Inventário de barreiras e facilitadores ao empreendedorismo: construção e validação de uma medida psicométrica

Discente: Gustavo Henrique Silva de Souza / Orientador: Prof. Dr. Jorge Artur P. de M. Coelho

Arquivo
GUSTAVO HENRIQUE SILVA DE SOUZA - Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorism.pdf
Documento PDF (2.5MB)
                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
MESTRADO EM PSICOLOGIA

GUSTAVO HENRIQUE SILVA DE SOUZA

Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo:
Construção e Validação de uma Medida Psicométrica

Maceió
2014

GUSTAVO HENRIQUE SILVA DE SOUZA

Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo: Construção
e Validação de uma Medida Psicométrica

Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Psicologia da Universidade
Federal de Alagoas, por Gustavo Henrique
Silva de Souza, como requisito parcial para a
obtenção do título de Mestre em Psicologia.
Área de concentração: Psicometria
Orientador: Prof. Dr. Jorge Artur P. de M.
Coelho

Maceió
2014

Folha de Aprovação

GUSTAVO HENRIQUE SILVA DE SOUZA

Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo:
Construção e Validação de uma Medida Psicométrica

Dissertação submetida ao corpo
docente do Programa de PósGraduação em Psicologia da
Universidade Federal de Alagoas e
aprovada em 4 de Dezembro de
2014.

Banca Examinadora:

______________________________________________________________
(Dr. Jorge Artur P. de M. Coelho, Universidade Federal de Alagoas) (Orientador)

______________________________________________________________
(Dr. Raner Miguel Ferreira Póvoa, Universidade Federal de Alagoas) (Examinador Interno)

______________________________________________________________
(Dr. Emerson Diógenes de Medeiros, Universidade Federal do Piauí) (Examinador Externo)

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário Responsável: Valter dos Santos Andrade
S729i

Souza, Gustavo Henrique Silva de.
Inventário de barreiras e facilitadores ao empreendedorismo: construção e
validação de uma medida psicométrica / Gustavo Henrique Silva de Souza. –
Maceió, 2014.
84 f. : il.
Orientador: Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Maceió, 2014.
Bibliografia: f. 69-77.
Apêndices: f. 78-84.
1. Escala. 2. Empreendedorismo. 3. Comportamento Empreendedor.
4. Psicometria. 5. Psicologia - Barreiras. 6. Psicologia - Facilitadores. I. Título.

CDU: 159.98

À Clara Luz

A depender de mim, os psicanalistas estão fritos... Eu mesmo é que
resolvo os meus conflitos: Com aspirina, amor ou com cachaça.
(Zeca Baleiro)

AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente às duas coisas mais preciosas da minha vida: Clara Luz e Aline
Patrícia. Amo vocês! São minhas inspirações diárias.
Agradeço à minha família por tudo: Pai e Mãe (Alceu e Claudia) pelo incentivo, sei que estão
orgulhosos de mim. À minha avó Silvia, a quem tenho um amor de um filho para uma mãe.
Ao meu Avô Valdeci (Diga que eu não fui, porque eu fiquei). Aos meus irmãos (Arthur e
Andressa). Aos meus tios e tias: Susu, Paulinha, Raquel, Antonio, Patrícia e Carlinhos. A
todos os meus primos, em especial, ao Biel e ao Vino – vocês é que são o futuro da nação. À
Regina e Alice pelo dia-a-dia.
Agradeço ao meu orientador Jorge Artur Peçanha de Miranda Coelho, que soube me elogiar e
me criticar, soube me orientar e me aguentar, e me incentiva sempre a ser um grande
pesquisador. Tenho uma grande amizade por esse cabra, que atende meus telefonemas altas
horas da noite para discutirmos empreendedorismo, estatística e artigos – seja numa segundafeira, ou num sábado, ou domingo. Muito Obrigado.
Gostaria de agradecer imensamente ao professor Nilton César Lima, pela amizade, pela
companhia, pela ajuda, pelos conselhos e orientações. Esse cara tem sido um motivador para a
minha carreira acadêmica e me proporcionou muitos conhecimentos. Construímos uma
amizade para o resto da vida.
Gostaria de agradecer aos professores Elvis Silveira-Martins, Antonio Carlos Silva Costa e
Paulo da Cruz Freire dos Santos pelo apoio contínuo e por terem participado da pesquisa
como juízes de conteúdo e critério no processo de criação da escala.
Gostaria de agradecer ao meu companheiro de estudos, colega de trabalho altamente
competente e comprometido, e também um amigo, Germano Gabriel.
Também, gostaria de agradecer aos amigos que estiveram juntos nesse processo: Zé
Fernandes, Juliana Mascarenhas, Adriana, Lorenna Karolly, Bela Oliveira, Morgana e Sergio.
Claro que eu não poderia de deixar de agradecer e reverenciar os meus ídolos que foram trilha
sonora nas madrugadas de redação desta dissertação: Ao Black Sabbath, que tem sido o
principal catalisador da minha inspiração – Obrigado Ozzy, Tony e Geezer [with God and
Satan at my side]. E também, ao Chorão [viver para aprender e prosperar é um prestígio].

RESUMO
A identificação do comportamento empreendedor vem encontrando dificuldades de
mensuração, uma vez que os resultados e instrumentos, até então desenvolvidos, não têm
apresentado um modelo comportamental de compatibilidade universal para o empreendedor e
não têm seguido algumas recomendações encontradas na literatura para a pesquisa em
empreendedorismo, considerando elementos circunstanciais e comportamentais. Nesse
sentido, visando preencher essa lacuna, esta Dissertação reporta um estudo sobre a construção
e validação do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo, composto por 8
fatores independentes: Intenção de Empreender; Risco; Acesso à Capital; Inovação;
Oportunidade; Liderança e Gerenciamento; Rede de Relacionamento; Paixão. O estudo parte
da premissa de que o indivíduo se depara com Barreiras e Facilitadores, de ordem
comportamental e contextual (social e ambiental), que podem impelir ou inibir a ação de
empreender. Por meio de técnicas de validação, chegou-se a um instrumento de baixo custo
(lápis e papel) e de fácil aplicação (autorrelato), com parâmetros psicométricos adequados.
Palavras-Chave: Comportamento Empreendedor. Inventário. Barreiras. Facilitadores.
Empreendedorismo.

ABSTRACT
The identification of entrepreneurial behavior has finding difficulty to measure it, since the
results and instruments developed so far, have not shown a behavioral model of universal
compatibility for the entrepreneur and not have followed some recommendations from the
literature for the research on entrepreneurship, considering circumstantial and behavioral
elements. In this sense, aiming to fill this gap, this work reports a study on the construction
and validation of the Inventory of Barriers and Facilitators towards the Entrepreneurship,
which consists of 8 independent factors: Entrepreneurial Intention; Risk; Access to capital;
Innovation; Opportunity; Leadership and Management; Relationship network; Passion. The
study assumes that the individual is faced with Barriers and Facilitators of behavioral and
contextual order (social and environmental) which can propel or inhibit the action of
entrepreneurship. By validation techniques, we reached a low-cost instrument (pencil and
paper) and easy to apply (self-report) with good psychometric properties.
Keywords: Entrepreneurial Behavior. Inventory. Barriers. Facilitators. Entrepreneurship.

RESUMEN
La identificación del comportamiento emprendedor viene encontrando algunas dificultades en
medir, ya que los resultados y los instrumentos desarrollados hasta ahora no han mostrado un
modelo de comportamiento de compatibilidad universal para el empresario y no han seguido
algunas recomendaciones de la literatura para la investigación sobre el emprendimiento,
teniendo en cuenta los elementos circunstanciales y de comportamiento. En este sentido, con
el objetivo de llenar este vacío, este trabajo reporta un estudio sobre la construcción y
validación del Inventario de Barreras y Facilitadores para el Emprendimiento, que consta de 8
factores independientes: Intención de Emprender; Riesgo; Acceso al capital; Innovación;
Oportunidad; Liderazgo y Gestión; Red de relaciones; Pasión. El estudio supone que el
individuo se depara con barreras y facilitadores de orden de comportamiento y contextual
(social y ambiental) que puede impulsar o inhibir la acción de emprender. A través de técnicas
de validación, se llegó a un instrumento de bajo costo (lápiz y papel) y fácil de aplicar (autoinforme), con buenas propiedades psicométricas.
Palabras-clave: Comportamiento
Emprendimiento.

Emprendedor.

Inventario.

Barreras.

Facilitadores.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Dimensionalidade do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo ........ 59

LISTA DE QUADROS

Quadro 1: Realidades do empreendedor associadas às suas necessidades ................ 26
Quadro 2: Medidas relacionadas ao Comportamento Empreendedor ....................... 41

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Tipos de Escalas de Comportamento Empreendedor ............................................. 42
Tabela 2: Itens reduzidos na primeira análise ........................................................................ 55
Tabela 3: Itens do Fator Intenção de Empreender ................................................................. 56
Tabela 4: Itens do Fator Risco ............................................................................................... 56
Tabela 5: Itens do Fator Acesso à Capital .............................................................................. 56
Tabela 6: Itens do Fator Inovação .......................................................................................... 57
Tabela 7: Itens do Fator Oportunidade ................................................................................... 57
Tabela 8: Itens do Fator Liderança e Gerenciamento ............................................................ 58
Tabela 9: Itens do Fator Rede de Relacionamento ................................................................. 58
Tabela 10: Itens do Fator Paixão ............................................................................................ 58
Tabela 11: Índices de adequação dos modelos testados para cada um dos Fatores ............... 59
Tabela 12: Parâmetros da Validade de Critério ..................................................................... 61

LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS

AFC – Análise Fatorial Confirmatória
AGFI – Adjusted Goodness-of-Fit Index
AMOS – Analysis of Structures
CFI – Comparative Fit Index
d – Tamanho do Efeito
DP – Desvio Padrão
et al. – E outros
GFI – Goodness-of-Fit Index
gl – Graus de liberdade
KMO – Kaiser-Meyer-Olkin
MDS – Multidimensional Scaling
ML – Maximum Likelihood
p – Significância
p.ex. – Por exemplo
RMR – Root Mean Square Residual
RMSEA – Root Mean Square Error of Approximation
SPSS – Statistic Package for Social Sciences
UFAL – Universidade Federal de Alagoas
χ² – Qui-Quadrado

Sumário
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 16
1.1 Contextualização do Problema de Pesquisa ................................................................... 16
1.2 Objetivos ............................................................................................................................ 18
1.3 Justificativa ....................................................................................................................... 18
1.4 Estrutura do Trabalho ..................................................................................................... 19
2 MARCO TEÓRICO ............................................................................................................ 21
2.1 Empreendedorismo .......................................................................................................... 22
2.1.1 Conceptualização e Aspectos Históricos ......................................................................... 22
2.1.2 O que é o Empreendedor? ............................................................................................... 23
2.2 Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo .......................................................... 29
2.2.1 Definição constitutiva das Barreiras e Facilitadores do Empreendedorismo .................. 29
2.2.2 Intenção de Empreender .................................................................................................. 29
2.2.2 Paixão .............................................................................................................................. 31
2.2.4 Fácil Acesso Instrumental / Rede de Relacionamentos ................................................... 32
2.2.5 Estilo de Liderança / Habilidades de Gerenciamento / Oportunidades ........................... 33
2.2.6 Inovação / Criatividade / Risco ....................................................................................... 36
2.3 Medidas do Comportamento Empreendedor ................................................................ 41
2.3.1 Medidas do Comportamento Empreendedor ................................................................... 41
2.3.2 Construção dos Itens........................................................................................................ 43
2.3.3 Estrutura Teórico-Empírica ............................................................................................. 44
2.3.4 Procedimentos Analíticos e Metodológicos .................................................................... 46
3. ESTUDO EMPÍRICO ........................................................................................................ 48
3.1 Estudo 1. Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo:
Construção, Validação Fatorial e Consistência Interna ..................................................... 49
3.1.1 Definição do Estudo ........................................................................................................ 49
3.1.2 Métodos ........................................................................................................................... 49
3.1.2.1 Procedimentos Iniciais .............................................................................................................. 49
3.1.2.2 Criação dos itens ....................................................................................................................... 49
3.1.2.3 Validade de Conteúdo ............................................................................................................... 50
3.1.2.4 Validade Semântica ................................................................................................................... 51
3.1.2.5 Procedimentos, Amostra e Coleta de Dados ............................................................................. 51
3.1.2.6 Análise dos Dados ..................................................................................................................... 52

3.1.3 Resultados e Discussão.................................................................................................... 54
3.1.3.1 Análises Iniciais: Fatoriabilidade, Redução de itens e Escolha dos Itens ................................. 54
3.1.3.2 Validade Fatorial e Consistência Interna da Versão de 40 itens do Inventário de Barreiras e
Facilitadores ao Empreendedorismo: Parâmetros Finais ...................................................................... 55
3.1.3.3 Validação Confirmatória e Dimensionalidade .......................................................................... 58
3.1.3.4 Validade de Critério .................................................................................................................. 61

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 64
4.1 Discussão Geral ................................................................................................................. 64
4.2 Implicações do Estudo ...................................................................................................... 66
4.3 Apontamentos Finais ........................................................................................................ 67
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 69
APÊNDICES ........................................................................................................................... 78
Apêndice A .............................................................................................................................. 79
Apêndice B .............................................................................................................................. 82
Apêndice C .............................................................................................................................. 83

16

1 INTRODUÇÃO
1.1 Contextualização do Problema de Pesquisa
Em compasso a uma tendência global de estudos sobre o empreendedorismo1, diversas
pesquisas recentes no mundo têm se voltado para a figura central desse fenômeno: o
empreendedor. Essas pesquisas partem de um mesmo ponto, que é a identificação de
comportamentos idiossincráticos comuns entre indivíduos empreendedores e a convenção de
que a ação de empreender não está somente ligada à abertura de um negócio, mas a traços
disposicionais individuais, de ordem imaterial, relacionados à personalidade, atitudes,
crenças, interesses, valores, autoconceito, capacidade e padrões emocionais (RAUCH;
FRESE, 2007; GELDEREN et al., 2008; WU; WU, 2008; SANTOS et al., 2009; SCHMIDT;
BOHNENBERGER, 2009; NASCIMENTO et al., 2010; OBSCHONKA; SILBEREISEN;
SCHMITT-RODERMUND, 2010; ALVES; BORNIA, 2011; ABEBE, 2012; KARABEY,
2012;

MINELLO;

SCHERER,

2012;

MATHIEU;

ST-JEAN,

2013;

MORAES;

HASHIMOTO; ALBERTINE, 2013; TAJEDDINI; ELG; TRUEMAN, 2013; ROXAS;
CHADEE, 2013).
Com efeito, todas as teorias do empreendedorismo entram em um consenso: o
empreendedorismo se trata singularmente de um tipo de comportamento (HISRICH;
PETERS, 2004). Não obstante, Hisrich e Peters (2004) e Santos (2008) argumentam que
ainda não há resultados que apresentem um modelo ou protótipo comportamental universal
para o empreendedor. Isso provavelmente ocorre, porque a correlação entre os constructos
relacionados ao comportamento empreendedor muda à medida que as pesquisas são realizadas
em ambientes e culturas diferentes (MINER, 2000; KRISTIANSEN; INDARTI, 2004;
SANTOS, 2008; NASCIMENTO et al., 2010; ALVES; BORNIA, 2011). E ainda, a criação
de um modelo comportamental universal para empreendedores se depara com dificuldades e
resistências, pois como discutiu Miner (1997b, 2000), habitualmente, encontram-se
empreendedores com estilos diferentes e dentro de pelo menos 4 tipos de personalidade. O
que não anula o fato de que empreendedores possuem traços e características peculiares em
relação ao resto da população, como Mueller e Goić (2002) e Santos (2008) reportam.
Considerando tais discussões, foram desenvolvidas algumas medidas de mensuração
para a identificação de características e traços empreendedores em indivíduos, tendo-se, por
1

Princípio geral do fenômeno empresarial como um processo socioeconômico e comportamental, que se refere
primordialmente à abertura de novos negócios.

17

exemplo, a escala de Carland, Carland e Hoy (1992, 1998) que busca identificar o perfil
empreendedor por meio de preferências e traços de personalidade [Inácio Júnior e Gimenez
(2004) traduziram e validaram esta medida, o Carland Entrepreneurship Index, para o
contexto brasileiro]; a escala de Kristiansen e Indarti (2004) que busca identificar a intenção
de empreender por meio de crenças e características comportamentais; a escala de Lopes
Junior e Souza (2005) que busca identificar atitudes empreendedoras – predisposição em atuar
– através da Teoria do Comportamento Planejado2; e, as escalas de Gonçalves Filho, Veit e
Gonçalves (2007), de Santos (2008) e de Alves e Bornia (2011) que buscam identificar o
potencial empreendedor por meio de crenças, atitudes, traços disposicionais e fatores sociais.
No entanto, todas essas medidas apresentadas comportam limitações e/ou problemas
psicométricos, metodológicos, teóricos ou empíricos, além de discrepâncias na determinação
comportamental. A escala de Carland, Carland e Hoy (1992, 1998), por exemplo,
desenvolvida nos Estados Unidos, apresenta limitações devido ao seu modelo de resposta
dicotômica (ver, MACCALLUM; ZHANG; PREACHER; RUCKER, 2002), restringindo o
leque de análises para a verificação dos padrões de validade (ver, NUNNALLY;
BERNSTEIN, 1995; PASQUALI, 2010). Além disso, falta sustentação teórica para a
estrutura de identificação comportamental que varia em um continuum de “Pouco
empreendedor” a “Muito Empreendedor”. Também, reporta dados inadequados por fazer uso
indevido da análise de componentes principais em itens dicotômicos (medida binária), uma
vez que, deveria ter utilizado a matriz de correlação tetracórica (ver, HAIR et al., 2010;
TABACHNICK; FIDELL, 2007).
A escala de Kristiansen e Indarti (2004), desenvolvida na Noruega, apresenta
limitações referentes à validade fatorial e à consistência interna – sendo reportados baixos
coeficientes alfas (0,33 – 082). Por sua vez, a escala de Gonçalves Filho, Ceit e Gonçalves
(2007), desenvolvida no Brasil, tem seu uso recomendado com base em índices insipientes
(χ2/gl = 3,51; GFI = 0,87; AGFI = 0,85; CFI = 0,83) de qualidade de ajuste, obtidos por meio
de análise fatorial confirmatória (ver, HU; BENTLER, 1999; ARBUCKLE, 2009; KLINE,
2011).
Ademais, todas as medidas citadas foram construídas levando em conta os contextos
da Administração ou da Engenharia de Produção, tendo-se como expertise as teorias do
empreendedorismo. Isto é, ainda não há na área da psicologia uma medida de identificação de
2

AJZEN I. The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, v. 50,
n. 2, p. 179-211, 1991.

18

comportamento empreendedor com parâmetros psicométricos adequados e que efetivamente
prediga tal comportamento, apresentando validade fatorial e de critério, como Pasquali (2010)
recomenda.
1.2 Objetivos
Diante destas constatações, o Objetivo Geral deste trabalho é desenvolver uma
medida psicométrica de Barreiras e Facilitadores frente ao empreendedorismo. O estudo parte
da premissa de que, o indivíduo se depara com Barreiras e Facilitadores que podem definir se
ele irá empreender ou não. O indivíduo, por exemplo, pode ter um facilitador para vir a
empreender, que pode ser a ideia (ou sonho) de criar algo e querer obter resultados ou lucro
com isso; Porém, pode haver fatores que inibam a condução dessa ideia em negócio, como: o
indivíduo não ter capital ou recursos para financiar o negócio. Desse modo, concebe-se que o
indivíduo pode vir a ter um alto potencial empreendedor – suportado por uma série de
Facilitadores –, mas, que existem Barreiras, por fatores individuais, comportamentais ou
contextuais (sociais e ambientais), que inibem a ação individual de empreender.
Assim, complementarmente, este trabalho possui os seguintes Objetivos Específicos
ou Secundários:


Estabelecer os constructos que constituem as Barreiras e os Facilitadores ao
Empreendedorismo;



Mapear possíveis explicadores para o comportamento empreendedor;



Identificar diferenças comportamentais entre empreendedores e não-empreendedores.

1.3 Justificativa
Desenvolver uma medida de Barreias e Facilitadores frente ao empreendedorismo, de
baixo custo (lápis e papel – autoaplicável) e de fácil aplicação (autorrelato), com parâmetros
psicométricos adequados e teórica e empiricamente fundamentada, contribuirá para a
identificação e mapeamento do perfil empreendedor, podendo ser utilizada amplamente em
pesquisas. Além disso, esperar-se-á que o foco nas Barreiras e Facilitadores ao
empreendedorismo proporcione o desenvolvimento de um instrumento funcional, que tenha
aplicabilidade prática em seleção de pessoal em empresas, modelos de treinamento em escolas
e incubadoras, concessão de benefícios e créditos a investidores, bem como, a valoração
profícua do comportamento empreendedor.

19

Além disso, mensurar as Barreiras e Facilitadores ao empreendedorismo é coerente
com as recomendações de Sarasvathy (2004), que alerta para uma reformulação nos estudos
sobre o empreendedorismo, de modo que se abandone a dualidade de “empreendedor” e “nãoempreendedor” e se compreenda a composição do comportamento empreendedor sob a
influência de circunstâncias que se assumem como Barreiras ou Facilitadores. Isso porque, os
instrumentos sobre o comportamento empreendedor anteriormente construídos (p.ex.,
CARLAND; CARLAND; HOY, 1992; KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; LOPES JUNIOR;
SOUZA, 2005; SANTOS, 2008; ALVES; BORNIA, 2011) são suportados apenas por
Facilitadores, não levando em consideração os elementos que inibem a ação individual de
empreender – as Barreiras.
Nesse sentido, tais aspectos justificam a realização do presente trabalho, que se expõe
firmemente na possibilidade de criação de uma medida psicológica eficaz na identificação do
comportamento empreendedor – teórica e empiricamente fundamentada e suportada por
parâmetros psicométricos –, mais funcional e parcimoniosa, que supere se não todas, algumas
das limitações e problemas apresentados pelas escalas de comportamento empreendedor que
foram produzidas anteriormente, já supracitadas, evitando, por exemplo, o enviesamento de
respostas, a difícil avaliação dos itens ou constructos inadequados.
1.4 Estrutura do Trabalho
Este trabalho conta com uma estrutura enxuta, iniciada a partir da Introdução –
Contextualização do Problema de Pesquisa, os Objetivos, a Justificativa e a Estrutura do
Trabalho –, em que, basicamente, são pontuadas apenas as questões estritamente necessárias
para a compreensão do estudo que se apresenta.
Por conseguinte, apresentar-se-á o Marco Teórico. A pertinência de um Marco
Teórico, segundo ressalta Whetten (1989), está em construir uma estruturação teórica que dê
sustentação às proposições de pesquisa do estudo empírico em particular que será realizado.
Nesse sentido, este estudo é específico e central em relação ao empreendedorismo, nos quais
se caracterizarão em 3 tópicos: (1) Discutir as principais contribuições da literatura sobre o
comportamento empreendedor, resgatando alguns aspectos conceituais e históricos sobre este
fenômeno, estabelecendo o conceito geral do que é Empreendedor (o indivíduo em si); (2)
Definir as Barreiras e os Facilitadores ao empreendedorismo; e, (3) Levantar as principais
medidas propostas para a identificação do comportamento individual de empreendedores,
denotando as limitações desses instrumentos.

20

Em sequência, será apresentado um Estudo Empírico, que contará com (1)
Construção do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo; (2) Validação
confirmatória e estrutura dimensional; e (3) Validade de Critério. Este capítulo contará com a
seguinte estrutura: Definição do Estudo; Métodos; Resultados e Discussão.
Finalmente, apresentar-se-á as Considerações Finais, subdivididas em (1) Discussão
Geral, que se aterá a avaliar e interpretar os principais resultados e descobertas dos estudos
empíricos realizados; (2) Implicações do Estudo, que se aterá a discutir as implicações reais e
as possibilidades de aplicabilidade do estudo em relação às questões levantadas na literatura;
e, (3) Apontamentos Finais, que se aterá às limitações do estudo, bem como, à sugestão e à
exposição de agendas de pesquisas futuras.

21

2 MARCO TEÓRICO

22

2.1 EMPREENDEDORISMO
2.1.1 Conceptualização e Aspectos Históricos
O empreendedorismo – axioma central do fenômeno empresarial como processo
socioeconômico e comportamental que se refere primordialmente à abertura de novos
negócios – se estabeleceu como temática e mais recentemente como subárea do
conhecimento, a partir de um compêndio de estudos que mergulham em diversas vertentes
teóricas, tendo sua relevância não apenas para o meio acadêmico, mas para a sociedade (ACS;
AUDRETSCH, 2003; DOLABELA, 2003; FILION, 2004; HISRICH; PETERS, 2004;
BARON; SHANE, 2007; OLIVEIRA, 2008; SANTOS, 2008; BESSANT; TIDD, 2009;
DORNELAS, 2014). Como Santos (2008) ressalta, o empreendedorismo é um fenômeno que
possui altas implicações econômicas e sociais.
Na visão econômica, o empreendedorismo está relacionado à combinação de recursos
(capital, materiais e mão de obra) para a obtenção de lucros e riquezas, em geral, por meio da
introdução de mudanças e inovações na sociedade e/ou no mercado. Na visão social, o
empreendedorismo está relacionado ao desenvolvimento local da comunidade em que o
empreendimento está inserido, por meio da geração de emprego e renda, e pela oferta de
serviços ou produtos novos para a sociedade, tal como uma fonte de suprimento da inovação
(SCHUMPETER, 1961; HISRICH; PETERS, 2004; SANTOS, 2008; SANTOS; DANTAS;
MILITO, 2010).
A isso, é possível encontrar na literatura, estudos nas mais diversas áreas e datados
desde o século XVIII que retratam a questão do empreendedorismo, tais como os estudos
sobre a evolução do pensamento econômico e os riscos nos negócios por Cantillon (1755) –
que faz uma separação estrutural entre o empreendedor e o assalariado, sendo este primeiro
um indivíduo que se arrisca por empreender negócios incertos – e por Say (2003) [publicado
originalmente em 1834] – que estabelece a importância do empreendedor para o
desenvolvimento econômico de uma sociedade, chamando-o inicialmente de “aventureiro”
dos negócios.
Mais recentemente, no século XX, é que o comportamento do empreendedor passou a
ser estudado, quando: Schumpeter (1961) – precursor do pensamento de Say – discutiu o
processo de inovação e a destruição criativa na construção do indivíduo empreendedor;
McClelland (1961) investigou os aspectos da autorrealização como motivador para a ação de
empreender, provavelmente inspirado nas teorias de Max Weber (1967) sobre os valores

23

motivadores da ética protestante ao capitalismo; Shapero e Sokol (1982) levantaram o papel
social do empreendedor; Rotter (1990) considerou o lócus de controle como traço inerente ao
empreendedor; Maslow (1991) desenvolveu uma teoria sobre os aspectos motivacionais que
levam um individuo a empreender; Drucker (1993) estabeleceu a necessidade de ação por
parte do empreendedor, ligando o empreendedor mais a um comportamento do que de fato a
abertura de uma empresa; e, Miner (1997a) estudou os aspectos estritamente psicológicos do
empreendedor.
No postulado histórico do empreendedorismo, esses estudos citados abriram espaço
para o desenvolvimento de diversas discussões específicas sobre o comportamento
empreendedor, marcando o surgimento de pesquisas que buscam identificar padrões
comportamentais entre empreendedores. Assim, sendo este o foco desta pesquisa, a questão
comportamental se torna mais emergente do que qualquer levantamento sobre a precursão
histórica do empreendedorismo. Logo, caso haja a necessidade de maiores esclarecimentos e
aprofundamento no postulado histórico do empreendedorismo, Leite (2000), Hisrich e Peters
(2004) e Santos (2008) trazem relevantes contribuições nessas direções.
2.1.2 O que é o Empreendedor?
Diversas pesquisas recentes, em todo o mundo, têm discutido o “perfil empreendedor”
sob um prisma individual, isto é, uma série de características comportamentais intrínsecas ao
indivíduo que o tornam empreendedor (p.ex., GELDEREN et al., 2008; WU; WU, 2008;
SANTOS et al., 2009; SCHMIDT; BOHNENBERGER, 2009; NASCIMENTO et al., 2010;
OBSCHONKA;

SILBEREISEN;

SCHMITT-RODERMUND,

2010;

MORAES;

HASHIMOTO; ALBERTINE, 2013; TAJEDDINI; ELG; TRUEMAN, 2013; ROXAS;
CHADEE, 2013). Mais especificamente, a ação de empreender está diretamente ligada a
traços disposicionais do indivíduo, de ordem imaterial, subsidiados por aspectos da
personalidade [desenvolvimento cognitivo, adaptação, traços, interesses, impulsos, valores,
autoconceito, capacidade e padrões emocionais]3 e dos valores humanos [orientação das ações
e expressão cognitiva das necessidades básicas]4 (LITTUNEN, 2000; MINER, 2000;
KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; SANTOS, 2008; ALVES; BORNIA, 2011; ABEBE,
2012; KARABEY, 2012; MINELLO; SCHERER, 2012; MATHIEU; ST-JEAN, 2013).

3
4

SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. Teorias da personalidade. São Paulo: Thompson Learning, 2006.

GOUVEIA, V. V. Teoria funcionalista dos valores humanos: Fundamentos, aplicações e perspectivas. São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2013.

24

Rauch e Frese (2007) levantam que o indivíduo nasce para ser empreendedor. Isso
porque, traços de personalidade em comum são encontrados entre empreendedores. Sobre
isso, Friedman e Schustack (2004) sinalizam que esses traços tendem a predizer questões
relacionadas ao trabalho e à carreira profissional. E, embora Franke e Luthje (2004) salientem
que as teorias de personalidades, por terem uma concepção voltada para a explicação de
características gerais, perdem a sua eficácia quando utilizadas para explicar situações
específicas como o comportamento empreendedor, Lezana e Tonelli (2004) e Santos (2008),
por outro lado, são categóricos ao pontuar que os traços de personalidade têm um papel
central no processo o qual um indivíduo opta por iniciar um negócio.
Ciavarella et al. (2004) e Zhao e Seibert (2006), por exemplo, indicam que o principal
traço de personalidade associado ao comportamento do empreendedor é a Conscienciosidade
(Conscientiousness). Basicamente, esse traço de personalidade inclui comportamentos
relativos ao controle da própria vontade, englobando baixa impulsividade, objetividade,
organização e execução de obrigações e deveres, o que explica, por exemplo, bons
desempenhos no trabalho.
Miner (1997a, 1997b, 2000), por sua vez, discute que o empreendedor é subdividido
em tipologias de comportamento, que o levam respectivamente a quatro diferentes
personalidades. O autor propõe que os quatro tipos de empreendedores são: realizador,
supervendedor, autêntico gerente e gerador de ideias.
Estudos correlatos apresentam resultados similares e complementares. Paulino e Rossi
(2003) evidenciaram em empreendedores características relacionadas à objetividade,
persistência, honestidade, sociabilidade e comunicação. Também, Brandstätter (2011) levanta
resultados que evidenciam altas correlações entre a intenção de empreender e traços
disposicionais relacionados à Inovação, Pró-atividade, Autoeficácia, Tolerância a Estresse,
Necessidade de Autonomia, Locus de controle. Mais recentemente, Mathieu e St-Jean (2013)
incluíram o narcisismo como um traço da personalidade de empreendedores, relatando altas
correlações positivas entre o narcisismo e os seguintes constructos: Autoeficácia, Lócus de
Controle e Propensão ao risco.
No entanto, a definição de empreendedor configura-se dentro de um contínuo de
ocorrências (fatores contextuais e ambientais) e comportamentos (fatores individuais) que
tornam um indivíduo potencialmente empreendedor em um empreendedor [de fato] (BARBASÁNCHEZ; ATIENZA-SAHUQUILLO, 2012).

25

A isso, inúmeros autores contribuíram para a conceptualização estrutural do termo
“empreendedor”. Hisrich e Peters (2004) definem o empreendedor como alguém que cria algo
novo, com um valor agregado, e que, portanto, enfrenta riscos financeiros, sociais e psíquicos;
com o objetivo de chegar a uma determinada recompensa, manifestada em um formato de
satisfação e independência econômica e social.
Dentro dessa linha de pensamento, Bygrave (2004) afirma que o empreendedor é
alguém “apaixonado” por aquilo que faz, e pontua 10 fatores concernentes ao comportamento
empreendedor, chamado de os “10 Ds”: Dream; Decisiveness; Doers; Determination;
Dedication; Devotion; Details; Destiny; Dollars; Distribute [respectivamente: Sonhador
(idealizador); Decidido; Fazedor (aquele que faz); Determinado; Dedicado; Devoto;
Detalhista; Destinado; Ambicioso (quer dinheiro); Distribuidor (vende ou comercializa)].
Santos (2008) complementa tais definições, conceituando o empreendedor como
aquele:
Que sente necessidade de criar novos produtos e serviços para atender as demandas
da sociedade ou inovar, melhorando o que já existe. Para executar essas ações é
necessário ser proativo (ter visões e antecipar o futuro) e estar decidido a agir da
forma que julgue adequada para iniciar a atividade a que se propõe, ou seja,
empreender. Nesse contexto ele atua e exerce a destruição criativa (SANTOS, 2008,
p. 65-66).

Por sua vez, Schmidt e Bohnenberger (2009) definem o empreendedor dentro de
características atitudinais. O empreendedor, para os autores, é alguém que (1) é autoeficaz, (2)
detecta oportunidades, (3) planeja, (4) assume riscos calculados, (5) é sociável, (6) é líder, (7)
é inovador e (8) é persistente.
Para esses autores chegarem a esses conceitos foi necessário seguirem uma visão
integradora entre as seguintes perspectivas teóricas do empreendedorismo: desenvolvimento
econômico e risco (CANTILLON, 1955; SAY, 2003 [originalmente em 1834]); sobre o
processo de inovação, a destruição criativa e autorrealização (MACCLELLAND, 1961;
SCHUMPETER, 1961); sobre o papel social do empreendedor (ROTTER, 1990); sobre os
aspectos psicológicos, como lócus de controle, atitudes, motivação e habilidades de
gerenciamento (SHAPERO; SOKOL, 1982; DRUCKER, 1993; MASLOW, 2000; MINER,
2000).
Segundo a proposta de Maslow (2000), o empreendedor é alguém que pode vir a ser
motivado ou impelido a empreender por meio de uma necessidade. A isso, Bhide (2002),
Kristiansen e Indarti (2004) e Castor (2009) defendem que a Necessidade é um dos

26

motivadores principais para um indivíduo ser levado a empreender. A necessidade está
intrinsecamente associada a termos correlatos e complementares, como: Necessidade de
sobrevivência, Necessidade de realização, Necessidade financeira e Necessidade de emprego
(desemprego).
Souza et al. (2013) analisam com maior profundidade o tema, e levantam que os
conceitos de “necessidade” expõem realidades específicas do empreendedor que o impelem a
empreender. Isto é, uma realidade do indivíduo determina o surgimento de uma necessidade,
que por sua vez, se configura como um fator preditivo do empreendedorismo.
De modo que se tornem claras essas realidades inseridas em cada um dos eixos das
necessidades, o Quadro 1 expõe essa relação.
Quadro 1: Realidades do empreendedor associadas às suas necessidades
Realidades
Necessidade correlata
Necessidade central
(1) Falta de renda: alimentação; saúde;
Fisiológica1
Necessidade de Sobrevivência
educação; lazer etc.
(Necessidades básicas)
(1) Crescimento Pessoal [recompensa
ou sonho]; (2) Desejo de [Aspirações
pessoais]: ter o próprio negócio; ter
muito dinheiro [lucro]; fazer o que
quiser; obter grandes posições na
sociedade;
ser
independente;
sobressair-se sobre seus concorrentes;
Psíquica2
ser o chefe [mandar]; (3) Autocontrole; Necessidade de Realização
(Comportamental)
(4) Autoeficácia; (5) Lócus de controle;
(6) Satisfação econômica e social; (7)
Predominância de aspectos afetivos:
ambição, persistência, obstinação,
paciência,
otimismo,
confiança,
coragem, perseverança, arrogância
ousadia, paixão, não aceita fracasso.
(1) Baixa renda; (2) Não estabilidade
Necessidade Financeira
no emprego; (3) Escassez de emprego;
Social3
(4) Difícil inserção no mercado de
Necessidade de Emprego
trabalho.
1
2
Fonte: Maslow (2000); McCleland (1961), Rotter (1990), Hisrich e Peters (2004), Kristiansen e Indarti (2004),
Schmidt e Bohnenberger (2009), Nassif, Ghobril e Silva (2010), Mathieu e St-Jean, 2013, Moraes, Hashimoto e
Albertini (2013); 3Abebe (2012), Souza et al. (2013).

Maslow (2000) assume que as necessidades são elementares a qualquer indivíduo e
são fatores de motivação intrínseca comum. As necessidades impulsionam o acionamento dos
fatores preditores do empreendedorismo. Isto é, as necessidades agem como dispositivos (1)
complementares, de modo balizador, dos fatores instrumentais (materiais) e sociais
(imateriais) que influenciam o acionamento ao empreendedorismo e (2) potencializadores de
características e traços individuais empreendedores.

27

Em outra perspectiva de análise, Castor (2009) afirma que tornar-se empreendedor é
ser um “aventureiro” [termo utilizado também por Say em 1832], cercado de riscos e
ameaças. Isso porque, como Castor (2009) levanta, 50% das novas empresas fecham antes de
completar 2 anos de existência, 57% não passam do terceiro ano e 60% não passam do quarto
ano.
A isso, Drucker (2003) defende a proposta de que a empresa é um “Centro de Custos”,
pois, os negócios só existem para produzir resultados e lucros para o mercado ou para a
economia; ou seja, para fora da empresa. Na realidade, dentro da empresa só existem custos,
que o empreendedor percebe como restrições e desafios. E nesse sentido, empreendedor é
aquele que se posiciona frente a uma realidade para convertê-la em oportunidade, visando
resultados e lucros.
Assim, empreender ou ser empreendedor não é apenas um modo de ser, que se limita a
um modelo comportamental de criatividade ou inovação, por exemplo; mas sim, pelo
desenvolvimento de uma ação de fato, na abertura de uma nova empresa, no desenvolvimento
de um novo produto ou serviço, ou uma atividade inovadora (DRUCKER, 1993, 2003). Logo,
empreendedor é também aquele que consegue manter o negócio ou é persistente para tentar
novamente outro negócio, caso fracasse no anterior – empreender é um ciclo contínuo
(MINER, 1997a, 1997b; SANTOS, 2008; CASTOR, 2009; SANTOS et al., 2009).
Essa conceptualização implica que o indivíduo “age” ou “faz”. Ou seja, o indivíduo
sente a necessidade de desenvolver ou criar algo para obter lucro com isso; Tem uma ideia,
paixão ou sonho e imagina a execução dessa ideia de maneira proativa; Para isso, o indivíduo
pode inovar ou melhorar algo que já existe; Toma decisões para conduzir a ideia; Se prepara e
investe; Age (empreende): Concretiza o “negócio”, seja este “negócio” a abertura de uma
empresa, ou o desenvolvimento de um produto ou serviço, ou uma atividade inovadora; E, se
mantém no negócio ou persiste com novas ideias futuras, no qual, se inicia um novo ciclo.
De acordo com Schnaars (1997), muitos estudiosos no decorrer do século XX, têm
discutido apenas sobre os inúmeros benefícios que o empreendedor tem por ser pioneiro e das
características do indivíduo que o estabelecem no mercado como precursor ou inovador, isto é
Facilitadores.
No entanto, dentro desse processo, o indivíduo se depara com Barreiras que podem
definir se ele concretizará ou não o seu objetivo, ou seja, se irá empreender (SARASVATHY,
2004). O indivíduo, por exemplo, pode ter um facilitador para vir empreender, que pode ser a

28

ideia (ou sonho) de criar algo e querer obter resultados ou lucro com isso. Porém, pode haver
fatores que inibam a condução dessa ideia em negócio, como: (1) o indivíduo não tem
disposição para enfrentar os riscos de um negócio; ou (2) o indivíduo não tem capital para
financiar o negócio. A seguir, apresentar-se-á a definição constitutiva das Barreiras e
Facilitadores, visando fundamentar teoricamente o modelo que se pretende construir.

29

2.2 BARREIRAS E FACILITADORES AO EMPREENDEDORISMO
2.2.1 Definição Constitutiva das Barreiras e Facilitadores
Segundo a proposta de Sarasvathy (2004), Doyle, Reid e Young (2008), Alencar
(2010) e Crouse, Doyle e Young (2011), as Barreiras são fatores que impedem ou
interrompem uma ação, enquanto que os Facilitadores são fatores que motivam [incentivam]
ou sustentam uma ação. Especificamente, para o problema do empreendedorismo, Sarasvathy
(2004, p. 709) sustenta que “a remoção das barreiras podem promover mais e melhor o
empreendedorismo do que quaisquer incentivos”. Por suposto, o indivíduo se depara com
Barreiras e Facilitadores, de ordem comportamental e contextual (fatores sociais, econômicos
e ambientais), que impelem ou inibem a ação de empreender.
Considera-se que o indivíduo pode vir a ter potencial empreendedor, suportado por
uma série de Facilitadores (por exemplo, estilo de liderança ou fácil identificação de
oportunidades de negócios) que favorecem o indivíduo a empreender, mas ao coexistirem às
Barreiras (por exemplo, ausência de suporte financeiro ou indisposição aos riscos de um
negócio) que assumem o papel de regulação ou trava das ações, indicando algum tipo de
perda ou ônus para o indivíduo, a ação de empreender é inibida. Desta forma, as Barreiras e
os Facilitadores atuam conjuntamente na explicação da ação empreendedora.
Embora as Barreiras e Facilitadores possam abarcar diversos constructos
[personalidade, valores, atitudes etc.] (CROUSE; DOYLE; YOUNG, 2011), no campo do
empreendedorismo as Barreiras e Facilitadores agem como um constructo circunstancial
(SARASVATHY, 2004) e, por isso, fatores do comportamento do empreendedor ligados, por
exemplo, à personalidade [como lócus de controle e persistência] (ver, BRANDSTÄTTER,
2011) ou aos valores [como necessidade de realização e sobrevivência] (ver, GOUVEIA;
MILFONT; FISCHER et al., 2009; GOUVEIA; MILFONT; GUERRA, 2014) não são
incluídos neste tipo de medida.
Assim, segue-se a descrição dos aspectos comportamentais do empreendedor e a
proposição constitutiva das Barreiras e Facilitadores, para que se possa, então, operacionalizar
a construção do instrumento proposto.
2.2.2 Intenção de Empreender
Unanimemente, a Intenção de Empreender é o atributo catalisador do comportamento
empreendedor (FRANKE; LÜTHJE, 2004; KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; GUROL;

30

ATSAN, 2006; GELDEREN et al., 2008; SANTOS, 2008; SANTOS et al., 2009;
NASCIMENTO et al., 2010; OBSCHONKA; SILBEREISEN; SCHMITT-RODERMUND,
2010; ABEBE, 2012). Segundo a proposta de Dolabela et al. (2008), Santos (2008) e Santos
et al. (2009), o que torna um indivíduo em um empreendedor em potencial é a sua vontade ou
desejo de abrir e/ou possuir um negócio próprio, sendo este negócio uma empresa ou um
produto/serviço ou mesmo uma ideia. Isto é, a ação voltada para os negócios, em geral, tem
predição a partir de uma intenção.
Por sua vez, para Kristiansen e Indarti (2004), a intenção de empreender não existe por
si só. Para os autores, a intenção de empreender é uma predisposição do indivíduo aos
negócios, formada por 3 elementos: (1) fatores demográficos e individuais [gênero, idade,
nível educacional e experiências de trabalho]; (2) personalidades e atitudes [necessidade de
realização, lócus de controle e autoeficácia]; e, (3) elementos contextuais [acesso à capital,
acesso à informação e redes sociais].
Dentro da perspectiva de Kristiansen e Indarti (2004), a intenção de empreender está
intrinsecamente ligada às características culturais, condições econômicas e políticas e
infraestrutura local onde o indivíduo se encontra. Proposta corroborada por Dolabela et al.
(2008), em que, segundo os autores, algumas culturas tendem a incentivar a abertura do
próprio negócio mais do que outras. Esta hipótese tem sido corroborada em pesquisas
empíricas realizadas na Alemanha, na Áustria e nos Estados Unidos por Franke e Lüthje
(2004), na Indonésia e na Noruega por Kristiansen e Indarti (2004), na Turquia por Gurol e
Atsan (2006) e no Brasil por Nascimento et al. (2010).
A base teórica que explica a intenção de empreender se apresenta na Teoria da Ação
Planejada [Theory of Planned Behavior (AJZEN, 1991)]. Como a intenção prediz um
comportamento ou uma ação, ela necessita de balizadores psicológicos que viabilizem o
desejo ou a vontade. Segundo a teoria de Ajzen (1991), esses balizadores são: (1) a atitude em
relação ao comportamento, isto é, crenças que avaliam determinado comportamento como
favorável ou desfavorável; (2) a norma subjetiva, isto é, a percepção do indivíduo em relação
à pressão social recebida dos sujeitos externos (família, amigos, a sociedade) para agir de
determinadas formas; e, (3) o controle do comportamento percebido, isto é, como o indivíduo
percebe a sua própria capacidade de realizar determinado comportamento, verificando os
facilitadores e as barreiras existentes em cada escolha.
Portanto, a intenção só se tornará ação se houver a sobreposição de facilitadores sobre
as barreiras. Isto é, um indivíduo que possui a intenção de empreender em maior medida, é

31

um empreendedor em potencial, independente de oportunidades lucrativas ou possibilidades
de sucesso [Facilitador], enquanto que, outros indivíduos podem ter a intenção de empreender
apenas sob as condições de lucro ou sucesso [Barreira].
2.2.3 Paixão
Diversos são os motivadores que levam um indivíduo a empreender, em geral,
associados a algum tipo de necessidade (MASLOW, 1998). Mais especificamente à
necessidade de realização, o atributo Paixão tem sido considerado um dos motivadores
centrais do empreendedorismo, ganhando destaque entre muitos estudos sobre o
empreendedor (p.ex., CARDON et al., 2005; MA; TAN, 2006; LOCKE; BAUM, 2007;
RAUCH; FRESE, 2007; CARDON, 2008; LUZ; LEITE, 2008; COELHO; RIGUETTI, 2010;
BARLACH, 2011; LAAKSONEN; AINAMO; KARJALAINEN, 2011; BARLACH;
MALVEZZI, 2012; LUNA, 2012; CARDON et al., 2013). Segundo a proposta de Dornelas
(2014), o empreendedor é um indivíduo que não quer ser igual aos seus pares e possui uma
motivação singular: é apaixonado pelo que faz. Ou, como Bygrave (2004) afirma, o
empreendedor é um indivíduo dedicado e devoto ao trabalho.
A definição de empreendedor, segundo Dornelas (2014) – publicada originalmente em
2001 –, propõe que este é um indivíduo diferenciado, que não quer ser igual aos seus pares,
quer deixar um legado e ser reconhecido, admirado, referenciado e imitado. O empreendedor
tem uma motivação singular: ele é apaixonado pelo que faz. Ou como Bygrave (2004)
levanta, o empreendedor é um indivíduo dedicado e devoto ao trabalho.
Cardon et al. (2005) foram mais afundo, sugerindo que a atividade empreendedora está
intimamente relacionada à emoção, apesar de os aspectos emotivos serem negligenciados no
contexto empresarial e gerencial. Para os autores, comumente, empresários lidam com seus
negócios como algo pessoal, se apegam ao negócio, e sentem que o negócio é como se fosse,
metaforicamente, um “bebê” ou um “filho”. Esse sentimento de paternidade, segundo os
autores, levam os empreendedores a nutrirem uma prevalente paixão pelo próprio negócio.
Por sua vez, Ma e Tan (2006) reportam que devido ao propósito do empreendedor de
ser pioneiro e de inovar, indubitavelmente imerso na prática da criação e do desenvolvimento,
há uma autoexigência para atingir metas, avançar por sobre o risco e encontrar oportunidades,
que o leva à paixão empresarial. Isto é, ou o empresário se apaixona e “vive” somente para o
negócio, ou negócio morre.

32

Para Locke e Baum (2007), o empreendedor possui uma paixão egoista, que o motiva
a lutar pelo desenvolvimento do próprio negócio. Os autores afirmam que a motivação é um
mediador de características individuais relacionadas como, por exemplo, perseverança, visão,
independência, necessidade realização e paixão. Nesse sentido, Mathieu e St-Jean (2013)
relatam que essa característica de paixão pode estar relacionada à personalidade narcisista do
empreendedor, isto é, o empreendedor se sente como se fosse o próprio negócio em si.
Por outro lado, Laaksonen, Ainamo e Karjalainen (2011) analisam que
empreendimentos bem sucedidos, comumente, requerem um empreendedor (inventor)
apaixonado pelo negócio. Na perspectiva dos autores, o ambiente mercadológico arriscado, as
dificuldades nos estágios iniciais e o desenvolvimento do negócio são fatores que só
conseguem ser superados se houver uma integração de objetivos e recursos, que em geral, não
está relacionado à boa administração, mas sim, a perseverança que o empreendedor tem de
manter e continuar o negócio.
Compreende-se que a predisposição a apaixonar-se pelo próprio trabalho é um aspecto
que incentiva o surgimento do empreendedor [Facilitador], no entanto, um empreendimento
exige dedicação extrema e demasiado envolvimento pessoal [Barreira], isto é, independente
de se satisfazer com o que faz, é necessário que o empreendedor mantenha o negócio, mesmo
que tenha que viver exclusivamente para o seu negócio.
2.2.4 Fácil Acesso Instrumental / Rede de Relacionamentos
Segundo Kristiansen e Indarti (2004, p. 64), o Fácil Acesso Instrumental – capital
(dinheiro) ou equipamentos e recursos –, “é um preditor positivo significativo da intenção
empreendedora”. Ideia compartilhada por Brush, Greene e Hart (2002), que afirmam ser
capital e recursos os principais itens de apoio para o desenvolvimento de um
empreendimento.
No entanto, Sheng (2008) defende que não adianta apenas ter capital (dinheiro), mas
sim, a facilidade de se conseguir o capital. O autor demonstra que a facilidade de obtenção de
mercadorias, financiamento e recursos, por meio de redes de relacionamento formais e
informais, motiva empreendedores a iniciarem seus próprios negócios.
É notório que muitos estudiosos do empreendedorismo vêm

defendendo

vigorosamente a questão de que o empreendedor possui ou deve possuir boas redes de
relacionamento, pois, as parcerias são essenciais para o desenvolvimento de qualquer negócio.
Shapero e Sokol (1982) foram os pioneiros a definirem o papel do empreendedor como um

33

indivíduo social. Outros autores corroboram essa linha de pensamento e trazem termos
variados que influem em uma determinação ampla para “social”. Bhide (2002), por exemplo,
afirma que o empreendedor tem boas relações interpessoais. Kristiansen e Indarti (2004), em
uma visão mais sistêmica e gerencial, expõem que o empreendedor está inserido em redes
sociais em busca de parceiros e aliados estratégicos. Nassif, Ghobril e Silva (2010) apontam a
capacidade de comunicação como característica fundamental do empreendedor para realizar
parcerias.
Nos últimos anos, Santos (2008), Santos et al. (2009) e Nascimento et al. (2010)
levantaram que o empreendedor é alguém que constrói redes de relações formais e informais
para a concretização de seus objetivos pessoais e empresariais. Para isso, o empreendedor
torna-se ou é – em essência –, segundo Schmidt e Bohnenberger (2009), um indivíduo
sociável e/ou extrovertido.
2.2.5 Estilo de Liderança / Habilidades de Gerenciamento / Oportunidades
Elementos interdependentes relacionados aos aspectos valorativos e traços
disposicionais, comumente, caracterizados dentro das necessidades de realização, como,
querer ter o próprio negócio, querer ter muito dinheiro, querer ser o chefe [mandar], buscar
autocontrole e autoeficácia, ser ambicioso, persistente, obstinado e decidido e não aceitar
fracasso, geralmente, são fatores subjacentes ao desenvolvimento de um perfil específico
dentre indivíduos potencialmente empreendedores: o estilo de liderança (MUELLER; GOIĆ,
2002; MARKMAN; BARON, 2003; KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; LEZANA;
TONELLI, 2004; LOPES JUNIOR; SOUZA, 2005; MARKMAN; BARON; BALKIN, 2005;
SANTOS, 2008; SCHMIDT; BOHNENBERGER, 2009; BARLACH, 2011; MORAES;
HASHIMOTO;

ALBERTINI,

2013).

Por

sua

vez,

outras

abordagens

associam

especificamente o estilo de liderança do empreendedor a traços de narcisismo (MATHIEU;
ST-JEAN, 2013) e de lócus de controle interno (MINER, 2000; MUELLER; THOMAS,
2001).
O estilo de liderança é um atributo essencial do empreendedorismo, que o
empreendedor adquire devido as suas preferências, necessidades e traços de personalidade. O
estilo de liderança é subsidiado por aspectos psicossociais e comportamentais, embora nem
todos os indivíduos que apresentam tais aspectos tornam-se líderes (MUELLER; GOIĆ, 2002;
MARKMAN; BARON, 2003; FILION, 2004; LUZ; LEITE, 2008; KARABEY, 2012). Logo,
é possível pontuar que o estilo de liderança é um dos fatores decisivos que induzem um
indivíduo empreender, isto é, ser líder e não liderado.

34

Dentro dessa linha de pensamento, autores como Drucker (1993), Miner (2000),
Hisrich e Peters (2004), Lezana e Tonelli (2004), Guiso e Schiavardi (2005), Santos (2008) e
Castor (2009) sugerem que o empreendedor, além de um estilo de liderança, possui
habilidades que podem permear a disciplina [foco e prioridades], a objetividade [metas e
economia], o planejamento [conhecimento e ações intencionais e coordenadas], a
flexibilidade [articulação e maleabilidade], a resolução de problemas [senso criativo e
imaginação] e a comunicação persuasiva [negociação e aquisição]. Tais habilidades, apesar de
encontradas em diferentes graus dentre empreendedores, estão sempre entre os fatores de
capacidade individual do empreendedor.
Assim, compreende-se que o perfil empreendedor engloba também certas habilidades
de gerenciamento que estão interligadas ao estilo de liderança. Isto é, o empreendedor possui
aspectos psicológicos e comportamentais que o levam a um perfil de líder e de centralizador,
o que implica na aquisição de habilidades de gerenciamento.
Além das habilidades de gerenciamento, segundo Santos (2008), há aspectos nos
empreendedores que surgem devido à habilidade de resolução de problemas – implícitos o
senso criativo e a aquisição de informações –, que é a identificação e valoração das
oportunidades.
Especificamente, a oportunidade empreendedora (entrepreneurial opportunity), como
definem Saravasthy et al. (2002; 2003), é a existência de uma conjuntura de fatores –
pessoais, contextuais, mercadológicos etc. –, que são favoráveis e adequados para a criação ou
desenvolvimento de um negócio ou produto/serviço que possua valor econômico. Saravasthy
et al. (2003, p. 143) estabelecem 3 elementos que permeiam a oportunidade empreendedora:
1. Novas ideias ou invenções que podem levar ao alcance de um ou mais objetivos
econômicos, tornados possíveis através dessas ideias ou invenções; 2. Crenças
acerca de coisas favoráveis ao alcance desses objetivos; e, 3. Ações que
implementem esses objetivos através de específicos (inventados) novos artefatos
econômicos (que podem ser bens, na forma de produtos ou serviços e/ou entidades
como empresas ou mercados, e/ou regras, como padrões e normas).

Além disso, pesquisas têm indicado o “senso de oportunidade” como um atributo
social em seu papel para a geração de novos negócios (OLIVEIRA, 2004; SANTOS, 2008;
ZAHRA et al., 2008; BOSZCZOWSKI; TEIXEIRA, 2012). Não obstante, a oportunidade está
relacionada intimamente (nexus) com o postulado histórico do indivíduo, isto é, as
oportunidades, em geral, têm ligação com o empreendedor e com a sua vida e o contexto com
o que o indivíduo passa ou passou, tendo importância na trajetória do empreendedor para

35

alcançar o sucesso do negócio (SHANE, 2003; SARASON; DEAN; DILLARD, 2006;
SANTOS-ÁLVAREZ; GARCÍA-MERINO, 2010).
A isso, defende-se que, em termos de empreendedorismo, a oportunidade não só deve
ser identificada e valorada, mas deve ser explorada. Nessa perspectiva, o empreendedor é
aquele que possui o senso de oportunidade aguçado, para poder exercer a sua atividade, que é
empreender. Esse ciclo de identificação, valoração e exploração da oportunidade também é
chamado de processo de internacionalização do negócio, isto é, um processo em que o
empreendedor internaliza todas as coisas para encontrar e empreender oportunidades: vive em
estado de alerta, é o próprio centro de interesse, utiliza-se da lógica causal e de experiências
prévias, sendo o meio em que o empreendedor está – suas redes sociais e o ambiente
organizacional – o balizador central da identificação, valoração e exploração da oportunidade
(GAGLIO; KATZ, 2001; SAKS; GAGLIO, 2002; ARDICHVILI; CARDOZO; RAY, 2003;
CASSON, 2005; CORBETT, 2005; PARK, 2005; CASSAR, 2006; CHOI; LÉVESQUE;
SHEPHERD, 2008; HARMELING; SARASVATHY; FREEMAN, 2009; UCBASARAN;
WESTHEAD; WRIGHT, 2009; SANTOS-ÁLVAREZ; GARCÍA-MERINO, 2010).
Porém, uma das contribuições que mais marcaram a questão da oportunidade e o
comportamento empreendedor foi o trabalho de Nicolaou, Shane, Cherkas e Spector (2009).
Os autores demonstraram que os mesmos fatores genéticos contribuem para a identificação e
valoração da oportunidade e a tendência do indivíduo em ser empreendedor (n = 1706 pares
de gêmeos). Os autores descobriram que o senso de oportunidade é um atributo de herança
genética, sendo 53% da correlação (positiva) entre oportunidade e empreendedorismo advindo
de uma etiologia genética comum. Os mesmos autores descobriram posteriormente (SHANE
et al., 2010), que os fatores genéticos são responsáveis por parte da covariância entre as
características de personalidade e a tendência a ser empreendedor (n = 4712 pares de
gêmeos).
Assim, partindo dessas contribuições, compreende-se que características essenciais
que demarcam o empreendedor, como habilidades de gerenciamento (liderança, controle,
metas e planejamento) e o “senso de oportunidade” (identificação, valoração e exploração),
instituem-se como traços disposicionais individuais que atuam como reguladores das ações
empresariais, uma vez que indicam predisposições para responder a certas situações em uma
organização hierárquica de escolha. Logo, a predisposição à liderança e o senso de
oportunidade podem ser considerados Facilitadores ao Empreendedorismo, enquanto que, a

36

falta de habilidades de gestão e o baixo interesse por explorar oportunidades podem ser
considerados Barreiras ao empreendedorismo.
2.2.6 Inovação/ Criatividade / Risco
Com efeito, uma das características individuais do empreendedor mais antigas
(CANTILLON, 1755) e difundidas (DRUCKER, 1993) entre as teorias do empreendedorismo
é a Inovação. Drucker (1993) afirma que os empreendedores são essencialmente inovadores.
A inovação em si é o principal instrumento que o empreendedor se utiliza para explorar ou
executar um negócio. Santos (2008) enfatiza que o empreendedor se envolve pessoalmente
com processos de inovação, que transpassam o ambiente empresarial e são visualizados
também em sua vida. Resultados de Cruz (2005) indicam que o constructo de Inovação
mostra correlações positivas com valores de Existência, mas que os empreendedores
apresentam-se sonhadores (idealistas) em relação aos seus respectivos negócios.
No entanto, de acordo com Carvalho (2005), a inovação é um termo de múltiplas
facetas, que depende do contexto utilizado, sendo comumente adotados nas áreas da
economia, engenharia, marketing e administração. De modo integrador, enfatizando os
aspectos comportamentais do empreendedor, a autora detecta 3 (três) capacidades de inovação
do empreendedor: Estratégia, Cooperação e Concentração.
Estratégia. O empreendedor “analisa os elementos relacionados à competição baseada
na criação de valor pela inovação” (CARVALHO, 2005, p. 131), para isso, ele precisa ter
intenção inovadora para buscar formas de gerar vantagem para o seu negócio, explorando
novos mercados ou novos produtos/serviços, com objetivos e metas futuros traçados dentro
desse limiar.
Cooperação. O empreendedor está ligado a redes e comunidades que ele se conecta
intencionalmente para inovar. Para isso, este indivíduo desenvolve ações inovadoras, como
promover seus próprios mecanismos de aprendizagem experiencial (interação formal ou
informal) e mecanismos instrumentais (recursos e capital), que lhe proporcionem concretizar
seus objetivos.
Concentração. O empreendedor se foca nos aspectos organizacionais que circundam o
seu negócio, levantando os fatores externos incidentais e suas próprias condições estruturais,
de modo que possa manter seu negócio competitivo.
Em complemento, Bessant e Tidd (2009) afirmam que a inovação é guiada pela
habilidade do empreendedor de visualizar oportunidades, criar redes e tirar vantagem delas.

37

Para isso, o empreendedor se envolve com novas possibilidades produtivas, avanços
tecnológicos ou coisas radicais, tendo a capacidade de identificar onde e como pode ser criado
ou fomentado um novo mercado para suas inovações. Os autores vão mais além, e assumem
que o empreendedor não apenas reconhece a importância da inovação e quer que a inovação
ocorra, mas é o próprio agente ativo da inovação gerando novas ideias, selecionando as
melhores ideias e implementando-as e difundindo-as, transformando-as em negócios, visando
garantir resultados profícuos.
Alguns autores, por sua vez, associam à inovação alguns aspectos do empreendedor
como: ter conhecimento específico do mercado e da área do negócio [produtos, serviços,
potencialidades, perspectivas etc.] (BRUSH; GREENE; HART, 2002; WU; WU, 2008;
NASSIF; GHOBRIL; SILVA, 2010); ter visão, iniciativa, sensibilidade [insights],
prospecção, imaginação [sonhos] e criatividade [talento natural] (DORNELAS, 2004;
SANTOS, 2008; SCHMIDT; BOHNENBERGER, 2009); ter propensão à criação, fazer
coisas, agir, desenvolver, mudar (SANTOS, 2008; TAJEDDINI; ELG; TRUEMAN, 2013); e,
ter a capacidade e competência de detectar e aproveitar novas oportunidades, mesmo
assumindo riscos (KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; SCHMIDT; BOHNENBERGER, 2009;
ALVES; BORNIA, 2011; BOSZCZOWSKI; TEIXEIRA, 2012; KARABEY, 2012). A
Inovação, nesse sentido, é um fator que o impulsiona à ação, criação e desenvolvimento. Isto
significa que, um indivíduo inovador tem grande possibilidade de empreender, seja uma ideia
ou um negócio, como afirma Dornelas (2014).
Em uma perspectiva mais aguçada, Schmidt e Bohnenberger (2009) propõem que um
elemento diretamente ligado à Inovação é a Criatividade. Associada conceitualmente à
inovação como um atributo anterior, a criatividade deve ser analisada separadamente e
complementarmente, porque é o ponto-chave para os outros fatores da inovação como a
imaginação e a sensibilidade, e porque é um atributo que surge através da confluência de 6
fatores distintos e inter-relacionados: inteligência; estilo intelectual; conhecimento;
personalidade; motivação; e, contexto ambiental (ALENCAR, 2010). Ou seja, a criatividade é
um fator psicológico altamente complexo, que não pode ser visualizado apenas como um
preditor da inovação, mas sim, como um catalisador para que um indivíduo empreenda, isto é,
aplique e concretize suas ideias (CALAZANS; GUEDES, 2011).
A criatividade é um fenômeno de múltiplas faces ligado a aspectos individuais e
ambientais, no qual, o atributo de ser criativo significa:

38

[...] ver as coisas do mesmo modo que todo mundo vê, mas ser capaz de pensar de
forma diferente sobre elas, e ainda ter a habilidade para produzir um ato que tanto é
novo, original e inesperado, quanto útil, e adaptável às dificuldades das tarefas [...]
(CALAZANS; GUEDES, 2011, p. 150).

Nesse sentido, Drucker (2001) analisa que quando o indivíduo inova e é criativo, ele
passa por uma série de resistências de aceitação de sua inovação em relação a outrem, e em
termos de negócios, isso significa o sucesso ou o fracasso empresarial. Para que o indivíduo
consiga ou queira passar por essa situação, em geral, ele tem que se sentir motivado ou
disposto a arriscar. Ou seja, inovar é algo arriscado. Porém, toda a atividade econômica
também é arriscada. O empreendedor é aquele que tenta definir e delimitar os seus riscos.
Por sua vez, estar disposto a arriscar é um comportamento que envolve a
predominância de aspectos afetivos, como ambição, persistência, obstinação, paciência,
otimismo, coragem, perseverança, ousadia e não aceitar o fracasso (NASSIF; GHOBRIL;
SILVA, 2010). A isso, Moraes, Hashimoto e Albertini (2013) impõem uma ressalva ao
comportamento empreendedor de estar disposto ao risco, que é justamente a aplicabilidade
calculada do risco, isto é, assumir riscos calculados.
Drucker (2001, p. 157) comenta sobre isso de modo categórico: os empreendedores
inovadores têm algo em comum, eles “não querem assumir riscos”. Os empreendedores
“tentam definir os riscos que precisam enfrentar e minimizá-los o máximo possível”, caso
contrário, nenhum deles obteria sucesso.
Evidentemente, a inovação é arriscada. Como também é arriscado entrar em um
carro e ir até o supermercado. Toda a atividade econômica é, por definição “de alto
risco” [...] Os inovadores que eu conheço têm sucesso à medida que definem os
riscos e o delimitam (DRUCKER, 2001, p. 157).

Por outro lado, o medo ou aversão ao risco inibe o posicionamento de um indivíduo a
empreender (SANTOS, 2008). Relativo a isso, Drucker (1993; 2001; 2003) apresenta uma
tipologia de riscos que influem em qualquer empreendimento. Para o autor, “um risco é
pequeno ou grande de acordo com sua estrutura e não apenas conforme sua magnitude”
(2003, p. 181). Assim, existem (1) os riscos embutidos na natureza do negócio, ou seja,
inerentes a qualquer empreendimento; (2) os riscos que se podem correr, isto é, os riscos de
investimentos (financeiros e tempo gasto), sociais e psíquicos em busca de uma oportunidade;
(3) os riscos que não se podem correr, por exemplo, ser incapaz de manter o negócio por falta
de capital ou por falta de conhecimento e mercado; e, (4) os riscos que não se pode deixar de
correr, ou seja, uma grande oportunidade de negócio que apresenta facilidades de recursos,
capital e conhecimento, que o indivíduo não pode deixar passar.

39

Segundo Drucker (2003), os riscos 1, 2 e 3 são as principais barreiras para um
indivíduo empreender. Cantillon (1955) foi precursor sobre a capacidade de correr riscos, ao
levantar que os riscos inerentes a qualquer empreendimento [risco 1] indicam claramente a
capacidade do indivíduo de ser corajoso para abrir um negócio – ideia trabalhada
posteriormente também por Nassif, Ghobril e Silva (2010), sobre a coragem como um aspecto
afetivo do empreendedor.
Em outro momento, quando Schumpeter (1961) expõe sobre o processo de inovação
como parte característica do empreendedor, surge a questão dos riscos que se podem correr
[risco 2]. Diversos autores enfatizam que esse tipo de risco é o mais importante para a
concretização da ação de empreender (p.ex., BHIDE, 2002; HISRICH; PETERS, 2004;
CARVALHO, 2005; SANTOS, 2008; ALVES; BORNIA, 2011; KARABEY, 2012), isso
porque, segundo Karabey (2012), os riscos inerentes ao negócio são riscos comuns, que
qualquer indivíduo pode vir a enfrentar em qualquer etapa da vida; assim, o que diferencia o
empreendedor do indivíduo não-empreendedor é exatamente a disposição para correr riscos
diferenciados visando potencializar seus negócios, mesmo que possam ocasionar maiores
perdas (econômicas, sociais ou psíquicas).
Por sua vez, Miner (1997a; 1997b) contribuiu com a definição dos aspectos gerenciais
necessários ao empreendedor. Para o autor, a falta de capital e a falta de conhecimento ou
mercado para manter o negócio é um risco que o empreendedor (em seu papel gerencial) se
dispõe a correr, mas que não se pode correr [risco 3]. Isso ocorre, segundo Santos (2008) e
Karabey (2012), porque o estilo cognitivo do empreendedor enfatiza a característica
“persistência”, logo, mesmo que o empreendedor fracasse, ele irá tentar de novo.
Portanto, como designam Moraes, Hashimoto e Albertini (2013), o empreendedor é
alguém que assume riscos, e mesmo os riscos calculados e os riscos inerentes ao negócio,
ainda assim, são riscos, e balizam o acionamento comportamental da ação de empreender
como um regulador. Logo, indivíduos que tem predisposição a correr riscos enfatizam este
atributo como um Facilitador, enquanto que, indivíduos que tem aversão ao risco enfatizam
este atributo como uma Barreira.

40

2.3 MEDIDAS DO COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR
2.3.1 Medidas de Comportamento Empreendedor
As medidas existentes sobre o comportamento empreendedor no meio acadêmico, em
geral, não comungam características parecidas ou não entram em um consenso sobre o melhor
modelo de análise para esse comportamento. Além disso, as medidas de comportamento
empreendedor têm partido da análise de características diversas e multifacetadas, o que têm
dificultado a criação de um modelo comportamental universal.
Não obstante, algumas medidas tentam identificar apenas características pontuais
associadas ao empreendedor. Como exemplo, no estudo realizado por Santos (2008) foram
levantadas algumas dessas medidas associadas ao comportamento empreendedor, que tinham
como objetivo identificar somente aspectos subjacentes ao empreendedor (Quadro 2).
Quadro 2: Medidas relacionadas ao Comportamento Empreendedor
Pesquisas
Koen et al. (2001)
Hoen et al. (2002)
Smith (2002)
Ucbasaran e Westhead (2002)
Baum, Bird e Chardavoyene (2003)
Kikul e Gundry (2002)
Phan, Wong e Wang (2002)
Schimitt-Rodermund e Vondraceck (2002)
Stewart Junior et al. (2003)
Luthans e Ibrayeva (2006)
Gurol e Atsan (2005)
Beugelsdijk e Noorderhaven (2005)
Brollo (2006)
Korunga et al. (2003)
Envick e Langord (2003)
Moriano, Sánches e Palací (2004)

Características Investigadas
Habilidades cognitivas.
Persuasão e habilidades sociais.
Propagação de valores.
Identificação de oportunidades.
Inteligência prática.
Personalidade proativa.
Crenças, propensão a aprender.
Propensão a aprender.
Necessidade de realização, propensão a lidar com
riscos e preferência por inovação.
Autoeficácia.
Propensão ao risco, tolerância à ambiguidade, lócus de
controle, necessidade de realização, inovação,
autoconfiança.
Responsabilidade, esforço.
Competitividade, autonomia, realização, mudança e
autoeficácia.
Necessidade de realização, propensão a riscos,
iniciativa, lócus de controle, e autorrealização.
Neuroticismo (ajustamento), extroversão
(sociabilidade), consciência, afabilidade e franqueza.
Valores, autoeficácia, riscos, lócus de controle.

Fonte: Adaptado de SANTOS (2008, p. 127).
Nota: As referências dos autores citados neste quadro podem ser encontradas em Santos (2008, p. 127) 5.

As medidas levantadas no Quadro 2 mostram o quanto o comportamento
empreendedor segue linhas de pensamento independentes. No entanto, analisa-se que algumas
5

SANTOS, P. da C. F. dos. Uma escala para identificar potencial empreendedor. 2008. 364 f. Tese
(Doutorado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil,
2008.

41

características do empreendedor têm sido comuns e encontradas repetidamente nessas
pesquisas: necessidade de realização, lócus de controle interno, propensão ao risco, inovação
e autoeficácia.
Apesar de sempre haver características semelhantes entre empreendedores,
encontradas dentre as pesquisas, essas medidas não procuravam uma valoração do
comportamento empreendedor de forma sintetizada e objetiva. Santos (2008) argumenta que
os atributos do empreendedor devem ser medidos conjuntamente, balanceando um pouco de
cada característica do empreendedor, visando encontrar um protótipo equalizado do
empreendedor.
Nessa perspectiva, algumas medidas de comportamento empreendedor, com atributos
diversos e universais, foram construídas visando à mensuração do perfil de um empreendedor
em potencial, levando-se em conta um atributo consensual: vontade, desejo ou intenção de
empreender. Estas escalas estão dispostas na Tabela 1 com suas principais características
constitutivas.
Tabela 1: Tipos de Escalas de Comportamento Empreendedor
Escala de Empreendedorismo
Carland, Carland e Hoy (1992)
Kristiansen e Indarti (2004)
Lopes Junior e Souza (2005)
Gonçalves Filho, Veit e Gonçalves
(2007)
Santos (2008)
Alves e Bornia (2011)
Fonte: Dados da pesquisa.

Tipologia
Dicotômica
Tipo Likert – 7 pontos
Tipo Likert – 10 pontos

Variáveis
33 itens
15 itens
35 itens

Fatores
4
5
2

Amostra
211
251
290

Tipo Likert – 10 pontos

25 itens

8

965

Tipo Likert – 11 pontos
Tipo Likert – 11 pontos

49 itens
83 itens

10
12

445
764

Carland, Carland e Hoy (1992; 1998) desenvolveram o Carland Entrepreneurship
Index, um instrumento que identifica 4 Fatores em empreendedores: (1) traços de
personalidade (necessidade de realização e criatividade), (2) propensão à inovação, (3)
propensão ao risco e (4) postura estratégica.
Kristiansen e Indarti (2004) desenvolveram uma escala de intenção empreendedora,
que identifica crenças e características comportamentais de empreendedores por meio de 5
Fatores: (1) Necessidade de Realização, (2) Lócus de Controle, (3) Autoeficácia, (4)
Facilidade Instrumental e (5) Intenção de Empreender.
Lopes Junior e Souza (2005) desenvolveram uma escala de atitudes empreendedoras –
tendo como base a Teoria do Comportamento Planejado6 –, que identifica predisposições do
6

AJZEN I. The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, v. 50,
n. 2, p. 179-211, 1991.

42

indivíduo a atuar como empreendedor, por meio de 2 Fatores: (1) “Prospecção e Inovação” e
(2) “Gestão e Persistência”.
Gonçalves Filho, Veit e Gonçalves (2007) desenvolveram a escala PPE (Perfil do
Potencial Empreendedor), que identifica comportamentos particulares de empreendedores em
potencial por meio de 8 Fatores: (1) Risco, (2) Competência estratégica, (3) Pensamento
analítico, (4) Relacionamento, (5) Planejamento formal, (6) Desafio, (7) Inovação e (8)
Dedicação.
Santos (2008) e Alves e Bornia (2011) desenvolveram escalas de potencial
empreendedor, em que, tentaram identificar o potencial de um indivíduo se tornar
empreendedor verificando crenças, atitudes, traços disposicionais e fatores sociais. Santos
(2008) se utilizou de 10 Fatores: (1) Intenção de Empreender, (2) Oportunidade, (3)
Persistência, (4) Eficiência, (5) Informações, (6) Planejamento, (7) Metas, (8) Controle, (9)
Persuasão e (10) Rede de Relações. Por sua vez, Alves e Bornia (2011) se utilizam de 12
Fatores: (1) Oportunidade, (2) Persistência, (3) Qualidade, (4) Eficiência, (5) Riscos, (6)
Metas, (7) Informações, (8) Planejamento, (9) Controle, (10) Persuasão, (11) Rede de relações
e (12) Autoconfiança.
Para analisar estas medidas apresentadas tentou-se seguir os padrões psicométricos de
construção e validação de escalas (PASQUALI, 2010). Assim, pretendeu-se identificar as
lacunas dessas principais medidas de comportamento empreendedor, em relação a limitações
e/ou problemas psicométricos, metodológicos, teóricos ou empíricos, e discrepâncias na
determinação comportamental. Todavia, em alguns casos, os autores não relataram os
procedimentos de forma clara, dando vazão a algumas inferências e críticas.
2.3.2 Construção dos itens
Inicialmente, em termos de construção de itens, apenas Santos (2008) apresenta uma
base teórica que sustenta a escolha dos itens a serem testados empiricamente e segue os 12
procedimentos para construção de itens recomendados por Pasquali (1998) – os mesmos
reeditados em Pasquali (2010). Todos os outros autores citados parecem negligenciar o
processo de construção dos itens, ainda que afirmem a utilização, por exemplo, da Teoria da
Ação Planejada (p.ex., KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; LOPES JUNIOR; SOUZA, 2005;
ALVES; BORNIA, 2011). Talvez, essa lacuna teórica e metodológica possa ser explicada,
pelo fato dessas medidas de comportamento empreendedor terem sido apresentadas em

43

formato de artigo científico, diferentemente de Santos (2008), que apresentou a construção da
sua medida em formato de Tese.
Não obstante, os autores deveriam pelo menos mencionar como se deu a escolha dos
itens. Alves e Bornia (2011) informam que se utilizaram dos 103 itens preliminares da versão
experimental – ainda a ser testada empiricamente – da escala de Santos (2008). Apesar dos
itens criados por Santos (2008) serem teoricamente fundamentados e apresentarem validade
de conteúdo e semântica, Alves e Bornia (2011) parecem ter utilizado-os de forma fortuita,
contrapondo-se apenas pela utilização da Teoria de Resposta ao Item (TRI).
Ainda, sobre a criação dos itens, apenas Lopes Junior e Souza (2005), Gonçalves
Filho, Veit e Gonçalves (2007) e Santos, (2008) apresentam validade de conteúdo e
semântica, e desses, apenas Gonçalves Filho, Veit e Gonçalves (2007) e Santos, (2008)
realizaram um pré-teste em seus itens, antes de submetê-los à aplicação.
2.3.3 Estrutura teórico-empírica
Quanto à estrutura teórico-empírica, compreende-se que todas as medidas citadas
(CARLAND; CARLAND; HOY, 1992, 1998; KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; LOPES
JUNIOR; SOUZA, 2005; GONÇALVES FILHO; VEIT; GONÇALVES, 2007; SANTOS,
2008; ALVES; BORNIA, 2011) apresentam algum tipo de limitação. É notório que qualquer
trabalho, inclusive o que aqui se apresenta, possui algum tipo de limitação. No entanto, a
proposta a que se parte aqui é evidenciar a necessidade da construção de outra medida para
verificar o comportamento empreendedor, partindo-se de uma perspectiva de pesquisa que
tente superar ou minimizar os problemas encontrados nas medidas construídas anteriormente.
Por exemplo, nas escalas de comportamento empreendedor, não se sabe certamente o
porquê da escolha dos atributos que foram investigados. Os autores já supracitados, em geral,
realizam um recorte teórico dentro da abordagem a que se pretende investigar. Gonçalves
Filho, Veit e Gonçalves (2007) e Santos (2008) justificam as escolhas de seus atributos por
meio do mapeamento de todos os aspectos relacionados ao comportamento empreendedor e
seu funcionamento em termos psicológicos, entretanto, se utilizam de alguns padrões culturais
para predizer o comportamento do empreendedor. Desse mesmo modo, a escala de
Kristiansen e Indarti (2004) mostra problemas na estrutura teórico-empírica por focar-se em
padrões culturais como preditores do empreendedorismo.
O problema de permitir que uma medida de identificação de comportamento
empreendedor avalie fatores relacionados estritamente a uma determinada cultura é que pode

44

torná-la válida para um local e inválida para outro. A exemplo disso, Kristiansen e Indarti
(2004) se utilizam de itens que são ambíguos e, provavelmente, não expressam um
comportamento claro que qualquer empreendedor venha a ter, como no item: “Eu, com
certeza, não acredito em sorte”. Na Noruega, os indivíduos investigados apresentaram-se
neutros neste item, isto é, não houve endossamento significativo por parte dos investigados se
estes acreditavam ou não na sorte. Diferentemente, na Indonésia, os indivíduos investigados
apresentaram neste item um endossamento significativo em não acreditar na sorte. Talvez, na
região em que Kristiansen e Indarti (2004) realizaram o estudo (Noruega e Indonésia), o
empreendedor seja mais comedido e tradicional, ao ponto de não acreditar na sorte, e sim,
apenas – e tão somente – no trabalho duro e contínuo.
O que, no entanto, vai de encontro a algumas abordagens do comportamento
empreendedor, que pontuam claramente o empreendedor como um indivíduo sonhador,
aventureiro, predestinado, apaixonado e inovador [imaginação e criatividade] (BYGRAVE,
2004; DORNELAS, 2014). Ou seja, o empreendedor deveria, supostamente, acreditar na
sorte, o que não ocorreu com o empreendedor de Kristiansen e Indarti (2004). Logo, o item
sobre “sorte” não representa claramente o empreendedor universal.
Como já pontuado, as escalas de Gonçalves Filho, Veit e Gonçalves (2007) e de
Santos (2008) possuem itens que também apresentam ambiguidade e que possam não
expressar claramente o comportamento do empreendedor, por exemplo: “gosto de cumprir
prazos” ou “gosto de realizar meus trabalhos de forma correta e dentro dos prazos
estabelecidos” (SANTOS, 2008); e, “ser sistemático na definição de procedimentos é crucial
para aprimorar o negócio” ou “a coisa mais importante que eu faço para este negócio é
planejar” (GONÇALVES FILHO; VEIT; GONÇALVES, 2007).
Os dois itens de Santos (2008), que foram destacados, não são características claras no
comportamento empreendedor. O autor relaciona o “gosto” por cumprir prazos a um
comportamento planejador do indivíduo empreendedor. No entanto, este atributo
comportamental é multifacetado e ambíguo, uma vez que o gosto por cumprir prazos não
significa que o indivíduo cumpra os prazos, e que, o fato do empreendedor ser planejador
(idealizador) não significa que ele goste de cumprir prazos. Por outro lado, no segundo item,
Santos (2008) relaciona o gosto por cumprir prazos com realizar os trabalhos de forma
correta. Nesse item, assim como em outros, o autor não segue uma das regras básicas da
construção de itens: exprimir apenas uma ideia (PASQUALI, 2010). O indivíduo pode, por
exemplo, gostar de cumprir prazos e não gostar de realizar o trabalho de forma correta. A isso,

45

Shimonishi e Machado-da-Silva (2003), Pedroso, Massukado-Nakatani e Mussi (2009) e
Souza et al. (2013) reportam atitudes relacionadas a improviso, intuição, esperteza, antiética e
corrupção em empreendedores de regiões subdesenvolvidas e de população baixa-renda. Ou
seja, o conceito de “realizar o trabalho de forma correta” não está claro e não representa o
empreendedor, assim como, o gosto por cumprir prazos.
Por sua vez, os dois itens de Gonçalves Filho, Veit e Gonçalves (2007), que foram
destacados, apresentam características ambíguas e que podem ser endossadas por qualquer
indivíduo, não sendo necessariamente o comportamento do empreendedor. Como o item “ser
sistemático na definição de procedimentos é crucial para aprimorar o negócio”, que não
apresenta nenhuma característica do empreendedor e não é um atributo teoricamente
fundamentado. E de maneira análoga, o item “a coisa mais importante que eu faço para este
negócio é planejar”, implica que planejar é a coisa mais importante em um negócio, não
reportando nenhum tipo de comportamento ou característica – somente uma tentativa de
verificar o atributo “planejamento” –, e que é ambíguo ao ponto de que a resposta pode levar
o indivíduo a responder pelo grau de importância do planejamento e não pelo planejamento
em si. Além disso, a coisa mais importante para um negócio pode ser inovação, produção,
marketing, planejamento etc., a depender do tipo de negócio e da vontade particular do
empreendedor. Neste caso, inovar ou planejar são ambas características do empreendedor, que
poderiam ser as mais importantes que o empreendedor realizaria para um negócio.
2.3.4 Procedimentos analíticos e metodológicos
Quanto aos procedimentos analíticos, somente as medidas de Kristiansen e Indarti
(2004) e Alves e Bornia (2011) não apresentam ou suprimem a validade fatorial. Assim, estas
medidas perdem grande parte de sua relevância empírica devido à falta de uma
parametrização em termos estatísticos.
Ainda, Kristiansen e Indarti (2004) reportam baixíssimos níveis de consistência
interna em alguns constructos de sua Escala (alfas de Cronbach entre 0,33 e 0,82), mesmo
utilizando indevidamente como parâmetro aceitável os valores a partir de 0,5 – uma vez que
Hair et al. (2010) sugerem que os limites de aceitabilidade do Alfa de Cronbach são de 0,60 a
0,70, ponderando ainda o tipo de pesquisa e o objetivo requerido com o valor alfa, sendo,
comumente, utilizado a partir de 0,6 para fins exploratórios, e a partir de 0,7 para fins
confirmatórios.

46

As demais medidas apresentam validade fatorial, somente por meio da análise fatorial
exploratória, reportando o número de itens encontrados e as respectivas cargas fatoriais de
seus itens (CARLAND; CARLAND; HOY, 1992; KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; LOPES
JUNIOR; SOUZA, 2005; SANTOS, 2008); com exceção de Gonçalves Filho, Veit e
Gonçalves (2007, p. 36) que apresentam, além da exploratória, uma análise fatorial
confirmatória – não especificada na metodologia do estudo, sem a apresentação dos índices
requeridos e nomeada como “validade convergente do modelo fatorial”.
Em relação à validade fatorial, cabe ressaltar que a medida de Carland, Carland e Hoy
(1992, 1998), apresenta limitações devido ao seu modelo de resposta dicotômica, restringindo
o leque de análises para a verificação dos padrões psicométricos. Também, apresenta
problemas metodológicos, como o uso indevido da análise fatorial de componentes principais
em itens dicotômicos, uma vez que, segundo Hair et al. (2010) e Tabachnick e Fidell (2007),
para a realização de análises fatoriais em variáveis dicotômicas (medida binária) deve-se
utilizar inicialmente a matriz de correlação tetracórica.
Ainda, cabe mencionar que a escala de Santos (2008) apresenta alguns problemas
metodológicos, como a utilização de priming (vinhetas) e a coleta de dados com itens de
mesmo fator juntos e não embaralhados, o que pode gerar enviesamento das respostas
coletadas. No caso do uso do priming, a escala de Santos (2008) leva o respondente a pensar
nas características, especialmente positivas, dos constructos que estão sendo avaliados,
impelindo o respondente a endossar os respectivos itens devido à desejabilidade social.
Nesse sentido, uma vez que as medidas sobre o comportamento empreendedor
mostram-se insipientes em seu intento, quando analisadas sob uma ótica crítica aos seus
elementos constitutivos e procedimentais, a necessidade de uma medida mais robusta vai se
estabelecendo mais claramente, à luz de melhores resultados. Assim, apresentar-se-á a seguir
a construção e validação do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo,
sendo reportado um estudo empírico.

47

3 ESTUDO EMPÍRICO

48

3.1 INVENTÁRIO DE BARREIRAS E FACILITADORES AO
EMPREENDEDORISMO
3.1.1 Definição do Estudo
Conforme previamente estabelecido, o objetivo deste estudo é construir e validar uma
medida psicométrica de barreiras e facilitadores frente ao empreendedorismo: o Inventário de
Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo. Este estudo apresenta evidências acerca dos
parâmetros psicométricos da medida proposta e versa sobre os procedimentos básicos de
validação, partindo-se da Teoria Clássica dos Testes: validade semântica, validade de
conteúdo, validade fatorial e consistência interna, validade fatorial confirmatória e validade de
critério, conforme recomenda Pasquali (2010).
3.1.2 Método
3.1.2.1 Procedimentos Iniciais
O primeiro passo, para a construção da medida proposta, foi a criação dos itens. O
segundo passo foi a análise dos itens, no qual, os itens foram submetidos a duas etapas de
avaliação: Validade de Conteúdo e Validade Semântica. Após estas etapas, foi possível contar
com a versão experimental do instrumento e submetê-lo ao teste empírico para a verificação
da validade fatorial e da consistência interna.
3.1.2.2 Criação dos Itens
Inicialmente, para a criação dos itens do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo, foi realizada uma revisão de literatura por sobre as principais
perspectivas teóricas e as mais recentes descobertas nesse âmbito, em que se buscou
estabelecer os elementos configurados como Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo
e operacionalizar esses elementos em comportamentos observáveis e, consequentemente, em
itens.
Para o desenvolvimento e escrita dos itens, foram considerados os 10 critérios
recomendados por Pasquali (2010):
1. Critério comportamental – O item deve expressar um comportamento, não uma
abstração.
2. Critério de objetividade ou de desejabilidade – Os itens devem cobrir comportamentos
desejáveis ou característicos.

49

3. Critério da simplicidade – O item deve expressar uma única ideia.
4. Critério da clareza – O item deve ser inteligível até para o estrato mais baixo da
população meta.
5. Critério da relevância – A frase deve ser consistente com o traço definido e com as
outras frases que cobrem o mesmo atributo.
6. Critério da precisão – O item deve possuir uma posição definida no contínuo do
atributo e ser distinto dos demais itens que cobrem o mesmo contínuo.
7. Critério da variedade – Deve-se variar a linguagem, pois o uso dos mesmos termos em
todos os itens confunde as frases e dificulta diferenciá-las.
8. Critério da modalidade – Deve-se evitar a utilização de expressões extremadas.
9. Critério da tipicidade – Devem-se formar frases com expressões condizentes com o
atributo avaliado.
10. Critério da credibilidade – O item deve ser elaborado de forma que não pareça
ridículo, despropositado ou infantil.
Assim, conforme a base teórica levantada no Marco Teórico desta Dissertação, foram
construídos 130 itens – pelo autor deste estudo, segundo a intuição e o conhecimento prévio
nos constructos inerentes aos modelo de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo –
inseridos em 8 constructos: 12 itens para Intenção de Empreender; 18 itens para Risco; 13
itens para Acesso à Capital; 16 itens para Inovação; 17 itens para Oportunidade; 22 itens para
Liderança e Gerenciamento; 15 itens para Rede de Relacionamento; e, 17 itens para Paixão.
Por conseguinte, os 130 itens construídos puderam ser submetidos às análises de Conteúdo e
Semântica.
3.1.2.3 Validade de Conteúdo
A Validade de Conteúdo foi procedida por meio da análise de 7 (sete) juízes. Esse
procedimento foi realizado por 3 especialistas em psicometria, 3 professores de
Administração e 1 especialista em Empreendedorismo. Inicialmente, foi apresentado aos
juízes as definições constitutivas dos 8 constructos estabelecidos. Por conseguinte, os juízes
foram requeridos a indicar a associação entre o item e o respectivo construto que o representa,
como adequado ou inadequado, e se a representação comportamental do item referia-se ao
traço latente proposto, considerando os critérios estabelecidos por Pasquali (2010).
A decisão sobre a escolha e permanência dos itens foi dada baseando-se na
concordância de pelo menos 80% entre os juízes (PASQUALI, 2010), que para este estudo,
significou uma concordância entre pelo menos 5 dos 7 8juízes participantes da análise de

50

conteúdo. Como resultado, 24 itens foram pontuados como “inadequado”, restando 106 itens
para as análises seguintes, o que mostra uma adequação de operacionalização, uma vez que
Ward (1974, p. 319) afirma que o número máximo de itens a serem submetidos à análise
empírica deve ser em torno de 100, para que não haja o cansaço dos respondentes e para que
possa cobrir todos os constructos relacionados de forma parcimoniosa.
3.1.2.4 Validade Semântica
A Validade Semântica foi procedida por meio de uma análise semântica dos itens, em
que se buscou verificar se os itens estavam inteligíveis, verificando se eles foram construídos
expressando o comportamento de forma clara e sem deixar dúvidas de interpretação, e
também, se os itens não ficaram de forma deselegante (PASQUALI, 2010). Para esta etapa
contou-se com a participação de 2 pessoas aleatórias de escolaridade até o Ensino Médio, 3
estudantes universitários de Administração e 4 professores de Administração. Todos os itens
apresentados foram endossados pelos 9 participantes no processo de análise semântica.
3.1.2.5 Procedimentos, Amostra e Coleta dos dados
Contando com a versão inicial do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo, com 106 itens (Apêndice A), foi realizado o teste empírico visando à
adequação aos parâmetros psicométricos de validade fatorial e consistência interna da medida
proposta. Devido ao instrumento ser uma medida de identificação de perfil empreendedor,
tomou-se como prerrogativa para a validade de critério, a diferenciação do público geral
(estudantes universitários) frente ao público de empresários, considerando o público geral
como “não-empreendedor” e o público de empresários como “empreendedor”.
Participaram do estudo 251 pessoas, dos quais 57 empresários (52,6% do sexo
masculino) e 194 estudantes universitários diferentes (57,7% do sexo feminino), com média
de 30 anos (amplitude de 17 a 66 anos de idade; DP = 10,4). Os participantes foram oriundos
de 17 Estados Federativos do Brasil, sendo os Estados com maior incidência: Alagoas
(58,6%), São Paulo (12,7%), Paraíba (9,6%) e Rio Grande do Sul (8,4%).
A aplicação da versão inicial do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo (com 106 itens embaralhados) foi dada por acessibilidade, com
amostragem de conveniência não-probabilística, em que Estudantes Universitários e
Empresários foram solicitados de forma individual e on-line via Google Docs a responderem
ao questionário, no período entre Fevereiro e Março de 2014. Os itens foram respondidos em

51

uma escala de 5 (cinco) pontos, variando de 1 = Não me descreve em absoluto a 5 =
Descreve-me totalmente.
Foi garantido o caráter voluntário da participação por meio da assinatura de um
consentimento livre e esclarecido, o anonimato e o sigilo das respostas, bem com, o respeito
às diretrizes éticas que regem a pesquisa com seres humanos. Utilizou-se o método survey,
com a estratificação considerada a 95% de grau de confiabilidade, com margem de erro
amostral padrão de ± 5%.
3.1.2.6 Análise dos dados
Por meio do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS 21), foi verificada
a adequação dos dados e a fatoriabilidade da matriz de correlações dos itens da escala,
respectivamente, por meio do Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e do Teste de Esfericidade de
Bartlett, para serem então submetidos à análise fatorial. Sendo possível, foram procedidas
análises fatoriais por parcela de itens nos dados coletados. Ajuizou-se que devido à grande
quantidade de itens submetidos à análise empírica, a melhor maneira de se desenvolver as
análises iniciais era por meio de análises fatoriais por parcela de itens (ver, DAMÁSIO,
2012).
Partindo do modelo de análises fatoriais por parcela de itens, foram realizadas em
sequência 3 análises de fatores comuns (uma de cada vez) em cada conjunto de itens –
estabelecidos teoricamente no mesmo constructo –, fixada em 1 fator, com matriz nãorotacionada, para determinar os itens a serem selecionados para a versão final do instrumento
proposto, tendo como critério de corte a não saturação dos itens, em cada um dos seguintes
valores de carga fatorial 0,3, 0,4 e 0,5, respectivamente. Hair et al. (2010) pontuam que o
valor limite inferior de carga fatorial é de 0,3. No entanto, para se garantir significância
prática dos itens selecionados, procedimentos mais rigorosos foram necessários para obter
resultados mais arrojados, o que exigiu seguir as recomendações de Hair et al. (2010) para um
valor limite inferior de carga fatorial de 0,5.
Em seguida, foi realizada arbitrariamente a escolha dos itens por meio dos critérios da
parcimônia e da qualidade de explicação do fator pertencente. Assim, foram escolhidos os 5
itens de cada fator com maiores cargas fatoriais. Por conseguinte, procedeu-se à análise
fatorial [fixada em 1 fator, com matriz não-rotacionada] e ao Alfa de Cronbach, para
determinar os parâmetros finais de validade fatorial e consistência interna. O Alfa de
Cronbach verifica a congruência que cada item tem com o restante dos itens do mesmo teste

52

(PASQUALI, 2010). É uma medida que varia de 0 a 1, sendo considerado como adequado os
valores acima 0,700 (HAIR et al., 2010).
Por conseguinte, para comprovar a estrutura empírica de cada um dos fatores do
instrumento proposto, foi realizada, por parcela de itens, a Análise Fatorial Confirmatória
(AFC) por meio da Modelagem por Equações Estruturais. Para a realização da Análise
Fatorial Confirmatória (AFC), utilizou-se o software AMOS 7 (Analysis of Structures),
considerando a matriz de covariâncias e adotando o método de estimação ML (Maximum
Likelihood). Resumem-se, a seguir, os indicadores de qualidade de ajuste do modelo
utilizados:


O Qui-quadrado (χ²), que comprova a probabilidade de o modelo se ajustar aos dados.
Um valor do χ² estatisticamente significativo indica discrepâncias entre os dados e o
modelo teórico que está sendo testado. É influenciado pelo tamanho da amostra e
assume a multinormalidade do conjunto de variáveis.



O Índice de Qualidade do Ajuste (Goodness-of-Fit Index, GFI) e o Índice de
Qualidade do Ajuste Ponderado (Adjusted Goodness-of-Fit Index, AGFI), que leva em
conta os graus de liberdade do modelo com respeito ao número de variáveis
consideradas. São recomendados valores do GFI e AGFI superiores ou próximos a
0,95 e 0,90, respectivamente (HU; BENTLER, 1999).



O Índice de Ajuste Comparativo (Comparative Fit Index, CFI) é um índice
comparativo, adicional, de ajuste ao modelo, com valores mais próximos de 1,
indicando melhor ajuste, com 0,90 sendo a referência para aceitar o modelo.



Razão χ²/gl é considerada uma qualidade de ajuste subjetiva (BYRNE, 2001). Um
valor entre 1,00 e 2,00 pode ser interpretado como indicador de adequação do modelo
teórico para descrever os dados.



Raiz Quadrada Média Residual (Root Mean Square Residual, RMR). Baseia-se nos
residuais, sendo que um valor próximo a zero significa que o modelo se ajusta aos
dados, indicando que todos os residuais se apresentam mais perto deste valor.
Considerar-se-á a RMR padronizada; um valor em torno de 0,05 é considerado uma
prova da adequação do modelo (SARIS; STRONKHORST, 1984).



Raiz Quadrada Média do Erro de Aproximação (Root Mean Square Error of
Approximation, RMSEA). Com relação aos valores de RMSEA, recomendam-se
aqueles próximos a 0,08 (HU; BENTLER, 1999), com seu intervalo de confiança de

53

90% (IC90%); interpretam-se os valores altos como indicação de um modelo não
ajustado.
Para explicar a estrutura dimensional do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo procedeu-se ao Escalonamento Multidimensional (MDS) [ALSCAL],
utilizando-se o software estatístico IBM/SPSS (versão 21), considerando a criação de matriz
de distância bidimensional para todos os fatores (somatórios dos itens) em um modelo de
distância euclidiana. Em complemento, utilizou-se a Correlação r de Pearson para dar suporte
à explicação da estrutura dimensional.
Por fim, foi realizada a validade de critério para aferir a eficácia preditiva do
instrumento (PASQUALI, 2009) em identificar o comportamento de empreendedores. Para a
validade de critério foi procedido o teste t de Student, para amostras independentes, e o
Tamanho do Efeito (d) do teste t, seguindo-se as recomendações de Cohen (1992), em que, d
= 0,20 denota um efeito pequeno, d = 0,50 denota um efeito médio e d = 0,80 denota um
efeito grande. Segundo Dancey e Reidy (2006), quando se avalia constructos
comportamentais e psicossociais entre diferentes grupos – devido à interferência de elementos
subjetivos e contextuais –, efeitos pequenos e medianos são mais facilmente encontrados,
como é o caso dos constructos aqui apresentados. Neste caso, os valores medianos denotam
um test t satisfatório, enquanto os valores pequenos (acima de 0,3) denotam um test t apenas
aceitável.
O teste t foi aplicado na comparação dos escores médios de estudantes universitários e
empresários para cada um dos fatores propostos, visando identificar se o instrumento era
capaz de predizer o comportamento do empreendedor – estatisticamente significativo a um
nível de probabilidade associada de p < 0,05 –, uma vez que, se parte do pressuposto de que, o
empresário tende a ser mais empreendedor que a população geral.
3.1.3 Resultados e Discussão
3.1.3.1 Análises iniciais: Fatoriabilidade, Redução e Escolha dos Itens
Procedeu-se a análise das estatísticas iniciais de fatoriabilidade da matriz de correlação
e da adequação da amostragem à análise fatorial. As estatísticas de Kaiser-Meyer-Olkin
(KMO) = 0,900 e do Teste de Esfericidade de Bartlett, χ² (5565) = 18461,569; p = 0,000,
evidenciaram adequação “admirável” da amostra à escala e fatoriabilidade “satisfatória”, de
acordo com a concepção de Hair et al. (2010).

54

Aferindo a adequação dos dados, estes foram submetidos à análise fatorial por parcela
de itens – itens de cada fator separadamente –, fixada em 1 fator, com matriz não-rotacionada.
Visando a redução de itens em cada fator, realizou-se a análise fatorial levando em
consideração como ponto de corte inicial os itens abaixo do valor de carga fatorial |0,3|, em
seguida, após a realização de uma nova análise fatorial por parcela de itens, considerou-se
como ponte de corte valores abaixo de carga fatorial |0,4|, e por fim, após a realização de mais
uma análise fatorial por parcela de itens, considerou-se como ponte de corte valores abaixo de
carga fatorial |0,5|. Esta etapa registrou a não saturação dos seguintes itens para cada um dos
fatores (Tabela 2):
Tabela 2: Itens reduzidos na primeira análise
Fatores

Valores abaixo de |0,3|

Valores abaixo de |0,4|

Valores abaixo de |0,5|

Analisados

Excluídos

Analisados

Excluídos

Analisados

Excluídos

-

9 itens

-

9 itens

-

2 Itens
1 Item
1 Item
-

14 itens
9 itens
14 itens
16 itens

3 Itens
1 Item
1 Item
2 Itens

11 itens
8 itens
13 itens
14 itens

2 Itens
2 Itens
-

1 Item

16 itens

-

16 itens

5 Itens

1 Item

10 itens

-

10 itens

1 Item

1 Item
7 Itens

11 itens
99

7 Itens

11 itens
92

1 Item
11 Itens

Intenção de
9 itens
Empreender
Risco
16 itens
Acesso à Capital
10 itens
Inovação
15 itens
Oportunidade
16 itens
Liderança e
17 itens
Gerenciamento
Rede de
11 itens
Relacionamento
Paixão
12 itens
Totais
106 itens
Fonte: Dados da pesquisa.

Após as 3 análises fatoriais por parcela de itens, obteve-se uma redução total de 25
itens não saturados, apresentando 81 itens com evidências de validade fatorial (Apêndice B).
Assim, para a escolha dos itens, buscou-se arbitrariamente utilizar 2 critérios: (1) critério da
parcimônia, isto é, obter uma medida prática, satisfatória e econômica; e, (2) critério da
qualidade de explicação, isto é, escolher apenas com os melhores itens de cada fator –
especificamente, os com maiores cargas fatoriais. Nesse sentido, ajuizou-se que os 5 itens de
cada fator, com maior carga fatorial, seriam escolhidos para compor a versão final do
Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo de 40 itens.
3.1.3.2 Validade Fatorial e Consistência Interna da Versão de 40 itens do Inventário de
Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo: Parâmetros Finais
Contando com a versão de 40 itens do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo, foram procedidas análises fatoriais por parcela de itens (componentes
principais, com matriz não-rotacionada) e o teste do Alfa de Cronbach, considerando os 5

55

itens escolhidos de cada um dos fatores, para determinar os parâmetros finais de validade
fatorial e consistência interna.
Verifica-se, na Tabela 3, que o componente Intenção de Empreender de 5 itens,
explica 70,15% da variância total e as cargas fatoriais variam de 0,744 a 0,898, apresentando
Alfa de Cronbach de 0,893. Assim, o fator pode ser interpretado a partir desses 5 itens, que
demonstram validade fatorial e consistência interna a níveis de significância prática.
Tabela 3: Itens do Fator Intenção de Empreender
Item
V1a - Tenho um desejo de um dia abrir meu próprio negócio.
V1b - Sinto-me empolgado com a ideia de ter meu próprio negócio.
V1c - Tenho vontade de transformar minhas ideias em negócios.
V1d - Eu gostaria de investir em um negócio, se eu tivesse dinheiro e recursos.
V1e – Caso fosse lucrativo, eu teria a intenção de iniciar um negócio.
Variância Explicada
Consistência Interna (Alfa de Cronbach)
Fonte: Dados da pesquisa.

Carga
Fatorial
0,898
0,893
0,839
0,803
0,744
70,154%
0,893

Por conseguinte, pode-se verificar na Tabela 4, que o componente Risco de 5 itens,
explica 64,32% da variância total e as cargas fatoriais variam de 0,768 a 0,826, apresentando
Alfa de Cronbach de 0,860. Assim, o fator pode ser interpretado a partir desses 5 itens, que
demonstram validade fatorial e consistência interna a níveis de significância prática.
Tabela 4: Itens do Fator Risco
Item
V2a - Eu abriria um negócio inovador apesar da insegurança.
V2b - Sou corajoso e não tenho medo de abrir um negócio, mesmo com todo o risco.
V2c - Correr riscos em um negócio é algo inevitável, mas eu enfrentaria os riscos.
V2d - Eu faria uma dívida de longo prazo para investir em uma oportunidade de negócio.
V2e - Tenho disposição a correr riscos relacionados aos negócios.
Variância Explicada
Consistência Interna (Alfa de Cronbach)
Fonte: Dados da pesquisa.

Carga
Fatorial
0,826
0,823
0,822
0,769
0,768
64,324%
0,860

Por sua vez, verifica-se que o componente Acesso à Capital de 5 itens (Tabela 5),
explica 57,43% da variância total e as cargas fatoriais variam de 0,741 a 0,803, apresentando
Alfa de Cronbach de 0,813. Assim, o fator pode ser interpretado a partir desses 5 itens, que
demonstram validade fatorial e consistência interna a níveis de significância prática.
Tabela 5: Itens do Fator Acesso à Capital
Item
V3a - Percebo a possibilidade de ter acesso à capital ou recursos para abrir um negócio.
V3b - Conheço pessoas que poderiam me ajudar com dinheiro para eu abrir meu negócio.
V3c - Percebo uma facilidade em obter capital rapidamente.
V3d - Tenho contatos que financiariam meu próprio negócio.

Carga
Fatorial
0,803
0,757
0,743
0,742

56

V3e - Tenho como conseguir um empréstimo para abrir um novo negócio.
Variância Explicada
Consistência Interna (Alfa de Cronbach)
Fonte: Dados da pesquisa.

0,741
57,439%
0,813

Em relação ao componente Inovação de 5 itens (Tabela 6), afere-se uma explicação de
61,14% da variância total, com cargas fatoriais que variam de 0,705 a 0,854, apresentando
Alfa de Cronbach de 0,840. Assim, o fator pode ser a partir desses 5 itens, que demonstram
validade fatorial e consistência interna a níveis de significância prática.
Tabela 6: Itens do Fator Inovação
Item
V4a - Sinto prazer em atividades que exigem imaginação/criatividade.
V4b - Sinto-me bem criando coisas novas.
V4c - Sou uma pessoa com muita imaginação.
V4d - Sou apaixonado por novas ideias.
V4e - Sou uma pessoa inovadora.
Variância Explicada
Consistência Interna (Alfa de Cronbach)
Fonte: Dados da pesquisa.

Carga
Fatorial
0,854
0,806
0,774
0,763
0,705
61,141%
0,840

Em seguida, verifica-se na Tabela 7, que o componente Oportunidade de 5 itens,
explica 68,70% da variância total e as cargas fatoriais variam de 0,806 a 0,863, apresentando
Alfa de Cronbach de 0,883. Assim, o fator pode ser interpretado a partir desses 5 itens, que
demonstram validade fatorial e consistência interna a níveis de significância prática.
Tabela 7: Itens do Fator Oportunidade
Item
V5a - Consigo identificar a oportunidade de um negócio lucrativo.
V5b - Consigo detectar as possíveis oportunidades do mercado.
V5c - Tenho a capacidade de obter lucro ao identificar uma oportunidade de negócio.
V5d - Sinto-me atraído a identificar oportunidades de negócio.
V5e - Encaro as necessidades alheias (dos outros), como oportunidades de negócio.
Variância Explicada
Consistência Interna (Alfa de Cronbach)
Fonte: Dados da pesquisa.

Carga
Fatorial
0,863
0,832
0,831
0,810
0,806
68,707%
0,883

Por sua vez, pode-se verificar que o componente Liderança e Gerenciamento de 5
itens (Tabela 8), explica 62,43% da variância total e as cargas fatoriais variam de 0,737 a
0,842, apresentando Alfa de Cronbach de 0,847. Assim, o fator pode ser interpretado a partir
desses 5 itens, que demonstram validade fatorial e consistência interna a níveis de
significância prática.
Tabela 8: Itens do Fator Liderança e Gerenciamento
Item
V6a - Sinto que possuo a habilidade de gerenciar pessoas.
V6b - Sou capaz de motivar as pessoas a realizarem tarefas difíceis.

Carga
Fatorial
0,842
0,806

57

V6c - Acredito ser capaz de organizar as tarefas de um grupo.
V6d - Tenho capacidade de estimular pessoas a trabalharem em grupo.
V6e - Geralmente, prefiro liderar os grupos que faço parte.
Variância Explicada
Consistência Interna (Alfa de Cronbach)
Fonte: Dados da pesquisa.

0,787
0,774
0,737
62,434%
0,847

Em relação ao componente Rede de Relacionamento de 5 itens (Tabela 9), afere-se
uma explicação de 61,14% da variância total, com cargas fatoriais que variam de 0,640 a
0,835, apresentando Alfa de Cronbach de 0,783. Assim, o fator pode ser interpretado a partir
desses 5 itens, que demonstram validade fatorial e consistência interna satisfatórios.
Tabela 9: Itens do Fator Rede de Relacionamento
Item
V7a - Sei a quem posso recorrer para abrir um negócio.
V7b - Possuo uma rede de contatos que poderia me auxiliar na abertura de um negócio.
V7c - Consigo encontrar pessoas que possam facilitar a realização dos meus projetos.
V7d - Se eu fosse abrir um negócio, saberia exatamente com quem eu entraria em contato
para ser meu sócio.
V7e - Procuro manter redes de relacionamentos com as pessoas que sei que podem ser
úteis para mim.
Variância Explicada
Consistência Interna (Alfa de Cronbach)
Fonte: Dados da pesquisa.

Carga
Fatorial
0,835
0,735
0,732
0,721
0,640
54,030%
0,783

Por fim, verifica-se que o componente Paixão de 5 itens (Tabela 10), explica 60,91%
da variância total e as cargas fatoriais variam de 0,715 a 0,831, apresentando Alfa de
Cronbach de 0,838. Assim, o fator pode ser interpretado a partir desses 5 itens, que
demonstram validade fatorial e consistência interna satisfatórios.
Tabela 10: Itens do Fator Paixão
Item
V8a - Apaixono-me pelos trabalhos que realizo.
V8b - Executo meu trabalho com paixão.
V8c - Sinto-me envolvido pelo trabalho que realizo.
V8d - Realizo com dedicação os meus trabalhos.
V8e - Sinto prazer em fazer o meu trabalho de forma bem feita.
Variância Explicada
Consistência Interna (Alfa de Cronbach)
Fonte: Dados da pesquisa.

Carga
Fatorial
0,831
0,800
0,777
0,774
0,715
60,918%
0,838

3.1.3.3 Validação Confirmatória e Dimensionalidade
Visando comprovar a estrutura empírica da medida proposta, os cinco itens de cada
fator foram submetidos, separadamente, à modelagem por equações estruturais, hipotetizando
um fator latente de primeira ordem para cada fator que explicaria seus respectivos itens.
Assim, foi procedida a validade fatorial confirmatória, considerando-se a matriz de
covariâncias e adotando o método de estimação ML (Maximum Likelihood). As análises

58

iniciais indicaram a necessidade de reespecificação do modelo de 7 fatores (dos 8 fatores no
total), que exigiram pelo menos um par de itens a terem seus erros (índices de modificação)
correlacionados.
Após o ajuste, os modelos obtiveram bons indicadores de adequação, conforme podem
ser visualizados na Tabela 11.
Tabela 11: Índices de adequação dos modelos testados para cada um dos Fatores
RMSEA

Fator

χ2

gl

p

χ2/gl

RMR

GFI

AGFI

CFI

Intenção de
Empreender1

6,102

4

0,192

1,526

0,020

0,990

0,964

0,997

(0,00 – 0,11)

Risco2

5,445

4

0,245

1,361

0,027

0,991

0,968

0,997

(0,00 – 0,10)

Acesso à
Capital3

10,00

4

0,04

2,502

0,036

0,984

0,941

0,984

(0,01 – 0,13)

Inovação4

4,965

3

0,174

1,655

0,018

0,992

0,961

0,996

(0,00 – 0,12)

Oportunidade5

1,092

1

0,296

1,092

0,009

0,998

0,974

0,999

(90%CI)

0,046
0,038
0,078
0,051
0,019
(0,00 – 0,17)

Liderança e
Gerenciamento6

8,992

4

0,061

2,248

0,025

0,986

0,946

0,990

(0,00 – 0,13)

Rede7

10,14

5

0,071

2,029

0,049

0,985

0,954

0,984

(0,00 – 0,12)

Paixão8

0,071
0,064

CAIC
77,88
77,22
81,78
83,27
92,44
80,77
75,40

0,039

1,380 1 0,240 1,380 0,006 0,998
0,967
0,999 (0,00 – 0,17) 92,73
Fonte: Dados da pesquisa. Notas. 1 Uma interação com covariância; 2 Uma interação com covariância; 3 Uma
interação com covariância; 4 Duas interações com covariância 5 Quatro interações com covariância; 6 Uma
interação com covariância; 7 Nenhuma interação com covariância; 8 Quatro interações com covariância.

Ademais, ressalta-se que essas correlações indicadas pela análise apontam para a
redundância dos itens, demonstrando que os fatores – e a Escala como um todo – avaliam
muito bem o constructo em tela, mesmo se for suprimido um desses dois itens
correlacionados, uma vez que são pares redundantes no fator latente que mensuram,
corroborando a estrutura apresentada para o Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo.
Ao analisar a estrutura dimensional do modelo proposto através do MDS [RSQ = 0,97
e S-stress = 0,066] (Figura 1), verifica-se pelo menos 4 dimensões evidentes. A primeira é a
dimensão formada pelos fatores Paixão (P), Inovação (I), e Liderança e Gerenciamento (LG),
que apresentam fortes correlações [P-I: r = 0,509; p = 0,000; I-LG: r = 0,465; p = 0,000; PLG: r = 0,574; p = 0,000]. A segunda dimensão é formada pelos fatores Rede de
Relacionamentos e Acesso à Capital (dimensão social) [r = 0,732; p = 0,000]. A terceira
dimensão é formada pelos fatores Oportunidade e Risco (dimensão contextual) [r = 0,738; p =
0,000]. E a quarta dimensão formada unicamente pelo fator Intenção de Empreender.

59

Figura 1. Dimensionalidade do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo

Os fatores se agrupam em dimensões separadas, por exemplo, Rede de
Relacionamentos e Acesso à Capital, devido a uma covariância que pode ser explicada de
duas formas. A primera é a proximidade semântica que alguns itens desses fatores possuem,
por exemplo, os itens “V3b - Conheço pessoas que poderiam me ajudar com dinheiro para eu
abrir meu negócio” (Acesso à Capital) e “V7b - Possuo uma rede de contatos que poderia me
auxiliar na abertura de um negócio” (Rede de Relacionamentos) [correlação entre os itens: r
= 0,429; p = 0,000]. A segunda é que ambos são fatores sociais que representam duas
situações distintas: (1) “dinheiro”, que distingue os níveis sociais e (2) “sociabilidade”, que
distingue a habilidade de relacionamento.
Quanto à Intenção de Empreender, o MDS aponta este fator como parte de uma
dimensão separada dos demais fatores. Autores de outros instrumentos relacionados ao
comportamento empreendedor têm tratado o fator Intenção de Empreender como elemento
complementar (p.ex., KRISTIANSEN; INDARTI, 2004; SANTOS, 2008) ou de baixa
influência (p.ex., LOPES Jr.; SOUZA, 2005; GONÇALVES FILHO; CEIT; GONÇALVES,
2007) ao perfil empreendedor. Isso porque, têm sido encontrados resultados que indicam que
a Intenção de Empreender é um elemento multifacetado. A exemplo disso, autores como
Dolabela et al. (2008) e Santos, Dantas e Milito (2010) reportam relações claras entre o desejo
de ter um negócio e fatores como cultura familiar empreendedora e dinâmica econômica
local, o que tornaria a intenção de empreender um vetor cultural no comportamento
empreendedor.

60

Aqui, toma-se a Intenção de Empreender apenas como elemento relacionado ao
desejável e, portanto, uma Barreira ou Facilitador para a ação de empreender, uma vez que é
possível identificar a não intenção de empreender como um critério de inibição [Barreira],
enquanto que a intenção de empreender seria um catalisador ao empreendedorismo em
condições de alta favorabilidade [Facilitador], como o fácil acesso à capital.
3.1.3.4 Validade de Critério
Tendo-se os parâmetros finais de validade fatorial e consistência interna do Inventário
de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo, procedeu-se então à validade de critério,
buscando analisar a eficácia preditiva do instrumento. Por meio de teste t de Student foi
verificada a existência de diferença significativa entre os escores médios de estudantes
universitários e empresários para cada um dos fatores estabelecidos, em função da
caracterização de que o empresário possui um comportamento mais empreendedor do que a
população geral.
Na Tabela 12 estão dispostos os parâmetros da validade de critério do Inventário de
Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo, em que são apresentadas as médias e
desvios padrão (DP), o valor do teste t, os graus de liberdade (gl), o valor p de significância, a
diferença das médias associada a um intervalo de confiança de 95% e os valores d para o
Tamanho do Efeito do teste t.
Tabela 12: Parâmetros da Validade de Critério

Fatores

Estudantes
Universitários
(n=194)

Empresários
(n=57)

Média

Média

DP

DP

Estatísticas
t

gl

p

Diferença
das Médias

d

(IC95%)

Intenção de
Empreender

3,91

1,068

4,27

0,792

-2,806

121,69

0,006

Risco

3,14

1,010

3,65

0,887

-3,425

249

0,001

Acesso à
Capital

2,65

0,913

3,05

0,916

-2,908

249

0,004

Inovação

3,90

0,801

4,19

0,693

-2,427

249

0,016

Oportunidade

3,39

0,904

3,94

0,732

-4,667

110,89

0,000

Liderança e
Gerenciamento
Rede de
Relacionamento

3,87

0,803

4,21

0,700

-2,904

249

0,004

3,05

0,953

3,61

0,748

-4,036

249

0,000

Paixão

4,34

0,635

4,62

0,533

-3,322

107,04

0,001

Fonte: Dados da pesquisa.

0,37
(0,09–0,64)

0,51
(0,22–0,80)

0,40
(0,13–0,67)

0,29
(0,05–0,52)

0,54
(0,29–0,80)

0,34
(0,11–0,57)

0,56
(0,29–0,82)

0,28
(0,10–0,46)

0,39
0,52
0,44
0,37
0,63
0,44
0,61
0,46

61

Ainda, os resultados revelam que a principal diferença entre empreendedores e nãoempreendedores está nos fatores Oportunidade e Rede de Relacionamento. Isto é, os
empreendedores revelaram ter um senso de oportunidade (identificação, valoração e
exploração) muito mais elevado, bem como, possuir melhores e mais fortes Redes de
Relacionamento para a obtenção de recursos e capital que os não-empreendedores; conforme
pode ser inferido por meio do teste t, aplicado aos escores médios de cada uma dessas
amostras.
Em relação ao fator Oportunidade, Nicolaou et al. (2009) são contundentes em
destacar que o senso de oportunidade está genéticamente relacionado à tendência do indivíduo
em ser empreendedor, isto é, o senso de oportunidade é um atributo de herança genética
comum entre empreendedores. Segundo os autores, os empreendedores têm em sua
composição biológica elementos que facilitam a identificação de oportunidades por meio do
acionamento de sensores de atenção ao ambiente que o circunde.
Quanto ao fator Rede de Relacionamento, autores como Bhide (2002), Kristiansen e
Indarti (2004) e Nassif, Ghobril e Silva (2010) argumentam que as redes e parcerias são
notoriamente essenciais para a criação de um negócio. Ademais, segundo Sheng (2008), são
as redes de relacionamento que proporcionam, muitas vezes, o desenvolvimento do negócio,
sendo um impeditivo de progresso, se o empreendedor não souber manter as parcerias de
longo prazo. Logo, uma vez que se testaram os constructos com Estudantes Universitários, é
compreensível

que

estes

enxerguem

a

formação

de

Redes

de

Relacionamento

(especificamente em termos de negócios) como Barreiras.
Conforme se verifica na Tabela 12, em todos os fatores os empresários pontuaram
mais alto que os estudantes universitários e essa diferença foi estatisticamente significativa a
um valor de p ≤ 0,05. Apesar disso, cabe ressaltar que o Tamanho do Efeito (d) mostrou-se
pequeno para os fatores Intenção de Empreender e Inovação, enquanto mostrou-se mediano
para os demais fatores. Os efeitos medianos mostram que a diferença entre empreendedores e
estudantes universitários foi relevante, enquanto que os efeitos pequenos denotam apenas a
existência de diferença, embora seja uma diferença de fato fraca.
Com efeito, a validade de critério demonstrou que o instrumento proposto consegue
diferenciar de modo fidedigno o empreendedor do não-empreendedor. É possível discutir e
explicar os baixos valores para o Tamanho do Efeito dos fatores Intenção de Empreender (d =
0,39) e Inovação (d = 0,37). Em relação a esses dois fatores, Santos (2008) encontrou

62

resultados que mostram que o desejo ou vontade de ter o próprio negócio e de ser uma pessoa
inovadora não são particulares a empreendedores.
Gouveia, Guerra, Sousa et al. (2009), explicam que, comumente, em instrumentos do
tipo auto-relato existem questões que sofrem influência de normas sociais e padrões relativos
ao desejável, o que dissimula a resposta real do indivíduo. Assim, a Intenção de Empreender e
a Inovação, ambas encontradas em empreendedores e em não-empreendedores, podem ser
explicadas pela desejabilidade social. Por exemplo, o indivíduo não-empreendedor pode ter
sido levado a crer que abrir um negócio (ser empresário) o faria ser reconhecido, ficar rico e
inserir-se em meio sociais, impelindo-o a pensar que desejar empreender é algo bom, quando,
na verdade, ele não tem a real intenção de abrir um negócio.

63

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
4.1 Discussão Geral
As medidas voltadas para o âmbito do empreendedorismo, até o presente estudo,
tinham sido desenvolvidas tendo como expertise os conhecimentos advindos das áreas da
Administração e da Engenharia de Produção. Além disso, a psicologia tem sido negligente
sobre alguns temas de outras áreas, como o comportamento empreendedor, que versam
tipicamente sobre constructos da própria psicologia, a saber: personalidade, atitudes, crenças,
interesses, valores, autoconceito, capacidade e padrões emocionais. Isto é, não existem
medidas sobre o comportamento empreendedor criadas por psicometristas ou concebidas
tendo como know-how os conhecimentos da psicometria, revelando, assim, a falta de
instrumentos com parâmetros psicométricos adequados e que predigam tal comportamento de
modo profícuo, conforme explicado na seção “Medidas do Comportamento Empreendedor”
desta dissertação (ver páginas 41-47).
Nesse sentido, objetivou-se com esta dissertação construir e validar o Inventário de
Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo. De tal modo, encontraram-se resultados que
indicam a concretização dos objetivos geral e específicos nomeados na Introdução deste
trabalho. Inicialmente, pontua-se que o instrumento aqui desenvolvido mostrou boa
adequação da estrutura empírica, formando uma medida multidimensional que converge
confiantemente para a predição do comportamento empreendedor a partir de fatores que
favorecem e inibem esta ação. O instrumento, portanto, apresenta parâmetros psicométricos
satisfatórios que indicam a sua validade, confiabilidade e precisão.
Sobre os parâmetros psicométricos, indica-se, primeiramente, o uso dos procedimentos
iniciais de validação: validade de conteúdo e validade semântica [considerando os 10 critérios
recomendados por Pasquali (2010)]. Em sequência, foram aferidos satisfatórios resultados
concernentes à: (1) Validade fatorial, em que foram escolhidos itens de significância prática
com cargas fatoriais acima de 0,5 (ver, HAIR et al., 2010); (2) Consistência interna, em que
os Alfas variaram de 0,783 a 0,893; (3) Validade confirmatória, em que todos os fatores
mostraram valores satisfatórios ou dentro dos limites de aceitabilidade (ver os indicadores de
qualidade de ajuste utilizados, página 53 desta dissertação); e, (4) Validade de critério, em que
os empreendedores pontuaram mais alto que os não-empreendedores em todos os fatores, com
diferença estatisticamente significativa a um valor de p ≤ 0,05, além de valores d (Tamanho
do Efeito) aceitáveis.

64

Vale ressaltar, que o propósito em se construir o Inventário de Barreiras e
Facilitadores ao Empreendedorismo foi superar, se não todas, algumas das limitações
encontradas nos instrumentos anteriomente construídos. Também, buscou-se construir um
instrumento de amplo alcance e que seguisse as recomendações de Sarasvathy (2004), que
intuiu ser a valoração das Barreiras ao empreendedorismo (elementos socias e contextuais) o
melhor modelo para a identificação de perfis empresariais. Assim, propôs-se um instrumento
que levasse em consideração a identificação de um empreendedor universal, e não um
empreendedor específico de uma determinada cultura, como os instrumentos de Kristiansen e
Indarti (2004) ou de Santos (2008).
Ademais, Cardon et al. (2013) afirmam que os instrumentos de identificação do
comportamento empreendedor, até então desenvolvidos, negligenciam dimensões afetivas,
especificamente, a Paixão. Desse modo, optou-se por criar um instrumento que abarcasse
dimensões afetivas, psicossociais e contextuais. O que nos levou a incluir o fator Paixão.
Por sua vez, em relação aos objetivos específicos, ressalta-se que a medida aqui
desenvolvida possibilitou o aprofundamento teórico nas Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo, estabelecendo-se , assim, 8 (oito) constructos constitutivos: (1) Intenção
de Empreender, (2) Risco, (3) Acesso à Capital, (4) Inovação, (5) Oportunidade, (6)
Liderança e Gerenciamento, (7) Rede de Relacionamento e (8) Paixão.
Também, os resultados obtidos com o Escalonamento Multidimensional (ver Figura 1)
mostram que o comportamento empreendedor associado às Barreiras e aos Facilitadores – que
balizam a execução desse comportamento – é explicado por blocos de fatores que perfazem 4
dimensões:
(1)

A

dimensão

comportamental/afetiva

diz

respeito

ao

constructos

do

empreendedorismo que existem devido a traços disposicionais individuais e aspectos
cognitivos, sugerindo uma relação com o estilo comportamental/afetivo que o indivíduo
possui (MINER, 2000; LEE; TSANG, 2001; LIMA; FREITAS, 2010; BRANDSTÄTTER,
2011), o que abarca os fatores Paixão, Inovação (imaginação e criatividade) e Liderança e
Gerenciamento
(2) A dimensão social se caracteriza por abarcar os fatores Acesso à Capital e Rede de
Relacionamento, que representam duas situações distintas. A primeira situação diz respeito ao
capital (dinheiro), que distingue os níveis sociais, isto é, ter capital ou ter acesso facilitado ao
capital é uma condição social (BRUSH; GREENE; HART, 2002; KRISTIANSEN;

65

INDARTI, 2004). A segunda situação diz respeito à rede de relacionamento (relações
interpessoais e parcerias), que distingue a habilidade de relacionamento possuída pelo
empreendedor, isto é, sua capacidade/habilidade de sociabilidade (SHAPERO; SOKOL,
1982; SHENG, 2008; NASSIF; GHOBRIL; SILVA, 2010; NASCIMENTO et al., 2010).
(3) A dimensão contextual, que abarca os fatores Oportunidade e Risco, reporta
constructos que existem devido a um contexto externo ao indivíduo, ou seja, elementos
socioeconomicos (crescimento do PIB), políticos (promulgação de leis ou isenção de
impostos) e ambientais (mudanças climáticas), o qual não se tem controle, e que podem
influir, por exemplo, na existência oportunidades de negócio ou se instituir como um risco
para negócios já existentes (SHANE, 2003; SARASON; DEAN; DILLARD, 2006; SANTOSÁLVAREZ; GARCÍA-MERINO, 2010).
(4) A dimensão de intenção se caracteriza pelo fator único Intenção de Empreender. A
intenção de empreender é uma predisposição do indivíduo aos negócios que é subsidiada por
diversos elementos, como por exemplo: gênero, idade, nível educacional, experiências de
trabalho, necessidade de realização, lócus de controle, acesso à capital, acesso à informação e
redes sociais (KRISTIANSEN; INDARTI, 2004). A Intenção de Empreender é um fator
separado dos outros, devido a características ambíguas que perfazem essa dimensão. A
exemplo disso, tem-se o indivíduo que foi levado a crer que abrir um negócio (isto é, ser
empresário) o faria ganhar dinheiro, fazendo-o pensar que desejar empreender seria algo bom
e ideal para uma situação, por exemplo, de desemprego. Logo, a real intenção de abrir um
negócio não existe; o que existe é uma falsa impressão ligada à desejabilidade social e não
uma predisposição de fato.
Ainda, o estudo revelou que a principal diferença entre empreendedores e nãoempreendedores está nos fatores Oportunidade e Rede de Relacionamento. Isto é, os
empreendedores revelaram ter um senso de oportunidade (identificação, valoração e
exploração) muito mais elevado que os não-empreendedores, bem como, revelaram possuir
melhores redes de relacionamento para a obtenção de recursos e capital; conforme pôde ser
inferido por meio do teste t aplicado aos escores médios de cada uma dessas amostras.
4.2 Implicações do Estudo
Este estudo se mostra oportuno para o avanço da literatura do empreendedorismo ao
passo que traz algumas contribuições sobre a mensuração de características empresariais
individuais. Este estudo fornece um instrumento (o Inventário de Barreiras e Facilitadores

66

ao Empreendedorismo) teoricamente fundamentado, de estrutura comprovada empiricamente
e de funcionalidade prática, que supera algumas das limitações dos instrumentos de
identificação do comportamento empreendedor, anteriormente construídos.
Notadamente, chegou-se a um instrumento de baixo custo (lápis e papel –
autoaplicável) e de fácil aplicação (autorrelato) que apresenta parâmetros de validade de
conteúdo e semântica, validade fatorial e consistência interna e validade de critério. O
instrumento é capaz de identificar o comportamento empreendedor por meio de fatores
individuais,

psicossociais

e

contextuais,

de

modo

que

molda

um

indivíduo

idiossincraticamente empreendedor, podendo ser empregado em estudos que visem conhecer
os antecedentes e consequentes do comportamento empreendedor.
Além disso, o instrumento aqui proposto versa sobre o balizamento de Barreiras e
Facilitadores, em compasso a uma necessidade de identificar que elementos inibem ou
impelem a ação de empreender, que tem se mostrada multifacetada e interrelacionada com
fatores culturais e contextuais. Isto é, as dificuldades de mensuração de um determinado perfil
que está em constante mudança, a depender de localidades e contextos, precisavam ser
superadas.
Assim,

a

aplicabilidade

do

Inventário

de

Barreiras

e

Facilitadores

ao

Empreendedorismo está em seu universalismo e adaptabilidade, visto que o instrumento faz o
mapeamento de uma série de elementos sempre reportados na literatura mundial como
comuns em empreendedores de qualquer localidade do planeta. Nesse sentido, é possível
fazer uso deste instrumento em contextos diversos, como concessão de empréstimos para a
abertura de negócios (por exemplo, a órgãos como o BNDES), ingresso em incubadoras de
empresas, treinamentos, processos seletivos, identificação de perfil empreendedor entre
empregados (intraempreendedorismo), incentivo de pessoas a seguirem a carreira empresarial
a partir de aptidões previamente identificadas e estudos entre profissões que, comumente,
tendem a levar o indivíduo à abertura de negócios, como médicos, químicos, contadores,
engenheiros, dentistas dentre outros.
4.3 Apontamentos Finais
Está claro que este estudo apresenta avanços para a literatura do empreendedorismo,
valendo-se da relevância que o instrumento aqui proposto pode ter para pesquisas em todo o
mundo, uma vez que fornece uma base teórica sólida, uma estrutura empiricamente
comprovada e funcionalidade prática em seu uso.

67

Autores de outros instrumentos sobre o comportamento empreendedor, como
Gonçalves Filho, Ceit e Gonçalves (2007) e Santos (2008), são contundentes ao denotarem
que seus respectivos instrumentos apresentam-se inacabados, no sentido de que, melhorias são
bem-vindas e necessárias. Da mesma forma, o Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo não pode ser considerada em versão final, dado que claras limitações são
visiveis e que é necessário a reaplicação desta medida em outras amostras.
Dentre as limitações, é possível destacar, inicialmente que, dada a quantidade de
fatores (8 fatores) e de itens (40 itens), se tornou inviável a realização de uma análise fatorial
confirmatória para fatores de primeira e segunda ordem, tendo que se seguir um padrão de
análise por parcela de itens. Por outro lado, as demais limitações deste estudo se recaem sobre
a amostra. Primeiro, utiliza-se a mesma amostra para todos os procedimentos de validação,
quando o mais recomendável seria a replicação deste instrumento em uma nova amostra para
a verificação da validade fatorial confirmatória (ver, DAMÁSIO, 2012). Segundo, a amostra
de empreendedores foi bem menor do que a de estudantes universitários, o que pode gerar
discussões negativas acerca da significância do teste t. No entanto, cabe ressaltar que
utilizamos como parâmetro final o Tamanho do Efeito (d), que é pouco influenciado pelo
tamanho da amostra, mas sim, pela diferença de média e desvio-padrão (ver, COHEN, 1991),
o que tornam os resultados da validade de critério satisfatórios.
Para a agenda de estudos futuros, pontua-se a necessidade de replicação do Inventário
de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo em outras amostras, para que sejam
aferidos novos parâmetros de validação confirmatória. Também, reporta-se a necessidade de
revalidação do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo para outros
contextos e outras línguas, para que sejam aferidos parâmetros de validade mais amplos,
incentivando a difusão de seu uso.
Por fim, para que se tenha um balizador de interpretação do Inventário de Barreiras e
Facilitadores ao Empreendedorismo, visando estudos futuros, recomenda-se arbitrariamente
como critério para a atribuição dos Facilitadores em sobrepujo às Barreiras, a pontuação
dentro da amplitude da média dos empresários em cada fator.

68

REFERÊNCIAS
ABEBE, M. A. Social and institutional predictors of entrepreneurial career intention: Evidence from Hispanic
adults in the U.S. Journal of Enterprising Culture, v. 20, n. 1, p. 1-23, 2012.
ACS, Z. J.; AUDRETSCH, D. B. Handbook of entrepreneurship research: An interdisciplinary survey and
introduction. New York: Springer, 2003.
AJZEN I. The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, v. 50, n.
2, p. 179-211, 1991.
ALENCAR, E. M. L. S. Inventário de barreiras à criatividade pessoal. In: Alencar, E. M. L. S.; BRUNO-FARIA,
M. de F.; FLEITH, D. de S.; & Cols. (Orgs.). Medidas de criatividade. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 35-54.
ALVES, L. R. R; BORNIA, A. C. Desenvolvimento de uma escala para medir o potencial empreendedor
utilizando a Teoria da Resposta ao Item (TRI). Gestão & Produção, v. 18, n. 4, p. 775-790, 2011.
ARBUCKLE, J. L. AmosTM 18 user’s guide. Chicago: SPSS, 2009.
ARDICHVILI, A.; CARDOZO, R.; RAY, S. A theory of entrepreneurial opportunity identification and
development. Journal of Business Venturing, v. 18, p. 105-123, 2003.
BARBA-SÁNCHEZ, V.; ATIENZA-SAHUQUILLO, C. Entrepreneurial behavior: Impact of motivation factors
on decision to create a new venture. Investigaciones Europeas de Dirección y Economía de la Empresa, v.
18, n. 2, p. 132-138, 2012.
BARLACH, L. Empreendedorismo ou profissão: um desafio para orientadores(as). Revista Brasileira de
Orientação Profissional, v. 12, n. 1, p. 119-125, 2011.
BARLACH, L.; MALVEZZI, S. Empreendedorismo interno e criação de empresas: transição ou mudança.
ReCaPe – Revista de Carreiras e Pessoas, v. 2, n. 2, p. 2-12, 2012.
BARON, R. A.; SHANE, S. A. Empreendedorismo: Uma visão do processo. São Paulo: Thompson, 2007.
BESSANT, J.; TIDD, J. Inovação e empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2009.
BHIDE, A. V. As perguntas que todo empreendedor deve responder. In: Harvard Business Review.
Empreendedorismo e estratégia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002. p. 09-34.
BYRNE, B. M. Structural equation modeling with Amos: Basic concepts, applications, and programming.
Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 2001.
BOSZCZOWSKI, A. K.; TEIXEIRA, R. M. O empreendedorismo sustentável e o processo empreendedor: em
busca de oportunidades de novos negócios como solução para problemas sociais e ambientais. Revista
Economia & Gestão, v. 12, n. 29, p. 141-168, 2012.
BRANDSTÄTTER, H. Personality aspects of entrepreneurship: A look at five meta-analyses. Personality and
Individual Differences, v. 51, n. 3, p. 222-230, 2011.
BRUSH, C. G.; GREENE, P. G.; HART, M. M. Empreendedorismo e construção da base de recursos. Revista
de Administração de Empresas, v. 42, n. 1, p. 20-35, 2002.

69

BYGRAVE, W. D. The entrepreneurial process. In: BYGRAVE, W. D.; ZACHARAKIS, A. (Eds.). The
portable MBA in entrepreneurship. Hoboken, NJ: John Wiley & Sons, 2004.
CALAZANS, A. T. S.; GUEDES, A. L. As barreiras à expressão da criatividade que podem influenciar na
qualidade e inovação na TI. Universitas Gestão e TI, v. 1, n. 1, p. 149-167, 2011.
CANTILLON, R. Essai sur la nature du commerce en général. Londres: Chez Fletcher Gylesdans Holborn,
1755.
CARDON, M. S. Is passion contagious? The transference of entrepreneurial passion to employees. Human
Resource Management Review, v. 18, n. 2, p. 77-86, 2008.
______. GREGOIRE, D. A.; STEVENS, C. E.; PATEL, P. C. Measuring entrepreneurial passion: Conceptual
foundations and scale validation. Journal of Business Venturing, v. 28, n. 3, p. 373-396, 2013.
______. ZIETSMAB, C.; SAPARITOC, P.; MATHERNED, B. P.; DAVISE, C. A tale of passion: New insights
into entrepreneurship from a parenthood metaphor. Journal of Business Venturing, v. 20, n. 1, p. 23-45, 2005.
CARLAND, J. W.; CARLAND, J. A.; HOY, F. S. An entrepreneurship index: an empirical validation. Frontiers
of Entrepreneurship Research, v. 25, n. 3, p. 244-265, 1992.
______. ______. ______. Who is an entrepreneur? Is a question worth asking? American Journal of Small
Business, v. 15, n. 3, p. 33-39, 1998.
CARVALHO, M. M. Inovação: Estratégias e comunidades de conhecimento. São Paulo: Atlas, 2009.
CASSAR, G. Entrepreneur opportunity costs and intended venture growth. Journal of Business Venturing, v.
21, n. 5, p. 610-632, 2006.
CASSON, M. The individual – opportunity nexus: a review of Scott Shane: a general theory of entrepreneurship.
Small Business Economics, v. 24, p. 423-430, 2005.
CASTOR, B. V. J. Estratégias para a pequena e média empresa. São Paulo: Atlas, 2009.
CHOI, Y. R.; LÉVESQUE, M.; SHEPHERD D. A. When should entrepreneurs expedite or delay opportunity
exploitation? Journal of Business Venturing, v. 23, n. 3, p. 333-355, 2008.
CIAVARELLA, M. A.; BUCHHOLTZB, A. K.; RIORDAND, C. M.; GATEWOODB, R. D.; STOKESC, G. S.
The Big Five and venture survival: Is there a linkage? Journal of Business Venturing, v. 19, n. 4, p. 465-483,
2004.
COELHO, W. C.; RIGUETTI, R. S. Empreendedorismo. Revista Foco, v. 3, n. 1, p. 1-6, 2010.
COHEN, J. A power primer. Psychological Bulletin, v. 112, n. 1, p. 155-159, 1992.
CORBETT, A. C. Experiential learning within the process of opportunity identification and exploitation.
Entrepreneurship Theory and Practice, v. 29, n. 4, p. 473-491, 2005.
CRUZ, R. Valores dos empreendedores e inovatividade em pequenas empresas de base tecnológica. 2005.
Tese (Doutorado em Administração) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil,
2005.

70

DAMÁSIO, B. F. O uso da análise fatorial exploratória em psicologia. Avaliação Psicológica, v. 11, n. 2, p.
213-228, 2012.
DANCEY, C. P.; REIDY, J. Estatística sem matemática para psicologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
DOLABELA, F.; SANTOS, P. da C. F. dos; DANTAS, A. de B.; NASCIMENTO, T. C. Cultura familiar e
empreendedorismo na América Latina. In: Encontro Nacional de Engenharia de Produção - ENEGEP, 28., 2008,
Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro, RJ: ABEPRO, 2008.
DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo corporativo: Conceitos e aplicações. Revista de Negócios, v. 9, n. 2,
p. 81-90, 2004.
______. Empreendedorismo: Transformando ideias em negócios. 5. ed. São Paulo: Ltc Editora, 2014.
DOYLE W.; REID J.; YOUNG J. D. Barriers to and facilitators of managers’ workplace learning in small and
large knowledge-based firms. Proceedings of The Annual of the SBI international meeting, v. 35, p. 79-93.
Arkansas, USA: Small Business Institute Research Review, 2008.
DRUCKER, P. F. Innovation and entrepreneurship. New York: Harper Business, 1993.
______. O melhor de Peter Drucker: O homem. São Paulo: Nobel, 2001.
______. Administrando para obter resultados. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.
FILION, L. J. Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-gerentes de pequenos negócios. Revista de
Administração, v. 34, n. 2, p. 05-28, 1999.
______. Operators and visionaries: differences in the entrepreneurial and managerial systems of two types of
entrepreneurs. International Journal of Entrepreneurship and Small Business, v. 1, n. 1-2, p. 35-55, 2004.
FRANKE, N.; LUTHJE, C. Entrepreneurial intentions of business students: a benchmarking study.
International Journal of Innovation and Technology Management, v. 1, n. 3, p. 269-288, 2004.
FRIEDMAN, H. S.; SCHUSTACK, M. W. Teorias da personalidade. Da teoria clássica à pesquisa moderna. 2.
ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
GAGLIO, C. M.; KATZ, J. The psychological basis of opportunity identification: entrepreneurial alertness.
Small Business Economics, v. 16, p. 95-111, 2001.
GELDEREN, M. v.; BRAND, M.; PRAAG, M. v.; BODEWES, W.; POUTSMA, E.; GILS, A. v. Explaining
entrepreneurial intentions by means of the theory of planned behavior. Career Development International, v.
13, n. 6, p. 538-559, 2008.
GONÇALVES FILHO, C.; VEIT, M. R.; GONÇALVES, C. A. Mensuração do perfil do potencial
empreendedor e seu impacto no desempenho das pequenas empresas. Revista de Negócios, v. 12, n. 3, p. 29-44,
2007.
GOUVEIA, V. V.; GUERRA, V. M.; SOUSA, D. M. F.; SANTOS, W. S.; COSTA, J. de M. Escala de
desejabilidade social de Marlowe-Crowne: Evidências de sua validade fatorial e consistência interna. Avaliação
Psicológica, v. 8, n. 1, p. 87-98, 2009.

71

GOUVEIA, V. V.; MILFONT, T. L.; FISCHER, R.; COELHO, J. A. P. de M. Teoria funcionalista dos valores
humanos: aplicações para organizações. Revista de Administração Mackenzie, v. 10, n. 3, p. 34-59, 2009.
GOUVEIA, V. V.; MILFONT, T. L.; GUERRA, V. M. Functional theory of human values: Testing its content
and structure hypotheses. Personality and Individual Differences, v; 60, p. 41-47, 2014.
GUISO, L.; SCHIAVARDI, F. Learning to be an entrepreneur. Londres: Centre for Economic Policy
Research, 2005.
GUROL, Y.; ATSAN, N. Entrepreneurial characteristics amongst university students: some insights for
entrepreneurship education and training in Turkey. Education & Training, v. 48, n. 1, p. 25-38, 2006.
HAIR, J. F. Jr.; ANDERSON, R. E.; TATHAM, R. L.; BLACK, W. C. Multivariate data analysis. Upper
Saddle River: Pearson Education, 2010.
HARMELING, S.; SARASVATHY, S. D.; FREEMAN, R. E. Related debates in ethics and entrepreneurship:
values, opportunities and contingency. Journal of Business Ethics, v. 84, n. 3, p. 441-365, 2009.
HISRICH, R. D.; PETERS, M. P. Empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2004.
HU, L.; BENTLER, P. M. Cutoff criteria for fit indexes in covariance structure analysis: Conventional criteria
versus new alternatives. Structural Equation Modeling, v. 6, p. 1-55, 1999.
INÁCIO JÚNIOR, E.; GIMENEZ, F. A. P. Potencial empreendedor: um instrumento para mensuração. Revista
de Negócios, v. 9, n. 2, p. 107-116, 2004.
KARABEY, C. N. Understanding entrepreneurial cognition through thinking style, entrepreneurial alertness and
risk preference: do entrepreneurs differ from others? Procedia – Social and Behavioral Sciences, v. 58, p. 861870, 2012.
KETS DE VRIES, M. F. R. The entrepreneurial personality: Organizational paradoxes. London: Tavistock
Publications, 1980.
KIM, W. C.; MAUBORGNE, R. A estratégia do oceano azul: Como criar novos mercados e tornar a
concorrência irrelevante. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
KLINE, R. B. Principles and practice of structural equation modeling. New York: The Guilford press, 2011.
KRISTIANSEN, S.; INDARTI, N. Entrepreneurial intention among Indonesian and Norwegian students.
Journal of Enterprising Culture, v. 12, n. 1, p. 55-78, 2004.
LAAKSONEN L.; AINAMO, A; KARJALAINEN T. Entrepreneurial passion: an explorative case study of four
metal music ventures. Journal of Research in Marketing and Entrepreneurship, v. 13, n. 1, p. 18-36, 2011.
LEE, D. Y.; TSANG, E. W. K. The effects of entrepreneurial personality, background and network activities on
venture growth. Journal of Management Studies, v. 38, n. 4, p. 583-602, 2001.
LEITE, E. O fenômeno do empreendedorismo: Criando riquezas. Recife: Bagaço, 2000.
LEZANA, Á. G. R.; TONELLI, A. O comportamento do empreendedor. In: DE MORI, F. (Org.). Empreender:
Identificando, avaliando e planejando um novo negócio. Florianópolis: ENE, 2004.

72

LIMA, R. C. R.; FREITAS, A. A. F. Personalidade empreendedora, recursos pessoais, ambiente, atividades
organizacionais, gênero e desempenho financeiro de empreendedores informais. Revista de Administração
Pública, v. 44, n. 2, p. 511-531, 2010.
LITTUNEN, H. Entrepreneurship and the characteristics of the entrepreneurial personality. International
Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, v. 6, n . 6, p. 295-309, 2000.
LOCKE, E. A.; BAUM, J. R. Entrepreneurial motivation. In: BAUM, J. R.; FRESE, M.; BARON, R. A. (Eds.).
The psychology of entrepreneurship. The organizational frontiers. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum
Associates Publishers, 2007. p. 93-112.
LOPES JUNIOR, G. S.; SOUZA E. C. L. Atitude empreendedora em proprietários-gerentes de pequenas
empresas: construção de um instrumento de medida. Revista Eletrônica de Administração - REAd, v. 11, n. 6,
p. 1-21, 2005.
LUNA, I. N. Empreendedorismo e orientação profissional no contexto das transformações do mundo do
trabalho. Revista Brasileira de Orientação Profissional, v. 13, n. 1, p. 111-116, 2012.
LUZ, M. R. da; LEITE, V. F. Um estudo sobre os pontos de comparação entre gerentes e empreendedores.
Revista da Micro e Pequena Empresa, v. 2, n. 2, p. 76-84, 2008.
MA, H.; TAN, J. Key components and implications of entrepreneurship: A 4-P framework. Journal of Business
Venturing, v. 21, n. 5, p. 704-725, 2006.
MACCALLUM, R. C.; ZHANG, S.; PREACHER, K. J.; RUCKER, D. D. On the practice of dichotomization of
quantitative variables. Psychological Methods, v. 7, p. 19-40, 2002.
MARKMAN, G. D.; BARON, R. A. Person-entrepreneurship fit: Why some people are more successful as
entrepreneurs than others. Human Resource Management Review, v. 13, n. 2, p. 281-301, 2003.
______. ______. BALKIN, D. B. Are perseverance and self-efficacy costless? Assessing entrepreneurs’ regretful
thinking. Journal of Organizational Behavior, v. 26, n. 1, p. 1-19, 2005.
MASLOW, A. Maslow no gerenciamento. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2000.
MATHIEU, C.; ST-JEAN, É. Entrepreneurial personality: the role of narcissism. Personality and Individual
Differences, v. 55, n. 5, p. 527-531, 2013.
MCCLELLAND, D. C. The achieving society. Princeton: D. Van Nostrand, 1961.
MINELLO, I. F.; SCHERER, L. A. Mudança de comportamento de empreendedores: Uma análise dos tipos de
empreendedor antes, durante e depois do insucesso empresarial. Revista Pensamento Contemporâneo em
Administração, v. 6, n. 4, p. 144-165, 2012.
MINER, J. B. A psychological typology of successful entrepreneurs. Westport: Quorum Books, 1997a.
MINER, J. B. (1997b). The expanded horizon for achieving entrepreneurial success. Organizational Dynamics,
v. 25, n. 3, p. 54-67, 1997b.
______. Testing a psychological typology of entrepreneurship using business founders. The Journal of Applied
Behavioral Science, v. 36, n. 1, p. 43-69, 2000.

73

MORAES, M. J.; HASHIMOTO, M.; ALBERTINE, T. Z. Perfil Empreendedor: estudo sobre características
empreendedoras de motoristas funcionários, agregados e autônomos do transporte rodoviário de cargas. Revista
de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas, v. 2, n. 1, p. 132-157, 2013.
MORIANO, J. A.; SÁNCHEZ, M. L.; PALACÍ, F. J. Un estudio descriptivo sobre los emprendedores en
España, la República Checa y Bulgaria. In: ROIG DOBÓN, S. et al. (Eds.). El emprendedor innovador y la
creación de empresas de I+D+I. Valencia: PUV, 2004. p. 161-178.
MUELLER, S. L.; GOIĆ, S. Entrepreneurial potential in transition economies: a view from tomorrow’s leaders.
Journal of Developmental Entrepreneurship, v. 7, n. 4, p. 339-414, 2002.
______. THOMAS, A. S. Culture and entrepreneurial potential: a nine country study of locus of control and
innovativeness. Journal of Business Venturing, v. 16, n. 1, p. 51-75, 2001.
NASCIMENTO, T. C.; DANTAS, A. de B.; SANTOS, P. da C. F.; SOUSA NETO, M. V.; COSTA JÚNIOR, A.
G. A metodologia de Kristiansen e Indarti para identificar intenção empreendedora em estudantes de ensino
superior: comparando resultados obtidos na Noruega, Indonésia e Alagoas. Revista de Negócios, v. 15, n. 3, p.
67-86, 2010.
NASSIF, V. M. J.; GHOBRIL, A. N.; SILVA, N. S. Understanding the entrepreneurial process: a dynamic
approach. Brazilian Administration Review, v. 7, n. 2, p. 213-226, 2010.
NICOLAOU, N.; SHANE, S.; CHERKAS, L.; SPECTOR, T. D. Opportunity recognition and the tendency to be
an entrepreneur: A bivariate genetics perspective. Organizational Behavior and Human Decision Processes,
v. 110, n. 2, p. 108-117, 2009.
NUNNALLY, J. C.; BERNSTEIN, I. H. Psychometric theory. 3. ed. Nova York: McGraw-Hill, 1995.
OBSCHONKA, M.; SILBEREISEN, R. K.; SCHMITT-RODERMUND, E. Entrepreneurial intention as
developmental outcome. Journal of Vocational Behavior, v. 77, n. 1, p. 63-72, 2010.
OLIVEIRA, E. M. Empreendedorismo social no Brasil: atual configuração, perspectivas e desafios – notas
introdutórias. Revista da FAE, v. 7, n. 2, p. 9-18, 2004.
______. Empreendedorismo social: Da teoria à prática, do sonho a realidade. Rio de Janeiro: Qualitymark,
2008.
PARK, J. S. Opportunity recognition and product innovation in entrepreneurial hi-tech start-ups: a new
perspective and supporting case study. Technovation, v. 25, p. 739-752, 2005.
PASQUALI, L. Princípios de elaboração de escalas psicológicas. Revista de Psiquiatria Clínica, v. 25, n. 5, p.
206-213, 1998.
______. Psicometria. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 43, p. 992-999, 2009.
______. Escalas psicométricas. In: PASQUALI, L. (Org.). Instrumentação psicológica: fundamentos e práticas.
Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 116-135.
PAULINO, A. D.; ROSSI, S. M. M. Um estudo de caso sobre Perfil Empreendedor – Características e traços de
personalidade empreendedora. In: Encontro de Estudos sobre Empreendedorismo e Gestão de Pequenas
Empresas - EGEPE, 3., 2003, Brasília. Anais... Brasília: UEM/UEL/UnB, 2003.

74

PEDROSO, J. P. P.; MASSUKADO-NAKATANI, M. S.; MUSSI, F. B. A relação entre o jeitinho Brasileiro e o
perfil empreendedor: possíveis interfaces no contexto da atividade empreendedora no Brasil. Revista de
Administração Mackenzie, v. 10, n. 4, p. 100-130, 2009.
PONTES, J.; ABBAS, K.; POSSAMAI, O. Proposta de uma sistemática de integração entre o valor humano e as
características do empreendedor: Uma contribuição para o entendimento da formação do empreendedor. In:
Encontro Nacional de Engenharia de Produção - ENEGEP, 27., 2007, Foz do Iguaçu. Anais... Foz do Iguaçu,
PR: ABEPRO, 2007.
RAUCH, A.; FRESE, M. Born to be an Entrepreneur? Revisiting the personality approach to entrepreneurship.
In: BAUM, J. R.; FRESE, M.; BARON, R. A. (Eds.). The psychology of entrepreneurship. The organizational
frontiers. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates Publishers, 2007. p. 41-65.
ROTTER, J. B. Internal versus external control of reinforcement: a case history of a variable. American
Psychologist, v. 45, n. 4, p. 489-493, 1990.
ROXAS, B.; CHADEE, D. Effects of formal institutions on the performance of the tourism sector in the
Philippines: The mediating role of entrepreneurial orientation. Tourism Management, v. 37, p. 1-12, 2013.
SAKS, N. T.; GAGLIO, C. M. Can opportunity identification be taught? Journal of Enterprising Culture, v.
10, n. 4, p. 313-358, 2002.
SANTOS, P. da C. F. dos. Uma escala para identificar potencial empreendedor. 2008. 364 f. Tese
(Doutorado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil,
2008.
______. DANTAS, A. de B.; MILITO, C. M. Cultura familiar empreendedora e dinâmica econômica na
América Latina: contributos para sua representação. In: PEREIRA, R. (Org.). A dinâmica nas ciências
económicas e empresariais: Contributos para uma visão abrangente. Lisboa: Escolar, 2010. p. 197-222.
______. MINUZZI, J.; LEZANA, A. G. R.; GRZYBOVSKI, D. Intenção empreendedora: um estudo com
empretecos catarinenses. Revista de Estudos de Administração, v. 9, n. 19, p. 7-26, 2009.
SANTOS-ÁLVAREZ, V.; GARCÍA-MERINO, T. The role of the entrepreneur in identifying international
expansion as a strategic opportunity. International Journal of Information Management, v. 30, n. 6, p. 512520, 2010.
SARASON, Y.; DEAN, T.; DILLARD, J. F. Entrepreneurship as the nexus of individual and opportunity: A
structuration view. Journal of Business Venturing, v. 21, p. 286-305, 2006.
SARASVATHY, S. D. The questions we ask and the questions we care about: reformulating some problems in
entrepreneurship research. Journal of Business Venturing, v. 19, n. 5, p. 707-717, 2004.
______. DEW, N.; VELAMURI, S. R.; VENKATARAMAN, S. A testable typology of entrepreneurial
opportunity: Extensions of Shane and Venkataraman. (Working Paper). College Park: University of Maryland,
2002.
______. ______. ______. ______. Three views of entrepreneurial opportunity. In: ACS, Z. J.; AUDRETSCH, D.
B. (Eds.). Handbook of entrepreneurship research: An interdisciplinary survey and introduction. New York:
Springer, 2003. p. 141-160.

75

SARIS, W.; STRONKHORST, H. Causal modelling in nonexperimental research. Amsterdam: Sociometric
Research Foundation, 1984.
SAY, J. B. Traité d’économie politique. Montreal: Éditions Weltanschauung, 2003.
SCHMIDT, S.; BOHNENBERGER, M. C. Perfil empreendedor e desempenho organizacional. Revista de
Administração Contemporânea, v. 13, n. 3, p. 450-467, 2009.
SCHNAARS, S. P. Administrando as estratégias da imitação – Como os retardatários tomam o mercado dos
precursores. São Paulo: Pioneira, 1997.
SCHUMPETER, J. A. The theory of economic development. New York: Oxford University Press, 1961.
SHANE, S. A general theory of entrepreneurship: The individual-opportunity nexus. Cheltenham: Edward
Elgar, 2003.
______. NICOLAOU, N.; CHERKAS, L.; SPECTOR, T. D. Genetics, the Big Five, and the tendency to be selfemployed. Journal of Applied Psychology, v. 95, n. 6, p. 1154-1162, 2010.
SHAPERO, A.; SOKOL, L. Social dimensions of entrepreneurship. In: KENT, C. A.; SEXTON, D. L.;
VESPER, K. H. (Eds.). Encyclopedia of entrepreneurship. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1982.
SHENG, H. H. Modelos de financiamento baseados em relações pessoais: experiência de empreendedores
chineses no Brasil. Revista de Administração Contemporânea, v. 12, n. 3, p. 741-761, 2008.
SOUZA, G. H. S. de; COSTA, A. C. S.; LIMA, N. C.; COELHO, J. A. P. de M.; PENEDO, A. S. T.; SILVA, T.
E. E. Structures of commercialization: actions of informal marketing from Brazilian micro-entrepreneurs in a
street market. International Journal of Business and Commerce, v. 2, n. 9, p. 20-36, 2013.
TABACHNICK, B. G.; FIDELL, L. S. Using multivariate statistics. 5. ed. Boston: Pearson Education Inc,
2007.
TAJEDDINI, K.; ELG, U.; TRUEMAN, M. Efficiency and effectiveness of small retailers: The role of customer
and entrepreneurial orientation. Journal of Retailing and Consumer Services, v. 20, n. 5, p. 453-462, 2013.
UCBASARAN, D.; WESTHEAD, P.; WRIGHT, M. The extent and nature of opportunity identification by
experienced entrepreneurs. Journal of Business Venturing, v. 24, n. 2, p. 99-115, 2009.
WARD, C. D. Psicologia social experimental: manual de laboratório. São Paulo: Editora da Universidade de
São Paulo, 1974.
WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Pioneira, 1957.
WHETTEN D. A. What constitutes a theoretical contribution? Academy of Management Review, v. 14, n. 4, p.
490-495, 1989.
WU, S.; WU, L. The impact of higher education on entrepreneurial intentions of university students in China.
Journal of Small Business and Enterprise Development, v. 15, n. 4, p. 752-774, 2008.
ZAHRA, S, A.; RAWHOUSER, H, N.; BHAWE, N.; NEUBAUM, D. O.; HAYTON, J. C. Globalization of
social entrepreneurship opportunities. Strategic Entrepreneurship Journal, v. 2, n. 2, p. 117-131, 2008.

76

ZHAO, H.; SEIBERT, S. E. The Big Five personality dimensions and entrepreneurial status: A meta-analytical
review. Journal of Applied Psychology, v. 91, n. 2, p. 259-271, 2006.

77

APÊNDICES

78

Apêndice A
106 Itens Embaralhados do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo
Id
V1a
V6o
V4d
V8b
V2g
V7a
V6k
V2p
V4f
V8g
V1f
V3f
V6i
V7g
V5c
V2b
V7j
V8d
V4h
V6a
V2j
V4j
V2i
V1e
V2k
V4o
V6c
V5n
V2o
V7f
V3a
V1h
V3b
V3c
V8l
V5j
V3e
V4a
V8j
V2e
V3h
V6h
V5g
V7d
V2h
V4b
V6q
V1c
V4e

Item
Tenho vontade de ter meu próprio negócio.
Tenho a capacidade de obter lucro em negócios.
Sou uma pessoa inovadora.
Envolvo-me de modo pessoal com os trabalhos que realizo.
Tenho disposição a correr riscos relacionados aos negócios.
Possuo uma rede de contatos que poderia me auxiliar na abertura de um negócio.
Procuro aprender tudo sobre os trabalhos que eu vou realizar.
Sinto-me confiante para assumir riscos relacionados a um novo negócio.
Tenho iniciativa para fazer coisas novas.
Executo meu trabalho com paixão.
Sinto-me empolgado com a ideia de ter meu próprio negócio.
Tenho contatos que financiariam meu próprio negócio.
Acredito que possuo conhecimentos técnicos suficientes para iniciar um negócio.
Se eu fosse abrir um negócio, saberia exatamente com quem eu entraria em contato
para ser meu sócio.
Percebo nas necessidades dos outros, oportunidades de negócio.
Eu abriria um negócio inovador apesar das dificuldades de gestão.
Procuro manter redes de relacionamentos com as pessoas que sei que podem ser úteis
para mim.
Acho necessário que uma pessoa se apaixone pelo trabalho que realiza.
Sou apaixonado por novas ideias.
Geralmente, prefiro liderar os grupos que faço parte.
Percebo a instabilidade do mercado como um problema para eu abrir um negócio.
Sinto prazer em atividades que exigem imaginação/criatividade.
Sou corajoso e não tenho medo de abrir um negócio, mesmo com todo o risco.
Tenho um desejo de um dia abrir meu próprio negócio.
Para mim, a instabilidade do mercado não seria um problema para eu abrir um negócio.
Sou uma pessoa proativa, que se antecipa ao futuro.
Tenho capacidade de estimular pessoas a trabalharem em grupo.
Consigo detectar as possíveis oportunidades do mercado.
Sou capaz de prever riscos econômicos que possam me prejudicar.
Sou prestativo com quem pode me oferecer benefícios econômicos.
Tenho como conseguir um empréstimo para abrir um novo negócio.
Tenho vontade de transformar minhas ideias em negócios.
No momento, eu não teria como arranjar um empréstimo para abrir um negócio.
Percebo a possibilidade de ter acesso a recursos para abrir um negócio.
Os resultados obtidos são melhores quando faço algo que gosto.
Sou aberto a novas oportunidades.
Utilizaria minhas economias para investir em um negócio.
Interesso-me por inovações mercadológicas e tecnológicas.
Sinto-me envolvido pelo trabalho que realizo.
Eu faria uma dívida de longo prazo para investir em uma oportunidade de negócio.
Percebo uma facilidade em obter recursos rapidamente.
Sou capaz de motivar as pessoas a realizarem tarefas difíceis.
Percebo oportunidades de negócio em qualquer área.
Sei a quem posso recorrer para abrir um negócio.
Tenho medo de enfrentar os riscos de um empreendimento/negócio.
Sinto-me bem criando coisas novas.
Sinto que possuo a habilidade de gerenciar pessoas.
Caso fosse lucrativo, eu teria a intenção de iniciar um negócio.
Sou uma pessoa tradicional.

N
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49

79

V3d
V4g
V7c
V4i
V5b
V2n
V4l
V3j
V4n
V2d
V5a
V4m
V2f
V5d
V8h
V5f
V6b
V2l
V5i
V4k
V5l
V6g
V8e
V6n
V5p
V3g
V6d
V2m
V6f
V5e
V8i
V6l
V5m
V7h
V8k
V6p
V2c
V7b
V4k
V7e
V3i
V6m
V7i
V5h
V4c
V8a
V1b
V8c
V6e
V8f
V1g
V5o
V1i
V2a
V1d

Não vejo como ter acesso a recursos para abrir um negócio.
Procuro fazer as coisas da forma convencional.
Busco estabelecer amizades que possam me oferecer benefícios.
Costumo ser indiferente a novas ideias.
Sou indiferente às oportunidades de negócio.
Sou uma pessoa consciente dos riscos encontrados no mercado.
Sou uma pessoa com muita imaginação.
Tendo dinheiro, acredito ser fácil abrir um negócio.
Procuro me adaptar a novas situações para cumprir meus objetivos.
Eu deixaria/largaria um emprego público para ir atrás de uma oportunidade de negócio.
Sinto-me atraído a identificar oportunidades de negócio.
Tenho pouca imaginação.
Correr riscos em um negócio é algo inevitável, mas eu enfrentaria os riscos.
Percebo uma oportunidade de negócio a partir das necessidades dos outros.
Sinto-me realizado em relação ao meu trabalho.
Tenho a capacidade de obter lucro ao identificar uma oportunidade de negócio.
Prefiro ser liderado dentro de um grupo.
Calculo todos os riscos ao entrar em um negócio.
Percebo poucas oportunidades de negócio no mercado.
Considero fundamental aproveitar as oportunidades.
Encaro as necessidades alheias (dos outros), como oportunidades de negócio.
Acredito ser capaz de organizar as tarefas de um grupo.
Realizo com dedicação os meus trabalhos.
Eu gosto de tomar decisões sozinho em relação aos trabalhos que realizo.
Considero-me capaz de identificar novas oportunidades em minhas próprias
necessidades.
Conheço pessoas que poderiam me ajudar com recursos para eu abrir meu próprio
negócio.
Não sou bom em convencer as pessoas a trabalharem em grupo.
Tenho dificuldade em calcular os riscos ao entrar em um negócio.
Consigo estimular as pessoas a superarem conflitos.
Consigo identificar a oportunidade de um negócio lucrativo.
Meu trabalho é também uma questão pessoal.
Procuro aprender apenas o necessário sobre os trabalhos que eu vou realizar.
Sinto-me entusiasmado ao identificar oportunidade de negócios.
Procuro manter uma boa rede de relacionamentos com todo mundo, até com colegas
distantes.
Procuro me dedicar ao trabalho que me satisfaça.
Procuro obter mais conhecimentos sobre a área que atuo.
Preferia abrir um negócio inovador a uma franquia, mesmo assumindo mais riscos.
Sinto que as pessoas confiam em mim com facilidade.
Pra mim, atividades que exijam imaginação/criatividade são chatas.
Consigo encontrar pessoas que possam facilitar a realização dos meus projetos.
Percebo que há pessoas dispostas a investir na minha empresa.
Geralmente, eu planejo e organizo os trabalhos que estou realizando.
Procuro manter uma boa rede de relacionamento apenas com os mais próximos.
Percebo oportunidades de negócio em todo lugar.
Acho desinteressante criar coisas novas.
Apaixono-me pelos trabalhos que realizo.
Não tenho vontade de ter meu próprio negócio.
Sinto prazer em fazer o meu trabalho de forma bem feita.
Tenho habilidade de estimular pessoas a alcançarem um objetivo em comum.
Não me importo em realizar meus trabalhos com dedicação, basta fazê-los.
Acho que eu não teria disposição para abrir um negócio.
Procuro aproveitar as oportunidades para investir em novos negócios.
Desejo transformar minhas ideias em negócios lucrativos.
Eu abriria um negócio inovador apesar da insegurança.
Eu gostaria de investir em um negócio, se eu tivesse dinheiro e recursos.

50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
100
101
102
103
104

80

V7k
V6j

Sempre fui incentivado por alguém a ter meu próprio negócio (Exemplo: amigo ou
familiar).
Possuo experiência suficiente para abrir um negócio.

Em que:
Fator 1 [Intenção de Empreender] = V1
Fator 2 [Risco] = V2
Fator 3 [Acesso à capital] = V3
Fator 4 [Inovação] = V4
Fator 5 [Oportunidade] = V5
Fator 6 [Gerenciamento e Liderança] = V6
Fator 7 [Rede de Relacionamento] = V7
Fator 8 [Paixão] = V8

105
106

81

Apêndice B
81 Itens Embaralhados do Inventário de Barreiras e Facilitadores ao
Empreendedorismo
Id
V1a
V6o
V4d
V8b
V2g
V7a
V2p
V4f
V8g
V1f
V3f
V6i
V7g
V5c
V2b
V7j
V8d
V4h
V6a
V4j
V2i
V1e
V2k
V4o
V6c
V5n
V2o
V7f
V3a
V1h
V3c
V5j
V4a
V8j
V2e
V3h
V6h
V5g
V7d
V4b
V6q
V1c
V7c
V4l
V4n
V2d
V5a
V4m
V2f

Item
Tenho vontade de ter meu próprio negócio.
Tenho a capacidade de obter lucro em negócios.
Sou uma pessoa inovadora.
Envolvo-me de modo pessoal com os trabalhos que realizo.
Tenho disposição a correr riscos relacionados aos negócios.
Possuo uma rede de contatos que poderia me auxiliar na abertura de um negócio.
Sinto-me confiante para assumir riscos relacionados a um novo negócio.
Tenho iniciativa para fazer coisas novas.
Executo meu trabalho com paixão.
Sinto-me empolgado com a ideia de ter meu próprio negócio.
Tenho contatos que financiariam meu próprio negócio.
Acredito que possuo conhecimentos técnicos suficientes para iniciar um negócio.
Se eu fosse abrir um negócio, saberia exatamente com quem eu entraria em contato
para ser meu sócio.
Percebo nas necessidades dos outros, oportunidades de negócio.
Eu abriria um negócio inovador apesar das dificuldades de gestão.
Procuro manter redes de relacionamentos com as pessoas que sei que podem ser úteis
para mim.
Acho necessário que uma pessoa se apaixone pelo trabalho que realiza.
Sou apaixonado por novas ideias.
Geralmente, prefiro liderar os grupos que faço parte.
Sinto prazer em atividades que exigem imaginação/criatividade.
Sou corajoso e não tenho medo de abrir um negócio, mesmo com todo o risco.
Tenho um desejo de um dia abrir meu próprio negócio.
Para mim, a instabilidade do mercado não seria um problema para eu abrir um negócio.
Sou uma pessoa proativa, que se antecipa ao futuro.
Tenho capacidade de estimular pessoas a trabalharem em grupo.
Consigo detectar as possíveis oportunidades do mercado.
Sou capaz de prever riscos econômicos que possam me prejudicar.
Sou prestativo com quem pode me oferecer benefícios econômicos.
Tenho como conseguir um empréstimo para abrir um novo negócio.
Tenho vontade de transformar minhas ideias em negócios.
Percebo a possibilidade de ter acesso a recursos para abrir um negócio.
Sou aberto a novas oportunidades.
Interesso-me por inovações mercadológicas e tecnológicas.
Sinto-me envolvido pelo trabalho que realizo.
Eu faria uma dívida de longo prazo para investir em uma oportunidade de negócio.
Percebo uma facilidade em obter recursos rapidamente.
Sou capaz de motivar as pessoas a realizarem tarefas difíceis.
Percebo oportunidades de negócio em qualquer área.
Sei a quem posso recorrer para abrir um negócio.
Sinto-me bem criando coisas novas.
Sinto que possuo a habilidade de gerenciar pessoas.
Caso fosse lucrativo, eu teria a intenção de iniciar um negócio.
Busco estabelecer amizades que possam me oferecer benefícios.
Sou uma pessoa com muita imaginação.
Procuro me adaptar a novas situações para cumprir meus objetivos.
Eu deixaria/largaria um emprego público para ir atrás de uma oportunidade de negócio.
Sinto-me atraído a identificar oportunidades de negócio.
Tenho pouca imaginação.
Correr riscos em um negócio é algo inevitável, mas eu enfrentaria os riscos.

82

V5d
V8h
V5f
V4k
V5l
V6g
V8e
V5p
V3g
V6f
V5e
V8i
V5m
V7h
V8k
V6p
V2c
V4k
V7e
V3i
V6m
V5h
V8a
V1b
V8c
V6e
V1g
V5o
V1i
V2a
V1d
V7k

Percebo uma oportunidade de negócio a partir das necessidades dos outros.
Sinto-me realizado em relação ao meu trabalho.
Tenho a capacidade de obter lucro ao identificar uma oportunidade de negócio.
Considero fundamental aproveitar as oportunidades.
Encaro as necessidades alheias (dos outros), como oportunidades de negócio.
Acredito ser capaz de organizar as tarefas de um grupo.
Realizo com dedicação os meus trabalhos.
Considero-me capaz de identificar novas oportunidades em minhas próprias
necessidades.
Conheço pessoas que poderiam me ajudar com recursos para eu abrir meu próprio
negócio.
Consigo estimular as pessoas a superarem conflitos.
Consigo identificar a oportunidade de um negócio lucrativo.
Meu trabalho é também uma questão pessoal.
Sinto-me entusiasmado ao identificar oportunidade de negócios.
Procuro manter uma boa rede de relacionamentos com todo mundo, até com colegas
distantes.
Procuro me dedicar ao trabalho que me satisfaça.
Procuro obter mais conhecimentos sobre a área que atuo.
Preferia abrir um negócio inovador a uma franquia, mesmo assumindo mais riscos.
Pra mim, atividades que exijam imaginação/criatividade são chatas.
Consigo encontrar pessoas que possam facilitar a realização dos meus projetos.
Percebo que há pessoas dispostas a investir na minha empresa.
Geralmente, eu planejo e organizo os trabalhos que estou realizando.
Percebo oportunidades de negócio em todo lugar.
Apaixono-me pelos trabalhos que realizo.
Não tenho vontade de ter meu próprio negócio.
Sinto prazer em fazer o meu trabalho de forma bem feita.
Tenho habilidade de estimular pessoas a alcançarem um objetivo em comum.
Acho que eu não teria disposição para abrir um negócio.
Procuro aproveitar as oportunidades para investir em novos negócios.
Desejo transformar minhas ideias em negócios lucrativos.
Eu abriria um negócio inovador apesar da insegurança.
Eu gostaria de investir em um negócio, se eu tivesse dinheiro e recursos.
Sempre fui incentivado por alguém a ter meu próprio negócio (Exemplo: amigo ou
familiar).

Em que:
Fator 1 [Intenção de Empreender] = V1
Fator 2 [Risco] = V2
Fator 3 [Acesso à capital] = V3
Fator 4 [Inovação] = V4
Fator 5 [Oportunidade] = V5
Fator 6 [Gerenciamento e Liderança] = V6
Fator 7 [Rede de Relacionamento] = V7
Fator 8 [Paixão] = V8

83

Apêndice C
Inventário de Barreiras e Facilitadores ao Empreendedorismo
INSTRUÇÕES. Por favor, leia atentamente a lista de comportamentos e características descritos a
seguir, considerando seu conteúdo. Utilizando a escala de resposta abaixo, escreva um número dentro do
colchete ao lado de cada item para indicar em que medida você considera que a frase o descreve.

V8b - Executo meu trabalho com paixão.

[

]

V4e - Sou uma pessoa inovadora.

[

]

V1a - Tenho um desejo de um dia abrir meu próprio negócio.

[

]

V6a - Sinto que possuo a habilidade de gerenciar pessoas.

[

]

V2c - Correr riscos em um negócio é algo inevitável, mas eu enfrentaria os riscos.

[

]

V4a - Sinto prazer em atividades que exigem imaginação/criatividade.

[

]

V7c - Consigo encontrar pessoas que possam facilitar a realização dos meus projetos.

[

]

V8e - Sinto prazer em fazer o meu trabalho de forma bem feita.

[

]

V6e - Geralmente, prefiro liderar os grupos que faço parte.

[

]

V2a - Eu abriria um negócio inovador apesar da insegurança.

[

]

V3c - Percebo uma facilidade em obter capital rapidamente.

[

]

V5b - Consigo detectar as possíveis oportunidades do mercado.

[

]

V6b - Sou capaz de motivar as pessoas a realizarem tarefas difíceis.

[

]

V1d - Eu gostaria de investir em um negócio, se eu tivesse dinheiro e recursos.

[

]

V2b - Sou corajoso e não tenho medo de abrir um negócio, mesmo com todo o risco.

[

]

V7a - Sei a quem posso recorrer para abrir um negócio.

[

]

V4d - Sou apaixonado por novas ideias.

[

]

V3b - Conheço pessoas que poderiam me ajudar com dinheiro para eu abrir meu negócio.

[

]

84

V2d - Eu faria uma dívida de longo prazo para investir em uma oportunidade de negócio.

[

]

V5c - Tenho a capacidade de obter lucro ao identificar uma oportunidade de negócio.

[

]

V3a - Percebo a possibilidade de ter acesso à capital ou recursos para abrir um negócio.

[

]

V6d - Tenho capacidade de estimular pessoas a trabalharem em grupo.

[

]

V4c - Sou uma pessoa com muita imaginação.

[

]

V3d - Tenho contatos que financiariam meu próprio negócio.

[

]

V2e - Tenho disposição a correr riscos relacionados aos negócios.

[

]

V5a - Consigo identificar a oportunidade de um negócio lucrativo.

[

]

V8c - Sinto-me envolvido pelo trabalho que realizo.

[

]

V6c - Acredito ser capaz de organizar as tarefas de um grupo.

[

]

V5e - Encaro as necessidades alheias (dos outros), como oportunidades de negócio.

[

]

V7e - Procuro manter redes de relacionamentos com as pessoas que sei que podem ser úteis
para mim.

[

]

V1b - Sinto-me empolgado com a ideia de ter meu próprio negócio.

[

]

V8a - Apaixono-me pelos trabalhos que realizo.

[

]

V7b - Possuo uma rede de contatos que poderia me auxiliar na abertura de um negócio.

[

]

V1e – Caso fosse lucrativo, eu teria a intenção de iniciar um negócio.

[

]

V3e - Tenho como conseguir um empréstimo para abrir um novo negócio.

[

]

V4b - Sinto-me bem criando coisas novas.

[

]

V5d - Sinto-me atraído a identificar oportunidades de negócio.

[

]

V8d - Realizo com dedicação os meus trabalhos.

[

]

V1c - Tenho vontade de transformar minhas ideias em negócios.

[

]

V7d - Se eu fosse abrir um negócio, saberia exatamente com quem eu entraria em contato
para ser meu sócio.

[

]