Marianna Ribeiro Guimarães - "A constituição da paternidade na maternidade adolescente".

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

Marianna Ribeiro Guimarães

A CONSTITUIÇÃO DA PATERNIDADE NA MATERNIDADE
ADOLESCENTE

Maceió
2019
1

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

Marianna Ribeiro Guimarães

A CONSTITUIÇÃO DA PATERNIDADE NA MATERNIDADE
ADOLESCENTE

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de PósGraduação em Psicologia da Universidade Federal de
Alagoas, como requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre em Psicologia.
Orientadora: Profa. Dra. Paula Orchiucci Miura

Maceió
2

2019

3

4

5

AGRADECIMENTOS

Durante todo processo de trocas, amadurecimento, conhecimento, afetos e descobertas
que acompanharam minha pesquisa e escrita, contei com algumas pessoas, das quais gostaria
de agradecer:
Aos pais dos bebês, que foram fundamentais para pesquisa e toparam participar,
mesmo quando tirados de suas zonas de conforto.
As enfermeiras do pré-natal Unidade de Básica de Saúde de Riacho de Doce que me
acolheram, ajudaram, preocuparam e colaboraram com a minha pesquisa, desde o primeiro
dia.
Aos meus pais amados, Telma e Gerson, que sempre foram meus exemplos de
persistência e dedicação, meus maiores incentivadores e que sempre me acompanham nos
sonhos e objetivos. Aos meus irmãos queridos, agradeço pelo carinho.
A Lucas, que amorosamente acreditou em mim e nunca deixou duvidar dos meus
sonhos.
A Lídia e Stela, que acompanharam meu processo de escrita e amadurecimento sempre
incentivando, agradeço carinhosamente.
A minha orientadora, Paula Miura, que contribuiu imensamente para minha formação,
e me inspirou com sua dedicação à docência.
A minha amiga Lívia, com quem caminho desde a graduação, e que acompanhou no
mestrado, dividindo risadas e angústias.
A Aline, amiga que a psicanálise me trouxe e ensinou que sempre há leveza nas
escolhas.
Ao grupo de pesquisa “ARUIM”, pelo acolhimento e pela parceria nas pesquisas. A
Gline por todo companheirismo durante a pesquisa e processo de escrita. As meninas da
“paternidade”, Kedma e Estefane, que por madrugadas me ajudaram e incentivaram a sempre
persistir.
A FAPEAL, que financiou e tornou possível a realização desta pesquisa.

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RESUMO
A concepção de paternidade tem sofrido mudanças históricas e culturais, as transformações
sociais e a construção de um sentimento de família transformaram o ideal de pai com o passar
do tempo. Na contemporaneidade, o pai vem ganhando destaque no desenvolvimento do bebê,
da família e nas vivências do “ser pai”, marcadas principalmente pela diversidade de
experiências. No que tange à gravidez na adolescência, campo de pesquisa consolidado e com
diversas contribuições para Psicologia, há uma lacuna no que se refere aos estudos sobre a
paternidade, especialmente no recorte dos pais dos bebês de adolescentes que estão grávidas.
Desse modo, este trabalho teve como objetivo geral compreender e analisar o processo de
desenvolvimento da paternidade dos pais dos bebês de adolescentes grávidas. E como
objetivos específicos, identificar e analisar o contexto socioeconômico, familiar e escolar dos
pais, bem como compreender as relações entre pai-bebê, mãe-bebê, pai-mãe-bebê. E inserido
no projeto maior intitulado “Potencializando profissionais, crianças e adolescentes de uma
comunidade litorânea de Maceió”, este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa (CEP) da instituição responsável. Esta é uma pesquisa qualitativa e os seguintes
instrumentos foram aplicados no período de realização do pré-natal: formulário de
caracterização do perfil socioeconômico; entrevistas semiestruturadas e; Procedimento de
Desenho de Famílias com Estórias. Este último instrumento consiste na aplicação e na
interpretação de uma série de desenhos realizados pelo participante (desenho de uma família
qualquer, desenho de uma família que gostaria de ter, desenho de uma família em que alguém
não está bem e o desenho da própria família), derivado do Procedimento de DesenhosEstórias que possibilitam uma compreensão aprofundada da dinâmica familiar e da
paternidade na relação familiar. Para esta pesquisa participaram cinco pais de bebês de
adolescentes grávidas que realizaram o pré-natal em Unidades Básicas de Saúde no município
de Maceió, com idades entre 20 e 43 anos, com nível de escolaridade que variou entre ensino
fundamental e ensino médio completo. Para atender os preceitos éticos em pesquisa, os
participantes preencheram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE). As entrevistas foram gravadas e transcritas para análise dos dados coletados. A
análise de dados foi feita com base no conteúdo das entrevistas, contemplando também as
expressões não verbais observadas pela pesquisadora, bem como respaldado na teoria
psicanalítica de Winnicott. O Procedimento de Desenho de Famílias com Estórias foi
analisado segundo as recomendações de Trinca e Brito (2013). Observou-se com este trabalho
que a paternidade tem sido mais participativa e que a manutenção financeira ainda é uma
preocupação dos pais. As relações com as famílias de origem estão presentes na compreensão
de paternidade dos entrevistados. O bebê imaginado também traz em si os desejos dos pais,
fisicamente e em situações nas quais os pais desejam viver com seus filhos. A gestação tem
sido acompanhada pelos pais, ao oferecerem suporte emocional as mães. No entanto, o prénatal ainda tem pouca participação dos pais, que tem de conciliar trabalho com paternidade.
Assim, é possível concluir que os pais têm criado, de maneira particular, relações de cuidado
com as companheiras gestantes e os bebês. Mas, que ainda consideram o nascimento dos
bebês como marcador do sentimento de paternidade.
Palavras-chaves: paternidade; relação pai-bebê-mãe; maternidade adolescente; família.

7

ABSTRACT
The conception of paternity has undergone historical and cultural changes; the social
transformations and the construction of a family feeling have transformed the idea of a
father with the passage of time. In contemporary times, the father has been gaining
prominence in the development of the baby, the family and in the experiences of the being
fathered, marked mainly by the diversity of experiences. With regard to adolescent pregnancy,
a consolidated field of research and with several contributions to Psychology, there is a gap
regarding studies on paternity, especially in the clipping of the parents of the babies of
adolescents who are pregnant. Thus, this work has a general objective to understand and
analyze the process of development of the fatherhood of the parents of the babies of pregnant
adolescents. In addition, as specific objectives, identify and analyze the socioeconomic,
family and school contexts of parents, as well as understand the relationships between fatherbaby, mother-baby, father-mother-baby. It inserted in the larger project entitled Empowering
professionals, children, and adolescents of a coastal community of Maceió; the Research
Ethics Committee of the responsible institution approved this work. This a
qualitative research and the following instruments applied during the prenatal period:
socioeconomic profile characterization form; semi-structured interviews, Drawing Procedure
of Families and Stories. This last instrument consists in the application and interpretation of a
series of drawings made by the participant (drawing of any family, drawing of a family that
would like to have, drawing a family in which someone is not well and the drawing of the
family itself). This allows an in-depth understanding of family dynamics and parenting in the
family relationship. For this research, five parents of babies of pregnant adolescents who
underwent prenatal care in Basic Health Units in the municipality of Maceió participated,
with ages between 20 and 43 years, with a level of schooling that varied between elementary
and high school. To meet the ethical precepts in research, participants completed and signed
the Informed Consent Term (TCLE). The interviews recorded and transcribed to analyze the
data collected. The data analysis based on the content of the interviews, also contemplating
the nonverbal expressions observed by the researcher, as well as supported in the
psychoanalytic theory of Winnicott. Procedure for Drawing Families with Stories analyzed
according to Trinca and Brito (2013) recommendations. It observed with this work that
parenting has been more participatory and that financial maintenance is still a concern of the
parents. Relations with the families of origin are present in the understanding of paternity of
the interviewees. The imaginary baby also brings in the desires of the parents, physically and
in situations in which the parents wish to live with their children. Gestation been accompanied
by parents by offering emotional support to their mothers. However, prenatal care still has
little parental involvement, which has to reconcile work with paternity. Thus, it is possible to
conclude that parents have created, in a particular way, caring relationships with pregnant
women and their babies. However, they still consider the birth of babies as a marker of the
feeling of fatherhood.
Keywords: paternity; father-baby-mother relationship; adolescent motherhood; family.

8

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Familha..........................................................................................................44
Figura 2 – Lalá.................................................................................................................44
Figura 3 – Preocupação...................................................................................................45
Figura 4 – Filhos..............................................................................................................45
Figura 5 – Passeio na praça.............................................................................................47
Figura 6 – Minha família.................................................................................................48
Figura 7 – Ressaca...........................................................................................................49
Figura 8 – No shopping...................................................................................................49
Figura 9 – Família feliz...................................................................................................52
Figura 10 – Sonho de Deus..............................................................................................52
Figura 11 – Família triste.................................................................................................53
Figura 12 – Família abençoada........................................................................................53
Figura 13 – Nós 5............................................................................................................56
Figura 14 – Coisa de Deus...............................................................................................56
Figura 15 – Família triste.................................................................................................57
Figura 16 – Três...............................................................................................................57
Figura 17 – Família..........................................................................................................60
Figura 18 – Sem problemas.............................................................................................60
Figura 19 – Eu, Luiza e Luís...........................................................................................61

9

10

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................................09
1.1 Construção Histórico-Social da Paternidade..........................................................................09
1.2 Paternidade: Revisão de Literatura.........................................................................................12
1.2.1 Paternidade: a diversidade de sentidos e significados.........................................................13
1.2.2 Constituição da paternidade desde a gestação.....................................................................16
1.2.3 Paternidade, gênero e cuidado.............................................................................................17
1.2.4 Paternidade e políticas de saúde..........................................................................................20
1.2.5 Paternidade e separação conjugal........................................................................................22
1.2.6 Paternidade na adolescência................................................................................................23
1.3 Gravidez na Adolescência e Paternidade...............................................................................24
2. JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS...........................................................................................37
3. PERCURSO METODOLÓGICO............................................................................................38
3.1 Procedimento de Desenho da Família com Estórias..............................................................39
3.2 Análise dos Dados..................................................................................................................40
4. RESULTADOS........................................................................................................................42
4.1 Pai Lucas................................................................................................................................42
4.1.1 Formulário de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução
social.............................................................................................................................................42
4.1.2 Entrevista semiestruturada...................................................................................................42
4.1.3 Desenhos da Família com Estórias......................................................................................46
4.2 Pai Vitor..................................................................................................................................46
4.2.1 Formulário de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução
social.............................................................................................................................................46
4.2.2 Entrevista semiestruturada...................................................................................................46
4.2.3 Desenhos da Família com Estórias......................................................................................47
4.3 Pai João...................................................................................................................................50
4.3.1 Formulário de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução
social.............................................................................................................................................50
4.3.2 Entrevista semiestruturada...................................................................................................50
4.3.3 Desenhos da Família com Estórias......................................................................................52
4.4 Pai Antônio.............................................................................................................................54
4.4.1 Formulário de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução
social.............................................................................................................................................54
4.4.2 Entrevista semiestruturada...................................................................................................55
4.4.3 Desenhos da Família com Estórias......................................................................................56
4.5 Pai Breno................................................................................................................................58
4.5.1 Formulário de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução
social.............................................................................................................................................58
4.5.2 Entrevista semiestruturada...................................................................................................58
4.5.3 Desenhos da Família com Estórias......................................................................................60
5. DISCUSSÃO............................................................................................................................62
5.1 Famílias..................................................................................................................................66
5.2 Gestação.................................................................................................................................71
5.3 Pré-natal..................................................................................................................................74
5.4 Bebê imaginado......................................................................................................................76
5.5 Compreensão da paternidade..................................................................................................77
5.6 Projetos de vida......................................................................................................................80
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................82
7. REFERÊNCIAS.......................................................................................................................85
ANEXOS......................................................................................................................................98

11

1. INTRODUÇÃO
O interesse pela temática surgiu da experiência com o Grupo de Pesquisa coordenado
pela orientadora desta pesquisa, Profa. Dra. Paula Orchiucci Miura, que desenvolve o projeto
“Potencializando profissionais, crianças e adolescentes de uma comunidade litorânea de
Maceió”, do qual se insere esta pesquisa. As experiências da maternidade vivenciada pelas
adolescentes grávidas de maneiras particulares que se relacionam aos aspectos psicossociais
da gravidez na adolescência e das relações estabelecidas com os companheiros e com as
famílias. E compreender a paternidade neste contexto despertou meu interesse pessoal e
norteou o objeto de pesquisa. Neste sentido, através de um recorte, investiga as compreensões
do fenômeno da paternidade de bebês fruto da gravidez na adolescência. Neste item serão
apresentados temas e referenciais relevantes para a pesquisa realizada.
1.1 Construção Histórico-Social da Paternidade
A construção histórica da família possibilita pensar o papel do pai na antiguidade e os
significados que foram atribuídos até chegar aos conceitos de paternidade que se têm nos dias
de hoje. Não existe uma definição geral de família, pois o que há, na verdade, são tipos
históricos de família construídos socialmente (ZANARDO e VALENTE, 2009). E no
processo histórico, como aponta Cúnico e Arpini (2013), é possível distinguir três grandes
fases pela qual passou a instituição familiar: a tradicional, a moderna e a contemporânea.
A primeira fase consiste na família tradicional, cujo principal objetivo familiar era a
transmissão de patrimônios (ZANARDO e VALENTE, 2009). Para família tradicional o
casamento não tinha relação com o amor romântico, era fundado em arranjos econômicos dos
quais submetia a família à autoridade do pai – provedor financeiro. Tratava-se de um modelo
patriarcal de família, que segundo Warpechowski e Mosmann (2012) se caracterizava pela
composição: pai, mãe e filhos, sendo mãe e filhos subordinados à autoridade paterna. A
segunda fase, de acordo com Cúnico e Arpini (2013), é compreendida pela família moderna,
chegava-se à era da família conjugal burguesa, a qual consistiu em um modelo de família que
existiu concomitantemente à ascensão da burguesia na Idade Média, e se designava por
valores

sociais

como:

amor

romântico,

casamento

como

sacramento

religioso,

indissolubilidade familiar e na autoridade da figura paterna (SOUZA e RODRIGUES, 2007).
A terceira fase traz a família contemporânea, marcada pela virada do século XX. O casamento
sofre alterações, deixa de ser indissolúvel e se transforma na união de dois sujeitos em busca
de realizações pessoais (OLIVEIRA, 2009).
Para Arruda e Lima (2013), no contexto da família contemporânea surgem
terminologias como ‘novo pai’, que pretendem definir as mudanças relativas a participação
12

dos homens no cotidiano familiar. Os pais passam a ser elementos ativos na vida cotidiana dos
filhos. A educação, a manutenção do lar e o fornecimento financeiro da família passa a ser
compartilhada entre os pais e as mães. No entanto, o modelo tradicional apontado por Cúnico
e Arpini (2013) ainda é coexistente a diversos modelos de organização familiar
contemporâneos, como a família patriarcal e monoparental, dentre outros. O ‘novo pai’
configura o rompimento com o patriarcado, colocando o pai como sujeito de afeto para com a
família.
A compreensão do novo modelo de paternidade é chave de leitura para compreender
as relações contemporâneas. E a construção social do pai contribui também contribui para isso,
por ser fruto de um processo histórico-social que coloca e desloca o homem e suas relações
com família e filhos em diversas posições, traz elementos das relações contemporâneas.
Iniciado por uma concepção desprovida de afeto na antiguidade até a contemporaneidade, os
pais se tornam agentes de cuidado e assumiram afetivamente suas famílias. No contexto do
‘novo pai’, há oportunidade desse pai expressar sentimentos e viver a dimensão da
paternidade que possibilita ao homem a compreensão do cuidado, como formas de zelo com
os filhos, correspondente a inserção do pai na vida do filho o alimentando, educando e
oferecendo suporte afetivo (BUSTAMANTE, 2005).
Trata-se de um movimento de ressignificação da paternidade. Os pais do passado em
comparação com os pais atuais trazem transformações de posicionamentos. Balancho (2012)
aponta que os pais do passado eram marcados pela ausência e a afetividade era tida como
inexistente na visão dos filhos; ao tempo que os pais contemporâneos, segundo os filhos, são
compreensivos, presentes e abertos ao diálogo. A ressignificação da paternidade tem sido um
movimento que repercutiu nas relações familiares e de pais e filhos. E, as diferenças
atribuídas à paternidade apontam para o caráter afetivo nas transformações do homem na
família como pai.
Para Cúnico e Arpini (2013), os papéis e os princípios que colocam o pai e mãe como
provedores e socializadores possibilitam um espaço dentro do ambiente familiar de posturas
mais particulares e igualitárias. É importante salientar que a experiência dos homens em
relação à paternidade é sentida e vivida de modo muito particular, ou seja, não há um modelo
paterno único (CÚNICO e ARPINI, 2013). Mas, as dimensões de ser pai ainda são pouco
exploradas (SCHRAIBER, GOMES e COUTO, 2005), e esse hiato pode ser de grande valia
para o reconhecimento de formas mais presentes e equitativas de expressão da paternidade.
Desta forma, observa-se que a paternidade tem sofrido mudanças históricas e culturais
em sua concepção, as transformações sociais e a construção de um sentimento de família
13

transformaram o ideal de pai. Com a modernidade, Vieira, Bossardi, Bolze, Crepaldi e
Piccinini (2014) apontam que surgiram as mudanças familiares, questionando a concepção
tradicional que se tinha de pai. Essas modificações reverberaram nas formas de participação
paternas, especialmente no que tange os cuidados e o convívio com os filhos, que tem se
ampliado. Para Gomes e Alvarenga (2016), essa forma moderna de inserção do pai na vida
dos filhos vem repercutindo diretamente no desenvolvimento infantil. A diversidade de
experiências da paternidade na contemporaneidade tem ganhado destaque em diversas áreas
da Psicologia, desde estudos sobre a importância para o desenvolvimento do bebê, às questões
que atravessam as vicissitudes de ser pai.
Os modelos de paternidade contemporâneos são frutos de mudanças históricas e
sociais na família e na infância, Vieira, Bossardi, Bolze, Crepaldi e Piccinini (2014) apontam
que alguns aspectos do modelo paterno tradicional permaneceram, mas outros sofreram
ruptura com a modernidade. O modelo tradicional de pai concebido pelo poder patriarcal
incidia sobre a família e era reforçado pela sociedade, dando ao pai a posição de “autoridade
máxima”. Na contemporaneidade esse modelo vem sendo desconstruído e tem ganhado novos
formatos, a família ocidental hoje tem seu papel reconhecido no desenvolvimento infantil.
Scaglia (2012) realizou uma pesquisa buscando compreender o pai contemporâneo, e
constatou que o valor atribuído a paternidade se relaciona com a subjetividade da relação paibebê. E nesse sentido, a participação de todos membros da família nesse processo se faz
importante. Assim, a paternidade é pensada a partir de seu vínculo afetivo e efetivo em todas
as dinâmicas que atravessam a família, destituindo-o da posição de detentor da autoridade e o
colocando como parte de uma estrutura familiar, que é marcada por afeto e cuidado mútuo
entre os membros.
1.2 Paternidade: Revisão de Literatura
Esta revisão de literatura compreendeu artigos disponíveis para download na língua
portuguesa, a busca foi feita em três bases de dados (Scielo, Biblioteca Virtual de Saúde e
PePsic), no período de 2013 a 2018. Como descritores foram utilizadas as palavras “Pai” e
“Paternidade”. O critério de exclusão era o artigo não ter, pelo menos, um dos descritores no
título e o critério de inclusão focou artigos que abordavam a paternidade como um conceito
no tocante da relação entre pai-filho.
Como resultado inicial foram encontrados um total de 140 artigos nesta revisão. Sendo
61 da base de dados Scielo, 48 da Biblioteca Virtual de Saúde e 31 da PePsic. Após o
enquadramento nos critérios de exclusão/inclusão, descarte das repetições e a leitura dos
14

resumos, foram realizados refinamentos dos materiais, obtendo-se 81 artigos. E, chegando-se
à amostra final de 40 artigos após a leitura na íntegra.
Na amostra final foi possível observar que 30 eram da área da Psicologia, 4 da
Enfermagem, 2 da Psicanálise, 4 da Saúde Coletiva. Com relação aos locais onde os estudos
foram realizados, Rio de Janeiro teve o total de 9 artigos, seguido de Santa Maria com 6
artigos; Porto Alegre e Florianópolis com 4 artigos cada; Belo Horizonte, Campinas, São
Carlos e Maceió com 2 artigos cada; Aracaju, Pelotas, Recife, Ribeirão Preto, Rio Grande,
Salvador e São Leopoldo com 1 artigo cada; e as cidades Portuguesas de Évora e Vila Real
com 1 artigo cada.
A análise dos artigos possibilitou a identificação das seguintes categorias: paternidade:
a diversidade de sentidos e significados; constituição da paternidade desde a gestação;
paternidade, gênero e cuidado; paternidade e políticas de saúde; paternidade e separação
conjugal e; paternidade na adolescência.
1.2.1 Paternidades: a diversidade de sentidos e significados
Nos artigos de Bittencourt, Paraventi, Bueno, Sabbag, Schulz, Vieira (2015), Bueno,
Vieira e Crepaldi (2016), Cia e Barham (2014), Cúnico e Arpini (2013), Matos e Magalhães
(2014), Moreira e Toneli (2015), Neto e Magalhães (2014), Quintella (2014), Silva, Silva e
Bueno (2014) foi possível observar a diversidade de sentidos e significados inscritas no
fenômeno da paternidade.
Cúnico e Arpini (2013) apontam que a paternidade surgiu primeiramente ligada à
representação do soberano na época em que os reis se colocavam como as figuras mais
importantes politicamente e religiosamente na sociedade. E em menor medida os pais
reproduziam isso em suas esferas familiares, se colocando como soberano frente as famílias.
A partir do século XIX, com o surgimento dos direitos das crianças e dos adolescentes um
novo conceito de paternidade surgiu, distinto da soberania, se pautando nos deveres paternos
de manutenção da condição de vida do filho, educando e protegendo.
Matos e Magalhães (2014) pesquisaram a paternidade na contemporaneidade e
observaram que há uma ideia disseminada ao longo da década de 1990 do homem sensível
que encontra sua realização no relacionamento com a companheira e os filhos, nos quais estão
envolvidos emocionalmente por vínculos de amor e afeto. Contudo, observam que essa
concepção de paternidade está distante da realidade, e se tornou uma expectativa em vez de
uma expressão da realidade. Pois, a constituição da paternidade como um movimento em que
o pai traz suas ansiedades relacionadas ao filho e a ser um bom pai, ao tempo que é permeado
de sentimentos contraditórios às ansiedades.
15

Moreira e Toneli (2015) discutem que recentemente, atrelado à elaboração do Estatuto
da Criança e do Adolescente, o convívio com os pais se tornou também um direito da criança,
passando o convívio familiar a ser entendido como expressão de práticas afetivas, que rompe
com a ideia de família como coabitação. E coloca em cheque a posição de primazia da
ausência paterna, aquela em que o pai apenas vive na mesma casa do filho e não estabelece
práticas de cuidado e afeto. De maneira que, o direito da criança em conviver com os pais
amplia a paternidade, que não se restringe à satisfação das necessidades dos filhos, mas,
também se torna uma série de relações cotidianas que são adequadas a criança do ponto de
vista psíquico.
Bueno, Vieira e Crepaldi (2016) estudaram a transição para a paternidade, os sentidos
em ser pai e como esse pai se descreve, e compreenderam que a paternidade é vivida de
diferentes maneiras, sendo uma transição brusca para alguns homens, por considerarem que
não há um período concreto de preparação psicológica – como a gestação para a mulher. Ao
tempo que outros homens pensam a paternidade como um “marco” que transformou
radicalmente suas vidas. Já os sentimentos em ser pai se referem às emoções oriundas da
vivência da paternidade, a maioria dos pais da pesquisa afirmou ser uma boa experiência, e
todos concordaram com a definição de gratificante para experiência de ser pai. Os pais
entendem que são importantes para as crianças e se percebem como amigos dos filhos,
preocupados, atenciosos, carinhos, protetores, provedores e participativos.
A pesquisa de Silva, Silva e Bueno (2014) aponta que o processo de construção da
paternidade surge da relação entre pais e filhos, e torna-se uma relação primordial para o
desenvolvimento da criança. E algumas questões como o contexto social, no qual ocorre o
fenômeno da paternidade, os desdobramentos oriundos do nascimento da criança se tornam
fundamentais para compreender os pais nesse processo. Essa perspectiva compreende as
experiências vividas como filhos e como pai pelo mesmo sujeito influenciam a relação
construída com seus filhos na experiência da paternidade.
Ao analisar as expressões da paternidade vivenciadas por jovens adultos, Matos e
Magalhães (2014) expõem que o projeto de ter filhos e se tornar pai está ocorrendo cada vez
mais tarde nas classes médias da população. Diversos fatores influenciam essa decisão, como
a inserção no mercado e as exigências sociais, e o fato do filho se tornar uma escolha e não
mais uma etapa do ciclo vital.
Na pesquisa realizada por Cia e Barham (2014) foi possível observar que apesar das
mudanças nos papéis femininos e masculinos nas questões de maternidade e paternidade,
ainda é possível observar um menor envolvimento dos homens nas interações, nos cuidados
16

diários e na realização de atividades com os filhos. Ao tempo que destacam o momento
histórico de reconhecimento do envolvimento paterno como parte importante dos
investimentos familiares nas crianças. E evidenciam a importância do estabelecimento de
formas singulares dos homens de estabelecerem relação de proximidade com os filhos.
Por outro lado, Bittencourt, Paraventi, Bueno, Sabbag, Schulz e Vieira (2015)
analisaram as representações sociais da paternidade na coluna “Conversa de Homem” na
revista Pais & Filhos de 40 exemplares de 1969 a 2008. E discutem sobre um novo pai, nas
edições de junho a dezembro de 2006, que é participativo na educação e na vida dos filhos
desde a gravidez. Concluem que há importância da mídia na divulgação do que se denomina
de ‘novo pai’, nas transformações e no envolvimento paterno. E, que a partir do ano de 2004,
a paternidade começou a ser evidenciada na literatura brasileira.
Sob outra perspectiva, de base teórica da psicanálise com orientação lacaniana,
Quintella (2014) questiona o lugar que os filhos ocupam na relação com os pais, que aponta
para uma nova relação de autoridade. Na atualidade as expressões têm criado diferentes
modalidades e estabilidades na relação entre pai e filho, e à luz da psicanálise lacaniana
buscou compreender a diferença do pai enquanto lei simbólica e do pai como figura na família
que ancora o sujeito. De maneira que concluiu que, como pai imaginário temos a autoridade
da figura de alguém de carne e osso e, como significante do nome do pai tem-se a função
paterna que pode ser sustentada por qualquer cuidador que figure na família.
As pesquisas identificadas mostram que a paternidade assume figuras complementares
na vida dos sujeitos, e principalmente, se expressam de formas distintas para aqueles que
passam por esse fenômeno. A existência da criança se configura condição necessária para que
o sujeito se sinta pai. E, o reflexo do percurso histórico e da singularidade das experiências e
sentimentos dos homens fazem parte de sua experiência de paternidade.
1.2.2 Constituição da paternidade desde a gestação
Os artigos de: Belo, Guimarães e Fidelis (2015), Gonçalves, Guimarães, Silva, Lopes
e Piccinini (2013), Matos, Magalhães, Féres-Carneiro e Machado (2017), Soares, Christoffel,
Rodrigues, Machado, Cunha (2015), retratam a importância da constituição da paternidade
desde a gestação.
Soares, Christoffel, Rodrigues, Machado, Cunha (2015) apontam que a relação paibebê começa a existir antes da concepção no âmbito psíquico dos pais, pois vem do desejo
individual do homem desde sua infância em formar família e da relação paterna que tiveram.
Considera-se que desde a gestação a presença do pai é importante na formação psíquica do
filho, a participação do pai no período gestacional é significativa por refletir como será a
17

relação pai e filho no decorrer da vida. E ao falar da presença paterna na gestação também se
fala em sua participação nas consultas médicas e na busca do contato com o bebê que ainda
está na barriga da mãe. A pesquisa de Belo, Guimarães e Fidelis (2015) também corrobora
com essa discussão, apontando a importância do pai antes do nascimento do filho. A presença
paterna é benéfica antes da criança conseguir discerni-lo como pai. Nesse período da gestação
é que o homem desenvolve sua relação com o bebê, que o coloca no papel de pai.
A experiência do parto pode encorajar os homens a desenvolverem uma paternidade
mais participativa, envolvendo-se mais nos cuidados iniciais do bebê (MATOS,
MAGALHÃES, FÉRES-CARNEIRO e MACHADO, 2017). Segundo essa pesquisa, o parto
constitui uma possibilidade de amadurecimento pessoal e propicia reflexões sobre o valor da
vida e da relação conjugal. Os pais que participam dessa experiência tendem a considerar
como propulsora de sentido para paternidade. Contudo, de acordo com Gonçalves, Guimarães,
Silva, Lopes e Piccinini (2013), é com o nascimento que esse processo ganha maior impulso,
ao concretizar-se a relação direta entre pai e filho, de maneira que o interesse dos pais pelos
seus recém-nascidos se intensifica ao acompanhar as reações do bebê.
Pode-se então concluir que desde a gestação se estabelece os primórdios da relação
pai-bebê, e que isso corrobora para o desenvolvimento e a inserção do pai na vivência da
paternidade. E inicia a construção do vínculo que reverberará durante a vida do pai e do bebê.
Para os pais o parto e o nascimento como importantes marcadores na experiência da
paternidade.
1.2.3 Paternidade, gênero e cuidado
Nas pesquisas de Arruda e Lima (2013), Cortelo e Françozo (2014), Lucca e Petean
(2016), Medeiros e Piccinini (2015), Moreira e Toneli (2013), Moreira e Toneli (2014), Silva,
Gabriel, Cherer e Piccinini (2017), Silva, Melo e Pedrosa (2013), Silva e Santos (2014), Silva,
Girão e Cunha (2017), foram discutidas a paternidade relacionadas as questões de gênero
vinculadas a maternidade e o papel dos pais nos cuidados com os filhos.
Silva e Santos (2014) em sua pesquisa para analisaram a nova paternidade ao apontar a
ruptura do modelo de paternidade que distância o pai do cuidado dos filhos e o aproxima da
esfera laboral. Para isso foram entrevistados homens que descreveram a paternidade como
responsável pelos cuidados diários com as crianças, que vão de encontro à representação
social que coloca o homem no lugar de pouca participação efetiva e afetiva no cotidiano dos
filhos.
Na pesquisa de Moreira e Toneli (2013) foi possível evidenciar que o pai vai se
delineando para além de sua participação no cuidado infantil, mas, sobretudo, no
18

direcionamento ao que é ser um pai responsável. A paternidade é fruto da problematização e
da articulação entre as transformações contemporâneas e a emergência do pai como figura
importante na família e na sociedade, e os significados associados à responsabilidade nos
chamados pais responsáveis. Nesse sentido, para Moreira e Toneli (2014), a categoria “pai”
faz um movimento de construção, potencialização e/ou regulação pelas mesmas estruturas de
poder que buscam legitimação.
As novas concepções na paternidade trazidas por Arruda e Lima (2013) discutem que
os papéis estabelecidos para os pais e as mães são distintos desde os primórdios das
concepções de família, pois a maternidade e os cuidados têm sido naturalizados como
característica inerente à mulher e distante do homem. Em muitos grupos familiares a
paternidade ainda é exercida de maneira estereotipada, presa às diferenças biológicas
existentes entre homens e mulheres. Os homens conviveram com pais distantes e pouco
envolvidos afetivamente, que influenciaram de forma significativa na construção da
masculinidade e do modelo de paternidade que exercem. E, ainda que a mãe seja vista como a
principal cuidadora, existem pais que se esforçam para participar do desenvolvimento dos
filhos, se envolvendo no cuidado direcionado às crianças. É o que se tem chamado de
“paternidade participativa” e se caracteriza pelo envolvimento dos pais no dia a dia dos filhos,
em todas as esferas – desde educação à higiene (ARRUDA e LIMA, 2013).
Os pais estudados por Lucca e Petean (2016) compreendem que uma forma de
reafirmação da masculinidade se inscreve quando viram pai, porque concebem a paternidade
como uma função social de prover o lar e na colaboração com a família através da promoção
da educação e na participação ativa nos relacionamentos e no lar.
Rego, Souza, Rocha e Alves (2016) analisaram as opiniões dos pais sobre
amamentação e foi percebido que todos os pais entrevistados contribuíram para que esse
processo ocorresse de maneira tranquila e reconfortante para as crianças e as mães. A
colaboração paterna à amamentação também diz respeito a manutenção da casa, porque a
maioria dos pais apontou que a maior ajuda que poderiam dar às mães durante a lactação era a
manutenção e cuidado da casa, e o que isso era visto pelas companheiras com grande
satisfação.
A tradicional presença da mãe como cuidadora principal dos filhos contribuiu para
compreensão, como apontam Silva, Gabriel, Cherer e Piccinini (2017), de que a relação paifilho não seria de igual importância à relação mãe-filho no desenvolvimento infantil. Pois, nas
discussões de gênero são apontadas a importância da não adaptação de conceitos maternos
para paternidade, como se fosse possível. E, sim, compreender que a paternidade se trata de
19

um fenômeno próprio, com suas especificidades. As pesquisas realizadas por Silva, Gabriel,
Cherer e Piccinini (2017) têm focalizado a paternidade como prática e envolvimento do pai
com o filho formado por uma experiência de aspectos objetivos e subjetivos.
A articulação das discussões de gênero com as de cuidado, podem ser entendidas a
partir de pesquisas que analisam a paternidade através da relação de cuidado entre os pais e os
filhos. No estudo de Silva e Melo (2013) foram analisadas as relações entre pais e filhos que
tem câncer, demonstrando uma realidade que não tem sido contemplada pela literatura, mas
que aponta como o modelo tradicional ou patriarcal está pautado na ausência paterna nos
cuidados dedicados aos filhos com câncer. Os pais consideram uma experiência difícil, como
apontam Silva, Melo e Pedrosa (2013), por afetar seu estado emocional e o controle das
emoções, surgindo a necessidade de também mudar seu papel de provedor da família após o
diagnóstico do filho para lidar com o cuidado e enfrentamento a doença. Nos casos de bebês
prematuros que dependem de internação, Medeiros e Piccinini (2015) notaram que apesar dos
medos e angústias presentes no contexto da prematuridade, tem-se destacado que o pai
consegue se envolver com seu bebê afetivamente. Nos casos dos bebês hospitalizados, os pais
que tinham oportunidade de conhecer seus filhos já tinham o vínculo pai-bebê favorecido pelo
estabelecimento do primeiro contato.
Silva, Girão e Cunha (2017) destacam a importância do reconhecimento dos
sentimentos paternos para reconsiderar o papel do pai nos modelos de cuidados familiares –
antes direcionados apenas para mãe; e na pesquisa sobre a paternidade nos casos de má
formação compreendeu-se que os sentimentos paternos são atravessados pela experiência da
notícia no primeiro momento, mas que após a compreensão da condição física do filho, os
pais repensam seu modelo de cuidado familiar e se inscrevem de maneira mais efetiva.
Já o caso dos filhos surdos algumas peculiaridades são trazidas por Cortelo e Françozo
(2014), como a importância da presença do pai desde as primeiras suspeitas até a confirmação
do diagnóstico da surdez. Foi observado pelos autores que o pai, ao receber o diagnóstico,
tenta encontrar explicações e justificativas que o descaracterizem a suspeita de surdez, que
por vezes ocasionavam comportamentos de raiva frente a equipe de saúde que cuidava das
crianças. Somente após esgotarem todas as possibilidades do diagnóstico de surdez, como
repetição de exames e consultas com diferentes profissionais, os pais começam a vivenciar a
aceitação do filho. De maneira que a relação ganha um novo caráter com o pai presente nos
cuidados com os filhos e em sua reabilitação, transmitindo apoio paterno e incentivo para o
filho explorar suas potencialidades.
20

Conclui-se que paternidade e problemas de saúde dos filhos são permeadas por
tensionamentos que se expressam nos pais através da dificuldade de aceitação, angústias,
medo e situações de crise que refletem em respostas particulares de cada relação pai-filho.
Mas, que ao mesmo tempo enfoca a função de destaque do pai na contribuição do tratamento,
incentivo ao desenvolvimento e até cura da criança – quando possível. Com a mudança nesse
paradigma do cuidado, que inclui o pai e desloca a mãe do lugar de principal cuidadora, o
aumento dos estudos sobre o pai e sua importância no desenvolvimento infantil, observa-se
uma maior equidade na participação do pai na vida dos filhos.
1.2.4 Paternidade e Políticas de Saúde
Gomes, Albernaz, Ribeiro, Moreira e Nascimento (2016), Jager e Dias (2015), Ribeiro,
Gomes e Moreira (2015), Ribeiro, Gomes e Moreira (2017), Soares, Christoffel, Rodrigues,
Machado, Cunha (2015) analisaram as políticas de saúde destinadas a paternidade, seus
objetivos, ações e estratégias.
Jager e Dias (2015) investigaram como os adolescentes de classes populares
vivenciam a paternidade, com base na identificação de demandas que resultantes das políticas
públicas e práticas de saúde direcionadas a adolescentes. E constataram que há negligência
por parte das políticas públicas da discussão sobre paternidade se tratando de adultos ou
adolescentes, pois não existem definições e conceituações sobre paternidade nas políticas, e,
sim, alguns elementos que citam a paternidade como possibilidade na vida do homem. No
caso dos adolescentes de classes populares, especificamente, as políticas públicas que
deveriam considerar as especificidades de seus contextos nem os citam, e que envolvem o
provimento da família por parte dos pais, e que por vezes os fazem deixar em segundo plano
seus caminhos de realização pessoal em prol da manutenção financeira familiar. Nesse ponto
as políticas públicas não têm oferecido aparatos necessários para exercício da paternidade no
âmbito da saúde pública.
O estudo de Christoffel, Rodrigues, Machado e Cunha (2015) reitera a necessidade e o
fortalecimento da participação e inclusão do homem nas ações de planejamento sexual e
reprodutivo, incluindo a paternidade responsável na Política Nacional de Atenção Integral à
Saúde do Homem lançada em 2008 pelo Ministério da Saúde. Os autores trazem a experiência
da paternidade de bebês que nasceram em gestações de risco e apontam que atualmente os
hospitais maternidades oferecem serviços de assistência mais humanizados exclusivamente
para as mães e os bebês. E, mesmo com a humanização o lugar do pai ainda não está
delimitado nas maternidades por não ser possível que os pais participem integralmente do
nascimento dos filhos. Colocando assim a equipe de saúde como responsável por informar ao
21

pai sobre o nascimento e o estado de saúde do filho. Logo, descola a paternidade do parto e
coloca o pai no lugar distante no momento do nascimento do filho.
Gomes, Albernaz, Ribeiro, Moreira e Nascimento (2016) apontam em sua pesquisa
que a saúde sexual e reprodutiva é diferente da paternidade. A primeira, saúde sexual e
reprodutiva, está associada ao direito do indivíduo em planejar a constituição ou não de sua
família, podendo aumentar, limitar ou evitar filhos. Ao tempo que a paternidade surge como o
envolvimento dos homens e a possibilidade de desejo desses sujeitos no que se refere à
gravidez, ao parto e aos relacionamentos com os filhos. Ou seja, há uma distinção conceitual
entre saúde sexual e reprodutiva, que é um direito do indivíduo, com a concepção de
paternidade, que é um fenômeno vivido pelo homem por meio da relação com o filho.
A Rede Cegonha é uma estratégia que visa promover e valorizar a paternidade como
aspecto relevante na promoção da saúde sexual e reprodutiva do homem, Ribeiro, Gomes e
Moreira (2015) apontam que a busca por melhorias da assistência pré-natal passa pela
implementação da participação paterna nesse processo. As políticas de saúde ainda
apresentam lacunas, por não haver uma definição do pai concreta e nem sua delimitação na
relação de promoção a saúde do bebê e da mãe.
Em outra pesquisa, os autores Ribeiro, Gomes e Moreira (2017) destacaram algumas
experiências paternas da Política Nacional de Atenção Integral a Saúde do Homem como: Prénatal Masculino, Pré-natal do Parceiro e as Unidade de Saúde Parceiras do Pai; e
identificaram o pré-natal como um momento importante para inclusão dos pais na assistência
em saúde. Mas, apontam que essas estratégias não definem ou não trazem diretrizes para a
promoção da paternidade para a saúde do pai, compreendendo a paternidade como um
elemento que compõe a promoção de saúde da mãe e do bebê.
O Pré-natal do Parceiro é um programa criado pelo Ministério da Saúde em 2016 e
consiste em uma ferramenta de inclusão dos pais no acompanhamento do pré-natal. A
proposta consiste nas ‘portas de entrada’ aos serviços ofertados pela Atenção Básica em saúde,
e enfatiza ações orientadas à prevenção, à promoção, ao autocuidado e à adoção de estilos de
vida mais saudáveis (BRASIL, 2016). Na prática, os pais que acompanham as mães nas
consultas do pré-natal são acolhidos pela equipe de saúde da família, realizam exames rápidos
de prevenção (como hipertensão e diabetes) e recebem orientações sobre os direitos e deveres
relacionados a paternidade, bem como sobre autocuidado e controle reprodutivo.
Nesse sentido, é possível concluir que a saúde coletiva tem reconhecido a importância
do pai em suas políticas, ainda que sejam práticas novas e incipientes. E abrem possibilidades
de planejamento sexual e reprodutivo, que de algum modo incidem em gestações planejadas e
22

controle de natalidade das famílias, com participação igualitária entre o pai e a mãe. Contudo,
o conceito de paternidade durante o pré-natal ainda é compreendido pelas políticas públicas
como um elemento secundário na gestação, como os pais sendo ajudantes das mães durante o
processo gestacional. Não há uma análise das experiências dos pais que vivenciam a gestação,
que se dá de maneira plural e distinta das mulheres - principalmente por não carregar os bebês
em suas barrigas, e, que ainda assim, precisam de assistência psicossocial e políticas públicas
que os contemplem e discutam sua coparticipação gestacional sem o reducionismo da ajuda a
mãe e ao bebê. O mesmo ocorre na PNAISH (2008), na qual o termo paternidade só aparece
quatro vezes e todas relacionadas a um direito do homem, porém sem definições ou
discussões sobre os direitos e deveres dos homens, bem como sem a definição de como a
paternidade é entendida pela política de saúde.
1.2.5 Paternidade e separação conjugal
Nessas pesquisas foram discutidos os impactos e os desdobramentos da ausência
paterna na vida dos filhos, e repensando o efeito da separação conjugal nos casos de ausência
paterna (CÚNICO, ARPINI e CANTELE (2013), CÚNICO e ARPINI (2016), DAMIANI e
COLOSSI (2015), MELO, MOTA e SILVA (2014)).
Em casos onde há separação conjugal a função paterna é vista sob outra égide, Cúnico
e Arpini (2016) entrevistaram mulheres que são chefes de família sobre a paternidade e
observaram que para elas a tarefa do pai de educar sobressaia a de prover, colocando o pai na
função de participação efetiva na dinâmica familiar mesmo com a separação conjugal. Mas, a
partir de suas experiências com os ex-companheiros, as mães foram unânimes em afirmar que
as paternidades exercidas por eles eram distantes, sem comprometimento com cotidiano,
saúde e educação dos filhos, e pelo não pagamento de pensão. Melo, Mota e Silva (2014)
também analisaram essa experiência, e através do estudo de caso concluíram que a distância
paterna advinda da separação conjugal resultou em alteração na dinâmica familiar e
dificuldades associadas ao filho como ansiedade e preocupação no futuro. Ocasionando
também a manifestação da vontade da criança em enfrentar problemáticas familiares e
assumir o lugar paterno na família.
Há uma crise na paternidade pelo fato de os pais não assumirem ou não reconhecerem
para si o direito de participar ativamente da formação e desenvolvimento de seus filhos no
momento após separação (CÚNICO, ARPINI e CANTELE, 2013). A importância paterna no
ambiente familiar se torna referência também nas questões emocionais, sociais, afetivas e
cognitivas dos filhos. Corroborando com isso, a pesquisa de Damiani e Colossi (2015) aponta
que a ausência paterna é pensada como promotora de padrões de interação disfuncionais,
23

ocasionando prejuízo na conquista da autonomia por parte dos filhos. Na infância, a ausência
paterna decorrente da separação conjugal pode ser percebida pelos filhos de formas diferentes,
e que terão repercussões particulares em cada processo de desenvolvimento. De um modo
geral são percebidas como negativas, uma vez que se compreende a presença do pai como
importante no desenvolvimento das crianças. Segundo Damiani e Colossi (2015), o núcleo de
confiança dessa criança que vive a experiência da ausência paterna fica esvaziado, refletindo
nas relações de confiança com outras pessoas.
E, compreende-se que a ausência paterna é um fator desencadeador de inúmeras
questões no desenvolvimento dos filhos. Sinalizando para uma crise quando não existe, por
parte dos pais, o reconhecimento da importância de sua participação no desenvolvimento dos
filhos. Os fatores como a separação conjugal se tornam elementos que resultam em
desinvestimento por parte dos pais com os filhos.
1.2.6 Paternidade na adolescência
As pesquisas de Correa, Meincke, Schwartz, Oliveira, Soares e Jardim (2016), Jager e
Dias (2014), Jager e Dias (2015), Paulino, Patias e Dias (2013), Dei Schiro e Koller (2013)
analisaram a paternidade e a maternidade adolescente e suas implicações. As pesquisas que
discutem a paternidade e adolescência são importantes contribuições para a temática que
estudamos por investigar o fenômeno psicossocial da paternidade e os desdobramentos com a
maternidade adolescente.
Jager e Dias (2015) realizaram um estudo longitudinal com adolescentes que
perceberam a paternidade após o nascimento do bebê e depois de seis meses de vida da
criança, e concluíram que com o passar dos meses os adolescentes notaram seu
amadurecimento pessoal e crescimento pelo aumento das responsabilidades e nas
modificações que ocorreram em suas dinâmicas familiares e sociais. Nesse período já
conheciam suas responsabilidades sociais, financeiras e de cuidados do bebê. Na perspectiva
de adolescentes de baixa renda o trabalho aparece como a maior responsabilidade referente a
manutenção do bebê, pois com a gestação se tornam, na maioria dos relatos da pesquisa,
responsáveis financeiros da família - que inclui o bebê e a mãe. Já em relação ao
comportamento adotado pelo adolescente nos casos de gestação é possível perceber na
pesquisa que alguns comportamentos como assumir a paternidade após a gestação são comuns
aos adolescentes em geral. Mas, que outros comportamentos como assumir o sustento da
família vão depender das vivências, exigências e expectativas culturais e sociais dos contextos
que estão inseridos, fazendo com que a experiência da paternidade assuma diferentes
significados para os jovens. Nesse sentido é possível destacar, como aponta Jager e Dias
24

(2014), que os pais podem se envolver na gestação de sua companheira participando dos
cuidados do bebê após o nascimento, e, pressupõe que a paternidade não está apenas em
atender as necessidades paternas, mas, sim, em atender as necessidades da criança.
Dei Schiro e Koller (2013) realizaram uma análise da gravidez fazendo um
comparativo entre as adolescentes e os adolescentes e constataram que para as meninas a
gravidez é vista como caracterização de vergonha, enquanto os meninos a descreveram como
preocupante. Os adolescentes associavam a gravidez à necessidade de trabalho como forma de
assumirem sua paternidade. Paulino, Patias e Dias (2013) também destacam a preocupação, e
acrescentaram medo, insegurança e alegria pelos relatos dos pais que receberam a notícia da
gestação como algo inesperado. Ao tempo que observou em sua pesquisa que os pais
adolescentes entrevistados tinham a compreensão do pai como provedor. Para esses jovens ser
pai significava trabalhar para prover a criança, educar e oferecer carinho e atenção. O
sentimento de preocupação desses adolescentes diante da notícia da gravidez parece ser
justificado, uma vez que esses pais indicam que ainda não estão totalmente preparados para
assumir sua nova condição, e já reconhecem que algumas responsabilidades os esperam
(PAULINO, PATIAS e DIAS, 2013).
Correa, Meincke, Schwartz, Oliveira, Soares e Jardim (2016) apontam que o processo
de se tornar pai causa mudanças e readaptações para o adolescente, e está atravessado de
sentimentos e responsabilidades atreladas a construção de novas representações sociais e
reorganização da própria vida. Dois dos adolescentes entrevistados relataram aos autores que
com a gravidez sentiram-se obrigados a abrir mão de algumas vivências que faziam parte de
sua adolescência para assumir uma nova perspectiva de vida, de ser pai. A chegada da criança
modifica o adolescente ao fazê-lo compreender que ele é menos adolescente e filho para se
tornar adulto e pai, trazendo a sua vida novas tarefas e responsabilidades.
Observou-se que a paternidade adolescente é atravessada por dois processos
simultâneos: adolescer e ser pai; que convidam o adolescente a criar estratégias para atender
estas demandas simultâneas. Além de implicar em uma nova maneira de se relacionar com a
família e a responsabilidade financeira que assume dentro de alguns contextos. Sendo, assim,
a paternidade adolescente é constituída de uma diversidade de experiências que variam
psicossocialmente para cada adolescente.
1.3 Gravidez na Adolescência e Paternidade
A Organização Mundial de Saúde descreve a adolescência como o período da vida que se
inicia cronologicamente aos 10 anos e se conclui aos 19 anos completos. Para Eisenstein
(2005) e Tanner (1962), a adolescência é o período que ocorre a transição da infância para
25

vida adulta, e se caracteriza por impulsos do desenvolvimento físico, mental, emocional,
sexual e social. Leitão (2011) compreende a adolescência como um fenômeno psicológico e
social, construído histórica e culturalmente.
Knobel (1981/2003) define adolescência como momento em que se vivencia
desequilíbrios e instabilidades na conduta de maneira aceitável, uma vez que fazem parte do
momento em que o indivíduo está constituindo suas vivências necessárias para alcançar a
maturidade. Nomeando assim, a “síndrome normal da adolescência” (KNOBEL, 1981/2003)
na busca de si e da identidade que o adolescente vivencia.
Nesta pesquisa foi adotado para os adolescentes a faixa etária estabelecida pela OMS. E
a conceituação de adolescente a partir da teoria de Donald Woods Winnicott, que se pauta na
compreensão de que o crescimento não é apenas uma questão de tendência inata
(WINNICOTT, 1971/1975). Para Winnicott (1971/1975), a adolescência é um período de
desenvolvimento do sujeito em que a imaturidade é elemento essencial de saúde, que só é
curada pela maturidade que a passagem do tempo traz aos indivíduos no processo de
amadurecimento pessoal. Em algumas situações excepcionais a imaturidade é substituída pela
maturidade por situações adversas como questões financeiras e desdobramentos familiares.
Durante o tempo de crescimento dos indivíduos a responsabilidade do cuidado deve ser
das figuras parentais (ZANETTI e CIANCA, 2017). Mas, caso o pai e mãe abdiquem,
Winnicott (1971/1975) defende que os adolescentes passam por uma falsa maturidade e
perdem sua maior vantagem: a liberdade de ter ideias e agir seguindo seus impulsos. Ainda
segundo Winnicott (1956b/2000) a criança chega à adolescência um método pessoal que
atende seus novos sentimentos, suportar situação de apuros e resistir a própria ansiedade. No
entanto, mesmo com um ambiente muito facilitador o adolescente ainda enfrenta muitos
problemas pessoais e fases de difícil transposição (WINNICOTT, 1956b/2000). Segundo Dias
(2003), a adolescência é um período particularmente difícil para aqueles indivíduos que não
tem um bom início e sofrem a ameaça de desintegração, pois a adolescência o arrasta para
beira do colapso. E para aquelas que tiveram um bom começo, com ambiente familiar
confiável, o tempo se encarrega de seu desenvolvimento. Os cuidados iniciais são primordiais
para a formação psíquica dos indivíduos (CAMBUÍ, 2016).
Winnicott (1965/2005) considera a adolescência uma fase de crescimento normal onde
os indivíduos se tornam adultos, cobrindo o período de puberdade e incluindo a socialização
do adolescente e da adolescente. A socialização que trata não se refere à adaptação e
conformidade ao que está posto, mas, socializar no sentido de tornar-se capaz de assumir
responsabilidades e ajudar a manter ou modificar o legado deixado pela geração anterior. De
26

maneira que é possível compreender que a maturidade no contexto da adolescência se refere a
uma autonomia relativa e a responsabilidade dos atos adolescentes. E segundo Winnicott
(1971/1975) em alguns casos na adolescência há maturidade em função do sexo e do
casamento, nos casos de adolescentes que se tornam pais como seus próprios pais.
Em Adolescentes: transpondo a zona de calmaria, Winnicott (1956b/2000) aponta que
durante a adolescência os jovens não querem ser entendidos, e se trata de um momento que é
vivido de maneira efetiva e de descoberta pessoal. Neste estágio os indivíduos estão
engajados em uma experiência viva, no problema de existir (WINNICOTT, 1956b/2000).
Além de marcar inúmeras transformações físicas, psíquicas, biológicas e na vida social dos
jovens. Na potência física se estabelece o poder de procriar ou matar, isso ocorre porque o
adolescente nesse estágio de desenvolvimento sinaliza que demanda menor necessidade de
proteção da família, e começa a buscar sua independência – que se dá pelos grupos de amigos
e pares (OUTEIRAL, 2001). No período de latência e durante a puberdade, o adolescente tem
na sua linguagem a motivação inconsciente da própria adolescência e da sociedade que o
ajuda em seu desenvolvimento, visto que a transformação como nova fase do
desenvolvimento se faz em detrimento da anterior.
No entanto, a maturidade sexual não está relacionada à fase de início da vida sexual do
adolescente. A maturidade nesse caso envolve toda fantasia inconsciente do sexo, e o
indivíduo, em última análise, deve ser capaz de chegar a uma aceitação da escolha de objeto,
constância objetal, satisfação sexual e o entrelaçamento sexual (WINNICOTT, 1971/1975).
Para Leitão (2011), Winnicott descreve a adolescência como uma fase de crescimento normal
que compreende a puberdade e suas inerentes mudanças sexuais.
Nesse sentido, a adolescência é um período de transformações em todos os âmbitos
que atravessam os jovens e que faz parte do processo de amadurecimento pessoal em seu
percurso natural. Por ser marcado por tantas transformações torna-se um momento complexo
por refletir o trajeto inicial de desenvolvimento do indivíduo. Os pais desde os primeiros
cuidados na vida do bebê produzem efeitos nos filhos que são trazidos à tona na adolescência.
E as modificações corpóreas, biológicas e hormonais características dessa fase, puberdade,
também trazem elementos a vida desses indivíduos. Sendo a maturidade um ponto que se
destaca na análise de adolescência para Winnicott (1956b/2000) por compreender que a
imaturidade é elemento de existência desse indivíduo que passa pelo processo de
amadurecimento pessoal e alcança a maturidade.
Durante a adolescência existe a possibilidade de acontecer uma gestação, momento em
que o indivíduo vivenciará experiências simultâneas: adolescência e gestação. Essa
27

possibilidade de gestação na adolescência faz parte da realidade social do mundo e pode ser
expressa em dados que mostram sua grande ocorrência. Segundo o Banco Mundial (2016), no
ano de 2014, as grávidas que tinham entre 15 e 19 anos faziam parte de cerca de 44% da
população mundial a cada 1000 mulheres. A América do Sul está em segundo lugar do mundo
no ranking do Relatório do Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (2016), foram 65 gestações a cada 1000 meninas no período de 2006 a
2015. Conforme dados do relatório Mundos Distantes: saúde e direitos reprodutivos em uma
era de desigualdade da UNFPA (2017), o Brasil, sendo o país mais populoso da América
Latina e Caribe, tem a sétima maior taxa de gravidez adolescente da América do Sul, e a
Venezuela o país com a maior taxa da América do Sul.
Em Alagoas, segundo o mapa da gravidez produzido por Guedes (2016), houve
redução no número total de nascimentos de bebês vivos no Estado, ao tempo que o número de
bebês nascidos vivos de mães adolescentes, com até 14 anos, aumentou em Alagoas no
mesmo período. E nos municípios litorâneos existem as maiores taxas de fecundidade
adolescente (GUEDES, 2016). Para o DATASUS (2015), nos anos 2000 a taxa de
fecundidade em cada mil mulheres de 15 a 19 anos era de 99,71, em 2010 passou, na mesma
faixa etária, para 79,16 - diminuindo a taxa de fecundidade. Ainda segundo dados do
DATASUS (2015), houve aumento na faixa etária de 10 a 14 anos, passando de 4,8 em 2000
para 5,0 em 2010 a cada mil mulheres. A UNFPA em seu relatório Motherhood in Childhood:
facing the challenge of adolescent pregnancy (2013) aponta que a gravidez adolescente é uma
causa e uma consequência da violação de direitos que as jovens sofrem, pois, ao engravidar
elas têm seu exercício de direitos à educação, saúde e autonomia cessados. Ao tempo que,
quando não tem acesso aos seus direitos básicos tornam-se mais vulneráveis a engravidar
durante a adolescência.
A gravidez na adolescência para UNFPA (2013) tem consequências imediatas e
duradouras para saúde e educação da adolescente, alternando, muitas vezes, o curso de sua
vida. Apontam que um a cada cinco bebês que nasceram no Brasil, em 2016, é filho de mãe
adolescente (UNFPA, 2017). A gravidez pode ser vivida de várias formas, mas na
adolescência pode estar relacionada à falta de informação, educação sexual, planejamento
reprodutivo e ligados aos status sociais, de acordo com a UNFPA (2013) para muitas
adolescentes a gestação pode ser uma tentativa de sustentar o lugar social de respeito dentro
de seus contextos – que são sobretudo marcados por desigualdades de gênero, raça e classe
social. Para Alves, Oliveira, Caldas e Nobre (2016), UNFPA (2017) e Almeida (2018), a
gravidez na adolescência modifica os projetos de vida das adolescentes e pode contribuir para
28

o abandono escolar, continuação dos ciclos de pobreza, manutenção da desigualdade e da
exclusão.
Em um estudo realizado por Miura, Passarini, Ferreira, Paixão, Tardivo e Barrientos
(2014), os autores analisaram o caso de uma adolescente que vivenciou situações de violência
intrafamiliar no decorrer de sua vida e na adolescência acabou vivenciando situações
turbulentas com o uso abusivo de drogas lícitas e a gravidez, afetando tanto a saúde da
gestante quanto do bebê.
Carvalho (2012) traz que a gravidez gera alterações no papel social da mulher em
qualquer idade que aconteça, mas, na adolescência ocorre uma superposição de ciclos vitais
de quando está se passando de um organismo infantil para um organismo adulto. Em Mendes,
Pires, Soares e Sampaio (2016) a gravidez na adolescência tem repercussões nos planos de
vida das jovens em dois sentidos: redução de oportunidades educacionais; e por outro lado,
como uma gestação que pode ser desejada na adolescência, sendo associada à maturidade e
responsabilidade.
Salcedo-Barrientos, Miura, Gemma, Almeida e Tardivo (2013) compreenderam em sua
pesquisa com adolescentes grávidas que durante o processo gestacional muitas modificações
ocorrem, e estas variam desde a não aceitação da gravidez até a necessidade de desenvolver a
responsabilidade da maternidade. Para Costa, Siqueira, Rocha, Costa e Branco (2018), que
também realizaram pesquisas com adolescentes grávidas, a experiência da gravidez está
inscrita no universo de gerar e cuidar de outro ser que é dependente, e ao mesmo tempo como
adolescentes revivem seus conflitos pulsionais e existenciais comuns a adolescência.
As implicações para a mãe são inúmeras e desvelam uma ambivalência na situação
vivenciada pelas adolescentes, que de acordo com Carvalho, Merighi e Jesus (2009), passam a
lidar com dois novos papéis sociais simultâneos, adolescer e ser mãe. A gravidez adolescente
como um período de desenvolvimento conjunto entre gestar o bebê e adolescer da mãe será
adotada como a concepção que norteará essa pesquisa. E, compreendendo a gravidez
adolescente como aquela que ocorre entre 10 e 19 anos da mãe como compreendido pela
Organização Mundial de Saúde.
Miura, Tardivo e Barrientos (2017) pesquisaram adolescentes grávidas que estavam
acolhidas institucionalmente e por três histórias foi possível compreender as peculiaridades
deste recorte. As experiências de violência intrafamiliar que as adolescentes vivenciaram em
sua infância reverberaram no processo de amadurecimento das gestantes e a adolescência
trouxe à tona reedições das experiências com a gravidez. Cada uma lidou com a experiência
de união mãe-filha(o) à sua maneira (MIURA, TARDIVO e BARRIENTOS, 2017). E, a
29

grande contribuição é o olhar para as relações que as grávidas tinham com seus companheiros,
na qual a maioria aceitou a gestação e grande parte dos companheiros acompanhou até os
nove meses. Assim, sinalizou que os pais dos bebês, também adolescentes, estavam
experienciando sua paternidade.
Sob outra perspectiva, Godinho, Schelp, Parada e Bertoncello (2000) analisaram as
redes de apoio buscadas pelas adolescentes grávidas e observaram que além da família, o pai
ainda que adolescente, constitui essa rede. Os adolescentes que vivaram pais tiveram difícil
aceitação da gestação porque muitos não desejavam e não queriam a gravidez (GODINHO,
SCHELP, PARADA e BERTONCELL, 2000). Mas, passada a fase de aceitação, os pais
adolescentes mudaram seus posicionamentos e começaram a fazer parte da rede de apoio
dessas mães. Nesse movimento assumir o bebê se tornou um marcador da aceitação por partes
dos pais a gestação das adolescentes.
Nos casos em que os pais não são adolescentes e vivem a experiência da gravidez da
mãe adolescente a discussão surge sob outro viés, que os companheiros e as mães são as
principais redes de apoio das adolescentes (MOREIRA e SARRIERA, 2008). Para
Cremonese, Wilhelm, Prates, Paula, Sehnem e Ressel (2017), tem-se verificado que o homem
tem atuado para além do suporte econômico da família, tem ajudado na alimentação e no
cuidado com o bebê. Na mesma pesquisa também foi observado que outra parcela das
gestantes adolescentes não podia contar com a ajuda dos companheiros, como relatado por
algumas adolescentes que não receberam nenhum tipo de apoio dos companheiros. De
maneira que possível compreender que existem dois posicionamentos distintos dos pais: ser
ou fazer parte da rede de apoio da adolescente grávida, ou, se ausentar e não participar dos
cuidados e nenhum outro tipo de apoio.
Outra configuração que pode ser observada é o das gestantes que não tem
companheiros. Segundo o estudo realizado por Moraes e Ceccim (2017), 48% das
adolescentes grávidas com idades entre 18 e 19 anos não tinham companheiros e desse total,
28% já tinham pelo menos uma gravidez anterior. Sendo, ainda 14% das respostas da pesquisa
sobre a mudança no relacionamento após a gravidez, que o companheiro foi embora. No
estudo de Carniel, Zanolli, Almeida e Morcillo (2006) foi observado um dado semelhante,
59,9% das adolescentes grávidas não tinham companheiros. Godinho, Schelp, Parada e
Bertoncello (2000) constataram que as falas dos companheiros que não assumiram as
gestações das adolescentes foram: “a gravidez foi sem querer”, “ele acha que não é dele”, “ele
não gosta de mim” e “ele fala besteiras para mim’. E partem do princípio que assumir os
filhos é um dever do pai, para as mães adolescentes a gravidez é um “problema” só delas. Por
30

isso, a aceitação por parte dos pais se torna apoio a uma situação que é da mãe (a gestação).
Os pais entrevistados não eram adolescentes, foram pais adultos que assumiram as gestações e
configuraram uma amostra privilegiada no sentido de que os pais se colocaram a fornecer o
apoio as mães gestantes, dentro de suas possibilidades.
1.4 A Paternidade na Perspectiva Winnicottiana
A paternidade como processo psicossocial pode ser percebida na teoria de Winnicott,
apontando que a presença do papel paterno é fundamental no processo de amadurecimento do
indivíduo. A teoria winnicottiana traz a compreensão de que o humano é indivíduo que vive
em continuidade, desde o nascimento até a morte, se forma no contato social e em seu
ambiente que permeia a relação com o outro e consigo (OLIVEIRA, 2014). Dias (2010)
aponta que a ética do cuidado depende da compreensão que se tem de cuidado, que em
Winnicott dependência e confiabilidade são palavras do campo semântico do cuidado, sendo
parte de todos os âmbitos por se tratar das necessidades vitais do ser humano. E isto na ética
do cuidado se relaciona com a preservação da vida, dos interesses vitais de autonomia e
adequação ao princípio de realidade, sendo a questão central a dignidade do indivíduo como
pessoa (DIAS, 2010). Assim, a ética do cuidado é uma relação de dependência e confiança
que os indivíduos estabelecem a partir de suas necessidades vitais com autonomia.
Para Winnicott (1988/1990), a saúde é a continuidade do ser, e nisso se inscreve “ser”
e continuar “sendo” como uma necessidade na qual a saúde corresponde a uma possibilidade.
E, “ser” na teoria de Winnicott tem um sentido específico, de acordo com Fulgêncio (2011),
significa ser por si mesmo diferente de algo projetado ou empurrado pelo ambiente. Uma ética
do cuidado construída tanto pela noção de saúde que Winnicott tem em mente – com a
questão do ser, da continuidade de ser, da criatividade e da espontaneidade, da dependência e
da independência, da sustentação ou invasão do ambiente, do brincar e da submissão, etc. –
quanto pela consideração das determinações inconscientes que estão na base dos modos de ser,
patológicos ou não (FULGÊNCIO, 2011). Para Garcia (2011), o cuidado está na origem do
desenvolvimento da capacidade do senso ético do indivíduo, e por isso a teoria do
amadurecimento de Winnicott não é apenas pessoal, e, sim, social também.
Leitão (2007) aponta que na abordagem relacional do desenvolvimento moral de
Winnicott a ética se refere fundamentalmente à preocupação, responsabilidade e cuidado. E
que, nas relações interpessoais que se constrói o desenvolvimento do senso moral, que
consiste na capacidade de se preocupar genuína e positivamente com o outro (LEITÃO, 2007).
Pensar a ética como preocupação, responsabilidade e cuidado é pensar o indivíduo que passa
por um processo de desenvolvimento emocional e que tem estágios que demandam
31

preocupação (materna primária), responsabilidade (dos pais com o bebê) e no cuidado que
rege todos os momentos da vida do indivíduo.
Diante disso, o pai e suas diversas facetas são de grande importância para a criança
desde seu nascimento até seu processo de desenvolvimento e amadurecimento pessoal. Os
cuidados paternos surgem na gestação, colocando a mãe e o pai no período de preparação para
receber o bebê. Segundo Winnicott (1966/1999), o pai ajuda a criança indiretamente ao
amparar a mãe, para que ela se sinta feliz com seu corpo e em seu espírito. Essa abordagem
constitui a base teórica utilizada na investigação da paternidade na gravidez adolescente desta
pesquisa.
A figura paterna é de vital importância para o bebê, inicialmente através de seu apoio
material e emocional à mãe e, gradualmente, de acordo com Winnicott (1951/1975), na
relação direta com o filho. O bebê tem potencial herdado dos pais que significa sua tendência
inata ao desenvolvimento e crescimento para Winnicott (1960/1983). O pré-natal e as
primeiras horas de vida são fundamentais para o desenvolvimento da criança nessa linha
teórica (CASTOLDI, 2002). Em sua teoria, Winnicott analisou a paternidade em diversos
aspectos, cada fase do desenvolvimento é marcada por uma forma de pensá-la. Nos períodos
iniciais da vida da criança o pai, segundo Winnicott (1956a/2000), tem a função de uma “capa
protetora” que permite a mãe viver seu estágio de preocupação materna primária, que consiste
na identificação da mãe com o bebê de maneira que ela reconhece aquilo que o filho sente e
precisa através de uma relação recíproca e complementar. No estágio da dependência relativa
o pai começa a ser reconhecido pela criança como ser humano, Winnicott (1962/1983) e a
criança começa a conseguir adquirir consciência de seus estados internos. No Complexo de
Édipo o pai assume novas configurações, e para Winnicott (1960/2003) com sorte o papai será
amado e poderá punir a criança quando o princípio do “não” estiver consubstanciado no
próprio pai. E para adquirir esse direito do “não” o pai precisa se fazer presente no lar. Alguns
desses estágios serão mais detalhados a seguir.
Desse modo é possível compreender que para pensar a função paterna na teoria de
Winnicott é imprescindível iniciar pela ideia que, como aponta Battagliese (2011), a vida do
bebê começa como unidade da qual não tem consciência e está inscrita na relação mãe-bebê.
O bebê quando nasce não constituiu uma unidade em si, essa diz respeito à organização do
indivíduo com o ambiente (WINNICOTT, 1945/2000), unidade. O bebê depende da
disponibilidade de um adulto que se preocupe e lhe dispense cuidados, que contribuirá para
sua adaptação ao ambiente; nesse momento, de não unidade do bebê, a mãe suficientemente
boa deverá dispensar cuidados ao bebê, conforme a demanda do mesmo.
32

A mãe suficientemente boa, que emana cuidados ao bebê e se dedica por completo a
ele, oferecendo dentro de seu contexto e de suas possibilidades sua melhor forma de
maternagem, é fundamental ao ambiente do bebê, bem como a preocupação materna primária,
uma condição da mãe, que Winnicott (1956b/2000) define como a fusão emocional entre mãe
e filho que exacerba sua sensibilidade permitindo que corresponda às necessidades do bebê e
direcione seus desejos integralmente a ele. Winnicott (1956b/2000) aponta que no início do
desenvolvimento o ambiente que circunda a criança é representado principalmente pela mãe,
que em sua maternagem proporciona ao bebê alcançar sua satisfação física e emocional.
O pai, assim, sustenta a preocupação materna primária, sendo percebido pelo bebê
como a duplicação da mãe e não o pai como indivíduo independente. No entanto, para esse
pai a relação não se torna uma questão, pois o mesmo se encontra imerso na função paterna de
proporcionar suporte à mãe, fazendo com que a mesma não se aflija com o que está fora de
sua relação com o bebê e viva sua preocupação materna primária tranquilamente. A mãe
voltada para sua maternagem se distrai do mundo, se dedica e se preocupa com o filho ao
viver sua preocupação materna primária, e o pai como Winnicott (1959/2011) aponta, se torna
a “capa protetora” que oferece todo suporte afetivo a mãe nesse estado.
Essa capa protetora que o pai oferece para a boa maternagem da mãe, contribuindo
para o desenvolvimento do bebê é considerado por Winnicott (1986/1999) como um cuidado
ético. E há ética no amor materno quando a mãe cuida do bebê desde o início do nascimento
(WINNICOTT, 1960/1983). Como já dito anteriormente, o cuidado emerge na preocupação
com o outro e na capacidade que os indivíduos têm de se colocar no cuidado com o outro.
Plastino (2009) aponta que antes do cuidar ser uma ação é uma atitude que exprime
consideração pelo outro e por suas necessidades. Nesse sentido a ética dos pais surge, na
preocupação com o bebê e em sua capacidade de se colocar no lugar da mãe para ajudá-la,
como “capa protetora” em suas necessidades e no suporte para que vivam por inteiro sua
maternagem.
Com a passagem do estágio da dependência absoluta, que perdura durante mais ou
menos os primeiros seis meses da criança, onde há total dependência e recebe cuidados do
ambiente (mãe), o pai começa a se inscrever e colaborar na manutenção da díade mãe-bebê. E,
passa a ganhar espaço gradualmente na vida da criança, sua presença acontece, para Winnicott
(1966/1999) no primeiro momento com a duplicação da figura materna.
Se começarmos pelos primeiros tempos, podemos observar que o bebê,
antes de mais nada, conhece a mãe. Mais cedo ou mais tarde, certas
qualidades maternas são reconhecidas pela criança e algumas delas –
33

maciez, ternura – ficam sempre associadas à mãe. [...] assim, quando o
pai entra na vida da criança, como pai, ele chama para si sentimentos
que a criança já alimentava em relação a certas propriedades da mãe e,
para esta, constitui um grande alívio verificar que o pai se comporta da
maneira esperada. (WINNICOTT, 1945/2000, p. 128-129)

Dessa forma o bebê começa a identificar no pai características que já conhecem da
mãe, por isso para o bebê o pai se comporta de maneira esperada, por conter aspectos que vem
da relação materna. O bebê não consegue, ainda, diferenciar o pai da mãe no estágio de
dependência absoluta, e dessa forma entende que os cuidados recebidos do pai são da mãe,
pensando o pai como uma duplicação da mãe. A função paterna só é reconhecida pela criança
quando ela alcança estágios posteriores do desenvolvimento emocional. Por isso, nesse
momento a presença do pai faz parte dos cuidados maternos. Como Winnicott (1968/2013)
coloca, o termo maternal diz respeito as atitudes globais e aos cuidados dispensados aos bebês,
de maneira que o termo paternal surge depois quando o pai ganha significado para criança
independente da mãe.
O pai nesse estágio fornece todos os subsídios necessários para que a mãe possa estar
completamente disponível ao bebê, para que assim possa oferecer todo suporte ao bebê que
vive a dependência absoluta, e que ainda não se compreende enquanto unidade no ambiente
fora da díade mãe-bebê. Na fase de dependência relativa o bebê começa a diferenciar
cuidados paternos dos maternos. Segundo Dias (2011), após a duplicação do papel materno,
quando o bebê compreende o pai como duplicação da mãe, o papel paterno começa a se
desenhar. A criança começa a compreender que ela não é parte da mãe, isso porque percebe
que há uma realidade interna e externa que são separadas dela, bem como consegue se
antecipar e prever as ações da mãe.
Nesse estágio e com relativa dependência em relação a mãe, chega a fase em que
ocorre o desmame do bebê, momento que Winnicott (1957/2008) coloca como delicado do
ponto de vista materno. Pois trata-se de uma ruptura do bebê com a mãe, uma vez que ela, em
um ato devocional, se dedica a amamentar dispensando tempo integral e controle total sobre o
seu bebê nesse período. E com o desmame, esse tempo será diminuído e de certa forma, a mãe
perde uma parcela do controle que tem sobre seu bebê, já que sua alimentação não dependerá
única e exclusivamente dela.
Isso acontece porque a mãe, segundo Winnicott (1957/2008), teve a capacidade de
desviar sua total atenção e disponibilidade para o bebê, esquecendo a posição feminina que
34

faz parte de sua vida. Winnicott (1957/2008) coloca que a mãe devota tira o interesse de si e
coloca todo no bebê, de modo que esquece que tem suas próprias necessidades. E, nesse
momento o pai deve se colocar ao chamar a mãe ao lugar de mulher e esposa, porque precisa
“da dedicação de um marido e experiências sexuais que a satisfaçam” (WINNICOTT,
1957/2008).
Não só quer ver sua esposa recuperar uma existência independente,
mas também quer estar apto a ter sua esposa para si, mesmo que em
certos

momentos

isso

signifique

a

exclusão

de

crianças.

(WINNICOTT, 1960/2003, p. 100)

Nesse sentido, o pai ajuda no percurso que leva a mãe e o bebê a uma separação e a
autonomia. E mesmo que isso implique a exclusão dos filhos em alguns momentos, para que
os pais reestabeleçam relações amorosas como casal. A mãe consegue sair, assim, de um
estado de identificação que se encontrava na relação com o bebê, e o pai atuará como aquele
que puxa a mãe para fora da díade, proporcionando ao filho também essa mudança – e a
entrada de novos indivíduos em sua vida. Além de ajudar a mãe retomar dois papéis que são
concomitantes: ser mãe e ser mulher.
Para o bebê o desmame se torna um momento de desilusão na medida que ele percebe
a ruptura da díade originária que marcava sua relação com a mãe. Mas, essa ruptura é feita de
maneira gradual. De acordo com Battagliese (2011), o deslocamento da mãe se torna o
gerador da realidade transicional do bebê, destacando a importância da função paterna como
aquela que chama a mãe para o caminho distinto naquela relação fusionada com o bebê.
Ainda que nesse momento a relação com o pai não seja direta, ele oferece suporte que permite
os primeiros movimentos de separação entre a mãe e o bebê. E para isso o pai assume e
exerce de maneira recorrente as atividades que no momento da díade mãe-bebê era delegada
apenas a mãe, como a alimentação. A criança começa a querer saber como seu pai realmente é,
e quando o pai aceita a responsabilidade pela existência da criança, estamos falando de um
filho que está inserido em um bom lar; sendo difícil descrever as formas pelas quais os pais
enriquecem a vida dos filhos frente as amplas possibilidades (WINNICOTT, 1964/1994).
O pai entra no quadro geral de duas maneiras. Até certo ponto, ele é
uma das duplicações da figura materna. Nos últimos cinquenta anos,
tem havido nesse país uma mudança na orientação, de tal modo que os
pais se tornaram muito mais reais para seus filhos no papel de
duplicações da mãe do que eles eram, parece, décadas atrás. No
entanto, isso interfere com outra característica do pai, segundo a qual
ele acaba entrando na vida da mãe como um aspecto da mãe que é
35

duro, severo, implacável, intransigente, indestrutível, e que, em
circunstâncias favoráveis, vai gradualmente se tornando aquele
homem, alguém que pode ser temido, odiado, amado, respeitado.
(WINNICOTT, 1966/1999, p. 127)

Assim, surge um aspecto importante na vida da criança, o momento de aprender o
significado do “não”. E isso acontece quando a mãe deixa de dizer “não” ao mundo e começa
a dizer “não” ao bebê, o que Winnicott (1960/2003) descreve como o momento que a mãe e o
pai apresentam o bebê à realidade e apresentam a realidade ao bebê através da proibição. “O
pai age como um esteio para sua autoridade, um ser humano que sustenta a lei e a ordem que
a mãe implanta na vida da criança” (WINNICOTT, 1957/2008, p. 129).
Winnicott (1960/2003) em seu artigo “Dizer ‘não’” faz uma discussão que o “não”
passa a fazer do pai, que além de ser amado poderá aplicar uma punição sem perder nada na
relação com o filho. O exemplo da punição utilizado por Winnicott serve para ilustrar que o
pai que pune seu filho fez por merecer esse direito, que é dado pela criança quando o pai tem
presença assídua no lar, fazendo parte de seu desenvolvimento emocional e da vida familiar, e
não se colocar na relação entre a criança e a mãe escolhendo um lado para defender. As leis e
as regras não são a função paterna por si só, como discutido acima, é necessário que o pai
percorra um caminho para que sua lei e suas regras incidam sobre a criança, e tenham sentido
em sua vida. De forma que, o “não” dado pelo pai tem um significado na vida do filho que
concebe o pai como parte de sua vida familiar e que está presente em seu lar.
O pai pode ou não ter sido um substituto materno, mas em alguma
ocasião ele começa a ser sentido como se achando lá em um papel
diferente, e é aqui que sugiro que o bebê tem probabilidade de fazer uso
do pai como um diagrama para sua própria integração, quando apenas se
torna, às vezes, uma unidade. (WINNICOTT, 1969/1994, p. 188).

Ajudando a criança compreender que há uma integração após a ruptura com a mãe e a
compreender o “não”, contribuindo para o primeiro vislumbre da criança de sua totalidade
pessoal.

36

2. JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS
No contexto onde as pesquisas sobre maternidade adolescente estão consolidadas nas
produções acadêmicas do Brasil, e as pesquisas sobre paternidade ainda são incipientes, se
torna relevante analisar a construção da paternidade junto a gravidez adolescente. E oferecer
subsídios teóricos que possam corroborar com discussões atuais da saúde pública sobre a
importância do pai no processo de desenvolvimento do indivíduo. Os pais que participaram
desta pesquisa são adultos, sendo que as idades variaram entre 20 e 43 anos.
A partir dessa discussão como os pais concebem a paternidade tem passado por
transformações históricas que modificaram e ressignificam essa percepção. Vieira, Bossardi,
Bolze, Crepaldi e Piccinini (2014) trazem essas mudanças como formas de questionar a
concepção de pai tradicional. E isso tem sido analisado por Gomes e Alvarenga (2016) pelas
formas de inserção direta do pai no desenvolvimento infantil, que segundo Scaglia (2012), a
relação pai-bebê é subjetiva, cada relação vai se constituir de uma maneira. Os pais de bebês
das gestantes adolescentes permitem um recorte nas dinâmicas de parentalidade. As
implicações para mãe são inúmeras, e se desvela uma ambivalência na situação vivenciada
pelas adolescentes, de acordo com Carvalho, Merighi e Jesus (2009), elas passam a lidar com
dois novos papéis sociais simultâneos, adolescer e ser mãe. Nesse sentido, este estudo se
justificou pela possibilidade de conhecer o desenvolvimento das relações que se
estabeleceram entre o pai e o bebê, pai e a mãe, e os sentimentos que permearam essas
relações. De maneira que refletiu na dinâmica familiar que foi se construindo, reforçando a
importância do engajamento dos membros da família para com a gestação, bem como buscou
compreender as relações que se constituem entre o pai e o bebê, fruto da relação de cuidado e
afeto que se iniciou na gestação. Por isso, esta pesquisa visou contribuir com as discussões
sobre a paternidade considerando o recorte da maternidade adolescente, e as novas
possibilidades e significação presentes nesse fenômeno psicossocial.
Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo geral compreender e analisar o
processo de desenvolvimento da paternidade dos pais dos bebês de adolescentes grávidas.
3. PERCURSO METODOLÓGICO
Este projeto é uma pesquisa qualitativa com delineamento transversal, que busca
compreender a paternidade para os pais durante a gestação de bebês de mães adolescentes.
Segundo Mota (2010), os estudos transversais possibilitam comparar indivíduos diferentes
que vivenciam o mesmo momento, no caso da paternidade homens de diferentes faixas etárias
são analisados no mesmo momento de serem pais no período gestacional do bebê. Minayo
(2001) aponta que o método científico permite que a realidade social seja construída enquanto
37

objeto de conhecimento, a paternidade nesse sentido é a realidade social na qual se constitui o
objeto a ser conhecido.
De acordo com Turato (2005), na pesquisa qualitativa busca-se o significado de um
fenômeno dentro de um contexto para delinear as representações sociais que os indivíduos
têm e partilham. Para Stake (2011), a pesquisa qualitativa procura compreender como algo
funciona e para isso pesquisa-se causas, influências, pré-condições e correspondências.
Como método da pesquisa foi utilizado o estudo de caso, a partir da definição de Stake
(2011), como uma investigação de um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real.
Os estudos de caso são utilizados para Yin (2015), quando as questões do pesquisador se
referem a como e ao porquê do fenômeno que é contemporâneo e está em seu contexto
natural. De acordo com Yin (2015), o diferencial do estudo de caso está em sua capacidade de
trabalhar com uma variedade de evidências como documentos, entrevistas e observações.
Ventura (2007) aponta que o estudo de caso possibilita uma análise em profundidade dos
processos e suas relações, permitindo a partir da pesquisa compreender como a paternidade é
concebida para esses sujeitos durante a gestação.
Os dados foram coletados na Unidade Básica de Saúde em uma região litorânea da
cidade de Maceió. O projeto de pesquisa foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal de Alagoas, e obteve o parecer favorável, registrado no número
1.541.569. Os pais foram convidados a participar da pesquisa pela pesquisadora, que na
oportunidade explicou a finalidade da pesquisa, sendo necessário que fosse preenchido o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (ver Anexo I).
A seleção dos participantes na Unidade Básica de Saúde foi realizada pelo
interesse em participar da pesquisa. Os pais dos bebês que acompanhavam as
adolescentes grávidas na consulta pré-natal eram convidados a participar da pesquisa na
sala de espera. O critério de inclusão aplicado aos pais dependia da idade da mãe, assim,
era necessário que as mães adolescentes tivessem até 19 anos – segundo a classificação
da OMS - para que os pais fossem convidados a pesquisa.
A coleta de dados foi então realizada junto aos pais de bebês de adolescentes grávidas,
participantes do pré-natal. Foram aplicados os seguintes instrumentos: formulário
socioeconômico de produção e reprodução social (ver Anexo II); entrevista semiestruturada e
Procedimento de Desenho de Famílias com Estórias (TRINCA, 1997).
A entrevista semiestruturada se baseou em questões norteadoras que foram pautadas
nos objetivos da pesquisa, para que fossem contemplados os pontos de investigação prédefinidos. Segundo Manzini (2004), as questões inerentes às circunstâncias momentâneas à
38

entrevista também são consideradas durante a entrevista. De maneira que alguns elementos
que sugiram no momento das entrevistas e que não faziam parte das questões norteadoras,
mas que contribuíam para pesquisa foram consideradas nas análises. Boni e Quaresma (2005)
consideram que este tipo de entrevista colabora na investigação de aspectos afetivos e
valorativos dos informantes que determinam significados pessoais de suas atitudes e
comportamentos. Na entrevista foram abordadas as histórias de vida, os projetos de vida
anteriores à gestação, o bebê imaginado e desejado, as relações familiares e com a mãe do
bebê.
3.1 Procedimento de Desenho de Família com Estórias
O Desenho de Famílias com Estórias é uma técnica não estruturada, baseada no
método da associação livre, que dá liberdade para criar e associar (ARAÚJO, 2007). Trata-se
de um procedimento criado por Walter Trinca, que se destina a uma população de diferentes
faixas etárias, e que possibilita através das histórias a expressão de seus temas, traços,
personagens e enredos, estabelecendo contato com angústias e conteúdos latentes (TRINCA,
2013). O termo estória tem uma grafia peculiar, na época em que foi criado o procedimento, a
intenção era se referir as narrativas criadas pelos participantes. E segundo a gramática vigente
na época, havia uma distinção entre história e estória, esta última utilizada para fatos criados e
história para situações reais. O termo, estória, foi mantido pelo autor porque foi consagrado
pelo uso como nome do instrumento – Procedimento de Desenhos Estórias.
O desenho tem capacidade de aguçar conteúdo internos, o que permite a observação de
processos emocionais dos participantes. Prudenciatti (2013) traz que os Procedimentos de
Desenho da Família com Estórias são um campo de investigação e expressão que auxiliam na
percepção dos estados emocionais e com potencial terapêutico, pois proporciona a expressão
de sentimentos que são vivenciados pelos sujeitos. O procedimento pode ser utilizado para
investigação diagnóstica da personalidade, mas também com finalidade psicoterapêutica
interventiva, na medida em que propicia elaboração desses conflitos (ROSA, 2013). Assim, o
Procedimento de Desenho de Famílias com Estórias possibilita compreender características
individuais e particulares, focalizando angústias, afetos, sentimentos, desejos e fantasias.
A aplicação deste procedimento tem uma sistematização, inicialmente são necessários
alguns materiais: folhas de papel em branco de tamanho ofício, lápis preto e lápis de cor em
doze cores. E foram dadas aos pais participantes da pesquisa as seguintes instruções ao
solicitar quatro desenhos: o primeiro é de uma família qualquer; o segundo uma família que
gostaria de ter; terceiro é uma família em que alguém não está bem e o quarto é a própria
39

família. Para cada desenho, foi pedido aos pais que contem uma história e que de um título
(TRINCA, 2013, p. 211).
3.2 Análise de Dados
As entrevistas foram analisadas a partir de categorias de análise definidas nos roteiros
de entrevistas semiestruturadas que buscavam contemplar os objetivos específicos da
entrevista. De maneira que foram criadas as seguintes categorias de análise: famílias, gestação,
pré-natal, bebê imaginado, compreensão da paternidade e, projetos de vida.
A análise consistiu na leitura das transcrições dos áudios das entrevistas e
sistematização do conteúdo e das categorias de análise. Com as categorias foi possível
classificar os elementos das sínteses nas entrevistas em temáticas com organização de dados
homogênea e consistente. Para isso, foi criada uma tabela contendo as categorias de análise e
o conteúdo equivalente presente na entrevista interpretada. Depois foi realizado o tratamento
dos resultados, que consistiu na interpretação das categorias de análise construindo a
discussão sobre a compreensão de paternidade para pais dos bebês de adolescentes grávidas.
Os formulários de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução
social foram analisados a partir de tabulações. Para melhor dimensionamento da
caracterização dos pais foram criadas tabelas que contemplavam todos os itens presentes nos
formulários. E posteriormente foram analisados a fim de compreender e delinear o contexto
psicossocial dos pais da pesquisa.
A análise do material oriundo dos Desenhos de Família com Estórias foi realizada
segundo as recomendações de Trinca (2013). Assim, cada uma das quatro unidades de
produção (família qualquer, família que gostaria de ter, família que alguém não está bem e a
própria família) do Procedimento de Desenho de Famílias com Estórias foram analisadas. A
análise qualitativa dos desenhos possibilitou a compreensão de aspectos subjetivos da
personalidade dos sujeitos em virtude da articulação do conteúdo subjetivo produzido no
desenho junto com a história contada, e pelos questionamentos realizados no inquérito e pelo
título dado ao desenho.

40

4. RESULTADOS
4.1. Pai Lucas
4.1.1. Formulários de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução
social
Lucas1 tem 43 anos e reside em Maceió. Mora com a esposa Jamyle (19 anos) que está
gestante, ele está nesse relacionamento há 3 anos e seis meses, e se considera casado. Mora
em casa alugada com quatro cômodos, sendo um deles o quarto do casal. Tem acesso à água e
coleta de lixo, mas não tem acesso a saneamento básico. Sobre os riscos aos quais se sente
exposto Lucas destacou desmoronamento e contaminação por esgoto a céu aberto.
Quanto à escolaridade, Lucas relatou ter repetido a segunda série e estudou até a
quarta série, se afastando da escola pela necessidade de trabalhar e ajudar financeiramente sua
família. Atualmente trabalha em seu próprio negócio, vende bebidas na praia, e quando
questionado sobre sua profissão se define como garçom. Não possui carteira assinada e sua
remuneração, assim como a renda familiar, é de um salário-mínimo.
De acordo com Lucas, a gravidez foi planejada, e por isso não utilizava métodos
contraceptivos. Iniciou sua atividade sexual aos 15 anos, e sua primeira gestação aconteceu
aos 23 anos, hoje tem quatro filhos de outro casamento e espera o quinto. O pré-natal iniciou
no primeiro trimestre de gestação, no entanto, não tem ido as consultas regularmente, a
primeira consulta que acompanhou foi na décima segunda semana de gestação. Faz uso de
álcool e não faz uso de cigarro e outras drogas. Afirmando ainda que durante sua vida fez uso
apenas de álcool e que o mantém durante o período gestacional de sua esposa.
4.1.2 Entrevista Semiestruturada
A entrevista semiestruturada foi realizada em julho de 2017, na Unidade Básica de
Saúde na qual realizavam o pré-natal. Lucas e Jamyle estão juntos há três anos e seis meses,
na relação que ele entende como ótima, principalmente após a gravidez. Lucas relatou que a
gravidez foi desejada e planejada por ambos, ainda que não soubessem quando seria. Mas,
desde o início do relacionamento com Jamyle sabia do desejo dela em ser mãe. Descobriram a
gravidez quando a jovem passou mal e teve atraso na menstruação, fazendo-os desconfiar da
possibilidade de gravidez, e ao realizar o teste Beta HCG confirmaram a gravidez. A família
de Jamyle ficou feliz com a notícia, pois já era uma gestação esperada. Lucas não falou sobre

1

Todos os nomes dos participantes e das pessoas a que eles se referem são fictícios atendendo aos preceitos
éticos de pesquisas com seres humanos.

41

a reação de sua família. Para Lucas, após completar 43 anos, ser pai outra vez é uma
satisfação e motivo de alegria: “era o que eu queria mais um filhinho e apareceu” (sic).
No período inicial da gestação, Jamyle está com aproximadamente 12 semanas, estão
esperando descobrir o sexo para planejar o quarto e enxoval. Lucas gostaria muito que fosse
uma menina, e se for chamará Bianca, justificando seu desejo por já ter três filhos e apenas
uma filha. Seus filhos são de relacionamentos anteriores, e Lucas não mantém contato. Para
ele independente de seu desejo de ser menina, o bebê que virá será amado, e, que quando o
imagina apenas pensa que venha com saúde.
O pré-natal de Jamyle está caminhando bem, ela tem realizado todas as consultas e
tomado todas as medicações necessárias para sua saúde e do bebê. O momento da entrevista
foi a primeira vez que Lucas a acompanhava no pré-natal. Para ele ajudar em casa e diminuir
o ritmo de trabalho de Jamyle já é benéfico para gestação. Lucas não tem acompanhado sua
companheira nas consultas justificando que se sente desconfortável devido à diferença de
idade entre ele e a companheira. Relatou ainda que o desconforto que sente vem da reação de
surpresa das pessoas ao descobrir que ele é o pai do bebê.
Sobre o parto, Lucas ainda não havia pensando, e quando questionado afirmou que
não começaram a planejar ainda por preferir que seja de forma natural, quer que o bebê nasça
“do jeito que Deus mandar” (sic). Em sua compreensão pode ser cesárea ou normal, pois não
enxerga distinção, apenas compreende que sua presença no momento do parto é importante.
Seus projetos de vida mudaram com a chegada do bebê pois precisará continuar
trabalhando e não contará com a ajuda de Jamyle, que além de esposa também é sua sócia no
trabalho. Lucas terá que assegurar a manutenção financeira da casa e ainda ajudar a
companheira nos cuidados com o bebê.
4.1.3 Desenhos da Família com Estórias
Figura 1: “Familha” (desenho de uma família qualquer)

No primeiro momento foi solicitado a Lucas que fosse feito o desenho de “uma família
qualquer”. Ele imediatamente pegou o papel e começou a desenhar sem realizar
42

questionamentos. Optou por utilizar os lápis preto e amarelo, dentre as doze cores que lhe
foram ofertadas.
No momento de produzir uma família qualquer Lucas fez sua família com os filhos de
outro relacionamento, os quais têm entre 06 e 15 anos. Quando questionado sobre a relação
com os filhos, Lucas disse ter contato com todos. No entanto, a priori trouxe nos desenhos os
dois filhos mais novos e, depois desenhou seu filho mais velho. O título escolhido por Lucas
para o desenho foi familha, de acordo com a forma ortográfica que o mesmo colocou em seu
desenho.
Figura 2: “Lalá” (desenho de uma família que gostaria de ter)

No segundo momento foi solicitado que Lucas fizesse o desenho de “uma família que
gostaria de ter”.
Na família desejada de Lucas o bebê, que ainda irá nascer, já se faz presente. Sobre o
bebê que está na barriga de Jamyle, que é seu quarto filho, Lucas imagina que seja uma
menina e já escolheu o nome. De maneira que é possível compreender dois pontos
importantes: a família que gostaria de ter para Lucas é a que está constituindo com a atual
companheira e que seu bebê imaginado é uma menina.
Figura 3: “Preocupação” (desenho de uma família que alguém não está bem)

43

No terceiro momento foi solicitado que fosse produzido o desenho de “uma família
onde alguém não está bem”. Lucas contou que sua relação com a família da esposa é boa, e
devido a condição de saúde de sua sogra a companheira tem andado preocupada, ao apontar
em sua fala que Jamyle está se sentindo mal porque sua mãe está doente. Ao desenhar na
família que não está bem representou a sogra, o marido da sogra e sua esposa, o que mostra
que sua compreensão de família engloba a família estendida, neste caso compreendida pelos
sogros, e que a preocupação está presente nessas relações familiares.
Figura 4: “Filhos” (desenho da própria família)

No quarto momento foi solicitado a Lucas que desenhasse “sua própria família”.
Lucas colocou em seu desenho o nome de todos os filhos pela ordem de nascimento, inclusive
o que nascerá. Com o novo bebê imagina que constituirá uma família e conseguirá estabelecer
relações mais próximas com os filhos mais velhos.
4.2 Pai Vitor
4.2.1 Formulários de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução

social
Vitor tem 23 anos, nasceu em Campo Alegre e reside em Maceió no bairro de Riacho
Doce. Mora com a esposa Angélica (19 anos) que está gestante com 5 meses, com sua mãe e
avó que são aposentadas. Ele está nesse relacionamento há um ano. Mora em casa alugada,
com seis cômodos, sendo três deles quartos. Tem acesso à água de rede pública, energia
elétrica, esgoto e coleta de lixo. Por morar na via principal do bairro relatou se sentir exposto
a acidentes de trânsito.
Estudou até o primeiro ano do Ensino Médio, se afastando da escola por falta de
interesse e por “preguiça” (sic). Relatou ter repetido dois ou três anos durante sua vida escolar,
e que aconteceu por não gostar da escola e preferir as festas. Atualmente está desempregado.
De acordo com Vitor a gravidez não foi planejada. Não utilizava métodos
contraceptivos porque considera que são ruins. Disse ter iniciado sua vida sexual aos 14 anos
e que no último ano teve uma parceira. É sua primeira gestação e tem acompanhado o pré44

natal da esposa que iniciou no primeiro trimestre de gestação, foi a todas as consultas e sente
prazer em acompanhar de perto esse momento.
Sobre a gestação de sua mãe, contou que ela tinha 18 anos e seu pai 20 anos, e quando
nasceu seus pais tinham 19 e 21 anos, respectivamente. Ao ser questionado sobre o uso de
álcool e outras drogas respondeu nunca ter usado.
4.2.2 Entrevista semiestruturada
Esta entrevista foi realizada em julho de 2017 em uma Unidade de Saúde na qual
realizava o pré-natal. Vitor tem 23 anos e está desempregado, tinha planos de ser pai nessa
idade, mas com a chegada da gravidez percebeu que não estava preparado. A gestação foi
descoberta após atrasos na menstruação de sua namorada, com a confirmação pelo teste Beta
HCG. A experiência da descoberta da gravidez foi estranha e agora com o passar dos meses
tem achado “uma coisa boa” (sic). O relacionamento com a namorada mudou com a gravidez,
a pedido da família de sua companheira foram morar na casa de Vitor - com sua mãe e sua
avó. Ainda que em alguns momentos da entrevista se refira à companheira como esposa, Vitor
e Angélica não estão casados oficialmente.
O pré-natal tem sido realizado desde o primeiro trimestre da gestação e Vitor tem
acompanhado a namorada em todas as consultas. Acredita que parto normal é a melhor opção
para essa gestação já que tem acompanhamento pré-natal desde o início. Ainda não se sente
pai, situa que se tratando de sua primeira gestação não consegue entender a real dimensão. E
que por isso acredita que só se sentirá pai quando estiver com seu bebê nos braços, que é
imaginado como bonito igual à mãe. Sua função paterna está ligada diretamente ao cuidado
com o bebê “Quando eu tiver cuidando dele, com ele nos braços que vou saber mesmo. ” (Sic).
A relação que tem com sua família é boa, relatou que tem uma relação “tranquila” (sic)
com a mãe e com a avó materna. Assim como com seus sogros, que também construiu boas
relações, e Vitor demonstra ter um carinho especial pela sogra, a quem teceu muitos elogios
durante a entrevista. Seu relacionamento com a namorada começou há um ano quando se
conheceram em uma festa, e o descreve como “bom” (sic). Na entrevista Vitor não mencionou
seu pai.
A vida escolar de Vitor foi marcada por “bagunça” (sic), não gostava de frequentar a
escola e por isso não era assíduo. Com a gestação pôde perceber que não fez uma boa escolha
ao interromper os estudos, pois, agora, planeja em mudar sua perspectiva de futuro e percebe
que é necessário se qualificar para encontrar um “emprego bom” (sic). E relata que enquanto
o bebê não nascer e arrumar o emprego que o sustente ele não poderá retomar os estudos. Ao
45

reconhecer isso aponta, “nunca é tarde, quando a pessoa quer correr atrás corre e consegue”
(sic) e isso norteia seus planos de vida que são: estudar, fazer faculdade e se formar.
4.2.3 Desenho da Família com Estórias
Figura 5: “Passeio na praça” (desenho de uma família qualquer)

No primeiro momento foi solicitado a Vitor que fosse feito o desenho de “uma família
qualquer”.
Estória: “É o pai, a mãe e os filhos passeando na praça” (sic).
A figura produzida por Vitor retrata quatro pessoas que apresentam características
físicas semelhantes e se unem pelas “mãos”.
Figura 6: “Minha família” (desenho de uma família que gostaria de ter)

No segundo momento foi solicitado que Vitor fizesse o desenho de “uma família que
gostaria de ter”.
Estória: É eu, minha mulher e meu filho andando na praia. (Sic).
A compreensão da família idealizada por Vitor está ligada ao nascimento do bebê e já
contempla isto em sua produção. E mais uma vez traz expresso em seu conteúdo gráfico os
desenhos das pessoas de mãos dadas, desenhando todos com proximidade física.
Com relação à história, Vitor aponta que gostaria de aproveitar mais as proximidades
de sua casa, que fica na região litorânea. Suas expectativas com o bebê surgem imediatamente
em sua fala e ao se referir como filho quando retrucado pela pesquisadora “Ah, você já sabe
que é filho! ” (Sic) respondeu, “Ainda não, mas eu quero que seja menino” (Sic). No
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momento da entrevista ainda não haviam realizado exame que reconhece o sexo do bebê. É
importante salientar que isso faz parte do conteúdo emergente no inquérito, pois o mesmo só
se deu conta de sua preferência durante o diálogo com a pesquisadora.
Figura 7: “Ressaca” (desenho de uma família que alguém não está bem)

No terceiro momento foi solicitado que fosse produzido o desenho de “uma família
onde alguém não está bem”.
Estória: A mãe, o pai e o filho. O pai tá com dor de cabeça.
Em seu desenho o pai não está bem devido uma ressaca. É possível também observar
que o pai está junto da esposa e do filho.
Figura 8: “No shopping” (desenho da própria família)

No quarto momento foi solicitado a Vitor que desenhasse “sua própria família”.
Estória: “Eu, minha mulher e o bebê indo pro shopping assistir filme”.
Vitor contou que quando o bebê nascer planeja levá-lo ao cinema, porque durante a
gestação não tem saído com sua companheira. Na entrevista relatou que gostava de sair e
esperava que seu bebê pudesse o acompanhar em todas as ocasiões. A compreensão da própria
família para Vitor está relacionada a situações que ele vivia com a namorada antes dela ficar
grávida, e que agora inclui o filho.

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4.3 Pai João
4.3.1 Formulários de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução

social
João tem 20 anos, nasceu e reside em Maceió no bairro de Riacho Doce. Mora com a
companheira Ana (18 anos) que está gestante de 06 meses. Está nesse relacionamento há dois
anos. Mora em casa alugada, com quatro cômodos. Tem acesso à água de rede pública,
energia elétrica, esgoto e coleta de lixo.
Com relação à escolaridade, concluiu o ensino médio. Relatou que nunca houve
histórico de repetência durante sua vida escolar, e que sempre estudou para planejando cursar
uma faculdade. Atualmente trabalha no caixa do mercadinho de sua família.
Segundo João a gravidez não foi planejada. Ele não utilizava método contraceptivo e
sua companheira fez uso de injeções contraceptivas por um tempo. Iniciou sua vida sexual aos
16 anos e nos últimos anos teve uma parceira. É sua primeira gestação. Não tinha
acompanhado o pré-natal até o quinto mês de gestação, quando a pedido da companheira
começou a acompanhar as consultas. A companheira iniciou o pré-natal no primeiro trimestre
de gestação e foi a todas as consultas.
Sobre a gestação de sua mãe, contou que ela tinha 30 anos e seu pai 45 anos, e quando
nasceu seus pais tinham 31 e 46 anos respectivamente. Relata não lembrar do pai, pois o
mesmo faleceu quando ele tinha poucos meses de vida. Quando questionado sobre o uso de
álcool e outras drogas respondeu que faz uso de álcool nos finais de semana e disse que nunca
fez uso de outras drogas.
4.3.2 Entrevista semiestruturada
A entrevista foi realizada em setembro de 2018 em uma Unidade de Saúde na qual
realizava o pré-natal. João tem 20 anos e tinha planos de ser pai depois dos 25 anos quando
concluísse a faculdade, e acha que a gravidez aconteceu de maneira precoce em sua vida. A
gestação foi descoberta após atrasos na menstruação de sua companheira com a confirmação
pelo teste Beta HCG realizado na UBS de seu bairro. A descoberta foi uma experiência difícil,
João relatou que não queria aceitar, mas, após ter participado de ultrassonografias e visto seu
filho as emoções se modificaram, e agora tem achado “muito bonito” (sic). Seu
relacionamento com a companheira mudou com a gestação, passaram a morar juntos em uma
casa nos fundos da casa de seus avós e mãe.
João trabalha no mercado de sua família desde que descobriu a gestação. Sendo deste
emprego a renda familiar, que varia de acordo com o faturamento mensal, não tendo um
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salário fixo. “Queria tranquilidade de não preocupar com dinheiro, colocar meus filhos na
escola particular que era meu sonho. Tudo caro, né? Não tem como sem emprego bom” (Sic).
O pré-natal tem sido realizado desde o começo da gestação e João acompanhou após
alguns meses de gestação. Disse que antes não compreendia a importância até ir as consultas e
que hoje entende que assim consegue saber o que acontece com seu filho. João contou que
ainda não se sente pai e que não tem hábito de conversar com a barriga – como relatou que
“os pais fazem na TV”. Acredita que após o nascimento do bebê começará a sentir-se pai, pois
só irá se concretizar a paternidade quando ver o bebê. Para ele o bebê será “gordinho e
carequinha” (sic) porque seus sobrinhos e primos nasceram assim.
A relação que tem com sua família é boa, relata que sempre o apoiou, mesmo quando
não concordavam por inteiro com as situações, como a gravidez fora do casamento. Mas, com
a família de sua companheira a relação é difícil, pois os pais a expulsaram de casa quando
souberam da gravidez. João contou que seu relacionamento com a companheira começou na
escola, os dois se paqueravam no intervalo e na festa de São João do bairro ficaram pela
primeira vez.
A religião não estava contemplada no roteiro da entrevista, mas foi trazida por João
como elemento muito forte. Seu avô é pastor e durante sua vida João sempre seguiu os
preceitos religiosos ensinados por ele. João revelou que a gestação não foi bem aceita por sua
família no início porque João e a companheira ainda não eram casados e dentro dos preceitos
religiosos de sua família não é correto. Os pais da Ana, companheira de João, a expulsaram de
casa por não aceitar a gestação de uma filha que não era casada. E diante desta situação, a
família de João acolheu o casal e ajudou a organizar a vida para que morassem juntos e
vivessem como família para criar o bebê.
A vida escolar de João era regida pelo objetivo de cursar a faculdade de direito, não
tem histórico de repetência e terminou o ensino médio no período regular. No entanto, com a
gravidez não pode realizar seu sonho de cursar direito, teve que abandonar o cursinho prévestibular para ajudar no negócio familiar e poder sustentar sua casa. Disse que “não queria
aceitar que minha vida estava perdida” (sic) quando soube da gravidez. No momento da
entrevista, João conta que planeja voltar a estudar para o vestibular após o nascimento do
bebê. Seus projetos futuros são de ter uma profissão que dê a sua família conforto e que
“dinheiro não seja o problema” (sic).
4.3.3 Desenho da Família com Estórias
Figura 9: “Família feliz! ” (Desenho de uma família qualquer)

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O primeiro desenho solicitado a João foi de uma família qualquer.
Estória: Uma família feliz, com pai, mãe e filhos.
João contou que os irmãos mais velhos têm que ajudar os pais a cuidar dos irmãos
mais novos. Ele fazia isso quando sua prima ia para sua casa, ajudava sua tia com ela.
Figura 10: “Sonho de Deus” (desenho de uma família que gostaria de ter)

Foi solicitado que João fizesse a família que gostaria de ter.
Estória: Eu, Ana, nossos filhos e os cachorros que a gente vai ter.
Para João o planejamento financeiro é um ponto importante quando fala de sua família,
pois seu sonho era se formar antes de ter uma família para dar a eles o que não teve. Mas,
como isso não aconteceu se preocupa muito.
Figura 11: “Família triste” (desenho de uma família que alguém não está bem)

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Neste momento foi solicitado a João que produzisse o desenho de uma família onde
alguém não está bem.
Estória: A família está triste….
Ao falar sobre o desenho João explicou que o pai estava insatisfeito pelo erro
cometido pelo filho e isso fez com que os pais se afastassem do filho. No final, João trouxe
sua própria história ao relatar que sua avó disse que não se orgulhava dele em relação à
gestação não planejada de sua companheira.
Figura 12: “Família abençoada” (desenho da própria família)

Por fim, foi pedido a João que desenhasse a própria família.
Estória: A família, meu avô, minha avó, eu e Ana. Os cachorros vivem dentro de casa
por isso desenhei.
João disse que a gestação da companheira tem sido marcada por vários enjoos. Contou
ainda que eles fazem as refeições na casa dos avós dele, e que sua avó tenta sempre coisas
novas para que Ana coma e não prejudique desenvolvimento do bebê.
4.4 Pai Antônio
4.4.1 Formulários de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução

social
Antônio tem 25 anos, nasceu e reside em Maceió no bairro do Jacintinho. Mora com a
companheira Clara (17 anos) que está gestante de 05 meses. Está nesse relacionamento há
cinco meses. Mora em casa alugada com três cômodos. Tem acesso à água de rede pública,
energia elétrica, esgoto e coleta de lixo.
Estudou até a oitava série, abandonando a escola para trabalhar e ajudar no sustento da
casa. Relatou que nunca houve histórico de repetência durante sua vida escolar, que gostava
da escola e saiu porque seus pais mandaram. Hoje faz supletivo para terminar o ensino médio,
relatou gostar muito de escrever e sempre ajudar quem precisa enviar cartas e não sabe
escrever. Se orgulha da sua letra “faltou o estudo completo, mas tenho a letra bonitona” (sic).
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Atualmente trabalha de mecânico, profissão que aprendeu com o pai. A renda familiar é um
salário mínimo que recebe na oficina. Tem carteira assinada e os direitos trabalhistas
assegurados. Trabalha de segunda a sábado durante todo o dia.
A gravidez não foi planejada segundo Antônio. A companheira usava contraceptivo e
segundo ele, falhou. Contou que no último ano teve duas parceiras. É sua segunda gestação. A
primeira foi há 3 anos e não acompanhou o pré-natal. Hoje tem pouco contato com a filha,
mas assegura que cumpre todas as suas obrigações financeiras. Nessa gestação acompanhou
as consultas e disse que sua companheira iniciou o pré-natal no quarto mês de gestação.
Sobre a gestação de sua mãe Antônio não soube informar. Quando questionado sobre o
uso de álcool e outras drogas respondeu que faz já fez uso de drogas no passado, e não faz
mais. E que ainda utiliza álcool, “só uma cervejinha” (sic).
4.4.2 Entrevista semiestruturada
Antônio tem 25 anos e não tinha planos de ser pai outra vez. A descoberta da gestação
foi por atrasos na menstruação e a confirmação por teste de farmácia. Foi uma sensação
complicada, pois Antônio relata que não havia relacionamento entre ele e a mãe do bebê, e
eles começaram a se conhecer melhor e namorar após a gestação. Diante da situação, estão
morando juntos na casa onde Antônio já residia.
O pré-natal não foi realizado desde o começo da gestação e Antônio atribui a culpa
apenas à companheira por alegar que ele trabalha. Contou que foi a primeira consulta porque
a enfermeira disse que era obrigatório e a companheira insistiu que fosse. Quando escutou o
coração do bebê ficou emocionado e disse “é um negócio bonito que só” (sic). Desde então
passou a acompanhar as outras consultas. Antônio diz que ainda não se sente pai do bebê, mas
como pai de uma menina mais velha, disse que é muito bom. Ele relata “a pessoa só sente
mesmo quando vê a cara”, e demonstrou seu interesse em estar no parto.
Com sua família a relação é boa, moram na mesma rua e sempre que precisa de ajuda
contam com eles. Relatou que não quer ninguém em sua casa porque “dentro de casa o povo
só se mete, não ajuda” (sic). A família de sua companheira também é próxima e diz que ela só
tem mãe e irmão.
Sobre o relacionamento com a companheira, Antônio contou que eles sempre “tava
junto nos reggaes” (sic), mas não mantinham um relacionamento. E que por isso achou que a
gestação não aconteceria, mesmo reafirmando que não fazia uso de camisinha. Com a
gravidez a “coloquei pra dentro de casa e assumi, né? ” (Sic) e assim começaram a construir
um relacionamento, que descreve como tranquilo porque sua companheira o ajuda e cuida
bem da casa.
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Antônio planeja no futuro conseguir uma colocação melhor no trabalho para ganhar
mais e conseguir alugar uma casa maior para trazer sua filha nos finais de semana. Quanto ao
bebê, espera ser presente em sua vida e acompanhar todos os momentos, que não fez com sua
filha.
4.4.3 Desenho da Família com Estórias
Figura 13: “Nós 5” (desenho de uma família qualquer)

No primeiro momento do procedimento foi pedido a Antônio que produzisse o
desenho de uma família qualquer.
Estória: A família igual à minha quando morava com minha mãe. Meu pai, ela e meus
irmãos. Hoje todo mundo já saiu de casa.
Antônio trouxe sua família quando foi solicitado que desenhasse uma família qualquer.
Disse que sentia falta de convivência próxima com sua família, relatou que não tem mais
contato com os irmãos
Figura 14: “Coisa de Deus” (desenho de uma família que gostaria de ter)

A segunda produção solicitada a Antônio foi da família que gostaria de ter. Estória: No
futuro todo mundo junto.
Antônio relata gostar muito de futebol, durante a entrevista vestia o uniforme de seu
time preferido. E traz isso também em seu bebê imaginado, seu desejo que seja menino e
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tenha os mesmos gostos que ele – futebol e o time. Além de apontar que para ele há diferença
entre ser pai de menino e de menina.
Figura 15: “Família triste” (desenho de uma família que alguém não está bem)

No terceiro momento foi pedido a Antônio que desenhasse uma família onde alguém
não está bem.
Estória: Pai desempregado deixa todo mundo triste
Para Antônio o emprego é algo muito importante em sua vida. Contou também que
gastava o dinheiro todo com as contas de casa, e o que sobrava gastava com os amigos e com
a companheira.
Figura 16: “Três” (desenho da própria família)

Por fim, foi solicitado a Antônio que fizesse o desenho da própria família.
Estória: Nós 3 quando o bebê nascer.
O conceito de família de Antônio está muito ligado à dimensão do morar junto e do
gostar. Ele não quis entrar em detalhes quando questionado, mas por seu discurso não há
relacionamento entre sua filha e sua esposa, e que isso não as torna família. Mas, para ele e o
filho que nascerá será.

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4.5 Pai Breno
4.5.1 Formulário de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução

social
Breno tem 38 anos, nasceu e reside em Maceió no bairro da Levada. Ele mora com a
companheira Luiza (18 anos) que está gestante de 5 meses e o filho, que tem 1 ano e 6 meses.
Na gestação do primeiro filho Luiza tinha 16 anos e Breno 37 anos. Ele está nesse
relacionamento há 3 anos. Mora em casa alugada, com cinco cômodos. Tem acesso à água de
rede pública, energia elétrica, esgoto e coleta de lixo.
Estudou até a sexta série, abandonando a escola porque dizia não gostar e que preferia
trabalhar. Relatou que houve histórico de repetência durante sua vida escolar e decisão de
abandonar foi sua melhor escolha. Hoje trabalha como motoboy 8h por dia, não tem seus
direitos trabalhistas assegurados pois presta serviço a um aplicativo e recebe um salário por
sua produção mensal. A renda familiar varia entre um salário-mínimo até um e meio, variando
a cada mês. Sua jornada de trabalho é noturna e durante 6 dias da semana.
A gravidez não foi planejada segundo Breno. Não utilizavam nenhum método
contraceptivo. Iniciou a vida sexual aos 14 anos e no último ano teve uma parceira. É sua
segunda gestação, a primeira foi há 1 ano e 6 meses, Breno diz que sempre acompanhou o
pré-natal nas gestações de Luiza. Nessa gestação acompanhou todas as consultas realizadas e
disse que sua companheira iniciou o pré-natal no primeiro trimestre de gestação. Não soube
especificar quantas consultas compareceu e relatou ter ouvido o coração do bebê na última
consulta.
Sobre a gestação de sua mãe, Breno não soube informar, apenas disse que seus pais
eram jovens. Quando questionado sobre o uso de álcool e outras drogas respondeu fazer uso
de álcool.
4.5.2 Entrevista semiestruturada
Esta entrevista foi realizada na Unidade de Saúde do bairro. Breno disse que nunca
havia feito planos de ser pai e deixou a escolha na mão de Deus, dizendo que estaria satisfeito
com o que acontecesse. Hoje tem um filho e está esperando o segundo bebê. A descoberta da
gestação foi por atrasos na menstruação e a confirmação por teste Beta HCG realizado na
unidade de saúde. Para Breno foi bom saber que seria pai outra vez, por já ter um filho agora
tem a expectativa da atual gestação ser de uma menina.
O pré-natal foi realizado desde o começo da gestação e Breno disse que percebeu a
importância desde a gestação anterior, pois o bebê estava com o cordão umbilical enrolado no
pescoço e se não fosse o pré-natal poderia ter morrido ao nascer. Contou que desde o início já
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estava participando das consultas da companheira. Relatou ter realizado o pré-natal do
parceiro, que descreveu como perguntas feitas pela enfermeira. E que todas as vezes que vai
ao posto acompanham sua pressão arterial, como parte do pré-natal do parceiro.
Breno disse que ainda não se sente pai e como já viveu essa experiência sabe que só
acontecerá com o parto. Pegar o bebê é para ele o início da paternidade. E relata que é o
momento que começam as responsabilidades. Explicou que não ajuda nos cuidados diretos
com o bebê porque não sabe fazer, e por isso cuida da casa e aumenta a produção do mês no
trabalho para que não falte nada a sua família.
Com sua família a relação é boa, mora no quintal da casa dos pais e diz que são
próximos. E, com a família da companheira também tem boa relação, contou que se
conhecem há anos porque sempre moraram na mesma rua - as famílias se conhecem.
Inclusive, a amizade entre as famílias os ajudou no namoro já que a diferença de idade entre
ele e a companheira é de 20 anos, houve resistência da família dela. Assim, os pais da
companheira só permitiram que namorassem por conhecê-lo.
O relacionamento com a companheira sempre foi bom, pois desde que ela foi morar
em sua rua eram amigos, e depois de anos a paquerando começaram a namorar. Após um ano
e meio de namoro tiveram sua primeira gestação e casaram. Contou que a relação dos dois é
boa porque são caseiros. Relatou ser um bom pai e esposo.
Breno planeja no futuro conseguir um emprego que pague melhor ou um emprego
formal que assine sua carteira e lhe garanta direitos como a aposentadoria. E quanto ao bebê,
espera poder ajudar em tudo e que seja uma menina. Falou ainda que seu sonho é que seus
filhos sejam amigos quando crescerem. Não descartou a possibilidade de outra gestação no
futuro.

4.5.3 Desenho da Família com Estórias
Figura 17: “Família” (desenho de uma família qualquer)

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No primeiro momento foi pedido que Breno fizesse o desenho de uma família
qualquer.
Estória: Uma família normal.
Figura 18: “Sem problemas” (desenho de uma família que gostaria de ter)

O segundo desenho produzido por Breno era de uma família que gostaria de ter.
Estória: uma família que não tem problemas
Na família que gostaria de ter, Breno destacou a vida financeira da família e trouxe seu
desejo em ter mais filhos.
Desenho de uma família que alguém não está bem
Nesse momento do procedimento foi pedido que desenhasse uma família que alguém
não está bem. E Breno não quis realizar o desenho e nem falar sobre este tipo de família.
Apenas pediu para realizar o próximo desenho e afirmou que não estava com paciência para
este.
Figura 19: “Eu, Luiza e Luís” (desenho da própria família)

No último momento do procedimento foi pedido a Breno que fizesse o desenho da
própria família.
Estória: Eu, minha esposa e meu filho.

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Breno relatou o bebê imaginado como menina parecida com sua companheira. Sua
descrição do bebê foi apenas física. Além de trazer a preocupação que o pai tem com a família
como a maior de suas questões.

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5. DISCUSSÃO
O Formulário de caracterização do perfil socioeconômico e de produção e reprodução
social foi um instrumento que possibilitou compreender e sistematizar características dos pais
através de seus contextos. Esses dados estão sintetizados na Tabela 1 para melhor discussão
dos mesmos.
Tabela 1 – Dados sociodemográficos dos pais
Nome

Idade

Nome/Idade

Escolaridade

Trabalho

Mecânico

da mãe do bebê
Antônio

25 anos

Clara / 17 anos

8ª série (estudando)

Breno

38 anos

Luiza / 18 anos

6ª

série

(não

está Motoboy

estudando)
João

20 anos

Ana / 18 anos

Ensino Médio Completo Caixa
(não está estudando)

Lucas

43 anos

Jamyle / 19 anos

4ª

série

(não

de

supermercado
está Garçom

estudando)
Vitor

23 anos

Angélica
anos

/

19 1ª ensino médio (não está Desempregado
estudando)

Fonte: Autora (2019)

Desse modo, nos cinco participantes observou-se que as idades variam entre 20 e 43
anos ao tempo que as mães dos bebês tiveram idades entre 17 e 19 anos. E, que todas as mães
estavam no período da adolescência, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, que
compreende como gestações na adolescência as ocorridas entre 10 até 19 anos.
Os níveis de escolarização dos pais variaram entre os que concluíram até a segunda
série do ensino fundamental e o terceiro ano do ensino médio. O interesse em retomar os
estudos apareceu em Vitor e João, que incluem em seus projetos de vida. Antônio já voltou a
estudar, fazendo supletivo, que é um de seus projetos de vida. Ao tempo que Lucas e Breno
estão satisfeitos com seu grau de instrução e não tem interesse em concluir os estudos. A
indisponibilidade de serviços educacionais de qualidade e a falta de percepção acerca dos
retornos futuros levam o aluno ao trabalho precoce e aos baixos níveis educacionais (NERI,
2009). Como foi visto nos casos dos pais, a inserção no mercado de trabalho foi a principal
justificativa do abandono escolar. Lucas e Antônio pararam de estudar devido a entrada no
mercado de trabalho como necessidade. No entanto, Antônio voltou aos estudos quando teve
oportunidade. Para João e Vitor, os estudos são primordiais para conseguirem profissões
melhores em seus planos de vida futuros. Sendo para Vitor a conclusão do ensino médio
59

necessário para ingressar no ensino superior, João também planeja o ensino superior, mas
agora necessita de tempo e organização financeira para iniciar a nova fase de estudos.
Para Heilborn, Salem, Rohden, Brandão, Knauth, Víctora, Aquino, MacCallum e
Bozon (2002), a paternidade na classe média ocasiona um pequeno impacto nos projetos e
trajetórias escolar e profissionais dos pais, não implicando na suspensão dos estudos e na
aceleração do ingresso do mercado de trabalho. Em contraponto a Leão (2006), que analisa a
escolarização de jovens pobres e conclui que os pais desejam que seus filhos estudem, e
alguns desses jovens sonham com a possibilidade do curso superior ou cursos profissionais,
mas com a gravidez na adolescência esses planos são modificados e os jovens entram mais
cedo no mercado de trabalho para sustentar seus filhos. Ainda que para alguns jovens deste
estudo o investimento na escola não era válido pelo esforço que demandava e optavam pela
inserção no mercado de trabalho. Essa diferença marca a condição social econômica na vida
escolar dos jovens, uma vez que independente de gestação ou não, alguns já experienciam a
saída da escola e entrada no mercado de trabalho como necessidade para a própria
subsistência. Enquanto na classe média a gestação ocorre sem interferências nos projetos de
vida e sem a necessária entrada no mercado de trabalho.
Antônio, Breno, João, Lucas e Vitor fazem parte do recorte da escolarização de jovens
que em algum momento tiveram que sair da escola para trabalhar. João se diferencia dos
outros pais por ter terminado o ensino médio sem repetência, e sua entrada no mercado de
trabalho - devido à gestação da companheira, veio pela própria família (seus avós). De
maneira que o jovem se aproxima das pesquisas de pais de classe média que recebem o apoio
da família e continuam, em alguma medida, com seus projetos de vida mesmo com a gravidez.
João apenas adiou o plano de cursar a faculdade, que pretende retomar com o nascimento do
bebê. Já Vitor, entendeu que a continuidade dos estudos e qualificação com ensino superior
era importante apenas com a gestação de sua companheira, pois com isto surgiu a necessidade
e o desejo de ter uma profissão e um emprego que ofereça conforto financeiro para sua
família. Para Lucas e Breno o retorno aos estudos não é uma possibilidade pois têm seus
empregos e estão satisfeitos com a atual condição, seus planos de vida não trazem o retorno
aos estudos. Antônio saiu da escola a pedido dos pais para trabalhar e ajudar a renda familiar,
e aprendeu a profissão com o pai: é mecânico. Mas voltou a estudar para concluir o ensino
médio que define como sua satisfação pessoal.
Todos os pais estavam em casamentos ou uniões estáveis com as mães dos bebês,
Lucas, João, Antônio e Breno residiam com as esposas e Vitor com sua família (mãe e avó) e
a esposa. Um formato interessante é o do João, que mora no mesmo terreno dos avós paternos,
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mas em casas diferentes. O tempo de relacionamento dos casais variaram de 5 meses a 3 anos
e 6 meses.
O filho modifica a vida do casal, principalmente da mãe, que responde às mudanças
com base no apoio que recebem do pai do bebê, segundo Rapoport e Piccinini (2006).
Gonçalves, Parada e Bertoncello (2001) analisaram o panorama de pais jovens que se sentiam
ameaçados em perder sua independência ao assumir a paternidade, e nos casos de gestações
adolescentes os pais não assumiram a paternidade por alegar que não estavam preparados. De
acordo com Lewandowski, De Antoni, Koller e Piccinini (2002) o abandono paterno é um
fenômeno comum que ocasiona famílias monoparentais. O grupo entrevistado é diferente,
todos os pais assumiram as gestações. Breno, João, Lucas e Vitor assumiram a paternidade e
oferecem as mães suporte financeiro e apoio emocional. Antônio não tinha relação com a mãe
do bebê antes da gestação, e ao assumir a paternidade, que trouxe mudanças em sua vida
como a constituição de uma família, começou a morar com sua companheira e vivencia a
paternidade. A compreensão de assumir a paternidade não significa que não existiam medos e
inseguranças dos pais na experiência da paternidade, mas, que os pais mesmo com todos os
atravessamentos sociais e emocionais se dispõem a criar, acompanhar e participar da vida dos
filhos.
Para Krob, Piccinini e Silva (2009), as inseguranças e medos dos pais surgem desde a
gestação, com a preocupação de um possível aborto espontâneo e com a saúde da gestante, e
perduram até o nascimento do bebê, onde surgem as inseguranças com os primeiros cuidados
com o bebê, troca de fraldas e banho. No segundo momento, após o nascimento, o medo dos
pais no cuidado com o bebê está crença de que as esposas tinham mais jeito para trocar fraldas
e dar banho (KROB, PICCININI e SILVA, 2009). Para Utiamada (2010) a insegurança dos
pais está na incerteza do futuro com o filho e no preparo do casal para maternidade e
paternidade.
As gestações de Vitor, João, Antônio e Breno não foram planejadas. Ao descobrir a
gravidez Breno, João Lucas e Vitor contaram que suas companheiras iniciaram o pré-natal no
primeiro trimestre e Antônio foi o único pai a iniciar o pré-natal no segundo trimestre. E
Breno relatou ter participado o pré-natal do parceiro pelo convite da enfermeira que realizada
o pré-natal de sua companheira. Vitor, João, Antônio e Breno acompanharam todas as
consultas e Lucas, que teve a gestação planejada, acompanhou apenas uma. Para Leal,
Rodrigues, Gomes, Ferraz e Silva (2018), a presença paterna nas consultas e nos grupos
operativos têm aumentado, gerando maior interação do pai no processo gravídico, que
ocasiona tranquilidade para mãe que encontra em seu companheiro segurança e apoio. Nas
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experiências dos entrevistados foi possível compreender que os pais começam a entender sua
importância no pré-natal após a primeira consulta que acompanham.
A presença do pai no pré-natal além de ser um direito da gestante, segundo Cardoso,
Oliveira, Santos, Santos e Cariri (2017), é uma importante forma de incentivo para mães
participarem integralmente deste momento pois, contam com o apoio paterno também durante
o pré-natal. Além proporcionar um espaço em que os pais possam tirar dúvidas sobre a
gestação e o bebê, e ofertar a realização de exames, principalmente os testes rápidos, que são
utilizados como importante estratégia para a prevenção e consequente redução do impacto das
doenças transmissíveis na população (BRASIL, 2016). Pois o pré-natal, através da cartilha do
parceiro, se destina aos companheiros com intuito de ofertar assistência à saúde aos pais dos
bebês.
Holanda, Castro, Aquin, Pinheiro, Lopes e Martins (2018) trazem que a adesão dos
parceiros no pré-natal varia entre pouca ou nenhuma participação. Ao tempo que para as
mulheres o acompanhamento nem sempre ocorre como gostariam, pois, alegam que em
muitos momentos gostariam de ser acompanhadas pelos pais dos bebês, mas o trabalho os
impossibilitavam de participar do pré-natal periodicamente. O mesmo ocorreu com Breno,
João, Lucas e Vitor que não participaram do pré-natal de forma assídua pelo trabalho e,
principalmente, porque o salário faz parte da renda familiar em grande parte ou na totalidade,
e assim, indicam que a não participação está relacionada ao trabalho como uma questão
financeira.
O pai era visto como o provedor financeiro da família em toda construção histórica da
família, durante as três grandes fases da família (CÚNICO e ARPINI, 2013): tradicional,
moderna e contemporânea. Sendo a tradicional e a moderna marcadas pelo pai como provedor
da família sem estabelecimento de relações de afetos com a esposa e os filhos. Na família
contemporânea, segundo Scaglia (2012) a paternidade vem se relacionando com a construção
da relação pai-bebê mais que o pai provedor familiar. Nos casos de Antônio, Breno, João,
Lucas e Vitor é possível perceber que o pai provedor ainda é real e existente na
contemporaneidade, sendo um pai que ajuda a mãe e se sente participativo sim, mas, ao
mesmo tempo, é responsável e assume o lugar de provedor da família. O que permite concluir
que mesmo com as mudanças ocorridas na relação de afetividade e de proximidade dos pais
com os filhos e com as mães, de serem mais participativos na gestação, o pai provedor ainda é
presente e forte nas construções familiares contemporâneas. Nesse sentido, o pai que era visto
como provedor durante a história social da família ainda permanece, mesmo com
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modificações como a maior participação na vida dos filhos, e isto é possível observar nas
vidas dos cinco pais que participaram desta pesquisa.
O material coletado nas entrevistas foi sistematizado e organizado em categorias, que
foram elaboradas a partir dos conteúdos identificados no discurso dos participantes e nos
objetivos desta pesquisa. Foram criadas as seguintes categorias: famílias, gestação; pré-natal;
bebê imaginado; compreensão da paternidade e; projetos de vida.
5.1 Famílias
A família de origem dos pais é importante para compreender o referencial de família
no qual estamos partindo em cada história de vida. De acordo com Winnicott (1957/2013), a
família tem seu próprio crescimento e como característica psicossocial, se organiza a partir
das características de cada época, mantendo sua posição fundamental no desenvolvimento
humano. Isso significa que independente do modelo de família, seja tradicional com pai e mãe
casados, separados, biparental ou monoparental, a família está presente nas etapas do processo
de amadurecimento do indivíduo. E suas formas de organização se distingue nas culturas
oriental e ocidental, pois, como aponta Winnicott (1957/2013), as famílias são demonstrações
práticas de nossa cultura.
A família de origem de Breno está presente em sua vida e também no espaço físico
que dividem, ainda que em casas separadas. Para ele a relação com a família de origem
sempre fez parte de sua vida e relata que “morar todo mundo junto é bom demais, zero
preocupação” (sic). Breno vivencia sua segunda gravidez com a mesma companheira, que tem
uma grande diferença de idade, e que só foi possível namorá-la e casar-se pela ajuda que teve
da família de origem. Pois, sua família tem uma relação de amizade com a família de origem
de sua companheira, e por isso houve confiança no namoro, por parte dos pais dela, mesmo
com a grande diferença de idade que é apontada inclusive por ele.
A família de origem de João é evangélica e traz valores religiosos marcados nas
condutas. Sua família é formada pelo avô, que é pastor, avó, sua mãe e seu pai. O fato da
“gravidez ter sido fora do casamento” (sic) não foi considerada boa pela família, e João teve
que interromper a preparação para o vestibular para começar a trabalhar. A religião é um
elemento importante na vida de João e também na família de origem de sua companheira, que
não aceitou a condição da gravidez fora do casamento e a expulsou de casa. Mesmo com
fortes princípios religiosos, a família de João acolheu sua companheira, ofereceram suporte
emocional e financeiro para que a nova família de João se constituísse na própria casa. Em
seu discurso fica muito marcado que apesar das adversidades, sua família lhe oferece suporte,
sempre que há problemas ou dificuldade, a solidariedade entre os membros se sobressai.
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Segundo João, “na minha casa (em referência à família de origem) o pessoal se ajuda muito”
(sic). E dessa forma, mesmo em conflito com a concepção de constituição de família proposta
pela igreja da família, eles se apoiam e se ajudam.
Antônio é próximo de sua família de origem, contou que aprendeu a profissão com o
pai, que é mecânico e “ensinou tudo que sabe” (sic). Passou por dificuldades financeiras junto
com sua família que o fez sair da escola e começar a trabalhar para “ajudar no sustento da
casa” (sic). Mostrando ainda que não houve abandono, mas, que para ajudar aos pais frente à
dificuldade financeira aprendeu uma profissão - com o pai - e começou a trabalhar. Antônio
mostra que há um referencial paterno na sua vida na medida que trouxe sua família em sua
história de vida. Ele e a companheira estão na relação há cinco meses, que é o mesmo tempo
de gestação, e agora conta que vivencia a gestação de perto. Mas, Antônio já tem uma filha
que não tem contato, que apareceu no seu projeto de vida quando planeja ter uma casa “para
trazer a filha” (sic). Mostrando um paradoxo, pois, ele teve um referencial paterno presente
em sua vida e na vida de sua primeira filha não se fez presente. E com a nova experiência de
paternidade vem o retorno a essa paternidade, que já existe, na medida que Antônio inclui a
filha em seu projeto de vida.
No caso de Lucas a família de origem não foi trazida na entrevista, mas, o fato de ter
filhos mostra que há uma relação diferente na atual gravidez. Descreve que “tem contato”
(sic) com os filhos, mas que não acompanhou as gestações anteriores, pois “é a primeira vez
que venho com mulher pro médico” (sic). Ainda que não se saiba a relação que tinha com sua
família de origem e que hoje se relaciona com proximidade da família de sua companheira.
Relata que sua sogra “é gente boa demais, gosto que só dela” (sic), e traz a preocupação com
a sogra e o sogro no DE-T ao produzir sobre alguém que não está bem.
Sobre a família de origem de Vitor é composta por ele, a avó, a mãe e um irmão. O
irmão não morava mais com a família por um desentendimento que o fez sair de casa. A avó
era a principal mantedora financeira e a mãe ajudava financeiramente nos cuidados da casa.
Não falou sobre o pai ou relação com o pai em momento algum da entrevista. Sua
companheira foi trazida para sua família de hoje e no momento da entrevista todos moravam
juntos. No caso de Vitor é válido destacar que sua preocupação principal parece ser o retorno
às coisas que gostava de fazer, pular as dificuldades e voltar a vivenciar o que era divertido
incluindo o filho, “quero levar pro shopping” (sic). O que configura uma preocupação com a
constituição da família e não ser pai.
De acordo com Winnicott (1965/2005), a família favorece que o indivíduo atinja sua
maturidade emocional, pois é ela que proporciona o caminho de transição entre os cuidados
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dos pais e a provisão social do indivíduo. Dias (2017) aponta que a família em Winnicott é a
retaguarda do indivíduo, em termos de confiabilidade e proteção oferece suporte, e por isso
favorece sua sustentação. A família, ainda de acordo com Dias (2017), é também a instância
de pertencimento que possibilita ao indivíduo um lugar no grupo para pertencer, é a
continuidade do colo materno. Assim, parafraseando Winnicott (1958/1990), não haveria nada
de novo em afirmar que a família é um dado essencial de nossa civilização.
A participação do pai na família é muito importante, mas, como aponta Winnicott
(1959/2011), há um rosário de razões que torna difícil para o pai a participação na criação do
filho pequeno. Considerando as questões relacionadas ao trabalho do pai em sua participação
no desenvolvimento emocional da criança. Nesse sentido, a família tem grande importância,
pois cada família tem seu próprio crescimento e partindo do pressuposto de uma família
saudável, aquela que oferece minimamente as condições necessárias de desenvolvimento
dentro de suas possibilidades, ela proporciona aos membros conviver com as dinâmicas de
cuidado dos membros dentro de suas possibilidades. Como é o caso do pai que pode oferecer
menos tempo que a mãe na rotina da criança, devido ao trabalho, mas, que mesmo assim se
destina a cuidar da criança. Ou, o pai que não destina tempo a criança e a função paterna recai
sobre a mãe.
Em relação ao casamento como constituição da família, é sinal de maturidade
emocional dos pais. Pois, de acordo com Winnicott (1959/2011), os membros do casal estão
em processo de crescimento e amadurecimento emocional, e permanecem desta forma ao
longo de suas vidas. É possível observar esta análise nos casos de Antônio, Breno, João,
Lucas e Vitor, que estão em seus relacionamentos e continuam seus processos de
amadurecimento emocional.
As famílias de Lucas e Breno já estavam constituídas na experiência de gestação
acompanhada por esta pesquisa. Lucas já estava casado com a companheira e juntos
planejaram a gestação. E Breno vivencia sua segunda gestação com a companheira. Ambos
têm experiências de gestações anteriores que se distinguem, pois Lucas não tem proximidade
com os filhos de outro relacionamento, e está constituindo a atual família no formato diferente,
sendo próximo do bebê desde a gestação e apoiando à companheira no processo gestacional.
Relata ser sua primeira experiência no pré-natal. Ao tempo que Breno já tem relação de
proximidade com filho mais velho, que juntos esperam o novo bebê.
Vitor e João estão constituindo suas famílias a partir de gestação. Ao descobrir as
gestações se uniram com as companheiras, que eram namoradas, e em alguma medida
fornecem suporte a elas. Esses casos tratam de gestação de jovens pais, e contam
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principalmente com o apoio de suas famílias de origem na constituição de suas famílias. Nos
casos em que a gestação ocorre também na adolescência do pai as experiências de paternidade
são construídas com o suporte que o jovem pai recebe da família, amigos e vizinhos
(BUENO, MEINCKE, SCHWARTZ, SOARES e CORRÊA, 2012). Esse suporte tem sido
através do apoio financeiro e psicológico. A família, na paternidade, em geral, segundo Vieira,
Bossardi, Gomes, Bolze, Crepaldi e Piccinini (2014) fornece suporte e transmissão de
modelos parentais.
No caso de João, a família trouxe elementos de apoio, assim como apontado por
Winnicott (1965/2005) por proporcionar ao indivíduo que atinja sua maturidade emocional. A
peculiaridade nesta relação são os valores religiosos, porque a família de João entrou em
paradoxo ao apoiar a condição de gravidez que iria de encontro às crenças religiosas que
condicionam a maternidade e a paternidade ao casamento. E desse modo contribuiu para que
João alcançasse sua maturidade emocional junto a família.
Antônio diferente dos outros pais, não tinha relacionamento com sua companheira até
descobrir a gestação. A constituição da família se faz junto ao processo gestacional, que é bem
marcado pelo tempo de relacionamento ser o mesmo de gravidez. Nesse caso a família de
apoio é fundamental no suporte da família de Antônio, pois sua vivência de paternidade, como
traz em sua história de vida, é respaldada em sua experiência com o próprio pai, que muito
presente – dentro de suas possibilidades – faz parte de sua vida através de sua profissão. No
entanto, apesar desse exemplo, há um elemento a considerar sobre a experiência anterior de
paternidade ser marcada pela ausência de Antônio, que problematiza sua postura na atual
gestação que tem acompanhado de perto, e reiterando sua distância com a filha fruto de
relacionamento anterior.
O envolvimento paterno está ligado a questões familiares e o apoio recebido pela
família. Uma vez que, de acordo com Souza e Benetti (2008), o envolvimento paterno com os
filhos, nas diferentes instâncias de relacionamento, depende de aspectos relacionados a: rede
de apoio familiar e emocional, características dos pais e aspectos financeiros. A família então,
através de seu apoio e em consonância com a teoria de Winnicott, possibilita o pertencimento
dos sujeitos e sua existência externa em construir o modelo de paternidade do indivíduo em
suas experiências na própria família. É possível compreender bem esta análise no caso de
Antônio, que se respalda em seu pai e sua família de origem ao relatar sua história de vida.
No Desenho da Família com Estórias todos os pais, Antônio, Breno, João, Lucas e
Vitor, trouxeram elementos de como imaginam suas relações com os bebês e as companheiras.
Lucas imagina uma relação de proximidade entre toda família constituída. Vitor pensa na
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família unida e expressou isso no procedimento, sem que tenha se dado conta. Falou ainda
sobre a vontade de retomar as atividades que tinham antes da gestação junto com sua
companheira. Já João, trouxe em seus desenhos outro desejo para família que está
constituindo, o conforto financeiro e que possa oferecer condições necessárias para viver,
como elemento importante na relação que estabelece com sua família, de proporcionar a eles
tudo que não teve acesso. Breno já pensa uma relação sem problemas, que sua esposa e seu
bebê não precisassem se preocupar com custos e pudessem se divertir com seu salário. Visão
esta que se assemelha com a compreensão de João, e que em alguma medida quer distanciar
os problemas financeiros das relações familiares. Para Antônio, em sua história fala que quer
toda família unida, trazendo o elemento de proximidade com a esposa, e principalmente com
o bebê que está chegando, pois quer uma relação de amizade e de compartilhar os gostos que
lhe dão prazer. Assim, se faz importante ressaltar que todos os desenhos trouxeram a esposa e
o filho como parte constituinte das famílias. A compreensão de família para Winnicott
(1959/2011), de favorecer o suporte emocional aos indivíduos pode ser vista nas histórias
daqueles que trouxeram suas famílias de origem em suas falas. Pois os pais entrevistados, que
se remeteram as origens, trouxeram elementos das relações familiares como constituintes de
suas vidas. A constituição da família oriunda da gestação atual possibilita, ainda, compreender
quais elementos de origem fazem parte de suas vidas, e compreender através do Desenho da
Família com Estórias elementos que fazem parte do inconsciente dos pais e são trazidos à tona
pelos desenhos.
5.2 Gestação
Esta categoria se refere à gestação a partir da compreensão dos pais considerando três
pontos: planejamento familiar, descoberta da gravidez e a vivência gestacional. Os eixos de
discussão foram definidos pelo conteúdo encontrado nas entrevistas em consonância com os
objetivos específicos da pesquisa.
A saúde sexual e reprodutiva, que engloba o planejamento familiar, são discutidas na
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (2008) e na Política Nacional de
Atenção Integral à Saúde da Mulher (2004). Para os homens a paternidade, segundo a
PNAISH (2008), não é vista apenas como obrigação legal, mas, como um direito do homem
de participar de todo o processo, desde a decisão dos filhos à corresponsabilidade na
reprodução e contracepção. Para as mulheres a indicação é a mesma, a corresponsabilidade
surge na PNAISM (2008) também como elemento importante do planejamento familiar. E
hoje, ainda faz parte da realidade feminina a decisão e a responsabilidade do uso de métodos
contraceptivos, sem haver participação dos companheiros.
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Nenhum dos pais relatou usar método contraceptivo masculino (camisinha), João e
Antônio relataram que suas companheiras tomavam pílula, método anticoncepcional feminino.
Iniciaram sua vida sexual entre 14 e 16 anos. No que tange ao uso de contracepção é possível
perceber que a realidade e a literatura concordam com a lacuna que ainda existe no
planejamento reprodutivo masculino pela baixa participação dos homens no uso de
camisinhas. Há uma responsabilização da mulher na contracepção, considerando que no caso
de Antônio, por exemplo, afirmava não gostar de usar a contracepção masculina, que é a
camisinha, colocando para a companheira a responsabilidade na contracepção. Nogueira,
Carvalho, Tocantins e Freire (2017) apontam que para os homens a mulher ainda é vista como
a responsável pela contracepção. Morais, Cruz, Pinto, Amorim e Sampaio (2014) e Morais,
Ferreira, Almeida e Quirino (2014) apontam que a mulher exime o parceiro da
responsabilidade da contracepção que é de ambos, e o planejamento familiar acontece de
forma unilateral pautado na hierarquia de gênero que responsabiliza as mulheres.
O planejamento familiar acontece na decisão de ter ou não filhos e quando tê-los,
como apontam a PNAISH (2008) e a PNAISM (2004). Nos casos analisados apenas Lucas
relatou ter planejado a gravidez com sua companheira. Vitor, João, Antônio e Breno relataram
que foram surpreendidos com a gestação não planejada, e que passaram pelo processo de
aceitação. Apenas João e Antônio falaram sobre contracepção, atribuindo as companheiras o
uso de anticoncepcionais. Isso demonstra que há uma responsabilização por parte dos pais,
consequentemente homens, das companheiras no uso de métodos contraceptivos. Pedro (2003)
analisa que a experiência de contracepção no Brasil é associada à responsabilização das
mulheres desde o surgimento das pílulas anticoncepcionais, que foram os primeiros métodos.
No momento posterior, com a descoberta que seriam pais, os homens começaram a
viver sua transição para paternidade, que se deu através das primeiras experiências com o
bebê e a mãe. Para Silva e Piccinini (2007), existem muitas mudanças importantes na
experiência da paternidade na gestação, ainda que o grau de envolvimento paterno seja
variável, por existirem resistências e dificuldades comuns a muitos homens durante o
estabelecimento do vínculo com o bebê. O papel paterno, de modo geral, para Krob, Piccinini
e Silva (2009), traz satisfação pessoal para o homem e sensação de amadurecimento
diretamente relacionada a paternidade e suas responsabilidades. Lucas fala que ser pai é
motivo de satisfação e alegria. Vitor, João e Breno, após o momento da descoberta, pensam a
gestação como transição para paternidade e consideram ser uma fase boa. Antônio teve uma
experiência diferente de transição para paternidade, pois além da descoberta da gestação
estabeleceu um relacionamento com a mãe do bebê que não existia anteriormente. Isso ilustra
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que o amadurecimento dos pais durante o processo de gestação está ligado ao “tornar-se pai”
com uma transição, pois diversos elementos psíquicos e sociais estão implicados nesse
processo, como por exemplo, a constituição ou não da família pela gestação. Antônio, Breno e
Lucas estão vivenciando a experiência da gestação novamente. Lucas tem três filhos e
Antônio uma filha, ambos de outros relacionamentos, e Breno tem um filho com sua atual
companheira, que está gestante. Todos estes pais relatam mudanças na experiência da
gestação que vivem atualmente, com mais participação.
Cúnico e Arpini (2016) apontam que as experiências observadas por mulheres chefes
de família são de distanciamento dos filhos por parte dos pais após a separação conjugal, e
não só pela responsabilidade financeira, mas, pela ausência no cotidiano, saúde e educação
dos filhos. Como pode ser visto por Lucas e Antônio que não participam cotidianamente ou
com proximidade da dinâmica de vida dos filhos. Isto incide no desenvolvimento dos filhos
como traz Melo, Mota e Silva (2014), a separação conjugal modificou dinâmica familiar, na
resolução de problemas familiares e principalmente, no lugar paterno na família. A
experiência paterna da criança fica esvaziada nos casos de ausência do pai, de acordo com
Damiani e Colossi (2015).
O amparo a gestação, a grosso modo, surge nessa transição e começa a trazer
elementos para os homens começarem a sentir-se pais. Pois, as mães, de maneira diferente,
sentem o bebê em seu corpo - como parte dela - durante a gestação. Para Winnicott
(1957/2008), é uma vontade e uma capacidade de desviar o interesse de seu self para o bebê.
Por conviver e viver diretamente com os bebês em seus corpos as mães conseguem se sentir
participantes de um só corpo. No caso dos pais, essa compreensão do bebê é completamente
diferente, primeiro porque não tem essa relação corpórea, e segundo, porque a paternidade
passa pela relação que estabelece também com a mãe. De acordo com Piccinini,
Levandowski, Gomes, Lindemeyer e Lopes (2009), esse movimento de se aproximar da mãe e
do bebê, de conhecer o bebê, esperar respostas dele e oferecer um modelo de interação do pai,
se estabelece pela relação mãe-bebê e pai-bebê. Pois, a relação do pai com o bebê durante a
gestação faz parte de uma tríade, que é composta por pai-mãe-bebê, onde o pai vai fornecer
suporte a mãe para que ela consiga desviar seu self para o bebê. Assim, a descoberta da
gestação é o ponto de partida da relação pai-bebê, ainda que no momento faça parte de uma
tríade que inclui a mãe, porque muitos momentos os cuidados com o bebê são destinados a ela
diretamente.

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5.3. Pré-natal
O Pré-natal, segundo o Ministério da Saúde é o período em que as gestantes são
acompanhadas, por no mínimo 6 consultas, para realização de exames, vacinas e ecografias,
que se iniciam nos três primeiros meses de gestação. A participação dos pais é importante,
principalmente na realização do Pré-natal do Parceiro. Nas entrevistas os pais relataram que
todas as mães estão realizando o pré-natal. Lucas, Vitor, João e Breno acompanharam as
consultas, mas Antônio é o único pai que não está realizando o acompanhamento. O Pré-natal
do Parceiro foi realizado apenas por Breno que o descreveu como um conjunto de perguntas.
Os motivos que justificam os pais não frequentarem as consultas são, principalmente, a
jornada de trabalho dos pais. No caso de Lucas o principal motivo é sentir vergonha de
frequentar espaços com sua companheira, a diferença de idade entre eles é de 24 anos e a
reação das pessoas ao observarem isto causa vergonha. Ao tempo que Lucas e sua
companheira foram os únicos que planejaram a gravidez. Para Presado, Cardoso e Carmona
(2015), a gravidez na adolescência é vista por muitos profissionais como um fenômeno que
nem sempre está relacionado a ocorrência acidental, pois notam que alguns adolescentes têm
um desejo na reprodução como projeto de vida. E, como aponta Cabrita, Silveira, Souza e
Alves (2012), para um pai que já não entende aquele ambiente (de assistência pré-natal) como
sendo seu, tudo pode parecer novo ou proibido, até mesmo o simples fato de entrar na
consulta. O que é reiterado ainda por um dado presente na pesquisa de Cabrita, Silveira,
Souza e Alves (2012) e nos pais de bebês de mães adolescentes entrevistados: quando os pais
têm dúvidas sobre o estado de saúde dos bebês recorrem as mulheres para saná-las. As mães
são as principais cuidadoras dos bebês e em muitos casos são os elos dos pais com a
assistência pré-natal.
As mães se mostram presentes no Pré-natal, pois todas o frequentam e começam assim
a estabelecer os primeiros vínculos com os bebês. Winnicott (1966/1999) considera a gestação
um período importante para construção da relação mãe-bebê. Para Simas, Souza, ScorsoliniComin (2013), a experiência da gestação e maternidade oferece à mãe, em termos de
desenvolvimento psíquico, a possibilidade de integração e amadurecimento. O pai vai surgir
nesse contexto como suporte a mãe.
A função de “capa protetora” do pai (WINNICOTT, 1956a/2000) permite à mãe viver
integralmente sua relação com o bebê sendo aparada pelo pai, que fornece o suporte
necessário para qualidade desta relação. Durante o pré-natal essa função começa a se esboçar
na medida que os pais afirmam que oferecem suporte as mães no cuidado com a mãe e no
sustento para que não se preocupem e se dediquem ao bebê. Lucas se preocupa em oferecer o
70

suporte financeiro, principalmente porque trabalhava com sua companheira e quando o bebê
nascer ela se afastará e Lucas não quer que se torne motivo de preocupação. Breno e Vitor, da
mesma forma, buscam fornece todo suporte financeiro.
No entanto, a “capa protetora” do pai pode se estabelecer na assistência Pré-natal
como suporte à mãe, e incentivo para que viva esse momento em sua totalidade. São nessas
consultas que é possível ouvir e ver o bebê pela primeira vez, que se acompanha as alterações
biológicas da gestação e se realiza o planejamento do parto. Mas, para os cinco pais, o suporte
a mãe está inserido no ambiente doméstico, e, se aplica ao Pré-natal pontualmente e
discretamente no acompanhamento de uma ou duas consultas.
O parto é pensado por Winnicott (1960/2003) como uma dinâmica que deve ser
respeitada não se prolongando em excesso e nem precipitando pois está alinhado com a
constituição do self do bebê e as interferências que começa a receber do mundo externo. Para
que este momento ocorra da maneira esperada é necessário que seja planejado o parto, que a
mãe e o bebê estejam em equilíbrio, para não ocorrer sofrimento materno e nem fetal. O prénatal funciona como esse acompanhamento e fornece todo encaminhamento necessário para
sua boa realização, principalmente por nas últimas consultas já encaminhar a mãe para
maternidade que será atendida. O pai ao participar do planejamento do parto também oferece
a mãe suporte emocional e vivencia a espera pelo nascimento do bebê. No caso dos pais
entrevistados apenas Lucas falou sobre suas expectativas sobre o parto e demonstrou planejar
este momento, para ele a expectativa é que seja eutócico (popularmente, o normal) para que a
mãe sofra menos e volte logo para casa. E que passado o parto, ele dedicará alguns dias,
tirando licença do trabalho, para ajudar a companheira nos cuidados do bebê. A licença
paternidade, que de acordo com a Lei 8.112, de 1990, dá aos pais o direito de se afastarem do
trabalho para cuidar dos filhos. O tempo varia no setor público e privado entre 5 e 20 dias.
Mas, para ter esse direito é necessário ser regido pela Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), que no caso de Lucas não se aplica por ser autônomo e não possuir direitos trabalhistas.
No caso de João também não se aplica, pois trabalha informalmente nos negócios da família,
assim como Breno, que presta serviço sem vínculo formal. Vitor está desempregado. E
Antônio é o único pai que seguindo a legislação terá direito a licença paternidade.
5.4 Bebê imaginado
De acordo com Borges (2018), o bebê imaginado é uma personificação dos desejos e
fantasias das mães como um prolongamento de si. E no caso dos pais Lucas, Vitor e Breno
seus bebês imaginados são a personificação das mães, pois os descrevem como “cabelo igual
71

ao da mãe” (sic), “bonitos como a mãe” (sic) e “igual a mãe” (sic), respectivamente. Para
Winnicott (1987/2013), desde a descoberta do bebê os pais já têm fantasias ligadas a criança.
Franco (2015) aponta que dois componentes fazem parte da construção do bebê
imaginado para os pais: o bebê ser bonito, pois tem características de perfeição estética por
serem incorporadas semelhanças com os pais, sendo em padrões mais elevados; e o bebê
perfeito: gordinho, rosado e ativo, iguais aos bebês ideais descritos pelas campanhas de
publicidade. Antônio chama atenção, que traz o bebê imaginado apenas como um bebê, sem
expectativas. Na pesquisa de Piccinini, Levandowski, Gomes, Lindenmeyer e Lopes (2009),
alguns pais entrevistados não referiram expectativas sobre as características físicas de seus
bebês, não diziam como seriam fisicamente, apenas descreveram seus bebês imaginados
definindo o sexo que desejavam, o nome que planejavam colocar e algumas características da
personalidade, como ser calmo e tranquilo.
A concepção de bebê imaginário de Golse (2002) reitera a ideia de que os pais trazem
em suas fantasias os desejos que tem dos filhos, de suas características físicas e psíquicas.
Desde o momento da gestação, que foi realizado as entrevistas, muitas vezes até sem conhecer
os filhos por exames de imagens como a ultrassonografia, os pais já os imaginam e os
descrevem. Quando o nível de detalhamento do imaginário dos pais é menor, eles conseguem
pelo menos expressar se desejam filhos ou filhas.
Em situações que o pai Antônio diz que o bebê vai para o futebol ou que o pai Vitor
deseja que “seja menino”, os bebês imaginados trazem elementos da vida dos pais, sejam por
características físicas de algum ente da família ou por alguma característica do próprio pai,
como no caso de Antônio, que quer escolher o mesmo time para o seu bebê. E, ainda, trazem
elementos de sua rotina, pois Lucas imagina seu bebê fazendo parte da rotina que pretende
retomar após a gestação.
O nascimento é um momento esperado pelos pais, que imaginam seus bebês e terão o
encontro com o bebê real. João afirma que “após o nascimento irá se concretizar” sua
paternidade, se referindo ao encontro com o bebê real. Franco (2015) fala sobre a importância
de reestruturação que o bebê imaginado passa quando nasce, pois, as expectativas depositadas
pelos pais nem sempre condizem com a realidade. No caso de João a expectativa é que seu
bebê imaginado seja o real.
Os bebês imaginados pelos pais mostram que há uma identificação direta entre paibebê. Identificação trata-se do vínculo emocional, de acordo com Freud (1921/2011), compõe
a forma primária de expressão deste vínculo. Para Predrossian (2015), o mecanismo de
identificação é um processo psíquico que o indivíduo compreende as particularidades do outro
72

e se modifica total ou parcialmente pelo modelo introjetado. No caso dos pais Antônio, Breno,
João, Lucas e Vitor, os bebês imaginados trazem em si elementos da identificação dos pais
com eles. Ou seja, os bebês que estão no imaginário de seus pais trazem elementos de
identificação, como gostos em comum, por exemplo, que fazem parte do primeiro vínculo
emocional entre eles, pois assim, os pais encontram em seus filhos elementos comuns de suas
vidas.
Os bebês imaginados pelos pais Antônio, Lucas e Vitor apareceram no Desenho da
Família com Estórias. No caso de Vitor já incluiu o bebê em sua principal atividade de lazer, o
passeio ao shopping. Na entrevista, além de colocá-lo em sua rotina, Vitor o descreveu
parecido fisicamente com a mãe e que seja menino. Lucas também descreveu seu bebê
parecido fisicamente com sua companheira. Já Antônio não descreveu fisicamente seu bebê,
mas disse que será um menino e trouxe as características que espera que ele tenha, que é saber
jogar futebol e torcer pelo mesmo time que ele. João e Breno não trouxeram os bebês
imaginados no Desenho da Família com Estórias, e Breno apenas sobre o desejo de ter mais
filhos que é impedido por sua condição financeira. E João que seja um bebê, como
comumente se conhece.
5.5 Compreensão da paternidade
Nessa categoria todos os cinco pais: Lucas, Vitor, João, Breno e Antônio trouxeram
elementos que permitem pensar a compreensão de paternidade para cada um. Mas, um ponto
se faz comum a todos: o nascimento dos bebês será fundamental para se sentirem pai.
De acordo com Santis e Barham (2017), o envolvimento paterno é um construto
multidimensional, que abrange dimensões afetivas, cognitivas e éticas. Com dimensões
diretas, interações entre o pai e o bebê, e indiretas, como o apoio financeiro e o suporte a mãe.
Para Silva e Piccinini (2007), o envolvimento paterno vem aumentando nas últimas décadas,
mas ainda não é grande, as mães ainda são mais participantes na vida dos filhos. O homem
deixou o papel de pai provedor e hoje está mais envolvido com contato afetivo com os filhos
(BALANCHO, 2004). Dessa maneira, a paternidade tem se transformado e isso oportunizou a
ressignificação das possibilidades acerca do cuidado e do envolvimento mais ativo do pai
desde o nascimento do bebê (BERNARDI, 2017).
O envolvimento paterno dos pais Lucas, Vitor, João, Breno e Antônio traz maneiras
distintas de envolvimento paterno. Para Lucas, Breno e Antônio, seu envolvimento paterno
ainda é destinado a mãe, e que de qualquer maneira estabelecem uma forma de cuidado com o
bebê. Vitor interage com o bebê, diz brincar e que entende a importância de falar com a
barriga, mostrando que sua interação é direta com a mãe e o bebê. Por outro lado, João
73

interage com a companheira e o bebê como parte dela, sua acessibilidade é relativa, pois nem
sempre pode ajudar a companheira ou destiná-la tempo porque divide as atenções do filho
com seu sonho de cursar a faculdade, ao estudar para o vestibular e sua responsabilidade
também é dividida, pois conta com ajuda de familiares na garantia de cuidados para mãe e
bebê.
Lucas e Antônio já vivem a paternidade pois não são pais pela primeira vez. No
entanto, esse formato de participação durante as consultas do Pré-natal é novo, não
acompanharam anteriormente, assim como não participaram do parto. Agora sentem-se mais
dedicados aos bebês na gestação atual, ainda que não sejam assíduas as participações nas
consultas, mas relatam cuidar das companheiras e dos bebês. João fala da paternidade a partir
da experiência que teve com sua prima, em ajudar sua tia no cuidado dela, conta ainda que
com sua companheira tem adotado a mesma postura, ele segue os exemplos de sua própria
vida e acredita que pode se dedicar mais ao bebê. Vitor e Antônio também traz o cuidado em
sua fala, pois sua compreensão de paternidade também diz respeito aos cuidados com o bebê.
E para este último, ver o bebê o fará se sentir pai.
A compreensão de paternidade existe independente da compreensão dos homens em
sentir-se pais ou não, uma vez que está relacionado a outros elementos: ética do cuidado e
envolvimento com a mãe do bebê. O cuidado ligado a ética coloca o pai na posição de
cuidador que se baseia no afeto e no desejo de cuidar. E o envolvimento paterno possibilita
pensar em que nível estes pais estão inseridos no processo gestacional das mães e o vivenciam,
exercendo sua paternidade na interação, acessibilidade e responsabilidade. Winnicott
(1986/1999) aponta que o cuidado está em nossas atitudes com relação ao outro, e nesse
sentido o cuidado do pai com o filho se faz nas ações de cuidado com o filho. Ao tempo que o
envolvimento paterno funciona como um elemento de sustentação à maternidade. Pois, o
marido pode oferecer a mãe cumplicidade, se responsabilizar na tarefa de educar e na
estrutura familiar (DIAS, 2010).
A construção social da família traz elementos que explicam a ética do cuidado e o
envolvimento paterno na medida que mostra a família tradicional, que se preocupava com a
transmissão de patrimônios (ZANARDO e VALENTE, 2009), transformar-se na família
burguesa que trazia a autoridade na figura paterna como aponta Souza e Rodrigues (2007). E
após sofrer alterações, se transformou na família contemporânea, constituída pelo ‘novo pai’
(ARRUDA e LIMA, 2013), que participa do cotidiano familiar, ajuda e se responsabiliza no
cuidado dos filhos.
74

Para Bustamente (2005), a nova paternidade traz ao pai a oportunidade de se fazer
presente na vida dos filhos a partir da dimensão do cuidado, principalmente por construir
formas de afeto e atenção ao ajudar na educação e oferecer suporte afetivo. Nesse modelo de
pai a dimensão financeira se torna um dos elementos que constituem a paternidade na medida
que o pai além de fornecer o suporte afetivo e emocional, se responsabiliza junto com a mãe
no sustento do filho. Logo, a ética do cuidado e o envolvimento paterno pressupõe um pai que
é participativo em todos os âmbitos da vida dos filhos.
Para Lucas, Vitor, João, Breno e Antônio, o pai é provedor e oferece suporte financeiro
necessário para que a mãe vivencie a maternidade sem se preocupar com o sustento da casa.
Mesmo com histórias de vidas diferentes, famílias de origem e projetos distintos esse discurso
está marcado para os pais entrevistados. O discurso do pai provedor ainda é muito presente e
faz parte da compreensão de família dos pais. No entanto, mesmo com a responsabilidade
financeira esses pais vivem mudanças no modelo de paternidade pois buscam ser mais
participativos, afetivos e presentes nas vidas das companheiras e dos filhos. Em alguma
medida é uma mudança no modelo de pai provedor, sem que deixe de existir, mas,
acrescentando novos elementos.
5.6 Projetos de vida
Nesta categoria são analisados os projetos de vida de Antônio, Breno, João, Lucas e
Vitor. Os pais falaram a partir da gestação sobre seus projetos de vida e as mudanças que
ocorreram em suas vidas, e os planos para o futuro.
Matos, Magalhães, Féres-Carneiro e Machado (2017) realizaram uma pesquisa com
pais que estavam construindo a relação pai-bebê e observaram, segundo as falas dos pais, que
era um momento de satisfação a paternidade e de planejamento. Os projetos de vida dos pais
se modificaram, muitos eram voltados à satisfação pessoal do pai, e com gestação se voltaram
para projetos de vida que incluem os filhos que nascerão.
No caso dos pais entrevistados, Antônio, Breno, João, Lucas e Vitor também foi
possível observar que houve mudanças em seus projetos de vida com a gestação, e que o
tempo que tinham, em alguns casos, para eles passou a ser dividido em cuidados com a
companheira e o trabalho. E durante o período gestacional, como já apontado, os cuidados dos
pais com os bebês ainda estão direcionados as companheiras.
Os projetos de vida de Vitor estão ligados as melhorias financeiras e apontam para
uma lição que tirou de experiências que o amadureceram. Para ele concluir os estudos não era
um projeto de vida, contou que sua vida escolar era uma “bagunça” (sic) e parou de estudar
sem concluir o ensino médio. Mas, com a gestação seus projetos de vida de modificaram e
75

concluir os estudos e iniciar a faculdade se tornaram novos planos. Entende que para
conseguir emprego melhor precisará estudar. Contudo, com o nascimento do bebê se
aproximando seu projeto de vida foi postergado e a curto prazo, projeta um emprego para
provisão financeira de sua família e do bebê, e estabilidade no trabalho, para conseguir os
novos planos.
No caso de João, os planos de sua vida se modificaram completamente com a
descoberta da gestação. Aos 20 anos, concluinte do ensino médio planejava cursar a faculdade
e estava se preparando para isso, ao descobrir que sua companheira estava grávida, adiou esse
plano e começou a trabalhar para sustentar a família, que foi constituída também pela
gestação. Seus projetos de vida continuam os mesmos, fazer faculdade e conseguir um
emprego melhor, mas só investirá neles após o nascimento do bebê. Segundo ele, deseja que
“dinheiro não seja o problema” (sic) em sua vida.
Lucas teve mudanças em sua rotina inicialmente, pois trabalhava com a companheira e
após o parto ficará sozinho. E seu projeto de vida é conseguir equilibrar os cuidados com o
bebê, após o nascimento, ajudar a companheira e assegurar a manutenção financeira sozinho.
Onde incide sua preocupação, que é não faltar nada ao bebê e em sua casa, e desse modo, seu
projeto de vida gira em torno dessa organização.
O futuro de Antônio é planejado por ele com uma colocação melhor no trabalho, que o
fará ganhar melhor e consequentemente poder alugar uma casa maior. Seu projeto de vida é
conseguir aproximar sua filha do atual relacionamento e do bebê que nascerá. E isso depende
de melhores condições financeiras. Quanto ao bebê, seu projeto é viver essa experiência de
paternidade de maneira diferente, ser participativo e acompanhar todos os momentos.
Breno, assim como os outros pais, planeja no futuro conseguir um emprego que
ofereça melhores condições financeiras para sua família, ou, que assegure seus direitos
trabalhistas através da carteira assinada. Planeja ainda ser presente nos cuidados do bebê que
está chegando, e não descarta a possibilidade de mais experiências de gestação. Para ele, os
projetos de vida giram em torno de um emprego melhor do que atual.
Cherer, Sonego, Piccinini, Lopes (2018) apontam que as expectativas dos pais a
respeito da paternidade, em alguns de seus entrevistados, eram associadas ao desejo pelo filho
como projeto de vida. Indicando que o bebê era relevante para o desejo paterno, e
evidenciando a importância da paternidade nas constituições subjetivas dos indivíduos. Isso é
possível compreender em Antônio, Breno, João, Lucas e Vitor. Ainda que não tenham
declarado objetivamente ser a paternidade um projeto de vida, suas escolhas e preocupações
que incidem no bem-estar e cuidado do bebê que está vindo remetem a experiência da
76

paternidade através, inicialmente, da preocupação e do planejamento para oferecer melhores
condições ao bebê.
Outros elementos foram comuns em alguns pais, retomada aos estudos para Vitor e
João, melhoria no emprego para Antônio e Breno. E comum a todos, é oferecer a família
suporte financeiro necessário para que não falte nada. Além de poder, em alguma medida, a
longo prazo realizar seus planos de vida, como a faculdade de João e Vitor, e a casa maior de
Antônio. Cada projeto de vida é condizente com as realidades sociodemográficas dos pais, e
estão

vislumbrados

para

o

nascimento

do

bebê.

77

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A paternidade na sociedade ocidental tem agregado novos elementos em sua
constituição, a participação e o cuidado com os filhos, junto a elementos que historicamente
foram implicados em tal processo psicossocial, como a manutenção financeira dos filhos.
Estes elementos são particulares e se expressam de formas distintas entre os pais, pois o
processo de desenvolvimento emocional e as relações com as famílias de origem vão ser
norteadores para expressão particular de cada um. Para Antônio, Breno, João, Lucas e Vitor a
paternidade se constituiu de forma única e singular. Vale frisar que neste trabalho o perfil
paterno foi composto de homens com faixa etária entre 20 e 43 anos que assumiram as
gestações e participaram da constituição da nova família com a descoberta da gestação.
Em meio à consideração individual de cada pai é importante problematizar que a
paternidade também é um processo social e imbricado nisso estão as características de cada
sociedade. A estrutura nuclear esteve presente em todas as famílias dos pais entrevistados, e o
pai ocupa uma dupla posição social que é concomitante: pai e provedor. Isso reforça e
reafirma que em meio a tantas mudanças os modelos tradicionais e patriarcais são reais e
atuais. Ainda que se alterem como o pai que prove e cuida, ou aqueles que dentro do prover
encontram sua expressão de cuidado e preocupação com seus filhos e famílias. As mudanças
no conceito de paternidade são contínuas e diretamente ligadas ao processo de
amadurecimento dos pais e da sociedade na qual estão inseridos.
Na pesquisa foi possível observar que os pais contribuíram com o processo gestacional
de forma direta e dentro de suas possibilidades – entre trabalho e projetos de vida – se
dedicaram as mães e aos bebês. O cuidado se fez presente nas entrevistas dos pais. Definir
cuidado é uma tarefa difícil e não poderia ser realizada sem falar individualmente de Antônio,
Breno, João, Lucas e Vitor. Para Antônio o cuidado com a gestação iniciou desde o momento
da descoberta e pela tentativa de estabelecer relacionamento com a mãe do bebê – que não
existia. Seu cuidado passa pela dimensão do acolhimento, ao descobrir que seria pai acolheu e
tem oferecido a mãe o suporte necessário. E Vitor, assim como Antônio, o cuidado se
relaciona ao acolhimento. No caso de Breno o cuidado é continuar proporcionando a sua
família, esposa gestante e filha, o suporte financeiro e emocional dentro de suas possibilidades.
João oferece todo suporte a sua companheira e mudou seus projetos de vida para que durante
a gestação pudesse constituir sua família e cuidar. Lucas, que desde o planejamento da
gestação, tem cuidado de sua companheira, para que ela vivencie sua maternidade por
completo.
78

O cuidado se faz presente ainda no acompanhamento das mães durante o pré-natal,
que é reconhecido pelas políticas públicas, mas que na prática não tem funcionado como
esperado. Os pais que tiveram interesse em acompanhar suas companheiras sentiram
dificuldades pelas jornadas de horário não conciliarem com as consultas. E pensando na
proposta do Pré-Natal do Parceiro, do Ministério da Saúde, há proximidade entre os pais e os
serviços de saúde. No entanto, o modo de funcionamento do pré-natal do parceiro não tem
dado conta da peculiaridade da participação dos pais. E assim, pôde-se perceber, que novas
estratégias de aproximação do serviço de saúde com os pais é emergente, para maior acesso e
consequentemente mais implicação dos pais no pré-natal das companheiras e de seus filhos.
Para além do cuidado observou-se o bebê que foi imaginado pelos pais. Apesar do
cuidado ter sido direcionado à mãe antes do nascimento do filho, os pais tiveram em seu
imaginário suas expectativas e desejos em relação ao bebê que nascerá. De maneira que os
bebês foram constituídos por diversos elementos dos pais, que demonstraram uma relação
direta pai-bebê. A identificação permitiu que através da fantasia do pai fosse construída a
relação pai-bebê durante a gestação.
Lucas, particularmente, foi um caso que se destacou, sua dificuldade inicial em
participar da pesquisa e a forma com que ia ao pré-natal refletiam seu incômodo. Sua
diferença de idade para a companheira se tornou um obstáculo ao acesso no serviço de saúde,
por parte dele que não se sentia à vontade. E isso foi bastante claro todas as vezes que se
referiu ao atendimento no pré-natal. Fora de seu ciclo de convivência habitual se sentia
desconfortável pelo que poderia ouvir de comentário e se mostrou muito inseguro.
A participação dos pais durante a gravidez também traz elementos das famílias de
origem e mostram o reflexo de sua maturidade emocional. Alguns casos os pais traziam
elementos de suas famílias e reproduziam em alguma medida, ao tempo que outros buscaram
se distanciar de seus exemplos paternos. Tiveram, ainda, casos que os pais nem foram citados,
trazendo uma lacuna que muito diz sobre suas realidades.
Os pais criaram novas possibilidades de vivenciar a paternidade, que é construída por
todos os elementos observados na pesquisa: as famílias, que se constituíram com a gestação e
a relação com as famílias de origem dos pais; a gestação, desde a descoberta até os
desdobramentos; o pré-natal, constituído pelo pré-natal do parceiro e acompanhamento do
pré-natal da mãe; o bebê imaginado pelos pais; a compreensão da paternidade, que está ligada
as experiências que tiveram enquanto filhos, seja de aproximação ou de distanciamento do
modelo paterno na compreensão enquanto filhos; e os projetos de vida que se modificaram a
partir das experiências com a paternidade com a inclusão dos filhos nos planos dos pais.
79

Esta pesquisa foi realizada em apenas um momento da vida dos pais adultos, que
assumiram a paternidade e o cuidado com a companheira adolescente grávida. Sendo este um
perfil bastante restrito em se tratando da complexidade tanto da paternidade quanto da
maternidade adolescente, sugere-se a realização de pesquisa com uma diversidade maior de
pais, por exemplo, pais adolescentes. Além disso, acredita-se que pesquisas longitudinais
também possam contribuir de maneira mais aprofundada com o processo de constituição da
paternidade não apenas durante a gestação, mas em outros momentos da vida do bebê.
Por fim, conclui-se que os pais, mesmo diante de todos os atravessamentos sociais e
emocionais, de famílias de origem com diferentes histórias, buscaram, dentro de suas
possibilidades, e se permitiram viver a paternidade. Desde seus bebês imaginados, que
trouxeram muito de seus desejos e anseios, até os projetos de vida que se modificaram para
acolher os filhos e fortalecer as famílias que constituíram. Estas foram as diversas e singulares
formas de viver a paternidade.

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ANEXOS

93

ANEXO I
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (T.C.L.E.) – Pais e/ou Responsáveis pelo(a)
Adolescente

Eu,
pelo menor
convidado(a) a participar como voluntário(a) do estudo

,
responsável
que
foi

“Potencializando profissionais, crianças e adolescentes de uma comunidade litorânea de Maceió”
recebi do(a) Sr(a)
, aluno/a(s) do
curso de graduação e/ou pós-graduação em Psicologia, da Universidade Federal de Alagoas, responsáveis
por sua execução, as seguintes informações que me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas os
seguintes aspectos:


Que o estudo se destina a conhecer e compreender os processos psicossociais relacionados à
gravidez na adolescência e suas vicissitudes em uma comunidade litorânea de Maceió;


















Que a importância deste estudo é a de contribuir com a diminuição da gravidez na
adolescência e com a minimização de situações de vulnerabilidade em uma comunidade
litorânea de Maceió;
Que este projeto deseja identificar as formas de potencialização e enfrentamento de situações
de vulnerabilidades vivenciadas por adolescentes grávidas moradoras de uma comunidade
litorânea de Maceió;
Que esse estudo começará em agosto de 2016 e terminará em agosto de 2018.
Que para a realização deste estudo serão realizados de 10 a 15 encontros, desde o início do
pré-natal até o primeiro ano de vida do bebê, serão realizadas entrevistas, será solicitado que
faça alguns desenhos e após o nascimento, que brinque com o bebê. Cada encontro terá
duração de aproximadamente de 30 minutos. As entrevistas serão gravadas e as interações
serão filmadas. As gravações e as imagens serão de uso apenas para análise, não serão
divulgadas. Após a coleta de dados será realizada análise de conteúdo do material coletado.
Que os riscos que meu (minha) filho (a) poderá sentir com a sua participação são os seguintes:
lembranças de acontecimentos ocorridos em sua vida.
Que poderei contar com a seguinte assistência: Serviço de Psicologia Aplicada do Instituto de
Psicologia da Universidade Federal de Alagoas, telefone (82) 3214-1786.
Que os benefícios que meu (minha) filho (a) poderá esperar com a sua participação, mesmo
que não diretamente são: potencialização no enfrentamento de situações de vulnerabilidade,
bem como no desenvolvimento da maternidade/paternidade.
Que a participação do (a) meu (minha) filho (a) será acompanhada do seguinte modo: as
pesquisadoras estarão presentes em todas as etapas da pesquisa.
Que, sempre que desejar, serão fornecidos esclarecimentos sobre cada uma das etapas do
estudo.
Que, a qualquer momento, meu (minha) filho (a) poderá recusar a continuar participando do
estudo e, também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga
qualquer penalidade ou prejuízo.
Que as informações conseguidas através da participação do (a) meu (minha) filho (a) não
permitirão a sua identificação, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação das
mencionadas informações só será feita entre os profissionais estudiosos do assunto.
Que eu serei informado sobre o resultado final da pesquisa.
Que o estudo não acarretará nenhuma despesa para o participante da pesquisa.
Que eu serei indenizado por qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa.
Que eu receberei uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

94

Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a
participação do (a) meu (minha) filho (a) no mencionado estudo e estando consciente dos meus
direitos, das minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a sua participação
implicam, concordo que dele participe e DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA
ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.

Endereço do(a) participante voluntário(a)
Domicílio: (rua, praça, conjunto):
Bloco: /Nº: /Complemento: Bairro:
/CEP/Cidade: /Telefone: Ponto de
referência:

Contato de urgência: Sr(a). Domicílio: (rua,
praça, conjunto) Bloco: /Nº: /Complemento:
Bairro: /CEP/Cidade: /Telefone: Ponto de
referência:

Endereço das responsáveis pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Profa. Dra. Paula Orchiucci Miura e Profa. Dra. Adélia Augusta Souto de Oliveira
Instituição: Universidade Federal de Alagoas Endereço:
Av. Lourival Melo Mota, S/N.
Bloco: /Nº: /Complemento: Campus A.C. Simões, Instituto de Psicologia Bairro:
/CEP/Cidade: Tabuleiro dos Martins, CEP 57072-900, Maceió-AL Telefones
p/contato: (82) 3214-1786
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no estudo,
dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio da Reitoria, 1º Andar, Campus A. C. Simões, Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041

Maceió,

Assinatura ou impressão
datiloscópica do (a) voluntário (a) ou
responsável legal e rubricar as demais
folhas

, de

de

Nome e Assinatura do(s) responsável(eis) pelo estudo
(Rubricar as demais páginas)

95

ANEXO II
Formulário para caracterização do perfil socioeconômico e de produção e
reprodução social
N° Entrevista:

Data Coleta: _

1

Nome

2

Data de nascimento

3

Idade

4

Endereço

5

Cidade do nascimento

6

Cidade onde mora hoje

7

Telefone (fixo e celular)

8

Escolaridade

9

( ) estudando ( ) parou de estudar

Por quê parou?

10

Repetiu algum ano? ( ) sim ( ) não

Se sim, quais?
Por quê?

11

Raça/Cor

( ) branca ( ) parda ( ) negra ( ) indígena ( ) amarela

12

Estado civil

( ) solteiro ( ) casado ( ) união estável ( ) divorciado ( )
viúvo
Outros:

13

Tempo de relacionamento com a
mãe do bebê

14

Você trabalha?

( ) sim ( ) não
Se sim, qual trabalho?
Quantas horas?
Direitos trabalhistas garantidos? ( ) sim ( ) não
Remuneração R$

15

Residência

( ) própria ( ) invadida ( ) alugada ( ) cedida
Outros

16

Acesso aos serviços

Energia elétrica

( ) sim ( ) não

96

Água

( ) rede pública ( ) poço (

)

ourtos:
Destino fezes e urina

( ) esgoto ( ) fossa ( ) céu aberto

Coleta de lixo

( ) sim ( ) não

17

Cômodos

Quartos

18

Riscos que as pessoas da casa se

( ) desmoronamento ( ) violência ( ) acidente de trânsito

sentem expostas

(

) contaminação [lixo, esgoto, córregos, resíduos

químicos] ( ) contato com vetores [insetos e ratos]
( ) outros
19

Início da atividade sexual

20

Número de parceiros no último ano

21

Usava métodos contraceptivos

( ) sim ( ) não
Se sim, quais?
Se não, por quê?

22

Número de gestações

23

Idade da primeira gestação

24

Quantos anos sua mãe tinha quando
ficou grávida pela primeira vez?
Esta gravidez foi planejada ( ) sim ( ) não

25

Iniciou pré-natal em que trimestre

( ) 1º trimestre

26

Compareceu às consultas de pré-

( ) sim ( ) não

( ) 2º trimestre

( ) 3º trimestre

natal regularmente?
Quantas consultas até o momento?

27

Você fuma cigarro

( ) sim ( ) não
Já fumou? ( ) sim ( ) não

28

Você faz uso de álcool

( ) sim ( ) não
Já fez? ( ) sim ( ) não

29

Você faz uso de outras drogas?

( ) sim ( ) não
Já fez? ( ) sim ( ) não

97

30

Você fez uso de cigarro, álcool ou

( ) sim ( ) não

outras drogas durante a gravidez
O que?

31

Com quem mora
Nome

Idade

Parentesco

Profissão atua ou não)

Escolaridade

Se não morar com a mãe do bebê, solicitar
Nome
Idade
Profissão (atua ou não)
Escolaridade

98