Mylene Maria Ferreira dos Santos - A ESTÉTICA À LUZ DO INFAMILIAR: UMA PERSPECTIVA RELACIONAL.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
MESTRADO EM PSICOLOGIA
MYLENE MARIA FERREIRA DOS SANTOS
A ESTÉTICA À LUZ DO INFAMILIAR: UMA PERSPECTIVA RELACIONAL
Maceió - AL
2026
MYLENE MARIA FERREIRA DOS SANTOS
A ESTÉTICA À LUZ DO INFAMILIAR: UMA PERSPECTIVA RELACIONAL
Dissertação de mestrado apresentada ao
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
Universidade Federal de Alagoas, como
requisito parcial à obtenção do grau de Mestra
em Psicologia.
Área de concentração: Saúde, Clínica e
Práticas Psicológicas.
Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Barros Gewehr
Maceió - AL
2026
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Taciana Sousa dos Santos
CRB-4
2062
S237e Santos, Mylene Maria Ferreira dos.
A estética à luz do infamiliar : uma perspectiva relacional / Mylene Maria
Ferreira dos Santos. 2026.
99 f. : il.
Orientador(a): Rodrigo Barros Gewehr.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) Universidade Federal de Alagoas. Instituto
de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Maceió, 2026.
Bibliografia: f. 85-91.
Apêndices: f. 92-99.
1. O infamiliar Ensaio. 2. Estética negativa. 3. Teoria psicanalista. 4.
Dimensão estética. I. Título.
CDU: 159.9
À minha mãe, por me forjar para as inúmeras
possibilidades do mundo, mesmo que tenha
reduzido as suas próprias.
AGRADECIMENTOS
À minha mãe, por nunca restringir a minha liberdade e por incentivar a educação desde
os meus primeiros anos de vida. Ela foi a minha primeira professora, com quem aprendi a ler
em casa, mesmo sem formação acadêmica. A ela devo não apenas este trabalho, mas a
percurso.
Às minhas madrinhas, Kátia Florêncio e Clécia Nobre. Meus agradecimentos a elas
remontam ainda à graduação, período em que recebi suporte por meio de inúmeras acolhidas e
escutas em suas casas, bem como auxílio financeiro para meu deslocamento à universidade.
Aos meus amigos de toda a vida, Weslley Rocha e Esdras Pereira, por serem um lugar ao
qual sempre posso retornar. Eles me impulsionam nas minhas idas e me escutam nas minhas
voltas.
Aos amigos que a graduação me presenteou, Joshua Pereira e Ane Caroline, pelo
acolhimento constante ao longo desse período, bem como pelas trocas acerca do processo desta
pesquisa.
Aos queridos amigos que o mestrado me proporcionou, Samuel Conselheiro, Raissa de
Abreu, Jhonan Luiz, Gisele Freire e Sofia Pureza. As ideias se cultivam melhor quando existem
companheiros que, partilhando de um mesmo objetivo, amparam-nos afetivamente.
À minha gatinha, Mel, por ter sido a minha companheira nos momentos solitários de
escrita.
Ao meu orientador, Rodrigo Barros Gewehr, por apostar na minha pesquisa desde a sua
gestação e por todas as orientações ao longo desse percurso, desde a graduação até o momento
atual.
Aos membros da banca, Cleyton Andrade e Aline Sanches, pela leitura atenta e pela
receptividade a este trabalho. Em especial, a Cleyton Andrade, pelas experiências
compartilhadas na graduação, que o tornaram uma referência em meu percurso acadêmico.
a existência do mundo só se justifica
Friedrich Nietzsche
RESUMO
Esta pesquisa investigou o horizonte estético presente no ensaio O Infamiliar, o que permitiu
estabelecer uma relação entre uma estética negativa, evidenciada na obra, e a descentralização
do prazer no domínio da sensibilidade. Norteamo-nos pela definição da estética como
aprofundando as implicações
do cenário estético presente na obra O Infamiliar. Assim, encontramos uma alusão ao sentir,
associado aos aspectos negativos dos afetos vinculados à percepção sensível, que possibilita
questionar a centralidade do prazer na interação com a realidade. O escrutínio da sensibilidade
amplia a compreensão de outros efeitos estéticos, qualitativamente distintos do prazer, não
como efeitos dissociados do prazer, mas como constitutivamente implicados em uma dinâmica
de funcionamento própria. Tal inferência incide sobre a primazia do prazer, repercutindo no
princípio de prazer. Sendo assim, identificamos a participação da estética no rol de repercussões
da teoria freudiana, mediante a construção teórica em torno da palavra-conceito infamiliar.
Portanto, a dimensão estética ocupa um lugar central no ensaio O infamiliar, por embasar as
suas condições de incidência, bem como por impactar os pressupostos teóricos freudianos. A
partir desse achado analítico, torna-se possível considerar que a dimensão estética pode ter sido
subestimada na compreensão da experiência humana, sobretudo quando se levam em conta os
efeitos associados às formas negativas da sensibilidade.
Palavras-chave: Estética; Infamiliar; Princípio do Prazer; Teoria Psicanalítica.
ABSTRACT
This research investigated the aesthetic horizon present in the essay O Infamiliar, which made
it possible to establish a relationship between a negative aesthetics, as evidenced in the work,
question, further exploring the implications of the aesthetic scenario presented in O Infamiliar.
Thus, we identified a reference to feeling, associated with the negative aspects of affects linked
to sensory perception, which makes it possible to question the centrality of pleasure in the
interaction with reality. The scrutiny of sensibility broadens the understanding of other aesthetic
effects, qualitatively distinct from pleasure, not as effects dissociated from pleasure, but as
constitutively implicated in a distinctive mode of functioning. This inference bears upon the
primacy of pleasure, with repercussions for the pleasure principle. Accordingly, we identified
the role of aesthetics among the repercussions of Freudian theory through the theoretical
construction surrounding the concept-word infamiliar. Therefore, the aesthetic dimension
occupies a central place in the essay O Infamiliar, as it underlies the conditions of its emergence
and also affects Freudian theoretical assumptions. Based on this analytical finding, it becomes
possible to consider that the aesthetic dimension may have been underestimated in the
understanding of human experience, particularly when taking into account the effects
associated with the negative forms of sensibility.
Keywords: Aesthetics; The Uncanny; Pleasure Principle; Psychoanalytic Theory.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 8
1.1 A escolha da estética frente à psicanálise ....................................................................... 10
1.1.1 A estética aplicada à psicanálise ................................................................................... 13
1.2 O referencial sobre a estética ........................................................................................... 14
2 CAPÍTULO I: A tessitura ambivalente do efeito estético do infamiliar ........................ 17
2. 1 As condições de possibilidade do infamiliar .................................................................. 22
2.2 Um regime estético como a identidade de opostos no infamiliar ................................. 31
3 CAPÍTULO II: OS EFEITOS ESTÉTICOS DO INFAMILIAR NA ARTE ................ 37
3.1 O infamiliar na literatura ................................................................................................ 44
3.2 O caso do Homem de Areia ............................................................................................. 48
3.3 O aspecto epistemológico entre o infamiliar e a estética ............................................... 54
4 CAPÍTULO III: OS EFEITOS ESTÉTICOS DO INFAMILIAR DAS VIVÊNCIAS . 56
4.1 Beleza e infamiliar: a desestabilização de sua univocidade .......................................... 62
4.2 Os sentidos na apreensão estética.................................................................................... 66
5 CAPÍTULO IV: O prazer para além do prazer ............................................................... 74
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 82
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 85
APÊNDICE ............................................................................................................................. 92
