Gisele da Luz Freire Silva
Parentalidade e prevenção às violências contra crianças e adolescentes em Maceió, Alagoas
Resumo
A parentalidade refere-se a um lugar instituído no campo social, consistindo no fruto de operações fundadas a cada nascimento de um novo filho, numa relação social específica. Investigar a parentalidade, a partir da psicanálise, implica em escutar como a angústia emerge no fenômeno parental em cada indivíduo e em entender como essa experiência afeta cada pessoa na sua singularidade. À psicologia e à psicanálise cabe estudar e problematizar de que modo estão se dando as relações parentais na atualidade e por que a violência ainda é tão utilizada no meio intrafamiliar no trato de crianças e adolescentes. Esta pesquisa tem como objetivo geral compreender como famílias exercem a parentalidade e lidam com suas vicissitudes, no intuito de fomentar conhecimento teórico-prático acerca da prevenção às violências contra crianças e adolescentes. Os objetivos específicos são: a) mapear as produções acadêmicas acerca da parentalidade e sua relação com a violência contra crianças e adolescentes; b) compreender os significados da parentalidade para as famílias; c) compreender como as famílias enfrentam as dificuldades apresentadas em seu exercício parental. Trata-se de uma pesquisa-ação de caráter interventivo, com abordagem qualitativa, através de realização de oficinas com famílias. Para a coleta dos dados, foram utilizados os seguintes instrumentos: formulário para caracterização do perfil socioeconômico dos(as) participantes, diários de campo, gravação de áudio das oficinas, fotografias das produções, Procedimento de Desenho-Estória com Tema (PDE-T) e uso de Narrativas Interativas (NI). Foram realizadas três oficinas potenciais, nos meses de julho e agosto de 2024, com nove mães em uma instituição pública da região periférica de Maceió, Alagoas. Na primeira oficina, houve a aplicação do PDE-T com intuito de compreender os significados sobre a parentalidade. Na segunda, buscou-se apreender as dificuldades apresentadas no exercício parental, por meio da NI, visando facilitar a elaboração afetivo-emocional de experiências vividas pelas participantes. Na terceira oficina, houve discussão do impacto da violência contra crianças e adolescentes e proposição de propostas de prevenção. Os resultados parciais apontam para mulheres mães, em sua maioria, negras, entre a dade de 19 e 40 anos, provenientes de um contexto de vulnerabilidade socioeconômica; sentimento de desamparo, estresse e sobrecarga no exercício da maternidade; os pais sendo representados, na maior parte dos desenhos, como figuras ausentes; a violência física, gritos e perda de paciência com os(as) filhos(as) como o principal desfecho das narrativas interativas. As considerações parciais apontam para as oficinas como potenciais para as mães, na medida em que tiveram um espaço para compartilhar suas vivências, angústias e dificuldades em relação ao exercício da função parental, desenvolvida de forma solitária e sem uma rede de apoio sólida ou bem consolidada.
