da sociedade e, portanto, não podem ser considerados naturais (MÉLLO,
et. al., 2007, p. 28).
É nesse sentido, que P. Spink (2003, p. 25) afirma: “há campo-temas1 que já foram
declarados psicologicamente relevantes tantas vezes que corremos o risco de assumi-los como
óbvios esquecendo que são construções sociais”.
Enveredamos no convite construcionista de estranhar o que nos é familiar e, nada mais
familiar do que família. A possibilidade de estranhamento é essencial para a desfamiliarização
de noções que foram naturalizadas, problematizamos o caráter performativo das ações, que
em sua repetição compulsiva, criam o efeito-ilusão de essência natural (ÍÑIGUEZ, 2003).
As políticas públicas brasileiras apresentam ações que trazem a família como núcleo
dos programas, trabalham na/para a/ e com a família. Os objetivos apresentam-se de acordo
com a proposta das ações governamentais, mas em linhas gerais buscam promover saúde e o
fortalecimento de vínculos, por vezes esgarçados.
A Psicologia, enquanto ciência produz e é produzida nesse campo. Com a crescente
inserção de psicólogos nos serviços públicos, vemos a necessidade de reformulação dos
conceitos e fundamentações teóricas outrora produzidos para lidar com o sujeito.
No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990, dispõe sobre os
direitos das crianças e adolescentes e, regula a garantia de oferta pela família, Estado e
sociedade. Esse dispositivo legal retira da família uma sacralidade que foi moldada
historicamente, ao dispor sobre a possibilidade de violação e violência intrafamiliar.
A família enquanto grupo requer uma atenção que valorize a complexidade das
relações familiares, por vezes dirimidas em programas e políticas, ainda que nomeadas
enquanto “da” família, cindem-na em suas ações e, direcionam-se para os indivíduos que a
compõe. Trabalhar com famílias exige flexibilidade conceitual e dissolução de valores morais,
porém, ideais normalizadores preenchem o discurso científico e governamental. Adota-se um
referencial a partir da qualidade dos vínculos estabelecidos, dos tipos de apego, dos
1
Para P. Spink estamos no campo-tema durante todo o processo de construção de conhecimento, não é
necessário deslocarmo-nos para um lugar delimitado, que pudesse ser qualificado como campo, pois o
tema apresenta-se diluído no cotidiano. Assim, sempre que conversamos, assistimos, lemos, por
exemplo, estamos em contato com o tema, portanto estamos no campo-tema.
14
comportamentos parentais, da função 2 materna e com isso produz-se uma família ideal 3 .
Todavia, essa família conceitual não corresponde à família real, a família vivida e, com isso
há a produção da ausência, a inadequação. A família que não corresponde à demanda criada,
torna-se sujeito das expressões que a qualificam como “desagregada”, “desestruturada”,
termos esses que performam-na como causadora de desvios e violação, corroborando com as
explicações que buscam dar conta da ação não-virtuosa e das infrações cometidas pelos que
estão sob sua tutela. Já os programas e legislação que almejam o fortalecimento dos vínculos
e reinserção familiar - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Programa Família
Acolhedora (PFA), Lei Nacional da Adoção, Programa Nacional de Proteção e Defesa do
Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC) - buscam
na família a “causa” e a “cura” da violação dos direitos de crianças e adolescentes.
Assim, no cenário social coexistem discursos que reiteram a família como pilar da
sociedade e instituição essencial para a formação do sujeito/cidadão/pessoa e os que destacam
os fatores de risco e violação praticados pelas famílias. Ambos promovem a necessidade de
formulação de políticas públicas que contemplem os arranjos familiares, e promovam ações
sociais na/com e para a família. As Psicologias com suas teorias embasam políticas e ações
para a família e por meio da socialização e “apropriação” dos seus repertórios produzem
famílias ao falar sobre ela. Buscamos identificar e compreender quais Psicologias têm
produzido sobre família? Quais famílias têm sido produzidas? De que família falamos?
Nossa discussão tem como interlocutores a produção científica da Psicologia,
publicada no SciELO e Banco de teses e dissertações da CAPES, as quais norteiam o
desenvolvimento dos objetivos desta pesquisa, que tem como objetivo geral:
•
Compreender quais famílias são performadas nos discursos científicos da Psicologia.
E, como objetivos específicos:
•
Configurar as produções científicas da Psicologia, encontradas no portal SciELO e
Banco de teses e dissertações da CAPES, que foram indexadas com os descritores
família e Psicologia.
2
Dialogamos com o conceito de posicionamento de Davies e Harré (1990, p. 4) que pontua que: “Ao
falar e agir a partir de uma posição as pessoas estão trazendo para a situação particular sua história
como seres subjetivos, ou seja a história de alguém que esteve em múltiplas posições e engajou-se
em diferentes formas de discurso. trazemos nossa história ao falar/agir” .
3
Referimo-nos à família real e ideal por terem sido termos utilizados pela literatura analisada nessa
dissertação.
15
•
Identificar em quais campos temáticos a discussão de família é produzida.
•
Problematizar a produção científica psicológica, que discute família como lugar de
proteção/violação.
Nossa leitura da produção científica da Psicologia buscou a presença de fios que
possibilitem amarrações e pontos de rupturas com os discursos hegemônicos sobre família. A
discussão foi realizada através do diálogo com os autores que compuseram o corpus deste
trabalho e a literatura que discute a temática. Na discussão, destacamos as temáticas, os
interlocutores, os repertórios e a fundamentação teórica que norteiam a produção do
conhecimento psicológico.
No segundo capítulo apresentamos um resgate temporal da construção e
transformações vividas pela família. Assinalamos as reorganizações forjadas no arranjo
familiar que possibilitaram desde a delimitação do espaço doméstico, passando pela
importância conferida à noção de pertencimento atrelada aos aspectos biológicos até as atuais
noções de pertencimento relacionadas ao vínculo. Ainda nesse capítulo, delineamos a
promoção da família como estratégia de governo, assegurada pelo discurso da proteção e
garantia dos direitos da criança e adolescente4.
No terceiro capítulo alegamos os preceitos do referencial teórico e metodológico desse
trabalho, fundamentado no Construcionismo Social e nas Práticas Discursivas. São
apresentadas ainda interlocuções com a teorização foucaultiana e a conceituação de
performatividade austiniana.
No capítulo 4 são apresentados os percursos metodológicos. Dialogamos sobre a com
documentos, descrevemos a incursão realizada nos bancos de dados a qual possibilitou a
construção das categorias temáticas e, a partir dessas, construímos o que nomeamos
dispositivo analítico.
O capítulo cinco refere-se à discussão realizada a partir do diálogo com a literatura
psicológica que compôs o corpus de análise desse trabalho. A partir da leitura questionadora e
inquietante construímos o que nomeamos eixos discursivos: os discursos produzidos pela
Psicologia: o que encontramos na literatura; família: definições e funções; (des) estruturação
4
Ainda que outros atores sujeitos de programas e políticas sociais pudessem ter sido destacados, como
o idoso, a mulher, nos documentos legais e científicos presentificados nessa dissertação, consideram a
garantia da efetividade dos direitos da criança e adolescente.
16
familiar: de que estrutura se fala?; ausência paterna e família matrilinear: família (des)
estruturada?; família: um lugar de risco e proteção.
Nossas considerações, nada finais, são apontadas no capítulo 7.
17
2. FAMÍLIA, ESTADO E DISCURSO PSICOLÓGICO
A família configurou-se, até o século XV, segundo a historiografia realizada por Ariès
(1981), enquanto realidade moral e social. Devido às modificações nas relações dos adultos
com as crianças, ocorridas no século XVIII, as quais Ariès chama de “paparicação”, tem
início a construção da família como a conhecemos hoje. Tarefas, hoje, consideradas naturais
foram construídas ao longo do tempo, como por exemplo a educação dos filhos. As crianças
até o século XVII eram enviadas a casa de outras pessoas, os mestres, na função de aprendizes
para aprenderem ofícios, dentre eles o serviço doméstico. Esse costume Ariès (1981) chama
de circulação de crianças.
A infância começa a ser delineada no século XVIII, com a revalorização das tarefas
educativas e a medicina doméstica. Até o século XVII, a medicina não possuía qualquer
interesse em estudar as crianças nem as mulheres, essas últimas eram consideradas apenas
máquinas de reprodução para a ciência da época. Numa perspectiva prescritiva, a medicina,
fomenta a vigilância familiar em relação aos filhos. Surge o interesse na proteção dessa
infância emergente, fundamentada nos altos índices de mortalidade infantil. Contudo, era em
nome das práticas higienistas de controle de doenças e preservação das crianças que vigorava
essa preocupação, além de ter em vista uma economia social, já que havia um alto gasto do
governo com os menores abandonados (DONZELOT, 2001).
Com o aumento na quantidade de crianças abandonadas, pelas famílias pobres, e de
filhos fora do casamento, o Estado cria um aparato para “limpar” a cidade e manter a ordem
social vigente, a Roda dos Expostos (DONZELOT, 2001; AYRES, 2005).
A Roda tinha como uma de suas principais marcas garantir a manutenção do
anonimato e da moralidade das crianças e das mães, além de preservar a
sociedade dos enjeitados, vistos como desviantes em potencial. Uma
interpretação muito comum consistia em atribuir o abandono a motivos
morais (AYRES, 2005, p.36).
O Estado intervinha em situações, nas quais o pátrio poder não alcançava ou nos casos
de abandono. Através de instituições fechadas como os asilos, orfanatos, Santas Casas de
Misericórdia, oferecia-se proteção ou correção (CARVALHO, 2010; DONZELOT, 2001).
Produz-se daí, a necessidade de cuidar das crianças,
Conservar as crianças significará pôr fim aos malefícios da criadagem,
promover novas condições de educação que, por um lado, possam fazer
frente à nocividade de seus efeitos sobre as crianças que lhes são confiadas
e, por outro lado, fazer com que todos os indivíduos que têm tendência a
entregar seus filhos à solicitude do Estado ou à indústria mortífera das
nutrizes voltem a educá-los (DONZELOT, 2001, p. 21).
18
Devido ao ônus para o Estado com a manutenção desse tipo de acolhimento e aos
protestos de que a existência desse dispositivo fortalecia a manutenção do abandono, houve a
extensão para as camadas populares da promoção do casamento, como estratégia para a
diminuição da responsabilidade estatal.
Nos tratados médicos do séc. XIX, as prescrições assumem um caráter imperativo,
quando é estabelecida a aliança entre a medicina e a mulher. Nessa aliança, foi delegado à
mulher o cuidado para com as crianças e com o marido (ARIÈS, 1981; DONZELOT, 2001;
SARTI; 2004). Através do discurso científico o Estado faz-se presente no ambiente
doméstico.
A figura materna atrelada ao amor incondicional é uma associação que tem sido
forjada ao longo dos tempos. Até o século XVIII as demonstrações de cuidados, como a
amamentação, não estava entre as incumbências maternas; as nutrizes, amas de leite, eram
remunerados para realizar esse ofício (DONZELOT, 2001). Responsável por garantir os
interesses estatais referentes à normalidade e salubridade, os médicos elegem a mulher/mãe
como figura-chave e, com isso é produzido o discurso da naturalidade da função feminina
para cuidar do casamento e da prole, em consequência propala-se o mito do amor materno
(ARIÈS, 1981; DONZELOT, 2001).
Essa nova função não foi prontamente aceita pelas mães de camadas mais pobres, já
que não dispunham de tempo livre para dedicarem-se aos seus filhos, tal recusa era
interpretada pelos médicos como anormal e criminosa, pois poderia acarretar em graves
consequências (CUNHA, 2008).
Com essas transformações graduais, além de um grupo moral e social, surge a
afetividade relacionada à família e, com isso, é criada a necessidade de estar próximo dos
filhos. Essa construção social da família e da infância, não atingiu inicialmente todos os níveis
econômicos, os pobres não tinham o luxo de ter um médico responsável por sua família ou
uma escola para seus filhos. No final do séc. XIX têm início campanhas moralizantes dos
pobres, nas quais o casamento é pregado como estratégia de construção da família, ao colocar
o homem e a mulher sob o mesmo teto, com responsabilidades legais e morais a partir daí.
O conhecimento científico, representado pela medicina doméstica, por meio de ações
normativas incita a família a dedicar-se à educação e vigilância dos filhos, estabelece com a
mulher uma aliança e confere a essa o lugar de cuidadora:
A preocupação dos médicos com os altos índices de mortalidade infantil fez
com que estes direcionassem as campanhas para a formação de um novo
modelo familiar. Neste sentido, aponta-se para a redefinição do papel da
19
mulher, uma vez que, através do discurso da valorização desta, visavam
convencê-la da importância do cuidado permanente e direto com os filhos
(CRUZ; HILLESHEIM; GUARESCHI, 2005, p. 42).
Essa nova preocupação requer alterações significativas no espaço familiar, dentre elas
a necessidade de criação de um espaço privado e de intimidade. Para Donzelot (2001), o
sentimento de família exige um mínimo de segredo. O espaço doméstico é associado à
privacidade e os lugares públicos além de desqualificados, passam a ser identificados como
lugares do perigo, das doenças (COIMBRA; LEITÃO, 2003). Produz-se a família enquanto
lugar de segurança, saúde e afeto, favorecendo o controle estatal e a proteção social
(RIBEIRO, 2004).
A medicina higienista ultrapassa os muros acadêmicos e tem acesso ao ambiente,
privado, familiar através dos discursos sobre educação, saúde e proteção, elegendo a relação
familiar burguesa como objeto de estudo (CUNHA, 2008). É nessa relação que é produzido o
amor entre pais e filhos. Os pais burgueses são capturados pelos discursos dos especialistas, e
recorrem aos saberes científicos para se assegurarem se estão agindo certo ou errado. A
educação higiênica, ordem médica, produz a norma familiar que solicita a presença de
intervenções disciplinares por parte dos agentes de normalização (COSTA, 2004).
2.1. GOVERNO DAS FAMÍLIAS
A formação da família conjugal moderna, burguesa, acarretou no empobrecimento das
famílias das classes populares no século XIX, o que passou a requerer do Estado uma
presença maior através das políticas sociais (RIBEIRO, 2004). Ainda segundo a autora, o
Estado de Bem-Estar social presente no século XX, surge para manter sob controle a
vulnerabilidade social emergente.
Em 1888, junto com a corte real portuguesa, chega ao Brasil os preceitos higienistas
da medicina europeia objetivando moldar as famílias coloniais. Emerge daí o padrão
brasileiro ainda vigente de família ideal, cristã, saudável e normal (AYRES, 2005). Com o
regime republicano de 1889, segundo a autora, é legislado o relacionamento conjugal
higiênico, monogâmico e indissolúvel; apenas os filhos da união, reconhecida civil e
religiosamente são considerados legítimos.
O Código Civil brasileiro de 1916 regulamenta os direitos individuais, de propriedade
e de família. Compreende-a enquanto unidade de produção, a qual possibilitaria a formação e
manutenção dos bens patrimoniais adquiridos com a “sociedade matrimonial”, união que traz
20
consigo o reconhecimento dos filhos legítimos. O código regula ainda o pátrio poder e
mantém o assujeitamento da mulher: a ela é atribuído papel secundário na organização social
e ao homem é delegado o poder de decisão, pátrio poder (CUNHA, 2008). A mulher possuía
funções sociais, mas sob autoridade do cônjuge:
Art. 133Art. 233. O marido é o chefe da sociedade conjugal, função que
exerce com a colaboração da mulher, no interesse comum do casal e dos
filhos (arts. 240, 247 e 251).
Art. 240 - A mulher, com o casamento, assume a condição de companheira,
consorte e colaboradora do marido nos encargos de família, cumprindo-lhe
velar pela direção material e moral desta.
As primeiras modificações jurídicas surgem na década de 1920, as quais se debruçam
sobre a infância pobre e cria as categorias abandono e menor. Os menores tornam-se
preocupação do poder público por destoarem das medidas higiênicas de “limpeza” do espaço
urbano, preventivas de conluios e vadiagem. Para o “bem” dessas crianças abandonadas são
estabelecidos espaços de internação e correção.
O afeto é tido como fator estruturante do núcleo familiar somente no Código Civil de
2002 (SILVA; ROVINSKI, 2012). A família deixa de ser compreendida como núcleo
econômico e reprodutivo, para ser pensada numa dimensão sócio-afetiva, unidade de afeto e
entre-ajuda, cria-se abertura para o surgimento de novos arranjos familiares (FARIAS, 2012).
O empobrecimento populacional e a crescente demanda de ações governamentais, sob a forma
de políticas sociais, aliado à ênfase neoliberal dos anos 1980, contribuem para a falência do
Estado paternalista, nos moldes do Welfare State.
Assim, frente à “deterioração” das condições de vida e dos serviços
prestados pelo Estado, “teoricamente” protetor das classes populares, haveria
um ressurgimento da família, cujas dimensões parecem ampliar-se através de
redes de solidariedade para além dos limites dos laços de parentesco por
sangue ou adoção (GOLDANI, 1994, p. 8).
As políticas sociais “neofamiliaristas”, como nomeadas por Ribeiro (2004), convocam
a família e a comunidade como lugares de proteção social. Com a função de proteger os
grupos/indivíduos que estão sob sua tutela, as políticas sociais têm suas obrigações
comparadas às da família (CARVALHO, 2010).
2.2. PARA ALÉM DO DNA: FAMÍLIA E PERTENCIMENTO
A constituição brasileira de 1988 institui profundas alterações no que se refere à família,
tais como: quebra da chefia conjugal masculina, fim da diferenciação entre filhos legítimos e
ilegítimos, amplia a noção de pertencimento para além dos laços sanguíneos. Fazem parte da
21
família aqueles com quem se pode contar, aqueles em quem se pode confiar, as obrigações
morais recíprocas definem a pertinência ao grupo familiar (SARTI, 2004).
Com o avanço da tecnologia, a conotação natural e biológica de família tem sofrido
importantes modificações, o suporte natural da maternidade e da paternidade tem sido cada
vez mais encapsulado pelo avanço de tecnologias reprodutivas (ROMANELLI, 2004). A
família gradualmente tem se distanciado desse caráter biológico, assumindo feições forjadas
por fenômenos culturais (FARIAS, 2002).
Romanelli (2004) aponta que:
(...) uma das contribuições dos estudos antropológicos sobre família foi
demonstrar seu caráter não natural que repousa em fundamentos biológicos
vinculados à reprodução e ao aleitamento. Contudo, a dimensão biológica é
elaborada culturalmente em todas as sociedades humanas e adquire
significado mediante a construção de normas e modelos que passam a
orientar o conjunto das relações familiares, inclusive na expressão de
vínculos afetivos do par conjugal e entre esse e os filhos (p. 2).
Devido ao fechamento da família em um espaço íntimo, privado, que torna possível
ser vigiada, não é incomum encontrarmos definições que a limitam ao ambiente doméstico.
Amazonas et al (2003) circunscreve o arranjo familiar aos membros da família residentes no
mesmo domicílio.
Para Fonseca (2002) essa é a família nuclear. Ainda que a
consanguinidade não seja apontada como delimitadora desses laços, são empreendidas outras
estratégias de limitação da extensão da família.
Nas famílias pobres a solidariedade apresenta-se como estratégia de sobrevivência. A
mulher conta com uma rede de apoio, da comunidade ou família extensa, no cuidado com os
filhos, já que seu trabalho em muitos lares significa a única fonte de renda familiar. Esse
apoio permite a convivência dos filhos com outras figuras de identificação, o que é
interpretado por Amazonas et al (2003) como indiferenciação entre os espaços público e
privado. Não seria uma conclusão apressada julgar que há uma perda de limites entre a rua e a
casa?
Nesse sentido, Dimenstein (2000) aponta a ingenuidade dos psicólogos em querer
transpor modelos construídos para lidar no âmbito do atendimento privado, com um sujeito,
destaca em especial os padrões pré-estabelecidos de subjetividade: “(...) tais populações são
caracterizadas por um ideário onde a coletividade, as tradições e os costumes, a rede de
22
reciprocidade e de solidariedade condicionam as existências individuais” (DIMENSTEIN,
2000, p. 110).
2.3. POLÍTICAS NA/PARA A/ DA FAMÍLIA
O Estado Moderno produziu um modo de viver individualizante, o qual prima pelo
investimento no modo-indivíduo, uma tecnologia que toma o corpo do indivíduo para cuidar,
esquadrinhando-o a fim de obter conhecimento suficiente para assegurar seu funcionamento
(BARROS; JOSEPHSON, 2005). Ainda arraigados às contribuições cartesianas, divide-se o
objeto no maior número de partes possível para melhor compreender o todo. As ações
governamentais, sob a forma de políticas públicas, reproduzem esse cidadão/sujeito cindido.
São formuladas ações a partir das necessidades apresentadas, consideradas direitos: saúde,
educação, transporte, alimentação (CARVALHO, 1995). Em decorrência disso, a família nas
políticas públicas também é subdividida, as ações são comumente endereçadas a um dos
componentes: adolescente, criança, mulher, idoso - o que tende a simplificar esse sistema de
relações sociais.
Dentre esses aparatos legais, queremos destacar o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), o qual legitima os direitos das crianças e adolescentes e transforma-os
em sujeitos. Nosso interesse reside no discurso de família que é trazido nesse documento, na
contramão das políticas e ações apresentadas até então de consagração da família, esse
documento dispõe sobre a necessidade de proteção e garantia dos direitos das crianças e
adolescentes. Fala-se de uma família “capaz” de violar os seus, retira-se a sacralidade dela, a
qual foi construída historicamente e, ao estabelecer protocolos e diretrizes para ações em
casos de violação - abuso sexual, violência doméstica, negligência, maus tratos - dessacraliza
a família. Regulamenta ainda o Conselho Tutelar, enquanto órgão autônomo e jurisdicional
responsável pelo cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes (BRASIL, 1990).
O ECA ao descrever formas de violação e violência no ambiente doméstico abre
possibilidades para a existência de outro viés na atenção à família, a necessidade de proteção.
Com isso, não negamos a existência de práticas violentas intrafamiliares anteriores ao
Estatuto, reiteramos o caráter performático desse documento, que ao descrever e categorizar
formas de maus-tratos, violência, negligência, produz ações passíveis de serem categorizadas
assim.
O ECA regulamenta o Conselho Tutelar (CT) enquanto órgão responsável pela garantia e
guarda dos direitos, ambos com a finalidade de fixar os indivíduos e famílias em aparelhos de
23
normatização e normalização, ao prescrever e estabelecer diretrizes para ação em casos de
violação de direitos na família. O Conselho Tutelar possui caráter administrativo e não
assistencial, surge como estratégia para operacionalizar essa vigilância, característica da
sociedade disciplinar, discutida por Foucault (2010):
O poder disciplinar é com efeito um poder que, em vez de se apropriar e de
retirar, tem como função maior “adestrar”; ou sem dúvida adestrar para
retirar e se apropriar ainda mais e melhor. Ele não amarra as forças para
reduzi-las; procura ligá-las e utilizá-las num todo (...). A disciplina fabrica
indivíduos (p. 164).
As políticas públicas brasileiras apresentam ações que trazem a família como núcleo
dos programas, trabalham na/para a/ ou com a família e, objetivam transformá-la em espaço
de promoção de saúde e de fortalecimento dos vínculos familiares. São diversas as reiterações
legais que trazem a importância da família: Constituição de 1988, ECA (1990), em 1993 a
LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social) institui oficialmente os programas de atenção à
família no Brasil (JUNQUEIRA; PROENÇA, 2010). No cenário internacional Siqueira e
Dell’aglio (2011) apontam para a existência de campanhas de fortalecimento familiar:
(...) no sentido de incentivar ações de fortalecimento das famílias, através de
uma política de preservação familiar; configuram-se como ações de curto a
médio prazos que apostam no fortalecimento das famílias em crise, em
situação de risco, através do incremento da parentalidade e do
funcionamento familiar, evitando o afastamento desnecessário das crianças
(p.263).
A garantia da convivência familiar proposta pelo ECA é reafirmada no Plano Nacional
de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência
Familiar e Comunitária (PNCFC), formulado em 2006, pelo Ministério do Desenvolvimento
Social (MDS). Esse Plano explica alguns dos preceitos regulamentados pelo Estatuto, dentre
eles a concepção de sujeito que norteia esse documento legal:
A palavra “sujeito” traduz a concepção da criança e do adolescente como
indivíduos autônomos e íntegros, dotados de personalidade e vontade
próprias que, na sua relação com o adulto, não podem ser tratados como
seres passivos, subalternos ou meros “objetos”, devendo participar das
decisões que lhes dizem respeito, sendo ouvidos e considerados em
conformidade com suas capacidades e grau de desenvolvimento (BRASIL,
2006, p. 25).
Os repertórios linguísticos da Psicologia contribuem para a produção de sujeitos de
direitos enquanto indivíduos autônomos, dotados de personalidade e, fundamenta ainda a
relevância em considerar as fases do desenvolvimento. A produção de um sujeito psíquico,
24
possuidor de interioridade que o torna singular é fruto dos conhecimentos psicológicos e das
teorias psicanalíticas (DIMENSTEIN, 2000). A autora destaca algumas estratégias que
facilitaram a promoção da psicologização do cotidiano e da vida social:
A ênfase na privatização e nuclearização da família, na responsabilidade
individual de cada um dos seus membros, a ênfase nos projetos de ascensão
social, na descoberta de si mesmo, na busca da essência e na libertação das
repressões, foram algumas destas estratégias que culminou na promoção de
uma psicologização do cotidiano e da vida social e num esvaziamento
político (p.99).
A família enquanto responsável pela socialização primária é considerada condição sine
qua non para um “bom” desenvolvimento e aquisição de habilidades “normais” para a faixa
etária. O PNCFC postula, referendado nos discursos de especialistas, que:
Nos primeiros anos de vida, a criança faz aquisições importantes,
desenvolvendo comportamentos dos mais simples aos mais complexos –
diferenciação e construção de seu “eu”, desenvolvimento da autonomia, da
socialização, da coordenação motora, linguagem, afeto, pensamento e
cognição, dentre outros. Sua capacidade de explorar e relacionar-se com o
ambiente será gradativamente ampliada. A interação com adultos e outras
crianças e o brincar contribuirão para o processo de socialização, ajudando-a
a perceber os papéis familiares e sociais e as diferenças de gênero, a
compreender e aceitar regras, a controlar sua agressividade, a discernir entre
fantasia e realidade, a cooperar, a competir e a compartilhar, dentre outras
habilidades importantes para o convívio social (p. 26).
O conhecimento psicológico hegemônico circula sob a forma de aconselhamentos e
prescrições sobre normalidade, delimita etapas evolutivas, legitima práticas escolares,
prescreve cuidados e formas de enfrentamento. Os discursos sobre a normalidade da infância
e das relações familiares contribuem para a legitimação do que Cruz, Hillesheim e Guareschi
(2005, p. 44) nomeiam atitudes de exclusão e desqualificação, uma vez que faz recair a
terapêutica sobre o indivíduo desviante, esvaziando discussões quanto aos aspectos sociais
que compõe o desvio.
A vida adquire na modernidade padrões de normalidade e é atribuída uma linearidade
ao desenvolvimento. A subdivisão em períodos, estritamente organizados e regulados por
idade cronológica, permite a produção de saberes sobre essas fases, a partir daí possibilitam a
formulação de estratégias de governo da vida:
Um exemplo típico desse modo de gerir a vida com base em idade, do
individual ao coletivo, são aqueles cartazes comumente afixados em
maternidades e clínicas pediátricas que instruem, quase como uma bula
farmacêutica, as medidas ideais (peso e altura) e os cuidados necessários
com o bebê, nos primeiros meses ou anos de vida, desconsiderando,
25
completamente, características individuais, genéticas,
contextuais do bebê em questão (MEDRADO, 2002, p.21).
familiares
e
Busca-se a todo custo alcançar os critérios estipulados para que haja um curso normal
da vida, sob a ameaça velada do surgimento de patologias, problemas de comportamento,
dentre outras consequências danosas. As explicações psicológicas buscam a etiologia das
violações ou de problemas - distúrbios comportamentais, afetivos ou psíquicos- das crianças e
adolescentes na rede de relações e ambiente doméstico, como os apontados por Milani e
Loureiro (2008) que associa a violência doméstica à: psicopatologia dos pais, discórdia
conjugal, baixa renda familiar e outros eventos de vida, como a experiência de separação e
perda.
A pobreza, desde o ECA, não mais justifica o afastamento da criança ou adolescente
do convívio familiar. Quando esgotadas as possibilidades de manutenção na família, de
origem ou extensa, ou seja, quando ocorrerem violação aos direitos, a criança ou adolescente
deverá ser afastada do convívio familiar (BRASIL, 1990; 2006). O afastamento poderá
resultar na institucionalização ou acolhimento em uma família desconhecida, em pleno século
XXI reinaugura-se a circulação de crianças, sob o rótulo: Programa Família Acolhedora
(PFA). Esse programa representa uma modalidade de atendimento que visa oferecer proteção
integral às crianças e aos adolescentes até que seja possível a reintegração familiar (BRASIL,
2006, p. 41). A (o) criança/adolescente quando afastada(o) da família de origem por medidas
de proteção, são acolhidas por alguma família cadastrada, a qual recebe auxílio financeiro
conforme o tempo de acolhimento. Esse serviço caracteriza-se como um dispositivo
provisório, já que são preconizadas tentativas de retomada dos vínculos, com a família de
origem (BRASIL, 2008).
Assim, a família circula nas ações e políticas públicas como meio e fim. Através das
ações na família são fortalecidos os vínculos, promovida a saúde e a reinserção social. As
ações para a família buscam restaurá-la e torná-la capaz de cuidar daqueles que estão sob sua
tutela, de dirimir e/ou minimizar os riscos possíveis e reais apresentados no espaço
intrafamiliar, seja através de ações sociais, da oferta de auxílio financeiro ou de intervenções
interdisciplinares.
26
3. POSICIONAMENTO TEÓRICO-CONCEITUAL
Nesse capítulo são apresentados os pressupostos do Construcionismo Social e em seguida,
discutiremos o suporte teórico-metodológico das Práticas Discursivas que fundamentam esta
pesquisa.
3.1. A CENTRALIDADE DA LINGUAGEM E O CONSTRUCIONISMO SOCIAL
No século XX, por volta dos anos 1970/1980, as Ciências Sociais e a Filosofia foram
impulsionadas a direcionar seus estudos para a importância da linguagem na construção do
conhecimento; esse movimento ficou conhecido como “Giro Linguístico”, influenciado pela
obra de Richard Rorty (1967). O interesse utilitarista na linguagem predominante era
fundamentando então em uma compreensão representacionista, sendo a linguagem utilizada
enquanto instrumento. Esse movimento questionou sobretudo a (in) eficácia da construção de
uma linguagem formal que explicasse o mundo. A importância conferida à linguagem traz
alterações significativas para as pesquisas em Ciências Humanas e Sociais, ao instaurar
movimentos teóricos de produção do conhecimento a partir de, e na linguagem (IBÁÑEZ,
2004).
Esta dissertação fundamenta-se nos pressupostos do Construcionismo Social, cujo
referencial não está circunscrito ao rol das escolas psicológicas e tampouco se apresenta como
uma teoria, uma vez que não pretende postular verdades a partir de princípios préestabelecidos e inquestionáveis. Caracteriza-se como um movimento, uma postura crítica
diante do mundo (MÉLLO, et al, 2007).
Apesar de relutar em aceitar definições que remetam a uma cristalização da sua
proposta epistemológica, já que propõe o constante estranhamento das “verdades”, aproximase das concepções pós-modernas, ao defender o abandono de grandes verdades fundadas na
modernidade, tais como: a representação do conhecimento, a retórica da verdade, a
neutralidade e endeusamento do conhecimento científico (SPINK, 2004).
Os pressupostos epistemológicos construcionista trazem para o trabalho científico uma
postura desreificante, desnaturalizante e dessencializadora, que radicalizam ao máximo tanto
a natureza do mundo como a historicidade das nossas práticas e da nossa existência
(IÑIGUEZ, 2003). A pesquisa construcionista é um convite a examinar essas convenções e
27
entendê-las como regras socialmente construídas e historicamente localizadas (SPINK;
FREZZA, 2004).
O que falamos ou escrevemos nas diversas funções/posicionamentos que ocupamos
cotidianamente - seja como pesquisadores, clientes, psicólogos- é balizado pelas condições de
possibilidade do contexto, essas condições são discutidas por Foucault (2008),
As condições para que apareça um objeto de discurso, as condições
históricas para que dele se possa "dizer alguma coisa" e para que dele várias
pessoas possam dizer coisas diferentes, as condições para que ele se inscreva
em um domínio de parentesco com outros objetos, para que possa
estabelecer com eles relações de semelhança, de vizinhança, de afastamento,
de diferença, de transformação - essas condições, como se vê, são numerosas
e importantes. Isto significa que não se pode falar de qualquer coisa em
qualquer época; não é fácil dizer alguma coisa nova; não basta abrir os
olhos, prestar atenção, ou tomar consciência, para que novos objetos logo se
iluminem e, na superfície do solo, lancem sua primeira claridade (p. 50).
Falar em contexto significa considerar as condições temporais e culturais nas quais a
fala, enquanto prática social, emerge, permanece ou desaparece. Nesse sentido, não estamos
referindo-nos a uma fala inovadora tampouco sugerimos que ela possa padecer ao longo do
tempo; com a dinamicidade da vida, o modo que falamos e os sentidos que atribuímos são
ressignificados e atualizados. Nesse sentido, as produções acadêmicas e documentos de
domínio público estão sujeitos às condições de possibilidade. Méllo et al (2007) apontam que,
Considerar a linguagem como condição de possibilidade é afirmar seu
caráter atributivo, constituinte, provocador de regularidades e de
descontinuidades, ou seja, ao mesmo tempo em que possibilita a estabilidade
de certos acontecimentos, maneiras de ser ou subjetivações, ethos, saberes e
poderes, também pode se configurar como um campo de resistências e
rupturas (pág. 28).
Nossa compreensão de temporalidade dialoga com a discussão realizada por Spink
(2010), que organiza, didaticamente, o tempo em três períodos: tempo longo (histórico, dos
conteúdos culturais), tempo vivido (das linguagens sociais) e o tempo curto (dos processos
dialógicos).
Esses discursos são atualizados e ressignificados e a linguagem em uso
apresenta-se como dispositivo para isso.
28
3.2. PRÁTICAS DISCURSIVAS E PRODUÇÃO DE SENTIDOS
As práticas discursivas estão relacionadas à linguagem em uso; a análise das práticas
discursivas permite o estudo dos aspectos performáticos da linguagem e das suas condições de
produção.
A compreensão da linguagem como prática social fundamenta-se na perspectiva
bakhtiniana, segundo a qual a linguagem se constitui dialogicamente na interação social,
rejeitando as concepções estruturalistas e essencialistas (RIBEIRO, 2011). Autores que
discutem práticas discursivas e discurso (SPINK, 2004; SPINK 2010; IÑIGUEZ, 2004)
trabalham com a diferenciação entre esses conceitos. O discurso remete ao uso
institucionalizado da linguagem e de sistemas de sinais de tipo linguísticos, os quais são
produzidos por diversos domínios de saber (SPINK; MEDRADO, 2004).
Essa proposta é interessante, porque permite fazer a distinção entre práticas
discursivas – as maneiras pelas quais as pessoas, por meio da linguagem, produzem sentidos e
posicionam-se em relações sociais cotidianas – e o uso institucionalizado da linguagem –
quando falamos a partir de estilos de linguagem, próprios a certos domínios de saber, a
Psicologia, por exemplo (SPINK, 2010).
O estudo dessas práticas discursivas não fica restrito às palavras e frases ou aos
significados que elas possuem, mas volta-se para a compreensão das relações de poder que
perpassam os discursos e suas condições de produção (MÉLLO, et al, 2007). A fala aqui é
compreendida para além da verbalização, inclui o dito, o silêncio, as pausas, o escrito. Sendo
assim, a análise das práticas discursivas pode ter como materialidade tanto conversas como
documentos.
3.3. A PERFORMATIVIDADE DO DISCURSO
O conceito de performatividade tem sua origem nas teorizações de Austin (1971)
sobre linguagem, a qual ele compreende como instrumento que está além de uma descrição
reflexiva do mundo, mas que se compromete com a comunicação (COSTA, 2007). Austin e
os filósofos de Oxford questionaram a supremacia do positivismo lógico nos estudos da
linguagem, romperam com a tradição cartesiana da filosofia da consciência para inaugurar
uma filosofia da linguagem. Acentuam que a linguagem não só fabrica pensamentos, mas
29
também realidades e, com isso, é fundado o estudo pragmático da linguagem, que atenta para
seu uso ordinário (IBAÑEZ, 2004; OTONNI, 2002).
Nesse sentido Iñiguez (2003) afirma que a performatividade não é somente uma ação
linguística, um ato de fala intencional, mas sim uma forma de poder.
La capacidad performativa del lenguaje implica, entre otras cosas, que
nuestras concepciones del mundo no tienen su origen en la realidad objetiva
sino en las variadas interacciones que las personas realizamos cada día, así
como en las que mantuvieron quienes nos antecedieron en el tiempo. Cuando
llegamos al mundo
el entramado, las estructuras y las categorías
conceptuales propios de nuestra cultura ya existen, y es precisamente durante
el desarrollo de nuestra capacidad lingüística, y por medio de ella, cuando
adquirimos estos conceptos socialmente elaborados (2003, p. 4).
Partindo da compreensão de que as práticas cotidianas constroem realidades, a
linguagem é o que nos possibilita operar nessa construção, com isso estamos referindo-nos ao
caráter pragmático da linguagem, proposto por Austin (1971). Opõe-se à compreensão
reducionista que aponta para a função descritiva da linguagem e orienta seus estudos em
direção à compreensão da função produtora: dizer é fazer. O que importa, nessa perspectiva,
não são as palavras atreladas ao significado, mas, sobretudo, os efeitos que produzem.
Ottoni (2002) assinala: “(...) Dito de outro modo, numa versão mais forte da visão
performativa o que vai importar não é o que o enunciado ou as palavras significam, mas as
circunstâncias de sua enunciação, a força que ela tem e o efeito que ela provoca”.
Em Iñiguez (2004) são elencados alguns critérios para a classificação de um texto
enquanto discurso, dentre esses o autor aponta que é necessário ser produzido no marco de
instituições que restrinjam fortemente a própria enunciação. Discute também os tipos de
“falas” que podem ser consideradas discursos e aponta que, para um texto ser considerado
prática discursiva, é necessário apresentar efeitos discursivos. Ainda que não seja intenção
daquele que fala/escreve, o texto reverbera e produz sentidos.
Os repertórios discursivos são dispositivos linguísticos que utilizamos para construir
versões das ações. É por meio deles que podemos entender tanto a estabilidade como a
dinâmica e variabilidade das produções linguísticas humanas (SPINK; MEDRADO, 2004, p.
48).
Spink (2011) na discussão sobre performatividade aponta para a construção artesanal
da realidade, por meio das práticas e ferramentas disponíveis. Compreendemos que
30
esquadrinhar os discursos institucionalizados, possibilita identificar essas forças que
produzem as condições de possibilidade para a emergência de conceitos e categorias. Assim,
esta pesquisa em consonância com esses direcionamentos teóricos e metodológicos, pretende
analisar
a
família
produzida
pelos
discursos
psicológicos.
31
4. PERCURSOS METODOLÓGICOS
Adotamos a pesquisa com documentos como metodologia para a análise e discussões
nesta dissertação. A seguir, discutiremos sobre a aproximação e incursão nos bancos de dados
atreladas à concepção de campo-tema.
4.1.BANCO DE DADOS COMO CAMPO-TEMA
Peter Spink (2003) discute e problematiza a histórica relação presente nas pesquisas
em Psicologia Social, entre pesquisar e estar em/no campo. O autor propõe a reformulação
dessa associação e aponta que estar no campo está associado à presentificação do tema em
nossas vidas, no cotidiano de quem pesquisa. Não é necessário uma saída para um
determinado lugar para fazer pesquisa, já que esse lugar não é transcendente, ele está em nós.
Quando falamos sobre, quando lemos um texto ou escutamos alguma notícia midiática
estamos nesse campo-tema que,
(...) não é um universo “distante”, “separado”, “não relacionado”, “um
universo empírico” ou um “lugar para fazer observações”. Todas estas
expressões não somente naturalizam mas também escondem o campo;
distanciando os pesquisadores das questões do dia a dia. Podemos, sim,
negociar acesso às partes mais densas do campo e em consequência ter um
senso de estar mais presente na sua processualidade. Mas isso não quer dizer
que não estamos no campo em outros momentos; uma posição periférica
pode ser periférica, mas continua sendo uma posição (P. SPINK, p. 28,
2003).
As pesquisas em Psicologia ainda recorrem, em sua maioria, às opções metodológicas
tradicionais como - entrevistas, questionários, grupos, estudo de caso – contudo, têm sido
crescente a escolha da análise de documentos e/ou bibliográficas enquanto estratégia
metodológica. Os documentos como instrumento de pesquisa, sejam eles documentos oficiais,
textos jornalísticos, livros acadêmicos, relatórios, diários, leis, filmes, fotos etc., constituem
fontes importantes do uso de noções que circulam na sociedade (MÉLLO et al, 2007).
O documento público traz a linguagem utilizada em um contexto, espaço-tempo, com
o objetivo de servir a um determinado propósito, seja para favorecer a manutenção de relações
de poder ou para romper com os discursos que favorecem essas práticas. Adotar os bancos de
dados como contexto de análise desses enunciados significa considerá-los como produtores de
discursos possíveis. Longe de ser um conhecimento livremente comunicado, a produção
acadêmica disposta em banco de dados é organizada segundo critérios de verdade, que
conferem validade e produzem realidades.
32
Os documentos, enquanto discurso materializado, possibilitam a conversa com outras
vozes e disciplinas que aparecem no texto, permitem localizar a emergência de um tema e a
sua consolidação no cenário social, na medida em que adquire intensa visibilidade num
determinado momento histórico. A interanimação dialógica dá-se de outra forma, merecendo
destaque dois aspectos: a comunicação é dirigida a um outro genérico e o fluxo de trocas não
é imediatamente recíproco (P. SPINK, 2004). Para o autor:
Os documentos de domínio público são produtos sociais tornados públicos.
Eticamente estão abertos para análise por pertencerem ao espaço público,
por terem sido tornados públicos de uma forma que permite a
responsabilização. Podem refletir as transformações lentas em posições e
posturas institucionais assumidas pelos aparelhos simbólicos que permeiam
o dia-a-dia ou, no âmbito das redes sociais, pelos agrupamentos coletivos
que dão forma ao informal, refletindo o ir e vir de versões circulantes
assumidas ou advogadas ( p.136).
Estivemos no campo-tema durante todo o processo de construção desta dissertação,
devido à presentificação do tema nos diversos textos e contextos nos quais circulamos e os
bancos de dados foram alguns desses espaços.
4.1.2. INCURSÃO NOS BANCOS DE DADOS
A primeira etapa da pesquisa desta dissertação objetivou configurar o panorama das
publicações científicas brasileiras, referente à Psicologia e família. Realizamos um
levantamento no Portal SciELO, por ser o banco de dados que concentra o maior número de
publicações brasileiras e no banco de teses e dissertações da CAPES. No SciELO, utilizamos
como estratégia de pesquisa as palavras Psicologia “and” família - recurso disponível no
banco de dados, a fim de filtrar os artigos que tivessem interlocução com esses dois termosno campo “todos os índices”. Até o mês de dezembro de 2013, havia 390 trabalhos
publicados, os quais pertencem aos mais variados campos de conhecimento e discutem
temáticas diversas.
A partir desse levantamento construímos um quadro geral, o qual
possibilitou uma melhor visibilidade dos trabalhos encontrados, no qual foram destacados:
ano de publicação, temática, área de conhecimento e nome do primeiro autor - para facilitar a
localização da publicação em etapas posteriores. No que diz respeito à área de conhecimento a
qual pertencem os artigos, buscamos neles a formação dos autores. Os artigos nos quais não
havia menção à área de pertencimento ou que citavam apenas a instituição a qual o(s) autor
(es) estão vinculados, buscamos através do nome do primeiro autor, seu currículo Lattes e
listamos a formação.
33
Esse panorama geral está contemplado com o quadro abaixo, no qual apontamos o
quantitativo das publicações no SciELO5:
QUADRO 1 – SciELO, Psicologia e Família
Áreas do conhecimento
Período
1970-
1980-
1990-
2000-
2010-
1979
1989
1999
2010
2013
Diversas
0
0
3
18
18
39
Psicologia
1
2
13
146
120
282
Psicologia
0
0
4
39
26
69
1
2
20
203
164
390
Total
e outra (s)
Total
Fonte: Costa, 2013.
Foram nomeadas áreas diversas e outras áreas: Medicina, Educação, Enfermagem,
Filosofia, Antropologia, Letras, Serviço Social, dentre outras. Vale destacar que o número de
trabalhos, nos quais os autores pertencem à Psicologia e Serviço Social (4) nos surpreendeu,
já que com outros campos do conhecimento essa parceria tem sido maior.
Nas nossas
experiências com pesquisa e estágio acadêmico, em políticas públicas, identificamos uma
relação de parceria e maiores possibilidades de diálogo entre psicólogos e assistentes sociais
na realização das atividades.
Pesquisar é lidar com os imprevistos e intempéries do “campo” e, nossa pesquisa, não
passou ilesa a isso. Desde dezembro de 2013, o Banco de teses e dissertações da CAPES
esteve sofrendo alterações referentes à reformulação e atualização, o que perdurou até meados
de março de 2014. Nas várias tentativas realizadas até março desse ano, foram
disponibilizados os trabalhos publicados em 2012. Ainda que nosso interesse seja alcançar um
“corpus” consistente que tivesse relação com nossa pesquisa, esbarramos no obstáculo tempo.
Enquanto pesquisadores não conseguimos dar conta da dinâmica e processualidade na
produção do conhecimento assim, deparamo-nos com a imprevisibilidade. O Portal da Capes
passou por atualizações desde o final de 2013 e em março foram disponibilizadas 176 teses e
5
Devido as teses e dissertações encontradas na pesquisa, pertencerem somente à Psicologia, não foram
distribuídas nesse quadro geral, nem o quadro 1.
34
dissertações, as quais publicadas em 2012. Nos campos de busca utilizamos os temos: “é
(exato)”, Psicologia – “área de conhecimento”- e família “todos os campos- contém”.
4.2. O QUE SE FALA: A CONSTRUÇÃO DE CATEGORIAS TEMÁTICAS
Atendendo a dois objetivos dessa dissertação, o de configurar a produção acadêmica
psicológica e o de identificar os campos temáticos em que se apresentam a discussão sobre
Psicologia e família, partimos do quadro geral construído nessa primeira etapa e do posterior
afunilamento para as produções realizadas pela Psicologia. Construímos um quadro
(APÊNDICE A) no qual os trabalhos foram classificados e ordenados de acordo com a
temática discutida por eles, identificadas a partir da leitura dos títulos e resumos. Assim,
nomeamos os eixos temáticos construídos:
•
Educação e processos educativos: discutem processos de aprendizagem,
escolarização, ações educativas;
•
(Psico) Patologia: têm como foco a discussão de transtornos psíquicos ou patologias
orgânicas;
•
Gênero/sexualidade: discutem gênero, sexualidade ou função paterna e materna;
•
Assistência/atuação profissional: falam da ação profissional em serviços e
assistência;
•
Rede social/violação de direitos: apontam a família, ou outro dispositivo, como
promotores de suporte e/ou violação de direitos;
•
Questões jurídicas: discutem aparatos legais e mecanismos jurídicos, tais como:
ECA, conselho tutelar, adoção, conflitos com a lei;
•
Estudo teórico/Pesquisa sobre família: trabalhos teóricos que discutem referencial,
revisão bibliográfica e pesquisa sobre família;
•
Outros: referente aos trabalhos que não têm relação com as categorias acima.
Optamos pela sistematização do corpus da pesquisa em intervalos temporais de uma
década, a fim de dar uma maior visibilidade ao fluxo do crescimento da produção científica
no que diz respeito ao nosso tema. O primeiro artigo encontrado foi publicado na década de
70. A sistematização, no quadro temático, e a disposição das pesquisas nas categorias
descritas acima, resultaram nos seguintes gráficos:
35
Gráfico 1: Fluxo da produção científica (artigos): Psicologia e Família
50
(PSICO)PATOLOGIA
40
ATUAÇÃO/ASSISTÊNCIA
EDUCAÇÃO/PROCESSOS
EDUCATIVOS
30
GÊNERO
20
REDE/VIOLAÇÃO
QUESTÕES JURÍDICAS
10
PESQUISA SOBRE FAMÍLIA
OUTROS
0
1970-1979 1980-1989 1990-1999 2000-2009 2010-2013
Fonte: Costa, 2014.
Gráfico 2: Fluxo da produção científica (teses e dissertações): Psicologia e Família6
50
ATUAÇÃO/ASSISTÊNCIA
40
EDUCAÇÃO/PROCESSOS
EDUCATIVOS
GÊNERO
30
REDE/VIOLAÇÃO
20
QUESTÕES JURÍDICAS
10
PESQUISA SOBRE FAMÍLIA
0
OUTROS
1970-19791980-19891990-19992000-20092010-2013
Fonte: Costa, 2014.
O elevado número de publicações na categoria outros, tem relação direta com a
indexação das publicações na base de dados. Ainda que as estratégias tenham sido de buscar
as discussões que mais se aproximam dos objetivos desta pesquisa, o resultado apresentado
6
Não encontramos nenhum trabalho na categoria (Psico) Patologia por isso ela não aparece no gráfico
2.
36
pelos bancos de dados mostrou produções que não têm a mínima relação ou que sequer tem as
palavras Psicologia e/ou Família nos campos: título, palavras-chaves, resumo. Discutem por
exemplo: iniciação esportiva de velejadores, distúrbios da voz entre docentes.
A primeira incursão nos bancos de dados possibilitou uma constatação do panorama
das publicações científicas, já o segundo momento foi direcionado à criação de um arquivo
com as informações necessária da literatura a ser analisada. Porém, chamou nossa atenção a
forma como são classificados e categorizados os trabalhos indexados no SciELO, isso
configurou-se como um limite para a identificação das publicações, já que as palavras
utilizadas na busca não coincidem com os indexadores utilizados nos portais. Utilizando o
nome do primeiro autor, que já tínhamos identificado no primeiro momento, foram listados
trabalhos que poderiam ter interlocução com nossa discussão, porém não foram filtrados
anteriormente por não ter Psicologia e família no título, ou ter apenas uma desses vocábulos
nas palavras-chaves.
Após a reavaliação da classificação dos trabalhos nas categorias e reordenamento
quando necessário, os trabalhos internacionais e aqueles pertencentes à categoria outros foram
eliminados. Com essa revisão o quantitativo de trabalhos na categoria outros diminuiu de 78
para 37 no gráfico 1. Abaixo o quadro referente às categorias e o quantitativo das publicações:
QUADRO 2: Categorias e Quantitativo de publicações
Categorias
Quantitativo
(Psico) Patologia
31
Atuação/intervenção
74
Rede/violação
48
Processos Educativos
32
Gênero/ Sexualidade
72
Questões jurídicas
32
Pesquisa com família
22
Total
311
Fonte: Costa, 2014.
37
4.2.1. REVISITANDO AS CATEGORIAS
Foi realizada uma segunda análise desse panorama geral, a fim de filtrar os discursos
pertinentes à Psicologia. Essa apreciação foi norteada pelo objetivo dessa dissertação de
problematização da produção científica psicológica que discute a família como lugar de
proteção/violação.
Nossa leitura dos gráficos 1 e 2 parte do conceito de incidente crítico, como momentos
de contestação e negociação que culminam com determinadas ações (BERNARDES, 2004).
O boom de publicações em revistas, referente à Psicologia e família, acontece na primeira
década de 2000, como é possível visualizarmos no gráfico 1 período contemporâneo à criação
do Programa Saúde da Família, à Política de Saúde Mental. Enquanto o gráfico 2, relativo à
produção de teses e dissertações apresenta como incidente crítico, a Lei Nacional da Adoção
(2009), o Plano Nacional de Promoção à Convivência Familiar e Comunitária (2006).
A fim de configurar e dar visibilidade às temáticas contempladas pelas produções
científicas da Psicologia, as quais estão agrupadas no quadro temático (APÊNCIDE A),
representamo-las em gráficos temáticos.
Gráfico 3: Temática (Psico) patologias
(Psico) Patologias
Número de publicações
25
20
15
10
5
0
(Psico) Patologias
Saúde
Transtorno
Dependên
s
Mental/Tr
cia
anstornos Alimentare
química
Mentais
s
21
5
5
Doenças
orgânicas
HIV/AIDS
Intervençã
o
cirúrgica/U
TI
6
4
4
Fonte: Costa, 2014.
A categoria (Psico)Patologias possui 45 trabalhos. Nela estão contempladas as
publicações que discutem: saúde mental/transtornos mentais, dependência química, HIV/
38
AIDS, transtornos alimentares, doenças orgânicas, intervenção cirúrgica/UTI. Há uma
predominância de publicações no campo da Saúde Mental/Transtornos Mentais, a leitura dos
títulos e resumos nos indicam discussões sobre etiologia, enfrentamento e terapêutica tanto
dos pacientes quanto dos familiares.
Nomeamos doenças orgânicas as patologias tipo: diabetes, cancro, câncer de mama,
Down. Com isso não queremos instituir uma dicotomia entre as doenças psíquicas,
contempladas na subcategoria Saúde Mental/ Transtornos Mentais e as patologias do corpo,
escolhemos essa distribuição a fim de agrupar as publicações que têm uma relação mais
estreita com a temática. Tal fato também acontece com a subcategoria HIV/AIDS. Na
subcategoria Transtornos Alimentares, é discutido: anorexia e obesidade mórbida.
Gráfico 4: Temática Atuação/Intervenção
Atuação/Intervenção
60
Número de publicações
50
40
30
20
10
0
Atuação/Intervenção
Processo
SUS
Context
Psicologi
Psicoter
Psicologi
s de
(ESF/PSF
o
a
apias
a escolar adoecim
, NASF) Familiar
Jurídica
ento
13
52
3
5
12
4
Outros
7
Fonte: Costa, 2014.
A categoria Atuação/Intervenção concentra 96 publicações as quais abordam práticas
psicológicas. A atuação do psicólogo no SUS, como mostramos nos gráficos 1 e 2, apresenta
um pico de crescimento logo após o ano 2000; esse aumento deve-se às pesquisas
relacionadas à Estratégia Saúde da Família (ESF), Núcleo de Apoio à Saúde da Família
(NASF), Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Residência Multiprofissional. Como
explicamos anteriormente a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos
Programas a ele relacionados, nos ajuda a considerar a regulamentação do Programa Saúde da
39
Família, e seus desdobramentos, como incidentes críticos que impulsionam as publicações
inseridas nessa categoria.
As psicoterapias/grupos terapêuticos representam uma parcela significativa das
produções referentes à atuação. Nomeamos processos de adoecimento as práticas que estão
relacionadas às intervenções cirúrgicas e hospitalização. São contempladas também as
atuações no âmbito jurídico e escolar. A subcategoria contexto familiar, diz respeito aos
trabalhos relacionados à comunicação com a família no hospital ou na atenção à saúde. Em
outros estão publicações que não tiveram relação com as demais subcategorias.
Gráfico 5: Temática- Rede/Violação
Número de publicações
Rede/Violação
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Rede/Violação
Abuso Sexual
Violência
Doméstica
Família e
Sociedade
(Rede)
Adolescentes
em conflitos
com a lei
Outros
8
10
19
4
7
Fonte: Costa, 2014.
A categoria Rede/Violação possui 48 publicações. A partir da leitura dos títulos e
resumos, encontramos aqui as produções científicas que discutem a família enquanto lugar de
rede/proteção. Os trabalhos que relacionam família e sociedade enquanto rede de
apoio/resiliência foram alocados na subcategoria Família e Sociedade (rede), já as pesquisas
que relacionam a família enquanto espaço de violação/abuso foram distribuídos nas
subcategorias violência/doméstica e abuso sexual . Em Adolescentes em conflitos com a lei
40
estão tanto as publicações que relacionam transgressão à família, quanto as que discutem o
comportamento infracional dos adolescentes.
Gráfico 6: Temática – Processos Educativos
Processos Educativos
Número de publicações
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Processos Educativos
Educação
Especial/Incl
usiva
Família e
escola
Função
familiar
Outros
Fracasso/qu
eixa/indisci
plina
escolar
8
7
5
9
3
Fonte: Costa, 2014.
A categoria temática Processos Educativos contém 32 publicações. Na subcategoria
função familiar constam os trabalhos que apresentam as influências familiares em relação à
aprendizagem, que possuem, por exemplo, a temática: pais e incentivos à habilidade de
estudo, problemas de aprendizagem e a família.
Os trabalhos que apresentam no
título/resumo a relação entre família e escola estão agrupados nessa subcategoria. Foi
significativo o número de pesquisa na categoria outros devido à variedade de temáticas que
encontramos, tais como: relação professor-aluno, aprendizagem de jovens e adultos,
representação social da adolescência, atuação da escola frente à violência urbana, dentre
outras. São contempladas também discussões sobre educação especial/inclusiva e
fracasso/queixa/indisciplina escolar.
41
Gráfico 7: Temática – Gênero/sexualidade
Gênero/Sexualidade
Número de publicações
35
30
25
20
15
10
5
0
Gênero/Sexualidade
Violênci
Função
Adolesce
a de
Identida
Materna Conjugal
ntes/Jov gênero/
de de
/da
idade
ens
domésti
gênero
mulher
ca
10
6
30
6
2
Função
Paterna
Outros
8
10
Fonte: Costa, 2014.
A categoria temática Gênero/Sexualidade contém 72 publicações. Merece destaque
as produções que discutem a função materna/da mulher; são títulos que discriminam o lugar
da mãe, as concepções da mulher frente à jornada de trabalho, mulheres chefe de família e
que realizam discussão de gênero, representações sociais sobre maternidade e feminilidade,
dentre outros. Em função paterna estão trabalhos que discutem masculinidade e função
paterna, ambas subcategorias discutem sob a perspectiva de gênero. Adolescentes/jovens diz
respeito às pesquisas que lidam especificamente com essa faixa etária, atrelada à sexualidade,
gravidez e atos infracionais. Encontramos pesquisas que discutem também a temática da
Violência de gênero/doméstica, conjugalidade, identidade de gênero e outras.
42
Gráfico 8: Temática – Questões Jurídica
Número de publicações
Questões Jurídicas
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Psicologia Jurídica
Família
Família/
Adolesc
ECA/Co
Reinser
Acolhed
Divórci
Justiça/
ente
Adoção nselho
ção
Outros ora/Inst
Psicolog
infrator
o
Tutelar
familiar
ituciona
ia
es
lização
3
9
2
3
2
3
6
4
Fonte: Costa, 2014.
A categoria temática Questões Jurídicas agrupa 32 trabalhos. Há predominância das
discussões sobre adoção, em seguida, encontramos discussão sobre processos de
institucionalização e família acolhedoras. Adolescência e comportamento infracional, o
Estatuto da Criança e do Adolescente/Conselho Tutelar, ações da Psicologia no âmbito da
justiça em relação à família. Reinserção familiar e divórcio.
43
Gráfico 9: Temática – Pesquisa sobre família
Pesquisa sobre família
9
8
7
Título do Eixo
6
5
4
3
2
1
0
Pesquisa sbre família
Discussão
temporal
Revisão
teórica
Aspectos
éticos e
teóricos
8
2
3
Família e
Família
adolescên contempo
cia
rânea
4
2
Outros
3
Fonte: Costa, 2014.
A categoria Pesquisa sobre família, contempla 22 publicações, as quais realizam
discussão sobre a construção histórica ou fazem revisão teórica referente à/ao: construção
histórica da maternidade, casamento no século XXI, família em desenvolvimento, saúde da
família e higiene mental, dentre outras. Encontramos também produções que focalizam a
família contemporânea, seja discutindo os novos arranjos familiares ou aspectos éticos e
teóricos das ações e pesquisas com família. Vale ressaltar o destaque dado à relação entre
adolescência (fase do desenvolvimento) e família, nas temáticas contempladas nessa
categoria. Na categoria outros encontram-se trabalhos que discutem: vínculo conjugal,
desenvolvimento emocional e o cuidador, práticas do UNICEF de atenção à família e infância
brasileiras, dentre outros.
4.2.2. CONSTRUÇÃO DO DISPOSITIVO ANALÍTICO E A VISIBILIDADE DOS
DISCURSOS
Com a construção das categorias temáticas foi possível, a partir da leitura dos títulos e
posteriormente dos resumos, identificar as produções científicas que teriam maior relação
com os objetivos desta dissertação. Durante o percurso realizado no mestrado até então,
aproximamo-nos do ECA e do Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de
44
Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC) ambos documentos
compreendem a família como lugar de proteção, ao mesmo tempo instituem diretrizes e
normas para situações em que há violação dos direitos de algum componente familiar, nesses
documentos especificamente as crianças e adolescentes. Sendo assim, selecionamos, para um
segundo nível de análise, duas categorias temáticas - Rede/Violação e Questões Jurídica – as
quais despontaram maior interesse com a discussão estabelecida até então, atendendo nosso
objetivo de problematizar a produção científica da Psicologia, que discute família como lugar
de proteção/violação.
As categorias temáticas selecionadas apresentam o quantitativo de 53 artigos, 24
dissertações e 4 teses. Essas publicações foram analisadas a partir da leitura do resumo/
sessão/ capítulo, o que possibilitou a identificação de uma interlocução com nossos objetivos.
Foram excluídos os textos que estavam relacionados às outras categorias construídas nessa
pesquisa, como Atuação e (Psico) Patologia e aqueles que apresentam a família enquanto
contexto para discussão aprofundada de outras temáticas: ovodoação 7, suicídio, divórcio e
conjugalidade, conceito de resiliência, dependência química. Algumas teses e dissertações,
em especial as da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e da UFES
(Universidade do Espírito Santo) não estavam disponíveis on-line e solicitamos aos autores a
disponibilização dos textos, até a conclusão da análise obtivemos a resposta de cinco autores8.
Assim, após essa etapa contamos com 23 artigos, 14 dissertações e 1 tese.
Nossa aproximação com a literatura deu-se inicialmente pela leitura dos resumos.
Num segundo momento, para uma análise mais ampliada dos textos, foi realizada leitura dos
textos completos, organizando as informações relativas ao documento e ao conteúdo de cada
um deles, num quadro (Dispositivo Analítico: família e discurso psicológico – APÊNDICE B)
adaptado de um outro quadro construído por Medrado et al (2011). Nesse quadro destacamos
os itens considerados na discussão que atendem às questões norteadoras dessa dissertação:
quais Psicologias têm produzido sobre família? Quais famílias têm sido produzidas? De que
família falamos?
No quadro (APÊNDICE B), exemplificado abaixo, destacamos as seguintes
informações dos documentos: fonte (Banco de dados), título do trabalho, autor/a (es), ano,
revista, instituição. No que diz respeito ao conteúdo do texto: temática discutida,
7
Relaciona-se ao programa de doação de óvulos.
Dois autores disponibilizaram as dissertações após a finalização da análise, uma disse que enviaria o
texto quando fizesse as correções e os demais não enviaram resposta.
8
45
expressões/termos (usos de palavras e expressões para caracterizar e adjetivar família), vozes
(autores presentificados no discurso sobre família), interlocutores (pessoas ou instituições e
projetos mencionados), conceitos (que têm relação com família), fundamentação teórica
(campo discursivo que embasa o trabalho).
Exemplo do Quadro analítico:
Sobre o Documento
Fonte
Título
SciEL
O
A
visão
de
família
entre
as
adolesc
entes
que
sofrera
m
violênc
ia
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Nome
(s)
autor
(a/es/
as)
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Claris
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KOL
LER,
Silvia
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Helen
na.
Sobre o Conteúdo
Ano
Ti
po
Revis
ta
Instit
uição
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tica
Expressões/Ter
mos
Conceitos
Inter
locut
ores
Vozes
Fun
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ção
200
0
Art
igo
Estud
.
psicol
.
(Cam
pinas
)
_____
____
Violê
ncia
intraf
amilia
r
Maus
tratos
intrafamiliares/
família
organizada/ pais
autoritários e pais
com autoridade/
família
de
procriação/famíli
a
“pensada”,
família “vivida”,
Sistema
integrado, família
violenta
e
negligente,
estruturação
familiar, segredo
e coesão doentia,
família e cuidado.
Papéis
familiares
(proteção,
socialização,
orientação,
apoio,
etc.)/violência
intrafamiliar/c
onfiguração
familiar (laços
afetivos)/
empobrecimen
to das relações
familiares/
risco
e
proteção/resiliê
ncia/desenvolv
imento
saudável/rede
de
apoio/identida
de.
Meni
nas
instit
ucion
aliza
das.
Berenst
ein
(1988),
Minuch
in
(1982)
(Bronfe
nbrenne
r,
1979/1
996),
(Steinb
erg,
1996),
ECA
(1990),
Szyman
ski
(1994).
Antr
opol
ogia,
Psic
olog
ia
Teor
ia
Ecol
ógic
a) e
Soci
olog
ia.
46
5.
SOBRE A CONSTRUÇÃO DOS EIXOS DISCURSIVOS E AS PRODUÇÕES
CIENTÍFICAS ANALISADAS
Neste capítulo apresentamos a discussão sobre o “contexto” da literatura analisada,
exposta no quadro (APÊNDICE B) intitulada “sobre o documento”, contempla as
informações sobre: fonte, título, nome do autor, revista, ano e a instituição - no caso das
dissertações e teses, também identificamos o Programa de Pós-Graduação ao qual o trabalho
pertence. Em seguida apresentaremos a análise realizada, a partir do que nomeamos eixos
discursivos, os quais estão relacionados às linhas argumentativas utilizadas pelos autores; para
a construção desses, estreitamos o diálogo com as categorias Rede/Violação e Questões
Jurídica através da leitura das publicações na íntegra. Foram os seguintes eixos construídos
que balizaram a análise:
•
Família: definições e funções;
•
(Des)Estruturação familiar: de que estrutura se fala?;
o Ausência paterna e família matrilinear: família (des) estruturada?;
•
Família: um lugar de risco e proteção;
•
“Dar” família a quem precisa? O discurso estatal e a produção da falta familiar.
Nesses eixos consideramos a linearidade e as divergências emergentes, as quais
apontaram ora para a configuração de um discurso hegemônico e consonante sobre família ora
para a formatação de pontos divergentes, delineados com criticidade.
5.1. O CONTEXTO DA LITERATURA ANALISADA
Os artigos que possuem interlocução com as categorias temáticas Rede/Violação e
Questões Jurídicas, foram indexado nestes bancos a partir do ano 2000, a maioria deles em
revistas de Psicologia: Estudos de Psicologia (8), Psicologia em Estudo (5), Psicologia:
Ciência e Profissão (3), Revista de Psicologia (1), Paidéia (1), Fractal: Revista Paulista de
Pediatria (1), Psicologia: Teoria e Pesquisa (1), Revista Psiquiatria Clínica (1), Psicologia:
Reflexão e Crítica (1). São predominantemente pesquisas empíricas, que focalizam em seus
estudos: crianças, adolescentes, famílias e profissionais: psicólogos, assistentes sociais,
professoras, operadores do Direito, conselheiras tutelares.
Alguns trabalhos tiveram como interlocutores, instituições públicas e programas
governamentais: conselhos tutelares, juizados, hospitais. A participação desses órgãos deu-se
47
por meio de encaminhamento para atendimento psicológico9, disponibilização de prontuários,
entrevistas com conselheiros e registros de atendimento - a fim de serem contatadas famílias
atendidas no serviço (ANTONI; KOLLER, 2000; ARAÚJO, 2002; GOMIDE; GUIMARÃES,
2003; MILANI; LOUREIRO, 2008; FERNANDES; ARAGÃO, 2011; TRALLI, 2012). Os
abrigos e CREAS apresentam-se como espaço para a realização de entrevistas e
disponibilização de prontuários (GOMIDE; GUIMARÃES, 2003; AZÔR; VECTORE, 2008;
PINHO, 2012; SOARES, 2012). O ambiente hospitalar e/ou Maternidade foram cenário para
a realização de pesquisas, devido ao vínculo firmado pelos serviços de Psicologia ofertados estágios, clínica escola (BÖING; CREPALDI, 2005; TASSARA; NORTON; MARQUES,
2010). Nas produções que privilegiaram a pesquisa com documentos, os bancos de dados
Medline, Adolec, Pub Med e prontuários, configuraram-se como fontes.
A família, enquanto espaço de proteção/violação de direitos, na literatura analisada é
fundamentada em teorias pertinentes à Psicologia e/ou outras áreas do conhecimento,
principalmente o Direito e a Antropologia. Os referenciais teóricos presentes nas publicações
são: Psicanálise, Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano, Teoria Sistêmica,
Avaliação Psicológica, Psicodinâmica, Teoria das Representações Sociais, Perspectiva
Genealógica, Sociointeracionismo, Psicossociologia, Psicologia Cultural, Sócio Histórica,
Análise Institucional Francesa, Construcionismo Social.
Alguns textos apresentam mais de um referencial teórico, enquanto outros não
especificam ou só fazem referência à fundamentação metodológica, especialmente os autores
que fizeram revisão sistemática ou pesquisa com documentos.
5.2.
OS
DISCURSOS
PRODUZIDOS
PELA
PSICOLOGIA:
O
QUE
ENCONTRAMOS NA LITERATURA.
5.2.1. FAMÍLIA: DEFINIÇÕES E FUNÇÕES
Os gêneros discursivos 10 que circulam através de dispositivos jurídicos, médicos,
psicológicos, religiosos e pedagógicos, trazem consigo características performáticas ao
produzir modelos normativos, normalizadores e prescritivos. O agrupamento familiar não
9
O encaminhamento para atendimento psicológico possibilitou o encontro das
famílias/crianças/adolescentes com os pesquisadores nos serviços para os quais foram direcionados.
10
Bakhtin (2003).
48
escapa a esse jogo de forças e é atravessado por esses saberes (SARTI, 2010; FARIAS, 2002;
PEREIRA, 2012).
A família devido à dinamicidade de sua configuração passa por reorganizações, o que
torna difícil a tentativa de uma delimitação conceitual do que pode ser compreendido por
família. Essa conceituação escapa às buscas academicistas de apreensão e explicação dos
fenômenos estudados. Nas produções científicas analisadas, a definição de família focaliza as
relações entre seus membros, suas funções e organizações, bem como na dificuldade em
defini-la:
A família é vista, portanto, em um ambiente no qual existe uma configuração
de seus membros marcada por relações de proximidade, reciprocidade,
estabilidade e afeto. A família é constituída por pessoas significativas com
as quais possuem relação de apoio e de troca (ANTONI; KOLLER, 2000, p.
353).
A família é uma unidade dinâmica, um grupo social, um espaço de
convivência fundamental ao desenvolvimento dos seus membros; contudo
possui características e funções próprias, que são historicamente
questionadas e redefinidas (NEVES; ROMANELLI, 2006, p. 301).
A função essencial das famílias, independente de suas formas de
organização, é promover o desenvolvimento saudável e a socialização dos
indivíduos em nossa sociedade (PINHO, 2012, p. 107).
(...) esta não se mostra uma tarefa fácil, pois não parece simples cercar o
conceito de família de todas as suas possíveis características definidoras
(LIRA, 2012, p. 37).
Para Bilac (1997), a estabilidade da família, enquanto instituição remanescente às
transformações sociais convive com a variabilidade histórica que põe em jogo conceitos. A
restrição dos laços familiares à consanguinidade e à naturalidade, atreladas ao biológico
produz famílias nomeadas e identificadas a partir daí: famílias biológicas, de origem, natural
(LIRA, 2012; SOARES, 2012, SILVA, 2012) 11. Já os discursos das políticas de incentivo à
reconstituição e reintegração familiar produzem novas categorias: substitutas, adotivas,
reconstituídas.
Na leitura acurada dos textos, a fim de identificar os discursos psicológicos,
deparamo-nos com conceitos como - subjetividade, identidade, personalidade - que produzem
a importância da família como espaço de formação da pessoa, do cidadão.
11
Autores, da literatura analisada, que exemplificam as nomeações destacadas.
49
Lá [na família] são construídos e vivenciados os vínculos essenciais à
formação da personalidade12. A família na nossa sociedade é vista como a
instância encarregada da proteção e provisão afetiva de seus membros
(TRALLI, 2012, p. 38).
A falta da maternidade é encarada, muitas vezes, como uma falha que
invalida a própria identidade da mulher. As mulheres que se recusam à
maternidade – destino biológico e imposto socialmente a toda mulher – são
consideradas exceções e por muitos, anormais (SILVA, 2012, p.31).
A Psicologia configura as condições ideais para a formação de sujeitos saudáveis, com
um arcabouço teórico que institui a existência de características estanques, tais como
personalidade, identidade. Esses conceitos psicológicos, que remetem à interioridade,
contribuem para a produção de sujeitos e famílias, balizada por critérios de normalidade.
Além disso, como afirmam Cruz, Hillesheim e Guareschi (2005), suas prescrições e
aconselhamentos sobre a normalidade das relações familiares, possibilita a legitimação de
atitudes de exclusão e desqualificação.
As teorias desenvolvimentistas 13 planejam um curso linear e padronizado para o
desenvolvimento, delimitado em períodos, possibilitando formas ideais de interação e
socialização do que convencionou-se chamar: infância, adolescência, adultez e velhice. Criase a promessa da prevenção dos desvios de conduta e dos comportamentos desviantes, se
salvaguardadas e seguidas à risca as prescrições científicas. Nas situações em que esse
conhecimento não é presentificado, ou seja, quando não são seguidos os preceitos para um
bom convívio, quando não é ofertada uma boa educação e os pais não dão bons exemplos,
surgem: desvios, infrações, drogadição.
As famílias de crianças vítimas de violência doméstica experimentaram mais
eventos adversos que as sem história de risco psicossocial relatado,
principalmente as adversidades parentais pregressas, que incluíram mais
situações de ausência da mãe, de conflitos recorrentes e brigas entre os pais,
de separação e novo casamento dos pais, de abandono de um dos pais, de
consumo de álcool ou droga ou problema de saúde mental por parte de um
dos pais (MILANI, 2008, p.64).
Vemos assim, que o discurso psicológico encontra terreno fértil para explicações do
tipo causa e efeito, calcadas em fundamentações arraigadas nos conceitos psicológicos e
psicopatológicos. As Teorias do Apego proclamam a necessidade de afeto, como condição
essencial para um desenvolvimento saudável, as más influências dos comportamentos
parentais circulam, nos discursos psicológicos, como prejudiciais para a saúde na/da família.
12
Todos os grifos desse capítulo são meus.
Os textos, em questão, como citamos anteriormente, assinalam referência às fases do Apego – psicanalíticas- à
Teoria Bioecológica, às teorias do Desenvolvimento, importadas.
13
50
Todavia, identificamos discursos divergentes dessa perspectiva, o trabalho de Pereira (2012),
discute o Programa Família Acolhedora e as estratégias de gestão da menoridade realizada
pelas políticas públicas. A autora aponta que:
É essa produção de anormais que justifica as políticas públicas de cunho
correcional. É porque se dispõe de um modelo de família ideal que se faz
necessário intervir nas famílias consideradas errantes (p. 111).
Fernandes e Aragão (2011) apresentam a discussão realizada, a partir de entrevistas
com conselheiras tutelares sobre a relação entre escola e conselho tutelar. Apontam que o
Conselho Tutelar recorre à Psicologia como panaceia:
As conselheiras relataram que encaminham muitos casos de rebeldia e
violência a um psicólogo, buscando, dentro dos precários serviços públicos
de saúde, encontrar um lugar para essas crianças e adolescentes.
Compreendemos esse tipo de atuação como sendo uma solução paliativa e
que gera alívio no cotidiano de trabalho, porém implica uma série de
questões que levam as demandas a serem tratadas de forma individual e
restritas ao campo da psicologia. Ou seja, estabelece um cotidiano esvaziado
politicamente e tornam invisíveis as formas de dominação e exploração. Tais
demandas passam a ser atribuídas ao campo do psiquismo entendido como
próprio da vida interior do sujeito. Com isso, conflitos e demandas são
transformados em patologias (p. 225).
A Psicologia refere-se a uma família com funções instituídas histórica e socialmente.
Atentamos para uma relação de tutela estabelecida a partir das prescrições psicológicas em
relação aos modos de ser/estar em família. As funções familiares encontram-se (pré)definidas
e orientadas por um dever ser característicos dos discursos científicos que contribuem para a
(psico) patologização das relações familiares.
5.3.
(DES) ESTRUTURAÇÃO FAMILIAR: DE QUE ESTRUTURA SE FALA?
Encontramos na literatura analisada, nas seções/capítulos que descrevem a composição
do grupo familiar ou nas definições utilizadas pelos autores, a referência ao grupo familiar
enquanto estrutura:
De que forma certas falhas e excessos que marcam a estrutura familiar
contemporânea poderiam estar contribuindo para a intensificação do
sentimento de desamparo nos sujeitos? (SAVIETTO, 2009, p. 12).
Esse processo de lidar com as crianças fora da estrutura da família nuclear
não figura como escolha, é uma estratégia de sobrevivência (PINHO, 2012,
p. 59).
51
Encontramos algumas produções científicas que rompem com o discurso hegemônico
de estrutura e apresentam outras configurações ao referirem-se à: famílias em rede,
emaranhadas, reais, família vivida (ANTONI, KOLLER, 2000; TASSARA, NORTON,
MARQUES, 2010; COSTA, 2012; SILVA, 2012; SOARES, 2012).
De acordo com o dicionário Aurélio (online) o significado do verbo estruturar é: v.t.
Dar estrutura a; organizar, dispor segundo uma ordem. A família analogamente à concepção
de sujeito de Coimbra e Leitão (2003), está para além de essencialismos, pois é produzida e
produtora, não acabada e apresenta-se em constante movimento. Falar em família estruturada
é aprisioná-la em um conceito estático, maniqueísta, que não dialoga com a plasticidade das
organizações familiares; pensá-las a partir das categorizações estruturada/desestruturada
parece cindir a mutabilidade inerente à organização familiar.
Essa estrutura sofre variações na literatura, nos trabalhos de Campos (2004) e Ribeiro
(2012), por exemplo, culmina com a produção de uma normalização familiar, fala-se em
famílias adequadas. Campos (2004) propõe reflexões junto a uma equipe multiprofissional de
uma Vara da Infância e da Juventude, sobre subjetividade e o estudo psicossocial da adoção.
Nas entrevistas realizadas, há uma inquietação das entrevistadas, em relação ao alcance das
prescrições do ECA quanto aos critérios para a adoção. Nesse sentido o Estatuto propõe no
Art. 29: “Não se deferirá colocação em família substituta a pessoa que revele, por qualquer
modo, incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça ambiente familiar
adequado” (p.5).
Ainda recorrendo ao significado atribuído pelo dicionário Aurélio (online) adequado: adj. Apropriado, adaptado, que corresponde perfeitamente a um objetivo:
expressões adequadas - não tem a intenção de aprisionar os sentidos das palavras e limitá-lo
ao seu significado, mas de refletir sobre o uso institucionalizado delas para refletir sobre os
seus efeitos. Com isso, queremos dizer que a imposição da existência a um ambiente familiar
adequado, “estruturado”, organizado segundo uma ordem, possibilita a produção de famílias
não adequadas.
Eleger uma estrutura, a partir de um modelo pré-concebido de família, tende a (des)
qualificar as famílias vividas, já que essas não são encaixadas nos padrões vigentes. Esses
discursos alegam que essa inadequação, tornar-se-á prejudicial ao desenvolvimento normal
das crianças e adolescentes.
52
Ribeiro (2012) em seu estudo sobre a Representação Social de professores em relação
ao abuso sexual infantil aponta, na análise de conteúdo realizada, que:
(...) entrevistas sugerem que os professores compreendem este abuso como
uma modalidade de violência e o associam a um contexto familiar
considerado promíscuo e incapaz de proteger as crianças, relacionado
principalmente às camadas pobres (p. 93).
Na cartografia realizada por Pereira (2012), do Programa Família Acolhedora, do Rio
de Janeiro, a autora destaca um trecho do Relatório Anual do PFA no qual o documento
aponta como objetivo principal do Programa, desenvolver estratégias que promovam a
reestruturação familiar. Pereira conclui que,
(...) parte-se do princípio de que se trata de famílias desestruturadas e sem
referências morais, ensejando uma perspectiva normatizadora. Acreditamos
que esse desafio de compreender as questões morais locais e repensá-las
eticamente, sem atribuir necessariamente um juízo de valor, seria exercício
permanente no PFA. Não raro, ouvimos de famílias com valores bastante
diferentes dos nossos que aquilo que consideramos um ato de violência é
apenas um modo de educar, de ensinar. No entanto, parâmetros legais
inscrevem tal ato em outro plano, entendendo-o como violação, por exemplo
(p. 62-63).
Essas ações/políticas públicas norteadas por discursos moralistas e normativos de
família nos falam de uma cisão e distanciamento existente entre as produções teóricas e a
prática. Fala-se de uma família que habita os livros, os papéis, que dialoga com as
fundamentações teóricas, contudo essas práticas e políticas não alcançam as famílias vividas,
as famílias reais. Como veremos no próximo eixo discursivo, a estrutura a qual a literatura se
refere é esfacelada pelas famílias “reais” que não mantêm o arcaico padrão nuclear.
5.3.1. AUSÊNCIA PATERNA E FAMÍLIA MATRILINEAR: FAMÍLIA (DES)
ESTRUTURADA?
A literatura analisada faz uma discussão temporal sobre a construção social da família
enquanto grupo circunscrito ao ambiente doméstico, lugar de intimidade e de privacidade,
para isso trazem para o diálogo, as vozes de: Ariès (1973), Donzelot (2001), Costa (2004),
Fonseca (2002; 2005), Sarti (2003, 2007). Ainda que a maioria dos autores faça esse percurso
temporal, ressoam no texto concepções romantizadas e apriorísticas, que indicam a procura
pela família tradicional.
A tradicional família burguesa, enredada por valores patriarcais aparecem distantes das
famílias apresentadas nas produções acadêmicas analisadas. Encontramos famílias
53
matrilineares, como são denominadas, as que são chefiadas por mulheres. A ausência paterna,
física ou simbólica, é destacada e apontada como um dos fatores que contribui para a
fragilização da família. Como assinalado no trabalho de Arpini e Quintana (2003):
(...) elas [as mães] precisam “manter as rédeas”, pois temem que, na
ausência de um “pai”, as filhas e os filhos não venham a respeitá-las e
conhecer as noções de limites necessárias (...) A família monoparental,
matrilinear, coloca a mãe nessa dupla função de mulher mãe e
trabalhadora, de modo que ela passa a exercer parte da tradicional
autoridade masculina para evitar fragilizar ainda mais sua família, uma vez
que não há um homem para prover teto, alimento e respeito, ficando por
conta dela a economia da família ( p. 32).
A permanência das funções tradicionais, ao pai o sustento e à mãe os cuidados, tendem
a idealizar e sobrecarregar a figura materna. A mulher não mais por uma questão de escolha,
mas de garantia de sustento é obrigada a ocupar além das funções maternas, a de trabalhadora,
“dona de casa”, esposa, dentre as outras possíveis funções sociais que podem ser destinadas a
ela.
Com a impossibilidade de manter-se nesses lugares, são construídas parcerias com a
escola, a família extensa e com outros dispositivos que possibilitam a sobrevivência da
família.
Assim,
essas
funções
delimitadas
por
gênero
apresentam-se
obsoletas,
cotidianamente, mas são presentificadas no discurso científico (AMAZONAS et al 2003). As
funções maternas são balizadas por teorias psicológicas, em especial Teorias do
Desenvolvimento Humano e Psicanálise:
A concepção de desenvolvimento apoiada na importância das relações de
apego com a figura materna promove a família o lócus privilegiado para
formação de vínculos e desenvolvimento emocional sadios. Todavia, não
será qualquer família, uma vez que, em geral, supõe-se a estrutura de
família nuclear burguesa como capaz de atender às condições necessárias
ao desenvolvimento de vínculos afetivos considerados “mais consistentes”
(PEREIRA, 2012, p.27).
A mãe é tão fundamental para a constituição da subjetividade quanto o ar
que o bebê respira (GOMES, 2012, p. 216).
A família e, especialmente, a mãe foram historicamente forjadas como responsáveis
pela proteção e cuidado, como já discutimos anteriormente. Contudo, as respostas não têm
correspondido
às
expectativas
delegadas
e
são
produzidos
discursos
governamentais/científicos de culpabilização. Araújo (2002), sobre violência e abuso sexual
na família, apresenta uma compreensão determinista e assistencialista na atuação com
famílias nesse contexto, afirma que “a família precisa de ajuda” (p.8) e a negação e denegação
da violência, chama “cegueira materna”. A autora apresenta um discurso determinista:
54
Mulheres que sofreram abuso sexual na infância tornam-se vulneráveis a
estabelecer relacionamentos com homens abusivos e, são menos capazes de
proteger suas filhas (p. 8).
A temática da violência/abuso sexual também é estudada por Pinho (2012), com
famílias em situação de abuso, atendidas em um Centro de Referência Especializado de
Assistência Social (CREAS). A autora pontua na análise, que as mães/mulheres sentem-se
responsáveis pelas situações de violência, o que em parte é fomentado pelo discurso social:
As mulheres podem ser e são frequentemente responsabilizadas pela
ocorrência de violências contra crianças e adolescentes no âmbito familiar,
por falharem na tarefa de prestar cuidados e proteção a seus filhos e filhas. A
visão tradicional de que as mulheres são responsáveis pelos cuidados com a
família pode fortalecer essa crença de que são culpadas pelas situações de
violência que ocorreram contra essas crianças e adolescentes (p.50).
Além de cuidados a família deve, sobretudo, oferecer proteção. Imanente às funções
do gênero feminino, é forjado o instinto materno de cuidado. Antoni e Koller (2000)
investigaram a compreensão de adolescentes institucionalizadas, em abrigo, decorrente da
existência de maus tratos. As autoras pontuam que:
O desgaste na relação com a mãe, uma das pessoas que deveria estar mais
próxima em sua rede de apoio social e afetivo, coloca a menina numa
situação de vulnerabilidade, isto é, a mãe, que poderia desempenhar o papel
de cuidadora, não o faz (p. 358).
O trecho destacado acima exemplifica as contribuições da Psicologia, para a
naturalização do cuidado materno/familiar e para a sacralização do espaço doméstico. Sarti
(2004) considera que essa naturalização das relações familiares, está relacionada à família por
configurar-se como espaço para acontecimentos vitais ligados ao corpo, dentre esses:
nascimento, amamentação, envelhecimento.
5.4. FAMÍLIA: UM LUGAR DE RISCO E PROTEÇÃO
As temáticas discutidas pela literatura perpassam processos de saúde-doença, violência
e maus tratos cometidos por familiares, Políticas e Programas governamentais, dispositivos
legais/jurídicos, adolescência e infração, tipos de violência. São discutidos e conceituados os
subtipos de violência: abuso sexual, violência doméstica, psicológica e negligência.
São elencadas funções e obrigações, que tornam o grupo familiar lugar de risco e
proteção. A violação dos direitos acontece pelo descumprimento das responsabilidades
instituídas à família. Nesse sentido a literatura analisada, assinala:
55
Quando definimos família, nos referimos à presença de “um outro”
significativo para a criança que a auxilie não só na sua sobrevivência, mas
também na construção de referenciais, de valores, de modelos de
identificação e de trocas afetivas e sociais. Entretanto, nem sempre esses
laços conseguem garantir proteção e vínculos afetivos saudáveis (RIBEIRO,
2012, p.15).
O modo de se organizar da família é um aspecto importante de como ela
conduz o processo de socialização dos seus filhos, transmitindo-lhes valores,
normas e modelos de conduta e orientando-os no sentido de tornarem-se
sujeitos de direitos e deveres no universo doméstico e na esfera pública
(SILVA, 2012, p.34).
Família exerce um papel essencial ao desenvolvimento de crianças e
adolescentes, sendo responsável tanto pela saúde quanto pela patologia
de seus membros, ou seja, entende-se que a família pode ser vista como
fator de risco ou fator de proteção ao desenvolvimento (ZAPPE, 2012,
p.395).
A demarcação das obrigações e funções produz a família enquanto fator de risco,
nefasta ao bom desenvolvimento da prole e passível de controle e vigilância por parte dos
mantenedores da garantia e efetividade dos direitos das crianças e adolescentes. A
caracterização das famílias como negligentes, violentas, fracassadas em suas funções, como
aponta a produção científica, destacada abaixo, possibilita a existência de ações e políticas
direcionadas a elas, a partir dessas considerações:
Questões como abandono, negligência, maus tratos ou quaisquer ameaças ou
violações são consideradas como situações de risco e como expressão do
fracasso das famílias no exercício das funções parentais (SOARES, 2012,
p.15).
(...) Esta visão idealizada da família não permite que estas meninas
enfrentem a realidade de sua família ser violenta e negligente (ANTONI;
KOLLER, 2000, p.374).
A violência circula na literatura analisada enquanto fenômeno democrático, que atinge
indistintamente todos os níveis sociais, porém dentre as possíveis nuances do contexto
familiar que poderiam ser relevadas, destaca-se nos textos analisados, a pobreza. Famílias em
situação de risco, em condição de vulnerabilidade social, família pobres, vítimas dos
abandonos sociais. A ciência, nesse caso a Psicologia, ao pesquisar famílias pobres autoras de
maus-tratos, corrobora com a manutenção e fortalecimento da relação entre violência e
pobreza. Assim, famílias abusivas, negligentes e violentas são performadas.
Além de
responsabilizadas pela violação e maus tratos são consideradas vítimas do abandono social e
expostas à situação de vulnerabilidade:
As famílias que abandonam seus filhos são certamente vítimas dos mesmos
processos de abandono que agora perpetuam em sua prole. Foram também
56
negligenciadas, abusadas física e psicologicamente, desassistidas pela
família e pelo Estado (GOMIDE, 2003, p.44).
São muitos os processos envolvidos na dinâmica de famílias abusivas. Nas
famílias objeto deste relato, dois fatores se destacam: a questão de gênero e
o fator econômico (ARAÚJO, 2002, p. 9).
A pobreza figura, portanto, como um dos fatores que pode estar associado às
complexas e multifacetadas situações de violência (PINHO, 2012, p. 113).
(...) o aspecto socioeconômico não aparece isolado em nenhuma família, mas
reforçado com outros indicadores: maus-tratos, maternidade precoce,
comprometimento psíquico, história de vida dos genitores e número elevado
de filhos, conforme pode ser comprovado pelo perfil apresentado das
famílias (AZÔR; VECTORE, 2008, p. 85).
A violência, em alguns casos, é justificada por seu caráter cíclico, a família sofre,
produz e reproduz comportamentos violentos; a perpetuação desse ciclo ao longo de distintas
gerações, é definida como violência intergeracional:
Crianças que vivem em situação de violência familiar aprendem a usá-la
como forma de vida e têm grande possibilidade de reproduzi-la nos seus
relacionamentos, tanto na condição de criança quanto na de jovem ou adulto
(ARAÚJO 1996 citado por ARAÚJO, 2002, p.4).
Esses discursos que explicam a violência a partir de suas características repetitivas e,
atreladas à pobreza e histórico familiar, tendem a naturalizar e estigmatizar essa relação. O
ECA por meio de preceitos normalizadores e da legitimação da criança e adolescente como
sujeitos de direitos traz a negligência como uma subcategoria dentre as possíveis violências
cometidas pela sociedade e família. Nesse sentido, Pereira (2012) discute a produção de
famílias negligentes, a partir da emergência do conceito de negligência:
(...) se a pobreza não mais justifica a retirada da criança da convivência
familiar, é a negligência, produzida a partir do ECA, que cumpre esse papel
(p.19).
Pereira (2012) problematiza ainda, a diferenciação na adjetivação de fenômenos
idênticos quando pertencentes à classes sociais distintas, o que a autora considera uma forma
de discriminação simbólica. Faz um contraponto comparando termos utilizados para descrever
os mesmos fenômenos: maternidade precoce x maternidade celebrada (assistida), mãe solteira
x produção independente, família mosaico x família desestruturada:
Enquanto nas clínicas privadas, a maternidade assistida é celebrada, nos
postos de saúde encontram-se prioritariamente cartazes sobre controle de
natalidade. Se o comportamento das famílias de classes mais abastadas pode
ser dirigido pelo desejo e poder de escolha, o das famílias pobres parece
determinado pelos instintos; se os diversos casamentos são conhecidos com
57
o simpático nome de “família mosaico” para as famílias ricas, no caso das
pobres recebem o atributo de “desestruturadas”. Se, nas classes médias, uma
mulher pode decidir-se por uma “produção independente”, nas famílias
pobres ganham status de “mãe solteira” (p. 110-111).
Nossas ações e conceitos são construídos a partir das condições de possibilidades.
Nomear algo de ‘x’ e não de ‘y’ institui a existência de ‘x’ e com isso podemos lidar com ‘x’
enquanto ‘x’. Queremos destacar com isso o caráter performativo da fala/discurso. O
surgimento desses conceitos - negligência, maus-tratos - torna possível a existência de
práticas negligentes ou violentas e permite a criação de estratégias e ações que não poderiam
existir anteriormente a essa denominação.
5.5.
“DAR” FAMÍLIA A QUEM PRECISA? O DISCURSO ESTATAL E A
PRODUÇÃO DA FALTA FAMILIAR
O direito à convivência familiar e comunitária, regulamentado no art. 4º do ECA,
norteia práticas que almejam o fortalecimento de vínculos e o resgate desses, trata-se da
produção de estratégias que visam a renovação dos laços afetivos e reordenamento da família
como espaço de proteção. Nos casos em que forem esgotadas as possibilidades de
manutenção na família, segundo o ECA, aciona-se o Programa Família Acolhedora. Vemos
então, a produção da necessidade de restituição de uma falta criada pela própria política, dar
família a quem precisa:
Por ser um grupo privilegiado, capaz de promover transformações e
responsável pelo desenvolvimento de seus membros, as famílias se tornaram
foco de intervenções das Políticas Públicas de Proteção (PINHO, 2012, p.23).
Produz-se através dos discursos científicos e governamentais, a família como lugar de
oferta de cuidados, essencial para o desenvolvimento saudável. A Psicologia serve assim, de
arcabouço teórico para a formulação dessas políticas e programas no Brasil, dentre esses os de
acolhimento:
É notável a recorrência à psicologia como saber científico capaz de dar
respaldo às normativas legais defensoras da convivência familiar,
prioritariamente na família de origem (PEREIRA, 2012, p.23).
O direito à convivência familiar está ancorado em teorias que, priorizam os vínculos
afetivos com os pais, elas postulam também sobre os efeitos nocivos da institucionalização
para o desenvolvimento saudável. Aqui reiteramos a aplicação unilateral dessas políticas e
programas sociais, que direcionam suas estratégias para as famílias em situações de
vulnerabilidade. Ainda que, como apontamos anteriormente, o espaço familiar tenha se
58
configurado como ambiente privado, a necessidade de uma intervenção estatal dirime esse a
tênue linha que os separa. Podemos afirmar, fundamentada nessa análise, que essas
intervenções são formuladas e, comumente realizadas, considerando a deficiência na provisão
de cuidados, como se essa deficiência fosse inerente às condições econômicas e sociais. Nesse
sentido a literatura analisada assinala:
(...) políticas públicas voltadas para a família disseminam um modelo de
cuidado, em consonância com normativas e regulamentações amparadas
pelos saberes “científicos”, os quais elaboram cartilhas, manuais e subsidiam
campanhas cujos modelos educativos em muito se distanciam da realidade
das famílias que pretendem assistir (PEREIRA, 2012, p. 104).
Essa valorização da família aparece incrustada em distintos espaços sociais e
o campo dos documentos legais é um deles (LIRA, 2012, p. 17).
O Estado outrora responsável por abrigar as crianças abandonadas e inseri-las em
orfanatos ou instituições de caridade, agora delega à família e à sociedade a preservação dos
seus filhos. Na contramão do discurso da política, ecoam as vozes de algumas crianças e
adolescentes, participantes dos trabalhos analisados, que tiveram os vínculos familiares
rompidos. Elas falam da rua como lugar de pertencimento e de identificação. As tentativas de
retomada dos laços e retorno ao convívio familiar representam o desejo de quem?
Que escuta fazer dessas famílias que, de uma forma ou de outra —
idealizada ou não, com ressentimento, com saudade ou com desprezo —,
estão inscritas na subjetividade dessas crianças e desses adolescentes? De
que modo intervir no sentido de facilitar o caminho de volta para casa, para o
convívio familiar? Até que ponto se faz possível essa intervenção, no sentido
da volta, e em que momento, mesmo dando continuidade ao
acompanhamento familiar, constatar a inviabilidade do retorno — uma
inviabilidade por nós considerada, na maioria das vezes, momentânea?
(BARROS, 2008, p. 452).
Assim, pontuamos que cabe problematizar a aplicação irrefletida de diretrizes e
protocolos que homogeneízam necessidades e famílias, fundamentados em cientificismos ou
conhecimentos estatísticos. O discurso psicológico, da literatura analisada, apresenta-se ora
moralista e normalizador ora questionador e produtor de novas concepções de famílias. O
trabalho na/ com/para a família requer que sejam desestruturados os padrões ainda vigentes.
Exige de nós, enquanto produtores do conhecimento e profissionais, um diálogo acolhedor,
aberto para esses novos arranjos e promotor das potencialidades da família enquanto grupo,
considerando-a para além dos aspectos biológicos, jurídicos e religiosos.
59
6.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Psicologia tem publicado discussões sobre família atrelada à (Psico) Patologia,
intervenção/atuação,
gênero/sexualidade,
processos
educativos,
questões
jurídicas,
rede/violação e à pesquisa com família. Nossa leitura circulou nesses campos e o interesse
pousou nas discussões sobre as questões jurídicas, rede e violação. Os documentos legais e
programas governamentais, subsidiados pelos discursos jurídico e psicológico, têm produzido
a emergência de famílias negligentes. O ECA, regula sobre a proteção, das crianças e
adolescentes, em relação aos subtipos de violência – negligência, maus tratos, violência
psicológica, abuso sexual, violência doméstica- e as considera situações de risco e violação
de direitos.
O diálogo com a literatura apresentou-se ora conturbado ora deslumbrado com as
contribuições da Psicologia. A produção desse trabalho possibilitou num primeiro momento a
contemplação dos discursos psicológicos proferidos com vistas à problematização posterior.
Vimos a família ter sido utilizada como subterfúgio para explicar os problemas sociais, os
desvios de conduta, vimos sobretudo, a psicologização das relações e características
individuais e familiares, como apontamos na discussão. A Psicologia do Desenvolvimento e
as Teorias do Apego se sobressaem e amarram a família, prescrevendo normas e modos de
dever ser/estar.
Os tradicionais conceitos psicológicos que remetem à características
estanques – personalidade, identidade, estilo parental, vínculo e apego permeiam as falas. Os
problemas sociais, busca-se explicá-los a partir do que é familiar, dos repertórios
psicológicos, o que tende a simplificar os fenômenos e a produzir discursos ancorados em um
terreno seguro (YAMAMOTO, 2010). Apontamos, contudo, para os riscos de uma
simplificação da complexidade das relações familiares a partir de explicações de causa e
efeito, que localizam no espaço doméstico e/ou no sujeito/pessoa/indivíduo a etiologia das
mazelas sociais.
Nesta dissertação foram as políticas, programas e discursos governamentais – PNCFC,
ECA, Programa Família Acolhedora- que lidam com a família enquanto espaço de proteção e
risco que emergiram. Postulam a família enquanto guardiã e violadora, contudo asseguram
antes a convivência familiar que a institucionalização. A importância e necessidade do
convívio familiar, vimos que é uma das contribuições do conhecimento psicológico, que
produz a família enquanto transmissora de valores, responsável pela socialização, lugar de
construção de vínculos.
Todavia, essa salubridade do espaço doméstico, por vezes é
60
ameaçada; nesses casos são acionados os aparatos legais e estatais, para a manutenção da
ordem e da efetividade de garantia dos direitos da criança e adolescentes e dos deveres da
família e sociedade. Como vimos na discussão realizada, o Programa Família Acolhedora
produz a ausência da família – especialmente a afetiva e simbólica- e a restitui
temporariamente, com a inserção da criança/ adolescente em uma família desconhecida. O
Estado apresenta estratégias de manutenção do ambiente familiar, seja por meio do PFA, das
tentativas de reintegração familiar ou da adoção. A família é performada como origem, meio e
fim.
Não foi objetivo, nessa dissertação, defender os benefícios, tampouco apontar os
prejuízos da perpetuação da família como célula social. Os arranjos familiares atuais têm
sobrevivido graças à terceirização das suas funções, institucionalizadas, que já lhes foram tão
distantes e tão peculiares. Alguns autores dentre eles, Sarti (2010) e Amazonas (2003)
interpretam essas estratégias de sobrevivência, típicas de famílias pobres, enquanto
indiferenciação entre público e privado, já que se referem ao auxílio, na educação das
crianças/ adolescentes, conferidos pela vizinhança e família extensa.
Sob o rótulo da pobreza/vulnerabilidade produz-se discursos que transformam e
homogeneízam em uma única categoria: famílias pobres. É simplista discutir sobre a família
que convive com a pobreza e ressaltar apenas o fator econômico, elas sofrem violências físicas e simbólicas- as faltas circulam e produzem necessidades. E, a Ciência aproveita-se,
em nome da pobreza, para proferir conhecimentos massificantes. Não queremos com isso,
conferir à família o lugar de vítima e produto social. Ao contrário, sua plasticidade e manejos
cotidianos têm possibilitado a ressignificação e a busca de formas de enfrentamento para
manter-se enquanto família. Contudo, encontramos discursos que se contrapõem à
homogeneização da família e assinalam suas especificidades e potencialidades. Aproximamonos dessas Psicologias que apresentam rupturas e desnaturalizam as relações familiares.
Trabalhar com família requer a abertura para reflexões, essas negociações ultrapassam
a ressignificação da formação acadêmica em Psicologia, norteada, predominantemente, para o
trabalho com sujeitos, com uma pessoa, com um no singular. Requer um esforço constante de
estranhamento e abertura para o novo. Pesquisar/atuar com família nos obriga a desestruturar
os valores que nos estruturam, exige uma escuta acolhedora, aberta para a multiplicidade do
cotidiano dessas famílias que se modificam hodiernamente. Falar sobre famílias demanda um
afastamento dos moldes, do “dever ser”, daquilo que nos é familiar. Os discursos
61
generalizantes tomados como verdade pouco têm a contribuir no sentido de incitar
transformações sociais e culminam com a produção de famílias desqualificadas e desviantes.
62
REFERÊNCIAS
AMAZONAS, M. C. L. de A. et al . Arranjos familiares de crianças das camadas populares.
Psicol. estud., Maringá , v. 8, n. spe, p.11-20, 2003 .
ARAÚJO, M de F. Violência e abuso sexual na família. Psicol. estud., Maringá , v. 7, n.
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67
APÊNDICE A –
CLASSIFICAÇÃO DO LEVANTAMENTO DAS PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS
BRASILEIRAS REFERENTES À PSICOLOGIA E FAMÍLIA REALIZADO NOS
PORTAIS DO SciELO E CAPES
Os quadros apresentados a seguir foram construídos a partir da primeira etapa do
levantamento, na qual realizamos a leitura dos títulos e resumos e, posteriormente
classificamos as publicações em categorias de acordo com as temáticas identificadas,
apresentamo-las a seguir, agrupadas por cores. A primeira parte de cada categoria do quadro,
refere-se às publicações indexadas no SciELO e a segunda às do Banco de teses e dissertações
da CAPES.
(Psico) Patologia
Atuação
Rede/Violação
Processos Educativos
Gênero
Questões jurídicas
Pesquisa sobre família
Ano
Temática
1987
1992
Esquizofrenia e variáveis familiares
Representação Social – AIDS
2003
2005
Relações de apego de um indivíduo com
depressão maior
Adultos com diabetes e adesão ao
tratamento
Convivendo com um irmão com Down
Psicologia
2005
Depressão na infância
Psicologia
2006
Famílias na rede de saúde mental
Psicologia
2006
Psicologia
2007
Cuidado de pessoas com transtornos
mentais no cotidiano dos familiares
Contexto familiar e problemas de saúde
mental infantil (PSF)
Sobrevivente de cancro
Psicologia
2007
Sintomas depressivos e eventos
Psicologia
2004
2007
Área do
Conhecimento
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Autor(es)
Tekzis, Antônios I.
Souza Filho, Edson
A. de
Azevedo, Celina
Monteiro
Fechio, Juliane
Jellmayer
Petean, Eucia Beatriz
Lopes
Calderaro, Rosana
Simão dos Santos
Romagnoli, Roberta
Carvalho
Dalla Vecchia,
Marcelo
Ferriolli, Silvia
Helena Tortul
Pinto, Cândida
Assunção Santos
Wathier, Josiane
68
2007
2007
2007
2007
2008
2008
2008
2009
2009
2010
estressores em crianças e adolescentes
Prevalência e preditores de sintomas
depressivos após o parto
Avaliação da ocorrência de transtornos
mentais comuns em usuário de um PSF
Avaliação Psicossomática do Câncer de
mama
Pessoas com HIV: fatores de resiliência e
proteção
Alcoolismo:RS elaboradas por alcoolista e
familiares
Discursos dos usuários de um CAPS e de
seus familiares
Crises psicóticas: a fala dos pacientes e
dos familiares
Alterações das funções cognitivas de
alcoolistas
Familiares de pacientes psiquiátricos e
sobrecarga subjetiva
Obesidade mórbida e violência familiar
2013
Trabalho e sofrimento mental
Trabalho de homens com rocha e
sofrimento mental
Impacto do transplante hepático infantil
na família
Tratamento de transtornos mentais na
adolescência
Estudos com adolescentes e adesão ao
tratamento HIV
Anorexia nervosa e transmissão
transgeracional
UTI neo e o corpo
2013
Filhos com pais em UTI
2013
RS do uso e abuso de drogas entre
familiares
Histórias contadas por familiares de exmoradores de hospitais psiquiátricos
2010
2010
2010
2010
2010
2013
2013
Psicologia
Lieberknecht
Costa, Raquel
Psicologia
Bandeira, Marina
Psicologia
Filgueiras, Maria
Stella Tavares
Carvalho, Fernanda
Torres de
Santos, Muriella Sisa
Dantas dos
Cirilo, Lívia Sales
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia (Grupo
Hospitalar)
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Carvalho, Nerícia
Regina de
Rigoni, Maisa dos
Santos
Barroso, Sabrina
Martins
Almeida-Prado,
Maria do Carmo
Cintra de
Pintor, Eliana A. S.
Moulin, Maria das
Graças Barbosa
Anton, Márcia
Camaratta
Nicoletti, Manoela
Guerra, Camila
Peixoto Pessôa
Valdanha, Élide
Dezoti
Barone, Luciana
Rodriguez
Lima, Fernanda de
Azevedo
Medeiros, Katruccy
Tenório
Frazatto, Carina
Furlaneto
Temática
Tipo de
trabalho
Ano
Linha de
Pesquisa/referencial
Autor
Instituiç
ão
Família e
sofrimento
psíquico: um
estudo com
familiares de um
CAPS privado
Profissionais do
PSF e RS do
alcoolismo
Dissertação
2012
Psicologia Social
Discursiva
SILVA,
JULIA
SANTOS
UFPE
Tese
2012
Representações Sociais
UFES
O HIV na terceira
idade
Dissertação
2012
Foucault
SOUZA,
LUIZ
GUSTAVO
SILVA
JARDIM,
LAISE
NAVARRO
UFJF
69
Prevalência de
transtornos
mentais e
comportamentais
e percepção de
suporte familiar
em policiais
(DES)construind
o saberes sobre o
uso de álcool
Dissertação
2012
Exploratóriodescritivo/índice de
prevalência
CASTRO,
MARIA
CRISTINA D
AVILA DE
Dissertação
2012
Saúde Mental/Testagem
CARBONARI
O, FELIPE
AUGUSTO
Transtorno
bipolar:adesão ao
tratamento e
psicoeducação
Reinternação
psiquiátrica no
campo da atenção
Psicossocial
Câncer infantil e
familiar/cuidador
Dissertação
2012
Testagem
(psicodiagnóstico)
MUSSI,
SAMIR
VIDAL
Tese
2012
Atenção Psicossocial
MACHADO,
VANESSA
CRISTINA
USP
Dissertação
2012
Psico-oncologia (discurso
descritivo)
COSTA,
FRANCISCA
FLAVIA
LOUREIRO
Transtornos
alimentares: rede
social e apoio
social
Representações
Psicopatológicas
de autores de
crimes hediondos
no Rorschach
Pacientes
submetidos ao
transplante renal:
significados,
vivências e
qualidade de vida
Figuras parentais,
dinâmica
familiar,
transtornos
alimentares e
obesidade na
adolescência
Crianças com
cardiopatia
Congênita e
qualidade de vida
Dissertação
2012
Análise de conteúdo
temática
LEONIDAS,
CAROLINA
Universi
dade
Católica
Dom
Bosco
USP
Dissertação
2012
Testagem
AZAMBUJA,
SIMONE
PEREIRA DE
OLIVEIRA
PUC-GO
Dissertação
2012
Processos
Psicossocioculturais em
Psicologia da Saúde
PICCOLI,
FLAVIANY
APARECIDA
Universi
dade
Católica
Dom
Bosco
Dissertação
2012
Método construtivoInterpretativo
MUGARTE,
ILCKMANS
BERGMA
TONHA
MOREIRA
Universi
dade
Católica
de
Brasília
Dissertação
2012
Exploratório, descritivo e
transversal
BARROS,
LIZANDRA
ALVARES
FELIX
Estudo da
imagem corporal,
do estresse e
preferências
alimentares de
adolescentes e
Tese
2012
Testagem
REZENDE,
CAMILA
AZENHA
ALVES DE
Universi
dade
Católica
Dom
Bosco
USP
Universi
dade
Federal
de São
João Del
Rei
UEL
70
seus cuidadores
Sobrecarga de
familiares de
pacientes
psiquiátricos e a
influência de
gênero
Ano
Dissertação
2012
Testagem
FELICIO,
CYNTHIA
MARA
Universi
dade
Federal
de São
João Del
Rei
Temática
Área de
Conhecimento
1º Autor
1986
Terapia de família
Psicologia
1998
Avaliação do impacto do PSF
Psicologia
2000
Terapia comportamental com famílias de
crianças agressivas
Práticas de atenção à saúde no contexto
familiar
Psicologia e ética (cuidados paliativos)
Psicologia
Gomes, Heloisa
Szymanski Ribeiro
Trad, Leny Alves
Bonfim
Silvares, Edwiges
Ferreira de Mattos
Oliveira, Maria
Luiza Silva
Castro, Déborah
Azenha de
Cabral, Estela
2000
2001
2001
2003
2004
2004
2004
2005
2005
2005
2006
2006
Psicólogo no serviço público de saúde e
atuação frente à queixa escolar
O olhar da Psicologia: PSF e qualidade de
vida
O cuidar na percepção de pessoas idosas
O psicólogo como facilitador da interação
familiar em UTI neo
Atenção psicossocial em saúde mental
Intervenção psicológica em unidade de
transplante renal
O psicólogo na atenção primária
Novos paradigmas para a prática do
psicólogo escolar
Autismo e intervenção
Psicologia e PSF
2006
Possibilidades de atuação do psicólogo no
PSF
2006
Clínica-escola e características da
população atendida
Grupo psicoterapêutico no CAPS
Intervenção no autismo e Psicologia
desenvolvimentista
O psicólogo na educação e queixa escolar
2006
2007
2008
2008
2008
Não-adesão ao tratamento e auto-cuidado
no contexto do PSF
Residência Multi em Saúde da Família e a
formação de psicólogos
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia, Secretaria
Municipal e Estadual
de Saúde
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Souza, Rafaela Assis
de
Duarte, Camila
Vianna
Valansi, Luciana
Vieira Filho, Nilson
Gomes
Garcia, Maria Lúcia
Pinheiro
Soares, Teresa
Cristina
Andrada, Edla
Grisard Caldeira de
Bosa, Cleonice Alves
França, Ana Carol
Pontes de
Bittencourt, Rosane
Aparecida do
Amaral
Melo, Sandra
Augusta de
Cardoso, Cassandra
Lampreia, Carolina
Inst. de Saúde
(Secretaria Estadual
de Saúde), Psicologia
Psicologia
Braga, Sabrina
Gasparetti
Psicologia
Clemente, Anselmo
Camargo-Borges
71
2008
Psicologia comunitária e PSF
Psicologia
2008
Grupo de reflexão com profissionais do
PSF
Comunicação equipe-família em uma UTI
Psicologia
2008
Psicologia
2009
2009
PSF segundo usuários, gestores e
profissionais
Saúde Mental e apoio matricial na ESF
Limites e avanços da ESF
Psicologia
Psicologia
2009
Análise institucional do PSF
Psicologia
2009
Prática do psicólogo hospitalar e
pensamento sistêmico
Terapia multifamiliar no tratamento da
dependência química
Psicologia e as demandas do direito de
família
Ação da Psicologia: promovendo a saúde
na educação infantil
Desinstitucionalização dos cuidados de
pessoas com transtornos mentais na
atenção básica
Psicoterapia-breve pais-bebês: revisão da
literatura
Intervenção precoce na comunicação paisbebês com deficiência visual
Psicologia e Atenção Básica (PSF)
Psicologia
2008
2009
2009
2009
2009
2009
2009
2009
2009
2009
2010
2010
2010
2010
2010
Cuidado em Saúde Mental por uma equipe
do PSF
Arranjos familiares e implicações à saúde
(profissionais do PSF)
ESF: dispositivos, cartografias, clínicas e
gênero
ESF e práticas em saúde mental
Cuidado em saúde mental na atenção
básica (ESF)
O psicólogo na atenção básica (ESF)
O psicólogo no CRAS
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Prado, Luiz Carlos
Psicologia
Kreutz, Carla Meira
Psicologia
Sousa, Valdemar
Donizeti de
Vecchia, Marcelo
Dalla
Gabardo, Roseclér
Machado
Peres, Wiliam
Siqueira
Camuri, Danilo
Ramos, Priscila
Freitas
Böing, Elisangela
Andrade, Laura
Freire de
Mantovani, Carina
Cella Panai
Blanques, Ana Maria
Sundfeld, Ana
Cristina
Fonseca, Débora
Cristina
Cruz, Suélen
Henriques da
Nepomuceno, Léo
Barbosa
Neumann, Angélica
Paula
Ayub, Renata
Cardoso Plácido
Ribeiro, Sandra
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
2010
Abandono do atendimento em clínicaescola
Estudo psicossocial do PSF
Clínica ampliada na atenção básica (PSF)
e processos de subjetivação
Profissionais da ESF e concepções de
adolescência
PSF e orientação sobre amamentação
Psicologia
2011
Psicólogos na ESF
Psicologia
2011
Experiências da Psicologia na ESF
Psicologia
2011
Clínica psicanalítica e adolescência
Psicologia
2011
Sofrimento psíquico do trabalhador da
Psicologia
2010
2010
2010
2010
Gama, Carlos
Alberto Pegolo da
Cambuy, Karine and
Amatuzz
Nieweglowski,
Viviane Hultmann
Ronzani, Telmo
Mota
Dimenstein, Magda
Leite, Rosana Farias
Batista
Romagnoli, Roberta
Carvalho
More, Carmen L. O.
Ocampo
Seadi, Susana M.
Sastre
Lago, Vivian de
Medeiros
Macarini, Samira
Mafioletti
Dalla Vecchia,
Marcelo
Psicologia
Psicologia (LAPSI)
Psicologia
Psicologia
72
2012
ESF
Psicologia na Atenção Básica à Saúde
(PSF)
Intervenção psicológica em terminalidade
e morte
Paciente larigectomizado e ação clínica do
psicólogo
Contribuições do Construcionismo para o
trabalho com famílias (PSF)
ESF e Saúde Mental
Psicologia
2012
2012
Psicologia na Atenção Primária (ESF)
Anotações sobre Psicologia Jurídica
Psicologia
Psicologia
2012
Psicologia
2012
2012
Psicologia Comunitária e Saúde Pública
(ESF)
Práticas psicoeducativas em pesquisas
interventivas
Pais e filhos em psicoterapia
Processos Clínicos no NASF
Psicologia
Psicologia
2012
Psicólogo em vara de família
Psicologia
2012
Sujeito em psicoterapia e o câncer
2012
2013
2013
Atendimento terapêutico infantil
Contribuições da fenomenologia para a
atuação do psicólogo no NASF
Psicologia nos NASFs
Unimed, Psicologia,
Domus
Psicologia
Psicologia
2013
Psicologia noSUS e interdisciplinaridade
Psicologia
2013
Ações dos psicólogos escolares
Psicologia
2013
Atuação de um psicólogo em um hospital
de câncer
Atenção Básica (ESF): estigma na atenção
ao HIV/AIDS
Preparação psicológica de crianças para
cirurgia
Psicologia
2011
2011
2011
2011
2012
2013
2013
Fogaça Rosa
Jimenez, Luciene
Psicologia
Psicologia
Schmidt, Beatriz,
Gabarra
Barbosa, Leopoldo
Nelson Fernande
Guanaes, Carla
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Souza, Luiz Gustavo
Silva
Gorayeb, Ricardo
Brito, Leila Maria
Torraca de
Amaral, Marília dos
Santos
Walckoff, Simone
Dalla Barba
Pretto, Zuleica
Santeiro, Tales
Vilela
Ortiz, Marta Cristina
Meirelles
Langaro, Fabíola
Del Prette, Almir
Silva, Nara Helena
Lopes Pereira da
Azevedo, Natália
Silva
Couto, Leandra
Lúcia Moraes
Cavalcante, Lorena
de Almeida
Scannavino, Camila
Saliba Soubhia
Zambenedetti,
Gustavo
Broering, Camilla
Volpato
Temática
Tipo de
trabalho
Ano
Linha de
Pesquisa/referencial
Autor
Instituição
Atuação dos
psicólogos nos
NASF
Dissertação
2012
Psicologia e Práticas
Sociais
UFRN
Processo de
construção de
sentidos sobre
mudanças em
Terapia
Familiar
Dissertação
2012
Psicologia Clínica/Terapia
Familiar
SOUSA,
DIOGO
RODRIGO
BRITO
ALVES DE
BIAGI,
BERENICE
ARAUJO
DANTAS
DE
UFU
73
Psicologia e
políticas
públicas de
Saúde: o
psicólogo na
atenção
primária
Intervenção
multidisciplina
r baseada na
família
(comportamen
to alimentar)
Prazer e
sofrimento no
trabalho de
psicólogos em
um Hospital
Dissertação
2012
Estudo exploratório
SILVA,
EMYLIO
CESAR
SANTOS
DA
UFCE
Dissertação
2012
Comportamental
DIAS,
DORALICE
OLIVEIRA
PIRES
PUC-GO
Dissertação
2012
Psicodinâmica do trabalho
(Dejours)
UFRO
Critérios de
progresso em
psicoterapias
de crianças
Tese
2012
INSTRUMENTOS E
PROCESSOS EM
AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA
O trabalho do
psicólogo
jurídico com a
criança na
separação
litigiosa dos
pais
A clínica
fenomenológic
a da disfunção
erétil
Apoio
matricial em
Saúde Mental
Dissertação
2012
Pesquisa qualitativa,
exploratório-descritiva
MELO,
FABIANE
DA
FONTOUR
A MESSIAS
DE
GUIMARA
ES, LILIAN
PEREIRA
DE
MEDEIROS
MORAES,
FERNAND
A CORREA
GALVAO
Dissertação
2012
Método fenomenológico
ZORZI,
FABIANA
DE
UNIFOR
Dissertação
2012
Dissertação
2012
Dissertação
2012
A ESF com
produção de
serviço
Tese
2012
Saúde Mental
infantil na
atenção
primária à
saúde
A
(DES)Atenção
Dissertação
2012
Saúde Mental
Dissertação
2012
Estudo clínicoqualitativo/Análise de
BONFIM,
IRIS
GUILHERM
E
CUNHA,
ADELINE
MARIA
CASTEL
BONFIM,
IRIS
GUILHERM
E
SILVA,
ANA
CLAUDIA
BARBOSA
DA
GOMES,
FERNAND
A MARCIA
DE
AZEVEDO
SILVA,
WALESKA
UFCE
Reorganizando
o cotidiano da
equipe de
Saúde Mental
Apoio
matricial em
Saúde Mental
Análise de
conteúdo/Processos de
Mediação: trabalho,
atividade e interação social
ATENÇÃO
PSICOSSOCIAL E
POLÍTICAS PÚBLICAS
Análise de
conteúdo/Processos de
Mediação: trabalho,
atividade e interação social
Contemporaneidade e
Processos de Subjetivação
Unicamp
Universidade
Católica Dom
Bosco
Univ. Estadual
Paulista Júlio
de Mesquita
Filho
UFCE
UFPE
Universidade
Federal de São
João Del Rey
UFU
74
de usuários de
drogas na ESF
conteúdo (Psicanálise)
RODRIGUE
S
A prática do
agente
comunitário de
saúde na ESF
Práticas e
estilos de
pensamento
em promoção
da saúde na
atenção básica
A criança com
sintomas
emocionais e
seus pais
Reforma
Psiquiátrica e
Atenção Básica
à saúde
Dissertação
2012
Construcionismo Social e
Produção de Sentidos
PINHEIRO,
RICARDO
LANA
USP
Dissertação
2012
Análise de Conteúdo
ARIOLI,
INEA
GIOVANA
DA SILVA
UFSC
Dissertação
2012
Psicanálise
Unisinos
Tese
2012
Análise histórica
Assistência à
Saúde Mental
na Atenção
Básica
Significações
sobre
adolescência e
promoção de
saúde
Sinais
neurológicos
como
preditores do
desenvolvimen
to cognitivo
Psicólogos
educacionais e
representações
sociais do
fracasso
escolar
Mulheres em
situação de
violência
doméstica e
psicoterapia
breve
Dissertação
2012
Reforma Psiquiátrica e
Política de Saúde Mental
Dissertação
2012
Histórico-Cultural
BASTOS,
MARTA
BORGHET
TI
BORGES,
ROSELANI
A
FRANCISC
ONI
SANTOS,
LARA
HAUSER
DOS
MACEDO,
ETIENE
OLIVEIRA
SILVA DE
Dissertação
2012
Neuropsicologia
ONO,
CARINA
MITIE
UFPA
Dissertação
2012
Representação Social
SANTOS,
CARINA
PESSOA
UFPE
Dissertação
2012
Psicoterapia Breve
Operacionalizada
NUKUI,
SONIA
MARIA
MACHADO
DE
OLIVEIRA
Universidade
Metodista de
São Paulo
Ano
Univ. Estadual
Paulista Júlio
de Mesquita
Filho
UEM
UnB
Temática
Área de
Conhecimento
1º Autor
1999
Meninos de rua: discurso e laço social
Psicologia
2000
Rede social de apoio após o nascimento
dos filhos
Adolescentes que sofreram violência e
Psicologia
Rosa, Miriam
Debieux
Dessen, Maria
Auxiliadora
De Antoni, Clarissa
2000
Psicologia
75
2002
família
Violência e abuso sexual na família
Psicologia
2002
Adolescência: da família ao social
Psicologia
2002
Papel dos avós: apoio oferecido aos netos
no divórcio dos pais
Psicologia
2003
Psicologia
2009
Adolescentes: Identidade, família e
relações sociais
Psicologia positiva: o foco no indivíduo e
na família
Risco biopsicossocial de filhos de
dependentes químicos
Abandono e efeito psicológico em bebês:
maternagem como proteção
Família, álcool e violência
Violência doméstica e compreensão
interdisciplinar
Famílias com dependentes químicos e
relações interpessoais
Impacto da gestação do segundo filho na
dinâmica familiar
A legitimação social na (re)construção da
identidade de uma alcoolista
Estudo psicossocial forense e abuso
sexual
Violência doméstica: possibilidades de
atuação diante da mãe que agride
Mulheres com alopecia e experiências
afetivo-familiares
Contextos ecológicos: promotores de
resiliência, fatores de risco e proteção
Famílias e violência doméstica: condições
psicossociais pós-ação do conselho tutelar
Rua: discurso e dinâmica familiar
2009
Suicídios, psicologia e vínculos
Psicologia
2009
Psicologia
2009
Consumo de drogas entre adolescentes e
estilos parentais
Adolescentes infratores
Psicologia
2009
Drogadição e adolescência
Psicologia
2010
2010
Contexto sociofamiliar e crianças obesas
Grupos familiares em instituição
psiquiátrica
A família no tratamento de transtornos
alimentares
Criança vítima de abuso sexual:
testemunho e credibilidade
Apoio familiar ao paciente em
reinternação psiquiátrica
Violência e fragilidade na relação familiar
e o adolescente em conflito com a lei
Meninos de grupos populares e o olhar
sobre família
Psicologia
Psicologia
2003
2004
2004
2005
2006
2007
2007
2007
2008
2008
2008
2008
2008
2010
2012
2012
2012
2012
Psicologia
Araújo, Maria de
Fátima
Rosa, Miriam
Debieux
Araújo, Mayeve
Rochane Gerônimo
Leite
Arpini, Dorian
Mônica
Yunes, Maria Angela
Mattar
Figlie, Neliana
Psicologia
Böing, Elisângela
Psicologia
Psicologia
Melo, Zélia Maria de
Neves, Anamaria
Silva
Silva, Jair Lourenço
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Pereira, Caroline
Rubin Rossato
Campos, Geraldo
Mendes de
Granjeiro, Ivonete
Psicologia
Barbosa, Patrícia
Zulato
Prado, Renata Bilion
Ruiz
Poletto, Michele
Psicologia
Milani, Rute Grossi
Psicologia
Barros, Paula Cristina
Monteiro de
Bastos, Rogério
Lustosa
Paiva, Fernando
Santana de
Branco, Bianca de
Moraes
Savietto, Bianca
Bergamo
Tassara, Valéria
Ponciano, Edna Lúcia
Tinoco
Souza, Laura Vilela
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Eloy, Consuelo
Biacchi
Machado, Vanessa
Cristina
Zappe, Jana
Gonçalves
Polli, Rodrigo Gabbi
76
2012
2012
2012
2013
2013
Violência contra idosos e crença dos
profissionais da atenção primária (PSF)
Profissionais da atenção primária (PSF) e
significado da violência contra idosos
Psicologia
Crianças com Down e interações
familiares
Sistema educacional infantil e
identificação de maus tratos
Rede de apoio e percepção de idosos
institucionalizados
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Lourenço, Lélio
Moura
Wanderbroocke, Ana
Claudia Nunes de
Souza
Grisante, Priscila
Crespilho
Bazon, Marina
Rezende
Rodrigues, Adriana
Guimarães
Temática
Tipo de
trabalho
Ano
Linha de Pesquisa/referencial
Autor
Instituição
Mãe e filha
na família
incestuosa
Dissertação
2012
Psicanálise e cultura
UFU
Sexualidade
e violência
em família
de
adolescentes
Atendiment
o a famílias
em situação
de abuso
sexual
Abuso
sexual
infantil
intrafamiliar
e os sentidos
compartilha
dos pelos
professores
Problematiz
ando a
violência
doméstica
contra a
criança no
CRAS
Jovens:
abuso
emocional e
codependência
Percepção
de suporte
familiar e
qualidade de
vida
O
adolescente
em
Dissertação
2012
Terapia Familiar Sistêmica/
Método Construtivointerpretativo
Dissertação
2012
Processos Interacionais no
Contexto do Casal, da Família, do
Grupo e da Comunidade
TRALLI,
MARAYS
A
PALHIAR
I
COSTA,
BRUNO
NOGUEIR
A DA
SILVA
PINHO,
ALINE
ROSE
INACIO
Dissertação
2012
RS
RIBEIRO,
PATRICI
A
MONTEIR
O
UFPE
Dissertação
2012
Teoria Sócio-Histórica
DOMING
UES,
TACIANO
LUIZ
COIMBR
A
Univ.
Estadual
Paulista
Júlio de
Mesquita
Filho
Tese
2012
Estudo etnográfico
UFRJ
Dissertação
2012
Estudo descritivo, quantitativo e
tranversal
Dissertação
2012
Psicometria/Comportamento
MACEDO,
PATRICI
A
CASTRO
DE
ROCHA,
CASSIA
APARECI
DA DE
SOUZA
RIBEIRO,
VIVIANE
TERRES
UnB
Universidad
e Metodista
de São Paulo
Univ.
Estadual
Paulista
77
liberdade
assistida
Interações
familiares e
resiliência
em
adolescentes
Jovens e
situação de
rua e crack
Júlio de
Mesquita
Filho
UFAM
Dissertação
2012
Sistêmica e Sócio-Histórica
FRANCO,
KELLY
SILVA
Dissertação
2012
Psicossociologia
Contribuiçõ
es da
qualidade
do vínculo
de apego e
das práticas
parentais
Tese
2012
Testagem
MOTA,
RUBENS
NUNES
DA
NUNES,
SANDRA
ADRIAN
A NEVES.
Ano
Temática
Área de
Conhecimento
1º Autor
1993
Educação de crianças
Psicologia
2002
2003
Atuação da escola e violência urbana
Família, escola e dificuldades de
aprendizagem
RS da adolescência a partir de educadores
sociais
Pais e incentivo da habilidade de estudo
em crianças
Função paterna e a escola
Orientação de pais: partilha de
conhecimentos sobre educação e
desenvolvimento
Problemas de aprendizagem e o papel da
família
Genograma e eventos estressores
Crianças com e sem Down: valores e
crenças de pais e professores
Deficientes auditivos e escolaridade
Psicologia
Psicologia
Caldana, Regina
Helena Lima
Ristum, Marilena
Andrada, Edla
Grisard Caldeira de
Espíndula, Daniel
Henrique Pereira
Soares, Maria Rita
Zoéga
Alberti, Sonia
Biasoli-Alves, Zélia
Maria Mendes
Parceria colaborativa na escola: família de
crianças com deficiência e profissionais
Queixa escolar no ambulatório de saúde
mental
Relação família-escola
Psicologia
2004
2004
2005
2005
2006
2006
2007
2007
2008
2010
2010
2011
2011
2011
2011
Interações familiares de crianças com
necessidades escolares especiais
Deficiência intelectual na concepção de
educadores da educação especial
Formação em Psicologia e educação
inclusiva
Desempenho de crianças em leitura/escrita
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Universidad
e Católica de
Brasília
UFSC
Salvari, Lúcia de
Fátima Carvalho
Castoldi, Luciana
Pereira-Silva, Nara
Liana
Manente, Milena
Valelongo
Silva, Aline Maira da
Marçal, Viviane
Prado Buiatti
Oliveira, Cynthia
Bisinoto Evangelista
de
Goitein, Paula Cruz
Rossato, Solange
Pereira Marques
Barbosa, Altemir
José Gonçalves
Enricone, Jacqueline
78
2011
e variáveis familiares
Reunião de pais na educação infantil
2013
Práticas educativas parentais coercitivas e
contexto escolar
Aprendizagem de jovens e adultos
Psicologia
2013
O cuidado na relação professor-aluno
Psicologia
2012
Raquel Bianchi
Garcia, Heloisa
Helena Genovese de
Oliveira
Patias, Naiana
Dapieve
Vargas, Patrícia
Guimarães
Mattos, Amana
Rocha
Psicologia
Psicologia
Temática
Tipo de
trabalho
Ano
Linha de
Pesquisa/referencial
Autor
Instituição
Educação
infantil e as
famílias do
campo
Indisciplina no
Ensino Médio:
RS de
professores
Tese
2012
Rede de significações
LIMA,
LUCIANA
PEREIRA DE
USP
Dissertação
2012
RS
ENDO, KATIA
HATSUE
Configuração
de sentido
subjetivo de
inclusão
escolar
Acompanhante
terapêutico no
processo de
inclusão
escolar
Repertório
Comportamen
tal de crianças
do ensino
fundamental e
práticas
educativas de
genitores e
professoras
Análise
psicodinâmica
do trabalho de
professores
Fracasso e
sucesso no
desempenho
escolar de
crianças
negras
Bloco inicial
da
alfabetização
e queixa
escolar
Dissertação
2012
Histórico Cultural
(Vigotski) e Teoria da
Subjetividade
SANTOS,
MARCIA
CABRAL DOS
Univ.
Estadual
Paulista
Júlio de
Mesquita
Filho
UCB
Dissertação
2012
Processos de
Mediação: trabalho,
atividade e interação
social
ARARIPE,
NATALIE
BRITO
UFC
Dissertação
2012
Testagem
(Comportamental)
FONSECA,
BARBARA
CRISTINA
RODRIGUES
Univ.
Estadual
Paulista
Júlio de
Mesquita
Filho
Dissertação
2012
Psicodinâmica do
trabalho
ROSAS, MARIA
LETICIA
MESSIAS
UFAM
Dissertação
2012
Processos Psicossociais
e Socioeducativo
ALVES,
APARECIDA
FERREIRA.
Universidad
e Federal de
São João Del
Rei
Dissertação
2012
Desenvolvimento
Humano em Contextos
Socioeducativos
PIMENTA,
MARIA
AUGUSTA
ALVES
Universidad
e Católica de
Brasília
79
Interação
escola-família
Dissertação
2012
Ensino Aprendizagem
Institucionaliz
ação precoce e
o controle
subjetivo na
infância
Dissertação
2012
Foucault, Deleuze e
Guattari
Ano
SOARES, JOSE
NILDO
OLIVEIRA.
SILVA, VIVIAN
DE JESUS
CORREIA E
Centro
Universitário
FIEO
Univ.
Estadual
Paulista
Júlio de
Mesquita
Filho
Temática
Área de
Conhecimento
1º Autor
1997
Identidade de gênero
Psicologia
1999
Psicologia
2000
2002
Sexualidade e gravidez na
adolescência:percepção dos pais
Conversas sobre sexualidade na
adolescência: percepção das jovens
gestantes
Mães e madrastas: mitos e autoconceito
Homens casados e fidelidade
Siqueira, Maria
Juracy Toneli
Dias, Ana Cristina
Garcia
Dias, Ana Cristina
Garcia
Psicologia
Psicologia
2003
Experiência de mulheres sem filhos
Psicologia
2003
Família com mãe adoecida por ELA
Psicologia
2003
Psicologia
Psicologia
Delfino, Vanessa
2005
2005
A mulher como principal provedora do
sustento familiar
Identificação da negligência e da violência
doméstica
Satisfação Conjugal
Família e conjugalidade
Falcke, Denise
Silva, Cristiane
Gonçalves Meireles
da
Mansur, Luci Helena
Baraldo
Borges, Claudia
Fernandes
Fleck, Ana Cláudia
Psicologia
Psicologia
2005
Identidade de gênero
Psicologia
2006
Profissionais do sexo e sentidos sobre
HIV
A participação do pai nos cuidados da
criança segundo a mãe
Mulheres chefes de família e sentidos de
gênero
A vivência do pai na reabilitação de
criança com deficiência auditiva
Terapia feminista da família
Psicologia
Perlin, Giovana
Cicco, Marina Fibe
de
Costa, Maria Ivone
Marchi
Esposito, Ana Paula
Gomes
Crepaldi, Maria
Aparecida
Testoni, Raquel
Jaqueline Freiberger
Canho, Paula
Guimarães Motta
Narvaz, Martha
Giudice
Perucchi, Juliana
2000
2005
2006
2006
2006
2007
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
2008
2009
Novos arranjos familiares: sob o olhar de
mulheres chefes de família
Trabalho noturno e o novo papel paterno
O lugar da mãe na psicoterapia da criança
2009
2009
2009
Violência intrafamiliar contra a mulher
Mãe cuidadora e esquizofrenia
Violência de gênero e análise do discurso
Psicologia
Psicologia
(Ministério da Saúde)
Psicologia
Psicologia
Psicologia
2010
Relações conjugais e familiares na
Psicologia
2007
Psicologia
Cia, Fabiana
Finkel, Lenira
Akcelrud
Melo, Zélia Maria de
Silva, Gisele da
Azambuja, Mariana
Porto Ruwer de
Coutinho, Sabrine
80
2012
2012
2012
2012
2013
2013
perspectiva das mulheres
Agentes comunitários e atenção à
sexualidade de jovens
Atenção e cuidado na gravidez na
adolescência
Educação sexual, identidade nacional e
família
Estresse materno e hospitalização infantil
pré-cirúrgica
Mulher e jornada tripla de trabalho
Ideologia do corpo feminino perfeito
Mantuan dos Santos
Bellenzani, Renata
Psicologia
Psicologia
Pariz, Juliane,
Mengarda
Oliveira, Cristiane
Psicologia
Psicologia
Carnier, Luciana
Esgalha
Vieira, Adriane
Lima, Aluísio
Ferreira d
Psicologia
Psicologia
Temática
Tipo de
trabalho
Ano
Linha de
Pesquisa/referencial
Autor
Instituição
Influência de
variáveis
maternas e da
família sobre o
desenvolvimen
to do bebê
Jovens do sexo
masculino de
famílias de
camadas
populares
Aspectos
psicológicos de
mães de
crianças com
câncer
A mulher pela
lente de jovens
militantes do
MST
Experiência
paterna em
diferentes
configurações
familiares e o
desenv. Do self
infantil
Apoio social
materno e
desenvolvimen
to infantil
Dissertação
2012
Estudo Transversal/testes
estatísticos
TIRELLI,
RENATA
AJUB
Dissertação
2012
Antropologia, Sociologia
e Psicologia
RISK,
EDUARDO
NAME
Univ.
Estadual
Paulista
Júlio de
Mesquita
Filho
USP
Dissertação
2012
Análise de conteúdo
VINHAL,
LAURA
MENESES
Centro
Universitário
FIEO
Dissertação
2012
Análise de discurso
AGUIAR,
GABRIELA
AZEVEDO DE
UFRJ
Dissertação
2012
Psicanálise (Winnicott)
SCAGLIA,
ANDRESSA
PIN.
USP
Dissertação
2012
VIEIRA,
VIVIANE.
UFSC
Investimento
da mulher em
uma carreira
profissional e o
impacto na
vida conjugal
Mães
negligentes:
maternidade e
Dissertação
2012
Análises quantitativas
(descritivas e
correlacionais) e
qualitativas (análise
temático-categorial do
discurso
CONSTRUÇÃO
PSICOSSOCIAL DE
SABERES E
SUBJETIVIDADES
AZEVEDO,
FRANCINY
FREITAS
UFRJ
Dissertação
2012
Psicanálise Lacaniana
RENA, ANA
CLAUDIA
CASTELLO
PUC-MG
81
BRANCO
feminilidade
A experiência
de ser mãe e os
desafios frente
à carreira e à
separação do
bebê
Gravidez na
adolescência
Dissertação
2012
Psicanálise
BELTRAME,
GREYCE
ROCHA
Unisinos
Dissertação
2012
Testagem
UFSAM
Representaçõe
s da mulher
contemporâne
a
Concepções de
psicólogos da
UBS sobre
sexualidades
O significado
da
maternidade
para mães
soropositivas
para HIV
Paternidade no
contexto da
prematuridade
Homens
parceiros de
transexuais
RS da
maternidade
segundo mães
de crianças
com
deficiência
A função
materna e a
relação mãebebÊ
Dissertação
2012
Dissertação
2012
SAÚDE,
DESENVOLVIMENTO
E CONTEXTOS
SOCIAIS
Foucault
PATIAS,
NAIANA
DAPIEVE
CHECHI,
PASCALE
DIAZ,
GABRIELA
ANDREA
UFSC
Dissertação
2012
Psicologia Cultural
SILVA,
RENATA
MOREIRA DA.
UFBA
Dissertação
2012
2012
Dissertação
2012
RS
MEDEIROS,
FERNANDA
BORGES DE
AGRELI,
MILENE
SOARES
SILVA,
FERNANDO
ANTONIO DA
UFRGS
Dissertação
Estudo
longitudinal/Estudo de
caso coletivo
Fenomenologia
Tese
2012
Psicanálise
SIMOES,
FATIMA
ITSUE
WATANABE
RS sobre
mulher e crime
Dissertação
2012
RS
A construção
de uma
política de
saúde para
homens no
Brasil
Envolvimento
de meninas e
mulheres
jovens em atos
infracionais
Tese
2012
Psicanálise
PEDROSA,
RICARDO
MOREIRA
MULLER,
RITA DE
CASSIA
FLORES
Univ.
Estadual
Paulista
Júlio de
Mesquita
Filho
UFMG
Tese
2012
RS
ARANZEDO,
ALEXANDRE
CARDOSO
UFSAM
USP
UFPE
UFRJ
UFES
82
Discurso e
imagem do
feminino
Dissertação
2012
Análise do discurso
(matriz frane
SILVA,
JONATHAN
RAPHAEL
BERTASSI DA
FILHO,
PAULO
GILBERTO DE
OLIVEIRA
A construção
das relações de
gênero na
mídia da
Igreja
Universal
Do ser-menina
ao ser-mulher
Dissertação
2012
Psicologia Social
Discursiva
Dissertação
2012
Sócio-Histórica
Lócus de
controle e o
conceito de
paternidade e
maternidade
Gestantes
soropositivas
ao HIV e
histórias sobre
ser mulher e
mãe
Mulheres com
câncer de
mama e coping
religioso e
espiritual
Mulher e
política
Dissertação
2012
Análise estatística
Tese
2012
Saúde, Desenvolvimento
e Trabalho
FERREIRA,
MARINA
SIMOES
FLORIO
USP
Dissertação
2012
Análise estatística
VEIT, CARINA
MARIA
Universidad
e do Vale do
Rio dos
Sinos
Dissertação
2012
Método fenomenológico
crítico
FERNANDES,
JULIANA
UNIFOR
A relação mãebebê na
estimulação
precoce
Sexualidade e
violência em
família de
adolescentes
Reconstruções
da
maternidade
por mães na
transição dos
filhos para
vida adulta
Vida
profissional e
maternidade
Dissertação
2012
Psicanálise
Universidad
e Católica de
Brasília
Dissertação
2012
Terapia Familiar
Sistêmica/ Método
Construtivointerpretativo
Dissertação
2012
Psicologia Cultural de
orientação semiótica e
abordagens narrativas
GORETTI,
AMANDA
CABRAL DOS
SANTOS
COSTA,
BRUNO
NOGUEIRA
DA SILVA
SILVA,
SANDRA DE
CASSIA
MENESES
Tese
2012
Estudo
transversal/exploratório
UFRGS
Conciliação
entre
profissão,
conjugalidade
e paternidade
para homens e
mulheres com
Tese
2012
Análise estatística
OLIVEIRA,
SILVANA
KESSLER DE
OLIVEIRA
CORREA
GRAVENA,
ANA
CAROLINA
OLIVEIRA,
JOANNE
PAOLA
MENEZES DE
BRAGA,
LILIANE
PEREIRA
USP
UFPE
UFRN
UnB
UFBA
UFSCAR
83
filhos
Função
paterna e
sociabilidade
violenta
A trajetória da
infância à
adolescência
com implante
coclear:
vivência de
mães
Experiências e
lições de uma
vara criminal e
juizado de
violência
doméstica e
familiar contra
a mulher
Família
matrifocal: a
perspectiva
das crianças
A influência da
família no
consumo de
bebidas
alcoólicas em
adolescentes
do sexo
feminino
Vivência do
projeto
parental de
família
homoeróticas
RS de jovens
pais e não-pais
Tese
2012
Psicanálise
FERREIRA,
ANTONIO
EUSTAQUIO.
PUC-GO
Dissertação
2012
Fenomenologia
YAMADA,
MIDORI
OTAKE
USP
Tese
2012
Etnografia
BRAGAGNOL
O, REGINA
INGRID
UFSC
Dissertação
2012
Teoria Bioecológica do
Desenvolvimento
Humano
BARBOSA,
JACIRA DA
SILVA
UFBA
Dissertação
2012
Exploratório, descritivo e
transversal
BENITES,
ANA
PRISCILA DE
OLIVEIRA
UFSC
Dissertação
2012
Fenomenologia (Sartre)
LIRA, ALINE
NOGUEIRA
DE
Unifor
Dissertação
2012
RS
UFES
Função
paterna e
comportament
os das crianças
na escola de
educação
infantil
A experiência
de professores
do sexo
masculino na
educação
infantil
Lei Maria da
Penha e
aplicabilidade
Dissertação
2012
Psicanálise
DRAGO,
AGNES
BONFA
SAILE, ALINE
ROBERTA DE
Dissertação
2012
Gênero
ALVES,
BENEDITA
FRANCISCA
UNIFOR
Dissertação
2012
Análise de discurso
(Fairclough)
MENEZES,
RHUTE
FILGUEIRAS
DE
UFPE
Unisinos
84
Ano
Temática
Área de
Conhecimento
1º Autor
1997
O amor e a lei (processo de separação)
Psicologia
1999
ECA: é possível torná-lo uma realidade
psicológica?
Análise de um caso de extinção do poder
familiar
Estudo psicossocial da Adoção
Psicologia
Barros, Fernanda
Otoni de
Mello, Sylvia Leser
de
Gomide, Paula Inez
Cunha
Campos, Niva Maria
Vasques
Santos, Marcia
Regina Ribeiro dos
Brito, Leila Maria
Torraca de
Mariano, Fernanda
Neísa
Azôr, Ana Mafalda
Guedes Cabral
Courinha Vassalo
Costa, Liana
Fortunato
Siqueira, Aline
Cardoso
Fernandes, Priscila
Valverde
Otuka, Livia Kusumi
Montagnini, Helena
Maria Loureiro
Baptista, Joana
Alves, Cássia
Ferrazza
Otuka, Livia Kusumi
2003
2004
2007
2007
2008
2008
2009
2011
2011
2012
2012
2013
2013
2013
O tempo na trajetória de famílias na
justiça
Família pós-divórcio e a visão dos filhos
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Perfil da família biológica e adotante e da
criança adotada
Abrigar/desabrigar: o papel da família
nesse processo
Psicologia
Estudo psicossocial forense e estudo da
função paterna
Fracasso na reinserção familiar de
adolescentes
Conselho tutelar e crianças encaminhadas
pela escola
Experiência de adoção
Ovodoação e sigilo
Psicologia
Desenvolvimento infantil e adoção
Crianças e adolescentes e percepção de
direitos
Casal divorciado, com filhos biológicos, e
adoção tardia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia (MP-SP)
Temática
Tipo de
trabalho
Ano
Linha de
Pesquisa/referen
cial
Autor
Institui
ção
O devir-criança:
psicologia, justiça e
infância
Considerações
sobre adoção e o
processo de
subjetivação
Adoção de crianças
no Brasil e entraves
jurídicos
Dissertação
2012
Cartografia
MAGALHAES,
KELY CRISTINA
UFRJ
Tese
2012
Psicanálise
MARIANTE, INA
SUSINI
UFRJ
Dissertação
2012
Qualitativa/históri
a oral
SILVA, RAQUEL
ANTUNES DE
OLIVEIRA
A demanda do
reconhecimento
judicial da
paternidade:
psicanálise e direito
Dissertação
2012
Psicanálise
DAMASCENO,
WADSON
Centro
Univers
itário
FIEO
UnB
85
Análise de
conteúdo/Process
os Psicossociais
Processos
sociointerativos e
Desenvolvimento
Humano
Análise de
conteúdo/Process
os Psicossociais
Qualitativo,
descritivo e
exploratório
LIMA, NAYRA
ERLENE
UFES
LIRA, PEDRO
PAULO BEZERRA
DE
UFPE
LIMA, NAYRA
ERLENE
UFES
SILVA, MILENA
LEITE
UFSM
Teoria
Bioecológica do
desenvolvimento
Processos
sociointerativos e
Desenvolvimento
Humano
Teoria da
Regulação Social
e Pessoal da
Conduta
Delituosa e
Modelo da
Regulação
Familiar
Análise
Institucional/Méto
do cartográfico
VARGAS, ELISA
AVELLAR
MERCON DE
LIRA, PEDRO
PAULO BEZERRA
DE
UFES
DIB, MARINA
AZOR
USP
PEREIRA,
CAROLINA SETTE
UERJ
Construcionismo
Social, Psicologia
Cultural (Bruner)
e Rede de
significações
Rede de
significações
SOARES, SELMA
MARIA GOMES DE
MIRANDA
UFPE
SILVA,
FERNANDA
LACERDA
LAGO, VIVIAN DE
MEDEIROS
USP
Família acolhedora
e experiência
Dissertação
2012
Crianças
institucionalizadas e
significados de
família
Família acolhedora
e experiência
Dissertação
2012
Dissertação
2012
Lei Nacional de
Adoção e
Acolhimento
Institucional
Experiência em
adoção nacional e
internacional
Crianças
institucionalizadas e
significados de
família
Adolescentes e a
regulação da
conduta delituosa
pela família
Dissertação
2012
Dissertação
2012
Dissertação
2012
Dissertação
2012
Programa família
acolhedora
ampliando a rede
de pertencimento
Família-abrigo-rua:
construção de
significados dos
adolescentes
Dissertação
2012
Dissertação
2012
Crianças acolhidas
e reintegração
familiar
Construção de um
Sistema de
Avaliação do
Relacionamento
Parental
A comum-idade, a
prática sócioeducativa de
internação e o
adolescente infrator
O adolescente autor
de ato infracional:
rede social e
relacionamento
interpessoal
Histórias de
crianças e
adolescentes
Dissertação
2012
Tese
2012
Testagem
Dissertação
2012
Psicanálise
FINGER, LUCIANA
MARA
UFPA
Dissertação
2012
PROCESSOS
PSICOSSOCIAIS
NEITZEL, SILVIA
UFES
Dissertação
2012
Teoria
Psicodinâmica
sobre o
FIGUEIREDO,
JULIANA GOMES
DE
UFES
UFPE
UFRG
S
86
desenvolvimento
emocional
abrigados
Adolescentes
autores de atos
infracionais e
histórias de vida
Ano
Dissertação
2012
Winnicott
GOMES, CLARA
COSTA
UnB
Temática
Área de
Conhecimento
1º Autor
1998
Pesquisa com famílias e questões éticas
Psicologia
1998
Como estudar a “família” e o “pai”?
Psicologia
2003
Casamento e família no séc. XXI
Psicologia
2004
A maternidade na história
Psicologia
2005
Juventude e Modernidade
Psicologia
2005
Papel dos avós na maternidade
adolescente
Imagem da infância nas teses da
Faculdade de Medicina do RJ
Família e adolescência
Psicologia
Dessen, Maria
Auxiliadora
Dessen, Maria
Auxiliadora
Gomes, Isabel
Cristina
Moura, Solange
Maria Sobottka
Rolim de
Gonçalves, Hebe
Signorini
Falcão, Deusivania
Vieira da Silva
Espírito Santo,
Adriana Amaral do
Pratta, Elisângela
Maria Machado
Silva, Júnior Nelson
Gomes de Sant’Ana
Böing, Elisângela
2006
2007
2007
2008
2009
2009
2010
Normatização da infância e da família no
Brasil
Pesquisa com famílias: aspectos teóricos e
metodológicos
Visitas domiciliares e estudantes de
medicina
Casamento contemporâneo e a opção de
não ter filhos
Estudando a família em desenvolvimento
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
2011
A família no imaginário infantil
Higiene Mental voltada à infância da Liga
Brasileira de Hygiene Mental
Teoria do desenvolvimento e adolescência
Psicologia
2012
Saúde da Família e Higiene Mental
Psicologia
2012
Família, adolescência e estilos parentais
Psicologia
2012
Alterações na rede social de apoio na
gestação e após o nascimento
Famílias incestuais
Psicologia
2010
2011
2012
2013
2006
Individualismo, trajetória de vida e projeto
de família
Processos de socialização e a família nos
trabalhos de Leiser
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Psicologia
Ramos-Cerqueira,
Ana Teresa de Abreu
Rios, Maria Galrão
Dessen, Maria
Auxiliadora
Levy, Lidia
Oliveira, Cristiane
Senna, Sylvia Regina
Carmo Magalhães
Moura, Renata
Heller de
Rinhel-Silva,
Claudia Maria
Oliveira, Maíra
Ribeiro de
Mandelbaum,
Belinda
Borges, Carolina de
Campos
Mandelbaum,
Belinda
87
Temática
Tipo de
trabalho
Ano
Linha de
Pesquisa/referencial
Autor
Instituição
Genealogiacartográfica:
família e cuidado
Dissertação
2012
Foucault e Deleuze
UNICAPDOM BOSCO
Problematizações
das práticas do
UNICEF de atenção
à infância e família
brasileira
Vínculo conjugal
em relações pósmodernas
Dissertação
2012
Foucault
TABORD
A,
JEFERSO
N
CAMARG
O
SANTOS,
CRISTIA
NE DE
SOUZA
Dissertação
2012
Análise de conteúdo
PUC-MG
Circulação de
crianças: o olhar do
cuidador sobre
desenvolvimento
emocional
Introdução à
Psicopatologia
Fenomenológica
Dissertação
2012
Análise de
conteúdo/ecomapa/Ma
uss
Dissertação
2012
Psicopatologia
Fenomenológica
Psicopatologia
Cultural: a
contribuição de
Merleau Ponty
Dissertação
2012
Fenomenologia
AMORIM,
ANA
NASCIME
NTO DE
VICENZI,
LESLY
GUIMAR
AES
VICENZI
BLOC,
LUCAS
GUIMAR
AES
TELLES,
THABAT
A
CASTELO
BRANCO
UFPA
UFPA
UNIFOR
UNIFOR
88
APÊNDICE B - Dispositivo Analítico: família e discurso psicológico
Sobre o Documento
Sobre o Conteúdo
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
Vozes
SciELO
A visão de
família entre
as
adolescentes
que
sofreram
violência
intrafamiliar
ANTONI,
Clarissa
de;
KOLLER,
Silvia,
Helenna.
2000
Artigo
Estud.
psicol.
(Campina
s)
_________
Violência
intrafamili
ar
Maus tratos intrafamiliares/
família
organizada/
pais
autoritários e pais com
autoridade/
família
de
procriação/família “pensada”,
família
“vivida”,
Sistema
integrado, família violenta e
negligente,
estruturação
familiar, segredo e coesão
doentia, família e cuidado.
Papéis
familiares
(proteção,
socialização,
orientação,
apoio,
etc.)/violência
intrafamiliar/configuração
familiar (laços afetivos)/
empobrecimento
das
relações familiares/ risco e
proteção/resiliência/desenv
olvimento saudável/rede de
apoio/identidade.
Meninas
institucio
nalizadas
.
SciELO
Violência e
abuso
sexual
na
família
ARAÚJO,
Maria
Fátima.
2002
Artigo
Psicologia
em Estudo
_________
Violência
sexual
e
abuso
sexual
Famílias abusivas/ famílias
vitimadas/ cegueira materna/ a
família
precisa
de
ajuda/resistência à ajuda.
Violência
doméstica
mulher
Identidade,
Família
e
relações
sociais em
adolescentes
de grupos
populares
ARPINI,
Mônica Doria;
QUINTANA,
Alberto
Manuel.
2003
Artigo
Estud.
psicol.
(Campina
s)
_________
Relações
sociais e
familiares
Família nuclear/ monoparental/
ausência da figura paterna e
mãe mais durona/ imposição da
violência./Relação família e
pobreza.
Identidade, Maternagem,
estrutura matrilinear.
Projeto
violência
de
gênero,
Centro de
Pesquisa
e
Psicologi
a
Aplicada
– CPPA,
Conselho
Tutelar,
Poder
Judiciário
Jovens,
Conselho
Tutelar.
Berenstein
(1988),
Minuchin
(1982)
(Bronfenbren
ner,
1979/1996),
(Steinberg,
1996), ECA
(1990),
Szymanski
(1994).
Chauí (1985),
Rivière
(1994),
Araújo (1996)
SciELO
de
(intrafamiliar,
e contra a
Winnicott
(1996),
Winnicott
(1995), Lane
(),AlvesManzzotti,
Sarti (1994),
Ariès (1981),
Funda
mentaç
ão
Antropo
logia,
Psicolog
ia
Teoria
Ecológic
a) e
Sociolog
ia.
Psicodin
âmica
Não
especific
a.
89
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
SciELO
Análise de
um caso de
extinção do
poder
familiar
GOMIDE,
Paula
Inez
Cunha;
GUIMARÃES
, Ana Maria de
Abreu.
2003
Artigo
Psicologia
: Ciência
e
Profissão
SciELO
Filhos de
dependentes
químicos
com fatores
de risco biopsicossociai
s necessitam
de um olhar
especial?
FIGLIE,
Neliana;
FONTES,
Andrezza;
MORAES,
Edilaine;
PAYÁ,
Roberta.
2004
Artigo
Revista
Psiquiatri
a Clínica
________
Fatores de
risco
sociofamili
ar na vida
de crianças
e
adolescent
es
SciELO
A
subjetividad
e presente
no estudo
psicossocial
da adoção
CAMPOS,
Niva Maria
Vasques
2004
Artigo
Psicologia
: Reflexão
e Crítica
_________
SciELO
Os
BÖING,
2004
Artigo
Estud.
_________
efeitos
Costa (1983)
e
Santos
(1996)
Vozes
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
_________
Destituição
do poder
familiar
Família de origem/ família
substituta/ sociedade conjugal/
pátrio poder/poder familiar/
família natural/ figura materna/
comprometimento das relações
familiares/
vida
desestruturada/ famílias de
risco
social/
famílias
desassistidas.
Falta de estimulação no lar/ a
maioria
dos
filhos
de
dependentes são bem ajustados/
estado de risco/ universo
familiar de risco/ padrões
inadequados de interação entre
pai e filho/ problemas de
comportamento;/convívio mais
salutar.
Destituição
do
poder
familiar,
maus
tratos,
adoção,
abandono,
negligência,
abuso
e
comportamento anti-social/
apego.
Abrigo,
Conselho
tutelar,
Casa-lar
Código Civil
(1916),
Código Civil
(2002), ECA
(1990),
Bowlby
(1984).
Empobrecimento
cognitivo/
Psicodiagnóstico/
Psicoterapia
familiar/
violência física/ afeto
negativo.
Halpern
(2002);
Leavit
(1995);
Sher(1991;
1997);
Furtado et al.,
(2002); Moss
et al. (1995);
Frank (1992);
Nye et. al.
(1998)
Psicodia
gnóstico
,
Avaliaçã
o
Psicológ
ica
(CAGEfamiliar,
Desenho
de
família
com
estória).
Estudo
psicossocia
l da adoção
Família substituta/ estabilidade
da família/ família “adequada”/
bons pais/ família sonhada/
família possível/ não poder ter
filhos
e
sentimento
de
incompetência/ melhor família
para criança/ família adequada.
Adoção/ subjetividade
ECA (1990)
Declaração
Universal dos
Direitos
da
Criança;
Código Civil
(2002),
Weber
(1999).
Epistem
ologia
Qualitati
va
de
Gonzále
z-Rey
Maternage
Cuidado
Maternagem/
Filhos de
dependen
tes
químicos
em um
bairro
periférico
da cidade
de
SP;
CUIDA
(Centro
Utilitário
de
Intervenç
ão
e
Apoio a
Filhos de
Depende
ntes
Químicos
).
Técnicos
do Setor
de
Adoção
de uma
VIJ
(psicólog
os
e
assistente
s sociais)
Maternid
Winnicott
Psicanál
materno
adequado/
Funda
mentaç
ão
Psicanál
ise/
Psicolog
ia
do
Desenvo
lvimento
.
90
do
abandono
para
o
desenvolvim
ento
psicológico
de bebês e a
maternagem
como fator
de proteção
Elisângela;
CREPALDI,
Maria
Aparecida.
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
SciELO
Família,
álcool
e
violência
em
uma
comunidade
da cidade do
Recife
MELO, Zélia
Maria
de;
CALDAS,
Marcus Túlio;
CARVALHO,
Michelle
Maria
Campos;
LIMA,
Anamaria
Tavares de
2005
Artigo
SciELO
A violência
doméstica e
os desafios
da
compreensã
o
interdiscipli
nar
NEVES,
Anamaria
Silva;
Romanelli,
Geraldo.
2006
SciELO
Abrigar/des
abrigar:
AZÔR,
Mafalda
2008
Ana
psicol.
(Campina
s)
m
como
fator
de
proteção
na
transferênc
ia
da
família de
origem
para
a
adotiva
família
nuclear/
família
monoparental e abandono/ pais
prometidos/
“nova
mãe”/
institucionalização e fatores de
risco/ bebê abandonado/suporte
social - fator de proteção
Conformismo adaptativo/
objeto transicional/ suporte
social/
Hospitalismo.
Personalidade/
apego/delinquência
juvenil.
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Psicologia
em Estudo
_________
Relações
familiares,
uso do
álcool e
comportam
entos
violentos.
Lugar
de
aquisição
de
identidades
pessoais/
transmissão de valores éticos,
estéticos, religiosos e culturais/
agência de socialização/ função
mediadora/ ensina o certo e o
errado/ estrutura familiar/mãe
biológica-responsável
pela
educação dos filhos/família:
sistema semiaberto/ Nossa
família nuclear-modificações
na organização- outros arranjos
familiares/
família
monoparental/ família recasada
e família extensa/ família
tradicional
Família/
Violência
intrafamiliar/
Violência
doméstica/
dependência
química/ feminização da
pobreza/aprendizado
da
agressão.
Família
de uma
comunida
de
de
Recife/
agentes
do PSF/
Prefeitura
municipa
l
de
Recife/
represent
antes da
comunida
de.
Osório
(1996),
Ferrari
(2002),
Levisky
(1998)/
Morrison
(2002)/ OMS
(1993).
Artigo
Estud.
psicol.
(Campina
s)
_________
Discussão
interdiscipl
inar sobre
família e
violência
doméstica
Modelo tradicional de família
nuclear/unidades
domésticas
unipessoais/
organização
familiar/família contemporânea
– produto da ação humana e
controle social/família como
agente de socialização/ família
e reprodução social/ família
como construção social/ grupo
primordial/grupo
de
convivência/
composto
familiar/ desajustes familiares/
instituição primária.
Interdisciplinaridade/violê
ncia
doméstica/
subjetividade/ideologia/
Síndrome do pequeno
poder/
violência
intersubjetiva/
violência
interpessoal/
maus
tratos/violência
física/
violência
sexual/
negligência/
violência
psicológica.
Outros
campos
discursiv
os
(Antropol
ogia,
Ciências
Sociais,
Psicanáli
se).
Bourdieu
(1996)/ Lasch
(1991)/
Guerra,
1998)/
Romanelli
(2003).
Reflexã
o
Teórica
(Interdis
ciplinar)
Artigo
Estud.
psicol.
_________
Institucion
alização
Estrutura
desestruturação
Identidade,
resiliência,
personalidade, maus-tratos
Abrigo e
famílias
Bronfenbrenn
er
(1996)
Não
deixa
familiar/
familiar/
ade
do
hospital
da
Universid
ade
Federal
de Santa
Catarina/
Juizado
de
menores/
abrigo.
Interlocu
tores
(1999)/
Bowlby
(1988;1989)/
Spitz (1945),
Albee (1982;
1984) Szejer,
1999
ise.
Vozes
Funda
mentaç
ão
Análise
estatístic
a
91
conhecendo
o papel das
famílias
nesse
processo
Guedes Cabral
Courinha
Vassalo;
VECTORE,
Celia
(Campina
s)
internação em abrigo- medida
de proteção/ abrigamento e
pobreza/
família
e
desenvolvimento/
frágil
organização familiar/ ausência
da figura paterna/ negligência.
e
atraso
desenvolvimento,
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
SciELO
Famílias e
violência
doméstica:
condições
psicossociai
s pós ações
do Conselho
Tutelar
MILANI; Rute
Grossi;
LOUREIRO;
Sonia Regina.
2008
Artigo
Psicologia
Ciência e
Profissão
_________
Família
notificadas
pelo
Conselho
Tutelar e
condições
psicossocia
is
SciELO
Contextos
ecológicos:
promotores
de
resiliência,
fatores de
risco e de
proteção
POLETTO,
Michele;
KOLLER,
Sílvia Helena.
2008
Artigo
Estud.
psicol.
(Campina
s)
_________
Microssist
emas
ecológicos
e fatores
de
promoção
de riscos e
proteção
SciELO
A
drogradição
na
adolescência
contemporâ
nea
SAVIETTO,
Bianca
Bergamo;
CARDOSO,
Marta
Rezende.
2009
Artigo
Psicologia
em Estudo
_________
Contexto
familiar e
propensão
ao uso de
drogas
no
que
tiveram
seus
filhos
institucio
nalizados
.
Winnicott
(1999),
Bowlby
(1981), Brasil
(1988), ECA
(1990),
LOAS
(1993).
Conceitos
Interlocu
tores
Vozes
Núcleo familiar/ adversidade
crônica (temperamento difícil
dos pais, alcoolismo, conflitos
conjugais)/
rua como extensão da própria
casa.
Desenvolvimento infantil/
risco
psicossocial/
violência
doméstica/
violência
interparental/violação de
direitos/negligência.
Conselho
tutelar e
famílias
notificad
as.
Yunes
e
Symanski
(2001), ECA
(1990),
Cummings et
al.
(1999),
Masten
e
Garmezy,
(1985).
Fator protetivo e de risco/
grupo social básico/ estrutura
da família; resiliência e vínculo
positivo (criança e cuidador)/
cuidados
adequados/
comportamento delinquente em
crianças: famílias numerosas,
doença mental de um dos pais;
discórdia conjugal; habilidades
parentais
limitadas,
desenvolvimento psicológico
saudável.
Instituição enfraquecida e
fragilizada/ estrutura familiar,
família tradicional hierárquica/
família
igualitária/falhas,
excessos e desamparo/ ausência
de autoridade rígida/ nova
moral
doméstica/
família
eticamente renovada/ processo
de modernização da família/
drogadição e fragilidade do
poder familiar/ diluição das
Contexto
ecológico/
resiliência/ situação de
risco (baixa escolaridade
dos pais e baixo status
social ou ausência de rede
social)/
Desenvolvimento/
crescimento psicológico.
Outros
textos
(revisão
da
literatura)
Walker et al.
(2007),
Hawley
e
DeHann
(1996),
Bronfenbrenn
er
(1986,
1995, 1996).
Modelo
ecológic
o
de
Bronfen
brenner/
modelo
bioecoló
gico
Transmissão
psíquica/desampar
identidade posicional.
Discussã
o teórica
(Outros
autores)
Sérvulo
A.
Figueira
(1987),
Bauman
(2001),
Lenoir
(2003), Hugo
Mayer(1997).
Psicanál
ise
o/
claro no
texto,
mas
dialoga
com
autores
da
Psicanál
ise e da
Teoria
Ecológic
a.
Funda
mentaç
ão
Não
deixa
claro no
texto.
92
SciELO
Estilos
parentais e
consumo de
drogas entre
adolescentes
:
revisão
sistemática.
PAIVA,
Fernando
Santana
de;
RONZANI,
Telmo Mota.
2009
Artigo
Psicologia
em Estudo
_________
Influência
dos
comportam
entos
parentais e
uso
de
substâncias
psicoativas
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
SciELO
Era
uma
casa
...!?
Discurso,
dinâmica
familiar
e
contingência
s da rua.
BARROS,
Paula Cristina
Monteiro de;
LIMA,
Albenise
de
Oliveira;
FREJ, Nanette
Zmeri; MELO,
Maria
de
Fátima Vilar
de
2009
Artigo
Psicologia
em Estudo
_________
Crianças e
adolescent
es discurso
sobre
família e
rua como
lugares de
pertencime
nto
SciELO
Importância
do contexto
sociofamilia
r
na
abordagem
de crianças
obesas.
TASSARA,Va
léria;
NORTON,
Rocksane
Carvalho;
MARQUES
Walter Ernesto
U.
2010
Artigo
Revista
Paulista
de
Pediatria
_________
A criança
como
sintoma do
sofrimento
familiar.
figuras de autoridade/ as drogas
ocupam o lugar dos pais
faltante/ renovação ética da
família.
Pais
e
desenvolvimento
sociocognitivo dos filhos/
instituição familiar/ fator de
proteção/
maior monitoramento parental
e menor envolvimento com
drogas/ comunicação adequada
entre pais e filho/ pais mais
conscientes do seu papel.
Estilos parentais/ pais e
mães ( exigentes e
indulgentes)/ suporte e
envolvimento parental.
Bancos
de dados
Medline,
Adolec e
Pubmed
Baumrind
(1971),
Springer,
Sharma,
Guardado,
Nava
&
Kelder
(2006);
Borawski,
IeversLandis,
Lovegreen &
Trapl, (2003);
DiClemente
et al (2001).
Trata-se
de uma
revisão
Sistemát
ica (não
possui
referenci
al
demarca
do).
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
Vozes
Família: casa e rua/ ética
particular/
familiar-privadoíntimo,/fundamental para o
desenvolvimento da criança/
constância
e
estabilidade/
dinâmica familiar, rompimento
com
a
família/famílias
numerosas/comprometimento
psicoafetivo e social/ grupo
familiar (mulher como chefe,
pai não presente)/ rua :
ausência
de
adultos
de
referências, falta de cuidados e
rituais/ estrutura familiar/
grupo primário/ unidade básica
de identificação,
Segredo familiar/relação mãefilho
fusionada,emaranhada/
vivências maternas reeditadas
(dependência, superproteção,
cuidados
alimentares
excessivos)/ dinâmica familiar/
saúde da família/ pessoas
significativas/ reedição do
sofrimento/ fortalecimento dos
Categoria
sociológica
fundamental/
Subjetividade/ constituição
subjetiva/ vulnerabilidade,
negligência/identidade.
Centro de
Referênci
a
para
Infância
e
Adolesce
nte.(Olin
da – PE),
meninos
e
meninas
de rua e
suas
famílias.
Da
Matta
(1991) Arendt
(1972).
Ferreira
(2001),
Winnicott
(1999),
Ferreira
Freud (1909,
1914, 1921).
Funda
mentaç
ão
Psicanál
ise
Sofrimento
psíquico/
identidade/
transgeracionalidade/
lealdade
familiar/
identidade familiar.
Setor de
Nutrologi
a
Pediátric
a
do
Hospital
das
Clínicas
da
Miermont et
al (1994);
Minuchin
(
1982); Aun
(2005);
Teoria
sistêmic
a
93
vínculos familiares.
SciELO
Reinserção
familiar de
adolescentes
: processos
malsucedido
s.
SIQUEIRA,
Aline Cardoso;
MASSIGNA,
Lucianna
Tortorelli;
DELL’AGLIO
,
Débora
Dalbosco.
2011
Artigo
Paidéia
_________
Reinserção
familiar
Ruptura
de
vínculos/
reunificação familiar/mãe de
criação/
famílias
monoparentais/
afastamento
emocional/ vínculos afetivos.
Identidade,/habilidades
parentais/ apoio social/
situação
de
risco/
resiliência/negligência/rein
serção familiar.
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
SciELO
Peculiaridad
es
entre
Conselho
Tutelar
e
crianças
encaminhad
as
pela
escola.
FERNANDES
,
Priscila
Valverde;
ARAGÃO,
Elizabeth
Maria
Andrade.
2011
Artigo
Fractal:
Revista de
Psicologia
_________
Escola,
Conselho
Tutelar e
famílias.
“Mãe
ideal”
(construção
social)/ estrutura familiar/
família burguesa/ sacralização
da mãe.
CAPES
Mãe e filha
na família
incestuosa:
a
composição
de
um
estranho
lugar afetivo
O
abuso
sexual
infantil
intrafamiliar
e os sentidos
compartilha
dos
pelos
professores
em Recife
TRALLI,
Maraysa
Pilhiari
2012
Dissert
ação
______
UFU
Família
incestuosa
RIBEIRO,
Patrícia
Monteiro.
2012
Dissert
ação
______
UNESP
Abuso
sexual
CAPES
Universid
ade
Federal
de Minas
Gerais
Dois
adolescen
tes
ECA (1990);
Nova
Lei
Nacional da
Adoção
(2009);
Bowlby
(1976/1981).
Não
especific
a.
Interlocu
tores
Vozes
Familiarismo/ cotidiano e
discurso psicologizados/
intimismo.
Conselhe
iras
tutelares.
Badinter
(1980);
Donzelot
(1980);
Coimbra
(1995); ECA
(1990).
Funda
mentaç
ão
Perspect
iva
genealó
gica
(Foucaul
t)
Famílias fechadas/ famílias
incestuosas/
“estrutura”
familiar
fragilizada/
cumplicidade da mãe/ família
“tradicional”
Incesto/
Família
“tradicional”/família
moderna, contemporânea
ou pós-moderna.
Clínica
de
Psicologi
a (UFU),
Conselho
Tutelar
Chauí (1985);
Rivière
(1994);
Araújo (1996)
Psicanál
ise
Família: referenciais, valores/
modelos
de
identificação/
trocas
afetivas,
proteção/
vínculo
saudável/
família
nuclear/
rede
familiar/
configurações
parentais/
modelo
patriarcal/
função
afetiva/transmissão de tradição/
laços
de
solidariedade/
referência simbólica/ lócus de
identidade/ famílias desfeitas/
dinâmica
familiar/
figura
paterna e interdição/ família
Violência
doméstica/
violência
institucional/vínculo/
negligência/
violência
(física,
psicológica,
sexual)/abuso
sexual/
pátrio-poder.
Professor
es
da
rede
municipa
l
do
Recife
ARIÈS
(2006);
MUSZKAT,
MUSZKAT
(2003);
NEDER
(1994);
PIMENTEL.
(2002);
Código Civil
Brasileiro
(2002);
CF
(1988); ECA
Represe
ntação
Social
94
protetora, agressividade da
família com a escola/ contexto
promíscuo/ família sacralizada/
modelo de família harmônica,
família
desestruturada,
mulher/mãecuidado,conjugalidade estável.
CAPES
Processos
de
significação
sobre
família em
crianças
acolhidas
institucional
mente
LIRA, Pedro
Paulo Bezerra
de
2012
Dissert
ação
______
UFPE
Sentidos
de família
para
crianças
institucion
alizadas
Família substituta/ família de
origem/ grupo familiar/ família
natural/ família biológica/
família
e
desenvolvimento/unidade
procriadora ou parentesco/
família extensa/ laços de
consanguinidade, de aliança ou
afinidade/ família e vínculo/
família
nuclear/
família
monoparental/família possível/
família idealizada.
Reintegração
familiar/
Teoria
do
Apego,
estabilidade das relações
familiares/
acolhimento
familiar/
adoção/
configurações familiares/
função familiar/ estrutura
familiar/ rompimento dos
laços
familiares
e
institucionalização.,
Crianças
acolhidas
institucio
nalmente
em
Recife
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
CAPES
O
atendimento
a famílias
em situação
de
abuso
sexual: um
estudo
exploratório
PINHO, Aline
Rose Inácio
2012
Dissert
ação
______
UNB
Atendimen
to a família
em
situação de
abuso
Organização
da
família/
estrutura das famílias/família
extensa/
famílias
multiproblemáticas/
arranjos
familiares/ organização em
rede/ família em situação de
risco/
ambiente
familiar
saudável/ núcleo familiar/
função protetiva/ diversidade
de configurações / mediadora
de necessidades internas e
externas/
relações
de
parentesco/ família substituta/
instituição
básica/
mulher
Grupos
familiares/
vínculos
familiares/
violência
intrafamiliar/
transgeracionalidade/
negligência/
consanguinidade/
intergeracionalidade/
família e desenvolvimento
infantil/
monoparentalidade/
reintegração
familiar/
manutenção de vínculos/
violência
doméstica/
violência sexual/ abuso
Prontuári
os
de
famílias
atendidas
pelo
CREAS
(1990);
Dessen
e
Polônia
(2007);Szyma
nski
(2002);Sarti
(2003, 2007);
Vitale (2002);
Cruz e Santos
(2008);
Sattler (2011)
ECA(1990);S
ilva (2006);
Lei
da
Adoção
(2009);
Menelau
(2009);
Bronfenbrenn
er
(1979/1996);
PNCFC
(2006);
Fávero, Vitale
e
Baptista
(2008);
Rabinovich e
Moreira
(2008);
Nascimeto
(2009).
Vozes
Ariès (1973),
Petzold
(1996),
De
Antoni
e
Koller (2000),
(Pelisoli,
2008, p. 60),
PNAS,
Constituição
de
88,
Fonseca
(2007), Soihet
(2007), Sarti
(2004),
Perspect
iva
Socioint
eracioni
sta
Funda
mentaç
ão
Não
especific
a.
95
responsável pelos cuidados e
proteção/
mulheres/mães
responsabilizadas/ ausência da
figura
paterna,
estrutura
familiar
nuclear/
famílias
jovens e numerosas/ família
ampliada/ figuras masculinas
adequadas/ família extensa/
sentimento de família/ fonte de
suporte, violência.
sexual
intrafamiliar,extrafamiliar.
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
CAPES
Família
–
Abrigo
–
Rua:
Construção
de
significados
dos
adolescentes
nas
passagens
por
contextos de
desenvolvim
ento
SOARES,
Selma Maria
Gomes
de
Miranda
2012
Dissert
ação
______
UFPE
Adolescent
es
e
significado
s
de
famíliarua-abrigo
Família
substituta/
desqualificação da família/
configurações
familiares/
“família
desestruturada/família
desorganizada”/
família
enquanto processo
social/
arranjos
e
composições
familiares/
instituição
complexa e diversificada/ lugar
de
reconhecimento,/aprendizagem
e significados, “naturalização”
da família/ famílias pobres/
agente privado de proteção
social/ “desnaturalização” da
família/ família e influência
infracional/
espaço
de
violência/ família ampliada/
nova família/ família nuclear/
lugar de pertencimento/ família
de
origem/
obrigações
Situação de risco/ funções
parentais/
negligência/
maus tratos/ abandono/
violência
familiar/
estabilidade familiar/ rede
familiar/
subjetividade/reinserção
familiar/
violência
intrafamiliar/
desenvolvimento saudável/
centralidade da figura
materna/ papéis familiares/
desagregação
familiar/
família
idealizada/
maternagem/
monoparentalidade/identid
ade feminina e masculina.
Adolesce
ntes
institucio
nalizados
(Macedo,
2008),
Praciano
(2011), Souza
e
Ribeiro
(2005),
SUAS,
O
Caderno de
Orientações
lançado pelo
Conselho
Federal
de
Psicologia em
2009, ECA,
Narvaz
(2005), Penso
e
Neves
(2008),
Ramos
(2010), Melo
(2005),
Azambuja
(2006)
Vozes
Neder
(1994,2002,
2005), Sarti
(1996,2003,
2004),
CF
(1988);
Código
de
1927; ECA
(1990);
Martins
(2005);
Rizzinni
(2003, 1997,
2001);
Bastos;
Alcântara;
FerreiraSantos
(2004);
Szymanski
(1997); Ariès
(1981);
Funda
mentaç
ão
Constru
cionism
o Social,
REDESI
G
e
Psicolog
ia
Cultural.
96
protetivas/ vida extrafamiliar/.
CAPES
Fonte
CAPES
Bruschini
(2000);
Fonseca,
2008),
SOUSA;
PNCFC(
2006); Assis
(1999);
Nascimento,
Trindade
(2010).
Sudbrack
(1992);
Winnicott
(1990).
Adolescente
s autores de
atos
infracionais
e histórias
de
vida:
construindo
histórias em
intervenção
grupal
no
contexto da
medida
socioeducati
va
de
liberdade
assistida
Título
GOMES,
Clara Costa.
2012
Dissert
ação
______
UNB
Adolescent
es
em
liberdade
assistida e
história de
vida
Ausência de referência estável/
falha na família/ droga-sintoma
das dificuldades familiares/
grupo
familiar/
sistema
familiar/ “más companhias” lealdadefamília/
mãereferência positiva/sustentadora
emocional/ omissão do paimãe (protetora, interditora,
provedora)/
cuidado
materno:proteção ilimitada e
confiança/
cuidado
paterno:contenção/
envolvimento
infracionalconflitos familiares
Ciclo de vida familiar/
convívio familiar/ figuras
parentais/
interdição
paterna/desenvolvimento
saudável/ subjetividade.
21
adolescen
tes
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
Vozes
Sexualidade
e violência
em famílias
de
adolescentes
que
cometeram
ofensa
sexual
COSTA,
Bruno
Nogueira
Silva.
2012
Dissert
ação
______
UNB
Ofensa
sexual
cometida
por
adolescent
es
Sentimento de Família e
construção
da
infância/
estrutura familiar/ família é
uma instituição/ cíclica/ tem
estágios/ função protetora/
família
desligada/
família
emaranhada/
família
é
temporal,
estrutural
e
adaptativa/ família extensa/
valores patriarcais/ família de
origem/
família
que
maltrata/pai e limites/ pais
insensíveis às necessidades dos
filhos/ qualidade da relação
familiar/
relação
afetiva
distante/baixa coesão familiar/
família e espaço doméstico
(lar).
Funcionamento saudável/
relações
funcionais
e
disfuncionais/
violência
sexual intrafamiliar/ abuso
sexual/parentalização/
estilo
autoritário/
habilidade
ineficaz/diferenciação de
papéis/ hierarquia familiar/
estilo familiar centrípeto/
poder
familiar/
negligência/
violência
aprendida.
Centro de
Atendime
nto
de
Saúde
Pública –
Centro de
Orientaçã
o
MédicoPsicoped
agógica
(COMPP
).
Ariès
(1975/2006);
Minuchin,
(1982, 1984);
Minuchin &
Fishman
(1990);Thornt
on
et
al.
(2008);
Watzlawick,
Beavin,
&
Jackson,
(1967/2005);
Rolland,
(1995);
Bronfenbrenn
er
(2011);
Martins
&
da
Psicosso
ciologia
e
da
Psicanál
ise
Funda
mentaç
ão
Terapia
familiar
sistêmic
a
97
BucherMaluschke,
(2005);
Fishman
(1996).
Lansford
(2009);
Whiteside e
Becker
(2000);
Hetherington
(1999); Souza
(1989)
Minuchin
(1982);
Nichols
&
Schwartz
(2007);
Maciel e Cruz
(2009);
Minuchin e
Fishman
(2003).
CAPES
Construção
de
um
sistema de
avaliação do
relacioname
nto
Parental
para
situações de
disputa de
guarda
LAGO, Vivian
de Medeiros.
2012
Tese
______
UFRGS
Avaliação
e disputa
de guarda
Dinâmica familiar/ hierarquia
familiar/
relacionamento
parental/ qualidade da relação
pais-filhos/ conflito conjugal/
genitores
psicologicamente
saudáveis/ práticas parentais
(rupturas)/ ensinar aos filhos
cuidados físicos e relações
familiares/ convívio familiar/
qualidade das interações (pais e
filhos)/ figura materna/paterna/
família de origem/ famílias
reconstituídas/ sistema familiar/
família e cuidado/ famílias
intactas e divorciadas/ família
extensa/ estrutura familiar.
Personalidade/
aspectos
transgeracionais/
competências
parentais/
diferenciação de papéis
familiares/ destituição do
poder familiar/ problemas
de ajustamento/ divórcio/
maternagem/paternagem.
Genitores
,
crianças,
psicólogo
s
e
operador
es
do
Direito.
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
Vozes
CAPES
a demanda
de
reconhecime
nto judicial
da
paternidade:
uma
interlocução
da
psicanálise
com
o
direito
DAMASCEN
O, Wadson
2012
Dissert
ação
______
UNB
Reconheci
mento de
paternidad
e
Instituição/
célula
social/
entidade familiar/ crise da
família conjugal tradicional/
democratização da família
nuclear/ relações familiares e
afeto/ estrutura da família/
aglomerados familiares/ origem
biológica.
Paternidade/,
relações
familiares/
filiação
matrimonial e socioafetiva/
filiação e vínculo jurídico/
exame de DNA.
Outros
textos
Mizrahi
(1998);
CF
(1988); Lei da
Paternidade
(1992);
Thurler
(2009);
Legendre
(2012); Diniz
(2002);
Pereira
(2003); Freud
(1930,1986);
Lacan (1938).
CAPES
O
adolescente
em
liberdade
assistida,
genitores e
RIBEIRO,
Viviane Terres
2012
Dissert
ação
______
UNESP
Adolescent
es
em
liberdade
assistida
Família consanguínea biológica
ou substituta/ grupo familiar
nuclear/ relação genitor-filho
com falhas/ boa relação/
família de origem/ sistema
complexo/ estrutura familiar/
Relações intergeracionais/
figuras
parentais/
desamparo/
apego
inseguro/
transmissão
intergeracional/
práticas
positivas
(monitoria
10 jovens
inseridos
no
programa
do
CREAS
Petzold
(1996);
Bowlby
(1997);
Dessen
(2010);
Não
especific
a.
Funda
mentaç
ão
Psicanál
ise
Abordag
em
Bioecol
ógica
98
avós:
vinculação e
práticas
parentais.
ciclo de vida familiar/ família e
prevenção de comportamentos/
família-fator de risco, famílias
estendidas/ família extensa,
família
nuclear,
família
monoparental,
histórico
familiar
e
personalidade
boderline/
fragilidades
no
suporte
familiar
famílias
(nuclear e a extensiva original,
famílias
(recombinada
e
extensiva
recombinada)/
ausência do pai/ configurações
familiares.
positiva e comportamento
moral)/ práticas negativas
(negligência,
disciplina
relaxada, abuso físico,
punição
inconsistente,
monitoria
negativa)/
comportamentos
prósociais/ apego seguro/
apego inseguro evitante/
apego
inseguro
ambivalente/ negligência/ /
violência
intra
ou
extrafamiliar.
II
Minuchin e
Fishman
(1990);
Dessen e Braz
(2005);
Gomide
(2006); ECA
(1990); Rios e
Williams
(2008); Sarti
(2003);
Lisboa et al. (
2007);
Winnicott
(2005); Carter
e Mcgoldrick
(1995).
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
Vozes
CAPES
Lei
Nacional de
Adoção
e
Acolhiment
o
Institucional
: o ponto de
vista
de
psicólogos e
assistentes
aociais
SILVA,
Milena Leite.
2012
Dissert
ação
______
UFSM
Acolhimen
to
institucion
al
Família em situação de
vulnerabilidade
social/
estrutura familiar/ lugar de
transmissão de afetos/ família e
discursos normativos/ cuidados
maternos/ desqualificação da
família pobre/ família e
desenvolvimento/
institucionalização e falha na
rede de proteção/ desamparo/
institucionalização e ausências/
reorganização familiar/ famílias
numerosas/ família biológica/
família adotiva/ família de
origem/ família e proteção
social/ organização familiar/
arranjo
familiar/
família
substituta/ cuidados adequados/
família nuclear/ instituição
familiar/ dinâmica familiar/
reestruturação
familiar/
resgate às famílias/ família em
situação de vulnerabilidade
social/ a família não sabe...ou
não
entende/negligência/
declínio da função paterna.
Reintegração
familiar/
papéis
parentais/
parentalidade/
filiação/
consaguinidade/
adoção
moderna/
subjetividade/
reinserção
familiar/
reintegração familiar.
Psicólogo
s,
assistente
s sociais
e
técnicos
de
instituiçõ
es
de
acolhime
nto
familiar.
Ariès (1981);
Arpini
(2003);
Badinter
(1985);
Fonseca
(2007, 2008);
Costa (1983);
Sarti (2004);
Código
de
1927; Vitale
(2006);
Rizzini
e
Rizzini
(2004);
Declaração
Universal dos
Direitos
da
Criança
(1959); ECA
(1990),
CF
(1988); Azôr
e
Vectore
(2008); Faria
(2001)
;
PNCFC
(2006); Silva,
Funda
mentaç
ão
Não
especific
a.
99
Mello
e
Aquino
(2004);
Unicef
(2006); Ayres
(2008);
Nunes, Sarti,
Ohara
(2008); Costa
(1994); Neder
(1994).
CAPES
A regulação
da conduta
delituosa
pela família:
um estudo
comparativo
entre
adolescentes
judiciarizad
os e não
judiciarizad
os
no
contexto
brasileiro.
DIB,
Azôr
Marina
2012
Dissert
ação
______
USP
Família e
regulação
de conduta
delituosa
Transmissão de valores e
padrões de comportamentos/
ponto de referência/ vínculo
afetivo/ espaço de significação
e subjetivação/ fatores de risco
e
proteção/
família
e
delinquência/
dissolução
familiar/ transições familiares/
monoparentalidade/
relações
familiares negativas/ ambiente
familiar desfavorável/ práticas
parentais/ regulação familiar/
supervisão
parental
inadequada/ sistema familiar/
instituição familiar/ estrutura
familiar/
configurações
familiares/ famílias numerosas/
famílias com relações mais
pobres (menos coesas)/ família
monoparental/ funcionamento
familiar
desfavorável/desarmônico/
experiência familiar positiva na
infância e fator de proteção.
Apego/
transmissão
intergeracional/subjetivaçã
o/ papéis parentais.
68
adolescen
tes
do
sexo
masculin
o
(judiciari
zados e
não
judiciariz
ados)
Le Blanc e
Ouimet
(1988); Feijó
e
Assis
(2004);
Torrente
e
Vazsonyi
(2008);
Castro
e
Guareschi
(2008);
Carvalho
e
Gomide
(2005).
Revisão
Sistemát
ica
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
Vozes
CAPES
A adoção de
crianças no
Brasil:
os
entraves
jurídicos e
institucionai
s
SILVA,
Raquel
Antunes
Oliveira
2012
Dissert
ação
______
Centro
Universitári
o FIEO
Adoção
Família, carinho e atenção/
convívio familiar equilibrado e
justo/ família ideal, “mães
desesperadas”/ famílias inaptas/
espaço familiar, ambiente
adequado/ espaço acolhedor/
vínculos
familiares/
mãeproteção/ família clássica/
Personalidade/
desenvolvimento
emocional/
família
e
desenvolvimento/
vínculo/rompimento
afetivo/
maternidadefeminilidade e identidade/
adoção tardia/ adoção
4
famílias
adotantes
e
um
especialis
ta
ECA (1990);
Freire (1993);
Rodrigues e
Rosin (2007);
Osório
(1996); ORSI
(2003);
Rodrigues e
Funda
mentaç
ão
Perspect
iva da
Rede de
Signific
ações
de
100
famílias homossexuais/ família
patriarcal,
protetora/
incapacidade
familiar
de
cuidados/ família original.
pronta e direta.
Rosin (2007);
Winnicot
(2008);
Bowlby
(1982);
Foucault
(1995);
MOTTA
(2003).
CAPES
Como
ocorre
a
reintegração
familiar?
Investigand
o
esse
processo em
uma
amostra de
crianças
acolhidas
SILVA,
Fernanda
Lacerda.
2012
Dissert
ação
______
USP
Reintegraç
ão familiar
Família de origem/ rede
familiar/
instituição
em
constante
transformação/família nuclear
conjugal/famílias
monoparentais (matrifocais)/
famílias reconstruídas/ famílias
extensas
ou
ampliadas/
estruturas familiares/ família
substituta/ institucionalização e
pobreza/ família natural e
extensa/ / família negligente e
não-negligente/pais não-aptos
para
cuidar/
famílias
“desestruturadas”/
ajudar a família a se organizar.
Reintegração
familiar/
apego/ destituição familiar/
negligência/
violência/
papel parental
Outros
textos
Schaffer
(1971);
Bowlby
(1997),
Duarte
(1996),
Fonseca
(2002;2005),
Sarti (1999;
2008);
Bourdieu
(1997);
Durham
(1983);
Romanelli
(2003);
PNCFC
(2006);
CF
(1988)
;Dessen
e
Polonia
(2007); ECA
(1990).
Perspect
iva
SócioHistóric
a, Rede
de
Signific
ações,
Psicolog
ia
do
Desenvo
lvimento
e
Psicolog
ia
Social.
CAPES
“Família é a
gente com
quem
se
conta”:
o
Programa
Família
Acolhedora
ampliando a
rede
de
pertencimen
to
SETTE,
Carolina
Pereira
2012
Dissert
ação
______
UERJ
A família
nos
programas
de
acolhiment
o
Família de origem/ família
substituta/ organização
familiar/ famílias abandônicas/
família pobre/ relações de
vínculo/ família extensa/
famílias conjugais/ famílias
incorrigíveis são
produzidas/famílias
recompostas/famílias pobres:
discriminação econômica e
simbólica/ “melhor família”/
cuidados adequados/dinâmica
Acolhimento
familiar/
família
acolhedora/
desqualificação
das
famílias/
negligência/
identidade/
institucionalização e não
vivência da intimidade e
individualidade/
família
em
situação
de
vulnerabilidade/ instituição
de
acolhimento
e
constituição
de
laços
afetivos/ adoção tardia/
subjetividade/ “produção
Famílias
de
origem,
famílias
acolhedor
as
e
crianças
e
adolescen
tes
acolhidos
.
Brasil (2004);
CF(1988);
ECA (1990);
Lei
da
Adoção
(2009);
PNCFC
(2006);
SUAS
(2004);
GAAS
(2004); Costa
e
RossettiFerreira
Análise
Instituci
onal
Francesa
101
familiar/ construção social,
idealização e sacralização da
família/ família como
instrumento de controle social.
independente” x “mãe
solteira”/
controle
de
natalidade x maternidade
assistida/ desejo x instinto;,
destituição
do
poder
familiar/violência
doméstica.
(2009);
Fonseca
(2006, 2012),
Uriarte
(2005); Brasil
(2006);
Foucault
(2008);
Bourdieu
(2011); Ariés
(1981);
Badinter
(1985);
Carvalho
(1997); Costa
(2004);
Donzelot
(1986);
Bittencourt
Ribeiro
(2012);
Vianna
(2002).
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Interlocu
tores
Vozes
SciELO
Violência e
fragilidades
nas relações
familiares:
refletindo
sobre
a
situação de
adolescentes
em conflito
com a lei.
ZAPPE, Jana
Gonçalves;
DIAS,
Ana
Cristina
Garcia.
2012
Artigo
Estud.
psicol.
(Campina
s)
_________
Dinâmica
familiar e
atos
infracionai
s
Práticas
educativas
parentais/ estilos parentais/
violência
intra
e
extrafamiliar/
violência
doméstica/
desenvolvimento psíquico/
processo de individuação/
desenvolvimento
psicológico saudável.
Adolesce
ntes
internado
s em uma
unidade
para
cumprim
ento de
medida
socioedu
cativa.
dinâmica
familiar
Roudinesco
(2003); Neves
(2009);
Matias
(2006);
Winnicott
(1994);
Rommanelli
(2006);
Razon (2007).
SciELO
O olhar de
meninos de
grupos
POLLI,
Rodrigo
Gabbi;
2012
Artigo
Estud.
psicol.
(Campina
_________
Meninos
em
situação de
Atos infracionais e fragilidade
nas composições familiares/
instituição de controle social/
constituição dos indivíduos/
construção da personalidade/
novas
composições
familiares/instituição
sólida,
influente e flexível/espaço de
referência para construção de
identidade/ ausência familiar/
institucionalização
e
cronificação
de
atos
infracionais/ famílias divididas/
famílias com infraestrutura
prejudicada/ pai ausente/ mãe
porta-voz
eficiente
das
demandas do filho/ fator de
risco e proteção.
Posição fragilizada da figura
paterna/
mãe
idealizada/
famílias:
reconstituídas,
Família
monoparental/
reconstituída
(recasada)/extensa, adotiva
Meninos
de
um
projeto
Grzybowski,
(2002);
Oliveira,
Funda
mentaç
ão
Psicanál
ise
Avaliaçã
o
Psicológ
102
pobreza e
representaç
ão
de
família
adotivas,
monoparentais,
homoafetivas/ transformações
na estrutura familiar/famílias
pobres/
diversificação
do
modelo nuclear burguês ;
“desestruturação
familiar”/
família
estruturada
nos
padrões tradicionais/ família
não fragmentada/ família ideal/
aumento
da
autoridade
paterna/família e cuidado.
e abrangente.
socioedu
cativo
________
Adoção
Famílias adotivas/famílias de
origem/ família suficientemente
boa/ nova família/ mãe
suficientemente boa.
Desenvolvimento
saudável/
adoção/
estabilidade/ parentalidade
adotiva
e
biológica/
dinâmica
familiar/
construção vincular/adoção
e
preconceito/
personalidade/adoção
pronta/
legítima
parentalidade/
maternagem.
Revista
Instituição
Temática
Expressões/Termos
Conceitos
Casal
adotante,
coordena
ção
de
um
serviçoescola de
Psicologi
a,
que
dispõe de
atendime
nto
especializ
ado em
adoção
(Grupo
de
Assistênc
ia
Integral à
Adoção –
GAIA).
Interlocu
tores
Psicologia
: Ciência
e
Profissão
_________
Direitos da
criança e
do
adolescent
e
Família substituta/ família de
origem/
família
nuclear
tradicional/organização
familiar/fragilização familiar/
reconstituição/formação
de
vínculo/ família e cuidado/
família e proteção/ família
falha, omissa.
Orientação
familiar/
desenvolvimento
emocional/
violência
doméstica/
convivência
familiar.
populares
sobre
a
família
ARPINI,
Dorian
Mônica.
s)
SciELO
Adoção
suficienteme
nte
boa:
experiência
de um casal
com filhos
biológicos
OTUKA, Livia
Kusumi;
SCORSOLINI
-COMIN,
Fabio;
SANTOS
Manoel
Antônio dos
2012
Artigo
Psicologia
: Teoria e
Pesquisa
Fonte
Título
Nome(s)
autor(a/es/as)
Ano
Tipo
SciELO
Os direitos
da criança e
do
adolescente
na
percepção
de
adolescentes
dos
contextos
ALVES,
Cássia
Ferrazza;
SIQUEIRA,
Aline Cardoso.
2013
Artigo
Adolesce
ntes (47)
Siqueira,
Dell’Aglio &
Lopes,
(2008);
Romanelli,
(2002);
Roudinesco
(2003);
Wagner
&
Levandowski,
(2008) Neder
(1994) Peres
(2001)
ECA (1990),
Nova Lei de
Adoção
(2009),
Winnicott
(1953/1997)
Sarti (1996)
Motta (2001);
Costa
e
RossettiFerreira
(2007)
.
ica
Vozes
Funda
mentaç
ão
Teoria
Bioecol
ógica do
Desenvo
lvimento
Humano
PNCFC
(2006);
Rizzini
Rizzini,
(2004);
Wagner,
(2002);
Wagner,
Tronco,
Armani
&
&
Psicanál
ise
103
SciELO
urbano
e
rural.
.
Adoção
tardia
por
casal
divorciado e
com filhos
biológicos:
novos
contextos
para
a
parentalidad
e
(2011)
OTUKA, Livia
Kusumi;
SCORSOLINI
-COMIN,
Fabio;
SANTOS
Manoel
Antônio dos
2013
Artigo
Estud.
psicol.
(Campina
s)
_________
Adoção
tardia
Núcleo
familiar/
arranjo
nuclear
tradicional/nova
família/ cuidadores parentais/
pais suficientemente bons/
infertilidade e adoção/ filho
estruturante do psiquismo/ser
mãe- ter um filho.
Personalidade/parentalidad
e adotiva e biológica.
Um casal
adotante
Lei
da
Adoção
(2009)
Winnicott
(1965/1999),
Sarti (1996),
Levy e FéresCarneiro
(2001), Sarti
(1996), FéresCarneiro
(2001).
Psicanál
ise
