Adjetivações da obra de Vigotski na produção científica brasileira
Discente: Camila Teixeira de Lima / Orientadora: Prof.ª Dr.ª Adélia Augusta Souto de Oliveira
Adjetivacoes da obra de Vigotski na producao cientifica da psicologia brasileira (2).pdf
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM PSICOLOGIA
ADJETIVAÇÕES DA OBRA DE VIGOTSKI NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA
PSICOLOGIA BRASILEIRA
CAMILA TEIXEIRA DE LIMA
Maceió
2014
CAMILA TEIXEIRA DE LIMA
ADJETIVAÇÕES DA OBRA DE VIGOTSKI NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA
PSICOLOGIA BRASILEIRA
Projeto de dissertação de Camila Teixeira de Lima apresentada
junto ao Programa de Pós Graduação de Psicologia da
Universidade Federal de Alagoas como requisito parcial para
obtenção do título de Mestre em Psicologia.
Orientadora: Profa. Dra. Adélia Augusta Souto de Oliveira
Maceió
2014
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária Responsável: Maria Auxiliadora G. da Cunha
L732a
Lima, Camila Teixeira de.
Adjetivações da obra de Vigotski na produção científica da psicologia
brasielira / Graciele Oliveira Faustino. – 2014.
85 f. : il.
Orientadora: Adélia Augusta Souto de Oliveira.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes. Departamento de
Psicologia. Maceió, 2014.
Bibliografia: f. 81-83.
Apêndices: f. 84-85.
1. Vigotsky, L. S., (Lev Semenovich) 1896-1934. 2. Metassíntese. 3.
Psicologia. I. Título.
CDU: 159.922
“Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse amor, seria como um
bronze que soa ou um címbalo que retine.
Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a
ponto de remover montanhas, mas não tivesse amor, nada seria.
Se eu gastasse todos os meus bens no sustento dos pobres e até me fizesse escravo, para me gloriar, mas
não tivesse amor, de nada me aproveitaria.
O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada
de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a
verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo.
O amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá.
Com efeito, o nosso conhecimento é limitado, como também é limitado nosso profetizar. Mas quando vier
o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando
me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. Agora nós vemos num espelho, confusamente,
mas, então veremos face a face. Agora, conheço apenas em parte, mas, então, conhecerei completamente,
como sou conhecido.
Atualmente permanecem estas três: a fé, a esperança, o amor. Mas a maior delas é o amor”.
(Primeira Carta de São Paulo aos Conríntios cap. 13).
AGRADECIMENTOS
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES pela concessão
de bolsa CAPES.
À minha estimada orientadora Profa. Adélia Augusta Souto de Oliveira, a qual participou
ativamente da minha formação acadêmica, trouxe seriedade e o encanto essencial.
Ao Programa de Pós Graduação em Psicologia - UFAL: aos professores pelo aprendizado do
curso de mestrado; aos alunos do Curso de Psicologia, pela experiência de Estágio Docência, no
percurso de "me tornar professora"; aos avaliadores no Seminário Avançado, na qualificação de
meu projeto de pesquisa; ao colegas de turma do mestrado, pelo apoio e incentivo.
Ao Programa de Pós-Graduação em Educação- UFAL pela oportunidade de cursar disciplina:
Educação e Cultura.
Aos colegas de graduação que compartilharam comigo projetos e momentos decisivos desta
caminhada acadêmica.
À minha família, que com tanto carinho compreendeu minhas ausências, sempre oferecendo
apoio e incentivo: agradeço, em especial, aos meus queridos pais: Gerson e Durvanita, que
trilharam comigo desde a graduação os caminhos desta realização, acreditaram em meu potencial
e me deram forças para fomentá-lo; à minha querida avó, Anita, que carinhosamente trouxe luz e
conforto a esta caminhada; aos meus irmãos: Priscila e André, por tanto apoio e compreensão,
principalmente por entender minhas faltas e me escutarem nos dias mais cansativos.
Ao meu companheiro, Anderson, pelo incentivo, compreensão, por tornar este trajeto mais leve,
compartilhando-o com dedicação e amor.
Às minhas amigas, Thaynna e Suzane, companheiras desde o colégio, pelo apoio, incentivo e por
compartilharem de meus sonhos.
RESUMO
O presente trabalho tem como objeto de estudo as adjetivações que a obra de Vigotski recebeu no
Brasil, tendo como área principal de estudo as produções científicas da psicologia. Objetivou
realizar uma metassíntese da produção brasileira, e especificamente, catalogar a produção
acadêmica que se utiliza das adjetivações da obra de Vigotski, caracterizar as produções da área
da psicologia, identificar se há referência de Vigotski nos resumos, caracterizar os conceitos das
adjetivações utilizadas nas produções, fornecer subsídios para reflexão dos avanços desta teoria e
traçar a trajetória histórica de seus rumos. Para tanto, realizou-se uma metassíntese das produções
acadêmicas na pós-graduação brasileira nos anos de 2007-2011, no banco de teses e dissertações
da CAPES. Os procedimentos se caracterizaram pela contextualização da produção por área de
conhecimento, onde foram utilizados quatro descritores, sócio-histórica, sócio-cultural,
histórico-cultural e histórico-social; pela identificação da produção da psicologia; e pela análise
de resumos, combinada às diferentes grafias do nome do autor. Por último, realizou-se a análise
do capítulo teórico das teses demarcadas com a adjetivação sócio-histórica combinada às
diferentes grafias de Vigotski. Os resultados indicam que a área de conhecimento com maior
número de produções em todas as adjetivações é a da educação. A área da psicologia possui
maior número de produções com a adjetivação sócio-histórica, ficando em segundo lugar a
adjetivação histórico-cultural. As adjetivações sócio-cultural e histórico-social não demonstram
aproximação com a teoria vigotskiana pela análise de resumos. As grafias mais utilizadas na área
da psicologia foram: Vigotski e Vygotsky. A grafia e as adjetivações adotadas apresentam-se
enquanto aspectos não muito enfatizados, tendo preponderância os aspectos temáticos
relacionados à teoria vigotskiana. Os conceitos de adolescência e/ou juventude, a afetividade,
ZDP marcam as discussões das teses analisadas, as quais atreladas a estes conceitos enfatizam o
uso do termo sócio-histórico como fundamental para compreensão das temáticas discutidas, uma
vez que, este termo indica uma superação dos parâmetros biológicos como definitivos.
Palavras-chave: metassíntese. Psicologia. Vigotski.
ABSTRACT
The present study has how object of study the adjectives the work of Vygotsky received in Brazil,
and having major field of study the scientific productions of psychology. aimed to perform a
meta-synthesis of Brazilian production, and specifically, catalog the academic literature that uses
the adjectives the work of Vygotsky, characterize the products of the field of psychology, identify
if there are reports of Vygotsky summaries, characterize the concepts of adjectives used in the
productions, provide subsidies to reflect the advances this theory and trace the historical
trajectory of its course. For this we carried out a meta-synthesis of academic productions in
Brazilian graduate in the years 2007-2011, the bench theses and dissertations from CAPES. The
procedures are characterized by contextualization of production per area of knowledge, where
four descriptors, socio-historical, socio-cultural, historical-cultural and historical-social were
used; identifying the production of psychology; and by analysis of summaries, coupled with
different spellings of the name of the author. Finally, we performed a theoretical analysis section
theses marked with the socio-historical adjective coupled with different spellings of Vygotsky.
The results indicate that the knowledge area with the highest number of productions in all
adjectives is that of education. The field of psychology has a larger number of productions with
the socio-historical adjectives, placing second in the historical-cultural adjective. The sociocultural and socio-historical adjectives show no approach to Vygotskian theory for examining
abstracts. The spellings used more in psychology were: Vigotski and Vygotsky. The spelling and
adjectives adopted feature was pending very emphasized aspects with preponderance theme
aspects the Vygotskyan theory. The concepts of adolescence and / or youth, affection, ZPD mark
discussions of theses analyzed, which linked to these concepts emphasize the use of the term
socio-historical as fundamental to understanding the themes discussed, since this term indicates a
overcoming the biological parameters as definitive.
Keywords: metasynthesis. Psychology. Vygotsky.
LISTA DE QUADROS
Quadro I. Banco de dados do descritor histórico-social
21
Quadro II. Amostra geral de todas as áreas de conhecimento, de descritor por ano de produção 49
Quadro III. Amostra específica – área da psicologia e descritores
50
Quadro IV. IES no descritor sócio-histórica
52
Quadro V. Subárea de conhecimento no descritor sócio-histórica
53
Quadro VI. Lócus de pesquisa no descritor sócio-histórica
53
Quadro VII. Procedimentos adotados com o descritor sócio-histórica
55
Quadro VIII. Teóricos adotados com o descritor sócio-histórica
56
Quadro IX. IES no descritor histórico-social
58
Quadro X. Procedimentos adotados com o descritor histórico-social
58
Quadro XI. Teóricos evidenciados no resumo com o descritor histórico-cultural
60
Quadro XII. Produções por ano com o descritor histórico-cultural
61
Quadro XIII. IES com o descritor histórico-cultural
61
Quadro XIV. Lócus de pesquisa com o descritor histórico-cultural
62
Quadro XV. Tipos de pesquisa com o descritor histórico-cultural
63
Quadro XVI. Número de teses e dissertações no descritor histórico-cultural
63
Quadro XVII. Subárea de conhecimento com o descritor histórico-cultural
63
Quadro XVIII. Procedimentos adotados com o descritor histórico-cultural
64
Quadro XIX. Teóricos apresentados nos resumos com o descritor histórico-cultural
65
Quadro XX. Resumo quantitativo dos quatro descritores
66
QuadroXXI. Porcentagem de representatividade dos quatro descritores
66
Quadro XXII. Teses do descritor sócio-histórica
67
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Total de produções com descritor histórico-social nos últimos cinco anos
24
Gráfico 2 – Ano de maior produção nas dez áreas com maior produção do descritor históricosocial
25
Gráfico 3 – Histórico-social – ano de 2011
26
Gráfico 4 – Histórico-social – ano de 2010
27
Gráfico 5 – Histórico-social – ano de 2009
28
Gráfico 6 – Histórico-social – ano de 2008
29
Gráfico 7 - Histórico-social – ano de 2007
30
Gráfico 8 – Total de produções com descritor: sócio-cultural nos últimos cinco anos
31
Gráfico 9 – Ano de maior produção nas dez áreas com maior produção do descritor sóciocultural.
31
Gráfico 10 – Sócio-cultural – ano de 2011
32
Gráfico 11 – Sócio-cultural – ano de 2010
33
Gráfico 12 – Sócio-cultural – ano de 2009
34
Gráfico 13 – Sócio-cultural – ano de 2008
35
Gráfico 14 – Sócio-cultural – ano de 2007
36
Gráfico 15 – Total de produções com descritor: sócio-histórica nos últimos cinco anos
37
Gráfico 16 – Ano de maior produção nas dez áreas com maior produção do descritor sóciohistórica
37
Gráfico 17 – Sócio-histórica – ano de 2011
38
Gráfico 18 – Sócio-histórica – ano de 2010
39
Gráfico 19 – Sócio-histórica – ano de 2009
40
Gráfico 20 – Sócio-histórica – ano de 2008
41
Gráfico 21 – Sócio-histórica – ano de 2007
42
Gráfico 22 – Total de produções com descritor: histórico-cultural nos últimos cinco anos
43
Gráfico 23 – Ano de maior produção nas dez áreas com maior produção do descritor históricocultural
43
Gráfico 24 – Histórico-cultural – ano de 2011
44
Gráfico 25 – Histórico-cultural – ano de 2010
45
Gráfico 26 – Histórico-cultural – ano de 2009
46
Gráfico 27 – Histórico-cultural – ano de 2008
47
Gráfico 28 – Histórico-cultural – ano de 2007
48
Gráfico – 29 –Grafias de Vigotski versus ano de produção com o descritor sócio-histórica
54
Gráfico – 30 – Grafias de Vigotski versus ano de produção com o descritor histórico-social 59
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
12
2. MÉTODO
19
2.1. Procedimento na busca e análise de informações
20
3. A PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA E OS DESCRITORES
24
4. 3. 1. Caracterização das produções nas diversas áreas de conhecimento.
24
3.1.1. Histórico-social
24
3.1.2. Sócio-cultural
30
3.1.3. Sócio-histórica
36
3.1.4.Histórico-cultural
42
5. A PSICOLOGIA E AS GRAFIAS DE VIGOTSKI: ANÁLISE DE RESUMOS
49
4.1. Delimitando a amostra: a psicologia.
49
4.2. As grafias de Vigotski na psicologia.
50
4.2.1. Descritor: sócio-histórica.
51
4.2.2. Descritor: sócio-cultural.
56
4.2.3. Descritor: histórico-social.
57
4.2.4. Descritor: histórico-cultural.
60
6. A ADJETIVAÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA E AS GRAFIAS DE VIGOTSKI NA
PSICOLOGIA: ANÁLISE DAS TESES
67
5.1. Vigotski e os conceitos apropriados pelos autores nos capítulos teóricos de suas
teses.
68
5.2. Vigotski e as grafias utilizadas.
74
5.3. Vigotski e a abordagem sócio-histórica
76
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
79
8. REFERÊNCIAS
80
9. APÊNDICE
83
12
INTRODUÇÃO
A psicologia sócio-histórica tem suas raízes na teoria de Vigotski (1996), a qual tem sido
revisitada de diversas formas (BOCK, 1999; LA TAILLE; OLIVEIRA; DANTAS, 1992; LUCCI,
2006; MOLON, 2011, 1999; SARMENTO, 2006; SILVA, 2003). A proposta de uma nova
psicologia por Vigotski privilegia a visão do indivíduo em sua totalidade, articulando mente e
corpo e a relação do sujeito com a sociedade (FREITAS, 2003).
Pesquisa de Freitas (1994) destaca que em 1974 já se ouvia falar em Vigotski no Brasil.
Seus entrevistados, que eram educadores de Estados do Sudeste, produziam seus saberes com a
adjetivação "sócio-histórica”. As razões do interesse em Vigotski estavam na curiosidade do que
ocorria na União Soviética ou por serem militantes de esquerda. Ambientes de censuras também
na União Soviética justificam a dificuldade de divulgação da obra desse autor, que levou mais de
20 anos para seu pensamento ser difundido (FREITAS, 1994).
Esse contexto permitiu, do ponto de vista histórico, as diferentes leituras da obra de
Vigotski. No Brasil podem ser compreendidas tendo em mente as seguintes razões: a origem
russa de Vigotski, as dificuldades emergentes da tradução de seus escritos e o caráter de
incompletude de sua obra.
Sabemos que Lev Semionovitch Vigotski nasceu na Rússia em 1896, em uma família
culta e com boas condições financeiras, aprendeu assim desde muito cedo a poesia e o interesse
pelos estudos, sendo seus primeiros focos de interesse a literatura e o teatro, graduou-se em
direito e foi professor de psicologia e história em Shanyavski (MOLON, 2009; PRESTES, 2010).
Sua morte prematura em 1934, vítima de tuberculose, tem sido apontada como um dos motivos
do modo incompleto dos escritos de Vigotski. No entanto, se destaca que seu pensamento trouxe
grandes contribuições, em especial à psicologia. (MOLON, 2003; OLIVEIRA, 1992; PRESTES,
2010).
As contribuições de Vigotski têm sido destacadas e desenvolvidas por muitos estudiosos.
O principal argumento dos autores diz respeito à tentativa de superar a predominância da
biologicidade, uma vez que, a teoria vigotskiana permite um olhar atento aos fatores sociais,
culturais e históricos, considerando-os tão determinantes e complexos como os biológicos.
Esses estudos destacam a concepção de Vigotski sobre a formação do homem como
dependente de sua cultura, abarcando a historicidade e a sociedade em que vive. (BOCK, 1999;
13
DUARTE, 2000; FREITAS, 1994, 2002, 2003; LA TAILLE; OLIVEIRA; DANTAS, 1992;
LUCCI, 2006, MATHEUS, 2009; MOLON, 1999, 2009, 2011; SARMENTO, 2006; SAWAIA,
2006; SILVA, 2003; OLIVEIRA, 1992; PRESTES, 2010; PRESTES; TUNES, 2010, 2012;
TULESKI, 2000; VYGOTSKY, 2004).
Essa amplitude e complexidade de pensamento ganha contornos específicos a depender da
ênfase que se queira defender. Assim, as adjetivações histórico-cultural, sócio-histórica, sóciocultural e histórico-social se caracterizam como as mais utilizadas e foram destacadas no estudo
de Molon (2003). As ênfases podem estar no funcionamento intrapsicológico; no funcionamento
interpsicológico; ou ainda, na relação dialética das dimensões intra e interpsicológica.
A teoria vigostkiana tem auxiliado no debate das mais diversas temáticas, sendo crescente
o interesse por este autor e o número de publicações acerca de sua teoria (MOLON, 2011; SILVA,
2003). Segundo Molon (2011), o caráter inacabado da obra de Vigotski é fator principal que dá
margem às diferentes interpretações de sua teoria, como vemos a seguir:
A complexidade das elaborações conceituais de Vygotsky (1993, 1995, 1996,
2000, 2001) aponta para a necessária prudência relacionada à eleição de uma
única categoria de análise – como atividade, consciência, sentido, significado – e
exige o tensionamento e a consideração dos aspectos interconstitutivos das
múltiplas dimensões – individual, social e histórica, coletiva – para a
compreensão do sujeito e da subjetividade (MOLON, 2011, p. 617).
Outro fato que os autores destacam para a profusão de delineamentos diferentes da obra
de Vigotski é a tradução dos escritos deixados por Vigotski. Nesse sentido, adicionam-se à
censura russa, os interesses dos países que estavam importando essa concepção de sujeito, de
psicologia. As traduções diretas e as indiretas, como no caso brasileiro, foram marcadas por esses
dois aspectos. Ressaltamos que as traduções do nome de Vigotski, escrito com y-y advém do
russo para o inglês e com i-i do russo para o espanhol.
Nesse sentido, Prestes (2010) destaca em seu estudo as razões políticas e os erros de
tradução dos textos vigotskianos. Assim destaca a autora:
Na atividade tradutória, as versões em outras línguas podem ajudar, mas, muitas
vezes, podem complicar mais ainda a tarefa do tradutor. Por exemplo, em
algumas traduções a expressão atividade de brincar foi traduzida como
brinquedo; obutchenie como aprendizagem; retch como linguagem;
tvortchestvo como arte. Todos esses conceitos são de suma importância para o
campo educacional, mas sofreram com a falta de cuidado nas traduções,
14
acarretando distorções na interpretação das idéias de Vigotski (PRESTES, 2010,
p.109).
Vimos acima que as concepções foram modificadas, o que resulta uma compreensão diferente do
proposto pelo autor. Além da difícil tarefa de tradução, o aspecto de censura imposto aos escritos de
Vigotski colocaram em risco suas ideias. Muitos textos ficaram sob tutela da família e ainda se encontram
sem divulgação.
E, finalmente, pode-se afirmar que a edição russa que Bezerra traduziu para o
português foi a que sofreu alterações. Um bom exemplo disso é que, no texto
original de 1926, no final do capítulo XIX, há uma citação do livro Literatura e
revolução de Lev Davidovitch Trotski32. Na edição da Martins Fontes o nome
de Trotski sequer aparece e o longo trecho citado de sua obra está integrado ao
texto como se fosse do próprio Vigotski. Essa falha não se verifica na edição de
Psicologia pedagógica publicada pela Artmed a partir da edição argentina,
organizada por Guillermo Blanck, com tradução do espanhol para o português
feita por Claudia Schilling: o nome de Trotski não foi omitido e a longa citação
de um de seus textos esta entre aspas. Além disso, na nota n°11 referente ao
capítulo XIX, Blanck comenta que, nas edições estadunidenses, a citação de
Trotski também foi omitida (BLANCK apud VIGOTSKI, 2003, pp. 305-306).
(PRESTES, 2010, p. 125)
As diferentes grafias de Vigotski parecem estar vinculadas às diversas traduções e
alterações da obra vigotskiana: y-y e i-i parecem ser as mais utilizadas. No entanto, apresentamse também grafias com y-i, ou i-y. Adjetivações e diferentes grafias demarcam a pluralidade de
formas resultantes das releituras das ideias de Vigotski. Devem ser consideradas ainda o ambiente
acadêmico e o contexto político em que essas ideias floresceram.
Um desses ambientes que permitiu abrir uma das portas de entrada das ideias de Vigotski
no Brasil foi a Psicologia Social pelas mãos da Profa Dra Silvia Lane. A história dessa acadêmica
será decisiva na leitura que estabeleceu: professora brasileira, da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo, onde ministrava aulas de psicologia e difundia os fundamentos da psicologia
Social, participou da criação de associações como a ALAPSO (Associação Latino Americana de
Psicologia) e, no Brasil, a ABRAPSO (Associação Brasileira de Psicologia Social) (BOCK;
GONÇALVES, 2006; SAWAIA, 2006).
Autora de destaque nos estudos da psicologia social brasileira, Silvia Lane, foi uma das
pioneiras a incorporar as idéias de Vigotski à realidade brasileira, divulgando trabalhos,
contextualizando-os. Assim verificamos no texto a seguir:
15
Sílvia já discutia textos dos três expoentes da referida escola, Vygotsky, Luria e
Leontiev, e Rey e Golder lhe permitiram aprofundar essas leituras, apresentandolhe textos ainda inéditos no ocidente, e fazendo críticas tanto à leitura
interacionista quanto reflexológica que a obra deles recebia nos EUA e no
Brasil. “Vygotsky, Luria e Leontiev oferecem uma riqueza de análise sobre o
processo de constituição do psiquismo na materialidade histórica de cada
sociedade, o que não implica na perda da criatividade humana”. (Lane,
1995:56). Com essa frase, Sílvia sintetiza a importante contribuição deles ao
movimento da obra laneana na direção de uma teoria que situa a análise do
psiquismo humano na história e na sociedade, porém sem perder o sujeito e a
sua atividade transformadora (SAWAIA, 2006, p. 94).
Fornecendo um ar revolucionário ao pensamento existente na época acerca da psicologia social,
Silvia Lane trouxe grandes contribuições às práticas relacionadas à psicologia social.
Nos três textos de sua autoria, Sílvia reafirma que o objeto da Psicologia Social
é o homem no conjunto das relações sociais, naquilo que lhe é especifico e de
sua criação como naquilo que é manifestação grupal e social; apresenta a
emoção como uma categoria analítica central da análise e desenvolvimento da
consciência e à constituição do psiquismo. Aplica, na plenitude a proposição de
Vygotsky de que “a transformação social é ato ético e estético” (...) “e que a
Psicologia pode e deve contribuir para que as pessoas se tornem sujeitos de sua
história, compreendendo que essa história não é individual, mas social” (Lane,
1995). (SAWAIA, 2006, p. 95).
O enfoque acerca da constituição do sujeito relacionada ao social e a uma compreensão
deste como protagonista de sua história foi uma grande contribuição de Vigotski à psicologia de
sua época. Seus leitores e interlocutores são unânimes em destacar esse aspecto. Essa
compreensão estava de acordo com as inquietações e tensões que a sociedade brasileira vivia:
Vygotsky surge na psicologia num momento significativo para a nação russa.
Logo após ter-se consolidado a revolução, emerge uma nova sociedade, que,
conseqüentemente, exige a constituição de um novo homem. Nesse sentido, a
primeira missão que a Revolução imprimiu para a psicologia foi a análise dos
problemas de aplicação prática. Por sua formação humanista e sua bagagem
cultural, Vygotsky reunia as condições necessárias para idealizar uma nova
concepção de Educação, Pedologia (ciência da criança) e Psicologia (LUCCI,
2006, p.4).
A entrada de Vigotski na psicologia por sua vez, também surgiu em resposta a
necessidades e conflitos da época. A proposta de Vigotski abarcava uma nova psicologia, distante
16
de reducionismos e próxima às questões sociais, que busca superar a fragmentação da
investigação psicológica.
Na futura sociedade, a psicologia será na verdade, a ciência do homem novo.
Sem ela a perspectiva do marxismo e da história da ciência seria incompleta. No
entanto, essa ciência do homem novo será também psicologia. Para isso já hoje
mantemos suas rédeas em nossas mãos. Não é preciso dizer que essa psicologia
se parecerá tão pouco com a atual como conforme as palavras de Spinoza, a
constelação do Cão se parece com ao cachorro, animal ladrador (Etica teorema
17, Escolio) (VYGOTSKY, 2004, p. 417).
Vigotski (2004) propõe o estudo da psicologia dialética, afirmando a união dos processos
psíquicos e fisiológicos. Sendo a psiquê não algo transcendental e distante, mas em ligação com o
material, com o corpo.
Para Vigostki (2004) a cisão entre esses universos, a tentativa de
compreender os fenômenos psicológicos de forma separada, era um dos problemas enfrentados
pela psicologia. Esse método torna os fenômenos incompreensíveis e distintos, o que levaria a um
problema metodológico.
No entanto, Vigotski (2004) atenta para um erro muito frequente na compreensão desta
unicidade, ou seja, o de conceber que os processos físicos e psíquicos unem-se mecanicamente e
que o estudo da dialética dar-se-ia pelo estudo desta união mecânica. Para Vigotski, a nova
psicologia – a psicologia dialética – propõe que os processos fisiológicos e psíquicos são
constituídos de naturezas e substancias diferentes, mas que se formam de modo integrado,
(in)dissociados e não devem ser separados.
A proposta de uma nova psicologia por Vigotski privilegia a visão do indivíduo em sua
totalidade, articulando mente e corpo e a relação do sujeito com a sociedade (FREITAS, 2003).
Realizar um estudo de configuração histórica das leituras da obra de Vigotski no Brasil
deve considerar, a nosso ver, as releituras a partir de equívocos de tradução, de ausências, de
adulterações, de incompletude e de interesses acadêmicos, que por sua vez, estão vinculados a
interesses ético-políticos da produção da psicologia como ciência. Tarefa necessária e difícil. Esse
estudo aceitou o desafio e pretende mapear e descrever como esse movimento tem ocorrido na
produção da pós-graduação brasileira.
Destacam-se cinco trabalhos que sistematizaram as ideias de Vigotski: Oliveira (1992),
Freitas (1994), Tuleski (2000), Duarte (2000) e Sarmento (2006). Essa última, em sua tese,
discute a teoria de Vigotski a partir de publicações acadêmicas. Seu trabalho se caracteriza por
17
realizar uma leitura do que se produziu em artigos, dissertações e teses acerca da teoria
vigotskiana entre os anos de 1986 a 2001 no Brasil (SILVA, 2003).
Em seu estudo, Silva (2003), entende que compreender o momento histórico de produção
das publicações atuais acerca da teoria vigotskiana pode revelar demarcações que esta teoria vem
apresentando. O marxismo e o recorte histórico do materialismo são defendidos como
fundamentais em alguns autores. Esses destacam, por exemplo, a proibição que algumas
publicações de Vigotski sofreram na URSS, sob o regime Stalinista, enfatizando a relação
intrínseca entre produção de conhecimento e momento histórico.
Portanto, as diferentes leituras de Vigotski e, consequentemente, da psicologia sóciohistórica refletem o momento histórico e singular em que estão sendo produzidas, uma vez que,
os fenômenos humanos estando em constante mudança, as produções acerca deles também
refletem este processo (FREITAS, 2002). Diferentes leituras de uma mesma teoria podem ser
observadas também, devido às diversas traduções feitas da mesma. A esse respeito, por exemplo,
o estudo de Prestes e Tunes (2012) analisa três livros de Vigotski e suas traduções na Rússia,
União Soviética e no Brasil. Esta análise evidencia as alterações feitas no processo de tradução
que comprometem as ideias do autor original.
Ressaltam-se os estudos de Sarmento (2006) e Prestes e Tunes (2012), os quais focalizam
a teoria vigotskiana e as produções científicas acerca dela. O primeiro estudo analisa três das
adjetivações em foco neste estudo, são elas: sócio-histórica ou sócio-cultural (utiliza-se destas
como sinônimas) e histórico-cultural, as temáticas mais discutidas, os marcadores históricos da
produção e sua relação com a área da psicologia.
Em consonância, o estudo de Prestes e Tunes (2010) problematiza e investiga as traduções
pelas quais passou a obra de Vigotski, através da discussão de conceitos, como por exemplo,
linguagem, brincar e aprendizagem, conceitos centrais da teoria vigotskiana. Essa discussão é
realizada tendo como base três livros de Vigotski (Psicologia da arte, Psicologia pedagógica e
Pensamento e fala) e suas traduções no Brasil, União Soviética e Rússia. Essas são caracterizadas
pela presença de adulterações da obra original no processo de tradução são elas: ausência de
trechos da obra, inclusão de capítulos ou partes inexistentes na obra original e com traduções
errôneas do russo para o português (PRESTES; TUNES, 2012). Por exemplo, a expressão
atividade de brincar foi traduzida para o português como brinquedo.
18
Entendemos assim, a relevância dos estudos sobre as adjetivações que receberam a obra
de Vigotski no Brasil nas diferentes áreas de conhecimento. Importante destacar o contexto de
produção da psicologia sócio-histórica nesse cenário. Esta pesquisa pretende focalizar, por meio,
de uma metassíntese a produção acadêmica da psicologia de Vigotski, utilizando-se para isto das
adjetivações que receberam a sua teoria. Utilizam-se, especialmente, as dissertações de mestrado
e teses de doutorado em Programas de Pós-Graduação, nos últimos cinco anos, na área da
psicologia.
Entende-se que, a partir da metassíntese, podemos analisar a aplicabilidade da teoria em
estudo, além de oferecer uma nova interpretação acerca das produções científicas inseridas no
campo da psicologia vigotskiana (MATHEUS, 2009). Pode-se ainda, refletir os caminhos que
direcionaram às diferentes leituras da psicologia sócio-histórica.
Assim, objetiva-se traçar um mapeamento da produção brasileira sobre a psicologia em
relação às adjetivações da obra de Vigotski, identificando aspectos relevantes e lacunas. As
questões deste estudo são: como as adjetivações da obra de Vigotski se relacionam com as áreas
de conhecimento na Pós-Graduação brasileira? Como se apresentam nas produções as
adjetivações que esta obra recebeu? Como se apresentam as produções na área da psicologia em
relação às adjetivações? Quais são os temas, as metodologias e teóricos utilizados nessa
perspectiva teórica? Quais são os avanços desta teoria em âmbito nacional? Que rumos desta
perspectiva podem ser identificados nas produções científicas?
Desse modo, esta dissertação está assim apresentada: esse primeiro capítulo, de
introdução, objetiva apresentar a questão e os objetivos da presente investigação; o segundo
capítulo apresenta o percurso metodológico utilizado. A partir do terceiro capítulo, os resultados
são apresentados: a catalogação da produção científica nas quatro adjetivações; no quarto
capítulo, a área da psicologia combinada às grafias de Vigotski; no quinto capítulo discute as
teses selecionadas no descritor sócio-histórica; e no sexto capítulo as considerações finais.
19
2. MÉTODO
O presente projeto utiliza os pressupostos teóricos e metodológicos da teoria vigotskiana,
especialmente, no que diz respeito à produção do conceito. Conhecer qual o alcance e
repercussão dessa forma de conhecimento é uma importante reflexão para crítica interna e
externa. Realiza-se assim uma metassíntese da produção acadêmica e científica das produções,
que se utilizam da teoria de Vigotski, brasileiras em teses e dissertações, demarcando aspectos
privilegiados em determinado momento e lugar (FERREIRA, 2002; TRANCOSO, 2012). Para
tanto, nós utilizamos da técnica de metassíntese qualitativa, a qual permite a integração de dados
científicos, alcança poder estatístico e relações de causa e efeito (MATHEUS, 2009). Permite
ainda verificar o alcance e atualidade das abordagens teóricas.
A metassíntese qualitativa é definida como uma integração interpretativa de
achados qualitativos (derivados de estudos fenomenológicos, etnográficos, da
teoria fundamentada nos dados e outros) que são a síntese interpretativa de
dados. Essas integrações vão além da soma das partes, uma vez que oferecem
uma nova interpretação dos resultados. A nova interpretação não pode ser
encontrada em nenhum relatório primário de investigação, pois são inferências
derivadas do fato de todos os artigos terem se tornado uma amostra, como um
todo (MATHEUS, 2009, p. 544).
O procedimento da metassíntese se faz importante para o aprofundamento e avanço do
conhecimento. Segundo Spósito (2009), para produção de conhecimento, nos mais diversos
campos do saber, não se pode prescindir do esforço sistemático de inventariar e fazer balanço
sobre aquilo que foi produzido, uma revisão bibliográfica apurada, atentando a determinado
período de tempo e área de abrangência. O procedimento da metassíntese permite vislumbrar a
relevância, apropriação teórica e utilização do aporte teórico para intervenções ou novas
formulações.
Inicialmente, em fase de contextualização da produção optou-se por realizar uma busca
por meio dos descritores similares: histórico-social, sócio-histórico, histórico-cultural e sóciocultural, realizando uma bibliometria, técnica quantitativa e estatística que fornece índices de
produção científica (FONSECA, 1986), bem como abordar as questões referentes à apropriação
conceitual da teoria vigotskiana, refletindo seus pressupostos epistemológicos.
20
Os descritores escolhidos, histórico-social, sócio-histórico, histórico-cultural e sóciocultural, evidenciam uma variedade nas formas de caracterização da teoria vigotskiana
(SARMENTO, 2006; SILVA, 2003). No entanto, tais derivações ou denominações são
reveladoras, segundo Sarmento (2006), da falta de uma unicidade na denominação da teoria de
Vigotski. A autora informa que Ferreira (1996) adota a adjetivação histórico-cultural, Molon
(1999) adota as adjetivações, sócio-histórico ou sócio-cultural, enfatizando que tais adjetivações
são utilizadas com a finalidade de abordar a teoria vigotskiana, seja para enfatizar um dos
aspectos de sua obra: o cognitivo ou o social. Este último pode ainda ter a denominação de
cultural.
Ainda que as diferentes caracterizações e derivações na denominação da referida teoria
apresentem uma diversidade de nuances, nos interessa aqui a correlação de tais descritores com a
teoria vigotskiana, uma vez que, suas diferentes nuances, leituras ou mesmo desdobramentos da
teoria em estudo são alvo de nosso estudo.
2.1. Procedimento na busca e análise de informações
Para o levantamento bibliográfico e produção do banco de dados, desenvolve-se uma fase
que denominamos de contextualização da produção. Nessa, utiliza-se para busca de informações
o banco de teses do site da CAPES. Os descritores escolhidos formam as diferentes adjetivações
que a teoria de Vigotski recebeu no Brasil: histórico-social; sócio-cultural; histórico-cultural;
sócio-histórica. Esses descritores foram utilizados com o auxílio da ferramenta do site que
oferece resultados a partir da busca pela expressão exata, ou seja, não fazem parte desta amostra
as teses e dissertações que contenham derivações dos descritores escolhidos, por exemplo: sem
hífen (histórico social), sem acento (socio-historica) ou com a ordem das palavras invertidas
(cultural-social).
As produções de teses e de dissertações têm a delimitação temporal de 2007 a 2011, sendo
elaborada uma planilha por ano de cada descritor. Desse modo, cada descritor permite a
visualização de cinco quadros por ano, vinte quadros e gráficos ao total com todos os descritores,
e o gráfico geral. Parte dessa contextualização está no Capítulo 3.
A seguir, apresentamos como um exemplo, o fragmento de quadro com os resultados
referentes ao descritor, histórico-social no ano de 2011. O critério de busca selecionou, nesta
21
primeira etapa, a expressão exata histórico-social, devendo este estar presente no resumo,
palavras-chave ou título, utilizando como filtro o ano de 2011.
Quadro I - Banco de dados do descritor histórico-social no ano de 2011.
Autor
Adélia Dieb
Ubarana.
Ademir da
Silva Costa.
Adir da Luz
Almeida.
Área de
Título
Conhecimento
Em que contextos aprenderam a ensinar os professores
que propiciam aprendizagens pertinentes à alfabetização? Educação
Demandas do momento ambiental por áreas verdes em
Desenvolvimento
Fortaleza
e meio ambiente
Viajando pelo agridoce toque da ciência (o serviço de
Ortofrenia e Higiene Mental no Rio de Janeiro de 1930:
seus efeitos na escola, família, comunidade)
Educação
Fonte: Autora, 2013.
Esta primeira fase de contextualização da produção científica brasileira pretende inserir o
debate das produções com as quatro adjetivações no contexto de diversas áreas do conhecimento,
como da educação, história, sociologia, dentre outras. Ainda nesta etapa produz-se um panorama
acerca de quais áreas de conhecimento produzem mais, com qual adjetivação, qual o percurso
anual desta produção e total nos cinco anos (2007 a 2011). Para tanto, identificam-se autor, título,
ano e área de conhecimento.
A seguir, confecciona-se o gráfico ano versus área de conhecimento. Estes dados nos
informam que as áreas de maior produção deste descritor no ano de 2011, por exemplo,
pertencem às áreas de: educação, história, letras, linguística, sociologia e outras.
Na segunda etapa, foram selecionados os trabalhos identificados na área de conhecimento
da psicologia, uma vez que, psicologia e educação se mostram enquanto áreas de maior produção
acadêmica que fazem referência à teoria vigostkiana (SARMENTO, 2006). Portanto, esta fase
focalizou-se no estudo referente à área da psicologia com os trabalhos selecionados a partir dos
quatro descritores para posterior análise dos resumos. A análise dos resumos pautou-se pelos
seguintes fatores: 1) catalogação do período, programa, área de conhecimento, autor, subárea de
conhecimento; 2) classificação no resumo, do tipo de pesquisa, tema, objetivo, teoria,
22
metodologia, instituição de ensino superior; lócus de pesquisa; 3) presença de Vigotski como
autor de referência e autores de interlocução presentes no resumo.
Na terceira etapa, foram selecionados os trabalhos dos quatro descritores que
apresentaram a presença da palavra Vigotski em suas diferentes grafias no resumo, as quais são:
Vigotski, Vygotsky, Vigotsky e Vygotski. Nesta etapa foi realizada a identificação no resumo, os
autores de referência e de contraste e no capítulo teórico a forma com a qual são conceituadas as
diferentes adjetivações e suas vinculações com Vigotski. As repercussões teóricas, metodológicas
e práticas do uso desta perspectiva teórica na psicologia brasileira são aspectos que serão
abordados com os dados analisados nos resumos em conjunto com a análise do capítulo teórico.
Na última fase de análise, foram selecionadas as teses provenientes dos resultados do
descritor sócio-histórica, assim foram analisados os capítulos teóricos, a fim de aprofundar a
discussão acerca da teoria vigotskiana e suas releituras. Os descritores sócio-cultural e históricosocial apresentaram pouca relação com a teoria de Vigotski. Detectaram-se dois resumos de
dissertações com a presença do descritor sócio-cultural e, no segundo descritor, três dissertações
e apenas uma tese. Esses dois descritores ainda apresentam pequeno índice de publicação na área
de conhecimento da psicologia em relação aos demais1.
A escolha pela análise do capítulo teórico das teses e não das dissertações deve-se,
especialmente, pelo caráter de produção teórica que deve caracterizar uma tese. Assim, optou-se
pela análise de todas as teses dos descritores, com maior número de produções e, com maior
índice da correlação de seus resumos com as grafias de Vigotski.
Foram encontradas duas dificuldades: uma listagem de produções muito extensas de teses
e dissertações para análise. Para superá-las foram descartadas dissertações e teses repetidas. A
segunda é o acesso dificultado ou não acesso a cópias de parte do material selecionado, através
dos meios virtuais. Esta dificuldade foi dimensionada logo no início do processo, sendo contatado
o pesquisador como forma de minimizá-la.
Por último, destaca-se o uso da análise de conteúdo (BARDIN, 1988) da produção
científica da psicologia com as quatro adjetivações em estudo na pós-graduação brasileira na área
de psicologia. Este tipo de análise refere que: o material escolhido seja relacionado aos objetivos,
que os critérios de seleção da amostra sigam um único tema e mesmo procedimento, de forma
que ao final o material selecionado corresponda aos objetivos traçados (SARMENTO, 2006).
1 Enfatizamos também que devido a não completude do banco de dados do descritor histórico-cultural, o mesmo
não foi selecionado para esta fase de análise de capítulos teóricos.
23
Este recurso de análise permitirá a produção de um panorama das temáticas em estudo
correlacionadas com a teoria vigotskiana e seus diferentes autores.
A repercussão desta investigação aponta para a realização de um mapeamento da
produção da psicologia que se utiliza das adjetivações sócio-histórica, histórico-cultural,
histórico-social e sócio-cultural, em âmbito nacional, a produção de um banco de dados da
produção sobre psicologia sócio-histórica na produção acadêmica nacional no período analisado e
a disponibilização de subsídios para análise crítica do referencial teórico em estudo.
Desta forma, compreende-se que instrumentos utilizados usualmente pela metodologia
quantitativa podem ser integrados a um olhar qualitativo, não sendo assim metodologias opostas,
mas sim que possuem especificidades. Nosso objeto de estudo, produção acadêmica e científica
da psicologia na perspectiva teórica de Vigotski, requer uma primeira abordagem quantitativa a
fim de identificar o universo de sua produção, seguida de uma análise qualitativa com intuito de
sintetizá-la, refletindo sobre seus elementos constitutivos, avanços e desafios.
3. A PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA E OS DESCRITORES.
24
Neste capítulo serão abordadas as seguintes questões: como as adjetivações da obra de
Vigotski se relacionam com as áreas de conhecimento na Pós-Graduação brasileira? Como se
apresentam nas produções as adjetivações que a obra de Vigotski recebeu? Como se apresentam
as produções na área da psicologia em relação às adjetivações? Deste modo apresentamos a
seguir por descritores os resultados acerca da produção brasileira.
3. 1. Caracterização das produções nas diversas áreas de conhecimento.
3.1.1. Histórico-social
Este descritor apresenta a seguinte configuração: maior produção na área da educação; o ano
de 2007 indica uma importante produção nas dez áreas de conhecimento; a psicologia está quinto
lugar no ranking de produções, como se observa a seguir:
Gráfico 1 – Total de produções com descritor histórico-social nos últimos cinco anos.
Fonte: autora, 2013.
Este total de produções também foi relacionado com o ano de maior produção em cada
área. O gráfico abaixo apresenta a movimentação deste descritor por ano em cada área de
conhecimento, o ano de maior e o de menor produção.
25
Gráfico 2 – Ano de maior produção nas dez áreas com maior produção do descritor históricosocial.
Fonte: autora, 2013.
O gráfico acima demonstra que os anos de 2007 e 2010 são os de maior produção na
maioria das áreas. O ano de 2009 apresenta uma queda importante na produção na área de letras.
A produção do referido descritor por ano de produção se apresentou da seguinte forma: em
2011 obtivemos 196 produções. Por exemplo: a psicologia produziu 9 trabalhos.
26
Gráfico 3 – Histórico-social – ano de 2011.
Fonte: Autora, 2013.
Seguindo a ordem decrescente por ano, temos agora o ano de 2010. Obtivemos como
resultado do descritor histórico-social no ano de 2010, 203 teses e dissertações com, sendo que a
maioria destas produções está inserida na área de conhecimento da educação com 43 produções.
Neste ano a psicologia aparece novamente em oitavo lugar com um total de oito produções, como
se observa a seguir:
27
Gráfico 4 – Histórico-social – ano de 2010.
Fonte: Autora, 2013.
No ano de 2009, este descritor contabilizou 168 produções, entre teses e dissertações. As
áreas de maior produção foram: educação, com 44 produções, história com 20 e letras com 19. A
psicologia aparece em sexto lugar com nove produções, nas subáreas da psicologia do
desenvolvimento humano, social e institucional, como se apresenta a seguir:
28
Gráfico 5 – Histórico-social – ano de 2009.
Fonte: Autora, 2013.
O ano de 2008 caracterizou-se por uma produção de 171 trabalhos, a maior área em
produção é a educação com um total de 33 produções, em sequência aparecem a área de história,
letras e linguística. A área de conhecimento da psicologia representa-se com apenas uma
produção. Observe estes aspectos no gráfico abaixo:
29
Gráfico 6 – Histórico-social – ano de 2008.
Fonte: Autora, 2013.
Ainda no descritor histórico-social o último ano analisado, o de 2007. Neste ano foram
produzidas 173 teses e dissertações com este descritor. No índice de produção a área da educação
permanece em primeiro lugar com 44 produções, seguida da história com 20 produções e letras
com 19. A área da psicologia aparece em quinto lugar com 12 produções, estas dentre as subáreas
de psicologia social e psicologia do desenvolvimento humano. Veja abaixo:
30
Gráfico 7 - Histórico-social – ano de 2007.
Fonte: Autora, 2013.
Desta forma, pode-se afirmar que o descritor histórico-social identifica a área de educação
como a que mais produziu (206 produções) nos cinco anos analisados, seguida das áreas de:
história com 140 e letras com 78. A área da psicologia aparece em quinto lugar com 39
produções.
3.1.2. Sócio-cultural
Este descritor apresenta maior produção na área da educação. No decorrer dos anos, não se
apresenta um deles como destaque, observando-se assim uma diversidade no número de
produções por ano a depender da área de conhecimento, como se observa a seguir:
31
Gráfico 8 – Total de produções com descritor: sócio-cultural nos últimos cinco anos.
Fonte: autora, 2013.
Desta forma observa-se que a área da educação apresenta-se como uma área de destaque
no índice de produções em todos os anos, tendo maior produção no ano de 2008 e menor em
2010. A psicologia aparece aqui em segundo lugar no ranking de produções somando os cinco
anos em estudo.
Gráfico 9 – Ano de maior produção nas dez áreas com maior produção do descritor sóciocultural.
Fonte: Autora, 2013.
32
O ano de 2007 demonstrou-se como o ano de maior produção na área da psicologia, sendo o
de 2010 o ano de menor produção, os anos de 2007 e 2008 apresentam-se como anos de grande
produção para as áreas de psicologia, educação e história.
Gráfico 10 – Sócio-cultural – ano de 2011.
Fonte: Autora, 2013.
No descritor sócio-cultural, pôde-se observar que foi produzido no ano de 2011 um total
de 104 trabalhos, entre teses e dissertações. Estando em primeiro lugar em número de trabalhos
publicados a área da educação, e em terceiro a psicologia com um total de 11 trabalhos.
33
Gráfico 11 – Sócio-cultural – ano de 2010.
Fonte: Autora, 2013.
No ano de 2010 o número de produções é maior, observa-se com isso um decréscimo no
número de trabalhos produzidos com este descritor, o qual totaliza no ano de 2010, 121
produções entre teses e dissertações. Aparecem com maior índice de produção as áreas de:
educação, história, psicologia e sociologia. A psicologia apresenta neste ano sete trabalhos.
34
Gráfico 12 – Sócio-cultural – ano de 2009.
Fonte: Autora, 2013.
No ano de 2009 registram-se 138 produções entre teses e dissertações. Sendo as áreas de
maior destaque no número de publicações: educação, sociologia, psicologia e letras. A área da
psicologia apresenta neste ano um total de 12 produções e ocupa o terceiro lugar.
35
Gráfico 13 – Sócio-cultural – ano de 2008.
Fonte: Autora, 2013.
No ano de 2008, registram-se no descritor sócio-cultural 146, permanecendo o aumento
de produções com o decrescer dos anos. Apresentam-se como áreas de maior destaque: educação,
psicologia e letras. A área da psicologia aparece em segundo lugar com 13 trabalhos.
36
Gráfico 14 – Sócio-cultural – ano de 2007.
Fonte: Autora, 2013.
Registra-se neste ano de 2007, um total de 138 produções. Apresentam-se enquanto áreas
de conhecimento com maior produção: educação, psicologia, letras e ciências sociais. A área de
conhecimento da psicologia apresenta 19 trabalhos, maior número de produções desta área de
conhecimento nos cinco anos apresentados com o descritor sócio-cultural. A área de
conhecimento da educação aparece em lugar de destaque nos cinco anos, ocupando em todos eles
o primeiro lugar em número de produções.
3.1.3. Sócio-histórica2
São características deste descritor: maior produção na área da educação; os resultados do ano
de 2011 indicam um ano de importante produção nas dez áreas de conhecimento; a psicologia
está em terceiro lugar no ranking de produções, como se observa a seguir:
2 Optou-se por utilizar o termo: sócio-histórica, no feminino, por referir-se à psicologia e ou teoria, palavras
femininas, sendo excluídas assim destes resultados palavras que a coloquem no masculino, como por exemplo:
fatores sócio-históricos.
37
Gráfico 15 – Total de produções com descritor: sócio-histórica nos últimos cinco anos.
Fonte: Autora, 2013.
A área de conhecimento da psicologia aparece neste descritor em terceiro lugar e a área da
educação permanece em lugar de destaque ocupando o primeiro lugar, ficando em último a área
da literatura.
Gráfico 16 – Ano de maior produção nas dez áreas com maior produção do descritor sóciohistórica.
Fonte: autora, 2013.
38
O ano de 2011 apresenta-se como um ano de destaque no índice de produções, assim como
o ano de 2009, seguido do ano de 2010. Na área da psicologia observa-se certa homogeneidade
no índice de produção nos cinco anos.
Gráfico 17 – Sócio-histórica – ano de 2011.
Fonte: Autora, 2013.
No ano de 2011, o descritor: sócio-histórica totaliza um montante de 343 produções. Sendo
apontadas como áreas de maior produção: educação (110 produções), lingüística, psicologia e
letras, estando assim a área da psicologia em terceiro lugar, apresentando um total de 41
produções entre teses e dissertações.
39
Gráfico 18 – Sócio-histórica – ano de 2010.
Fonte: Autora, 2013.
O número de produções diminui do ano de 2011 para o ano de 2010, sendo o total de
produções em 256. As áreas de maior destaque em número de produções são: educação,
linguística, psicologia e letras. Sendo a psicologia a ocupante do terceiro lugar no índice de
produção, com um total de 28 produções.
40
Gráfico 19 – Sócio-histórica – ano de 2009.
Fonte: Autora, 2013.
No ano de 2009, este descritor apresenta 316 produções entre teses e dissertações. A área
de educação permanece em destaque, ocupando o primeiro lugar no índice de produção, em
segundo aparece a linguística e em terceiro a psicologia, esta com um total de 33 produções. Do
ano de 2010 ao de 2009, observa-se que o total de produções aumenta e o número de produções
na área de psicologia também, passando de 28 produções para 33.
41
Gráfico 20 – Sócio-histórica – ano de 2008.
Fonte: Autora, 2013.
A área da educação permanece sendo destaque no número de produções. O total de
produções no ano de 2008 com o descritor: sócio-histórica é de 293, o que representa um
decréscimo de 13 produções. A área da psicologia aparece em quarto lugar com um total de 35
produções.
42
Gráfico 21 – Sócio-histórica – ano de 2007.
Fonte: Autora, 2013.
O ano de 2007 apresenta total de 253 produções. Sendo as áreas de maior destaque no
índice de produção: educação, lingüística, psicologia e letras. A psicologia aparece aqui em
terceiro lugar e conta com 33 produções. A área da educação ocupa o primeiro lugar em todos os
anos deste descritor e a média de produções na área da psicologia está em torno de 30 produções.
Em síntese podemos afirmar que o descritor sócio-histórica é o mais utilizado na área de
educação em relação às demais áreas, e a área da psicologia é a terceira área com maior produção
acadêmica. Os anos de maior produção com a utilização deste descritor foram os anos de 2007 e
2010.
3.1.4. Histórico-cultural.
Este descritor apresenta-se da seguinte forma: tem como maior área de produção a
educação, em sequência história e psicologia. O total de produções nas dez maiores áreas de
conhecimento totaliza-se em 732 trabalhos. A amostra de produções deste descritor assemelhasse
ao descritor, sócio-histórica, pelo grande contingente de trabalhos. Veja o gráfico abaixo:
43
Gráfico 22 – Total de produções com descritor: histórico-cultural nos últimos cinco anos.
Fonte: Autora, 2013.
Dessa forma notamos que a área de educação aparece em destaque com grande número de
produções em todos os descritores, e que as áreas que menos se aproximam deste descritor em
estudo são: a área de artes, comunicação e literatura, pelo baixo número de produções.
Gráfico 23 – Ano de maior produção nas dez áreas com maior produção do descritor históricocultural.
Fonte: Autora, 2013.
44
Observa-se pelo gráfico acima que não se demarcou um ano em especial de maior produção
em todas as áreas por igual, de forma que nas áreas de maior produção como a de educação o ano
de destaque foi o de 2011 com 173 trabalhos, já em história o ano de destaque foi o de 2010. Na
área de psicologia o ano de destaque foi o de 2011 com 40 produções.
Gráfico 24 – Histórico-cultural – ano de 2011.
Fonte: Autora, 2013.
No ano de 2011, observa-se que no descritor histórico-cultural, a área de conhecimento da
educação, aponta um alto índice de produção, com um total de 172 trabalhos. Em segundo lugar
aparece a área da psicologia com 40 produções e em terceiro a área de história. O total de
trabalhos neste ano de 2011 com o descritor histórico-cultural, foi de 368 produções.
45
Gráfico 25 – Histórico-cultural – ano de 2010.
Fonte: Autora, 2013.
O descritor histórico-cultural apresentou no ano de 2010 um total de 339 trabalhos. Tendo
destaque as áreas de: educação em primeiro lugar com 150 produções; história, em segundo com
41 produções; e psicologia em terceiro com 29 produções, um pouco menor do que no ano de
2011 que obteve 40 produções.
46
Gráfico 26 – Histórico-cultural – ano de 2009.
Fonte: Autora, 2013.
A área de educação, no ano de 2009, com o descritor histórico-cultural mantém um alto
índice de produções (150) e continua a representar uma área de destaque; em segundo lugar,
temos a história com 39 produções e, em terceiro, a psicologia com 32 produções. O total de
trabalhos neste ano foi de 338 produções.
47
Gráfico 27 – Histórico-cultural – ano de 2008.
Fonte: Autora, 2013.
No ano de 2008, utilizando o descritor histórico-cultural, novamente a área da educação
aparece em destaque com o maior índice de produção, totalizando 148 produções; em segundo,
aparece história com 33 produções; em terceiro, a linguística com 23 produções e, em quarto, a
psicologia com 20 produções. O total de produções neste ano foi de 300.
48
Gráfico 28 – Histórico-cultural – ano de 2007.
Fonte: Autora, 2013.
Por último, o ano de 2007 representa um total de 253 trabalhos, mantendo o destaque para a
área de educação com 111 produções; em segundo lugar, aparece a área da linguística com 26
produções. A psicologia aparece em quarto lugar com 14 produções.
Em síntese, esse capítulo evidenciou a difusão considerável da obra de Vigotski e suas
adjetivações na produção científica brasileira analisada. Caracteriza-se pela seguinte
configuração: marcadamente a área de conhecimento da educação apresenta-se como a que mais
produz, seguida da história e psicologia; as adjetivações histórico-social e histórico-cultural
caracterizam-se por terem a área história como segundo lugar de produção. As adjetivações
sócio-cultural e histórico-social mostraram pequena relação com a teoria vigotskiana.
Em razão de compreendermos melhor a inserção da teoria vigotskiana na área da psicologia
que muito se utiliza de seus escritos, as análises seguintes enfatizam a produção vinculada à área
da psicologia.
49
4. A PSICOLOGIA E AS GRAFIAS DE VIGOTSKI: ANÁLISE DE RESUMOS.
A seguir, apresentamos como se caracterizam as produções na área da psicologia em
relação às adjetivações. Os temas, metodologias e teóricos de referência nos resumos também
serão apresentados, oferecendo assim, um panorama geral das temáticas focalizadas, dos
procedimentos utilizados e dos teóricos privilegiados em cada uma das adjetivações da teoria de
Vigotski, no contexto brasileiro de produção de teses e de dissertações.
4.1. Delimitando a amostra: a psicologia.
A seguir apresentamos os quadros: por descritor e ano de produção, com todos os
descritores, por área de conhecimento da psicologia.
Quadro II - Amostra geral de todas as áreas de conhecimento, de descritor por ano de produção.
Total ano por
descritor
Sócio-histórica
Histórico-
Histórico-
social
cultural
Sócio-cultural
2007
253
173
253
138
2008
293
171
300
146
2009
316
168
338
138
2010
256
203
339
121
2011
343
196
368
104
Subtotal
1.461
911
1.598
647
Total
4.617
Fonte: Autora, 2013.
Evidencia-se assim, que o descritor histórico-cultural apresentou maior número de
produções em relação aos descritores histórico-social, sócio-histórica e sócio-cultural, sendo este
50
último o que apresentou menor índice de produção. Os descritores, sócio-histórica e históricocultural têm sido mais utilizados na área da psicologia em detrimento dos demais.
Quadro III - Amostra específica – área da psicologia e descritores.
Área
da
psicologia por Sócio-histórica
Histórico-social
Histórico-
Sóciocultural
19
ano e descritor
2007
33
12
cultural
14
2008
35
1
20
13
2009
33
9
32
12
2010
28
8
29
7
2011
41
9
40
11
Subtotal
170
38
135
62
Total
405
Fonte: Autora, 2013.
A partir deste quadro observa-se que o descritor sócio-histórica obteve maior índice de
produção na área específica da psicologia, o que indica uma maior aproximação da adjetivação
sócio-histórica com esta área de conhecimento.
Na etapa seguinte, os resumos dos 405 trabalhos serão submetidos a identificação do
descritor Vigotski em suas diferentes grafias para relacionar às adjetivações em estudo com a
teoria vigotskiana.
Os trabalhos identificados nas quatro grafias relacionados ao descritor Vigotski e suas
diferentes grafias, foram submetidos à análise de resumos.
4.2. As grafias de Vigotski na psicologia.
4.2.1. Descritor: sócio-histórica.
51
Nesta etapa os resumos resultantes da busca do descritor sócio-histórica, inseridos na área
da psicologia, total de 170 trabalhos, foram encaminhados para uma busca das diferentes grafias
de Vigotski presentes no resumo. Esta etapa permite identificar pela presença ou não da grafia,
uma possível relação entre cada descritor com a teoria de Vigotski, bem como evidenciar o
destaque dado no resumo ao referencial teórico adotado.
Destes, apenas 42 foram selecionados uma vez que, foram identificadas neles as seguintes
grafias do nome Vigotski: Vigotski (12 trabalhos), Vigotskianos (1), Vigotsky (2), Vygostki (1),
Vygotsky (24), Vygotsky/Vygotskiana (1) e Vygotskyi (1).
A grafia escrita com y-y, foi a que apresentou maior número de trabalhos, totalizando
mais da metade dos estudos selecionados. A palavra Vygotskiana apareceu junto da grafia
Vygotsky num mesmo resumo, este trabalho não foi incluído nos 24 trabalhos resultantes da
busca por Vygotsky, no entanto a palavra Vigotskianos apareceu sozinha no resumo, sem a
presença de nenhuma outra grafia. As palavras: Vigotskianos e Vygotskiana estão sendo
consideradas como derivações das grafias, uma vez que, este recurso permite identificar o
destaque dado à teoria no resumo.
A partir desta amostra final, estes 42 trabalhos foram submetidos à análise dos resumos,
onde foram identificados os seguintes aspectos: tipo de pesquisa, ano de publicação, instituição
de ensino superior, grafia de Vigotski, tese/dissertação, subárea, lócus de pesquisa, objetivo,
procedimentos metodológicos, autores de interlocução, e tema central.
No tocante aos anos de publicação dos trabalhos, contabilizam-se 15 estudos no ano de
2008, o qual foi o que obteve maior número de publicações, enquanto que o ano de 2010 obteve
cinco publicações, o menor dentre os cinco anos, o ano de 2007 e de 2009 contabilizaram sete
publicações e o ano de 2008, oito trabalhos.
A amostra dos 42 estudos varia entre dissertações e teses, onde destes, 36 são dissertações
e seis são teses. Estas publicações são oriundas de 15 universidades, sendo a de maior número de
publicações a Pontifica Universidade Católica de São Paulo, com nove trabalhos publicados,
sendo a região sudeste a de maior destaque em publicações. Apresenta-se abaixo o quadro com a
distribuição dos trabalhos por universidade:
Quadro IV – IES no descritor sócio-histórica.
52
Instituição
Centro Universitário Fieo
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Universidade Federal da Bahia
Universidade Católica de Brasília
Universidade de São Paulo
Universidade Estadual de Maringá
Universidade Federal da Paraíba/João Pessoa
Universidade Federal de Pernambuco
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal do Amazonas
Universidade Federal do Rio Grande Do Norte
Universidade São Marcos
(Vazio)
Total geral
Total
2
1
7
2
9
1
1
2
1
3
3
2
1
1
6
42
Fonte: Autora, 2013.
A leitura dos resumos possibilitou evidenciar que menos da metade dos resumos, apenas
14, identificaram no resumo o tipo de pesquisa desenvolvido, dos quais apareceram 13 trabalhos
marcados como qualitativos e um como teórico-bibliográfico. O restante não evidenciou o tipo de
pesquisa no qual o trabalho se enquadrava, no entanto através da leitura breve dos resumos foi
possível compreender que a pesquisa qualitativa mostrou-se como um tipo de pesquisa mais
utilizado.
Assim como nos resumos foi frequente a ausência da identificação do tipo de pesquisa, a
subárea também se mostrou como uma informação ausente em dez trabalhos, totalizando-se 20
trabalhos da psicologia social, área de maior concentração das publicações em estudo, em dois
trabalhos foram identificadas duas subáreas. O quadro abaixo demonstra como se distribuem as
subáreas entre os 42 trabalhos:
Quadro V- Subárea de conhecimento no descritor sócio-histórica.
53
Subárea
Desenvolvimento Social e da Personalidade - Psicologia Social
Psicologia Clínica
Psicologia Cognitiva
Psicologia do Desenvolvimento Humano
Psicologia do Ensino e da Aprendizagem
Psicologia Educacional
Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano
Psicologia Social
(vazio)
Total geral
Total
1
1
3
2
2
2
1
20
10
42
Fonte: Autora, 2013.
No tocante ao lócus de pesquisa, mostrou-se uma variedade de lugares de pesquisa, tendo
maior evidência o estado de São Paulo, confirmando o resultado do mapeamento das instituições
de produção das pesquisas em estudo. Veja abaixo onde se localizaram as pesquisas em estudo:
Quadro VI – Lócus de pesquisa no descritor sócio-histórica.
Lócus de pesquisa
Agência Goiana do Sistema
Prisional
Bahia
Belo Horizonte
Blumenau/SC
Carapicuíba
Cidade de São Paulo
Cidade próxima de São Paulo
Diadema – SP
Distrito Federal
Goiânia
Goiás
Interior de São Paulo
Interior Paulista
João Pessoa
Manaus
Paraná
Recife
Região metropolitana de São Paulo
Região Sul de São Paulo
São Luís-MA
(vazio)
Total geral
1
1
1
1
1
1
1
1
1
3
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
19
42
54
Fonte: Autora, 2013.
Nesta primeira etapa de análise de resumos, foi possível demarcar os locais de maior
produção, tendo destaque a região sudeste, locais de produção ou lócus de pesquisa, com
evidência o estado de São Paulo. Mostrou-se ainda as diferentes grafias e suas posições em
número de produções, sendo a de maior produção a grafia de Vigotski com a combinação y-y.
Através dos dados de produção por ano e por grafia foi possível realizar um cruzamento destes
dados, o que nos permite identificar em cada ano as grafias utilizadas. Veja abaixo o cruzamento
destes dados:
Gráfico – 29. Grafias de Vigotski versus ano de produção com o descritor sócio-histórica.
Fonte: Autora, 2013.
Evidenciou-se assim que com o passar dos anos há uma variação no uso de cada grafia,
sendo as de maior permanência duas grafias: Vigotski e Vygotsky, a grafia com i-i apenas é
ausente no ano de 2009, enquanto que a grafia com y-y aparece em todos os anos.3
3 Veja em apêndice, tabela com os dados deste gráfico.
55
Em relação aos procedimentos metodológicos, notou-se uma pluralidade de escolha no
procedimento adotado, bem como nas combinações utilizadas. Entretanto, pôde-se observar que a
escolha pela técnica de entrevista foi a mais utilizada, citada em 14 trabalhos como parte do
procedimento adotado. Importante destacar que dos 42 trabalhos desta fase, apenas 26
explicitaram algum procedimento metodológico adotado. Observe abaixo a pluralidade de
procedimentos adotados, bem como suas combinações:
Quadro VII – Procedimentos adotados com o descritor sócio-histórica.
Procedimentos
Análise de documentos
Análise documental e utilização da descrição fotográfica
Análise interacional e desenho
Entrevista aberta
Entrevista individual semi-estruturada e desenho
Entrevista semi-estruturada
Entrevistas
Entrevistas e análise de conteúdo
Entrevistas individuais e abertas
Entrevistas individuais e observações
Entrevistas individuais semi-estruturadas/ análise de conteúdo
Entrevistas videografadas
Estudo de caso
Estudo de caso e análise de subtexto de Vygotsky
Levantamento bibliográfico
Observação participante, entrevista semi-estruturada e análise de conteúdo
Observação participante e entrevistas
Pesquisa documental
Progressivo-regressivo
Questionário
Questionários e observação
Uma pesquisa bibliográfica e pesquisa documental
(vazio)
Total geral
Total
1
1
1
1
1
1
4
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
17
42
Fonte: Autora, 2013
Observa-se ainda, com a descrição detalhada dos procedimentos identificados no resumo,
que o único procedimento de análise de informações descrito foi o de análise de conteúdo (em
três trabalhos) e o de busca de informações em 25 trabalhos. Podemos afirmar que essa parece ser
uma informação irrelevante para os autores. Os resumos não identificam o procedimento de
análise realizado em 38 trabalhos.
56
Os teóricos apresentados nos resumos estão descritos no quadro abaixo:
Quadro VIII- Teóricos adotados com o descritor sócio-histórica.
Teóricos
Bakhtin / Sartre
Bock e Aguiar(2003) e Aguiar e Ozella (2006
González Rey
Jacob Levy Moreno
Jean-Paul Sartre / Mikhail Bakhtin
Leontiev - Piaget e Brougère
Leontiev e Luria
Paulo Freire
(vazio)
Total geral
Total
1
1
1
1
1
1
1
1
33
42
Fonte: Autora, 2013.
Dessa forma pode-se notar uma presença mais forte de Sartre, Leontiev e Bakhtin como
interlocutores importantes como referências. No entanto, não se demarca ainda nesta fase alguma
prevalência de algum autor, aspecto este que poderá ser mais bem demarcado no capítulo de
análise dos capítulos teóricos das teses. Nota-se ainda que, os autores de contraste e de
interlocução não foram indicados na maioria dos resumos, estando ausente em trinta e três dos
resumos analisados.
4.2.2. Descritor: sócio-cultural.
O total de resumos identificados como sendo da área de psicologia com o descritor sóciocultural foi de 62 trabalhos e a leitura dos resumos permitiu identificar dois trabalhos com a
grafia de Vigotski: são grafados com y-y, datam do ano de 2010 e 2011, ambos da região
nordeste, o primeiro da Universidade Federal do Ceará e o segundo da Universidade Federal de
Pernambuco, esse se identifica como sendo da Psicologia Cognitiva e aborda a temática acerca
dos idosos.
O primeiro trabalho, datado de 2010, aborda o tema da juventude, é uma dissertação e seu
lócus de pesquisa é identificado como sendo no contexto rural cearense. Os procedimentos
57
adotados foram observação, gravações em grupo e grupo focal, e os teóricos de interlocução
citados no resumo foram Leontiev e Bakhtin.
O trabalho identificado no ano de 2011, também se caracteriza como dissertação, aborda a
temática da velhice e aspectos da memória nesta faixa etária. Os procedimentos adotados nesta
pesquisa e citados no resumo foram o questionário semi-estruturado e as narrativas. Os teóricos
citados no resumo além de Vigotski foram Frederic Bartlett e Bruner, os quais foram
identificados como sendo interlocutores importantes ao discutir-se a questão da memorização e
recordação.
Dessa forma, parece que os trabalhos da área da psicologia vinculados a esse descritor
evidenciam pouca proximidade com a teoria de Vigotski. De 62 resumos analisados, apenas dois
identificam o autor no resumo.
4.2.3. Descritor: histórico-social.
Os resumos de trabalhos identificados nesta etapa com o descritor histórico-social, com a
grafia Vigotski, na área de psicologia foram cinco. Lembrando que de um total de 911, 38 são
caracterizados na área da psicologia.
Os cinco trabalhos selecionados estão entre os anos de 2007 e 2009 com as seguintes
grafias identificadas nos resumos: quatro escritas com i-i e uma com y-i.
Os trabalhos selecionados do ano de 2007 foram três, dois da Universidade Católica de
São Paulo (sendo uma dissertação e uma tese) e um da Universidade Católica de Goiás
(dissertação). Os dois primeiros são caracterizados como sendo da psicologia social e o terceiro
não identifica a subárea de conhecimento. O lócus de pesquisa identificado no segundo é de
Curitiba e o do terceiro de Goiânia, o primeiro não identificou lócus no resumo.
As temáticas abordadas nestes três trabalhos foram: suicídio, política e reforma
psiquiátrica. Os procedimentos metodológicos identificados nos resumos foram: levantamento
bibliográfico; entrevista semi-estruturada; pesquisa documental; gravações de três reuniões de
equipe e grupo focal.
Nos anos de 2008 e 2009 foram identificados dois trabalhos em cada um, ambos com a
grafia escrita com i-i, os temas discutidos nestes trabalhos são: subjetivação profissional e
adolescência. O primeiro também traz como uma temática importante a discussão acerca da
58
memória. Estes trabalhos são oriundos especificamente da Universidade Federal de Uberlândia e
da Universidade Estadual de Maringá, ambos são dissertações.
Segue abaixo quadro com as Universidades identificadas e, em seguida, dos
procedimentos metodológicos adotados:
Quadro IX – IES no descritor histórico-social.
Instituição
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Universidade Estadual de Maringá
Universidade Federal de Uberlândia
(vazio)
Total geral
Total
1
2
1
1
5
Fonte: Autora, 2013.
Quadro X – Procedimentos adotados com o descritor histórico-social.
Procedimentos
Entrevista semi-estruturada
História oral de vida e constou de entrevista registrada em áudio
Levantamento bibliográfico
Pesquisa bibliográfica e uma pesquisa de campo por meio de entrevistas
Pesquisa documental; gravações de três reuniões de equipe; e um grupo focal
(vazio)
Total geral
Total
1
1
1
1
1
5
Fonte: Autora, 2013.
O tipo de pesquisa foi identificado em um dos cinco trabalhos, sendo este caracterizado
como uma pesquisa qualitativa. Os teóricos de interlocução, Leontiev e Luria, estão indicados em
um dos cinco trabalhos.
Segue abaixo gráfico com as grafias utilizadas e os respectivos anos com descritor
histórico-social:
Gráfico – 30 – Grafias de Vigotski versus ano de produção com o descritor histórico-social.
59
Fonte: Autora, 2013.
Pode-se entender, a partir do exposto e com os critérios adotados nessa análise, que o
descritor histórico-social, indica pequena aderência a teoria vigotskiana. De 38 trabalhos
identificados como sendo da psicologia, cinco identificam Vigotski em seus resumos, podendo
indicar pequena relação com sua teoria nos trabalhos selecionados. Nota-se também que, com o
passar dos anos, este número cai até não mais constar nos resumos.
4.2.4. Descritor: histórico-cultural.
O total de estudos com o descritor histórico-cultural, na área de conhecimento da
psicologia foi de 135 trabalhos. Desse total, 58 apresentaram nos resumos, a grafia de Vigotski,
em suas diferentes variações, e, destes 43 trabalhos foram analisados, em razão de problemas
técnicos do site da Capes4.
4 15 resumos de 2011, não foram acessados, pois o site do banco de teses da Capes esteve em manutenção no
período previsto para essa etapa.
60
As grafias encontradas nos 43 trabalhos foram com as seguintes combinações:
Quadro XI – Teóricos identificados no resumo com o descritor histórico-cultural.
Grafia
Vigotski
Vigotskiano
Vygotski
Vygotsky
Vigotskiana
Vigotskianos
Vygotskyi
Total geral
Total
20
1
6
12
1
2
1
43
Fonte: Autora, 2013.
Como observa-se no quadro acima, há uma prevalência da grafia de Vigotski com a
combinação i-i, seguida, da combinação de y-y. As demais grafias também se fazem presente: y-i
e y-yi. As formas vigotskiana, vigotskianos e vigotskiano, foram consideradas também por
demarcarem, no resumo, a presença da teoria de Vigotski, critério de seleção para a análise dos
resumos.
A análise dos resumos contempla ainda a discussão acerca do ano de publicação,
Instituição de Ensino Superior, tipo de pesquisa, subárea de conhecimento, lócus de pesquisa,
procedimentos metodológicos e autores de interlocução e/ou contraste.
No que se refere ao ano de publicação, dos 43 selecionados, temos:
Quadro XII – Produções por ano com o descritor histórico-cultural.
Ano
Total
2007
4
2008
10
2009
12
2010
13
2011
4
Total
43
61
Fonte: Autora, 2013.
Observa-se no quadro acima que o ano de maior publicação é o de 2010, seguido de 2009
e 2008. Esses três anos demarcam um importante período de publicação com uso do descritor
histórico-cultural, e da teoria vigotskiana.
Os trabalhos vinculam-se às diferentes regiões: a Sudeste apresenta maior número delas.
Acompanhe abaixo a divisão das publicações por Instituição de Ensino Superior, nas diferentes
regiões brasileiras. Destaca-se a Universidade Estadual de Maringá como aquela que apresenta
maior número de trabalhos publicados:
Quadro XIII – IES com o descritor histórico-cultural.
Instituição
Universidade Estadual De Maringá
Centro Universitário Fieo
Pontífica Universidade Católica de Minas Gerais
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Universidade Católica de Brasília
Universidade de São Paulo
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho/Assis
Universidade Federal da Bahia
Universidade Federal de Pernambuco
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal de Uberlândia
Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal do Paraná
Universidade Federal Fluminense
Total geral
Total
11
1
1
3
3
2
1
1
1
2
9
1
5
1
1
43
Fonte: Autora, 2013.
Observou-se assim uma concentração maior na região sudeste, em relação às instituições
de ensino superior. O local de realização das pesquisas em estudo, também demarca região.
Segue o quadro que caracteriza esta informação nos 43 trabalhos em análise.
Quadro XIV- Lócus de pesquisa com o descritor histórico-cultural.
62
Lócus
Abelardo Luz
Belo Horizonte
Blumenau
Ceará
Curitiba
Distrito Federal
Florianópolis
Fortaleza
Goiás
Maringá
Não informado
Paraná
Salvador
Santa Catarina
São Paulo
Uberlândia
Total geral
Total
1
1
1
1
1
1
2
3
1
1
23
3
1
1
1
1
43
Fonte: Autora, 2013.
Nota-se no quadro acima, que esta informação não foi encontrada em 23 resumos. Isso
pode estar relacionado à desconsideração de ser uma informação relevante para estar no resumo,
ou o tipo de pesquisa não caracterizava um lócus específico, como no caso de uma pesquisa
bibliográfica.
Acerca do tipo de pesquisa adotado, vale ressaltar que esta informação encontra-se
ausente nos resumos, embora este aspecto é considerado de grande importância para elaboração
do resumo. Assim temos a seguinte configuração:
Quadro XV – Tipos de pesquisa com o descritor histórico-cultural.
Tipo de pesquisa
Bibliográfica
Estudo empírico
Não informado
Qualitativa
Total geral
Fonte: Autora, 2013.
Total
6
1
31
5
43
63
Este quadro indica que, mais da metade dos trabalhos analisados não informam no resumo
o tipo de pesquisa desenvolvido. Vale salientar que, os trabalhos em estudo tratam de teses e
dissertações. Em relação a esta classificação em tese ou dissertação temos:
Quadro XVI – Numero de teses e dissertações no descritor histórico-cultural.
Tese/dissertação
Dissertação
Tese
Total geral
Total
38
5
43
Fonte: Autora, 2013.
As teses e dissertações em estudo estão inseridas na área da psicologia. As subáreas de
conhecimento estão assim apresentadas:
Quadro XVII – Subárea de conhecimento com o descritor histórico-cultural.
Subárea
Desenvolvimento social e da personalidade
Não informado
Psicologia Cognitiva
Psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem
Psicologia do desenvolvimento humano
Psicologia do ensino e da aprendizagem
Psicologia Educacional
Psicologia Social
Total geral
Total
1
23
2
2
2
4
4
5
43
Fonte: Autora, 2013.
Observa-se a não identificação de subárea na maioria dos trabalhos e, quando isso ocorre
a psicologia social e educacional são as mais identificadas.
A pluralidade de procedimentos adotados é marcante nos trabalhos em análise. A
entrevista e a observação apresentam maior destaque.
64
Quadro XVIII - Procedimentos adotados com o descritor histórico-cultural.
Procedimentos
Total
Entrevista semiestruturada e observações
1
Entrevistas, observações, registros fotográficos e videográfico ; análise do discurso
1
Entrevistas e videografia
1
Análise do discurso, método progressivo-regressivo
1
Análise documental
1
Análise interacional
1
Entrevista
3
Entrevista semi-estruturada
1
Entrevista semi-estruturada e análise categorial
1
Entrevista semi-estruturada, análise de conteúdo
1
Entrevista, observação participante e análise do discurso
1
Entrevistas
2
Entrevistas e observações
1
Entrevistas iniciais, registros fotográficos e observação participante
1
Entrevistas semi-estruturadas
1
Entrevistas semi-estruturadas e núcleos de significação do discurso
1
Estudo de caso, entrevista semi-estruturada; análise de conteúdo
1
Estudo de caso, entrevistas semi-estruturadas e observações
1
Grupo focal
1
História oral de vida
1
Histórico-dialético
1
Não informado
10
Observação e entrevista
1
Observação participante, filmagem, interpretação microgenética
1
Observação participante, questionário, grupo focal e análise de conteúdo
1
Observação, entrevista e análise de discurso
1
Observação, gravações em vídeo e análise microetnográfica
1
Observações, registros (diários de campo e filmagens) e discussões (grupos focais)
1
Questionário e análise de conteúdo
1
Questionários e observação
1
Teórico-conceitual
1
Total geral
43
Fonte: Autora, 2013.
Com auxílio deste quadro podemos perceber que apenas dez trabalhos não informaram
qualquer tipo de procedimento em seu resumo. No entanto, a partir dos procedimentos utilizados
pode-se inferir o tipo de pesquisa.
65
A análise dos resumos permitiu ainda identificar a presença de autores de interlocução ou
contrate. Essa informação é importante, pois evidencia claramente as escolhas de interpretação da
obra vigotskiana nos trabalhos em análise.
Observe quais autores são privilegiados nos resumos analisados:
Quadro XIX – Teóricos apresentados nos resumos com o descritor histórico-cultural.
Teóricos
Bakhtin
Bakhtin, Sartre e Sanchez-Vazquez
Mikhail Bakhtin
Mikhail Bakhtin, Deleuze e Guattari
Vera Trevisan de Souza, Wallon, Marli André
Vigotski, Leontiev e Luria
A. N. Leontiev e D. B. Elkonin,
Bakhtin
Bakhtin e Vázquez
Bardin
Brougére
Daniil Borisovich Elkonin, Davidov, Dragunova, Galperin, Leontiev, Zaporozhéts e
Zinchenko
González Rey
Leon, Silva
Leontiev, Bakhtin
Leontiev, Elkonin, Edgar Morin, Elias Norbert, Brougére e Oliveira
Morin e Gonzáles Rey
Não informado
Sergei Eisenstein
Sokolyansky, A. Meshcheryakov, Jan Van Dijk
Spink
Vigotski, Luria, Leontiev
Wallon
Wanda Aguiar, Yves Clot
Total geral
Total
1
1
1
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
19
1
1
1
1
1
1
43
Fonte: Autora, 2013.
De acordo com este quadro observa-se novamente uma pluralidade de teóricos adotados,
revelando uma variedade e fertilidade de interpretações da obra vigotskiana. Os procedimentos
metodológicos mais utilizados foram a entrevista e observação.Os interlocutores identificados
foram: Sarte, Bahktin, Leontiev e Luria. As grafias mais utilizadas foram: Vigotski e Vygotsky.
Em síntese, os resumos analisados do total de produções em todas as áreas de
conhecimento indicam que a adjetivação histórico-cultural é a mais utilizada. No entanto, na área
da psicologia essa prevalência ocorre com a adjetivação sócio-histórica. A grafia mais utilizada é
66
por adjetivação é: sócio-histórica (Vygotsky), histórico-cultural (Vigotski), sócio-cultural
(Vygotsky) e histórico-social (Vigotski).
Quadro XX – Resumo quantitativo dos quatro descritores.
Todas as áreas
Psicologia
Grafia de Vigotski
Sócio-
Histórico-
Sócio-cultural
Histórico-
histórica
1.461
170
42
cultural
1.598
135
43
647
62
2
social
911
38
5
Fonte: Autora, 2013.
Quadro XI - Porcentagem de representatividade dos quatro descritores.
Índice de porcentagem
Todas
as
áreas
Sócio-
Histórico-
Sócio-
Histórico-
histórica
x 11,6%
cultural
8,4%
cultural
9,5%
social
4,1%
31,8% 5
3,2%
13,1%
Psicologia
Psicologia x Grafia de 24,7%
Vigotski
Fonte: Autora, 2013.
5. A ADJETIVAÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA E AS GRAFIAS DE VIGOTSKI NA
PSICOLOGIA: ANÁLISE DAS TESES.
Este capítulo apresenta uma reflexão dos avanços e das formas da teoria vigotskiana se
apresentar na produção acadêmica analisada da psicologia brasileira. Algumas questões se
apresentam: a teoria vigotskiana, a qual se referencia os estudos, faz menção a qual adjetivação?
Como se apresentam as escolhas teóricas de cada adjetivação e da grafia em teses e dissertações
na produção da psicologia brasileira?
Neste capítulo serão descritas as teses escolhidas evidenciando os seguintes aspectos:
grafia, ano, subárea, tema e aspectos teóricos de cada trabalho selecionado, conceito da
5 Este valor é aproximado uma vez que, os dados acerca deste descritor encontram-se incompletos.
67
adjetivação e justificativa da escolha da grafia. No descritor sócio-histórica foram catalogadas
seis teses6 com a presença das grafias de Vigotski, estas se encontram classificadas entre os anos
de: 2007, 2008, 2009 e 2011, apenas o ano de 2010 não foi contemplado nesta amostra.
As grafias que apareceram nesta amostra foram: Vygotsky e Vigotski, tendo com a primeira
grafia dois registros e com a segunda grafia quatro registros. Dos seis trabalhos, quatro são
provenientes da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, um da Universidade Federal de
Pernambuco e o último da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. As temáticas centrais das
teses giram em torno da adolescência e juventude, aparecendo também as temáticas de
afetividade e família, nas quais uma discute aspectos teóricos acerca do conceito de zona de
desenvolvimento proximal (ZDP).
Veja abaixo como se distribuem as teses em questão:
Quadro XXII - Teses do descritor sócio-histórica.
Ano
Grafia
Orientador
Subárea de
central
Jovem
conhecimento
Psicologia Social
Vigotski
2008
2008
2008
Burihan Sawaia
Vigotski Dr. Sérgio Ozella PUC-SP
Vigotski Dr. Sérgio Ozella PUC-SP
Vygotsky Dra.
Bader PUC-SP
Adolescência Psicologia Social
Juventude
Psicologia Social
Afeto
e Psicologia Social
2009
Burihan Sawaia
Vygotsky Dr.
Luciano UFPE
família
ZDP
Psicologia
Adolescência
Cognitiva
Psicologia Social
Vigotski
Meira
Dra.
Bader PUC-SP
Tema
2007
2011
Dra.
IES
Sônia PUC-
Margarida Gomes Goiás
Souza
Fonte: Autora, 2013.
6 Veja em apêndice B as referências bibliográficas das seis teses em questão.
68
Para análise das teses foram selecionados os capítulos teóricos7. Quando havia mais de um
capítulo teórico, evidenciando as temáticas de estudo (juventude e adolescência), foram
selecionados àqueles que apresentavam maior relação com a teoria de Vigotski.
5.1. Vigotski e os conceitos apropriados pelos autores nos capítulos teóricos de suas teses.
A temática da juventude e da adolescência parece ser relevante, pois está discutida em três
dos trabalhos completos analisados. Esses destacam a importância da proposição sócio-histórica
na formulação de um conceito que considere aspectos históricos, sociais e culturais, superando a
concepção apenas de aspectos biológicos na definição de conceitos considerados tipicamente
desenvolvimentistas.
O aspecto de definição etária para a juventude e, em consequência, para a infância e fase
adulta, é discutida por Dias8 (2007), visto que busca encontrar uma definição apropriada ao
público juvenil em estudo. A autora, apesar de considerar e problematizar os fatores biológicos
como determinantes da fase juvenil, adota como critério de definição, a etária para o seu estudo.
Vincula ainda a temática em estudo, trabalho e juventude, definindo-a a partir do Programa
Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE), idade permitida legalmente para o trabalho
de 16 a 24 anos de idade.
Dias (2007), enfatiza em sua tese a construção da juventude, a partir de outro critério, a
inserção no trabalho como fator sócio-histórico determinante. Desse modo, utiliza a abordagem
de Vigotski a fim de ampliar o conceito de juventude. Veja o fragmento abaixo extraído da tese da
autora:
Vigotski concorda com outros pesquisadores da Psicologia de sua época (como
Ach e Rimat) ao considerarem que a formação de conceitos e pensamento
abstrato só tem início na puberdade, contrastando com a opinião de outros
autores que negavam o aparecimento de qualquer função intelectual na
adolescência e consideravam que a criança de três anos já teria pleno domínio de
todas as operações intelectuais (DIAS, 2007, p.26).
7 A tese de Fonseca (2008) apresenta três capítulos teóricos. Um deles aborda as questões de fundamentação teórica
e metodológica. Nesse caso, foi analisada a parte de fundamentação teórica.
8 Autora da tese: A saúde de trabalhadores jovens como indicador psicossocial da dialética exclusão/inclusão,
Estudo de Caso com Jovens Operárias em Indústrias de confecção, sob a orientação da Profa. Dra. Bader Burihan
Sawaia, oriunda da PUC-SP, no ano de 2007.
69
Nesse sentido, a faixa etária é vista por Dias, (2007) também como um aspecto cultural e
não puramente biológico, tendo como parâmetro para tal definição o trabalho. Esse, segundo ela,
influencia na definição desta faixa etária e, portanto, desta etapa da vida.
As ideias da psicologia acerca da juventude ou adolescência são defendidas a partir da
teoria de Vigotski, apresentada no estudo de Dias (2007) como sendo sócio-histórica, definida a
partir dos aspectos sociais, culturais e históricos. Nesse estudo os conceitos de juventude e de
adolescência parecem serem sinônimos. A autora destaca as funções psicológicas superiores
como um demarcador de entrada na fase da adolescência, com a formalização de conceitos, sendo
uma das principais características (DIAS, 2007).
Stamato9 (2008) recorre aos autores Bock (2004) e Groppo (2000), a fim de problematizar
a construção do conceito de juventude também na área da psicologia. Segundo ela, ocorre uma
tendência em se naturalizar este conceito, o que contribui para práticas desvinculadas das reais
necessidades dos jovens. Primeiro, a autora critica a utilização da faixa etária como parâmetro
determinante para o limite do início da juventude, sendo colocados os fatores biológicos como
contribuintes para a definição do conceito da fase jovem, que não deve ser tomado como aspecto
privilegiado.
Diferente de Dias (2007), Stamato (2008), problematiza também os aspectos sociais como
potenciais determinantes na formação de conceitos. Essa análise permite uma reflexão sobre a
naturalização que o espaço acadêmico incide sobre os conceitos. Stamato (2008) enfatiza que a
visão de aspectos universais da juventude é construída também culturalmente, de modo que não
existam de modo homogêneo tais elementos em todas as culturas.
Define assim que o
entendimento da construção desse conceito deve incluir reflexão acerca de aspectos culturais,
históricos e sociais.
A compreensão da categoria juventude como uma construção social, delineada
pelas características sociais e culturais de cada momento histórico e de cada
sociedade, é fundamental para se pensar uma política pública que resgate o
social presente na constituição dos sujeitos e os sujeitos presentes na
constituição do social. (STAMATO, 2008, p. 100)
9 Autora da tese: Protagonismo juvenil: Uma práxis sócio-histórica de ressignificação da juventude, oriunda da
PUC-SP, sob orientação do professor Dr. Sérgio Ozella, no ano de 2008.
70
Deste modo a autora referida acima, enfatiza o fator social como preponderante na
construção do conceito de juventude. Apóia-se firmemente na concepção de Groppo (2000), ao
utilizar-se da visão de juventude como categoria social, que não é unicamente ou,
privilegiamente, marcada pela definição etária ou de classe social, criticando posições naturalistas
que enviesam o olhar para uma percepção de uma juventude universal. Ela endossa sua posição a
partir de Groppo (2000), e defende o uso do termo juventudes, considerando todas as suas
pluralidades e singularidades. Essa pode ser considerada uma problematização que não marca a
discussão de Dias (2007), uma vez que, sua preocupação se localiza na definição da categoria a
partir da amostra definida para seu estudo: inserção do jovem no ambiente de trabalho.
A juventude se coloca também no trabalho de Fonseca 10 (2008) que problematiza as
mudanças biológicas associadas à adolescência, afirmando a existência de tais mudanças e suas
marcas no adolescente. No entanto, ressalta que a forma com que cada indivíduo vivenciará estas
mudanças decorre da cultura na qual está inserido. Nessa medida, Vigotski é utilizado para
apresentar as transformações relacionadas ao período da adolescência, passagem do ser em si,
para o ser para si. Essa alusão à Vigotski não está presente nas considerações apresentadas por
Dias (2007) e Stamato (2008), como parâmetro para definição do conceito de juventude.
A adolescência se apresenta também como questão no estudo de Carvalho 11 (2011) sobre
as relações entre irmãos. Essa autora realiza uma vasta análise dos estudos sobre adolescência na
comunidade científica, destacando as temáticas mais trabalhadas quando os estudos referem-se à
adolescência12. Afirma que, entre os anos de 2000 a 2009, as temáticas privilegiadas foram:
violência, exclusão/pobreza, sexualidade, conceito e subjetividade, trabalho, escola e saúde. Vale
destacar que, segundo a autora, a adolescência e as referidas temáticas são as mais discutidas com
a utilização do referencial sócio-histórico.
A fim de compreender como se caracteriza esta fase da vida, adolescência, e como os
autores da atualidade a entendem, Carvalho (2011), nomeia três concepções acerca da temática
adolescência: fenômeno social, momento de transição marcado pela positividade e pluralidades.
A primeira concepção entende esta fase como fenômeno social e considera que o peso cultural é
10 Autora da tese: Os profissionais da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e a construção de sentidos sobre
adolescência, sob orientação do professor Dr. Sergio Ozella, da PUC-SP, no ano de 2008.
11 Autora da tese: Relações entre irmãos adolescentes: sentidos e significados, sob orientação da professora Dra.
Sônia Margarida Gomes Souza, da PUC-GOIÁS, no ano de 2011.
12 Apesar da temática central do estudo da autora referir-se à relação entre irmãos, o capítulo teórico que se
aproxima à teoria vigotskiana demarca o debate acerca da adolescência, deste modo esta análise restringe-se a esta
discussão.
71
definitivo para a existência ou não da adolescência, e para os diversos modos de vivência da
adolescência, corroborando com as concepções de Fonseca (2008) e Stamato (2008).
A segunda concepção apresentada por Carvalho (2011) defende ser a adolescência um
momento de transição marcado pela positividade; enfatiza que as mudanças biológicas da
puberdade são definitivas para compreensão da adolescência como período de crises. No entanto,
a autora defende ancorada nas ideias de Vigotski, que estas crises promovem boas mudanças e
novas habilidades. Veja o fragmento abaixo:
Essa concepção de adolescência marcada pela positividade traz em si a idéia de
que essa fase constitui um momento de mudanças, as quais possibilitarão ao
adolescente a aquisição de novas funções e habilidades. Ademais, essa
concepção desconsidera a adolescência como fase marcada pela negatividade
relacionada a um período de turbulências e conflitos “próprios da idade”. De
acordo com essa afirmação, Vigotski (1996a) pontuou que a característica
principal da adolescência é o desenvolvimento máximo das funções psicológicas
superiores e a formação dos verdadeiros conceitos. As funções psicológicas
superiores são desenvolvidas desde a tenra infância, mas terão seu
desenvolvimento pleno na idade de transição, quando o adolescente estará
vivendo um salto qualitativamente novo em seu sistema psicológico, em
decorrência das novas exigências e dos novos interesses que são reestruturados.
Assim, conforme o autor, a adolescência é caracterizada por transformações
positivas no desenvolvimento do sujeito (CARVALHO, 2011, p. 53).
Por último, Carvalho (2011), refere-se à compreensão das pluralidades da adolescência
que estão inseridas em diversas culturas indo ao encontro da discussão que Dias (2007) ao adotar
a referência de juventudes.
O conceito de Vigotski para a adolescência é tomado como base para discussão de
Carvalho (2011). Do mesmo modo, Stamato (2008) privilegia a ideia de fase de transição, e de
um processo que ocorre de forma dialética, considerando aspectos determinantes biologicamente,
mas também fatores históricos. A compreensão do conceito de adolescência, portanto, requer a
adesão à caracterização dos conceitos privilegiando aspectos culturais, sociais e históricos, e a
dialética como método de compreensão da adolescência (CARVALHO, 2011; COELHO, 2008;
DIAS, 2007; FONSECA, 2008; STAMATO, 2008).
O teórico Vigotski é também utilizado por Stamato (2008), a fim de apresentar a proposta
da psicologia sócio-histórica como elemento importante na construção de um novo conceito de
juventude, baseado na visão dialética de indivíduo e sociedade. Esse propósito permeia todas as
72
discussões das teses que se utilizam da teoria vigotskiana, especialmente nos pressupostos da
dialética presente na abordagem.
Os conceitos de desenvolvimento psíquico e idade de transição, instrumentos, signos e
Zona de Desenvolvimento Proximal, sentido e significado, emoções e sentimentos são
apresentados nas teses em estudo e estão estreitamente vinculados à fase da adolescência ou
juventude. (CARVALHO, 2011; COELHO, 2008; DIAS, 2007; FONSECA, 2008; BEZERRA 13,
2009; STAMATO, 2008).
O conceito de idade de transição é discutido por Stamato (2008), a partir das
considerações teóricas de Vigotski (a grafia utilizada é y-y, talvez por ser uma citação), com
subsídios de a adolescência ser uma fase de transição, não para a vida adulta e sim de modo de
operação, sendo a criança um ser em si e o adolescente um ser para si.
Decíamos em él, utilizando um símil figurativo, que los processos de desarollo
em la edad infantil y em la edad de transición recuerdam frecuentemente la
transformación de la oruga em crisálida y de la crisálida em mariposa. Em este
processo del desarollo, ante el cabo cualitativo de lãs formas, ante la aparición
de nuevas formaciones, el próprio proceso rvela claramente su compleja
estructura, este se compone de los procesos de extinción, desarollo inverso o
reducción de la forma vieja y de los processos de nacimiento, formación y
maduración de la forma nueva. La transformación de la crisálida em mariposa
presupone tanto la extición de la crisálida como el nacimiento de la mariposa;
toda evolución es, al mismo tiempo, involución (VYGOTSKY, 1984, p. 24-25,
apud, STAMATO, 2008, p. 121-122).
Para Vygotsky (1984), a transformação da criança – ser humano em si -, em
adolescente – ser humano para si - , configura o conteúdo principal de toda a
crise da idade de transição. Essa época madura da personalidade e sua
concepção de mundo é o período das sínteses superiores, produzidas pela crise
do devenir, e da maturação daquelas formações superiores, que são o
fundamento de toda a existência consciente do ser humano (STAMATO, 2008,
p. 128).
Observamos que apesar das considerações de amplitude do uso do termo juventude traria
para a proposta vigotskiana, os autores analisados utilizam com mais frequência o termo
adolescência. (CARVALHO, 2011; DIAS, 2007; STAMATO, 2008). Na mesma direção, em
Fonseca (2008), pode-se compreender que a teoria vigotskiana apresenta-se como subsídio para a
ampliação do conceito, embora seja utilizada como parâmetro para definir limites entre um
13 Autor da tese: Zona de Desenvolvimento Proximal como Processo de Intersubjetivação: O exemplo das
Comunicações Abreviadas, sob orientação do professor Dr. Luciano Meira, da UFPE, no ano de 2009.
73
conceito e outro, como entre criança e adolescente, mudança essa universal. Essas afirmações nos
levam a refletir acerca da multiplicidade de interpretações no uso da teoria de Vigotski. A defesa
de utilização de idades de transição no lugar de fases de desenvolvimento, argumentando pelo seu
caráter qualitativo e revolucionário de transformação e não puramente biológico. Para essa
discussão, recorre aos conceitos de funções psicológicas superiores, sentido, significado e
linguagem e destaca a potencialidade da contradição inerente dos contrários.
O estudo de Simões (2009) se caracteriza também como uma abordagem sócio-histórica e
discute o conceito de ZDP. Adota a grafia Vygotsky.
A afetividade e os afetos são conceitos apresentados no estudo de Coelho (2008) que
discute as ideias de Vigotski acerca das emoções e sentimentos. A grafia adotada pela autora é
Vygotsky. Esse estudo aprofunda a relação entre os conceitos de afetividade e subjetividade.
A subjetividade é entendida aqui como uma categoria da psicologia social que
articula as dimensões humanas do agir, do pensar e do sentir. Organizada pelas
mediações sociais e atravessada pelas condições materiais históricas de
existência, ela é impulsionada pelos afetos (COELHO, 2008, p. 54).
Para discussão acerca dos afetos, Coelho14 (2008) utiliza-se das ideias de Espinosa, o qual
defende que os bons encontros são necessários para que todo ser seja afetado e possa afetar,
promovendo assim um espaço de possibilidades e de revolução. A proposta do trabalho, de
abordar os afetos com base em Vigotski, objetiva compreender a maneira com que as políticas
públicas afetam e se afetam o sujeito a fim de promover reais mudanças e intervenções.
Para Vygotsky (1999), o sentimento além de histórico e influenciado pelas
condições psicológicas e ideológicas, possui uma raiz biológica, que é
própria do desenvolvimento emocional. Por outro lado, as emoções
complexas se desenvolvem como fruto de uma combinação de relações,
que surgem em conseqüência da vida histórica (COELHO, 2008, p. 64).
Em síntese, a análise aqui empreendida permite afirmar que Vigotski é um autor
importante nos estudos nas temáticas referentes à formação de conceitos, afetividade e família. A
teoria vigotskiana colabora na proposição de conceitos trazendo marcas de âmbito histórico,
14 Autora da tese: Participação no Programa Fortalecendo a Família: Uma análise psicossocial das repercussões
do trabalho socioeducativo, sob orientação da professora Dra. Bader Burihan Sawaia, da PUC-SP, no ano de 2008.
74
cultural e social. A escolha pela ênfase em um desses âmbitos dará a conotação adotada pela
adjetivação escolhida.
5.2. Vigotski e as grafias utilizadas.
Os autores utilizam as grafias do nome Vigotski e não justificam essa opção, sendo este
aspecto pouco significativo nas teses em estudo. Dias (2007), Carvalho (2011), Coelho (2008),
Fonseca (2008), Bezerra (2009) e Stamato (2008), não enfatizam o porquê da escolha do modo
dessa escrita. A proveniência das traduções das obras também não são enfatizadas. Define-se
apenas que se trata de um autor com determinada preocupação teórica: seja biológica ou
sociológica.
No estudo de Stamato (2008) adotou-se a grafia de Vigotski com i-i, embora no decorrer
do texto, a grafia apresenta-se ora com y-y, ora com i-i, vale salientar que a grafia com y-y
aparece em citações diretas e indiretas, enquanto que a grafia com i-i apresenta-se no texto, tanto
nas afirmações da autora, como em citações diretas e indiretas.
Já o estudo de Fonseca (2008) e de Bezerra (2009) não apresenta alterações nas grafias. O
primeiro adota a grafia Vigotski e o outro, a grafia com y-y. Vale salientar que a combinação y-i
aparece em uma das citações literais que a autora Fonseca (2008) utiliza, evidenciando a
manutenção da opção de autor referido. Observe um dos exemplos abaixo:
Vygotski afirmou a unidade e não a indiferenciação entre o desenvolvimento
biológico e cultural, pois eles apresentam particularidades e especificidades que
determinam diferentes pontos e contrapontos na composição de seu
entrelaçamento (MOLON, 2003, p.94 apud FONSECA, 2008, p.62).
Ressalta-se também que no estudo de Bezerra (2009), encontra-se a grafia de Vigotski
com i-i nas referências bibliográficas, apesar de o autor apropriar-se da grafia com y-y, revelando
assim preocupação mais temática, em seu caso no estudo da ZDP. Escolha temática que também é
feita por Coelho (2008) e Stamato (2008).
No texto literal da autora Molon (2003), a grafia presente em seu texto é Vygotsky, tendo
assim na citação da autora Fonseca (2008) um erro de digitação.
As grafias: Vigotski ou Vygotsky parecem não implicar em uma discrepância na temática
em discussão, adolescência e juventude, Stamato (2008) aborda as questões referentes à temática,
75
colhendo para isso maior material acerca do tema vinculado à teoria vigotskiana, demonstrando
desse modo uma preocupação mais temática do que em defesa de alguma linha teórica ou de uma
grafia específica da teoria vigotskiana.
Fonseca (2008) apresenta uma variação na grafia até então não utilizada de Vigotski, esta
aparece novamente com a combinação y-i, veja abaixo:
A visão sócio-histórica consiste numa vertente teórica da psicologia, surgida a
partir dos escritos de autores russos, entre os quais se destacam Vygotski, Lúria e
Leontiev, cuja concepção de homem e de mundo passa pela negação de uma
natureza humana, entendida como uma constituição que se dá na apropriação do
humano, na interação humana, nas relações sociais (FONSECA, 2008, p. 60).
Com o desenvolvimento do pensamento, com a ajuda da linguagem, com a
utilização da palavra, a criança passa da forma natural de pensamento para o
pensamento cultural. Como aponta Vygotski (1995) (FONSECA, 2008, p. 72).
A grafia apresentada nestes fragmentos da tese de Fonseca (2008) parece aproximar-se
mais de um erro de digitação novamente, do que de outra concepção teórica acerca das ideias de
Vigotski. Verificou-se assim, uma variação na grafia de Vigotski, a qual se apresenta com a
combinação y-i. A indefinição em relação à grafia se faz presente no estudo analisado.
Observe abaixo citação com o fragmento do texto que revela novamente a variação na
escrita:
A palavra é o elemento do discurso que pode ser partilhado em seu Portanto, o
aspecto da grafia nem sempre é privilegiado. Aspectos vinculados às temáticas
de interesse dos autores se sobressaem: Coelho (2008) se utiliza mais das
contribuições de Vigotski acerca de emoções e sentimentos e Stamato (2008) de
adolescência. As opções por grafia ou adjetivação não são evidenciadas como de
interesse dos autores. significado, mas que também é constituído por outros
elementos que podem até mesmo modifica-lo. Esses elementos são os sentidos,
entendidos por Vygotski (2001a) como uma formação dinâmica, fluida e
complexa, com várias zonas de estabilidade (FONSECA, 2008, p. 73).
Neste trecho evidenciam-se também as definições acerca de significado e sentido
empregadas no texto. Faz-se importante destacar que nas referências bibliográficas da tese apenas
consta a grafia até então utilizada com i-i.
A variação e opção na grafia de identificação do autor parece não indicar preocupação,
nem uma questão para os autores no momento de elaboração de suas teses.
76
5.3. Vigotski e a abordagem sócio-histórica
Adotar a adjetivação sócio-histórica nas teses analisadas indica superar aspectos
reducionistas vinculados ao biológico. Assim surgem as reflexões do conceito amplo de
juventude e adolescência (DIAS, 2007). Na mesma direção, Fonseca (2008), utiliza a abordagem
sócio-histórica como sendo um modo de olhar a adolescência levando em consideração que esta é
um produto social, histórico e cultural, desvinculando-se da ideia de adolescente como
determinado a priori.
A passagem de pensamento complexo para formação de conceitos é base na discussão de
Fonseca (2008), assim como o debate acerca da adjetivação sócio-histórica apontada como sendo
construída por autores como Vigotski, Luria e Leontiev. Destaca-se a defesa de uma visão
dialética sobre o homem, mundo e a sociedade. A autora Fonseca (2008) adota a concepção
sócio-histórica, como uma forma de superar a dicotomia entre biológico e cultural. Desse modo,
essa concepção representa uma síntese entre o desenvolvimento biológico e o desenvolvimento
cultural, possível através dos signos e instrumentos. A adoção dessa perspectiva implica uma
forma de superar as determinações biológicas, vigentes nas teorias que discutem o conceito de
adolescência.
Em consonância temos também o estudo de Coelho (2008). A vinculação da história do
ser com sua afetividade e capacidade transformadora, a fim também de superar um determinismo
biologicista de predição do comportamento. A autora afirma ainda que este processo histórico é
ao mesmo tempo cultural, ou seja, o homem ao operar na natureza, cultura, opera nele mesmo
como parte dela, tais emoções encontram na teoria vigotskiana uma configuração afetivo-volitiva
(COELHO, 2008). Essa autora apóia-se no pensamento de Espinosa e no conceito de afetividade
em Vigotski.
Bezerra (2009) também se utiliza da adjetivação sócio-histórica em seu texto. A
terminologia sócio-histórico-cultural também foi encontrada. Nesse estudo, o autor aprofunda
aspectos culturais da teoria vigotskiana e de autores interlocutores desta teoria.
Assim, os termos sócio-histórico e cultural indicam a tentativa de superar aspectos
biológicos reducionistas.
77
Por outro lado, as adjetivações podem conviver no mesmo texto, como é o caso do
trabalho de Stamato (2008) que, na maior parte do texto adota sócio-histórica, porém ressaltamos
que por vezes utiliza a adjetivação histórico-cultural a fim de nomear a teoria de Vigotski. Veja
abaixo no trecho extraído da tese:
A teoria Histórico-Cultural de Vigotski nasceu no contexto histórico, social e
cultural da Rússia pós-Revolução, com o objetivo de criar uma psicologia que
rompesse com uma visão centrada no indivíduo, colocando o social em um lugar
diferente com respeito à formação e ao desenvolvimento dos processos
psíquicos. (GONZÁLES REY, 2004, p.23 apud STAMATO, 2008, p.113).
A adjetivação sócio-histórica inicialmente é apresentada como vinculada à sociologia e à
uma visão de juventude que rompe com as diretrizes cristalizadas acerca desta fase da vida, não
somente de ordem biológica como também sociológica.
Apesar de a adjetivação histórico-cultural aparecer uma vez no texto de Stamato (2008),
como definição da teoria vigotskiana, esta adjetivação não permanece no debate desenvolvido.
No entanto o aspecto cultural é a todo instante marcado na discussão, sempre atrelado aos fatores
históricos e sociais, demonstrando uma complementaridade entre esses três aspectos.
Os autores que se utilizam da adjetivação sócio-histórica atribuem a perspectiva de
Vigotski a possibilidade de superar dicotomias, evitar reducionismo e enfatizar aspectos sociais e
históricos determinantes na configuração do ser humano.
78
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A teoria vigotskiana ganhou diferentes e relevantes leituras no contexto acadêmico
brasileiro. Os autores reconhecem que alguns fatores contribuíram para que essas apropriações
ocorressem: a origem russa de Vigotski, as dificuldades emergentes da tradução de seus escritos e
o caráter de incompletude de sua obra (FREITAS, 1994; MOLON, 2009; OLIVEIRA, 1992;
PRESTES, 2010; PRESTES; TUNES, 2010, 2012; SARMENTO, 2006).
Do ponto de vista do método utilizado, podemos considerar que a metassíntese permite ao
estudo uma abrangência quantitativa e qualitativa relevante. O uso de descritores permite
circunscrever o interesse da pesquisa, embora possa restringir o escopo do estudo. Destacamos
seu valor para estudos do tipo estado da arte, em especial a metassíntese: caracterização geral por
ano de produção e definição de uso das adjetivações em estudo, permitindo acompanhar o
movimento de um campo de conhecimento com suas peculiaridades (FERREIRA, 2002;
MATHEUS, 2009; SPÓSITO, 2009; TRANCOSO, 2012).
79
No mapeamento realizado nesse estudo, a configuração histórica das leituras da obra de
Vigotski no Brasil é presente na produção da pós-graduação, banco de dados da CAPES, entre os
anos de 2007 a 2011 assim se apresenta: a adjetivação histórico-social ocorre, em todos os anos
estudados, na área de educação, seguida das áreas de: história e letras. A área da psicologia
aparece em quinto lugar. Na mesma direção, a adjetivação sócio-cultural ocorre maior produção
na área da educação em todos os anos. Observa-se uma diversidade no número de produções por
ano, a depender da área de conhecimento. As áreas que também a utilizam são psicologia, letras e
ciências sociais. A adjetivação sócio-histórica segue apresentando uma maior produção na área
da educação. A adjetivação histórico-cultural mantém a regularidade: tem como maior área de
produção a educação, seguida da história e psicologia. A amostra de produções deste descritor
assemelhasse ao descritor, sócio-histórica, pelo grande contingente de trabalhos.
Considera-se relevante destacar que as quatro adjetivações são utilizadas com maior
quantidade na área de conhecimento da educação, seguida da psicologia.
A área de produção da psicologia que está diretamente relacionada à autoria de referência
à Vigotski apresenta maior utilização das adjetivações sócio-histórica e histórico-cultural. Por
outro lado, as adjetivações sócio-cultural e histórico-social guardam pequena relação com a
autoria de Vigotski.
A adjetivação sócio-histórica de 36 dissertações e 6 teses guarda uma relação de
proximidade à perspectiva de Vigotski (170 trabalhos, representou em 42 deles a presença da
grafia de Vigotski, em suas diferentes escritas, sendo as mais frequentes com i-i (12 trabalhos) e
y-y (24 trabalhos). Os teóricos de interlocução presente nos resumos são: Sartre, Leontiev e
Bakhtin. Considera-se relevante destacar que essa informação está ausente em trinta e três dos
resumos analisados. Por outro lado, há uma preferência no uso de entrevistas (14) como
procedimento adotado. Ausência dessa informação em 26 estudos.
Os capítulos teóricos das teses analisadas que foram produzidas na Psicologia e que
utilizam a adjetivação sócio-histórica destacam os conceitos de adolescência e/ou juventude,
afetos, família e ZDP, a fim de promover a superação da definição de conceitos a partir de uma
visão marcadamente desenvolvimentista. Os termos sócio-histórico e cultural indicam a tentativa
de superar aspectos biológicos reducionistas, e se relacionam diretamente com a escolha dos
pressupostos da teoria vigotskiana.
80
Podemos considerar ainda que as grafias Vigotski (provenientes de traduções espanholas)
e Vygotsky (tradução inglesa) são as mais utilizadas e as adjetivações adotadas nas teses não
recebem considerações a fim de inserir os leitores nessa complexa discussão. Essa nos parece se
constituir em uma lacuna nos estudos analisados. Frente às inúmeras dificuldades de tradução, de
incompletude da obra e de modos de apropriação, esse estudo indica a necessidade de maior
preocupação dos autores brasileiros na identificação e explicitação das opções teóricas realizadas.
Estudos que terão prosseguimento, no sentido de ampliar o estado da arte das produções e
apropriações da teoria de Vigotski no Brasil.
81
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84
APÊNDICE A - Quadro de cruzamento das grafias de Vigotski com descritor: sóciohistórica.
Ano
Grafia
Total
2007 Vigotski
3
Vygotsky
4
2007 Total
7
2008 Vigotski
4
Vygotski
1
Vygotsky
9
Vygotskyi
1
2008 Total
15
2009 Vigotsky
1
Vygotsky
5
Vygotsky/Vygotskiana
1
2009 Total
7
2010 Vigotski
1
Vigotskianos
1
Vygotsky
3
2010 Total
5
2011 Vigotski
4
Vigotsky
1
Vygotsky
3
2011 Total
8
Total geral
42
85
APÊNDICE B - Referências das teses analisadas na fase de leitura dos capítulos teóricos.
BEZERRA,
H.
J.
S.
Zona
de
Desenvolvimento
Proximal
como
Processo
de
Intersubjetivação: o Exemplo das Comunicações Abreviadas. 2009. 170f. Tese (Doutorado em
Psicologia Cognitiva) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2009.
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