Raissa de Abreu Rocha Gomes - ENTRE AS DOBRAS, TUDO TRANSBORDA: VIVÊNCIAS DE MULHERES GORDAS E LÉSBICAS ACERCA DO AMOR.
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RAISSA DE ABREU ROCHA GOMES
ENTRE AS DOBRAS, TUDO TRANSBORDA:
VIVÊNCIAS DE MULHERES GORDAS E LÉSBICAS ACERCA DO AMOR
Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Psicologia da Universidade
Federal de Alagoas como requisito parcial para
a obtenção do título de mestre em psicologia.
Orientador: Prof. Dr. Marcos Ribeiro Mesquita
Maceió
2026
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
TERMO DE APROVAÇÃO
RAÍSSA DE ABREU ROCHA GOMES
Título do Trabalho: ENTRE AS DOBRAS, TUDO TRANSBORDA:
VIVÊNCIAS DE MULHERES GORDAS E LÉSBICAS ACERCA DO
AMOR.
Dissertação aprovada como requisito para obtenção do grau de
Mestre em Psicologia, pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia
da Universidade Federal de Alagoas, pela seguinte banca examinadora:
Orientador:
____________________________________
Prof. Dr. Marcos Ribeiro Mesquita (PPGP/UFAL)
Examinadores:
______________________________________________
Profa Dra Erika Cecília Soares Oliveira (PPGPSI/UFF)
____________________________________
Prof. Dr. Antônio César de Holanda Santos (PPGP/UFAL)
Maceió-AL, 13 de abril de 2026.
Audre Lord
Todas as vezes que pensei em desistir, fui sustentada pelo amor de vocês; todas
as vezes em que o peso se tornou grande demais, foi com vocês que dividi esse fardo. Em
todos os dias em que a solidão pareceu me assombrar, foram suas vozes que ecoaram, me
lembrando de que eu nunca estive sozinha.
Pode parecer clichê, mas cada linha, cada letra, cada frase escrita ao longo deste
texto carrega um pouco dos encontros bonitos que construímos juntas(os). É o amor que
transborda entre as nossas relações que me encoraja a viver a vida; é ele que me leva a
esperançar pelo amanhã, carregando a certeza de que os dias difíceis virão
e quando
chegarem, estarei aqui, embalada pelos braços daquelas(es) que me curam das dores
causadas pelo mundo.
Tenho para mim que, se hoje escrevo esta pesquisa, é porque vocês me fizeram
acreditar que era possível. Quando eu sequer conseguia sonhar, vocês sonharam por mim;
me encorajaram a desenhar meu próprio futuro. Por isso, quero honrar cada uma/um que
se fez presente nessa caminhada
o amor de vocês me salvou.
À minha mãe e meu pai, agradeço pelo apoio incondicional, por sempre me
estenderem as mãos nos momentos mais difíceis e por me lembrarem, todos os dias, que
eu nunca estive sozinha
vocês são a casa para a qual eu sempre posso retornar.
Às minhas amigas e amigos, em especial Deborah, Larissa, Mateus, Mariana,
Bárbara e Jamylle, por todo amor, carinho e compreensão destinados a mim ao longo
dessa caminhada
sou mais feliz quando estou com vocês.
A Marquinhos, meu orientador, pela confiança colocada em mim. Camila Sosa
Villada (2024) diz que, às vezes, alguém escolhe depositar fé em nós até que, enfim, a
gente escreve. E foi isso que você fez. Sua gentileza e sabedoria me guiaram ao longo
desse caminho, tornando o mestrado uma das experiências mais bonitas que já vivenciei.
Posso dizer com tranquilidade que ser sua orientanda foi um presente que ganhei do
destino; um encontro que tive a sorte de viver.
À Simone, por me lembrar que nunca estive sozinha. Ainda na seleção do
mestrado, você me disse
pela primeira vez
continuar insistindo no amor
com sua ternura e doçura, renovou minha fé na vida e no
mundo.
À Erika, pela generosidade de se juntar a mim nessa caminhada, fazendo desse
texto uma construção coletiva. Suas contribuições me ajudaram a erguer barricadas entre
as linhas e as palavras
tornando possível esperançar um futuro em que somos livres
para existir e amar.
À Maria Luisa Jimenez, por sua vida, que segue abrindo caminhos para tantas
de nós. É em sua coragem que encontramos forças para sonharmos juntas, enquanto
lutamos por um mundo onde nossas existências sejam celebradas, e não silenciadas.
Ao Núcleo de Estudos em Diversidade e Política (EDIS) e ao grupo de pesquisa
Processos Culturais, Políticas e Modos de Subjetivação, por todas as partilhas, trocas e
risadas. Vocês tornaram esse caminho mais leve e divertido. Aprendi, na prática, que é
possível fazer da universidade um lugar de encontros bonitos e escutas cuidadosas
me
tornei uma pessoa melhor convivendo com vocês.
A Samuel, Érick, Gisele, Mylene, Daiane e Lucas, por acolherem todas as
minhas angústias e por me escutarem com o coração
vocês se tornaram sinônimo de
lar para mim.
A Jhon, por dividir a vida comigo e por transformar nosso apartamento no
Tabuleiro dos Martins em um lugar de descanso para a alma. As madrugadas e os almoços
de domingo não seriam os mesmos sem você
obrigada por me lembrar que o amor
existe naquilo de mais simples que compartilhamos.
A Beatriz, Daniele, Marina e Wéllia, por terem se juntado a mim nesta pesquisa
e acreditado nela tanto quanto eu
tudo o que escrevi ao longo dessas páginas foi
pensando em vocês.
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), pela
concessão de bolsa
sem esse auxílio financeiro seria impossível ter chegado até aqui.
A todas e todos que, mesmo à distância, se fizeram presentes e caminharam junto
comigo, minha imensa gratidão. A vida se torna mais leve quando sabemos que não
estamos sozinhas, e os sonhos só se tornam possíveis quando compartilhamos o amor
entre nossos corações.
RESUMEN
Antes de que pudiera escribir esta investigación, o incluso pensarla, necesité primero
encontrarme con el amor; necesité sentirlo y redibujarlo a partir de mis experiencias
en otras palabras, necesité vivirlo. Sin embargo, el amor que encontré y viví me llevó a
desbordarme entre los espacios e hizo que me moviera por el mundo hasta llegar aquí, a
este texto que estás a punto de leer. Pero, antes de que comiences, necesito que sepas: es
el amor lo que me hace escribir esta investigación. A lo largo de las páginas, me voy
inscribiendo y encarnando entre estas líneas, asumiendo la autohistoria-teoría como una
política de escritura ético-feminista que me permite habitar las fronteras entre memoria y
ficción para construir un nuevo lugar, donde entrelazo mis vivencias e historias con los
saberes feministas lésbicos y gordos, que me ayudan a pensar y construir una
epistemología gorda-sapatona mi apuesta ética y política. Como objetivo general,
busqué comprender cómo mujeres gordas y lesbianas han vivido el amor. Para ello, asumí
los siguientes objetivos específicos: (1) Reflexionar sobre cómo las intersecciones entre
género, sexualidad y gordura influyen en las vivencias de mujeres gordas y lesbianas en
relación con el amor; (2) Comprender qué tecnologías amorosas están creando mujeres
gordas y lesbianas como estrategias de fortalecimiento y sostenimiento de sus existencias;
(3) Pensar cómo las tecnologías amorosas creadas por mujeres gordas y lesbianas son
capaces de implosionar el patriarcado. Durante este recorrido, dialogué con Daniele,
Beatriz, Wéllia y Marina, mujeres gordas y lesbianas que, por medio de una convocatoria
pública difundida en redes sociales, decidieron participar y sumarse a esta investigación.
Junto a ellas, realicé dos encuentros grupales en formato online, a través de la plataforma
Google Meet, en los cuales compartimos nuestras experiencias y reflexiones sobre el
amor. Para ello, recurrí también a las fotografías presentes en sus archivos personales
como una estrategia metodológica que nos condujo en esta travesía amorosa, tejiendo las
memorias y vivencias que nos componen. Al revisitar sus álbumes e imágenes, las
participantes accedieron a experiencias que, en ocasiones, escapan a la narrativa lineal,
permitiendo que nuevos sentidos emergieran a partir de aquello que fue vivido y
preservado. El análisis de estos discursos se realizó desde una perspectiva interseccional,
lo que nos permitió comprender cómo los diferentes marcadores sociales se entrelazan,
atravesando y constituyendo las experiencias amorosas de estas mujeres. En este
movimiento, fue posible percibir que amar siendo una mujer gorda y lesbiana implica
atravesar un campo marcado por múltiples capas de opresión, que tienden a fragmentar
nuestros cuerpos e identidades. Las narrativas construidas por ellas muestran cómo estas
violencias estructurales convierten el amor en un territorio atravesado por el miedo, el
rechazo y la desvalorización social. Sin embargo, a pesar de la marginalización impuesta,
también han producido otras formas de pensar y vivir el amor formas que se expanden
más allá de la lógica romántica, afirmándose en las amistades, en las alianzas y en las
redes de cuidado tejidas entre ellas. Es en este horizonte donde el amor emerge como una
tecnología forjada en la experiencia, capaz de sostener la vida y de producir fisuras en las
normas que históricamente han intentado negarnos el derecho al afecto, al deseo y al
reconocimiento. Aunque estemos atravesadas por estructuras de opresión, nuestras
vivencias amorosas también están marcadas por la potencia de la reinvención. Al crear
otras formas de amar
menos normativas, más colectivas y más libertarias
producimos un amor capaz de tensionar e implosionar las lógicas patriarcales que insisten
en regular nuestros cuerpos y modos de vida.
Palabras clave: Amor; Feminismos; Gordas; Lesbianas.
LISTA DE IMAGENS
Imagem 05: Criando minhas próprias pistas
Imagem 07: Pegando o caminho de volta ao amor
Imagem 12:
Imagem 13: Heroínas Locais
Imagem 14:
SUMÁRIO
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6. AMANDO COMO UMA MULHER GORDA E LÉSBICA ...............................
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