JORGE ALVES DOS SANTOS JUNIOR - "A Análise dos preditores da intenção de utilizar a rede social Facebook: uma aplicação da teoria da ação planejada"

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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

Jorge Alves dos Santos Junior

ANÁLISE DOS PREDITORES DA INTENÇÃO DE UTILIZAR A REDE SOCIAL
FACEBOOK: UMA APLICAÇÃO DA TEORIA DA AÇÃO PLANEJADA

Maceió
2018

Jorge Alves dos Santos Junior

ANÁLISE DOS PREDITORES DA INTENÇÃO DE UTILIZAR A REDE SOCIAL
FACEBOOK: UMA APLICAÇÃO DA TEORIA DA AÇÃO PLANEJADA

Dissertação
de
Mestrado
apresentada ao Programa de PósGraduação em Psicologia da
Universidade Federal de Alagoas,
como requisito parcial para
obtenção do grau de Mestre em
Psicologia.
Orientador: Prof. Dr.ª Sheyla
Christine Santos Fernandes

Maceió
2018

Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Bibliotecária Responsável: Janis Christine Angelina Cavalcante
S237a

Santos Júnior, Jorge Alves dos.
A Análise dos preditores da intenção de utilizar a rede social Facebook: uma
aplicação da teoria da ação planejada / Jorge Alves dos Santos Júnior. – 2018.
74 f.: il., grafs., tabs.
Orientadora: Sheyla Christine Santos Fernandes.
Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Maceió,
2018.
Bibliografia: f. 66.
Apêndices: f. 67-74.
1. Teoria da ação planejada. 2. Facebook. 3. Atitude. 4. Intenção I. Título
CDU: 159.9.016

FOLHA DE APROVAÇAO

Aos meus pais e irmão que sempre me apoiaram e me deram
forças para seguir os meus objetivos. A eles dedico este trabalho.

AGRADECIMENTOS

À Prof.ª Dr.ª Sheyla Christine Santos Fernandes, minha orientadora, por acreditar
que eu seria capaz alcançar este objetivo, por me incentivar, por contribuir com seus
conhecimentos e ensinamentos, por me apresentar uma Psicologia Social até então
desconhecida para mim e pela paciência. Deixo meus agradecimentos e respeito.
Aos professores Dr. Leogildo Freires e Dr.ª Ana Alayde Saldanha pela contribuição e
sugestões dadas para enriquecer a minha pesquisa.
Às minhas amigas Shirleide e Mariana que sempre me incentivaram, apoiaram e
acreditaram em mim. A quem eu dividi muitas das angústias, desde a seleção até a entrega
desta dissertação e também todas as coisas boas que esse mestrado me trouxe.
Aos meus colegas de mestrado Ingridd, Karla e Helen que passamos por todo esse
processo juntos. Nas aulas, nas reuniões do grupo de pesquisa, nas nossas idas e vindas pelo
Instituto de Psicologia. À minha amiga Jessyca, companheira de graduação e de mestrado,
que desde o primeiro período compartilhamos muitos momentos de diversão e aprendizado,
mostrou-se um exemplo de estudante e profissional.
Às colegas Jessica Pimentel e Lúcia que me ajudaram a coletar parte dos dados desta
pesquisa. Obrigado meninas!
À minha amiga Lucélia com seu companheirismo e solidariedade me acompanhou
desde o processo seletivo até a conclusão do curso.
Aos meus pais por me incentivarem, investirem em mim, em minha formação e ao
meu irmão por sempre confiarem em mim, me darem forças e todo o apoio que precisei.
À Zélia por todo o seu apoio em cada momento da minha formação, só tenho a
agradecer.
A todos os integrantes do Grupo de Pesquisa em Cognição e Comportamento Social
da UFAL, por todas as contribuições e momentos de aprendizado e de diversão
compartilhados.
Aos meus padrinhos pelo incentivo em por fé em meu trabalho.
A Deus, pois sem ele nada disso seria possível.

“Ser gentil com todos, gostar de muitos e amar alguns, ser
necessário e desejado por aqueles que amamos, certamente é o mais
próximo que podemos chegar à felicidade.”.
(Mary Stuart, Rainha da Escócia)

RESUMO
O Facebook é uma rede social de grande impacto, dentre as redes sociais é a que possui
maior número de usuários em uma rede social composta por milhões de pessoas é possível
encontrar os mais variados comportamentos. Nesse sentido, a Teoria da Ação Planejada se
apresenta como uma teoria que pode auxiliar na compreensão e previsão dos
comportamentos. Esta dissertação teve como objetivo analisar os determinantes da intenção
em utilizar o Facebook, tomando como base a TAP. Esta dissertação é composta por três
artigos, um teórico e dois empíricos e cada capítulo é composto por cada um desses artigos.
O primeiro artigo teve como objetivo discutir, através de uma revisão teórica, as interfaces
entre a Teoria da Ação Planejada e o uso do Facebook, bem como a contribuição que a
teoria pode dar para a compreensão deste fenômeno. Este artigo concluiu que o que se
percebe é ainda um número pequeno de estudos que investigam os fatores relacionados ao
uso do Facebook, principalmente no Brasil. A TAP é uma teoria que pode fornecer dados
mais completos acerca do uso desta rede social, resultados que podem ser usados para servir
de base na elaboração de estratégias que visem modificar comportamentos tanto positivos
quanto negativos. O segundo artigo tratou-se de um estudo empírico, responsável pela
primeira parte desta pesquisa e teve como objetivo compreender as crenças referentes ao uso
do Facebook à luz da Teoria da Ação Planejada. Foram realizadas entrevistas com 29
estudantes de instituições de ensino superior pública e privada da cidade de Maceió, com
idade entre 19 e 37 anos. Os dados foram transcritos e transformados em um corpus para
análise no software IRAMUTEQ. Foram realizadas a Análise Hierárquica Descendente e
Análise de Similitude. A partir da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), foram
analisados 281 segmentos de texto (ST). Foi possível evidenciar, em linhas gerais, que o uso
do Facebook está atrelado ao objetivo principal de interligar e facilitar a comunicação entre
as pessoas e, secundariamente, como fonte de notícias ou busca por vagas de emprego, por
exemplo. O software mostrou-se útil e eficaz para análise de conteúdo das entrevistas. O
terceiro artigo teve como objetivo identificar os fatores que influenciam as intenções
comportamentais de utilizar o Facebook tomando como base os preceitos da Teoria da Ação
Planejada. A primeira etapa descrita no segundo artigo serviu de base para o
desenvolvimento desta segunda etapa. A amostra foi constituída por 309 sujeitos, sendo
63,1% do sexo feminino (n=195), 36,9% do sexo masculino (n=114). A idade variou entre
18 e 56 anos (M= 28,45; DP=7,515). Esta etapa apresenta evidências de validade do
Questionário de Normas e Atitudes frente ao Facebook QANUF, um instrumento composto
por 2 fatores, o primeiro corresponde às normas subjetivas. Foram evidenciadas correlações
positivas entre as atitudes favoráveis ao uso do Facebook e a frequência de acesso semanal.
As normas subjetivas não apresentaram correlações significativas com a utilização do
Facebook. De modo geral, concluiu-se que o uso do Facebook é influenciado por fatores
atitudinais e normativos. Estes achados que podem ser utilizados para ajudar a compreender
os fatores envolvidos no uso do Facebook e auxiliar a criação de medidas que visem evitar o
uso prejudicial. A partir dos dados obtidos por meio do segundo modelo definido, pode-se
concluir que os fatores determinantes da intenção de utilizar o Facebook são principalmente
as normas subjetivas, seguidas pelas atitudes. Desta forma, ao se realizar intervenções
educativas com usuários, é importante que as mesmas sejam voltadas para a modificação das
variáveis atitude e normas. Espera-se que estes resultados possam auxiliar na criação de
medidas que envolvam o uso do Facebook.
Palavras-chave: Teoria da Ação Planejada, Facebook, atitude, intenção.

ABSTRACT
Facebook is a social network of great impact, among social networks is the one with the
largest number of users in a social network composed of millions of people it is possible to
find the most varied behaviors. In this sense, the Theory of Planned Action presents itself as
a theory that can aid in the understanding and prediction of behaviors. This dissertation
aimed to analyze the determinants of intention to use Facebook, based on TAP. This
dissertation is composed of three articles, one theoretical and two empirical, and each
chapter is composed of each of these articles. The first article had as objective to discuss,
through a theoretical revision, the interfaces between the Theory of Planned Action and the
use of Facebook, as well as the contribution that the theory can give to the understanding of
this phenomenon. This article concluded that what is perceived is still a small number of
studies that investigate the factors related to the use of Facebook, mainly in Brazil. TAP is a
theory that can provide more complete data about the use of this social network, results that
can be used to serve as a basis in the development of strategies that aim to modify both
positive and negative behaviors. The second article was an empirical study, responsible for
the first part of this research and aimed to understand the beliefs regarding the use of
Facebook in light of the Theory of Planned Action. Interviews were conducted with 29
students from public and private higher education institutions in the city of Maceió, aged
between 19 and 37 years. The data were transcribed and transformed into a corpus for
analysis in the IRAMUTEQ software. The Descending Hierarchical Analysis and Similitude
Analysis were performed. From the descending hierarchical classification (CHD), 281 text
segments (ST) were analyzed. It was possible to show, in general terms, that the use of
Facebook is linked to the main objective of interconnecting and facilitating communication
between people and, secondarily, as news source or search for job openings, for example.
The software proved to be useful and effective for content analysis of interviews. The third
article aimed to identify the factors that influence the behavioral intentions of using
Facebook based on the precepts of the Theory of Planned Action. The first step described in
the second article served as the basis for the development of this second stage. The sample
consisted of 309 subjects, 63.1% female (n = 195), 36.9% male (n = 114). Age ranged from
18 to 56 years (M = 28.45, SD = 7.515). This stage presents evidence of validity of the
ANUF Scale, an instrument composed of 2 factors, the first one corresponds to subjective
norms. Positive correlations were found between attitudes favorable to using Facebook and
the frequency of weekly access. The subjective norms did not present significant
correlations with the use of Facebook. Overall, it was concluded that the use of Facebook is
influenced by attitudinal and normative factors. These findings can be used to help
understand the factors involved in using Facebook and help create measures to avoid
harmful use. From the data obtained through the second defined model, it can be concluded
that the determinants of the intention to use Facebook are mainly subjective norms, followed
by attitudes. Thus, when carrying out educational interventions with users, it is important
that they are aimed at modifying attitude and standards variables. It is hoped that these
results can help in creating measures that involve the use of Facebook.
Keywords: Theory of Planned Action, Facebook, attitude, intention.

LISTA DE FIGURAS
CAPÍTULO 1
Figura 1 - A Teoria do Comportamento Planejado (AJZEN, 2006).....................................23

CAPÍTULO 2
Figura 1 - Dendograma da classificação hierárquica descendente do corpus Crenças acerca
do Facebook............................................................................................................................38
Figura

2

-

Análise

de

similitude

das

Crenças

relacionadas

ao

uso

Facebook.....................42

CAPÍTULO 3
Figura 1 - Diagrama de Declividade do QANUF.........................................................55

do

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Estrutura Fatorial do QANUF disposta em 4 fatores....................................55
Tabela 2. Estrutura Fatorial do QANUF em 2 dimensões, médias e desvios-padrão
(DP).........................................................................................................................................57
Tabela 3. Correlação entre os constructos, a frequência de uso e as variáveis
sociodemográficas..................................................................................................................58

LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS

AFE

Análise Fatorial Exploratória

CHD

Classificação Hierárquica Descendente

CNS

Conselho Nacional de Saúde

DP

Desvio padrão

EAFO

Escala de Atitudes Frente ao Orkut

IRAMUTEQ Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de
Questionnaires
KMO

Kaiser- Meyer-Olkin

TAP

Teoria da Ação Planejada

TAR

Teoria da Ação Racional

TCP

Teoria do Comportamento Planejado

TCLE

Termo de consentimento livre e esclarecido

PNAD

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios

RSO

Redes Sociais Online

SPSSWIN

Statistical Package for Social Sciences for Windows

ST

Segmento de Texto

UFAL

Universidade Federal de Alagoas

SUMÁRIO

Introdução ...............................................................................................................................13
A rede social facebook: uma análise a partir da Teoria Da Ação Planejada. .........................16
Crenças acerca do Facebook: uma análise através da Teoria da Ação Planejada ..................33
Análise dos determinantes da intenção de utilizar o Facebook ..............................................47
Considerações Finais ..............................................................................................................64
Referências .............................................................................................................................66
Apêndices ...............................................................................................................................67
Anexo ...................................................................................... Erro! Indicador não definido.

13

INTRODUÇÃO
As redes sociais online (RSO) têm se tornado um dos mais relevantes serviços da
internet. Parte essencial da vida de muitas pessoas e o uso que fazem das RSO vai para além
do uso pessoal, sendo utilizada também nos mais variados contextos, como trabalho ou
acadêmico. Essas RSO têm evoluído ao longo do tempo de modo a atender as demandas de
seus usuários.
Segundo Vermelho et al. (2014), as novas tecnologias permitiram a criação de meios
de comunicação mais interativos, liberando os indivíduos das limitações de espaço e tempo,
tornando a comunicação mais flexível. Segundo estes autores apenas um clique pode separar
uma pessoa de uma informação específica, e manter contatos com pessoas que moram longe.
Pode-se citar um exemplo recente do poder das RSO. No Brasil, no ano de 2013 as
RSO tiveram um papel importante no cenário político. Como afirma Rodrigues (2013), as
RSO proporcionaram um espaço para discussão e engajamento das pessoas no ativismo
político, mobilizando o engajamento de milhares de pessoas às ruas para se manifestarem
contra a política brasileira, solicitando reformas, cobrando mais transparência, educação e
segurança, criando um movimento semelhante ao da “Primavera Árabe. De acordo com esta
autora, o papel das RSO foi de potencializar e organizar as manifestações, pois a utilização
das RSO estimula a participação e a transformação na esfera política, econômica e social e
sem elas estes movimentos provavelmente não teriam tomando tamanha proporção.
A partir de então surgiram questionamentos sobre o papel e o poder que as RSO
teriam na nossa vida. Como por exemplo, quais seriam as RSO que teriam o poder de
potencializar ações e alcançar números inimagináveis de pessoas engajadas em um mesmo
assunto? São inúmeras as RSO disponíveis atualmente, dentre as principais podemos citar o
Facebook, Instagram, Twitter, Flickr, Linkedin, Snapchat (PHUA, JIN e KIM, 2017).
O crescente número de usuários destas redes chama a atenção, em especial no
Facebook. Segundo Theis (2013), das pessoas que acessam alguma rede, 71,1% utilizam o
Facebook. A razão do Facebook ser o site de redes sociais mais popular é o alcance das
possibilidades

oferecidas

aos

usuários.

Através

das

funções

de

publicação

e

compartilhamento, a informação é facilmente distribuída e armazenada entre os membros.
Os usuários também podem fornecer feedback sob a forma de comentários e ''curtidas''. O
Facebook também oferece a conveniência de canais de comunicação em toda a rede,
possibilitando a criação de grupos públicos e privados. Além disso, o Facebook possui um
aplicativo móvel, garantindo que os usuários possam acessar o site facilmente a partir de

14

seus smartphones. Fox e Moreland (2015) explicam que conjuntamente, esses recursos
explicam por quê o Facebook cresceu e manteve uma base de usuários expressiva
globalmente.
Um número considerável de pesquisas tem se concentrado em estudar os reflexos do
Facebook na vida dos sujeitos. E o que motivou a realização desta pesquisa foi justamente a
observação diária do impacto desta RSO no dia-a-dia. Nem sempre paramos para pensar no
que está por trás do uso de RSO como Facebook. E o que vem sendo discutido, é que o uso
destas RSO pode trazer de fato uma série de benefícios, como aumento do capital social,
suporte social e manutenção de relacionamentos (Nabi, Prestin e So, 2013), menos estudos
examinaram a natureza dos resultados negativos para usuários adultos, como por exemplo a
utilização do Facebook no ambiente de trabalho, este comportamento tem gerado
preocupação por parte dos que gerenciam essas pessoas, pois há um efeito direto na
produtividade, devido principalmente à perda de tempo e comprometimento da segurança da
rede corporativa.
Fox e Moreland (2015) afirmam que os usuários esperam resultados positivos e
frequentemente visitam RSO para relaxamento, entretenimento ou conexão social, desta
forma, os usuários podem não antecipar experiências ou interações negativas, tornando-as
mais potentes ou prejudiciais.
Desta forma, como aporte teórico para esta pesquisa é utilizada a Teoria da Ação
Planejada (TAP) (Ajzen, 1991), uma vez que ela permite a identificação das crenças que
influenciam na intenção de utilizar RSO, e também pela evidência empírica considerável
que esta representa na explicação e predição dos mais vários tipos de comportamentos.
Para tanto alguns questionamentos nortearam este estudo:
1. Quais os fatores determinantes do comportamento de utilizar o Facebook?
2. Quais as crenças dos usuários do Facebook acerca do seu uso?
3. Como os usuários avaliam o uso do Facebook?
4. Como os usuários percebem a influência de pessoas cuja opinião lhe são
importantes referentes ao uso do Facebook?
5. Qual a intenção em utilizar o Facebook?
Assim sendo, foram traçados os seguintes objetivos: Analisar os determinantes da
intenção em utilizar o Facebook, tomando como base a TAP. Especificamente, desenvolver
uma revisão da literatura acerca do uso das redes sociais, em especial o Facebook e a sua
relação com a TAP; identificar as crenças comportamentais, normativas e de controle
relativas à intenção comportamental de utilizar o Facebook; identificar as características

15

sociodemográficas dos usuários do Facebook; identificar a frequência uso do Facebook;
desenvolver um instrumento de pesquisa, com indicadores de confiabilidade e validade
adequados, para a identificação dos determinantes da intenção comportamental, atitude,
norma subjetiva, controle comportamental percebido sobre o uso do Facebook; verificar a
relação entre os construtos da TAP, a frequência de uso e as variáveis sociodemográficas.
De modo a testar a adequação do modelo para investigar o comportamento em questão
foram traçadas seguintes hipóteses:
Hipótese 1 - Atitude tem influência positiva sobre a intenção.
Hipótese 2 - Norma subjetiva tem influência positiva sobre a intenção.
Hipótese 3 - Controle comportamental percebido tem influência positiva sobre a
intenção.
A relevância deste estudo está justamente nas consequências tanto positivas como
negativas que o uso do Facebook pode trazer. E para entender a atual conjuntura desta RSO
no nosso cenário atual optamos por utilizar uma teoria que pudesse avaliar os determinantes
do comportamento dos sujeitos tanto qualitativamente como quantitativamente.
A presente dissertação de mestrado adotou uma das possibilidades oferecidas pelo
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFAL na estruturação do trabalho final. Ela
se constitui de três artigos científicos, cada capítulo corresponde a um artigo, esta estrutura
facilita a publicação dos produtos desta dissertação, contribuindo ainda em uma maior
difusão dos resultados aqui apresentados, não só para a comunidade acadêmica, como
também para outros leitores. Assim, esta dissertação será apresentada da seguinte forma:
Capítulo 1: A Rede Social Facebook: uma análise a partir da Teoria da Ação
Planejada. Revisão da literatura. Este capítulo fundamentou a pesquisa.
Capítulo 2: Crenças acerca do Facebook: uma análise través da Teoria da Ação
Planejada. Teve como objetivo fazer o levantamento das crenças salientes que
serviram de base para a construção do Questionário de Normas e Atitudes frente ao
Facebook - QANUF
Capítulo 3: Determinantes da intenção de utilizar o Facebook. Objetivou analisar os
preditores da intenção de utilizar o Facebook, bem como avaliar as propriedades
psicométricas do Questionário de Normas e Atitudes frente ao Facebook - QANUF.
Ao final, são apresentadas as considerações finais, com o objetivo de integrar os
resultados encontrados na pesquisa desenvolvida na presente dissertação. Incluindo as

16

limitações dos estudos, assim como algumas propostas para pesquisas futuras que permitam
a continuidade dos trabalhos aqui iniciados.

CAPÍTULO 1: A REDE SOCIAL FACEBOOK: UMA ANÁLISE A PARTIR DA
TEORIA DA AÇÃO PLANEJADA.

RESUMO
O Facebook é uma rede social que tem crescido muito nos últimos anos e possui o maior
número de usuários, dentre as demais redes sociais. Em um site onde se relacionam milhões
de pessoas é possível encontrar os mais variados comportamentos. Nesse sentido, a Teoria
da Ação Planejada se apresenta como uma teoria que pode auxiliar na compreensão e
previsão dos comportamentos. Este artigo tem o objetivo de discutir, através de uma revisão
teórica, as interfaces entre a Teoria da Ação Planejada e o uso do Facebook, bem como a
contribuição que a teoria pode dar para a compreensão deste fenômeno. Contudo, o que se
percebe é ainda um número pequeno de estudos que investigam os fatores relacionados ao
uso do Facebook, principalmente no Brasil. A TAP é uma teoria que pode fornecer dados
mais completos acerca do uso desta rede social, resultados que podem ser usados para servir
de base na elaboração de estratégias que visem modificar comportamentos tanto positivos
quanto negativos.
Palavras-chave: Facebook, Teoria da Ação Planejada, Redes Sociais.

ABSTRACT
Facebook is a social network that has grown a lot in recent years and has the largest number
of users, among other social networks. In a site where millions of people are related it is
possible to find the most varied behaviors. In this sense, the Theory of Planned Action
presents itself as a theory that can aid in the understanding and prediction of behaviors. This
article aims to discuss, through a theoretical revision, the interfaces between the Theory of
Planned Action and the use of Facebook, as well as the contribution that theory can give to
the understanding of this phenomenon. However, what is perceived is still a small number of
studies that investigate the factors related to the use of Facebook, mainly in Brazil. TPA is a
theory that can provide more complete data about the use of this social network, results that
can be used to serve as a basis in the development of strategies that aim to modify both
positive and negative behaviors.

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Keywords: Facebook, Theory of Planned Action, Social Networks.

INTRODUÇÃO

A internet é atualmente uma ferramenta indispensável no cotidiano das pessoas.
Através dela é possível estabelecer comunicação, a troca de informações, transações
bancárias, de negócios, entretenimento (SEBASTIÃO e LAMPKOWSKI, 2009). No Brasil
o acesso à internet está presente em mais de 54,9% da população, desses 76,6% acessam por
meio de computador e 80,4% acessam por meio do celular, apontam os dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD (IBGE, 2016). Estes dados mostram um
crescimento do acesso à rede mundial de computadores e a preferência pelo acesso por meio
de aparelhos celulares em relação ao computador de mesa.
Um dos pontos pelos quais a internet se destaca é a facilidade de comunicação. A
internet oferece a possibilidade de troca de informações entre pessoas em qualquer lugar do
mundo. Daí surge o conceito de Redes Sociais Online (RSO). Estas redes permitem a
interação de pessoas, o compartilhamento de informação e a formação de grupos e
comunidades (SANTANA et al, 2009). Sites como o Facebook, Instagram, Twitter, tem
aumentado o seu uso exponencialmente nos últimos anos. Através destes sites e aplicativos
os usuários podem trocar mensagens de texto, dados do seu perfil, fotos, vídeos e áudios em
tempo real (AYRES e RIBEIRO, 2015).
O Facebook é um dos sites mais acessados do mundo. De acordo com o Alexa Inc.
(2016), empresa especializada em estatísticas de acesso a sites, o Facebook é o terceiro site
mais acessado do mundo e encontra-se na mesma posição entre os sites mais acessados no
Brasil nesse mesmo ano, perdendo apenas para o site de buscas Google e a plataforma de
vídeos on-line Youtube, ambos da mesma empresa. Esses dados chamam a atenção para a
importância das redes sociais no dia-a-dia das pessoas, em especial o Facebook, tamanho o
seu alcance.
As possibilidades de interação nessas redes são tantas que muitos usuários têm
dedicado bastante tempo a elas. Um estudo realizado com 508 universitários no Rio de
Janeiro (Azevedo e Medina, 2014), com o objetivo de elucidar o comportamento no
Facebook, revelou que 81,1% dos pesquisados possuíam o aplicativo do Facebook instalado
no celular e que 65,1% conferem as notificações pelo menos uma vez no período de uma
hora. De acordo com Pelling e White (2009), o usuário que faz mais do que 4 visitas à rede

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social é um heavy user, o que significa que esses usuários fazem uso pesado da rede. Os
autores concluíram que 7,7% são light users – aqueles que fazem uso leve, ou seja, menos
do que 4 visitas à rede - e 92,3% são heavy users – usuários considerados pesados, pois
fazem o uso da rede com uma frequência maior que 4 visitas.
Um modelo que pode auxiliar a compreender e prever o uso de redes sociais pelas
pessoas é a Teoria do Comportamento Planejado (TCP) ou Teoria da Ação Planejada (TAP),
uma ampliação da Teoria da Ação Racional desenvolvida por Fishbein e Ajzen (1975).
De acordo com o modelo da TAP, os comportamentos são precedidos de uma intenção
que por sua vez é precedida por atitudes face a um comportamento, norma subjetiva e
controle comportamental percebido, os quais são formados por crenças comportamentais,
crenças normativas e crenças de controle, respectivamente. Essa intenção sendo forte o
suficiente pode levar o sujeito a emitir tal comportamento (AJZEN, 1985).
Apesar da crescente popularidade do Facebook, no entanto, ainda é pouco o que se
sabe sobre as variáveis que predizem o nível de utilização do mesmo. Dessa forma, tomando
como base o modelo da TAP, tornou-se relevante buscar estudos acerca dos antecedentes
comportamentais do uso do Facebook. Sendo assim, este artigo tem como objetivo discutir
através de uma revisão teórica as interfaces entre a Teoria da Ação Planejada e o uso do
Facebook, bem como a contribuição que a teoria pode dar para a compreensão deste
fenômeno.

O Facebook
Segundo Smith (2010), o Facebook foi criado em 2004, na Universidade de Harvard,
originalmente como um site restrito aos estudantes daquela universidade. A possibilidade de
criar um perfil, publicar e compartilhar fotos no seu mural ampliou o número de usuários
permitindo que não só alunos, mas professores e funcionários daquela instituição também
começassem a criar os seus perfis, até que em 2006 o site foi aberto para o público em geral.
Após esse período o Facebook passou por um momento de expansão e desde então a
base de usuários só aumentou, passou de 845 milhões de usuários em 2010 para 1,65 bilhão
de usuários ativos em 2016 (FACEBOOK, 2016).
De acordo com dados divulgados pelo próprio Facebook (2016), só no Brasil em
março de 2016, o Facebook registrou 105 milhões de usuários ativos na rede. Isso representa
aproximadamente 51% da população brasileira, fazendo do Brasil o terceiro país em número
de usuários na rede, perdendo apenas para a Índia e os Estados Unidos.

19

Dentre as principais possibilidades de interação que o Facebook oferece, pode-se citar
o botão “curtir”, que expressa a opinião do usuário diante das publicações de terceiros,
publicar fotos, vídeos, comentar as publicações, compartilhar e trocar mensagens privadas
através do chat (FERREIRA, 2014).
Tamanha popularidade e alcance fizeram do Facebook uma rica fonte de pesquisas.
Joinson (2008) realizou uma pesquisa cujo objetivo foi o de analisar os padrões de uso e
gratificações obtidas através da rede social. Quanto ao tempo gasto na rede, a maioria dos
respondentes afirmou que gasta entre 1 e 2 horas no Facebook (33,3%) e, entre 2 e 5 horas
(32,5%) uma proporção relativamente pequena de usuários alegou gastar menos de 1 hora
por semana (16,9%) ou entre 5 e 10 horas (11,0%) no site. Os usuários justificaram suas
respostas afirmando que utilizam o Facebook para manter contato com amigos que moram
longe de casa e conversar com amigos que perderam contato. Na mesma direção, Ferreira
(2014), com o objetivo de identificar e compreender a evolução do comportamento dos
adolescentes na rede social realizou uma pesquisa longitudinal com sujeitos entre os 13 e os
15 anos de uma região de Portugal que utilizavam o Facebook, e observou que nos primeiros
anos os adolescentes, através da rede social, buscavam segundo o autor da pesquisa, uma
afirmação do “eu”, de um novo estilo de vida e afirmação social, enquanto que no final da
pesquisa os adolescentes buscavam uma aceitação do corpo e uma maior desinibição do
mesmo.
Azevedo e Medina (2014) realizaram uma pesquisa na cidade do Rio de Janeiro com
estudantes e professores universitários, a fim de elucidar questões concernentes ao uso do
Facebook, bem como as consequências de seu uso. A pesquisa possuía uma parte qualitativa
em que os professores foram convidados a responder perguntas acerca do uso do Facebook
durante as aulas. De modo geral, consideraram que o uso das redes sociais é inevitável, mas
que a principal consequência é o afastamento da leitura. A segunda parte da pesquisa buscou
caracterizar os universitários quanto ao uso e verificou-se que 90% dos pesquisados
possuíam conta no Facebook. Os dados que mais chamam a atenção são que pelo menos
87% da amostra admitiram já ter passado por alguma dificuldade de aprendizagem ao estar
em sala online no Facebook e 76% consideram-se pessoas ansiosas.
Outro aspecto importante relacionado ao uso do Facebook, refere-se a sua utilização
no ambiente de trabalho durante o expediente. De acordo com Ferrer (2011), pelo menos
72% das empresas ao redor do mundo bloqueiam total ou parcialmente o acesso a esta rede
social. Segundo Barbosa e Oliveira (2014), este comportamento tem efeito direto na
produtividade, devido principalmente à perda de tempo e compromete a segurança da rede

20

corporativa. Segundo estes autores a principal consequência deste comportamento é a
demissão por justa causa.
Uma rede de tamanha expressividade torna a questão da privacidade um ponto
importante. Uma vez publicada, cabe ao usuário determinar o nível de privacidade de seus
conteúdos, restringindo-os aos amigos, público ou somente para si mesmo. Segundo Rosa
(2012), a maioria dos usuários opta por não permitir que desconhecidos tenham acesso às
informações de seus perfis. Este autor aponta que uma consequência referente à publicação
de fotos pessoais é a criação de perfis fakes (literalmente perfis falsos), que é o tipo de perfil
criado que utiliza informações falsas de pessoas famosas e anônimas, utilizam um nome e
fotos para criar um personagem real ou se passar por alguém com o intuito de espionar
outros perfis ou ainda para insultar e praticar cyberbullying – a prática de violência através
de insultos e ameaças por meio da internet - com outros usuários (KWAN e SKORIK,
2013).
Por outro lado, o uso eficaz da rede também pode trazer benefícios em diversos
aspectos, como no processo de ensino-aprendizagem, por exemplo. Ferreira, Correia e
Torres (2013) afirmam que o Facebook é uma ferramenta que pode ser utilizada como um
ambiente virtual de aprendizagem formal, em que alunos e professores podem trocar
conhecimento, permitindo uma aprendizagem colaborativa, interativa e com diversas
oportunidades pedagógicas.
Com o objetivo de tentar compreender comportamentos de usuários do Facebook,
alguns pesquisadores têm investigado esses comportamentos através do estudo das atitudes,
pois segundo Pimentel et al (2016), através das atitudes é possível prever o comportamento,
o que a torna um construto bastante importante dentro da Psicologia Social. Nesse sentido,
Ferreira et al (2008) investigaram as atitudes de usuários do Orkut, uma rede social com
características semelhantes ao Facebook, por meio de uma Escala de Atitudes frente ao
Orkut - EAFO, com o objetivo de conhecer quais as principais vantagens e desvantagens da
participação dos jovens no site de relacionamento social Orkut. Foram pesquisados 444
estudantes secundários da cidade de Aracaju e os pesquisadores observaram uma correlação
positiva significativa entre a atitude e as horas que os usuários passam na rede, indicando
que quanto mais favorável a atitude, mais tempo o usuário passa na rede social.
Na mesma direção, Pimentel et al (2016) realizaram uma pesquisa com o objetivo de
desenvolver uma Escala de atitudes frente ao Facebook e verificaram que os homens
apresentaram atitudes mais favoráveis em relação ao Facebook do que as mulheres,
contrapondo-se às pesquisas realizadas anteriormente que não encontraram diferenças por

21

sexo em relação à adesão a sites de relacionamento social. Os autores encontraram ainda
uma relação negativa entre as horas utilizando a rede e a idade, o que significa que quanto
menor a idade, mais tempo passam na rede.
De acordo com Fishbein e Ajzen (1975) as atitudes são uma boa medida de se prever
os comportamentos. No entanto, os comportamentos estão sujeitos à outras variáveis que
podem influenciar na sua emissão. Desta forma, estes autores desenvolveram a Teoria da
Ação Racional a fim de ampliar o estudo do comportamento através das atitudes e de outros
construtos.

A Teoria da Ação Racional e Teoria da Ação Planejada
Com o objetivo de prever e compreender comportamentos, Fishbein e Ajzen (1975)
desenvolveram a Teoria da ação Racional (TAR), uma importante teoria em que através da
análise da atitude (fator pessoal), da norma subjetiva (pressão social), levando em
consideração o contexto, o tempo e o alvo em que o comportamento é executado, obtêm-se o
que os autores nomeiam de intenção que sendo forte o suficiente farão com que o sujeito
execute um determinado comportamento.
A atitude é um construto amplamente estudado na Psicologia Social e sua importância
se deve ao fato de ser intimamente ligada ao comportamento dos sujeitos. Uma atitude
representa uma avaliação favorável ou desfavorável em relação a um objeto e é formada por
crenças comportamentais. De maneira geral, as crenças são julgamentos em relação a algum
aspecto discriminável do seu mundo ou do meio ambiente (FISHBEIN e AJZEN, 1975). De
acordo com esses autores, quando uma pessoa forma crenças em direção a um objeto,
automaticamente e simultaneamente forma atitudes em relação a esse objeto.
Embora as atitudes forneçam elementos capazes de prever um comportamento, outros
fatores estão envolvidos entre uma atitude e o comportamento (LIMA e D’AMORIM,
1986). Desta forma, a TAR traz o conceito de norma subjetiva, que é a percepção do
indivíduo acerca das expectativas do que as pessoas próximas a ele têm a respeito do
comportamento. Essa pressão social pode vir de pares, família, escola ou local de trabalho
(SHELDON, 2016). Juntos esses construtos formam a intenção que se refere ao propósito de
desempenhar um determinado comportamento (ROAZZI et al, 2014).
De acordo com Veiga e Monteiro (2005), a TAR traz ainda o conceito de que as
atitudes devem direcionar para um comportamento específico ao invés de considerar atitudes
gerais. Lima e D’amorim (1986) afirmam que o comportamento poderá ser mais específico

22

se levado em consideração em termos de ação, tempo, alvo e contexto, como por exemplo,
“comprar (ação), no dia X (tempo), cerveja de marca X (alvo), no supermercado Y
(contexto) ” (LIMA e D’AMORIM, 1986).
Por trás de toda atitude, existem as crenças comportamentais. E por trás da norma
subjetiva, as crenças normativas. As crenças são a compreensão que o sujeito elabora acerca
de si mesmo e do mundo que o cerca. Quando se conhecem as crenças, torna-se mais fácil a
compreensão das razões que levam a um determinado comportamento. As crenças formamse através das conexões realizadas entre os aspectos do mundo interno e externo dos sujeitos
e se dão através da observação direta, de informações captadas de fontes externas ao sujeito
e de inferências do próprio sujeito. Desta forma, o indivíduo elabora as crenças sobre
objetos, acontecimentos, comportamentos, sobre si mesmo e situações que o permeiam
(ROAZZI et al, 2014).
As crenças comportamentais referem-se ao desempenho e às consequências prováveis
de um determinado comportamento, sendo resultado da observação direta do sujeito. As
crenças comportamentais produzem as atitudes favoráveis ou desfavoráveis em relação a um
comportamento (VEIGA E MONTEIRO, 2005). Como afirmam Lima e D’amorim (1986), a
atitude de um sujeito em relação a um objeto X está relacionada ao conjunto de crenças
sobre o objeto X e não a uma crença específica relativa ao mesmo. As crenças normativas
são aquelas que regulam o comportamento de um indivíduo, determinando se o
comportamento deve ser executado, referem-se às expectativas de terceiros e devendo ser
socialmente aceitas. As crenças relacionam-se com objetos, atribuindo-lhes qualidades e
características, denominadas atributos. A intensidade com que um objeto se relaciona com o
atributo é chamada de força da crença, que demonstra o grau em o que o sujeito acredita que
um objeto está ligado a uma determinada qualidade ou atributo. O produto da força da
crença vai determinar de forma indireta a medida da atitude em relação a um comportamento
(ROAZZI et al, 2014).
Portanto, para entender e determinar a intenção de desempenhar um comportamento é
necessário conhecer as crenças. Conhecendo-se as crenças, é preciso determinar quais são as
crenças salientes na memória, para que a sua força seja medida (VEIGA E MONTEIRO,
2005). Como afirmam Hosseini et al (2015), a TAR oferece uma estrutura para reconhecer
as crenças fundamentais e as normas que afetam o comportamento.
Para saber qual a intenção do sujeito, os autores da TAR, Fishbein e Ajzen, sugerem
que seja elaborado um questionário a fim de levantar as crenças salientes que servirão de

23

base para o desenvolvimento de um instrumento que contém escalas de medida de atitude,
norma subjetiva e intenção em emitir o comportamento (VEIGA e MONTEIRO, 2005).
Apesar das pesquisas comprovarem a eficácia da TAR na predição e compreensão dos
comportamentos, o modelo foi alvo de críticas por possuir algumas limitações. A principal
delas refere-se ao fato de que as intenções e o comportamento são influenciados por outros
fatores, como por exemplo, os hábitos. Pensando nisso, Ajzen (1985) ampliou a Teoria da
Ação Racional e inseriu outro componente: o controle comportamental percebido. O
controle comportamental percebido é formado pelas crenças de controle, que representam a
crença pessoal do grau de facilidade de realização do comportamento.
As intenções refletem somente a motivação de agir, enquanto a execução de um
comportamento não depende somente disto, mas também do maior ou menor controle sobre
o comportamento (por exemplo, correr 100 m. em 5 seg.). Desta forma, se o indivíduo
possui controle sobre uma situação, pode decidir em executá-la ou não (MOUTINHO e
ROAZZI, 2010).

Figura 1. A Teoria do Comportamento Planejado. Fonte: (AJZEN, 2006).

Como afirmam Veiga e Monteiro (2005), quando uma pessoa acredita que lhe faltam
recursos, capacidade ou fatores alheios à sua vontade, é pouco provável desenvolver uma
intenção de desempenhar o comportamento. E ainda mesmo que uma pessoa tencione a fazer
uma ação, pode ser que não haja controle voluntário sobre o comportamento, o que explica a
influência do controle percebido nas intenções comportamentais e no comportamento. Estes
três

componentes,

atitude

face

ao

comportamento,

norma

subjetiva,

controle

comportamental percebido, vão formar uma intenção que pode levar ao comportamento.
Tendo um suficiente grau de controle, as pessoas possuirão uma intenção de realizar o
comportamento diante das oportunidades que surgirem (VEIGA e MONTEIRO, 2005).

24

De acordo com Knabe (2009), o modelo da TAP assume que as crenças
comportamentais, as crenças normativas e as crenças de controle são antecedentes da
atitude, da norma subjetiva e do controle comportamental percebido, conforme mostra a
Figura 1. Segundo Medeiros (2014), são crenças facilmente disponíveis na memória,
ativadas espontaneamente, sem a necessidade de esforço cognitivo significativo, na presença
atual ou simbólica do objeto em estudo, como o comportamento estudado.
Sendo assim, para a TAP, o comportamento humano é guiado por esses três
construtos: crenças sobre as prováveis consequências do comportamento (crenças
comportamentais), crenças sobre as expectativas normativas de outros (crenças normativas),
e crenças sobre a presença de fatores que podem facilitar ou impedir o desempenho do
comportamento (crenças de controle). Em seus respectivos agregados, crenças
comportamentais produzem uma atitude favorável ou desfavorável em relação ao
comportamento; crenças normativas resultam em pressão social percebida ou norma
subjetiva; e as crenças de controle dão origem ao controle comportamental percebido, juntos
esses construtos formarão uma intenção (AJZEN, 2006).

A Teoria da Ação Planejada, Redes Sociais e Facebook

A grande popularidade faz do Facebook um vasto campo de pesquisa teórica e
empírica, no entanto pouco se sabe ainda sobre os fatores antecedentes envolvidos na adoção
dos usuários a esta rede. A TAR e a TAP têm se mostrado teorias bastante sólidas e capazes
de fornecer dados consistentes com relação aos antecedentes comportamentais. Os estudos
realizados com essas teorias não deixam dúvidas quanto a sua eficácia, como demonstra a
pesquisa de Almeida e Roazzi (2014) cujo objetivo foi testar a adequação da TAR no que
diz respeito à predição da intenção para adotar o comportamento do não uso de bebidas
alcoólicas e direção em estudantes universitários e de modo geral, os resultados encontrados
no presente estudo, referentes ao comportamento do não consumo etílico e direção, foram
satisfatórios e corresponderam ao que é proposto pela TAR e as correlações entre as
variáveis confirmaram a validade teórica e metodológica à TAR. Na mesma direção,
Formiga, Dias e Saldanha (2005) com base na TAR, investigaram a intenção de pessoas,
incluindo infartadas, em praticar a caminhada, no mínimo, três vezes por semana e, por meio
de uma análise de Regressão Múltipla foi explicada 42% da variância obtida na intenção
comportamental, mediante crenças normativas gerais, atitude e crenças comportamentais

25

gerais, como determinantes para o comportamento em questão e de acordo com as autoras, a
TAR mostrou-se como um bom recurso para a explicação do comportamento em questão.
Buscando relacionar as Redes Sociais e os antecedentes comportamentais envolvidos
no seu uso, Pelling e White (2009) realizaram uma pesquisa com jovens de 17 a 24 anos
utilizando um modelo estendido e adaptado da TAP para investigar os antecedentes da
intenção de utilizar e permanecer utilizando as redes sociais em um alto nível de utilização.
No geral, o estudo revelou que um alto nível de uso das RSO é influenciado por fatores
atitudinais (o quão útil ou não o usuário percebe utilizar a rede mais que 4 visitas em uma
semana), normativos (se as pessoas importantes para elas aprovariam ou não mais do que 4
visitas às redes sociais em uma semana) e de auto identidade (se a pessoa se considerava o
tipo de pessoa que usa redes sociais), sugerindo que adultos com uma atitude favorável e que
sentem pressão das pessoas próximas tencionam a usar as redes sociais com mais frequência.
Já o controle comportamental percebido não emergiu como um preditor significativo das
intenções e comportamentos.
Leng et al (2011) investigaram os fatores que incentivavam os alunos a adotar sites das
RSO na Malásia. Os resultados mostram que uma atitude positiva e uma norma subjetiva
positiva influenciam na intenção de usar as redes sociais. A atitude afeta fortemente a
intenção comportamental, apoiando a hipótese inicial dos pesquisadores. Em outras
palavras, se um usuário se sentir bem com uma RSO específica, então ele ou ela estará mais
disposto a usá-la. Contraditoriamente ao que acreditavam os pesquisadores, a norma
subjetiva não tem efeito direto sobre a intenção. Estudos anteriores descobriram que o efeito
da norma social sobre a intenção é mais significativo no contexto do uso obrigatório em
comparação com o contexto de uso voluntário, como é o caso das RSO. O controle
comportamental percebido estabeleceu relação com a intenção, mas não estabeleceu relação
positiva com o comportamento alvo, corroborando com os achados de Pelling e White
(2009).
Também se utilizando da TAP, Baker e White (2010) realizaram uma pesquisa junto a
160 adolescentes de 13 a 16 anos para avaliar os fatores envolvidos no engajamento do uso
das RSO. A atitude e o controle comportamental mostraram-se como fortes preditores da
intenção de utilizar as redes sociais e a intenção também se relacionou fortemente com o
comportamento alvo. No entanto, a norma subjetiva não teve uma relação positiva com a
intenção, contrariando a maioria das pesquisas. Neste estudo, o controle comportamental
percebido também não estabeleceu correlação com o comportamento, o que segundo as

26

autoras já foi encontrado em outros estudos realizados com adolescentes (Hamilton e White,
2008) apud (Baker e White, 2010).
O uso dessas redes sociais acaba por impulsionar os mais variados comportamentos,
dentre eles pode-se citar o de bisbilhotar o comportamento do parceiro de relacionamento.
Partindo dessa premissa, Darvel et al (2011) investigaram o comportamento de
monitoramento do Facebook dentro de relacionamentos românticos, bem como os preditores
psicológicos desse comportamento, sob a luz da TAP. Nessa pesquisa a norma subjetiva foi
a que mais se correlacionou com a intenção e com o comportamento. A atitude também se
correlacionou positivamente com a intenção e com o comportamento. Contrariando a
hipótese levantada pelos pesquisadores o controle comportamental percebido não teve uma
correlação significativa com a intenção e com o comportamento. Portanto, pode ser que os
indivíduos percebam que eles têm alto controle volitivo sobre comportamentos variados em
sites sociais e que alguns anteriores mostraram que o controle comportamental percebido,
não emerge como um preditor de intenções e comportamentos nas redes sociais.
Buscando compreender a predição da proteção da privacidade dos usuários do
Facebook, Saeri et al (2014), utilizaram-se da TAP para compreender este comportamento e
relacionar a privacidade, risco e confiança no Facebook com os componentes da TAP. Nesse
estudo, os autores substituíram a norma subjetiva, pela norma descritiva - que indicam como
as pessoas devem se comportar numa determinada situação. Já as normas injuntivas
compreendem as ações que são aprovadas ou reprovadas em uma cultura, pelas leis em vigor
ou pelo contexto social - por considerarem a norma subjetiva o mais fraco dos três
componentes a respeito da predição do comportamento. Os dados revelaram que somente as
normas injuntivas e descritivas correlacionaram-se com a intenção de proteger a privacidade
no Facebook. Para os pesquisadores, isso pode ser explicado quando os participantes
percebiam que as pessoas importantes para elas aprovavam a proteção da privacidade online
ou perceberam que essas pessoas importantes protegiam a própria privacidade on-line, os
participantes relataram maiores intenções de proteção de privacidade. As correlações
negativas que revelaram que a atitude e o controle comportamental percebido podem ser
interpretados como indicadores de que nem atitude, nem controle comportamental percebido
são importantes para a proteção da privacidade online.
Desse modo percebe-se que através da TAP diversos autores vêm buscando
compreender o comportamento dos usuários das redes sociais e com um elevado poder de
previsão destes comportamentos. Nessa direção, Nasri e Charffedine (2012) realizaram uma
pesquisa com o objetivo de investigar os fatores relacionados ao uso do Facebook na Tunísia

27

através de um modelo adaptado da Teoria da Ação Planejada. Consistente com achados
anteriores, a pesquisa constatou que a atitude e a norma subjetiva relacionaram fortemente
com a intenção de utilizar o Facebook, mesmo sendo realizada em um outro contexto
sociocultural.

DISCUSSÃO

A princípio cabe salientar que as pesquisas realizadas utilizando a TAR e a TAP tem
convergido através de seus resultados que estas teorias podem ser utilizadas empiricamente
para compreender e prever os mais variados comportamentos. Mas é possível prever um
comportamento? De acordo com o que foi levantado até aqui, a resposta é sim. A teoria
oportuniza o desenvolvimento de um instrumento, um questionário que avalia a intenção
comportamental, por meio da compreensão das atitudes, normas subjetivas e percepção de
controle sobre o comportamento. De acordo com Heidemann, Araújo e Veit (2012) para
uma predição acurada, algumas condições devem ser contempladas. Primeiramente, as
medidas da intenção e do controle comportamental percebido devem ser correspondentes ou
compatíveis com o comportamento que se quer predizer, ou seja, as intenções e as
percepções de controle devem ser avaliadas em relação a um particular comportamento de
interesse e ao mesmo contexto, alvo e tempo específico desse comportamento.
As crenças desempenham um papel preponderante nesta teoria, pois é por meio delas
que serão determinadas as atitudes, normas subjetivas e percepção do controle. Através delas
pode-se perceber o que pensam os sujeitos acerca daquele comportamento.
O número de pesquisas relacionadas à internet tem aumentado nos últimos anos em
consequência do espaço que a mesma tem tomado na vida contemporânea. Os dados das
pesquisas evidenciam que o Facebook é dentre as redes sociais aquela de maior
expressividade. Como foi visto até aqui, uma rede com tamanha magnitude possibilita os
mais diversos usos, bem como as consequências advindas deste uso. Nesse sentido, a
frequência do uso aparece como um fator importante. Como acontece com qualquer tipo de
uso abusivo, o uso excessivo da rede social acaba trazendo um impacto negativo para a vida
dos usuários, como interferências na aprendizagem, prejuízos na vida acadêmica, ansiedade
(Azevedo e Medina, 2014) e até a qualidade do sono (Suganuma et al, 2007).
O tempo de uso pode estar diretamente relacionado com tendências aditivas e entender
os aspectos adjacentes a isso é de extrema importância. Nesse sentido, a TAP pode
contribuir de forma a compreender as crenças dos sujeitos, bem como a sua intenção.

28

De acordo com Pelling e White (2009), os jovens são os que mais utilizam as redes
sociais e se dispõem a gastar em média 3 horas do dia nas redes sociais. Isso chama a
atenção para a importância dos pais, responsáveis ou pessoas próximas no sentido de
determinar, tentar controlar ou interferir no tempo gasto e na forma de uso desta rede pelo
público jovem.
De acordo com a TAP é possível, através da determinação das crenças normativas, por
meio de entrevistas ou de questões abertas, conhecer o que pensam as pessoas acerca
daqueles que lhe são próximos em relação ao comportamento alvo. É de extrema
importância saber quais são os grupos e porque são importantes, pois isto pode ajudar a
direcionar intervenções voltadas para este ou para aquele grupo. Segundo Heidemann,
Araújo e Veit (2012), intervenções com o intuito de mudar o comportamento podem ser
dirigidas a um ou mais dos seus determinantes: as atitudes, as normas subjetivas ou o
controle comportamental percebido.
Como vimos, a privacidade é um importante aspecto que pode influenciar na intenção
em usar o Facebook. A partir do momento que o sujeito percebe que tem controle sobre o
que posta e compartilha ele pode ampliar a intenção em utilizar a rede.
O uso do Facebook não deve ser visto como totalmente negativo. O que tem se
observado é que o Facebook é uma rede social de bastante expressividade e merece atenção
dos pesquisadores, sendo a TAP uma teoria consistente, pois oferece a possibilidade de
investigar diversos comportamentos.
Desta forma, a TAP pode contribuir, para explicar porque as pessoas utilizam o
Facebook. Podendo não só compreendê-los como também predizê-los. O estudo do
comportamento por meio da TAP pode ser útil para a elaboração de intervenções voltadas
para um determinado público alvo. Intervenções voltadas para diminuição do tempo de uso
em casos que o mesmo seja prejudicial, ou até mesmo inserir a rede social como um meio
facilitador na comunicação seja no ambiente de trabalho, educacional etc. Ao tentar
convencer as pessoas em mudar as próprias intenções, levando em consideração as atitudes,
as normas subjetivas e o controle percebido sobre o comportamento podem aumentar a taxa
de sucesso dessas intervenções.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O poder de predição de comportamentos da TAP chama a atenção dos pesquisadores
interessados em compreender os fatores psicossociais envolvidos em determinados

29

comportamentos. Essas pesquisas que vêm utilizando a TAP como teoria que busca
compreender e prever comportamentos não deixam dúvidas quanto a sua eficácia e
consistência. Seja o modelo original, como proposto por Fishbein e Ajzen ou com modelos
adaptados da mesma, visando uma compreensão mais ampla dos comportamentos
estudados.
O Facebook por ser uma rede social de enorme alcance, acaba ganhando notoriedade
entre as demais redes sociais. O presente estudo mostra como pode ser variada a gama de
comportamentos que esta rede social proporciona, tornando-se um vasto campo de pesquisa.
E as consequências podem ser tanto positivas quanto negativas.
Contudo, o que se percebe é ainda um número restrito de estudos que investigam os
fatores relacionados com o uso do Facebook tomando a TAP como teoria de base,
principalmente no Brasil. A TAP é uma teoria que pode fornecer dados mais completos
acerca do uso do Facebook, resultados que podem ser usados para servir de base na
elaboração de estratégias que visem modificar comportamentos desadaptativos e ampliar
comportamentos positivos.

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CAPÍTULO 2: CRENÇAS ACERCA DO FACEBOOK: UMA ANÁLISE ATRAVÉS
DA TEORIA DA AÇÃO PLANEJADA

RESUMO
Esta pesquisa teve como objetivo compreender as crenças referentes ao uso do Facebook à
luz da Teoria da Ação Planejada. Foram realizadas entrevistas com 29 estudantes de
instituições de ensino superior pública e privada da cidade de Maceió, com idade entre 19 e
37 anos (M = 24,8; DP = 5,98). Os dados foram transcritos e transformados em um corpus
para análise no software IRAMUTEQ. Foram realizadas a Análise Hierárquica Descendente
e Análise de Similitude. A partir da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), foram
analisados 281 segmentos de texto (ST). Os resultados encontrados referentes às crenças
evocadas sobre o uso do Facebook, retendo 83,25% do total, geraram três classes: “crenças
comportamentais positivas”, considerando como principal vantagem o contato com as
pessoas; “crenças comportamentais negativas”, em que os sujeitos indicam despender muito
tempo no Facebook, “crenças de controle”, referentes a percepção de que com uma internet

34

de boa velocidade e um smartphone podem ter o acesso à rede social facilitado. Os
resultados da Análise de Similitude, indicaram a associação do Facebook, palavra central,
com as palavras “saber”, “acesso”, “informação”, “negativo”, “internet” e “celular”. Foi
possível evidenciar, em linhas gerais, que o uso do Facebook está atrelado ao objetivo
principal de interligar e facilitar a comunicação entre as pessoas e, secundariamente, como
fonte de notícias ou busca por vagas de emprego, por exemplo. O software mostrou-se útil e
eficaz para análise de conteúdo das entrevistas.
Palavras-chave: crenças, redes sociais, Facebook, Teoria Ação Planejada.

ABSTRACT
This research aimed to understand the beliefs regarding the use of Facebook in light of the
Theory of Planned Action. Interviews were conducted with 29 students from public and
private higher education institutions in the city of Maceió, aged between 19 and 37 years (M
= 24.8, SD = 5.98). The data were transcribed and transformed into a corpus for analysis in
the IRAMUTEQ software. The Descending Hierarchical Analysis and Similitude Analysis
were performed. From the descending hierarchical classification (CHD), 281 text segments
(ST) were analyzed. The results found regarding the evoked beliefs about the use of
Facebook, retaining 83.25% of the total, generating three classes: "positive behavioral
beliefs", considering as main advantage the contact with people; "Negative behavioral
beliefs," the subjects believe they spend a lot of time on Facebook, "beliefs of control,"
because they believe that with a good speed internet and a smartphone can facilitate access
to the social network. The results of the Similitude Analysis indicated the association of
Facebook, the central word, with the words "know", "access", "information", "negative",
"internet" and "cellular". It was possible to show, in general terms, that the use of Facebook
is linked to the main objective of interconnecting and facilitating communication between
people and, secondarily, as news source or search for job openings, for example. The
software proved to be useful and effective for content analysis of interviews.
Keywords: beliefs, social networks, Facebook, Theory of Planned Behavior.

INTRODUÇÃO
As redes sociais, e mais particularmente o Facebook, são hoje meios de comunicação
muito populares em todo mundo. Dados divulgados em 2016 pelo Facebook afirmam que o
mesmo possui uma média diária de 1,19 bilhão de pessoas ativas, sendo 82 milhões somente
no Brasil (STATISTA, 2017).
Alguns estudos vêm sendo desenvolvidos no intuito de compreender o comportamento
dos usuários na rede, bem como as consequências de seu uso. Joinson (2008) realizou uma
pesquisa cujo objetivo foi o de analisar os padrões de uso e gratificações obtidas através da
rede social. A maioria dos respondentes afirmou que gasta entre 1 e 2 horas no Facebook
(33,3%), entre 2 e 5 horas (32,5%), uma proporção relativamente pequena de usuários
alegou gastar menos de 1 hora por semana (16,9%) ou entre 5 e 10 horas (11,0%) no site. Os

35

usuários justificaram suas respostas afirmando que utilizam o Facebook para manter contato
com amigos que moram longe de casa e conversar com amigos que perderam contato.
Lampe, Ellison e Steinfield (2007) afirmam que jovens adultos usam o Facebook para
manter os relacionamentos que existem fora da rede social, sendo pouco provável que o
utilizem para iniciar novos relacionamentos. Segundo Lenhart e Madden (2007),
adolescentes e, em particular as meninas, dizem que usam esses sites para combinar passeios
com amigos que veem frequentemente ou para ficar em contato com amigos que eles veem
pouco. Neste mesmo estudo, as meninas relatam usar esses sites para reforçar os
relacionamentos pré-existentes, enquanto os meninos dizem que o usam para flertar ou fazer
novos amigos. Gonzales e Hancock (2011) analisaram o efeito do uso do Facebook sobre a
autoestima. Os resultados demonstraram que ser autoconsciente, olhar para o próprio perfil
no Facebook, melhora a autoestima mais do que diminui. De acordo com essas pesquisas, a
rede social afeta a vida dos usuários de maneira diferente, a depender do grupo social, do
gênero e do padrão de uso da rede, inúmeras possibilidades e objetivos de utilização
existem.
Relativamente ao uso inadequado do Facebook, um dos tipos mais frequentes é sua
utilização no ambiente de trabalho durante o expediente. Segundo Barbosa e Oliveira
(2014), este comportamento tem efeito direto na produtividade, devido principalmente à
perda de tempo e comprometimento da segurança da rede corporativa. Segundo estes autores
a principal consequência deste comportamento é a demissão por justa causa. De acordo com
Ferrer (2011), pelo menos 72% das empresas ao redor do executam algum tipo de bloqueio
no acesso ao Facebook pelos seus funcionários.
O Facebook, assim como outras redes sociais, torna fácil e prática a criação de um
perfil, sem a necessidade de qualquer comprovação da identidade de quem o está criando.
Assim, a criação de um perfil com informações falsas, seja de pessoas famosas ou aleatórias,
que utilizam nomes e fotos para criar um personagem real ou se passar por alguém, vem
sendo frequente. Geralmente, esse tipo de uso tem como finalidade espionar outros perfis ou
ainda insultar e praticar cyberbullying – a prática de violência através de insultos e ameaças
por meio da internet - com outros usuários (KWAN e SKORIK, 2013).
Por outro lado, o uso eficaz da rede também pode trazer benefícios em diversos
aspectos, como no processo de ensino-aprendizagem, por exemplo. Ferreira, Correia e
Torres (2013) afirmam que o Facebook é uma ferramenta que pode ser utilizada como um
ambiente virtual de aprendizagem formal, em que alunos e professores podem trocar

36

conhecimento, permitindo uma aprendizagem colaborativa, interativa e com diversas
oportunidades pedagógicas.
As consequências em utilizar o Facebook dependem centralmente de como e onde os
usuários fazem uso deste. Uma forma de melhor compreender o comportamento dos
usuários é através do estudo das crenças. As crenças têm sido bastante estudadas na
Psicologia Social e sua importância se deve ao fato de serem um dos componentes das
atitudes (SILVA et al, 2005). As atitudes por sua vez, vem sendo amplamente estudadas
devido a sua forte relação com o comportamento (MYERS, 2014).
As crenças podem ser entendidas como representações mentais relacionadas a
processos cognitivos, emocionais e conativos. Não se pode ter uma atitude em relação a um
objeto se não houver alguma representação cognitiva a seu respeito, ou seja, é preciso
conhecê-lo. Ninguém pode manifestar uma reação pró ou contra aquilo que desconhece
(BOTASSINI, 2015).
Segundo Fishbein e Ajzen (1975), as crenças referem-se à probabilidade subjetiva de
uma pessoa de fazer julgamentos sobre algum aspecto discriminável de seu mundo.
Especificamente os autores definem as crenças como a probabilidade subjetiva de uma
relação entre o objeto da crença e outro objeto, valor conceito ou atributo.
Fishbein e Ajzen (1975), objetivando ampliar o conhecimento sobre as crenças,
atitudes e sua relação com o comportamento, desenvolveram a Teoria da Ação Racional
(TAR). Ao propor a TAR, os autores indicaram claramente seu desejo de estabelecer uma
teoria que explicaria e anteciparia o comportamento social dos indivíduos. A TAR postula
que o comportamento depende da intenção comportamental, que depende de atitudes
comportamentais e normas subjetivas. Poucos anos depois, foi modificada pela adição de um
novo componente, o controle comportamental percebido, e se tornou a Teoria da Ação
Planejada (TAP) (Ajzen, 1991).
Desde o seu desenvolvimento, essas duas teorias têm sido amplamente utilizadas em
uma multiplicidade de pesquisas empíricas de diversas áreas, estabelecendo-se como uma
das principais teorias no estudo da relação comportamento-atitude
A atitude é formada pelas crenças acerca das consequências de um determinado
comportamento e pela avaliação dessas consequências, isto é, os indivíduos associam as
consequências às ações que seriam as crenças, e atribuem um valor a essas consequências,
que seria a avaliação. A norma subjetiva, é determinada pelas crenças normativas da pessoa,
ou seja, pelo grau de importância que dado à opinião de pessoas ou grupos de pessoas
importantes para a mesma e por sua motivação. Na formação da norma subjetiva, cada

37

crença normativa é ponderada pela motivação correspondente para se conformar (GODIN,
2012).
Uma crença de controle consiste em uma estimativa da probabilidade de que um
determinado fator que facilite ou dificulte a adoção do comportamento estará presente ou
ausente ao realizar ações. A importância de um fator de controle está na expressão do grau
de influência que a presença desse fator de controle tem na decisão de executar a ação ou
não (AJZEN, 1991).
Desta forma, a TAP fornece uma base para o estudo das crenças, permitindo fazer uma
análise mais detalhada acerca dos fatores relacionados ao uso do Facebook. Diante deste
contexto, conhecer as crenças sobre o uso do Facebook torna-se essencial para a
compreensão das atitudes e comportamentos dos usuários diante desta rede social. Sendo
assim, o presente estudo teve como objetivo analisar as crenças referentes ao uso do
Facebook.

MÉTODO

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 29 usuários do Facebook, alocados
por conveniência, sendo 20 mulheres (69%) e 9 homens (31%), com faixa etária
compreendida entre 19 e 37 anos (média de 24,8 anos e desvio padrão de 5,98). Do total, 20
sujeitos eram do curso de Psicologia (60%) e 9 (31%) do curso de Enfermagem.
Os participantes foram questionados sobre: as vantagens e desvantagens de utilizar o
Facebook (crenças comportamentais), as pessoas que aprovariam ou desaprovariam o uso do
Facebook (crenças normativas), e os fatores que poderiam contribuir ou dificultar a
utilização do Facebook (crenças de controle).
As entrevistas foram gravadas em áudio mediante autorização dos participantes e
posteriormente transcritas na íntegra. Os dados foram inseridos no IRAMUTEQ (Interface
de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires), um programa
de licença livre, que permite fazer análises estatísticas sobre corpus textuais e sobre tabelas
indivíduos-palavras. Este programa ancora-se no software R (R Development Core Team,
2012) e na linguagem de programação python (www.python.org). As análises feitas
pelo IRAMUTEQ são consideradas qualitativas, tendo em vista que analisam as palavras
utilizadas no discurso, bem como quantitativas, pois são analisadas pela frequência e pelo
método estatístico inferencial do qui-quadrado (MARCHAND e RATINAUD, 2012).

38

O material textual decorrente da entrevista foi organizado em um único corpus. O
conteúdo textual contido nesse corpus foi submetido à Análise Hierárquica Descente (CHD),
cujo objetivo é classificar os Segmentos de Texto (ST) - os ambientes das palavras –
divididos em função dos seus respectivos vocabulários, e o conjunto dos mesmos é
particionado em função da frequência das formas reduzidas. Esta análise permite obter
classes com palavras que são semelhantes entre si e separadas do vocabulário dos segmentos
das outras classes (CAMARGO e JUSTO, 2016).
Posteriormente os dados foram submetidos à análise de similitude. Esta análise visa
compreender a proximidade e as relações entre os elementos de um conjunto, sob a forma de
árvores máximas (MARCHAND e RATINAUD, 2012).
Todos os aspectos éticos foram seguidos de acordo com a Resolução 466/2012 do
Conselho Nacional de Saúde. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com
Seres Humanos da Universidade Federal de Alagoas sob Parecer de número 1.941.145. Os
estudantes só participaram após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido,
demonstrando interesse em participar da pesquisa.

RESULTADOS
As respostas à entrevista que abordava o que os participantes pensam acerca do uso do
Facebook compuseram o corpus “Crenças acerca do uso Facebook”, o qual foi constituído
por 203 textos que se desdobraram em 281 segmentos de texto. Destes, 83,25% foram
retidos na CHD realizada com o auxílio do software IRAMUTEQ. Após a lematização,
foram identificadas 1.227 formas distintas, que ocorreram numa frequência média de 9,11.
A CHD particionou o corpus em três classes (Figura 1).
Corpus “Crenças acerca
do Facebook”
ST - 281

Classe 2
Crenças Comportamentais
positivas
ST – 42,4%

Classe 1
Crenças Comportamentais
negativas
ST – 28,8%

Classe 3
Crenças de controle
ST – 28,8%

Palavra
Internet

χ2
68,91

39

Palavra
Positivo
Consequência
Informação
Vantagem
Trazer
Amigo
Social
Notícia
Bom
Útil
Comunicação
Achar

χ2
23,16
22,29
21,52
17,43
11,4
8,95
8,84
8,84
8,84
8,45
8,45
8,17

Palavra
Coisa
Deixar
Vez
Desvantagem
Ficar
Gente
Mundo
Acabar
Perda
Passar
Entender

Celular
Computador
Falta
Aplicativo
Acessar
Wifi
Lugar
Notebook
Dificultar
Dispositivo
Tablet
Dado

χ2
23,0
23,1
16,9
17,1
18,2
8,5
7,2
4,5
4,3
4,0
3,4

65,45
30,4
22,05
18,01
16,68
15,34
14,07
12,71
11,5
10,11
10,11
10,11

Figura 1. Dendograma da classificação hierárquica descendente do corpus Crenças acerca do
Facebook.

Inicialmente ocorreram 2 partições no corpus: as crenças comportamentais e as
crenças de controle. Em seguida as crenças comportamentais foram fragmentadas em
crenças comportamentais positivas e negativas. A classe 1, nomeada como “Crenças
Comportamentais Negativas”, foi responsável por 28,8% dos ST. O conteúdo desta classe
está relacionado à atitude e envolve crenças relativas à avaliação das consequências
desvantajosas em utilizar o Facebook. As principais palavras desta classe foram: coisa,
deixar, vez, desvantagem, ficar, gente, mundo, acabar, perda, passar, entender. Os trechos a
seguir ilustram esse contexto:
“Eu acho que uma desvantagem é que ele consome
muito tempo da pessoa às vezes você deixa de fazer
outra coisa até importante como estudar e tal para
você estar ali no Facebook porque e é uma
desvantagem que pode se tornar até um vício e aí
você não consegue ficar sem acessar o Facebook.”
(18 anos, Estudante de Psicologia)
“As

desvantagens

a exposição eu

em

utilizar

acho

que

o

facebook
[...]

é

essa exposição talvez que nós temos ou queremos
ter ao colocar alguma coisa porque você ali você

40

escreve algo que alguém vai ler, que alguém pode
criticar ou não[...]”.
(24 anos, Estudante de Psicologia)
A classe 2, que corresponde às “Crenças Comportamentais Positivas”, foi responsável
por 42,4% dos ST. Os principais elementos que se relacionaram a esta classe foram:
Positivo, consequência, informação, vantagem, trazer, amigo, social, notícia, bom, útil,
comunicação, achar. O conteúdo desta classe retrata as vantagens percebidas pelos sujeitos
em utilizar o Facebook. Os trechos a seguir ilustram esse contexto:
“A vantagem é de acesso mais rápido as pessoas
os amigos e também atualizar com o que está
acontecendo assim as pessoas mais próximas da
gente essas pessoas geralmente colocam mais
coisas no facebook do que geralmente ligando
falando pessoalmente.”
(24 anos, Estudante de Psicologia)
“[...]vantagens para ficar informado sobre várias
coisas e o que está acontecendo no mundo saber
da vida do povo também e para se comunicar só.”
(21 anos, Estudante de Psicologia)
A Classe 3 corresponde às “Crenças de controle” e foi responsável por 28,8% dos ST.
Os principais elementos que se relacionaram a esta classe foram: internet, celular,
computador, acessar, lugar, fácil, facilitar, aplicativo, notebook, wifi, dado, dispositivo,
tender, casa e tablet. O conteúdo desta classe retrata a percepção do sujeito frente ao
controle sobre o comportamento em questão, relacionam-se às crenças da existência de
fatores que podem facilitar ou dificultar a emissão do comportamento, ou seja, quanto maior
for a percepção de possuir recursos e menor a percepção de dificuldades maior será o
controle comportamental. Os trechos que expressam esse contexto são apresentados a seguir:
“Você pode acessar ele de qualquer dispositivo
tablet celular computador notebook e os lugares

41

estão cada vez mais tendo uma internet livre e fácil
para você se você chega num restaurante hoje e
pedir o wifi eles vão te dar a senha do wifi para
você usar”.
(24, estudante de Enfermagem)
“A falta da internet uma internet lenta porque ele é
um aplicativo pesado um dispositivo ultrapassado
porque os celulares os Androids que são os
sistemas operacionais estão cada vez mais
atualizados e eles vão tirando também alguns
aplicativos para não rodar mais nos Androids já
fiz isso de desinstalar aplicativos para liberar mais
espaço para usar o facebook e comprar mais
pacote de internet quando acabava o pacote que a
operadora liberava por dia eu comprava mais”.
(23, Estudante de Psicologia)

Pode-se observar que as crenças normativas não formaram uma classe. Isso pode ser
explicado provavelmente pelo fato das respostas terem sido muito curtas, com o uso de uma
ou duas palavras ou não terem sido respondidas de forma clara. Possivelmente, dado o uso
exponencial e frequente das RSO, não faz parte dos repertórios de crenças salientes, a
percepção de interferências externas sobre o comportamento de acesso ao Facebook. Alguns
relatos mencionam atenção e preocupação dos pais/familiares/amigos acerca do uso desta
ferramenta, contudo, a baixa frequência desses discursos não permitiu a partição de uma
classe.

42

Com objetivo de verificar a coocorrência de palavras acerca das crenças sobre o uso
do Facebook, foi realizada a análise de similitude (Figura 2). Através desta análise é
possível observar indicações da conexidade lexical, auxiliando na identificação da estrutura
do conteúdo do corpus (CAMARGO e JUSTO, 2013). É possível observar o nível de
interconexão entre as palavras tendo em vista o índice de suas coocorrências. Nesta análise,
o tamanho dos vocábulos e a espessura dos traços que os unem traduzem a relevância dos
termos para a compreensão do fenômeno estudado (SILVA e ENUMO, 2017).

Figura 2. Análise de similitude das Crenças relacionadas ao uso do Facebook.

Observa-se que as ramificações mais grossas da árvore representam relações mais
fortes, e as ramificações mais finas indicam relações mais fracas. Por meio dessa análise é

43

possível inferir a estrutura de construção do texto e temas de relativa importância
(CAMARGO e JUSTO, 2013). Assim, pela Análise de Similitude, foi possível verificar a
forte relação existente entre as palavras. A palavra “saber” aparece com o sentido de
conhecer a realidade, saber o que está acontecendo no mundo ao redor, está em relação com
as palavras notícia, conhecer, olhar, amizade entre outras. As crenças normativas aparecem
como uma ramificação da palavra saber e traz as palavras mãe, pai, marido, reclamar, este
dado sugere que estas são as pessoas que os sujeitos consideram a opinião sobre acessar o
Facebook impotante.
Outras palavras de destaque são “negativo” e “positivo”, exposição, tempo, estudar,
hora, trabalho, as palavras em coocorrência com estas denotam as principais consequências
percebidas pelos sujeitos em utilizar o Facebook, referindo-se às crenças comportamentais.
As palavras acesso, internet e celular, estão dentro de um mesmo núcleo, em forte relação
com computador, notebook; e informação em outro núcleo, com relação com jornal, meio,
comunicação, conversar. Embora estas palavras formem pequenos núcleos separados elas
emergem de uma mesma ramificação, a palavra “acesso” o que leva a crer que estas palavras
estão relacionadas aos fatores de controle que ajudam ou dificultam o indivíduo no acesso ao
Facebook.

Discussão

De acordo com os resultados apresentados foi possível perceber que a crença
comportamental relacionada ao Facebook refere o mesmo como uma “fonte de informação e
divulgação de notícias”, “rede de contatos” como principais vantagens percebidas pelos
participantes. Esses achados contradizem o que afirmam Zago e Bastos (2013), que
analisaram a visibilidade de notícias através de RSO, e encontraram que o Facebook é
utilizado majoritariamente para conteúdos ligados ao entretenimento e curiosidades, embora
esta RSO possa potencializar a replicação de notícias, essa não é considerada a sua função
principal, sendo esta função mais utilizada em outras redes sociais. Conforme também
pontuam Finardi e Pimentel (2013), o Facebook é percebido como uma importante fonte de
entretenimento e diversão sendo considerado como uma ferramenta de comunicação a ser
usada com amigos feitos fora das redes sociais, colegas de classe e familiares, na tentativa
de diminuir as distâncias geográficas, corroborando com a crença de “rede de contatos”.
Esses dados condizem com os achados de Lenhart e Madden (2007), que afirmam que
adolescentes e principalmente as meninas dizem que usam esses sites para combinar

44

passeios com amigos de contato frequente ou para ficar em contato com amigos que não
veem com tanta frequência.
As crenças de controle foram percebidas pelos participantes principalmente como “ter
um celular sempre à mão”, “ter uma boa qualidade de internet” como os fatores que mais
interferem na realização do comportamento. Esses dados confirmam os achados de Ferreira
e Mota (2014) em que a maior dificuldade em acessar esse tipo de serviço era a
disponibilidade de acesso à internet, pois alguns não possuíam internet em casa ou não
tinham disponível em outros locais como a escola, prejudicando a participação em outras
atividades que necessitavam dessa tecnologia. A palavra “celular” ocorreu com bastante
frequência. Aqui ela aparece com o sentido de smartphone que, como afirma Moran (2012),
diferente dos celulares simples estes são mais avançados, inovadores e chamativos, fazendo
com que seja a principal forma de acesso ao Facebook atualmente. Wasserman et al (2012)
explicam que a busca e uso de tecnologias mais atualizadas como smartphone, reprodutores
de mídias, jogos interativos, tablets, entre outros, evidenciou-se nos últimos anos na
população e como principal consequência disso está o surgimento de tendências aditivas
referentes ao uso de internet e RSO.

Considerações Finais

Este estudo buscou compreender as crenças dos usuários referentes ao uso do
Facebook. O papel desempenhado pelas crenças tem sido de bastante relevância para
compreensão de comportamentos sociais. A TAP mostra-se como uma importante teoria
capaz de fornecer uma base sólida para o estudo das crenças.
Essa pesquisa procurou identificar, por meio das crenças, os fatores envolvidos na
utilização desta rede social. As crenças centrais referem-se ao principal objetivo das redes
sociais de interligar e facilitar a comunicação entre as pessoas. No entanto observa-se que
são atribuídas outras funções secundárias como fonte de notícias ou busca por vagas de
emprego, por exemplo. Fica claro para os participantes desta pesquisa que o Facebook é
uma ferramenta capaz de unir vários elementos em um só lugar, permitindo assim o acesso
aos mais diferentes serviços.
Os resultados apresentados oferecem informações importantes, por meio do estudo das
crenças dos usuários do Facebook, de que esta RSO é reportada não somente vinculada à
manutenção de contato interpessoal e a possibilidade de novos contatos, mas também como
uma ferramenta de divulgação de notícias e espaço para discussões. Esses resultados

45

possibilitam uma reflexão sobre a utilização desta rede como ferramenta para o estudo de
diferentes aspectos do comportamento, seja para a área educacional, no sentido de avaliar
novas formas de interação e aprendizagem, seja para a área da psicologia, como meio de
acesso a representações, crenças e comportamentos diversos. Nesta mesma direção, em
função do potencial de divulgação, esses resultados podem ser úteis também para que
profissionais de áreas como jornalismo e comunicação social, possam dedicar mais esforços
na divulgação não só de matérias jornalísticas, como também conteúdos de entretenimento
voltados para grupos mais específicos.
No que se refere ao software utilizado para analisar as entrevistas, o IRAMUTEQ, o
conjunto de resultados aqui apresentados evidenciam suas qualidades para futuras
investigações. A utilização deste tipo de software permite reduzir possíveis erros provocados
pela subjetividade do pesquisador ao agrupar os dados em classes. Desta forma, são criadas
classes precisas que consideram a frequência das palavras dentro de um mesmo contexto,
bem como o grau de relação entre elas por meio do qui-quadrado, além de criar gráficos que
permitem melhor visualizar os resultados.
Apesar das contribuições apresentadas, esta pesquisa possui algumas limitações que
podem ser sanadas em estudos posteriores. Sugere-se que futuras investigações considerem a
análise do uso desta rede em contextos específicos como na educação, no ambiente de
trabalho, por exemplo. Seria interessante verificar também outras populações considerando a
relevância de dados como idade, gênero, nível educacional e seu papel na percepção da
utilização do Facebook. A ampliação das informações relativas ao uso de RSO se faz
importante na medida em que é crescente esse formato contemporâneo de inter-relação entre
as pessoas.

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CAPÍTULO 3: ANÁLISE DOS DETERMINANTES DA INTENÇÃO DE UTILIZAR
O FACEBOOK

RESUMO
Este estudo tem como objetivo identificar os fatores preditores das intenções
comportamentais de utilizar o Facebook tomando como base os preceitos da Teoria da Ação
Planejada. Em uma primeira etapa do estudo, foram entrevistados 29 sujeitos, estudantes
universitários de ambos os sexos de uma instituição pública e outra privada, a fim de fazer

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um levantamento das crenças salientes como base para a construção de um instrumento a ser
aplicado em uma segunda etapa, o Questionário de Atitudes e Normas frente ao Uso do
Facebook (QANUF). Na segunda etapa, a amostra foi constituída por 309 sujeitos, sendo
63,1% do sexo feminino (n=195), 36,9% do sexo masculino (n=114). A idade variou entre
18 e 56 anos (M= 28,45; DP=7,515). Na primeira etapa, os resultados principais reportaram
3 classes de crenças sobre o uso do Facebook, a primeira denominada crenças de controle,
sobre as crenças acerca das facilidades e dificuldades em executar o comportamento, a
segunda crenças comportamentais negativas, crenças que avaliam as consequências
negativas e crenças comportamentais positivas, que avaliam as consequências positivas. A
segunda etapa apresenta evidências de validade do Questionário de Normas e Atitudes frente
ao Facebook – QANUF, um instrumento composto por 2 fatores, o primeiro corresponde às
normas subjetivas. Foram evidenciadas correlações positivas entre as atitudes favoráveis ao
uso do Facebook e a frequência de acesso semanal. As normas subjetivas não apresentaram
correlações significativas com a utilização do Facebook. Concluiu-se que o uso do
Facebook é influenciado por fatores atitudinais e normativos. Estes achados que podem ser
utilizados para ajudar a compreender os fatores envolvidos no uso do Facebook e auxiliar a
criação de medidas que visem evitar o uso prejudicial.
Palavras-chave: Facebook, Teoria da Ação Planejada, atitude.
ABSTRACT
The aim of this study was to identify the factors that influence how space intentions are
used, based on the precepts of the Theory of Planned Action. In a first stage of the study, 29
subjects were interviewed, university students of both sexes from a public and private
institution, an aim to make a survey of salient beliefs as the basis for a construction of an
instrument to be applied in one step, an Attitude and Norms towards the Use of Facebook
Questionarie (QANUF). In the second stage, a sample consisted of 309 subjects, 63.1%
female (n = 195), 36.9% male (n = 114). Age ranged from 18 to 56 years (M = 28.45, SD =
7.515). In the first step, the main results reported 3 classes of beliefs about the use of
Facebook, a first denominated control beliefs, about how beliefs about the facilities and
difficulties in executions of the behavior, a second negative behavioral beliefs, beliefs that
evaluate as consequences negative behaviors and positive behavioral beliefs, which evaluate
as positive consequences. The second step presents evidence of validity of the ANUF Scale,
an instrument composed of 2 factors, the first one being subject to subjective norms.
Positive correlations were evidenced between attitudes favorable to the use of Facebook and
the frequency of weekly access. As subjective norms did not present significant correlations
with the use of Facebook. It was concluded that the use of Facebook is influenced by
attitudinal and normative factors. These findings that can be used to help ascertain the
factors involved are not used by Facebook and help create measures to avoid harmful use.
Keywords: Facebook, Theory of Planned Behavior, attitude.

INTRODUÇÃO
O Facebook é das redes sociais mais importantes do mundo. De acordo com Ferreira e
Filho (2015), os usuários relatam ter preferência de uso pela rede social Facebook, seja em

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sua versão para computador, seja em sua versão Messenger, que se configura em forma de
aplicativo para aparelhos móveis, em detrimento do mensageiro instantâneo WhatsApp. No
Facebook, um usuário informa seu perfil e cria um mural. Este mural é alimentado pelo
"status" de seus "amigos" regularmente atualizados de acordo com o investimento que eles
dão ao Facebook. Mas ao contrário de um blog cujas produções editoriais são controladas
apenas por seu autor e na periferia os comentadores, a página de perfil de um membro não é
exclusivamente pessoal, pois na verdade agrega atualizações de status de amigos, isto é,
outros membros da rede social constituídos pelo indivíduo.
Embora o Facebook seja utilizado prioritariamente para manter contatos com amigos o
seu uso vai além disso. Um exemplo disso é apresentado no estudo de Ferreira, Corrêa e
Torres (2013), que demonstra que o Facebook pode ser utilizado como uma ferramenta
pedagógica, auxiliando no processo de ensino-aprendizagem. Os alunos pesquisados
afirmaram que o Facebook possui vários aplicativos educacionais que tornam a rede social
mais atrativa facilitando o processo educacional de modo mais informal e funcional.
No entanto por se tratar de uma grande rede social o seu uso também pode trazer
alguns malefícios. Em virtude da grande quantidade de informações pessoais que ficam
disponíveis na rede, entra em questão a privacidade. Nosko, Wood e Molema (2010)
realizaram um estudo acerca da divulgação de dados pessoais no Facebook. A idade e o
status do relacionamento eram fatores importantes na determinação da divulgação. À medida
que a idade aumentava, a quantidade de informações pessoais em perfis diminuía. Aqueles
que estavam em busca de um relacionamento estavam em maior risco de ameaça e
revelaram a maior quantidade de informações altamente sensíveis. De acordo com esses
autores, quanto maior a quantidade de informações descobertas maior o risco de fraudes e
outras práticas criminosas envolvendo os dados dos usuários.
Na mesma direção, Azevedo e Medina (2014) investigaram as consequências
percebidas relativas ao uso do Facebook em universitários. O afastamento da leitura foi a
principal consequência percebida pelos estudantes que afirmaram a presença de dificuldades
de aprendizagem devido ao uso intenso desta rede social online - RSO. Estes estudos
demonstram que o uso Facebook pode trazer tanto benefícios quanto malefícios, e a
depender do uso, da intensidade e da quantidade de informações disponíveis a sua utilização
pode ser tanto positiva quanto negativa.
Desta forma, estudar o comportamento de utilização desta RSO se faz bastante
importante, uma vez que, seu uso indevido pode gerar prejuízos para o usuário. Que fatores
estão envolvidos no tipo de uso que os sujeitos fazem do Facebook? Como explicar o tempo

50

despendido nesta RSO? Essas questões demonstram a complexidade com se deparam os
estudiosos da área em predizer ou explicar o comportamento das pessoas.
De acordo com Wicker (1969), provavelmente os comportamentos não estão
diretamente relacionados às crenças e aos pensamentos, os psicólogos sociais vêm então
buscando analisar a relação atitude-comportamento, bem como o seu poder preditivo. Nos
últimos anos as principais estratégias teórico-metodológicas nesta área têm desenvolvido
modelos integrados que incluem alguns determinantes adicionais, como as intenções e as
normas sociais na explicação do comportamento. Pode-se dizer que os mais relevantes
modelos nesta perspectiva consistem na Teoria da Ação Racional (TAR) e Teoria da Ação
Planejada (TAP) (Armitage e Conner, 2001).
A TAP (Ajzen, 1991) é uma extensão da TAR (Fishbein e Ajzen, 1975). Nesse
modelo, a realização do comportamento deve depender diretamente da intenção do indivíduo
de adotá-lo. Essa teoria se adapta particularmente aos comportamentos cuja adoção está
amadurecida, cujas consequências positivas e negativas podem ser antecipadas. Na TAR, a
intenção admite duas variáveis preditoras: a atitude em relação ao comportamento e a norma
subjetiva. Na TAP, uma terceira variável, denominada controle comportamental percebido, é
adicionada como antecedente da intenção para levar em consideração o fato de que, mesmo
que os indivíduos tenham uma atitude bastante favorável em relação ao comportamento,
mesmo que eles pensem que sua adoção seria aprovada por aqueles que os cercam, eles
podem não sentir a habilidade ou a liberdade de adotar esse comportamento (AJZEN, 1991).
Os três antecedentes de intenção (atitudes em relação ao comportamento, normas
subjetivas e a percepção de controle sobre o comportamento) devem ser derivados de
crenças armazenadas na memória. No absoluto, cada antecedente é construído como uma
combinação linear das intensidades de cada crença ponderada pela avaliação de sua
importância para o indivíduo. A atitude, isto é, a avaliação mais ou menos favorável do
comportamento, é derivada das crenças sobre as consequências prováveis da realização
comportamental (crenças comportamentais) ponderadas pela avaliação da conveniência
dessas consequências para o indivíduo. As normas subjetivas são derivadas de crenças sobre
as expectativas normativas do ambiente social do indivíduo, avaliadas em termos do grau de
aprovação ou desaprovação (crenças normativas) ponderadas pela propensão a estarem em
conformidade com as expectativas daqueles ao seu redor. A percepção do controle sobre o
comportamento é determinada pelas crenças sobre o controle que o indivíduo pensa ter sobre
os fatores que podem afetar o desempenho comportamental (crenças de controle)

51

ponderadas pela avaliação da importância desses fatores. Isso resulta em uma avaliação
global da possibilidade de realizar o comportamento (AJZEN, 1991).
A TAP permite fazer o levantamento das crenças sendo relevantes as que o indivíduo
tem mais acesso na memória, chamadas de crenças salientes. Isso permite uma melhor
compreensão do comportamento em questão. Além disso, a teoria, através do
desenvolvimento de um questionário, permite identificar os fatores que mais estão
associados à intenção de emitir tal comportamento (MEDEIROS, 2014). Por esses motivos,
a TAP vem sendo amplamente utilizada, para explicar o comportamento das pessoas,
inclusive o comportamento de utilização das RSO.
Com o objetivo de analisar a relação entre as RSO e os determinantes da intenção
comportamental de utilizar e permanecer utilizando as redes sociais em um alto nível de uso,
Pelling e White (2009) realizaram uma pesquisa com jovens de 17 a 24. No geral, o estudo
revelou que um alto nível de uso das RSO é influenciado tanto pelas atitudes, como pelas
normas subjetivas e de auto identidade (se a pessoa se considerava o tipo de pessoa que usa
redes sociais), sugerindo que adultos com uma atitude favorável e que sentem pressão das
pessoas próximas tendem a usar as redes sociais com mais frequência. Já o controle
comportamental percebido não apresentou correlação com a intenção e o comportamento.
De acordo com estes autores, isso pode ser explicado devido ao alto controle volitivo das
pessoas sobre o uso de RSO, tendo em vista a sua facilidade de acesso. Na mesma direção,
Chin, Lu, e Wu, (2015), objetivando explorar a motivação e o comportamento dos usuários
do Facebook em clicar no botão "Curtir", analisaram os comportamentos de 743 usuários
universitários do Facebook usando a teoria motivacional e a TAP. Os pesquisadores
descobriram que a motivação teve um impacto positivo nas atitudes em relação ao dar um
"Like" - comportamentos de cliques; as normas e atitudes subjetivas em relação aos
comportamentos

de

"curtir",

todos

tiveram

um

impacto

positivo

na

intenção

comportamental, e a intenção comportamental teve um impacto positivo nos
comportamentos reais. Essas descobertas fornecem uma base valiosa para a construção de
um modelo explicativo para comportamentos de usuários do Facebook, além de oferecerem
contribuições práticas significativas para aumentar os benefícios sociais e comerciais para
empresas e indivíduos que utilizam essa RSO.
Desta forma, este estudo tem como objetivo identificar os fatores preditores da
intenção comportamental de utilizar o Facebook tomando como base os preceitos da TAP.

52

MÉTODO

Seguindo o modelo metodológico proposto por Fishbein e Ajzen (1975) e Francis
(2004), o estudo foi desenvolvido em duas etapas: primeiramente, realizou-se o
levantamento das crenças salientes acerca do comportamento de utilizar o Facebook, dados
que embasaram a construção do instrumento utilizado na segunda etapa.
O levantamento dos dados obedeceu a todos os passos necessários à realização de uma
pesquisa científica com seres humanos, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa
da Universidade Federal de Alagoas, com parecer de número 1.971. 145 e a obtenção da
concordância dos sujeitos em participar do estudo, conforme preconiza a Resolução
466/2012 do Conselho Nacional de Saúde - CNS.

Etapa 1
Nesse primeiro momento foram realizadas entrevistas com 29 sujeitos de ambos os
sexos para a identificação das crenças. A amostra foi composta por estudantes de ambos os
sexos dos cursos de Psicologia e Enfermagem de instituições de ensino superior pública e
privada. Os entrevistados responderam às questões referentes às crenças comportamentais e
avaliação das consequências: “o que você considera como vantagens em utilizar o
Facebook?”, “o que você considera como desvantagens em utilizar o Facebook?” e “Quais
as possíveis consequências que o uso do Facebook pode trazer? (positivas ou negativas)”.
Referentes às crenças normativas: “que pessoas lhe vêm à mente que se preocupam com o
tempo que você passa acessando o Facebook?”, “que pessoas e/ou grupos desaprovariam
que você utilizasse o Facebook?” e por último referente às crenças de controle: “quais os
fatores que facilitam o acesso ao Facebook?” e “quais os fatores que dificultariam o acesso
Facebook?”.
As respostas dos estudantes foram transcritas para proceder à análise de conteúdo
através do software IRAMUTEQ. De acordo com Aquino (2015), este software organiza as
palavras características do discurso por classes, auxiliando o trabalho do pesquisador na
sistematização dos dados. Este software viabiliza diferentes tipos de análise de dados
textuais, desde aquelas bem simples, como a lexicografia básica, que abrange sobretudo a
lematização e o cálculo de frequência de palavras; até análises multivariadas como
classificação hierárquica descendente (CHD), a principal função utilizada nesta pesquisa,
análise pós-fatorial de correspondências e análises de similitude. Através desse software, o
vocabulário pode ser organizado de forma a facilitar a compreensão e tornar visualmente

53

mais claro por meio de representações gráficas pautadas nas análises lexicográficas
(CAMARGO e JUSTO, 2016).
Resultados
Após a transcrição das entrevistas, as respostas das perguntas foram agrupadas em um
único corpus. Por sua vez, as respostas do corpus foram divididas pelo software em 3
classes, de acordo com a semelhança das palavras. As 3 classes possuíam crenças
comportamentais, crenças normativas e crenças de controle: a classe 1, nomeada como
“Crenças Comportamentais Negativas”, foi responsável por 28,8% dos ST. O conteúdo
desta classe está relacionado à atitude e envolve crenças relativas à avaliação das
consequências desvantajosas em utilizar o Facebook. A classe 2, corresponde às “Crenças
Comportamentais Positivas”, foi responsável por 42,4% dos ST e o conteúdo desta classe
retrata as vantagens percebidas pelos sujeitos em utilizar o Facebook. A Classe 3
corresponde às “Crenças de controle” e foi responsável por 28,8% dos ST. O conteúdo desta
classe retrata a percepção do sujeito frente ao controle sobre o uso do Facebook, relacionamse às crenças da existência de fatores que podem facilitar ou dificultar a emissão do
comportamento.
Em cada uma das classes foi possível extrair segmentos típicos de texto relacionados
àquela palavra dentro daquela classe. Cada segmento típico de texto serviu de base para a
construção dos itens do questionário.
Para complementar os resultados desta etapa foi realizada também a Análise de
Similitude, através dessa análise é possível observar a relação entre as palavras e o grau de
conexão entre as palavras dentro da classe como também a ligação entre as várias classes
(MENDES et al, 2016). Por meio dessa análise conseguiu-se perceber quais pessoas cuja
opinião é considerada importante com relação ao uso do Facebook, sendo elas, “mãe” e
“pai” e em menor número “marido”.
Etapa 2
Nesta fase do estudo, contou-se com a colaboração de 309 sujeitos, sendo 63,1% do
sexo feminino (n=195), 36,9% do sexo masculino (n=114). A idade variou entre 18 e 56
anos (M= 28,45; DP=7,515). Com relação ao estado civil, 78,3% se declararam solteiros,
18,8% casados e 2,6% viúvos. Quanto à escolaridade, 0,3% possuem o ensino fundamental
completo, 5,8% o ensino médio completo, 23,9% o ensino superior incompleto, 54,7% o
ensino superior completo e 15,2% pós-graduação completa.
O instrumento utilizado foi elaborado a partir dos resultados da primeira etapa, sendo
delineado e ancorado pelos construtos teóricos da TAP. O questionário original foi

54

composto por 50 itens distribuídos para avaliação dos constructos: Comportamento,
Intenção, Atitude, Norma Subjetiva e Controle Comportamental Percebido acerca do uso do
Facebook. Foi utilizada escala de respostas tipo Likert de 7 pontos, sendo 1, discordo
totalmente e 7, concordo totalmente.

Análise de dados

Com o objetivo de avaliar o modelo experimental do Questionário de Atitudes sobre o
Uso do Facebook (ANUF), foram realizadas análises fatoriais exploratórias e análises da
confiabilidade interna dos fatores indicados pela análise fatorial. Para analisar as relações
entre as variáveis e a intenção comportamental em utilizar o Facebook, foram realizadas
análises de correlação de Spearman. Os dados foram tabulados e analisados através do
SPSSWIN (versão 19).

RESULTADOS

Análise Fatorial Exploratória (AFE) e análise de confiabilidade

Como procedimentos iniciais foram testados os índices estatísticos da matriz de
correlações dos itens do questionário através do teste de KMO (Kaiser-Meyer-Olkin) e do
teste de esfericidade de Bartlett (medidas que analisam a adequação dos dados para serem
submetidos a uma análise fatorial) (HAIR et al., 2009). Os testes estatísticos apresentaram
resultados satisfatórios (KMO = 0,736; X2 5706,598, p = 0,000). Procedeu-se então uma
análise fatorial dos componentes principais, com rotação varimax, sem especificar o número
de fatores. Obteve-se uma estrutura composta por 14 fatores, o que evidenciou a necessidade
de utilizar o diagrama de declividade (screeplot) como critério para avaliar a
dimensionalidade do instrumento, não obstante, o instrumento tenha sido delineado com
base nos 4 construtos teóricos da TAP (Field, 2009; Damásio, 2012) (Figura 1).

55

Figura 1. Diagrama de Declividade do QANUF
O screeplot demonstra a existência de 4 dimensões acima da curva. Decidiu-se, então,
explorar uma solução fatorial disposta em 4 fatores. Os resultados evidenciaram um modelo
composto por normas subjetivas relativas ao uso do Facebook em um fator (alpha = 0,80),
atitudes negativas relativas ao uso do Facebook (alpha = 0,60) em um segundo fator,
atitudes positivas relativas ao uso do Facebook (alpha = 0,66) em um terceiro fator e um
quarto fator composto por itens de atitudes e intenção comportamental frente ao uso do
Facebook (alpha = 0,50) (Tabela 1).
Tabela 1. Estrutura Fatorial do QANUF disposta em 4 fatores
Itens
13. Penso no que os meus amigos vão achar antes de
curtir a foto de alguém no Facebook
10. Penso no que a minha família vai achar antes de
fazer um comentário no Facebook
4. Penso no que a minha família vai achar antes de
curtir a foto de alguém no Facebook
21. Penso no que os meus amigos vão achar antes de
fazer um comentário no Facebook
35. Penso no que a minha família vai achar antes de
postar uma foto no Facebook
41. Penso no que os meus amigos vão achar antes de
postar uma foto no Facebook

Fator
Fator
Fator
Fator
Normas
Atitudes Atitudes Atitudes/
Subjetivas Negativas Positivas Intenção
0,696
0,649
0,639
0,621
0,618
0,534

0,348

56

28. Minha/Meu companheira(o) acha que eu devo
controlar o acesso ao Facebook
12. Acessar o Facebook compromete a minha
privacidade
17. O uso do Facebook atrapalha o rendimento
profissional
48. O uso do Facebook atrapalha o rendimento
profissional
24. Acredito que o uso do Facebook afasta as pessoas
do contato real
34. Acessar o Facebook pode auxiliar no contato com
amigos
50. Acessar o Facebook pode ajudar a encontrar
pessoas que perdi o contato
6. Acessar o Facebook pode ajudar a comprar ou
vender algum bem ou serviço
31. Utilizo o Facebook porque é uma rede social de
fácil acesso
2. Acessar o Facebook pode auxiliar na divulgação de
um evento
19. Acessar o Facebook pode ajudar a encontrar
pessoas que perdi o contato
22. O acesso ao Facebook pode prejudicar se não
usado adequadamente
33. Acredito que quando não acesso o Facebook fico
desatualizado
20. O uso do Facebook ajuda a vender um bem mais
rapidamente
29. Utilizo o Facebook porque é uma rede social
segura
40. Acessar o Facebook pode auxiliar numa busca
por vaga de emprego
42. Eu planejo permanecer usando o Facebook

0,514
0,644
0,559
0,366
0,318
0,681
0,599
0,542
0,494
0,474
0,433
0,412
0,349
0,302
0,655
0,592
0,552

47. Acreditar que as minhas informações pessoais
estão seguras facilita o meu acesso ao Facebook
25. Através do uso do Facebook minhas ideias tem
um maior alcance
26. Acredito que é importante utilizar o Facebook
30. Acessar o Facebook pode me manter informado
acerca das notícias
36. Acessar o Facebook pode ajudar no Trabalho

0,489
0,461
0,414
0,408
0,394

39. Eu tenho a intenção de acessar o Facebook
3. Utilizar o Facebook traz mais benefícios do que
malefícios
45. Ao usar o Facebook posso conhecer pessoas com
interesses em comum
46. As pessoas cujas opiniões são importantes para
mim apoiam que eu utilize o Facebook
Eigenvalue

0,385

4,656

4,510

4,159

1,431

% de variância explicada

9,129

8,842

8,156

6,727

alpha de Cronbach

,80

,60

,66

,50

0,357
0,319
0,313

Esses resultados permitem observar que os indicadores 2, 3 e 4 apresentaram índices
de consistência interna insatisfatórios. Conforme afirmam, (Nunally, 1978; Hair et al.,

57

2009), um nível mínimo de 0,7 para o alfa de Cronbach é necessário para ser considerado
satisfatório. É possível se verificar também a ausência de saturação das dimensões de
controle comportamental e intenção comportamental. Por essas razoes, foi gerada uma AFE
em 2 dimensões (Tabela 2).

Tabela 2. Estrutura Fatorial do QANUF em 2 dimensões, médias e desvios-padrão (DP)

Os resultados apresentados na Tabela 2, evidenciaram um modelo composto apenas
por normas subjetivas relativas ao uso do Facebook em um fator (alpha = 0,81) e atitudes
relativas ao uso do Facebook (alpha = 0,80) em um segundo fator, indicando que este
segundo modelo possui uma consistência interna satisfatória.
Para analisar a adesão dos participantes aos indicadores do questionário, foi realizada a
análise das médias e desvios-padrão (Tabela 2). O construto Atitude apresentou uma média
Fator 1

Itens
31. Utilizo o Facebook porque é uma rede social de fácil acesso
8. Postar no Facebook é mais fácil do que falar diretamente a uma pessoa
6. Acessar o Facebook pode ajudar a comprar ou vender algum bem ou
serviço
22. O acesso ao Facebook pode prejudicar se não usado adequadamente
25. Através do uso do Facebook minhas ideias tem um maior alcance
34. Acessar o Facebook pode auxiliar no contato com amigos
38. Acessar o Facebook pode ajudar a manter o contato com parentes e
amigos que moram longe
50. Acessar o Facebook pode ajudar a encontrar pessoas que perdi o
contato
30. Acessar o Facebook pode me manter informado acerca das notícias
13. Penso no que os meus amigos vão achar antes de curtir a foto de
alguém no Facebook
10. Penso no que a minha família vai achar antes de fazer um comentário
no Facebook
4. Penso no que a minha família vai achar antes de curtir a foto de alguém
no Facebook
21. Penso no que os meus amigos vão achar antes de fazer um comentário
no Facebook
37. Meus amigos acham que eu devo controlar o acesso ao Facebook

Atitudes
,572
,509

Fator 2
Normas
Subjetivas

,493
,485
,474
,446
,429
,416
,404
,681
,666
,623
,574
,550

28. Minha/Meu companheira(o) acha que eu devo controlar o acesso ao
Facebook
35. Penso no que a minha família vai achar antes de postar uma foto no
Facebook
41. Penso no que os meus amigos vão achar antes de postar uma foto no
Facebook
Eigenvalue

6,363

4,383

% de variância explicada

10,552

10,518

,80

,81

4,70 (1,11)

3,89 (1,39)

alpha de Cronbach
Média (Desvio-padrão)

,527
,510
,459

58

de 4,70 (DP= 1,11), representando um grau de importância razoável atribuído pelos
respondentes com relação às consequências da utilização do Facebook. Na Norma Subjetiva
foi encontrada uma média de 5,01 (DP=1,24), que corresponde à concordância dos
respondentes às Crenças Normativas.
Com o objetivo de verificar a relação entre os diferentes construtos e a intenção em
utilizar o Facebook, além da frequência de uso e as variáveis sociodemográficas, realizou-se
uma análise de correlação de Spearman. Optou-se pelo teste de correlação de Spearman,
pois os testes não-paramétricos são poderosos substitutos dos testes paramétricos,
especialmente nos casos em que as amostras são pequenas, naqueles em que a distribuição
dos dados não é normal ou ainda quando ocorrem dados discrepantes (outliers) (PONTES,
2010).

Tabela 3. Correlação entre os constructos, a frequência de uso e as variáveis
sociodemográficas

Tenho intenção de
utilizar o Facebook
Atitudes

0,094

Eu planejo
permanecer usando o
Facebook
0,068

Frequência de uso do
Facebook por
semana
0,112

Tempo de uso do
Facebook por dia

Normas

-0,086

0,069

0,016

0,012

Idade

0,100

-0,001

0,030

-0,125

Sexo

-0,102

-0,04

-0,124

-0,006

Estado Civil

0,051

0,070

-0,020

-0,016

Escolaridade

0,154

0,058

-0,100

-,115

0,000

Através da análise da Tabela 3, foram encontradas correlações parciais entre variáveis.
As atitudes frente ao uso do Facebook apresentaram-se correlacionadas com a frequência de
uso semanal, indicando que quanto mais as atitudes são favoráveis maior será o uso semanal
do Facebook. A idade dos participantes apresentou correlação positiva com o tempo de uso
por dia, o que significa que com o avançar da idade as pessoas dispendem mais tempo no
Facebook diariamente. A variável sexo também apresentou correlação com a frequência de
uso do Facebook por semana. Neste caso as mulheres utilizam com maior frequência quando
comparadas com os homens. A escolaridade apresentou-se correlacionada com a intenção de
utilizar o Facebook e com o tempo de uso por dia, isso significa que quanto mais alto o nível

59

de escolaridade maior a intenção em utilizar o Facebook e menos tempo de uso o sujeito
dispende diariamente.
DISCUSSÃO
O objetivo deste estudo foi identificar os fatores que influenciam as intenções
comportamentais de utilizar o Facebook, tomando como base os preceitos da TAP. Para
alcançar este objetivo, fez-se necessário o desenvolvimento de um instrumento que pudesse
avaliar tais fatores determinantes do comportamento de utilizar o Facebook. Foi realizada
uma análise da confiabilidade de um instrumento desenvolvido para o estudo. Os achados
demonstram que se trata de um instrumento conceitualmente válido, compreensível para os
participantes, e coerente nos atributos que mensura.
No entanto, foi possível observar que o questionário não mostrou consistência para
avaliar o controle comportamental e a intenção, apenas as atitudes e normas mostraram
consistência. A subescala de controle comportamental e intenção apresentou um alpha
baixo, mas já esperado dado apresentar apenas 4 itens cada (Nunally, 1978). Desta forma o
instrumento não foi capaz de mensurar a intenção comportamental um utilizar o Facebook.
Sendo o controle comportamental, um dos construtos que formam a base da TAP, pode-se
afirmar que a TAP pode não ser o melhor modelo para avaliar este comportamento. Isto
pôde ser observado após a exclusão dos itens referentes a esses dois construtos e a melhora
no índice do alpha de Cronbach dos fatores restantes. Estudos realizados com RSO e que
utilizaram o modelo da TAP como suporte teórico revelaram que as atitudes e as normas
subjetivas tiveram maior influência sobre o comportamento, sendo baixa a correlação entre o
controle comportamental percebido e a intenção ou comportamento relacionado às RSO
(Pelling e White, 2009; Leng et al, 2011; Baker e White, 2010; Darvel et al, 2011; e Saeri et
al, 2014). De acordo com estes pesquisadores, o controle comportamental percebido não
aparece como um preditor significativo de intenções ou do comportamento de utilizar uma
RSO. À medida que o efeito do controle comportamental diminui, o nível de volição
aumenta, isso pode ser explicado devido ao alto controle volitivo das pessoas sobre o uso de
RSO, dada a sua acessibilidade.
Como afirmam Moutinho e Roazzi (2010), a correlação entre intenções e
comportamento não é perfeita, embora as pessoas ajam usualmente de acordo com suas
intenções.

60

Desta forma, a hipótese inicial deste estudo foi confirmada parcialmente. Esperava-se,
com base nos pressupostos teóricos, que as atitudes, as normas subjetivas e o controle
comportamental percebido poderiam se relacionar com a intenção ou com o comportamento
de uso do Facebook, no entanto, foi encontrada uma correlação positiva, embora baixa, entre
a atitude e o comportamento em si, como apontam os estudos de Pimentel, Gouveia e
Vasconcelos (2005) em que há uma relação direta entre a atitude e o comportamento.
Foi encontrada correlação entre o sexo e o uso do Facebook, corroborando com
pesquisas realizadas anteriormente, McAndrew e Jeong (2012) afirmam que as mulheres
passavam mais tempo no Facebook, tinham mais amigos na RSO e eram mais propensas a
usar fotos de perfil para o gerenciamento de impressões. A idade dos participantes
correlacionou positivamente com o tempo de uso por dia, ou seja, com o avançar da idade as
pessoas dispendem mais tempo por dia no Facebook. Esse achado é contrário ao que
indicam pesquisas anteriores. De acordo com Pelling e White (2009) os jovens são o grupo
que mais acessa as redes sociais, por utilizarem a maioria das funções da RSO, este achado
pode explicar porque as pessoas mais novas a avaliam mais positivamente do que as de mais
idade. Foi encontrada correlação entre a escolaridade e a intenção de utilizar o Facebook e
com o tempo de uso por dia, isso significa que quanto mais alto o nível de escolaridade
maior a intenção em utilizar o Facebook e menos tempo de uso por dia o sujeito dispende
diariamente e não foram encontradas evidências acerca da relação entre o nível de
escolaridade e a intenção comportamental de usar o Facebook ou uma RSO.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A teoria que serviu de base para este estudo foi a TAP, que parte da premissa de que o
comportamento é influenciado por uma intenção comportamental, sendo que esta é
precedida por atitudes face ao comportamento, normas subjetivas e controle comportamental
percebido.
A despeito da validação do QANUF, a utilização de um software capaz de realizar a
análise do discurso dos entrevistados, possibilitou minimizar possíveis vieses na construção
dos itens que compuseram o QANUF. Confirmando o que vem sendo apresentado com
frequência nas investigações sobre o comportamento estudado, os resultados da presente
pesquisa demonstraram que a intenção não pôde ser medida através dos itens que foram
criados, bem como o controle comportamental percebido considerado um fator que não

61

possui grande interferência sobre as intenções e sobre este comportamento. Os dados aqui
encontrados levantam a questão de que não seria mais apropriado investigar esse
comportamento por meio da TAR? Pesquisas futuras, poderiam vir a confirmar isso. Por
outro lado, os outros dois construtos atitudes e normas subjetivas mostraram-se bons
preditores do comportamento de acessar o Facebook, sendo que a atitude obteve uma
correlação mais forte, o que nos leva a pensar que para os sujeitos pesquisados a pressão
social percebida não é relevante na decisão de executar o comportamento em questão.
Algumas limitações incluem que os participantes eram em grande parte estudantes
universitários e predominantemente mulheres, e estudos com amostras mais heterogêneas
podem vir a trazer resultados que auxiliem na compreensão deste comportamento.
No geral, o presente estudo forneceu algum suporte para a aplicação do modelo da
TAP no contexto do uso do Facebook. Este estudo possibilitou também o desenvolvimento
de uma instrumento (QANUF) que se constituiu em uma medida válida e precisa. Em
pesquisas científicas, o QANUF pode ser utilizada para avaliar as atitudes e normas frente
ao uso do Facebook, podendo também ser utilizada para verificar possíveis relações com
outros construtos.
Os resultados apresentados podem ser utilizados para ajudar a compreender os fatores
envolvidos no uso do Facebook e auxiliar a criação de medidas que visem evitar o uso
prejudicial, bem como subsidiar a criação de possíveis estratégias para visem modificar altos
níveis de utilização desta RSO, bem como ajudar na criação de novas funcionalidades.

REFERÊNCIAS
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64

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conjunto de estudos teórico e empíricos desenvolvidos na presente dissertação teve
como ponto de partida o reconhecimento de que o comportamento de utilizar o Facebook é
influenciado por vários fatores. Esta pesquisa teve o objetivo de analisar os fatores
determinantes da intenção de utilizar o Facebook, tomando como base os preceitos da Teoria
da Ação Planejada. Essa pesquisa se justificou tomando como base os estudos que
apontavam que esta RSO repercute na vida de seus usuários de maneira variada e as
consequências desse uso vai depender do contexto em que é utilizada e a frequência do seu
uso.
Para cumprir o objetivo geral foram delineados objetivos específicos de modo a
atender o objetivo principal. Dessa forma, a presente pesquisa seguiu um caminho teórico e
metodológico de modo a alcançá-los. E por meio da literatura aqui discutida evidenciou-se
que o Facebook é uma rede social de grande impacto. O comportamento de uso desta RSO,
bem como de seus determinantes vem sendo investigado desde o seu crescimento em
número e importância. E o estudo desta RSO, vem conquistando o interesse dos
pesquisadores do campo da Psicologia Social.
O primeiro objetivo específico foi desenvolver uma revisão de literatura. Essa revisão
permitiu clarificar algumas questões referentes a uso desta RSO. Quais os principais fatores
que influenciam o uso das RSO? Quais a principais consequências do uso desta rede? Esta
parte da pesquisa permitiu discutir o que a literatura traz como consequências positivas,
como a utilização para fazer e manter contatos, iniciar relacionamentos, utilizá-la como
ferramenta pedagógica auxiliando no processo de ensino-aprendizagem. A TAP, entre outras
teorias atitudinais, surge como uma teoria importante no auxílio da compreensão, bem como
na predição de comportamentos nas RSO. Os estudos revelaram que atitudes e normas
subjetivas possuem grande influência sobre as intenções de utilizar RSO, em especial o
Facebook, enquanto o controle comportamental percebido aparece menos relacionado às
intenções, suportando as Hipóteses 1 e 2. De acordo com os resultados aqui apresentados, a
hipótese 3 não foi confirmada, o que leva a concluir a não adequação do modelo da TAP
para estudar o comportamento de utilizar o Facebook, sendo a TAR mais adequada.
Estes achados podem auxiliar na escolha entre qual teoria pode explicar melhor este
tipo de comportamento em pesquisas futuras, se a TAR ou a TAP, haja vista os estudos
realizados até o momento evidenciarem que os usuários possuem um alto controle sobre o
seu uso. Desta forma, os resultados encontrados sugerem que a variável controle

65

comportamental percebido tem pouca ou nenhuma interferência sobre as intenções e
comportamentos relacionados ao uso de RSO.
O segundo objetivo foi identificar as crenças relacionadas ao uso do Facebook. Por
meio da análise das entrevistas foi possível identificar os referentes modais salientes dos
sujeitos. A análise destes dados permitiu concluir que para o grupo pesquisado há um
equilíbrio entre as vantagens e as desvantagens de utilizar o Facebook. Foi observado que há
uma crença de que o Facebook é uma boa plataforma para difusão de notícias e um espaço
para as mais diversas discussões, além de um bom meio para formar redes de contatos. Por
outro lado, outros o consideram como uma perda de tempo, e que deveriam dedicar menos
tempo ao Facebook e mais em outras atividades. Esses resultados podem servir para auxiliar
os profissionais que trabalham com programação, marketing e afins no sentido de fazer com
o Facebook continue exercendo o seu papel, e acrescentando maiores funcionalidades, para
além de manter o interesse daqueles que já são usuários fiéis, angariar mais usuários e
ampliar os grupos de interesse, haja vista esta rede social já estar há 13 anos no ar.
Um dos principais pontos a serem destacados neste estudo foi o desenvolvimento de
um instrumento capaz de avaliar as atitudes e normas relativas ao uso do Facebook
(QANUF). Este instrumento possui parâmetros de confiabilidade e validade satisfatórios.
Incialmente desenvolvido para compor os quatro construtos da teoria, após as análises de
confiabilidade verificou-se que o modelo final ficaria composto por dois fatores: atitudes e
normas subjetivas, cujos valores apresentados foram satisfatórios. Além de ter contribuído
para a presente pesquisa, pode auxiliar no desenvolvimento de outros estudos. Tendo em
vista que a utilização de instrumentos confiáveis e validados contribuem para maior exatidão
dos dados em pesquisas científicas.
A partir dos dados obtidos por meio do segundo modelo definido, pode-se concluir
que os fatores determinantes da intenção de utilizar o Facebook são principalmente as
normas subjetivas, seguidas pelas atitudes. Desta forma, ao se realizar intervenções
educativas com usuários, é importante que as mesmas sejam voltadas para a modificação das
variáveis atitude e normas. Espera-se que estes resultados possam auxiliar na criação de
medidas que envolvam o uso do Facebook.
No entanto, a presente pesquisa apresenta algumas limitações. Primeiramente a
amostra da pesquisa foi do tipo não probabilística, havendo restrições em relação à
generalização dos resultados obtidos. Outra limitação foi de que houve um predomínio
feminino nas amostras, e amostras mais heterogêneas podem vir a ampliar os resultados aqui
obtidos.

66

Como sugestões para pesquisas futuras, recomenda-se a utilização do instrumento
elaborado em outras populações, de forma que possa ampliar a compreensão deste
fenômeno. Apesar de o instrumento ter sido desenvolvido para avaliar as atitudes e normas
referentes ao uso do Facebook, ele pode ser utilizado para analisar a correlação entre outros
construtos e esse comportamento, como por exemplo valores humanos e traços de
personalidade. Por fim, recomenda-se a realização de estudos de intervenção que visam
mudanças nas atitudes frente ao uso do Facebook.

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%20-%20Repercuss%C3%B5es%20e%20Leituras.pdf#page=32>. Acesso em: 16/03/2018.
THEIS, I. M. A primavera brasileira: em pleno outono? Jornadas de junho: repercussões e
leituras,
p.
54,
2013.
Disponível
em:
<
http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/13359/1/Jornadas%20de%20Junho
%20-%20Repercuss%C3%B5es%20e%20Leituras.pdf#page=32>. Acesso em: 16/03/2018.
VERMELHO, Sônia Cristina et al. Refletindo sobre as redes sociais digitais. Educação &
Sociedade, v. 35, n. 126, 2014. Disponível em:
<http://www.redalyc.org/html/873/87330638011/>. Acesso em: 16/03/18.

67

APÊNDICES
APÊNDICE A - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE

Eu, ........................................................................................................................, tendo sido
convidad(o,a) a participar como voluntári(o,a) do estudo “Análise dos preditores
psicossociais da intenção de utilizar a rede social Facebook”, recebi do Sr. Jorge Alves dos
Santos Júnior, d(a) Dra. Sheyla Christine Santos Fernandes, responsável por sua execução,
as seguintes informações que me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas os
seguintes aspectos:

nalisar os preditores da intenção comportamental de utilizar a
rede social Facebook.
de como a atitude, a
norma subjetiva e controle comportamental percebido estão relacionadas com a intenção de
utilizar e se manter utilizando no futuro a rede social Facebook.

subjetiva e intenção comportamental em utilizar o Facebook.

alguns minutos.
entrevistas abertas individuais e aplicação
individual de questionários, podendo ainda ter o áudio gravado, ficando o pesquisador
responsável em guardar o material e manter o sigilo das gravações.

questionário para levantamento de crenças salientes e/ou do questionário de intenção de
utilização do Facebook, a fim de ser validado.
pode
surgir algum desconforto ao se responder os instrumentos, devido ao caráter pessoal das

68

perguntas, caso isso aconteça, os pesquisadores atenderão e farão encaminhamento
específico de acordo com a necessidade do participante.
a) quebra de sigilo sobre os
meus dados, no entanto, estou ciente que os mesmos estarão disponíveis apenas ao
pesquisador responsável e orientador desta pesquisa; b) perda de tempo com a minha
participação neste estudo, sendo minimizado pela explicação de todos os passos
metodológicos antes da assinatura do TCLE e explicação dos objetivos da pesquisa, estando
ciente que a minha participação contribuirá com o desenvolvimento de medidas que possam
no futuro minimizar as consequências o acesso abusivo das redes sociais; c)
constrangimento por não saber responder algumas ou todas as questões do roteiro de
entrevista, minimizado pela liberdade de não responder nada que eu não me convenha, tendo
garantias no sigilo das informações obtidas conforme descrito anteriormente.
e assistência: caso haja necessidade o pesquisado pode
entrar em contato com o pesquisador através de e-mail e o mesmo informará um Centro de
Apoio Psicossocial mais próximo para um encaminhamento mais específico, sendo
responsáve(l,is) por ela: Prof. Drª. Sheyla Christine Santos Fernandes e o pesquisador.

diretamente são: contribuição para o estudo do impacto das redes sociais na vida dos jovens
brasileiros.
pação será acompanhada do seguinte modo: o voluntário da pesquisa
poderá responder os questionários online, através do computador, celular ou tablet.

esclarecimentos sobre cada uma das etapas do estudo.

também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso me traga qualquer
penalidade ou prejuízo.
eguidas através da minha participação não permitirão a
identificação da minha pessoa, exceto aos responsáveis pelo estudo, e que a divulgação das
mencionadas informações só será feita entre os profissionais estudiosos do assunto.
or qualquer dano que venha a sofrer com a participação na
pesquisa.

69

Finalmente, tendo eu compreendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a
minha participação no mencionado estudo e estando consciente dos meus direitos, das
minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implicam,
concordo em dele participar e para isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE
PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADO OU OBRIGADO.
Endereço d(o,a) participante-voluntári(o,a)
Domicílio: (rua, praça, conjunto):
Bloco: /Nº: /Complemento: 14
Bairro: /CEP: Cidade: /Telefone:
Ponto de referência:

Contato de urgência: Sr(a). Jorge Alves dos Santos Júnior
Domicílio: Conj. Alfredo Gaspar De Mendonça
Bloco:14
Bairro: Jacarecica /CEP/Cidade: /Telefone: 82 – 99604-4198
Ponto de referência:

Endereço d(os,as) responsáve(l,is) pela pesquisa (OBRIGATÓRIO):
Instituição: Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Instituto de Psicologia
Av. Lourival Melo Mota, s/n, Tabuleiro dos Martins, CEP: 57072-900, Maceió/AL.
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no
estudo, dirija-se ao:
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas
Prédio da Reitoria, 1º Andar , Campus A. C. Simões, Cidade Universitária
Telefone: 3214-1041

Maceió,

70

Assinatura ou impressão datiloscópica
d(o,a) voluntári(o,a) ou responsável
legal e rubricar as demais folhas

APÊNDICE B

Nome e Assinatura do(s) responsável(eis) pelo estudo
(Rubricar as demais páginas)

INSTRUMENTO DA ETAPA I

“ENTREVISTA PARA O LEVANTAMENTO DE CRENÇAS MODAIS SALIENTES
REFERENTES AO USO DO FACEBOOK”

Roteiro de perguntas norteadoras
1. Quais as vantagens em utilizar o Facebook?
2. Quais as desvantagens em utilizar o Facebook?
3. Quais as consequências em utilizar o Facebook?
4. Que pessoas lhe vêm à mente que se preocupam com o tempo que você passa acessando
o Facebook?
5. Que pessoas e/ou grupos aprovariam que você utilizasse o Facebook?
6. Que pessoas e/ou grupos desaprovaria que você utilizasse o Facebook?
7. Quais os fatores que facilitaram para que você utilize o Facebook?
8. Quais os fatores que dificultariam para que você utilizasse o Facebook?

Dados sócio demográficos
Idade:
Estado civil:
Escolaridade:
Com que frequência você acessa o Facebook? (
vezes ao dia ( ) Mais de três vezes por dia

) Uma vez por dia

(

) Duas a três

71

APÊNDICE C

QUESTIONÁRIO DE ATITUDES E NORMAS FRENTE AO USO
DO FACEBOOK - ANUF

Nome:__________________________________________________Data: ____________________

Instruções: Por favor, responda cada questão abaixo assinalando o número que melhor descreve sua
opinião, numa escala que vai de “discordo plenamente” a “concordo plenamente”.
RESPONDER
1. Utilizo o Facebook porque é uma rede social
de fácil acesso
2. Postar no Facebook é mais fácil do que falar
diretamente a uma pessoa
3. Acessar o Facebook pode ajudar a comprar ou
vender algum bem ou serviço
4. O acesso ao Facebook pode prejudicar se não
usado adequadamente
5. Através do uso do Facebook minhas ideias tem
um maior alcance
6. Acessar o Facebook pode auxiliar no contato
com amigos
7. Acessar o Facebook pode ajudar a manter o
contato com parentes e amigos que moram
longe
8. Acessar o Facebook pode ajudar a encontrar
pessoas que perdi o contato
9. Acessar o Facebook pode me manter
informado acerca das notícias
10. Penso no que os meus amigos vão achar antes
de curtir a foto de alguém no Facebook
11. Penso no que a minha família vai achar antes
de fazer um comentário no Facebook
12. Penso no que a minha família vai achar antes
de curtir a foto de alguém no Facebook
13. Penso no que os meus amigos vão achar antes
de fazer um comentário no Facebook
14. Meus amigos acham que eu devo controlar o
acesso ao Facebook
15. Minha/Meu companheira(o) acha que eu devo
controlar o acesso ao Facebook
16. Penso no que a minha família vai achar antes
de postar uma foto no Facebook
17. Penso no que os meus amigos vão achar antes
de postar uma foto no Facebook

DISCORDO
TOTALMENTE

CONCORDO
TOTALMENTE

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

1

2

3

4

5

6

7

72

APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO

Caro voluntário após a conclusão do questionário gostaríamos que respondesse às questões
abaixo:
1.

Qual a sua idade?

___________
2.

Qual seu sexo? ( ) Feminino ( ) Masculino

3.

Qual o seu estado civil?
( ) Solteiro(a) ( ) Casado ( ) Divorciado(a) ( )Viúvo(a)

4.

Qual sua escolaridade?
( ) Ensino Fundamental Completo
( ) Ensino Médio Incompleto
( ) Ensino Médio Completo
( ) Ensino Superior Incompleto
( ) Ensino Superior Completo
( ) Pós-graduação Completa

5.

Com que frequência você acessa o Facebook por semana?
_____________

6.

Com que frequência você acessa o Facebook por dia?
_______________

7.

Quantas horas você passa no Facebook por dia?
( ) Menos de 1h
( ) Entre 2h-4h
( ) Acima de 4h

8.

Onde você costuma acessar o Facebook?
( ) Smartphone
( ) Tablet
( ) Computador particular
( ) Computador público

9.

Você costuma utilizar a internet em que tipo de rede: (Wifi público, wifi particular,
Rede móvel, internet fixa, outros)?
_________________

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ANEXO - PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA DA UFAL